Scielo RSS <![CDATA[Epidemiologia e Serviços de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/rss.php?pid=1679-497420250002&lang=pt vol. 34 num. S1 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://scielo.iec.gov.br/img/en/fbpelogp.gif http://scielo.iec.gov.br <![CDATA[ID 228 - Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT) de Inibidores de Janus Quinase (JAKi) para o Tratamento de Artrite Reumatoide]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200022&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Os medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD), como os inibidores de Janus quinase (JAKi), têm sido essenciais no tratamento da artrite reumatoide (AR). Com o rápido progresso no desenvolvimento dos JAKi e a iminente aprovação regulatória, este MHT visa identificar os JAKi em desenvolvimento para o tratamento de AR. Método: Foram recuperados registros de ensaios clínicos nas bases ClinicalTrials.gov, WHO International Clinical Trials Registry e Cochrane Central Register of Controlled Trials. Foram utilizadas estratégias de busca com vocabulário controlado e sinônimos dos termos relacionados aos JAKi e à AR. Não foram aplicados filtros de restrição temporal, idioma ou status do estudo. Ensaios clínicos de fase 2 e 3 foram incluídos, enquanto estudos observacionais e tecnologias já aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram excluídos. Resultados: Foram identificados cinco JAKi em desenvolvimento para o tratamento da AR. O peficitinibe, indicado para pacientes com AR que tiveram resposta inadequada a MMCD sintéticos convencionais (MMCDsc), como metotrexato, atua inibindo todos os membros da família JAK (JAK1, JAK2, JAK3 e TYK2). Esse medicamento foi avaliado nos ensaios clínicos NCT01649999, NCT01554696 e NCT01565655 (fase 2, completos e com resultados), além dos estudos NCT02308163 e NCT02305849 (fase 3, completos e com resultados). O decernotinibe também é destinado a pacientes que falharam aos MMCDsc. Trata-se de um inibidor seletivo de JAK3, avaliado nos ensaios NCT01052194 e NCT00441922 (ambos de fase 2, completos e com resultados). O CPL409116, por sua vez, é um inibidor de JAK/ROCK indicado para pacientes com AR que não responderam ao metotrexato e está atualmente em fase de recrutamento para o ensaio clínico NCT05374785 (fase 2). Já o TLL-018, um inibidor altamente seletivo de JAK1/TYK2, é indicado para pacientes com AR ativa que não responderam ao MMCDsc, tendo sido avaliado nos ensaios NCT05133297 (fase 2, completo, sem resultados) e NCT06020144 (fase 3, recrutando). Por fim, o itacitinibe é um inibidor seletivo de JAK1, indicado para pacientes com AR ativa, e foi analisado no ensaio clínico NCT01626573 (fase 2, completo, sem resultados). Conclusão: Os resultados indicam que os JAKi continuam a expandir seu papel no tratamento da AR. O peficitinibe e o decernotinibe já possuem resultados publicados. No entanto, embora os estudos de eficácia do peficitinibe tenham mostrado resultados satisfatórios, os ensaios de fase 3 foram realizados exclusivamente em pacientes asiáticos. O decernotinibe, por sua vez, apresentou eventos adversos (EAs) relevantes, e não há estudos clínicos em andamento. A maioria dos estudos foram controlados por placebo, apesar do registro de outros JAKi para a AR em diversos países. As demais tecnologias, CPL409116, TLL-018 e itacitinibe, ainda se encontram nas fases iniciais de investigação clínica. Esses achados reforçam o aumento de ensaios clínicos que investigam a eficácia e a segurança dos JAKi para pacientes com AR. No entanto, a futura aprovação do registro desses novos JAKi traz um desafio aos gestores de saúde, visto que esses medicamentos muitas vezes podem apresentar benefícios adicionais limitados, ou ainda agregar EAs importantes, sem gerar economia para os sistemas de saúde. <![CDATA[ID 249 - Relatórios de Análise Crítica para Apoiar a Tomada na Incorporação de Tecnologias na Saúde Suplementar]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200024&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Desde 2019, o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde/Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês (Nats/NEv-HSL) atua em colaboração com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na avaliação crítica de propostas de atualização (UAT) para o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Saúde Suplementar. O objetivo deste estudo foi apresentar as características dos relatórios de análises críticas (RAC) de propostas para atualização do Rol da ANS, elaborados de 2021 a 2024 pelo Nats/NEv-HSL, como parte de um projeto no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Método: Estudo descritivo conduzido pelo Nats/NEv-HSL e incluindo todos os RAC elaborados entre janeiro de 2021 agosto de 2024, identificados por meio de busca ativa em https://www.gov.br/ans/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-da-sociedade/atualizacao-do-rol-de-procedimentos/propostas-de-atualizacao-do-rol-par. Resultados: Foram submetidas à ANS 106 UAT para incorporação no Rol, que seguiram para a realização de um RAC. Dos 106 RAC elaborados, 46 (43%) foram conduzidos pelo Nats/NEv-HS e se referiam a propostas de incorporação ao rol (em detrimento de propostas de alteração ou exclusão); 39 UAT (85%) foram referentes a medicamentos (em detrimento de procedimentos e testes diagnósticos); 31 UAT (67%) foram de condições oncológicas; e 28 (61%) resultaram em decisões favoráveis à incorporação da tecnologia. Conclusão: A maioria das propostas analisadas focaram medicamentos para tratamento de condições oncológicas e que houve maior frequência de decisões favoráveis. A construção de redes colaborativas entre as instituições brasileiras com expertise e/ou necessidade de processos pautados em ATS é fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde. A colaboração entre o Nats/NEv-HSL e a ANS tem contribuído para qualificar a tomada de decisão na saúde suplementar e garantir um alinhamento metodológico e processual no cenário da incorporação de tecnologias no Brasil, considerando o sistema público e a saúde suplementar. <![CDATA[ID 29 - Extrapolação das Curvas de Sobrevida na Oncologia: revisão dos modelos econômicos da Conitec]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200029&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A modelagem econômica na oncologia frequentemente enfrenta desafios na estimativa de benefícios clínicos como a sobrevida global (SG) e a sobrevida livre de progressão (SLP), especialmente quando as evidências vêm de ensaios clínicos de curta duração. Nesses casos, a estratégia baseia-se na extrapolação das curvas de sobrevida para além do tempo de observação. A escolha do método de modelagem adequado é uma tarefa complexa, que exige rigor para garantir estimativas precisas e confiáveis. No contexto da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) realizada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), essas estimativas são essenciais para recomendações informadas sobre a incorporação de tecnologias no tratamento oncológico. Este estudo visa analisar os métodos utilizados na ATS de medicamentos oncológicos e avaliar padrões e práticas de modelagem. Método: Estudo descritivo das avaliações econômicas dos relatórios de recomendação sobre medicamentos oncológicos da Conitec, publicados entre janeiro de 2019 e dezembro de 2023. Três revisores independentes selecionaram os relatórios e extraíram os dados de interesse usando um formulário próprio contendo os parâmetros: desfechos elencados, curvas de distribuição adotadas na extrapolação de sobrevida, métodos de validação e horizonte temporal. Resultados: Foram identificados 30 relatórios de recomendação da Conitec, avaliando 32 tratamentos oncológicos para 45 diferentes indicações. Os modelos econômicos mais usados foram a Análise de Sobrevida Particionada (PartSA) (58%) e Markov (33%). A estrutura de estados transicionais SLP, progressão e morte foi reportada em 73% dos modelos PartSA e 67% dos modelos de Markov. Na PartSA, a distribuição Weibull foi adotada em 50% das extrapolações de SG, enquanto Exponencial (35%) e Log-normal (15%) em extrapolações de SLP. Nos modelos de Markov a distribuição Weibull (84%) foi mais frequente, seguida de Log normal (54%) e Exponencial (8%). Métodos de validação foram reportados em 69% dos modelos de Markov e 100% das PartSA. Os horizontes de extrapolação mais comuns foram 10 anos (75% dos modelos), 15 anos (31%) e 30 anos (31%). Conclusão: A utilização dos modelos de Markov e PartSA é justificada por sua capacidade de modelar a progressão do câncer ao longo do tempo. No entanto, o Markov pode não capturar todas as nuances dos tratamentos complexos e o PartSA exige dados de alta qualidade para extrapolações de longo prazo. Foi observada preferência pela distribuição Weibull para extrapolações de SG e Exponencial para SLP. Apesar das limitações, esses modelos são amplamente aceitos devido à sua capacidade de representar satisfatoriamente a progressão do câncer e sublinha a importância de considerar a complexidade dos tratamentos e a influência de novas tecnologias na avaliação econômica, destacando que limiares de custo-efetividade não são determinantes absolutos nas recomendações de incorporação. <![CDATA[ID 30 - Desafios na Desincorporação de Tecnologias no SUS: análise das demandas e recomendação da Conitec de 2012 a 2023]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200030&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a gestão eficiente dos recursos é fundamental para assegurar a qualidade e a sustentabilidade dos serviços. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), estabelecida em 2011, desempenha um papel central nesse processo, assessorando o Ministério da Saúde (MS) ao avaliar a incorporação, a alteração e a exclusão de tecnologias em saúde. Embora a maior parte das discussões, no contexto da Conitec, estejam centradas na incorporação de novas tecnologias, a exclusão, ou a desincorporação, é igualmente importante, tanto para a segurança do paciente quanto para a sustentabilidade do sistema de saúde. Assim, este estudo tem como objetivo analisar as demandas de exclusão de tecnologias submetidas à Conitec entre 2012 e 2023, analisar as justificativas apresentadas e os atores envolvidos, para identificar oportunidades de aprimoramento do processo de desincorporação e na gestão de recursos no SUS. Método: Realizou-se uma análise documental, descritiva e retrospectiva das recomendações de exclusão de tecnologias feitas pela Conitec entre 2012 e 2023. Os dados foram extraídos manualmente dos relatórios publicados no site da Conitec e sistematizados em um banco de dados próprio, no Microsoft Excel®. Nos casos em que um relatório abordava múltiplas tecnologias, procedeu-se à individualização delas como demandas distintas. As justificativas para exclusão foram categorizadas e os resultados apresentados em frequências absolutas e relativas. Resultados: Durante o período analisado, a Conitec recebeu 1.158 demandas, das quais 790 geraram relatórios de recomendação, 24 relativos à exclusão de tecnologias. Desses, 95% foram favoráveis à exclusão, principalmente devido à ausência ou cancelamento de registro (31,43%) e à existência de alternativas terapêuticas mais seguras e eficazes (28,57%). A maioria das exclusões referiu-se a medicamentos (95,9%). Todas as demandas foram originadas de departamentos ou secretarias do MS, sendo a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) a principal demandante. As principais indicações para exclusão foram doença reumatoide de pulmão (17,57%), hepatite C (12,16%), malária (6,76%), doença de Crohn (6,76%) e terapia antirretroviral (8,11%). Conclusão: O estudo revela que a exclusão de tecnologias no SUS é frequentemente motivada pela necessidade de atualização constante frente a novas evidências científicas e avanços tecnológicos. A maior parte dessas demandas é motivada pela obsolescência tecnológica, o que reflete o compromisso da Conitec com a manutenção de um SUS eficiente e seguro, entretanto, a falta de critérios padronizados e métodos específicos nessas avaliações é uma limitação. No entanto, a participação limitada da sociedade civil e das associações de pacientes sugere que há espaço para fortalecer o engajamento desses grupos no processo de avaliação de tecnologias. Enfim, para garantir a sustentabilidade do SUS, é essencial adotar revisões periódicas de tecnologias já incorporadas, seguindo exemplos de outros países que equilibram a inclusão de novas terapias com desinvestimento em tecnologias menos eficazes, promovendo um uso mais racional dos recursos públicos. <![CDATA[ID 32 - Segurança e Eficácia da Terapia de Estimulação Cognitiva (<em>Cognitive Stimulation Therapy</em> – CST) para Pacientes com Doença de Alzheimer Leve a Moderada]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200032&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência, representando cerca de 60% a 80% dos casos (Nice, 2018). A Terapia de Estimulação Cognitiva (CST) é uma intervenção não farmacológica que visa melhorar a cognição, a comunicação e a qualidade das atividades de vida diária (AVD) de indivíduos com DA (Yuill, Hollis, 2011). O objetivo do estudo foi avaliar a segurança e a eficácia da CST para pessoas com DA leve a moderada para a cognição, qualidade de vida e atividade de vida diária. Método: Revisão sistemática com metanálise de ensaios clínicos randomizados controlados (ECRs). A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados PubMed, Embase, Cochrane Library e LILACS. O processo de seleção foi feito no software Rayyan e a avaliação do risco de viés na ferramenta RoB 2.0. Foram elegíveis os estudos com as pessoas de ambos os sexos e que apresentavam diagnóstico de demência e DA leve a moderada, segundo os critérios do DSM-5. Foram extraídos dados da linha de base e após a intervenção entre os grupos que receberam a intervenção da CST e o grupo controle (TAU). O software Review Manager versão 5.4 foi usado para a metanálise. Foram extraídos os da diferença de média (DM) e diferença de média padronizada (DMP) dos desfechos. O software Webplotdigitizer foi usado na extração de dados das figuras. A certeza no conjunto final da evidência foi avaliada por meio da abordagem (GRADE). Resultados: Um total de 563 referências foram avaliadas pela triagem de títulos e resumos, das quais 52 foram selecionadas para a leitura completa. Por fim, nove ECR foram incluídos, com total de 923 participantes. Em sete estudos, a CST foi realizada conforme o manual proposto por Spector et al. (2003). Não foram encontrados efeitos adversos graves. A metanálise evidenciou que a CST foi benéfica na redução da velocidade do declínio cognitivo (DMP: 0,50, IC 95%: 0,16-0,83) e na melhora da QV (DM: 1,45, IC 95% 0,82-2,07). Não houve melhora nas AVDs (DMP: 0,23, IC 95%: −0.07-0,52). Conclusão: Ao avaliar o risco de viés, identificou-se que dois estudos apresentaram "baixo risco" geral, enquanto os demais estudos levantaram "algumas preocupações". Na avaliação do conjunto das evidências com base na ferramenta GRADE, a certeza dos efeitos da CST sobre a cognição foi considerada baixa. Com isso, essas considerações foram cruciais para a avaliação e a interpretação cuidadosa dos resultados deste estudo, ao generalizar as conclusões para a prática clínica. Cinco dos nove estudos demonstraram melhora na função cognitiva. No entanto, apenas um estudo observou melhoria a curto e longo prazo. Nesse caso, o benefício envolveu tanto a função da memória como a de linguagem. Esse achado indica que, para além da memória a CST pode contribuir em outros aspectos da cognição, e com isso, impactar na saúde das pessoas com DA. A CST pode contribuir para a melhora das habilidades sociais, pois geralmente é realizada em grupo, promovendo a interação entre os participantes, o que favorece aspectos relacionados à saúde mental e ao bem-estar geral. Conclui-se que a CST foi eficaz na redução do declínio cognitivo e na qualidade de vida de pacientes com DA leve e moderada. Os resultados encontrados precisam ser interpretados com cautela, pois a certeza das evidências relativas aos efeitos do tratamento da CST foi classificada como baixa, em relação ao desfecho primário cognição. <![CDATA[ID 33 - Características de Avaliações Econômicas Submetidas para Incorporação de Medicamentos no Sistema Único de Saúde: Um Estudo Metaepidemiológico]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200033&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Alocar recursos financeiros de forma eficiente representa um desafio significativo para os sistemas de saúde em todo o mundo. Nesse contexto, as avaliações econômicas em saúde (AES) são fundamentais para o processo de tomada de decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). O objetivo deste trabalho foi caracterizar aspectos metodológicos e a qualidade do relato de AES de dossiês submetidos à Conitec para incorporação de medicamentos no SUS. Método: Buscas eletrônicas foram conduzidas no repositório da Conitec para a identificação de dossiês para incorporação de medicamentos para o SUS publicizados entre 2020 a junho de 2024. A seleção dos documentos e a extração de dados foram realizadas para obter aspectos como as características do caso-base (condição clínica, intervenção, comparadores, horizonte temporal, desfechos em saúde, desfechos de custos), tipo de AES e de modelo matemático adotados, e também aspectos sobre a obtenção de utilidade em saúde e análise de incertezas do modelo. A qualidade do relato das AES foram avaliadas pelo instrumento 2022 (CHEERS 2022). A sumarização dos dados ocorreu por meio de estatística descritiva para apresentação de frequência absoluta e percentual. Resultados: 188 AES de 180 dossiês foram incluídos neste estudo, sendo 46% com decisões favoráveis para incorporação. As principais áreas clínicas foram oncologia (19%), doenças raras (15%) ou infecciosas (13%). Cerca de 38% dos dossiês adotaram a combinação de análises de custo-efetividade e custo-utilidade, no entanto, uma parcela importante adotou análise de custo-minimização (23%). Dados sobre a data de extração dos custos ou ajustes dos custos pela inflação foram relatados por 60% e 28% dos dossiês, respectivamente. A maior parte das AES utilizaram o modelo de Markov (35%) ou análise de sobrevida particionada (16%) para modelagem econômica, enquanto análises de incertezas determinísticas (79%) e probabilísticas (88%) foram usualmente adotadas. Enquanto o plano de análise de custo-efetividade (91%) foi amplamente relatado, apenas metade dos dossiês relataram a curva de aceitabilidade de custo-efetividade (50%). Anos de vida ajustado pela qualidade foi o principal desfecho em saúde utilizado (95%) nas análises de custo-efetividade, porém aspectos como desutilidade para eventos adversos ao medicamento, desutilidade do cuidador, ajuste de dados de utilidade em saúde para a idade do caso-base ou para valores nacionais foram pouco abordados. Desfechos como sobrevida global e sobrevida livre de progressão foram também adotados nos dossiês que conduziram análises de custo-efetividade. A avaliação da qualidade do relato pela ferramenta CHEERS 2022 identificou que aspectos como plano de análise econômica, relato metodológico sobre custos das intervenções, caracterização da heterogeneidade e dos efeitos distributivos carecem de melhores descrições nos documentos. Conclusão: Este estudo destaca a necessidade de maior refinamento e padronização dos métodos de AES submetidos à Conitec. As diretrizes metodológicas vigentes para AES , que datam de 2014, estão atualmente em revisão. Esta atualização é crucial para integrar os avanços recentes e para melhor atender aos requisitos contemporâneos, especialmente frente ao novo limiar de disposição a pagar. <![CDATA[ID 36 - Mapeamento de Iniciativas Educacionais para Treinamento em Síntese de Evidências, Avaliação Econômica e Desenvolvimento de Diretrizes Clínicas no Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200036&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A síntese de evidências e a avaliação econômica fornecem informações para a tomada de decisões que apoiam o avanço de um sistema de saúde equitativo. Em países de baixa e média renda há a falta de profissionais especializados no tema. Fato que eleva a necessidade de estratégias educacionais para aumentar a disseminação de conhecimento sobre síntese de evidências e desenvolvimento de diretrizes de prática clínica (DPC). O objetivo é mapear os cursos on-line disponíveis para os tópicos de síntese de evidências, avaliação econômica e diretrizes clínicas oferecidos no Brasil. Método: Foi realizada uma revisão de escopo de fevereiro a maio de 2024, buscando iniciativas educacionais nos sites das agências brasileiras de ATS, nas bases de dados PubMed/MEDLINE, LILACS e no Google. Foram incluídos cursos on-line desenvolvidos ou ofertados no Brasil, em português, sem limite de data de oferta. Dois revisores independentes incluíram cursos on-line que correspondiam à população, conceito e contexto (PCC). A extração de dados incluiu: público-alvo, modalidade, duração, tipo de acesso, região, taxa, ano de lançamento, carga horária, objetivos, conteúdos programáticos, métodos de avaliação e disponibilidade de materiais de leitura complementares. Registro do protocolo: 10.17605/OSF.IO/3E7DQ. Resultados: Quarenta e seis cursos atenderam aos critérios de inclusão e foram categorizados nos principais temas de síntese de evidências (n=28), avaliação econômica (n=10) e diretrizes de prática clínica (n=8). O público-alvo mais frequentemente visado compreendia profissionais públicos e privados envolvidos em ATS (64,04%). A maioria dos cursos tinha carga horária de até 20 horas (58,7%), era autoinstrucional (63,04%), assíncrono (47,82%) e oferecido gratuitamente (89,96%). As agências patrocinadoras desses cursos estavam concentradas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Goiás. Conclusão: Há um número significativo de iniciativas educacionais focadas em ATS, e mais cursos em tópicos como avaliação econômica são necessários para aprimorar as habilidades profissionais e fortalecer um de tomada de decisão mais robusto. Apesar disso, mitigar disparidades regionais e expandir a oferta de cursos são passos essenciais para promover uma força de trabalho em saúde equitativa e bem informada em todo o País. <![CDATA[ID 37 - Avaliação Pós-Incorporação do Mesilato de Imatinibe para Tratamento do Tumor do Estroma Gastrointestinal]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200037&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No ano de 2014, em conformidade com a recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), o medicamento mesilato de imatinibe foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), como tratamento adjuvante para indivíduos com tumor do estroma gastrointestinal (Gist) que tiveram o sítio primário ressecado. Com o objetivo de manter a sustentabilidade do sistema, é importante que se proceda à avaliação do desempenho das tecnologias incorporadas, com dados de mundo real. O presente estudo teve como objetivo avaliar o desempenho do mesilato de imatinibe para tratamento adjuvante do Gist no âmbito do SUS, desde sua incorporação em 2014. Método: O estudo foi realizado em três etapas, sendo elas: estudo de revisão sistemática de literatura; estudo observacional com acompanhamento de uma coorte retrospectiva em um hospital de referência para tratamento oncológico no Rio de Janeiro; e avaliação do uso da tecnologia, como tratamento adjuvante para indivíduos com Gist, na rotina do SUS, com base em registros das bases de dados secundários do sistema. Resultados: O estudo de revisão sistemática de literatura trouxe como acréscimos um novo estudo randomizado fase III e duas revisões sistemáticas, além das atualizações dos outros ensaios clínicos, que, em conjunto, corroboram os dados prévios de eficácia e segurança. O estudo observacional incluiu 41 usuários, sendo que 34,1% deles foram submetidos também a tratamento neoadjuvante com mesilato de imatinibe. O tamanho tumoral era maior que 10 cm em 78,0% dos casos, o que indica alto risco de recidiva, independentemente da localização do tumor primário e do índice mitótico. Com um seguimento mediano de 58 meses, as probabilidades de sobrevida livre de recorrência e de sobrevida global em cinco anos foram estimadas em 64,0% (IC 95%: 43,8% a 78,5%) e de 84,1% (IC 95%: 65,4% a 93,1%), respectivamente. A avaliação das bases de dados do SUS mostrou que a incorporação demorou tempo maior que o previsto para chegar à população brasileira e que o custo do medicamento teve redução significativa desde a sua incorporação. Conclusão: A avaliação do desempenho do mesilato de imatinibe como tratamento adjuvante do Gist corrobora o relatório n.º 117 da Conitec, que recomendou sua incorporação no SUS para indivíduos com alto risco de recidiva. A atualização da revisão sistemática da literatura reforçou os resultados de eficácia e de segurança publicados do relatório supracitado. Dada a baixa incidência do Gist, a análise de efetividade clínica foi limitada pelo reduzido número de participantes, apesar disso, os achados sobre os desfechos clínicos e a avaliação de segurança foram considerados compatíveis com os obtidos previamente em ensaios clínicos internacionais e multicêntricos. Por fim, a avaliação do uso da tecnologia na rotina do SUS mostrou que houve uma demora, maior do que o esperado, para que o tratamento fosse incorporado de fato e disponibilizado para os indivíduos com Gist. Além disso, a inclusão do mesilato de imatinibe como produto estratégico para o SUS impactou na redução substancial do valor pago pelo medicamento, o que certamente contribui para o favorecimento da relação de custo-efetividade. <![CDATA[ID 38 - Desenvolvimento de Ferramenta para Apoio ao Planejamento Estratégico de Ações em Avaliação de Tecnologias em Saúde em Secretarias Estaduais de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200038&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O desenvolvimento e o fortalecimento de avaliações de tecnologias em saúde (ATS) em Secretarias Estaduais de Saúde (SES) possuem potencial para melhorar a eficácia operacional, fortalecendo as estruturas locais por meio do apoio à tomada de decisão no contexto estadual, além da promoção da colaboração entre os estados. Por outro lado, as práticas e as ações em ATS ainda estão na fase inicial no contexto estadual, necessitando aprimoramento em aspectos como regulamentação e aperfeiçoamento de atividades técnico-profissionais. Esta ferramenta tem como objetivo contribuir no processo do planejamento estratégico, e assim apoiar no desenvolvimento de ações de ATS no âmbito das SES. Método: A elaboração do planejamento estratégico para ATS integra as atividades do projeto ATS Educação, uma iniciativa entre o Hospital Moinhos de Vento, o Conselho Nacional de Secretarias de Saúde e o Ministério da Saúde, para disseminar e aperfeiçoar a ATS nas SES. O início da atividade ocorreu após a identificação da estrutura e os processos relacionados a ATS, por meio de um diagnóstico situacional, nas SES de 26 unidades federativas do Brasil. Para a organização do planejamento, as SES foram agrupadas com base nas características identificadas no diagnóstico situacional, considerando aspectos como infraestrutura, produção, recursos financeiros e humanos para ATS e priorização da gestão, e o instrumento com indicadores de planejamento estratégico foi elaborado para cada grupo. Para apoiar o desenvolvimento do planejamento junto às SES, um instrumento de planejamento de ações foi construído utilizando o Google Planilhas, tendo como base os materiais disponibilizados pela Rede Brasileira de Avaliação Tecnologia e Saúde (Rebrats) que orientam a implementação de núcleos de ATS (Nats). De forma resumida, o instrumento de planejamento é constituído por atividades e metas com vistas à formação de recursos humanos, formalização e ampliação de estruturas de ATS nas SES em médio e longo prazo. Uma oficina com especialistas em ATS estadual foi realizada por meio de uma videoconferência para validar o instrumento. Resultados: Foram definidas três estratégias principais para o planejamento estratégico: 1) a elaboração de produtos de ATS conforme as diretrizes metodológicas; 2) o apoio e o fortalecimento das ações de ATS nas SES e a estruturação dos Nats das SES, e; 3) o monitoramento e a avaliação dessas ações. Inicialmente, foram identificados 14 objetivos e 22 indicadores, dos quais 15 são quantitativos absolutos e 7 dicotômicos. Após a oficina, foi incluído um indicador, totalizando 23 indicadores, para apresentação quantitativa, bem como a alteração na redação de 4 indicadores e 1 meta. Conclusão: A análise e os ajustes no instrumento destacam a importância da colaboração para elaborar ferramentas estratégicas que atendam melhor às necessidades das SES. Um planejamento estratégico conduzido de forma conjunta com os principais envolvidos no processo facilita a cooperação para fortalecer as atividades de ATS em contextos específicos, como nas SES. Futuras perspectivas englobam a personalização dos indicadores para cada SES, conforme a estrutura de ATS mapeada e a definição individual das ações com os profissionais de ATS das 26 SES <![CDATA[ID 40 - Diagnóstico Situacional de Atividades em Avaliação de Tecnologias em Saúde nas Secretarias Estaduais de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200040&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No contexto estadual do Sistema Único de Saúde (SUS), a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) possui particularidades que envolvem a implementação de tecnologias em saúde nos territórios, além de integrar as incorporações em saúde publicadas pelo Ministério da Saúde (MS) com os fluxos de atenção já existentes. Devido às peculiaridades e às necessidades locais, as Secretarias Estaduais de Saúde podem desenvolver seus próprios protocolos clínicos e outros produtos em ATS. Todavia, ainda não foi totalmente explorada essa realidade. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi realizar um diagnóstico situacional sobre as atividades em ATS nas SES. Método: O diagnóstico situacional foi realizado a partir de um questionário elaborado em formato de planilha, contemplando 34 perguntas, distribuídas em sete domínios: Identificação, Regulamentação, Atividades de ATS na SES, Suporte ao Judiciário, Atividades de ATS afins à Conitec, Acesso à informação e estrutura física e Dificuldades na aplicação. As informações de cada SES seriam preenchidas em relação ao período de 2023 a 2024 por até dois servidores da SES. O questionário e suas orientações foram enviadas por e-mail. Os dados obtidos foram apresentados de forma descritiva. Resultados: Das 27 SES contatadas, 26 participaram do diagnóstico situacional. Entre elas, oito (30,8%) relataram ter um Nats em sua constituição formal (Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Rondônia, São Paulo, Espírito Santo), quatro (15,4%) informaram possuir um centro de atividades em ATS com denominação ou formalização diferente (Alagoas, Distrito Federal, Goiás, Santa Catarina), 11 (42,3%) SES apresentavam uma CFT (Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Tocantins) e nove (34,6%) SES relataram não possuir um grupo de ATS formalizado ou ativo (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Sergipe). Treze (50,0%) SES relataram ter desenvolvido algum produto de ATS nos anos de 2023 e 2024. Nenhuma SES declarou ter solicitado incorporação de tecnologias diretamente para a Conitec no período, enquanto oito (30,8%) SES declararam que realizaram contribuição em consultas públicas da Conitec. Conclusão: O diagnóstico situacional das atividades em ATS em SES é um passo importante para a compreensão das realidades locais e planejamento de ações coordenadas de promoção do tema. Visto que as SES com formalização de Nats são as que mais desenvolvem produtos em ATS, esse marco regulatório apresenta-se como crucial para o desenvolvimento da ATS em âmbito estadual. A ampliação e a capacitação técnica dos recursos humanos, assim como a disponibilização de recursos financeiros e de infraestrutura, podem gerar avanços na qualificação de produtos em ATS em diversas SES e fortalecer o engajamento em ações federais. <![CDATA[ID 41 - Qualidade de Pareceres de Resposta Rápida Produzidos por Profissionais de Secretarias Estaduais de Saúde após Programa de Treinamento em Avaliação de Tecnologias em Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200041&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é um campo emergente nas Secretarias Estaduais de Saúde (SES), e que requer treinamento de recursos humanos para apoiar os processos de tomada de decisão. Portanto, há uma necessidade de estratégias educacionais para aprimorar as habilidades profissionais e disseminar práticas baseadas em evidências científicas. Dessa forma, o objetivo é relatar e descrever a qualidade do trabalho final desenvolvido pelos profissionais de 27 SES do País participantes do Programa de Treinamento em ATS. Método: Servidores de 27 SES participaram de um programa de treinamento em ATS, que consistiu na realização de uma trilha de cursos on-line, com carga horária total de 140 horas e distribuídos entre as áreas de "Introdução à ATS", "Saúde Baseada em Evidências" e "Avaliação Econômica em Saúde", além de um oficina presencial, com carga horária total de 25 horas, para realização de uma atividade prática sobre o tema. Ao final do programa, cada SES foi orientada a desenvolver um parecer de resposta rápida focado em intervenções para alguma condição de saúde de interesse. A qualidade desses documentos foi submetida a uma avaliação por meio da ferramenta do Instituto Joanna Briggs. A avaliação foi realizada por um pesquisador externo não envolvido com o curso e os dados foram apresentados de forma qualitativa. Resultados: Das 27 SES participantes, todas concluíram todo o Programa de Treinamento e 24 (88,9%) entregaram o documento com a atividade final. Destaca-se que esta foi a primeira experiência em uma atividade em ATS realizada por vários dos representantes das SES. Dos 24 documentos produzidos, 21 (87,5%) apresentaram uma questão de revisão de forma clara e transparente, atendendo ao item 1 da lista de verificação ("A questão da revisão foi claramente e explicitamente formulada?"). Um total de 17 documentos (70,83%) atenderam ao item 10 da lista de verificação ("Os dados apresentados apoiam as práticas recomendadas e as políticas?") ao relatar informações que sustentam recomendações de práticas e políticas, 13 dos 24 pareceres elaborados (54,16%) atenderam aos itens 2 ("Os critérios de elegibilidade para a inclusão dos estudos foram apropriados?") e 4 ("As fontes para a busca de estudos foram adequadamente utilizadas?") da lista de verificação ao usar adequadamente os critérios de elegibilidade e as fontes para busca de estudos na revisão, respectivamente. O item que obteve a menor pontuação da lista de verificação foi o item 9 ("O viés de publicação dos estudos incluídos foi avaliado e tratado?"), pois apenas 1 trabalho acessou o viés de publicação dos estudos incluídos (4,17%). Conclusão: Os dados descritos anteriormente demonstram que o formato utilizado pelo programa pode ser uma estratégia eficaz para o treinamento profissional nessa área, proporcionando recursos educacionais para pesquisadores em ATS no âmbito estadual em todas as regiões do Brasil. No entanto, são necessárias mais ações de treinamento e aperfeiçoamento em ATS para o contexto estadual de saúde pública. <![CDATA[ID 42 - Painel Interno de Produtos em Avaliação de Tecnologias em Saúde Desenvolvidos por Secretarias Estaduais de Saúde: uma ferramenta para intercâmbio de experiências]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200042&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é um tema emergente no contexto das Secretarias Estaduais de Saúde (SES), onde os processos e os produtos de ATS ainda são incipientes para apoiar a tomada de decisão em nível local. As demandas desenvolvidas permanecem majoritariamente restritas a questões internas, carecendo de disseminação e maior colaboração entre as SES. Assim, uma ferramenta para o registro de informações sobre produtos desenvolvidos ou em desenvolvimento possui potencial no fortalecimento da colaboração em ATS no contexto das SES, uma vez que várias compartilham de necessidades semelhantes. O objetivo deste resumo foi descrever o processo de desenvolvimento de um painel interno de produtos em ATS elaborados pelas SES. Método: O desenvolvimento da ferramenta foi realizado em quatro etapas: 1) criação de um formulário para coleta de dados; 2) desenvolvimento de um painel interativo; 3) teste da ferramenta, e; 4) validação da ferramenta. Na primeira etapa, um formulário no Google Forms foi estruturado para obter dados de identificação dos respondentes e informações sobre os produtos de ATS desenvolvidos pelas SES. A segunda etapa consistiu na estruturação da apresentação dos dados coletadas pelo formulário em um painel interativo, utilizando o Google Looker. Esse painel é composto por uma planilha e um sistema de filtros que permitem aos usuários identificarem as principais informações dos produtos. A etapa de testes foi realizada por meio do preenchimento do formulário com demandas hipotéticas, a fim de verificar sua fluidez e observar a estruturação dos dados no painel. Por fim, foi realizada a validação da ferramenta por um profissional com expertise na área de ATS para contribuições na estruturação da ferramenta. Resultados: Na etapa 1, o formulário foi estruturado em duas seções: a identificação do respondente, e descrição e informações dos produtos desenvolvidos. Nesta segunda seção, foram abordadas informações como: a) a SES responsável pela produção, as datas previstas de início e término da elaboração; b) o tipo de documento desenvolvido; c) características da demanda, como o nome e a indicação clínica da tecnologia avaliada, a área médica, o motivo da demanda, o demandante e o status da produção. Definiu-se que só seriam publicizadas as informações referentes aos produtos, mantendo o anonimato do respondedor. Na etapa 2, as respostas referentes aos produtos foram exportadas a uma planilha gerada automaticamente e vinculadas ao Google Looker, resultando em um painel interativo que exibe as informações de cada um. Nas etapas 3 e 4, após os testes e a validação, foram realizados ajustes breves para facilitar o preenchimento do formulário e visualização do painel. A disseminação e a difusão dessa ferramenta ocorrerão pela disponibilização para os membros das 27 SES que atuam diretamente com ATS. A versão preliminar do painel desenvolvido está disponível no seguinte endereço: https://lookerstudio.google.com/reporting/28d65bd3-eb8a-4573-b5f2-642d3556c9e1. Conclusão: Esta ferramenta vai permitir a compilação dos dados coletados em um painel interativo, de fácil acesso e que se mantém em constante atualização. Além disso, ela pode auxiliar na promoção de ATS e fomentar a interação e a colaboração entre os profissionais envolvidos nesta área nas SES, facilitando o compartilhamento de informações e o desenvolvimento de trabalhos colaborativos. <![CDATA[ID 43 - Aplicando a Pedagogia da Cooperação no Processo de Acolhimento e Adaptação Curricular em Mestrado Profissional em ATS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200043&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats) é uma das estratégias institucionais da Política Nacional de Gestão de Tecnologias em Saúde (PNGTS) para a implementação do campo da avaliação de tecnologias em saúde (ATS) no Brasil. A Rede integra mais de 100 Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats), a maioria nas Regiões Sul e Sudeste. Em 2022, o Ministério da Saúde (MS) lançou chamada para mestrados profissionalizantes na área de ATS e a proposta do Nats do Programa de Evidências para Políticas e Tecnologias em Saúde (Nats-Pepts) da Fiocruz Brasília foi selecionada. O processo seletivo durou três meses e incluiu apenas profissionais das Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Foram recebidas 170 inscrições, 89 validadas após análise dos documentos enviados. Foram selecionados 20 candidatos, 15 (75%) mulheres e 5 (25%) homens; 12 (60%) atuam na Região Centro-Oeste, 6 (30%) na Nordeste e 2 (10%) na Norte. Além disso, 12 (60%) participam de Nats ou Natjus. Os pré-projetos envolviam temas como vacinação em áreas remotas, avaliações pós-incorporação e de impacto orçamentário. Considerando a diversidade das áreas de atuação dos estudantes, optou-se por trabalhar o acolhimento e a integração usando a Pedagogia da Cooperação, criada por Fábio Otuzi Brotto e coautorias. O objetivo dessa metodologia é favorecer o desenvolvimento de relacionamentos colaborativos em grupos, potencializando a inteligência coletiva e a autonomia pessoal. A experiência deu-se em dois momentos do primeiro encontro da turma. No primeiro, trabalharam-se desafios da ATS nos tópicos: 1) Contexto econômico, social e cultural, 2) Uso dos métodos de ATS no nível regional das secretarias de saúde e dos Nats, 3) Aplicabilidade da ATS em processos decisórios no nível regional das secretarias de saúde e dos NatsS, e 4) Tradução/interação de conhecimentos na implantação dos processos de ATS. O diálogo em grupo possibilitou troca de experiências entre estudantes, que compartilharam situações comuns em suas áreas de atuação. Já no segundo, quatro práticas da Pedagogia da Cooperação foram trabalhadas: 1) Fazer Com-Tato, 2) Estabelecer Com-Trato, 3) Compartilhar In-Quieta-Ações, e 4) Fortalecer Alianças e Parcerias. O mediador especialista atuou com as dinâmicas da Aprendizagem Colaborativa, Diálogo, Comunicação Não Violenta, Jogos Cooperativos, entre outras. Os resultados foram: Com-Trato de convivência, criado a partir das expectativas dos estudantes; elenco de "perguntas quentes" (inquietações e dúvidas mais relevantes) para orientar a aplicação de conteúdos importantes para a turma, associados ao currículo da formação; e, por fim, os Mínimos Passos Elegantes, observados por cada um para que o cuidar prevaleça, criando-se ambiente afetivo e de promoção de felicidade no aprendizado mútuo. Este foi um trabalho de adaptação curricular baseado na expectativa dos estudantes e na cooperação entre eles e com a coordenação do curso, valorizando os saberes de cada pessoa. No contexto do SUS, o uso desse tipo de abordagem pode ser muito benéfico, pois profissionais de diferentes níveis interagem para construir ATS enraizada nas diversas práticas de saúde. Além disso, há um esforço de decolonização da ATS pensando nas práticas dos territórios das áreas de atuação dos estudantes. Método: 1) Proposta de formação, 2) Perfil da turma, 3) Propósito da iniciativa, 4) Atividades da Pedagogia da Cooperação, 5) Resultados do currículo cocriativo do curso. Equipamentos necessários: monitor para apresentação de eslaides e fotos. <![CDATA[ID 44 - Mapeamento de Cursos On-Line em Avaliação de Tecnologias em Saúde no Mundo: resultados preliminares]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200044&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No cenário atual, com o rápido avanço das tecnologias em saúde e a célere necessidade de avaliar sua eficácia, segurança e custo-efetividade, a formação de profissionais capacitados se tornou uma prioridade global. Cursos oferecidos no formato de ensino a distância (EaD) são essenciais para capacitar profissionais de forma ampla e acessível, independentemente de sua localização geográfica. O mapeamento de cursos dessa modalidade, focados na avaliação de tecnologias em saúde (ATS), torna-se uma iniciativa fundamental diante da crescente demanda por capacitação nesta área, a qual é peça-chave para a formulação de políticas de saúde baseadas em evidências. Justifica-se esse mapeamento pela necessidade de democratizar o acesso ao conhecimento, fortalecer a capacidade técnica em diferentes contextos geográficos e promover a tomada de decisões mais informadas e embasadas na área da saúde. O objetivo deste trabalho foi identificar a oferta de cursos EaD de alcance internacional que possam ampliar e apoiar o conhecimento em ATS disponíveis no mundo. Método: Este estudo é uma revisão de escopo baseada em uma busca exploratória sistemática em sites de agências mundiais de ATS e no site de busca Google utilizando a combinação de palavras e, realizando uma seleção dos primeiros 200 retornos. Além da busca sistemática em banco de dados (PubMed, Cochrane). Foram incluídos cursos EaD ofertados na língua inglesa, sem limite de data de oferta. Dois revisores realizaram a inclusão de acordo com a população, conceito e contexto (PCC) preestabelecido. A extração de dados incluiu: país de origem, tema, público-alvo, carga horária, tipo de modalidade EaD e taxa. Registro do protocolo: DOI 10.17605/OSF.IO/FGWXN Resultados: Até setembro de 2024 foram selecionados e identificados 50 cursos via site de busca Google, que atenderam aos critérios de inclusão e foram categorizados nos principais temas de: síntese de evidências (n=19), avaliação econômica (n=28) e diretrizes de prática clínica (n=3). O público-alvo mais frequente compreendia trabalhadores da área da saúde (56%) com carga horária de até 20 horas (80%). Entre os cursos incluídos, 46% eram autoinstrucionais e assíncronos, sendo a maioria pagos (74%). As agências patrocinadoras estavam concentradas principalmente na América do Norte (n=23) e Europa (n=22), seguido de Oceania (n=3) e Ásia (n=2). Conclusão: O presente estudo destaca a importância crescente dos cursos EaD na capacitação de profissionais em ATS. A predominância de cursos voltados para profissionais da saúde também reforça a relevância dessa capacitação para aqueles que já estão diretamente envolvidos no tema. A maioria dos cursos pagos pode limitar o acesso a essa capacitação para profissionais em países de baixa e média renda, sendo a ampliação do acesso a essas formações essencial para a construção de políticas de saúde baseadas em evidências e para o fortalecimento dos sistemas de saúde em um cenário global. As perspectivas futuras do presente estudo são a ampliação da busca em bases científicas, bem como em agências e órgãos mundiais focados em ATS, assim como a ampliação do entendimento da capacitação e da equidade no acesso ao conhecimento. <![CDATA[ID 45 - Programa de Tutoria para a Elaboração de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas: resultados da qualidade metodológica e de relato]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200045&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A elaboração de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) tem o desafio de harmonizar rigor metodológico e padronização de processos, visando garantir a confiabilidade e a reprodutibilidade das recomendações no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). O desenvolvimento de recomendações em saúde embasadas em uma síntese de evidências com rigor metodológico fornece suporte científico essencial para a tomada de decisão dos profissionais e gestores de saúde. As ações de tutorias de Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) experientes no desenvolvimento de PCDT podem contribuir na padronização de processos no desenvolvimento desses documentos com Nats iniciantes nesse processo. O objetivo deste trabalho foi relatar as ações de tutorias que apoiam os Nats para a elaboração de PCDT para o SUS, bem como descrever a qualidade metodológica e de relato de protocolos já publicados. Método: O planejamento e a estrutura das tutorias foram elaborados de acordo com as diretrizes metodológicas do Ministério da Saúde (MS). O processo foi definido em encontros virtuais e presenciais. Os Nats participantes, sem experiência prévia no processo de elaboração de PCDT, foram contratados para o desenvolvimento desses documentos junto ao acompanhamento de uma Nats experiente. A qualidade de PCDT publicados pelo MS e desenvolvidos durante a tutoria (2021-2023), foi avaliada por meio da ferramenta AGREE-2 e da lista de verificação RIGHT por pesquisadores independentes que não participaram do processo de tutoria. Os dados descritivos foram apresentados em frequências e percentuais. Resultados: O programa de tutoria auxiliou 60 pesquisadores de dez Nats na elaboração ou atualização de 16 PCDT, abrangendo as áreas de psiquiatria (2), neurologia (4), oncologia (3), hematologia (2), nefrologia (1), ortopedia e traumatologia (1), endocrinologia (1), doenças infecciosas (1) e gastroenterologia (1). Participaram do processo de desenvolvimento das diretrizes 12 sociedades médicas. No total, foram formuladas 86 perguntas PICO, com foco predominante em questões de tratamento clínico (80). Dos 16 PCDT tutorados, seis foram publicados e avaliados. A aplicação da ferramenta AGREE-2 apontou alta qualidade das diretrizes em "Rigor do desenvolvimento" (92,5%), "Clareza da apresentação" (97,5%) e "Independência editorial" (94,4%), mas menor qualidade em "Aplicabilidade" (73,1%). A qualidade geral das diretrizes foi considerada satisfatória (90%). A verificação com a lista RIGHT indicou um relato de alta qualidade em relação ao contexto, síntese de evidências, recomendações, revisão e garantia de qualidade, além de declaração de financiamento e gestão de conflitos de interesse; no entanto, a clareza da apresentação de informações básicas de cada diretriz ainda necessitam de melhorias. Conclusão: Os resultados obtidos utilizando ambas ferramentas foram semelhantes em termos de completude dos PCDT, demonstrando que um programa de tutoria de elaboração de PCDT pode ajudar no melhor aperfeiçoamento metodológico durante o desenvolvimento de diretrizes e tornar as recomendações mais sistematizadas, transparentes e compreensíveis. Tendo em vista que o conhecimento compartilhado pode promover o crescimento coletivo e fortalecer a base para práticas de saúde mais efetivas. <![CDATA[ID 46 - Desenvolvimento de Ferramenta de Caracterização Técnica de Profissionais de Avaliação de Tecnologias em Saúde no Âmbito das Secretarias Estaduais de Saúde do Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200046&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No contexto nacional, a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é um tema que vem sendo explorado nos últimos anos. A implementação efetiva dos processos de ATS requer a atuação de profissionais com habilidades e conhecimentos específicos. Atualmente, há ausência de dados de caracterização técnica de profissionais que atuam em ATS dentro de Secretarias Estaduais de Saúde (SES) e não há uma forma padronizada de mapear esta informação. Portanto, desenvolvemos uma ferramenta para o mapeamento da caracterização profissional de servidores estaduais que atuam na área de ATS. Método: O desenvolvimento da ferramenta para mapeamento da caracterização técnica de profissional que atuam em ATS nas SES consistiu em duas etapas. Na primeira etapa, foi elaborado um formulário de caracterização técnica dos profissionais (direcionado aos que atuam em ATS) com base no formulário da Rebrats e oficina para discutir os pontos com a Rebrats. Na segunda etapa, foram incluídas as perguntas do Instrumento para Avaliação da Saúde Baseada em Evidências (I-SABE), o qual considera ações dos profissionais em relação à prática de saúde baseada em evidências e discussão com especialista para a melhor aplicabilidade do questionário. A ferramenta foi elaborada no Google Forms e os dados serão compilados em banco de dados no programa Microsoft Excel. A análise de dados ocorrerá com a utilização do software R em conjunto ao R Studio. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Associação Hospitalar Moinhos de Vento sob número de Parecer 6.963.930. Resultados: A ferramenta elaborada contempla sete seções. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido eletrônico foi inserido no início do formulário, condicionando o seguimento do preenchimento. As primeiras seis seções incluem questões referentes aos seguintes dados: informações pessoais; dados funcionais; formação acadêmica; produção científica; conhecimentos gerais; dedicação à ATS. Posteriormente, seguem as questões referentes ao I-SABE, incluindo cinco domínios: autoeficácia; comportamento; atitude; resultados/benefícios e conhecimento/habilidade. Conclusão: A ferramenta desenvolvida pode ser utilizada para o mapeamento de dados referentes à formação, à capacitação e à experiência no desenvolvimento de produtos de ATS. Sendo de suma importância para o melhor entendimento do perfil de profissionais atuando em ATS no contexto estadual. <![CDATA[ID 47 - Caracterização Técnica de Profissionais Atuando em ATS no Âmbito Estadual de Saúde: dados preliminares]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200047&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O número de profissionais que atuam em Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) no Brasil tem aumentado nos últimos anos devido ao avanço da área. A implementação efetiva dos processos de ATS requer a atuação de profissionais com habilidades e conhecimentos específicos. No âmbito das Secretarias Estaduais de Saúde (SES), a ATS é um tema incipiente e não há mapeamento do nível de conhecimentos em ATS dos profissionais. Sendo de extrema importância capacitar profissionais das SES na área de ATS, particularmente em um ecossistema de limitação de recursos na área do setor saúde. Portanto, objetivamos realizar a caracterização profissional de servidores estaduais que atuam na área de ATS nas SES. Método: O estudo apresenta um delineamento observacional com o objetivo de mapear as características técnicas e de percepções sobre prática de saúde baseada em evidências (SBE). Foi enviado um formulário para os profissionais que atuam em ATS em todas as SES do Brasil contemplando questões de caracterização técnica e perguntas do Instrumento para Avaliação da Saúde Baseada em Evidências (I-SABE). As primeiras seis seções incluem questões referentes aos seguintes dados: formação acadêmica; produção científica; conhecimentos gerais; dedicação à ATS. Posteriormente, seguem as questões referentes à percepção sobre saúde baseada em evidência. O formulário foi enviado no formato de Google Forms. Os dados preliminares foram analisados de forma descritiva e apresentados como frequência absoluta e relativa. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Hospital Moinhos de Vento sob número de Parecer 6.963.930. Resultados: Até o momento da análise de dados, 17 profissionais de nove diferentes SES haviam respondido ao questionário. A carga horária semanal média de trabalho na SES era de 34 horas, sendo que 45% da carga horária era dedicada às atividades de ATS. Oito profissionais estavam vinculados a um Nats e tinham uma média de dedicação mensal de 12 horas. Entre os respondentes, 4 (24%) tinham mais de cinco anos de experiência com ATS, 1 (6%) tinha pós-doutorado, 3 (18%) doutorado, 10 (59%) tinham mestrado acadêmico ou profissional e 3 (18%) tinham especialização. De acordo com o relato dos profissionais, o conhecimento em temas como parecer técnico científico, revisão sistemática e metanálise é intermediário. O nível de conhecimento foi relatado como básico ou ausente para os tópicos metanálise em rede, avaliação da certeza da evidência pelo Sistema GRADE, modelagem em avaliação de simulação de eventos discretos. Mais de 90% dos profissionais sentem-se capazes em utilizar a SBE, 88% usam SBE para orientar suas decisões, 81% consideram que a SBE os fazem sentir confiança na decisão clínica e engloba sua experiência profissional, e 92% acreditam que a prática da SBE afeta positivamente a decisão clínica. Conclusão: O estudo mostrou que existe uma grande variação de conhecimento entre os profissionais das SES que atuam em ATS. No entanto, não há dedicação exclusiva a estas atividades. De forma geral, os profissionais compreendem a importância e aplicam SBE nas suas decisões. <![CDATA[ID 48 - Eficácia e Segurança Comparada de Formulações Intravenosas de Ferro para Tratamento de Anemia: revisão sistemática e metanálise em rede]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200048&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A anemia por deficiência de ferro (ADF) é a maior causa de morbidade em todo o mundo, afetando mais de 1,9 bilhão de pessoas. Tradicionalmente, a abordagem da maioria dos casos de ADF é feita com reposição oral de ferro, todavia, nos últimos anos o uso do ferro intravenoso (IV) como primeira opção de tratamento tem ganhado a preferência de clínicos. Entretanto, há escassez de evidências sobre eficácia comparativa das opções para reposição de ferro IV. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia e a segurança das soluções intravenosas de ferro para o tratamento da ADF. Método: Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise em rede (NMA). Foram recuperados estudos das bases PubMed, Embase e Cochrane library. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (ECR) que tivessem como intervenção qualquer tipo solução IV de ferro e que abordassem desfechos de eficácia (alteração na hemoglobina [Hb]) e segurança (eventos adversos sérios [EAS]). Foi avaliado o risco de viés por meio da ferramenta ROB2. Uma metanálise em rede frequentista foi realizada, sendo reportada as medidas de diferença média (DM), risco relativo (RR) como medida de efeito. Pressupostos de transitividade e consistência foram testados para validar a NMA. A certeza da evidência foi avaliada por meio do CINeMA. Resultados: Foram incluídos 34 ECR nesta revisão sistemática. Carboximaltose férrica (58,8%) foi a intervenção mais presente nos ECR, de outro modo, sacarato de hidróxido férrico e gluconato férrico de sódio foram avaliados em apenas 2,9% dos estudos incluídos. Foi possível realizar NMA para dois grupos de participantes: com doença renal crônica (DRC) e de etiologias não especificadas (ENE). Para DRC, as estimativas mistas da NMA mostram que carboximaltose, ferumoxytol e derisomaltose podem ser as terapias que mais elevam Hb em duas semanas comparado à sucrose férrica. Entre pacientes com ENE, carboximaltose (DM=0,98 IC 95% 0,47-1.48)) e derisomaltose (DM=0,69 IC 95% 0,29-1,08), podem ser as alternativas mais eficazes. Em relação à segurança, observou-se que a derisomaltose como a tecnologia com menor incidência de EAS (DRC RR 0,76 IC 95% 0,46-1,27; ENE RR 0,83 IC 95% 0,20-3,49) comparado à sucrose férrica), posicionando-se com a mais segura em ambos os grupos de pacientes. Conclusão: Essa é a primeira NMA que compara todas as formulações IV de ferro disponíveis em diferentes subgrupos de pacientes. Os achados são consistentes a estudos prévios que demonstram eficácia destacada da carboximaltose e derisomaltose. Todavia, a presença do ferumoxytol como alternativa eficaz chama atenção, visto que a tecnologia ainda não dispõe de registro no Brasil. Em outra direção, os resultados de segurança parecem clarear as dúvidas existente sobre a carboximaltose, que embora eficaz, apresenta padrão de segurança inferior aos das tecnologias de eficácia semelhante. <![CDATA[ID 49 - Análise de Custo-Efetividade da Consulta de Enfermagem Baseada no Modelo Sunrise para Indivíduos com Diabetes Mellitus]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200049&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A problemática deste estudo gira em torno dos modelos utilizados para a consulta de enfermagem, que não contemplam (como deveriam) o aspecto cultural dos pacientes. Essa lacuna pode comprometer a adesão ao tratamento e, portanto, aumentar os impactos negativos e as consequências impostas pela carga da doença quando o indivíduo não está compensado, sem contar o aumento de custos e a morbimortalidade. Os objetivos: Realizar uma análise de custo-efetividade da utilização ambulatorial do instrumento para a consulta da enfermagem baseada no modelo Sunrise para indivíduos com DM tipos 1 e 2; Estimar a razão de custo-efetividade incremental na redução de internação; e Estimar os custos diretos com o tratamento ambulatorial do diabetes em pacientes com DM tipos 1 e 2 em um instituto referência na temática em tela no estado do Rio de Janeiro. Método: O método utilizado é o quantitativo. O estudo está de acordo com o tipo Avaliação Econômica Completa em saúde na forma custo-efetividade. Analisamos dois cenários alternativos e mutuamente excludentes, isto é, a utilização (ou não) do instrumento para a consulta de enfermagem baseada no modelo Sunrise. De acordo com os estudos de custo-efetividade, as consequências em saúde devem ser aferidas em uma unidade natural de benefício clínico. Resultados: Ao considerar a utilização do instrumento baseado no modelo Sunrise para a consulta de enfermagem, a Árvore de Decisão após Roll Back demonstrou que a tecnologia obteve uma efetividade com a redução da internação em até 99,81%, a um custo médio de R$ 3.285 (três mil, duzentos e oitenta e cinco reais) no período analisado. Já a utilização do modelo anterior obteve uma efetividade de até 98,76%, a um custo médio de internação de R$ 3.994 (três mil novecentos e noventa e quatro reais). Conclusão: O desenvolvimento deste estudo permitiu que comprovássemos que a consulta de enfermagem, baseada no modelo Sunrise, é capaz de reduzir os custos, atender aos objetivos propostos mesmo com uma demanda maior de atendimentos, evitar internações e aumentar a adesão ao protocolo de tratamento ambulatorial; tratando-se de uma doença crônica, isso significa reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos. Dessa forma, se a tecnologia do modelo Sunrise fosse implantada nos ambulatórios de Atenção Primária na cidade do Rio de Janeiro – com cerca de 275 mil pacientes com diabetes nas clínicas da família e centros municipais de saúde –, poderíamos evitar 2.598,75 internações em um ano, o que geraria uma economia de R$ 1.843.969,05. <![CDATA[ID 50 - Eficácia e Segurança do Apremilaste em Monoterapia para Adultos com Psoríase em Placas Moderada a Grave: uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200050&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A psoríase é uma doença crônica de natureza inflamatória e imunomediada, que compromete a pele e as articulações, sendo a psoríase em placas o fenótipo clínico mais prevalente. Recentemente, o apremilaste, um inibidor oral da fosfodiesterase tipo 4, foi aprovado para o tratamento da psoríase em placas, destacando-se como uma nova alternativa terapêutica. Esta revisão sistemática teve como objetivo primordial avaliar a eficácia e a segurança do apremilaste como monoterapia para o tratamento da psoríase em placas de moderada a grave. Método: Foram incluídos nesta revisão ensaios clínicos randomizados que compararam o apremilaste, nas dosagens de 30 mg e 20 mg, ambas administradas duas vezes ao dia, com placebo, visando determinar a eficácia terapêutica do apremilaste em pacientes com psoríase em placas moderada a grave. A pesquisa bibliográfica foi conduzida nas bases de dados PubMed, Embase e CENTRAL. Os desfechos primários avaliados incluíram o PASI-75 e a resposta da Avaliação Global Estática do Médico (sPGA). Desfechos secundários avaliaram a eficácia do apremilaste em relação ao placebo e, adicionalmente, foram considerados os eventos adversos associados ao tratamento, avaliando-se sua frequência e gravidade em comparação ao placebo. Resultados: Foram considerados elegíveis para a análise nove ensaios clínicos randomizados, envolvendo um total de 3.257 participantes. O apremilaste, administrado nas dosagens de 30 mg e 20 mg, duas vezes ao dia, demonstrou uma eficácia significativamente superior ao placebo na obtenção do PASI-75 ao longo de 16 semanas de tratamento (RR = 4,23; IC 95%: 3,29 - 5,43 e RR = 3,20; IC 95%: 2,00 - 5,14, respectivamente), bem como na Avaliação Global Estática do Médico (sPGA) (RR = 3,90; IC 95%: 3,14 - 4,86 e RR = 2,21; IC 95%: 1,30 - 3,76, respectivamente). Conclusão: Os achados desta metaanálise indicam que a monoterapia com apremilaste constitui uma intervenção terapêutica eficaz para o manejo da psoríase em placas de moderada a grave, apresentando um perfil de segurança e tolerabilidade considerado aceitável. <![CDATA[ID 51 - Talk Show: experiências exitosas da engenharia clínica]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200051&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Talk Show integrou a programação científica do 2º Seminário Latino-Americano de Engenharia Clínica, realizado durante a Feira Hospitalar, em maio de 2024, em São Paulo. Reconhecida como a principal feira do setor de saúde na América Latina, a Feira Hospitalar consolidou-se ao longo de mais de três décadas como o ponto de encontro por excelência das diversas comunidades da saúde. A edição de 2024 contou com a presença de 80 mil profissionais, 800 palestrantes e visitantes de 80 países, proporcionando oportunidades únicas de networking e troca de conhecimento. O 2º Seminário Latino-Americano de Engenharia Clínica, organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Clínica (Abeclin), reuniu especialistas do Brasil, Peru, Paraguai e Uruguai para discutir os avanços e os desafios da Engenharia Clínica na América Latina e no mundo. O Talk Show teve como objetivo promover o compartilhamento de experiências bem-sucedidas entre profissionais da Engenharia Clínica, proporcionando um espaço colaborativo para a troca de saberes práticos. Também visou encorajar a demonstração de novas abordagens para solucionar desafios comuns da área. Os trabalhos apresentados abrangeram uma diversidade de temas, com especial destaque para a ATS. Foram aprovados 11 trabalhos submetidos para apresentação oral no Talk Show, sendo quatro com interfaces diretas com estudos de ATS: – Análise de Custo-Efetividade do Equipamento de Colonoscopia Auxiliado por Inteligência Artificial versus Colonoscopia Convencional na Detecção de Pólipos Adenomatosos e Prevenção do Câncer Colorretal: uma avaliação econômica sob a perspectiva do SUS – Atualização do Arsenal Tecnológico da Radioterapia no Sistema Único de Saúde – Dados de Mundo Real em Dispositivos Médicos no Cenário Brasileiro: Estudo de Caso dos Kits Diagnósticos para Covid-19 – Desenvolvimento de Equipamentos Médicos no Brasil: Desafios e Etapas – Estudo de Caso do Desenvolvimento de um Ventilador Pulmonar Os quatro melhores trabalhos apresentados foram premiados, sendo dois do eixo de ATS: "Atualização do Arsenal Tecnológico da Radioterapia no Sistema Único de Saúde" e "Dados de Mundo Real em Dispositivos Médicos no Cenário Brasileiro: Estudo de Caso dos Kits Diagnósticos para Covid-19". Método: A expectativa é que, durante o V Congresso da Rebrats, seja promovida a apresentação da iniciativa com breve relato dos trabalhos premiados no eixo de ATS, criando uma oportunidade para dar visibilidade às contribuições dos profissionais de Engenharia Clínica na área ATS. Conforme a publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), engenheiros biomédicos e clínicos estão entre os principais profissionais responsáveis pelo ciclo de vida dos dispositivos médicos, incluindo a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Para isso, será necessário um espaço equipado com sistema de som e projeção. <![CDATA[ID 52 - Boletim do Instituto de Saúde (BIS) – Participação Social na Avaliação de Tecnologias em Saúde: acesso e democracia]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200052&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Boletim do Instituto de Saúde (BIS) é uma publicação semestral dedicada a promover debates com foco na melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS). A edição temática "Participação social na Avaliação de Tecnologias em Saúde: acesso e democracia" tem como objetivo envolver os leitores na compreensão de como a sociedade pode contribuir no processo de incorporação de tecnologias no SUS, promovendo maior transparência, equidade e confiança nas decisões de saúde. A edição conta com a participação de 40 autores e coautores, totalizando 16 trabalhos, que abordam a importância da participação social no processo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Entendendo que a participação ativa da sociedade é essencial para garantir o acesso equitativo a novas tecnologias e reduzir desigualdades no SUS. Os trabalhos iluminam o protagonismo das associações de pacientes, do controle social e dos movimentos associativos. Aprofundam o debate da importância e limitações das ferramentas de consulta pública. Trazem à tona a relevância da avaliação da evidência qualitativa e dos mecanismos de participação direta, com os relatos de experiências. As alterações no processo de ATS e incorporação de tecnologias oncológicas, decorrentes da recente Lei da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, são examinadas e discutidas com estudo de caso, oferecendo uma visão abrangente do panorama atual. As reversões das recomendações são abordadas no contexto das doenças raras e no âmbito da Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras. A edição também apresenta ensaios que incentivam reflexões sobre bioética, direitos humanos dos pacientes e os desafios relacionados à equidade no acesso a novas tecnologias. Relatos de experiências ilustram a participação social na Conitec e em conferências nacionais de saúde, destacando a importância do engajamento público no fortalecimento da democracia participativa. Os relatos de experiência oferecem percepções sobre a participação social na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), incluindo atividades em conferências nacionais de saúde. São apresentados casos específicos que ilustram o envolvimento público para o pleno exercício da cidadania e a materialização da democracia participativa. Uma entrevista com Vania Canuto, intitulada "Uma história com nome de gente", narra a evolução dos mecanismos de participação social nos 13 anos da Conitec. A entrevista oferece uma perspectiva sobre o papel da sociedade na construção do SUS e na ATS, além de apresentar um panorama futuro da participação social no contexto das Américas. Método: Pretende-se, durante o V Congresso da Rebrats, divulgar a edição apresentando brevemente os trabalhos, estimular a produção científica e provocar discussão sobre a participação social na ATS. A dinâmica busca explorar os textos como forma de uma jornada envolvente pelo universo da democratização e ampla participação social na ATS. Será um espaço oportuno para compartilhar como a participação ativa dos cidadãos pode moldar políticas públicas de saúde, garantir acesso equitativo a tecnologias, divulgar relatos inspiradores e experiências práticas de engajamento e participação social. Para tanto, será necessário um ambiente equipado com sistema de som e projeção, proporcionando um espaço para divulgação de experiências sobre como a participação cidadã pode influenciar políticas públicas e garantir acesso equitativo às tecnologias de saúde. <![CDATA[ID 54 - Ecossistema para Fortalecimento da Avaliação de Tecnologias em Saúde nas Secretarias Estaduais de Saúde: uma ferramenta estratégica]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200054&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A iniciativa envolve o desenvolvimento de um ecossistema integrado, como ferramenta de disseminação de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), destinado aos profissionais das Secretarias Estaduais de Saúde (SES). Por meio da utilização de diferentes abordagens, a fim de maximizar o alcance e a interação com o público-alvo, a ferramenta foi desenvolvida para facilitar o acesso à informação de forma dinâmica, promovendo assim a capacitação contínua e discussão ativa entre os profissionais. O ecossistema foi estruturado em quatro principais pilares: – Informação: A disseminação de informações sobre ATS é feita por meio de um boletim informativo mensal, que apresenta de forma acessível e objetiva conceitos e atualizações no campo da ATS, facilitando o rápido compartilhamento de conhecimento entre os profissionais. – Comunicação: A criação de uma rede de comunicação entre os profissionais foi realizada por um grupo de WhatsApp. Esse ambiente de comunicação rápida foi destinado à troca de informações, documentos e divulgação de eventos na área de ATS, promovendo um canal acessível e funcional. – Discussão: O ambiente de discussão se dá por meio de webinários mensais. Estes encontros, on-line e síncronos, foram estruturados para apresentar temas relacionados à ATS, incluindo convidados das próprias SES para expor suas experiências na área. – Capacitação: A capacitação dos profissionais é feita por uma trilha de cursos gratuitos, autoinstrucionais e on-line, que abordam desde temas introdutórios como síntese da evidência até temas mais avançados, como avaliação econômica e avaliação da certeza da evidência. Essa trilha está disponível a todos os profissionais e permanecerá acessível até o final de 2026. A iniciativa está alinhada com o objetivo de promover a disseminação de ações de ATS por meio de diferentes formatos e mídias, proporcionando uma linguagem acessível e interativa que consiga atingir diferentes públicos. A apresentação do ecossistema será feita por meio da exposição de cada um dos pilares, seus respectivos formatos e os principais resultados, com apoio de uma apresentação visual. Método: Durante os 5 minutos de apresentação, abordaremos os seguintes tópicos: – Introdução à iniciativa (1 minuto): Visão geral do ecossistema de disseminação de ATS das SES, destacando sua importância e impacto nas ações de saúde pública. – Exposição da abordagem de cada pilar do ecossistema (3 minutos): Informação: Apresentação da estrutura principal dos documentos e das principais pautas abordadas, trazendo um dos boletins como exemplo. Comunicação: Demonstração das trocas de experiências entre os profissionais, divulgação de eventos e compartilhamento de materiais no grupo de mensagens. Discussão: Apresentação dos dados de participação dos profissionais das SES nos webnários, bem como dos temas discutidos. Capacitação: Apresentação dos dez cursos da trilha de conhecimento, destacando os temas, carga horária e outras informações relevantes. – Resultados e impacto (1 minuto): Breve exposição dos dados de alcance das ferramentas e do ecossistema, como número de participantes no grupo de WhatsApp, nos encontros mensais, profissionais inscritos na lista de transmissão dos boletins, e número de participantes nos cursos da trilha de conhecimento. Equipamento necessário: Projetor para exibição de eslaides com dados visuais e de cada uma das ferramentas. <![CDATA[ID 55 - Efeito do Uso dos Dados de Registros de Lesões na Elaboração de Plíticas, nas Hospitalizações e na Mortalidade: uma revisão sistemática]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200055&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Iniciado em 2021, um projeto brasileiro tem como objetivo estabelecer um registro nacional de lesões que compila dados sobre eventos e indivíduos de todo o País, independentemente da gravidade das lesões. O registro integra informações do atendimento pré-hospitalar e hospitalar, de diversos sistemas de saúde que carecem de interoperabilidade e dados de setores como bombeiros e polícia. Seu objetivo principal é aprimorar a vigilância em saúde, fornecendo informações oportunas e de alta qualidade que orientem estratégias de prevenção e informem a formulação de políticas. Além disso, o projeto busca reduzir a morbidade e mortalidade associadas a lesões. Considerando os esforços atuais para implementar um registro de lesões no Brasil, este estudo investiga os efeitos dos dados do registro de lesões na formulação de políticas, taxas ou duração de hospitalização e mortalidade. Método: A revisão sistemática seguiu as diretrizes PRISMA, com um protocolo registrado no PROSPERO. Cinco bases de dados foram pesquisadas em novembro de 2023, com uma atualização realizada em março de 2024, incorporando listas de referências dos estudos incluídos. Dois revisores analisaram independentemente os registros, extraíram dados e avaliaram a qualidade metodológica usando a ferramenta Newcastle-Ottawa Scale (NOS), resolvendo desacordos com um terceiro revisor. Os estudos eram elegíveis se relatassem resultados relacionados à implementação e uso de dados de registro de lesões ou traumas para pelo menos um desfecho de interesse, enquanto aqueles baseados em outras fontes foram excluídos. A síntese dos resultados foi apresentada em tabelas, e os efeitos observados foram relatados como diferenças em número ou porcentagem. Resultados: De 9.100 estudos recuperados, 3.951 foram excluídos devido à duplicação, restando 5.149 para seleção, com 15 textos completos revisados. Apenas cinco estudos atenderam aos critérios de inclusão, destacando uma escassez notável de pesquisas sobre os efeitos dos dados do registro nos desfechos de lesões. É importante notar que os estudos incluídos refletem correlações em vez de causalidades, e atualmente não há publicações sobre impacto. Os achados sugerem que os registros de lesões e traumas influenciam positivamente a formulação de políticas, o que, por sua vez, melhora os desfechos de saúde. Um estudo observou redução de três dias na permanência na unidade de terapia intensiva e uma redução de 4,1% na mortalidade hospitalar esperada (de 22,8% para 18,7%) para pacientes com um Escore de Gravidade de Lesão (ISS) ≥16, enquanto outro mostrou diminuição anual de 42% nas internações hospitalares por lesões de trânsito (de 45 para 16). A heterogeneidade metodológica significativa e o pequeno número de estudos limitaram a viabilidade de uma metanálise. Conclusão: Até onde sabemos, esta é a primeira revisão sistemática que visa mapear os efeitos relacionados aos dados do registro. Pesquisas anteriores concentraram-se predominantemente nessa relação com sistemas de trauma ou para gerar conhecimento científico, em vez de avaliar o impacto ou os efeitos do registro em si. Em conclusão, o estabelecimento de um registro de lesões no Brasil apresenta uma oportunidade significativa para melhorar os resultados de saúde por meio da formulação de políticas informadas. Embora os efeitos diretos sobre a morbidade e a mortalidade possam não ser imediatamente evidentes, o papel do registro em facilitar medidas preventivas e melhorar as capacidades de vigilância é inestimável. <![CDATA[ID 57 - ATS no Inca: integração da prevenção e vigilância, assistência, ensino e pesquisa]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200057&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Instituto Nacional de Câncer (Inca), protagonista da Política Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer (Lei n.º 14.758, de 19 de dezembro de 2023), e formulador de diretrizes para o controle do câncer, detém demandas específicas de análises de avaliações de tecnologias em oncologia que atendam à instituição e à sociedade. Nesse sentido, o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Inca foi instituído por meio da Portaria n.º 249, de 08 de agosto de 2011. Atualmente, designada como Divisão de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Dats), tem como missão promover a produção de conhecimento científico para contribuir na construção de um processo decisório eficiente para a utilização de tecnologias em saúde, voltadas para o controle do câncer. Em 2024, foi desenvolvido o projeto intitulado ATS no Inca, com a proposta de implementação de ações pela Dats, que subsidiem a instituição no contexto da gestão em avaliações de tecnologias em saúde na área da oncologia. A iniciativa tem como finalidade fomentar a articulação de demandas de avaliação de tecnologias em saúde em oncologia com as áreas de assistência, ensino e pesquisa do Inca, definindo temas prioritários e em consonância com a Política Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer. O projeto será exposto em formato de apresentação oral utilizando recursos visuais e eslaides. Método: Apresentação de metas e de objetivos: o objetivo do projeto é que o Inca seja, além de referência nacional, um polo de descentralização do conhecimento em ATS em oncologia, capacitando profissionais e subsidiando a instituição na tomada de decisão e potenciais articulações no processo de construção de um sistema de saúde voltado para o paciente oncológico em um contexto sustentável e equânime. Apresentação de etapas: na elaboração do estudo analítico do projeto foram planejadas três etapas a serem executadas ao longo do período. A primeira etapa será a descentralização do conhecimento acerca da avaliação de tecnologias em saúde dentro do Inca, a segunda etapa será a definição de temas prioritários em oncologia para desenvolvimento de estudos de ATS, bem como estabelecimento de fluxo institucional de entrada de demanda de análise e a terceira e última etapa será a produção técnico-científica oriunda das avaliações demandadas. Análise Gerencial e execução: o projeto encontra-se em fase de execução, tendo a primeira etapa concluída. Os materiais elaborados na fase de descentralização do conhecimento foram: três infográficos, uma publicação no Informe Inca, um vídeo institucional e um Podcast. Resultados esperados: os resultados esperados desse projeto compreendem a promoção de um ambiente de permanente intercâmbio de conhecimento em ATS, o fortalecimento do capital intelectual e a capacidade institucional quanto à ATS, propor ferramentas, iniciativas e sistemáticas para viabilizar e aprimorar a capacidade de realização de ATS e disseminar resultados. <![CDATA[ID 59 - Análise Econômica e Sustentável do Reprocessamento de Máscaras N95/PFF2]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200059&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A pandemia da covid-19 impactou significativamente a economia global, além dos milhões de casos e mortes registrados até janeiro de 2024 estudos demonstram os impactos negativos no meio ambiente e na economia. Durante o período pandêmico, os profissionais de saúde foram especialmente afetados, com altos riscos de infecção e morte, devido à escassez de equipamentos de proteção individual, como máscaras N95/PFF2. Diante desse cenário, medidas de otimização foram necessárias, incluindo, em alguns países, a descontaminação para reutilização, uma vez que a demanda superou a oferta de respiradores, aumentando também a quantidade de resíduos gerados. Assim, considerando a demanda crescente por cuidados de saúde, a possibilidade de futuras situações de contingência, os impactos ambientais dos resíduos gerados e o aumento da extração de matéria-prima em um cenário de restrições orçamentárias e limitações de recursos, este estudo tem como objetivo avaliar a viabilidade econômica e impacto ambiental da descontaminação de máscaras N95/PFF2 por peroxido de hidrogênio, contribuindo para uma gestão eficiente, transparente, equitativa e racional dos recursos disponíveis. Método: Estudo de avaliação econômica realizado em junho de 2023 em um hospital público no Brasil, com 150 leitos, que utilizou a metodologia de microcusteio, com base na modelagem de atendimento a pacientes com covid-19. A metodologia proposta por Sionk Swan Tan foi utilizada para estimar os custos, seguindo etapas que incluíram definição da perspectiva de análise; definição da unidade de análise; identificação de itens de custo; mensuração dos itens de custo e valoração dos itens de custo. A checklist CHEER-2 foi utilizada para elaboração do estudo. Resultados: Entre abril de 2020 e março de 2023, estimou-se o consumo de 67.490 máscaras N95/PFF2 para o atendimento de pacientes com covid-19. O estudo indicou que o custo total para aquisição e descarte adequado dessas máscaras seria de R$ 237.753,77. No entanto, com o método de reprocessamento, esse custo poderia ser reduzido para R$ 94.945,71, gerando uma economia de 60%. Além disso, o reprocessamento teria o potencial de diminuir a geração de resíduos em 81,4%. Conclusão: O reprocessamento de máscaras N95/PFF2 demonstrou ser uma estratégia economicamente viável e ambientalmente sustentável. A economia gerada aliada à redução de resíduos evidencia os benefícios do reprocessamento, tanto em termos financeiros quanto de preservação ambiental. No âmbito ambiental, os dados reforçam a preocupação com o aumento da poluição plástica, causada pelo descarte inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs). Essa realidade coloca em destaque a importância de buscar soluções sustentáveis, como o reprocessamento de máscaras, que reduz significativamente o impacto ambiental. Embora a literatura já confirme a segurança do reprocessamento de máscaras, a legislação brasileira atual proíbe essa prática, indicando a necessidade de uma revisão das políticas sanitárias no País. Uma abordagem baseada em evidências, poderia embasar mudanças regulatórias que favoreçam o uso racional e eficiente de recursos, não apenas financeiros, mas também materiais e naturais. A implementação de diretrizes de avaliação econômica em saúde pode garantir o acesso equitativo a tecnologias eficazes e seguras, otimizando o uso dos recursos disponíveis e promovendo uma gestão de saúde mais eficiente e sustentável no Brasil. <![CDATA[ID 60 - Preditores do Tempo de Internação e Custos Hospitalares para Pacientes Submetidos a Transplante de Célula-Tronco Hematopoiética em um Hospital Público Brasileiro]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200060&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) é essencial para tratar doenças hematológicas, mas envolve altos custos, desafiando sistemas de saúde com recursos limitados. Fatores como o tipo de transplante, internação e complicações impactam significativamente os custos. Este estudo tem como objetivo analisar os preditores do tempo de internação e os custos agregados hospitalares associados ao TCTH em um hospital público brasileiro, contribuindo para a formulação de políticas públicas que promovam eficiência e equidade no acesso ao tratamento. Método: Estudo retrospectivo que analisou 231 prontuários de pacientes submetidos a TCTH autólogo ou alogênico aparentado, em um hospital público de São Paulo, entre 2017 e 2020. As variáveis do estudo foram: idade, gênero, diagnóstico, escore de risco, tipo de TCTH, fonte de células-tronco, protocolo de condicionamento, tempo de internação, complicações, necessidade de UTI e custos hospitalares agregados por meio do método de macrocusteio.(3) A análise estatística foi realizada com R 4.1.0 e Jamovi. Resultados: O tempo de internação variou de 14 a 81 dias (mediana=23). Fatores que prolongaram significativamente o tempo de internação (p &lt;0,05) incluíram menor faixa etária, diagnóstico de leucemia mieloide aguda e linfoma de Hodgkin, escore de risco muito alto pelo (DRI), TCTHs alogênicos haploidênticos, intensidade de condicionamento reduzido e presença de complicações. O tempo de aplasia também esteve significativamente associado ao tempo total de internação (p &lt; 0,001). Cerca de 90% dos TCTHs realizados apresentaram alguma complicação. A principal foi a ocorrência de infecção, incluindo neutropenia febril (30,3%), infecção documentada (52,8%) e sepse (10,8%). Das infecções documentadas, a mais frequente foi pneumonia (15,6%) e infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter (12,6%). Outras complicações frequentes foram mucosite (52%) e necessidade de nutrição parenteral (10,8%). Apenas 3% evoluíram a óbito em decorrência de infecção grave. O custo do TCTH foi estimado a partir da duração da hospitalização e variaram significativamente conforme o tipo de transplante e a ocorrência de complicações. No transplante autólogo, a mediana de dias de internação foi de 17 dias, com um custo de R$ 81.442,24 sem complicações, aumentando para 22 dias e R$ 105.395,84 com complicações, e chegando a 33 dias e R$ 168.390,73 quando o paciente precisou de UTI. No transplante alogênico, o tempo de internação foi de 25 dias, com um custo de R$ 119.768,00 sem complicações, aumentando para 30 dias e R$ 143.721,60 com complicações, e alcançando 37 dias e R$ 197.987,53 em casos que necessitaram de UTI. Conclusão: Este estudo oferece uma visão abrangente dos preditores de tempo de internação e custos associados ao TCTH, utilizando uma amostra maior que outros estudos brasileiros. Os custos agregados foram menores que os reportados nos EUA, evidenciando variações entre países. A análise das complicações pós-TCTH e seu impacto nos custos destaca a importância de estratégias eficazes de prevenção e manejo. Os resultados contribuem para o entendimento dos fatores que afetam o tempo de internação e custos no Brasil, com implicações para políticas públicas e planejamento dos serviços de TCTH. <![CDATA[ID 61 - Avaliações de Tecnologia em Saúde e Padronização de Material Técnico Hospitalar]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200061&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O trabalho apresentado é um texto de divulgação científica para as redes sociais, e tem como principal iniciativa informar o papel das avaliações de tecnologias em saúde (ATS) no cenário hospitalar, que esta iniciando a implementação do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde, assim como, de reforçar suas contribuições voltadas para a aquisição de novos padrões de materiais técnicos-hospitalares, fazendo um recorte da política e dos órgãos responsáveis, que norteiam o processo de avaliação. A padronização de material técnico-hospitalar é um dos pontos de atenção da ATS, que visa contribuir com a redução do desperdício, a sustentabilidade dos recursos, a redução do risco de variabilidades, e a qualidade e a segurança do cuidado em saúde envolvendo pacientes e prestadores do serviço. A ATS no processo avaliativo de novas aquisições de materiais hospitalares fortalece a entrega positiva dos hospitais à sociedade, de um cuidado eficaz, resolutivo, seguro e de qualidade na transversalidade do cuidado em saúde. Método: Introdução; um breve histórico sobre ATS, a importância dos Nats no cenário hospitalar e a padronização de material técnico-hospitalar e o papel das ATS. no processo. Objetivos: Geral: Divulgar o papel das ATS no processo de padronização de material técnico-hospitalar. Específicos: Entender o processo dos Nats na avaliação de novas tecnologias; Apresentar a Política de Gestão de novas tecnologias voltadas para a saúde; Estabelecer a avaliação de padronização de materiais técnicos baseado nas orientações de ATS. Metodologia: Texto de Divulgação Científica nas redes sociais. Conclusão: Alcance e sensibilização das equipes envolvidas para a importância das ATS nos processos de aquisição de novas tecnologias em saúde. Equipamentos: Monitor e som para a apresentação do texto de divulgação científica. <![CDATA[ID 64 - Revisão Sistemática de Modelos e <em>Frameworks</em> para Avaliar a Implementação de Guias de Práticas Clínicas: análise de domínios]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200064&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Guias de práticas clínicas (GPC) orientam o cuidado mais adequado frente às melhores evidências disponíveis e são a base para o gerenciamento da utilização de tecnologias em um sistema de saúde. Para alcançar os resultados e os impactos desejados, os GPC devem ser adequadamente implementados, o que exige planejamento cuidadoso, monitoramento contínuo e a colaboração de várias partes interessadas. O uso de modelos e (M&amp;F) pode apoiar a avaliação da implementação, permitindo maior estruturação e padronização desse processo. Considerando a lacuna de conhecimento sobre M&amp;F disponíveis para avaliar a implementação de GPC, este trabalho teve como objetivo mapear M&amp;F utilizados para essa finalidade e analisar seus domínios avaliativos. Método: Uma revisão sistemática foi conduzida seguindo a metodologia Cochrane, relatada pelas diretrizes PRISMA e registrado seu protocolo no PROSPERO (CRD42022335884). As buscas foram conduzidas até a data de 15 de maio de 2023, em 14 bases de dados e complementadas por buscas manuais. Utilizou-se o descritor, além dos sinônimos e dos termos livres, , e . A seleção e a extração de dados foi realizada em duplicata, por revisores independentes. Todos os documentos que reportaram o uso de M&amp;F para avaliar a implementação de CPG foram incluídos. Os domínios dos M&amp;F foram analisados de acordo com os constructos de Nilsen adaptados: "intervenção", "estratégias", "contexto" (micro, meso, macro ou múltiplo), "resultados" (aceitabilidade, adequação, viabilidade, adoção, custo e penetração), "fidelidade e adaptação" e "sustentabilidade". Foram utilizadas as ferramentas da JBI para avaliação crítica da confiabilidade, relevância e resultados dos estudos selecionados. Resultados: Todos os M&amp;F abordaram o domínio "contexto" (100%), com destaque para o nível micro (66,7%), que traduz os aspectos individuais que afetam a implementação dos GPC, seguido por múltiplos níveis (58,3%), nível meso ou organizacional (33,3%) e nível macro ou estrutural (16,7%). O domínio "desfecho" foi avaliado em 75% dos M&amp;F, com os seguintes subdomínios abordados: "adoção" (50%), "aceitabilidade" (33,3%), "adequação" (25,0%), "viabilidade" (25,0%), "custo" (8,3%) e "penetração" (8,3%). Domínios como "intervenção" (66,7%), "estratégias" (58,3%) e "processo" (41,7%) também foram frequentemente abordados. Em contrapartida, o domínio "sustentabilidade" foi pouco encontrado (8,3%), e "fidelidade/adaptação" não foram observados. Conclusão: Os M&amp;F apresentaram domínios analíticos variados, com conceitos às vezes divergentes. Observou-se uma personalização dos domínios de análise, onde alguns domínios propostos pelos M&amp;F não foram utilizados, enquanto outros foram incluídos de forma complementar. Isso reforça a ideia de que os M&amp;F devem ser utilizados como guias para o processo avaliativo, e não como instrumentos rígidos com requisitos obrigatórios. A aplicação de M&amp;F na avaliação da implementação de GPC contribui diretamente para melhores impactos sociais da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Este estudo é inovador ao enfatizar o uso de M&amp;F para o estágio de avaliação da implementação de GPC e ao resumir aspectos e domínios voltados para sua aplicação prática, podendo subsidiar o debate e as escolhas de M&amp;F para as práticas avaliativas em sistemas de saúde e contribuir para uma gestão de tecnologias eficiente. <![CDATA[ID 66 - Etanercepte Referência e Biossimilar: análise da persistência em pacientes com artrite reumatoide no Sistema Único de Saúde (SUS)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200066&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica que pode levar à perda funcional e deterioração da qualidade de vida. O tratamento envolve medicamentos modificadores do curso da doença biológicos, eficazes no controle da doença, porém de custo elevado. Biossimilares foram desenvolvidos para reduzir custos e aumentar o acesso à terapia, mostrando-se seguros e eficazes. Estima-se que eles possam economizar até USD 54 bilhões em dez anos nos EUA. Apesar de a comprovação clínica da similaridade em eficácia e segurança, a avaliação do desempenho dos biossimilares em mundo real ainda é limitada. A persistência ao tratamento é um indicador de sucesso terapêutico e avaliá-la é essencial para encorajar o uso dos biossimilares, fornecendo dados que demonstrem sua equivalência com os medicamentos de referência. O objetivo é avaliar a persistência ao tratamento entre pacientes com AR iniciando terapia com o etanercepte de referência e biossimilar em um contexto de mundo real. Método: Coorte retrospectiva, de janeiro de 2020 até dezembro de 2021, com dados de pacientes diagnosticados com AR, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID), registrados na Sala Aberta de Inteligência em Saúde – Sabeis/DataSUS. Do total de 17.036 pacientes em uso de biológicos para o tratamento da AR, foram excluídos os seguintes pacientes: todos em uso de outros biológicos que não o etanercepte em monoterapia, os menores de 18 anos, os experimentados e aqueles com menos de dois registros de dispensação. A amostra foi dividida em dois grupos: pacientes usando o originador e pacientes usando o biossimilar. O teste de correlação de Pearson confirmou a homogeneidade entre os grupos em relação às variáveis de interesse. Foi avaliada a persistência global, do tempo zero até a interrupção ou troca de medicamento, por meio do método de Kaplan-Meier e as diferenças das curvas pelo log-rank; a persistência foi estratificada por sexo, faixa etária, região de residência, IMC, CID-10 e esquema terapêutico. Resultados: Dos 888 pacientes cadastrados na base Sabeis/DataSUS em uso de etanercepte em monoterapia como primeiro medicamento biológico, 543 estavam iniciando o originador e 345 iniciando o biossimilar. A amostra era composta na sua maioria por mulheres com idade entre 45 e 64 anos, predominantemente residentes na Região Sudeste. A análise de persistência não diferenciou os biossimilares dos biológicos originadores, e não foram observadas diferenças significativas entre os dois grupos. Na análise univariada, variáveis como sexo, idade, região de residência, IMC, CID-10 e esquema terapêutico não apresentaram significância estatística em relação ao risco de descontinuação do medicamento. No entanto, pacientes residentes nas Regiões Sul, Sudeste e Nordeste demonstraram um risco reduzido de descontinuação ao tratamento quando comparados aos residentes da Região Centro-Oeste. Conclusão: Este estudo de mundo real em âmbito nacional mostrou que o etanercepte biossimilar e o originador possuem efetividade e segurança equivalentes em pacientes com artrite reumatoide, confirmando os resultados observados em estudos realizados em outros países. Esses achados podem contribuir para a redução dos custos de tratamento no âmbito do Sistema Único de Saúde, dessa forma aumentando o acesso ao cuidado, promovendo equidade e melhorando a sustentabilidade do sistema de saúde. <![CDATA[ID 68 - Projeto ACERTO: Impacto no Tempo de Internação, Cuidados Perioperatórios e Custos Hospitalares]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200068&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O projeto ACERTO (Aceleração da Recuperação Total no Pós-Operatório) foi criado em 2004 como um projeto de pesquisa no Brasil, inspirado pelos protocolos fast-track e pelo programa europeu ERAS (). Implementado em 2005, o ACERTO introduziu uma abordagem multimodal voltada para otimizar os cuidados perioperatórios, com foco na aceleração da recuperação dos pacientes submetidos a diversos tipos de cirurgias. O protocolo trouxe adaptações para a realidade latino-americana e ampliou sua aplicação para diferentes especialidades cirúrgicas, promovendo benefícios até em cirurgias de menor porte. Este estudo tem como objetivo comparar o tempo de internação, cuidados perioperatórios e custos hospitalares de pacientes submetidos a cirurgias urológicas antes e após a implementação do projeto ACERTO, no período de 2018 a 2022, em hospital público em São Paulo, referência em saúde do homem. Método: Para a implementação do projeto foi utilizado o método Breakthrough, que é composto por quatro fase: Coleta de dados inicial, elaboração do plano de mudança, coleta de novos dados após a implementação e análise dos novos dados e comparação com os dados iniciais. Para calcular os custos hospitalares, foi utilizada a metodologia de macrocusteio, neste estudo foram analisadas as diárias de internação. Resultados: A implementação do projeto ACERTO resultou em melhorias significativas nos desfechos clínicos e financeiros dos pacientes submetidos a cirurgias urológicas. Houve redução substancial no tempo de internação em diversas cirurgias. Na ressecção transuretral de próstata, o tempo médio de internação diminuiu de três para um dia, enquanto a ressecção transuretral de bexiga de dois para um dia. Procedimentos como a prostatectomia diminuíram de cinco para dois dias, e a nefrolitotripsia percutânea de quatro para dois dias. A ureterolitotripsia também mostrou redução, passando de dois para um dia de internação. Os custos hospitalares também foram impactados positivamente. O número total de dias de internação foi reduzido de 9.365 em 2018 para 4.542 em 2022, enquanto os custos totais tiveram um decréscimo de R$ 34.968.136,92, valores corrigidos para 2022, para R$ 10.446.600,00 no mesmo período, correspondendo a uma economia de 70%. Além disso, houve melhorias nos cuidados perioperatórios, a dose correta de antibiótico profilático foi administrada corretamente em 98% dos casos em 2022, comparado a apenas 50% em 2018. A incidência de dor nas primeiras 24 horas após a cirurgia reduziu de 25% para 5%, e o tempo médio de jejum total passou de 22 para 16 horas. Conclusão: Com base na análise dos resultados obtidos pela implementação do Projeto ACERTO, observou-se melhoria substancial tanto nos desfechos clínicos quanto nos financeiros, corroborando os resultados de outros estudos. O ACERTO demonstrou ser altamente eficaz na redução dos custos hospitalares e do tempo de internação, bem como na melhoria da recuperação pós-operatória em diversos contextos cirúrgicos. A redução dos custos hospitalares, do tempo de internação e das complicações pós-operatórias reflete o sucesso da abordagem multimodal proposta pelo protocolo. Seja em cirurgias eletivas, de emergência ou de grande porte, o ACERTO demonstrou ser uma estratégia eficaz para otimizar os cuidados perioperatórios, acelerar a recuperação dos pacientes e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde pública. <![CDATA[ID 69 - Revisão Rápida sobre Regorafenibe para Pacientes com Carcinoma Hepatocelular Avançado, de Baixo Risco e com Boa Capacidade Funcional em Segunda Linha de Tratamento]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200069&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Regorafenibe é um agente antineoplásico oral, inibidor da proteína quinase, recomendado como uma possibilidade de tratamento com a quimioterapia sistêmica paliativa de segunda linha do carcinoma hepatocelular (CHC) avançado ou metastático, quando os pacientes apresentarem boa capacidade funcional (escores ECOG 0 ou 1) e tiverem apresentado falha terapêutica ao uso de sorafenibe. Nesse contexto, foi realizada uma revisão rápida sobre o tema, com objetivo de auxiliar na tomada de decisão sobre a padronização do medicamento em um hospital de referência em oncologia. Método: Para responder se o regorafenibe é seguro e eficaz para o tratamento de segunda linha de pacientes com CHC, de baixo risco e com boa capacidade funcional, em 29 de maio de 2024 foram realizadas buscas nas bases de dados PubMed, Embase e Cochrane por revisões sistemáticas (RS) de ensaios clínicos randomizados (ECR). Esta revisão rápida foi conduzida de acordo com as recomendações da . O risco de viés das RS incluídas foi avaliado com a ferramenta (AMSTAR 2). A certeza geral das evidências para os desfechos sobrevida livre de progressão (SLP) e sobrevida global (SG) foi avaliada por meio do sistema (GRADE). Resultados: Ao final do processo, dez RS foram selecionadas. Todas apresentavam o mesmo e único ECR que comparava regorafenibe a placebo. Para extração dos desfechos, foram selecionadas quatro RS com metanálises em rede recentemente publicadas. A qualidade metodológica das quatro RS variou de "baixa" a "criticamente baixa". Por fim, optou-se pela apresentação dos resultados da mais recente, e cuja qualidade metodológica, não fosse inferior às das demais. As intervenções analisadas pela RS foram regorafenibe, cabozantinibe, ramucirumabe, pembrolizumabe, apatinibe e brivanibe, o comparador era placebo. A RS mostrou que todos os tratamentos prolongaram a SLP em comparação ao placebo. Para SG, no entanto, apenas regorafenibe (HR, 0,63; IC 95%, 0,5-0,79), cabozantinibe (HR, 0,76; IC 95%, 0,63-0,92), ramucirumabe (HR, 0,82; IC 95%, 0,7-0,96) e pembrolizumabe (HR, 0,79; IC 95%, 0,67-0,93) tiveram benefício. Já regorafenibe foi superior aos demais tratamentos em ganho de SG e o segundo mais eficaz em ganho de SLP (p-escore de 94,65% e 87,36%, respectivamente). Entretanto, esse benefício é discreto, pois o ganho proporcionado pelo regorafenibe em comparação ao placebo se restringe a algo entre 0,3 a 5,8 meses para SG e 1,2 a 2,8 meses para SLP. Quanto à segurança, regorafenibe teve a terceira maior incidência de eventos adversos (EA) grau ≥3 entre todos os tratamentos, porém, todas as comparações indiretas (CI) com regorafenibe não tiveram significância estatística. As CI com regorafenibe tiveram evidências variando de qualidade baixa a muito baixa, enquanto as evidências da comparação direta (CD) entre regorafenibe e placebo, eram de qualidade moderada. Conclusão: As conclusões das quatro RS selecionadas foram semelhantes, assim como suas limitações, destacando-se o poder limitado das metanálises em rede devido ao número limitado de CD. O regorafenibe mostrou-se seguro e eficaz no tratamento de segunda linha do CHC avançado, irressecável, de baixo risco, com boa capacidade funcional, após tratamento com sorafenibe. Apesar de regorafenibe ser provavelmente superior a outros tratamentos em ganho de SG, esse incremento limita-se a poucos meses. <![CDATA[ID 70 - Uso de Alfaporactanto no Tratamento de Doenças da Membrana Hialina em Neonatos Comparado ao Beractanto: revisão sistemática da literatura e impacto orçamentário]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200070&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A doença da membrana hialina (DMH) é uma complicação que acomete recém-nascidos prematuros afetando os pulmões pela falta de surfactante. Recomenda-se, como tratamento, a terapia de reposição de surfactante de origem exógena, por reduzir a doença em 50% e a mortalidade neonatal em 30%. Especialista da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) do HU-UFGD/Ebserh solicitaram a padronização do Alporactanto justificando maior eficácia e segurança e menor número de doses adicionais em neonatos prematuros quando comparado ao Beractanto. O objetivo foi analisar a eficácia e a segurança do uso de Alfaporactanto no tratamento da DMH em neonatos comparado ao Beractanto. Método: Revisão Sistemática de Ensaios Clínicos Randomizados com buscas nas bases: MEDLINE, Embase, LILACS, base de registro: Clinical Trials e buscas complementares em websites de agências de Avaliação de Tecnologias em Saúde e instituições correlatas. Foram considerados os desfechos de mortalidade e displasia broncopulmonar para eficácia e segurança dos tratamentos, respectivamente. A avaliação do risco de viés foi realizada por meio da ferramenta RoB 2.0, e a certeza no conjunto final da evidência foi avaliada utilizando a abordagem GRADE. Realizou-se a análise do Impacto Orçamentário Incremental baseado no consumo da tecnologia padronizada na instituição (Beractanto) no período de um ano, considerando a demanda aferida na Utin da instituição. Resultados: Foram incluídas na revisão oito estudos com 965 participantes, com variação de tamanho amostral de 52 a 197. Para o desfecho óbito, houve redução de 39% do risco na intervenção, com imprecisão dos resultados devido à inconsistência entre os estudos. O estudo de Lemyre (2017) apresentou 21,4% de mortalidade do Alfaporactanto e 6,7 % do Beractanto (9,4% foram por infecção hospitalar não associada a complicações da prematuridade). Quanto a dosagens adicionais, no estudo de Ramanathan (2004), 73% foram tratadas com sucesso com apenas uma dose de 200 mg/kg de Alfaporactanto em comparação com 51% no grupo Beractanto 100 mg/kg, indicando possível heterogeneidade clínica entre os estudos. Dizdar (2012) demonstra que o grupo que recebeu Beractanto necessitaram de duas doses em comparação com o grupo que recebeu o Alfaporactanto, (31% vs 12%, respectivamente) o que impacta tanto do custo-efetividade devido ao valor unitário da tecnologia e no volume administrado no pulmão do neonato via tubo orotraqueal. Para o desfecho de displasia broncopulmonar, os estudam apontam redução significativa (31%) de eventos relacionados ao uso do Alfaberactanto sugerindo potencial segurança do tratamento em relação ao comparador. O risco de viés geral dos estudos indicou algumas preocupações. A certeza no conjunto final da evidência foi considerada baixa, uma vez que o intervalo de confiança de todos os estudos é amplo gerando inconsistência e imprecisão. O Impacto Orçamentário Incremental apontou acréscimo de R$ 56.379,84 anual, ou seja, um acréscimo de R$ 247,28 ao ano, por neonato. Conclusão: Os nossos achados indicam similaridade de eficácia entre as intervenções, apesar da baixa certeza da evidência que sugere que estudos futuros poderão modificar a direção e a magnitude de efeito. Em relação à segurança houve menor número de eventos de displasia pulmonar e menor necessidade de doses adicionais no uso do Alfaporactanto quando comparado ao de Beractanto. O Nats emitiu a recomendação condicional a favor da tecnologia. <![CDATA[ID 72 - Estratégias de Divulgação do Conhecimento: democratizando a Avaliação de Tecnologias em Saúde em um hospital universitário federal]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200072&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Com o objetivo de democratizar a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) no âmbito no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) filial Ebserh, o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) adotou algumas estratégias: a) Episódios em formato de quadrinhos intitulado: "Conheça o Nats". O quadrinho é produzido pela coordenação do núcleo com uma linguagem atual e acessível trazendo informações estratégicas sobre o Nats de uma maneira mais leve e descontraída com vistas a instigar a comunidade hospitalar a respeito da atuação do Nats; b) Animação em formato de vídeo curto: a animação foi produzida como outra estratégia de democratizar a ATS com objetivo de alcançar aquelas pessoas que possuem maior facilidade de aprendizado com a comunicação oral. As duas estratégias são divulgadas via e-mail institucional e apresentados no Painel Digital/Televisão Corporativa da Unidade de Comunicação, localizada na entrada de funcionários; c) disponibilização dos pareceres do Nats na íntegra no Catálogo de Sistemas do HU nomeado "Produtos de ATS". O Catálogo é uma ferramenta para facilitar o acesso aos inúmeros sistemas e serviços necessários aos colaboradores do HU-UFGD/Ebserh para realizarem suas atividades laborais, por meio da centralização em um catálogo de links de sistemas, com interface simples e intuitiva. Quando o colaborador clica no navegador, automaticamente ele é direcionado para o catálogo de sistema que possui excelente adesão e acesso restrito no ambiente hospitalar; d) criação pelos membros do Nats de um Painel em Power BI. Ele apresenta o cenário da ATS no ambiente hospitalar de uma maneira dinâmica e interativa; permite o monitoramento em tempo real e fornece uma visão consolidada das principais métricas. O painel possibilitou a organização e a visualização dos dados de maneira coesa, facilitando a análise e a compreensão do status atual da ATS na instituição pelos colaboradores e pela gestão. O painel traz informações como: documentos concluídos e em andamento; médias de tempo de execução e horas dispensadas para elaboração dos documentos técnicos, tempo de resposta (em dias), tanto no geral quanto por tipo de documento elaborado; tipo de tecnologia avaliada e links de acesso rápido aos pareceres, orientações de como solicitar uma ATS; regimento interno; membros do Nats; documentos e formulários e; acesso a diversos sites e materiais de interesse. Método: A apresentação ocorrerá de forma oral com auxílio de recursos audiovisuais como: datashow, computador com acesso à internet e equipamento de som. Inicialmente, será apresentado os episódios em formato de quadrinhos: "Conheça o Nats" seguido da animação/vídeo de divulgação. Na sequência, serão apresentadas as imagens do Catálogo de Sistemas e acessos as Abas relacionadas ao Nats. A exposição oral será finalizada com a apresentação do Painel em Power BI. <![CDATA[ID 73 - Eficácia do Uso da Escopolamina para Redução da Sialorreia em Crianças com Doenças Neurológicas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200073&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O tratamento da sialorreia abrange o uso da toxina botulínica, tratamento cirúrgico e farmacológico (anticolinérgicos). O objetivo deste estudo foi analisar se a escopolamina (medicamento anticolinérgico) é eficaz para reduzir a sialorreia em crianças com doenças neurológicas (uso) em ambiente hospitalar. Método: Realizou-se uma revisão sistemática de ensaios clínicos quase-randomizados e controlados com buscas nas bases de dados: MEDLINE (PubMed); Embase e LILACS, via BVS e no Clinical Trials. Foram recuperadas 117 referências, inseridas no aplicativo Rayyan. Destas, duas referências foram incluídas para análise na revisão. As etapas de seleção foram executadas por dois investigadores independentes e o consenso por um terceiro avaliador. O desfecho analisado foi o número de pacientes que reduziram a sialorreia quando submetidos ao tratamento com escopolamina. A avaliação do risco de viés utilizou-se a ferramenta RoBins-I, para o desfecho analisado, e a certeza no conjunto final da evidência foi avaliada utilizando a abordagem GRADE. Resultados: Foram inclusos dois ensaios clínicos controlados (Jongerius et al., 2004a; Jongerius ., 2004b) que analisaram respectivamente 45 e 39 participantes. A partir da análise dos estudos observou-se que eles são oriundos de uma mesma pesquisa, com a mesma população, porém com análise de desfechos diferentes. Ambos compararam a toxina botulínica tipo A (BoNT) com adesivo transdérmico de escopolamina de 1,5 mg. No primeiro, foi avaliado a redução da salivação utilizando usando o Drooling Quotient (DQ). A análise do DQ demonstrou uma taxa de resposta de 53% dos pacientes à escopolamina, e 48,7% até 24 semanas após as injeções de BoNT. No segundo estudo foram avaliadas as taxas de fluxo salivar de todas as glândulas principais, obtidas no início do estudo e comparadas com as medições durante as intervenções. Comparado com a linha de base, a diminuição média no fluxo submandibular foi de 25% com a escopolamina e 42% após as injeções de BoNT. Em relação aos efeitos colaterais entre aqueles que desistiram de ambas as pesquisas (n=6), a maioria (n=4) estava sob uso de escopolamina. No primeiro estudo, 71,1% dos pacientes que apresentaram efeitos colaterais moderados a graves estavam no grupo que recebeu escopolamina. Apenas efeitos colaterais não graves e incidentais foram relatados após as injeções de BoNT. O risco de viés geral dos estudos foi grave, relacionado ao viés de confusão. Conclusão: A certeza no conjunto final da evidência dos desfechos primários foi considerada muito baixa, uma vez que a confiança na estimativa de efeito é muito limitada e a estimativa de efeito é incerta. A magnitude e a direção do efeito prevista dos vieses nesses estudos são imprevisíveis, pois os fatores confundidores não medidos e desconsiderados nas análises estatísticas poderiam tanto favorecer a intervenção (BoNT) quanto o comparador (escopolamina). No entanto, a maioria dos que desistiram de ambas as pesquisas estava sob uso de escopolamina, justamente devido aos importantes eventos adversos. Assim, sugere-se que a conduta clínica no tratamento da sialorreia seja pautado na melhor evidência científica. Para tal, é fundamental analisar estudos sobre a eficácia e a segurança de outras tecnologias, como a atropina, que possui baixo custo unitário, viabilidade de implantação e uma maior segurança, devido à ocorrência de menores efeitos colaterais, quando comparada a outas drogas anticolinérgicas. <![CDATA[ID 77 - Perfil de Competência do Profissional em Políticas Informadas por Evidências no Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200077&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A formulação de políticas informadas por evidências (PIE) requer um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes individuais e organizacionais que devem ser articulados com fatores e necessidades de contexto. Nesse sentido, o desenvolvimento de um perfil de competência PIE é importante para dar suporte ao diagnóstico, ao planejamento e à implementação do PIE. O objetivo deste resumo é apresentar o processo e os resultados do desenvolvimento de um perfil de competência PIE, realizado por um comitê de especialistas e que possa ser aplicado em diferentes contextos do SUS, incluindo usuários de informações relativas à Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Método: Um comitê de especialistas em PIE compartilhou diferentes visões, experiências e opiniões para desenvolver um perfil de competência PIE para o Brasil. Em seis workshops de consenso mediados por facilitadores, o comitê definiu os problemas macro para ações-chave e desempenhos essenciais para o perfil de competência. As etapas de desenvolvimento consistiram em: (1) Constituição do comitê, incluindo pesquisadores, profissionais com experiência prática, gestores e educadores; (2) Desenvolvimento de uma revisão rápida sobre perfis de competência PIE; (3) Acordo sobre compromissos e responsabilidades nos processos; (4) Identificação e definição de problemas macrorrelacionados ao escopo do perfil de competência; e (5) Delineamento de capacidades gerais e específicas a serem incorporadas ao perfil de competência, categorizadas por ações-chave. Resultados: O desenvolvimento do perfil de competência do PIE foi guiado pelos seguintes problemas macro: (1) falta de processos de tomada de decisão sistemáticos e transparentes na gestão de políticas de saúde; (2) capacidade institucional subdesenvolvida para gestão e tradução do conhecimento; e (3) uso incipiente de evidências científicas na formulação e na implementação de políticas de saúde. Foi desenvolvido um arcabouço geral de ações e desempenhos-chave do Perfil de Competência em PIE para o Brasil, incluindo 42 ações-chave específicas e gerais distribuídas por área de atividade (Gestão em Saúde, Pesquisa Científica, Sociedade Civil, Tradução do Conhecimento e Áreas Transversais). Conclusão: Muitos estudos abordam elementos teóricos e operacionais de competência relacionados a PIE, mas o processo de contextualização conduzido pelo comitê de especialistas possibilitou ressignificar esses elementos para o contexto nacional brasileiro, uma vez que todo o processo considerou fortemente a experiência e o conhecimento dos participantes do comitê. Essa contextualização do processo também pode ser considerada em perspectiva para confrontar e interpretar os resultados aqui apresentados diante de outras iniciativas de categorização de elementos de competência para diferentes contextos. Este perfil de competência deve ser usado como uma matriz inicial para definir perfis específicos, podendo modular, priorizar e alterar o perfil geral, adicionando ou removendo desempenhos, a fim de torná-lo adequado às necessidades organizacionais concretas. Com base nessas adaptações, é possível desenhar um perfil para cargos e funções específicas, bem como perfis de competência para atividades de treinamento. <![CDATA[ID 78 - Custo-Efetividade das Terapias Direcionadas ao Eixo do Receptor Androgênico (ARATs) de Segunda Geração no Câncer de Próstata Resistente à Castração (CPRC)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200078&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O câncer de próstata é a segunda neoplasia mais comum entre homens globalmente. O tratamento é baseado no estadiamento, histopatologia, prognóstico e características do paciente. A quimioterapia (QT) é indicada para pacientes com progressão da doença apesar do uso de terapia de privação androgênica (TPA) e a abiraterona para pacientes com uso prévio de quimioterapia. Nos últimos anos, outros antiandrogênios conhecidos como agentes direcionados ao eixo do receptor de andrógeno (ARAT – do inglês, ) de segunda geração - enzalutamida, apalutamida e darolutamida – foram desenvolvidos. Assim, este estudo analisou a custo-utilidade dos ARATs de segunda geração em câncer de próstata resistente em três populações clínicas não metastático (CPRCnm), metastático (CPRCm) em pacientes virgens de QT, e CPRCm com uso prévio de QT, comparados às opções recomendadas no Sistema Único de Saúde (SUS). Método: Foram conduzidas análises de custo-utilidade, utilizando modelos de sobrevida particionada. As estimativas de sobrevida global e sobrevida livre de progressão ou sobrevida livre de metástase foram extraídas dos estudos primários e extrapoladas para um horizonte de dez (CPRCm em pacientes virgens de QT e com uso prévio de QT) ou 20 (CPRCnm) anos utilizando diferentes distribuições paramétricas. As curvas foram selecionadas com base em critérios de informação (AIC/BIC) e inspeção visual. Para CPRCm, as curvas foram ajustadas com os HR da comparação indireta entre abiraterona e enzalutamida. Valores de utilidade foram obtidos da literatura internacional para obtenção de resultados em anos de vida ajustados pela qualidade (AVAQ). Para análise da incerteza, análises de sensibilidade determinísticas e probabilísticas foram realizadas. Resultados: Para CPRCnm, a darolutamida teve a menor razão de custo-efetividade incremental (RCEI), com R$204.350/AVAQ ganho, seguida da enzalutamida (R$362.995/AVAQ ganho) e apalutamida (R$598.780/AVAQ ganho), não sendo custo-efetivas no limiar de R$120.000 por AVAQ ganho. Para CPRCm em pacientes virgens de QT, tanto abiraterona quanto enzalutamida mostraram maiores benefício clínico e custo total em relação à TPA isolada. No entanto, a abiraterona foi considerada custo-efetiva (RCEI de R$36.759/AVAQ ganho), enquanto a enzalutamida não (RCEI de R$702.849/AVAQ ganho). Para CPRCm em pacientes com uso prévio de QT, a enzalutamida apresentou maior benefício clínico, porém a um custo total superior, comparada tanto à TPA isolada quanto à abiraterona. A enzalutamida não foi custo-efetiva (R$1.052.095/AVAQ ganho comparada à abiraterona; R$394.563/AVAQ ganho comparada à TPA). Nas análises de sensibilidade, essas terapias apresentaram benefício clínico com custo incremental, exceto para CPRCm em pacientes com uso prévio de QT, onde a enzalutamida comparada à abiraterona apresentou possibilidade de menor efetividade e maior custo. Conclusão: As avaliações econômicas indicaram que a incorporação de apalutamida, darolutamida e enzalutamida no SUS não seriam custo-efetivas para CPRC. Apenas a abiraterona foi considerada custo-efetiva para pacientes com CPRCm virgens de QT. <![CDATA[ID 79 - Lenalidomida em Combinação com Rituximabe para o Tratamento do Linfoma Folicular (LF) em Indivíduos Previamente Tratados: análises de custo-efetividade e de impacto orçamentário]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200079&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O linfoma folicular (LF) é um tipo de linfoma não Hodgkin (LNH) caracterizado pela produção anômala de linfócitos B. No Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma, o LNH é o oitavo câncer mais frequente em homens e o nono em mulheres. O tratamento de primeira linha para o LF geralmente oferece uma resposta satisfatória e duradoura. Contudo, alguns pacientes podem experienciar recidiva ou progressão após um período variável de remissão. As opções de tratamento padrão para LF recidivado são limitadas. Atualmente, no Sistema Único de Saúde (SUS), está disponível para LF que progrediu ou recidivou após o tratamento inicial apenas a combinação de rituximabe (RTX) com quimioterapia. Entretanto, alternativas estão disponíveis no mercado, como a combinação de lenalidomida com RTX(LR), um agente imunomodulador que mostrou aumentar a sobrevida global (SG) e da sobrevida livre de progressão (SLP) em pacientes com LF. Desta forma, o objetivo desta análise foi avaliar a razão de custo-efetividade incremental (RCEI) e o impacto orçamentário da LR no tratamento de pacientes com LF previamente tratados, comparada ao RTX+quimioterapia, sob a perspectiva do SUS. Método: Foi conduzida uma análise de custo-utilidade para anos de vida ajustados pela qualidade (AVAQ), utilizando um modelo de sobrevida particionada (PartSA). As curvas de SG e SLP do grupo comparador extraídas do ensaio clínico AUGMENT para LR foram extrapoladas para um horizonte de 40 anos utilizando diferentes distribuições paramétricas. A seleção das curvas utilizadas no modelo foi baseada em testes de informações criteriais (AIC/BIC) e inspeção visual. As curvas foram ajustadas com os HR da comparação entre LR versus RTX. Valores de utilidade foram obtidos da literatura internacional e foram considerados apenas custos diretos médicos. Para a análise de impacto orçamentário (AIO), os pacientes elegíveis foram estimados a partir da demanda aferida, e assumiram-se dois cenários com diferentes market share, que foram comparados ao cenário referência (sem LR). Resultados: No caso-base, utilizou-se a distribuição exponencial para SG e SLP. A LR apresentou benefício incremental (3,10 AVAQ), com custos incrementais da ordem de R$ 187.192. A RCEI sugeriu que a LR pode ser custo-efetiva (RCEI de R$ 60.298 por AVAQ), considerando o limiar de R$ 120.000 por AVAQ ganho, adotado para doenças graves. Nas análises de sensibilidade, a lenalidomida manteve-se custo-efetiva na maioria dos cenários. No entanto, quando o HR da SG foi ajustado para o limite superior do intervalo de confiança (0,92), a RCEI ultrapassa o limiar de custo-efetividade proposto, refletindo a maior incerteza associada a este parâmetro no modelo. Na AIO, a incorporação da LR resultaria em um impacto orçamentário acumulado ao longo de cinco anos de R$ 55.625.601 se o market share atingisse 80% no quinto ano, e de R$ 30.557.046 se o market share alcançasse 50% no quinto ano. Conclusão: Indivíduos com LF previamente tratados podem se beneficiar da combinação LR, quando comparado ao tratamento padrão com RTX+quimioterapia. A RCEI mostrou que a lenalidomida pode ser custo-efetiva, com um RCEI de R$ 60.298 por AVAQ ganho. <![CDATA[ID 80 - Guia para Implementar um Núcleo de Evidências em Saúde (NEv)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200080&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Núcleos de Evidências (NEv) representam importante estratégia para apoiar instituições e agentes políticos e sociais no uso de evidências na tomada de decisão. As reflexões necessárias no processo de criação e manutenção de um NEv são abordadas neste Guia. Método: O Guia foi elaborado por especialistas em políticas informadas por evidências (PIE). Uma série de atividades para coleta de insumos e validação de conteúdos foi desenvolvida previamente: um inventário de referências, um questionário e duas oficinas de trabalho com profissionais que atuam ou conhecem NEv. Em seguida, ocorreu o processo de autoria do Guia NEv com a realização de cinco oficinas de trabalho. Resultados: O NEv pode ser compreendido como um "intermediário de evidências" – uma unidade que facilita o acesso das pessoas envolvidas na formulação e na implementação de políticas públicas às evidências necessárias. Ele pode fazer parte de diferentes tipos de organizações (governos, universidades, terceiro setor ou setor privado). Os produtos e os serviços ofertados pelo NEv são caracterizados pela transparência, sistematicidade e participação social. É desejável que o NEv conte com, ao menos, os seguintes elementos constitutivos: equipe de, no mínimo, duas ou três pessoas, com qualificação adequada para os serviços que serão ofertados; espaço físico e/ou recursos para trabalho remoto; recursos de informática (computadores, acesso à internet, armazenamento e segurança da informação); acesso a recursos para busca de evidências (bancos de dados, repositórios de publicações etc.). A dinâmica de trabalho do NEv vai envolver a identificação de uma demanda de política, a definição de uma estratégia de tradução de conhecimento adequada para atender a essa demanda, a execução desta estratégia, a finalização do trabalho e entrega dos produtos acordados, a disseminação dos resultados e a avaliação do processo. A participação do NEv em redes de PIE gera muitas oportunidades de troca e trabalho em parceria, sendo uma das principais referências a EVIPNet (Rede para Políticas Informadas por Evidências). O Guia apresenta quatro passos para a criação de um NEv: Bases do NEv, descreve aspectos institucionais que devem ser trabalhados; Estrutura do NEv, aborda passos relevantes para a criação e manutenção da capacidade operacional do NEv, enquanto um serviço ou unidade organizacional; Gestão do NEv, discute aspectos importantes relacionados a sua gestão, de modo que o funcionamento seja profissional e técnico; Projeção do trabalho do NEv, apresenta passos que podem ser adotados para fortalecer a imagem e o reconhecimento do NEv. Conclusão: No mundo em constante transformação, os NEv devem manter um olhar atento às novas tendências, oportunidades e necessidades. A expansão de campos como a ciência aberta e ciência cidadã abrem novas possibilidades de produção de conhecimento sistemático e equitativo, representando diferentes grupos sociais. Os contínuos avanços em inteligência artificial e geração automática de texto devem paulatinamente automatizar algumas das tarefas técnicas do NEv. A equipe do núcleo precisará incorporar as novas ferramentas e aprender a usá-las para potencializar seu trabalho. Os NEv devem pensar estrategicamente como promover a cultura do uso de evidências, reconhecendo e incorporando as outras dimensões dos processos políticos. <![CDATA[ID 81 - Evidências Científicas na Tomada de Decisão: uma reflexão para organizações de saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200081&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O uso das melhores evidências disponíveis para a tomada de decisão em saúde é fundamental para qualificar a utilização dos recursos públicos, propiciando eficiência, eficácia, efetividade, equidade e transparência na formulação, implementação e monitoramento das políticas. As Políticas Informadas por Evidências (PIE) orientam a escolha das melhores opções para abordar problemas prioritários de saúde pública. O objetivo do estudo foi analisar os resultados do projeto Apoio à Formulação e Implementação de Políticas de Saúde Informadas por Evidências 2015-2023. Método: O estudo utilizou a triangulação entre os resultados do projeto, a Teoria de Tomada de Decisão de Simon e a experiência dos autores. A análise baseou-se na questão: Quais avanços, limites e aprendizados foram observados na implementação do uso de evidências científicas na tomada de decisão em contextos organizacionais? Resultados: Duas estratégias foram desenvolvidas no projeto: (1) capacitação de pessoas em gestão de PIE e (2) elaboração de ferramentas para ampliar o uso de PIE. As capacitações ocorreram por meio de três cursos com o objetivo de desenvolver capacidades cognitivas, individuais e em equipe e apoiar os educandos na aplicação dos conhecimentos em suas organizações (mais de 90% públicas). Os cursos utilizaram uma abordagem construtivista e um processo de formação apoiado territorialmente por docentes/facilitadores. Essas iniciativas ocorreram em 36 cidades de todas as regiões geográficas do Brasil, além de duas turmas fora do País. No período 2021-2023, em alinhamento com as diretrizes do planejamento estratégico do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde e com a Rede EVIPNet, o projeto desenvolveu ferramentas com potencial de sensibilizar e apoiar os envolvidos no processo decisório: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2023/11/1517423/guia-para-implementar-nev.pdf; e Perfil de Competência do Profissional em PIE no Brasil – https://docs.bvsalud.org/biblioref/2023/04/1427485/espie-perfil-competencia-pie.pdf. Conclusão: A articulação entre decisores de diferentes estações terapêuticas para promover um cuidado integrado foi considerada nos planos de intervenção, a partir do entendimento de que o cuidado perpassa os níveis organizacionais e, muitas vezes, a própria organização. O papel das autoridades no sentido de legitimar novos conhecimentos também esteve presente nas estratégias de disseminação de PIE. O envolvimento de gestores, por exemplo, os secretários de saúde, foi considerado como um importante fator de sucesso em PIE. Com relação aos aspectos que competem com a apropriação de novos conhecimentos, foram colocadas em prática estratégias de mapeamento da motivação de atores relevantes para a viabilização das intervenções e de convencimento para que aderissem às medidas propostas. Constatou-se que a incorporação de conhecimentos nas organizações de saúde é um processo complexo que precisa considerar dinamicidade da cadeia decisória, comportamento das autoridades no sentido de favorecê-los ou legitimá-los e barreiras arraigadas na cultura da organização e que competem com novos conhecimentos. <![CDATA[ID 82 - Estratégias de Rastreamento de Câncer de Pele Promovidas pelo Projeto Retrate do Hospital de Câncer de Barretos: uma avaliação econômica]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200082&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O câncer de pele, especialmente o melanoma, constitui um desafio crítico para a saúde pública no Brasil devido ao aumento da incidência e ao impacto econômico e social do diagnóstico tardio. O diagnóstico precoce é essencial para melhorar os resultados clínicos e minimizar os custos associados. Nesse contexto, o Projeto Retrate, desenvolvido no Hospital de Amor (HA) e financiado pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), visa implementar estratégias inovadoras de rastreamento para câncer de pele, com foco em melanoma. As estratégias incluem capacitação de profissionais da saúde e da estética, campanhas de busca ativa em grupos de risco e desenvolvimento de tecnologias de teledermatologia, como um aplicativo móvel e uma cabine fotográfica para autoatendimento. Este estudo busca avaliar a custo-efetividade das diferentes abordagens de rastreamento propostas pelo Projeto Retrate, com o objetivo de identificar a mais eficiente para o Sistema Único de Saúde (SUS). Método: A avaliação de custo-efetividade (ACE) será realizada conforme as Diretrizes Metodológicas da Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats), comparando diferentes estratégias de rastreamento: direcionado, oportunístico e populacional. O estudo incluirá todos os participantes das estratégias de rastreamento do Projeto Retrate, na região da cidade de Barretos/SP. Serão comparadas as abordagens de triagem de pacientes pela cabine fotográfica e aplicativo de autoatendimento com a triagem de pacientes enviados para teletriagem, decorrente da capacitação de profissionais de saúde do atendimento primário. A análise de custo-efetividade será realizada do ponto de vista do Hospital de Amor, permitindo uma avaliação dos custos e impactos da implementação das estratégias de rastreamento de câncer de pele na instituição, que atende 100% de seus pacientes pelo SUS. O desfecho clínico primário será a identificação precoce de câncer de pele, com ênfase em melanoma. Uma árvore de decisão será usada para representar o fluxo do processo de rastreamento, desde a implementação das abordagens até o diagnóstico, representando graficamente as decisões e desfechos clínicos ao longo do processo de rastreamento, facilitando a análise de custo-efetividade. Serão avaliados número de casos identificados durante o rastreamento, taxa de identificação precoce em comparação aos métodos convencionais, e tempo entre a identificação da lesão e o diagnóstico definitivo. Resultados: Espera-se que o estudo identifique a estratégia de rastreamento mais custo-efetiva e viável para o diagnóstico precoce de câncer de pele, especialmente melanoma. Resultados preliminares sugerem que a combinação de tecnologias de teledermatologia e campanhas de busca ativa em grupos de risco poderá apresentar o melhor custo-benefício para o SUS, ao reduzir os custos de tratamento e melhorar a sobrevida dos pacientes. Conclusão: A implementação de programas de rastreamento mais eficazes pode reduzir os custos e aumentar a eficiência dos serviços de saúde no Brasil. A comparação dos resultados com a literatura internacional reforça a relevância do diagnóstico precoce para a otimização de recursos. Este estudo fornecerá subsídios para a formulação de políticas públicas que promovam a sustentabilidade e a eficiência do sistema de saúde, melhorando a qualidade do cuidado ao paciente. <![CDATA[ID 83 - Avaliação de Tecnologias em Saúde em Mato Grosso: Estratégias Utilizadas no Processo de Institucionalização do Nats-SES-MT]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200083&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Desde a instituição da Comissão Permanente de Farmácia e Terapêutica (CPFT) por meio da Portaria n.º 028/2014/GBSES de 2 de março de 2014, Mato Grosso tem realizado esforços significativos para integrar a avaliação de tecnologias em saúde (ATS) na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). Transformada em Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) em 2017 e vinculada à Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats), a CPFT/NATS tem adotado uma abordagem multiprofissional para melhorar as políticas de saúde por meio de uma série de iniciativas inovadoras. Essas iniciativas incluem a elaboração de pareceres técnicos-científicos para informar e orientar decisões políticas e administrativas, a produção de protocolos de uso de medicamentos e a Relação Estadual de Medicamentos (Resme). Adicionalmente, o Nats tem investido na produção de materiais educativos como vídeos e podcasts para facilitar a compreensão e a disseminação de conceitos de ATS para a comunidade e gestores de saúde. Destaca-se também a coordenação de um programa de pós-graduação em ATS, realizado em parceria com o Nats-HUJM e a Escola de Saúde Pública da SES-MT, ampliando o alcance e a profundidade da capacitação em ATS no estado. Uma novidade importante nas estratégias de divulgação da ATS foi a criação de plataformas digitais, incluindo uma conta no Instagram e um grupo no WhatsApp. Estes canais têm desempenhado um papel crucial na disseminação rápida e eficaz de informações sobre ATS para um público mais amplo, incluindo profissionais de saúde e o público geral. As mídias sociais permitem interações diretas e em tempo real, facilitando a disseminação de informações atualizadas e a promoção de eventos e iniciativas educacionais. O engajamento direto com os diversos setores da SES-MT por meio de visitas locais tem sido crucial para a promoção da compreensão e apoio à ATS. Essas ações educativas e de advocacy são complementadas pela publicação regular de boletins informativos que mantêm os profissionais atualizados sobre as últimas tendências e evidências em ATS. O sucesso dessas iniciativas é evidenciado pela formalização da CPFT/Nats, concretizada por sua recente inclusão no organograma da Secretaria Estadual de Saúde, conforme estabelecido pelo Decreto n.º 766, de 04 de março de 2024. Este reconhecimento institucional não só valida o trabalho realizado como também assegura a sustentabilidade e a continuidade da integração da ATS nas políticas de saúde do estado. A avaliação de tecnologia em saúde agora é uma parte integral do Plano Estadual de Saúde 2024/2027, consolidando o papel da ATS na melhoria da gestão de saúde em Mato Grosso. Este conjunto de ações reflete um modelo robusto de como a ATS pode ser democratizada e institucionalizada dentro de uma gestão de saúde estadual, proporcionando um exemplo valioso para outras regiões e estados do Brasil. A apresentação destas iniciativas no V Congresso da Rebrats será uma oportunidade para destacar os benefícios da integração da ATS no SUS, demonstrando a aplicabilidade e os impactos positivos dessas estratégias no sistema de saúde. Método: Apresentação será por meio de eslaides e em seguida será demonstrado onde encontrar todas as informações no site da CPFT/Nats-HUJM. O roteiro da apresentação será da seguinte forma: O Roteiro da apresentação seguirá os seguintes passos: Introdução (1 minuto): apresentação do contexto e da evolução da CPFT para Nats, vinculação à Rebrats e impacto na gestão de saúde em Mato Grosso. Iniciativas implementadas (3 minutos): Produtos de ATS: como pareceres técnicos-científicos, MHT, impacto orçamentário e protocolo de dispensação. Materiais Educativos: mostrar os materiais elaborados no site da CPFT/Nats Visita in loco: explicar como foi realizado. Capacitação: informações sobre o curso de especialização em ATS, o primeiro do estado, oferecido gratuitamente para funcionários públicos. Institucionalização da CPFT/Nats: informar que esta comissão foi inserida no organograma da SES-MT e práticas de ATS inseridas no plano estadual de saúde. Conclusão (1 minuto): reflexões sobre o sucesso da institucionalização da CPFT/Nats na estrutura da SES, inclusão no Plano Estadual de Saúde 2024-2027, e perspectivas futuras para a democratização da ATS em Mato Grosso. Equipamentos necessários: uso de um monitor e datashow para apresentação de vídeos e eslaides, além de equipamento de som para a exibição de trechos de podcasts durante a apresentação e internet para apresentação do site da CPFT/Nats-SES <![CDATA[ID 85 - Panorama da Formação e Produção Científica relacionada à Avaliação Econômica em Saúde no Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200085&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A sustentabilidade do sistema público de saúde brasileiro é complexa e desafiadora, tendo em vista que se trata de uma vasta Rede de Atenção à Saúde (RAS) que atende mais de 70% da população, de modo gratuito e universal. Diante da crescente demanda por serviços de saúde, associada à limitação de recursos financeiros, diversos países têm fomentado a realização de estudos de avaliação econômica em Saúde (AES) como balizador para tomadores de decisão. Entretanto, há uma lacuna quanto ao panorama da AES no Brasil. O objetivo do estudo foi caracterizar e detalhar a formação, e discriminar a produção científica em AES de pesquisadores brasileiros. Secundariamente, o estudo investigou a relação entre o quantitativo das produções e os investimentos financeiros em pesquisa em saúde nos últimos anos, no Brasil. Método: Foi realizado um estudo descritivo de base quantitativa, com informações obtidas por meio de dados cadastrados nos currículos de pesquisadores disponíveis na plataforma Lattes. A busca dos currículos deu-se por meio do uso de descritores, relacionados à AES. Foram incluídos no estudo os currículos dos pesquisadores brasileiros com formação nas áreas correlatas da saúde e da economia, com experiência profissional no campo da AES. A busca e a análise dos currículos ocorreram entre os meses de janeiro a junho de 2023. Resultados: Foram avaliados 2.534 currículos. Destes, 2.424 não atenderam aos critérios de inclusão, sendo incluídos 110 currículos. A maioria dos pesquisadores são graduados em medicina (n=41; 37,27%), farmácia (n=23; 20,91%) e enfermagem (n=15; 13,64%). A localidade de conclusão das graduações ocorreu em sua maioria na Região Sudeste (n=71;64,55%), o estado de São Paulo obteve o maior registro de graduação (n=29;26,36%), e a Região Norte representou o menor número de graduações no período (n=2;1,82%). Os pesquisadores concluíram o doutorado em diversas áreas. O maior número de registros entre os cursos foram: Ciências da Saúde (n=33; 30,00%) e Saúde Coletiva (n=17; 15,45%). Os cursos de doutorado aconteceram majoritariamente em instituições públicas no País (n=101; 91,82%). A atuação profissional dos pesquisadores está concentrada na Região Sudeste (n=72;65,45%). Os pesquisadores em análise apresentam o setor público como o seu principal local de atuação atual (n=87; 79,09%). Os pesquisadores em análise publicaram 1.147 artigos relacionados à AES. Verificamos que publicações envolvendo estudos do tipo custo-efetividade, utilidade, minimização e benefício foram as mais frequentes (n=472; 40,83%), seguido dos estudos de custo de doença, programa, carga da doença e outros (n=368; 32,08%). Conclusão: Os pesquisadores brasileiros em AES caracterizaram-se por obter como formação básica mais frequente a graduação em medicina, assim como o curso na modalidade stricto sensu (doutorado) em Saúde Coletiva. Em ambas as situações, a formação aconteceu, predominantemente, na Região Sudeste. A atuação dos profissionais também foi registrada com maior frequência na Região Sudeste. As informações reunidas no estudo têm o potencial de auxiliar na construção de políticas públicas que visem impulsionar a formação em AES e fomentar pesquisas nessa área. Isso, por sua vez, pode promover maior eficiência no sistema de saúde brasileiro, fortalecendo seus princípios doutrinários de universalidade, equidade e integralidade. <![CDATA[ID 86 - Características e Estrutura de Modelos de Avaliação Econômica em Hemofilia: um estudo metaepidemiológico]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200086&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A hemofilia é uma desordem hemorrágica rara caracterizada por deficiências nos fatores de coagulação com significante impacto na morbidade e na qualidade de vida dos pacientes. A hemofilia A está relacionada à deficiência do fator VIII, enquanto a hemofilia B é decorrente da deficiência do fator IX. Um dos desafios terapêuticos reside no surgimento de autoanticorpos (inibidores) contra os fatores de coagulação, comprometendo a eficácia do tratamento convencional. Dada a complexidade da doença e suas alternativas de tratamento, faz- se necessário o entendimento de modelos de avaliação econômica em saúde (AES) de alternativas terapêuticas no tratamento da hemofilia. O objetivo deste trabalho foi descrever as características metodológicas de estudos de avaliação econômica para a avaliação de terapias para o tratamento de hemofilias Método: Foi realizada uma abordagem metaepidemiológica por meio de base de dados (MEDLINE/PubMed) e websites de importantes agências de saúde nacionais (Conitec) e internacionais (NICE, CADTH e ICER). Foram considerados elegíveis publicações científicas e dossiês que conduziram avaliação econômica completa publicadas nas línguas portuguesa ou inglesa a partir de 2018 até dezembro de 2023. A apresentação dos resultados para sumarizar as informações obtidas dos documentos ocorreu por análise descritiva. Resultados: Quarenta e uma publicações foram consideradas elegíveis, sendo identificado maior número de estudos de avaliação econômica para hemofilia A (85,7%). Tecnologias do tipo imunobiológicos (38,1%) e FVIII recombinante (33,3%) foram as intervenções mais frequentes. Em 50% das submissões foram realizadas análises de custo-utilidade, enquanto 33,34% relataram análise de custo-efetividade e 16,66% adotaram análise de custo-minimização; sendo que anos de vida ajustados pela qualidade foi o principal desfecho em saúde (69%), seguido por eventos de sangramento tratados (44,4%) e sangramentos em articulações tratados (16,6%). Os principais modelos adotados foram o de Markov (75%) e árvores de decisão (10%). Os custos médicos mais frequentes foram relacionados à administração do tratamento (29,6%), aquisição do tratamento (29,6%), monitoramento da doença (11,0%), manejo de sangramentos (24,2%), cirurgia (16,8%), hospitalização (15,7%), eventos adversos do tratamento (14,7%) e tratamento de artropatia (8,4%). Os estudos de custo-utilidade consideraram sobretudo o grau de sangramento (47,7%), cirurgia (15,9%) e artropatia (15,9%) como principais eventos de saúde com impacto sobre os dados de utilidade de pacientes com hemofilia. A desutilidade por evento adverso foi mensurada em 29%. As análises de sensibilidade determinística e probabilística foram realizadas em 70% e 60% das publicações avaliadas, respectivamente. Conclusão: Diversos novos tratamentos vêm sendo propostos para o tratamento de hemofilias, desde fatores de coagulação recombinantes a terapias gênicas, o que demandarão estudos avaliando a custo-efetividade dessas tecnologias. Identificamos uma ampla variação nos tipos e nas estruturas das análises econômicas utilizadas para a avaliação de terapias em hemofilia. Essa heterogeneidade observada na literatura sinaliza a impossibilidade de uso de um modelo-padrão a ser adaptado para novas análises econômicas, devendo cada tecnologias ser adequadamente contextualizada dentro do sistema de saúde-alvo, de forma a avaliar a melhor forma de prover subsídios para a tomada de decisão. <![CDATA[ID 87 - Análise de Efetividade e Segurança do Uso de Levosimendana em Pacientes com Insuficiência Cardíaca Descompensada]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200087&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A insuficiência cardíaca descompensada (ICD) é uma condição crítica responsável por elevadas taxas de hospitalização e mortalidade em todo o mundo, representando um desafio significativo para os sistemas de saúde. Nesse contexto, a levosimendana, um agente inotrópico e vasodilatador, tem sido amplamente utilizado para o manejo de pacientes em estado agudo. Os objetivos deste trabalho foram identificar, avaliar e sumarizar as melhores evidências científicas disponíveis sobre a eficácia e a segurança de levosimendana como um medicamento da descompensação aguda da insuficiência cardíaca crônica. Método: A metodologia adotada envolveu a elaboração de Nota Técnica de Resposta Rápida (NTRR) com a seguinte pergunta de pesquisa: Qual a efetividade e segurança do uso de levosimendana em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada? Foi realizada uma busca de evidências nas bases de dados PubMed, LILACS e Google utilizando os seguintes descritores: "levosimendan", "dobutamine", "decompensated heart failure". Os critérios de inclusão foram ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas com ou sem metanálise, com pelo menos um desfecho de interesse. Resultados: Foram incluídos para análise três ensaios clínicos randomizados (ECR), totalizando uma amostra de 691 pacientes, uma revisão sistemática com metanálise (3.052 pacientes de 22 ECR) e um estudo de custo. Também foi feita pesquisa de relatório de recomendação ou diretrizes da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do Ministério da Saúde(Conitec) sobre o assunto e nenhuma evidência foi localizada. Os ECR analisados mostraram que o uso da levosimendana resultou em melhora nos desfechos de hospitalização por insuficiência cardíaca, débito cardíaco e parâmetros hemodinâmicos, quando comparado a outros tratamentos. Contudo, o uso do medicamento foi associado a uma maior incidência de hipotensão e arritmias cardíacas e, em um dos estudos, a um aumento numérico no risco de morte (49 de 350 num regime de levosimendana vs. 40 de 350 num regime de placebo aos 90 dias, p = 0,29). A revisão sistemática destacou os benefícios da levosimendana em subpopulações específicas, como pacientes em pós-operatório de cirurgia cardíaca, com insuficiência cardíaca isquêmica ou em terapia concomitante com β-bloqueadores. Em termos de custos, os gastos com medicamentos foram maiores no grupo de levosimendana, mas os custos diretos e indiretos com internamento na terapia intensiva foram menores. Conclusão: Apesar dos benefícios supracitados, a literatura reconhece risco de eventos cardiovasculares adversos em pacientes em uso de levosimendana. O único estudo recuperado sobre os custos de pacientes em uso de dobutamina versus levosimendana apresenta diferença estatisticamente significativa a favor da levosimendana em se tratando de pacientes com internação em UTI. Diante do alto custo do fármaco e a incerteza de benefícios clínicos sobre desfechos clínicos relevantes, o uso de rotina em pacientes com IC descompensada no contexto de um hospital geral do SUS não se justificou. A NTRR recomendou, portanto, a construção de um protocolo de uso institucional, com definição clara do perfil de paciente a ser contemplado com esta terapia, bem como os parâmetros obrigatórios para iniciar o uso da levosimendana na terapia intensiva. <![CDATA[ID 88 - Eficácia, Segurança e Custo-Efetividade do Rastreamento para o Câncer Colorretal: Revisão Sistemática]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200088&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O câncer colorretal (CCR) é passível de ações de rastreamento. Contudo, não é isento de riscos e seus eventos adversos (EA) devem ser monitorados, assim como a custo-efetividade deve ser analisada. Foi realizada revisão sistemática (RS) para avaliar eficácia, segurança e custo-efetividade do rastreamento de CCR, definir sua relevância e eventual adoção no Brasil. Método: Entre novembro de 2023 e janeiro de 2024 foram conduzidas buscas no MEDLINE, Embase e Cochrane Library sem restrição para idioma. Para desfechos de eficácia e segurança foram recuperados 594 resultados, excluídas 84 duplicatas e avaliados 510 títulos e resumos. Cinco seguiram para a leitura de texto completo e apenas uma RS atendeu aos critérios de elegibilidade. Sobre avaliação de custo-efetividade (ACE) foram realizadas buscas por RS no MEDLINE, Embase e SCOPUS. Foram recuperados 501 registros e removidas 206 duplicatas. Após a leitura de títulos e resumos restaram 295 registros e desses 37 foram lidos na íntegra, sendo selecionadas duas RS. Resultados: Rastreamento com retossigmoidoscopia reduziu incidência (RR: 0,76; IC 95%: 0,70-0,83) e mortalidade (RR: 0,74; IC95%: 0,69-0,80) por CCR, quando comparado à ausência de rastreamento (nível de evidência alto). Rastreamento com exame guaiaco de sangue oculto nas fezes (g-FOBT) anual e bienal, comparado à ausência de rastreamento, reduziu mortalidade (anual = RR: 0,69 [IC 95%: 0,56-0,86]; bienal = RR: 0,88 [IC 95%: 0,82-0,93; nível de evidência moderado e alto, respectivamente). Na comparação entre rastreamento com g-FOBT anual versus g-FOBT bienal também houve redução na mortalidade (RR: 0,79 [IC 95% 0,64-0,98]; nível de evidência moderado). O perfil de segurança do rastreamento para CCR com as intervenções investigadas foi considerado adequado [nível de evidência moderado para retossigmoidoscopia e colonoscopia; nível de evidência baixo para g-FOBT e teste imunoquímico (FIT)]. As RS sobre ACE incluíram estudos conduzidos na Europa e EUA. A RS realizada por Diedrich e colaboradores selecionou 25 estudos que apresentaram a sigmoidoscopia como estratégia isolada ou combinada em comparação à ausência de rastreamento ou com outras estratégias já implementadas nos países dos estudos. A sigmoidoscopia, na maioria dos estudos, mostrou dominância ou razão de custo-efetividade incremental (RCEI) nas faixas até 20 mil dólares em comparação à ausência de rastreamento. Na RS de Ramos e colaboradores foram incluídos 79 estudos cujas intervenções eram exames endoscópicos ou com material fecal, combinados ou não, e desses 21% demonstraram ser dominantes em relação à ausência de rastreamento. Conclusão: Redução de incidência e mortalidade por CCR com retossigmoidoscopia; redução de mortalidade com testes de sangue oculto nas fezes e perfil de segurança adequado, para a eventual adoção do rastreamento de base populacional no Brasil. Com relação às ACE, foi identificada relação custo-efetiva entre qualquer uma das estratégias analisadas e a ausência de rastreamento. No entanto, esses estudos foram conduzidos em países desenvolvidos, com diferentes limiares de custo-efetividade e diversidades nos sistemas de saúde. A implementação de um programa de rastreamento de CCR requer avaliação do contexto do País, do impacto orçamentário, da capacidade operacional das instituições de saúde, da qualificação dos profissionais e da cadeia de ações logísticas necessárias. <![CDATA[ID 89 - Análise de Custos das Ocorrências de Incêndios Residenciais e/ou em Edificação (Classe A) no Rio de Janeiro]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200089&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A probabilidade de incêndios no Rio de Janeiro representa 69,9%, com uma incidência de 1,01% e aqueles que envolvem sólidos e inflamáveis (Classe A) são os mais frequentes (58,10%; n=1.381) destacando assim um alto valor agregado à função de bombeiro militar. Promover a conscientização de uma gestão sustentável enquanto empresa pública revela a necessidade de melhor compreensão e adequação de processos de modo a tornar o sistema ainda mais eficiente. Dessa forma, tem-se como problema de pesquisa: Quais contribuições podem ser observadas, a partir de uma análise econômica, aplicada às ocorrências de incêndios (classe A) residenciais e/ou em edificação no Rio de Janeiro? Como objetivos tem-se: Identificar o fluxo de atividades de todo processo de atendimento à incêndio; levantar os custos por etapas e citar as oportunidades gerenciais. A justificativa do estudo está em municiar o gestor na tomada de decisão permitindo reinvestimento nos recursos humanos e materiais, de forma mais assertiva. Método: Trata-se de uma análise econômica, em saúde do tipo parcial, utilizando-se de uma técnica de micro custeio retrospectiva, num horizonte temporal de um ano, avaliando os componentes de custos do atendimento a incêndio residencial e/ou em edificações (classe A), no ano de 2022, na perspectiva pública. O atendimento foi mapeado e dividido em três etapas, em que o início do processo é marcado pela entrada de ligações na Central 193 (etapa 1), passando pela recepção da ocorrência no quartel e acionamento do comboio para o local (etapa 2) e, por fim, o combate e extinção do foco de incêndio e atendimento às vítimas na cena (etapa 3). Para cada etapa do atendimento foram elencados os itens de custo (diretos e indiretos) e o tempo médio das atividades foram mensurados. Resultados: O atendimento de incêndio residencial e/ou em edificações, envolveu as atividades desempenhadas por 25 militares, num tempo médio de 01:07:43, apresentou um custo total de R$177.253,17 e um custo/hora de R$1.230,92. A etapa 3 apresentou o maior custo/hora (R$741,25), o maior tempo (00:37:17), envolveu o uso de recursos médicos e não médicos em cena, representando 60,22% do custo total do atendimento, o equivalente a R$106.740,66 . Já a etapa 2 representou apenas 17,71% do custo total (R$31.399,59). O menor percentual de custo direto se deu na etapa 2, com o consumo de combustível pelas viaturas representando menos de 1% do custo total (0,67%). Conclusão: Apesar da etapa 2 apresentar o maior número de subitens de custo, seu custo total é inferior quando comparado ao custo total da etapa 1 (R$ 31.399,59 versus R$ 39.112,92) e isso pode estar associado ao número de militares em cada etapa, suas especialidades, seus quadros e seus tempos de serviço na Corporação. Extrapolando, os custos com trotes em 2022 representou 3,85% (R$37.223.165,70) do custo total com incêndios classe A (R$ 965.852.523,33) no mesmo período. Os custos com trotes seriam suficientes para adquirir entre 74 e 124 ambulâncias totalmente equipadas anualmente, aumentando assim a capacidade de resposta e atendimento à população. Conclui-se que qualquer instituição que busque resultados de eficiência, eficácia e efetividade precisa conhecer o custo real de seus processos para então compará-los com as demais alternativas disponíveis e as análises econômicas são essenciais neste contexto. <![CDATA[ID 92 - Análises Econômicas da Donepezila Isolada ou em Combinação à Memantina para Tratamento de Pacientes com Doença de Alzheimer Grave no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200092&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A donepezila é um inibidor de aceticolinesterase com indicação para tratar efeitos comportamentais e cognitivos da doença de Alzheimer (DA), sendo o único representante da classe com indicação para todos os estágios da doença. Todavia, para pacientes com DA que progridem ou são diagnosticados com a doença já em estágio grave não dispõe de recomendação para uso no SUS. Considerando as recomendações clínicas que sustentam sua ampliação (maior eficácia quando combinada à memantina e ausência de diferença estatística quando em uso isolado), este estudo estimou os resultados econômicos de uma possível incorporação da donepezila no SUS. Método: Avaliação econômica foi realizada considerando duas abordagens (custo-efetividade, ACE e custo-minimização, ACM), a depender da comparação. Para a ACE adotou-se um modelo de Markov com horizonte temporal de 14 ciclos anuais (baseada na expectativa de vida do paciente diagnosticado com DA no Brasil). Os desfechos incluíram anos de vida ajustados pela qualidade (QALY) e anos de vida (AV) para ACE e diferença de custo para ACM. Em ambas as análises, foram incluídos custos médicos diretos no modelo e utilizado fonte oficial do SUS para apuração. Análises de sensibilidade probabilística e determinística univariada foram performadas. Resultados: O tratamento combinado de donepezila + memantina (combinação livre) foi associado a um maior benefício (QALY ganho de 0,74) e custo total de tratamento (R$ 9.307) quando comparado à memantina isolada, apresentando razão de custo-efetividade incremental (RCEI) de R$ 6.187/QALY ganho. As análises de sensibilidade probabilísticas indicam que em 100% das simulações os tratamentos contendo donepezila podem ser custo-efetivos para o SUS e as análises determinísticas mostraram que os parâmetros mais influentes foram o preço da combinação livre de donepezila e memantina, mortalidade nos grupos tratados com memantina e donepezila + memantina, custo do tratamento com memantina isolada. Entretanto, em nenhum dos extremos de variação as RCEI ultrapassaram o limiar de disposição a pagar do SUS. A análise de custo-minimização mostrou que a preferência da donepezila à memantina pode levar a redução de custo de R$ 65,70 por paciente atendido no SUS. Conclusão: Em um cenário de optar pela donepezila ou memantina, a escolha da primeira pode levar a redução do custo de tratamento do paciente com DA grave para o SUS. A ACE revela que ao considerar o limiar de custo-efetividade adotado no SUS, a associação das tecnologias é custo-efetiva. <![CDATA[ID 97 - Brazilian HTA Database: e Laboração de Base Bibliográfica de Estudos Brasileiros na Área de ATS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200097&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As bases de dados bibliográficas são essenciais para obter informações de forma rápida e padronizada. Atualmente, a busca por informações brasileiras relacionadas à Avaliação e Tecnologias de Saúde (ATS) é desafiadora, e geralmente é realizada pelo acesso individual das publicações em periódicos on-line ou sites institucionais. Esta fragmentação das informações dificulta a obtenção de evidências locais, aumentando o tempo necessário e a complexidade para localizar informações, além de impactar negativamente na reprodutibilidade de buscas. Durante a última década, bases de informações de ATS têm sido elaboradas em diferentes cenários. Nesse contexto, a criação de uma base bibliográfica para estudos brasileiros na área de ATS configura-se como uma ferramenta estratégica para facilitar a disseminação e o acesso à informação. O objetivo deste trabalho foi apresentar a base bibliográfica de estudos de ATS nacionais, a Brazilian HTA Database. Método: Para o desenvolvimento da base bibliográfica, primeiramente foram identificadas revistas científicas e anais de congressos com produções brasileiras na área de ATS. Após, foi realizada a extração manual das seguintes informações de cada documento identificado: título, autores, ano de publicação, resumo, palavras-chave, link para arquivo original e DOI. O título, resumo e palavras-chave, extraídos na língua original, foram traduzidos para o inglês ou português por meio de inteligência artificial. Foram criadas variáveis adicionais para facilitar o gerenciamento dos dados: ID (identificador único da referência), fonte (de onde a referência foi extraída), tipo de documento (resumo de congresso, artigo completo, dossiê, relatório de recomendação) e referência para citação (formatada no estilo Vancouver). O desenvolvimento do sítio eletrônico foi realizado em WordPress e hospedado no domínio https://htadata.com. Atualmente, o uso da base é gratuito para fins não comerciais. Resultados: Foram identificadas como fontes prioritárias de documentos os sítios eletrônicos da ISPOR, Conitec, ANS e Rebrats, além das revistas brasileiras Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (JAFF) e Jornal Brasileiro de Economia da Saúde (JBES). A base inclui os registros destas fontes até a data de 30 de junho de 2024, incluindo 591 artigos do JAFF, 535 artigos do JBES, 871 documentos da Conitec, e 101 resumos de congresso da Rebrats; atualmente, 1.751 documentos da ISPOR e 750 da ANS estão em processo de catalogação. A busca por conteúdo pode ser conduzida de forma sistemática a partir de termos de interesse e operadores booleanos. A atualização da base, com inserção de novos documentos, será realizada mensalmente. Conclusão: A Brazilian HTA Database permite que pesquisadores, profissionais da saúde e gestores encontrem rapidamente estudos relevantes para suas necessidades. Além disso, promove a disseminação da pesquisa nacional ao permitir acesso bilíngue e centralizado da produção científica brasileira na área. <![CDATA[ID 98 - População com Acesso a Medicamentos Especializados no Sistema Único de Saúde (SUS): um estudo epidemiológico nacional]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200098&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf) é uma das políticas nacionais de acesso a medicamentos no SUS, que disponibiliza medicamentos de forma equitativa à população brasileira, independentemente de seu custo unitário. Como política pública, busca-se o equilíbrio entre a sustentabilidade financeira do sistema de saúde e o direito dos cidadãos aos tratamentos necessários de forma integral, especialmente para doenças raras, crônicas ou de alta complexidade. O presente estudo busca descrever as características demográficas e epidemiológicas da população atendida pelo Ceaf no ano de 2023. Método: Foi conduzido um estudo observacional transversal de base populacional com dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS). Para tanto, foram acessados os microdados dos registros de autorização de procedimentos ambulatoriais (Apac) processados durante todo o ano de 2023. Com auxílio do pacote read.dbc e da linguagem R, todos os registros disponíveis foram extraídos e individualizados por códigos de Cartão Nacional de Saúde (CNS) e suas respectivas características demográficas (UF, sexo, idade e raça/cor) e epidemiológicas de acordo com a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Todos os dados acessados se encontram disponíveis publicamente de forma anônima e desidentificada, respeitando os princípios éticos e de proteção de dados. Resultados: O Ceaf processou a dispensação de medicamentos especializados para um total de 3.336.776 pacientes no Brasil. O número de pacientes atendidos por cada unidade da Federação (UF) variou de 0,1% (2.943) no estado do Amapá a 41,8% (1.394.006) no estado de São Paulo. A idade média da população total atendida foi de 54,3 ± 20,3, variando em sua média de 40,6 ± 19,6 em Tocantins a 57,3 ± 22,6 em São Paulo. A maioria da população foi identificada pelo sexo feminino (58,7%). Em relação à raça/cor, 58,7% dos pacientes autodeclararam-se como branca (58,0%), 34,5% parda, 5,0% preta, 2,5% amarela e 0,03% indígena. Em 7,9% da população do estudo não foi encontrado a informação da raça/cor. As condições clínicas mais atendidas foram hipercolesterolemia pura (7,7%), esquizofrenia paranoide (7,4%), asma predominantemente alérgica (6,7%), glaucoma primário de ângulo aberto (5,4%) e doença renal em estádio final (5,3%). Conclusão: O estudo destaca as grandes dimensões do Ceaf, atendendo uma população de mais de 3 milhões de pessoas durante o ano de 2023. Foram observadas algumas diferenças regionais relevantes na demanda, como o grande contraste entre o estado de São Paulo, que atendeu 41,8% do total de pacientes, e o Amapá, com apenas 0,1%. A média de idade de 54,3 anos dos pacientes sugere uma predominância de doenças crônicas que afetam principalmente a população mais velha, enquanto a maior presença de mulheres (58,7%) pode refletir tanto a longevidade feminina quanto possíveis barreiras de acesso enfrentadas pelo sexo masculino. A análise demonstra também um predomínio de pacientes que se autodeclaram brancos e pardos, refletindo a demografia nacional. As condições clínicas atendidas, como hipercolesterolemia pura e esquizofrenia paranoide, destacam a particularidade de um sistema que atende de forma integral uma variedade de necessidades de saúde complexas. Tais resultados ratificam a importância do Ceaf como política pública de acesso a medicamentos em busca da equidade da saúde no Brasil. <![CDATA[ID 101 - Derivados da <em>Cannabis</em> e seus Análogos Sintéticos para o Tratamento da Epilepsia Refratária: revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200101&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 5 milhões de pessoas são diagnosticadas com epilepsia em todo o mundo. A persistência de crises epiléticas mediante tratamento com pelo menos dois medicamentos é recorrente, e leva a crises convulsivas frequentes e graves. Os derivados da e seus análogos sintéticos têm sido amplamente investigados como alternativas terapêuticas devido ao potencial benefício na redução de crises convulsivas. O objetivo deste estudo foi identificar, avaliar e sumarizar as evidências científicas disponíveis acerca dos benefícios e dos riscos dos derivados da e seus análogos sintéticos para o tratamento de epilepsia refratária. Método: Revisão sistemática conduzida no Nats/NeV do Hospital Sírio-Libanês, seguindo as recomendações metodológicas do e relatada de acordo com o (PRISMA 2020). O protocolo foi registrado prospectivamente na base PROSPERO (https://www.crd.york.ac.uk/prospero/display_record.php?ID=CRD42024499388). Foi realizada busca ampla e sensível em fevereiro de 2024, em bases eletrônicas (CENTRAL, Embase, LILACS, MEDLINE), literatura cinzenta (DANS), registros de ensaios clínicos (clinicaltrials.gov e ICTRP-WHO) e busca manual em listas de referências. Foram considerados ensaios clínicos randomizados (ECR) que avaliaram os derivados da e seus análogos sintéticos, comparado com placebo, tratamento padrão, ou qualquer tratamento ativo. Desfechos primários: frequência e gravidade de crises convulsivas, eventos adversos graves; secundários: qualquer evento adverso, qualidade de vida, função cognitiva, saúde mental. O risco de viés foi avaliado com a tabela de risco de viés da Cochrane e a certeza da evidência, pela abordagem GRADE. Resultados: Sete ECR foram incluídos, a maioria com baixo risco de viés. Foi observado que o canabidiol (CBD) 20 mg/kg/dia e 10 mg/kg/dia provavelmente aumenta a frequência de pacientes que atingiram pelo menos 50% de redução mensal de crises convulsivas (20 mg/kg/dia: Risco Relativo [RR] 1,92; Intervalo de Confiança de 95% [IC 95%] 1,49 a 2,46, n=575, 4 ECR; 10 mg/kg/dia: RR 1,94; IC 95% 1,32 a 2,86, n=280, 2 ECR, certeza moderada da evidência). A incidência de eventos adversos graves é provavelmente maior com CBD 20 mg/kg/dia (RR 2,30; IC 95% 1,36 a 3,89, n=583, 4 ECR, certeza moderada da evidência), e pode ser maior com CBD 10mg/kg/dia (RR 1,62; IC 95% 0,92 a 2,84, n=272, 2 ECR; baixa certeza da evidência). O CBD 20 mg/kg/dia provavelmente resulta em maior frequência de qualquer evento adverso (RR 1,19; IC 95% 1,04 a 1,36; n=583, 4 ECR, certeza moderada da evidência); CBD 10 mg/kg/dia pode resultar em pouca ou nenhuma diferença (RR= 1,05, IC 95% 0,89 a 1,24, n=272, 2 ECR, baixa certeza da evidência). Há incerteza quanto aos efeitos da intervenção com relação à gravidade das crises, à qualidade de vida, à função cognitiva e à saúde mental (evidência de certeza muito baixa). Conclusão: Os achados desta revisão apontam para o provável efeito do CBD 20 mg/kg/dia e 10 mg/kg/dia na redução mensal mínima de 50% nas crises convulsivas para pessoas com epilepsia refratária. A incidência de eventos adversos graves parece aumentar com a maioria dos esquemas terapêuticos analisados. Futuros ECR com maior tamanho amostral podem contribuir para a melhor tomada de decisão quanto ao uso dos derivados da e seus análogos sintéticos para epilepsia refratária. <![CDATA[ID 104 - Ezetimiba para o Tratamento de Indivíduos com Alto a Muito Alto Risco Cardiovascular: revisão sistemática com metaanálise de ensaios clínicos randomizados]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200104&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são uma das principais causas de morbimortalidade globalmente. O tratamento da condição visa reduzir o colesterol LDL, sendo as estatinas a principal abordagem. No entanto, nem todos os pacientes atingem as metas com estatinas ou podem ainda apresentar intolerância às estatinas em altas doses. Nesse contexto, a combinação com ezetimiba pode ser uma opção, uma vez que age inibindo a absorção intestinal de colesterol. Nesse contexto, este estudo avalia a eficácia e a segurança da ezetimiba em indivíduos com alto a muito alto risco cardiovascular. Método: Foi realizada uma revisão sistemática buscando por ensaios clínicos randomizados (ECR) em PubMed, Embase e Cochrane Library que avaliaram ezetimiba combinada a estatinas (rosuvastatina, pravastatina, atorvastatina e sinvastatina) comparado as mesmas estatinas em monoterapia em pacientes de alto e muito alto risco cardiovascular. Os desfechos primários avaliados foram eventos adversos cardiovasculares maiores (MACE), incluindo morte por doença cardiovascular (DCV) e morte por outras causas, acidente vascular cerebral (AVC) não fatal e infarto agudo do miocárdio (IAM) não fatal. Já os desfechos secundários contemplaram a alteração do perfil lipídico (LDL-c, HDL-c e não HDL-c) e eventos adversos gerais e graves. O risco de viés e a qualidade da evidência foram avaliados pelo ROB 2.0 e GRADE, respectivamente. Metanálise diretas foram conduzidas para os desfechos primários e secundários. Resultados: Foram identificados 156 registros relacionados a 150 ECRs que avaliaram a combinação de ezetimiba com estatinas em comparação à monoterapia com estatinas, com tempo de acompanhamento médio de 56,8 semanas (dp: 14,6 semanas), sendo identificado que a associação de ezetimiba + estatinas demonstrou eficácia estatisticamente maior para os desfechos primários IAM (RR 0,88, IC 95% 0,81-0,95; GRADE: alta) e MACE (RR 0,93, IC 95% 0,89-0,97; GRADE: alta), e para os desfechos secundários de alteração do perfil lipídico (LDL-c: DM -0,10, IC 95% -0,12 a -0,09; colesterol total: DM -0,08, IC 95% -0,09 a -0,05; não-HDL-c: DM -0,12, IC 95% -0,14 a -0,10 e HDL-c: DM 0,01, IC 95% 0,01 a 0,04) quando comparado à estatina em monoterapia. Ainda, não foi identificada diferença entre as alternativas para os desfechos primários de eficácia AVC (RR 0,88, IC 95% 0,76 a 1,02; GRADE: moderada), morte por todas as causas (RR 0,99, IC 95% 0,92 a 1,07; GRADE: moderada) e morte por DCV (RR 1,00, IC 95% 0,89 a 1,12; GRADE: moderada) e para os desfechos de segurança (evento adverso grave: RR: 1,04, IC 95%: 0,86 a 1,25; evento adverso geral: RR 0,99, IC 95% 0,96 a 1,03 e descontinuação por EA: RR 1,06, IC 95% 0,98 a 1,14). Conclusão: Evidências clínicas demonstram que a combinação de ezetimiba + estatinas é preferível à monoterapia de estatinas em pacientes de alto e muito alto risco cardiovascular, com base em desfechos como MACE, IAM, alteração do perfil lipídico e segurança, sendo uma opção terapêutica para essa população. No entanto, não houve diferença estatisticamente significativa para mortalidade por todas as causas e eventos cardiovasculares maiores, o que ser explicado pelo reduzido tempo de acompanhamento dos estudos. <![CDATA[ID 105 - Tomografia por Emissão de Pósitrons Combinada à Tomografia Computadorizada (PET-CT) para Estadiamento de pacientes com Câncer de Esôfago: revisão sistemática e metaanálise]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200105&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O câncer de esôfago, uma das principais causas de morte no mundo, apresenta dois subtipos principais: o carcinoma de células escamosas e o adenocarcinoma. O diagnóstico precoce e o estadiamento correto são fundamentais para melhorar as taxas de sobrevivência. O estadiamento do câncer de esôfago pode ser realizado por exames de imagem como tomografia computadorizada (TC) e PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons combinada à Tomografia Computadorizada). No entanto, atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) dispões apenas da TC para diagnóstico e estadiamento deste câncer. Dessa forma, este estudo visou avaliar a sensibilidade, a especificidade e a segurança da PET-CT) para o estadiamento tumoral comparada à TC. Método: Foi conduzida uma revisão sistemática com metanálise direta, incluindo estudos observacionais comparativos de acurácia diagnóstica e/ou de mudança de conduta clínica, envolvendo PET-CT e TC, tendo como padrão de referência exames histopatológicos e/ou cirurgia. As buscas foram realizadas em PubMed, Embase e Cochrane Library. O risco de viés foi avaliado pelas ferramentas QUADAS-2 e QUADAS-C, enquanto a qualidade da evidência foi analisada pelo sistema GRADE ( ) para estudos de acurácia. Resultados: Foram incluídos 15 estudos observacionais, oito avaliando a acurácia diagnóstica da PET-CT e da TC em comparação ao padrão de referência, e oito estudos avaliando a mudança de conduta clínica após a realização da PET-CT. Na detecção de linfonodos regionais, a PET-CT apresentou sensibilidade e especificidade de 66% (IC 95%: 57%-74%) e 60% (IC 95%: 53%-67%), respectivamente, enquanto para a detecção de metástases a distância foi de 88% (IC 95%: 78%-95%) e 91% (IC 95%: 87%-94%), respectivamente. Ainda, para a TC, a sensibilidade e especificidade para a detecção de linfonodos regionais foram de 57% (47%-66%) e 55% (48%-62%), enquanto para metástase a distância foram de 78% (52%-94%) e 77% (64%-87%), respectivamente. A PET-CT influenciou o manejo clínico, resultando em mudanças terapêuticas em 26% (IC 95% 24%-29%) dos pacientes ao reduzir a necessidade de cirurgias. Conclusão: A PET-CT pode apresentar sensibilidade e especificidade maior que a TC, tanto na detecção de linfonodos regionais quanto de metástase a distância. Além disso, a PET-CT demonstrou impacto na conduta clínica, influenciando as decisões terapêuticas e alterando a intenção de tratamento, contribuindo assim para a redução de intervenções cirúrgicas. Sendo assim, apesar dos possíveis efeitos indesejáveis associados à PET-CT, como reações alérgicas ao contraste, exposição à radiação ionizante, desconforto durante o exame e a possibilidade de resultados incorretos, como falsos-positivo ou negativos, a PET-CT ainda pode apresentar vantagens na detecção de linfonodos e metástase e manejo do tratamento quando comparado à TC. <![CDATA[ID 106 - Impacto Econômico da Leishmaniose Tegumentar na Perspectiva dos Pacientes: uma análise em um serviço de referência em Minas Gerais, Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200106&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A leishmaniose tegumentar (LT) é uma doença negligenciada e endêmica em diversos estados do Brasil. As feridas causadas pela doença podem comprometer o desenvolvimento de tarefas e a rotina diária, impactando na qualidade de vida e perda de produtividade do indivíduo. Mesmo no âmbito de um sistema público de saúde universal, os custos para o paciente gerados diretamente pelo tratamento da LT podem ser significativos, além dos gastos indiretos, representados pelas despesas não médicas e perda de receita que os indivíduos sob tratamento vivenciam. O objetivo do trabalho foi identificar os custos diretos e indiretos durante o tratamento da leishmaniose tegumentar sob a perspectiva dos pacientes. Método: Estudo transversal conduzido no Instituto René Rachou/Fiocruz entre abril de 2022 e abril de 2023, incluindo pacientes com diagnóstico confirmado de LT. Os participantes foram entrevistados durante o período de tratamento para levantamento dos custos diretos médicos, não médicos e custos indiretos associados ao tratamento. Os custos diretos foram estimados pela abordagem de microcusteio e os indiretos pelo método de capital humano. Foram realizadas análises descritivas e testes de hipóteses para associações entre custos e variáveis sociodemográficas e clínicas, com nível de significância de 5%. O estudo recebeu aprovação ética (CAAE 28929220.0.0000.5091). Resultados: A pesquisa envolveu 68 pacientes com LT, 77,9% do sexo masculino e idade média de 53 anos. A forma cutânea da doença foi a mais comum (76,4%) e a miltefosina foi o tratamento mais utilizado (35,3%). A maioria dos pacientes tinha atividade remunerada ou recebia benefícios do governo, e a renda mensal média foi R$ 2.424,00. Os custos médios por ciclo de tratamento foram de R$ 568,19, sendo o percentual de gasto maior com transporte, alimentação e exames. Gastos catastróficos foram observados em 41,9% das famílias, significativamente associados a custos diretos, infecção bacteriana e fatores sociodemográficos. Conclusão: Este estudo confirma que o tratamento para LT, embora disponível no SUS, gera gastos diretos e indiretos significativos para os pacientes. Os gastos mais vultosos estão relacionados com as despesas com deslocamento e permanência fora do domicílio, sugerindo um modelo de assistência à saúde centralizado e não disponível no local de residência. A associação da perda de produtividade com terapias que exigem internação hospitalar evidencia a necessidade de uma abordagem individualizada na escolha do tratamento da LT, que considere não apenas os aspectos clínicos da doença, mas também o impacto socioeconômico sobre os pacientes e suas preferências. <![CDATA[ID 107 - Delandistrogeno Moxeparvoveque para o Tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200107&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Distrofia muscular de Duchenne (DMD) é a forma mais comum e grave de distrofia muscular causada por mutações no gene que codifica a distrofina. A ausência ou deficiência da proteína distrofina leva a danos repetidos nas fibras musculares e desencadeia inflamação crônica, fibrose progressiva e comprometimento das células-tronco musculares. Este alerta de monitoramento de horizonte tecnológico foi elaborado com a finalidade de informar quanto aos potenciais impactos de delandistrogeno moxeparvoveque (Elevidys®) para o tratamento da DMD. Método: A estratégia de busca foi realizada em duas etapas, em 15 de abril de 2024, e não houve restrição quanto ao idioma. Na primeira etapa, foi realizada a busca nas bases de dados Cortellis, da Clarivate Analytics, e de registros de ensaios clínicos na plataforma ClinicalTrials.gov. Na segunda etapa, identificaram-se ensaios clínicos publicados por meio de busca nas bases de dados MEDLINE, Embase e Cochrane Library. Os títulos recuperados foram inseridos no gerenciador de referências EndnoteTM, para remoção de duplicatas e triagem. Resultados: Oito registros de ensaios clínicos e quatro ensaios clínicos publicados foram incluídos. Dos registros, seis ensaios clínicos estavam em andamento e dois concluídos. Sete deles foram conduzidos nos Estados Unidos e um na Espanha. Quatro estudos correspondiam à fase I ou II (n=67 participantes); dois estudos à fase III (n=520) e dois estudos à fase IV (n=648). Cinco estudos avaliaram em específico a população pediátrica (n=677). Os achados de eficácia e segurança dos quatro ensaios clínicos revelaram mudança da linha de base na quantificação de expressão da proteína distrofina delandistrogeno moxeparvoveque; avaliações funcionais com melhoria sustentada ao longo de um ano e estabilização da função motora em até dois anos após o tratamento; e eventos adversos considerados leves e moderados, resolvidos nos primeiros 90 dias após a infusão. O evento adverso mais frequente foi vômito e foram relatados como eventos adversos graves rabdomiólise, aumento nas enzimas hepáticas e necessidade de hospitalização. Conclusão: O perfil de segurança e eficácia de delandistrogeno moxeparvoveque para o tratamento de DMD apresenta-se consistente entre os estudos. No entanto, o número pequeno de estudos e de pacientes avaliados, torna o poder de recomendação fraco. Estudos de fase 3 controlados por placebo e com maior tamanho de amostra e de tempo de seguimento dos participantes são necessários para validar de forma significativa os achados de eficácia e de segurança a longo prazo. <![CDATA[ID 108 - Rosuvastatina para o Tratamento de Indivíduos com Alto a Muito Alto Risco Cardiovascular: revisão sistemática e metaanálise]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200108&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As estatinas são amplamente utilizadas e comprovadamente eficazes na redução dos níveis de colesterol LDL e no aumento do colesterol HDL, desempenhando papel essencial na prevenção de doenças cardiovasculares. No Sistema Único de Saúde (SUS), as estatinas disponíveis para o tratamento de dislipidemias e prevenção cardiovascular incluem atorvastatina, sinvastatina e pravastatina. A introdução de novas opções terapêuticas, como a rosuvastatina, pode oferecer benefícios adicionais para pacientes com alto e muito alto risco cardiovascular. Nesse contexto, a análise da rosuvastatina é relevante para otimizar os tratamentos disponíveis e melhorar os desfechos clínicos desses pacientes. Assim, este estudo tem como objetivo avaliar a eficácia e a segurança da rosuvastatina no tratamento de pacientes com alto a muito alto risco cardiovascular, em prevenção primária e secundária, comparando seu desempenho terapêutico com as estatinas incorporadas no SUS. Método: Foi realizada uma revisão sistemática buscando por ensaios clínicos randomizados (ERC) no PubMed e Embase. Os desfechos primários foram os eventos adversos cardiovasculares maiores (MACE, um desfecho composto que, na maioria dos estudos, englobou morte por doença cardiovascular, acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio). Os desfechos secundários incluíram alterações no perfil lipídico (LDL-c, HDL-c e não HDL-c) e a ocorrência de eventos adversos (EA). A avaliação do risco de viés foi conduzida utilizando a ferramenta ROB 2.0, e a qualidade das evidências foi graduada conforme o sistema GRADE. Metanálises diretas foram realizadas para o desfecho de alteração do perfil lipídico. Resultados: Foram incluídos 22 ECR. Para o desfecho MACE, não houve diferença significativa entre o tratamento de alta intensidade com rosuvastatina e atorvastatina (HR: 1,06, IC 95% 0,86 a 1,30), assim como para os componentes MACE quando avaliados separadamente. Em relação ao desfecho de alteração de perfil lipídico, a rosuvastatina resultou em redução média percentual de -0,04 (IC 95%: -0,06 a -0,02) mg/dl nos níveis de LDL-c, de -0,03 (IC 95%: -0,04 a -0,01) mg/dl nos níveis de não HDL, além de um aumento de 0,02 (IC 95%: 0,01 a 0,04) mg/dl nos níveis de HDL. Esses efeitos foram consistentes tanto na prevenção primária quanto na secundária. Embora o tratamento com rosuvastatina tenha apresentado maior número de eventos adversos gerais (OR: 1,75; IC95%: 1,17-2,61) em comparação com a atorvastatina, não houve diferença quanto aos eventos adversos graves. A qualidade da evidência foi considerada moderada para MACE e perfil lipídico (LDL-c). Conclusão: O tratamento com rosuvastatina não demonstrou diferença na redução do risco MACE em comparação com atorvastatina. Entretanto, a rosuvastatina pode ser mais eficaz do que a atorvastatina na redução dos níveis de LDL-c e não-HDL-c, além de promover aumento significativo no HDL-c. A rosuvastatina também demonstrou um perfil de segurança aceitável, com baixa incidência de eventos adversos graves. Assim, esta tecnologia pode ser uma opção terapêutica para esta população na redução dos níveis de LDL-c e aumento do HDL-c. <![CDATA[ID 109 - Aplicação da Inteligência Artificial no Processo de Síntese de Evidências]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200109&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No processo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), a síntese de evidências é uma etapa laboriosa e que requer equipe qualificada. Na realidade dos Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde Hospitalares (NATS-H), os maiores desafios são a disponibilidade de pessoal e sua qualificação. Nesse cenário, a sustentabilidade da ATS nesses núcleos requer novas abordagens que otimizem o trabalho da equipe. As técnicas de Inteligência Artificial (IA) têm sido aplicadas para propiciar a automatização ou semiautomatização de etapas do processo de ATS, buscando reduzir o esforço humano na elaboração de síntese de evidências, conferindo melhor gerenciamento do tempo gasto no processo. Nesta perspectiva, o trabalho buscou identificar e organizar ferramentas de IA que podem contribuir nas diferentes etapas de elaboração de síntese de evidências. Método: A identificação das ferramentas de IA foi realizada mediante levantamento semiautomatizado no site Google Academics, por meio da criação do alerta para o termo:, no período de novembro de 2023 a agosto de 2024. Adotou-se o Google Academics como fonte de informação por englobar diferentes áreas do saber e pela agilidade na compilação de material bibliográfico em relação às bases convencionais. O processo de identificação ocorreu, inicialmente, pela triagem do título das referências recebidas diariamente por meio do alerta. Em uma segunda etapa, foram selecionadas as publicações relevantes após a obtenção do texto completo. Dada a especificidade e a dinâmica do desenvolvimento acelerado do uso de IA no processo de automatização, optou-se por priorizar os artigos de revisão. A organização das ferramentas de IA identificadas nas revisões ocorreu a partir de uma classificação apresentada em um trabalho seminal sobre automatização do processo de revisão, que agrupou as diversas tarefas de elaboração de síntese de evidências em cinco grupos: preparação, recuperação, avaliação, síntese e relatoria. Resultados: Na etapa de pré-seleção desta pesquisa, foram obtidos 91 artigos publicados entre os anos 2019 e 2024, entre os quais 29 citavam ferramentas de IA na elaboração de síntese de evidências, sendo que seis destes foram priorizados por se tratar de artigos de revisão. Ao todo foram identificadas 101 ferramentas de IA com uso nos cinco grupos de tarefas, algumas de uso concomitante, assim distribuídas: preparação (51 ferramentas); recuperação (11 ferramentas); avaliação (39 ferramentas); síntese (46 ferramentas); e relatoria (16 ferramentas). Conclusão: O levantamento realizado neste estudo aponta para a existência de uma diversidade de ferramentas de IA para uso nas diferentes tarefas de síntese de evidências possibilitando a elaboração de relatórios de ATS de forma a mantê-los atualizados com maior agilidade, redução do volume de trabalho e economia de tempo. Contudo, a viabilidade de uso dessas ferramentas em Nats-H deve ser investigada levando-se em conta os custos, os recursos físicos necessários, a necessidade de capacitação da equipe de trabalho, além da usabilidade dessas ferramentas para que as demandas de ATS locais possam ser atendidas de forma concisa e em tempo favorável. <![CDATA[ID 110 - Uso de TSH Recombinante em Adultos com Carcinoma Diferenciado de Tireoide e Contraindicação à Indução de Hipotireoidismo para Ablação com Radioiodo: revisão sistemática e metaanálise]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200110&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O tratamento padrão para carcinoma diferenciado de tireoide (CDT) consiste na tireoidectomia total ou quase total, seguida de ablação com radioiodo no tecido tireoidiano remanescente. Para otimizar a eficácia da ablação, é necessário elevar os níveis de TSH, o que geralmente é obtido pela suspensão do hormônio tireoidiano por quatro a seis semanas após a tireoidectomia. No entanto, o hipotireoidismo induzido pela retirada da levotiroxina pode causar efeitos adversos significativos, levando à interrupção de algumas atividades de vida diária durante as semanas de hipotireoidismo, e consequente comprometimento da qualidade de vida (QV). Como alternativa, pode-se utilizar o TSH humano recombinante (rhTSH) antes da ablação. O rhTSH é uma fonte exógena de TSH que ativa o receptor de TSH, estimulando a captação de radioiodo no tecido tireoidiano remanescente, permitindo que o paciente continue o uso de levotiroxina no período pré-ablação. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia e a segurança do uso do rhTSH em pacientes com CDT e contraindicação à indução de hipotireoidismo para ablação com radioiodo. Método: Foi realizada uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados (ECR) identificados no PubMed, Embase e Cochrane Library, comparando o uso de rhTSH com a indução de hipotireoidismo em pacientes com CDT. Os desfechos avaliados incluíram taxa de ablação bem-sucedida, QV e segurança (eventos adversos gerais e graves). O risco de viés foi avaliado utilizando a ferramenta ROB 2.0, e a qualidade das evidências foi graduada conforme o sistema GRADE. Metanálise direta foi conduzida para taxa de ablação bem-sucedida. Resultados: Foram incluídos nove ECR que compararam o uso do rhTSH com a suspensão da levotiroxina. Não houve prejuízo no sucesso da taxa de ablação devido ao uso de rhTSH (RR 0,99 [IC 95% 0,96-1,02]; GRADE: moderada). Embora os resultados relacionados à QV fossem limitados, observou-se melhora precoce (até um mês após a ablação) no grupo tratado com rhTSH. A longo prazo, contudo, não foram identificadas diferenças significativas entre as intervenções (SF-36: componente físico variando de 38,5 a 73,4 vs 41 a 69,7, e componente mental de 40 a 52 vs 41 a 52, para intervenção e controle, respectivamente, com seguimento de quatro a seis meses; GRADE: muito baixa). Os relatos de eventos adversos (EAs) foram limitados, sem EAs graves relacionados aos tratamentos (GRADE: muito baixa), e o grupo rhTSH apresentou menor incidência de EAs gerais, como ganho de peso (RR: 0,57 [IC 95% 0,46-0,71]), movimentação lenta (RR: 0,24 [IC95%: 0,16-0,37]) e constipação (RR: 0,52 IC 95 [0,37-0,74]). Conclusão: A revisão não mostrou diferença significativa na taxa de ablação bem-sucedida entre a suspensão de levotiroxina e o uso de rhTSH em pacientes com CDT, com uma tendência de melhora precoce na QV no grupo tratado com rhTSH, não mantida a longo prazo. Em termos de segurança, o grupo rhTSH apresentou menor incidência de EAs, sem relatos de eventos graves. Esses resultados sugerem que o rhTSH é uma alternativa viável para pessoas com CDT, com potenciais benefícios a curto prazo em QV e menor ocorrência de EAs, sem comprometer a eficácia da ablação. No entanto, dado que a qualidade das evidências variou de baixa a moderada, há incerteza sobre a plausibilidade da substituição, sendo necessários novos estudos primários de alta qualidade para confirmar esses achados. <![CDATA[ID 111 - Curso Teórico-Prático de Busca Avançada na Literatura para Identificação de Evidências Científicas para Técnicos dos NatJus]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200111&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Notas técnicas (NTs) são documentos que respondem demandas judiciais específicas apresentando evidências científicas para uma tomada de decisão judicial mais bem informada. As NTs são elaboradas por profissionais da saúde atuantes nos Núcleos de Apoio Técnico ao Judiciário (NatJus). Os métodos para busca de estudos e identificação de evidências científicas na literatura se renovam continuamente e é fundamental que as competências dos elaboradores de NT sejam constantemente atualizadas para assegurar qualidade, transparência e imparcialidade. O objetivo deste estudo foi relatar a realização e os resultados de um curso teórico-prático de capacitação em estratégias de busca complexas para membros dos NatJus do Brasil elaboradores de NT ou parceiros dos Tribunais de Justiça que exerçam esta atividade e técnicos do Ministério da Saúde (MS) indicados pelo Departamento de Gestão das Demandas em Judicialização na Saúde (Djud). Método: Estudo transversal conduzido pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde/Núcleo de Evidências, Hospital Sírio-Libanês (HSL), São Paulo, Brasil, como uma entrega do projeto "AD-Jus: Apoio técnico-científico à tomada de decisão judicial em Saúde no Brasil", desenvolvido pelo HSL e apoiado pelo MS por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O curso teve como objetivo contribuir com a aquisição de conhecimento e desenvolvimento de competências relacionadas a buscas estruturadas em bases de dados científicas nacionais e internacionais, gerais e específicas, e buscas manuais em websites institucionais e outras fontes relevantes para identificação de estudos que podem compor o conjunto de evidências de uma NT. Foi realizada uma atividade pré/pós-curso para avaliação da aquisição do conhecimento e avaliação de satisfação dos participantes. Resultados: Este curso teórico-prático de curta duração e de inscrição gratuita focou no aprofundamento da elaboração de estratégias de busca complexas para as principais bases de dados da saúde de acesso gratuito. Foi composto por dois dias de atividades teórico-práticas remotas síncronas com duração de oito horas/dia (16 horas) com a realização de estudo dirigido, exercícios práticos, discussões e entrega de produto final individual. Foram 77 participantes inscritos e 55 aprovados para certificação. Foi observada uma média de satisfação geral alta (&gt;75%) a partir dos questionários de satisfação aplicados. A satisfação quanto ao conteúdo do curso foi considerada ótima (88,5%), quanto aos recursos foi mediana a alta (50 a 70%), com os professores apresentou uma média alta (&gt;75%) e 83% dos respondentes referiram que é extremamente provável a recomendação do curso para outra pessoa. Quanto à avaliação pré/pós-curso, seis das sete questões tiveram aumento da frequência de respostas corretas. O aumento na porcentagem de acertos entre as questões avaliativas foi, em média, de 15,2% após o curso, quando comparado às respostas pré-curso. Conclusão: O cenário geral aponta para uma satisfação alta, aumento da frequência de acertos entre os participantes no pós-curso e a recomendação para outra pessoa é extremamente provável. As atividades práticas, o material utilizado, a didática dos professores e a distribuição em pequenos grupos para tutorias podem ter sido relevantes para esse aumento. <![CDATA[ID 112 - Evidências Clínicas da Beta-Agalsidase Versus Alfagalsidase no Tratamento da Doença de Fabry Clássica: um cenário de incorporação no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200112&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A doença de Fabry clássica é um distúrbio metabólico ultrarraro com importante impacto na qualidade de vida, podendo reduzir a expectativa de vida em até 20 anos em pacientes não tratados. E apesar das terapias de reposição enzimática (TRE) como beta-agalsidase e alfagalsidase ter potencial para reduzir os danos, o acesso a elas é considerado uma barreira no manejo eficaz desses pacientes. Este estudo realizou uma síntese de evidências clínicas para subsidiar a decisão sobre a incorporação da beta-agalsidase como alternativa terapêutica à alfagalsidase no SUS. Método: Foi conduzida uma revisão sistemática nas bases PubMed, Embase, Cochrane CENTRAL e LILACS, complementada por busca manual. Buscou-se identificar revisões sistemáticas, ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais comparativos, com pacientes com doença de Fabry de fenótipo clássico, incluindo aqueles com fenótipo misto ou não informado, além de estudos de troca terapêutica (switching) entre as TREs. A avaliação do risco de viés dos estudos incluídos foi realizada pela ferramenta Risk of Bias (RoB 2) nos ensaios clínicos e pela Risk Of Bias In Non-randomized Studies of Interventions (ROBINS-I) nos estudos observacionais. A qualidade metodológica das revisões sistemáticas foi avaliada pela ferramenta (AMSTAR-2), e a qualidade das evidências pelo (GRADE). Resultados: No total, 22 estudos foram incluídos. Cinco estudos compararam diretamente beta-agalsidase e alfagalsidase (um ensaio clínico randomizado e quatro estudos observacionais). Dezessete estudos analisaram desfechos de troca terapêutica (uma revisão sistemática e 16 estudos observacionais). Nenhum estudo avaliou desfechos de sobrevida. Desfechos de qualidade de vida, mortalidade, eventos cerebrovasculares e adversos foram reportados apenas em estudos de troca terapêutica. Não houve mudanças na qualidade de vida após a troca entre TREs, e 13 mortes foram relatadas em um acompanhamento de longo prazo. Eventos adversos foram pouco reportados e, em estudos mais recentes, não foram identificados eventos adversos sérios. Um único estudo de switch relatou redução do risco de acidente vascular cerebral e ataque isquêmico transitório na troca entre TREs (RR 0,20; IC 95% 0,03-0,29). Eventos clínicos foram reportados tanto por comparação direta quanto por switching, sendo similares entre beta-agalsidase e alfagalsidase (HR=0,96; IC 95% 0,59-1,57; p=0,87; qualidade da evidência baixa). Desfechos relacionados à função renal (p=0,708) e cardiovascular (p=0,150) foram semelhantes entre as TREs, embora a intensidade dessas reduções variou nos estudos (qualidade da evidência muito baixa). O desenvolvimento de anticorpos contra TRE foi observado apenas em homens com doença de Fabry, sendo mais frequente com beta-agalsidase (OR=2,8; IC 95% 1,02-7,88; p=0,041; qualidade da evidência baixa). Conclusão: Não foram encontradas diferenças significativas entre beta-agalsidase e alfagalsidase em termos de eficácia, segurança ou impacto na qualidade de vida. A formação de anticorpos contra beta-agalsidase, embora mais frequente, ainda não tem significância clínica estabelecida. As variações nos resultados parecem estar associadas à heterogeneidade entre os pacientes. Estudos adicionais, especialmente de não inferioridade ou equivalência, são necessários para confirmar esses achados. <![CDATA[ID 115 - Cost-Effectiveness and Budget Impact Analysis of Expanding Mammography Screening in Brazil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200115&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Mammography screening for breast cancer became public policy in Brazil in 2004, with current guidelines recommending biennial mammograms for asymptomatic women aged 50-691. The Brazilian Society of Mastology recently recommends for annual mammograms starting at age 40, claiming a 13-25% reduction in breast cancer mortality2. This study aims to assess the cost-effectiveness and budget impact of expanding screening to women aged 40-49 and those over 69 at the Brazilian Unified Health System (SUS). Método: A decision tree coupled with a Markov model was developed to compare the expansion of screening to asymptomatic women aged 40-49 and those over 69 compared to usual care without screening for this age. In the screening group, after mammography the result could indicate cancer or not. Health states in Markov model for women developing cancer included remission, local recurrence, distant recurrence and death. A lifetime horizon with annual cycles was considered, applying a 5% discount rate to both costs and outcomes. Clinical outcomes measured were quality-adjusted life years (QALYs) and life years (LY). The analysis adopted the SUS perspective, considering direct costs of mammography [Brazilian public healthcare system table of procedures and medications (SIGTAP)] and breast cancer treatments (surgery, radiotherapy, chemotherapy). The budgetary impact was assessed using demand projections and population data from the Brazilian National Institute of Geography and Statistics (IBGE) and the National Cancer Institute's Annual Report. Resultados: The cost-effectiveness analysis revealed that the expanded screening strategy was cost-effective compared to usual care. For women aged 40-49, the incremental cost-effectiveness ratio (ICER) was R$57,000 per QALY and R$37,000 per LY. For women over 69, the ICER was R$44,000 per QALY and R$28,000 per LY. In the budget impact analysis, it was estimated that around 16 million women would undergo this procedure through the SUS (considering market share 100%). The results showed that expanding screening would significantly increase costs, reaching incremental costs of R$96 million by the first year and totaling R$512 million over the five-year period. Conclusão: The findings suggest that expanding mammography screening to women aged 40-49 and over 69 could be cost-effective, with ICER values below the acceptable threshold for serious diseases3. Moreover, implementing this expanded program would require carefully addressing operational challenges, including additional equipment, maintenance, and staffing across the country. In addition to women's greater exposure to ionizing radiation. The literature has shown that exposure between the ages of 40 and 74 increases the risk of breast cancer by 0.11% and 0.29% for women with and without a family history of cancer4. The results highlight the need to balance clinical benefits with financial implications, emphasizing ongoing evaluation of evidence, cost monitoring, and the use of further advanced techniques such as value-of-information analysis, as seen in other countries exploring similar expansions. <![CDATA[ID 116 - Evolução da Atuação dos Nats em Recomendações da Conitec entre 2018 e 2024]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200116&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Os Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) foram criados em 2009 com o objetivo de expansão dos conhecimentos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) no Brasil. Além de sua atuação na promoção da ATS dentro das instituições de que fazem parte, os Nats também realizam, por meio de parcerias, análises e estudos para a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Com o aumento no número de demandas por avaliações na Conitec, as análises realizadas por parcerias com o Nats tornaram-se parte usual do processo de ATS no SUS. Para atuação junto à Conitec é necessário aos núcleos um nível de qualificação técnica e experiência em ATS. Este estudo buscou avaliar a evolução dos Nats com capacidade técnica para parcerias com a Conitec, com o objetivo de oferecer transparência sobre quais instituições estão envolvidas ao processo de ATS. Método: Os órgãos responsáveis pelas análises realizadas foram baseados nos responsáveis descritos na contracapa dos relatórios técnicos disponíveis no site da Conitec. A identificação dos órgãos responsáveis pelas análises foi baseada na contracapa dos relatórios disponibilizados pela Conitec, sendo considerado o primeiro órgão descrito como o principal contribuinte. Foram captados dados dos relatórios entre janeiro de 2018 e julho de 2024. Nesse período, os responsáveis pelas análises foram consistentemente identificados nos relatórios publicados. Resultados: Entre 2018 e 2024 um total de 20 Nats foram responsáveis pelas análises conduzidas nas avaliações da Conitec, dos quais dez participaram de avaliações de protocolos e diretrizes, 17 de medicamentos e 12 de procedimentos e outros produtos de saúde. No período, as análises realizadas por Nats passaram de uma minoria para estarem presentes na maioria dos relatórios, com apenas 7% dos relatórios em 2018 em comparação a 86% dos em 2024 declarando um Nats como principal elaborador das análises técnicas. O número de Nats parceiros cresceu principalmente desde 2022, período no qual nove novos núcleos realizaram análises à Conitec. Cerca de 56% das análises realizadas por Nats, entretanto, foram atribuídas a apenas três instituições: Uats/Haoc (Hospital Alemão Oswaldo Cruz), Nats/INC (Instituto Nacional de Cardiologia) e Nats/HMV (Hospital Moinhos de Vento), com 79, 24 e 16 análises, respectivamente. Similarmente, a Uats/Haoc é, isoladamente, responsável por 41% das análises de protocolos e diretrizes realizadas por Nats, com nove análises. Conclusão: Os Nats tornaram-se, desde 2018, parte essencial das avaliações da Conitec, tanto de protocolos quanto de tecnologias em saúde, com grande expansão no número de núcleos e quantidade de análises em que estes são envolvidos. Há ainda, entretanto, grande concentração de análises em alguns poucos núcleos, com oportunidade de expansão da atuação de outros. <![CDATA[ID 118 - Desenvolvimento e Aplicação de Curativo à Base de Látex (<em>Hevea brasiliensis</em>) Contendo Curcumina e Papaína Lipossomal Associadas à LEDterapia para Tratamento de Feridas Diabéticas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200118&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As feridas diabéticas, uma complicação comum do diabetes mellitus, representam um dos principais desafios no tratamento de pacientes com essa doença crônica. Caracterizadas pela dificuldade de cicatrização, essas feridas estão frequentemente associadas a fatores como neuropatia, doença vascular periférica e uma resposta inflamatória comprometida. As complicações incluem infecções recorrentes, úlceras crônicas, gangrena e, nos casos mais graves, a amputação de membros. Essas consequências geram um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes e no sistema de saúde, com custos elevados para o tratamento e hospitalizações prolongadas. O custo do tratamento de feridas diabéticas no Brasil é elevado, sobrecarregando o Sistema Único de Saúde (SUS) com hospitalizações prolongadas, cirurgias e cuidados intensivos. A necessidade de tecnologias inovadoras e de baixo custo para o tratamento de feridas diabéticas é, portanto, urgente. Nesse contexto, foi desenvolvido um curativo à base de látex () contendo curcumina e papaína lipossomal, combinado com um dispositivo de LED de comprimento de onda variado (450±20 nm à 636±20 nm) emissor de luz vermelha de baixa intensidade denominado RAPHA©, uma tecnologia inovadora a de otimização do processo de neoformação tecidual. Essas novas abordagens buscam não apenas reduzir os custos associados ao tratamento, mas também proporcionar alternativas acessíveis e eficazes para populações. O desenvolvimento de terapias acessíveis e de alta eficácia é crucial para minimizar as complicações e os custos associados às feridas diabéticas, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Método: Biomembranas foram confeccionadas a partir de látex diluído em água, combinado com soluções lipossomais, moldadas em formas de poliestireno e cortadas em quadrados de 2 x 2 cm. Os testes in vivo utilizaram ratos Wistar machos com diabetes induzido por aloxana monoidratada e feridas de 6 mm no dorso. Foram formados cinco grupos experimentais: (1) controle sem tratamento, (2) látex com curcumina lipossomal + LED, (3) látex com papaína lipossomal + LED, (4) látex isolado + LED, e (5) látex com curcumina e papaína lipossomal + LED. Os tratamentos foram aplicados a cada 48 horas durante 11 dias, com exposição à LED (RAPHA©) por 10 minutos. O tamanho das feridas e o perfil diabético dos animais foram avaliados, e os dados foram submetidos à ANOVA one-way e pós-teste de Tukey (p &lt; 0,05). Resultados: Os animais diabéticos apresentaram hiperglicemia, poliúria, polidipsia e perda de peso. Biomembranas com curcumina e papaína não alteraram as propriedades estruturais do látex. Os grupos tratados com LEDterapia associada a biomembranas contendo curcumina e papaína mostraram fechamento de 99% e 95% das feridas, respectivamente. Conclusão: A associação de curcumina e papaína ao látex, aliada à LEDterapia, é promissora no tratamento de feridas diabéticas, acelerando a cicatrização. <![CDATA[ID 119 - Teste de Detecção de HLA-B27 para Indivíduos com Suspeita de Espondiloartrite Axial no SUS: revisão sistemática, custo-efetividade e impacto orçamentário]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200119&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A espondiloartrite axial (EpA) é uma doença inflamatória crônica, de origem autoimune, caracterizada por dor intensa, enrijecimento das articulações com inflamação nas inserções dos tendões, limitação funcional progressiva, provocando danos estruturais irreversíveis das articulações sacroilíacas e espinhais, que cursam com alterações radiográficas e formação óssea excessiva. O antígeno HLA-B27 está fortemente correlacionado com o aparecimento da doença e um teste positivo para esse marcador é encontrado na maioria dos casos. No Brasil, diversos estudos sugerem que os portadores do antígeno HLA-B27 representam em torno de 60%-70% dos pacientes. No SUS, a avaliação é feita considerando os critérios ASAS, de Nova Iorque, e diagnóstico por radiologista, principalmente. O objetivo deste estudo foi de avaliar a acurácia, a custo-efetividade e o impacto orçamentário do procedimento na perspectiva do SUS. Método: Uma revisão sistemática foi conduzida para avaliar as evidências do teste, com buscas conduzidas no PubMed, Embase, LILACS e Cochrane Library. A avaliação do risco de viés foi realizada utilizando a ferramenta QUADAS-2 e a qualidade das evidências foi graduada conforme o sistema GRADE. Além disso, uma análise de custo-efetividade (ACE; modelo de árvore de decisão acoplada a um modelo de Markov; horizonte temporal lifetime; desfecho de efetividade: ano de vida ajustado à qualidade – Avaq; taxa de desconto de 5%). A análise de impacto orçamentário (AIO) também foi desenvolvida considerando abordagem da demanda aferida e epidemiológica, e de HLA-B27 variando de 20% a 100%. Resultados: Nos 29 estudos incluídos, foram comparados o teste HLA-B27 e os critérios de diagnóstico ASAS ou Nova Iorque. A sensibilidade do teste HLA-B27 foi de 68% (IC 95%: 67%-69%) e a especificidade de 88% (IC 95%: 87%-88%), apesar da qualidade da evidência muito baixa. A partir da análise de dois estudos, observou-se que a associação de HLA-B27 e parâmetros clínicos ainda possibilitou o alcance de uma sensibilidade e especificidade comparável ou maior do que a combinação de exame de imagem (ressonância ou radiografia) e parâmetros clínicos, ou apenas os parâmetros clínicos. Em relação à ACE, na comparação com avaliação clínica, o teste HLA-B27 + avaliação clínica foi ligeiramente maior que o limiar de custo-efetividade estabelecido pela Conitec (R$ 43 mil reais por Avaq). Na comparação com avaliação clínica ± exame de imagem, o teste de HLA-B27 + avaliação clínica dominou o comparador. Além disso, observou-se que a incorporação de HLA-B27 no SUS para indicação proposta teria como resultado um incremento de custos de R$ 638 mil no primeiro ano, chegando a R$ 770 mil no quinto ano de análise para uma população elegível variado de 5.748 a 6.937. Conclusão: Considerando os achados clínicos e econômicos, a adição do teste de HLA-B27 foi considerada benéfica por potencialmente aumentar a acurácia, ser custo-efetiva ou dominante e com impacto orçamentário viável para o SUS. Este estudo subsidiou a recomendação e decisão de incorporação do teste no SUS para indivíduos com suspeita de espondiloartrite axial. <![CDATA[ID 120 - Avaliação de Incorporação da Rivastigmina para o Tratamento de Indivíduos com Doença de Parkinson e Demência no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200120&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa progressiva que se caracteriza pela degeneração e perda de neurônios dopaminérgicos. Estima-se que cerca de 30% dos pacientes apresentem demência relacionada à DP. Para estes pacientes não havia tratamento medicamentoso disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a rivastigmina o único medicamento com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tal indicação. O objetivo deste estudo foi de avaliar a eficácia, a segurança, a custo-efetividade e o impacto orçamentário de rivastigmina cápsula e adesivo na perspectiva do SUS. Método: Uma revisão sistemática foi conduzida para avaliar as evidências da rivastigmina, de modo que foram realizadas buscas nas plataformas PubMed, Embase, LILACS e Cochrane Library. A avaliação do risco de viés foi realizada utilizando a ferramenta Risk of Bias (RoB) 2.0, e a qualidade das evidências foi graduada conforme o sistema GRADE. Além disso, uma análise de custo-efetividade (ACE: modelo de árvore de decisão; horizonte temporal de um ano; desfechos de efetividade: melhora clínica e anos de vida ajustado a qualidade [Avaq]; desfecho econômico: custos diretos médicos) e de impacto orçamentário (AIO) também foram desenvolvidas. Resultados: Apenas um ensaio clínico randomizado contemplou os critérios de elegibilidade e foi incluído, sendo que para função cognitiva avaliada pelo Miniexame do estado mental, observou-se melhora de 0,8 ponto no grupo tratado com rivastigmina + cuidado padrão e declínio de 0,2 ponto no grupo que recebeu placebo + cuidado padrão (DM: 1,0; p=0,03). Os resultados foram corroborados pela escala ADAS-Cog, em que houve redução dos escores no grupo rivastigmina e discreto aumento no grupo placebo, o que representa melhoria da função cognitiva para o primeiro grupo e declínio para o segundo (DM=2,90, p&lt;0,001). No resultado do teste ADCS-CGIC, que traduz a gravidade global da doença, observou-se maior percentual de pacientes com melhora no grupo rivastigmina + cuidado padrão, comparado ao placebo + cuidado padrão (RR 1,37 [IC 95% 1,04-1,79]; p=0,02). Não foram identificadas diferenças entre os grupos para eventos adversos graves. A qualidade da evidência foi baixa para os desfechos de eficácia e moderada para os de segurança. Em relação à ACE, a utilização de rivastigmina (cápsulas) resultou em uma razão de custo-efetividade incremental de R$ 8 mil por paciente que apresentou melhora clínica, e de R$ 25 mil por Avaq. Ao considerar análises de outros cenários, observou-se que a utilização de rivastigmina em adesivo é custo-efetiva para o SUS (R$ 39 mil por AVAQ). A incorporação da rivastigmina elevaria o orçamento ao longo de cinco anos (cápsula ou adesivo, respectivamente, R$ 97.531.725 ou R$ 158.978.534,22; ambas as apresentações: R$ 131.941.938,13), considerando aproximadamente 30 mil de população elegível. Conclusão: Rivastigmina mostrou-se mais eficaz que o cuidado padrão, sem prejuízo da segurança, custo-efetiva e viável economicamente para o sistema. A tecnologia recebeu recomendação e decisão favorável à incorporação no SUS. <![CDATA[ID 122 - Eficácia e Segurança do Dupilumabe em comparação ao Omalizumabe para Asma Grave com Fenótipo Alérgico: revisão sistemática com metanálises de comparações indiretas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200122&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A asma é caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas. Entre seus fenótipos e endotipos, a inflamação tipo 2 (fenótipos alérgico e eosinofílico) é caracterizada por manifestação precoce e mais grave. Atualmente, o omalizumabe (OMA) é único imunobiológico disponível no SUS para o tratamento da asma grave com fenótipo alérgico. Recentemente, o dupilumabe (DUPI) – um anticorpo monoclonal humano antagonista do receptor da IL-4 e da IL-13 – surgiu como alternativa para essa condição. Método: Foram conduzidas duas revisões sistemáticas avaliando a efetividade do DUPI e do OMA em relação ao placebo no tratamento da asma grave com fenótipo alérgico, definido como IgE ≥30 UI/mL e sensibilidade a um ou mais aeroalérgenos perenes. Apenas estudos clínicos randomizados, com mascaramento de participantes e avaliadores, foram incluídos, devido ao componente subjetivo na definição de exacerbação. Também foram incluídos apenas estudos que avaliavam a adição de OMA ou DUPI ao tratamento com beta-agonistas de ação prolongada e corticosteroides inalatórios, conforme PCDT de asma. As buscas foram realizadas nas bases MEDLINE (PubMed), Embase e Cochrane CENTRAL, em janeiro de 2024. O risco de viés dos estudos individuais foi avaliado com o instrumento Risk of Bias 2.0, com a certeza da evidência sendo avaliada com o sistema GRADE. A partir dos resultados identificados nas duas revisões independentes, foi realizada metánalise de comparações indiretas. As análises foram feitas com o software R, pacotes meta e netmeta, utilizando abordagem frequentista. Resultados: Quatro ensaios clínicos avaliaram DUPI e oito avaliaram OMA. Em comparação ao placebo, DUPI reduziu o risco de exacerbações em 52% (RR 0,48; IC 95% 0,37 a 0,62; alta certeza da evidência) e aumentou o VEF1 em 0,16 L (IC 95% 0,12 a 0,20L; alta certeza da evidência), além de melhorar a qualidade de vida e o controle da doença. OMA, em comparação ao placebo, reduziu as exacerbações em 26% (RR 0,74; IC 95% 0,64 a 0,86; baixa certeza da evidência por risco de viés e evidência indireta) e aumentou o VEF1 em 0,08 L (IC 95% 0,04 a 0,11 L; baixa certeza por risco de viés e evidência indireta). Comparação indireta mostrou que DUPI reduz a taxa de exacerbações em 32% em relação ao OMA (RR 0,68; IC 95% 0,54 a 0,88; baixa certeza da evidência por risco de viés e evidência indireta em OMA) e aumenta o VEF1 em 0,08L (IC 95% 0,03 a 0,13; p = 0,001; baixa certeza por risco de viés e evidência indireta em OMA). No desfecho de descontinuação por eventos adversos, não houve diferença estatística entre os tratamentos, embora tenha sido observada uma redução de 26% com o DUPI comparado ao OMA (RR 0,74; IC 95% 0,28 a 1,93; moderada certeza da evidência por imprecisão). Conclusão: OMA e DUPI são eficazes no tratamento da asma grave com fenótipo alérgico, com a incorporação do OMA pelo SUS em 2019 sendo um marco importante para a atenção ao paciente com asma grave no SUS. A comparação indireta indica que DUPI está provavelmente associado à menor taxa de exacerbações e à melhora da função pulmonar em relação ao OMA, tornando-se uma opção viável para inclusão no SUS. Apesar dos resultados promissores, é essencial contextualizar o impacto clínico com aspectos econômicos para garantir a sustentabilidade do sistema com a adoção de tratamentos custo-efetivos. <![CDATA[ID 124 - Dossiê de Valor 2024: facilitando a compreensão dos indicadores de saúde para pacientes]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200124&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A comunicação eficaz em saúde é essencial para capacitar os pacientes a tomarem decisões informadas sobre seu tratamento. Informações transparentes e acessíveis podem melhorar a compreensão dos pacientes sobre suas condições e opções terapêuticas, impactando positivamente a adesão ao tratamento e os resultados de saúde. Método: Para construção do material foi feita inicialmente uma revisão de literatura a fim de identificar formas de comunicação de indicadores de saúde para o público leigo. Baseado no modelo de por procedimento cirúrgico do Hospital for Special Surgery. Foi elaborado um protótipo de por condição de saúde com o conteúdo dos indicadores publicados no Dossiê de Valor 2024. O protótipo foi discutido e revisado pelos times de Experiência do Paciente, Comunicação e Jurídico. O material final foi revisado por um conselho editorial. Resultados: O material foi lançado no Fórum de Qualidade e Segurança do IHI em julho de 2024, abrangendo 20 condições de saúde, com uma média de cinco indicadores por condição clínica. Disponibilizado para o corpo clínico e no site do Einstein por meio do seguinte link: Dossiê de Valor 2024 – Versão Pacientes A versão simplificada apresenta dados de forma clara e compreensível, promovendo maior transparência e facilitando o acesso dos pacientes a informações essenciais para decisões informadas sobre seus tratamentos. Conclusão: A transparência em saúde é fundamental para assegurar que os pacientes tenham acesso a informações claras e precisas, permitindo-lhes tomar decisões informadas e fundamentadas sobre seu tratamento. Ao proporcionar acesso a dados detalhados e compreensíveis, o Dossiê de Valor Einstein fortalece a capacidade dos pacientes de participar ativamente do seu cuidado, promovendo escolhas mais fundamentadas e alinhadas com suas necessidades e preferências. <![CDATA[ID 125 - Revisão Sistemática e Metanálise da Efetividade e da Segurança do Sistema Flash de Monitorização da Glicose por Escaneamento Intermitente em Indivíduos com Diabetes Mellitus]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200125&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O diabetes mellitus (DM) pode levar a complicações graves, como doenças cardiovasculares, insuficiência renal e cegueira. Além da hiperglicemia, a variabilidade glicêmica tem sido considerada como um fator de risco para o surgimento destas complicações. Por conta disso, o tratamento do DM deve abordar a hiperglicemia crônica, hipoglicemia e variabilidade glicêmica. Como métodos para monitorização contínua da glicemia têm-se: a automonitorização da glicemia capilar (AMGC); os sistemas de monitoramento contínuo de glicose (SMCG), e mais recentemente o sistema flash de monitorização da glicose por escaneamento intermitente (SFMG). O objetivo deste trabalho foi avaliar por meio de ensaios clínicos randomizados (ECR) a eficácia do SFGM comparado à AMGC no tratamento de indivíduos com DM1 ou DM2 em insulinoterapia. Método: Foi realizada uma revisão sistemática de acordo com as diretrizes metodológicas do Ministério da Saúde de revisões sistemáticas de ECR (registro PROSPERO: CRD42024562805). Foram incluídos ECR, nos quais os pacientes com DM e em uso de insulina foram alocados ao SFMG ou à AMGC. Os desfechos analisados foram HbA1c (%), tempo em hipoglicemia (glicemias abaixo de 70mg/dl), satisfação do paciente no tratamento do DM [Diabetes Treatment Satisfaction Questionnaire (DTSQ)], evento adverso e tempo no alvo (glicose entre 70 a 180 mg/dl). Embase, MEDLINE e CENTRAL foram as bases eletrônicas pesquisadas. O processo de seleção, avaliação do risco de viés (ferramenta RoB 2) e extração dos dados foram realizados em pares e independentemente. Como estimativa de efeito da intervenção foram calculados o risco relativo (RR) e a diferença de média (DM), ambos com o intervalo de confiança de 95% (IC 95%). Foram realizadas metanálises (modelo de efeitos aleatórios) usando o software estatístico Stata 18. A qualidade da evidência foi gerada de acordo com as Diretrizes Metodológicas do Ministério da Saúde do Sistema GRADE. Resultados: Foram identificadas 1.171 referências, tendo sido incluídos 17 RCT. A metanálise da HbA1c aferida na última consulta de seguimento favoreceu a intervenção (DM: -0,25%, IC 95%: -0,39 a -0,10%, moderada qualidade da evidência). Em relação à satisfação do paciente, a metanálise também favoreceu a intervenção (DM: 4,5, IC 95%: 2,28 a 6,82, moderada qualidade da evidência). No que se refere ao tempo em hipoglicemia, a metanálise também favoreceu a intervenção, porém a qualidade da evidência foi baixa (DM: -0,14%, IC 95%: -0,21 a -0,06%). Em relação ao tempo no alvo, a metanálise não evidenciou diferença entre os grupos, mas a qualidade da evidência foi muito baixa (DM: 0,02%, IC 95%: -0,05 a 0,1%). Os eventos adversos foram mais frequentes no SFMG (RR: 3.32, IC 95%: 1.79 a 6.14, moderada qualidade da evidência). Conclusão: Em indivíduos com DM e uso diário de múltiplas doses de insulina, o SFMG comparado à AMGC resultou em diminuição da HbA1c e melhora na satisfação do paciente no tratamento do DM; moderada qualidade da evidência. A intervenção favoreceu também o tempo em hipoglicemia, e não mostrou diferença de tempo da glicose no alvo, porém a qualidade da evidência foi baixa e muito baixa, respectivamente. A frequência de eventos adversos foi maior no grupo intervenção, porém foram eventos cutâneos não considerados graves. <![CDATA[ID 126 - Podcast – O que é ATS e como ela impacta sua saúde?]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200126&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O podcast NATS-SPDM une os conceitos de inovação e saúde, ressaltando a importância da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e dos Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) no processo de análise e adoção de novas tecnologias pelos sistemas de saúde, evidenciando a conexão entre as instituições SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) e Universidade Federal do estado do Rio de Janeiro (Unirio). A apresentação será realizada por seis pesquisadores em temas de ATS, em uma dinâmica de conversa informal e envolvente, com a finalidade de disseminar o conteúdo para os alunos de graduação com interesse no tema e membros da sociedade objetivando a participação social. A abordagem visa utilizar uma linguagem acessível e próxima ao público jovem, ao mesmo tempo em que mantém a profundidade e a precisão das informações. O episódio começa com uma breve explicação sobre o que é ATS destacando seu papel como um processo de avaliação dos benefícios, riscos e custos de novas tecnologias em saúde. Será discutido como a ATS impacta a escolha de medicamentos, equipamentos, procedimentos, entre outros, levando em consideração aspectos clínicos, econômicos e sociais. A iniciativa busca conectar o ensino de ATS às práticas sociais criando um caminho menos formal para que novas tecnologias possam ser inseridas no sistema de saúde brasileiro de forma eficiente e consciente. Método: O processo de gravação e edição do podcast intitulado "O que é ATS e como ela impacta sua saúde?" envolveu a verificação de equipamentos e softwares essenciais para garantir a qualidade final do conteúdo. O uso de um microfone de alta qualidade, acompanhado de um pop filter e um suporte adequado (braço ou pedestal), para a captação clara da voz, minimizando ruídos indesejados e distorções. Fones de ouvido de monitoramento foram importantes para a qualidade do áudio em tempo real durante a gravação e a edição. A utilização de softwares de gravação, como Audacity, foi previamente configurada e testada, permitindo que o áudio fosse capturado com precisão. Além disso, a gravação num ambiente acusticamente controlado, livre de ecos e ruídos externos, para preservar a clareza do som. Elementos como trilhas sonoras e efeitos sonoros foram selecionados e ajustados para criar uma atmosfera envolvente e facilitar transições durante o episódio. A plataforma de gravação digital selecionada foi o Zoom, oferecendo flexibilidade no processo. O software de edição escolhido é o editor de vídeo on-line do Clipchamp gratuito que permite ajustes finos na equalização e eliminação de imperfeições. Por fim, foi criado uma identidade visual sólida, com a criação de uma capa atrativa, desenvolvida em plataformas como Canva, que será utilizada para divulgação. A etapa final consiste em garantir que a plataforma de publicação esteja configurada corretamente, utilizando serviços como Spotify para hospedar e distribuir o conteúdo, garantindo que o episódio seja acessível ao público-alvo. O método de desenvolvimento do podcast foi gravado com a participação de membros dos Nats envolvidos e utilizando um formato de conversa acessível e dinâmica. A partir de um script da gravação com duração de 30 minutos, a apresentação foi realizada por duas doutorandas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e uma pós-doutoranda da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A estrutura foi dividida em três segmentos principais: introdução à ATS, conexão com a sustentabilidade, e iniciativas acadêmicas de democratização com o objetivo de educar os ouvintes sobre a ATS e mostrar como práticas sustentáveis podem ser integradas na avaliação de tecnologias de saúde. Os recursos de áudio e som utilizados durante as transições têm efeitos sonoros leves para criar uma atmosfera envolvente e agradável. A abertura teve uma música instrumental suave e ambiental. Foi produzido uma identidade visual da logo do podcast, seguido de uma breve vinheta com o título do episódio. Será realizado a apresentação das professoras pelo locutor (): "Bem-vindos ao nosso podcast! Hoje, vamos falar sobre a democratização da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), com um enfoque sustentável. Para isso, temos a presença de três professoras que vão nos ajudar a entender melhor esse tema e discutir como ele pode impactar o futuro da saúde. Vamos começar!" Foram elaboradas com cinco eixos: 1) início com pergunta provocativa; 2) explicação simples e acessível sobre ATS; 2) integração com os objetivos do SUS e da sustentabilidade; 3) papel dos estudantes; 4) o futuro da ATS; e 5) conclusão. Com essa iniciativa, queremos que os alunos de hoje sejam os profissionais de amanhã que entendam não só a importância da tecnologia, mas também como aplicá-la de forma que respeite o meio ambiente e os princípios do SUS. É um equilíbrio que precisamos construir desde já. As perguntas elaboradas foram: Com tantas tecnologias sendo lançadas todos os dias, como podemos garantir que elas realmente melhorem o atendimento no SUS de maneira sustentável? Pergunta 1: O que é ATS e por que democratizar? (2-10 min) Som: Transição suave para o segmento. "Para quem ainda não está familiarizado, a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é o processo de analisar os benefícios, custos e impactos de novas tecnologias no campo da saúde. Mas por que é tão importante democratizar esse conhecimento entre os alunos de graduação?" Professor(a) 1: "A democratização da ATS significa tornar acessível o entendimento sobre como as tecnologias são avaliadas e aprovadas. Isso permite que os alunos, que são futuros profissionais, compreendam desde cedo como decisões sobre saúde e tecnologia são feitas, e como essas escolhas afetam a sociedade." Professor(a) 2: "Além disso, ao envolver mais alunos nesse processo, criamos uma comunidade acadêmica mais consciente e preparada para contribuir com práticas inovadoras e sustentáveis. A inclusão desse tema nas graduações promove maior diversidade de pensamentos e soluções." Pergunta 2: ATS e Sustentabilidade: Caminhos que se Cruzam (10-20 min) Som: Sons leves "Agora que entendemos a importância de democratizar a ATS, vamos explorar como isso se conecta com a sustentabilidade. Como a avaliação de tecnologias em saúde pode ser usada para promover práticas mais sustentáveis?" Professor(a) 1: "Exatamente. A ATS sustentável envolve pensar no ciclo de vida de uma tecnologia, desde sua fabricação até o descarte. Ao conscientizar os alunos sobre isso, estamos preparando uma geração que vai integrar saúde e sustentabilidade em suas práticas." Professor(a) 2: "Acho interessante que, ao discutir ATS nas aulas, também passamos a refletir mais sobre como podemos inovar com materiais recicláveis, energias renováveis e processos que minimizem os impactos negativos. É uma abordagem que nos prepara para o futuro." Pergunta 3: Iniciativa de Democratização da ATS nas Universidades (20-28 min) "Vocês poderiam explicar um pouco mais sobre a iniciativa de democratização da ATS nas universidades, e por que focar em práticas sustentáveis?" Professor(a) 1: "O objetivo dessa iniciativa é inserir a ATS no currículo de forma acessível, com workshops e aulas práticas onde os alunos podem simular processos de avaliação. Isso aproxima os estudantes das decisões que envolvem saúde pública e sustentabilidade." Professor(a) 2: "É uma proposta inovadora porque estamos integrando tecnologia, saúde e meio ambiente. Ao usar estudos de caso e dados reais, estimulamos o pensamento crítico nos alunos. A ideia é que eles saiam da universidade prontos para tomar decisões mais conscientes." Encerramento (28-30 min) Som: Música suave e otimista. "E assim encerramos o nosso episódio de hoje! Agradecemos aos nossos convidados e a você, ouvinte, por nos acompanhar nessa discussão sobre democratização da ATS e sustentabilidade. Até o próximo episódio!" <![CDATA[ID 127 - ESMO-MCBS e Conitec: o valor de medicamentos oncológicos para médicos corresponde ao valor percebido pelos gestores e pagadores no Sistema Único de Saúde?]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200127&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O conceito de "valor" de uma tecnologia em saúde pode ser ambíguo e é intrinsecamente dependente da perspectiva em questão. Todavia, é inquestionável que a dimensão do benefício clínico produzido quando comparado às alternativas disponíveis pode representar grande parte deste valor. Nesse sentido, a Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) desenvolveu a ESMO-MCBS (do inglês, ), uma ferramenta validada e reprodutível para padronizar a classificação do benefício clínico relativo de terapias oncológicas, considerando a eficácia e a segurança. Sem embargo, outros aspectos são igualmente relevantes sob a perspectiva da tomada de decisão sobre reembolso e incorporação como aqueles adotados pela Conitec como a custo-efetividade e o impacto orçamentário. Assim, este trabalho se propõe a discutir o papel e a relevância da ferramenta ESMO-MCBS na tomada de decisões em saúde sob a perspectiva do Sistema Único de Saúde, ao avaliar recomendações da Conitec sobre terapias oncológicas e as respectivas classificações recebidas na ferramenta. Método: Trata-se de uma análise documental, na qual foi selecionada uma amostra por conveniência de Relatórios de Recomendação submetidos para avaliação da Conitec, de 2022 a 2024, sobre terapias para tumores sólidos. Dos relatórios selecionados, foram extraídas informações sobre a demanda (tecnologia, indicação e comparador) e os principais resultados relacionados aos benefícios clínicos (eficácia e segurança) e econômicos (custo anual de tratamento, razão de custo efetividade incremental [RCEI] e impacto orçamentário [IO] acumulado em cinco anos). Paralelamente, foram realizadas buscas no site da ESMO-MCBS para identificar os escores pela ferramenta para cada tecnologia selecionada na amostra, considerando a mesma indicação e comparador. Para tecnologias no contexto não curativo a ferramenta classifica o benefício de 1 (pontuação mínima) a 5 (pontuação máxima), e quanto maior a nota, maior o benefício clínico produzido. Resultados: Foram avaliadas oito terapias oncológicas, das quais a maioria (n=6) recebeu recomendação final desfavorável para incorporação pela Conitec, sendo que para estas, as notas ESMO-MCBS foram 3 (n=1), 4 (n=4) e 5 (n=1). O nivolumabe para câncer de cabeça e pescoço foi o único com nota máxima (ESMO-MCBS 5/5) e teve o maior custo anual de tratamento (R$ 401.642). Duas tecnologias receberam recomendação final favorável: abiraterona para câncer de próstata e durvalumabe para câncer de pulmão avançado (nota ESMO-MCBS 2 e 4, respectivamente) sendo as únicas com RCEI dentro do limiar de custo-efetividade do SUS (R$ 36.759 e R$ 118.192 por QALY, respectivamente). Apesar de apresentar menor nota na ferramenta, a abiraterona para câncer de próstata teve a menor RCEI e custo anual (R$ 8.468) de tratamento entre as tecnologias avaliadas. Conclusão: Embora as abordagens da ESMO e Conitec convirjam na importância ao privilegiar tecnologias que produzam maiores benefícios clínicos à sociedade, os aspectos econômicos parecem exercer um peso maior nas decisões da Conitec, o que está alinhado com os preceitos de sustentabilidade do sistema. Diferentemente de outros estudos que sugeriram correlação entre a classificação e a direção da recomendação de outras agências (e.g. NICE), a nota da ESMO-MCBS parece não ser fator determinante para a decisão da Conitec. <![CDATA[ID 128 - Custo-Efetividade da Terapia Preemptiva versus Terapia Empírica para Manejo de Infecções Fúngicas Invasivas em Pacientes com Neutropenia Febril no Sistema Único de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200128&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As infecções fúngicas invasivas (IFI) são uma importante complicação em pacientes com neutropenia febril (NF). Com o uso de antifúngicos profiláticos, a aspergilose invasiva tornou-se uma das principais IFI neste cenário clínico. Há duas formas de manejo destes pacientes. Uma delas é a terapia empírica, em que se introduz antifúngicos nos pacientes com NF com duração maior ou igual a quatro dias em uso de antibióticos de amplo espectro. Outra estratégia é a preemptiva, na qual se utiliza de biomarcadores (dosagem de galactomanana (GMN) e o teste molecular da reação em cadeia da polimerase (PCR) para um diagnóstico precoce e dirigido e uso mais restrito de antifúngicos. Um dos pontos centrais acerca da estratégia preemptiva são os custos que esta abordagem pode acarretar. Os testes de GMN e PCR apresentam custos diretos mais elevados que os exames rotineiros nos laboratórios e necessitam ser realizados de forma seriada. Esta condição leva a uma dúvida sobre a viabilidade econômica da incorporação destas tecnologias. Por outro lado, a terapia preemptiva permite um uso mais restrito de antifúngicos, o que leva a uma redução significativa de gastos e evita a resistência destes antimicrobianos. Portanto, o objetivo foi comparar a custo-efetividade do manejo empírico vs o preemptivo para infecções fúngicas invasivas em pacientes com neutropenia febril, na perspectiva do sistema público de saúde brasileiro. Método: Foi utilizado um modelo analítico de árvore de decisão, com um horizonte temporal de um ano, que teve como população-alvo os pacientes com idade acima de 18 anos, com neoplasias hematológicas e neutropenia febril. Para a estratégia preemptiva, foi considerado o monitoramento combinado com dosagem sérica GMN e pesquisa de Aspergillus spp por PCR. Os dados de desfechos e parâmetros clínicos para cada uma das estratégias avaliadas foram obtidos de estudos prévios publicados para a construção do modelo analítico. A medida de efetividade foi ano de vida salva. Os custos foram coletados em reais, obtidos da tabela de custos do SUS (Sigtap) e da média ponderada das compras realizadas nos últimos 18 meses pelas instituições públicas do Brasil e não foram aplicados ajustes pela inflação. Uma análise de sensibilidade determinística de uma via e uma probabilística, pela simulação de Monte Carlo de segunda ordem, foi realizada para avaliar as variações do modelo. Resultados: O modelo analítico estimou uma sobrevida de 91,2% nos pacientes manejados de forma preemptiva comparados a 89,5% na empírica. A estratégia preemptiva (R$ 14.908,80) gerou um custo final por paciente menor que a empírica (R$ 15.417,10). A razão de custo-efetividade incremental (RCEI) foi -R$ 28.238,89/ano de vida salva. A análise de sensibilidade determinística mostrou que todas as variações encontravam-se abaixo da disposição a pagar. Na análise probabilística, 91,23% das 10 mil simulações ficaram abaixo da disposição a pagar. Conclusão: Um importante achado deste estudo foi o menor custo final na estratégia preemptiva, que permitiu uma economia estimada de R$ 508,30 por paciente. Um resultado semelhante foi encontrado por outros autores, como Barnes e colaboradores, que avaliaram a custo-efetividade na perspectiva do sistema de saúde pública do Reino Unido, e encontraram uma economia de £ 740,64. Este estudo demonstra que a estratégia preemptiva foi mais custo-efetiva que a empírica, o que permite sua incorporação no sistema de saúde pública do Brasil. <![CDATA[ID 129 - Recomendações de Tratamento Farmacológico do SUS em Relação ao Cenário Internacional: onde estamos?]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200129&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) são documentos normativos que estabelecem critérios para o cuidado de condições em saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Em contrapartida, Diretrizes Clínicas (DC) são elaboradas em caráter norteador para orientação de prática clínica em diferentes contextos de saúde. Em ambos os casos, esses documentos e a publicação deles visam à otimização do cuidado dos pacientes. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo comparar recomendações sobre tratamento farmacológico previstas em PCDT e DC internacionais. Método: A busca por PCDT foi realizada em sítios eletrônicos oficiais do governo federal em 3 de novembro de 2022, sendo incluídos aqueles documentos que possuíam lista formal de recomendação. A busca por DC referentes às condições clínicas abordadas nos PCDT incluídos foi realizada nos repositórios: National Institute for Health and Care Excellence, Scottish Intercollegiate Guidelines Network, Veterans Affairs and the Department of Defense e Ministerio de Salud del Chile. As recomendações sobre tratamento farmacológico de PCDT e DC foram extraídas e comparadas. Realizou-se análise descritiva dos resultados, com ênfase na conflitos e/ou diferenças entre as recomendações. Resultados: Os 101 PCDT incluídos forneciam 538 recomendações sobre tratamento farmacológico. Foram identificadas 83 DC com 501 recomendações para o manejo farmacológico de 36 (35,6%) das condições abordadas em PCDT. Não foram identificadas recomendações conflitantes entre os documentos. Porém, para 30 (83,3%) doenças haviam diferenças no tratamento priorizado: (1) para 21 condições (58,33%) haviam medicamentos recomendados apenas em PCDT; (2) para 28 (93,3%) condições haviam recomendações em DC não reproduzidas nos PCDT. As condições clínicas com maior número de recomendações ausentes em PCDT foram epilepsia (n=23) e asma (n=11) e aquelas com maior número de recomendações ausentes em DC foram dislipidemia (n=6) e lúpus eritematoso sistêmico (n=5). Conclusão: Apesar da ausência de conflitos entre recomendações sobre tratamento farmacológico previstas em PCDT e DC, foram observadas diferenças nestes documentos em relação à priorização de medicamentos para o tratamento da maioria das condições clínicas avaliadas. A quantidade de condições para as quais não constavam em PCDT os medicamentos recomendados em cenário internacional pode ser explicada pelo processo de atualização de PCDT, ou por questões que envolvem a disponibilização do medicamento no SUS - registro sanitário e etapas para avaliação de incorporação. Deve-se considerar que, devido a mudanças históricas na concepção, regulamentação e elaboração de PCDT, a lista formal de recomendações de fármacos pode não refletir a totalidade de tecnologias disponíveis no SUS, contribuindo para o aumento do número de condições com diferenças nas linhas de cuidado. Compreendendo PCDT como políticas públicas, espera-se que sejam específicos ao contexto. Nesse sentido, a ausência de recomendações semelhantes de PCDT em DC pode indicar necessidades nacionais diante das características de organização e/ou medicamentos disponibilizados no SUS. <![CDATA[ID 130 - Lei n.º 14.313/2022: uma alternativa regulamentar para integralidade do cuidado à população pediátrica no SUS?]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200130&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Lei n.º 14.313, de 21 de março de 2022, regulamentou a dispensação, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), de medicamentos com indicação de uso distinta da aprovada em bula, sem necessidade de autorização de uso concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quando houver recomendação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Apesar de a dispensação desses medicamentos ter sido recentemente regulamentada, não é conhecida a situação de recomendação em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) – documentos normativos que estabelecem critérios de cuidado no âmbito do SUS. Assim, o objetivo do estudo foi identificar recomendações farmacológicas previstas em caráter em PCDT em relação à faixa etária, com ênfase na população pediátrica. Método: Foi realizada busca por PCDT nos sites oficiais do governo federal, sendo incluídos documentos com portarias publicadas até 3 de novembro de 2022 e que possuíssem lista formal de recomendação de medicamentos. Foram extraídas informações do PCDT, identificação dos medicamentos e das apresentações recomendados e faixa etária de indicação de uso. Para todas as especialidades farmacêuticas recomendadas, foi verificada a situação regulatória por meio da Plataforma Consultas Anvisa, com identificação da bula. Houve comparação da indicação de uso recomendada em PCDT e a prevista em bula. Foi definida como população pediátrica indivíduos com idade menor que 18 anos. Foi classificada como recomendação aquela cuja população indicada em PCDT não estava coberta pela faixa etária preconizada em bula. Resultados: Foram identificados 101 PCDT, contendo 1.020 especialidades farmacêuticas, das quais 428 (47,96%) foram recomendadas em caráter . A maioria das especialidades (n=278; 94,95%) estava registrada apenas para utilização na população adulta acima de 18 anos. Para o restante (n=150; 35,05%), a bula indicava a população adulta e pediátrica, porém restringia idade mínima para utilização do medicamento entre 6 meses e 16 anos. Conclusão: Aproximadamente metade das especialidades farmacêuticas previstas em PCDT era recomendada em caráter em relação à faixa etária indicada para utilização. O desafio no atendimento integral às necessidades da população pediátrica, observado na prática clínica, é refletido no número de especialidades farmacêuticas com restrição de idade em bula – fenômeno explicado pelas dificuldades na operacionalização de estudos que comprovem segurança e eficácia de medicamentos para essa população, demandando mais recursos e expertise. Observa-se uma reação em cadeia que parte da falta de estudos clínicos, percorre a ausência de registro sanitário de medicamentos e, por fim, é constatada no sistema de saúde na forma de lacunas assistenciais. A opção pela redução de restrições mais rigorosas em PCDT, o que inclui a faixa etária, pode ser uma tentativa de diminuir as dificuldades de acesso a medicamentos. Nesse sentido, alterações promovidas pela Lei n.º 14.313/2022 foram importantes para viabilizar a disponibilização de medicamentos para populações usualmente desassistidas, como a população pediátrica. <![CDATA[ID 132 - Custo-Utilidade do Mepolizumabe em Crianças e Adolescentes com Asma Eosinofílica Grave Refratária no Sistema Único de Saúde (SUS)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200132&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A asma é a doença crônica mais comum entre crianças e impacta todas as faixas etárias. No Brasil, o SUS reembolsa o uso de mepolizumabe como tratamento adicional para adultos com asma eosinofílica grave. Este estudo visa avaliar o custo-efetividade da ampliação do reembolso para pacientes a partir de 6 anos. Método: O estudo definiu como população os pacientes a partir de 6 anos de idade que são refratários ao tratamento com corticosteroide inalatório (CI) combinado com beta-agonistas de longa duração (LABA). Usando um modelo de Markov com ciclos mensais, analisamos as transições entre os estados de saúde sem exacerbação, com exacerbação (incluindo uso de corticoesteroides orais, admissão na emergência e hospitalização) e morte. Custos médicos diretos foram estimados com base nas fontes oficiais do SUS (BPS e Sigtap) e o principal desfecho em saúde foi o QALY. Foram realizadas análises de sensibilidade determinísticas e probabilísticas com o Microsoft Excel®. Resultados: No caso base, considerando o preço atual do mepolizumabe reembolsado pelo Ministério da Saúde (R$ 4.756,28 por frasco de 100 mg), a razão incremental de custo-efetividade (RCEI) foi de R$ 671.899,62/QALY, excedendo o limiar de R$ 40.0000,00 a R$ 120.000,00 proposto pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec). Com o preço médio de compras públicas locais (R$ 2.060,05), a RCEI foi de R$ 476.735,74/QALY. Considerando um desconto anterior proposto pelo fabricante (R$ 1.927,81) e fracionamento de doses para crianças até 12 anos, o ICER foi estimado em R$ 249.400,93/QALY. Conclusão: Os resultados indicam que, a preços de reembolso atuais, o uso de mepolizumabe em crianças e adolescentes não é custo-efetivo. Cenários alternativos com descontos nos preços e fracionamento de doses podem alterar essas conclusões. Comparando com outros estudos, os achados destacam a necessidade de negociações de preço para aprimorar o acesso ao tratamento. <![CDATA[ID 133 - Perfil de Eventos Adversos dos Medicamentos Utilizados no Tratamento das Leishmanioses no Brasil (2018-2023)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200133&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A leishmaniose é uma doença zoonótica que pode causar diversas síndromes clínicas em humanos, comprometendo a pele, as membranas mucosas e as vísceras. O tratamento deve ser específico para cada forma clínica, levando em consideração as características individuais do paciente e o perfil de segurança dos medicamentos, a fim de reduzir a mortalidade associada à doença. O objetivo foi avaliar o perfil de eventos adversos (EA) dos medicamentos disponíveis e utilizados no Brasil. Método: Foram coletados dados abertos de notificação da plataforma de farmacovigilância VigiMed da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do período de 2018 a 2023, sobre a suspeita de EA a medicamentos recomendados no do Ministério da Saúde (MS) do Brasil (2024). As variáveis consideradas foram sexo, faixa etária, unidade federativa de notificação, tipo de notificador e os cinco principais EA associados a cada medicamento. Foi feita uma filtragem para identificar padrões de notificação. Resultados: O protocolo de tratamento para leishmaniose visceral (LV) recomenda o antimoniato de meglumina (AM) e a anfotericina B lipossomal (L-AMB). Para leishmaniose tegumentar (LT), além desses dois, inclui o isetionato de pentamidina (IP), para a forma cutânea, e a miltefosina, para casos de coinfecção com HIV com falha terapêutica. Dados do VigiMed mostraram um total de 698 notificações de suspeita de EA: 217 para AM, 8 para IP e 473 para anfotericinas (319 para anfotericina B, 24 para complexo lipídico, 129 para L-AMB e 1 para desoxicolato). Não houve notificação para a miltefosina. Os registros foram principalmente da Região Sudeste, com Minas Gerais respondendo por 84,79% (184/217) das notificações de AM e 34% (44/129) de L-AMB. A maioria das notificações envolveu o sexo masculino, com idade entre 18 e 65 anos, e foi realizada por farmacêuticos, com um aumento notável no número de registros a partir de 2020. Conclusão: Em 2022, foram publicadas as "Diretrizes para o Tratamento da Leishmaniose nas Américas" pela Organização Pan-Americana da Saúde, recomendando o uso prioritário da L-AMB para imunocompetentes e imunocomprometidos devido ao seu melhor perfil de segurança e adesão. No Brasil, entretanto, o AM continua sendo a primeira escolha de tratamento, sendo possível a administração ambulatorial, apesar do volume de notificações de suspeitas de EAs. A L-AMB é usada exclusivamente em ambiente hospitalar devido à necessidade de monitoramento rigoroso da toxicidade, porém ainda está restrita a determinadas populações. O perfil de distribuição de casos por sexo e faixa etária é semelhante ao relatado pela área técnica do MS, acometendo a população adulta economicamente ativa, majoritariamente do sexo masculino e crianças menores que 10 anos. Ao contrário do esperado, a distribuição geográfica dos casos não revela concentração nas Regiões Norte e Nordeste, o que sugere subnotificação e/ou preenchimento incorreto das notificações. Embora a análise de dados secundários tenha limitações, conclui-se que há necessidade de explorar novas opções terapêuticas para LV e LT, considerando a diversidade geográfica e as necessidades da população, além de reforçar a sensibilização dos profissionais de saúde para melhorar a vigilância e manejo das leishmanioses. <![CDATA[ID 134 - Estudo de Custo da Doença da Histoplasmose Disseminada em Pessoas Vivendo com HIV/Aids]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200134&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A histoplasmose é uma micose sistêmica causada por fungos dimórficos da espécie . A histoplasmose disseminada é uma das principais infecções que ajuda a definir a aids e uma das principais causas de morte de indivíduos com HIV, no Brasil e nas Américas. Por não ser uma doença de notificação compulsória, é considerada negligenciada nos países endêmicos, inclusive no Brasil. A semelhança clínica com outras infecções oportunistas, a variação da sintomatologia e diferentes respostas à terapia, em indivíduos imunocomprometidos infectados por, tornam o diagnóstico correto e precoce fundamental, viabilizando o tratamento específico que tem como intuito reduzir o risco de complicações e diminuir a elevada letalidade associada à doença disseminada. Até o momento não foram realizadas avaliações econômicas para a detecção do antígeno de histoplasma no Brasil, como integrante do fluxo de diagnóstico preconizado. O presente estudo tem o objetivo de relacionar os custos gastos com a doença para subsidiar a tomada de decisão para a incorporação dos testes de detecção do antígeno de a fim de diagnosticar a infecção por histoplasmose na rede de saúde do SUS em pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA). Método: O estudo de custos da histoplasmose disseminada foi realizado nas perspectivas do SUS e da sociedade; para isso, foi organizada uma coorte baseada em dados epidemiológicos de casos notificados de HIV e de histoplasmose no Brasil no ano de 2021. Foram estimados os custos diretos médicos relacionados ao diagnóstico atualmente disponível no SUS: cultura de células, exame direto e teste de imunodifusão, aos medicamentos preconizados no protocolo clínico (anfotericina B e itraconazol), à assistência e ao tratamento ambulatorial e hospitalar dos casos de histoplasmose disseminada, além dos casos de reinfecção/reativação; e os custos indiretos, relacionados à perda de produtividade por mortalidade precoce e por morbidade analisados pelo método do capital humano. Foram realizadas análises de sensibilidade bivariada determinística variando o número de pacientes na coorte, o preço dos medicamentos e os exames praticados no Brasil, além da frequência de consultas e exames, conforme protocolo clínico. Resultados: O custo total da histoplasmose no Brasil no ano de 2021 foi de R$ 144.073.776,03 (82.036.345,98 – 672.725.717,89) e a maioria foi relacionada aos custos indiretos devido à mortalidade precoce e perda de produtividade por morbidade (58,54%), seguido dos custos com medicamentos e tratamento hospitalar dos casos novos (28,84%) e do tratamento hospitalar em casos de reinfecção/reativação (5,59%), custo dos procedimentos com finalidade diagnóstica (3,67%), e por fim, o custo do tratamento ambulatorial para profilaxia secundária e exames de monitoramento (3,37%). Conclusão: Ponderando que estudos econômicos não são, geralmente, generalizáveis e não é adequado extrapolar avaliações econômicas de outros países, esse estudo é necessário, por ser uma avaliação específica para a realidade brasileira, abordando as peculiaridades do SUS, do comportamento da doença entre os brasileiros e dos custos de diagnóstico, tratamento e cuidado aos pacientes no País. A análise proposta poderá subsidiar o processo de decisão para ampliar o acesso diagnóstico aos casos suspeitos de histoplasmose disseminada, necessário para propiciar o tratamento adequado e promover a assistência à saúde de qualidade às PVHA no Brasil, além de reduzir os óbitos relacionados à doença. <![CDATA[ID 135 - Implementação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde: o caso da biotina para o tratamento da deficiência de biotinidase]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200135&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A biotina é uma vitamina do complexo B, obtida por meio da dieta, que serve como coenzima, essencial em processos como gliconeogênese, síntese de ácidos graxos e catabolismo de aminoácidos. A administração oral em sua forma livre é importante no tratamento da deficiência de biotinidase (DB), um distúrbio metabólico raro resultante de erros no metabolismo da biotina. Para que o acesso a um medicamento se concretize em um sistema de saúde, é necessário que etapas de incorporação e implementação de tecnologias sejam cumpridas. O objetivo deste estudo foi analisar o processo de incorporação e de implementação da biotina no Sistema Único de Saúde (SUS). Método: Foi realizada análise temporal dos eventos relacionados à incorporação e à implementação da biotina para o tratamento da DB em bases de dados oficiais, entre 2012 e 2019. Resultados: Frente às necessidades envolvendo doenças raras, a Secretaria de Atenção à Saúde demandou a incorporação de biotina para o tratamento da DB em 2012, resultando na produção do Relatório de Recomendação (RR) n.º 06, com recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec). A incorporação do medicamento ocorreu pela Portaria n.º 34, de 27 de setembro de 2012, com prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta no SUS. Entretanto, somente em 2016 foi realizado o registro de biotina isolada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (AnvisaA), na forma farmacêutica cápsula de 2,5 mg, pela Aché Laboratórios Farmacêuticos, sob o nome comercial Untral®. Em agosto de 2018, foi pactuado na Comissão Intergestores Tripartite a inclusão da biotina no elenco do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), três meses após a publicação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de DB. A primeira aquisição pelo Ministério da Saúde aconteceu entre julho e novembro de 2019, mesmo período em que houve a atualização do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (Sigtap). A primeira dispensação de biotina aconteceu somente em 2020, no Paraná e em São Paulo. Conclusão: O RR apoia a decisão de incorporação e a elaboração do PCDT, além de ser utilizado para subsidiar as etapas de implementação e nortear como o medicamento será dispensado ao paciente. A implementação da biotina ocorreu em agosto de 2018, seis anos após a sua incorporação. Estudos complementares são necessários para melhor compreensão do contexto, barreiras e facilitadores envolvidos na implementação desta tecnologia no SUS. Contudo, os resultados sugerem que há uma discrepância entre a política como intenção (o que consta na legislação) e a política como prática (o que realmente é concretizado) no SUS. Nesse sentido, infere-se a necessidade de maior controle e monitoramento desses processos no âmbito do Poder Executivo. O alinhamento e a celeridade nas etapas de incorporação e implementação de tecnologias no SUS é essencial para promoção do acesso aos medicamentos em tempo oportuno pela população. <![CDATA[ID 136 - Efficacy and Safety of Biologics Approved in Brazil for Moderate-Severe Crohn's Disease: a systematic review with network meta-analysis]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200136&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Although immunosuppressants, aminosalicylates, and corticosteroids are initially prescribed to manage Crohn's disease (a chronic inflammatory bowel disorder) 45% of patients develop resistance to these first-line therapies, requiring second-line biologics1. The Brazilian Unified Health System (SUS) offers some biologics for patients’ remission induction: infliximab [5 mg/kg weekly intravenous (IV)], adalimumab [160 mg initially, 80 mg after one week, and 40 mg every two weeks subcutaneous (SC)], certolizumab pegol (400 mg weekly SC), vedolizumab (300 mg IV), and ustekinumab (6 mg/kg IV)2. We aimed to synthesize the evidence on the clinical effects of biological drugs approved in Brazil for remission induction in moderate-severe Crohn's disease in adults, regardless of primary indication. Método: A systematic review of randomized controlled trials was performed according to Cochrane Collaboration recommendations, with searches in PubMed, Scopus, Web of Science (February-2024). Data from the last week of follow-up for each outcome of interest [remission, serious adverse events (SAE)], were pooled and analyzed using network meta-analysis with surface under the cumulative rating curve analysis (SUCRA). Results were reported as risk ratios with 95% credibility intervals (R/RStudio). Resultados: Thirty trials (n=10,105) (1997-2022) assessing 12 biologics across 43 different regimens were included. Infliximab had the highest probability of inducing remission (SUCRA 96%). The remaining SUS-provided biologics for this disease presented low-to-intermediate efficacy (remission probabilities varying from 38-70%). Conversely, newer biologics as natalizumab [6mg/kg IV two infusions] and gulselkumab [200, 600 or 1200mg] had higher remission rates (SUCRA 75-84%). The adalimumab regimen of 160mg initially, 80mg after one week, and 60mg every two weeks outperformed the regimen of 40mg every two weeks (remission probabilities of 92% vs. 72%). Certolizumab was more prone to cause SAE (71%), followed by adalimumab (63%), vedolizumab (62%), natalizumab (60%), ustekinumab (56%). Guselkumab 1200mg was the safest alternative (SAE probability of 18%), with 200mg and 600mg doses also showing lower event rates (&lt;50%). Conclusão: Natalizumab and guselkumab appear to be promising alternatives (favorable clinical risk-benefit ratio) for treating moderate-severe Crohn's disease. Currently, there are no specific recommendations from the Brazilian Clinical Protocol and Therapeutic Guidelines2 or reports from CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) for using these biologics in remission induction. International guidelines already endorse natalizumab for both induction and maintenance of remission in moderate-severe cases3. Guselkumab, primarily approved for psoriasis in several countries, is under appraisal by international health technology agencies as the National Institute for Health and Care Excellence (NICE) for Crohn's disease, based on 48-week results from the Phase 3 GALAXI (NCT03466411) and GRAVITI (NCT05197049) trials4. Further assessments including drugs’ access and costs should be performed to ensure that these technologies provide added value for the Brazilian health system. <![CDATA[ID 137 - Aprimoramento da Avaliação de Tecnologias em Saúde: impactos da atuação da Subcomissão Técnica de Produtos e Procedimentos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200137&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Subcomissão Técnica de Avaliação de Produtos e Procedimentos estabeleceu-se com a normatização do processo administrativo de incorporação de tecnologias em saúde pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), por meio da Portaria GM/MS n.º 4.228, de 6 de dezembro de 2022, a qual altera a Portaria n.º 1, de 28 de setembro de 2017. A abordagem prévia dos assuntos pertinentes a produtos e procedimentos que são discutidos pelo Comitê de Produtos e Procedimentos visa mitigar dúvidas e ressalvas referentes às tecnologias em saúde que poderão impactar no seu processo de recomendação/deliberação, favorecendo a celeridade do trâmite. As avaliações pela Subcomissão ocorrem no fluxo de submissão de incorporação, em especial: na Análise de Conformidade das demandas, na Elaboração do Relatório técnico preliminar e nos retornos após consulta pública para alterações adicionais. Segundo o Painel de acompanhamento do site atual da Conitec, "Conitec em números", no universo das demandas submetidas, 25,9% são tecnologias em saúde tipificadas como produtos e procedimentos entre 2012 e 2024. O objetivo deste estudo será demonstrar a contribuição das atividades da Subcomissão de Produtos e Procedimentos no aprimoramento das avaliações de demandas de referência submetidas à Conitec a partir de maio de 2023, quando as reuniões da referida subcomissão começaram a ocorrer. Método: Foi realizada uma pesquisa documental no site atual da Conitec para extrair dados das demandas submetidas à Comissão. Os dados de interesse foram: "Tipo de Tecnologia", "Tema da Saúde ", "Nome da Tecnologia", "Indicação" e "Status". Foram apresentados os dados por meio de frequências e discutidas as principais contribuições das atividades da Subcomissão de Produtos e Procedimentos a partir de maio de 2023. Resultados: Foram avaliados 3 produtos e 14 procedimentos com o início das atividades da Subcomissão de Produtos e Procedimentos. Os temas em saúde analisados nestas demandas demonstram a amplitude de abrangência, a saber: obstetrícia (5,9%), cardiologia (5,9%), neurologia (17,6%), endocrinologia (5,9%), cardiovascular (5,9%), reumatologia (5,9%), oncologia (35%), hematologia (5,9%), gastroenterologia (5,9%) e infectologia (5,9%). O destaque para as tecnologias oncológicas, com maior frequência, é demonstrado na avaliação da demanda de tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET-CT) para o tratamento de pacientes com câncer de pulmão de células pequenas, na qual as atividades da Subcomissão contribuíram, de forma ímpar, no levantamento da capacidade instalada. Conclusão: As demandas de produtos e procedimentos representam uma parcela significativa das avaliações da Conitec. Nesse contexto, o estabelecimento e a condução das atividades pela Subcomissão de Produtos e Procedimentos implicou nas melhorias concretas ao processo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e na tomada de decisão para os temas de referência, uma vez que: promove articulação interna e externa; antecipa questões de implementação; resolve lacunas de informação sobre a população elegível à demanda; verifica a capacidade assistida e de infraestrutura do SUS; amplia a celeridade nos relatórios e tramitações; e, aprimora dados econômicos e análises de custos. <![CDATA[ID 139 - Influência da Variação da Taxa de Desconto em Avaliações Econômicas em Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200139&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A taxa de desconto (TD) é um elemento crucial nas avaliações econômicas (AE), pois permite ajustar custos e benefícios futuros ao seu valor presente, refletindo a preferência temporal dos recursos. Embora a TD possa ser percebida como uma abordagem meramente técnica, apresenta variações (1,5% a 10% ao ano), a depender do país. O valor adotado por cada país tende a refletir o ajuste do valor futuro para o presente, sendo que em países com elevadas taxas de inflação, a TD tende a ser de ≥5%. Sabe-se que a ampliação da TD é mais recomendada para AE com horizontes temporais (HT) longos, sem uma delimitação temporal. Devido às incertezas relacionados ao valor a ser adotado e quando aplicar a TD, este trabalho visa compreender a influência da TD em AE conduzidas para o SUS. Método: Foi conduzida uma análise retrospectiva com base em 41 modelos econômicos realizados pelos autores em 2023 e 2024, variando a TD entre 0% e 10% e avaliando a influência na razão custo-efetividade incremental (RCEI) (Análise 1). Ainda, foram analisados 87 relatórios publicados em 2023 e 2024 no site da Conitec, para identificar a aplicação da TD (análise 2). Resultados: Na análise 1, 33 (80,5%) AEs avaliadas eram de tecnologias com indicações oncológicas. O HT mediano foi de 20 anos (intervalo interquartil [IIQ]: 10-30). Ao testar a TD de 0%, 3% e 10%, o valor de RCEI para AV ganho variou de -56% a 3%, -26% a 1% e -2% a 87%, respectivamente. Já para QALY ganho, o RCEI variou entre -51% e 70%, -23% e 26% e -56% e 72%, respectivamente. Duas tecnologias avaliadas tiveram mudança em relação ao limiar estabelecido pela Conitec, estando abaixo deste para AV ganho (TD 5% de R$ 50.712 para TD 0% de R$ 34.170) e QALY ganho (TD 5% de 43.191 para TD 10% de R$ 31.432). Uma tecnologia mudou a classificação quando considerado três vezes o limiar estabelecido para QALY ganho (TD 5% de R$ 112.273 para TD 10% de R$ 133.330). Na análise 2, 54 (62,1%) relatórios aplicaram a TD, sendo que 53 usaram conforme recomendação da diretriz (5%). Destes, 30 não deixaram claro se testaram este parâmetro na análise de sensibilidade, enquanto os demais testaram as seguintes TD: 0% e 10% (n=12), 3% e 6% (n=1), 4% e 6% (n=3), 4,5% e 5,5% (n=3), 3,5% (n=1) e 0% (n=3). Dos 14 relatórios que foi possível extrair os dados dessa análise de sensibilidade, nenhum resultado mudou a classificação com relação ao limiar. Conclusão: A análise de sensibilidade da TD é uma etapa essencial em AE, mesmo quando os resultados iniciais não indicam mudanças significativas com diferentes TD. Isso se justifica pelas fragilidades e incertezas inerentes aos modelos econômicos e pela importância de garantir que as conclusões sejam robustas frente a variações em parâmetros críticos. Neste estudo, a aplicação de diferentes TD revelou flutuações importantes no valor da RCEI, sendo que a TD de 10% gerou maiores variações, especialmente em análises de longo HT. Apesar da baixa frequência com que as conclusões de custo-efetividade foram alteradas nesta análise, conclui-se que a avaliação da influência da TD permanece sendo importante para subsidiar a tomada de decisão. É importante considerar que a maioria das análises eram do escopo da oncologia, em que, em geral, os HT são longos e os custos e benefícios são diluídos neste período. Esta análise não contemplou tecnologias cujo impacto econômico e clínico seja imediato, ainda que em HT longos, em que a redução da TD pode ser ainda mais influente nos resultados. <![CDATA[ID 140 - Tomografia Computadorizada por Emissão de Pósitrons (PET-CT) para Estadiamento de Pacientes com Câncer de Esôfago: análises de custo-efetividade e de impacto orçamentário]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200140&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O câncer de esôfago, uma das principais causas de morte mundial, inclui o carcinoma de células escamosas e o adenocarcinoma. O estadiamento do câncer de esôfago é uma etapa crítica no planejamento do tratamento e na previsão do prognóstico dos pacientes, podendo ser realizada por exames de imagem como tomografia computadorizada (TC) e PET-CT (tomografia por emissão de pósitrons associada à tomografia computadorizada). No entanto, atualmente o Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe apenas da TC para o estadiamento e, para alguns casos, o resultado da TC é inconclusivo. Dessa forma, esta análise avalia a custo-efetividade e o impacto orçamentário da PET-CT em relação à TC para detecção de metástase à distância em pacientes com câncer de esôfago sem tratamento prévio. Método: Foi conduzida uma avaliação econômica para estimar a razão de custo-efetividade incremental (RCEI) da PET-CT em relação à TC de tórax e/ou abdômen. Para análise de custo-efetividade utilizou-se um modelo híbrido, combinando uma árvore de decisão a um modelo de Markov, em que os desfechos avaliados foram QALY ganho e resultado verdadeiro ganho (verdadeiro positivo [VP]+ verdadeiro negativo [VN]), incluindo custo diretos médicos num horizonte temporal de 20 anos, sendo aplicada uma taxa de desconto de 5% para custos e desfechos. Além disso, foi realizada uma avaliação de impacto orçamentário (AIO), considerando diferentes cenários de adoção da PET-CT no horizonte temporal de cinco anos, e incluindo somente custos diretos das tecnologias comparadas. Resultados: A análise de custo-efetividade da PET-CT mostrou maior benefício clínico em termos de QALY ganho e resultado verdadeiro ganho comparado à TC. A RCEI foi de R$ 5.973 e R$ 11.280, respectivamente, estando o valor de RCEI por QALY ganho dentro do limiar estabelecido pela Conitec (R$ 40.000/QALY ganho). As análises probabilísticas confirmaram esse resultado, enquanto a análise determinística indicou que a sensibilidade e a especificidade do teste foram os parâmetros que mais impactaram na RCEI, sem, no entanto, exceder o limiar de disposição a pagar. Quanto ao impacto orçamentário, foi identificada uma população elegível variando de 17.725 a 18.112 por meio de abordagem epidemiológica, que para um market share com PET-CT variando de 20% a 100% entre o primeiro e o quinto ano, geraria um incremento de custo acumulado em cinco anos de R$ 113,7 milhões, enquanto em um cenário de 100% de incorporação já no primeiro ano, o impacto acumulado em cinco anos seria de R$ 188,8 milhões. Conclusão: Considerando o limiar de custo-efetividade recomendado pela Conitec, a PET-CT foi considerada custo-efetiva em termos de QALY ganho. Contudo, na análise de impacto orçamentário, considerando somente o custo de aquisição da tecnologia, observou-se que a incorporação de PET-CT para pacientes com resultados negativos para TC no SUS pode gerar um incremento de custo em cinco anos da análise. É importante considerar, porém, que esse incremento de custo considera apenas o impacto da adição da PET-CT ao estadiamento, mas para além da identificação dos casos inconclusivos, pode ter impacto significativo na conduta clínica, influenciando as decisões terapêuticas e alterando a intenção de tratamento, contribuindo assim para a redução de intervenções cirúrgicas desnecessárias. <![CDATA[ID 141 - Ferramenta para Subsidiar os Gestores na Decretação de Obsolescência de Dispositivos Médicos: aplicação a equipamentos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200141&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Muitos gestores têm dificuldades em decretar obsolescência de dispositivos médicos, principalmente quando se trata de equipamentos médicos (EM). Ao longo dos últimos anos, o Nats-Fatec/So recebeu solicitações dos setores de Engenharia Clínica (EC) de hospitais parceiros para justificar a retirada de equipamentos do seu parque tecnológico. Buscou-se, então, evoluir um modelo de avaliação de equipamentos na fase de grande utilização, adaptando-o para gerar pareceres quanto à fase de obsolescência. Gerar um aplicativo baseado em planilhas de dados vinculadas e habilitado a dar recomendações quanto à destinação dos EM em análise é o objetivo deste trabalho. Método: Seguiu-se uma metodologia de projetos, a partir da definição de indicadores de desempenho temporal, de qualidade e de custos, estabelecendo-se faixas para cada um deles. A seguir, foram estruturadas as telas de interface, com inserção de dados. As telas foram vinculadas, utilizando-se o MicroSoft Office Visual Basic for Applications. Foram adotadas estratégias de programação para gerar pareceres parciais e uma recomendação final. Resultados: Entre os indicadores da obsolescência técnico-funcional, destacam-se a idade do equipamento, o Tempo Médio Entre Falhas, o Tempo Médio para Reparo; o registro de Eventos Adversos/Alertas Sanitários e o Número de Ordens de Serviços do Equipamento. Na obsolescência contábil compara-se o custo das manutenções com o valor atual do equipamento e com o valor de um equipamento novo, estabelecendo faixas consideradas aceitáveis pelo usuário. Quanto à obsolescência tecnológica, avalia-se a complexidade do EM, verifica-se se há equipamento similar no mercado assim como a segurança, a eficácia e se o EM é utilizado pelos operadores. Conclusão: Considerando os indicadores definidos para cada dimensão da obsolescência, pode-se adotar pesos diferentes para aqueles indicadores considerados mais críticos de acordo com a filosofia da instituição. O usuário dispõe de relatórios parciais para cada tela com instruções para acompanhar as faixas predefinidas dos indicadores (que poderão ser mudadas de acordo com a realidade local) e comentários sobre o desempenho de cada um. Avaliando-se, então, as três dimensões de obsolescência, com pesos definidos, é gerado um relatório com a recomendação final de descarte imediato, a médio ou a longo prazos. Ao longo do seu desenvolvimento, o aplicativo foi avaliado pelos Setores de EC de dois grandes hospitais (São Paulo e Sorocaba) para gerar recomendações finais para decretação de obsolescência. Com as planilhas vinculadas, foi testado com a inserção de dados reais de EM, conduzindo a resultados coerentes. Existem aplicativos similares no mercado, inclusive com todas as etapas de gerenciamento do parque tecnológico. O aplicativo apresentado é exclusivo para a decretação de obsolescência, portanto, mais simples, e se baseia na utilização do aplicativo Microsoft Excel, de uso difundido. Naturalmente, admite melhorias principalmente quanto à segurança dos dados. Ainda assim, pode ser uma ferramenta de auxílio aos hospitais de pequeno e médio porte na gestão de seu parque tecnológico, dado que considera critérios técnicos, de segurança e de desempenho, o que pode permitir uma gestão mais estratégica e assertiva. Finalmente, há um grande aprendizado ao se fazer uma gestão contínua dos EM, pois isso pode influenciar os processos de compra de novos equipamentos, assim como sinalizar a necessidade da incorporação de novas tecnologias aos serviços de saúde. <![CDATA[ID 142 - Uso do DataSUS na Avaliação da Implementação do PCDT de Transtorno Bipolar]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200142&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta uma série de desafios complexos que afetam a qualidade e o alcance dos serviços de saúde. Consequentemente, discrepâncias na implementação de procedimentos recomendados em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) prejudicam o tratamento de diversas doenças, como o transtorno afetivo bipolar (TAB). Este estudo teve como objetivo analisar, a partir de dados secundários, alterações no padrão de consumo de medicamentos do PCDT de TAB no período de março de 2016 a dezembro de 2023 no Brasil. Método: Os dados sobre a dispensação ambulatorial de antipsicóticos atípicos (quetiapina, olanzapina, risperidona, clozapina) e lamotrigina foram baixados do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS), disponíveis no site do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS). As variáveis de interesse foram extraídas utilizando o programa TabWin e manipuladas para realização das análises descritivas. Indicadores de dose diária definida (DDD) foram calculados e uma análise de tendência do número de dispensações foi realizada usando a regressão Prais-Winsten (p&lt;0,05). Resultados: Entre março/2016 e dezembro/2023, foram identificadas 4.290.165 dispensações de medicamentos para o tratamento de TAB no Brasil, especialmente nas Regiões Sudeste (43,67%) e Sul (30,42%). Todos os medicamentos apresentaram uma tendência crescente no número de dispensações e um aumento da DDD/100 mil habitantes/dia, especialmente em relação à quetiapina 200 mg (TIMM: 10,72%; IC 95%: 3,25-18,73; p=0,005) e olanzapina 5 mg (TIMM: 9,80%; IC 95%: 2,98-17,06; p=0,005). Entre 2016-2022, a DDD/100 mil habitantes/dia de quetiapina e olanzapina variou de 0,28 a 12,08 e 0,18 a 7,23, respectivamente. Em relação à idade, o número de dispensações de medicamentos para o tratamento de TAB em pacientes &lt;18 anos foi crescente (974-37.715; p&lt;0,05). Também foram identificadas dispensações de olanzapina e clozapina para pacientes pediátricos. Conclusão: A utilização de dados do SIA-SUS pode ser uma ferramenta valiosa na avaliação da implementação de PCDT no Brasil. A análise das séries temporais demonstrou a crescente tendência no consumo de antipsicóticos atípicos e lamotrigina para TAB, podendo refletir um aumento no acesso a medicamentos, mas também o aumento de diagnósticos de TAB, especialmente entre crianças e adolescentes. As dispensações de olanzapina e clozapina, medicamentos contraindicados para pacientes pediátricos, observadas em pacientes &lt;18 anos, representam um alerta sobre como a idade dos pacientes está sendo considerada e controlada na dispensação de medicamentos pelas Farmácias Estaduais, uma vez que as restrições descritas no PCDT não foram refletidas na Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (Sigtap). Também foi observada uma grande discrepância no acesso da população a tratamentos entre as Regiões Sudeste e Sul, que concentraram 74,1% das dispensações, com as demais regiões, especialmente a Região Norte. Esse contexto sublinha a importância da adaptação de políticas de saúde pública no suprimento de particularidades regionais. O sucesso da implementação de PCDT no Brasil depende não apenas da disponibilidade de medicamentos, mas também da superação de desafios logísticos locais e da construção de uma rede de serviços que garanta o acesso equitativo a todos os brasileiros, independentemente de sua localização geográfica. <![CDATA[ID 143 - Identificação de Boas Práticas na Decretação de Obsolescência de Dispositivos Médicos: ênfase em equipamentos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200143&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A necessidade de retirada e substituição de equipamentos médicos (EM) do parque tecnológico de instituições de saúde tem sido apontada pelos setores técnicos pelo acompanhamento do ciclo de vida dos EM, geralmente com o uso de indicadores de desempenho. A ausência de metodologias que definam quais indicadores apontam a etapa de obsolescência de uma tecnologia dificulta a identificação desta última fase do seu ciclo de vida, de modo a não só gerar gastos excessivos com manutenção e substituição de componentes, mas também comprometer a qualidade do serviço prestado. A carência por documentos que auxiliem a reconhecer o período de obsolescência de um equipamento motivou o desenvolvimento deste trabalho, onde, por meio da elaboração de uma estratégia de levantamento de dados, pretende-se verificar a existência de sistemáticas que apontem a adoção de boas práticas no processo de decretação de obsolescência. Método: Identificou-se, na literatura e nos termos MESH via BVS, tanto os conceitos associados à obsolescência de equipamentos como um conjunto de palavras-chave que foram utilizadas para levantamento de documentos em bases de dados, tais como Google Acadêmico, PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde e Embase nos últimos cinco anos. Foram definidos critérios de inclusão como ano de publicação (janela temporal abrangendo os últimos cinco anos), status da instituição de saúde (sendo privilegiados documentos de agências estatais e hospitais com reconhecimento internacional) e o idioma português. Resultados: Foram obtidos cinco resultados cujo conteúdo abordava meios de auxiliar a identificação de tecnologias obsoletas. Quatro deles foram identificados como sendo trabalhos acadêmicos desenvolvidos em Universidades Brasileiras, enquanto um deles foi desenvolvido em Portugal. Buscas não apontaram nenhuma política nacional relacionada à decretação da obsolescência em EM. Também não foi possível localizar nenhuma evidência de adoção dessa prática por unidades hospitalares públicas ou privadas. Por meio das buscas realizadas nas plataformas digitais de agências internacionais de ATS, foi possível identificar um restrito número de metodologias adotadas para a identificação e a decretação de obsolescência em tecnologias da saúde em quatro países: Espanha, Canadá, Malásia e Itália. Conclusão: Entre os quatro países onde foram identificadas metodologias para abordar essa última fase do ciclo de vida de uma tecnologia, apenas dois deles apresentaram uma documentação que define indicadores a serem adotados para elaboração de um relatório de obsolescência. Desses dois resultados, apenas um demonstrou intenções de infundir a metodologia no sistema de saúde. O pequeno número de processos de avaliação dos EM no final do seu ciclo de vida pode ser justificado pela pouca disponibilidade de diretrizes para identificação de tecnologias obsoletas. A etapa de obsolescência, no entanto, não dever ser vista como um processo menos importante do que a incorporação, visto que também é uma medida de prevenção de gastos. Sendo assim, a reavaliação de uma tecnologia em utilização deve ser vista como um processo a ser iniciado não apenas quando há evidências de que uma inovação concorrente entrará no mercado. Para reduzir a complexidade intrínseca ao problema, destaca-se a necessidade em se desenvolver políticas e práticas de identificação da obsolescência nos EM, a partir da elaboração de medidas fundamentadas na coleta de evidências obtidas das diferentes estratégias adotadas mundialmente. <![CDATA[ID 145 - Eficácia e Segurança da Toxina Botulínica para Tratamento de Bexiga Hiperativa de Etiologia Neurogênica em Adultos e Idosos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200145&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A bexiga neurogênica é uma condição de saúde complexa e debilitante, caracterizada pelo mal funcionamento do sistema urinário inferior devido a alterações neurológicas. O tratamento medicamentoso para a bexiga neurogênica visa aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto, a toxina botulínica (TXB) tem sido empregada para aqueles pacientes que não respondem aos antimuscarínicos, por se tratar de um agente bloqueador neuromuscular que causa paralisia neuromuscular flácida transitória. Objetivos: Avaliar a eficácia e a segurança do uso da TXB tipo A no tratamento da bexiga hiperativa de etiologia neurogênica, refratária a tratamento com anticolinérgicos, em adultos e idosos. Método: Revisão sistemática com metanálise, registro PROSPERO CRD42024569413. Foram analisados Ensaios Clínicos Randomizados que compararam a intervenção (TXB Tipo A) com placebo, adultos e/ou idosos, com bexiga hiperativa de etiologia neurogênica que tiveram condição refratária ao tratamento com anticolinérgicos. Não houve restrição quanto ao tamanho da amostra, idioma, tempo de seguimento ou data de publicação. Foi realizada uma busca sistematizada nas bases de dados PubMed, Embase, LILACS (BVS) e Cochrane Library. A seleção e a extração dos dados foi realizada por duplas independentes de pesquisadores com posterior consenso realizado por um outro pesquisador independente. Foi realizada avaliação do risco de viés dos estudos incluídos utilizando o RoB2 e a certeza da evidência verificada pelo GRADE2. A análise para metanálise foi conduzida pelo software Review Manager 5.4. Resultados: De um total de 821 documentos encontrados, foram incluídos oito artigos. A maioria dos estudos (87,5%) avaliou como desfechos principais o número de episódios de incontinência (IU), a capacidade máxima cistométrica (CMC) e a pressão máxima de contração do músculo detrusor (PMD). A avaliação do risco de viés evidenciou que apenas um estudo apesentou alto risco, cinco algumas preocupações e dois baixo risco para os desfechos melhora clínica, qualidade de vida (QV) e eventos adversos. A segurança foi comprovada com base no baixo número de efeitos adversos graves. Quanto à comparação da TXB com o placebo nos desfechos primários, para a IU foi constatada, pela metanálise, diminuição da diferença média (DM) diária de -6,78 de episódios miccionais (IC 95% -8,21 a -5,35, I²: 98%, p&lt;0,001). Para a CMC, a metanálise mostrou aumento da DM de 154,93 ml (IC 95% 147,10 a 162,75, I²: 89%, p&lt;0,001). Assim como houve redução na PDM, DM de -28,07 cmH2O (IC 95% -29,43 a -26,70, I²: 82%, p&lt;0,001). Por fim, observou-se melhora na QV, com aumento da DM dos escores do I-QOL de 15,32 pontos (IC 95% 14,45 a 16,19, I²: 73%, p=0,005). Na análise de subgrupo, constatou-se que a CMC e a PMD apresentaram valores mais ajustados e menos heterogêneos (I²&lt;70%, p&gt;0,01) para dosagem de TXB entre 100 e 200 U. A qualidade da evidência, pelo GRADE, foi considerada baixa para a IU, moderada para os desfechos hemodinâmicos (CMC e PMD) e alta para QV. Conclusão: As evidências científicas dos desfechos foram melhores para medidas urodinâmicas e qualidade de vida. As dosagens entre 100 U e 200 U mostraram-se mais eficientes e mais consistentes, assim como também foi observado em outro estudo. Conclui-se que a TXB foi segura e eficaz no tratamento de pacientes adultos e idosos com bexigas hiperativas neurogênicas, refratárias a anticolinérgicos. No entanto, sugere-se monitoramento da manutenção de sua eficácia e segurança. <![CDATA[ID 146 - Glossário de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) para Magistrados e Operadores do Direito]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200146&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A tradução do conhecimento científico é um processo que envolve a intercambialidade de informações entre todas as partes envolvidas nas práticas e nas políticas de saúde. No âmbito da judicialização em saúde, termos médicos e científicos estão frequentemente presentes nos autos e nos documentos considerados pelos magistrados para apoiar a decisão em um caso específico. Sendo assim, o objetivo deste estudo é apresentar o processo de desenvolvimento e os resultados preliminares de um glossário abrangente de termos científicos presentes em demandas judiciais e notas técnicas relacionadas à saúde, fornecendo definições claras e concisas para auxiliar magistrados, operadores do direito e membros dos Núcleos de Apoio ao Judiciário (NatJus) na compreensão de conceitos utilizados nas pesquisas em saúde. Método: Este projeto foi conduzido pelo Nats/NEv do Hospital Sírio-Libanês, como entrega do projeto "Apoio técnico-científico à tomada de decisão judicial em Saúde no Brasil", desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), triênio 2024-26. A proposta para o desenvolvimento do glossário seguiu as etapas da metodologia de Design Thinking: empatia (conhecer as necessidades e as perspectivas do público-alvo), definição da questão (identificação de lacunas na compreensão dos termos médicos e científicos nas notas técnicas e demandas judiciais), ideação (análise quanto à pertinência dos termos sugeridos), prototipagem (desenvolvimento da versão-piloto do glossário), reavaliação (avaliação da aplicabilidade prática pelos usuários), implementação e melhoria contínua. A elaboração do glossário também seguiu os itens relacionados ao desenvolvimento de ferramentas da checklist Cosmin (COnsensus-based Standards for the selection of health Measurement INstruments). Resultados: Oitenta e quatro magistrados, operadores do direito e membros dos NatJus preencheram um formulário on-line, com questões relacionadas ao formato de apresentação do glossário e à indicação livre de termos. A maioria dos respondentes (61%) optaram pela organização dos termos em ordem alfabética e por grupos temáticos; 63% preferem que os termos sejam descritos de forma sucinta, mas com a inclusão de exemplos e links para mais informações. Os termos indicados, considerados relevantes e condizentes com a proposta do glossário, foram analisados e selecionados para inclusão. Os termos mais frequentes foram: análise de impacto orçamentário, avaliação de tecnologias em saúde, avaliação econômica, custo-efetividade, custo-benefício, ensaio clínico randomizado, GRADE, intervalo de confiança de 95%, qualidade de vida ajustada por anos (QALY), real-world evidence, revisão sistemática, risco relativo, entre outros. As definições de cada termo foram estabelecidas e o protótipo do glossário foi enviado a dois magistrados e dois membros do NatJus para reavaliação. A versão final do glossário será disponibilizada em formato digital e será atualizado periodicamente. Conclusão: O glossário de termos técnico-científicos sobre ATS foi projetado para facilitar a compreensão e a interpretação de processos judiciais relacionados à saúde. Espera-se que o glossário possa preencher lacunas do conhecimento e familiarizar os magistrados, operadores do direito e membros dos NatJus com o vocabulário e os conceitos utilizados nas pesquisas científicas em saúde, contribuindo dessa forma para a tomada de decisões judiciais mais fundamentadas e justas. <![CDATA[ID 147 - Revisão Sistemática de Ensaios Clínicos Randomizados Aponta para Incertezas sobre os Benefícios e os Riscos do Método ABA para Transtorno do Espectro Autista]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200147&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A prevalência de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil e no mundo é estimada em 1% e dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que essas pessoas realizaram 9,6 milhões de atendimentos ambulatoriais em 2021. O método Applied Behavior Analysis (ABA) é uma terapia comportamental estruturada, intensiva e precoce que visa promover independência, aumentar a funcionalidade e a qualidade de vida de pessoas com TEA por meio de mudanças de comportamento, utilizando os princípios da teoria da aprendizagem, como reforço positivo. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos do método ABA para pessoas com TEA. Método: Revisão sistemática, conduzida no Nats/NEv do Hospital Sírio-Libanês, seguindo as recomendações metodológicas do Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions e relatada de acordo com o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). O protocolo foi registrado prospectivamente na base PROSPERO (https://www.crd.york.ac.uk/prospero/display_record.php?ID=CRD42024499388). Em 8/1/2024, foi realizada busca ampla e sensível em bases eletrônicas (ADOLEC, CENTRAL, Embase, LILACS, MEDLINE, PsycNET), literatura cinzenta (DANS), registros de ensaios clínicos (clinicaltrials.gov e ICTRP-WHO) e busca manual em listas de referências. Foram considerados ensaios clínicos randomizados (ECR) que avaliaram o método ABA (original ou adaptado) para pessoas com TEA comparado com nenhuma intervenção, lista de espera, outras psicoterapias ou terapias múltiplas. Desfechos primários: melhora global e gravidade dos sintomas; secundários: interação social, comportamento adaptativo e social, comunicação verbal e não verbal, qualidade de vida, habilidade cognitiva, estereotipia, satisfação e avaliação dos cuidadores e eventos adversos. O risco de viés dos ECR foi avaliado com a tabela de risco de viés da Cochrane e a certeza da evidência foi avaliada pela abordagem GRADE Resultados: Foram identificadas 7.689 referências e, após o processo de seleção, 11 ECR (287 participantes) foram incluídos (oito com resultados disponíveis e três em andamento). Os principais desfechos avaliados foram interação social, comunicação verbal e não verbal e estereotipias. Considerando todas as comparações, a certeza da evidência para todos os desfechos foi ‘muito baixa’, indicando que há incerteza quanto aos benefícios e segurança do método ABA para TEA. Contribuíram para esta incerteza: a baixa qualidade metodológica (e o alto risco de viés) dos ECR, a heterogeneidade das modalidades de ABA utilizadas, a diversidade dos desfechos avaliados e das ferramentas utilizadas para mensuração, a imprecisão dos resultados numéricos e ao relato insuficiente das informações relevantes. Conclusão: de acordo com os resultados dos ECR disponíveis até o momento, os benefícios e os riscos do método ABA estruturado para o tratamento de pessoas com TEA, quando comparado a nenhum tratamento, lista de espera, outras psicoterapias ou terapias múltiplas são incertos. Diante desta incerteza, é importante discutir a prevalente indicação deste método na prática, considerando aspectos como heterogeneidade de sua aplicação, capacidade instalada, disponibilidade de profissionais capacitados para sua correta aplicação no sistema público e na saúde suplementar, existência de terapias não farmacológicas para compor o cuidado oferecido e desconhecimento sobre os efeitos clínicos do método ABA também no longo prazo. <![CDATA[ID 148 - Terapia de Estimulação Cognitiva (CST) para o Tratamento de Pessoas com Doença de Alzheimer Leve e Moderada: análises de custo-utilidade e impacto orçamentário]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200148&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência em idosos, caracterizada pelo comprometimento de diversos domínios cognitivos, como memória, julgamento e confusão. Embora os tratamentos medicamentosos sejam amplamente utilizados, a terapia de estimulação cognitiva (CST) emergiu como uma intervenção não medicamentosa promissora. No Brasil, a CST foi adaptada e validada, mas sua aplicação ainda é limitada. A CST envolve exercícios cognitivos estruturados e repetitivos oferecidos em grupo e conduzida por facilitadores treinados, consistindo em 14 encontros de 45 minutos cada sessão, sendo realizada em até duas vezes por semana. Dessa forma, este estudo tem como objetivo avaliar a custo-utilidade e o impacto orçamentário (IO) da CST para o tratamento de pessoas com DA leve à moderada, para o Sistema Único de Saúde (SUS). Método: Foi realizada uma avaliação econômica (AE) para estimar a razão de custo-efetividade incremental (RCEI) da CST em grupo combinada ao tratamento padrão (intervenção), em comparação ao tratamento padrão isolado (comparador). Utilizou-se um modelo de Markov com horizonte temporal de um ano, desfecho de ano de vida ajustado pela qualidade (QALY) e custos com treinamento e equipamentos. Para a estimativa do IO, foi considerada uma taxa de difusão da intervenção de 20% a 100%, em cinco anos. Resultados: A intervenção resultou em um ganho de 0,0041 QALY com um aumento de custo de R$ 152,42, gerando uma RCEI de R$ 37.280,24/QALY ganho, considerada custo-efetiva em relação ao limiar de disposição a pagar estabelecido pela Conitec (42,2% de probabilidade de ser custo-efetiva). Considerando uma população elegível variando de 123.377 a 160.452 a incorporação da CST geraria impacto orçamentário de R$ 3,26 milhões no primeiro ano, chegando a R$ 5,41 milhões em cinco anos, com um total acumulado de aproximadamente R$ 17,2 milhões em cinco anos, podendo chegar a R$ 29 milhões, conforme variações no número de grupos e pacientes atendidos nas análises de sensibilidade. Conclusão: A análise de custo-utilidade indicou que a intervenção investigada oferece benefício clínico maior e aumento de custo total em comparação ao tratamento padrão, sendo considerada custo-efetiva dentro do limiar adotado pelo SUS. A análise de impacto orçamentário sugere incremento acumulado em cinco anos, dependendo do, do número de grupos atendidos por ano e do número de pacientes por sessão. <![CDATA[ID 149 - Ezetimiba para o Tratamento de Indivíduos com Alto a Muito Alto Risco Cardiovascular: análise de custo-efetividade e impacto orçamentário]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200149&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são uma das principais causas de morbimortalidade global. As estatinas são a abordagem terapêutica de primeira linha para DCV em pacientes com níveis aumentados de colesterol ou com risco aumentado de DCV, visando reduzir o colesterol LDL. Mas nem todos os pacientes atingem as metas desejadas apenas com as estatinas ou toleram essa medicação em altas doses. Nesse contexto, a ezetimiba ao reduzir a absorção intestinal de colesterol pode ser uma alternativa útil quando combinada às estatinas. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a custo-efetividade e o impacto orçamentário da ezetimiba no tratamento de pacientes com alto risco cardiovascular para o Sistema Único de Saúde (SUS). Método: Foi realizada uma avaliação econômica (AE) para estimar a relação de custo-efetividade incremental da ezetimiba combinada com estatinas (intervenção) em comparação a estatinas isoladas (comparador). Utilizou-se um modelo de Markov com horizonte temporal lifetime (correspondendo a xx anos) e desfechos de anos de vida ajustados pela qualidade (QALY) e anos de vida (AV), bem como custos diretos médicos com tratamento, exames e monitoramento. Além disso, uma taxa de desconto de 5% foi aplicada para custos e desfechos. Para análise de impacto orçamentário foram estimados o número de pacientes elegíveis por demanda aferida em um horizonte temporal de cinco anos, além de ter sido estimada uma taxa de difusão da tecnologia de 10% ao ano, chegando em 50% no quinto ano. O modelo levou em conta apenas os custos das tecnologias em avaliação. Resultados: A análise demostrou um benefício clínico adicional de 0,0842 QALY e 0,1020 AV com a intervenção, com um custo incremental de R$ 858,42. As razões de custo-efetividade incrementais foram R$ 10.192,63/QALY ganho e R$ 8.415,83/AV ganho, com uma probabilidade de 73% de ser custo-efetiva dentro dos limiares recomendados. No impacto orçamentário, considerando uma população elegível variando de 147.565 a 150.793, a incorporação da ezetimiba pode gerar incremento de custos variando de R$ 1.142.661 no primeiro ano a R$ 5.838.310 no quinto ano, totalizando cerca de R$ 17,4 milhões acumulados em cinco anos. Variações nos preços dos medicamentos podem elevar o impacto orçamentário acima da estimativa inicial, ou até mesmo gerar economia ao sistema, conforme demonstrado nas análises de sensibilidade. Conclusão: A análise de custo-efetividade mostrou que a intervenção investigada oferece maior benefício clínico e apresenta um custo total maior em comparação ao tratamento padrão. No entanto, é considerada custo-efetiva para os limiares adotados pelo SUS (R$ 40.000/QALY ganho e R$ 35.000 por AV/ganho). A análise de impacto orçamentário sugere que a incorporação da ezetimiba pode resultar em incremento de custo ao sistema, mas que apresenta importante incerteza a depender do preço das tecnologias avaliadas. <![CDATA[ID 150 - Oficinas de ATS para os Núcleos de Apoio Técnico ao Judiciário (NatJus)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200150&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Este estudo foi realizado no Nats/NEv do Hospital Sírio-Libanês (HSL) por meio do projeto "Apoio à Decisão Judicial Relacionada à Saúde no Brasil", em colaboração com o Conselho Nacional de Justiça e com financiamento do Ministério da Saúde (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde – Proadi-SUS). O estudo teve como objetivo relatar a implementação de uma ação educativa voltada para profissionais de saúde que oferecem suporte técnico-científico a magistrados em decisões judiciais relacionadas à saúde. Foram promovidas oficinas presenciais, com duração de oito horas cada, destinadas a capacitar os profissionais dos Núcleos de Apoio Técnico ao Judiciário (NatJus) na elaboração de sínteses de evidências para casos concretos a serem julgados. Em 2023, os tribunais estaduais sediaram 11 oficinas conduzidas por pesquisadores do HSL especializados em ATS, capacitando um total de 223 participantes. As oficinas foram adaptadas às necessidades específicas de cada NatJus e utilizaram estratégias pedagógicas baseadas em metodologias ativas. Este trabalho será apresentado oralmente, com apoio de eslaides. A iniciativa pode ser útil para outros países que enfrentam um cenário similar, onde os processos judiciais nesta área geram impacto financeiro significativo e ameaçam a garantia de cuidados de saúde universais e equitativos. Método: A seguir estão descritas as atividades e os itens/equipamentos necessários para execução: contato inicial com coordenador de cada NatJus para convite de participação nas oficinas – computador/celular para contato via e-mail; solicitação da lista de indicados/convidados da oficina, incluindo magistrados e profissionais dos NatJus, contato via e-mail e envio de formulário desenvolvido no Microsoft Form. Alinhamento de expectativas do NatJus e magistrados para as oficinas –Formulário desenvolvido no Microsoft Forms. Credenciamentos dos participantes na plataforma e-NatJus – contato via e-mail e envio de formulário desenvolvido no Microsoft Form. Avaliação do conhecimento dos participantes pré-oficina – plataforma de aprendizagem interativa, computador/celular. Oficina – aulas presenciais com atividades expositivas e em grupos, e uso estratégias pedagógicas baseadas em metodologias ativas. – Espaço do evento (sala, auditório etc.) com estações de trabalho, projetor, computador, plataforma de aprendizagem interativa. Avaliação do conhecimento dos participantes pós-oficina – plataforma de aprendizagem interativa, computador/celular. Avaliação de satisfação dos participantes – formulário desenvolvido no Microsoft Form. Confecção dos certificados de presença – computador/celular para contato via e-mail. <![CDATA[ID 151 - Derivados da <em>Cannabis</em> e seus Análogos Sintéticos para Transtorno do Espectro Autista]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200151&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A prevalência de transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil e no mundo é estimada em 1% e dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que essas pessoas realizaram 9,6 milhões de atendimentos ambulatoriais em 2021. O uso terapêutico de derivados da e seus análogos sintéticos tem sido proposto para condições como demência, epilepsia, fibromialgia, HIV/aids, náusea e vômitos relacionados à quimioterapia, à esquizofrenia e à síndrome de Tourette. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos dos derivados da e seus análogos sintéticos para pessoas com TEA. Método: Revisão sistemática, conduzida no Nats/NEv do Hospital Sírio-Libanês, seguindo as recomendações metodológicas do Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions e relatada de acordo com o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). O protocolo foi registrado prospectivamente na base PROSPERO (https://www.crd.york.ac.uk/prospero/display_record.php?RecordID=468300). Em 7/12/2023, foi realizada busca ampla e sensível em bases eletrônicas (ADOLEC, CENTRAL, Embase, Epistemonikos, LILACS, MEDLINE, PsycINFO), literatura cinzenta (DANS), registros de ensaios clínicos (clinicaltrials.gov e ICTRP-WHO) e busca manual em listas de referências. Foram considerados ensaios clínicos randomizados (ECR) que avaliaram derivados da e seus análogos sintéticos para pessoas com TEA comparado com nenhuma intervenção, placebo, lista de espera ou outras terapias ativas. Desfechos primários: avaliação global, gravidade dos sintomas eventos adversos graves; secundários: qualidade de vida, comportamento adaptativo e eventos adversos. O risco de viés dos ECR foi avaliado com Cochrane RoB 2.0 e RoB-ME e a certeza da evidência foi avaliada pela abordagem GRADE. Resultados: Foram identificadas 71.073 referências e, após o processo de seleção, 11 ECR (2 com resultados disponíveis e 9 em andamento), avaliando 214 participantes com idade entre 5 e 21 anos, foram incluídos. Quando comparado ao placebo, a solução oral de extrato integral de (solução oral, diluída em azeite de oliva na proporção CBD/THC = 2:1) pode aumentar a probabilidade de melhora no escore global dos sintomas em 12 semanas (RR 2,2; IC 95% 1,22 a 4,29; 1 ECR, 92 participantes; evidência de baixa certeza) e o risco de evento adversos é incerto (RR 1,98; IC 95% 0,18 a 21,45; 1 ECR, 92 participantes; evidência de certeza muito baixa). Quando comparada ao placebo, os efeitos da solução oral de extrato purificado de na avaliação global dos sintomas (RR 1,77; IC 95% 0,91 a 3,45; 1 ECR, 92 participantes; evidência de certeza muito baixa) e no risco de eventos adversos são incertos (RR 3,03; IC 95% 0,32 a 28,62; 1 ECR, 92 participantes; evidência de certeza muito baixa). Conclusão: De acordo com os resultados dos ECR disponíveis até o momento, as evidências sobre os benefícios e os riscos dos derivados da e seus análogos sintéticos para pessoas com TEA são limitadas (estudos pequenos e com baixa qualidade metodológica e para uma única apresentação de). Diante dessa limitação, é importante discutir a utilização desta intervenção no cenário nacional, considerando ainda que a apresentação de autorizada para comercialização no Brasil (como medicamento) não possui, em sua bula, indicação para TEA. <![CDATA[ID 152 - Revisão Sistemática e Metanálise em Rede para Avaliar a Eficácia das Terapias-Alvo Disponíveis no Brasil para o Tratamento da Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) Recidivante ou Refratária (R/R)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200152&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No Brasil, não há diretriz ou protocolo clínico para o tratamento de pacientes com LLC R/R e nem medicamentos incorporados no Sistema Único de Saúde (SUS) para esta população. Com isso, o tratamento da LLC R/R restringe-se ao que se tem disponível para o tratamento de primeira linha, quimioterapia (QT) ou quimioimunoterapia (QIT). Assim, optou-se pela condução de uma revisão sistemática (RS) com metanálise em rede, para avaliar se as terapias-alvo aprovadas no Brasil são mais eficazes do que a QT ou QIT para o tratamento da LLC R/R. Método: Uma RS de ensaios clínicos randomizados (ECR) com metanálise em rede foi conduzida por dois revisores independentes, conforme as diretrizes metodológicas do Ministério da Saúde e registrada na plataforma PROSPERO (CRD42024516463). Foram feitas buscas nas bases PubMed, Embase, Cochrane e LILACS. Os desfechos de eficácia foram sobrevida livre de progressão (SLP) e sobrevida global (SG). Para avaliação do risco de viés, foi empregada a ferramenta Cochrane risk-of-bias tool for randomized trials (RoB2). Para a metanálise em rede foi utilizada a plataforma NMAstudio, que vincula o pacote "netmeta" do software R e foi adotada a abordagem frequentista para comparar os braços do estudo, incluindo comparações diretas e indiretas, para análise simultânea dos tratamentos. Resultados: A busca recuperou 1.470 títulos. Foram selecionados ECR que comparavam terapias-alvo (monoterapia ou associadas a QT/QIT/IT) registradas na Agência Nacional e Vigilância Sanitária (Anvisa). Os comparadores poderiam ser esquemas de QT, QIT ou IT, para mimetizar a realidade do SUS. Também foram incluídos ECR que comparavam entre si, terapias-alvo registradas. Com isso, foram elegíveis oito ECR. As intervenções foram: ibrutinibe (IB), ibrutinibe com bendamustina + rituximabe (IB-BR), acalabrutinibe (AC), venetoclax + rituximabe (VEN-R) e zanubrutinibe (ZN). Já os comparadores foram: bendamustina + rituximabe (BR), ofatumumabe (OFT), idelalisibe + rituximabe (ID-R), rituximabe (RIT), ibrutinibe (IB) e ibrutinibe + rituximabe (IB-R). Os desfechos SG e SLP foram em sua maioria classificados com algumas preocupações para risco de viés e apenas um ECR foi considerado com alto risco de viés para SLP. Para análise da rede, o esquema BR foi escolhido como comparador de referência por ser o tratamento mais próximo da prática observada no SUS. Resultados preliminares indicam para SLP maior benefício em relação ao comparador para as tecnologias ZN, VEN-R, IB-R, IB-BR, IB e AC. Destaque para ZN (HR=0,16; IC95% 0,09-0,28), VEN-R (HR=0,19; IC95% 0,14-0,25) e IB-R (HR=0,20; IC95% 0,08-0,51), como os prováveis melhores tratamentos (p-escore 0,92, 0,81 e 0,73, respectivamente). Para SG o maior benefício foi para VEN-R (HR=0,40; IC 95% 0,25-0,63) e IB-R (HR=0,61; IC 95% 0,44-0,83), com p-escore 0,96 e 0,74, respectivamente. As demais comparações não apresentaram diferenças estatisticamente significativas. Conclusão: A metanálise em rede possibilitou mapear em conjunto os benefícios das tecnologias disponíveis para tratamento da LLC R/R. O ranqueamento obtido para os desfechos de eficácia evidenciam a lacuna no tratamento da LLC R/R ao destacar opções mais eficazes do que o tratamento atualmente ofertado no SUS. Porém, esses resultados devem ser analisados com cautela dado às limitações intrínsecas das comparações indiretas, assim como o número limitado de evidências diretas disponíveis, impossibilitando a avaliação da consistência entre comparações e comprometendo a robustez dos resultados obtidos. <![CDATA[ID 154 - Blog Rede NatJus: informações estratégicas para apoiar o Judiciário na tomada de decisão em saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200154&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Entre 2008 e 2017, o número de ações judiciais relacionadas à saúde no Brasil aumentou 130% acompanhado por aumento de 50% nas ações judiciais por todas as causas. Diversas estratégias têm sido implementadas para entender o cenário e identificar medidas para melhorar o processo de judicialização da saúde no Brasil. O objetivo deste estudo consiste em apresentar a implementação e os dados de acessos de um blog focado em conteúdos de medicina baseada em evidências (MBE) e avaliação de tecnologias em saúde (ATS) para profissionais de saúde e operadores do direito envolvidos com a judicialização da saúde no Brasil. Método: Estudo descritivo e analítico sobre a iniciativa de disseminação "Blog Rede NATJus" (https://redenatjus.org.br/blog/), desenvolvido pelo Nats do Hospital Sírio-Libanês (Nats-HSL), em parceria com o Departamento de Gestão das Demandas em Judicialização na Saúde (Djud/SE/MS) e o Conselho Nacional de Justiça, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Resultados: O blog Rede NatJus foi lançado oficialmente em 3 de outubro de 2019 e, além de MBE e ATS, aborda questões relacionadas à incorporação de tecnologias pelo SUS, à judicialização da saúde e cursos/eventos relacionados. As postagens são disponibilizadas semanalmente e as mais relevantes também têm sido enviadas como newsletters para uma lista de e-mails de, aproximadamente, 13 mil usuários (previamente identificados ou registrados espontaneamente na homepage do blog). No período de 1º de janeiro de 2020 até 6 de setembro de 2024, foram publicados 378 posts e, segundo os dados do Google Analytics, 92,6% dos acessos foram do Brasil, 5,3% dos EUA e 0,5% da França. Os principais canais de acesso foram 35,2% via busca orgânica, 32,7% direto no site e 24,5% por e-mail (newsletter). O blog possui cinco categorias de postagens, que norteiam os temas dos posts, sendo elas: Agenda, ATS-Evidências, Judicialização em Saúde, Núcleos de Apoio Técnico ao Judiciário (NatJus), e Sistema e-NatJus. Entre essas categorias, as postagens mais acessadas foram aquelas sobre os NatJus, seguidas por ATS-Evidências e os posts sobre agenda. Entre 3 de outubro de 2019 a 6 de setembro de 2024, os três posts mais acessados abordaram: a ferramenta on-line de consulta de preço de medicamentos da SCMED; o III Fórum de Direito e Saúde; e o curso de avaliação crítica de estudos primários e revisões sistemáticas promovido pelo Nats-HSL. Conclusão: A divulgação de conteúdos sobre MBE/ATS por meio do blog estabeleceu um canal inovador de comunicação com os NatJus, além de atingir operadores do direito e profissionais de saúde interessados no assunto. A Rede NatJus destaca-se como uma fonte confiável e de fácil compreensão, fornecendo informações que podem aprimorar a eficácia das decisões judiciais no País, ao promover o uso de tecnologias comprovadamente eficazes e seguras, e descartando aquelas que são ineficazes, prejudiciais ou com eficácia e segurança incertas. <![CDATA[ID 156 - Pegcetacoplana como Opção Terapêutica no Tratamento de Hemoglobinúria Paroxística Noturna: monitoramento de horizonte tecnológico]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200156&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é um distúrbio raro causado por uma mutação genética nas células-tronco, resultando na ausência de proteínas reguladoras do Sistema de Complemento, o que pode levar à hemólise intravascular, trombose, e insuficiências de órgãos. No Brasil, em 2023, a prevalência de HPN foi de 1 caso para cada 237 mil pessoas atendidas pelo SUS. O Protocolo Clínico da HPN recomenda o transplante de células-tronco hematopoéticas como o único tratamento curativo, além do uso de eculizumabe para bloquear a hemólise e melhorar a qualidade de vida, reduzindo o risco de trombose. A pegcetacoplana liga-se à proteína C3, inibindo a ativação do Sistema de Complemento, regulando a hemólise. Este estudo apresenta o monitoramento de horizonte tecnológico (MHT) da pegcetacoplana para o tratamento da HPN. Método: O MHT foi realizado em duas etapas: (1) Busca por protocolos clínicos sobre o uso de pegcetacoplana nas plataformas Cortellis e ClinicalTrials, incluindo ensaios clínicos de fase 3, randomizados ou não; (2) Recuperação de estudos nas bases PubMed, Embase, LILACS e Cochrane Library. Duplicatas foram removidas pelo software Rayyan, e dois avaliadores selecionaram os estudos de forma independente. Foram excluídos estudos in vitro, com animais, farmacocinéticos, revisões e análises post hoc. Resultados: Foram recuperados 480 títulos, com 182 duplicatas. Dez estudos foram selecionados para leitura completa, resultando em quatro estudos clínicos: três de fase 3 (PEGASUS, PRINCE e OLE) e um estudo de mundo real. No estudo PEGASUS, comparando eculizumabe e pegcetacoplana, 24% dos pacientes no grupo pegcetacoplana e 26% no grupo eculizumabe não necessitaram de transfusões nos últimos 12 meses. Entre os que precisaram de quatro ou mais transfusões, 51% estavam no grupo pegcetacoplana e 59% no grupo eculizumabe. A hemoglobina média foi de 8,69g/dL no grupo pegcetacoplana e 8,68g/dL no grupo eculizumabe. Quanto à pontuação FACIT-F (fadiga), os resultados foram 32,2 para pegcetacoplana e 31,6 para eculizumabe. No estudo PRINCE, com pacientes virgens de inibidores do complemento, 82,9% do grupo-intervenção e 77,8% do grupo-controle precisaram de transfusões. A hemoglobina média foi de 9,4g/dL no grupo-intervenção e 8,7g/dL no controle, com FACIT-F de 36,3 e 37,1, respectivamente. O estudo OLE está em andamento. Já o estudo de mundo real indicou que 72,9% usaram pegcetacoplana devido à hemólise extravascular e transfusões no último ano. No início do tratamento, a hemoglobina média foi de 91g/L, com uma contagem de reticulócitos de 205x109/L, que caiu para 107x109/L após três meses, sugerindo redução na produção de células vermelhas. A pegcetacoplana foi bem tolerada, com eventos adversos como hemólise, fadiga, eritema no local da injeção e infecções. Alguns pacientes, no entanto, apresentaram hemólise intravascular avançada, exigindo uso intensivo da pegcetacoplana. Conclusão: A pegcetacoplana é o primeiro medicamento que inibe o complemento C3, indicado tanto para pacientes virgens quanto para aqueles que apresentam hemólise residual mesmo com inibidores de C5. As evidências indicam que a pegcetacoplana melhora parâmetros hematológicos, reduzindo a necessidade de transfusões e a fadiga. Em comparação com o eculizumabe, o tratamento com pegcetacoplana tem se mostrado eficaz em manter os níveis de hemoglobina e reduzir a dependência de transfusões, sendo uma opção promissora para uma ampla gama de pacientes com HPN. <![CDATA[ID 157 - Estratégias de um Nats para Disseminação da Avaliação de Tecnologias no Contexto do SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200157&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Instituída em 2011 com o objetivo de promover a difusão da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) no âmbito do SUS, a Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats) é formada por Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) para incentivo, desenvolvimento e produção de pesquisas e estudos no campo da ATS. Membro da Rebrats e comprometido com a articulação entre ensino, pesquisa e gestão em uma universidade pública federal, o Nats da Unifesp Diadema (NUD) possui como missão o desenvolvimento e o fomento da disseminação de conhecimento científico nas áreas de ATS e políticas públicas para subsidiar a tomada de decisão e a formação de recursos humanos em saúde. Assumindo suas premissas de rigor metodológico, transparência, responsabilidade social e compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS). O NUD identificou a necessidade na formulação de estratégias que contribuam para fortalecimento da rede nacional de ATS por meio do aumento da visibilidade da produção dos Nats e do efeito do trabalho desses grupos no sistema de saúde. Nesse sentido, optou pela formação e ampliação de áreas complementares, promovendo a integração entre a ATS e a comunicação social. Considerando um público potencial em ATS que varia de profissionais especialistas a universitários, e a utilização atual massiva de redes e mídias sociais, foram adotadas estratégias para promoção da transmissão de informação e da tradução do conhecimento nas redes sociais do núcleo por meio de categorias temáticas, visando divulgar eventos sobre ATS (NUD Participa), disseminar notícias relevantes para área (NUD Repercute), aumentar o alcance de publicações em ATS (NUD Publica) e disponibilizar conteúdos pedagógicos sobre ATS (Hora do Estudo). Foi, ainda, desenvolvido e publicado um site (nud.unifesp.br) como canal facilitador para veiculação da organização interna do núcleo, bem como de suas parcerias, divulgação de pesquisas e publicações técnico-científicas (como o Saber-SUS, realizado no âmbito do Programa de Pesquisa para o SUS, e os produtos de ATS subsidiados pelo Dgits) e introdução a termos relevantes em ATS, por meio de um glossário. Durante o V Congresso da Rebrats espera-se apresentar as iniciativas de comunicação adotadas pelo NUD por meio da exposição das redes sociais e do site do núcleo, bem como estimular a discussão sobre estratégias que podem ser incentivadas para impulsionar a disseminação da ATS e destacar o trabalho dos Nats em parceria com a Rebrats. Método: A dinâmica será dividida em diferentes momentos expositivos, sendo necessários equipamentos para projeção de imagem de tela de desktop, idealmente com acesso à internet para exibição redes sociais e sites. A apresentação deve considerar as seguintes etapas: (1) contextualização e problemática; (2) demonstração das iniciativas de divulgação em redes sociais, por meio da apresentação de categorias temáticas, enfatizando seus objetivos e público-alvo; (3) apresentação dos recursos e informações disponibilizados no site para promoção da disseminação da ATS. <![CDATA[ID 158 - Oportunidades de Tratamento para Indivíduos com Hiperoxalúria Tipo 1]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200158&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Hiperoxalúria primária é uma doença metabólica rara causada por mutações genéticas que afetam o metabolismo do glioxilato, resultando em produção excessiva de oxalato e consequentemente formação de cálculos renais, nefrocalcinose, podendo levar à redução da função renal e oxalose sistêmica. A lumasirana é o primeiro e único tratamento específico para a doença. Trata-se de um ácido ribonucleico RNA terapêutico de interferência que inibe a síntese de oxalato. Método: Monitoramento do horizonte tecnológico com buscas nas bases MEDLINE, Embase, LILACS, Cochrane Library, Clinical Trials, Cortellis, agências internacionais de avaliação de tecnologias em saúde. Os critérios de inclusão foram: ensaios clínicos a partir da fase 2; estudos que avaliassem segurança, eficácia e/ou eventos adversos do lumasirana. Foram elegíveis estudos publicados ou não, em texto completo ou resumo, sem restrição de idioma. O processo de leitura e extração dos dados foi realizada por um revisor e confirmada por um segundo. Resultados: Foram encontrados 165 títulos, após avaliação de duplicações e critérios de elegibilidade foram analisados 12 artigos referentes a quatro estudos: 1) ILLUMINATE-A (n=39, quatro publicações); 2) ILLUMINATE-B (n=18, duas publicações); 3) ILLUMINATE-C (n=21, três publicação); 4) um estudo de fase 2 (n=21, duas publicações). Tratam-se de estudos multicêntricos, dois deles ainda não finalizados. O estudo ILLUMINATE-A demonstrou decréscimo da média de excreção urinária de oxalato em 24 horas, da linha de base até seis meses, de 11,8% (EP 3,8) no grupo placebo e 65,4% (EP 2,9) no grupo lumasirana. Na fase de extensão, a redução foi mantida no grupo lumasirana (64,1%, 58,1% e 63% em 12, 24 e 36 meses, respectivamente). A população de lactentes e crianças &lt;6 anos (ILLUMINATE-B) também experimentou redução média percentual para esse desfecho na ordem de -68,41% (SE 5,6) em seis meses e -63,23% (SE 7,23) em 12 meses, comparado a linha de base. Em indivíduos com doença renal avançada, subgrupo sem hemodiálise, a variação percentual foi de -10,6% ± 6,8 (IC 95% −32,0 a 10,9) no mês 6. Lumasirana promoveu ainda decréscimo no percentual da relação oxalato urinário/creatinina (24h); no oxalato plasmático e na taxa de eventos de cálculo renal, além de melhorar ou estabilizar a nefrocalcinose. Os indivíduos que receberam lumasirana apresentaram eventos adversos com gravidade ligeira ou moderada. Os eventos mais frequentes foram: reação no local da injeção; dor de cabeça; dor abdominal; infecção do trato respiratório superior; pirexia; vômito e diarreia. As agências de ATS NICE () e CADTH () emitiram parecer favorável ao uso da medicação para o tratamento de hiperoxalúria tipo 1. Conclusão: Embora o tamanho amostral desses estudos seja pequeno e não esteja disponível dados de longo prazo, há de se considerar que a doença é rara, e que a lumasirana assiste a uma necessidade médica não atendida tendo sido bem tolerado por lactentes, crianças, adultos e indivíduos com comprometimento renal. O preço de unidade de lumasirana é significativo para um tratamento em longo prazo, entretanto, por ser uma doença rara, é esperado um número pequeno de pacientes. Ainda assim, para determinar a eficiência do tratamento com lumasirana é necessário um estudo de custo-efetividade da tecnologia em relação ao padrão de tratamento atual. <![CDATA[ID 159 - Qualidade de Relato de Estudos de Custo-Minimização: uma metarrevisão sistemática]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200159&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Análises de custo-minimização são ferramentas convenientes para mostrar a comparação de valor monetária entre tecnologias em saúde equivalentes. No entanto, o embasamento teórico para a presunção de equivalência pode ser profusamente em diferentes estudos. Além disso, a heterogeneidade nos padrões de relato de diferentes estudos pode também comprometer a transparência e afetar a confiança nos relatos desses estudos. Com o objetivo de avaliar a qualidade de relato e explorar as características metodológicas quanto ao embasamento da presunção de equivalência em estudos de custo-minimização, esta pesquisa será baseada em um método de metarrevisão sistemática. Método: Uma busca estruturada adaptada para cada base de dados será conduzida em sete bases de literatura acadêmica especializada, utilizando termos relacionados à "análise de custo-minimização". A seleção dos estudos será realizada em duas fases (por leitura de título e resumo, e por leitura de texto completa), por dois pesquisadores independentes em cada fase. Os dados serão extraídos em planilhas predefinidas e conterão minimamente informações sobre as características da publicação (e.g. autor, ano, país de condução do estudo e idioma), características metodológicas (e.g. embasamento da presunção de equivalência, tecnologias comparadas), características do relato (e.g. aplicação de diretrizes de qualidade de relato, conflito de interesse e fonte de financiamento do estudo). Resultados: Os dados serão analisados por meio de frequências absolutas e relativas. Complementarmente, uma análise por regressão logística avaliará as seguintes variáveis independentes: preocupações quanto à qualidade do relato (sim ou não), preocupações quanto ao método empregado (sim ou não) e financiamento pela indústria farmacêutica (sim ou não). Os resultados serão reportados seguindo as orientações do "PRISMA Statement 2020", e serão apresentados de forma narrativa, gráfica e tabular. A difusão de conhecimento será conduzida por meio de publicação em revista acadêmica, submissão de trabalhos em congressos, participação em webinários ou seminários. Os participantes do presente projeto declaram não ter conflito de interesse com o projeto. Conclusão: A análise de custo-minimização é amplamente utilizada para comparar tecnologias de saúde que são consideradas equivalentes em termos de eficácia. No entanto, a suposição de equivalência frequentemente carece de fundamentação teórica consistente, o que pode comprometer a validade das conclusões. A variabilidade nos padrões de relato entre estudos adiciona outra camada de complexidade, dificultando a comparação direta e a interpretação dos resultados. Este estudo, ao empregar uma metarrevisão sistemática, buscará não apenas avaliar a qualidade do relato, mas também investigar as bases metodológicas que sustentam a presunção de equivalência. A inclusão de variáveis como preocupações com a qualidade do relato e financiamento pela indústria farmacêutica na análise por regressão logística poderá revelar influências importantes sobre os resultados reportados. <![CDATA[ID 160 - Alteração do Formato das Diretrizes Clínicas de Adenocarcinoma de Cólon e Reto no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200160&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDT) e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) em oncologia são documentos baseados em evidências, desenvolvidos pelo Ministério da Saúde, para orientar as melhores práticas clínicas no Sistema Único de Saúde (SUS). Devido ao sistema diferenciado de financiamento da oncologia, as DDT orientam práticas e evidências, conferindo maior autonomia de escolha aos serviços de saúde. Já os PCDT estabelecem critérios para o uso de procedimentos e tecnologias financiadas pelo SUS, reduzindo as iniquidades e harmonizando condutas. Este trabalho tem como objetivo analisar o processo de transição da diretriz clínica de adenocarcinoma de cólon e reto de DDT para PCDT. Método: Descrição do processo de desenvolvimento do PCDT de adenocarcinoma de cólon e reto a partir das DDT. Foram consultadas orientações metodológicas do Ministério da Saúde para a elaboração e atualização de diretrizes clínicas, a DDT vigente para a neoplasia e diretrizes clínicas nacionais e internacionais publicadas pelas seguintes instituições: (NCCN) 2024, (ESMO) 2022, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) 2024. Também foram consultados os protocolos institucionais do Instituto Nacional de Câncer (Inca) 2022 e do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) 2019, além de um painel de especialistas. Resultados: A partir das recomendações das DDT vigentes e das diretrizes clínicas e protocolos institucionais selecionados, foram estabelecidos critérios para o cuidado dos usuários com adenocarcinoma de cólon e reto, baseados nas melhores evidências disponíveis. As recomendações foram adequadas ao contexto do SUS, considerando as decisões de incorporação ou não incorporação de tecnologias pelo Ministério da Saúde, e apresentadas ao painel de especialistas. Assim, foi possível alinhar as recomendações da proposta de PCDT e validar os critérios estabelecidos. Conclusão: A alteração do formato do documento – da DDT do câncer de cólon e reto para o PCDT de adenocarcinoma de cólon e reto – é permeada por desafios. Uma das principais limitações observadas foi a alta variabilidade das alternativas terapêuticas disponíveis nas diretrizes internacionais e nacionais. Além disso, essas diretrizes foram elaboradas em contextos de serviços específicos, de outros sistemas de saúde ou sem um processo de avaliação de tecnologias pelo Ministério da Saúde. Assim, os contextos distintos aos do PCDT dificultaram a comparação das orientações. Em contrapartida, a análise comparativa com as demais diretrizes foi um importante facilitador do processo de transição de formato da diretriz para o PCDT. A partir da discussão com o painel de especialistas, foi possível desenvolver critérios e recomendações robustas para o cuidado e adequadas ao contexto do SUS. Identificar, avaliar e priorizar tecnologias para o tratamento do câncer no Brasil é essencial para garantir, de forma equânime e sustentável, o acesso às melhores práticas em saúde baseadas em evidências. Com o novo PCDT, espera-se que gestores e profissionais de saúde tenham mais subsídios sobre as condutas mais adequadas no diagnóstico e no tratamento do adenocarcinoma de cólon e reto. <![CDATA[ID 161 - Análise de Custos e Retorno de Escala da Ampliação da Oferta de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para Populações-Chave de 15 a 17 Anos em Duas Cidades Brasileiras]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200161&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No Brasil, a incidência de infecções por HIV está aumentando, especialmente entre homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis e mulheres trans (TrMT). A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma estratégia eficaz de prevenção, oferecida gratuitamente para pessoas a partir de 15 anos no Sistema Único de Saúde (SUS), porém sem uma estratégia consistente de criação de demanda (ECD) para apoiar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, adotados pela Organização das Nações Unidas em 2015. Os objetivos deste estudo são avaliar: (1) o custo total e o custo médio total da oferta de PrEP, incluindo a ECD, direcionada a adolescentes HSH e TrMT com idades entre 15 e 17 anos; e (2) os benefícios da ampliação da cobertura de PrEP para essa população-alvo no SUS. Método: Estimamos o custo total e o custo médio total, e os ganhos de escala para a expansão da oferta de PrEP no SUS usando funções de Cobb-Douglas. Resultados: O custo médio total por oferta de PrEP foi estimado em USD 320 em Salvador e USD 253 em São Paulo. Ganhos de escala foram observados em ambos os cenários de estudo e também em âmbito nacional para o SUS. Conclusão: Nossas estimativas indicam que os investimentos na expansão da oferta de PrEP para adolescentes de 15 a 17 anos provavelmente reduzirão os custos médios totais para o SUS. No entanto, seria necessária uma análise de custo-efetividade para avaliar se esses investimentos na expansão da oferta de PrEP maximizariam os benefícios na redução da incidência de HIV/aids entre a população-alvo, em comparação com as práticas atuais do SUS. <![CDATA[ID 162 - Medicamentos Recomendados em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para Doenças Raras]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200162&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Para abordar a temática de tratamento de doenças raras é necessário considerar a especificidade dessas doenças, a individualidade dos pacientes e o funcionamento do Sistema Único de Saúde em sua totalidade. Nesse contexto, uma das respostas à movimentação social e institucional por mais atenção e cuidado integrado para pacientes com essas condições são os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para doenças raras. Para além da disponibilização dos medicamentos, o cuidado aos pacientes com doenças raras precisa considerar a complexidade do tratamento e as necessidades de cada paciente, principalmente no que diz respeito ao manejo e ao acompanhamento de medicamentos, exigindo clareza na descrição do tratamento indicado. O objetivo desse trabalho foi identificar e analisar os medicamentos recomendados nos PCDT de doenças raras e verificar a situação regulatória de cada especialidade indicada, disponibilidade de bula, presença na Lista de Medicamentos Referência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de verificar a padronização na nomenclatura, de acordo com as normas exigidas para descrição de Formas Farmacêuticas e Vias de Administração. Método: Considerando os documentos vigentes até 3 de novembro de 2022, foram realizadas buscas manuais nos sites da Comissão Nacional de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Conitec) e do Ministério da Saúde, para identificar apenas PCDT com uma lista formal de medicamentos, conforme a Portaria SAS/MS n.° 375/2009. A plataforma RedCap® foi utilizada para criar um formulário de extração padronizado e coletar dados dos PCDT, incluindo a portaria e ano de publicação, fármacos recomendados, posologia, esquema de administração e forma farmacêutica. Após a coleta, foi verificado o status de referência dos medicamentos e consultadas as bulas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para confirmar o registro, a concentração e a forma farmacêutica. Com essas informações, foram identificados os PCDT voltados para doenças raras. Resultados: Representando 42,6% (43) de todos os PCDT publicados pelo Ministério da Saúde, os PCDT de doenças raras preconizam o uso de 104 princípios ativos, descritos conforme as orientações e as diretrizes estabelecidas, com poucos erros relacionados à informação de via de administração (28; 26%) e descrição da forma farmacêutica (22; 12%), que impactam no entendimento do corpo multidisciplinar que acompanha esses pacientes. Além disso, entre as 180 especialidades farmacêuticas recomendadas nos PCDT, 16 (8,8%) apresentam situação regulatória irregular, enquanto 82 (45,5%) constam na Lista de Medicamentos Referência da Anvisa. Conclusão: A maioria das especialidades farmacêuticas recomendadas nos PCDT de doenças raras contém informações corretas de via de administração e forma farmacêutica. No entanto, foram identificados alguns erros de descrição e falta de registro regulatório para alguns medicamentos. Essa análise destaca a necessidade de regularização e padronização da descrição de administração dos medicamentos, para garantir maior segurança e eficácia no cuidado dos pacientes com doenças raras, considerando que nessa área os tratamentos disponíveis são escassos. <![CDATA[ID 163 - Avaliação do Relato do Envolvimento do Paciente e do Público nos Relatórios Técnicos no Brasil Publicados em 2023-2024]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200163&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Nos últimos anos, esforços têm sido feitos para melhorar metodologias e envolver pacientes em relatórios técnicos, mas a qualidade inconsistente dos relatos dificulta a compreensão de seu impacto. Nesse contexto, o objetivo deste resumo foi descrever as características do relato de envolvimento do paciente e do público no item perspectiva do paciente (PP) dos relatórios técnicos publicados pela Conitec, elencar os desafios para participação do público, fornecer sobre itens da ferramenta Guidance for Reporting Involvement of Patients and the Public Short Form (GRIPP2-SF) que poderiam ser incorporados nos relatórios técnicos. Método: Realizamos uma análise retrospectiva dos relatórios técnicos publicados pela Conitec publicados entre 6 de setembro de 2023 e 6 de setembro de 2024. Coletamos dados de caracterização dos relatórios que possuíam o item PP ou somente a consulta pública (CP), além dos desafios para participação social. Utilizamos o guia de relato GRIPP2-SF, que possui cinco itens e tem o objetivo de melhorar a qualidade do relato do envolvimento de pacientes e do público em pesquisas de saúde e assistência social em qualquer tipo de estudo, para fornecer de itens que poderiam ser incorporados aos relatórios técnicos. Realizamos uma análise descritiva dos dados, apresentando-os em porcentagem e média. Resultados: Setenta e um relatórios foram avaliados, sendo 7.371 participantes inscritos. Destes, quatro documentos não houve nenhuma participação social. Do total, 63% (45) possuíam o item PP e 37% (26) abordaram detalhes sobre a CP. Em média, o prazo da chamada pública para participação do item PP foi de 13 dias e a CP foi de 18 dias. O paciente era eleito para coleta das informações para o item PP por consenso entre os pacientes ou por sorteio, sendo então coletado seu relato de experiência e transcrito um resumo para o relatório técnico. Por outro lado, os relatórios que continham apenas o item CP utilizaram um formulário composto por duas partes: características do paciente e contribuição do paciente. Esta última, estruturada em três blocos de perguntas com o objetivo de conhecer a opinião do participante sobre a recomendação inicial da Conitec; a experiência prévia com a tecnologia em análise e a experiência prévia com outras tecnologias. Os resultados da CP foram apresentados em formato de resumo com as contribuições dos pacientes e comentários do grupo executor do relatório. Os desafios identificados para participação social foram: ausência de inscrição na chamada pública e não conformidade com os critérios de inclusão. Os itens do GRIPP2-SF que estavam descritos nos relatos foram: objetivos, métodos e resultados do estudo. Por outro lado, os itens ‘discussão e conclusões’ e ‘reflexões e perspectiva clínica’ poderiam ser incorporados para otimizar o aproveitamento da informação dos pacientes e fomentar a participação social. Conclusão: Os desafios para envolver pacientes na produção de relatórios técnicos refletem o panorama global, com a adesão às iniciativas e abordagens dinâmicas para extração de informações sendo frequentemente mencionadas na literatura, o que apoia nossos achados. Assim, é essencial aproveitar integralmente a informação do envolvimento do paciente para aumentar o engajamento e melhorar o relato. O guia GRIPP2-SF pode ser uma ferramenta útil nesse contexto, devido à sua flexibilidade e abordagem didática em relação aos itens desejáveis. <![CDATA[ID 164 - O Uso de Evidências para a Regulação Sanitária: experiência da implementação do Ciclo de Prioridades]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200164&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A cooperação técnica-cientifica tem sido estratégia de articulação intersetorial entre ciência e tecnologia e regulação sanitária. Desde 2018 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Brasília atuam em avaliações de tecnologias em saúde para apoio às decisões reguladoras. Em junho de 2022, iniciou-se o Ciclo de Prioridades para estudos de síntese de evidências, de forma a identificar temas que corroborassem com a qualificação dos processos regulatórios e com o fortalecimento do papel da Anvisa na proteção e na promoção da saúde. Apesar de amplamente utilizado pelo Ministério da Saúde, o ciclo de priorização para pesquisa ainda é incipiente no campo da regulação sanitária. Método: O Ciclo de Prioridades dividiu-se em quatro etapas: i) identificação dos problemas e temas; ii) sistematização da coleta; iii) oficinas com as áreas técnicas; iv) apresentação dos resultados e encaminhamentos. Cada área técnica da Anvisa enviou temas para serem objetos de investigação de literatura e que dialogassem com a Agenda de Pesquisa da Anvisa. Resultados: Ao fim, foram identificados 29 temas diferentes, somando-se 52 estudos entre Pareceres Técnico-Científicos (n=9), informes (n=4) e sínteses de evidência (n=39). Macroagendas para dispositivos médicos e medicamentos foram as mais frequentes. Os estudos visam identificar evidências sobre vigilância pós-comercialização; definição de problemas regulatórios; seleção das melhores opções regulatórias e identificação da base legal para o problema selecionado. Até a presente data, seis sínteses de evidências, um informe técnico e cinco Pareceres Técnico-Científicos foram elaborados. Encontram-se em desenvolvimento 19 estudos, sendo os demais prospectados para início do segundo semestre deste ano. Por fim, os estudos fornecerão recomendações para orientar tomadas de decisão sobre medidas regulatórias sanitárias. Conclusão: A experiência vivenciada por meio da adoção do Ciclo de Prioridades, visando a identificar temas prioritários, deu-se com base nas reais necessidades dos tomadores de decisão, o que faz com que respostas às lacunas existentes no conhecimento possam ser apresentadas com potencial de contribuir na produção de evidências para apoiar à revisão de normas regulatórias, e monitoramento de pós-comercialização de tecnologias em saúde. Esta colaboração, para o desenvolvimento dos estudos, conta com uma rede de especialistas mobilizada para ampliar a capacidade de resposta e o conhecimento técnico-científico em apoio à tomada de decisão de regulação sanitária. <![CDATA[ID 166 - Evolução das Demandas de Tecnologias em Saúde no SUS: análise das avaliações da Conitec (2012-2024)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200166&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A partir da publicação da Lei n.º 12.401, em 28 de abril de 2011, alterando a Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990, a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologias em saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) passaram a ser estabelecidas no Ministério da Saúde sob assessoria da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias em Saúde (Conitec). O processo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) – parte da Política Nacional da Gestão de Tecnologias em Saúde de 2010 – favorece a sustentabilidade do sistema, transparência e qualidade das tecnologias, além de garantir os princípios constitucionais do SUS, em especial equidade e integralidade. Nesse contexto, os dados do painel "Conitec em Números" entre 2012 e 2024 mostram que as tecnologias em saúde submetidas à Conitec perpassam um total de 1.224 demandas avaliadas, entre as quais 74,1% representam medicamentos, 15,8% procedimentos e 10,1% produtos. O aprimoramento das informações contidas neste painel de acompanhamento permite identificar aspectos importantes quanto ao alcance desta política e populações beneficiadas. Os objetivos deste trabalho serão categorizar as demandas submetidas a Conitec nos temas de saúde atingidos pós-recomendações e realizar uma análise temporal no período entre 2012 e 2024. Método: Foi realizada uma pesquisa documental no site atual da Conitec para extrair dados das demandas submetidas à Comissão. Os dados de interesse foram: "Motivo da solicitação", "Nome da Tecnologia", "Tema da Saúde" e "Demandante". Esses dados foram apresentados por meio de frequências e utilizados para classificação das demandas nos temas da saúde. Além disso, foi apresentada uma análise de tendência temporal. Resultados: Entre 2012 e 2024 foram avaliados 819 medicamentos, 74 produtos e 168 procedimentos. As demandas que tiveram como motivo da solicitação a incorporação representaram 85% (906) do total, seguido por 8,3% para exclusão e 6% para ampliação de uso. As demais demandas tiveram como motivo de avaliação: restrição de uso, alteração e reavaliação. A análise temporal não mostra tendência de crescimento tanto no número de avaliações gerais quanto por cada uma das categorias apresentadas anteriormente. Os seis temas em saúde mais frequentes foram infectologia (14,5%), oncologia (11%), hematologia (7,2%), neurologia (6,7%), pneumologia (5,7%), genética (5,7%) e cardiovascular (5%). Conclusão: Os dados sobre a ampla gama de especialidades envolvidas mostram a capacidade do SUS em responder de maneira integrada e coordenada às necessidades de saúde da população contribuindo para a garantia da integralidade e equidade, com eficácia e sustentabilidade das políticas de saúde. Pode-se observar o papel da Conitec na incorporação de tecnologias duras, relacionada à incorporação de técnicas mais modernas e menos invasivas, potencializando resultados clínicos e uma melhor experiência do paciente. A predominância das demandas por incorporação seguido pelas exclusões indica que os avanços tecnológicos e o incremento de robustez nas evidências científicas pressionam a inclusão de novas tecnologias no sistema de saúde. O acompanhamento dos temas em saúde no qual estas tecnologias se inserem permite conhecer as especialidades atendidas, refletindo a dinâmica das demandas com a priorização equilibrando inovação com sustentabilidade do sistema. <![CDATA[ID 167 - Cenário Atual dos Métodos para Dimensionamento Corporal para Fabricação de OPM não Implantáveis: uma revisão de escopo]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200167&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No Brasil, onde cerca de 23,9% da população têm alguma deficiência, o acesso às órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção (OPM) é limitado devido à fabricação inadequada e à falta de personalização. No processo de fabricação desses dispositivos, uma das fases mais importantes é a análise do dimensionamento corporal, pois eles devem se adaptar perfeitamente ao corpo para evitar desconfortos e abandono. Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo mapear os conceitos e as evidências existentes na literatura sobre os métodos de dimensionamento corporal existentes para fabricação de OPMs não relacionadas ao ato cirúrgico. Método: Estudo do tipo revisão de escopo. A pergunta norteadora foi estruturada pelo acrônimo População, Conceito e Contexto (PCC) (Quais os diferentes métodos existentes na literatura de dimensionamento corporal para fabricação de OPME?). Foram incluídos estudos que apresentassem ao menos um método de dimensionamento corporal e documentos oficiais de entidades governamentais e não governamentais, sem recorte temporal e sem restrições de idioma. E excluídos os estudos que não estivessem disponíveis na íntegra, bem como os que apresentassem métodos relacionados ao ato cirúrgico. As buscas foram realizadas em cinco bases de dados eletrônicas (LILACS, Embase, MEDLINE via PubMed, Cochrane Library e Scopus), além da literatura cinzenta. A seleção dos estudos ocorreu em duas etapas: triagem de títulos e resumos, seguida de análise dos textos completos com base nos critérios de elegibilidade. Resultados: No total, 1.267 estudos foram identificados, dos quais 27 foram excluídos por serem duplicatas. Após a triagem por título e resumo, 86 estudos foram selecionados para leitura completa, resultando na exclusão de 43 e na inclusão de 43 estudos na revisão. Os estudos incluídos foram publicados entre 2005 e setembro de 2022, com a maioria (51,1%) entre 2016 e 2020, e todos foram artigos de periódicos científicos. A maioria dos estudos (90,7%) eram estudos de caso, enquanto 7% eram ensaios clínicos e 2,3% revisões. Os métodos de dimensionamento mais comuns foram a digitalização 3D (81,3%) e o molde de gesso (23,3%). A tomografia computadorizada (13,9%) e radiografias biplanares (4,6%) foram menos comuns. Os dispositivos mais frequentemente desenvolvidos foram órteses, com predominância de órteses de membro inferior (34,8%) e de tronco (20,9%). Conclusão: Embora técnicas tradicionais como o uso de moldes de gesso ainda sejam comuns devido às habilidades especializadas necessárias, elas apresentam limitações significativas, incluindo desconforto para o paciente e ineficiências na fabricação. Em contraste, métodos modernos como digitalização 3D, tomografia computadorizada e radiografias biplanares oferecem avanços em precisão e eficiência, melhorando o ajuste e o conforto dos dispositivos ortopédicos e protéticos. A digitalização 3D, por exemplo, reduz o tempo de fabricação, embora o custo inicial elevado e a necessidade de treinamento especializado ainda sejam desafios a serem superados. Além disso, a resistência à mudança por parte dos profissionais e a necessidade de maior investimento em infraestrutura podem limitar a adoção dessas tecnologias. As conclusões deste estudo demonstram a evolução dos métodos de dimensionamento corporal e o impacto potencial na qualidade das OPMs. A implementação bem-sucedida dessas tecnologias poderá melhorar substancialmente a fabricação de dispositivos ortopédicos e protéticos, beneficiando tanto os pacientes quanto os profissionais da área. <![CDATA[ID 169 - Viabilidade de Implantação do Monitoramento Terapêutico da Vancomicina em Hospitais de um Estado Brasileiro]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200169&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A vancomicina é tratamento de escolha para resistente à meticilina. Entretanto, seu estreito índice terapêutico tem exigido monitoramento com o intuito de garantir eficácia clínica e minimizar nefrotoxicidade. O objetivo desse trabalho foi avaliar a viabilidade de implantação do monitoramento terapêutico da vancomicina nos hospitais estaduais de um estado brasileiro. Método: Uma síntese de evidências buscou responder à pergunta: o monitoramento terapêutico da vancomicina é seguro e eficaz quando medidos em termos de nefrotoxicidade e sucesso terapêutico em comparação ao não monitoramento? A busca por títulos foi realizada nas bases de dados PubMed; Cochrane Library e LILACS, usando os descritores: . Foram considerados estudos de revisão sistemática, sem restrição de língua. O software Rayyan foi utilizado para remoção de duplicatas e triagem, realizada por três revisores independentes, com base na leitura de títulos e resumos. A extração de dados deu-se em instrumento padronizado por dois pesquisadores. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi analisada pela ferramenta AMSTAR-2. Um impacto orçamentário, sob a perspectiva do pagador, foi calculado como a diferença entre os custos médios anuais do cenário hipotético de incorporação da tecnologia e o cenário atual, no qual não contempla o monitoramento terapêutico da vancomicina, levando-se em consideração a difusão da tecnologia ano a ano com base na adesão descrita na literatura. A população de interesse foi definida pelo método da demanda aferida com base no número médio de usuários de vancomicina nos anos de 2020, 2021 e 2022 nos hospitais estaduais. Os custos foram calculados com fulcro no curso clínico dos indivíduos, considerando apenas os custos diretos médicos relacionados à nefrotoxicidade. O modelo não considerou os benefícios da tecnologia em termos de eficácia clínica, tampouco a necessidade de terapia renal substitutiva no período pós-alta hospitalar. Um formulário estruturado foi enviado a cada hospital com o propósito de avaliar a capacidade instalada para uma possível incorporação da tecnologia. Resultados: O monitoramento terapêutico da vancomicina está associado a chances significativamente mais altas de eficácia clínica (OR = 2,62, IC 95% 1,345,11 p=0,516; I2=0%) e chances mais baixas de nefrotoxicidade (OR = 0,27, IC 95% 0,12–0,58 P = 0,461; I2=0%) quando comparados ao não monitoramento. O impacto orçamentário se mostrou negativo, indicando economia de recursos decorrentes da adoção da tecnologia avaliada. A economia pode variar de -R$ 23.945,83 no primeiro ano e de -R$ 42.144,65 no quinto ano. Em cinco anos, o impacto cumulativo pode ser de até -R$ 166.662,95. O estudo junto aos hospitais demonstrou que a implementação da tecnologia depende de treinamento de pessoal; fluxo de trabalho entre equipes; desenvolvimento de protocolos; uso de calculadoras específicas e dosagem sérica de vancomicina. Conclusão: O monitoramento terapêutico da vancomicina reduz as chances de lesão renal aguda induzida por vancomicina e, portanto, é recomendado por diversas diretrizes clínicas. Semelhante a outros hospitais brasileiros, a implantação dessa tecnologia é viável nos hospitais estaduais podendo trazer benefícios clínicos e econômicos, além de cooperar com ações ligadas à gestão de risco e segurança do paciente. <![CDATA[ID 170 - Desenvolvimento de uma Tecnologia Educacional sobre Protocolo de Uso]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200170&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No Brasil, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), dispõe sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no âmbito do SUS, definindo diferentes tipos de nomenclaturas para denominar os Guidelines, sendo o Protocolo de Uso uma das mais desconhecidas pelos profissionais da saúde. O objetivo é desenvolver uma tecnologia educacional que divulgue o Protocolo de Uso para os profissionais da saúde no Brasil. Método: Trata-se de uma pesquisa desenvolvida pelo método Delphi Modificado, com 12 participantes na primeira rodada e 10 na segunda rodada. O campo de ação foram os Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) cadastrados na Rede Brasileira de Tecnologia em Saúde. Amostra não probabilística com seleção dos profissionais participantes dos Nats, seguida da técnica "bola-de-neve" com experts que atuam na área de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Coleta de dados ocorreu em duas rodadas: elaboração de um formulário com 12 perguntas abertas que conduziram as entrevistas individuais face a face com experts realizadas on-line, com posterior análise de conteúdo de Bardin; e elaboração de um formulário com oito questões quantitativas, fundamentado nas respostas da primeira rodada, alcançando índice de consenso superior a 80% entre os experts, com posterior devolutiva dos resultados aos participantes. Resultados: Os achados de cada rodada foram fundamentais para a obtenção das recomendações dos experts para o Protocolo de Uso. Apesar de 83,3% dos especialistas desconhecerem a nomenclatura, após a contextualização, concordaram na importância e relevância desse documento. Na primeira rodada, houve índice de consenso superior a 80%, em aspectos relativos à criação e à utilização do Protocolo de Uso como a importância para o gerenciamento das instituições e a utilização do mesmo percurso metodológico usado na criação dos Protocolos Assistenciais. Na segunda rodada, obteve-se índice de consenso médio de 88,75% nas questões quantitativas relativas a fatores como garantia de legitimidade do documento; viabilidade e modelo de um protocolo para utilização interdisciplinar e a abordagem com foco nos processos e procedimentos e não na categoria profissional. Esses achados permitiram a editoração de um e-book intitulado . Conclusão: A pesquisa permitiu conhecer a opinião dos especialistas e aprofundar o conceito sobre o Protocolo de Uso, servindo de fundamentação para a construção de uma tecnologia educacional direcionada aos profissionais de saúde. O Protocolo de Uso é fundamentado em evidências científicas para prestar uma assistência qualificada e segura ao paciente dependente de dispositivos tecnológicos. <![CDATA[ID 172 - Associação dos Implantes Mamários de Superfícies Texturizada e Lisa ao Linfoma Anaplásico de Células Grandes (alcl): uma revisão sistemática]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200172&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Em 2011, ocorreu suspeita do FDA da associação de implantes mamários com uma forma rara de linfoma não-Hodgkin, o linfoma anaplásico de células grandes ALCL. A OMS reconheceu e definiu em 2016 a condição clínica como linfoma associado a implantes mamários (BIA-ALCL). Em 2018, a agência francesa ANSM suspendeu a comercialização dos implantes texturizados da empresa Allergan com a perda do Certificado de conformidade por possível associação com BIA-ALCL. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução n.º 3.340/2018 determinando a suspensão cautelar da importação, comercialização e utilização dos implantes texturizados, revogando-a em 2019, em concordância com outras agências internacionais. A empresa alegou ausência de evidência científica e apresentou plano de acompanhamento das pacientes. A manutenção das medidas tomadas pelas agências requer reavaliações da hipótese de que o implante texturizado aumenta o risco/chance de BIA-ALCL. Objetivo: Avaliar, a associação do implante mamário texturizado (IT) comparado ao liso (IL) com o risco de desenvolvimento do BIA – ALCL. Método: Foram realizadas todas as etapas de uma revisão sistemática com busca nas bases MEDLINE (PubMed), Embase e Cochrane Library com vocabulários controlados. As 563 referências identificadas foram selecionadas e avaliadas por pares de revisores independentes com divergências resolvidas por terceiro revisor. A avaliação crítica da qualidade da evidência foi realizada com a ferramenta para estudos de prevalência do Instituto Joanna Briggs. O sistema GRADE foi utilizado para avaliar a confiança na evidência. Resultados: Foram incluídas três coortes retrospectivas: 1ª) com pacientes submetidas à cirurgia de aumento mamário (266), 181 IL e 85 implantes microtexturizados, acompanhadas por média de tempo de 11 e 13 meses, respectivamente; 2ª) com pacientes submetidas à reconstrução mamária após mastectomia (389), 140 IL e 604 IT, acompanhadas por tempo médio de 234 e 221 dias; 3ª) com pacientes submetidas a reconstrução mamária após mastectomia (590), 140 IL e 450 IT, acompanhadas por tempo médio de 60 meses. Nenhuma das coortes identificou a ocorrência de BIA-ALCL, confirmando a raridade do evento. Foram encontrados vieses de seleção, aferição e evidência indireta. O tamanho das populações, possíveis fatores de confusão e tempos de seguimento insuficientes diminuíram a confiança da evidência, graduada como muito baixa a baixa. Para complementar os achados, foram avaliados dois estudos que utilizaram dados de registros nacionais e institucionais de câncer, de procedimentos de reconstrução mamária e outras bases populacionais da Suécia e Dinamarca. Respectivamente, nas populações de 3.486 e 19.885 mulheres com implantes mamários e seguimento médio de 18,4 e 7,7 anos, não foi detectado BIA-ALCL. Conclusão: A hipótese de a textura do implante mamário ser um fator de risco para o BIA-ALCL não pôde ser confirmada. As coortes comparativas foram insuficientes para garantir alguma associação. Apesar dos estudos desenvolvidos com dados de mundo real apresentarem populações maiores e longo tempo de seguimento, tais características não permitiram detectar o evento raro BIA-ALCL. O principal desafio para os estudos foram os critérios de seleção da população entre os muitos tipos de linfomas, as recorrências na mama como sítio não primário, as revisões cirúrgicas com exposições a diferentes tipos e texturas de implantes, a identificação e classificação retrospectiva dos implantes/explantes, além das mortes por doença disseminada. <![CDATA[ID 175 - Monitoramento do Horizonte Tecnológico de Potenciais Vacinas para a Profilaxia do Vírus Zika e Chikungunya]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200175&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As arboviroses são doenças virais, transmitidas pela picada do mosquito infectado, que coloca em risco quase 4 bilhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. O Brasil, por ser um País com zonas tropicais e subtropicais, torna-se um ambiente favorável para a proliferação desses insetos, como dengue, Zika e chikungunya. Atualmente, não há tratamento específico para as arboviroses; os analgésicos e antipiréticos são indicados de forma paliativa para amenizar a dor e a febre. Assim, tendo em vista a implementação da vacina contra o mosquito por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o cenário epidemiológico, este trabalho tem como objetivo buscar no horizonte tecnológico, tecnologias novas e emergentes que poderá imunizar a população contra o vírus Zika e chikungunya. Método: Foram realizadas buscas nas bases de dados ClinicalTrials.gov3 e Cortellis™4 no período de 26/2/2024 a 13/3/2024, utilizando-se os seguintes termos na estratégia de busca: "Zika Virus infection" and "Chikungunya virus infection". Foram considerados estudos clínicos de vacinas de fases 1, 2 e 3; em andamento ou completo até cinco anos. Para a situação regulatória das tecnologias selecionadas, foram consultados os sítios eletrônicos: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), European Medicines Agency (EMA) e U.S. Food and Drug Administration (FDA) com indicação clínica de até cinco anos, nos dias 18 e 19 de março de 2024. Resultados: O Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT) identificou oito vacinas para o vírus Zika, sendo: mRNA-1893; ChAdOx1 Zika; Zika Virus Purified Inactivated Vaccine (ZPIV); VRC-ZKADNA090-00-VP; Purified Inactivated Zika Virus Vaccine (PIZV); rZIKV/D4Δ30-713; MV-ZIKA-RSP e ZIKV-IG e nenhuma vacina possui registro sanitário na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), EMA ou FDA. Para o vírus chikungunya foram apontadas seis vacinas, a saber: BBV87, MV-CHIK, ChAdOx1 Chik, mRNA-1388, VLA1553 e PXVX-0317 e somente a vacina (VLA1553 -IXCHIQ®) já possui registro sanitário no FDA, e pedido de registro em andamento na Anvisa e na EMA. Conclusão: Os imunizantes em estágio mais avançado para o vírus Zika são a mRNA-1893 e a VRC-ZKADNA090-00-VP. O mRNA-1893 é uma vacina de RNA mensageiro (mRNA) que utiliza o peptídeo do vírus da encefalite japonesa com a tecnologia V1GL8. Já o VRC-ZKADNA090-00-VP é uma vacina de DNA do vírus Zika composta por um único plasmídeo de DNA circular fechado que codifica as proteínas da membrana percursora M e envelope da cepa H/PF/2013 do vírus Zika. Este estudo está sendo conduzido no Brasil e em oito países e seu ensaio clínico está registrado na Anvisa em fase 2 e possui cooperação estrangeira. Para o vírus chickugunya, destaca-se as vacinas MV-CHIK e VLA1553, com vetor de vírus vivo atenuado. No ensaio clínico concluído de fase 3 foi constatado segurança, tolerabilidade e imunogenicidade adequados. A PXVX0317, vacina de partículas semelhantes ao vírus da chikungunya, já apresenta ensaios clínicos de fase 3. No Brasil, a vacina VLA1553 está em desenvolvimento pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva Áustria GmbH em sete centros de pesquisa: Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Fortaleza, Laranjeiras, Manaus, Recife, Salvador, São José do Rio Preto e São Paulo. Em suma, ainda não há vacina disponível para prevenção da infecção pelo vírus chikungunya e pelo vírus Zika (CHIKV) no Brasil, porém há estudos em desenvolvimento. <![CDATA[ID 177 - Análise <em>Ex Ante</em> da Rede Brasileira de Pesquisa Clínica]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200177&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As políticas públicas compreendem um conjunto de ações e diretrizes estatais voltadas à solução de problemas e à necessidades da sociedade. A avaliação, por meio da análise, é um componente que deve estar presente desde o nascedouro das políticas públicas, para otimizar os recursos públicos e o bem-estar da população. A análise constitui uma avaliação destinada a identificar inconsistências e incoerências em aspectos para a criação de uma política pública. Nesse contexto, objetiva-se apresentar os resultados da análise da instituição da Rede Brasileira de Pesquisa Clínica (RBPClin), no âmbito do governo federal. Método: No período de outubro/2022 a novembro/2023, foi realizada a análise da RBPClin, a partir da metodologia definida pelo, da Casa Civil (Brasil, 2018), com vistas a desenvolver ferramentas e análises para estruturar a rede. O trabalho foi conduzido pela Coordenação-Geral de Evidências em Saúde, em parceria com a Coordenação-Geral de Ações Estratégicas em Pesquisa Clínica, ambas do Departamento de Ciência e Tecnologia da Sectics/MS. Foram realizadas três oficinas com a equipe técnica responsável pela implementação da RBPClin e estudo de documentos sobre o tema. A análise seguiu as etapas de: diagnóstico do problema; caracterização da política: objetivos, ações, público-alvo e resultados esperados; desenho da política; estratégia de construção de confiabilidade e de credibilidade; estratégia de implementação; e estratégia de monitoramento, de avaliação e de controle. Resultados: A RBPClin surgiu como resposta ao Plano de Ação de Pesquisa Clínica no Brasil, institucionalizado por meio da Portaria GM/MS n.º 559/2018. Como ações estratégicas, o Plano propôs a reestruturação do modelo de gestão da Rede Nacional de Pesquisa Clínica (RNPC) e o fortalecimento do trabalho colaborativo em rede. À época, compreendia-se que o modelo da RNPC limitou o alcance do seu pleno potencial, culminando com a concepção de uma nova rede. A análise foi iniciada ainda na fase de concepção da RBPClin. Os principais achados referem-se à elaboração do diagnóstico do problema, à árvore do problema e aos objetivos da Rede. Já em relação ao desenho e à implementação da intervenção, destacam-se a elaboração do modelo lógico, da teoria da mudança e da matriz de indicadores; a análise das políticas relacionadas e atores sociais; e o mapeamento dos riscos utilizando a Matriz Swot, identificando possíveis meios para superá-los a partir da Matriz Swot Cruzada. Por fim, realizou-se a análise do grau de confiança e suporte da intervenção. Conclusão: A análise foi essencial para subsidiar a implementação da RBPClin de maneira eficaz. A capacidade limitada de execução de pesquisa clínica no âmbito nacional e a alta concentração regional da capacidade instalada constituem os principais problemas a serem enfrentados pela Rede. Para solucionar esses problemas, a RBPClin deve atuar para promover a articulação entre pesquisadores, especialistas, organizações e instituições no âmbito da pesquisa clínica, apoiar a formação e a capacitação em pesquisa clínica, e fomentar a qualificação técnica e a infraestrutura de centros de pesquisa clínica. Conclui-se, destacando-se a relevância da análise da RBPClin, por prover subsídios fundamentais para a avaliação contínua de sua atuação frente aos desafios enfrentados pelo ecossistema da pesquisa clínica no País. <![CDATA[ID 178 - Métodos de Avaliação para Incorporação OPME no SUS: um protocolo de direcionamento]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200178&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Com foco em fortalecer o processo de gestão de tecnologias no âmbito do SUS, a Política Nacional de Gestão de Tecnologias em Saúde (PNGTS), incentiva a utilização de evidências científicas no subsídio para incorporação. No campo de órteses, próteses e materiais especiais (OPME), a ATS apresenta limitações específicas e exige, portanto, uma visão particular somada, com frequência, à necessidade de adaptações, revisões ou construção de processos diversos, que tenham maior especificidade. Desse modo, este estudo tem por finalidade construir um guia para descrever os métodos de avaliação para incorporação de OPME no SUS, ressaltando as particularidades que envolvem essa classe de dispositivos e a literatura acerca dela. Método: Três etapas metodológicas foram estabelecidas: Na primeira etapa foram mapeados e identificados os critérios relevantes para síntese de evidências clínicas e científicas sobre OPME. A definição desses critérios foi marcada por conversa com especialistas associada ao reconhecimento dos processos de prescrição, concessão e adaptação já realizados em oficinas ortopédicas de referência e em Centros Especializados em Reabilitação (CERs) em diversas regiões do Brasil. Na segunda etapa, foi realizada uma análise comparativa entre as etapas formais de condução de uma ATS e as particularidades de uma avaliação de OPME para que houvesse identificação dos tópicos ajustáveis visando atender às especificidades e delineando as fases desse processo. Com as informações obtidas nas etapas anteriores, a etapa 3 destinou-se à elaboração do Guia de Boas Práticas em Avaliação de OPME. Resultados: A busca por potenciais estudos elegíveis deve ser ampla, sensível e sistemática a fim de identificar todas as evidências científicas disponíveis. A estratégia de busca, ao se tratar de OPME, deve ser estruturada com base nos elementos da pergunta de pesquisa, assim como a condução padrão de ATS, no entanto, devido à ampla gama de termo técnico na área, será necessário, em muitas ocasiões, a inclusão de termos associados ao vocabulário não controlado, assim necessitando uma busca prévia na literatura. Outra particularidade é a possibilidade de, por ausência de especificidade, o instrumento de avaliação migrar de revisão sistemática para revisão de escopo. A decisão entre os tipos de estudo deve ser guiada pelos objetivos da pesquisa, pela natureza do tema e/ou pela condição da literatura existente. A síntese de evidências nessa área de atuação também poderá ser de duas formas: qualitativas e/ou quantitativas. A análise qualitativa visa explorar questões sobre experiências, percepções, ou significados atribuídos pelos participantes. Já a análise quantitativa, por sua vez, está voltada para a quantificação de efeitos ou associações, como a eficácia de uma intervenção. Conclusão: As OPMEs possuem características particulares que devem ser consideradas na realização de estudos de ATS, visando a um processo final coerente e eficiente que permita aos gestores avaliar a relevância relativa dos diferentes domínios ou estágios de interesse, bem como o desempenho da referida tecnologia em comparação com alternativas. Essas singularidades exigem uma abordagem sistemática e analítica, baseada em fundamentos de alta qualidade, com intervalos claros e predefinidos que foram sintetizados na construção deste guia com o intuito de aumentar a transparência e a reprodutibilidade do processo decisório, garantindo que os pacientes atendidos pelo SUS recebam os melhores resultados. <![CDATA[ID 182 - Eladocagene Exuparvovec (Upstaza®) no Tratamento da Deficiência da Descarboxilase de L-Aminoácidos Aromáticos (AADC): alerta de monitoramento do horizonte tecnológico]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200182&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A deficiência da enzima L-aminoácido aromático descarboxilase (AADC) é uma rara desordem neurológica genética causada por variantes patogênicas no gene da dopa descarboxilase (DDC), resultando na redução ou na ausência de atividade enzimática. A AADC é essencial para a produção de neurotransmissores monoaminas, como dopamina, serotonina, norepinefrina e epinefrina. A ausência desses neurotransmissores provoca uma série de sintomas debilitantes, como hipotonia, crises oculogíricas, distonia e atraso no desenvolvimento motor. Eladocagene exuparvovec, uma terapia genética de reposição, oferece uma nova abordagem ao tratar a causa subjacente da doença. Este estudo revisa os ensaios clínicos disponíveis sobre a eficácia e a segurança do eladocagene exuparvovec para AADC. Método: Busca sistemática foi realizada nas bases de dados Cortellis, ClinicalTrials.gov, PubMed, Embase e Cochrane Library em fevereiro de 2024. As estratégias de busca foram elaboradas utilizando os termos controlados e seus relacionados. Foram incluídos estudos clínicos que avaliaram a eficácia e a segurança do eladocagene exuparvovec para AADC, sem restrição de idioma. Os estudos foram triados com base no título, resumo e texto completo, após a remoção de duplicatas. Resultados: Quatro registros de ensaios clínicos e cinco ensaios clínicos publicados foram incluídos. Todos os registros incluídos correspondem à fase I ou II de desenvolvimento clínico e foram conduzidos nos Estados Unidos (n=1), Taiwan (n=2) e um estudo multicêntrico, envolvendo Estados Unidos, Israel e Taiwan (n=1). Dois ensaios ainda estão em andamento. Os resultados dos ensaios clínicos mostraram aumento significativo nos metabólitos de neurotransmissores (HVA e 5-HIAA) no líquido cefalorraquidiano após 3, 6 e 12 meses de terapia. Houve melhorias na função motora, evidenciadas pela pontuação nas escalas motoras aos 3, 6, 9, 12 e 18 meses após a terapia em comparação com a linha de base (PDMS-II (p&lt;0,001), AIMS (p&lt;0,001)). A escala de Bayley-III também revelou melhorias significativas em comparação com a linha de base nos domínios cognitivo (p=0,005) e linguagem (p=0,005). O ganho de peso corporal foi significativo no primeiro ano (p=0,005). Exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET) mostraram aumento na observação de fluorodopa, precursor dopaminérgico, refletindo a expressão da enzima AADC. Os eventos adversos foram predominantemente leves a moderados, com um caso de hemorragia subdural que não exigiu intervenção. Conclusão: Os resultados sugerem que eladocagene exuparvovec tem potencial para restaurar a produção de dopamina e melhorar as funções motoras e cognitivas em pacientes com deficiência de AADC. Embora os dados clínicos sejam promissores, eles são baseados em amostras pequenas e ensaios de fase inicial, o que limita a generalização dos resultados. O tratamento foi bem tolerado, com eventos adversos manejáveis. Para que o medicamento seja disponibilizado no SUS, é necessário o registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a avaliação pela Conitec, considerando a eficácia, a segurança e o impacto econômico do tratamento no Brasil. <![CDATA[ID 185 - Inovação na Residência Multiprofissional: Eixo Transversal do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do HU-UFJF]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200185&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A necessidade de decisões baseadas em evidências no ambiente hospitalar tem crescido, especialmente no contexto de incorporação de novas tecnologias. No Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) foi integrado ao Programa de Residência Multiprofissional como um eixo transversal, criado para capacitar residentes em Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Esse eixo visa promover o uso racional de tecnologias e contribuir para a tomada de decisões clínicas e administrativas embasadas em evidências. O objetivo geral é fortalecer a formação dos residentes e aprimorar a eficiência da gestão hospitalar, com metas específicas voltadas ao desenvolvimento de habilidades em busca de evidências científicas, uso de ferramentas tecnológicas e avaliação crítica de tecnologias. Método: A implementação do Eixo Nats seguiu quatro etapas principais: capacitação teórica e prática em ATS para residentes e preceptores, com os seguintes módulos: – apresentação do Nats, princípios de ATS e saúde baseada em evidências (6h); – ferramentas como Rayyan, Mendeley e normas acadêmicas (9h); – fundamentos de estatística aplicada e avaliação crítica de artigos (9h); – introdução à farmacoeconomia e sua aplicação na ATS (6h); – avaliação da qualidade de evidências com GRADE e ROB 2.0 (6h); – fluxo de submissão de projetos de pesquisa no HU-UFJF e Plataforma Brasil (6h); – recapitulação e avaliação final (3h). aplicação prática com a participação dos residentes na elaboração de pareceres técnicos e relatórios de miniATS; monitoramento dos impactos das tecnologias avaliadas na eficiência hospitalar e na segurança dos pacientes; avaliação contínua dos residentes por meio de testes teóricos e análise de desempenho nas atividades práticas. Resultados: A prática resultou em um aumento significativo na capacidade de análise crítica dos residentes. O eixo proporcionou um ambiente colaborativo, envolvendo profissionais de diversas áreas da saúde, como farmácia, enfermagem, nutrição, fisioterapia e psicologia. Cada ciclo é composto por 17 encontros semanais de três horas, totalizando 51 horas de formação teórica e prática ao longo de quatro meses. Conclusão: O Eixo Nats impactou positivamente tanto a formação dos residentes quanto a eficiência hospitalar. A prática demonstrou uma gestão mais eficiente e segura das tecnologias no HU-UFJF, sendo inovadora por promover interdisciplinaridade e capacitação tecnológica. O sucesso do modelo sugere sua replicabilidade em outros hospitais de ensino, gerando benefícios similares em termos de eficiência e de qualificação profissional. Conclui-se que a prática é essencial para a formação contínua dos profissionais de saúde e para o fortalecimento da gestão baseada em evidências. <![CDATA[ID 188 - Efeitos do Uso de Palmilhas nas Funções da Marcha, Equilíbrio e Controle Postural de Indivíduos Pós-Acidente Vascular Cerebral: uma revisão sistemática com metanálise]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200188&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Entre as consequências de um acidente vascular cerebral (AVC), destaca-se o comprometimento do sistema somatossensorial do complexo tornozelo-pé, que afeta negativamente o equilíbrio, o controle postural e a marcha. A manipulação de superfícies sob os pés, por meio de intervenções como palmilhas (órteses plantares), tem sido estudada nessa população para melhorar a qualidade da informação sensorial, através da distribuição da descarga de peso, correção de alterações biomecânicas e estimulação proprioceptiva. No entanto, os benefícios dessas órteses ainda são incertos. Diante disso, o objetivo desta revisão foi investigar os efeitos do uso de palmilhas nas funções da marcha, equilíbrio e controle postural de indivíduos pós-AVC. Método: Estudo do tipo Revisão Sistemática com Metanálise (PROSPERO ID = CRD42022352629). A pergunta norteadora da pesquisa foi estruturada pelo acrônimo PICOT e incluiu Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) com pacientes adultos pós-AVC, capazes de caminhar com ou sem assistência. A intervenção consistiu no uso de palmilhas projetadas para população, comparadas a palmilhas sham ou intervenção de base, nas quais se avaliou a eficácia da tecnologia na melhoria da marcha, equilíbrio e controle postural. As fontes de evidências foram as bases de dados LILACS, CENTRAL, PubMed, Embase, Scopus e PEDro, além de registros de ECRs e Literatura Cinzenta. Resultados: A revisão foi composta por nove ECRs (sendo dois incluídos na metanálise), constituindo uma amostra de 265 participantes, dos quais 68% (n=180) encontravam-se na fase crônica. Foram identificados quatro tipos de palmilhas: postural, texturizada, de elevação, e com feedback auditivo. Apenas um estudo padronizou os calçados dos participantes. Os achados indicaram uma pequena ou nenhuma diferença entre os grupos, exceto com a palmilha de feedback auditivo, que apresentou o melhor efeito na melhoria do equilíbrio, aumentando o desempenho no Berg Balance Scale (BBS). A metanálise demonstrou que o uso da palmilha com feedback auditivo aumentou em 6.07 cm/s a média da velocidade da marcha (p=0.07). A tecnologia também aumentou a pontuação do BBS em 3.22 pontos (p=0.04). Da mesma forma, a intervenção diminuiu o tempo de execução do Timed up and Go (TuG) em 3.53s (p=0.02). A certeza da evidência foi de muito baixa à moderada. Conclusão: Os resultados da metanálise apontaram que o aumento da velocidade da marcha não foi estatisticamente significativo. No entanto, a intervenção diminuiu o tempo de execução do TuG, o suficiente para promover mudanças na mobilidade (mínima mudança detectável = 2.9s). Contudo, o tamanho de efeito alcançado não foi suficiente para atingir valores abaixo do ponto de corte para reduzir o risco de quedas (n &lt;14s). Em relação ao BBS, o aumento da pontuação não foi clinicamente significativo, pois são necessários seis pontos de variação para ter 90% de confiança de uma mudança genuína no equilíbrio. Na síntese qualitativa observou-se em sua maioria pequena ou nenhuma diferença entre os grupos, com tamanho do efeito variando entre os diferentes tipos de palmilhas e subgrupos de pacientes. Entre as limitações encontram-se a heterogeneidade dos estudos, a falta de padronização dos calçados e a impossibilidade de correlacionar as fases do AVC com os resultados. Assim, a evidência atual sugere que, embora promissoras, as palmilhas ainda não apresentam impacto clínico significativo para melhorar os desfechos investigados. <![CDATA[ID 189 - Acesso a Produtos à Base de Canabidiol por Pacientes com Epilepsia Refratária Atendidos no Sistema Único de Saúde do Distrito Federal, Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200189&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Nos últimos anos, o canabidiol (CBD) tem se destacado como uma alternativa terapêutica relevante para pacientes com epilepsia refratária (ER). No Brasil, embora alguns governos locais forneçam produtos à base de CBD pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o manejo da ER, ainda existem barreiras que dificultam o acesso e o uso adequado. A realização de avaliações da tecnologia em um contexto real de utilização é importante para compreender o acesso e a efetividade das tecnologias ofertadas. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é avaliar o acesso aos produtos à base de canabidiol por pacientes com epilepsia refratária atendidos pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF). Método: Trata-se de um estudo transversal, parte do Projeto Canabidiol – SUS, que avalia aspectos farmacoepidemiológicos, farmacoeconômicos e farmacogenômicos do CBD no âmbito do SUS. Foram incluídos pacientes com ER que se cadastraram para receber produtos à base de CBD pela SES/DF, entre 2017 e 2022. Dados sociodemográficos, clínicos e relacionados ao tratamento com CBD foram obtidos por meio documental e por meio de entrevistas telefônicas com o próprio paciente ou familiar após aprovação ética. O acesso foi avaliado a partir da pergunta "Desde o início do tratamento com canabidiol, qual(is) foi(ram) a(s) forma(s) de obtenção do produto?" Análises descritivas foram realizadas utilizando o software R versão 4.4.1. Resultados: Compuseram o estudo 101 indivíduos, sendo que 58 (57,4%) eram do sexo masculino, com idade média de 19,8 anos (DP=16,0). Do total de solicitações de CBD, 81 (80,2%) foram autorizadas para dispensação pela SES-DF. Entre os pacientes, 84 (83,2%) haviam sido tratados previamente com pelo menos dois medicamentos antiepilépticos antes da solicitação do CBD à SES/DF, com média de 3,9 antiepilépticos prévios por paciente (DP=2,1). Do total, 59 (58,4%) dos pacientes relataram nunca terem acessado o produto por meio da SES-DF. Entre os 91 indivíduos que já haviam utilizado o CBD em algum momento da vida, 63 (69,2%) relataram ter adquirido o produto com recursos próprios, 42 (46,1%) relataram ter recebido o produto via SES-DF e 29 (31,9%) relataram ter obtido o produto via judicialização. Entre os dez participantes que nunca utilizaram o CBD, nove (90,0%) declararam que o principal motivo para a não utilização foi a falta de acesso ao produto no SUS; e, entre os 51 indivíduos que interromperam o uso do CBD, 34 (66,7%) justificaram a interrupção por desabastecimento do produto na SES-DF e/ou insuficiência de recursos financeiros próprios para a aquisição. Conclusão: As dificuldades de acesso ao CBD, caracterizadas por fornecimento irregular e desabastecimento, podem comprometer a adesão ao tratamento, estar associadas a piores resultados clínicos, além de impactar a organização da assistência terapêutica no SUS. Estudos adicionais para avaliar a efetividade do CBD em condições reais de uso e a viabilidade de incorporação no SUS em âmbito nacional, são imprescindíveis para a continuidade da oferta destes produtos. <![CDATA[ID 190 - Carga da Doença e Estimativa de Produtividade Perdida Associada a Doenças Cardiovasculares na América do Sul]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200190&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, sendo responsáveis por 17,9 milhões de mortes em 2019. A carga dessas doenças na América Latina e no Caribe (ALC), especialmente na América do Sul (AS), tem aumentado ao longo dos anos, impulsionada por mudanças epidemiológicas, demográficas e de estilo de vida: seu impacto na saúde e na economia é significativo. Na AS, a perda de produtividade relacionada a essas doenças ainda não foi bem explorada. Uma análise dessas perdas proporcionaria uma compreensão adicional para o reconhecimento das prioridades de saúde e a tomada de decisões sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento dessas doenças. O objetivo desse estudo foi descrever a carga da doença e estimar o impacto das perdas permanentes de produtividade causadas pelas DCV nos países sul-americanos. Método: Este é um estudo exploratório, de base populacional. Foi utilizada uma proxy método da Abordagem do Capital Humano (ACH) para estimar o custo das perdas permanentes de produtividade associadas às DCV. Para calcular este custo, somou-se os anos de vida produtiva perdidos (APLL) para cada morte, multiplicados pela proporção na força de trabalho (PFT) e pela taxa de emprego (TE), e, em seguida, pelo salário-mínimo anual ou paridade do poder de compra (PPC) em dólares americanos (US$) para cada país nos grupos etários economicamente ativos. Foram realizados cálculos separados para homens e mulheres. As medidas epidemiológicas por grupo etário padronizado entre os 12 países foram obtidas por meio do site do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), que utiliza a avaliação do Estudo Global de Carga de Doenças, Lesões e Fatores de Risco (GBD) 2019. Análises de correlação foram realizadas utilizando indicadores econômicos, sociodemográficos e de saúde. Resultados: O número total de mortes por DCV em 2019 foi de quase 172 mil e os anos de vida produtiva perdidos foram de quase 2 milhões. O custo total das perdas permanentes de produtividade foi de aproximadamente US$ 3,7 bilhões com base no salário-mínimo anual e US$ 8 bilhões em paridade do poder de compra (PPC), representando 0,11% do produto interno bruto (PIB) da região. O custo por morte foi de US$ 23.000. O custo das perdas de produtividade variou entre os países e por sexo. As perdas de trabalho causadas por mortes precoces foram estimadas utilizando diferentes taxas de desconto. Há uma correlação entre indicadores de saúde sociodemográficos e econômicos e as taxas padronizadas de incidência e Anos de Vida Ajustados por Incapacidade (AVAI) nas doenças cardiovasculares. Conclusão: Este grupo de doenças impõe uma carga econômica significativa na América do Sul em termos de saúde e produtividade. A caracterização dos custos econômicos dessas doenças pode auxiliar os governos na alocação de recursos para desenvolver políticas e intervenções que reduzam essa carga <![CDATA[ID 191 - Monitoramento dos Preços de Medicamentos Incorporados no Âmbito do SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200191&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A avaliação de evidências econômicas acerca das tecnologias em saúde é determinante na sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposição do preço unitário de cada tecnologia é um parâmetro crucial na estimativa do impacto orçamentário, e o cumprimento desse preço na implementação ajuda a garantir a sustentabilidade do Sistema. Nesse sentido, esse trabalho objetiva comparar os preços propostos para incorporação com os preços praticados no primeiro ano de implementação de medicamentos no âmbito do SUS. Método: Foram incluídos os medicamentos com recomendação de incorporação ou ampliação de uso pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) nos anos de 2019 e 2020. Entre esses, foram considerados os que pertencem ao Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), cuja compra é realizada de forma centralizada pelo Ministério da Saúde (Grupo 1A) ou compras estaduais com financiamento do Ministério da Saúde (Grupo 1B). Medicamentos que não foram implementados até agosto de 2024 ou que não possuíam informações de utilização disponíveis foram excluídos. Para a obtenção dos preços propostos, realizou-se uma busca nos Relatórios de Recomendação da Conitec. Os preços praticados foram obtidos por meio de consulta ao Banco de Preços em Saúde (BPS) e ao Sistema de Integrado de Administração e Serviços Gerais (Siasg). As buscas foram realizadas considerando compras federais do Departamento de Logística em Saúde (Dlog) e das secretarias estaduais ao longo do primeiro ano de implementação de cada medicamento, sendo excluídas as compras judiciais. A comparação entre os preços propostos e os praticados foi calculada por meio da diferença percentual. Resultados: Foram identificados 13 medicamentos do Grupo 1A e 4 do Grupo 1B. A diferença entre os preços propostos e praticados variou de -61% a 206%, com mediana de -4%. Para a maioria das tecnologias (71%, n=12), o preço praticado foi inferior ao proposto. Entre as cinco tecnologias com preço superior, para quatro delas (80%) o preço praticado era menor que o percentual de reajuste da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) do período. O único que não foi justificado pelo ajuste da Cmed foi o omalizumabe (Xolair® – Novartis), que apresentou a maior diferença entre o preço proposto e o praticado (206%). Ressalta-se que o omalizumabe pertence ao Grupo 1B do Ceaf, logo sua compra é realizada pelas secretarias estaduais. Conclusão: Discussão e conclusões: Os resultados indicam que os preços propostos são, em geral, cumpridos ou estão abaixo do previsto no primeiro ano da implementação para maioria dos medicamentos. Dessa forma, apresenta-se como um parâmetro confiável para o cálculo de estimativas orçamentárias no processo de tomada de decisão para a incorporação de tecnologias. No entanto, o caso do omalizumabe, cujo preço foi significativamente superior ao proposto e não justificado pela Cmed, ressalta-se a necessidade de definir estratégias para evitar situações de descumprimento dos preços acordados. Além disso, sugere-se um monitoramento mais rigoroso das compras realizadas pelos estados, que, devido ao menor volume de aquisição, podem enfrentar dificuldades em negociar melhores condições de preço. <![CDATA[ID 192 - Os efeitos da Suplementação Dietética para Crianças e Adolescentes com Doença Falciforme: uma revisão sistemática e metanálise]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200192&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Doença falciforme (DF) é um distúrbio sanguíneo genético e negligenciado que impacta profundamente crianças e adolescentes e é associada a um comprometimento importante do estado nutricional. No Brasil, a taxa de mortalidade (doença falciforme como causa primária) é de 0,25 por 100 mil habitantes e, entre crianças entre 1 a 9 anos de idade, o risco de morte foi considerado 32 vezes maior quando comparado à população saudável. Este estudo tem como objetivo avaliar os efeitos de suplementos dietéticos como tratamento adjuvante nas complicações associadas à DF, bem como contribuir na atualização da evidência e das diretrizes sobre essa doença. Método: Uma revisão sistemática com busca nas bases PubMed, Scopus e Web of Science foi realizada (PROSPERO:CRD42024532369). Ensaios clínicos randomizados (ECR) que avaliaram suplementos dietéticos ou alimentos como tratamento adjuvante para crianças e adolescentes com DF foram incluídos. Desfechos de eficácia e de segurança foram coletados e sintetizados em uma metanálise em rede, com análise de ranking (p-score). Os resultados foram apresentados como razão de chances (OR) ou diferença média padronizada (SMD), para os dados dicotômicos e contínuos, respectivamente, com intervalos de confiança (IC) de 95% (NMAstudio2.0). Resultados: Vinte ECR foram incluídos (2002-2023) (n=2.058), avaliando nove intervenções em diferentes regimes terapêuticos. Todos os pacientes utilizavam hidroxiureia como tratamento ativo. A suplementação com ácidos graxos (n=3 estudos) e L-arginina (n=4) apresentaram maior eficácia e segurança, com melhora significativa na intensidade da dor, crises vaso-oclusivas (CVO) e inflamação, quando comparados ao placebo/tratamentos usuais (p&lt;0,05). Estudos com vitamina D3 (n=6) utilizaram diferentes doses e foi observada uma redução em complicações respiratórias e tempo de hospitalização. As evidências sobre o uso complementar da vitamina A (n=2), sulfato de magnésio (n=2) e zinco (n=4) ainda são limitadas e de baixa qualidade nesta população. Conclusão: Neste estudo, o uso de alguns suplementos (ácidos graxos, L-arginina e vitamina D3) mostrou-se capaz de melhorar o manejo de CVO e funções fisiológicas destes pacientes. Já suplementos com vitamina A, sulfato de magnésio e zinco apresentam potenciais benefícios, porém, mais estudos são necessários para a confirmação destes efeitos. Suplementos dietéticos são comumente acessíveis e de baixo custo, além de contribuírem para a redução de uso de opioides e tempo de hospitalização – especialmente em países de baixa/média renda, onde recursos são escassos. Estudos realizados no Brasil mostram que episódios de dor representam a principal causa de hospitalização nesta população e CVO é a complicação mais prevalente em crianças (59,5%) com um importante impacto econômico: 87% dos custos de complicações são relacionados ao manejo de CVO em adultos. Ainda assim, o (2018) não menciona impactos clínicos de suplementos dietéticos como tratamento adjuvante (com exceção da suplementação com ácido fólico)(Brasil, 2018). Embora haja necessidade de novos estudos com dosagens e regimes apropriados para refinar a evidência, este estudo pode colaborar na tomada de decisões e diretrizes terapêuticas sobre DF na população pediátrica. <![CDATA[ID 194 - RWE by Chart Review: Challenges and Opportunities from a Retrospective Brazilian Experience]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200194&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Randomized controlled trials (RCTs) are the gold standard for generating evidence. The data collection outside clinical research environment can add value to clinical unmet medical needs and shows the reality of patient's journey. Together, RCTs and Real-World Evidence (RWE) create a complementary framework for disease management. In the literature, there is enough evidence on RCT and RWE limitations, but few about challenges of collecting data in the RWE scenario to enhance study quality. This work shares experience, identify barriers and potential solutions to generate robust RWE based on chart review. Método: IRIS Brazil is an ongoing, retrospective, site-based study to review medical record of patients who have received Palbociclib combinations in first-line therapy for HER2-, HR+ metastatic breast cancer in Brazil private setting to assess clinical outcomes and treatment patterns. The data was collected using an online capture system managed by a contract research organization (CRO). Interviews were conducted with the CRO and Sponsor teams aimed to identify the main barriers and improvements for conducting the present RWE study. Resultados: Three main barriers were identified to obtaining data integrity: research institution qualification by a robust feasibility assessment, institution training and data quality check. Analyzing the data availability, team experience in RWE studies and overall site organization were the main parts of an upstanding research institution feasibility. In a qualified institution, the CRO effectively trains staff on study details and protocols, minimizing risks and enhancing study adherence. But, it was observed that only the initial training wasn’t enough to comply with all complexity of the sites accounted for RWE study. Lastly, the data quality check is an indispensable checkpoint in data entrance. Site monitoring and data management minimize inconsistencies, clarify protocol points, and reduce human error frequency. Conclusão: RWE studies comprehensively capture essential clinical outcomes related to patient therapeutic management outside the RCT-selected population. An additional advantage is accessing physician-exclusive information through expert judgment in a real-world setting. In conclusion, robust feasibility assessment, comprehensive site staff protocol training and quality data monitoring can help in keeping data integrity and generating high quality publications. <![CDATA[ID 195 - Uso de Linfócitos T Específicos no Tratamento da Infecção por Citomegalovírus em Receptores de Transplante de Células Hematopoiéticas: Uma Revisão Sistemática]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200195&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O citomegalovírus (CMV) representa uma ameaça significativa após o transplante de células hematopoiéticas (TCH). As estratégias de controle incluem a profilaxia com letermovir ou a terapia preemptiva com ganciclovir (PET). Sem profilaxia, 65% a 90% dos receptores soropositivos desenvolvem uma infecção por CMV clinicamente significativa. Devido às desvantagens da PET, a profilaxia com letermovir é preferível, pois reduz eventos relacionados ao CMV e melhora a sobrevida geral. No entanto, o CMV-CS refratário ou resistente continua sendo um desafio, com maribavir apresentando eficácia limitada. Método: Esta revisão sistemática seguiu o Manual Cochrane e as diretrizes PRISMA (), registrada no PROSPERO (CRD42023440361). As buscas foram feitas nas bases PubMed, Scopus, Embase e Web of Science em 19 de junho de 2023, atualizadas em 17 de julho de 2024, incluindo dois artigos adicionais sem restrições de língua ou ano. Os critérios de inclusão foram pacientes de TCH com CMV-CS refratário ou inelegíveis a terapias convencionais; imunoterapia com células T específicas para hCMV; e resultados como taxa de resposta, , eventos adversos e morte por CMV. Os critérios de exclusão incluíram uso profilático, pacientes não refratários, resumos de congressos e revisões narrativas. Resultados: Dos 1.895 registros identificados, 614 duplicatas foram removidas, e 1.153 estudos foram excluídos. Onze estudos (2012-2024) incluíram 255 receptores de TCH recebendo imunoterapia adotiva (IA), principalmente com células T específicas para CMV. A doença enxerto-versus-hospedeiro (GvHD) ocorreu em 1,82% dos casos, e eventos adversos em 4,4%. A síndrome de liberação de citocinas (CRS) leve foi observada em 1,3% dos pacientes. A eficácia, avaliada em 299 pacientes, mostrou uma taxa média de resposta de 78,2%. A recorrência do CMV-CS foi de 24,4% em 213 pacientes, e a morte por CMV foi relatada em 9,7% de 307 pacientes. Conclusão: Com a chegada do letermovir, um antiviral seguro para profilaxia de CMV, melhorou-se o manejo de CMV-CS em TCH. No entanto, falhas na profilaxia podem levar a episódios recorrentes e resistência antiviral. O letermovir substituiu temporariamente a terapia adotiva na profilaxia, mas não no tratamento de CMV-CS refratário. Esta revisão sistemática incluiu nove estudos sobre a segurança e eficácia da imunoterapia adotiva em receptores de TCH com CMV-CS refratário. Os estudos eram observacionais e apresentaram viés. A DNAemia é um biomarcador importante, devendo seguir definições rigorosas. A taxa de resposta à imunoterapia foi de 76%, superior à do maribavir (57%). A revisão mostrou que a recorrência de CMV foi de 24% após AI, e a mortalidade por CMV em tratamentos refratários pode ultrapassar 30%. <![CDATA[ID 196 - Disseminação e Fortalecimento da Rede de Conhecimento dos Nats da Ebserh através da Série Temática sobre Avaliação de Tecnologias em Saúde Hospitalar]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200196&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A crescente complexidade tecnológica no ambiente hospitalar exigiu abordagens robustas para garantir que a incorporação de novas tecnologias fosse sustentável, ética e equitativa. Os Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) desempenharam um papel essencial na produção de evidências que orientaram decisões de gestão hospitalar. A série temática sobre Avaliação de Tecnologias em Saúde Hospitalar (ATS-H), promovida pelo Nats do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juíz de Fora (HU-UFJF) em parceria com a, representou uma iniciativa estratégica que não apenas disseminou conhecimento, mas também fortaleceu a colaboração entre os Nats da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Essa ação visou consolidar uma rede de compartilhamento de boas práticas e inovações, com impactos sociais diretos no acesso a tecnologias e no uso adequado delas, especialmente em contextos hospitalares públicos. Método: A série foi coordenada pelas editoras de seção dos Nats do HU-UFJF e do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), com apoio da Ebserh Sede, e publicada na, um periódico de acesso aberto. Foram selecionados 11 artigos, que abordaram uma ampla gama de temas, desde revisões sistemáticas até relatos de experiências e análises de custo-efetividade. Os critérios de seleção incluíram relevância clínica, impacto social e potencial de aplicação na gestão hospitalar. A divulgação foi amplamente realizada pela Ebserh, assegurando que o conteúdo chegasse a diferentes Nats e gestores hospitalares. Resultados: A série temática ATS-H resultou na publicação de 11 artigos de grande relevância, tratando desde a eficácia da procalcitonina no manejo hospitalar até a elaboração de guias colaborativos entre Nats. O impacto social foi evidente, com a série promovendo a disseminação de evidências que apoiaram o uso racional e sustentável de tecnologias em hospitais universitários. O envolvimento de Nats de diversas regiões do Brasil ilustrou o valor da colaboração em rede, permitindo a adaptação de soluções conforme as necessidades locais e promovendo a equidade no acesso às inovações tecnológicas. Conclusão: A comparação dos achados dos artigos com outros estudos da literatura reafirmou o sucesso da série em promover o intercâmbio de conhecimento e a aplicação de evidências científicas na prática hospitalar. Além de fortalecer as capacidades institucionais dos Nats, a série ATS-H contribuiu significativamente para a coesão da Rede Ebserh, facilitando a criação de sinergias que ampliaram o impacto social da Avaliação de Tecnologias em Saúde. O fortalecimento dessa rede de colaboração não apenas promoveu a excelência na gestão de tecnologias, como também assegurou que o uso dessas inovações fosse equitativo, sustentável e centrado nas necessidades dos pacientes. Diante dos resultados obtidos, a continuidade dessa iniciativa se justificou como um caminho promissor para ampliar os impactos sociais e fortalecer a ATS no Brasil. <![CDATA[ID 197 - Saúde e Educação no Acesso ao Conhecimento sobre ATS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200197&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Saúde e Educação (SeE) é um projeto de extensão da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que objetiva divulgar informações e pesquisas relacionadas à saúde de forma simplificada e compreensível para o público geral. A partir da percepção de lacunas de conhecimento existentes na sociedade, o SeE idealizou uma série temática, com o intuito de divulgar informações claras e acessíveis sobre a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e sobre o trabalho executado pelos Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats). Para atingir esse objetivo, foi realizada uma parceria com o Centro Colaborador do SUS para Avaliação de Tecnologias e Excelência em Saúde (Ccates/UFMG). Membros do Ccates foram convidados pelo SeE a produzir, de forma voluntária, textos informativos sobre ATS para serem publicados e divulgados pelo SeE. Os textos passam por revisão das editoras do site. Um dos pontos avaliados durante a revisão é que o material produzido tenha estrutura e linguagem de fácil compreensão ao público leigo, sem perder a qualidade técnica. Uma vez revisados e ajustados, os textos passam por formatação para que fiquem com leiaute que motive a leitura e facilite a compreensão pelo leitor. Então, os materiais são publicados no site e divulgados nas redes sociais do projeto. As artes das publicações nas redes sociais são elaboradas com elementos textuais e não textuais, como fotos do autor e figuras relacionadas. A divulgação é feita pela equipe do SeE e os autores são incentivados a contribuir com a divulgação. São selecionados dias estratégicos para a publicação, como datas comemorativas, e incluídas hashtags de interesse. Parcerias com associações de pacientes e outros perfis de divulgação científica, por exemplo, são realizadas a favor da divulgação. Como resultado, no ano de 2024, três textos, de cinco colaboradores, foram produzidos, publicados e divulgados. Quatro estão em processo de elaboração e/ou revisão. Até o momento, os textos obtiveram, ao todo, 132 visualizações no site; e as divulgações, mais de mil visualizações nas redes sociais. Desafios encontrados incluem a tradução do conhecimento e o alcance do público-alvo. Essa iniciativa tem relevância para sistemas de saúde, visto que a democratização da ATS e a divulgação científica, especialmente através de meios digitais, são importantes para garantir que as informações sejam acessíveis a todos os atores envolvidos, incluindo gestores, profissionais de saúde, pacientes e o público em geral. Isso promove uma tomada de decisão mais inclusiva e participativa, permitindo que diferentes perspectivas sejam consideradas, aumenta a transparência e a confiança no processo, contribui para uma maior simetria de informações e equidade no acesso a inovações em saúde, além de fortalecer o controle social e melhorar a implementação de tecnologias que atendam às reais necessidades da população. A iniciativa será apresentada em forma de comunicação oral, com uso de eslaides. Método: A apresentação compreenderá as seguintes etapas: i) iniciativa: descrição da iniciativa e metodologia para alcance dos resultados; ii) resultados: descrição dos resultados alcançados com a iniciativa; e iii) discussão: discussão da iniciativa, a importância dos resultados alcançados e as perspectivas futuras. Os equipamentos necessários para a apresentação serão: computador com acesso à internet e leitor de .pdf. Projetor conectado ao computador. <![CDATA[ID 199 - A Importância do Fomento à Pesquisa Científica, pelo Ministério da Saúde, para Subsidiar a Tomada de Decisão sobre a Incorporação de Produtos de Terapia Avançada no Sistema Único de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200199&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Ministério da Saúde (MS) tem assumido um papel relevante no fomento de pesquisas científicas que visam à realização de ensaios clínicos com produtos de terapia avançada (PTA). Há uma grande expectativa em relação ao uso desses produtos, classificados como medicamentos biológicos, na terapêutica de doenças complexas, raras, sem opções de tratamento, ou em pacientes não responsivos às terapias disponíveis. Atualmente, um dos maiores desafios é avaliar se a incorporação dos PTA ao Sistema Único de Saúde (SUS) é economicamente viável, já que se trata de produtos de alto custo. Nesse contexto, destaca-se a importância do fomento às pesquisas com PTA que, para além da avaliação da segurança, eficácia e efetividade do uso desses produtos, também visam à avaliação dos custos relacionados ao desenvolvimento, à manufatura e ao controle de qualidade dos PTA. Assim, a expectativa é que os resultados dessas pesquisas subsidiem a tomada de decisão sobre a futura incorporação dessas novas tecnologias ao SUS. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento do total de recursos financeiros investidos pelo MS, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), em pesquisas científicas que visam à realização de ensaios clínicos com PTA, entre os anos de 2018 e 2024. Método: Trata-se de um estudo descritivo, baseado na análise de documentos técnicos internos e bases de dados do Departamento de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, do Ministério da Saúde (Decit/Sectics/MS). Para atender ao objetivo, selecionaram-se as pesquisas que cumpriam, concomitantemente, os seguintes critérios: i) ter sido aprovada pelo Decit/Sectics/MS, entre os anos de 2018 e 2024, no âmbito do Proadi-SUS; ii) envolver o desenvolvimento de ensaio clínico com PTA; e iii) visar à futura incorporação da tecnologia ao SUS. O recorte temporal de 2018 a 2024 foi escolhido considerando a publicação, em 2018, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do marco regulatório para realização de ensaios clínicos com PTA no Brasil (Resolução da Diretoria Colegiada – RDC – n.º 260, de 21 de dezembro de 2018, revogada pela RDC n.º 506, de 27 de maio de 2021). Por se tratar de produtos de alto custo, de manufatura complexa e que exige mão de obra altamente especializada, optou-se pela seleção de projetos desenvolvidos no âmbito do Proadi-SUS, Programa no qual apenas Entidades de Saúde de Reconhecida Excelência pelo MS podem apresentar propostas. Resultados: O MS investiu, via Proadi-SUS, entre os anos de 2018 e 2024, um total de R$ 84.490.088,46 em pesquisas com o objetivo de desenvolver ensaios clínicos de fase I com PTA para tratamento de neoplasias hematológicas refratárias/recidivadas, bem como no pós-transplante de medula óssea. A importância do investimento em pesquisas nessa temática vai ao encontro dos resultados de um estudo recente que mostrou que a estimativa de impacto orçamentário no SUS da incorporação de 15 PTA, já disponíveis internacionalmente, variaria entre R$ 16,7 bilhões e R$ 53,2 bilhões (Araújo ., 2024). Esses resultados refletem a relevância do fomento às pesquisas com PTA para embasar discussões acerca de sua incorporação ao SUS. Conclusão: Os resultados dos estudos mostram que o MS vem investindo recursos consideráveis em pesquisas com PTA. Espera-se que esses resultados apoiem a tomada de decisão baseada em evidências científicas e econômicas sobre a futura incorporação dessas novas tecnologias ao SUS, bem como a seleção de agendas prioritárias e a formulação de novas políticas de saúde. <![CDATA[ID 200 - Avaliação da Razão Custo-Utilidade Incremental da Terapia por Pressão Negativa em Pacientes com Lesões Complexas de Pé Diabético Comparada à Terapia com Curativo Tradicional: uma análise para o contexto brasileiro]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200200&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O pé diabético é uma das complicações mais graves do diabetes mellitus (DM), levando a custos elevados tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde. Estratégias de tratamento que acelerem a cicatrização e reduzam o número de amputações são necessárias. A terapia por pressão negativa (TPN) tem mostrado resultados promissores em termos de eficácia, com maior taxa de cicatrização e menor tempo até a recuperação, mas sua viabilidade econômica permanece incerta no contexto brasileiro. Método: Este estudo utilizou um modelo econômico de custo-efetividade para comparar a TPN com a terapia com curativo tradicional (TCT) em pacientes com lesões complexas de pé diabético. A árvore de decisão foi construída com dados de ensaios clínicos randomizados, avaliando os estados de amputação e cicatrização ao longo de um ciclo anual. A perspectiva adotada foi a do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando os custos de 2023. Análises de sensibilidade determinística e probabilística foram conduzidas para avaliar a incerteza no modelo, utilizando o software TreeAge Pro. Resultados: A TPN apresentou maior efetividade (0,79 AVAQ verus 0,72 AVAQ para a TCT), porém com um custo mais elevado (R$ 9.184,27 vs. R$ 3.961,45), resultando em um custo incremental de R$ 5.222,82. A razão de custo-efetividade incremental (RCUI) foi de R$ 72.035,87 por ano de vida ajustado pela qualidade (QALY). A análise de sensibilidade determinística indicou que o da cicatrização e o custo do curativo simples são os principais fatores que afetam a RCUI. Já a análise probabilística demonstrou que, em mais de 50% das simulações, a TPN situou-se acima do limiar de custo-efetividade brasileiro de R$ 40.000,00 por QALY. Conclusão: Embora a TPN tenha mostrado maior efetividade, o custo incremental é significativo, superando o limiar estabelecido para o contexto brasileiro. A análise de sensibilidade indica que as utilidades relacionadas à cicatrização e o tipo de curativo utilizado no TCT têm grande impacto nos resultados, sugerindo que a adoção de coberturas especiais na TCT pode melhorar sua relação custo-efetividade. A TPN não se configurou como uma estratégia dominante, pois apresentou custos mais elevados para ganhos modestos em efetividade. No entanto, apesar de não reduzir diretamente a expectativa de vida, a terapia pode proporcionar melhor qualidade de vida ao evitar complicações, como infecções e amputações, que são associadas a períodos sem ulceração. Para que a TPN se torne custo-efetiva no Brasil, seria necessário ajustar o limiar de custo-efetividade para cerca de 1,5 a 2 vezes o PIB per capita e negociar melhores preços no fornecimento da tecnologia. A implementação dessa estratégia pode ser justificada se acompanhada de parcerias que busquem reduzir os custos da TPN, o que tornaria seu uso mais sustentável no SUS. Esses resultados podem apoiar tomadores de decisão na seleção de tratamentos mais adequados para o paciente portador do pé diabético, levando em consideração a escassez de recursos e a alta carga econômica associada a essa complicação. <![CDATA[ID 203 - Uso da Fronteira de Eficiência e Benefício Líquido na Avaliação de Tecnologias em Saúde: um estudo aplicado à esclerose múltipla no Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200203&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é utilizada como ferramenta na tomada de decisões para a incorporação de novos tratamentos nos Sistemas Único de Saúde (SUS). Tradicionalmente, a análise de custo-efetividade é a principal ferramenta utilizada para comparar tecnologias que são submetidas ao processo de incorporação na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). No entanto, essa abordagem apresenta limitações ao avaliar múltiplas intervenções simultaneamente. A fronteira de eficiência e a análise de benefício líquido surgem como ferramentas complementares para esse tipo de análise. O presente trabalho tem como objetivo demonstrar a aplicação dessas ferramentas na avaliação dos tratamentos utilizados para esclerose múltipla remitente recorrente (EMRR) no Brasil. O objetivo geral é mostrar como essas técnicas podem complementar a análise de custo-efetividade, fornecendo uma visão mais abrangente para a tomada de decisão em saúde. Método: Um modelo de Markov foi construído a partir da perspectiva do SUS para conduzir as análises econômicas. O modelo considerou a taxa anualizada de surtos e a progressão da incapacidade sustentada por seis meses, medidos de acordo com a Escala Expandida do Estado de Incapacidade (EDSS). O horizonte temporal considerado foi de vida toda. O das tecnologias comparadas ao placebo foi obtido por meio de uma metanálise em rede. A efetividade foi medida por qualidade ajustada por anos de vida (QALY) e custos obtidos por meio de fontes governamentais e por um estudo de custeio da doença no Brasil. A análise de benefício líquido e a fronteira de eficiência foram aplicadas para comparar 14 medicamentos aprovados no Brasil para o tratamento da EMRR. Resultados: A análise de custo-utilidade revelou que, entre os 14 medicamentos avaliados, 12 foram dominados por alentuzumabe e teriflunomida. Uma fronteira de eficiência foi estabelecida entre esses dois medicamentos, com uma razão de custo-efetividade incremental (ICER – do inglês, ) de R$ 41.159,38 por QALY. Na análise de benefício líquido, a teriflunomida apresentou os melhores resultados. Na análise de sensibilidade probabilística, a maioria dos medicamentos mostrou ICERs abaixo do limiar de custo-utilidade adotado no Brasil (R$ 40.000,00 por QALY). Conclusão: A abordagem de tratamento da EMRR compreendida neste estudo foi a de tratamento intensivo precoce, na qual todos os medicamentos são analisados em uma mesma linha de tratamento. Essa ainda pode ser uma limitação para uma aplicação imediata no SUS, que prevê tratamento escalonado para EMRR. A fronteira de eficiência e a análise de benefício líquido fornecem uma análise complementar à custo-efetividade, auxiliando na definição da utilidade econômica dos tratamentos disponíveis. Os resultados indicam que o uso dessas ferramentas pode funcionar como um marco na definição do preço de outros medicamentos submetidos para futuras incorporações ao SUS. <![CDATA[ID 204 - Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT) de Inibidores de Janus Quinase (JAKi) para o Tratamento de Vitiligo]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200204&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O vitiligo é uma condição cutânea caracterizada pela perda de pigmentação devido à disfunção dos melanócitos. Embora não afete a expectativa de vida, o vitiligo não deve ser ignorado como uma condição meramente estética, pois pode levar à estigmatização e ao isolamento social. Apesar de ainda não estar completamente elucidado, o mecanismo geral de progressão do vitiligo está relacionado com a ação de citocinas, quimosinas e fatores de crescimento. As enzimas intracelulares da família JAK são responsáveis pela transmissão de sinais desses fatores e, dessa forma, sua inibição é um promissor alvo terapêutico. Este MHT visa identificar sistematicamente os JAKi em desenvolvimento para o tratamento do vitiligo. Método: As bases de dados ClinicalTrials.gov, WHO e Cochrane foram utilizadas para o levantamento de registros de ensaios clínicos. Foram utilizadas estratégias de busca com vocabulário controlado e seus respectivos sinônimos relacionados aos JAKi e a vitiligo. Não foram aplicadas restrições do tipo temporal, idioma ou status do estudo. Foram incluídos os ensaios clínicos de fase 2 e 3 e excluídos os estudos observacionais. Resultados: Cinco JAKi estão em desenvolvimento para o tratamento do vitiligo. Ritlecitinibe, um inibidor de JAK3/TEC, é indicado para pacientes com vitiligo não segmentar ativo e foi avaliado no ensaio de fase 2 (NCT03715829), que já está concluído com resultados, além de estar sendo estudado em dois ensaios de fase 3 (NCT06072183 e NCT05583526), ambos em fase de recrutamento. Baricitinibe, um inibidor seletivo e reversível de JAK1 e JAK2, é indicado para vitiligo não segmentar progressivo e foi avaliado no ensaio de fase 2 (NCT04822584), já concluído, mas sem resultados disponíveis. Upadacitinibe, também indicado para vitiligo não segmentar ativo, é um inibidor seletivo e reversível de JAK1, avaliado no ensaio de fase 2 (NCT04927975), que está concluído, mas ainda sem resultados. Cerdulatinibe, um inibidor de SKY/JAK, foi avaliado no ensaio de fase 2 (NCT04103060), já concluído, mas sem resultados disponíveis. Por fim, povorcitinibe, inibidor de JAK1, é indicado para vitiligo não segmentar e foi estudado no ensaio de fase 2 (NCT04818346), também concluído, mas sem resultados divulgados. Conclusão: O aspecto multifatorial da ativação e agravação do vitiligo torna complexo o desenvolvimento de um tratamento eficaz. O ritlecitinibe pode apresentar vantagens em relação aos tratamentos tópicos e à fototerapia na indução de repigmentação, em especial para casos de grandes áreas de lesão. O upadacitinibe, em ensaios de potência celular, demonstrou ser um inibidor mais potente da JAK1 em comparação com a JAK2 e a JAK3. Os estudos de cerdulatinibe e povocitinibe ainda aguardam publicação. Dentro do panorama do tratamento do vitiligo, os JAKi tornam-se medicamentos promissores. No entanto, os estudos clínicos ainda precisam avançar para estabelecer evidências claras sobre os reais benefícios clínicos dos JAKi para pacientes para o tratamento dessa condição. <![CDATA[ID 205 - Criação de um Aplicativo de Manejo Clínico para Indivíduos com Suspeita de Dengue]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200205&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A aplicação de tecnologias da informação na área da saúde cresce de maneira exponencial, permitindo avanços significativos na medicina, como o tratamento de pacientes e o registro eletrônico de suas histórias clínicas. Tais tecnologias estão transformando a forma como os profissionais de saúde oferecem atendimento, alcançando localidades remotas, aprimorando suas habilidades e democratizando o acesso à informação em saúde (MLA, 2023). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 83% da população brasileira estava conectada à internet em 2023, sendo o smartphone o principal meio de acesso à internet, com 97% de preferência entre os usuários. O desenvolvimento de aplicativos móveis na área da saúde pode se revelar extremamente valioso para os profissionais da saúde, especialmente para aqueles que trabalham em regiões com acesso limitado à informação técnica e oportuna. O presente estudo teve como objetivo geral a elaboração de um aplicativo para smartphones, para ser utilizado por profissionais da saúde em indivíduos com suspeita de dengue, e como objetivos específicos a seleção de tecnologias de código aberto e a conversão dos protocolos clínicos disponíveis em linguagem acessível. Método: Trata-se de uma pesquisa aplicada em que se desenvolveu um aplicativo móvel para profissionais de saúde. O aplicativo fornecerá informações oportunas e protocolos clínicos para os profissionais da saúde no atendimento a pacientes com suspeita de dengue, baseando-se em documentos elaborados pelo Ministério da Saúde – uma vez instalado, poderá ser utilizado off-line. O conteúdo do aplicativo foi extraído das documentações produzidas pelas equipes técnicas do Ministério da Saúde e disponibilizadas por meio do Portal da Saúde do governo federal. A metodologia para o desenvolvimento do aplicativo envolveu a atualização das tecnologias de programação, utilizando ferramentas de código aberto como PHONEGAP, HTML5, CSS3 e JQUERY. Resultados: Após a produção do aplicativo, ele foi testado e validado pela área técnica estadual para utilização no manejo clínico de indivíduos com sintomas de dengue. Foi possível verificar maior disseminação e democratização da informação em saúde para a população e profissionais da área; possibilitou o funcionamento como uma ferramenta adicional de apoio aos profissionais de saúde no cuidado e na prevenção de doenças, especialmente em regiões com ou sem conectividade; e, por utilizar tecnologias de programação de código aberto, o aplicativo não gera custos adicionais para o desenvolvedor e pode ser atualizado a qualquer momento pela equipe técnica. Conclusão: A produção de aplicativos com foco em facilitar e aprimorar o atendimento e o acesso à saúde tem sido cada vez maior e mais democrática (Gondim ., 2024; Assis ., 2024; Mendes ., 2022; Balaji ., 2022). A informação é um recurso valioso para qualquer instituição, e o uso de tecnologias de informação é crucial para profissionais e gestores de saúde que buscam superar barreiras geográficas, reduzir custos e promover a disseminação e a democratização da informação em saúde em benefício dos cidadãos, além de possibilitar a utilização dos dados em pesquisas clínicas, bem como o desenvolvimento de políticas de saúde mais eficazes e de estratégias eficientes no cuidado oportuno ao paciente, baseado em evidências. <![CDATA[ID 206 - Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT) de Inibidores de Janus Quinase (JAKi) para o Tratamento de Mielofibrose]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200206&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A mielofibrose é uma neoplasia mieloproliferativa caracterizada pela disfunção da medula óssea devido à formação e ao acúmulo de tecido fibroso. Entre as causas estão mutações nos genes JAK2, que levam a uma ativação excessiva da via de sinalização JAK-STAT, resultando na proliferação anormal de células. Isso faz dos inibidores de JAKi um alvo terapêutico relevante para o tratamento da doença. Atualmente, apenas ruxolitinibe está aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da mielofibrose. Este MHT visa identificar, de forma sistemática, os JAKi em desenvolvimento para tratar a condição. Método: As bases de dados ClinicalTrials.gov, WHO e Cochrane foram utilizadas para o levantamento de os registros de ensaios clínicos. Foram utilizadas estratégias de busca com vocabulário controlado e seus respectivos sinônimos relacionados aos JAKi e à mielofibrose. Não foram aplicadas restrições do tipo temporal, idioma ou status do estudo. Foram incluídos os ensaios clínicos de fase 2 e 3 e excluídos os estudos observacionais. Resultados: Cinco JAKi estão em desenvolvimento para o tratamento da mielofibrose. Lestaurtinibe, que inibe JAK2 e TK3, foi avaliado no ensaio clínico de fase 2 (NCT00494585), já concluído com resultados. Jaktinibe, inibidor de JAK1, JAK2 e JAK3, foi analisado no ensaio de fase 2 (NCT04217993), também concluído com resultados, e está sendo avaliado em um ensaio de fase 3 (ChiCTR2100046946), que ainda está recrutando. Itacitinibe, um inibidor seletivo de JAK1, foi avaliado no ensaio de fase 2 (NCT03144687), concluído com resultados. NS-018, inibidor de JAK2, é indicado para mielofibrose primária, pós-policitemia vera ou pós-trombocitemia essencial, e foi estudado em um ensaio de fase 1/2, já concluído com resultados. Por fim, TQ05105, inibidor de JAK2, é indicado para mielofibrose de risco moderado a grave e está sendo investigado em três estudos: NCT06245941 de fase 1/2 (ainda não recrutando), NCT06122831 de fase 1/2 (já recrutando) e NCT05020652 de fase 2 (com status desconhecido). Conclusão: Pelo fato de a via JAK-STAT estar ativa de modo aumentado na condição, esses inibidores representam um potencial tratamento para os pacientes com mielofribose. Lestauritnibe apresentou taxa elevada de eventos adversos graves, e o estudo foi de braço único. O estudo de jaktinibe também foi de braço único, possui tamanho amostral e tempo de acompanhamento insuficientes, apesar dos resultados promissores. Itacitinibe, NS-018 e TQ05105 continuam sendo avaliados em seus respectivos ensaios. Dentro do panorama de tratamento da mielofibrose, os JAKi são considerados como medicamentos modificadores da doença promissores. No entanto, os estudos clínicos ainda precisam avançar para estabelecer evidências claras sobre os reais benefícios clínicos dos iJAK para pacientes em condições de doença intermediária e avançada. <![CDATA[ID 209 - Impacto Orçamentário da Incorporação de Ganciclovir e Valganciclovir no Tratamento de Retinite por Citomegalovírus em Pessoas Vivendo com HIV/Aids na Perspectiva do SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200209&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O citomegalovírus (CMV) é um herpesvírus humano do tipo 5 e sua forma mais comum de transmissão CMV é através do contato íntimo ou com secreções de pessoas contaminadas. A infecção por CMV pode se manifestar de maneira sistemática ou em órgãos específicos. Em pessoas vivendo com HIV/aids, o comprometimento causado pela doença no sistema imunológico intensifica os sintomas provocados pela infecção por CMV, levando a quadros de colite, retinite e outros. A retinite é a manifestação mais comum da infecção por CMV em pessoas vivendo com HIV/aids e pode evoluir à cegueira irreversível pela destruição da retina. Estima-se que aproximadamente 1,7% dos pacientes com estágios avançados da aids desenvolvam a retinite em decorrência do CMV. No Brasil, ganciclovir intravenoso e valganciclovir oral são os medicamentos indicados para o tratamento do CMV e não estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Este trabalho teve como objetivo avaliar o impacto orçamentário da incorporação de ganciclovir e valganciclovir no tratamento de retinite por CMV no SUS. Método: Foi realizada uma análise de impacto orçamentário na perspectiva do SUS e com horizonte temporal de 5 anos. Para a análise, foram considerados apenas os custos diretos de aquisição dos medicamentos conforme aquisições pelo banco de preços em saúde. A população incluída refere-se às pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de células TCD4+ &lt;50 células/µl que apresentarão retinite por CMV (1,7%). Foram projetados dois cenários de difusão: o primeiro considerou a incorporação dos dois medicamentos e que, a cada ano, metade dos pacientes elegíveis utilizariam ganciclovir intravenoso e a outra metade utilizaria valganciclovir oral; o segundo cenário considerou a incorporação dos dois medicamentos, em que o ganciclovir iniciaria o primeiro ano com 80% da participação no mercado e essa participação reduziria 20% nos anos seguintes, chegando a 0% no último ano. Nesse cenário, o valganciclovir oral substituiria progressivamente o ganciclovir intravenoso. Resultados: No primeiro cenário, a incorporação dos dois antivirais compartilhando, cada um, metade do mercado, 50% cada, resultou em um custo acumulado de R$ 8.539.626,69 para o ganciclovir intravenoso, e de R$ 11.966.164,25 para o valganciclovir. No segundo cenário, o ganciclovir acumularia um custo total de R$ 6.794.744,26 para o ganciclovir e R$ 14.411.183,27 para o valganciclovir. Conclusão: O tratamento da retinite representa grande relevância clínica em pessoas vivendo com HIV/aids. A incorporação de ganciclovir e/ou valganciclovir representa uma esperança para os pacientes com essa condição. O ganciclovir intravenoso deve ser administrado em nível ambulatorial ou hospitalar, entretanto a análise de impacto orçamentário não considerou os custos de internação, administração, acessibilidade geográfica e qualidade de vida, o que pode subestimar o impacto orçamentário com o ganciclovir intravenoso. O uso de valganciclovir apresenta vantagens sobre a adesão terapêutica e a qualidade de vida tendo em vista a possibilidade de administração pelo próprio paciente. <![CDATA[ID 210 - Vacinação contra a Covid-19 no Brasil: descrição dos erros de imunização na nova tecnologia incorporada pelo Sistema Único de Saúde, 2021-2024, Brasil.]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200210&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A introdução das vacinas contra a covid-19, como as de mRNA e vetor viral, no Sistema Único de Saúde (SUS) representou uma inovação significativa em saúde pública, mas também trouxe desafios relacionados ao gerenciamento seguro dessas novas tecnologias. A análise de erros de imunização (EI) visa fornecer dados reais, que possam informar gestores e administradores sobre a segurança e os ajustes necessários na implementação dessas vacinas, contribuindo para a prospecção tecnológica e para o desenvolvimento de estratégias de mitigação eficazes no âmbito da farmacovigilância. Método: Estudo descritivo realizado no âmbito das ações de farmacovigilância de vacinas no País, baseado nas notificações de erros de imunização (EI) relacionados às vacinas covid-19, registradas entre 17 de janeiro de 2021 e 17 de janeiro de 2024 no e-SUS Notifica, sistema de informações do Ministério da Saúde. O desfecho principal foi a ocorrência de EI, e o secundário a ocorrência de evento supostamente atribuído à vacinação ou imunização (Esavi) classificado como A3 (reação relacionada a EI). A análise descritiva dos dados foi executada no software R Studio-4.3.1. Foram calculados os coeficientes de incidência de EI por doses administradas (DA) segundo semana epidemiológica, características sociodemográficas, estado gestacional, vacina e tipo de erro. Resultados: Foram notificados 70.293 EI após 517.276.512 doses administradas (12,8/100.000 DA). As maiores incidências de EI foram encontradas para a faixa etária de 12 a 17 anos (31,3 erros/100.000 DA), vacina CoronaVac (18,5 /100.000 DA) e no estado de Alagoas (41,1 /100.000 DA). Entre as gestantes, o coeficiente de incidência de EI foi de 88,7/100.000 DA, relacionados, em sua maioria, à exposição durante a gravidez, à administração de vacina incorreta e à vacina AstraZeneca. Entre os EI, em geral, destacaram-se: "Administração de vacina incorreta" (2,9/100.000 DA), "Utilização de vacina vencida" (2,4/100.000 DA), "Administração de vacina para idade inadequada" (2,3/100.000 DA). Do total de EI notificados, 95 (1,8%) apresentaram algum Esavi classificado como A3 (&lt;0,1/100.000 DA), sendo a maioria (98,9%) não grave. Conclusão: Os EI foram mais frequentes entre crianças e adolescentes e entre as vacinas utilizadas nessa faixa etária, configurando-se como um grupo prioritário para a implementação de ações destinadas à redução dos EI no País. Esses erros são compreensíveis em um cenário de rápida implementação de novas tecnologias vacinais, mas reforçam a importância de capacitar continuamente os profissionais de saúde. A adoção de medidas proativas é essencial para minimizar os EI e assegurar a confiança e a segurança da vacinação, especialmente em contextos de inovação tecnológica e urgência sanitária. <![CDATA[ID 211 - Caracterização Preliminar da Contribuição dos Dados do SUS para Modelos de Difusão]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200211&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Análises de registros administrativos de dispensação de medicamentos podem ser uma importante fonte de informações para aprimorar métodos de estimativas de taxa de difusão de novas tecnologias, reduzindo as incertezas em análises de impacto orçamentário, ao fornecer dados mais fidedignos ao que ocorre na prática clínica após a incorporação de um medicamento. Neste resumo, fornecemos uma caracterização preliminar da contribuição dos registros de dispensação de medicamentos no Sistema Único de Saúde no Brasil (SUS) no contexto de desenvolvimento de modelo de predição da taxa de difusão. Método: Foram selecionados todos os medicamentos incorporados no SUS, normatizados nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde (MS) e pertencentes ao grupo 1A do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), conforme a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) 2022. Os registros de dispensação mensal entre janeiro de 2008 e junho de 2022 foram provenientes do Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS), conforme o processo da Sala Aberta de Inteligência em Saúde (Sabeis). Resultados: Foram identificados 63 PCDT publicados pelo MS, abrangendo 83 medicamentos financiados como Ceaf 1A. Destes, 59% dos PCDT apresentaram apenas um medicamento Ceaf 1A incorporado. Dos 83 medicamentos incluídos para análise, 33% estavam normatizados em dois ou mais PCDT, enquanto 67% tinham um único PCDT correspondente. Os PCDT com maior número de medicamentos normatizados do grupo 1A do Ceaf eram relacionados à esclerose múltipla e às doenças reumáticas, como artrite reumatoide, artrite psoríaca, espondilite ancilosante e artrite idiopática juvenil. Entre os medicamentos, o metotrexato foi o mais frequente, normatizado em 9 PCDT, seguido pelo adalimumabe e pela imunoglobulina humana de 5 g, presentes em 8 PCDT. Até junho de 2024, foram analisados 36 PCDT: 1 com 7 medicamentos normatizados e 35 com apenas 1 medicamento normatizado. Em relação aos modelos de difusão, foi possível identificar um modelo explicativo da difusão real para 55,6% dos PCDT. Contudo, para 16,7% deles, o modelo explicou parcialmente a difusão ocorrida, indicando a necessidade de mais investigação. Além disso, em 27,8% dos PCDT, os dados de utilização foram insuficientes para o desenvolvimento da modelagem de séries temporais. Conclusão: Até o momento, a escassez de dados de dispensação foi o principal fator limitante na identificação de modelos de difusão. No entanto, a identificação de modelos explicativos da difusão real em mais da metade dos PCDT analisados já aponta para uma importante contribuição desses registros na busca por ferramentas mais precisas de predição da difusão, especialmente no contexto de medicamentos sem concorrente farmacológico no momento da incorporação. Análises futuras de PCDT com maior número de medicamentos normatizados, apesar de mais complexas, podem trazer mais contribuições por fornecerem mais variáveis explicativas da difusão real desses medicamentos. <![CDATA[ID 212 - Análise das Contribuições em Consultas Públicas sobre Temas Avaliados pela Conitec: participação social no processo de incorporação de tecnologias em saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200212&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As consultas públicas são ferramentas essenciais para garantir transparência e engajamento da sociedade no processo de tomada de decisões no Sistema Único de Saúde (SUS). A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) utiliza consultas públicas para coletar opiniões, críticas e informações sobre suas recomendações para a incorporação de medicamentos ou outras tecnologias sanitárias. Nos últimos anos, as consultas públicas têm sido fundamentais para promover a participação social na definição das tecnologias incorporadas ao SUS. Entretanto, a análise da tendência de participação em consultas públicas é essencial para avaliar o engajamento da sociedade e identificar possíveis desafios no processo de participação. Este estudo visa analisar a tendência temporal de contribuições para consultas públicas da Conitec desde 2018, buscando identificar tendências. Método: Os dados foram coletados a partir do painel de acompanhamento de tecnologias em saúde submetidas à Conitec, acessado em 30 de agosto de 2024. Para análise, foram incluídas as contribuições a partir de 2018, quando o número total de participações superou 20 mil por ano. Os dados de 2024 foram considerados até a data de análise. Foi calculada a média de contribuições por consulta pública. com mais de 5 mil contribuições foram avaliados individualmente, mas não entraram no cálculo da média. Resultados: Entre 2018 e 2024, foram registradas aproximadamente 380 mil contribuições para as consultas públicas da Conitec. Observou-se uma queda significativa no número médio de contribuições a partir de 2021, com a média de contribuições por consulta pública caindo de 698,7 em 2021 para 337,6 em 2024. As duas consultas sobre o medicamento nusinersena foram as que mais receberam contribuições, com 41 mil em 2019 e 36 mil em 2020, respectivamente. Mesmo com a exclusão dos do cálculo da média, a tendência de redução nas contribuições se manteve. Conclusão: Os resultados indicam uma diminuição na participação da sociedade nas consultas públicas da Conitec desde 2021. Esse declínio pode refletir uma série de fatores, como mudanças no engajamento social, o impacto da pandemia de covid-19, o tipo de tecnologias em discussão, e alteração na forma de acesso para manifestação no portal da Conitec. Além disso, é importante considerar que, em algumas consultas, o engajamento pode ser influenciado por grupos com interesses específicos, cujas contribuições são mobilizadas por campanhas que atendam a esses interesses. Esses achados reforçam a necessidade de revisar as estratégias de engajamento da população às consultas da Conitec, assegurando que a sociedade em geral continue a ter voz ativa no processo de tomada de decisão sobre a incorporação de tecnologias no SUS. <![CDATA[ID 213 - Acesso aos Medicamentos Biológicos para Espondilite Anquilosante: uma análise do Ceaf em Minas Gerais (2018-2022)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200213&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Assistência Farmacêutica do SUS é dividida em três componentes. O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf) é direcionado a doenças cujo tratamento é de média/alta complexidade e inclui tecnologias de alto custo, como os medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD) biológicos. Estes constam no Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica da espondilite anquilosante (EA), uma doença reumática que pode evoluir com limitação funcional e acometimentos graves. Em Minas Gerais, os pacientes enfrentam morosidade no acesso aos MMCD biológicos por meio do Ceaf e, diante dessas questões, é necessário avaliar a execução do componente e buscar soluções que agilizem o acesso aos medicamentos. Assim, os objetivos deste estudo foram identificar o tempo de obtenção dos MMCD biológicos para tratamento da EA por meio do Ceaf em Minas Gerais, bem como analisar o tempo em cada uma das Unidades Regionais de Saúde (URS) e variáveis associadas a ele. Método: Por meio de um estudo transversal, foram coletadas informações clínicas, demográficas e perfil de uso de medicamentos de indivíduos com EA. Os dados foram coletados a partir de processos administrativos de solicitação de MMCD biológicos pelo SUS no estado de Minas Gerais, entre os anos de 2018 e 2022. O tempo para a obtenção de MMCD biológicos foi analisado a partir da data de abertura do processo até a dispensação do medicamento. Resultados: Dos 526 processos avaliados, foi identificado o tempo mediano de 53 dias (IIQ 33,00-82,75) para obtenção dos MMCD biológicos para EA. Uma análise detalhada revelou que a URS com o maior tempo mediano foi Manhumirim (mediana = 107,00; IIQ = 70,50-151,00). A regional com o menor tempo mediano foi Leopoldina (mediana = 27,50; IIQ = 18,75-36,75). As cinco regionais com menor tempo mediano de obtenção (Belo Horizonte, Itabira, Leopoldina, Ponte Nova e Ubá) representaram 27,3% dos processos. Já as cinco com maiores tempos medianos (Ituiutaba, Pirapora, Manhumirim, Uberaba e Varginha) corresponderam a 13,7% dos processos. Entre 2018 e 2022, observou-se uma redução no tempo médio dos processos ao longo dos anos. Em 2018, o tempo médio foi de 96 dias, caindo para 81 dias em 2019 e 2020, 58 dias em 2021, e atingindo 55 dias em 2022. De maneira similar, o tempo mediano também diminuiu, de 97 dias em 2018 para 52 dias em 2022, indicando uma tendência contínua de maior eficiência ao longo do período analisado. Conclusão: Apesar de observado o aumento na solicitação de medicamentos ao longo dos anos, foi demonstrada uma tendência de redução do tempo de obtenção durante o período. Um estudo anterior, também conduzido em Minas Gerais, entre o período de 2014 e 2016, revelou o tempo médio de 62,2 dias para dispensação de MMCD biológicos. Em relação a outros estados brasileiros, estudos sugeriram que o tempo médio de obtenção dos medicamentos do Ceaf, no estado de São Paulo e Santa Catarina, foi de 50 e 20 dias, respectivamente. Os dados deste trabalho sugerem uma otimização global do Ceaf-MG, possivelmente gerada pelos efeitos positivos das melhorias implementadas nos últimos anos, como a informatização das solicitações e a descentralização do Componente. Houve variabilidade entre as regionais, indicando possível distinção na qualificação dos serviços das URS. Espera-se que os resultados obtidos neste estudo possam se somar a pesquisas mais abrangentes, visando ao desenvolvimento de políticas e intervenções destinadas a otimizar o tempo de obtenção dos medicamentos do Ceaf em Minas Gerais. <![CDATA[ID 214 - Validação da Metodologia DEA (<em>Data Envelopment Analysis</em>) para Avaliação de Eficiência Operacional em Sistemas de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200214&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A sustentabilidade dos sistemas de saúde no Brasil tem sido um desafio crescente, especialmente em hospitais de alta complexidade e operadoras de saúde, devido aos altos custos operacionais e desperdícios de recursos. A busca por métodos mais eficientes para avaliar a relação entre custos e desfechos clínicos tem se intensificado. Nesse contexto, a metodologia DEA () surge como uma ferramenta inovadora para medir a eficiência dos sistemas de saúde, fornecendo subsídios para uma gestão mais eficaz dos recursos hospitalares. Método: A metodologia do estudo foi dividida em cinco fases principais: preparação e integração tecnológica: implementou-se a plataforma tecnológica Hi! em hospitais e operadoras de saúde, como o Hospital de Amor e a Unimed, para integrar os dados financeiros e clínicos; coleta e análise de dados: realizou-se a coleta contínua de dados sobre custos de tratamentos e desfechos clínicos para aplicação da metodologia DEA, e os dados foram comparados com os métodos tradicionais de análise de custo-efetividade; identificação de desperdícios: procedeu-se à análise dos processos hospitalares para identificar áreas de desperdício, como superutilização de recursos e ineficiências em procedimentos médicos; propostas de melhoria e implementação: foram sugeridas intervenções para otimizar os recursos identificados, promovendo maior eficiência operacional; avaliação final e disseminação dos resultados: avaliaram-se os impactos da metodologia nas instituições participantes, gerando relatórios detalhados e divulgando os resultados por meio de publicações científicas e apresentações em congressos. A coleta de dados foi realizada com base na plataforma digital desenvolvida pela Hi!, que permitiu a captura de informações detalhadas sobre custos e desfechos clínicos. A metodologia DEA foi aplicada para medir a eficiência dos hospitais e das operadoras na transformação de recursos financeiros em resultados clínicos positivos para os pacientes. Resultados: A validação da metodologia DEA resultou em uma redução significativa dos custos operacionais e promoveu uma gestão mais eficiente e sustentável dos recursos nos sistemas de saúde. O estudo estabeleceu um novo padrão para a avaliação de eficiência operacional em instituições de saúde no Brasil. Conclusão: A aplicação da DEA como metodologia prática e inovadora na análise de eficiência operacional transformou a gestão hospitalar no Brasil, melhorando a sustentabilidade financeira das instituições de saúde e otimizando a alocação de recursos. <![CDATA[ID 215 - Painel de Preços da Saúde: uma tecnologia em saúde essencial para pesquisa de preços]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200215&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Banco de Preços em Saúde (BPS) é destinado ao registro e à consulta de informações de compras de medicamentos e produtos para a saúde realizadas por instituições públicas e privadas. Esse sistema foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde e atualmente é gerenciado pela Coordenação de Acompanhamento e Qualificação da Gestão de Preço em Saúde, do Departamento de Economia e Desenvolvimento em Saúde, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Os dados cadastrados no BPS podem ser utilizados pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios, com o objetivo de obter informações estatísticas, econômicas, socioeconômicos, epidemiológicos. Essas informações visam auxiliar na redução de dispêndios e possibilitar economicidade e melhor gestão dos recursos públicos. Alinhado ao BPS e à interoperabilidade de sistemas, em 2024 foi desenvolvido o Painel de Preço da Saúde (PPS), tecnologia essa que disponibiliza os dados inseridos no BPS para pesquisa de preços de forma rápida e precisa. O objetivo dessa ferramenta é disponibilizar aos gestores um banco de dados de fácil acesso para pesquisa de preços de medicamentos e produtos para saúde em todo o território nacional. Método: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência. Resultados: O PPS possui uma linguagem simples e acessível, facilitando sua usabilidade em estudos econômicos. Os filtros estão relacionados aos dados: período da compra, código do material conforme a descrição do Catálogo de Materiais (Catmat), nome do fornecedor do item, unidade de fornecimento, modalidade da compra. Os resultados das buscas podem ser apresentados em forma de tabelas e gráficos. Conclusão: O PPS é considerado uma tecnologia em saúde essencial, pois contribui e subsidia os gestores em seus processos licitatórios, permitindo um melhor poder de negociação dos gestores do SUS, e possibilita aquisições de medicamentos e produtos para a saúde em consonância aos melhores preços praticados no mercado e melhor alocação e transparência quanto à utilização dos recursos públicos. No momento em que as compras dos entes federados são registradas no sistema, as informações se tornam públicas, disponíveis para consulta, passando a ser referência para a pesquisa de preços. Além disso, permite qualificar a pesquisa de preços no âmbito do processo licitatório (informações regionalizadas, tratamento estatístico das informações de preço, comparação entre preços praticados, preços regulados, grau de concentração de mercado por princípio ativo, entre outros), o acompanhamento do histórico de compras e a evolução dos preços praticados pela instituição compradora. A pesquisa de preços é uma das etapas que antecede ao processo licitatório, e o PPS contribui com embasamento para comparar e examinar as propostas recebidas. Por esse motivo, a estimativa de preços é crucial e necessária para a contratação na Administração Pública, por meio da indicação de preços disponibilizados nos certames licitatórios. Conclusão: essa ferramenta auxilia na identificação de variações de preço, na avaliação de competitividade do mercado e na realização de análise de tendências e padrões de consumo. <![CDATA[ID 216 - Monitoramento do uso de quimioterápicos para tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC) no Sistema Único de Saúde (SUS)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200216&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A avaliação do tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC) no SUS enfrenta desafios devido à falta de estudos detalhados sobre os quimioterápicos utilizados, dificultados pela falta de informações padronizadas. O financiamento oncológico no SUS é baseado na Autorização de Procedimentos Ambulatoriais (Apac), que define o tipo de câncer e a linha de tratamento, mas a escolha do quimioterápico fica a critério dos hospitais. O registro dos medicamentos é feito em campos abertos, preenchidos de forma heterogênea, dificultando a análise sistemática. Em 2022, o Ministério da Saúde introduziu o campo "Medicamentos Antineoplásicos Informados" para aprimorar o monitoramento, porém esses dados não são retroativos. Este estudo visa descrever o uso de quimioterápicos para LMC em segunda e terceira linhas de tratamento no SUS, entre 2019 e 2022. Método: Estudo descritivo com dados retrospectivos e administrativos de mundo real, abrangendo todo o território nacional. Dados de dispensação foram obtidos da Sala Aberta de Situação de Inteligência em Saúde (Sabeis), que utiliza informações individualizadas e anonimizadas do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), via Apac. Pacientes com registros de quimioterapia para LMC em segundas e terceiras linhas de tratamento foram incluídos, identificados pelos códigos do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS (Sigtap): 0304030228, 0304030147, 0304030082, 0304030120, 0304030139 e 0304030148. Os quimioterápicos foram agrupados em três categorias: dasatinibe, nilotinibe e outros, conforme os esquemas terapêuticos registrados. Termos com erros ortográficos e nomes comerciais foram incluídos, e os dados foram revisados para garantir consistência com as categorias definidas. Resultados: Houve aumento geral no uso de quimioterápicos ao longo do período. O nilotinibe teve crescimento de 50% entre 2019 e 2022. O uso de outros quimioterápicos aumentou 49%, indicando diversificação no tratamento da LMC. O dasatinibe apresentou crescimento modesto (6%). Na segunda linha, o dasatinibe foi o mais utilizado até 2021, mas foi superado pelo nilotinibe em 2022, com 45% dos usuários, comparado a 42% do dasatinibe. A categoria de outros quimioterápicos permaneceu estável, com 13% dos pacientes em 2022. Na terceira linha, o número de pacientes foi menor (5.539 na segunda linha e 620 na terceira). Nessa última, outros quimioterápicos foram os mais utilizados durante todo o período, com 43% dos pacientes em 2022, seguidos por nilotinibe (35%). O dasatinibe foi o menos utilizado na terceira linha (22%). Conclusão: Os resultados mostram que dasatinibe e nilotinibe predominam na segunda linha de tratamento da LMC no SUS, com nilotinibe emergindo como principal escolha em 2022. Na terceira linha, o nilotinibe manteve relevância, mas o uso de outras terapias destaca a diversificação do manejo da LMC. O aumento no uso de diferentes quimioterápicos reforça a necessidade de monitoramento contínuo e padronizado dos medicamentos oncológicos no SUS, essenciais para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes e otimização de recursos. <![CDATA[ID 217 - Modelo Preditivo para Internações por Doenças Respiratórias e sua Sazonalidade, no Contexto Pós-Pandêmico: estudo de série temporal]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200217&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A pandemia de covid-19 impactou os padrões de internação por doenças respiratórias, alterando o perfil sazonal tradicionalmente observado em populações mais vulneráveis, como crianças e idosos. Este estudo tem como objetivo desenvolver um modelo preditivo capaz de antever a demanda por internações hospitalares por doenças respiratórias no período pós-pandêmico, utilizando dados da Unimed-BH, uma das maiores cooperativas de saúde do Brasil. O provisionamento de leitos é essencial para a assistência e a alocação de recursos de saúde, especialmente diante das mudanças sazonais causadas pela pandemia. Método: Foi realizado um estudo retrospectivo de séries temporais, utilizando dados de internação por doenças respiratórias na Unimed-BH, entre 2014 e 2024. Para a previsão de internações no período pós-pandêmico, foi aplicado o modelo STLF (). Resultados: O modelo STLF apresentou variações no desempenho ao longo dos horizontes temporais de previsão. Para previsões de quatro semanas, o MAPE ( – em português, erro médio percentual absoluto) foi de 10,84%, indicando uma precisão acurada. No entanto, para previsões de 12 semanas, o MAPE aumentou para 28,79%, refletindo a dificuldade de capturar a variabilidade sazonal em médio prazo. As previsões de oito semanas apresentaram um MAPE intermediário de 18,80%. O modelo mostrou-se eficaz para previsões de curto prazo, mas enfrentou limitações em períodos mais longos, devido à volatilidade introduzida pela pandemia de covid-19. Conclusão: A utilização do modelo STLF para prever internações por doenças respiratórias demonstrou boa acurácia para antecipar a demanda em horizontes de curto prazo, sendo uma ferramenta útil para gestores de saúde no planejamento de recursos hospitalares. No entanto, a precisão diminui em previsões de médio prazo, evidenciando a necessidade de ajustes contínuos nos modelos preditivos para lidar com a incerteza introduzida por eventos como a pandemia. Este estudo reforça a importância de desenvolver modelos adaptativos para prever picos de internação em cenários de alta variabilidade. <![CDATA[ID 218 - Monitoramento do Uso de LABA/LAMA para o Tratamento de Pacientes com DPOC no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200218&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição respiratória crônica que causa obstrução do fluxo aéreo e é progressiva, resultando em dificuldade para respirar. No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento para os casos graves e muito graves (estágios 3 e 4), com alto risco (grupos C e D), inclui o uso de brometo de tiotrópio monoidratado (LAMA) + cloridrato de olodaterol (LABA) e brometo de umeclidínio (LAMA) + trifenatato de vilanterol (LABA), ambos incorporados em dezembro de 2020. Este estudo tem como objetivo comparar o impacto orçamentário estimado no momento da avaliação de incorporação e o impacto observado desses medicamentos no SUS. Método: Estudo descritivo com dados de mundo real, retrospectivos, administrativos e nacionais de dispensação, abrangendo o período de 2022 a 2023. Os dados de utilização foram extraídos por meio da Sala Aberta de Situação de Inteligência em Saúde (Sabeis), que é originada do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS). Foram incluídos todos os pacientes com registro de uso de brometo de tiotrópio monoidratado (LAMA) + cloridrato de olodaterol (LABA) e brometo de umeclidínio (LAMA) + trifenatato de vilanterol (LABA) para o tratamento de DPOC grave e muito grave. Os preços unitários dos medicamentos foram obtidos no Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (Siasg) e no Banco de Preços em Saúde (BPS), considerando as compras feitas pelas Secretarias Estaduais de Saúde (SES). O preço médio foi ajustado de acordo com a quantidade adquirida. Resultados: Os medicamentos umeclidínio + vilanterol e tiotrópio + olodaterol foram incorporados ao SUS em dezembro de 2020, com disponibilização efetiva em janeiro de 2022, 14 meses após a incorporação. O umeclidínio + vilanterol, inicialmente proposto a R$ 70, foi adquirido pelas SES por R$ 87 no primeiro ano e por R$ 83 no segundo, com ressarcimento de R$ 210 pelo governo federal. O tiotrópio + olodaterol, estimado a R$ 197, foi adquirido por R$ 186,14 no primeiro ano e R$ 227,54 no segundo, com ressarcimento de R$ 242. As aquisições foram feitas por revendedores, não diretamente pela empresa. No primeiro ano, a estimativa populacional foi precisa, mas no segundo ano a população observada foi o dobro da estimada. O impacto orçamentário foi 82% menor que o previsto no primeiro ano, mas no segundo ano houve aumento de 68% para tiotrópio + olodaterol e 56% para umeclidínio + vilanterol, refletindo variações no custo e na demanda. Conclusão: A análise do monitoramento pós-incorporação de LABA/LAMA para tratamento de DPOC no SUS aponta que, apesar da estimativa populacional precisa no primeiro ano, o impacto orçamentário foi muito inferior ao previsto, possivelmente devido à entrada gradual dos pacientes e à suposição de adesão plena desde o início. No segundo ano, tanto a população quanto o impacto foram superiores ao estimado, refletindo uma difusão maior do que era esperado. O preço de aquisição também foi superior ao proposto, provavelmente por conta da compra via revendedores, e não diretamente da empresa. Além disso, o tempo de implementação superou os 180 dias recomendados, ocorrendo 14 meses após a incorporação, o que pode ter influenciado o descompasso entre estimativas e resultados. <![CDATA[ID 220 - Análise de Impacto Orçamentário da Incorporação do Sistema Flash de Monitorização de Glicemia na Perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200220&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O diabetes mellitus (DM) é uma doença metabólica caracterizada por hiperglicemias persistentes resultantes de defeitos na secreção ou na ação da insulina, ou envolvendo ambos os mecanismos. O sistema flash de monitorização da glicose por escaneamento intermitente (SFMG) é uma abordagem menos invasiva e mais conveniente de monitorização contínua da glicose em indivíduos com DM. O objetivo desse estudo foi estimar as consequências econômicas da incorporação do SFMG para a monitorização de pacientes com DM1 com hipoglicemia grave ou noturna ou DM2 que usam múltiplas doses de insulina e com histórico de hipoglicemia grave na perspectiva do SUS. Método: Foi realizada uma análise de impacto orçamentário (AIO), a perspectiva foi a do SUS, a população-alvo foi pacientes com DM1 com hipoglicemia grave ou noturna ou DM2 em uso de insulina e com histórico de hipoglicemia grave, e foram considerados dois cenários: o uso do SFMG, e o comparador foi a utilização do automonitoramento de glicemia capilar (AMGC). Foi elaborado um modelo estático no Microsoft Office Excel (Microsoft Corporation, Redmond, WA, EUA), seguindo as Diretrizes Metodológicas de Análise de Impacto Orçamentário do Ministério da Saúde. O horizonte temporal foi de cinco anos. Foram considerados custos relacionados ao uso do SFMG e do AMGC, custos diretos do tratamento hospitalar de eventos agudos de hipoglicemia e cetoacidose. O considerou dois cenários de penetração, ambos com difusão inicial de 20% no primeiro ano. O cenário de penetração conservador considerou incrementos de 5% por ano, e o cenário de penetração acelerado considerou 10% por ano. Ao final do quinto ano, o cenário de penetração conservador alcançou 40%, e o acelerado 60% do mercado. Resultados: Foram calculados o impacto orçamentário para quatro cenários de subgrupos de pacientes com hipoglicemia grave ou hipoglicemia noturna exclusiva para os pacientes com DM1 e hipoglicemia grave para os pacientes com DM2, que são subgrupos de pacientes que, em teoria, beneficiariam-se mais da tecnologia. Para a população de pacientes com DM1, o impacto orçamentário calculado ficou entre R$ 5.952.151.059,00 e R$ 7.932.343.524,00, e para os pacientes com DM2 em uso de múltiplas doses de insulina foi entre R$ 7.906.417.177,00 e R$ 10.536.834.540,00, considerando uma taxa de penetração conservadora ou acelerada respectivamente. Nos cenários avaliando subgrupos, o impacto orçamentário para o conjunto de pacientes DM2 e DM1 com hipoglicemia severa variou entre R$ 2.362.934.843,00 e R$ 3.149.057.569,00, considerando a penetração conservadora ou acelerada. Nos cenários avaliando o conjunto de pacientes DM2 com hipoglicemia severa e DM1 com hipoglicemia noturna exclusiva, o impacto orçamentário variou de R$ 2.060.927.949,93 a R$ 2.932.887.912,00, considerando a penetração conservadora ou acelerada. Conclusão: Foram acrescentados nesta avaliação todos os indivíduos com DM1 e DM2 em insulinoterapia, e a determinação da população elegível foi o que mais influenciou no impacto orçamentário. <![CDATA[ID 221 - Iniciativas Relacionadas à ATS para Apoiar Magistrados na Tomada de Decisão Judicial em Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200221&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Estima-se que, durante o ano de 2022, o sistema judiciário brasileiro tenha recebido por volta de 480.410 mil novas ações judiciais para fornecimento de medicamentos, dispositivos, procedimentos, ou outros processos relacionados à saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) e saúde suplementar combinados. O Hospital Sírio-Libanês tem apoiado a tomada de decisão judicial em saúde no Brasil por meio do projeto Apoio Técnico-Científico à Tomada de Decisão Judicial em Saúde no Brasil (AD-Jus). O objetivo deste estudo é apresentar um conjunto de iniciativas que compõem este projeto, e que são relacionadas à Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e voltadas a apoiar magistrados e operadores do direito na tomada de decisão judicial em saúde. Método: Estudo descritivo analítico sobre as iniciativas de ATS conduzidas pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde e Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês (Nats/NEv-HSL) em parceria com o Departamento de Gestão das Demandas em Judicialização na Saúde do Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Justiça, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Resultados: O conjunto inclui quatro iniciativas. (i) Blogue Rede NATJus (https://redenatjus.org.br/blog/) – blogue para disseminação de conteúdo científico, eventos e sínteses de evidências relevantes no contexto de judicialização em saúde. São três postagens semanais que se enquadram em uma das cinco categorias: "Judicialização", "Sistema e-natjus", "NATJus", "ATS" e "Agenda". A postagem mais relevante da semana é enviada, via e-mail, aos membros dos NATJus ou a qualquer cidadão cadastrado no blogue. Foram publicadas 449 postagens, sendo 223 no triênio 2018-2020, 115 no triênio 2021-2023 e 111 até 13 de setembro de 2024, no triênio 2024-2026. (ii) Consultas rápidas assíncronas, por meio de chat no canal Rede Magistrados (www.redemagistrados.hsl.org.br), permitindo que o Nats/NEv-HSL solucione dúvidas pontuais metodológicas ou clínicas demandadas por magistrados e relacionadas aos processos judiciais em saúde. Foram realizadas 37 consultas, sendo 7 no triênio 2021-2023 e 30 até 13 de setembro de 2024, para o triênio 2024-2026. (iii) Oficinas regionais presenciais para magistrados e assessores com foco em conceito de ATS e relevantes no contexto de judicialização da saúde. Até 13 setembro de 2024, foram realizadas 6 das 27 oficinas previstas para o triênio 2024-2026, com a participação de 95 operadores do direito. As oficinas foram sediadas nos Tribunais de Justiça ou nas Escolas Superiores de Magistratura das seguintes unidades federativas: Rondônia, Paraíba, Ceará, Tocantins, São Paulo e Santa Catarina. (iv) Glossário em ATS contemplando termos metodológicos e científicos utilizados em produtos científicos relevantes para o cenário de judicialização, com linguagem acessível e voltada para operadores do direito. O glossário está em elaboração, utilizando o método de, e seu protocolo está disponível em: https://osf.io/z384j/. Conclusão: O conjunto de iniciativas que vêm sendo conduzidas tem abrangência nacional e caráter estruturante, contribuindo para a sustentabilidade do SUS e sendo capaz de deixar um legado organizacional e processual mesmo após o término do período de execução de iniciativas. Como impacto esperado, é possível vislumbrar a disseminação da cultura da ATS entre operadores do direito como qualificadora do processo de decisão judicial, considerando as evidências científicas e priorizando tecnologias que claramente funcionam e são seguras em detrimento daquelas ineficazes, prejudiciais ou de eficácia/segurança incerta. <![CDATA[ID 222 - Colangite Biliar Primária no Brasil: análise de tendências e padrões regionais da mortalidade, 2000 a 2022]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200222&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A colangite biliar primária (CBP) é uma doença hepatobiliar crônica inflamatória autoimune que, se não tratada, pode evoluir para cirrose e óbito. Dados sobre a doença no Brasil são escassos, dificultando a tomada de decisões baseada em evidências. Não foram encontrados estudos na literatura que estimassem a taxa de mortalidade (TM) da CBP no Brasil. Analisar a TM, bem como suas tendências, pode auxiliar no aprimoramento de políticas públicas sobre a doença. Assim, este estudo teve como objetivo analisar o número de óbitos e a TM por CBP e suas tendências ao longo do tempo. Método: Foi realizado um estudo ecológico com análise de série temporal dos óbitos por CBP notificados no Brasil, de 2000 a 2022. Foram considerados os códigos da CID-10 que correspondem à CBP: K74.3 (colangite biliar primária), K74.5 (cirrose biliar sem outra especificação) e K83.0 (colangite). As variáveis analisadas foram obtidas a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), por meio do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS). A taxa de mortalidade por CBP (TMCBP), estimada para cada 100 mil habitantes e padronizada por sexo e idade de acordo com o Censo Brasileiro de 2010, foi estratificada por sexo, faixa etária, causa básica do óbito (CID) e Grandes Regiões. Os dados foram extraídos com o TabWin e analisados no programa IBM Statistics SPSS. Para análise de tendências, visando determinar a taxa incremental média anual (TIMA), foi utilizado o modelo de regressão de Prais-Winsten (p&lt;0,05), utilizando o programa Stata. Resultados: No período analisado, foram registrados 19.096 óbitos por CBP. A CBP manteve um padrão na ocorrência dos óbitos em toda a série histórica analisada, ocorrendo majoritariamente em pessoas do sexo feminino, acima de 60 anos e com causa básica definida por colangite (K83.0). A TMCBP apresentou tendência crescente (TIMA: 2,36%; IC 95%: 2,04-2,67; p&lt;0,001), variando de 0,30, no ano 2000, a 0,51/100 mil habitantes no ano 2022, sendo superior no sexo masculino, na faixa etária acima dos 60 anos e para o CID K83.0. A região com maior TMCBP foi a Norte (0,74/100 mil habitantes), e a com menor TMCBP foi a Sul (0,48/100 mil habitantes). As maiores TIMA foram encontradas no sexo masculino (TIMA: 3,04%; IC 95%: 2,53-3,55; p&lt;0,001), na faixa etária dos 20 aos 39 anos (TIMA: 2,96%; IC 95%: 1,77-4,17; p&lt;0,001) e nas Regiões Norte (TIMA: 4,03%; IC 95%: 2,26-5,82; p&lt;0,001) e Nordeste (TIMA: 4,55%; IC 95%: 4,04-5,06; p&lt;0,001). Conclusão: O número de óbitos e a TM por CBP aumentaram no Brasil entre os anos 2000 e 2022. A TM foi elevada na população com 60 anos ou mais, corroborando o padrão de ocorrência da doença nessa população. Apesar de ser uma doença que afeta mais o sexo feminino, a TM no sexo masculino superou a do sexo feminino a partir de 2005, cuja característica é reportada apenas em estudos recentes sobre a doença. A maioria das variáveis apresentou tendência crescente na TM. A diferença nas TIMA para sexo e idade pode ter relação com fatores socioeconômicos, de acesso à saúde e disponibilidade de profissionais médicos capacitados no Brasil. <![CDATA[ID 223 - Método Denver para Transtorno do Espectro Autista: revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200223&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A prevalência de transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil e no mundo é estimada em 1%, e dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que essas pessoas realizaram 9,6 milhões de atendimentos ambulatoriais em 2021. O método Denver é uma terapia comportamental naturalista, individualizada, aplicada em ambientes não simulados (como escola e domicílio, por exemplo), que utiliza os princípios da teoria da aprendizagem, como o reforço positivo, com foco no estímulo de comportamentos desejados e no controle dos comportamentos indesejados. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos do método Denver para pessoas com TEA. Método: Revisão sistemática, conduzida no Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde e Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês (Nats/NEv-HSL), seguindo as recomendações metodológicas do e relatada de acordo com o (PRISMA 2020). O protocolo foi registrado prospectivamente na base PROSPERO (https://www.crd.york.ac.uk/prospero/display_record.php?RecordID=534723). Em 13 de abril de 2024, foi realizada busca ampla e sensível em bases eletrônicas (ADOLEC, CENTRAL, Embase, LILACS, MEDLINE, PsycNET), literatura cinzenta (DANS), registros de ensaios clínicos (clinicaltrials.gov e ICTRP-WHO) e busca manual em listas de referências. Foram considerados ensaios clínicos randomizados (ECR) que avaliaram o método Denver (original ou adaptado) para pessoas com TEA comparado com nenhuma intervenção, , lista de espera, outras psicoterapias ou terapias múltiplas. Desfechos primários: melhora global e gravidade dos sintomas; secundários: interação social, comportamento adaptativo e social, comunicação verbal e não verbal, qualidade de vida, habilidade cognitiva, estereotipia, satisfação e avaliação dos cuidadores e eventos adversos. O risco de viés dos ECR foi avaliado com a tabela de risco de viés da Cochrane, e a certeza da evidência foi avaliada pela abordagem GRADE (do inglês,). Resultados: Foram identificadas 6.038 referências e, após o processo de seleção, 13 ECR foram incluídos (9 com resultados disponíveis e totalizando 722 participantes). Os desfechos avaliados pelos ECR foram: avaliação global, gravidade dos sintomas, interação social, comportamento adaptativo e social, comunicação verbal e não verbal e habilidade cognitiva. Considerando todas as comparações, a certeza da evidência para todos os desfechos foi "muito baixa", indicando que há incerteza quanto aos benefícios e riscos do método ABA para TEA. A certeza nas evidências foi reduzida pelo alto risco de viés dos ECR incluídos e pela imprecisão dos resultados. Sínteses quantitativas não foram possíveis devido à heterogeneidade clínica dos ECR, considerando a diversidade das modalidades de Denver utilizadas, dos desfechos avaliados, das ferramentas utilizadas para mensuração e o relato insuficiente dos resultados numéricos. Conclusão: De acordo com os resultados dos ECR disponíveis até o momento, os benefícios e riscos do método Denver para o tratamento de pessoas com TEA, quando comparado a nenhum tratamento, lista de espera, outras psicoterapias ou terapias múltiplas, são incertos. Diante dessa incerteza, a tomada de decisão deve considerar a existência de alternativas terapêuticas disponíveis para o caso, a disponibilidade de profissionais capacitados e devidamente treinados no método Denver, a heterogeneidade da aplicação do método e o desconhecimento sobre os efeitos e riscos do método também no longo prazo. <![CDATA[ID 224 - Hemangioma Infantil no Brasil: perfil epidemiológico da mortalidade e dos procedimentos ambulatoriais e hospitalares no Sistema Único de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200224&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Hemangioma infantil (HI) é um dos tumores vasculares benignos mais comuns na infância, acometendo aproximadamente de 4% a 5% da população mundial. Cerca de 80% das lesões de HI são diagnosticadas por meio de exames físicos no primeiro mês de vida, sendo mais frequentes no sexo feminino. O presente estudo teve por objetivo analisar se houve redução na taxa de mortalidade (TM) e nos atendimentos ambulatoriais e hospitalares por HI no Brasil. Método: Realizou-se um estudo ecológico com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA/SUS) e do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), ocorridos em crianças menores de 5 anos de idade. Foram selecionados apenas os casos com código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) D18.0 (hemangioma em qualquer localização). A TM por HI foi estimada dividindo-se o número de óbitos em menores de 5 anos pelo número de nascidos vivos (NV), multiplicado por 1 milhão a cada ano, no período de 2000 a 2022. Utilizando-se o programa Stata, analisou-se a série temporal da TM pelo método de regressão de Prais-Winsten (p&lt;0,05). A taxa incremental média anual (TIMA) foi calculada em porcentagem, com seu respectivo intervalo de confiança de 95% (IC 95%). Realizou-se uma análise descritiva dos procedimentos ambulatoriais e hospitalares (2008 a 2022) e foram estimados seus custos financeiros, corrigidos pela inflação brasileira (IPC-A) em julho de 2024. Resultados: Foram registrados 145 óbitos por HI em crianças menores de 5 anos, variando de 1,56/1.000.000 NV (2000) a 0,37/1.000.000 NV (2022), com uma redução média de 5,4% ao ano (IC 95%: 9,05; 1,65; p=0,007). De 2008 a 2022, foram registrados 7.392 procedimentos ambulatoriais (493 atendimentos/ano); observou-se que 69% dos atendimentos foram realizados em crianças com menos de 1 ano de idade e 64% no sexo feminino. As intervenções ambulatoriais mais dispendiosas incluem: dispensação de alfainterferona, ultrassonografia de abdômen total e consulta em Atenção Especializada. Foram registrados 25.048 procedimentos hospitalares (1.089 atendimentos/ano) de 2008 a 2022, com 55% das internações em menores de 1 ano e 52% no sexo masculino; verificou-se que as intervenções cirúrgicas foram as mais dispendiosas. Em relação aos custos financeiros do tratamento do HI em crianças menores de 5 anos, o custo médio mensal foi de R$ 85.953,65. Conclusão: A TM por HI está em queda no Brasil. Há um padrão de atendimentos ambulatoriais e hospitalizações no SUS, em que o principal público atendido foi de crianças menores de 1 ano de idade e do sexo feminino, reforçando os dados epidemiológicos encontrados na literatura. Houve aumento nos atendimentos ambulatoriais a partir de 2018, possivelmente associado à publicação do Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica para HI. Isso corrobora a redução nas hospitalizações e mostra que diagnóstico, o acompanhamento e as orientações precoces podem evitar a evolução da doença, sendo esse um importante fator na construção de políticas públicas voltadas para o tratamento do HI. <![CDATA[ID 225 - Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT) de Inibidores de Janus Quinase (JAKi) para o Tratamento de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200225&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O LES é caracterizado como uma doença autoimune com manifestações complexas e multissistêmicas, com opções terapêuticas limitadas. O bloqueio das vias de sinalização JAK está sendo investigado no controle da inflamação subjacente ao LES, trazendo novas perspectivas para o tratamento. Atualmente, nenhum JAKi tem registro para tratamento de LES na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na Food and Drug Administration (FDA) e na Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Este MHT visa identificar sistematicamente os JAKi em desenvolvimento para o tratamento do LES. Método: Foram recuperados registros de ensaios clínicos nas bases ClinicalTrials.gov, WHO International Clinical Trials Registry e Cochrane Central Register of Controlled Trials. Foram utilizadas estratégias de busca com vocabulário controlado e sinônimos relacionados aos JAKi e ao LES. Não foram aplicados filtros de restrição temporal, idioma ou status do estudo. Ensaios clínicos de fase 2 e 3 foram incluídos, enquanto estudos observacionais foram excluídos. Resultados: Foram identificados sete JAKi em desenvolvimento para o tratamento de LES. Baricitinibe, indicado em LES ativo, é um inibidor de JAK1 e JAK2, avaliado nos ensaios NCT03616912 e NCT03616964 (fase 3, completos e com resultados). Filgotinibe, indicado para nefropatia membranosa lúpica e LES cutâneo, é um inibidor seletivo de JAK1 de segunda geração, testado nos estudos NCT03285711 e NCT03134222 (fase 2, completos e com resultados). Upadacitinibe, indicado para LES ativo moderado a grave, é outro inibidor seletivo de JAK1, avaliado nos ensaios NCT03978520 (fase 2, completo e com resultados) e NCT04451772 (fase 3, sem recrutamento). Deucravacitinibe, inibidor alostérico de TYK2, é indicado para LES ativo moderado a grave e nefrite lúpica, com ensaios NCT03252587 (fase 2, completo, com resultados), NCT03920267 (fase 2, sem recrutamento), e os ensaios NCT05617677 e NCT05620407 (fase 3, em recrutamento). Brepocitinibe, um inibidor seletivo de TYK2 e JAK1, foi testado em pacientes com LES ativo moderado a grave que falharam ao tratamento padrão, no estudo NCT03845517 (fase 2, completo e sem resultados). Tofacitinibe, destinado a pacientes com envolvimento cutâneo moderado a grave, é um inibidor de JAK1, JAK2 e JAK3, com menor efeito sobre TYK2, avaliado no estudo NCT03288324 (fase 2, completo, sem resultados). Por fim, solcitinibe, um inibidor seletivo de JAK1, foi testado em LES ativo no estudo NCT01777256 (fase 2), mas o ensaio foi encerrado precocemente após a primeira análise interina, devido à ausência de redução no desfecho primário. Conclusão: Os estudos com baricitinibe não conseguiram atingir desfechos importantes, como a redução gradual da dose de glicocorticoides e o tempo até o primeiro surto grave, levando à interrupção do estudo. Da mesma forma, o desenvolvimento do solcitinibe foi descontinuado após as análises interinas indicarem que o desfecho primário não foi alcançado. Por outro lado, outros JAKi (como filgotinibe, upadacitinibe, deucravacitinibe, brepocitinibe e tofacitinibe) continuam sendo avaliados em ensaios clínicos. O desenvolvimento dos JAKi traz novas possibilidades para o tratamento da LES, sendo uma estratégia promissora. No entanto, ainda se faz necessário investigar quais grupos com LES realmente se beneficiariam com os iJAK. <![CDATA[ID 227 - Eficácia e Segurança do Dupilumabe em Comparação ao Omalizumabe para Asma Grave com Fenótipo Alérgico: revisão sistemática com metanálises de comparações indiretas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200227&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A asma é caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas. Entre seus fenótipos e endotipos, a inflamação tipo 2 (fenótipos alérgico e eosinofílico) é caracterizada por manifestação precoce e mais grave. Atualmente, o omalizumabe (OMA) é o único imunobiológico disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da asma grave com fenótipo alérgico. Recentemente, o dupilumabe (DUPI) – um anticorpo monoclonal humano antagonista do receptor da IL-4 e da IL-13 – surgiu como alternativa para essa condição. Método: Foram conduzidas duas revisões sistemáticas avaliando a efetividade do DUPI e do OMA em relação ao placebo no tratamento da asma grave com fenótipo alérgico, definido como IgE ≥ 30 UI/mL e sensibilidade a um ou mais aeroalérgenos perenes. Apenas estudos clínicos randomizados, com mascaramento de participantes e avaliadores, foram incluídos, devido ao componente subjetivo na definição de exacerbação. Também foram incluídos apenas estudos que avaliavam a adição de OMA ou DUPI ao tratamento com beta-agonistas de ação prolongada e corticosteroides inalatórios, conforme PCDT de asma. As buscas foram realizadas nas bases MEDLINE (PubMed), EMBASE e Cochrane CENTRAL, em janeiro de 2024. O risco de viés dos estudos individuais foi avaliado com o instrumento Risk of Bias 2.0, com a certeza da evidência sendo avaliada com o sistema GRADE (do inglês, ). A partir dos resultados identificados nas duas revisões independentes, foi realizada metánalise de comparações indiretas. As análises foram feitas com o software R, pacotes meta e netmeta, utilizando abordagem frequentista. Resultados: Quatro ensaios clínicos avaliaram DUPI e oito avaliaram OMA. Em comparação ao placebo, DUPI reduziu o risco de exacerbações em 52% (RR 0,48; IC 95% 0,37 a 0,62; alta certeza da evidência) e aumentou o VEF1 em 0,16 L (IC 95% 0,12 a 0,20 L; alta certeza da evidência), além de melhorar a qualidade de vida e o controle da doença. OMA, em comparação ao placebo, reduziu as exacerbações em 26% (RR 0,74; IC 95% 0,64 a 0,86; baixa certeza da evidência por risco de viés e evidência indireta) e aumentou o VEF1 em 0,08 L (IC 95% 0,04 a 0,11 L; baixa certeza por risco de viés e evidência indireta). Comparação indireta mostrou que DUPI reduz a taxa de exacerbações em 32% em relação ao OMA (RR 0,68; IC 95% 0,54 a 0,88; baixa certeza da evidência por risco de viés e evidência indireta em OMA) e aumenta o VEF1 em 0,08 L (IC 95% 0,03 a 0,13; p = 0,001; baixa certeza por risco de viés e evidência indireta em OMA). No desfecho de descontinuação por eventos adversos, não houve diferença estatística entre os tratamentos, embora tenha sido observada redução de 26% com o DUPI comparado ao OMA (RR 0,74; IC 95% 0,28 a 1,93; moderada certeza da evidência por imprecisão). Conclusão: OMA e DUPI são eficazes no tratamento da asma grave com fenótipo alérgico, com a incorporação do OMA pelo SUS, em 2019, sendo um marco importante para a atenção ao paciente com asma grave no SUS. A comparação indireta indica que DUPI está provavelmente associado a uma menor taxa de exacerbações e a uma melhora da função pulmonar em relação ao OMA, tornando-se uma opção viável para inclusão no SUS. Apesar dos resultados promissores, é essencial contextualizar o impacto clínico com aspectos econômicos para garantir a sustentabilidade do sistema com a adoção de tratamentos custo-efetivos. <![CDATA[ID 229 - Impacto das Diretrizes Atualizadas nos Resultados de Implante Transcateter de Válvula Aórtica em uma Operadora de Saúde no Brasil: estudo retrospectivo de uma década]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200229&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A estenose aórtica é uma das doenças valvares mais prevalentes e graves, particularmente em populações idosas, e sua progressão pode levar à significativa morbidade e mortalidade. O implante transcateter de válvula aórtica (TAVI – do inglês, ) surgiu como uma alternativa menos invasiva à substituição cirúrgica da válvula aórtica (SAVR – do inglês, ), inicialmente indicada para pacientes com risco cirúrgico elevado. Em 2018, novas diretrizes clínicas foram introduzidas, ampliando as indicações de TAVI para pacientes com risco intermediário e até baixo. Este estudo busca avaliar o impacto dessas diretrizes atualizadas nos resultados dos procedimentos de TAVI realizados em uma operadora de saúde em Belo Horizonte, Brasil, ao longo de uma década. Método: Este é um estudo de coorte não concorrente que analisou dados secundários de pacientes diagnosticados com estenose aórtica grave e submetidos ao implante da TAVI entre 2013 e 2023. Os pacientes foram divididos em dois grupos: aqueles tratados antes de janeiro de 2019 (n=56) e aqueles tratados após essa data (n=269), permitindo a comparação dos desfechos à luz das diretrizes atualizadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Os desfechos primários incluíram mortalidade geral e principais complicações (implantação de marcapasso e acidente vascular cerebral – AVC), enquanto os desfechos secundários englobaram taxas de sucesso do procedimento e reações adversas específicas. A significância estatística foi avaliada utilizando valores de p. Resultados: Foram incluídos 325 pacientes submetidos ao implante da TAVI. Observou-se redução na taxa de mortalidade hospitalar, de 7,1% para 5,9% (p=0,735), e na mortalidade em até um ano de seguimento, de 25% para 14,9% (p=0,064), após a implementação das diretrizes de 2018. A necessidade de implantação de marcapasso diminuiu de 28,6% para 18,2% (p=0,03), enquanto a incidência de AVC reduziu de 8,9% para 5,6% (p=0,2). Alguns parâmetros mostraram benefícios estatisticamente significativos, mas todos mostram o mesmo sentido de tendência de melhora. Observou-se uma transição do uso predominante de válvulas expansíveis por balão para válvulas autoexpansíveis, associada a melhores resultados clínicos. Conclusão: As diretrizes atualizadas e os novos protocolos implementados em 2018 resultaram em melhorias significativas nos desfechos clínicos dos pacientes submetidos a TAVI. Este estudo reforça a viabilidade e a eficácia da TAVI como tratamento para estenose aórtica grave em diversos perfis de risco, destacando a importância da atualização contínua das diretrizes clínicas e do avanço tecnológico. Esses achados têm implicações relevantes para a prática clínica e para o sistema de saúde no Brasil, indicando que a adoção de novas tecnologias, associada a protocolos com critérios de elegibilidade, pode levar a melhores resultados em saúde. <![CDATA[ID 230 - Análise de Custo-Minimização entre Ganciclovir e Valganciclovir para o Tratamento da Retinite por Citomegalovírus em Pessoas Vivendo com o Vírus da Imunodeficiência Humana ou Aids]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200230&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O vírus da imunodeficiência humana (HIV) infecta os linfócitos T que expressam o receptor CD4 em sua superfície, comprometendo o sistema imunológico do indivíduo, predispondo-o a outras infecções¹. Uma delas é causada pelo citomegalovírus (CMV), que pode afetar órgãos como os olhos, provocando retinite, complicação caracterizada por lesões na retina. Os antivirais ganciclovir e valganciclovir são utilizados para o tratamento da retinite por CMV em pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA). O ganciclovir é administrado pela via intravenosa, necessitando de ambiente ambulatorial ou hospitalar. O valganciclovir, pró-fármaco com biodisponibilidade equivalente ao ganciclovir, está disponível na forma de comprimido revestido e pode ser administrado pelo próprio indivíduo. Muitos custos diferentes incidem sobre os dois tratamentos e, na perspectiva da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), a fim de comparar os dois tratamentos, é necessária uma avaliação econômica para apontar qual seria a opção mais vantajosa na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo deste trabalho é realizar uma avaliação econômica comparando ganciclovir e valganciclovir para o tratamento da retinite por CMV em PVHA. Método: Para a construção do modelo econômico, foram considerados os custos médicos diretos para o tratamento de retinite por CMV com os medicamentos ganciclovir 1 mg/mL, bolsa com 250 mL, e valganciclovir 450 mg, comprimido revestido. Os esquemas posológicos consideraram um indivíduo com 70 kg e as médias de duração de tratamento descritas em literatura. As evidências de eficácia e segurança foram buscadas nas bases de dados LILACS (via PubMed), EMBASE e Cochrane. A busca por preços foi realizada no Banco de Preços em Saúde (BPS) e no Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS (Sigtap). Resultados: A busca por evidências concluiu que os dois medicamentos apresentam eficácia e segurança equivalentes, por isso foi realizada uma avaliação de custo-minimização (ACE). Quanto à duração do tratamento, foram considerados 21 dias de terapia de indução para ambos os antivirais, 112 dias de terapia de manutenção para o ganciclovir e 150 dias de terapia de manutenção para o valganciclovir. O custo do tratamento com o ganciclovir, por paciente ao ano, foi estimado em R$ 29.861,19. O custo com o valganciclovir foi estimado em R$ 38.741,76. A avaliação de custo-minimização revelou que o tratamento com valganciclovir custa R$ 8.880,57 a mais que o tratamento com ganciclovir. Conclusão: A ACM não considerou aspectos importantes, como liberação de leitos ambulatoriais e hospitalares, além de questões como qualidade de vida e acessibilidade geográfica. Embora o uso de ganciclovir tenha apresentado menor custo em relação ao valganciclovir, esse resultado pode estar superestimado devido à ausência de desfechos relacionados às preferências dos pacientes e ao custo de oportunidade associado à ocupação de leitos hospitalares. <![CDATA[ID 232 - Avaliação da Qualidade Metodológica de Diretrizes Clínicas para Prática Odontológica na Atenção Primária à Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200232&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Com o intuito de melhorar as práticas de cirurgiões-dentistas na Atenção Primária à Saúde (APS), estão sendo desenvolvidas, pelo e pela Coordenação-Geral de Saúde Bucal vinculada ao Ministério da Saúde, diretrizes baseadas em evidências, cujos primeiros documentos foram publicados no primeiro semestre de 2024. Esses documentos são apresentados nas versões estendida e resumida. Este trabalho tem como objetivo realizar a avaliação da qualidade metodológica das diretrizes relacionadas aos traumatismos alveolodentários em dentes permanentes e decíduos. Método: Trata-se de um estudo descritivo com aplicação da ferramenta (AGREE II) por dois avaliadores das diretrizes de manejo clínico de traumatismos alveolodentários em dentes permanentes (versão estendida e resumida) e em dentes decíduos (versão resumida e estendida). Para cada um dos 23 itens do AGREE II, cada avaliador atribuiu um entre 1 (discordo totalmente) e 7 (concordo completamente). Esses itens estavam divididos em seis domínios: escopo e propósito; envolvimento das partes interessadas; rigor no desenvolvimento; clareza da apresentação; aplicabilidade; e independência editorial. As pontuações globais foram estimadas pela média (MD) e pelo desvio-padrão (DP). Para avaliar a diferença entre os, usou-se o teste t de Student, considerando p&lt;0,05 como significante. Resultados: A diretriz na versão resumida relacionada aos traumatismos alveolodentários em dentes permanentes obteve menor pontuação global (MD=3,95, DP=2,85) do que a versão estendida (MD=6,02, DP=2,23), demonstrando uma diferença significativa (p=0,009). O mesmo foi observado em relação à diretriz resumida para dentes decíduos (MD=3,87, DP=2,80) e à estendida (MD=6,00, DP=2,23), mostrando-se também diferente (p=0,007). As diferenças ocorreram principalmente na avaliação do domínio rigor no desenvolvimento. Mesmo que as versões estendidas tenham recebido maior pontuação e que tenham listados os autores envolvidos, não há informações explícitas sobre o envolvimento das partes interessadas, pacientes/responsáveis e profissionais da Atenção Primária. Ainda, destaca-se que não foi identificado um procedimento de atualização das diretrizes avaliadas, bem como não há a descrição de facilitadores e dificultadores da sua aplicação nem são apresentados os critérios para seu monitoramento e sua auditoria. Conclusão: Este trabalho representa a primeira avaliação metodológica das diretrizes de manejo clínico de traumatismos alveolodentários na Atenção Primária analisadas por meio do AGREE II. Os achados demonstram o rigor metodológico adotado. A versão resumida, mesmo tendo menor pontuação global, representa uma ferramenta importante para disseminação de boas práticas relacionadas ao manejo de traumatismo alvéolodentário na Atenção Primária. Sugere-se maior transparência, principalmente em relação ao processo de atualização e de aplicação das diretrizes. <![CDATA[ID 234 - Avaliação do Acesso a Medicamentos Incorporados pelo SUS para Doenças Raras]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200234&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme a Lei Orgânica da Saúde (Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990), garante o acesso a tecnologias de saúde, incluindo medicamentos. A partir da criação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), em 2011, houve mais agilidade e transparência no processo de incorporação de tecnologias. Doenças raras representam um desafio significativo em termos de acesso a medicamentos, tanto no setor público quanto no privado. Este estudo avalia as incorporações de medicamentos para doenças raras pelo SUS entre 2019 e 2024, comparando o acesso entre os sistemas público e privado. Método: Realizou-se um estudo descritivo e exploratório por meio da análise quantitativa das incorporações de medicamentos recomendadas pela Conitec entre janeiro de 2019 e março de 2024. A doença rara é aquela que acomete até 65 pessoas por 100 mil indivíduos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A aquisição do medicamento foi pesquisada no Banco de Preços em Saúde (BPS) via Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (Siasg). Considerou-se medicamento de alto custo aquele cujo custo unitário excede 70% do salário mínimo. Resultados: Entre 2019 e 2024, a Conitec recomendou 151 incorporações, das quais 51 (33,8%) referiam-se a doenças raras. Dessas 51, 43 eram medicamentos, 34 (79,1%) deles sendo de alto custo e destinados a uma única indicação. No entanto, cinco (14,7%) desses medicamentos não apresentaram registro de compra no BPS nos últimos dois anos, indicando que, apesar da incorporação, os pacientes não estão tendo o acesso esperado. Além disso, para seis (17,6%) medicamentos com compra registrada no sistema, a quantidade adquirida era insuficiente para atender à demanda prevista para o tratamento. Conclusão: A análise revela uma disparidade significativa entre a incorporação de medicamentos para doenças raras e o acesso efetivo a eles no SUS. Esses resultados sugerem a necessidade de estratégias mais eficazes para garantir que a incorporação resulte em acesso real aos medicamentos para doenças raras no SUS. <![CDATA[ID 235 - Monitoramento dos Prazos de Medicamentos Incorporados no Âmbito do SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200235&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O monitoramento do tempo de implementação de tecnologias em saúde é crucial para garantir o acesso rápido a medicamentos considerados custo-efetivos pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). No Brasil, o prazo legal para implementação é de 180 dias após a publicação da portaria de incorporação. A demora nesse processo pode prejudicar a saúde da população, retardando o acesso a tratamentos essenciais. Este estudo visa analisar os intervalos entre a incorporação e a disponibilização de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), destacando o tempo necessário para atingir os principais marcos do processo de implementação. Método: Foram selecionados medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), recomendados pela Conitec em 2019 e 2020, para incorporação ou ampliação de uso. Apenas os medicamentos dos Grupos 1A e 1B foram incluídos, devido à melhor qualidade dos registros de utilização. Medicamentos que não haviam sido implementados até agosto de 2024 ou que não apresentavam dados disponíveis de utilização foram excluídos. Foram avaliados marcos importantes do processo, como a pactuação de financiamento na Comissão Intergestores Tripartite (CIT); a publicação da portaria do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT); a criação ou atualização do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS (Sigtap); e a implementação, definida pelo primeiro registro de dispensação no Sistema de Informações Laboratoriais (SIA) para incorporações ou pela atualização do PCDT para ampliações de uso. As datas de pactuação foram extraídas das atas e gravações da CIT, enquanto as demais datas foram obtidas das portarias. A análise considerou a mediana da diferença entre essas datas e a data da portaria de incorporação. Resultados: Foram incluídos 17 medicamentos, majoritariamente pertencentes ao Grupo 1A do Ceaf (76%). A mediana do tempo para pactuação de financiamento foi de 128 dias (mínimo: 50; máximo: 496), com três medicamentos sem registro de pactuação. Para a publicação do PCDT, a mediana foi de 363 dias (mínimo: 161; máximo: 798). A criação do Sigtap apresentou mediana de 545 dias (mínimo: 180; máximo: 793). A implementação efetiva ocorreu em uma mediana de 562 dias (mínimo: 191; máximo: 932). Conclusão: O estudo mostrou que, apesar do prazo legal de 180 dias para a implementação de medicamentos incorporados, a maioria dos marcos essenciais para sua disponibilização no SUS ultrapassa esse limite. A pactuação de financiamento foi o único processo que, em grande parte, respeitou o prazo, embora não tenha sido possível identificar a data de pactuação para três medicamentos, ressaltando a necessidade de maior transparência nessas informações. Em contrapartida, os atrasos identificados apontam que há barreiras institucionais e operacionais que comprometem a agilidade no acesso aos medicamentos. O monitoramento pós-incorporação é, portanto, uma ferramenta crítica para identificar esses gargalos e orientar ajustes nas políticas públicas, garantindo que o acesso a medicamentos ocorra de forma mais rápida e eficiente. Ademais, este estudo destaca a importância de uma articulação mais eficaz entre os diversos atores envolvidos no processo de implementação, visando otimizar a gestão de tempo e assegurar o cumprimento dos prazos legais, com o objetivo de promover maior equidade no acesso à saúde. <![CDATA[ID 236 - Análise da Qualidade Metodológica de Ensaios Clínicos sobre o Uso da Eritropoetina Comparado à Hidroxiureia em Pacientes com Anemia Falciforme]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200236&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A eritropoetina surge como uma potencial estratégia terapêutica em pacientes com anemia falciforme, devido à sua capacidade de modular a eritropoese e influenciar positivamente os processos anti-inflamatórios e antioxidantes. Objetivos: reunir informações e avaliar a qualidade metodológica de artigos quanto à eficácia da eritropoetina e da hidroxiureia no tratamento da hiper-hemólise em pacientes com anemia falciforme. Método: Revisão sistemática registrada na PROSPERO (CRD42024503662), conduzida segundo a diretriz PRISMA (). Bases de dados: MEDLINE, Embase, Web of Science, Cochrane Library, Scopus e CINAHL. Critérios de inclusão: portadores de anemia falciforme com hiper-hemólise pós-transfusional, submetidos a terapia combinada de eritropoetina e hidroxiureia em ensaios clínicos. As etapas – seleção dos estudos, extração de dados e qualidade do risco de viés – foram realizadas por dois autores independentes, usando as plataformas Rayyan QCRI e o formulário padronizado no Excel e a ferramenta ROB-2, Cochrane Library, respectivamente. Resultados: Dos 247 artigos inicialmente identificados, dois estudos foram incluídos na revisão. Furness . (2009) indicou benefício potencial da combinação no manejo pré-operatório da transfusão sanguínea, enquanto Goldberg (1990) mostrou melhora na saturação de oxigênio e na dor com o uso combinado. Ambos os estudos apresentaram alto risco de viés em diversos domínios metodológicos, incluindo geração da sequência aleatória, sigilo da alocação, cegamento e dados incompletos. Conclusão: A associação de hidroxiureia e eritropoetina sugere potenciais benefícios na redução de transfusões e melhora de alguns desfechos em pacientes com anemia falciforme. Entretanto, o alto risco de viés nos estudos incluídos limita a confiabilidade dos resultados. Novas pesquisas com delineamento robusto e controle rigoroso do viés são essenciais para confirmar a eficácia e a segurança dessa intervenção. <![CDATA[ID 238 - Avaliação de Desfechos Relatados pelo Paciente (PROMs) e de Experiência (PREMs) após o Tratamento de Mulheres com Câncer de Endométrio]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200238&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O câncer de endométrio é o sexto tipo mais comum entre as mulheres em todo o mundo e o sétimo no Brasil. Com o aumento das taxas de sobrevida, devido a avanços no diagnóstico e no tratamento, há uma crescente preocupação com a qualidade de vida e a experiência das pacientes durante e após o tratamento. Este estudo visa avaliar os desfechos clínicos e a experiência relatada pelas pacientes após o tratamento cirúrgico do câncer de endométrio, em um centro de referência oncológica. Método: Este estudo transversal foi realizado em um hospital oncológico de referência com 122 mulheres tratadas cirurgicamente para câncer de endométrio. Foram utilizados como PROMs: mobilidade, atividades diárias e autocuidado, dor, ansiedade, qualidade de vida, função sexual e autoimagem. Como PREMs, foram utilizados: satisfação com informações recebidas sobre o tratamento e cuidados pós-cirurgia, nível de confiança na equipe e (NPS). Resultados: Incluíram-se 122 mulheres, com idade média de 60,8 anos. Na avaliação dos PROMs, 52,4% não tinham problemas de mobilidade; 83,5% não apresentavam problemas para realizar cuidados pessoais ou atividades usuais (60,9%); 44,8% não apresentavam dor ou desconforto; 51,0%não tinham alopecia; 61,3%não se sentiam ansiosas ou deprimidas e avaliaram sua saúde e sua qualidade de vida em mais de 80%, em uma escala de 0 a 100. Além disso, metade das pacientes não apresentava nenhum desejo sexual após o tratamento, mas também não apresentava dispauremia (61,8%). Na avaliação de autoimagem, mais de 60% das mulheres relataram se sentir atraentes e femininas com o resultado que tiveram após o tratamento. No quesito de experiência (PREMs), mais de 70% das pacientes relataram satisfação acima de 80% com as informações recebidas sobre a recuperação da cirurgia e o tratamento e tiveram suas expectativas atendidas. Além disso, a confiança na equipe médica também foi alta, refletindo em um NPS elevado (acima de 80%. Conclusão: Os resultados indicam que a maioria das mulheres tratadas para câncer de endométrio relataram alta satisfação com o processo de tratamento e recuperação. A alta confiança na equipe médica, associada à boa comunicação sobre o tratamento, contribuiu para a percepção positiva das pacientes. No que se refere à qualidade de vida, a maioria das mulheres conseguiu manter independência nas atividades cotidianas e não experimentou dor significativa. No entanto, a função sexual apresentou desafios, com metade das mulheres reportando falta de desejo sexual, embora a maioria não tenha sofrido desconforto físico. Os dados de PROMs e PREMs mostram que, além dos benefícios clínicos, é fundamental acompanhar a experiência emocional e social das pacientes, especialmente no que diz respeito à função sexual e à autoimagem, áreas que ainda requerem maior atenção no cuidado pós-tratamento. Este estudo destaca a importância de integrar avaliações de desfechos centrados no paciente e suas experiências após o tratamento do câncer de endométrio. Embora a maioria das pacientes tenha relatado satisfação com o tratamento e uma boa qualidade de vida, questões relacionadas à função sexual e ao bem-estar emocional ainda exigem maior foco para proporcionar um cuidado mais abrangente e humanizado. <![CDATA[ID 240 - Análise Retrospectiva da População Elegível e Impacto Orçamentário de Recomendações sobre Medicamentos Submetidos à Consulta Pública na Saúde Suplementar em 2022 e 2023]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200240&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde/Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês (Nats/NEv-HSL) atua em colaboração com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na avaliação crítica de propostas para atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Parte dessa avaliação inclui a reanálise de impacto orçamentário (AIO) projetado com as tecnologias em avaliação pela ANS. Logo, o objetivo deste trabalho foi analisar a média da população elegível e o impacto orçamentário acumulado em cinco anos das análises realizadas pelo Nats/NEv-HSL em 2022 e 2023. Método: Estudo descritivo conduzidos no Nats/NEv do Hospital Sírio-Libanês. Os desfechos incluíram número médio de pessoas elegíveis na AIO; proporção de pacientes elegíveis por 100 mil usuários da saúde suplementar; impacto orçamentário acumulado em cinco anos; e impacto orçamentário médio anual por paciente elegível. As fontes de informações foram os documentos submetidos pela equipe técnica da ANS à consulta pública referentes a medicamentos entre janeiro de 2022 e junho de 2023. Os dados foram extraídos manualmente por dois pesquisadores, e a análise foi realizada pelo software Stata® (versão 17). O protocolo está disponível em: https://osf.io/srd7g. Resultados: Foram identificadas 50 análises técnicas submetidas à consulta pública, sendo 37 (74%) elegíveis. A mediana de pacientes foi 480, variando de 53,8 a 117.996 pessoas. Já a proporção de pacientes elegíveis foi de 0,896 pacientes por 100 mil usuários da saúde suplementar, variando de 0,1 a 220,2 por 100 mil usuários. Em análise de subgrupo para condições oncológicas graves, todas as análises de medicamentos antineoplásicos tiveram proporção estimada em menos que 10 pacientes elegíveis por 100 mil usuários. O impacto acumulado das recomendações favoráveis foi de R$ 4.213.912.839,86 (R$ 210.695.641,99 por trimestre), e o impacto anual por paciente elegível seria de R$ 12.239,64. Já para recomendações não favoráveis, o impacto orçamentário esperado em cinco anos seria de R$ 1.412.301.368,02, com impacto anual por paciente elegível de R$ 2.223,26. As recomendações favoráveis após a análise técnica projetaram economia em 36% dos casos (n=10, total n=28), garantindo acesso a tratamento a cerca de 70 mil pacientes a cada ano. Conclusão: No que se refere ao cálculo de população elegível, as análises contemplaram majoritariamente pacientes graves e/ou oncológicos, com proporção abaixo de 65 pessoas por 100 mil usuários da saúde suplementar. Quanto ao impacto orçamentário projetado, este correspondeu a 0,37% da despesa assistencial no primeiro trimestre de 2023, e as análises técnicas contribuíram para a manutenção da eficiência da saúde suplementar. <![CDATA[ID 241 - Desafios e Perspectivas para Definir um Limiar de Custo-Efetividade na Saúde Suplementar no Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200241&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) atende a maior parte da população, mas cerca de 25% dos brasileiros têm contratada também a assistência pela saúde suplementar, regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Diferentemente da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que estabeleceu o limiar de R$ 40 mil, equivalente a um PIB per capita, por ano de vida ajustado pela qualidade (QALY) para a incorporação de tecnologias, a ANS não possui diretrizes claras para a avaliação de custo-efetividade. Essa ausência cria uma lacuna significativa no processo de incorporação de medicamentos no setor privado, levando a variações no acesso e risco à sustentabilidade financeira do sistema suplementar. A criação de um limiar de custo-efetividade adaptado à saúde suplementar poderia aumentar a eficiência do sistema e garantir maior equidade no acesso a tratamentos de alto custo. Este estudo avalia a razão de custo-efetividade incremental (ICER – do inglês, ) por QALY de medicamentos incorporados pela saúde suplementar, após discussão no âmbito da ANS, e compara esses valores ao limiar da Conitec, destacando as implicações para sustentabilidade do setor e acesso dos beneficiários. Método: Foram analisados dados de reembolso de medicamentos submetidos à ANS, com foco na ICER por QALY de diferentes tratamentos. As ICERs foram calculadas com base nos custos dos tratamentos e nos benefícios em termos de QALYs. Medicamentos como talazoparibe, enzalutamida, lenvatinibe e gilteritinibe, utilizados em tratamentos oncológicos, foram incluídos na análise. Os resultados foram comparados ao limiar de R$ 40 mil por QALY estabelecido pela Conitec e a limiares internacionais, a fim de identificar medicamentos cujas ICERs excedem os valores de referência. Resultados: Os resultados revelaram uma discrepância significativa entre as ICERs observadas no setor privado e o limiar estabelecido pela Conitec. Por exemplo, o talazoparibe, para o câncer de mama avançado, apresentou uma ICER de R$ 619.900 por QALY, enquanto a enzalutamida, para o câncer de próstata metastático, atingiu R$ 366.490 por QALY. Medicamentos como o gilteritinibe, para leucemia mieloide aguda, apresentaram ICER de R$ 492.250 por QALY. Em contraste, intervenções como a diálise peritoneal automatizada mostraram ICERs bem abaixo do limiar da Conitec, com R$ 6.850 por QALY. Conclusão: A variabilidade na magnitude da ICER/QALY evidencia a falta de critérios econômicos para o setor suplementar. A ausência de um limiar de custo-efetividade cria incertezas na incorporação de medicamentos de alto custo, potencialmente sobrecarregando financeiramente as contraprestações dos beneficiários. O estabelecimento de um limiar formal para o setor suplementar, alinhado às práticas internacionais e às diretrizes da Conitec, pode otimizar a alocação de recursos e aumentar o acesso a esse sistema. <![CDATA[ID 242 - Prioridades de Publicação de Epidemias, Incluindo Respectivas Tecnologias em Saúde, Propostas para Eliminação pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em Periódicos Farmacêuticos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200242&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A publicação de pesquisas em periódicos é a principal forma de comunicação científica. Os temas publicados nos periódicos são reflexo do interesse em pesquisa na área e do financiamento disponível. As epidemias da meta 3.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – aids, malária e tuberculose – ainda hoje causam grande impacto no mundo, necessitando de novas tecnologias em saúde para melhor enfrentamento e atingimento da meta. Monitorar a publicação sobre o ODS 3.3, o que inclui as tecnologias em saúde envolvidas no seu enfrentamento, permitiria verificar como tais temas e a prioridade de pesquisa e publicação se encontram para traçar estratégias de promoção à pesquisa e ao fomento pertinentes. A presente pesquisa buscou avaliar as prioridades de publicações sobre epidemias a serem erradicadas até 2030, segundo a meta 3.3 dos ODS (aids, tuberculose e malária) em periódicos farmacêuticos. Método: Este estudo transversal incluiu os periódicos listados na (JCR) em 2022. O desfecho primário foi a prioridade de publicação sobre aids, malária e tuberculose, definida como ≥3% de publicações sobre o tema. Após a exportação de lista dos periódicos com indicadores bibliométricos disponível no JCR, o total de publicações em cada periódico até 2022 e o número de publicações sobre o ODS 3.3 foram identificados por meio do, via EndNote 20. Adotou-se ponto de corte de ≥15% de artigos na modalidade acesso aberto dourado como acesso aberto. O país dos editores-chefe foi coletado no website de cada periódico e classificados como baixa e média ou alta renda, de acordo com o Banco Mundial. Regressão de Poisson foi empregada para calcular razão de prevalências (RP) e intervalo de confiança de 95% (IC 95%) do desfecho pelas características dos periódicos. Resultados: De 362 periódicos elegíveis, 354 foram incluídos no estudo (83 do grupo [ESCI] e 271 do ), 8 não continham informação sobre a origem dos editores (n=4) ou foram descontinuados (n=4). A maioria dos periódicos iniciou-se entre 1991 e 2010 (39,4%) e era de acesso aberto (50,7%). Periódicos iniciados após 2011 tiveram mais editores de países em desenvolvimento (34,5%; p&lt;0,001) e maior prioridade de publicação sobre o ODS 3.3 (RP=2,32; IC 95%: 1,47-3,66). Editores de países de baixa e média renda foram minoria (n=61; 17,3%), com maioria de seus periódicos pertencentes ao grupo ESCI (39,0%; p&lt;0,001) e com acesso aberto (22,9%; p=0,005); o fator de impacto foi menor nesses periódicos (2,33±2,63 versus 4,10±7,39; p=0,066). O desfecho foi maior em periódicos chefiados por editores de países emergentes (RP=1,57; IC 95%: 1,10-2,23). Não foram encontradas associações entre continentes, categoria do JCR, quartil de fator de impacto e número de artigos publicados por ano (p&gt;0,05). Conclusão: Periódicos fundados mais recentemente e com editores de países em desenvolvimento publicaram mais artigos sobre o ODS 3.3. Aumentar a diversidade do corpo editorial dos periódicos científicos pode ser uma importante estratégia no caminho para a divulgação de tecnologias em saúde voltadas ao enfrentamento dessas doenças negligenciadas e para o alcance dos ODS até 2030. <![CDATA[ID 244 - Caderneta para a Pessoa Submetida ao Transplante Renal: uma proposta de tecnologia assistencial e educativa]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200244&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Entre os transplantes de órgão sólidos, o transplante renal é o mais frequente no Brasil. Esse tratamento é considerado a melhor terapia substitutiva, seja com relação à melhora na qualidade de vida, seja pelos custos. Contudo, o manejo da saúde do paciente muda de forma importante após esse procedimento, pois é necessária a mudança tanto na terapia farmacológica, em especial com a inclusão de medicamentos imunossupressores, quanto no estilo de vida. Nesse sentido, esse trabalho tem como proposta apresentar o desenvolvimento de uma caderneta voltada ao acompanhamento da pessoa submetida ao transplante renal. Método: Trata-se de um estudo de desenvolvimento tecnológico usando métodos mistos. Para a identificação dos tópicos a serem abordados, foi realizada uma revisão integrativa da literatura, dois grupos focais com pessoas submetidas ao transplante renal e aplicação de questionários com profissionais vinculados à assistência dessas pessoas. A partir da lista identificada, foi desenvolvido o texto usando linguagem simples, bem como ilustrações para auxiliar a compreensão do texto. Esse projeto possui aprovação de um comitê de ética em pesquisa. Resultados: Na etapa da revisão, foram identificados 22 trabalhos que destacaram os temas infecções e rejeição do enxerto renal; comparecimento às consultas e aos exames; uso dos medicamentos; apoio nutricional; atividade física regular; sexualidade e planejamento familiar; proteção solar; apoio emocional e busca por estratégias de enfrentamento/ e apoio social. Com as pessoas e profissionais, emergiram dois grupos temáticos de tópicos: uso de medicamentos imunossupressores e hábitos alimentares no pós-transplante renal; e outros cuidados não farmacológicos e monitoramento de saúde no pós-transplante. A versão preliminar da caderneta tem 60 páginas, sendo 27 relacionadas à assistência e o restante à educação em saúde. Foram desenvolvidas mais de 90 ilustrações, buscando auxiliar a compreensão do texto de linguagem simples relacionado aos tópicos apresentados anteriormente. As ilustrações apresentam-se coloridas e inclusivas, ao trazer diversidade de personagens. A intenção é que a pessoa submetida ao transplante compreenda as informações e sinta-se contemplada no documento. Conclusão: Essa tecnologia se apresenta como uma proposta de ferramenta tanto assistencial como educativa voltada às pessoas submetidas ao transplante renal. Espera-se, nesse momento, aumentar a acessibilidade por meio da inclusão de QR Code para acesso à leitura destinado às pessoas com problemas de letramento ou acuidade visual, bem como garantir a aplicabilidade, por meio da análise por experts, como estratégia de construção das evidências de validação. Nesse sentido, espera-se que em breve ela possa ser aplicada em diversos serviços, vindo a atender milhares de pacientes. <![CDATA[ID 246 - Eficácia e Segurança do Transplante Intestinal e Multivisceral em Pacientes com Falência Intestinal: uma revisão sistemática]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200246&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A falência intestinal (FI) é uma condição rara, caracterizada pela incapacidade do órgão em manter a digestão e a absorção de nutrientes necessários para a manutenção nutricional do indivíduo. Estima-se que sua prevalência seja em torno de 20 a 80 casos por milhão de adultos e de 14,1 a 56 casos por milhão de crianças; além disso, que uma a três pessoas por milhão da população por ano apresentarão FI, e na população pediátrica esse número aumenta para 2 a 6,8 indivíduos por milhão. Entre a população com diagnóstico de FI, 10% a 15% serão candidatas ao transplante de intestino delgado (TID) e ao transplante multivisceral (TMV). O TID e o TMV são procedimentos indicados para pacientes com FI irreversível que correm risco de morte por causa de complicações relacionadas à nutrição parenteral prolongada e em situações de baixa qualidade de vida. Dessa forma, este estudo tem como objetivo avaliar a eficácia e a segurança de TID ou TMV comparados à nutrição parenteral prolongada em paciente com FI. Método: Foi realizada uma revisão sistemática, com base nas diretrizes metodológicas brasileiras. Realizaram-se buscas em três bases de dados: PubMed, Embase e Cochrane Library, além de consulta a especialistas, em 23 de abril de 2024. O risco de viés foi avaliado por meio das ferramentas da Cochrane e do Instituto Joanna Briggs. A confiança na evidência foi avaliada utilizando o sistema GRADE (do inglês, ). Resultados: De 804 publicações identificadas nas bases de dados, após o processo de seleção com base nos critérios de elegibilidade, foram incluídos 12 estudos, sendo 1 coorte prospectiva, 2 estudos transversais e 7 séries de casos. Os estudos apresentaram algumas falhas metodológicas quanto à clareza no relato do método. O TID, quando comparado à dieta parenteral domiciliar, mostrou que a sobrevida em 60 meses foi superior com o transplante (RR: 0,71; IC de 95%: 0,53 a 0,96; p=0,02). Contudo, outro estudo, realizado em nove meses, não encontrou diferença significativa na qualidade de vida entre os grupos, exceto para dor corporal (DM: 0,96; IC de 95%: 0,18 a 1,74; p=0,02). A sobrevida dos pacientes após TID variou entre 60% e 100% em 2 a 108 meses, e a sobrevida do enxerto variou entre 25% e 82% em 2 a 60 meses. A rejeição aguda variou de 22% a 88% em 1 a 12 meses, e a rejeição crônica de 0% a 29% em 1 a 48 meses. O retransplante foi necessário em 3% dos pacientes em 84 meses, e complicações imunológicas ocorreram em 29% dos casos. Não houve ocorrência de doença do enxerto contra hospedeiro (DECH). O TMV apresentou sobrevida dos pacientes de 57% em 12 meses, variando de 27% a 67% em 60 meses. A sobrevida do enxerto foi de 42% a 57%, em 12 meses, e de 27% a 61% em 60 meses. A descontinuação da NP ocorreu em 60% dos pacientes em 13 meses. A rejeição aguda foi de 66% em 1 mês e de 42% em 48 meses, sem relatos de rejeição crônica. O retransplante foi necessário em 9% dos pacientes em 84 meses, e complicações imunológicas variaram de 27% a 50%. Não houve ocorrência de DECH. Conclusão: Embora haja escassez de estudos na pirâmide da evidência na literatura científica que comprovem a eficácia e a segurança dos transplantes, especialmente pela indicação de tratamento para condições ultrarraras, TID e TMV, quando bem indicados, mostram melhor sobrevida do paciente com FI que tem impossibilidade de continuar na nutrição parenteral prolongada. <![CDATA[ID 247 - Falar de ATS é Falar sobre Histórias de Vida: o papel de uma associação de pacientes na educação e qualificação da participação social em incorporações de tecnologias para fibrose cística]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200247&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Associações de pacientes desempenham um papel importante de educação em saúde, especialmente nos processos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). Segundo Oliveira (2024), 57% dos participantes das Consultas Públicas (CPs) sobre medicamentos para fibrose cística (FC), realizadas em 2020 e 2022, souberam da abertura das CPs por meio de associações de pacientes. Isso evidencia o papel dessas organizações na disseminação de informações e na capacitação da comunidade para participar de maneira qualificada nos processos de ATS. Este trabalho descreve iniciativas do Instituto Unidos pela Vida (IUPV) no fortalecimento da comunidade de FC, promovendo educação em ATS e participação social, resultando em contribuições qualificadas com evidências de vida real para o processo de incorporação de moduladores no SUS. Para educar a comunidade e contribuir pela qualificação da jornada de engajamento, o IUPV estruturou suas atividades em três etapas principais, realizadas a partir da aprovação do primeiro modulador em 2012. Exemplos: Pré-submissão à Conitec: a partir da aprovação do primeiro modulador pelo FDA em 2012, o IUPV produziu centenas de vídeos, textos, podcasts e eventos educativos sobre a fibrose cística, novos tratamentos e medicamentos, e sua jornada no sistema de saúde, desde a descoberta até a dispensação aos pacientes. Seis encontros anuais nacionais foram realizados com líderes de associações de FC para capacitação em ATS e políticas públicas, além de ações de e controle social. Pós-submissão à Conitec: ações com foco no monitoramento de prazos e processos, fortalecimento da perspectiva do paciente e promoção de debates em congressos e eventos, como três edições do Simpósio Brasileiro de FC, duas edições do Fórum Brasileiro de ATS para Doenças Raras, além de mesa estratégica no Congresso Brasileiro de FC. Também foram realizadas publicações científicas sobre evidências de vida real e pesquisas acadêmicas que analisaram e evidenciaram problemas em consultas públicas anteriores, de tecnologias para FC. Pré e pós-consulta pública: a preparação da comunidade para as CPs incluiu a produção de materiais informativos, vídeos, podcasts, materiais com passo a passo, suporte diário e publicações em mídias sociais, impactando mais de 61 mil pessoas somente na CP do modulador incorporado em 2024. O IUPV gerou contribuições técnicas e de experiência e realiza controle social após a CP até a dispensação dos medicamentos no SUS. Além dessas etapas, o IUPV realizou projetos como o Caderno Especial sobre Participação Social no SUS, além do projeto de pesquisa Qualifica SUS, que mapeou o conhecimento das associações sobre ATS e participação social. Também desenvolveu a plataforma gratuita Conexão SUS, com cursos sobre ATS e políticas públicas, para capacitar a comunidade. A incorporação de dois moduladores no SUS resultou não apenas da qualidade da participação social, mas da robustez de evidências clínicas e da redução do impacto orçamentário. A experiência do IUPV demonstra que a educação em ATS pode qualificar a participação social no SUS, destacando, por fim, a necessidade de que os decisores considerem, de fato, as evidências de vida real obtidas por meio desses mecanismos. Essas iniciativas serão apresentadas no eixo Democratizando a ATS, no Congresso da Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats), através de apresentação em PowerPoint com resultados sistematizados, fluxograma e imagens. Método: Monitor para apresentação de slides. Não é necessário equipamento de som. <![CDATA[ID 248 - Eficácia e Segurança do Transplante Multivisceral em Pacientes com Tumores Abdominais, Catástrofes Abdominais e Tromboses Complexas: uma revisão sistemática]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200248&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O transplante multivisceral (TMV) pode ser recomendado como tratamento para alguns casos raros de tumores abdominais, catástrofes abdominais e tromboses complexas do sistema venoso mesentérico portal, sendo o procedimento de TMV, em muitos casos, a única alternativa de restabelecimento da normalidade fisiológica. Dessa forma, este estudo tem como objetivo avaliar a eficácia e a segurança do TMV comparado ao cuidado padrão. Método: Foi realizada uma revisão sistemática com base nas diretrizes metodológicas nacionais. As buscas por estudos que avaliassem a tecnologia na população de interesse foram realizadas na PubMed, no Embase e na Cochrane Library em 23 de abril de 2024 . O risco de viés foi avaliado por meio das ferramentas da Cochrane e do Instituto Joanna Briggs. O processo de seleção, extração e avaliação da qualidade metodológica dos estudos foi feito em dupla e de modo independente. Resultados: De 75 publicações identificadas nas bases de dados, após o processo de seleção e elegibilidade de acordo com os critérios de elegibilidade, foram incluídos 12 estudos, sendo três coortes, quatro séries de casos e cinco relatos de caso. Os estudos apresentaram falhas metodológicas quanto à clareza na descrição do método. A sobrevida do paciente foi avaliada em oito estudos, variando de 0% em 3 meses a 100% em 67 meses. A sobrevida do enxerto foi investigada em quatro estudos, variando de 66,7% em 24 meses a 85,7% em 120 meses. A rejeição aguda foi observada em cinco estudos, com variação de 0% em 12 meses a 100% em 6 meses. Um estudo mostrou que 9% dos pacientes realizaram retransplante multivisceral em dois dias. A infecção relacionada à assistência à saúde foi relatada em cinco estudos, variando de nenhuma ocorrência em 12 meses a infecção em todos os pacientes após 54 meses de acompanhamento. Complicações imunológicas e operatórias ocorreram em todos os pacientes entre 1 e 34 meses de acompanhamento. A presença da doença do enxerto contra hospedeiro (DECH) foi relatada em dois estudos, variando de 17% em 9 meses a 33% em 24 meses. Conclusão: Estudos mostram altas taxas de sobrevida dos pacientes após TMV, com destaque para 100% de sobrevida em dois meses em um dos estudos. No entanto, há registros importantes de perda de enxerto, infecções associadas ao atendimento de saúde, além de complicações imunológicas e cirúrgicas frequentes. A DECH também foi observada em uma proporção significativa dos casos analisados. Deve-se levar em consideração que a maioria dos resultados são provenientes de séries de caso e relatos de caso, em decorrência das condições raras. Por fim, observou-se que o TMV pode aumentar a sobrevida de pacientes com tumores, tromboses difusas e catástrofes abdominais. No entanto, é essencial avaliar cuidadosamente a indicação do paciente para esse tipo de procedimento. <![CDATA[ID 250 - Custo-Efetividade e Análise de Impacto Orçamentário dos Transplantes Intestinal e Multivisceral em Pacientes com Falência Intestinal]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200250&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A falência intestinal (FI) é uma condição rara, caracterizada pela incapacidade do órgão em manter a digestão e a absorção de nutrientes necessários para a manutenção nutricional do indivíduo. Estima-se que sua prevalência seja em torno de 20 a 80 casos por milhão de adultos e de 14,1 a 56 casos por milhão de crianças. Entre a população com diagnóstico de FI, 10% a 15% serão candidatas ao transplante de intestino delgado (TID) e ao transplante multivisceral (TMV). O TID e o TMV são procedimentos indicados para pacientes com FI irreversível que correm risco de morte por causa de complicações relacionadas à nutrição parenteral total (NPT). Dessa forma, este estudo tem como objetivo avaliar a custo-efetividade e a análise do impacto orçamentário (AIO) do TID ou do TMV comparados à nutrição parenteral total em paciente com FI. Método: Elaborou-se uma avaliação econômica de custo-efetividade e uma análise do impacto orçamentário dos dois procedimentos na população estudada na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS). Foi realizada uma avaliação para estimar a relação de custo-efetividade incremental (RCEI) entre TID em relação à NPT na FI. O desfecho avaliado para medir a efetividade das tecnologias foi a sobrevida do paciente. Foram considerados apenas os custos médicos diretos referentes aos procedimentos, cuidados pré-transplante e pós-transplante, cujos valores foram provenientes do sistema de convênio que a saúde pública brasileira tem, atualmente, com hospitais de referência para realização do procedimento. Na análise de impacto orçamentário, foi considerado um horizonte temporal de cinco anos; e, para a composição do cenário atual, sem a incorporação das novas tecnologias, foi considerada a NPT como opção. Para o cálculo da população elegível para o primeiro ano de análise, foi considerada a prevalência da falência intestinal com indicação de transplantes em casuísticas internacionais, além da disponibilidade de órgãos para transplantes no Brasil. Foram considerados os mesmos custos utilizados na análise de custo-efetividade. Resultados: Como resultado, a RCEI foi de R$ 1.201.028,47 por ano acrescido à sobrevida do paciente. Os resultados das análises de sensibilidade probabilística mostraram ampla variação de RCEI, entre R$ 321.934,23 e R$ 7.405.729,85. Em relação a AIO, observou-se que a incorporação do TID para pacientes com FI no SUS resultaria num incremento de custo de R$ 13.254.038,51 no primeiro ano e de R$ 22.539.058,50 no quinto ano. Conclusão: O TID e o TMV para FI apresentam uma razão de custo incremental bastante elevada em relação aos comparadores, porém devem ser considerados num cenário de raridade da indicação e do acesso ao procedimento, devendo ser consideradas as imprecisões na avaliação do custo do procedimento. A análise do impacto orçamentário demonstra que ambos os cenários apresentam custos maiores que o cenário atual nos primeiros cinco anos após o transplante. Contudo, dependendo dos valores do procedimento, os custos podem ser semelhantes ou menores em comparação ao cenário atual. <![CDATA[ID 251 - Custo-Efetividade e Análise de Impacto Orçamentário do Transplante Multivisceral em Pacientes com Tumores Abdominais, Catástrofes Abdominais e Tromboses Complexas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200251&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A prevalência de condições que indicam o transplante multivisceral (TMV) é relativamente baixa devido à complexidade e à gravidade das patologias que demandam essa intervenção. Exemplos dessas condições incluem tumores abdominais, desastres abdominais e tromboses difusas. O procedimento de TMV é altamente complexo e exige infraestrutura especializada e treinamento avançado. No entanto, ele pode ser a única alternativa terapêutica viável para pacientes em situações em que não existam outras opções de tratamento além do transplante. Nesse sentido, este estudo tem como objetivo avaliar a custo-efetividade e o impacto orçamentário na introdução do TMV. Método: Para a avaliação econômica, foi adotado o modelo de Markov, com quatro estados de saúde, e foram considerados os custos diretos do tratamento. O comparador utilizado foi o tratamento de suporte, uma vez que não há outra opção terapêutica disponível. A análise do impacto orçamentário foi feita sob a perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS), com um horizonte de cinco anos. Consideraram-se 15 pacientes por ano com indicação de TMV. Os cenários utilizados foram: cenário atual (lista de transplante, com taxa de manutenção de 0,5/ano e custo de R$ 600.000,00/ano); cenário 1 (TMV, com sobrevida em 5 anos de 0,62 a 0,47, e custo do procedimento de R$ 1.200.250,00, mais acompanhamento anual) e cenário 2 (custo do procedimento de R$ 402.417,79, com acompanhamento semelhante ao Cenário 1). A análise de sensibilidade determinística considerou variações de 20% em cada cenário. Os custos do procedimento se deram por meio dos convênios existentes. Resultados: A inclusão do TMV tem um custo incremental por paciente de R$ 2.962.082,67 para um horizonte temporal de 5 anos e a efetividade incremental de 2,39. A razão de custo efetividade incremental (RCEI) é de R$ 1.240.379,95. A análise de sensibilidade determinística demonstrou grande variação no custo do procedimento cirúrgico. Em relação à análise de impacto orçamentário, a incorporação do TMV gera um impacto incremental de R$ 20.133.750,00 a R$ 15.666.280,87 no cenário 1, totalizando R$ 87.431.032,35 em cinco anos. No cenário 2, o impacto é de R$ 8.166.266,85 a R$ 3.698.797,72, totalizando R$ 27.593.616,60. A análise de sensibilidade indicou custos variando de R$ 31.998.706,47 a R$ 191.992.238,82 no cenário 1, e de R$ 20.031.223,32 a R$ 120.187.339,92 no cenário 2. Conclusão: O TMV para as condições de tumores abdominais, catástrofes abdominais e tromboses complexas apresenta uma razão de custo incremental bastante elevada em relação aos comparadores, porém deve ser considerado num cenário de raridade da indicação e do acesso ao procedimento, devendo ser consideradas as imprecisões na avaliação do custo do procedimento. Observa-se que, na análise de impacto orçamentário, ambos os cenários apresentam custos maiores que o cenário atual nos primeiros cinco anos após o transplante. Contudo, dependendo dos valores do procedimento, os custos podem ser semelhantes ou menores em comparação ao cenário atual. <![CDATA[ID 252 - Dupilumabe em Comparação ao Omalizumabe para Asma Grave com Fenótipo Alérgico no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200252&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A asma é caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas, possuindo diferentes endotipos e fenótipos, destacando-se a inflamação tipo 2 com fenótipos eosinofílico e alérgico, para os quais imunobiológicos têm se mostrado eficazes. O omalizumabe (OMA) é o único agente disponível no SUS para o fenótipo alérgico, mas apresenta restrições de uso baseadas no peso e nos níveis séricos de IgE, com 16,6% dos pacientes não sendo elegíveis. O dupilumabe (DUPI) surge como alternativa para a asma grave com fenótipo alérgico. Método: Evidência avaliada por revisão sistemática seguida de metanálise de comparações indiretas. O consumo médio de OMA por paciente foi verificado pela análise das Autorizações de Procedimentos Ambulatoriais (Apac) emitidas em 2022 e 2023. O custo unitário do OMA foi avaliado por registros no Painel de Preços e no Banco de Preços em Saúde (abril de 2023 a março de 2024); calculou-se o desconto praticado frente ao Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG), ponderado pelo volume adquirido e ajustado para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual. Para o DUPI, foi considerado o preço de incorporação para dermatite atópica (R$ 4.923,93 por caixa). Realizou-se análise de custo-minimização com horizonte de 20 anos e taxa de desconto de 5% para custos. Para a análise de impacto orçamentário (AIO), estimou-se o número de pacientes por regressão linear a partir do quantitativo em uso do OMA conforme Apac. Considerou-se inelegibilidade ao OMA em 16,6% dos pacientes, sendo estes elegíveis ao DUPI. Projeções foram feitas para cinco anos, considerando que 50% dos pacientes usarão DUPI no ano 1, atingindo 90% no ano 5. Resultados: Comparado ao OMA, o DUPI reduziu a taxa de exacerbações em 32% (RR 0,68; IC 95% 0,54 a 0,88; certeza baixa) e mostrou aumento no volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) em 0,08L (IC 95% 0,03 a 0,13; certeza baixa), além de apresentar redução não significativa de 26% no risco de descontinuação por eventos adversos (RR 0,74; IC 95% 0,28 a 1,93; certeza moderada). Identificamos 30 registros de preços para OMA 150 mg, apresentando desconto médio de 2,91% frente ao PMVG, resultando em custo ajustado de R$ 2.180,33 por frasco (ICMS 18%). Identificamos 17.292 Apac para OMA (código do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS – Sigtap: 06.04.84.001-2), referentes a 134 pacientes, em janeiro de 2022, e 1.316, em dezembro de 2023, com consumo médio mensal de 3,4 frascos por paciente. O consumo anual estimado foi de 40,85 frascos de OMA, representando um custo médio de R$ 89.192,47 por paciente. Para DUPI, o custo anual foi estimado em R$ 65.595,84 no primeiro ano e R$ 63.330,97 a partir do segundo ano. Em 20 anos, o uso de DUPI resultaria em economia de R$ 336.141,17 por paciente em relação ao OMA. Na AIO, estimamos 2.196 pacientes no ano 1 e 4.561 no ano 5, incluindo 704 inelegíveis a OMA que passaram a ser tratados com DUPI. O custo no cenário atual é de R$ 1,51 bilhão em cinco anos, passando a R$ 1,32 bilhão com a incorporação do DUPI, gerando uma economia de R$ 185,4 milhões em cinco anos. Ademais, análise de sensibilidade mostrou que, no cenário com 100% de participação de DUPI, a economia seria de aproximadamente R$ 300 milhões. Conclusão: Neste estudo, mostrou-se a integração entre diferentes metodologias e bases de dados para suportar a tomada de decisão, incluindo comparações indiretas, estimativa de custos ajustados ao ICMS estadual e análise das APACs para avaliar consumo médio e projeções de demanda na AIO. O DUPI possui custo inferior ao OMA, tornando-se uma opção custo-efetiva para o SUS e permitindo tratar pacientes inelegíveis ao OMA, sem adicionar custos ao sistema. <![CDATA[ID 254 - Impacto de Diferentes Coberturas Vacinais da Vacina de Alta Dosagem versus Vacina de Dose-Padrão contra o Vírus Influenza em Idosos no Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200254&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O vírus influenza causa um grande impacto sobre a saúde dos idosos. As consequências da influenza são amplas, acarretando ônus para além da doença respiratória, sendo relacionada a altas taxas de hospitalizações, agravamento de doenças crônicas, declínio funcional, pneumonia e aumento da mortalidade. Atualmente, o Programa Nacional de Imunização (PNI) oferece a todos os idosos imunização com vacina trivalente de dose-padrão (SD-TIV – do inglês, ), entretanto a cobertura vacinal vem sofrendo uma tendência de declínio. Sabe-se que a cobertura obtida com campanhas de vacinação não depende apenas da disponibilidade e da divulgação das vacinas, mas também da aceitação e da conscientização do paciente a ser imunizado. Assim, mesmo na presença de suficiente oferta de doses, a proteção vacinal no Brasil tem enfrentado desafios. Nesse sentido, uma alternativa à busca de aumento da cobertura é o uso de imunizantes de maior eficácia, como vacinas de alta dosagem (HD-TIV – do inglês, ). O objetivo do estudo é avaliar como o uso de HD-TIV poderia impactar a proteção de pacientes com mais de 60 anos de idade, destacando pacientes acima de 80 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). Método: Um modelo econômico estático de árvore de decisão desenvolvido anteriormente para análise de custo-utilidade de HD-TIV foi usado com o objetivo de comparar diferentes coberturas vacinais das tecnologias disponíveis para profilaxia da influenza em idosos, HD-TIV versus SD-TIV. A eficácia das vacinas foi baseada em estudos publicados, e os riscos de desfechos foram estimados com base em dados históricos do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS). Como cenário atual, o número de hospitalizações e óbitos por influenza foi calculado relativo à população e à cobertura vacinal obtida no Brasil em 2022 com o uso da vacina SD-TIV, atualmente empregada no SUS, valores obtidos do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) e DataSUS, respectivamente. O número de casos, hospitalizações e óbitos com uso de HD-TIV foi estimado com base na eficácia vacinal relativa incremental desse imunizante em relação à SD-TIV. Por fim, foi realizada uma análise de equivalência de cobertura vacinal necessária para chegar aos mesmos resultados clínicos estimados para HD-TIV com o uso de SD-TIV. Resultados: De acordo com o modelo, para os pacientes acima de 60 anos de idade com base em uma cobertura vacinal de 65,4%, se toda essa população fosse imunizada com uma vacina HD-TIV, em vez de uma vacina SD-TIV, poderiam ser evitadas 22.282 internações hospitalares relacionadas à influenza, 78.115 internações hospitalares por causas cardiorrespiratórias potencialmente atribuíveis à influenza e 10.795 óbitos, resultado que equivaleria a vacinar 95,5% da população com mais de 60 anos no SUS com SD-TIV. Entre os idosos acima de 80 anos, a imunização de 63,9% da população com HD-TIV acarretaria a prevenção de 9.366 hospitalizações apenas relacionadas à influenza, 23.711 internações cardiorrespiratórias e 4.557 óbitos evitados, resultado que equivaleria a vacinar 93,4% da população com mais de 80 anos no SUS com SD-TIV. Conclusão: Com a tendência de declínio das taxas de cobertura vacinal no Brasil nos últimos anos e considerando-se a dificuldade e o esforço de sua retomada, o uso de vacinas com maior eficácia, como a HD-TIV, pode garantir melhor proteção dos idosos contra infecções por influenza e suas complicações, o que potencialmente pode ser uma melhor escolha de saúde pública. <![CDATA[ID 255 - Tecnovigilância dos Dispositivos Médicos no Brasil nos Últimos 10 Anos.]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200255&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Os dispositivos médicos e equipamentos hospitalares estão em constante inovação e visam à qualidade e à efetividade nos diagnósticos e tratamentos dos pacientes. O monitoramento desses produtos de saúde é fundamental para garantir a segurança do paciente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem um papel importante no controle de fabricação e fiscalização dos dispositivos para mitigar possíveis agravos decorrentes de sua utilização. Este estudo objetiva descrever os dados brasileiros de tecnovigilância dos dispositivos médicos no Brasil, de 2014 a 2024. Método: Consiste em um estudo descritivo sobre incidentes (eventos adversos) e queixas técnicas relacionados a dispositivos notificados no Brasil de 12 de setembro de 2015 a 12 de setembro de 2024. Os dados foram coletados do Power BI da Anvisa. Foram adotados os seguintes filtros: horizonte temporal de 12/9/2014 a 12/9/2024 e produto-motivo das notificações: artigos médicos. Para facilitar a compreensão dos dados, estes foram assim apresentados: frequências (absoluta e relativa) das notificações (eventos adversos e queixas técnicas); classificação destas quanto aos riscos associados ao uso dos dispositivos médicos; e identificação dos dispositivos médicos motivos, das não conformidades e dos eventos adversos (conforme a nomenclatura adotada pela Organização Mundial da Saúde – OMS) mais ocorrentes. Resultados: Nos últimos 10 anos, a Anvisa recebeu 149.099 notificações relacionadas a dispositivos médicos, sendo 23.716 (15,91%) referentes a eventos adversos e 125.383 (84,09%) relacionadas a queixas técnicas. Sobre os riscos associados ao uso dos dispositivos médicos, 57,24% (n=13.576) dos eventos adversos foram classificados como III (alto risco), e 45,35% (n=56,862) das queixas técnicas foram classificadas como II (médio risco). Os dispositivos médicos motivos mais ocorrentes nas notificações foram equipos, com 13.840 (9,28%); cateteres, com 11.834 (7,94%); implantes dentários, com 10.123 (6,79%); e seringas descartáveis, com 8.653 (5,80%). Entre as não conformidades informadas, quebras (n=7.762; 5,21%) e rachaduras (n=5.930; 3,98%) de materiais são as mais ocorrentes. Em apenas 15,45% das notificações, consta a identificação dos eventos adversos: falha e complicação de implante (n=10.708; 7,18%), intervenção cirúrgica (n=871; 0,58%), óbito (n=646; 0,43%), sangramento (n=522; 0,35%), dor (n=496; 0,33%) e lesão cutânea (n=423; 0,28%). Conclusão: Percebe-se que são mais frequentes as notificações de queixas técnicas que as de eventos adversos. Entende-se que, quanto mais utilizada a tecnologia, maior a chance de notificações reportadas à Anvisa, haja vista que, do total de notificações, 29,81% (n=44.450) referem-se a quatro dispositivos médicos motivos (equipos, cateteres, implantes dentários e seringas descartáveis) que são muito empregados nos diferentes serviços de saúde. Com relação às classes de risco dos dispositivos médicos, espera-se que, quanto mais invasiva uma tecnologia, maior o risco associado ao seu uso. Nesse sentido, a maior parte dos incidentes que causam danos ao paciente (eventos adversos) é da classe III (alto risco). Entre as possíveis dificuldades relacionadas à identificação dos eventos adversos, destacam-se a adoção da nomenclatura padronizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e a investigação da relação causal entre o incidente e o dispositivo médico. O óbito, por exemplo, pode ser multicausal. <![CDATA[ID 256 - Estudo de Custos das Mulheres que Fazem o Exame Citopatológico nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Distrito Federal – Brasília]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200256&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O câncer do colo do útero (CC) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade entre as mulheres, tanto no Brasil quanto globalmente. Embora o País tenha alcançado uma cobertura de exames citopatológicos (teste de Papanicolau) de cerca de 80%, é essencial melhorar a eficácia do rastreamento para reduzir a mortalidade relacionada à doença. O Brasil está atualmente reformulando seu programa de rastreamento nacional, adotando estratégias organizadas e incorporando testes moleculares de HPV. Para implementar essas novas abordagens com sucesso, é fundamental conhecer o impacto econômico que representa para as mulheres a realização do exame citopatológico convencional. Isso permitirá o desenvolvimento de estratégias eficazes para promover a adesão ao programa de rastreamento. Ao mesmo tempo, poderá subsidiar os gestores com informações econômicas adequadas que justifiquem o investimento de novos recursos, visando a melhores resultados em saúde. Método: Foi realizada uma pesquisa qualitativa exploratória por meio de entrevistas com mulheres que realizaram o exame citológico em Unidades Básicas de Saúde (UBS) no Distrito Federal. Os critérios de inclusão foram maiores de 18 anos, presentes nas unidades durante as entrevistas e aceitando participar. O critério de saturação foi utilizado para finalizar a coleta de dados. Foi elaborado um roteiro com questões sobre tempos, movimentos e recursos utilizados pelas mulheres para se deslocar até a UBS, seguindo o fluxo dos processos para realização do exame citológico. O questionário com 28 perguntas, originalmente em inglês, teve adaptação de idioma para o português e foi aplicado por estudantes de medicina, previamente treinados. As participantes foram anonimizadas e identificadas por letras e números. Uma análise estatística descritiva foi utilizada para a síntese de resultados. Resultados: Foram realizadas 31 entrevistas com mulheres com mediana de idade de 41 anos, e 74% possuíam ensino médio ou superior. Em sua maioria, as participantes eram casadas ou divorciadas (84%) e tinham renda familiar de até R$ 1.412,00. Quase todas as participantes (93,5%) relataram ter realizado a citologia previamente, das quais 25,8% fazem o exame anualmente, e 48,4% tiveram de uma a duas gestações. Com relação ao tempo de deslocamento até a UBS, foi em média de 18 min (IQR: 10-30 min); o tempo de agendamento apresentou média de 21 min (IQR: 10-30 min); o tempo de espera para realização do exame, uma média de 51 min (IQR: 20-60 min); e o tempo de consulta, considerando a realização do exame citopatológico, uma média de 31 min (IQR: 20-40 min). A maioria das mulheres (67,7%) compareceu à UBS sem acompanhante, enquanto uma menor parcela (32,3%) estava acompanhada de outro adulto. Conclusão: Atualmente o modelo de rastreamento de câncer de colo de útero por meio do exame citopatológico é oportunístico e, portanto, não organizado. O tempo dispendido pelas mulheres desde o deslocamento à unidade de saúde até a realização do exame representa um custo de oportunidade perdido para a realização de qualquer outra atividade produtiva, o que impacta o ingresso familiar. Isso pode explicar, em parte, a baixa adesão ao exame preventivo. A reformulação do programa de rastreamento para CC com a incorporação de testes moleculares e a transição para o rastreamento organizado poderá estimar o custo-efetividade das novas estratégias em comparação com a citopatologia convencional. Espera-se que o estudo contribua para essas avaliações econômicas. <![CDATA[ID 257 - Comparação de Estimativas de Pacientes com Esclerose Múltipla Elegíveis para o Uso de Fingolimode no Sistema Único de Saúde (SUS) e Dados de Mundo Real]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200257&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Uma das etapas para a incorporação de tecnologia no SUS é a estimativa de pacientes elegíveis para receber a tecnologia, considerando um horizonte temporal de cinco anos. Em vista disso, o presente estudo visa comparar as estimativas de pacientes com esclerose múltipla remitente recorrente (EMRR) elegíveis para o uso de fingolimode no SUS apresentadas no relatório de recomendação com dados de mundo real, a fim de verificar se, no período pós-incorporação, as previsões aprovadas foram efetivamente cumpridas e se estão condizentes com a realidade do sistema público brasileiro. Método: Os dados utilizados como referência para a análise foram extraídos do relatório de recomendação final da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) n.º 113, publicado no ano de 2014, em relação ao uso de fingolimode para tratamento da EMRR. Os dados de interesse foram as estimativas e a distribuição da população elegível ao fingolimode e seus comparadores () no horizonte temporal de 2014 a 2018. Para efeitos comparativos, foi extraído do Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS) todo o histórico de pacientes diagnosticados com CID G35 no período entre 2014 e 2020, considerando pacientes que iniciaram o tratamento de primeira linha a partir de 2014. Para estabelecer a população com EMRR no SUS, foi empregada a mesma porcentagem utilizada pelo demandante no relatório de recomendação de que 85% dos indivíduos com EM possuem EMRR. Resultados: A população estimada pelo demandante no relatório de recomendação que possuía EMRR tratada no SUS foi menor do que a encontrada nos dados de vida real para o mesmo período analisado. A subestimativa dessa população variou entre 20% e 37% no horizonte temporal de 2014-2018. A taxa de difusão proposta no relatório de recomendação para o, para pacientes com EMRR em uso de primeira de linha de tratamento, foi de 8,5% para o ano de 2014, com um incremento de 5,5%, 1,5%, 1,0% e 0,5% para os anos seguintes. Contudo, com base nos dados do DataSUS, foi observado que esses valores foram superestimados, isso porque a utilização do fingolimode consta somente a partir de 2015 e, somado a isso, nesse ano, o alcance da tecnologia foi metade do estimado no relatório de recomendação. No período de 2016-2018, o incremento cumulativo na taxa de difusão foi de 4,4% (variando de 0,3% a 1,9% ao ano). Ademais, em análise complementar ao horizonte temporal, foi verificado que a proporção de pacientes proposta para o ano de 2017 foi atingida apenas em 2020. Conclusão: Os resultados indicam uma diferença relevante entre a população elegível para fingolimode avaliada no relatório de recomendação quando comparada aos pacientes encontrados no DataSUS, demonstrando, com isso, que a estimativa da população elegível é um desafio devido à ausência de dados epidemiológicos de alta especificidade (como os pacientes com EMRR) e generalizáveis para toda a população brasileira. Já o cumprimento da taxa de difusão proposta no relatório de recomendação pode ser influenciado por outros fatores externos, como menor adoção da tecnologia pelos serviços, dificuldades na distribuição e financiamento. Esses dados reforçam que uma estimativa adequada da população elegível é de suma importância porque impacta principalmente a previsibilidade do orçamento a ser destinado para o tratamento de uma doença específica, além de promover e garantir o acesso da população às novas tecnologias incorporadas no sistema público de saúde brasileiro. <![CDATA[ID 260 - Construindo um Futuro Sustentável: demandas de saúde e horizontes tecnológicos em imunobiológicos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200260&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Estabelecer prioridades na área da saúde é um processo complexo, especialmente nas decisões para melhorar o acesso e prever futuras demandas em saúde. O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos, Bio-Manguinhos/Fiocruz (BM), está revisando seu roteiro tecnológico a partir da integração de conhecimentos entre assistência e indústria, a fim de garantir a melhor estratégia em tratamento, prevenção e diagnóstico frente à matriz de desafios produtivos e tecnológicos em saúde do Ministério da Saúde. Na primeira fase desse processo, denominada Necessidades em Saúde, foram realizados debates com líderes de opinião da comunidade médico-científica atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS) para priorizar as demandas dos próximos dez anos e minimizar os desafios ao acesso universal. Monitorar o horizonte tecnológico é essencial para identificar tecnologias inovadoras e antecipar demandas que impactem a prática clínica, a organização dos serviços e os aspectos sociais e éticos. A consulta aos especialistas objetivou mapear as perspectivas na área de biotecnologia para atendimento das necessidades de saúde nos próximos dez anos, promover a colaboração com instituições assistenciais e de pesquisa, e garantir a participação social, integrando suas demandas à indústria pública. Apresentamos os resultados gerais do monitoramento do horizonte que constituiu a primeira camada do . Método: Foram realizadas oficinas nas áreas de pneumologia, doenças infecciosas, oncologia, hematologia, gastroenterologia, dermatologia, reumatologia, cardiologia e neurologia. Em cada uma, um líder científico, pesquisadores e especialistas discutiram as principais doenças e suas demandas de curto, médio e longo prazo. A pergunta norteadora foi "Quais são as tendências em diagnóstico, prevenção e tratamento para atender às necessidades de saúde atuais e futuras com foco em biotecnologia?". Essas reflexões foram traduzidas em produtos e linhas de pesquisa em saúde para análise posterior. Complementarmente, foram coletados dados epidemiológicos e aprofundadas as análises por tipo de tecnologia, status de desenvolvimento e correlação com políticas públicas existentes. Resultados: Dos produtos identificados com potencial de disponibilização por BM, 43% eram biofármacos, 35% diagnósticos in vitro, 9% vacinas e 13% outras tecnologias. Com relação ao horizonte temporal, 56% eram demandas de longo prazo, 39% de curto e 5% de médio prazo, com 36% de produtos já disponíveis no mercado e 51% de soluções inovadoras. No que tange aos grupos de doenças, a reumatologia apresentou o maior número de demandas biotecnológicas (24%) e a cardiologia teve o menor (4,6%). Entre as demandas biotecnológicas, os anticorpos monoclonais foram protagonistas, representando 24% (160), e, quanto ao tratamento, houve destaque para terapias celular, com 6% (39), e gênica, com 2% (14); CAR-T, com 2% (13); e drogas conjugadas com 1% (10). Enfatizou-se ainda a importância de reconhecer padrões genéticos e ômicos nas doenças que mais impactam a população para medicina personalizada. Conclusão: A escuta e a avaliação de demandas em saúde são formas de participação social no processo de tomada de decisões. Os resultados encontrados embasarão a discussão institucional para a revisão de produtos e tecnologias. Essa estratégia, aliada a outras fontes de dados, permite um mapeamento integrado e sinérgico que ajuda a definir a melhor ação para analisar produtos biotecnológicos existentes e soluções inovadoras. <![CDATA[ID 262 - Onde Estamos e Aonde Gostaríamos de Chegar na Ampliação do Programa Nacional de Triagem Neonatal no Sistema Único de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200262&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A triagem neonatal é fundamental para a detecção de doenças congênitas antes do aparecimento dos sintomas, permitindo intervenções que salvam vidas e melhoram a qualidade de vida de milhares de pessoas. A Lei n.º 14.154, de 26 de maio de 2021, alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ampliando para 50 o número de doenças rastreadas no Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). No entanto, a Lei determina que o rol de doenças incluídas no PNTN será revisado periodicamente, com base em evidências científicas, priorizando as doenças com maior prevalência no País e aquelas com protocolo de tratamento aprovado e tratamento incorporado no Sistema Único de Saúde (SUS). Assim sendo, este estudo teve como objetivo identificar e descrever as recomendações da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) sobre a ampliação do PNTN, bem como os desafios para a avaliação de incorporação dessas doenças. Método: Trata-se de um estudo descritivo, no qual foram realizadas buscas manuais por relatórios na base de recomendações da Conitec, a partir da data de publicação da Lei n.º 14.154/2021. Foram descritas as recomendações da Comissão, bem como as limitações descritas nos documentos. Resultados: Foram identificados dois relatórios de recomendação da Conitec que avaliaram a triagem neonatal de doenças incluídas na ampliação do PNTN, após a publicação da Lei n.º 14.754/2021: deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia média (Relatório n.º 792) e homocistinúria clássica (Relatório n.º 816) por MS/MS. Para ambas as condições, o Comitê da Conitec deliberou por unanimidade recomendar a incorporação no SUS. As limitações descritas nos relatórios incluíram a certeza muito baixa no corpo de evidências, devido, em grande parte, à heterogeneidade entre as amostras dos estudos. Outro desafio identificado foi a avaliação independente do marcador utilizado na triagem de homocistinúria clássica, já que alguns apresentam um percentual de falso-negativo de até 50%. Por fim, os relatórios destacam que a inclusão de outras doenças genéticas no processo de triagem por MS/MS, permitindo a testagem simultânea de diversas condições, reduziria significativamente o impacto orçamentário estimado para cada tecnologia. Conclusão: Das 50 doenças previstas na ampliação do PNTN, apenas duas foram avaliadas pela Conitec, a partir de 2021. As limitações descritas nos relatórios de recomendação sugerem que o formato atualmente adotado pode não capturar na totalidade os verdadeiros benefícios clínicos e majorar o impacto orçamentário dessa ampliação. Para garantir o cumprimento integral da Lei n.º 14.154/2021, que prevê a revisão do rol com base em evidências científicas, é necessário adotar outras estratégias. Isso inclui investir em pesquisas baseadas em estudos-piloto da ampliação do PNTN e em avaliações econômicas que considerem a triagem simultânea das doenças. <![CDATA[ID 263 - Boletins Informativos do Nats-HUJM]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200263&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Os Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) foram instituídos nos hospitais de ensino de todo o País com o intuito de introduzir a cultura de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) nos hospitais. O Nats é o responsável por realizar ATS por meio da utilização de evidências científicas capazes de auxiliar o gestor hospitalar na tomada de decisão quanto à incorporação, à alteração ou à exclusão de tecnologias, bem como promover o uso apropriado e a racionalidade técnica na alocação de recursos. Além disso, possui o papel fundamental de introduzir e promover a cultura da Prática em Saúde Baseada em Evidências (PSBE) na rotina dos profissionais de saúde. No entanto, a ATS ainda não se apresenta como uma atividade que faça parte da gestão hospitalar atualmente. A falta de cultura de ATS nas instituições gera um grande obstáculo, pois os profissionais da saúde, de maneira geral, desconhecem o tema, mesmo após todos os anos de esforços empreendidos para sua disseminação. Sendo assim, a criação de um Nats não constitui ação suficiente para a difusão da cultura de ATS, havendo fragilidade na influência do núcleo no processo de tomada de decisão clínico e gerencial em hospitais. Dessa forma, a criação dos boletins informativos do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Universitário Júlio Müller (Nats-HUJM) faz parte de um projeto chamado "Desenvolvimento da cultura de avaliação de tecnologias em saúde entre profissionais e gestores de um hospital universitário", que visa ao desenvolvimento de ações que estimulem a cultura do uso da ATS pelos profissionais do HUJM na tomada de decisão. Os objetivos dos boletins informativos são divulgar informações básicas sobre ATS, comunicar as novidades da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), incentivar a participação dos profissionais nas decisões do SUS e fortalecer a cultura de ATS no hospital. Para que essa ação não seja negligenciada com o passar do tempo, foi estabelecida uma meta institucional da Unidade de Gestão da Inovação Tecnológica em Saúde (UGITS) para a publicação de, no mínimo, quatro boletins informativos anuais à comunidade hospitalar. Os boletins são divulgados na intranet institucional e disponibilizados tanto no site da unidade quanto nos grupos de mensagens instantâneas institucionais. Cada boletim possui um tema geral que introduz conceitos importantes para a ATS. No ano de 2024, três boletins já foram publicados, os quais abordaram temas como conceitos de tecnologias em saúde e ATS, o Nats e suas funções, e a Conitec e as consultas públicas. Para o presente congresso, a apresentação desta proposta será por meio de comunicação oral expositiva com projeção de multimídia. Método: A apresentação acontecerá em três etapas. No primeiro momento, será explicada brevemente a justificativa sobre a criação dos boletins. Depois, serão exibidos os três boletins que já foram divulgados na instituição, que abordam os seguintes temas: tecnologias em saúde e ATS, Nats e suas funções, e Conitec e consultas públicas. Ao final, serão discutidas as perspectivas futuras para continuidade das divulgações dos boletins. Será necessário monitor e passador de eslaides com . <![CDATA[ID 266 - Terapia Gênica no Tratamento da Hemofilia A: uma revisão sistemática]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200266&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A hemofilia A (HA) é um distúrbio hemorrágico hereditário caracterizado por deficiência do fator VIII (FVIII) da coagulação. A terapia das pessoas com HA (PcHA) envolve o tratamento de sangramentos (episódico) com FVIII exógeno ou prevenção dos sangramentos (profilaxia) com FVIII exógeno ou emicizumabe. A despeito da administração frequente desses produtos, as PcHA continuam apresentando sangramentos de escape e desenvolvendo artropatia secundária às hemartroses. A terapia gênica (TG) baseada em vetores virais carreadores de trangenes de F8 vem sendo estudada como tratamento definitivo das PcHA, uma vez que se pretende aumentar ou normalizar a expressão de FVIII por longo prazo ou toda a vida. Recentemente, alguns países aprovaram a TG com valoctocogene roxaparvoveque. Outras TGs em fases finais de estudos clínicos devem ser aprovadas nos próximos anos. Objetivo: avaliar a eficácia/efetividade e a segurança das TG em HA. Método: Uma revisão sistemática está sendo desenvolvida. Inicialmente, fez-se uma busca (16/6/2024) no envolvendo TG em HA, para identificar produtos que estejam sendo ou já tenham sido avaliados em estudos de fase 3 e estejam aprovados para uso clínico em algum país. Esses produtos constituíram unitermos na estratégia de busca (16/6/2024) realizada nas bases de dados bibliográficas PubMed, Embase, Cochrane e LILACS. A população definida foi homens adultos com HA grave ou moderada, sendo o grupo-controle tratado com profilaxia com FVIII ou emicizumabe. Incluíram-se ensaios clínicos randomizados e não randomizados, estudos observacionais, revisões sistemáticas e estudos que comparassem indiretamente com ajuste por correspondência (Ciac) TG com profilaxia com FVIII ou emicizumabe. Os desfechos avaliados envolverão taxas anualizadas de sangramento, consumo de FVIII, qualidade de vida e eventos adversos. As avaliações de risco de viés serão realizadas em seguida, e a qualidade da evidência será definida pelo método GRADE – do inglês, (PROSPERO: CRD42024562798). Resultados: A busca inicial sobre produtos de TG em HA obteve três resultados: valoctocogene roxaparvoveque, giroctocogene fitelparvoveque e dirloctocogene samoparvoveque. A busca nas bases de dados recuperou 331 publicações. Após a remoção das duplicatas e a seleção das publicações conforme os critérios de inclusão, 12 publicações entre 2017 e 2024 foram incluídas, envolvendo 4 estudos clínicos (n=11) e 1 Ciac. Os estudos clínicos foram realizados principalmente na Europa e na América do Norte. Os delineamentos compreenderam seis relatos de estudos clínicos não randomizados de fase 1/2 (valoctocogene roxaparvoveque = 4; giroctocogene fitelparvoveque = 1; e dirloctocogene samoparvoveque = 1) e seis relatos de estudos clínicos não randomizados de fase 3 (todos valoctocogene roxaparvoveque). Todos os estudos iniciais com valoctocogene roxaparvoveque tiveram análises, com descrição de dados de eficácia e segurança por até seis anos após a TG. O Ciac incluído comparou TG com valoctocogene roxaparvoveque com profilaxias com FVIII ou emicizumabe e foi publicado em 2023. As análises de desfechos, risco de viés e qualidade da evidência serão relatadas no congresso. Conclusão: Espera-se que nossas descobertas contribuam na síntese de evidências científicas dos tratamentos da HA e no progresso da avaliação de novas tecnologias em saúde no tratamento das PcHA. <![CDATA[ID 267 - Implementação do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde: um marco para qualificação das decisões na gestão da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200267&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Nos últimos anos, a área da saúde tem testemunhado uma rápida evolução tecnológica com novas oportunidades e desafios para a gestão de sistemas de saúde em todo o mundo. Para esse enfrentamento, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) implantou o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) como estratégia de preencher uma lacuna na avaliação e na incorporação de tecnologias, respondendo às necessidades específicas do sistema de saúde na perspectiva local. Este trabalho tem como objetivo descrever a experiência da criação do Nats/Sesab, destacando a sua importância e os resultados advindos com sua instituição. Método: A implantação foi iniciada em agosto de 2022 com distintos e simultâneos movimentos, tais quais: descrição da implantação de um Nats no programa de governo, como estratégia para apoiar as decisões da gestão e a consolidação da assistência farmacêutica; formação de uma equipe para compor o núcleo; apoio do Projeto ATS Educação – ProadiSUS, apresentado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) para qualificação dos profissionais na Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS); elaboração de documentos iniciais de regimento interno e do fluxo para análise de proposta de ATS; e um diagnóstico das instituições geridas pela Sesab, realizado pela Diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (Ditec), por meio de questionário eletrônico, objetivando identificar profissionais interessados em aplicar e promover a ATS no Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia. Ainda em 2022, a Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats) deferiu a solicitação de filiação do Nats/Sesab. Em 2023, após as eleições estaduais, foi publicada a portaria que instituiu o Nats, bem como seu regimento interno e o fluxo para análise de proposta de incorporação (FAP-ATS). A assunção de inúmeras demandas em ATS favoreceu a ampliação da equipe. Resultados: Desde então, o Nats/Sesab vem realizando atividades de apoio à tomada de decisão dos gestores com elaboração de produtos de ATS, aprimorando a capacidade regulatória do Estado na incorporação de tecnologias. Em fase final, o Nats está a elaborar dois protocolos estaduais, um referente a uma nova tecnologia e um acerca da ampliação do uso de outra, ambos desencadeados após estudos de ATS realizados. A qualificação interna dos membros tem acontecido com os cursos e as oficinas ofertados pelo Hospital Moinho de Ventos, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Rebrats. Para o público externo, o Nats realizou seu primeiro seminário de ATS, com 123 participantes presenciais, além de estar adquirindo uma base científica de dados para as instituições de saúde do Estado, que está em fase avançada para disponibilização de curso de especialização em ATS. A divulgação do núcleo e dos resultados dos estudos tem ocorrido por meio da participação em eventos científicos, incluindo a apresentação de trabalhos. Conclusão: O Nats/Sesab fornece recomendações baseadas em evidências científicas relacionadas à adoção de tecnologias, bem como apoia gestores e profissionais de saúde na tomada de decisão, contribuindo para a sustentabilidade do sistema. A implantação do Nats representa um passo significativo para respostas referentes às necessidades emergentes, para a melhoria contínua dos serviços de saúde e para a promoção de uma gestão mais eficiente da saúde pública. <![CDATA[ID 268 - Fluxograma de Seleção de Estudos Automatizada pelo Direct_Flow: estudo descritivo]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200268&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Uma etapa fundamental de toda síntese de evidências é a descrição do processo de seleção dos estudos. Esta descrição é idealmente realizada por meio de fluxogramas, que devem conter os resultados das buscas e o número de estudos eliminados na primeira fase de seleção, de estudos excluídos na segunda fase de seleção e de estudos incluídos. Método: Estudo descritivo da elaboração do programa direct_flow desenvolvido na linguagem de programação ado do software Stata. Esse programa foi desenvolvido no contexto de dois projetos conduzidos pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde/Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês (Nats/NEv-HSL) em colaboração com o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar e o Conselho de Nacional de Justiça, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Ambos os projetos envolvem a elaboração de sínteses de evidências, e o desenvolvimento do direct_flow visa à elaboração de fluxogramas automatizados para aumentar a eficiência e a consistência entre as sínteses. Resultados: O programa direct_flow funciona por meio de pré-programados, que podem ser escolhidos pelo pesquisador. Foram elaborados 11, dos quais 7 são específicos para revisões sistemáticas e 4 para de revisões sistemáticas. De modo geral, o pesquisador precisa escolher o e indicar, em comandos padronizados, o número de referências em cada fase do processo de seleção. As caixas são preenchidas automaticamente e figuras são geradas em alta resolução. Todos os possuem versões em português e inglês. O programa é de download gratuito via Stata e mais detalhes, além de todos os , podem ser encontrados em https://rlpacheco.github.io/direct_flow/. Conclusão: A elaboração de sínteses de evidências pode ser complexa e consumir bastante tempo. A automatização na geração de figuras e outros passos pode reduzir a carga de trabalho e garantir qualidade e consistência entre diferentes sínteses. Programas automatizados nos mais diversos softwares podem facilitar etapas em todas as revisões sistemáticas. O direct_flow foi uma ferramenta criada no âmbito de dois projetos financiados pelo Proadi-SUS, mas que poderá ser utilizado de maneira aberta por todos os Nats da Rebrats. <![CDATA[ID 271 - Perfil de Segurança da Miltefosina no Tratamento da Leishmaniose Tegumentar: uma análise do monitoramento em Minas Gerais]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200271&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A incorporação de uma nova tecnologia no sistema de saúde requer um grande planejamento, envolvendo ações para a sua implementação e monitoramento dos resultados de efetividade e da segurança na população em uso. A miltefosina é o primeiro e o único tratamento disponível na forma oral para leishmaniose, e foi distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2021. O objetivo do estudo foi avaliar o perfil de segurança da miltefosina no tratamento da leishmaniose tegumentar durante a fase inicial de implementação em Minas Gerais. Método: Foram analisados os dados de todos os pacientes com diagnóstico confirmado de leishmaniose submetidos a tratamento com miltefosina na fase-piloto de implementação desse novo tratamento. Foram elegíveis para essa análise aqueles que receberam ao menos uma dose de miltefosina e que tinham formulário de monitoramento disponível, ainda que incompleto. As fontes de dados foram as Fichas de Notificação de Leishmaniose Tegumentar do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), para análise de dados demográficos e clínicos; formulário de solicitação de miltefosina e formulário de monitoramento. Qualquer sinal/sintoma e anormalidade laboratorial novo ou agravado que surgisse após o início da terapia com miltefosina foi considerado como evento adverso (EA). Os EAs foram classificados de acordo com o (MedDRA), a gravidade foi definida segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), e a intensidade dos sintomas com base na tabela da (DAIDS). Desordens oculares foram classificadas como eventos de interesse especial (EIE) após um alerta de segurança da OMS em 2023. Resultados: Um conjunto de 157 pacientes tratados com miltefosina no estado de Minas Gerais, entre julho de 2021 e agosto de 2023, foi elegível para essa análise. Foram identificados 316 EAs em 121 pacientes (77,1% dos casos), o que representa uma média de dois eventos por paciente tratado com miltefosina. Desse total, 229 foram EAs clínicos, com predomínio de manifestações relacionadas ao sistema gastrointestinal (174 eventos, 76%), seguido por distúrbios musculoesqueléticos e do tecido conjuntivo, com destaque para o relato de artralgia, descrito para 22 (14%) pacientes. Entre os 147 pacientes com resultados do monitoramento laboratorial disponível, 68 (46,3%) tiveram ao menos um parâmetro alterado durante o seguimento. A alteração laboratorial mais comum foi a elevação da creatinina sérica, significativamente associada com hipertensão arterial, idade e forma clínica mucosa. Não houve registros de gravidez entre mulheres tratadas com miltefosina durante o período de implementação-piloto. A taxa de interrupção precoce do tratamento foi de 11,8%, associada à idade e à presença de alteração basal de creatinina sérica. Metade dos pacientes teve interrupção temporária ou uso irregular do tratamento, necessitando mais de 28 dias para completar o tratamento programado. Conclusão: Esse modelo de estratégia de farmacovigilância trouxe úteis e representa uma abordagem com potencial para ser aplicada a novas tecnologias no contexto de outros programas de controle de doenças negligenciadas. A presença de EIE com o uso da miltefosina destaca a necessidade de atenção dos serviços e profissionais. Esses são dados essenciais para retroalimentar o sistema de gestão de tecnologias em saúde e subsidiar novas decisões, contribuindo para a sustentabilidade do sistema de saúde e para a segurança do paciente. <![CDATA[ID 272 - Enoxaparina: da síntese de evidências ao protocolo clínico ampliado para profilaxia e tratamento de tromboembolismo venoso em gestantes e puérperas no estado da Bahia]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200272&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As trombofilias são condições que podem aumentar o risco de trombose venosa (TEV). A prevenção do TEV está centrada na terapia com anticoagulantes para mulheres com fatores de risco adicionais à gestação. A enoxaparina é a anticoagulação de escolha. Muitas diretrizes concordam sobre a avaliação dos fatores de risco para TEV no início da gravidez, visto que mulheres com alto risco estão recomendadas à tromboprofilaxia, porém sem consenso sobre os grupos de maior risco de TEV e duração da tromboprofilaxia. O objetivo deste estudo foi avaliar eficácia, segurança e custos da enoxaparina para tromboprofilaxia em gestantes ou puérperas com risco para TEV, visando à ampliação das indicações previstas no Protoclo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) nacional vigente. Método: As buscas foram realizadas nas bases MEDLINE; LILACS e Embase no mês de janeiro de 2024. A estratégia combinou população-alvo, enoxaparina e heparinas de baixo peso molecular (HBPM); filtros para revisão sistemática (RS) com ou sem metanálise e publicações até cinco anos, sem restrição de idioma e do status da publicação. A elegibilidade dos estudos ocorreu em duas etapas por dois revisores e com discordâncias resolvidas por um terceiro revisor. Identificaram-se 349 publicações. Após exclusões, oito atenderam aos critérios de seleção. O impacto orçamentário usou valor e doses da enoxaparina, seu consumo hospitalar local e dados epidemiológicos. O Sistema de Apuração e Gestão de Custos do Sistema Único de Saúde (ApuraSUS) e o Epimed foram utilizados para cálculo do custo diário, médio e anual do internamento obstétrico de gestantes com TEV na Bahia. Resultados: Foram encontrados os seguintes resultados: redução de eventos tromboembólicos com HBPM; uma RS convergiu com o PCDT nacional em relação à necessidade de anticoagulação nos casos de TEV prévio; uma RS fez recomendações de profilaxia congruentes com as diretrizes do (RCOG) ao indicar diminuição de 84% dos eventos de TEV em gestantes de alto risco perinatal (história de TEV, hipertensão gestacional, diabetes, idade avançada, obesidade, parto múltiplo e tabagismo), porém sem estratificar os dados para as subpopulações; outra RS apresentou 78% de redução de TEV em puérperas que não fizeram anticoagulação no anteparto. Houve aumento de risco de eventos hemorrágicos nas gestantes com maior agravo (136%) na fertilização in vitro (FIV); redução de 42% no risco de aborto e em perdas gestacionais e aumento de 15% da taxa de nascidos vivos ; aumento importante de eventos adversos, principalmente cutâneos. O custo médio da diária para internação de gestantes de alto risco em 2023 foi de R$ 732,14 (ApuraSUS). O custo anual médio evitável foi de R$ 1.388.137,44, usando estimativas da população-alvo do Epimed. O impacto orçamentário foi de R$ 945.362,97 no primeiro ano. Conclusão: Este estudo demonstrou benefício em gestantes de alto risco de TEV no perinatal e em puérperas sem anticoagulação no anteparto, mas obteve evidências científicas frágeis para ampliação do uso de enoxaparina, pois há escassez de publicações estratificando a população-alvo nos diversos níveis de risco para TEV e para o tipo de HBPM. Sem novidades nos desfechos de segurança em relação ao PCDT nacional. A análise econômica evidenciou alto custo médio das internações prolongadas de gestantes para uso de enoxaparina. Nesse contexto, a gestão da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) por um protocolo estadual com ampliação das indicações de anticoagulação, observando: alta vulnerabilidade dessa população; qualificação da assistência, redução da ocupação de leitos e custos de internamentos; tentativa de prevenir morbimortalidade materna. <![CDATA[ID 273 - Cálculo Automatizado de Efeitos Absolutos por meio do Programa Abseff: estudo descritivo]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200273&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Uma das formas de se comunicar o efeito de intervenções é por meio da conversão de efeitos relativos, como, por exemplo, o risco relativo, em medidas de efeito absoluto. Recomendações do GRADE (do inglês, ) e do sugerem a conversão das medidas de efeito relativo para unidades naturais nos resumos e nas conclusões das sínteses de evidências. Essa conversão pode levar a erros, e investigações anteriores já indicam que inadequações são frequentes em revisões Cochrane que convertem para medidas de efeito absoluto. Método: Estudo descritivo da elaboração do programa abseff desenvolvido na linguagem de programação do software Stata e em R. Esse programa foi desenvolvido no contexto de dois projetos conduzidos pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde/Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês (Nats/NEv-HSL) em colaboração com o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar e o Conselho de Nacional de Justiça por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Ambos os projetos envolvem a elaboração de sínteses de evidências, e o desenvolvimento do abseff visa à conversão de medidas de efeito relativo em medidas de efeito absoluto. Resultados: O programa abseff funciona por meio da coleta de dados de efeito relativo da intervenção para a conversão de medidas de efeito absoluto. Foram incorporadas fórmulas para conversão de risco relativos, e . O abseff também calcula os intervalos de confiança de 95% de todas as estimativas. De modo geral, o pesquisador precisa escolher a medida de efeito relativo e o intervalo de confiança, assim como um risco basal que será utilizado para o cálculo. Um exemplo de seria abseff rr 0.83 0.63 1.03 50 130. Nesse caso, está se solicitando a conversão de um risco relativo de 0.83 (IC 95% de 0.63 a 1.03), considerando um risco basal de 50/130 (38%). O resultado é apresentado tanto em efeitos absolutos antecipados quanto na diferença de risco absoluto. Também são consideradas as bases 100 e 1.000 em todos os cálculos. O programa é de download gratuito via Stata e R, e mais detalhes podem ser encontrados em: https://rlpacheco.github.io/abseff/ e https://github.com/rlpacheco/abseff_R . Conclusão: A comunicação efetiva de evidências pode ser desafiadora, e a tradução do conhecimento científico pode ser facilitada ao se apresentar medidas de efeito absoluto ao tomador de decisão. O abseff possibilita uma padronização dos cálculos, evita erros e garante a reprodutibilidade das análises. O abseff foi uma ferramenta criada no âmbito de dois projetos financiados pelo Proadi-SUS, mas que poderá ser utilizado de maneira aberta por todos os Nats da Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats). <![CDATA[ID 274 - Eficácia e Segurança das Estratégias Terapêuticas para a Brucelose Humana: uma revisão sistemática e metanálise de rede]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200274&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A brucelose humana é uma doença negligenciada, reemergente e endêmica em muitos países. Trata-se de uma zoonose com transmissão associada à manipulação de animais e à ingestão de produtos contaminados. A doença geralmente se apresenta como um quadro febril subagudo a crônico caracterizado por sintomas inespecíficos, tais como astenia, perda de peso e sudorese. Esquemas terapêuticos combinando dois ou mais medicamentos têm se mostrado superiores à monoterapia. O potencial debilitante e incapacitante alerta quanto à morbidade da doença, cujos sintomas podem persistir por semanas ou meses, gerando impacto socioeconômico. A evidência até agora acumulada é baseada em ensaios clínicos que compararam as intervenções de interesse contra diferentes comparadores. O objetivo deste estudo foi atualizar o estado atual da evidência sobre a eficácia e a segurança das opções terapêuticas para a brucelose humana utilizando a abordagem metanálise em rede, para embasar o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Brucelose Humana no Brasil. Método: Uma busca sistemática foi conduzida nas bases MEDLINE (PubMed), Embase, (CENTRAL) e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) por revisores independentes para avaliar insucesso da terapia, eventos adversos e tempo até a defervescência associado às diferentes terapias. Foram selecionados ensaios clínicos randomizados (ECRs) avaliando qualquer intervenção terapêutica medicamentosa, sendo excluídos estudos não originais, ou relacionados às formas localizadas da doença, ou com menos de dez participantes. O risco de viés foi avaliado pela Ferramenta Revisada para Avaliação do Risco de Viés em Ensaios Clínicos Randomizados (RoB 2.0). Os dados foram analisados por metanálise em rede frequentista usando modelo de efeitos randômicos. A certeza da evidência foi avaliada usando a abordagem (CINeMA). O protocolo foi registrado no PROSPERO (CRD42023411952). Resultados: Foram incluídos 31 ECRs envolvendo 4.167 pacientes. Três redes de evidências foram identificadas para avaliação dos desfechos de interesse. A terapia tripla com doxiciclina + estreptomicina + hidroxicloroquina por 42 dias (RR 0,08; IC 95% 0,01-0,76) apresentou menor risco de insucesso comparada ao esquema doxiciclina + estreptomicina. O esquema doxiciclina + rifampicina apresentou maior risco de insucesso quando comparado à terapia com doxiciclina + estreptomicina (RR 1,96; IC 95% 1,27-3,01). Nenhuma diferença significativa foi observada entre os esquemas na análise da incidência de eventos adversos e tempo até a defervescência. Em geral, a maioria dos estudos apresentou alto risco de viés e os resultados foram muito baixa certeza da evidência. Conclusão: Nesta revisão, a superioridade de medicamentos já indicados para o tratamento da brucelose humana, como a combinação de doxiciclina e aminoglicosídeos, foi confirmada. A inclusão de hidroxicloroquina ao esquema duplo mostrou-se uma estratégia promissora para reduzir o risco de insucesso terapêutico, embora seja necessária confirmação em estudos futuros. Os resultados desta revisão subsidiaram a elaboração do PCDT para a Brucelose Humana no Brasil, estabelecendo informações essenciais para as recomendações do tratamento clínico. Especificamente, parte dos dados analisados foi utilizada para apoiar a incorporação do sulfato de gentamicina combinado à doxiciclina, ampliando o arsenal terapêutico para o tratamento da brucelose humana no SUS. <![CDATA[ID 276 - Custo-Efetividade do Sulfato de Gentamicina Combinado à Doxiciclina para o Tratamento de Brucelose Humana]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200276&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A brucelose é uma doença negligenciada, reemergente, causada por bactérias do gênero sp. Trata-se da doença bacteriana mais prevalente no mundo. No Brasil, o manejo da brucelose humana é cercado por muitas incertezas diante do grande contingente de casos assintomáticos, subnotificação e desafios no tratamento da doença, o que motivou a elaboração de diretriz clínica para elaborar recomendações baseadas em evidências. O objetivo do trabalho foi avaliar a eficácia e a segurança da combinação de sulfato de gentamicina e doxiciclina (GT + DX) no tratamento da brucelose humana, comparada com a combinação de sulfato de estreptomicina e doxiciclina (STP + DX). Método: Para identificar a efetividade das intervenções, realizou-se busca sistemática por ensaios clínicos randomizados nas bases PubMed, EMBASE, Cochrane Library e LILACS, indexados até 28 de setembro de 2023. A mensuração dos custos dos medicamentos utilizou os esquemas posológicos recomendados pela literatura científica e estimativas de preços praticados no Banco de Preços em Saúde. Uma análise de custo-efetividade foi realizada utilizando modelagem por árvore de decisão, usando a cura clínica como desfecho de interesse. Realizaram-se análises de sensibilidade univariadas e probabilísticas. Resultados: Dois ensaios clínicos randomizados foram identificados na literatura, os resultados comparativos não apontaram diferenças nas taxas de sucesso terapêutico entre a combinação GT + DX versus STP + DX (RR: 0,58, IC 95%: 0,29 a 1,14). As razões de custo-efetividade para GT + DX e STP + DX foram R$ 50,82 e R$ 77,21, respectivamente. A razão de custo-efetividade incremental (ICER – do inglês, ) foi de R$ 535,09/por cura. A análise de sensibilidade univariada indicou que a incerteza quanto aos custos do esquema STP + DX foi o parâmetro com maior impacto no ICER. A análise probabilística corrobora os resultados iniciais, mostrando que GT + DX apresenta um incremento no custo total de tratamento e benefício clínico levemente superior. Conclusão: A combinação GT + DX, apesar de apresentar um pequeno incremento de custo no tratamento, representa uma alternativa potencialmente custo-efetiva no longo prazo, dependendo do contexto local de preços e da disponibilidade de medicamentos no âmbito do programa estratégico da brucelose humana. Os resultados do estudo podem influenciar as políticas de saúde no que se refere à escolha de regimes antibióticos para o tratamento da brucelose, especialmente em áreas endêmicas. A incorporação de GT + DX deve ser considerada pelos formuladores de políticas de saúde, levando em conta a relação custo-efetividade e a acessibilidade do tratamento. <![CDATA[ID 278 - Canabidiol Adjuvante em Epilepsias: <em>overview</em> de revisões sistemáticas e o impacto orçamentário da sua incorporação na perspectiva do SUS do estado da Bahia]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200278&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As drogas antiepilépticas (DAE) são base do tratamento da epilepsia. A escolha da DAE deve considerar eficácia, efeitos adversos, tolerabilidade e facilidade de uso. A falha no tratamento é considerada após uso de duas DAE (epilepsia farmacorresistente) e atinge 30% dos pacientes. Os análogos da têm sido investigados como anticonvulsivantes na epilepsia farmacorresistente. A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n.º 327, de 9 de dezembro de 2019, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), concede autorização sanitária para os produtos de para fins medicinais. As síndromes de Dravet (SD), Lennox-Gastaut (SLG) e o complexo da esclerose tuberosa (CET) são apresentações graves de epilepsia, para as quais o canabidiol (CBD) adjuvante (associado a DAE) foi avaliado neste estudo. O estudo visou avaliar a eficácia e a segurança do uso do canabidiol adjuvante para controle das convulsões em crianças, adolescentes e adultos diagnosticados com síndrome de Lennox-Gastaut, síndrome de Dravet e complexo esclerose tuberosa (CET) e seus custos para o Sistema Único de Saúde (SUS) do estado da Bahia. Método: As buscas foram realizadas nas bases MEDLINE; LILACS e Embase no mês de abril de 2024. A estratégia combinou população-alvo, intervenção (CBD), sem distinção de comparador e filtros para tipo de estudo (revisão sistemática com metanálise) e publicação até dez anos, sem restrição de idioma e do status da publicação. Com o auxílio do Rayyan, foi realizada a elegibilidade em duas etapas por dois revisores independentes e com discordâncias resolvidas por um terceiro revisor. Identificaram-se 745 publicações e, após exclusões, apenas sete atenderam integralmente aos critérios de seleção, todas as etapas foram detalhadas no PRISMA (). Dados foram extraídos em planilha Excel® para sistematização das informações do acrônimo PICOS elaborado. A qualidade metodológica das revisões sistemáticas foi avaliada pela ferramenta (AMSTAR 2). Para o impacto orçamentário, considerou-se a população-alvo de 2 a 18 anos e que 1% da população baiana possui epilepsia com 30% se farmacorresistentes. O preço médio foi de R$ 0,25 por miligrama de CBD. Resultados: Os resultados encontrados foram: redução absoluta na frequência das crises convulsivas; aumento de pacientes com ausência de crises; redução ≥50% na frequência das convulsões; redução ≥50% das crises quando associado ao clobazam (CLB); eficácia semelhante para 10 mg e 20 mg/kg/dia; redução ≥50% das crises com queda; melhora na variação da escala S/CGIC; aumento do risco de eventos adversos (EAs); diarreia, sonolência, perda de apetite e elevação das transaminases foram EAs mais comuns; aumento de EAs graves; risco maior de EAs graves na associação CBD e CLB; interações complexas entre CBD e DAE; aumento de abandono do tratamento; e com três cenários e custo mensal variando de R$ 1.271.066,37 a R$ 5.084.265,48. Conclusão: A revisão sistemática demonstrou que CBD adjuvante obteve resultados clinicamente relevantes para pacientes SD, SLG e CET maiores de 2 anos e farmacorresistentes. Os estudos não demonstraram melhorias significantes na qualidade de vida. O CBD adjuvante foi associado a um aumento importante no risco de EAs totais e graves e descontinuação do tratamento. Diante dos benefícios e das incertezas existentes e da gravidade das síndromes epilépticas, conclui-se que, com o monitoramento adequado, o CBD poderia atuar como terapia adjuvante. <![CDATA[ID 282 - JAV (Jornada Assistencial de Valor) RARAS: análise de custos utilizando TDABC de pacientes com distrofia muscular de Duchenne na Policlínica Codajás/AM]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200282&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Estudo JAV-RARAS integra o projeto da Rede Nacional de Doenças Raras (RARAS), cujo propósito é compreender e quantificar a Jornada Assistencial de Valor (JAV) dos indivíduos que sofrem de 21 doenças raras no Brasil. O objetivo é estabelecer registros das patologias raras, definir parâmetros de valor para os pacientes e avaliar a relação custo-efetividade, buscando otimizar a distribuição de recursos em diversas regiões do País. Este estudo tem como objetivo específico mensurar e descrever os custos associados à jornada assistencial de pacientes com distrofia muscular de Duchenne na Policlínica Codajás/AM, como parte do projeto JAV-RARAS, um componente da Rede Nacional de Doenças Raras no Brasil, aplicando a metodologia (TDABC). Método: O TDABC envolve a utilização de dados referentes a diagnósticos, tratamentos e acompanhamentos no contexto do estudo JAV-RARAS. Inicialmente, foi realizado o mapeamento da jornada de cuidados em centros participantes do estudo para 21 doenças raras, quantificando o tempo e os recursos associados às etapas de diagnóstico, tratamento e acompanhamento. Os custos diretos foram obtidos por meio de entrevistas e registros administrativos de profissionais de enfermagem e médicos na Policlínica Codajás, localizada no Amazonas. Além da análise dos custos diretos, foram identificadas as atividades na jornada do paciente com DMD, a alocação de recursos, o custo por unidade e a mensuração do tempo de duração das atividades. Resultados: O custo médio anual para o tratamento de um paciente com distrofia muscular de Duchenne é de R$ 397.241,34, sendo a maior parte destinada às despesas com medicamentos. A distribuição dos custos compreende recursos humanos (R$ 6815,70), medicamentos (R$ 389.622,84) e exames (R$ 802,56). Quanto à origem dos recursos, aproximadamente 1,77% provem da Policlínica Codajás, enquanto 0,64% é financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em outras localidades, e 97,5% dos recursos são acessados por meio da judicialização de medicamentos. Conclusão: Este estudo ressalta a importância de analisar e mapear os custos e o acesso a intervenções terapêuticas no tratamento da distrofia muscular de Duchenne. A maior parte dos gastos anuais está associada aos medicamentos, destacando a necessidade de uma compreensão aprofundada dos fatores que influenciam esses custos, sobretudo no que diz respeito à judicialização dos medicamentos. A exploração de alternativas terapêuticas mais eficazes tem o potencial de reduzir os custos em longo prazo e aprimorar os desfechos clínicos dos pacientes. <![CDATA[ID 283 - Avaliação da Aderência ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Mucopolissacaridose Tipo 2 (MPS2): comparação entre prática clínica real e dados de <em>Time-Driven Activity-Based Costing</em> (TDABC) na Policlínica Codajás/AM no Contexto da Jorna]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200283&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) é um guia técnico que estabelece critérios baseados em evidências científicas para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento de uma doença ou condição de saúde específica. O propósito deste estudo foi mapear as jornadas assistenciais de pacientes com MPS2 na Policlínica Codajás, localizada no Amazonas, e compará-las com o PCDT estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS), permitindo, dessa forma, avaliar a aderência, identificar divergências e propor melhorias no atendimento. Método: O estudo "Jornada Assistencial de Valor para Pacientes com Doenças Raras (JAV-RARAS)" é uma investigação prospectiva de alcance nacional que emprega a metodologia (TDABC) para avaliar os processos e custos associados ao manejo de 21 doenças raras. O estudo identificou os custos reais anuais do manejo de pacientes com MPS2, praticados pelas organizações de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de entrevistas com profissionais de saúde e análises de processos administrativos e assistenciais nos centros participantes. O custo definido pelo PCDT foi calculado com base nas definições contidas nele, permitindo uma comparação direta com a prática clínica atual. Resultados: Os resultados preliminares indicam que, na prática real, o custo médio anual do centro foi de R$ 832.180,22, enquanto o custo baseado no PCDT foi de R$ 343.677,50. Foram observadas diferenças significativas nos custos entre os tratamentos propostos no PCDT e os tratamentos praticados na vida real. De fato, o custo médio estimado no PCDT para o tratamento foi de R$ 342.292,80, enquanto o custo real praticado pela Policlínica Codajás foi de R$ 827.485,44. Conclusão: A análise preliminar dos custos revelou que a prática clínica atual em centros médicos é mais dispendiosa do que a definida no PCDT para o tratamento da MPS2. A discrepância observada entre os custos sugere que as necessidades específicas dos pacientes com MPS2 podem não estar sendo completamente atendidas pelo PCDT atual. Esse resultado ressalta a importância de manter os protocolos clínicos atualizados, por meio do monitoramento em tempo real da aderência a eles, e adaptá-los às demandas dos pacientes, garantindo assim uma assistência médica de qualidade e efetiva. <![CDATA[ID 284 - JAV-RARAS: Estudo de Aderência aos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) em Esclerose Lateral Amiotrófica: comparação entre PCDT e realidade prática em serviço de atenção em doenças raras]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200284&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O estudo de aderência ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) faz parte do JAV-RARAS, da Rede Nacional de Doenças Raras (RARAS), centrando-se na avaliação da Jornada Assistencial de Valor (JAV) para pacientes com doenças raras no Brasil. Os PCDT elaborados pelo Ministério da Saúde têm como objetivos padronizar os tratamentos, assegurar eficácia e segurança, otimizar o uso de recursos e auxiliar na tomada de decisões. A coleta foi feita em serviço de atenção em doenças raras localizada em Salvador, Bahia. Este estudo tem como objetivo específico realizar a avaliação da adesão ao tratamento da esclerose lateral amiotrófica (ELA), conforme os parâmetros definidos pelo PCDT. A análise utiliza dados da jornada do paciente coletados para implementar a metodologia (TDABC), permitindo uma compreensão detalhada das interações e do uso de recursos para melhorar a eficácia e a segurança no tratamento de pacientes com ELA. Método: A avaliação da adesão ao PCDT é fundamentada nos processos assistenciais que foram mapeados no contexto do estudo de TDABC. Inicialmente, realizamos o mapeamento da jornada de cuidados, envolvendo a quantificação do tempo e dos recursos alocados nas fases de diagnóstico, tratamento e acompanhamento. Os dados sobre a jornada do paciente foram coletados por meio de entrevistas e registros fornecidos pelos profissionais de saúde. Resultados: Os resultados revelam que as atividades na jornada e na alocação de recursos nem sempre estão em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo PCDT. No caso da ELA, o custo direto anual da jornada do paciente, conforme a realidade institucional, é de R$ 36.978,56, enquanto o valor previsto no PCDT é de R$ 42.540,86, ambos com uma maior concentração de recursos direcionados ao tratamento. A distribuição dos recursos ao longo da jornada também apresenta variações significativas: o PCDT aloca R$ 38.227,96 para tratamento, R$ 3.424,00 para diagnóstico e R$ 843,00 para acompanhamento, enquanto o serviço indica uma alocação de R$ 35.207,06, R$ 753,75 e R$ 918,00, respectivamente. Em termos de recursos, o serviço apresenta custo anual de equipamentos de R$ 19.164,10, exames de R$ 744,00, materiais de R$ 89,40, medicamentos de R$ 12.256,56, procedimentos de R$ 1.897,00, e profissionais de R$ 2.827,50. O fluxo descrito no PCDT prevê custos de R$ 3.544,00 para materiais, R$ 810,00 para medicamentos e R$ 35.403,96 para procedimentos, alinhando-se à realidade do centro, com um custo de R$ 885,90 para profissionais. Adicionalmente, o estudo mapeia a origem dos recursos, que também apresentam discrepâncias. No PCDT para ELA, 0,77% dos recursos provém do próprio paciente, 3,02% provêm do serviço, 5,88% da indústria e 90,3% do Sistema Único de Saúde (SUS). Conclusão: A avaliação da adesão ao tratamento da ELA no âmbito do projeto JAV-RARAS revela sobre a jornada assistencial de pacientes com ELA no serviço. Os dados coletados demonstram que, embora o PCDT vise padronizar e otimizar os cuidados, a realidade observada indica uma discrepância entre os custos reais e os previstos, além de variações na alocação de recursos ao longo do processo assistencial. <![CDATA[ID 285 - JAV (Jornada Assistencial de Valor) RARAS: análise de custos utilizando TDABC para pacientes com distrofia muscular de Duchenne em serviço de atenção em doenças raras]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200285&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O JAV-RARAS integra o projeto da Rede Nacional de Doenças Raras (RARAS), focando a análise da Jornada Assistencial de Valor (JAV) de pacientes com doenças raras no Brasil. O objetivo é registrar essas doenças, definir parâmetros de valor para os pacientes e avaliar a relação custo-efetividade, permitindo, dessa forma, analisar e otimizar a alocação de recursos em diversas regiões do País. Os dados foram coletados em serviço de atenção em doenças raras, localizado em Salvador, Bahia. Este estudo tem como objetivo específico quantificar e descrever os custos relacionados à trajetória assistencial de pacientes com distrofia muscular de Duchenne (DMD). Ele se integra ao projeto JAV-RARAS, que faz parte da Rede Nacional de Doenças Raras, utilizando a metodologia de (TDABC). Método: A pesquisa que utiliza a metodologia TDABC consiste na coleta de informações relacionadas ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes no âmbito do estudo JAV-RARAS. Inicialmente, foi realizado um mapeamento da trajetória assistencial no centro envolvido, abrangendo cinco doenças raras, com a quantificação do tempo e dos recursos utilizados nas etapas de diagnóstico, tratamento e acompanhamento. Os custos diretos foram obtidos por meio de entrevistas e análise de registros administrativos de profissionais de saúde, em centros espalhados pelo País. A análise incluiu a identificação das atividades na trajetória do paciente com DMD, a alocação de recursos, o cálculo dos custos por unidade e a medição da duração das atividades no serviço de atenção em doenças raras. Resultados: O custo médio anual para um paciente em tratamento de DMD é de R$ 198.905,34, com a maior parte dos gastos concentrada em medicamentos. A distribuição dos custos inclui: recursos humanos (R$ 253,20), materiais (R$ 541,74), medicamentos (R$ 197.240,40) e exames (R$ 870,00). Todo o investimento anual é destinado exclusivamente ao tratamento da doença. Quanto à origem dos recursos, em torno de 82,5% são provenientes do serviço, enquanto 1% é financiado pela indústria e 10% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em outras localidades. Conclusão: Este estudo ressalta a relevância de levantar e analisar os custos e o acesso a intervenções terapêuticas no tratamento da DMD. A predominância das despesas anuais atribuídas a medicamentos evidencia a necessidade de uma compreensão mais profunda dos fatores que impactam esses custos. A exploração de alternativas terapêuticas mais eficazes pode potencialmente reduzir os custos em longo prazo e aprimorar os resultados clínicos dos pacientes. <![CDATA[ID 287 - O que Podemos Esperar para o Futuro do Tratamento da Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN) no Sistema Único de Saúde (SUS)?]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200287&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é um distúrbio clonal raro de células-tronco hematopoiéticas que se manifesta com anemia hemolítica, trombose e insuficiência medular. A deficiência dos reguladores do complemento na membrana das células hematopoiéticas torna essas células suscetíveis a danos, com alta morbidade e mortalidade. A introdução dos inibidores C5 revolucionou o tratamento, melhorando significativamente a qualidade de vida desses pacientes. O tratamento no SUS inclui eculizumabe e transfusões sanguíneas. No entanto, desafios permanecem, como hemólise residual, levando à busca por novas abordagens terapêuticas. Assim sendo, este estudo teve como objetivo identificar e descrever tecnologias avaliadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para o tratamento da HPN e mapear tecnologias emergentes para o tratamento da doença. Método: Trata-se de um estudo descritivo, no qual foram realizadas buscas manuais na página eletrônica da Conitec para identificar tecnologias de tratamento da HPN demandadas à Comissão. Para mapear o horizonte tecnológico, foram realizadas buscas estruturadas no ClinicalTrials.gov e Cortellis™. A pesquisa foi conduzida em 23 de maio de 2024. Foram considerados estudos clínicos de fases 2, 3 ou 4 no ClinicalTrials.gov, que testaram ou estão testando medicamentos para HPN. Além disso, foram incluídas tecnologias registradas nos últimos cinco anos para HPN na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), (EMA) ou (FDA), que não estão disponíveis no SUS. Resultados: Foram identificadas cinco tecnologias demandadas à Conitec: a incorporação da vacina adsorvida Meningocócica B (recombinante) para pacientes com HPN em uso de eculizumabe (não incorporada); a exclusão do eculizumabe para o tratamento da HPN (não excluído); a incorporação do ravulizumabe para pacientes maiores de 14 anos, sejam virgens de tratamento ou em uso prévio de eculizumabe (incorporado); a pegcetacoplana para o tratamento de adultos com HPN previamente tratados com inibidores do complemento (em análise); e a pegcetacoplana para o tratamento de adultos com HPN sem tratamento prévio com inibidores do complemento (em análise). No horizonte tecnológico, foram identificadas 13 tecnologias. Uma delas, a pegcetacoplana, como mencionado, já está em análise pela Conitec. O iptacopan e o danicopan receberam aprovação pelo FDA e pela EMA, enquanto o crovalimabe está em fase de pré-registro nas duas agências. As demais estão em fases 2/3 de desenvolvimento, algumas já com designação de droga-órfã. Conclusão: As análises realizadas revelam um cenário dinâmico, com muitos medicamentos surgindo para tratar a HPN. É esperado que a Conitec continue a receber propostas de incorporação de novas terapias para essa condição. A monitorização ativa associada à avaliação das tecnologias que despontam é essencial para o manejo otimizado dessa doença complexa, potencializando o uso mais eficiente dos recursos finitos do SUS. <![CDATA[ID 289 - O Brasil está Acompanhando as Tendências Mundiais para Tratamentos de Alto Custo? O Exemplo da Doença de Pompe]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200289&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A maioria das doenças raras não possui tratamento específico, e os que estão disponíveis são geralmente de alto custo. O Ministério da Saúde define como raras as doenças que afetam até 65:100.000 indivíduos. A doença de Pompe (DP), também conhecida como glicogenose tipo II ou deficiência de maltase ácida, é um exemplo de doença genética rara com tratamento específico de alto custo. A escolha da DP como modelo neste estudo reflete suas características únicas, que exemplificam os desafios e avanços no acesso a tratamentos de alto custo para doenças raras no Brasil. Este estudo busca caracterizar o acesso a medicamentos de alto custo para doenças raras no Brasil, utilizando a DP como exemplo, e comparar o modelo brasileiro com as tendências globais no tratamento da DP. Método: Revisão documental abrangente e pesquisa no Sistema de Informação Ambulatorial do Sistema Único de Saúde (SIA/SUS) para a dispensação de alfa-alglicosidase (janeiro/2020 a maio/2024). Os dados de dispensação foram comparados às estimativas de impacto orçamentário para a inclusão da tecnologia no SUS. Resultados: A alfa-alglicosidase e a alfa-avalglucosidase possuem registro sanitário ativo no Brasil (ambas da mesma fabricante), mas apenas a alfa-alglicosidase está disponível na rede pública, e exclusivamente para pacientes com a DP de início infantil. Houve um intervalo de 12 anos entre o registro sanitário da alfa-alglucosidase e sua avaliação para inclusão no SUS. As estimativas da demanda de frascos de alfa-alglucosidase pela Conitec parecem superestimadas, de acordo com os dados de dispensação do medicamento no SUS. Em comparação com as tendências internacionais, um ponto de convergência entre o Brasil e a maioria dos países avaliados é a recomendação da alfa-alglicosidase exclusivamente para a forma infantil. No entanto, o Brasil ainda se diferencia por não ter avaliado a incorporação da alfa-avalglucosidase no SUS e pela ausência de registro sanitário para a combinação de alfa-cipaglucosidase com miglustate. Conclusão: O Brasil está parcialmente alinhado com as tendências mundiais no tratamento da DP, mas há diferenças importantes. O País tem avançado no acesso a medicamentos de alto custo por meio de estratégias como a criação do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), que centraliza a compra de medicamentos de alto impacto financeiro, e a priorização de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para doenças raras, como a DP. Além disso, a inclusão de medicamentos para doenças raras na Política de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo mostra um esforço crescente para fortalecer a produção local e reduzir a dependência externa. No entanto, o Brasil ainda enfrenta lacunas significativas. A demora de 12 anos entre o registro sanitário e a avaliação para incorporação da alfa-alglucosidase no SUS, apesar da alta demanda judicial, ilustra um importante gargalo. Além disso, faltam políticas robustas para o desenvolvimento e a comercialização de medicamentos órfãos, e o País enfrenta desafios na coleta de dados epidemiológicos sobre doenças raras e na implementação de acordos de compartilhamento de risco. Essas lacunas precisam ser abordadas para garantir que pacientes com doenças raras tenham acesso oportuno a tratamentos seguros e eficazes no SUS. <![CDATA[ID 290 - Tecnovigilância dos Equipamentos Médico-Hospitalares no Brasil de 2014 a 2024]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200290&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Considerando o aumento significativo nos gastos com saúde e os recursos financeiros disponíveis limitados, torna-se relevante instituir estratégias de avaliação de desempenho dos produtos de saúde, como os equipamentos médico-hospitalares, e determinar os benefícios que essas tecnologias proporcionam para a saúde da sociedade. Este estudo objetiva descrever os dados brasileiros de tecnovigilância dos equipamentos médico-hospitalares no Brasil, de 2014 a 2024. Método: Consiste em um estudo descritivo sobre incidentes (eventos adversos) e queixas técnicas relacionados aos equipamentos médico-hospitalares notificados no Brasil de 12 de setembro de 2015 a 12 de setembro de 2024. Os dados foram coletados do Power BI da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Foram adotados os seguintes filtros: horizonte temporal de 12/9/2014 a 12/9/2024 e produto-motivo das notificações: equipamento médico hospitalar. Para facilitar a compreensão dos dados, estes foram assim apresentados: frequências (absoluta e relativa) das notificações (eventos adversos e das queixas técnicas); classificação destas quanto aos riscos associados ao uso dos equipamentos; e identificação dos equipamentos médico-hospitalares motivos, das não conformidades e de eventos adversos (conforme a nomenclatura adotada pela Organização Mundial da Saúde – OMS) mais ocorrentes. Resultados: Nos últimos dez anos, a Anvisa recebeu 16.981 notificações relacionadas a equipamento médico-hospitalar, sendo 8.026 (47,26%) referentes a eventos adversos e 8.955 (52,74%) relacionadas a queixas técnicas. Sobre os riscos associados ao uso dos equipamentos médicos-hospitalares, 66,63% (n=5.348) dos eventos adversos foram classificados como III (alto risco), 20,52% (n=1.838) das queixas técnicas foram classificadas como II (médio risco). Os equipamentos médico-hospitalares mais ocorrentes nas notificações foram bomba de infusão, com 3.181 (18,73%); sistema para cirurgia endoscópica, com 1.264 (7,44%); sistema para cirurgia oftalmológica, com 767 (4,52%); e foco cirúrgico, com 682 (4,02%). Entre as não conformidades informadas, outros (n=7.052; 41,53%) e não informado (n=3.308; 19,48%), não foram propriamente evidenciados os eventos adversos e as queixas técnicas mais ocorrentes. Em apenas 38,99% das notificações consta a identificação dos eventos adversos e da queixa técnica: quebra de material (n=527; 3,10%), elétrico/fonte de alimentação (n=445; 2,62%), problema da saída resultado incorreto ou inadequado (n=433; 2,55%). Conclusão: Considera-se que, quanto mais utilizada a tecnologia, maior a possibilidade de notificações reportadas à Anvisa, haja vista que, do total de notificações, 34,71% (n=5.894) referem-se a quatro equipamentos médico-hospitalares (bomba de infusão, sistema para cirurgia endoscópica, sistema para cirurgia oftalmológica e foco cirúrgico) que são muito utilizados nos diferentes serviços de saúde. Com relação às classes de risco dos equipamentos médico-hospitalares, espera-se que, quanto maior a eficiência de uma tecnologia, menor o risco associado ao seu uso. Nesse sentido, a maior parte dos incidentes que causam danos ao paciente (eventos adversos) é da classe III (alto risco). Entre as possíveis dificuldades relacionadas à identificação dos eventos adversos, destacam-se a adoção da nomenclatura padronizada pela OMS e a investigação da relação causal entre o incidente e o equipamento médico-hospitalar. <![CDATA[ID 291 - Aproximando a ATS da Comunidade: iniciativas locais de divulgação junto aos usuários de um hospital no Pará]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200291&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Este trabalho é fruto do projeto de extensão "Empoderamento dos pacientes na perspectiva da Avaliação de novas Tecnologias em Saúde no SUS", financiado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA). Teve como finalidade principal a divulgação aos usuários do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) – profissionais de saúde, pacientes e estudantes – da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e sobre como participar efetivamente do processo de incorporação dos medicamentos para uma determinada doença por meio das consultas e chamadas públicas da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias em Saúde (Conitec). O projeto desenvolveu ações educativas para divulgar e estimular a participação social dos usuários do SUS mediante o compartilhamento de conhecimentos sobre o tema da ATS, em linguagem acessível a todos. Entre as estratégias adotadas, está a produção de alguns materiais educativos, feitos em formato de fôlder pela plataforma de edição Canva, tendo como referência as orientações da Conitec. Todos os fôlderes continham as seguintes informações básicas: título, com a informação da consulta pública vigente, passo a passo de como participar da consulta pública com imagem ilustrativa do formulário de contribuição, o papel da Conitec e a importância e o objetivo da consulta ou chamada pública, e a seguir um resumo da estrutura da pergunta PICO. Nesse contexto, foram realizadas palestras, com o objetivo de disseminar as consultas públicas vigentes, como a consulta pública sobre a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Retinopatia Diabética, sobre a incorporação do medicamento elexacaftor associado a tezacaftor e ivacaftor para o tratamento dos pacientes com fibrose cística, as chamadas públicas para os pacientes de dermatite atópica, entre outros, além de banner sobre o papel dos profissionais farmacêuticos na ATS. Foram distribuídos fôlderes impressos e divulgados entre os profissionais de saúde por meio eletrônico e redes sociais, realizando uma pequena explicação e tirando dúvidas que surgiam. Essas palestras contaram com a ajuda dos profissionais do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Complexo Hospitalar Universitário da UFPA (Nats/CHU-UFPA) na organização – em especial, da farmacêutica do setor do Programa do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica e de duas acadêmicas do Curso de Farmácia da UFPA, vinculadas ao projeto de extensão. Essa participação ativa nas palestras e atividades educativas colaborou para a explicação dos processos de ATS e da importância da participação social nas consultas e chamadas públicas. Assim, essa atuação fortaleceu o projeto ao conectar os pacientes e profissionais de saúde sobre as informações necessárias para que pudessem contribuir de maneira mais efetiva e ativa no processo decisório, empoderando-os para participar diretamente na escolha de novas tecnologias e medicamentos incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as perspectivas futuras, estão: disseminar esses informativos aos alunos da graduação em Farmácia por meio da Universidade Federal do Pará; além disso, a realização de palestras sobre vários temas da ATS, para divulgar os principais conceitos e fluxos de incorporação de tecnologias no SUS. Somando-se a isso, a criação de um perfil, na rede social Instagram para propagar os conhecimentos sobre a ATS e o papel da Conitec no SUS. Método: Roteiro da apresentação: 1) apresentação dos autores do trabalho; 2) introdução do tema e dos objetivos da iniciativa, descrição da metodologia e dos produtos obtidos; 3) conclusão e perspectivas futuras. Itens/equipamentos necessários para a execução: projetor de imagens conectado à internet. <![CDATA[ID 292 - Eficácia, Segurança e Impacto Orçamentário da Oxicodona Associada com Naloxona no Controle da Dor no Pós-Operatório de Cirurgias Ortopédicas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200292&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A analgesia nas quatro primeiras semanas do pós-operatório (PO) de cirurgias ortopédicas é um importante fator para recuperar a mobilidade do paciente. A oxicodona (OX) é um agonista opioide, com efeito analgésico, sedativo e ansiolítico. A naloxona (N) é um antagonista que neutraliza a constipação induzida pelos opioides por competir pelos receptores intestinais. A associação OXN (Targin®) é apresentada na forma de comprimidos de ação prolongada com liberação por 12 horas. É indicado no PO quando já iniciado no pré-operatório e mediante a previsão médica de que a dor será moderada a intensa por tempo prolongado. A incorporação da OXN no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) foi demandada como alternativa para o tratamento da dor moderada a intensa no PO de cirurgias ortopédicas de grande porte, com possíveis vantagens quanto à via de administração oral, constância nas concentrações plasmáticas, liberação para uso domiciliar, redução do tempo de internação e re-hospitalização pela constipação. Objetivos: avaliar a eficácia e a segurança da OXN de liberação prolongada no controle da dor dos pacientes adultos submetidos à cirurgias ortopédicas de grande porte; estimar o impacto orçamentário da incorporação para o Into. Método: Foram realizadas todas as etapas de uma revisão sistemática com busca nas bases MEDLINE (PubMed), Embase e Cochrane Library com vocabulários controlados. As 605 referências identificadas foram selecionadas e avaliadas por pares de revisores independentes, com divergências resolvidas por terceiro revisor. Critérios de inclusão:estudos primários ou de síntese avaliando a eficácia e a segurança da intervenção no cenário proposto. Critério de exclusão: OXN de liberação imediata. A avaliação da qualidade da evidência foi realizada com a ferramenta RoB2 e a certeza nos resultados com o sistema GRADE (do inglês, ). Para o impacto orçamentário (IO) sob a perspectiva Into em horizonte de cinco anos, foi utilizado custo direto de aquisição baseado no menor custo na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). A estimativa da população se deu por demanda aferida. Foi considerada posologia e tempo de tratamento descrito em bula com difusão de 10%, 50% e de 100% nos três últimos anos. Resultados: Incluído um ensaio clínico randomizado (ECR) não cego que avaliou o controle da dor no PO de artroplastia total do joelho (ATJ) em 112 pacientes, 57 OXN e 55 morfina intravenosa em bomba infusora (MBI). Mensuração nas 48 horas de PO por escore médio de dor em repouso e flexão do joelho (0 = sem dor e 10 =p ior dor). Foram desfechos secundários: consumo equivalente de morfina e ocorrência de náuseas/vômitos (0 = sem náuseas, 1 = náusea leve e antiemético, 2 = vômitos). No primeiro e no segundo dia de PO, a OXN apresentou melhor controle da dor em repouso (0,89 ±1,54 versus 1,27 ±1,85, P=0,0019) e (1,03 ±1,69 versus 1,65 ±2,05, P=0,0006). Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos para dor em flexão e desfechos secundários. A evidência apresentou alto risco de viés e baixa certeza nos resultados. Esquemas posológicos de 7 e 14 dias para população de 100 pacientes/ano geram IO, em 5 anos, de R$ 28.828,80 e R$ 57.657,60. Pressuposto de 50% da população para cada esquema gera IO de R$ 43.243,20. Conclusão: A OXN mostrou eficácia no controle da dor no PO de cirurgia de ATJ quando comparado com MBI, não sendo superior quanto aos demais desfechos. A evidência disponível não avaliou constipação, tempo de internação ou re-hospitalização. As limitações metodológicas do estudo devem ser consideradas para tomada de decisão. Se incorporada, monitoramento e estudos comparativos de eficácia e segurança devem ser planejados. <![CDATA[ID 293 - Inclusão da Modalidade Diretrizes na Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200293&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A proposta da presente iniciativa é apresentar a nova modalidade de publicação na Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS (RESS). A RESS abrange o campo da saúde coletiva que apresenta evidências relevantes ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, a RESS ampliou seu escopo e incluiu a modalidade "Diretrizes", para publicar produtos que orientam condutas no âmbito do SUS. Tal ampliação contribui para a disseminação de avaliações de tecnologias em saúde, incluindo protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas. A RESS é um periódico científico de acesso aberto com publicação contínua e sem custos aos autores e leitores, mantido pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde (SVSA/MS). A RESS é indexada nas principais bases, como MEDLINE, SciELO, Scopus, Embase, LILACS, Web of Science e PubMed Central. Todos os artigos publicados na RESS ficam disponíveis na modalidade acesso aberto e são traduzidos gratuitamente para o inglês, o que favorece a democratização do conhecimento científico nacional e internacionalmente e fortalece a produção científica brasileira voltada para o aprimoramento dos serviços oferecidos pelo SUS. Os títulos e resumos dos artigos também são traduzidos para o espanhol, o que contribui para a disseminação das pesquisas na América Latina. Por meio das redes sociais, os artigos publicados são disseminados ao público em geral, com a participação dos autores nessa disseminação. Os manuscritos são também divulgados no blogue SciELO em Perspectiva, por meio de texto de cunho jornalístico, com a colaboração dos autores, e preparação de vídeo com os principais pontos da pesquisa. Outra importante ação de divulgação e fomento às publicações é o Prêmio RESS Evidencia, que reconhece e homenageia o melhor artigo original publicado na revista a cada ano. Método: Pretende-se apresentar vídeo do conteúdo do site da RESS, com uma simulação rápida de submissão e processamento, e as postagens das redes sociais para que os participantes possam conhecer as formas de divulgação oferecidas pela revista. Conexão da internet, computador, projetor de imagem em tela grande e equipamento de som para apresentação dos vídeos. <![CDATA[ID 294 - Regulação do Acesso a Consultas e Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico em Sistemas Públicos de Saúde: uma revisão de escopo assistida por inteligência artificial]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200294&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A regulação do acesso a consultas e serviços de apoio diagnóstico e terapêutico (SADT) é um dos principais desafios enfrentados por sistemas públicos de saúde em todo o mundo. A crescente demanda por serviços especializados, aliada à escassez de recursos e à desigualdade no acesso, gera dificuldades no gerenciamento eficiente dos fluxos assistenciais. Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão de escopo com a seguinte pergunta: quais conhecimentos e evidências estão disponíveis na literatura quanto à regulação do acesso a consultas e serviços de apoio diagnóstico e terapêutico em sistemas de saúde? Método: Esta revisão de escopo foi conduzida seguindo as diretrizes do PRISMA-ScR (). A busca foi realizada em bases de dados científicas como PubMed, Scopus e SciELO, utilizando termos relacionados à "Atenção Secundária à Saúde", "Assistência Ambulatorial", "Listas de Espera", "Agendamento de Consultas" e "Técnicas e Procedimentos Diagnósticos". Os artigos não foram limitados pela lingua, pelo país ou pelo ano de publicação. O ChatGPT foi usado como subsídio para construir conceitos e correlação dos artigos com a literatura. Resultados: Dos 1.668 artigos identificados inicialmente, 105 foram incluídos nesta revisão. Os estudos analisados buscaram investigar quais tipos de intervenção foram adotados para melhorar os encaminhamentos e o acesso oportuno. Ao final, os artigos foram conceituados e divididos em três categorias: intervenções para melhorar o encaminhamento da Atenção Primária à Secundária (Apae); na Atenção Ambulatorial Especializada (AAE) e no Percurso Assistencial do Paciente (Pasp); sendo o maior número de artigos relacionados à categoria Apae. Conclusão: A revisão demonstra que existem inúmeras intervenções propostas com o objetivo de aumentar o acesso a consultas e SADT em sistemas públicos que perpassam por descrição e ajustes no serviço, tempo de espera, avaliação de barreiras e desafios, sistemas de coordenação e colaboração entre os níveis de atenção, abordagens holísticas e aplicação de protocolos e diretrizes assistenciais. A regulação do acesso a serviços de saúde é uma questão complexa que exige soluções inovadoras. A revisão aponta que intervenções específicas, quando bem planejadas e implementadas, podem melhorar não apenas a eficiência e a qualidade, mas também a equidade do atendimento, especialmente em contextos de saúde pública em que esses fatores são críticos. Futuras pesquisas devem explorar mais profundamente os impactos, a viabilidade e a aplicabilidade das intervenções em diferentes contextos de sistemas públicos de saúde. <![CDATA[ID 295 - Projeto Nats Itinerante, o Nats-HUJM mais perto de você!]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200295&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Os Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) foram instituídos nos hospitais de ensino de todo o País com o intuito de introduzir a cultura de ATS nos hospitais. O Nats é o responsável por realizar ATS por meio da utilização de evidências científicas capazes de auxiliar o gestor hospitalar na tomada de decisão quanto à incorporação, alteração ou exclusão de tecnologias, bem como promover o uso apropriado e a racionalidade técnica na alocação de recursos. Além disso, possui o papel fundamental de introduzir e promover a cultura da Prática em Saúde Baseada em Evidências (PSBE) na rotina dos profissionais de saúde. No entanto, a ATS ainda não se apresenta como uma atividade que faça parte da gestão hospitalar atualmente. A falta de cultura de ATS nas instituições gera um grande obstáculo, pois os profissionais da saúde, de maneira geral, desconhecem o tema, mesmo após todos os anos de esforços empreendidos para sua disseminação. Sendo assim, a criação de um Nats não constitui ação suficiente para a difusão da cultura de ATS, havendo fragilidade na influência do núcleo no processo de tomada de decisão clínica e gerencial em hospitais. Devido a todos esses desafios da ATS hospitalar, foi desenvolvido o projeto do Nats Itinerante. Essa ação faz parte de um projeto chamado "Desenvolvimento da cultura de avaliação de tecnologias em saúde entre profissionais e gestores de um hospital universitário", que visa ao desenvolvimento de ações que estimulem a cultura do uso da ATS pelos profissionais do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) na tomada de decisão. O objetivo do Nats Itinerante foi oferecer um momento de troca de conhecimentos com os profissionais em seus locais de trabalho, divulgando informações básicas e de fácil compreensão sobre tecnologias em saúde, ATS, as funções do Nats e a forma de solicitar os serviços do Nats do nosso hospital. Todas essas informações foram compiladas por meio da elaboração de um vídeo de 3min37s, realizado com o auxílio de um profissional da Unidade de e-Saúde. Foi estabelecido um cronograma de locais a serem visitados, sendo sua divulgação realizada previamente nos grupos de mensagens instantâneas institucionais. Em torno de duas a quatro pessoas envolvidas com o Nats-HUJM participavam dessas visitas, iniciando com a apresentação das informações por meio de um vídeo e, após, realizando uma troca de ideias com os participantes. Ao final da discussão, todos os participantes ganhavam uma "lembrancinha" (bombom) com o seguinte agradecimento: "Obrigada por fazer parte do Nats Itinerante! É o Nats-HUJM mais perto de você!". Assim, 413 pessoas de 37 setores/unidades em 3 turnos diferentes participaram dessa ação. O vídeo foi apresentado em torno de 74 vezes em 9 dias de projeto. Para o presente congresso, a apresentação desta proposta será por meio de comunicação oral expositiva com projeção de multimídia. Método: A apresentação acontecerá em três etapas. Na primeira etapa, será apresentada brevemente a justificativa do projeto. Após, será exibido um vídeo de 3min37s, que foi utilizado para a disseminação das informações sobre ATS para os profissionais do hospital. Por último, serão demonstrados os resultados do projeto, contando com a utilização de imagens, sendo necessário monitor, equipamento de som e passador de eslaides com . <![CDATA[ID 297 - Contexto da Judicialização no Distrito Federal de Tecnologias em Saúde Não Recomendadas pela Conitec]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200297&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Sistema Único de Saúde (SUS) garantiu o acesso integral e universal ao cuidado à saúde. O acesso ao medicamento pelo SUS ainda apresenta percalços. Ademais, o acesso ao medicamento é garantido em parte pela atuação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias em Saúde no SUS (Conitec), que avalia critérios como segurança, eficácia, efetividade, eficiência e impacto orçamentário, ético, social e ambiental. Todavia, o não acesso ao medicamento fortalece a judicialização da saúde. O objetivo deste trabalho é discutir o contexto judicial do sistema de gestão estadual do Distrito Federal (DF) de tecnologias não recomendas à incorporação pela Conitec. Método: Trata-se de um estudo primário, retrospectivo pela análise econômica de tecnologias em saúde (TS) judicializadas no DF. Os dados utilizados foram concedidos via Lei de Acesso à Informação (Lei n.º 12.527, de 18 de novembro de 2011) e sistema de gestão SIS-Materiais e tratados pelo programa Microsoft Excel. Resultados: Hoje os principais objetos de judicialização no DF são ocrelizumabe, pirfenidona, ustequinumabe, dupilumabe, riociguate e nintedanibe. Todas esses são medicamentos não padronizados e com recente decisão inicial de não recomendação de incorporação no SUS. A análise pela Conitec de cada TS foi publicada em Relatório a Sociedade, em 2018, para a pirfenidona e nintedanibe; em 2020, ocrelizumabe e ruxolitinibe; em 2022, para riociguate; e, em 2024, para dupilumabe, sendo esses responsáveis por consumir em torno de 26,5% do orçamento gasto com aquisição de medicamentos judiciais nos últimos quatro anos. Em 2020, houve gasto de R$ 34.049.578,27 anuais no DF com judicialização, chegando a R$ 60.560.455,75 em 2023, um aumento de 75%. Conclusão: O aumento progressivo dos gastos com aquisição por demandas judiciais torna a gestão da saúde mais desafiadora, já que a aquisição ocorre por dispensa de licitação. A dispensa de licitação é algo que deve ocorrer de maneira excepcional, visto que os preços praticados são maiores do que pelo processo regular. Uma série de eventos também pode ter influenciado o aumento do gasto progressivo com TS, como, por exemplo: a crise econômica mundial em 2022; a pandemia da covid-19; a Guerra Russo-Ucraniana; crises de energia e de alimentos; aumento de inflação; assim como emergências climáticas. Nesse cenário, houve desaceleramento do crescimento econômico mundial, conforme relatório das Nações Unidas . Todos esses fatores influenciam o ajuste de preços de insumos farmacêuticos no mercado e no valor da TS. O aumento dos preços das TS pode justificar o aumento progressivo dos gastos anuais com judicialização. O não fornecimento imediato da decisão judicial resulta no sequestro de verba por determinação judicial, causando danos indiretos ao erário público, por alterar o planejamento de recursos da saúde. A não recomendação de incorporação da TS desencadeia uma séria de processos judiciais ao Estado na prerrogativa de que o acesso é direito de todos e dever do Estado. Considerando que os medicamentos de maior importância econômica no DF estão relacionados a medicamentos de alto custo, haveria grande possibilidade dessas TS, ao ser incorporadas ao SUS, pertencerem ao Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), tendo a União responsabilidade financeira maior frente aos entes estaduais. Atém-se em dizer que a não incorporação avalia a custo-efetividade, sendo as análises aqui apresentadas limitadas à análise orçamentária. É notório que há um impacto importante na gestão de recursos estaduais com a não incorporação da TS no SUS. <![CDATA[ID 300 - Produtividade Perdida Associada a Doenças Negligenciadas na América do Sul (2019)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200300&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As doenças tropicais negligenciadas (DTNs) são um grupo de doenças infecciosas que predominam em áreas tropicais e subtropicais e que afetam desproporcionalmente os indivíduos que vivem em condições de pobreza. Tais doenças causam consequências sanitárias, sociais e econômicas devastadoras para mais de um bilhão de pessoas e estão, muitas vezes, associadas às condições ambientais. Este estudo estimou a perda de produtividade relacionada à mortalidade prematura em 2019 por DTNs para os países da América do Sul (AS). A estimativa da perda de produtividade ajuda a dimensionar o dano causado pela falta de investimento das agências financiadoras de Ciência e Tecnologia (C&amp;T) e da indústria farmacêutica em seus tratamentos. Também permite mensurar o impacto monetário e social das condições precárias de saúde, frequentemente ligadas à pobreza e à falta de acesso a serviços de saúde. Método: Utilizaram-se dados de mortalidade para estimar a produtividade perdida permanente, usando uma da abordagem do capital humano (ACH). Os dados de mortalidade foram retirados do (GBD) 2019, no site eletrônico do (IHME). Foram realizadas análises de correlação entre variáveis socioeconômicas, demográficas e de saúde dos países, extraídas de bases de dados como: Associação Internacional de Seguridade Social (ISSA), Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), junto à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Banco Mundial (BM). Resultados: O número total de mortes por DTNs na AS, no ano de 2019, foi de 13.635, 5.450 óbitos nas faixas etárias produtivas de acordo, 40% do total de mortes relacionadas às DTNs nesse continente. Quanto aos (YPLL), perderam-se 93.657 anos, afetando mais os homens (58.815 anos) do que as mulheres (34.842 anos). A perda permanente de produtividade total foi de aproximadamente US$ 132 milhões e US$ 281 milhões em perda de produtividade permanente (PPP). O custo por morte foi de US$ 28.087. A variação nos cenários aponta para robustez nas estimativas, mesmo com diferenças significativas entre os países. Conclusão: A baixa mortalidade das DTNs, doenças que se tornam crônicas e debilitam, aumenta em longo prazo os encargos sociais e econômicos sobre indivíduos, famílias e governos. Conclui-se que, por imporem menor encargo econômico e social à maioria dos países da AS do que outros grupos de doenças, as DTNs tornam-se ainda mais negligenciadas. Apesar do esforço global promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para fomentar intervenções nas DTNs, são necessários mais estudos econômicos, a fim de avaliar o impacto das intervenções nessas doenças. <![CDATA[ID 302 - Análise da Efetividade da Inteligência Artificial: tecnologia de dados em saúde para gestão do Sistema Único de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200302&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O desenvolvimento das novas tecnologias em saúde trouxe para a humanidade o empoderamento e um ritmo acelerado por meio da inteligência artificial (IA) como ferramenta no diversificado ecossistema tecnológico. Na saúde, a IA tem potencial promissor de reorganização de todos os processos de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo se justifica pelo caráter inovador da análise das tecnologias em saúde na saúde pública, e como relevante ferramenta e força motriz para o progresso. A IA pode ser aliada na efetividade para a gestão do SUS como ferramenta tecnológica, definindo a cultura organizacional das instituições públicas. Sendo assim, o objetivo geral deste estudo é: analisar, nos estudos empíricos, a efetividade do uso da IA na gestão do SUS; e os objetivos específicos são: identificar os estudos empíricos sobre o uso da IA na gestão do SUS; descrever e analisar o uso da IA no âmbito da saúde pública. Método: Trata-se de uma revisão integrativa que utilizou as cinco fases. Na etapa de formulação da pergunta, elaborou-se a seguinte questão: O que trazem os estudos empíricos sobre a inteligência artificial e a gestão do SUS? Na fase de estratégias de busca e coleta de dados, utilizaram-se as bases de dados: LILACS, SciELO, MEDLINE, Scopus e PubMed. Os termos utilizados como descritores foram: inteligência artificial, SUS, tecnologia em saúde, gestão em saúde e efetividade; e a palavra-chave foi: qualidade. Quanto aos critérios de inclusão, destacam-se: estudos com recorte temporal entre janeirode 2023 a agosto de 2024; idiomas: português, espanhol e inglês; estudos publicados no formato de artigos científicos. Os excludentes foram: estudos cujo cenário não fosse o Brasil; o idioma não estivesse na inclusão; e estudos do tipo anais, editoriais, comentários e opinião. Resultados: Na avaliação dos estudos incluídos, utilizaram-se as diretrizes da checagem PRISMA () dos artigos selecionados. Com isso, foram identificados 339 artigos, 112 para leitura, 42 elegíveis e 22 incluídos na revisão. Conclusão: Na fase de discussão dos dados, emergiram quatro categorias: "Os aspetos benéficos do uso da IA para a gestão do SUS": tem alto potencial de melhorar a qualidade de vida dos pacientes; a eficiência e a agilidade nos processos das instituições hospitalares; as ferramentas com a IA podem ser úteis para os pacientes se utilizadas de forma segura; automatiza diversas atividades; realiza vasta coleta e análise de dados. "Os aspectos negativos do uso da IA na gestão do SUS": falta de mão de obra qualificada e especialistas em IA; questões como o impacto no mercado de trabalho e a perda das relações humanas interpessoais; risco de perda da capacidade cognitiva, criatividade, pensamento crítico e intuição. "As ameaças que a IA oferece para o SUS": questões relacionadas à privacidade, ética e segurança das informações dos pacientes. "As oportunidades que a IA oferece ao SUS": capacitação para utilização dessa tecnologia; melhorar a qualidade do aprendizado institucional; com a IA, o conhecimento chega a lugares inacessíveis. Conclui-se que a IA surge como um diferencial tecnológico de dados com um poder de magnitude possibilitando o alcance e a impulsão para o SUS tornar-se dinâmico e com vasta possibilidade, que será o diferencial para a efetiva melhoria na qualidade da saúde pública. <![CDATA[ID 307 - Avaliação do Perfil de Prescrição e Troca dos Medicamentos Modificadores do Curso da Doença Biológicos e Sintéticos Alvo-Específicos para o Tratamento da Artrite Psoríaca no Sistema Único de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200307&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A artrite psoríaca (AP) é uma doença inflamatória articular associada à psoríase, pertencente ao grupo das espondiloartrites. Estima-se que a incidência global da doença seja de aproximadamente 83/100.000 pessoas-ano. A AP apresenta manifestações clínicas heterogêneas, incluindo acometimentos dermatológicos e musculoesqueléticos, que afetam a qualidade de vida desses pacientes. Conforme preconizado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da AP, a conduta terapêutica inicial inclui o uso de glicocorticoides, imunossupressores e anti-inflamatórios não esteroidais para controle sintomático, e o uso de medicamentos modificadores do curso da doença sintéticos (MMCDs) para minimizar a atividade da doença. Caso haja falha em pelo menos dois esquemas terapêuticos com MMCDs, utilizam-se os medicamentos modificadores do curso da doença biológicos (MMCDbio) ou sintéticos alvo-específicos (MMCDsae). Apesar das inúmeras linhas de tratamento, a AP e as demais condições reumáticas continuam a ser um problema de saúde pública. O objetivo deste trabalho é descrever o perfil de prescrição e troca dos MMCDbio e/ou MMCDsae em pacientes diagnosticados com AP tratados em Minas Gerais, Brasil. Método: Foram coletados, por meio do Sistema Integrado de Gerenciamento da Assistência Farmacêutica de Minas Gerais, dados dos processos deferidos de solicitação de MMCDbio e/ou MMCDsae ao Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf-MG/SUS) para AP. O período de análise compreendeu de janeiro de 2018 a dezembro de 2023, com base na data do parecer do analista. Os dados foram organizados em planilha do Excel. O número do Cartão Nacional de Saúde foi utilizado para identificar os pacientes e ordenar as trocas medicamentosas. O tempo de uso foi calculado subtraindo-se a data da primeira dispensação da data da última registrada. Foram excluídos da análise os pacientes que não tinham registro de dispensação. Resultados: Dos 2.570 pacientes incluídos na análise final, 67,8% (1742) foram diagnosticados com o CID M07.3. A idade média no momento da primeira dispensação foi de 51 anos. O primeiro MMCDbio mais prescrito foi o adalimumabe (39,7%), seguido por golimumabe (18,8%), secuquinumabe (17,5%) e infliximabe (13,2%). O tempo médio de uso do primeiro medicamento prescrito foi de 28,1 meses, com tempo mínimo de 1 mês e máximo de 74 meses. Dos 2.570 pacientes, 299 (11,6%) necessitaram trocar de medicamento e, nesses casos, o etanercepte teve o maior percentual de trocas (19,0%), seguido por tofacitinibe (15,4%), infliximabe (13,9%) e adalimumabe (12,4%). Após a troca, os medicamentos mais prescritos como segunda opção terapêutica foram o secuquinumabe (54,5%), adalimumabe (13,1%) e golimumabe (8,4%). O tempo médio de uso do segundo medicamento foi de 20,2 meses, variando de 1 a 60 meses. Desse grupo, 8,7% (26/299) necessitaram trocar o segundo biológico prescrito. Conclusão: A disponibilidade de MMCDbio e/ou MMCDsae no SUS oferece esperança de regressão da atividade da doença e de melhora da qualidade de vida dos pacientes que falham na primeira linha de tratamento. Este estudo reforça a importância dos dados administrativos do Sistema Único de Saúde (SUS) para análises farmacoepidemiológicas. Além disso, entender o perfil de prescrição desses medicamentos é essencial para guiar a seleção, a programação e a aquisição de medicamentos para a AP no País. <![CDATA[ID 309 - Cenário da Doença Renal Crônica na Perspectiva das Diretrizes Clínicas e da Avaliação de Tecnologias]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200309&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Há inovações tecnológicas constantes no cuidado do paciente com doença renal crônica (DRC). Nos últimos dez anos, cinco diretrizes clínicas sobre DRC foram aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), as quais norteiam o diagnóstico, o tratamento e o monitoramento desses pacientes, considerando os medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo tem por objetivo descrever a linha do tempo das atualizações e a utilização dos medicamentos incorporados. Método: Foram revisadas cinco diretrizes clínicas sobre a DRC, bem como os medicamentos incorporados. A partir dos registros das dispensações de medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), realizadas de janeiro de 2014 a junho de 2024, extraídos da Sala Aberta de Situação de Inteligência em Saúde (Sabeis), foi obtido o número anual de pacientes por medicamentos. Foram incluídas dispensações associadas aos códigos da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10) de DRC N18.2, N18.0, N18.8, N18.3, N18.4 e N25.0. Foram excluídos os registros sem identificação criptografada dos pacientes ou sem quantidade aprovada. Resultados: Em 2014, foram publicadas as Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao Paciente com DRC no SUS. Em 2015, os medicamentos paricalcitol e o cinacalcete foram incorporados para pacientes com hiperparatireoidismo secundário (HPTS) à DRC3. Em 2017, com a publicação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Distúrbio Mineral Ósseo na DRC2, duas diretrizes anteriores foram unificadas. Após cinco anos, esse PCDT foi atualizado, com a ampliação de uso desses medicamentos por pacientes com HPTS à DRC 5D4. Em 2023, a carboximaltose férrica foi incorporada para o tratamento de pacientes adultos com anemia por deficiência de ferro e intolerância ou contraindicação aos sais orais de ferro, e a Conitec aprovou a atualização do PCDT de Anemia na DRC, com a unificação dos existentes (alfaepoetina e de reposição de ferro). Em 2023, a Conitec também aprovou o PCDT das Estratégias para atenuar a progressão da DRC, o qual já considera a incorporação de dapagliflozina para tratamento de pacientes adultos com DRC em uso de terapia-padrão. Esses esforços se refletiram no aumento de 28,03% (de 158.492 para 202.924) no número de pacientes que receberam medicamentos para tratar a DRC, totalizando 613.667 pacientes no período. Em 2024, a maioria dos pacientes utilizou alfaepoetina (41%), sevelâmer (23%) e sacarato de hidróxido férrico (15%). O uso de alfacalcidol e calcitriol apresentou queda acentuada, e o calcitriol foi utilizado por 7%. Após a publicação do PCDT do Distúrbio Mineral Ósseo na DRC2, o uso de cinacalcete e paricalcitol aumentou anualmente, representando 7% dos pacientes cada um em 2024. Não foram encontrados registros sobre o uso de dapagliflozina. Conclusão: As recomendações da Conitec conciliam a incorporação racional e o acesso à inovação tecnológica para os cidadãos brasileiros. A análise temporal permitiu observar que os PCDT orientam o acesso aos medicamentos incorporados, promovendo o cuidado integral ao paciente com DRC. <![CDATA[ID 311 - Elaboração de um Guia para Padronização da Remume: a experiência do município de Fortaleza, Ceará]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200311&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O estabelecimento de uma Relação Municipal de Medicamentos (Remume) implica a seleção de medicamentos que atendam às necessidades de saúde de um território. Dispor de métodos padronizados para atualização da Remume pode auxiliar na definição de critérios técnicos bem definidos e reprodutíveis, garantindo a eficácia e a segurança dos medicamentos selecionados. Este trabalho objetiva descrever o processo de elaboração de um guia para padronização do método de atualização da Remume do município de Fortaleza, Ceará. Método: A Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) adaptou o método proposto pelo Ministério da Saúde (MS), com algumas alterações considerando a realidade do município. A padronização do método de análise considerou critérios relacionados à essencialidade dos fármacos, o perfil de atendimentos às condições de saúde, a experiência do município de Fortaleza na Atenção Primária à Saúde (APS) e o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde (RAS.) As etapas da metodologia foram: i) identificação dos medicamentos para análise de inclusão ou exclusão; ii) definição de prioridade dos medicamentos para elaboração de pareceres técnicos (PTs); iii) elaboração dos PTs dos medicamentos priorizados; e iv) submissão dos PTs para a apreciação da CFT. As etapas foram executadas pelos farmacêuticos da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (Coaf) com apoio técnico do Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (Gpuim/UFC). Resultados: A elaboração do guia ocorreu concomitantemente ao processo de atualização da Remume. Na análise de inclusão/exclusão, consideraram-se: demandas internas das áreas técnicas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS); demandas dos profissionais da RAS; itens não padronizados mais solicitados por processos administrativos; itens não padronizados mais prescritos na APS e medicamentos do Grupo 3 do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf) não contemplados na Remume, conforme protocolos atendidos no município. Para a priorização, utilizou-se um fluxograma de decisão que considerou: presença do medicamento na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename); presença do medicamento no Componente Básico da Assistência Farmacêutica (Cbaf), e se o medicamento possuía perfil de utilização na APS. Aplicaram-se critérios de essencialidade para os medicamentos priorizados por meio de um fluxograma de decisão. Para os medicamentos classificados como essenciais, elaborou-se PT utilizando os critérios: carga de doença, disponibilidade de alternativas, benefício potencial da tecnologia, perfil de segurança da tecnologia e consequências econômicas. Para a definição dos pesos desses critérios, a CFT utilizou o método de Lawshe. Conclusão: Todas as etapas foram testadas em conformidade com as adaptações ao método proposto pelo MS. A CFT definiu a pontuação dos atributos dos critérios utilizados. Para o critério "carga da doença", utilizaram-se os dados do município/estado e, na ausência desses, os dados do País. A CFT propôs para as consequências econômicas a variação de uma a três vezes do valor per capita habitante/ano gasto no município, relativo ao ano de 2023, e definindo sete faixas de valores. Para validar a pertinência dessas faixas, utilizou-se o custo/tratamento dos medicamentos presentes na Remume 2022. O método proposto mostrou-se válido e reprodutível e garantirá um padrão de qualidade para as próximas revisões da Remume. <![CDATA[ID 312 - Anticoagulação Oral na Fibrilação Atrial: revisão sistemática e metanálise em rede de ensaios clínicos randomizados]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200312&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A fibrilação atrial (FA) afeta cerca de 1,5 milhão de brasileiros, destacando-se como causa significativa de hospitalizações cardiovasculares. O uso de anticoagulantes é crucial na prevenção de eventos tromboembólicos, embora se associe a riscos de sangramento, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais. Anticoagulantes orais diretos (DOACs – do inglês, ) têm sido preferidos devido a seu perfil de segurança e eficácia, porém não foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse sentido, avaliar a eficácia e a segurança dos DOACs em comparação à varfarina nas políticas de saúde estaduais torna-se essencial para garantir o acesso racional e eficaz aos tratamentos para FA. Sendo assim, o objetivo foi sintetizar as evidências sobre o uso de DOAC em pacientes com FA e avaliar sua eficácia e segurança por meio de revisão sistemática e metanálise em rede. Método: Uma revisão sistemática (RS) de ensaios clínicos randomizados (ECR) foi conduzida, identificados a partir das estratégias de busca elaboradas nas bases de dados, que avaliassem a eficácia e a segurança dos DOACs em comparação à varfarina em pacientes adultos com FA. O processo de elegibilidade consistiu na triagem dos estudos para avaliação de título e resumo, utilizando-se a plataforma Rayyan®; posteriormente, foi realizada uma avaliação por texto completo. Para avaliação do desfecho de eficácia, foram coletados os desfechos de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e hemorrágico, infarto agudo do miocárdio (IAM), tromboembolismo, mortalidade geral e cardiovascular; para avaliação da segurança, foram coletados os desfechos de hemorragia intracraniana, sangramento maior, sangramento clinicamente relevante e risco de sangramento gastrointestinal. Foram realizadas análise de risco de viés pela metodologia Rob 2.0 e análise da certeza da evidência pela metodologia GRADE (do inglês, ). Para a metanálise em rede, foram utilizados os softwares NMAstudio® e MetaInsight®, e análise SUCRA (do inglês, ) e de ranqueamento também foi realizada. Resultados: Foram incluídos quatro ECR em nossa RS, sendo apenas um estudo sem cegamento. Os DOACs reduziram AVC, especialmente hemorrágico, tromboembolismo, mortalidade geral e cardiovascular e hemorragia intracraniana, em comparação à varfarina. Apesar disso, foi observado elevado risco de viés para o estudo de RE-LY que avaliou dabigatrana. A partir das metanálises em rede. foi identificado que rivaroxabana e dabigatrana na apresentação de 150 mg foram os DOACs com melhores resultados para os desfechos de eficácia; e edoxabana com melhor relação acidente vascular encefalíco hemorrágico e sangramento maior. Conclusão: Apesar dos estudos que avaliam eficácia e segurança de DOACs serem de não inferioridade destes em comparação à varfarina, é possível observar alguma diferença em relação aos desfechos ao risco de AVC, especialmente o AVC hemorrágico e tromboembolismo. Além disso, os DOACs apresentaram resultados positivos em relação aos desfechos de mortalidade por qualquer causa e mortalidade cardiovascular e reduziram substancialmente o desfecho de hemorragia intracraniana, que é uma complicação importante e, muitas vezes, fatal no uso de anticoagulantes. A decisão sobre o DOAC mais apropriado deve, em última análise, ser individualizada e baseada numa tomada de decisão partilhada que reflita os benefícios, os riscos, as contraindicações, os custos e as preferências do paciente relacionados com o tratamento. <![CDATA[ID 313 - Osimertinibe no Tratamento Oral de Primeira Linha do Câncer de Pulmão de Células Não Pequenas (CPCNP) Localmente Avançado na Perspectiva do Sistema Único de Saúde: análise de impacto orçamentário]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200313&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O câncer de pulmão é um dos mais agressivos, 70% dos casos são diagnosticados já na forma avançada ou metastática, sem opções de tratamento definitivo, o que contribui para o aumento de 90% da taxa de letalidade. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) tenha incorporado erlotinibe e gefitinibe para o tratamento do câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) com mutação no receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), são necessárias intervenções mais eficazes e seguras. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar o impacto financeiro a ser onerado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) caso o osimertinibe em monoterapia fosse incorporado para indicação terapêutica de primeira linha no tratamento do CPCNP em relação a outros representantes da classe de inibidores de tirosinoquinase já incorporados ao SUS (erlotinibe e gefitinibe) para tratamento dessa condição clínica. Método: Este estudo foi desenvolvido conforme as premissas das do Ministério da Saúde (Brasil, 2012). A análise foi realizada por demanda aferida associada ao método epidemiológico para estimar a população atendida com CPCNP localmente avançado ou metastático, sob a perspectiva do SUS, sendo considerado um horizonte temporal de cinco anos e cenários atual e alternativos (conservador e agressivo). Para o, foram considerados dois cenários alternativos: cenário alternativo 1 com taxa de difusão conservadora (aumento de 10% ao ano, chegando em cinco anos a atingir 50% dos pacientes). Além disso, foi estimado o cenário alternativo 2, prevendo uma taxa de difusão agressiva (aumento do uso de 20% ao ano, atingindo em cinco anos 90% dos pacientes). Com relação aos custos, a análise considerou os custos de aquisição dos medicamentos e de monitoramento (exames laboratoriais e de imagem). Resultados: A projeção do impacto orçamentário, ao longo de cinco anos com taxa de difusão conservadora, para pacientes sem tratamento prévio resultou em um incremento acumulado de R$ 786.946.282,73. Ao considerar uma difusão mais agressiva do osimertinibe para 90% dos pacientes elegíveis ao final de cinco anos, um total acumulado de R$ 1.557.945.251,69 foi observado. Portanto, a avaliação do impacto orçamentário de osimertinibe, nos cenários avaliados, mostrou-se oneroso para o sistema público de saúde. Apesar de bons resultados no quesito de eficácia e segurança em relação aos comparadores gefitinibe e erlotinibe, o custo de incorporação ainda é alto. Conclusão: Quando se compara a análise de impacto orçamentário do gefitinibe, que foi incorporado no SUS no ano de 2013, o custo estimado foi de R$ 8,3 milhões e um impacto de R$ 42,2 milhões em cinco anos (2013 a 2017). O período de tratamento considerado foi de 7,55 meses. Quanto ao erlotinibe, que foi incorporado no mesmo ano, o impacto orçamentário foi de R$ 45.240.885,00 para o SUS, considerando o acumulado nos cinco anos do horizonte de análise (2014 a 2018) (Ministério da Saúde 2013a, Ministério da Saúde, 2013b). Há de se considerar que a diferença para os resultados atuais se deve a não ter sido realizada uma correção dos valores para o ano em curso. <![CDATA[ID 314 - Benefícios na Incorporação de Duas Novas Tecnologias ao Programa Saúde da Mulher no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200314&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Ministério da Saúde coordena a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres (Pnaism), que promove a melhoria das condições de vida e saúde das mulheres brasileiras, com garantia de direitos e ampliação da promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde; contribui para a redução da morbidade e mortalidade feminina no Brasil; e amplia, qualifica e humaniza a atenção integral à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das estratégias para garantir o acesso das mulheres às tecnologias em saúde é por meio do Componente Básico da Assistência Farmacêutica (Cbaf), que disponibiliza medicamentos anticoncepcionais e insumos do Programa Saúde da Mulher na Atenção Primária à Saúde. A aquisição desses itens à população, no âmbito do Cbaf, é de responsabilidade do Ministério da Saúde. Em 2021, houve solicitação do Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) de avaliação da incorporação de novos contraceptivos – os injetáveis mensais acetato de medroxiprogesterona + cipionato de estradiol (25 mg + 5 mg) e/ou algestona acetofenida + estradiol enantato (150 mg + 10 mg) para mulheres em idade fértil – com o intuito de ampliar o acesso da população às tecnologias eficazes, seguras e de qualidade, como alternativas ao medicamento já disponível desde 2004 no SUS, o enantato de noretisterona + valerato de estradiol (50 + 5) mg/mL. Isto posto, este trabalho objetiva apresentar os benefícios trazidos pela incorporação dessas novas tecnologias ao SUS. Método: Os dados foram coletados em fontes oficiais e de domínio público do Ministério da Saúde. Resultados: Em 2023, foram adquiridas 6.680.900 unidades do noretisterona + estradiol, por meio do Contrato n.º 89, de 3 de maio de 2023, com valor unitário de R$ 13,39 (total: R$ 89.577.761,00), e medroxiprogesterona + estradiol por meio do Contrato n.º 94, de 25 de maio de 2023, no quantitativo de 329.424 e valor unitário de R$ 12,60 (total: R$ 4.150.742,00). Em 2024, foram adquiridas 6.317.407 unidades de noretisterona + estradiol (Contratos n.º 120, de 5 de abril de 2024, e n.º 127, de 8 de abril de 2024), com valor unitário de R$ 4,68 (total: R$ 29.565.675,36). O algestona acetofenida, em 2024, por meio do Contrato n.º 109, de 5 de março de 2024, foi adquirido em quantitativo de 368.134 com valor unitário de R$ 8,11 (total: R$ 2.985.566,74). Houve queda drástica (65%) do valor unitário do enantato de noretisterona, que impactou diretamente o valor dos contratos em 2024. Em termos de impacto orçamentário, a redução do custo unitário em 2024 desse item trouxe uma significativa otimização de recursos pelo Ministério da Saúde, de pelo menos R$ 60 milhões, o que gera eficiência da Administração Pública. Conclusão: A Conitec apontou, no Relatório de Recomendação n.º 724/2022, os benefícios da incorporação de duas novas tecnologias para a contracepção, incluindo a ampliação do acesso de opções terapêuticas. Em decorrência dessa incorporação ao SUS dos novos anticoncepcionais injetáveis mensais, houve aumento da concorrência nas aquisições públicas, com redução significativa do preço da tecnologia já disponibilizada no SUS, gerando economia ao erário, o que possibilitou a aquisição das novas tecnologias incorporadas. Essa estratégia trouxe benefícios orçamentários, com otimização e eficiência do gasto público, estímulo ao mercado desses itens, bem como ampliação de acesso à população a tecnologias seguras, eficazes e de qualidade. <![CDATA[ID 316 - Baixa Adesão das Revisões Sistemáticas Cochrane à Ferramenta RoB 2.0]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200316&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A versão 2 da ferramenta de risco de viés da Cochrane (RoB 2.0) é um dos instrumentos recomendados para avaliar o risco de viés em ensaios clínicos randomizados (ECR) incluídos em revisões sistemáticas Cochrane. A RoB 2.0, lançada em 2019, foi atualizada em 2011 e possui cinco domínios de viés. As principais diferenças entre a RoB 2.0 e a versão original (RoB) incluem: (i) aumento da complexidade dos itens avaliados, com o uso de questões sinalizadoras e mais opções de julgamentos; (ii) a necessidade de um algoritmo para sua aplicação; (iii) a exclusão de itens sobre viés de dados faltantes; e (iv) a incorporação de um julgamento geral de risco de viés, permitindo uma classificação única para o ECR. Apesar de ser uma ferramenta recomendada pelo Cochrane Handbook, estudos anteriores sugeriram uma baixa velocidade de implementação da ferramenta e, em 2022, apenas 24,1% das revisões Cochrane tinham adotado a RoB 2.0. Este estudo teve como objetivo determinar a adesão de todas as revisões Cochrane publicadas em 2023 à ferramenta RoB 2.0. Método: Metapesquisa conduzida pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa em Saúde Baseada em Evidências e Avaliação de Tecnologias em Saúde (NEP-Sbeats), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foi realizada uma busca manual na Cochrane Library, com filtro de data, para identificar todas as revisões sobre intervenções em saúde publicadas nas edições de 2023. Resultados: Foram incluídas 380 revisões, das quais 18,16% (69/380) utilizaram a RoB 2.0 e 81,84% (311/380) adotaram a versão inicial da RoB Cochrane. Conclusão: A minoria das revisões Cochrane publicadas em 2023 aderiram à RoB 2.0. Apesar da melhoria na interpretação do viés e de sua influência nos resultados dos ECR, a RoB 2.0 tem uma estrutura mais complexa do que sua versão original, e há uma discussão crescente sobre sua aplicabilidade e usabilidade, o que parece limitar sua ampla adoção. Adicionalmente, também há discussões sobre a exclusão do domínio de avaliação de viés relacionado aos dados faltantes, o que poderia subestimar o viés de um desfecho ou do próprio ECR caso a RoB 2.0 não seja utilizada em conjunto com a ferramenta RoB-ME. <![CDATA[ID 317 - Monitoramento da Segurança da Vacina Dengue Atenuada Incorporada no Brasil, 2024]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200317&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A vacinação é uma das intervenções mais eficazes na prevenção de doenças infecciosas, contribuindo significativamente para a redução da morbidade e da mortalidade em diversas populações. Entretanto, como qualquer intervenção, as vacinas podem estar relacionadas a eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização (Esavi). Esses eventos ocorrem após a vacinação e, embora nem sempre tenham uma relação causal com a vacina, requerem monitoramento rigoroso, para assegurar a segurança do imunobiológico em uso. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi descrever os dados de Esavi para a vacina Dengue Atenuada. Método: Foram analisadas as notificações de Esavi no e-SUS Notifica entre a Semana Epidemiológica 9 de 2023 e 32 de 2024. Os Esavi de interesse e os eventos adversos de Interesse Especial (EAIE) foram identificados por meio da busca por termos de interesse no banco de dados e pela busca algorítmica utilizando . Os eventos buscados foram: anafilaxia; citopenia hematopoiética; anemia aguda; encefalite não infecciosa; meningite asséptica; hepatite aguda ou hepatite não infecciosa; insuficiência renal aguda; miopericardite não infecciosa; síndrome de Guillain-Barré; paralisia de Bell; polineuropatia inflamatória e dengue grave. Os casos identificados foram classificados conforme as definições da e da . Para o cálculo das taxas e dos coeficientes, utilizaram-se as doses administradas (DA) presentes na Rede Nacional de Dados em Saúde. Resultados: No período avaliado, foram administradas 2.911.003 doses (primeira dose: 2.381.483 [81,8%]; e segunda dose: 529.520 [18,3%]); e registradas 2.748 (94,4 por 100 mil DA) notificações para a vacina dengue atenuada. Dessas, 2.049 (74,6%; 70,4 notificações por 100 mil DA) corresponderam a Esavi e 699 (25,4%; 24,0 notificações por 100 mil DA) foram erros de imunização. Entre os Esavi, 216 casos (7,9%; 7,4 notificações por 100 mil DA) foram classificados como eventos graves. Um dos casos evoluiu para óbito, sendo posteriormente avaliado como um evento coincidente, atribuído a uma condição subjacente (fibrose cística grave). Entre os EAIE monitorados, apenas "anafilaxia" foi identificado como um sinal de segurança, com 79 casos confirmados (27,1 casos por milhão DA) e nenhum óbito. Desses, 44 (55,7%) eram do sexo feminino, com idade mediana de 11 anos (Q1: 10 e Q3: 13). Apenas 5 (6,3%) casos tinham relato de histórico conhecido de alergias prévias e 15 (19,0%) apresentavam comorbidades. Oito casos registraram vacinas concomitantes (HPV, DTP, Covid-19, Pfizer pediátrica e Meningo ACWY). O tempo mediano entre a vacinação e o início dos sintomas foi 23 minutos (Q1: 10 e Q3: 40). Não foram detectados conglomerados ou surtos relacionados a lotes e locais de vacinação. Conclusão: Os casos de anafilaxia, embora graves, tiveram boa evolução sem óbitos. Recomendações incluem a realização de triagem das pessoas a serem vacinadas, comunicação clara sobre indicações e contraindicações, controle de estoque e da cadeia de frio, além de monitoramento para prevenção de Esavi grave. O Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a dengue, uma vez que essa tecnologia em saúde é segura, mas enfatiza a importância de medidas complementares para o controle da doença no Brasil. <![CDATA[ID 319 - Avaliação do RAPID3 como Ferramenta de Triagem em Pacientes com Artrite Reumatoide no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200319&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica que exige monitoramento contínuo da atividade da doença. O (RAPID3), no Questionário de Avaliação Multidimensional em Saúde (MDHAQ), tem sido utilizado como uma ferramenta simples de avaliação autorreportada para acompanhamento da atividade da AR. Este estudo tem como objetivo avaliar a sensibilidade e a especificidade do RAPID3 para identificar pacientes com atividade moderada/alta da doença no Sistema Único de Saúde (SUS), comparando seus resultados com o DAS28 (VHS) – padrão-ouro. Método: Foram incluídos 129 pacientes com diagnóstico de AR atendidos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (SUS), convidados a responderem o instrumento em formato eletrônico, previamente a suas consultas reumatológicas eletivas. O estudo teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa desse Hospital e todos os pacientes preencheram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A utilização do questionário neste estudo teve prévia autorização do autor do instrumento (Pincus .). Perfil dos participantes: – Idade média: 59 anos (± 13) – Gênero: 83,7% mulheres (n=108) – Etnia: 90,7% brancos (n=117) Dados clínicos: – Tempo de doença (mediana): 13 anos (IQR 7-23) – Fator reumatoide ou anti-CCP positivo: 86,7% – Uso de medicamentos: DMARD sintético: 81,4% (n = 105) DMARD biológico: 31% (n = 40) corticoide: 34,1% (n = 44) Resultados: – Sensibilidade e especificidade do RAPID3 para identificar atividade moderada/alta: sensibilidade: 98% especificidade: 49% valor preditivo negativo: 92% probabilidade pós-teste negativa: 8% curva ROC do RAPID3: AUC = 0,79 (IC 95% 0,71-0,88) – Facilidade de uso do instrumento em formato eletrônico: 90% dos pacientes relataram facilidade no preenchimento do questionário; 93% consideraram o RAPID3 uma boa ferramenta de avaliação; a escolaridade não teve influência significativa no preenchimento (p=0,128). Conclusão: Discussão: o RAPID3 demonstrou ser uma ferramenta eficaz para a triagem de atividade de doença em pacientes com AR no SUS, especialmente devido à sua alta sensibilidade e ao valor preditivo negativo, comparável ao DAS28. Além disso, o questionário apresentou aplicabilidade prática tanto no formato eletrônico quanto em papel, com alta aceitação entre os pacientes. A correlação com desfechos clínicos e a facilidade de uso sugerem que o RAPID3 pode ser útil em contextos de atendimento remoto, como telemedicina, promovendo uma abordagem compartilhada entre médico e paciente. A utilização de questionários autorreportados pelo paciente (PROs) facilita a dinâmica compartilhada entre médico e paciente com impacto direto na tomada de decisões clínicas. Ao considerarmos a integralidade da avaliação pelo MDHAQ, diferentes estudos demonstraram sua capacidade de monitorar e contribuir positivamente na decisão compartilhada em diferentes patologias reumatológicas. Além disso, o MDHAQ permite a extração de escores pertinentes para identificação de fibromialgia, ansiedade e depressão sobreposta nessa população de pacientes. Conclusão: o RAPID3 mostrou-se confiável na triagem de atividade de doença em pacientes com AR, validado frente ao DAS28, tanto no formato papel quanto eletrônico. Sua utilização pode servir para melhorar o monitoramento de pacientes no SUS, especialmente em ambientes de cuidado remoto, reforçando sua importância na gestão de doenças crônicas. <![CDATA[ID 320 - Adaptação Transcultural Brasileira de Declarações Informativas para Comunicar os Resultados de Revisões Sistemáticas de Intervenções Indicadas pelo Sistema GRADE]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200320&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Uma comunicação transparente e de fácil compreensão pode melhorar a comunicação científica para informar os resultados de revisões sistemáticas (RS) aos tomadores de decisão em saúde. O grupo (GRADE) desenvolveu uma abordagem para aprimorar a comunicação dos resultados de RS de intervenções na língua inglesa. O objetivo deste estudo foi adaptar transculturalmente para a língua portuguesa do Brasil a abordagem para comunicar os resultados de RS indicada pelo grupo GRADE. Método: O processo de adaptação transcultural da abordagem para comunicar os resultados na língua portuguesa falada no Brasil foi realizado em seis etapas: 1) tradução da versão original por dois tradutores; 2) síntese das traduções; 3) retrotradução da versão consolidada; 4) avaliação por especialistas do GRADE; 5) pré-teste aplicando à versão validada pelos especialistas; 6) avaliação dos resultados quantitativos e qualitativos. A fase de pré-teste consistiu em um questionário estruturado para avaliação da concordância de pesquisadores brasileiros com as frases propostas para a conclusão de RS. A análise estatística foi realizada por meio de um teste de Gwet AC1 para avaliação da concordância dos respondentes com a frase proposta. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Moinhos de Vento (5.771.941). Resultados: Este estudo adaptou 30 frases informativas para resultados de RS de intervenção de acordo com o grau de certeza da evidência proposto pelo método GRADE e os tamanhos de efeito grande, médio, pequeno mas importante, e nenhum efeito ou efeito trivial. Na etapa 4, um dos desafios foi ajustar os termos relacionados à classificação de baixa e moderada certeza da evidência: a tradução do termo em inglês, usado para baixa certeza da evidência, foi considerada pelos especialistas como moderada certeza. Como uma modificação mais significativa, entendeu-se que o uso do termo em português "moderado" para tamanho de efeito poderia causar confusão, pois também é utilizado para a classificação da certeza da evidência. Portanto, propôs-se o uso de "efeito médio" como alternativa a "efeito moderado". Na etapa 5, um total de 154 voluntários participou da fase de aplicação da versão validada pelos especialistas. Na etapa 6, o teste AC1 de Gwet revelou moderada a alta concordância (&gt;60%) dos avaliadores com as frases propostas para resultados de RS com alta e moderada certeza da evidência, independentemente da faixa de efeito. Por outro lado, identificou-se baixa concordância dos avaliadores para as frases propostas nas faixas de efeito grande, médio, pequeno mas importante, e efeito trivial/nulo na certeza da evidência baixa. Conclusão: As principais contribuições foram relacionadas aos ajustes de termos que são distintos em inglês, mas que compartilham uma tradução semelhante em português quando realizada uma tradução literal. A concordância dos termos propostos possibilita a utilização no contexto brasileiro. Por meio de processos de adaptação cultural, é possível garantir um nível mais alto de entendimento e clareza, aumentando assim a eficácia de sua utilização pelos tomadores de decisão. <![CDATA[ID 322 - Análise de Resultados dos Relatórios de Avaliação Crítica dos Dossiês Submetidos à Agência Nacional de Saúde]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200322&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (Nats-HCPA) vem atuando como parceiro da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a avaliação crítica de solicitações de incorporação de tecnologias da saúde no rol de procedimentos por meio dos relatórios de avaliação crítica (RACs) desde 2022. A análise dos RACs pode ser utilizada para se obter um melhor entendimento acerca do processo de avaliação de tecnologias na saúde suplementar e para avaliar necessidades de melhorias. O objetivo principal é descrever as características das tecnologias submetidas à ANS cujos RACs foram elaborados pelo Nats-HCPA no período de janeiro de 2023 a setembro de 2024. Além disso, descrever, para cada tecnologia avaliada, a confiança nas estimativas dos tamanhos de efeitos das tecnologias avaliadas por meio do sistema GRADE (do inglês, Grading of Recommendations, Assessment, Development and Evaluation), o valor da razão de custo-efetividade incremental (RCEI) ou da razão de custo-utilidade incremental (RCUI) para o caso-base da avaliação econômica, e o valor do impacto orçamentário (IO) incremental acumulado em cinco anos. Método: Em um estudo transversal, foram analisados os dados dos Relatórios de Análise Crítica (RAC) elaborados pelo Nats-HCPA no período de dezembro de 2022 até o momento atual. Foram descritos tipo de tecnologia, tipo de doença, nível de certeza do corpo da evidência para o desfecho principal, direção do efeito, razão de custo-efetividade ou razão de custo-utilidade e a avaliação de impacto orçamentário incremental em cinco anos e parecer final. Os dados são apresentados por meio de estatística descritiva. Resultados: Foram elaborados 12 RACs, referentes a um total de dez tecnologias, sendo a indicação terapêutica em nove casos e diagnóstica em um caso. Até o momento, das 12 submissões, oito resultaram em incorporação, todas elas para tratamento. Entre as tecnologias incorporadas, quatro (50%) tiveram certeza da evidência moderada a alta, com direção de efeito para benefício. As duas tecnologias que não foram incorporadas tiveram certeza na evidência baixa ou muito baixa, uma em direção a dano e outra para benefício. Das tecnologias avaliadas, seis (50%) não tiveram RCEI ou RCUI calculado. Das tecnologias em que o RCEI ou RCUI foi calculado, a média foi de R$ 181.256,25, sendo o maior valor R$ 419.640,00 e o menor valor R$ 646,29. A média do AIO incremental em cinco anos foi R$ 297.571.352,91, sendo o maior valor R$ 1.301.368.772,22 e o menor valor R$ 42.378.399,99. Conclusão: A maioria das submissões resultou em incorporação da tecnologia. Tecnologias terapêuticas na área de oncologia, seguida por doenças crônicas, foram as mais frequentes. Em metade dos casos em que ocorreu incorporação, a certeza na evidência foi moderada a alta para o efeito sobre o desfecho principal, apontando para benefício. Em relação à avaliação econômica, observa-se que as duas tecnologias que não foram incorporadas apresentavam valores de RCEI e IO menores do que outras tecnologias que foram incorporadas. Isso sugere que a avaliação da eficácia e da segurança apresenta maior peso do que a avaliação econômica na decisão de incorporação. <![CDATA[ID 323 - Treze Anos de Conitec: incorporação de tecnologias e monitoramento]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200323&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Desde sua criação em 2011, por meio da Lei n.º 12.401, de 28 de abril de 2011, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) vem desempenhando um importante papel na avaliação para a disponibilização de tecnologias em saúde, assessorando o Ministério da Saúde. Ao passo que as tecnologias em saúde são disponibilizadas, é importante o monitoramento delas, realizado pelo Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT), para dessa forma entender o quanto elas estão sendo benéficas para a população. Este trabalho tem como objetivo avaliar o volume de tecnologias discutidas e incorporadas e quantas destas estão sendo monitoradas pelo MHT após a incorporação. Método: Foi realizado levantamento das tecnologias demandadas e dos dados do MHT no site da Conitec entre 2012 a 2024. São publicados dados de tecnologias já avaliadas ou em avaliação. Para o total de tecnologias, não foi incluído nenhum filtro. Para obtenção dos dados sobre medicamentos, foi aplicado um filtro para medicamento em "tipo de tecnologia". Esses dados foram analisados em planilha eletrônica. A informação sobre os demandantes foi organizada em quatro categorias (associações, governo, indústria e justiça). O status foi classificado em análise, consulta pública, encerrado, excluído, incorporado, não excluído, não incorporado e restrição de uso. Resultados: Foram identificadas 1.064 demandas avaliadas pela Conitec que estão divididas em medicamentos (822), procedimentos (168) e produto (74). Os principais motivo para submissão foram incorporação (687) e exclusão (83). Os cinco temas mais presentes nas submissões foram: infectologia (121), reumatologia (84), oncologia (82), hematologia (66), neurologia (61). Os principais demandantes foram o governo (463) e a indústria (310). Com relação ao desfecho das avaliações das demandas, foram incorporadas 332 tecnologias, 257 não foram incorporadas, 84 tiveram o processo encerrado, 78 tecnologias foram excluídas, 58 em análise, 9 estava em consulta pública, 3 após avaliação não foram excluídas, e 1 tecnologia teve restrição de uso. Quanto ao monitoramento pelo MHT, foram 4 medicamentos e 2 avaliações de desempenho de 4 medicamentos. Conclusão: Em 13 anos de Conitec, foram muitas avaliações possibilitando que 332 tecnologias estivessem disponíveis para a população atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O principal demandante foi o governo, sendo a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Sectics/MS) responsável, somando 227 demandas. No entanto, quando se analisa o total de demandas de medicamentos incorporados (332) versus a quantidade dessas que foram monitoradas pelo MHT (oito medicamentos), há um volume baixo de monitoramento. Analisando um dos relatórios do MHT (adalimumabe para hidradenite supurativa), conclui-se o quanto é importante esse monitoramento, visto que é nesse momento que se comparam os dados pré e pós-incorporação, possibilitando identificar tendência de aumento ou redução da população prevista, se os resultados estão em linha com os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Ainda é possível identificar se o preço praticado pós-incorporação está de acordo com o que foi proposto. Dessa forma, por meio da análise pós-incorporação pelo MHT, é possível identificar tendências e corroborar a tomada de decisão ou a elaboração de estratégias para que as tecnologias disponíveis sejam efetivas, seguras e relevantes para a população. <![CDATA[ID 324 - Aperfeiçoamento Profissional para o Desenvolvimento de Diretrizes Clínico-Assistenciais para o Sistema de Saúde Público Brasileiro: descrição de um programa de ensino a distância]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200324&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As diretrizes clínico-assistenciais são essenciais para a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, pois estabelecem padrões e recomendações baseados em evidências para o diagnóstico e o tratamento de condições de saúde. Tutorias e programas de capacitação possuem potencial para conferir suporte metodológico a profissionais envolvidos nessas atividades, consequentemente melhorando a padronização e o desenvolvimento técnico-científico de diretrizes. O objetivo deste estudo foi descrever um programa de ensino a distância (EAD) para o aprimoramento profissional no desenvolvimento de diretrizes para o SUS. Método: O programa em EAD promoveu cinco cursos entre 2020 e 2023: 1) curso básico síncrono e supervisionado (CBSS), com foco no desenvolvimento de diretrizes clínico-assistenciais (duas edições); 2) curso básico auto-instrucional (Cbai); 3) curso avançado síncrono (CAS) sobre diretrizes clínico-assistenciais; 4) curso síncrono sobre o sistema GRADE (CSG) (duas edições); e 5) curso autoinstrucional sobre o sistema GRADE (CAIG), voltados para profissionais dos Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) envolvido no desenvolvimento de diretrizes junto ao Ministério da Saúde. Resultados: Profissionais de 13 Nats participaram do programa EAD. O CBSS e o Cbai foram oferecidos em 16 turmas (8 e 7 módulos, respectivamente). Quarenta e oito participantes concluíram o CBSS, com uma média de presença de 80% (nota final média: 8,6±2,0). No Cbai, 263 participantes de 20 estados brasileiros concluíram o curso (média final: 8,3±1,0). O CAS ofereceu 9 aulas síncronas semanais (8 módulos) e foi concluído por 37 participantes de 11 Nats (nota final: 9,3±1,2). Duas edições do CSG foram oferecidas em 2021 e 2022, durante 8 semanas, com 14 e 16 aulas assíncronas e síncronas, respectivamente (6 módulos). Quarenta e oito participantes de 11 Nats completaram o curso, com uma média de presença de 86% (nota final: 7,7±2,7). No CAIG, 13 turmas (7 módulos) foram disponibilizadas, com 115 participantes de 15 estados brasileiros(média final de 8,7±1,1). Para ações futuras, os participantes sugeriram, em suas avaliações sobre o programa, a inclusão de tópicos relacionados ao desenvolvimento de diretrizes clínico-assistenciais e avaliações econômicas em saúde visando à evolução contínua. Conclusão: O programa EAD mostra-se uma potencial estratégia para aprimorar a capacidade profissional no desenvolvimento de diretrizes clínico-assistenciais por meio de práticas baseadas em evidências no apoio à tomada de decisão no Brasil. A flexibilidade da modalidade on-line permitiu a participação de profissionais de diferentes regiões, superando barreiras geográficas e promovendo uma troca de conhecimentos mais ampla e diversificada. <![CDATA[ID 326 - Custo-Utilidade dos Cuidados Paliativos Em Oncologia]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200326&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O envelhecimento da população mundial e brasileira tem levado a um aumento significativo na incidência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), incluindo o câncer. Essa mudança demográfica e epidemiológica destaca a necessidade de cuidados paliativos (CP) eficientes para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com doenças avançadas e incuráveis. Objetivos: o estudo avaliou o custo-utilidade dos cuidados paliativos em oncologia, fornecidos por uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS), da rede federal, especializada e de referência em CP, localizada na cidade do Rio de Janeiro. Método: A pesquisa é uma análise econômica aninhada a uma coorte retrospectiva, utilizando um modelo de Markov para comparar os custos e os resultados dos cuidados paliativos e dos cuidados convencionais para pacientes oncológicos. Os dados foram coletados de quatro unidades assistenciais da mesma instituição de saúde, sendo três de cuidados convencionais e uma de cuidados paliativos. A coorte de pacientes foi selecionada a partir da data de óbito ocorrido durante a internação hospitalar entre os dias 1º a 31 de agosto de 2019. Foram incluídos pacientes maiores de 20 anos, com doença oncológica em estágio avançado com metástase, matriculados na instituição há mais de 60 dias e encaminhados à unidade de cuidados paliativos no mínimo 30 dias antes da data óbito. Os custos foram apurados pela técnica de microcusteio de baixo para cima. A medida de utilidade foi os anos de vida ajustados à qualidade (AVAQ). A utilidade de cada um dos estados de saúde foi extrapolada do estudo de Vanbutsele . (2018). O modelo assumiu que, nas unidades assistenciais HC I, HC II e HC III, os pacientes iniciaram suas jornadas pela emergência ou pelo ambulatório. No cenário alternativo, HC IV, o início se deu na emergência, no ambulatório ou na assistência domiciliar. O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética e Pesquisa (CEPs) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro CAAE n.º° 71748523.1.0000.5285, aprovado em 13 de setembro de 2023, e do Instituto Nacional de Câncer CAAE n.º° 71748523.1.3001.5274, aprovado em 24 de outubro de 2023. Resultados: O custo médio mensal do tratamento de um paciente com câncer em estágio avançado no HC IV foi de R$ 25,72 contra R$ 128,18 do HC I, representando, portanto, um custo 4,98 vezes maior do que o custo no HC IV. Embora a efetividade média mensal possa ter sido 2,33 vezes maior no HC I (0,14 versus 0,06 AVAQ), a relação custo-efetividade nesse hospital foi, na mesma proporção, 2.18 vezes maior do que no HC IV (R$ 899,11 versus R$ 412,06). A razão de custo-efetividade incremental no HC I em relação ao HC IV foi de R$ 1.278,57. Conclusão: Os cuidados paliativos são essenciais para a gestão eficiente dos recursos em saúde, proporcionando melhor qualidade de vida aos pacientes com câncer avançado. A implementação de políticas que incentivem a adoção de cuidados paliativos desde o diagnóstico é recomendada para otimizar os resultados clínicos e econômicos. Nesse sentido, prestar cuidados paliativos em unidades especializadas pode ser a alternativa mais custo-efetiva para o SUS. <![CDATA[ID 329 - Realização do Exame de Eletrocardiograma por Equipes de Saúde da Família no Brasil: um estudo descritivo em 10 anos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200329&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O eletrocardiograma (ECG) é um exame diagnóstico fundamental para a detecção precoce de doenças cardiovasculares, uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo. Na Atenção Primária à Saúde (APS), as equipes de Saúde da Família (eSF) desempenham um papel essencial na prevenção, no diagnóstico e no acompanhamento de diversas condições de saúde, incluindo as cardiovasculares. Com a descentralização dos serviços de saúde e a ampliação do acesso, houve um esforço para que a oferta de exames como o ECG fosse integrada às práticas dessas equipes. No entanto, ainda há lacunas no entendimento sobre a distribuição, a periodicidade e o impacto da realização desses exames no território nacional. Este estudo objetivou descrever a realização de ECG por eSF no Brasil ao longo de um período de dez anos, buscando fornecer uma visão panorâmica das desigualdades regionais e das tendências temporais na oferta dessa tecnologia. Método: Trata-se de um estudo quantitativo descritivo sobre a realização de ECG por eSF entre os anos de 2014 e 2023 no Brasil. Os dados são de fonte secundária, extraídos da plataforma pública do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab). No Sisab, consultou-se o total de ECG conforme o código 0211020036 registrado no Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPM) do Sistema Único de Saúde (SUS). Resultados: Entre os anos de 2014 e 2023, foram realizados 1.557.486 ECG por eSF no País. O ano de 2019 registrou o maior número de atividades (15,20%, n=236.804) em comparação aos outros anos. Quando se estratifica a realização desse procedimento por Grande Região, observou-se uma predominância no Sudeste (53,56%, n=876.594), seguido pelo Sul (20,43%, n=334.114). Em contrapartida, as Grandes Regiões Nordeste (12,36%, n=202.312), Centro-Oeste (5,23%, n=85.576) e Norte (3,52%, n=57.599) apresentaram os menores registros. Sob uma perspectiva histórica, no período de 2019 a 2023, todas as Grandes Regiões apresentaram declínio de realização de ECG, com uma variação percentual de -57,34% no Centro-Oeste; -45,00% no Nordeste, -40,66% no Sudeste; -24,50% no Sul; e -1,97% no Norte. Conclusão: O estudo evidencia uma acentuada desigualdade regional na realização de ECG pelas eSF no Brasil, com destaque para o Sudeste, que concentrou mais da metade dos exames, possivelmente em razão de melhores recursos estruturais e financeiros. As Regiões Norte e Centro-Oeste, por outro lado, mostraram os menores índices, apontando para a necessidade de maior investimento e acesso a esses exames em áreas com desafios logísticos e geográficos. A partir de 2019, todas as regiões registraram uma queda na realização de ECG, com destaque negativo para o Centro-Oeste e o Nordeste, provavelmente influenciada por fatores como mudanças nas políticas de saúde, menor investimento na APS e os efeitos da pandemia de covid-19. Apesar da expansão inicial do serviço, as disparidades regionais permanecem, exigindo ações coordenadas para garantir uma distribuição mais equitativa e o fortalecimento das eSF, sobretudo nas áreas mais vulneráveis, na adesão da tecnologia e na oferta de exames. <![CDATA[ID 331 - Disponibilizaçao de Medicamentos Incorporados: a importância do processo de aquisição para pessoas com restrição ao glúten]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200331&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A etapa de disponibilização de tecnologias incorporadas pode ser responsável por riscos à população, caso a aquisição não considere os diferentes excipientes contidos em medicamentos de um mesmo princípio ativo. Entre os riscos, destacam-se aqueles relacionados à presença de glúten, uma proteína que é prejudicial a indivíduos com a doença celíaca (DC), que é uma doença comum na população brasileira. Nesse caso, o único tratamento é a dieta sem glúten, mas mantê-la pode ser difícil devido ao risco de contaminação cruzada ou ingestão acidental por meio de medicamentos, por exemplo. No Brasil, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n.º 768, de 12 de dezembro de 2022, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), exige que as embalagens informem sobre a presença de glúten, açúcar e outros aditivos, a fim de reduzir riscos de contaminação da população que tem restrições a tais componentes. Pelo exposto, o objetivo deste trabalho é identificar a presença de glúten e a comunicação de riscos nos medicamentos para tratamento de hipertensão arterial e de diabetes distribuídos pelo Programa Farmácia Popular (PFP). Método: Trata-se de estudo transversal, quantitativo, de análise documental. Analisaram-se as bulas de medicamentos registrados no Brasil e que são distribuídos pelo PFP para tratamento de diabetes e hipertensão (lista de fevereiro de 2024). A partir de bula disponível no site da Anvisa, verificaram-se os diferentes excipientes que podem conter glúten. Caso estivesse presente na composição, a bula foi analisada quanto à conformidade com as exigências legais quanto a alertas sobre a presença de glúten no medicamento. Os critérios de inclusão foram medicamentos com registros válidos e com bulas atualizadas e acessíveis no site da Anvisa. Foram excluídos os medicamentos cujas bulas não estavam disponíveis no site da Anvisa. Resultados: Foram analisados 83 medicamentos para tratamento do diabetes e 212 da hipertensão. No grupo diabetes, 21 medicamentos (25,30%) podem conter glúten e 20 (95,24%) desses medicamentos não incluía na bula a advertência obrigatória. No grupo hipertensão, 142 medicamentos (66,98%) podem conter glúten, mas 99,30% (n=141) deles não possuíam a advertência correta sobre a presença da proteína. Conclusão: Verifica-se que a população usuária do PFP com diabetes e hipertensão e que tem restrição ao glúten está exposta a riscos por presença da proteína na composição das tecnologias que podem ser adquiridas e distribuídas pelo Programa. Ainda mais preocupante é o fato de que mais de 90% desses produtos não continham a advertência necessária em bula. Considerando que dados da literatura apontam que os fabricantes não dispõem de métodos adequados para garantir a ausência de glúten, bem como não estão preparados para prestar essa informação à população, torna-se evidente a necessidade de melhorar a fiscalização do cumprimento da legislação. Adicionalmente, devem-se educar continuamente os profissionais de saúde acerca desses riscos, já que os estudos apontam para o baixo conhecimento a respeito do assunto. Tais medidas são importantes, mas é essencial que, no processo de disponibilização de tecnologias incorporadas no Sistema Único de Saúde (SUS), possa ser incluída etapa de gestão de riscos para quem tem DC e outras condições de restrição ao glúten, já que pode haver esse risco para tantas outras classes de medicamentos, de forma a proporcionar acesso a um tratamento seguro. <![CDATA[ID 333 - Mapeamento da Periodicidade da Atualização das Diretrizes Clínico-Assistenciais do SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200333&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As diretrizes clínico-assistenciais (DCA) apresentam recomendações para o cuidado em saúde, desempenhando também um papel importante na gestão e na regulação dos sistemas de saúde. Endossadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), as DCA do Ministério da Saúde (MS) são publicadas como: Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDT), Protocolos de Uso (PU) ou Diretrizes Nacionais (DN), devendo ser atualizadas a cada dois anos (antes de dezembro de 2022) ou quando da incorporação, alteração ou exclusão de tecnologias no SUS e da existência de novas evidências científicas (a partir da publicação do Decreto n.º 11.161, de 4 de agosto de 2022). Este estudo teve como objetivo mapear a periodicidade de atualização e compreender elementos sobre o processo de priorização de temas para elaboração e atualização das DCA pelo MS. Método: Trata-se de um estudo descritivo, baseado nas DCA vigentes disponíveis no portal da Conitec em 30 de agosto de 2024. Os dados foram coletados utilizando formulário específico (número da portaria vigente e a data de publicação, como também das portarias revogadas, quando pertinente) e analisados por meio de estatística descritiva. Os documentos foram classificados em primeira publicação ou atualização, por tipo de DCA do MS e área de especialidade (doenças raras, oncologia e outras). Foram analisados os intervalos, em anos, da primeira publicação e as respectivas atualizações. Resultados: Foram analisadas 174 DCA, que datavam entre 2007 e 2024, sendo mais frequentes as publicações em 2022 (14,9%), 2018 (13,8%) e 2021 (13,8%). Do total, 71 (40,8%) eram a primeira publicação e 103 (59,2%) eram atualizações, sendo os PCDT o tipo de DCA com maior percentual (74,1%) de atualizações no período. Entre as atualizações, 31,1% eram para doenças raras, 16,5% para oncologia e 52,4% para outras condições. O tempo mediano entre a primeira publicação e a primeira atualização foi de seis anos, com intervalo interquartil de 2,9 a 7,9 anos, em que 25% das DCA foram atualizadas em até 2,9 anos, 50% entre 2,9 e 7,9 anos, e 25% após 7,9 anos. O tempo mediano das DCA para doenças raras (n=32) foi de 6,7 anos, e para oncologia (n=17) de 7,3 anos, com intervalo interquartil de 5,3 a 8,1 anos e de 4,7 a 9 anos, respectivamente. Conclusão: A mudança na legislação, a partir de dezembro de 2022, foi oportuna, adequando o processo de atualização das DCA à realidade observada, visto que a maioria dos documentos não eram atualizados a cada dois anos. Entre as razões, a ausência de necessidade (sem incorporação de um novo tratamento ou novas evidências sobre a condição de saúde) e fragilidades ou barreiras na gestão do processo de atualização, como a escassez de Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) qualificados para construção de DCA. Atualmente, o MS utiliza parâmetros além do tempo de publicação da DCA para priorização da atualização, como o Monitoramento do Horizonte Tecnológico, já adotado por outros países, como o Reino Unido, o Canadá e a Austrália. O desenvolvimento de uma DCA é um processo rigoroso e complexo, que demanda esforços e recursos consideráveis. Os resultados apontam para a necessidade de um planejamento baseado em critérios de priorização, para que o processo ocorra de forma transparente, eficiente, equânime e sustentável. <![CDATA[ID 334 - Teleconsultoria como Tecnologia para Equidade na Acessibilidade ao Cuidado em Saúde com Qualidade]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200334&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A telemedicina é definida como "o exercício da Medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em Saúde", englobando a TELECONSULTORIA, que é a interação entre profissionais da saúde para fins de assistência ou educacional de forma síncrona ou assíncrona (MS, 2020). Em 2002, o Conselho Federal de Medicina regulamentou a prática de telemedicina no Brasil, sendo introduzida no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2007. Este estudo pretende convocar os Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) dos hospitais universitários a reflexão que, para além de avaliações considerando o alto custo e o risco, é importante que nesse tipo de instituição a avaliação e o monitoramento do horizonte tecnológico contribuam para que o ensino, a extensão e a pesquisa cumpram seu papel social. O principal objetivo foi realizar uma revisão de escopo sobre teleconsultoria como tecnologia para equidade na acessibilidade ao cuidado em saúde com qualidade. Método: Revisão de escopo é definida como um tipo de síntese de evidências para identificar e mapear, de forma sistemática e ampla, as evidências disponíveis sobre um determinado tema. Definiu-se como população os profissionais de saúde, como conteúdo a teleconsultoria como tecnologia para melhoria do cuidado em saúde e, em relação ao contexto, não houve critério de exclusão. Os estudos foram descritos, sintetizados os principais aspectos, feitas a discussão e as recomendações, seguindo as diretrizes do Joanna Briggs Institute. Resultados: Foram identificadas 1.645 referências, das quais 32 foram selecionadas para análise e distribuídas em 4 grupos: teleconsultoria para médicos; teleconsultoria para médicos e outros profissionais não médicos; teleconsultoria para outros profissionais de saúde; e teleconsultoria para exames e outras solicitações de profissionais. A teleconsultoria tem sido adotado em países de baixa, média e alta renda, tendo os estudos analisados sido desenvolvidos no Nepal, no Brasil, na Alemanha, no Canadá, na Escócia, nos Estados Unidos, na França, na Itália, na Noruega e nos Países Baixos. Os objetivos mais prevalentes foram avaliar a aceitabilidade, os custos, a eficácia, a efetividade, a eficiência, a segurança e a viabilidade da teleconsultoria, os benefícios, os impactos e o sucesso da implementação, a satisfação de médicos e pacientes, entre outros. Os desenhos de estudo mais frequentes foram estudos experimentais, observacionais e relato de experiências. Conclusão: As evidências encontradas demonstraram o alcance de desfechos favoráveis em relação à oferta de cuidado com qualidade; ao uso e ao potencial da tecnologia; à contribuição para a educação médica e de outros profissionais; à melhoria da comunicação com especialistas e na equipe; à redução de tempo de espera e de custos; e à satisfação dos profissionais e pacientes. A revisão de escopo permitiu um mapeamento de estudos avaliativos sobre teleconsultoria, revelando as principais diretrizes para implantação e implementação da tecnologia para alcance de sucesso em diferentes contextos. A adoção do uso de teleconsultoria em projetos com vistas à curricularização da extensão em faculdades da área da saúde e hospitais universitários tem a capacidade de integrar docentes, estudantes e técnicos aos diferentes níveis de atenção e o potencial de produzir impacto social ao reduzir a morbimortalidade ao permitir a maior equidade na acessibilidade a atendimento de qualidade com apoio de especialistas em tempo oportuno. <![CDATA[ID 335 - Priorização de Diretrizes Clínico-Assistenciais para o SUS: relato de experiência sobre a elaboração de uma revisão de escopo]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200335&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) é fundamental para orientar políticas de saúde com base em evidências. Um dos principais desafios enfrentados pelos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) na implementação da Política Nacional de Gestão de Tecnologias em Saúde (PNGTS) é consolidar critérios e processos claros para priorizar a incorporação de tecnologias e a atualização das diretrizes de cuidado. Esse desafio é resultado de uma atualização legislativa, que prevê que os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) sejam atualizados periodicamente, à luz de novos estudos e evidências científicas. Nesse contexto, a construção de uma diretriz metodológica de sistematização do processo de priorização é oportuna. Inicialmente, foi realizada uma revisão de escopo (RE) para mapear modelos e critérios nacionais e internacionais de priorização de temas para diretrizes clínico-assistenciais (DCA) em sistemas e serviços de saúde. Este relato de experiência tem o objetivo de descrever o processo de elaboração da RE e compartilhar as lições aprendidas. Método: A RE foi realizada entre janeiro e agosto de 2024, com a participação de 12 pesquisadores do grupo de pesquisa Chronide do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde da Universidade Federal de São Paulo, campus Diadema (Unifesp-Diadema). Após um período de capacitação para o alinhamento da metodologia, a RE foi desenvolvida segundo metodologia proposta no do Joanna Briggs Institute e em conformidade com a checklist da extensão do para RE. O protocolo foi registrado no . Resultados: A questão da revisão foi delineada em: população, conceito e contexto. Foram incluídos estudos primários e secundários, sem restrição de idioma e publicados a partir de 2000. Estabeleceu-se a estratégia de busca pelos descritores de cada base de dados, como MEDLINE, Embase e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), além de buscas complementares. Após retirada das duplicatas, 17.666 publicações foram avaliadas por título e resumo por pares de pesquisadores independentes, no software Rayyan®. Na etapa de leitura de texto completo, 32 referências foram identificadas elegíveis para a extração e a análise dos dados. Dessas publicações, 87,5% são artigos, publicados de 2017 a 2024 (62,5%), predominantemente europeus (40,6%). Das publicações, 56,3% relataram não utilizar métodos de consenso e 59,4% não tratam de intervenções específicas. Conclusão: A amplitude da questão da revisão gerou uma grande quantidade de estudos para análise, resultado de uma estratégia de busca bem delineada para diferentes bases de dados. Esse desafio, somado à repetição do exercício de seleção, durante a capacitação da equipe com diferentes níveis de formação, fortaleceu a comunicação e a colaboração entre os pesquisadores, resultando em uma visão mais coesa e compartilhada do escopo, que refletirá na qualidade da diretriz metodológica. A utilização do Rayyan® facilitou a organização e a análise dos dados, tornando o processo mais eficiente. A extração dos dados demandou maior esforço devido às diferenças nos delineamentos dos estudos e à variabilidade dos dados, exigindo gestão de tempo, flexibilidade e adaptabilidade da equipe. Conclui-se que esta iniciativa, ao agregar ensino-pesquisa-extensão, fortalece a PNGTS, impulsionando a formação de recursos humanos para a Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats), e também amplia o impacto social da formação universitária, pois seu produto contribuirá para suprir necessidades do SUS. <![CDATA[ID 336 - Dispositivos para Mensuração de Glicose em Pacientes Diabéticos: uma revisão sistemática de avaliações econômicas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200336&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como o diabetes mellitus (DM), apresentam desafios crescentes à saúde pública e aos sistemas de saúde em termos de prevalência e de impacto econômico. No Brasil, mais de 16 milhões de adultos convivem com DM, demandando a implantação de estratégias para controle e cuidado eficazes. O controle da glicemia é essencial para reduzir complicações do DM, sendo o automonitoramento glicêmico (AMG) o mais utilizado, porém existem tecnologias mais modernas, como o monitoramento contínuo de glicose (MCG) e o monitoramento de glicose (MFG), que prometem otimizar o controle glicêmico, mas apresentam desafios de custo e implementação, particularmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, o objetivo desta revisão sistemática foi avaliar as evidências de Avaliações Econômicas em Saúde (AES) sobre dispositivos de MCG e MFG, explorando seus impactos e custos quando comparados ao AMG, considerando estudos primários de custo-efetividade, custo-utilidade e impacto orçamentário (AIO), sob perspectiva do SUS. Método: Foi realizada uma busca sistemática, em março de 2022, nas bases de dados MEDLINE (via PubMed), Embase (via Elsevier), Registry do Center for Evaluation of Value and Risk in Health (CEAR), Econlit, NHS Economic Evaluation Database, HTA Database (CRD), Epistemonikos e LILACS, além de repositórios brasileiros de teses e dissertações e manual em referências de publicações como forma complementar, para identificar AES completas que compararam dispositivos de monitoramento de glicose, sem restrição quanto à data de publicação. Dois revisores conduziram a seleção dos estudos de forma independente, resolvendo discrepâncias com um terceiro revisor. Resultados: Foram incluídos 23 estudos, sendo 18 AES e 5 AIO. A maioria das AES (77,78%) indicou que MCG e/ou MFG são custo-efetivos quando comparados ao AMG. Os estudos foram conduzidos principalmente em países desenvolvidos (83,33%) cujos limiares de disposição a pagar (WTP) variavam entre CAD 50.000 (Canadá) e £ 20.000 a £ 30.000 (Reino Unido) por QALY () e eram maiores que o estabelecido pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) de R$ 40.000 por QALY. Foram identificados conflitos de interesse e a presença de financiamento por fabricantes de dispositivos em 55,56% dos estudos, o que pode exercer influências sobre os resultados. Conclusão: Os dispositivos MCG e MFG demonstram oferecer melhorias clínicas e sociais importantes aos pacientes com DM, quando comparados ao AMG. Embora esses dispositivos sejam considerados custo-efetivos em países desenvolvidos com alto WTP, o limiar estabelecido pela Conitec sugere sua inviabilidade econômica no contexto do SUS. Apenas 44,44% dos estudos sugeriram que o MCG e o MFG eram custo-efetivos dentro do limiar brasileiro. Assim, a incorporação dessas tecnologias no SUS exige análise cuidadosa, desenvolvimento de estratégias que equilibrem os benefícios clínicos com as limitações orçamentárias do Brasil, além de uma compatibilização com os modelos de financiamento disponíveis. <![CDATA[ID 337 - Impacto Econômico das Doenças Cardiovasculares no Brasil: projeções de custos diretos e indiretos para os próximos 5 anos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200337&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de óbito no Brasil, superando neoplasias e doenças respiratórias entre 2015 e 2019. A doença aterosclerótica (DA), responsável por 67% dessas mortes, inclui condições como infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular encefálico isquêmico (AVCI), com recorrência hospitalar superior a 20% no primeiro ano pós-evento, impactando a economia e a sociedade. Em relação aos custos diretos e indiretos das DCV no período de 2010-2015, Siqueira . (2017) estimaram um total de R$ 37 bilhões. Diante do envelhecimento populacional que amplia casos e gastos em saúde, este estudo visa estimar os custos diretos e indiretos relacionados à DA no Brasil nos próximos cinco anos. Método: Este estudo estimou o uso de recursos em saúde e custos, utilizando dados do Ministério da Saúde (MS) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para o período de 2019 a 2024. As doenças cardiovasculares associadas à DA incluíram: doenças isquêmicas do coração (DIC), acidente vascular isquêmico (AVI) e doença arterial periférica (DAP). Os custos diretos foram calculados multiplicando-se o número de eventos por seus respectivos valores nas tabelas da Terminologia Unificada em Saúde Suplementar (Tuss) e do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS (Sigtap). Os custos indiretos consideraram óbitos e períodos médios de afastamento do trabalho, com base em estimativas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios para a população economicamente ativa (14 a 64 anos). Cada óbito foi multiplicado pelo tempo de atividade perdido e rendimento médio anual. As internações foram multiplicadas pelo tempo médio de recuperação e rendimento médio mensal. As projeções utilizaram o método de (ETS), comumente utilizado em séries temporais não estacionárias. Resultados: Entre os anos de 2024 e 2029, estima-se, em média, mais de 553 mil internações anuais no SUS, totalizando um custo de R$ 2,4 bilhões por ano, com um custo médio de R$ 4,3 mil por internação. Na saúde suplementar, projetam-se mais de 129 mil internações anuais, totalizando R$ 2,8 bilhões por ano e um custo médio de R$ 22,3 mil por internação. Eventos cardiovasculares associados à DA devem causar cerca de 35,9 mil óbitos em 2025, aumentando para 36,4 mil em 2029, gerando uma carga média de R$ 4,3 bilhões em custos indiretos por óbitos. Os custos indiretos por absenteísmo somarão, em média, R$ 181 milhões por ano. Assim, as doenças cardiovasculares associadas à DA deverão custar mais de R$ 49 bilhões ao sistema de saúde em cinco anos. Conclusão: Além de afetarem a qualidade de vida, as DCV impõem um pesado fardo econômico no sistema de saúde. Por exemplo, no SUS, as intervenções coronárias percutâneas dobraram entre 2008 e 2022. Na saúde suplementar, a internação por acidente vascular encefálico pode custar até R$ 65 mil, enquanto a angioplastia com pode superar R$ 37 mil (Teich ., 2015). Uma limitação deste estudo é a potencial subestimação dos custos e da utilização de recursos devido à subnotificação de casos nas bases de dados. Nossos resultados indicam um aumento futuro nos procedimentos e nos gastos com DA, projetados a superar R$ 49 bilhões nos próximos cinco anos. Diante do envelhecimento da população brasileira e do aumento da expectativa de vida, são necessárias intervenções preventivas eficazes, políticas de saúde direcionadas e um melhor controle dos fatores de risco para mitigar os impactos econômicos. <![CDATA[ID 338 - Monitoramento do Horizonte Tecnológico de Potenciais Vacinas para a Profilaxia da Esquistossomose e Leishmaniose]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200338&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A esquistossomose e a leishmaniose são doenças tropicais negligenciadas que se manifestam especialmente nas regiões mais pobres do mundo, devido às condições precárias de saúde pública. Ambas são causadas por parasitas, e o grau de patogenicidade está diretamente ligado à resposta imune do hospedeiro. A esquistossomose é uma infecção causada por trematódeos, adquirida quando as formas larvais liberadas por caramujos de água doce penetram na pele humana durante o contato com água infestada. Essa doença está tipicamente associada a patologias hepáticas e urogenitais. Já a leishmaniose é uma doença protozoária transmitida pela picada de flebotomíneos fêmeas infectadas, que pode atacar os órgãos internos e, em sua forma mais prevalente, causar úlceras na pele, cicatrizes desfigurantes e incapacidade. Assim, tendo em vista a Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que visa expandir a produção nacional de itens prioritários – entre eles, as vacinas –, este trabalho tem como objetivo buscar, no horizonte tecnológico, tecnologias novas e emergentes contra a leishmaniose e a esquistossomose. Método: Para o monitoramento tecnológico, foram realizadas buscas nas bases de dados ClinicalTrials.gov e CortellisTM no dia 24 de abril de 2024, utilizando-se os seguintes termos na estratégia de busca: "schistosomiasis and vaccine" e "Leishmaniasis and vaccine". Foram incluídos estudos em fases 1, 2, 3 e 4 – em andamento ou completo até cinco anos. Para a situação regulatória das tecnologias selecionadas, foram consultados os sítios eletrônicos: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), (EMA) e (FDA) com indicação clínica de até cinco anos, em 24 de abril de 2024. Resultados: O Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT) identificou três vacinas potenciais para a imunização da esquitossomose, sendo elas: Sm-p80 + GLA-SE, Sm-TSP-2 e Sm14. O estágio de estudo clínico mais avançado está em fase 2 e não possui registro sanitário na Anvisa, EMA ou FDA. Para a patologia leishmaniose humana, foi encontrada uma vacina, a saber: ChAd63-KH, que possui três ensaios clínicos concluídos e não possui registro nas agências sanitárias consultadas. Conclusão: Para a profilaxia da leishmaniose, já existem vacinas veterinárias licenciadas, porém, para seres humanos, há estudos em fase intermediária de avaliação clínica. A vacina ChAd63-KH é composta por um adenovírus de chimpanzé (ChAd63) que expressa um gene sintético, o qual codifica dois antígenos de : o KMP-11 (K) e o HASPB (H). Atualmente, encontram-se em estudos clínicos de fase 2 e não incluem centros de pesquisa no Brasil. Para as vacinas contra a esquistossomose, destacam-se: (i) Sm14 de proteína recombinante, de uso intramuscular, que está em fase 2 de pesquisa clínica; (ii) Sm-TSP-2, uma vacina que está em estudo de fase 1b, possui centro de estudo em Minas Gerais (BR) e o ensaio clínico, NCT03110757, encontra-se em andamento para esquistossomose intestinal em adultos saudáveis; (iii) Sm-p80 + GLA-SE, uma vacina de DNA, administrada por via intramuscular, e o estudo em andamento, NCT05999825, está em fase 2, sendo pesquisado em participantes saudáveis que nunca tiveram contato com a doença. Por fim, ainda não há vacina disponível para as doenças esquistossomose e leishmaniose no Brasil, porém há estudos em andamento. <![CDATA[ID 340 - Sustentabilidade e Custo para Aquisição de Inseticidas Utilizados no Programa de Vigilância, Prevenção e Controle do <em>Aedes aegypti</em> no Brasil (2002 A 2023)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200340&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Em 2024, nas Américas, foram registrados 11.710.162 casos de dengue, com 6.651 mortes, sendo 9.569.467 casos prováveis e 5.303 mortes no Brasil. O controle da infestação por gera custos significativos, especialmente durante surtos. Este estudo analisou os inseticidas utilizados no controle do no Brasil, correlacionando a incidência de dengue e os custos do Ministério da Saúde (MS) entre 2002 e 2023. Método: Trata-se de uma análise de custos baseada na aquisição de inseticidas pelo programa nacional de vigilância, prevenção e controle do do MS, bem como adquiridos por outros programas com efeito sobre esse vetor. Os dados foram obtidos do Sistema de Informações de Insumos Estratégicos (Sies) do MS, por meio da Lei de Acesso à Informação. As taxas de incidência foram calculadas para o Brasil a partir dos dados disponibilizados no Tabnet pelo Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS). Foram considerados os casos prováveis autóctones, sendo excluídos os casos ignorados/branco, descartados e inconclusivos. A análise exploratória dos dados, incluindo a correlação de Spearman, foi realizada na plataforma Google Colaboratory, utilizando as bibliotecas Pandas e Seaborn do Python 3.10. Resultados: Os custos com a aquisição de inseticidas para as ações de controle do no Sistema Único de Saúde (SUS) têm aumentado ao longo dos anos, variando de R$ 8,9 milhões em 2003 para R$ 138,4 milhões em 2023. Em 2002, a aquisição de inseticidas para o representava 99% dos custos totais do MS. Observou-se, em 2023, que o custo de aquisição de inseticidas para o controle do em relação ao custo total destinado às compras de inseticidas do MS (incluindo os demais vetores) reduziu para 82%. Os maiores custos na série aconteceram em 2021 (R$ 328,1 milhões), quando o MS substituiu o larvicida piriproxifeno pelo biolarvicida espinosade DT 7,48%, e em 2022 (R$ 239,7 milhões), quando passou a distribuir a (Bti) para alguns municípios do País. As substituições por produtos biológicos e formulações compostas, de custo muito mais elevado, ocorreram a partir de 2020, após detecção de resistência de populações do mosquito aos inseticidas em uso até então. Conclusão: A hipótese inicial do estudo sugeria uma relação linear significativa entre a taxa de incidência e o custo anual de aquisição de inseticidas para o controle do ou outros inseticidas com efeito nesse vetor. Os resultados da correlação de Spearman indicam que, embora haja tendência de aumento em ambas as variáveis ao longo do tempo, a correlação foi fraca (r=0,22) e sem significância estatística (valor p=0,31). Esses achados sinalizam para possíveis explicações que incluem a presença de fatores intervenientes, tais como condições climáticas favoráveis ao vetor, resistência a inseticidas e manejo de produtos para controle químico. A interseção entre mudanças climáticas e a disseminação de doenças como a dengue exige uma abordagem integrada e atualizada. A revisão das diretrizes nacionais que regulamentam o uso de inseticidas no SUS, o fortalecimento da vacinação e investimentos em mobilização social, saneamento e pesquisa de avaliação econômica completa com foco nas novas tecnologias de vigilância, prevenção e controle do são cruciais para enfrentar esse desafio de forma sustentável. <![CDATA[ID 341 - Importância do Go.Data no Rastreamento de Contatos de um Caso Importado de Sarampo em Minas Gerais no Ano de 2024]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200341&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Brasil perdeu a certificação de país livre do sarampo em 2019, mas tem levantado esforços para recuperar o status de eliminação da doença e manter a sustentabilidade da eliminação da rubéola. Dada a alta transmissibilidade do vírus do sarampo, a resposta rápida diante de casos suspeitos é crucial para prevenir surtos. A tecnologia da ferramenta Go.Data tem se mostrado essencial no rastreamento de contatos e no monitoramento de possíveis cadeias de transmissão, contribuindo significativamente para os esforços de contenção da doença. Objetivou-se descrever a experiência do uso do Go.Data no rastreamento e no monitoramento de contatos de um caso importado de sarampo ocorrido em Minas Gerais, em 2024. Método: Analisaram-se os dados epidemiológicos da investigação realizada pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais, que utilizou o Go.Data para monitorar os contatos de um caso confirmado de sarampo na Semana Epidemiológica 33/2024. Foram quantificados os contatos rastreados pela ferramenta e os municípios onde os contatos foram localizados. Resultados: O monitoramento ocorreu entre 31 de julho de 2024 e 26 de agosto de 2024. Durante esse período, o Go.Data registrou 300 pessoas que estiveram em contato com o caso confirmado durante o período de transmissibilidade da doença, distribuídos em nove municípios. A ferramenta permitiu o acompanhamento de todos os contatos, visualizando as possíveis cadeias de transmissão, que felizmente não ocorreram. Conclusão: O uso do Go.Data otimizou o processo de monitoramento de contatos, tarefa que, feita manualmente, seria mais demorada. Além de agilizar a coleta e a análise de dados, a ferramenta facilita a visualização de cadeias de transmissão, oferecendo uma interface intuitiva para a tomada de decisões pelos gestores de saúde. Conclui-se que o Go.Data é uma ferramenta importante para auxiliar no processo de eliminação do sarampo no Brasil, proporcionando resposta rápida e organizada diante de surtos. <![CDATA[ID 342 - Perspectivas para o Tratamento Medicamentoso da Mpox]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200342&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A mpox é uma zoonose viral emergente, mas que atualmente é principalmente transmitida por contato humano-humano. A transmissão da infecção de humano-humano ocorre por contato com fluidos corporais e lesões na pele mucosas (boca, genitálias, secreções respiratórias e objetos contaminados). Os sintomas podem surgir entre 5 e 21 dias após o contato: febre, dor de cabeça, fadiga, dores musculares e nas costas; seguidos por erupção cutânea, linfadenopatia e formação de crostas. Pessoas com imunossupressão podem desenvolver complicações e morte por mpox. O diagnóstico laboratorial é possível por PCR (reação em cadeia da polimerase) de fluidos contidos nas lesões, esfregaços orofaríngeos, anais ou retais. Embora a varíola tenha sido erradicada em 1980, foi identificada a disseminação do MPXV (vírus causador da mpox) em humanos em maio de 2022 e novamente em 2024, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a declarar a mpox como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (Espii), e então foram prorrogadas, até agosto de 2025, as recomendações sanitárias da OMS sobre a doença. Diante da emergência mundial, realizar a prospecção de tecnologias novas ou emergentes para o tratamento da doença e divulgar tais informações é considerada uma ação de relevância internacional. Assim, o objetivo deste trabalho é buscar tecnologias no horizonte para o tratamento da infecção por MPXV em todo o mundo, identificá-las e divulgar os resultados do seu desenvolvimento. Método: Foram realizadas buscas no ClinicalTrials.gov, em 5 de setembro de 2024, utilizando os termos: Recruiting, Not yet recruiting, Active, not recruiting, Completed, Enrolling by invitation Studies | Interventional Studies | Mpox OR, HereditaryMpox OR MPXV OR monkeypox | Phase 2, 3, 4, em desenvolvimento desde 2019. Resultados: Foram identificados cinco ensaios clínicos registrados no ClinicalTrials, que incluíram crianças recém-nascidas e pessoas imunossuprimidas: NCT05559099 (PALM007); NCT05597735 (UNITY); NCT05534165 (PLATINUM-CAN); NCT05534984 (STOMP); NCT06156566 (EPOXI). Foi identificada uma tecnologia em desenvolvimento: tecovirimat. Conclusão: Entre os cinco ensaios identificados, todos estão em andamento, são de fase 3 e 4, e apresentam previsão de conclusão a partir de setembro de 2024. Nota de imprensa recente do (NIH), financiador do ensaio PALM007, divulgou que o tecovirimat foi seguro, mas não melhorou as lesões decorrentes de mpox. Tecovirimat foi a única tecnologia avaliada na supramencionada busca do ClinicalTrials. Trata-se de um antiviral inibidor da VP37. O medicamento está disponível para uso desde 2022, porém sua efetividade havia sido avaliada apenas em estudos pré-clínicos, devido à raridade ou a aspectos éticos acerca da doença. No Brasil, a dispensa de registro foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2022 e renovada em 2023 para aquisição exclusiva pelo Ministério da Saúde. Na Europa, a comercialização foi aprovada por autorização excepcional, condicionada a gerenciamento de risco anual. Enquanto nos Estados Unidos o acesso tem se dado por meio de acesso expandido do (CDC)ou ensaio clínico STOMP. Desse modo, ao passo que a sociedade científica produz, reúne e divulga dados sobre a efetividade e a segurança do tecovirimat em pessoas com mpox, o produto tem sido o único antiviral utilizado na expectativa de controle da doença no mundo. <![CDATA[ID 343 - Incorporação do Projeto Terapêutico Singular por Equipes de Consultório na Rua: um estudo descritivo sob uma perspectiva de 10 anos]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200343&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O Projeto Terapêutico Singular (PTS) configura-se como uma das tecnologias estratégicas de cuidado integral para a população em situação de rua (PSR), sendo elaborado, principalmente, pelas equipes de Consultório na Rua (eCR) no nível da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil. As eCR utilizam o PTS na promoção de intervenções interdisciplinares com foco na autonomia e na reinserção social, fortalecendo vínculos familiares, comunitários e assegurando o acesso a direitos civis. Para a elaboração de PTS, as eCR realizam reuniões contando com articulação intersetorial e multidisciplinar. No entanto, as eCR enfrentam desafios na oferta dessa tecnologia, diante de disparidades geográficas e de estrutura assistencial. Portanto, este estudo objetivou descrever a realização de reuniões de eCR para a elaboração de PTS no Brasil, entre 2014 e 2023, identificando padrões temporais e regionais. Método: Trata-se de um estudo quantitativo descritivo sobre a realização de reuniões para elaboração de PTS por eCR entre os anos de 2014 e 2023. Os dados são de fonte secundária, extraídos da plataforma pública de Atividades Coletivas do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab). Resultados: No período de 2014 a 2023, foram realizadas 29.218 reuniões para a elaboração de PTS por eCR no Brasil. O ano de 2023 registrou o maior número de atividades (18,37%, n=5.368) em comparação aos anos anteriores. Ao estratificar essas atividades por Grande Região, observou-se uma predominância no Sudeste (52,81%, n=15.431), seguido pelo Nordeste (36,95%, n=10.797). Em contrapartida, a Grande Região Norte apresentou a menor quantidade de registros (2,95%, n=863). Sob uma perspectiva histórica, entre os anos de 2014 e 2023, todas as Grandes Regiões apresentaram aumento de reuniões para elaboração de PTS por eCR, com uma variação percentual (VP) superior a 100%. No entanto, houve redução em alguns estados de três Grandes Regiões: no Nordeste, no estado da Paraíba (VP = -42,85%); no Centro-Oeste, no estado do Mato Grosso do Sul (VP = -450%); e no Sul, nos estados do Paraná (VP = -50,00%) e de Santa Catarina (VP = -78,94%). Conclusão: Os resultados deste estudo apontam para um crescimento constante na realização de reuniões para a elaboração de PTS pelas eCR no Brasil, entre 2014 e 2023, com predominância na região Sudeste do País. Essa concentração pode ser explicada pela maior quantidade de recursos, pela qualificação profissional e pelo elevado número de PSR na região, além do aumento da adesão dos municípios ao cofinanciamento federal das eCR nos últimos anos. Por outro lado, a Região Norte apresentou o menor número de reuniões, possivelmente devido à menor presença de equipes e aos desafios de mobilidade geográfica. As reduções de reuniões em alguns estados das Grandes Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul podem estar ligadas a fatores locais, como dificuldades de implementação de políticas voltadas ao PTS ou falta de recursos humanos e estruturais. O ano de 2023, após a pandemia de covid-19, registrou o maior número de reuniões para PTS, o que pode refletir tanto o aumento da PSR quanto a necessidade de respostas mais estruturadas na atenção à saúde dessa população. Apesar do avanço proporcionado pelo uso do PTS para ampliar o acesso da PSR à APS, a queda no uso da estratégia em algumas regiões deve ser monitorada, considerando que o número de pessoas em situação de rua continua a crescer no Brasil. <![CDATA[ID 344 - Proposta de Estruturação de Processo de Tutoria para a Elaboração de Diretrizes Clínico-Assistenciais para o SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200344&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As diretrizes clínico-assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, como os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), são elaboradas por Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) e avaliadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) – os quais orientam o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento de pacientes com diversas condições de saúde – e devem ser seguidas pelos profissionais de saúde e gestores no SUS. Ações de tutorias são importantes para o aperfeiçoamento metodológico de profissionais responsáveis pelo desenvolvimento de diretrizes, visando à capacitação dos Nats com uma melhor gestão e à melhoria contínua no desenvolvimento desses documentos. O objetivo deste estudo foi apresentar os resultados do mapeamento e aprimoramento do processo de tutoria de profissionais para elaboração de diretrizes clínico-assistenciais para o SUS. Método: A inter-relação dos processos envolvidos foi identificada e os conjuntos de ações foram agregados em macroprocessos, processos, subprocessos, atividades e tarefas, considerando as recomendações das diretrizes metodológicas de elaboração de diretrizes clínicas publicadas pelo Ministério da Saúde e dos padrões recomendados pelo (GIN) e pelo (IOM). O processo de tutoria foi mapeado utilizando a ferramenta (BPMN), e os fluxogramas foram construídos com a ferramenta . Resultados: Aspectos importantes do processo no desenvolvimento de diretrizes clínicas foram mapeados, como a interrelação dos processos, que identificou as partes envolvidas e suas respectivas responsabilidades, relacionando o demandante com processos gerenciais, o Nats executor com os processos finalísticos e tutores com os processos de suporte. Os conjuntos de ações foram identificados, agregados e distribuídos entre as partes envolvidas, resultando na elaboração de um fluxograma de todo o processo de tutoria e sete fluxogramas dos subprocessos relacionados: 1) delimitação do escopo das diretrizes; 2) definição das perguntas PICO; 3) definição de estratégia de busca e seleção de estudos; 4) extração de dados e síntese da evidência; 5) avaliação da certeza do corpo da evidência; 6) elaboração e graduação das recomendações pelo sistema GRADE (do inglês, ); e, 7) redação do texto das diretrizes. Conclusão: Os fluxogramas elaborados destacam a metodologia estruturada e o apoio contínuo fornecido por programas de tutores aos Nats para expandir o número de núcleos capacitados para o desenvolvimento de diretrizes. Pelo mapeamento realizado, será possível gerenciar e analisar continuamente o desempenho do processo, modificar atividades que não agregam valor, evitar falhas e manter o foco nas necessidades dos Nats no desenvolvimento de diretrizes. Esse suporte é crucial para garantir que cada diretriz clínica seja desenvolvida com rigor científico e de acordo com as políticas do SUS. <![CDATA[ID 345 - ATS e Inovação: a experiência em um hospital universitário no sertão de Pernambuco]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200345&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A limitação de recursos tende a ser um dos grandes desafios vivenciados pelos sistemas de saúde, sobretudo os públicos. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) experencia o crescimento exponencial de demandas, bem como sua complexificação relacionada às condições de saúde, ao envelhecimento populacional, aos agravos de saúde externos, produtos dos determinantes sociais, econômicos, políticos e culturais. Por outro lado, o constante desenvolvimento científico-tecnológico em saúde exige da gestão o processo de tomada de decisão, a fim de atender, de forma mais eficiente, eficaz e efetiva, o direito à saúde, garantindo o acesso equitativo às tecnologias com qualidade e segurança. Para tanto, a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) assume grande relevância, pois apoia a tomada de decisão por meio de evidências científicas que respaldem a incorporação ou a desincorporação de uma tecnologia. Concernente à inovação tecnológica, a ATS estabelece uma relação intrínseca, não somente concernente ao Monitoramento do Horizonte Tecnológico (MHT), ou seja, seu ciclo de vida, mas também aos instrumentos e às ferramentas do processo de avaliação. Assim, em que medida a inovação tecnológica dos instrumentos e das ferramentas de ATS pode impactar os processos de avaliação? O objetivo deste resumo é apresentar a inovação tecnológica de um instrumento de ATS a partir da experiência na primeira edição do Programa de Iniciação Tecnológica (PIT) da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em um hospital universitário no sertão de Pernambuco. Destarte que o trabalho apresenta grande relevância científica e social a partir do aprimoramento da ATS. Além disso, faz-se necessário evidenciar a autenticidade e a originalidade do estudo, o potencial de inovação, sobretudo pelo desenvolvimento no âmbito da iniciação tecnológica. Método: Os estudantes realizaram revisão sistemática com meta-agregação das bases de dados PubMed, EMBASE, Cochrane e Instituto Joanna Brigss (JBI), com dois avaliadores e uso da plataforma Rayyan©, e posterior meta-agregação pelo software livre IRaMuTeQ. Essa análise visou examinar a estrutura e a organização da síntese textual, correlacionando-as aos domínios do modelo do JBI para Cuidados em Saúde Baseados em Evidências (CSBE). Resultados: O processo resultou no desenvolvimento da ferramenta denominada Karrankas Score para ATS, composta por 36 perguntas distribuídas em 5 domínios ("Saúde Global", "Geração de Evidências", "Síntese de Evidências", "Transferência de Evidências" e "Implementação de Evidências"). Conclusão: A vivência da iniciação tecnológica favoreceu aos estudantes a aproximação com o universo da pesquisa, a inter-relação científica-tecnológica, para além do desenvolvimento de um produto tecnológico que visa a uma avaliação estruturada e abrangente das ATS, buscando estabelecer um padrão universal na análise de sua eficácia, segurança e viabilidade. O estudo ainda oportunizou a aproximação com ATS e desdobramentos: estruturação de grupo de pesquisa em práticas baseadas em evidências cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); novas pesquisas na área, inclusive nos Núcleos de Avaliação de Tecnologias Sociais (Nats) dos hospitais universitários da Rede Ebserh na Região Nordeste; e premiações em eventos científicos, para além da possibilidade de desenvolvimento de software, mas sobretudo o potencial de aplicabilidade e contribuição para o acesso da população às tecnologias em saúde por meio da ATS. <![CDATA[ID 350 - Efetividade Clínica e Custos do Emicizumabe para Hemofilia A: avaliação de desempenho pós-incorporação]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200350&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A hemofilia A (HA) é uma condição hereditária resultante de mutações no gene F8, que causam deficiência do fator de coagulação VIII (FVIII). O tratamento se baseia na reposição de FVIII e, atualmente, no uso de emicizumabe (EMI), anticorpo monoclonal biespecífico recomendado para profilaxia contra eventos hemorrágicos em pessoas com hemofilia A (PcHA). EMI foi incorporado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2019, e o objetivo deste trabalho foi avaliar a efetividade e os custos do EMI em relação à profilaxia utilizada anteriormente em PcHA. Método: O (EMCase) é um estudo observacional prospectivo que avalia PcHA em profilaxia com emicizumabe no Brasil, atendidos em hemocentros que integram o estudo. Foram analisados dados sociodemográficos e clínicos do período anterior (12 meses ou anualizado) e durante (12 meses ou anualizado) a profilaxia com EMI. Os sangramentos totais foram classificados em espontâneos, pós-traumáticos e de causa desconhecida, e contabilizados apenas se foram tratados. A taxa anualizada de sangramentos tratados (TAS) correspondeu ao somatório dos sangramentos tratados ao longo do tempo, transformando-se para um período de 365,25 dias (anualização). O consumo de produtos incluiu FVIII, agentes de (BpA) e EMI. O custo total do tratamento nos períodos pré e durante um ano de uso do EMI foi calculado considerando o valor pago pelo Ministério da Saúde, obtido do Banco de Preços da Saúde (BPS). Resultados: Foram incluídas 56 PcHA com pelo menos um ano de profilaxia com EMI. Desse total, 40 (71,4%) tinham HA grave e 47 (83,9%) apresentavam inibidor ao FVIII. A imunotolerância foi realizada por 41 (73,2%) PcHA. Antes de iniciar o EMI, 78,6% das PcHA estavam em profilaxia com FVIII e/ou BpA. A idade mediana no início do EMI foi 12,9 anos (1,9-71,0). A TAS total mediana reduziu de 3 (0-28) para 0 (0-3) (p&lt;0,001). Não foram observadas diferenças significativas na TAS quando avaliados pacientes de maior gravidade ou com inibidores. O número de PcHA com zero sangramento aumentou de 21,4% para 76,8% (p=0,027). Antes da profilaxia com EMI, o consumo/kg mensal médio e o custo/kg mensal foram de: FVIIIr 106,6 UI/kg/mês e R$ 2.567,20 por kg/mês; FVIIIdp 2,5 UI/kg/mês e R$ 44,45 por kg/mês; complexo protrombínico parcialmente ativado (CCPa) 436,2 UI/kg/mês e R$ 30.533,80 por kg/mês; fator VII ativado recombinante (rFVIIa) 4,5 mg/kg/mês e R$ 12.476,02 por kg/mês. O custo total antes do EMI foi de R$ 45.621,47. Durante a profilaxia com EMI, uma PcHA recebeu CCPa (9,7 UI/kg/mês e R$ 12,16 por kg/mês), 46,4% receberam rFVIIa (1,0 mg/kg/mês e R$48,47 por kg/mês) e 12,5% receberam FVIIIr (314,7 UI/kg/mês e R$ 135,31 por kg/mês). O consumo total de EMI no primeiro ano de profilaxia foi 236.042,0 mg, resultando em consumo/kg mensal mediano de 7,1 mg/kg/mês e custo/kg mensal foi de R$ 40.029,35 por kg/mês. O custo total durante o uso de EMI foi de R$ 40.225,29. Houve redução de 11,8% nos custos/kg mensais, quando comparados os períodos pré e durante EMI. Conclusão: Evidências científicas demonstram que a profilaxia com EMI está associada à redução de sangramentos e ao menor consumo de produtos em PcHA. Neste estudo, o uso de EMI resultou em uma diminuição da TAS total, do número de episódios de sangramento, do consumo de FVIII e agentes de BpA e dos custos totais de tratamento quando comparado à profilaxia anterior. <![CDATA[ID 351 - Produtos de ATS: desafios e possibilidades em um hospital universitário no sertão de Pernambuco]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200351&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) considera tecnologias em saúde: "medicamentos, equipamentos e procedimentos técnicos, os sistemas organizacionais, informacionais, educacionais e de suporte e os programas e protocolos assistenciais por meio dos quais a atenção e os cuidados com a saúde são prestados à população" (Ministério da Saúde, 2005. p. 1). As inovações tecnológicas são componentes essenciais dos sistemas de saúde que devem garantir o acesso equitativo às tecnologias com qualidade, segurança, eficácia e custo-efetividade (WHO, 2007). O constante avanço científico-tecnológico tem propiciado o desenvolvimento de inovações tecnológicas em saúde, cuja Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) assume um lugar de destaque, tendo em vista o relevante papel de apoiar o processo de tomada de decisão dos gestores na incorporação ou desincorporação de tecnologias nos serviços de saúde, sobretudo no cenário de escassez de recursos com volume cada vez maior de demandas para os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Para tanto, o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) constitui-se enquanto protagonista desse processo, cuja atuação consiste na sistematização de evidências científicas rigorosas e auditáveis que respaldem a decisão contribuindo para o acesso às tecnologias. O Nats em questão tem dois anos de estruturação, pertencente a um hospital universitário (HUF) da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), localizado no sertão de Pernambuco, cuja experiência suscitou a questão "Quais os desafios e as possibilidades na sistematização dos produtos das ATS?". O objetivo deste resumo é refletir sobre desafios e possibilidades na sistematização dos estudos de ATS e na elaboração dos documentos ou produtos de um Nats no sertão de Pernambuco. Método: Trata-se de estudo de natureza qualitativa, pesquisa tipo exploratória e interdisciplinar com enfoque na revisão bibliográfica e documental (produtos das sínteses de evidências científicas de domínio público) realizada durante dois anos de atuação de um Nats no sertão de Pernambuco. Resultados: Foram vivenciados três processos de ATS, envolvendo tecnologias diferenciadas (medicamento e equipamentos), todos avaliados em duplas, documentos produzidos avaliados e deliberados de forma colegiada, os quais fundamentaram a tomada de decisão da gestão e a posterior publicação em repositório website do Nats. Conclusão: Os dados apontam para uma trajetória de desafios relacionados ao desconhecimento e à inexperiência em ATS, bem como no uso de suas ferramentas/instrumentos, e à inexistência de carga horária protegida para os membros. Entretanto, a particularidade de o Nats estar vinculado a um HUF também favoreceu oportunidades: qualificação, identificação, aproximação e estabelecimento de parcerias estratégicas com a universidade, desenvolvimento de habilidades e competências intrínsecas ao processo de ATS, troca com projetos de iniciação científica e tecnológica e grupo de pesquisas em práticas baseadas em evidências. O diferencial nesse processo é fazer parte de duas redes – Nats Ebserh e Rede Brasileira de Avaliação em Tecnologias em Saúde (Rebrats) –, pois isso tem possibilitado a qualificação de forma mais estruturante e o fortalecimento dos Nats para que de fato possam contribuir para o acesso da população, de forma equitativa e segura, às tecnologias em saúde, materializando assim sua função social. <![CDATA[ID 353 - Cuidado Multiprofissional e a Elaboração de Projeto Terapêutico Singular no Âmbito da Atenção Primária à Saúde no Brasil, 2014-2023]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200353&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O cuidado multiprofissional na Atenção Primária à Saúde (APS) é caracterizado pela aplicação de tecnologias interdisciplinares e humanizadas. Entre essas tecnologias, destaca-se o Projeto Terapêutico Singular (PTS), que consiste na elaboração de planos de cuidado personalizados, fundamentados no contexto biopsicossocial dos usuários dos serviços. A APS é estruturada por equipes que se dedicam à elaboração desses planos, com destaque às equipes Multiprofissionais (eMulti). Tais equipes se configuram como a retomada do Ministério da Saúde na atenção ao cuidado integral e multidisciplinar na APS em 2023, bem como representam a continuidade ao trabalho das equipes do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (Nasf), cujo cofinanciamento federal foi descontinuado em 2019. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo descrever, em uma série histórica de dez anos, as reuniões realizadas para a elaboração de PTS pelas equipes do Nasf e eMulti. Método: Realizou-se um estudo quantitativo descritivo, com dados secundários, sobre a realização de reuniões para a elaboração de PTS pelas referidas equipes, entre os anos de 2014 e 2023 no Brasil. Os dados foram extraídos da plataforma pública e on-line de Atividades Coletivas do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab). Resultados: De 2014 a 2023, foram realizadas 423.793 reuniões para fins de elaboração de PTS pelo Nasf e eMulti na APS. O ano de 2019 destacou-se pelo percentual mais expressivo de reuniões (18,84%, n=79.862) pelo Nasf, quando comparado aos outros anos do período considerado, inclusive 2023, ano em que ocorreu a implementação das eMulti. Entre 2019 e 2023, houve um declínio de 50,19% na realização dessa atividade. Ao estratificar os dados por Grande Região, verificou-se predominância de reuniões no Sudeste (44,08%, n=186.803), seguido pelo Nordeste (29,38%, n=124.505). As Grandes Regiões Sul (14,97%, n=63.463), Centro-Oeste (6,48%, n=27.466) e Norte (5,09%, n=21.556) apresentaram menores percentuais de registros. Ademais, todas as regiões do País evidenciaram declínio na realização de reuniões para elaboração de PTS a partir de 2019. Conclusão: O maior número de reuniões destinadas à elaboração de PTS pelas equipes do Nasf no ano de 2019, seguido por um declínio nos anos subsequentes, pode ser atribuído à descontinuidade do cofinanciamento federal dessa equipe, bem como à emergência da pandemia de covid-19 em 2020. As Grandes Regiões Sudeste e Nordeste concentraram a maior quantidade de registros da atividade: a primeira destaca-se pelo seu contingente demográfico e pela implementação de equipes, enquanto a segunda detém um protagonismo histórico na implementação do Nasf em seus municípios. Em contraste, a Região Norte destaca-se pela menor frequência de reuniões voltadas à elaboração de PTS, o que pode ser explicado pelos desafios de mobilidade locorregional, de fixação de profissionais e por dificuldades no provimento de recursos humanos. Entre as limitações deste estudo, ressalta-se a impossibilidade de levantamento das categorias profissionais e dos atores intersetoriais que participaram das reuniões. Além disso, no Sisab não é possível diferenciar as produções do Nasf e da eMulti a partir de 2023, pois, para o sistema, ambas são consideradas como uma mesma modalidade de equipe. Apesar disso, os resultados indicam a necessidade de monitoramento dessas atividades para assegurar a continuidade da incorporação de PTS nos processos de trabalho multiprofissionais na APS. <![CDATA[ID 355 - Ampliação do Número de Fitoterápicos Cadastrados na Base Nacional de Dados de Ações e Serviços da Assistência Farmacêutica no SUS: impulsionando a visibilidade e a utilização de produtos à base de plantas medicinais no SUS]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200355&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) é essencial nas políticas públicas brasileiras, promovendo saúde, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável. Seu objetivo é garantir o acesso seguro e o uso responsável de plantas medicinais, fortalecendo cadeias produtivas e estimulando a inovação. O Programa Nacional, alinhado à PNPMF, define ações para diversos órgãos, com significativa participação do Ministério da Saúde e da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Sectics). Cumpre informar que a Base Nacional de Dados de Ações e Serviços da Assistência Farmacêutica (Bnafar) é o principal instrumento para gerar indicadores que devem apoiar a tomada de decisões dos gestores das três esferas do governo. Segundo dados de movimentação de fitoterápicos extraídos da Bnafar, identificou-se que a maioria daqueles produzidos localmente, em especial nas Farmácias Vivas e Farmácias de Manipulação, não possui cadastro na base nacional, comprometendo a geração das informações essenciais para a gestão da Assistência Farmacêutica. Dito isso, é urgente a inserção de novos fitoterápicos na Bnafar. Objetivo: apresentar ação desenvolvida pela equipe gestora da PNPMF (alocada no Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde – DAF/MS), para a ampliação do número de fitoterápicos na Bnafar. Método: Levantamento descritivo das responsabilidades e ações institucionais de diferentes departamentos da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Resultados: Considerando que a inserção de fitoterápicos na Bnafar depende de cadastro prévio no Catálogo de Materias (Catmat), do Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (Siasg), e que a inserção de itens de saúde no Catmat é realizada pela equipe de catalogadores do Ministério da Saúde, alocada no Departamento de Economia e Desenvolvimento em Saúde (Desid), a equipe gestora da PNPMF encaminhou ao referido Departamento uma lista contendo 99 fitoterápicos a serem cadastrados. Cumpre ressaltar que a lista foi elaborada em consonância com as solicitações já recebidas pela Coordenação-Geral de Assistência Farmacêutica Básica, de diferentes Secretarias de Saúde, além de estar alinhada à Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde (ReniSUS). Por fim, após a realização do cadastro no Catmat, a equipe técnica do DAF realizou a inserção dos fitoterápicos nos sistemas da Bnafar. Conclusão: A PNPMF orienta os serviços de saúde da União, dos estados e municípios, destacando a autonomia dos entes federativos para decisões no Sistema Único de Saúde (SUS). Cumpre destacar a importância de novos cadastros de fitoterápicos na Bnafar, além do envio de dados referentes à movimentação desses ao Ministério da Saúde, a fim de que possam subsidiar as ações dos gestores locais e federais no que se refere à Assistência Farmacêutica em Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Além disso, a criação de um fluxo contínuo para o recebimento de informações sobre fitoterápicos produzidos localmente vem sendo elaborado e deverá ser implantado em breve. <![CDATA[ID 357 - Fatores Associados aos Pareceres Técnicos Desfavoráveis dos Núcleos de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NatJus): uma análise de 109.357 notas técnicas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200357&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: Os Núcleos de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NatJus) são unidades responsáveis por fornecer pareceres técnicos para auxiliar na decisão de processos judicializados relacionados à cobertura de tratamentos em saúde. O Conselho Nacional de Justiça tem atuado ativamente na padronização desses pareceres, os quais contemplam análises sobre aspectos técnicos e regulatórios das tecnologias avaliadas. Apesar da ampla utilização, a literatura ainda é limitada quanto à descrição do funcionamento dos NatJus e dos fatores que podem estar associados aos seus pareceres. Método: Realizamos um estudo transversal utilizando notas técnicas referentes a medicamentos, disponíveis no sistema e-NatJus, entre o período de 2018 a 2024 e abrangendo todo o território nacional. Após a coleta das notas técnicas, procedeu-se à extração semiautomatizada dos parâmetros analisados. Foram consideradas variáveis demográficas, clínicas (como a condição clínica e a urgência do caso), regulatórias (como o registro sanitário) e o conteúdo técnico da tecnologia avaliada (com base nos relatórios da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde [Conitec] e nos protocolos do Ministério da Saúde [MS]). Os casos foram classificados de acordo com os capítulos do CID-10, correspondentes às condições descritas. Posteriormente, as notas foram analisadas conforme o parecer emitido, sendo classificadas como favoráveis ou desfavoráveis. Para avaliar os fatores associados aos pareceres desfavoráveis, utilizamos um modelo de regressão logística multivariado com imputação baseada em, para ajuste de variáveis mal definidas ou ausentes. Resultados: Foram analisadas 109.357 notas técnicas. A Região Sul apresentou o maior número de casos (40% do total). Entre as condições clínicas, 28% dos casos foram classificados com CID oncológico, sendo o grupo mais prevalente, seguido por doenças endócrinas e transtornos mentais (ambos com 11%). A maioria dos casos envolvia adultos (51%), enquanto 15% envolviam crianças e adolescentes. Não estavam previstos nos protocolos do Ministério da Saúde 76% dos casos, 15% foram classificados como de baixa evidência técnica e 28% como urgentes. Envolviam terapias recomendadas 19% dos casos, 22% não recomendadas e 58% não avaliadas pela Conitec, respectivamente. Na análise dos fatores associados a pareceres desfavoráveis, observou-se que crianças (OR 0,52, P &lt;0,001), regiões fora do Sudeste, condições dermatológicas (OR 0,12, P &lt;0,001) e neoplásicas (OR 0,73, P &lt;0,001) estiveram associadas a uma menor ocorrência de pareceres desfavoráveis. Por outro lado, a ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (OR 1,12, P=0,009), tratamentos (OR 1,90, P &lt;0,001), casos não previstos nos protocolos do MS (OR 1,87, P &lt;0,001) ou no SUS (OR 1,87, P &lt;0,001), não recomendados pela Conitec (OR 2,54, P &lt;0,001), não avaliados pela Conitec (OR 1,31, P &lt;0,001), sem evidência científica (segundo o parecerista, OR 2,54, P &lt;0,001), e condições não urgentes (OR 6,88, P &lt;0,001) foram associados a pareceres desfavoráveis. Conclusão: Nossos dados indicam que a evidência técnica, a urgência dos casos e as recomendações pela Conitec foram significativamente associadas à conclusão dos pareceres emitidos pelos NatJus. <![CDATA[ID 358 - Uso do Geoprocessamento como Tecnologia para Avaliação em Saúde: investigação da tendência espacial da mortalidade por doença de Alzheimer no Brasil]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200358&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A doença de Alzheimer (DA) é uma condição neurodegenerativa com uma alta prevalência na população brasileira, especialmente em idosos. Com o aumento da expectativa de vida, a prevalência da DA tende a crescer, tornando a compreensão dos padrões da mortalidade essencial para direcionar políticas de saúde eficazes. O objetivo deste estudo foi analisar os padrões espaciais e espaço-temporais da mortalidade relacionada à doença de Alzheimer no Brasil, por meio do geoprocessamento como tecnologia para avaliação em saúde. Método: Estudo ecológico de base populacional utilizando dados sobre mortes relacionadas à doença de Alzheimer (CID-10 F00 e G30) do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde do Brasil, de 2006 a 2021. Dados demográficos e populacionais foram obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise de tendência temporal foi realizada utilizando o método Joinpoint, identificando mudanças nas tendências com o teste de Permutação de Monte Carlo, calculando a Mudança Percentual Anual (APC) e a Mudança Percentual Anual Média (AAPC). Estatísticas de varredura espaço-temporal foram aplicadas para identificar aglomerados de alto risco, utilizando critérios específicos para aglomerados significativos e ferramentas como R, QGis e Joinpoint Regression SoftwareTM. Resultados: Entre 2006 e 2021, foram registrados 441.509 óbitos de idosos relacionados à DA no Brasil, com 244.480 casos identificados como causa básica. A maioria dos óbitos ocorreu na Região Sudeste (53,54%) e em pessoas com 80 anos ou mais (73,1%). As mulheres apresentaram uma prevalência maior, com 64,22% dos óbitos. A maioria das mortes ocorreu em hospitais (58,73%) e houve aumento significativo de óbitos ao longo dos anos, passando de 2,44% em 2006 para 10,46% em 2021. A análise temporal mostrou um crescimento das taxas de mortalidade por idade e sexo, com maior impacto nas mulheres. Espacialmente, as Regiões Sul e Sudeste tiveram as maiores taxas de mortalidade. Um aglomerado urbano foi identificado entre 2011 e 2021, com 218.826 óbitos, superando as expectativas (111.223 óbitos) e indicando um risco três vezes maior de mortalidade nessa área. O teste de razão de verossimilhança (LLR) apresentou significância estatística (p &lt;0,0001), sugerindo fatores específicos contribuindo para essa mortalidade elevada. A autocorrelação espacial foi positiva (Moran I = 0,5893; p-valor = 0,001), indicando aglomerados. A análise LISA revelou que os municípios de baixo risco estão nas Regiões Norte e Nordeste, enquanto os de alto risco se concentram no Sul e Sudeste. A análise de varredura espaço-temporal identificou um aglomerado de risco significativo (p &lt; 0,05) em uma localização específica. Conclusão: Os dados mostraram aumento na mortalidade ao longo do tempo, possivelmente devido a melhorias no diagnóstico e no registro da doença. Regiões Sudeste e Sul apresentaram as maiores taxas de mortalidade, indicando fatores socioeconômicos e de saúde que precisam ser investigados. O geoprocessamento revelou aglomerados de alta mortalidade, sugerindo que fatores locais, como poluição e acesso a cuidados, podem influenciar essas disparidades. As limitações incluem subnotificação e variações na qualidade das informações entre regiões. Apesar disso, os resultados fornecem reflexões importantes para entender a distribuição da mortalidade por DA e identificar áreas que necessitam de atenção em saúde pública. <![CDATA[ID 359 - Aplicação do <em>Flashcard</em> Digital como Ferramenta na Formação e Educação Continuada em Terminologia da Avaliação em Tecnologia em Saúde (ATS)]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200359&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O, ou cartão de memória, é um recurso educacional que expõe uma palavra ou imagem que pode ser utilizado como auxílio no ensino ou na aprendizagem (Oxford English Dictionary, 2022). O principal objetivo de sua utilização é o autoaprendizado e a memorização do seu conteúdo. O modelo básico de estudo com cartões foi idealizado inicialmente na década de 1970. O estudo com tem como base a técnica de repetição espaçada, que se fundamenta na ideia de que "a ativação contínua reforça o circuito neural e torna mais fácil a posterior evocação da informação armazenada"(Mourão, Faria, 2015). Esse processo se faz necessário uma vez que a memória humana é suscetível ao esquecimento ao longo do tempo. De acordo com Nielsen (2018), a probabilidade de relembrar corretamente um item decai exponencialmente com o passar do tempo. A utilização do digital tem como finalidade auxiliar e contribuir na formação e na educação continuada em terminologia da ATS para identificar os termos próprios da área técnica; fornecer referências para a compreensão de termos e conceitos; proporcionar a exatidão conceitual e definir a atuação de cada termo em seus diferentes contextos institucionais; eliminar ambiguidades para facilitar a comunicação interna. O projeto está em fase de finalização e consiste na utilização do Anki Flaschcards, que é um aplicativo com versões para os sistema Android (Ankidroid), IOS (Anki mobile), Windows e Linux. O programa trabalha com revisões espaçadas através dos . Por meio do sistema SRS (), os têm suas revisões agendadas com base em um algoritmo programado para retornar os cartões em determinado prazo, diferenciando os intervalos de revisão para cada cartão de acordo com o nível de dificuldade do usuário em responder à pergunta ou questão elaborada. O formato consistirá em uma apresentação Ignite Talk sobre o projeto. Método: Apresentação presencial do projeto no formato Ignite Talk. Demonstração do aplicativo Anki Flaschcards e a aplicação na formação e educação continuada em ATS. Sinal de wi-fi, software Anki Flaschcards, um aparelho de multimídia, um notebook ou PC, monitor para apresentação de eslaides, teclado, cabo HDI, adaptador/VGA/HDI, passador de eslaides. <![CDATA[ID 361 - Transferência de Tecnologia em Saúde em Projetos de Cooperação Bilateral entre o Brasil e os Países da América Latina e Caribe, 2008-2023]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200361&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A cooperação bilateral em saúde configura-se como uma importante estratégia de diplomacia internacional para fortalecimento dos sistemas de saúde. No contexto da América Latina e do Caribe (ALC), têm-se cenários regionais e geográficos comuns, o que corrobora para uma articulação diplomática em torno de inovações e transferência de tecnologias em saúde. O Brasil, historicamente, assume o protagonismo no compartilhamento de tecnologias em saúde com a ALC. Diante disso, este estudo objetivou descrever os projetos de cooperação bilateral entre o Brasil e a ALC que pautaram a transferência de tecnologias em saúde. Método: Os dados foram extraídos da plataforma pública da Associação Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores. Foram levantadas informações de projetos de cooperação internacional de países da ALC entre os anos de 2008 e 2023, com classificação em planilha Excel. Os objetivos dos projetos foram analisados e classificados em grandes temáticas comuns. Resultados: Identificou-se o total de 45 projetos de cooperação bilateral, entre o Brasil e 14 países da ALC, que pautaram a transferência de tecnologias em saúde. O ano de 2009 (37,78%, n=17) apresentou o maior número de projetos iniciados quando em comparação aos demais anos. Entre os 14 países identificados nas cooperações, 7 (50,00%) são da América do Sul, 3 (21,14%) da América Central, 3 (21,14%) do Caribe e 1 (7,14%) da América do Norte. Quando se observa o total de projetos por país, Bolívia (n=4) e Equador (n=4) apresentaram a maior quantidade de projetos na América do Sul; Cuba (n=5) no Caribe; e Panamá (n=4) na América Central. Diante disso, houve predominância de projetos na América do Sul (55,56%, n=25), seguida pelo Caribe (n=08) e pela América Central (17,78%, n=7). As principais temáticas dos projetos foram direcionadas à transferência de tecnologias e conhecimentos para: (A) a vigilância em saúde ambiental e o enfrentamento de doenças transmissíveis (35,56%, n=16); e (B) a instituição de bancos de leite humano (33,33%, n=15). Nos projetos do grupo A, as principais tecnologias transferidas trataram de técnicas epidemiológicas de análise de dados e controle de vetores. Para o grupo B, trataram de tecnologias de processamento e controle da qualidade de leite humano. Conclusão: O ano de 2009 predominou com a maior quantidade de projetos, indicando que o País apresentou uma política externa mais ativa, buscando ampliar sua presença internacional. As principais temáticas trabalhadas vão ao encontro das necessidades dos países no enfrentamento de doenças transmissíveis e prevenção da mortalidade materno-infantil. A predominância de projetos na América do Sul pode ser atribuída à proximidade geográfica e às semelhanças culturais e epidemiológicas entre os países. Bolívia, Equador, Cuba e Panamá se destacam como os países com maior número de projetos, o que pode refletir uma maior necessidade ou capacidade de absorção de tecnologias de saúde, bem como uma relação mais estreita com o Brasil em termos de cooperação técnica. Entre as limitações deste estudo, destaca-se que a plataforma da ABC pode não estar completamento atualizada. Ademais, não foram levantados termos ou acordos de cooperação bilateral, uma vez que os objetivos deste estudo se limitaram ao levantamento de projetos datados pela ABC. Apesar disso, as hipóteses aqui levantadas podem subsidiar estudos futuros. <![CDATA[ID 362 - Modelo de Curva de Aprendizagem para a Proficiência com Tecnologias Médicas]]> http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742025000200362&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: As curvas de aprendizagem (CA) são modelos matemáticos utilizados para representar o desempenho dos profissionais. Esses modelos se baseiam tradicionalmente na análise da repetição da atividade ou do serviço ao longo do tempo. A diminuição dos tempos relevantes (e.g., tempo de execução, tempo de recuperação...) junto com algumas medidas categóricas (e.g., existência ou não de complicações) é usada como para aprendizado – mas pode refletir apenas que o profissional reage muito bem àquele cenário específico em vez de aprender a fazer, algo como sobreajuste () em treinamentos de máquinas. Nesse sentido, para demonstrar a eficácia e a eficiência das ações e constatar o processo de aprendizagem do profissional clínico, há a necessidade de integrar um modelo cognitivo que represente a aprendizagem real junto ao modelo operacional que reflita de forma abrangente os resultados obtidos nos treinamentos e procedimentos executados com equipamentos. Método: Foi realizada uma revisão narrativa de literatura focando o design de equipamentos médicos, o desenvolvimento de tecnologias médicas e a teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky. Foram utilizados termos como "curvas de aprendizagem", "saúde", "tecnologia", "dispositivos médicos" e "ZDP". A partir do levantamento das curvas matemáticas mais utilizadas, seus respect vos contextos de uso e da teoria de ZDP, foi possível definir um modelo matemático capaz de unificar e interpretar os principais tipos de dados coletados em pesquisas de desempenho clínico nesse modelo cognitivo de aprendizado. Resultados: Apresentamos como é possível abordar curvas de eficiência ou de tempo de execução de tarefas em um modelo cognitivo baseado na teoria de Vygotsky a partir da análise de algumas das principais distribuições utilizadas nas análises quantitativas dos resultados de sobrevida ou de eficiência de execução. Conclusão: A revisão de literatura ressaltou a abordagem dominante na qual curvas de aprendizagem são frequentemente modeladas de forma operacional e sistemática como análise quantitativa de dados coletados, com critérios principalmente estatísticos de erro. A teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal reflete bem a situação de aprendizado clínico em geral – um aprendizado colaborativo, com operacionalização realizada a partir da orientação de companheiros mais capazes na situação –, e seu modelo cognitivo permite análises mais completas dos procedimentos realizados. O modelo matemático aqui apresentado pretende servir de ponte entre os arcabouços teórico das ciências gerenciais, da teoria de aprendizado e dos estudos de desempenho/aprendizagem clínica. Acreditamos que esse aspecto transdisciplinar é fundamental para resolver as atuais limitações de avaliação de desempenho de equipamentos médicos como afetada pela proficiência do usuário operador.