SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.34 issueS1ID 36 - Mapeamento de Iniciativas Educacionais para Treinamento em Síntese de Evidências, Avaliação Econômica e Desenvolvimento de Diretrizes Clínicas no BrasilID 38 - Desenvolvimento de Ferramenta para Apoio ao Planejamento Estratégico de Ações em Avaliação de Tecnologias em Saúde em Secretarias Estaduais de Saúde author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

  • Have no cited articlesCited by SciELO

Related links

  • Have no similar articlesSimilars in SciELO

Share


Epidemiologia e Serviços de Saúde

Print version ISSN 1679-4974On-line version ISSN 2237-9622

Abstract

SOUZA, Mirian Carvalho de; DUQUE, Cristiano Guedes  and  BARUFALDI, Laura Augusta. ID 37 - Avaliação Pós-Incorporação do Mesilato de Imatinibe para Tratamento do Tumor do Estroma Gastrointestinal. Epidemiol. Serv. Saúde [online]. 2025, vol.34, n.s1, ID37.  Epub Nov 25, 2025. ISSN 1679-4974.  http://dx.doi.org/10.5327/2237-9622.2025.v34s1.37.

Introdução:

No ano de 2014, em conformidade com a recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), o medicamento mesilato de imatinibe foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), como tratamento adjuvante para indivíduos com tumor do estroma gastrointestinal (Gist) que tiveram o sítio primário ressecado. Com o objetivo de manter a sustentabilidade do sistema, é importante que se proceda à avaliação do desempenho das tecnologias incorporadas, com dados de mundo real. O presente estudo teve como objetivo avaliar o desempenho do mesilato de imatinibe para tratamento adjuvante do Gist no âmbito do SUS, desde sua incorporação em 2014.

Método:

O estudo foi realizado em três etapas, sendo elas: estudo de revisão sistemática de literatura; estudo observacional com acompanhamento de uma coorte retrospectiva em um hospital de referência para tratamento oncológico no Rio de Janeiro; e avaliação do uso da tecnologia, como tratamento adjuvante para indivíduos com Gist, na rotina do SUS, com base em registros das bases de dados secundários do sistema.

Resultados:

O estudo de revisão sistemática de literatura trouxe como acréscimos um novo estudo randomizado fase III e duas revisões sistemáticas, além das atualizações dos outros ensaios clínicos, que, em conjunto, corroboram os dados prévios de eficácia e segurança. O estudo observacional incluiu 41 usuários, sendo que 34,1% deles foram submetidos também a tratamento neoadjuvante com mesilato de imatinibe. O tamanho tumoral era maior que 10 cm em 78,0% dos casos, o que indica alto risco de recidiva, independentemente da localização do tumor primário e do índice mitótico. Com um seguimento mediano de 58 meses, as probabilidades de sobrevida livre de recorrência e de sobrevida global em cinco anos foram estimadas em 64,0% (IC 95%: 43,8% a 78,5%) e de 84,1% (IC 95%: 65,4% a 93,1%), respectivamente. A avaliação das bases de dados do SUS mostrou que a incorporação demorou tempo maior que o previsto para chegar à população brasileira e que o custo do medicamento teve redução significativa desde a sua incorporação.

Conclusão:

A avaliação do desempenho do mesilato de imatinibe como tratamento adjuvante do Gist corrobora o relatório n.º 117 da Conitec, que recomendou sua incorporação no SUS para indivíduos com alto risco de recidiva. A atualização da revisão sistemática da literatura reforçou os resultados de eficácia e de segurança publicados do relatório supracitado. Dada a baixa incidência do Gist, a análise de efetividade clínica foi limitada pelo reduzido número de participantes, apesar disso, os achados sobre os desfechos clínicos e a avaliação de segurança foram considerados compatíveis com os obtidos previamente em ensaios clínicos internacionais e multicêntricos. Por fim, a avaliação do uso da tecnologia na rotina do SUS mostrou que houve uma demora, maior do que o esperado, para que o tratamento fosse incorporado de fato e disponibilizado para os indivíduos com Gist. Além disso, a inclusão do mesilato de imatinibe como produto estratégico para o SUS impactou na redução substancial do valor pago pelo medicamento, o que certamente contribui para o favorecimento da relação de custo-efetividade.

Keywords : tumores do estroma gastrointestinal; mesilato de imatinib; avaliação da tecnologia biomédica.

        · text in Portuguese     · Portuguese ( pdf )