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Epidemiologia e Serviços de Saúde

versão impressa ISSN 1679-4974versão On-line ISSN 2337-9622

Epidemiol. Serv. Saude v.14 n.3 Brasília set. 2005

http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742005000300001 

EDITORIAL

 

A complexidade da configuração epidemiológica brasileira e o SUS

 

 

Denise Aerts

Membro do Comitê Editorial

 

 

Diferentemente do previsto por Omran (1971),1 as mudanças na configuração epidemiológica dos países não ocorreram no sentido da substituição das doenças infecto-parasitárias pelas doenças não transmissíveis e pelas causas externas. Em vez disso, observa-se a sobreposição de padrões, revelando a complexidade da realidade sanitária dos países. Convivem, lado a lado, doenças transmissíveis há muito existentes, doenças emergentes e re-emergentes, com os acidentes de trânsito, homicídios, neoplasias, doenças do aparelho circulatório, diabetes e suas complicações.

A revista Epidemiologia e Serviços de Saúde traz, nesta edição, artigos que retratam a complexa configuração epidemiológica brasileira. Em "Utilização de dados censitários em substituição a informações socioeconômicas obtidas no nível individual: uma avaliação empírica",2 os autores comparam a qualidade dos dados secundários e dos coletados por meio de questionários individuais. Para tanto, utilizam o banco de dados de um estudo de casos e controles que foi, inicialmente, desenvolvido para investigar o impacto da ocupação urbana e degradação ambiental na incidência da leishmaniose visceral em Terezina, Piauí.

No artigo "Diagnóstico laboratorial da difteria e a prática da coleta de material de comunicantes como estratégia da vigilância epidemiológica – Grande São Paulo, 1987-1996",3 os pesquisadores demonstram que, em função da importante redução da incidência dessa doença nas últimas décadas, os profissionais de saúde apresentam pouca experiência no diagnóstico da difteria, sendo de vital importância o uso de exames laboratoriais na confirmação de casos suspeitos.

Em "Qualidade microbiológica da água para consumo humano em duas áreas contempladas com intervenções de saneamento – Belém do Pará, Brasil",4 os autores investigam a qualidade da água, enfatizando a necessidade de sua vigilância na prevenção de doenças de veiculação hídrica.

Somando-se às necessidades geradas pelas doenças transmissíveis, o aumento da população de idosos determina novas necessidades, demandando a reorganização do Sistema Único de Saúde, SUS, frente a essa diversidade. Essa situação é explicitada nos artigos "Aspectos demográficos do processo de envelhecimento populacional em cidade do sul do Brasil"5 e "Considerações sobre a qualidade de informações de mortalidade na população idosa residente no Município de Maringá, Estado do Paraná, Brasil, no período de 1979 a 1998".6 Os seus autores apontam a importante contribuição dos idosos na população geral, retratando o momento de consolidação da transição demográfica brasileira.

Se, por um lado, é preciso ampliar a cobertura vacinal, intensificar a vigilância de doenças transmissíveis e da saúde ambiental, por outro, cada vez mais, necessita-se de uma rede de serviços e de profissionais de saúde capacitados para o atendimento e prevenção das doenças não transmissíveis. Nesse sentido, é de vital importância que se promova, desde a infância, a adoção de hábitos alimentares saudáveis e atividades físicas, e o combate ao consumo de tabaco, álcool e drogas.

A complexa configuração epidemiológica brasileira demanda o contínuo investimento em estudos sobre as condições de vida e saúde da população e seus determinantes, bem como na avaliação de tecnologias, programas e serviços disponíveis. Nesse contexto, a Epidemiologia e Serviços de Saúde cumpre importante papel na disseminação de informações e conhecimentos, proporcionando a troca de experiências em todo território nacional.

 

Referências bibliográficas

1. Omran, AR. The epidemiologic transition: a theory of the epidemiology of population change. Milbank Mem. Fund. Q. 1971; 49:509-83.

2. Werneck G, Costa CHN. Utilização de dados censitários em substituição a informações socioeconômicas obtidas no nível individual: uma avaliação empírica. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2005; 14(3):153-60.

3. Casagrande ST, Garbelloti M, Kobata AM, Rocha de Mello ML, Hidalgo NT. Diagnóstico laboratorial da difteria e a prática da coleta de material de comunicantes como estratégia da vigilância epidemiológica – Grande São Paulo, 1987-1996. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2005; 14(3):191-200.

4. Canto de Sá LL, de Jesus IM, Santos ECO, Vale ER, Loureiro ECB, Viana de Sá E. Qualidade microbiológica da água para consumo humano em duas áreas contempladas com intervenções de saneamento – Belém do Pará, Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2005; 14(3):181-90.

5. Martin GB, Cordoni Jr L, Bastos YGL. Aspectos demográficos do processo de envelhecimento populacional em cidade do sul do Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2005; 14(3):161-8.

6. Mathias TAF, Mello Jorge MHP, Laurenti R, Aidar T. Considerações sobre a qualidade de informações de mortalidade na população idosa residente no Município de Maringá, Estado do Paraná, Brasil, no período de 1979 a 1998. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2005; 14(3):169-79.