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Epidemiologia e Serviços de Saúde

versão impressa ISSN 1679-4974versão On-line ISSN 2337-9622

Epidemiol. Serv. Saúde v.22 n.1 Brasília mar. 2013

http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742013000100020 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

A seção de método de um artigo científico

 

The method section of a scientific paper

 

 

Mauricio Gomes Pereira

Professor Titular, Universidade de Brasília, Brasília-DF, Brasil

 

 

O corpo de um artigo científico original é habitualmente estruturado em quatro partes: introdução, método, resultados e discussão. A introdução abriga informações que justifiquem a pesquisa e esclareçam o objetivo que orientou a redação do texto.1 A seção que lhe segue está reservada para a descrição de como o estudo foi realizado, assunto do presente artigo.2 p.57

Uma lista de tópicos usualmente encontrados na seção de método em artigos científicos de saúde pública e de clínica é apresentada no quadro anexo. Alguns tópicos dessa lista não são aplicáveis a todos os tipos de investigação, caso da intervenção (ausente em estudos observacionais) e dos métodos estatísticos (usualmente não utilizados em pesquisa qualitativa). No entanto, os demais tópicos precisam ser considerados para inclusão nos textos submetidos para publicação.

A redação é facilitada se foram adotados subtítulos. Os dizeres dos subtítulos podem ser os sugeridos no quadro ou modificados em função do tipo de investigação, da ênfase dada ou por preferências individuais. Na versão final, o autor decide se os subtítulos serão ou não mantidos. Em textos longos, é conveniente conservá-los. Auxiliam a captar rapidamente a essência do relato e a importância relativa das suas partes.

O autor deve estar preparado para detalhar cada aspecto que seja essencial para o entendimento da sua pesquisa. O detalhamento correto permite levar a bom termo a avaliação crítica da investigação. Outra justificativa é possibilitar que alguém, com acesso aos dados, possa replicar o estudo e verificar a concordância de resultados.

O artigo submetido para publicação receberá parecer de especialistas. Essa é a rotina. O parecer será a base na seleção dos indicados para publicação.2 p.235 O autor precisa preparar o seu texto para transpor essa etapa. Um revisor experiente fará perguntas e espera encontrar respostas no artigo. Lembre-se, você não estará presente para responder aos questionamentos. O que está escrito responde por você. Por exemplo, a conclusão apresentada tem suporte nos métodos e resultados que constam do artigo? Para encontrar resposta, o revisor compara os resultados apresentados com o método utilizado para obtê-los. Se não há descrição das técnicas empregadas, o revisor se decepciona e tende a incluir o trabalho na categoria "qualidade inferior".

O editor, a pessoa que decide sobre a aceitação ou recusa do artigo para publicação, é igualmente julgado pelo que consta nos artigos que publica. Os bons editores costumam ser exigentes com o material a ele submetido. A falta de informação adequada reflete falha do autor em reconhecer sua importância, o que pesa no julgamento do leitor, do revisor e do editor.2 p.39 O oposto, representado pelo excesso de detalhes, também é desaconselhado. Frequentemente confunde, perde-se a noção de conjunto. Quem lê se aborrece e tende a abandonar a leitura.

Nos tópicos sugeridos para compor a seção de método do artigo científico original, apresentados no quadro, encontram-se esclarecimentos ou itens que podem ser desenvolvidos durante a redação. Informações pormenorizadas sobre esses e outros tópicos estão fora do escopo deste artigo, mas são encontradas nas instruções para autores, que constam do periódico, ou em livros sobre redação científica. Ilustraremos apenas um dos itens mencionados, o delineamento.

O autor necessita descrever o tipo de delineamento que foi adotado na pesquisa. Evitar simplesmente afirmar que se trata de estudo quantitativo ou qualitativo. Em cada uma dessas modalidades há subtipos. É melhor precisar qual deles foi empregado. Em pesquisa quantitativa, seria o caso de indicar, por exemplo, que se trata de uma investigação ecológica ou do tipo transversal. Em caso de dúvida, consultar livros de epidemiologia para inteirar-se da terminologia recomendada. O mesmo raciocínio se faz para estudo qualitativo. Esclarece-se qual o tipo adotado de investigação qualitativa.

O revisor experiente quer saber se o delineamento escolhido é adequado para alcançar o objetivo proposto. No caso de julgar a redação apropriada nesse sentido, ou seja, delineamento e objetivo combinam, continua a avaliação. Mas se o autor não menciona o delineamento ou o descreve mal, de maneira truncada ou incompreensível, fica registrada a falha. Essa falha pode até fazer o avaliador concluir que o artigo não merece ser publicado e recomende rejeição.

Um bom texto científico deve ter várias qualidades entre as quais a concisão.2 p.21 Os editores preferem publicar maior quantidade de artigos em cada número da revista. Como o número de páginas do periódico é geralmente fixo, não é de se admirar a preferência pela brevidade. Os editores sabem, como já assinalado, que escritos longos desestimulam a leitura. Acreditam que o leitor deva ser exposto apenas ao texto necessário, nenhuma linha a mais. O escritor científico iniciante terá que desenvolver habilidades nesse sentido. Por exemplo, se a descrição envolve um dos sistemas de informações do Ministério da Saúde, pode-se resumir suas características e acompanhá-las da referência mais relevante, atual e acessível.2 p.131 Em menção ao Sistema de Informações de Mortalidade, bastaria uma ou duas frases sobre ele e a referência do site respectivo.3

Em conclusão, o autor fará um favor a si mesmo e aos demais se redigir a seção de método dentro do consenso que rege a redação dessa parte do artigo. O público leitor ficará agradecido se a mensagem for clara e concisa. E mais, que essa informação não esteja distribuída em todo o texto mas confinada à seção de método, o local do artigo em que ela deve estar situada.

 

 

Referências

1. Pereira MG. A introdução de um artigo científico. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, 2012; 21(4): 675-676.

2. Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2011.

3. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de informática do SUS. Sistema de Informações de Mortalidade. Brasília, DF; 2008. [acesso em 2013 fev. 14]. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=040701.

 

 

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