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Epidemiologia e Serviços de Saúde

versão impressa ISSN 1679-4974versão On-line ISSN 2237-9622

Epidemiol. Serv. Saúde vol.32 no.1 Brasília  2023  Epub 26-Jan-2023

http://dx.doi.org/10.1590/s2237-96222023000100020 

Artigo original

Prevalência e fatores associados à iniciação sexual em adolescentes escolares do Piauí, 2015

Lucélia da Cunha Castro (orcid: 0000-0003-2831-5461)1  *  , Vera Alice Oliveira Viana (orcid: 0000-0001-8885-1667)1  , Andréa Cronemberger Rufino (orcid: 0000-0003-3799-8313)1  , Alberto Pereira Madeiro (orcid: 0000-0002-5258-5982)1 

1Universidade Federal do Piauí, Programa de Pós-graduação em Saúde e Comunidade, Teresina, PI, Brasil

Resumo

Objetivo:

analisar prevalência e fatores associados à iniciação sexual de adolescentes do Piauí.

Métodos:

estudo transversal, com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, 2015. Realizou-se análise hierarquizada por regressão de Poisson.

Resultados:

foram entrevistados 3.872 adolescentes. A prevalência de iniciação sexual foi de 24,2%; sexo masculino [razão de prevalência (RP) = 2,18; intervalo de confiança de 95% (IC95%) 1,90;2,47], idade ≥ 15 anos (RP = 2,49; IC95% 2,18;2,76), morar com a mãe (RP = 0,68; IC95% 0,54;0,82), trabalhar (RP = 1,82; IC95% 1,55;2,10). estudar em escola pública (RP = 1,39; IC95% 1,09;1,75), praticar bullying (RP = 1,50; IC95% 1,31;1,72), usar álcool (RP = 2,35; IC95% 2,09;2,64), cigarro (RP = 1,46; IC95% 1,22;1,70) e drogas ilícitas (RP = 1,40; IC95% 1,15;1,66) foram fatores de risco para o evento.

Conclusão:

a prevalência de iniciação sexual foi alta e associada a características sociodemográficas e comportamentos vulneráveis à saúde, demandando estratégias de promoção de saúde.

Palavras-chave: Saúde Sexual e Reprodutiva; Comportamento Sexual; Comportamento do Adolescente; Saúde do Adolescente; Saúde do Estudante; Estudos Transversais

Contribuições do estudo

Principais resultados

A prevalência de iniciação sexual foi de 24,2%, sendo associada com o sexo masculino, ter 15 anos ou mais, morar com a mãe, trabalhar, estudar em escola pública, praticar bullying, e com o uso de álcool, de cigarro e de drogas ilícitas.

Implicações para os serviços

Os achados reforçam a necessidade de abordagem multifatorial que, além de fortalecer as políticas públicas existentes, seja voltada para este público, com ênfase na promoção da educação sexual e reprodutiva.

Perspectivas

Melhorar os programas de prevenção e promoção da educação sexual poderá ser uma boa estratégia para conduzir os adolescentes, desde as séries iniciais, a fazerem melhores escolhas e terem atitudes responsáveis quanto aos comportamentos sexuais.

Introdução

A iniciação sexual é considerada um componente relevante do desenvolvimento social na adolescência. Influenciada por crenças e tabus, por valores pessoais e familiares, bem como pelo acesso adequado à informação e à escolaridade, a idade média de iniciação sexual diminuiu entre os países de alta renda entre 1920 e 1970.1 Porém, apesar da variação entre os países, jovens que atingiram 15 anos entre 1975-1979, comparados àqueles com 15 anos entre 1995-1999, não mostraram tendência universal de relação sexual mais precoce.2 No Brasil, a idade média da primeira relação, em 1996, foi de 19,5 anos para mulheres e 16,7 para homens3 e, em 2015, diminuiu para 12,9 anos entre os meninos e 13,7 entre as meninas.4

A primeira relação sexual é considerada precoce quando antes dos 15 anos e pode trazer consequências negativas para a saúde sexual e reprodutiva do adolescente, com destaque para a maior vulnerabilidade a comportamentos de risco à saúde, à gravidez não planejada e a infecções sexualmente transmissíveis (IST).5 O uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas, a evasão escolar, o baixo envolvimento dos pais com os adolescentes, além da ausência de orientação sobre gravidez na escola, são associados à iniciação sexual precoce e à maior prevalência de prática sexual sem uso de preservativo.6,7 Nesse sentido, a escola é apontada como principal espaço de participação em atividades educativas sobre saúde sexual e reprodutiva.2,5

Adolescentes que iniciaram a vida sexual cedo geralmente não apresentam conhecimento suficiente sobre IST, sobre formas corretas de uso de preservativo e outros métodos contraceptivos e, muitas vezes, têm ideias equivocadas sobre os temas.8 No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) evidenciam diminuição do uso de preservativo e queda da orientação para prevenção de gravidez nas escolas públicas, sendo as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste as que apresentam o pior desempenho dos indicadores.4 Entre as adolescentes e jovens que se tornam mães, a maior frequência está entre as de menor escolaridade e menor renda, menor acesso a serviços públicos e em situação de maior vulnerabilidade social.9 A região Nordeste apresenta a segunda maior quantidade de nascidos vivos de mães adolescentes, estando o Piauí entre os três estados com a proporção mais elevada em 2015.10

Pesquisas que abordem o início da atividade sexual dos adolescentes, seus fatores determinantes e o contexto sociodemográfico em que estão inseridos podem ser de grande utilidade para subsidiar políticas de saúde pública com foco mais específico nos problemas evidenciados. Partindo da hipótese de que o contexto sociodemográfico e características de interação social podem influenciar o início da prática sexual, o objetivo deste estudo foi analisar a prevalência e os fatores associados à iniciação sexual de adolescentes escolares do estado do Piauí.

Métodos

Trata-se de estudo transversal que utilizou dados secundários da PeNSE, edição 2015, de escolas públicas e privadas do Piauí.

O Piauí está localizado na porção meio-norte do Nordeste brasileiro, e conta com 224 municípios distribuídos em uma área de 251.611km2. De acordo como o Censo 2010, possuía população de 3.118.360 habitantes.11 Em 2014, apresentava contingente de 480.388 jovens de 10 a 17 anos nas zonas urbana e rural. Em 2015, ano de aplicação da PeNSE, havia 506.726 matriculados no ensino fundamental.11

Para o cálculo amostral, foram considerados todos os alunos matriculados no 9º ano do ensino fundamental regular, diurno, de escolas com mais de 15 estudantes, excluindo-se aqueles do turno noturno. Considerando-se prevalências de 50%, estimou-se erro máximo de 3% e intervalo de confiança de 95% (IC95%). Para o estado do Piauí, foram analisadas 142 escolas. A coleta de dados foi realizada no período de 8 de abril a 30 de setembro de 2015. O questionário, aplicado através de smartphones, foi respondido apenas por estudantes presentes na escola no dia da coleta, o que permitiu que os próprios adolescentes registrassem suas respostas. O banco de dados foi acessado (http://www.ibge.gov.br) em 12 de maio de 2021. Todas as variáveis foram obtidas por meio do endereço eletrônico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/instrumentos_de_coleta/doc4595.pdf).

A variável dependente foi a iniciação sexual do adolescente, estimada a partir da pergunta: Você já teve relação sexual (transou) alguma vez? (sim; não).

As variáveis independentes foram:

  • a) Sociodemográficas

  • - sexo (feminino; masculino);

  • - faixa etária (em anos: 13 e 14; 15 ou mais);

  • - raça/cor da pele (branca; preta; amarela; parda; indígena);

  • - morar com a mãe (sim; não);

  • - morar com o pai (sim; não);

  • - escolaridade materna (não estudou; ensino fundamental; ensino médio; ensino superior);

  • - tipo de escola (pública; privada);

  • - tipo de município em que está a escola (capital; interior);

  • - acesso à internet (sim; não);

  • - número de pessoas em casa (mora sozinho; 2-5; 6-9; 10 ou mais);

  • - trabalha (sim; não).

  • b) Orientações recebidas na escola

  • - orientação sobre prevenção de gravidez (sim; não);

  • - orientação sobre aids/IST (sim; não);

  • - orientação sobre como conseguir preservativo gratuitamente (sim; não).

  • c) Comportamentos de risco à saúde

  • - uso de álcool (alguma vez: sim; não);

  • - uso de cigarro (alguma vez: sim; não);

  • - uso de drogas ilícitas (alguma vez: sim; não).

  • d) Comportamento agressivo e histórico de violência

  • - envolvimento em brigas (últimos 30 dias: sim; não);

  • - agressão familiar (últimos 30 dias: sim; não);

  • - violência sexual (alguma vez: sim; não).

  • e) Saúde mental e bullying

  • - dificuldade para dormir (últimos 12 meses: sim; não);

  • - sentimento de solidão (últimos 12 meses: sim; não);

  • - sofrer bullying (últimos 30 dias: sim; não);

  • - praticar bullying (últimos 30 dias: sim; não).

  • f) Serviços de saúde

  • - procurar por serviço de saúde (últimos 12 meses: sim; não);

  • - conhecer a vacina contra HPV (sim; não);

  • - ser vacinado contra HPV (sim; não).

  • g) Autoimagem corporal

  • - satisfação em relação ao corpo (satisfeito; indiferente; insatisfeito);

  • - percepção corporal (magro; normal; gordo).

Os dados foram analisados por estatística descritiva, com frequências absolutas e relativas, por meio do programa Statistical Package for the Social Sciences, versão 20.0. Para testar a associação entre a iniciação sexual e as variáveis independentes, foi realizada análise bivariada por meio do teste qui-quadrado de Pearson e cálculo da razão de prevalência (RP) bruta e IC95%. A análise multivariável foi obtida por regressão de Poisson com variância robusta, tendo como categorias de referência as de menor risco para a iniciação sexual. Foram calculados RP ajustadas e IC95%. No modelo multivariável, foram incluídas todas as variáveis com p-valor < 0,20 na análise bivariada.

Com base em estudos anteriores,4,12 a análise dos fatores associados à iniciação sexual ocorreu por modelo hierarquizado (Figura 1), organizado em três blocos (segundo a relação das variáveis com o desfecho), permitindo o ajuste dos fatores de confusão. As variáveis do primeiro bloco (distal) foram compostas por características sociodemográficas e orientações recebidas na escola. Por sua vez, no segundo bloco (intermediário), foram consideradas as características referentes a saúde mental, bullying e serviços de saúde. No terceiro bloco (proximal), foram incluídas variáveis de comportamentos de risco à saúde, histórico de violência, autoimagem corporal e comportamento agressivo. O modelo hierárquico seguiu a direção distal-proximal, com exclusão das variáveis pelo método backward elimination. Inicialmente, foram incluídas as variáveis do primeiro bloco, permanecendo aquelas que apresentaram p-valor ≤ 0,05 (modelo 1). Em seguida, incluíram-se as do segundo bloco, permanecendo as que apresentaram p-valor ≤ 0,05, ajustadas para o nível anterior (modelo 2), realizando-se o mesmo procedimento para o terceiro bloco. No modelo final (modelo 3), foram consideradas associadas ao desfecho as variáveis que apresentaram p-valor < 0,05. Por se tratar de amostra complexa, foram utilizados pesos amostrais nas análises.

Figura 1 Modelo hierarquizado dos fatores associados à iniciação sexual em adolescentes escolares 

O projeto da PeNSE foi aprovado pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Parecer nº 1.006.467, de 30 de março de 2015).

Resultados

Foram entrevistados 3.872 adolescentes e, destes, 3.836 responderam à pergunta sobre iniciação sexual. Do total, houve predominância de adolescentes do sexo feminino (53,0%), entre 13 e 14 anos (66,6%) e pardos (56,5%). A maioria era de escola pública (79,5%), morava com a mãe (88,3%) e/ou com o pai (62,9%) e não trabalhava (92,1%).

O início da vida sexual ocorreu para 24,2% (n = 936) dos adolescentes, tendo 46,4% destes informado idade da primeira relação com 13 anos ou menos. A Tabela 1 mostra as razões de prevalência brutas, apontando que os adolescentes do sexo masculino apresentaram maior prevalência de iniciação sexual (RP = 2,42; IC95% 2,04;2,65). Além disso, ter 15 anos ou mais (RP = 2,76; IC95% 2,33;2,98) aumentou a prevalência de relação sexual. Aqueles que moravam com a mãe (RP = 0,65; IC95% 0,54;0,72) ou com o pai (RP = 0,75; IC95% 0,62;0,94) mostraram menor prevalência de ter tido relação sexual. Por seu turno, adolescentes filhos de mães que não estudaram exibiram prevalência (RP = 1,52; IC95% 1,20;1,96) maior quando comparados àqueles com mães que possuíam ensino superior. Houve maior prevalência de relação sexual entre os que estudavam em escola pública (RP = 1,62; IC95% 1,53;1,90) e os que trabalhavam (RP = 2,21; IC95% 1,90;2,56).

Tabela 1 Associação bruta de variáveis sociodemográficas com a iniciação sexual de adolescentes escolares, Piauí, 2015 

Variáveis Todos Já teve relação sexual? Sim RPa IC95%b p-valorc
n % n %
Sexo (n = 3.872)
Masculino 1.820 47,0 623 37,1 2,42 2,04;2,65 < 0,001
Feminino 2.052 53,0 307 15,6 1,00
Faixa etária (em anos) (n = 3.872)d
13 e 14 2.577 66,6 396 15,4 1,00 < 0,001
15 ou mais 1.295 33,4 540 41,7 2,76 2,33;2,98
Raça/cor da pele (n = 3.867)
Branca 949 24,6 212 23,8 1,00 0,242
Preta 503 13,0 154 31,8 1,38 0,98;1,57
Amarela 133 3,4 32 26,9 1,07 0,76;1,52
Parda 2.184 56,5 507 24,8 1,04 0,90;1,23
Indígena 98 2,5 24 29,7 1,11 0,73;1,65
Morar com a mãe (n = 3.869)
Sim 3.417 88,3 771 24,0 0,65 0,54;0,72 < 0,001
Não 452 11,7 158 38,5 1,00
Morar com o pai (n = 3.865)
Sim 2.431 62,9 524 21,6 0,75 0,62;0,94 0,035
Não 1.434 37,1 403 28,1 1,00
Escolaridade materna (n = 2.940)
Não estudou 279 9,5 82 30,9 1,52 1,20;1,96 0,001
Ensino fundamental 1.138 38,7 317 28,2 1,42 1,27;1,70
Ensino médio 876 29,8 189 22,0 1,10 0,91;1,39
Ensino superior 647 22,0 127 22,0 1,00
Tipo de município (n = 3.872)
Capital 2.008 51,9 424 21,8 0,78 0,59;1,15 0,284
Não capital 1.864 48,1 506 27,0 1,00
Tipo de escola (n = 3.872)
Pública 3.077 79,5 801 27,3 1,62 1,53;1,90 < 0,001
Privada 795 20,5 129 14,2 1,00
Acesso à internet (n = 3.863)
Sim 2.448 63,4 585 25,6 0,98 0,82;1,12 0,916
Não 1.415 36,6 345 25,8 1,00
Número de pessoas em casa (n = 3.869)
Mora sozinho 7 0,2 3 23,1 1,41 0,89;2,16 0,493
2 a 5 2.974 76,9 711 25,6 1,00
6 a 9 844 21,8 200 24,9 0,99 0,85;1,15
10 ou mais 44 1,1 15 36,4 1,78 0,76;4,34
Trabalhar (n = 3.866)
Sim 305 7,9 148 47,6 2,21 1,90;2,56 < 0,001
Não 3.561 92,1 782 23,6 1,00

a) RP: Razão de prevalência bruta; b) IC95%: Intervalo de confiança de 95%; c) P-valor: Teste qui-quadrado; d) Iniciação sexual: n = 3.836.

A Tabela 2 mostra que, entre adolescentes que receberam a vacina contra o HPV (RP = 0,57; IC95% 0,36;0,81), a atividade sexual foi menos prevalente. Em relação aos comportamentos de risco à saúde, ocorreu associação com o uso de álcool (RP = 3,18; IC95% 2,68;3,59), cigarro (RP = 2,97; IC95% 2,60;3,27) e drogas ilícitas (RP = 3,27; IC95% 2,95;3,56).

Tabela 2 Associação bruta de variáveis de orientações recebidas na escola, procura por serviços de saúde e comportamentos de risco com a iniciação sexual de adolescentes escolares, Piauí, 2015 

Variáveis Todos Já teve relação sexual? Sim RPa IC95% b p-valorc
n % n %
Orientação sobre gravidez (n = 3.615)
Sim 2.915 80,6 696 25,6 0,88 0,75;1,04 0,361
Não 700 19,4 181 27,5 1,00
Orientação sobre aids/ISTd (n = 3.684)
Sim 3.284 89,1 787 25,6 0,89 0,77;1,05 0,498
Não 400 10,9 108 27,2 1,00
Orientação sobre preservativo (n = 3.559)
Sim 2.381 66,9 654 28,8 1,35 0,98;1,70 0,130
Não 1.178 33,1 236 21,0 1,00
Procurar por serviço de saúde (n = 3.801)
Sim 2.169 57,1 513 25,5 0,97 0,86;1,15 0,885
Não 1.632 42,9 399 25,3 1,00
Conhecer vacina contra HPVe (n = 3.795)
Sim 3.402 89,6 787 24,5 0,74 0,63;1,07 0,215
Não 393 10,4 124 32,6 1,00
Vacinado contra HPVe (n = 2.032)
Sim 1.400 68,9 168 11,4 0,57 0,36;0,81 < 0,001
Não 632 31,1 134 25,8 1,00
Consumo de álcool (n = 3.855)
Sim 1.677 43,5 660 40,9 3,18 2,68;3,59 < 0,001
Não 2.178 56,5 269 14,3 1,00
Uso de cigarro (n = 3.857)
Sim 517 13,4 292 59,0 2,97 2,60;3,27 < 0,001
Não 3.340 86,6 636 20,8 1,00
Uso de drogas (n = 3.852)
Sim 147 3,8 107 73,3 3,27 2,95;3,56 < 0,001
Não 3.705 96,2 821 24,1 1,00

a) RP: Razão de prevalência bruta; b) IC95%: Intervalo de confiança de 95%; c) P-valor: Teste qui-quadrado, d) Aids/IST: Síndrome da imunodeficiência humana/Infecção sexualmente transmissível; e) HPV: Papilomavírus humano.

A maioria relatou não ter envolvimento em brigas (95,7%), não ter sofrido agressão familiar (88,7%), não ter praticado bullying (84,9%) e tampouco ter sofrido violência sexual (96,7%). Tanto os adolescentes que sofreram bullying (RP = 1,21; IC95% 1,10;1,39) como aqueles que praticaram (RP = 1,69; IC95% 1,51;1,98) apresentaram maior prevalência de relação sexual. Também foi observada maior prevalência de relação sexual entre os que se envolveram em brigas (RP = 2,45; IC95% 2,09;2,82), os que sofreram agressão familiar (RP = 1,58; IC95% 1,33;1,86) e aqueles com autopercepção de corpo normal (RP = 1,41; IC95% 1,12;1,85) (Tabela 3).

Tabela 3 Associação bruta das variáveis comportamento agressivo, histórico de violência, saúde mental, bullying e autoimagem com a iniciação sexual de adolescentes escolares, Piauí, 2015 

Variáveis Todos Já teve relação sexual? Sim RPa IC95% b p-valorc
n % n %
Envolvimento em brigas (n = 3.827)
Sim 166 4,3 92 57,7 2,45 2,09;2,82 < 0,001
Não 3.661 95,7 829 24,2 1,00
Agressão familiar (n = 3.808)
Sim 429 11,3 153 37,1 1,58 1,33;1,86 < 0,001
Não 3.379 88,7 761 24,1 1,00
Violência sexual (n = 3.825)
Sim 126 3,3 64 53,5 3,25 2,51;4,93 0,361
Não 3.699 96,7 855 24,6 1,00
Dificuldade para dormir (n = 3.845)
Sim 2.293 59,6 573 26,3 1,09 0,97;1,23 0,328
Não 1.552 40,4 354 24,7 1,00
Solidão (n = 3.847)
Sim 2.381 61,9 585 25,7 1,04 0,93;1,17 0,932
Não 1.466 38,1 345 25,6 1,00
Sofrer bullying (n = 3.757)
Sim 1.628 43,3 436 28,2 1,21 1,10;1,39 0,039
Não 2.129 56,7 467 23,8 1,00
Praticar bullying (n = 3.843)
Sim 581 15,1 214 37,2 1,69 1,51;1,98 < 0,001
Não 3.262 84,9 710 23,7 1,00
Percepção corporal (n = 3.800)
Magro 2.268 59,7 214 22,2 1,06 0,81;1,39 0,001
Normal 1.010 26,6 590 27,6 1,41 1,12;1,85
Gordo 522 13,7 108 21,2 1,00
Satisfação com o corpo (n = 3.787)
Insatisfeito 2.930 77,4 729 25,9 1,02 0,84;1,26 0,253
Indiferente 325 8,6 66 25,9 1,26 1,05;1,51
Satisfeito 532 14,0 113 22,0 1,00

a) RP: Razão de prevalência bruta; b) IC95%: Intervalo de confiança de 95%; c) P-valor: Teste qui-quadrado.

Os resultados da análise hierarquizada estão na Tabela 4. No modelo 1, foram associadas à iniciação sexual ser do sexo masculino (RP = 2,18; IC95% 1,90;2,47), ter 15 anos ou mais (RP = 2,49; IC95% 2,18;2,76), morar com a mãe (RP = 0,68; IC95% 0,54;0,82), ser estudante de escola pública (RP = 1,39; IC95% 1,09;1,75) e trabalhar (RP = 1,82; IC95% 1,55;2,10). No modelo 2, a prática de bullying (RP = 1,50; IC95% 1,31;1,72) também se mostrou associada. Já no modelo 3, consumir álcool (RP = 2,35; IC95% 2,09;2,64) fumar cigarro (RP = 1,46; IC95% 1,22;1,70) e usar drogas ilícitas (RP = 1,40; IC95% 1,15;1,66) foram comportamentos associados à iniciação sexual.

Tabela 4 Análise hierarquizada dos fatores associados à iniciação sexual de adolescentes do Piauí, 2015 

Variáveis Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3
RPa IC95% b RPa IC95% b RPa IC95% b
Sexo
Masculino 2,18 1,90;2,47c
Feminino 1,00
Faixa etária
13 e 14 1,00
15 ou mais 2,49 2,18;2,76c
Morar com a mãe
Sim 0,68 0,54;0,82c
Não 1,00
Morar com o pai
Sim 0,73 0,58;1,09
Não 1,00
Escolaridade materna
Não estudou 0,92 0,75;1,25
Ensino fundamental 1,06 0,84;1,28
Ensino médio 0,91 0,75;1,10
Ensino superior 1,00
Tipo de escola
Pública 1,39 1,09;1,75c
Privada 1,00
Trabalhar
Sim 1,82 1,55;2,10c
Não 1,00
Sofrer bullying
Sim 1,15 0,92;1,39
Não 1,00
Praticar bullying
Sim 1,50 1,31;1,72c
Não 1,00
Vacinado contra HPVd
Sim 0,73 0,60;1,11
Não 1,00
Envolvimento em brigas
Sim 1,10 0,87;1,38
Não 1,00
Agressão familiar
Sim 1,06 0,84;1,35
Não 1,00
Percepção corporal
Magro 1,15 0,91;1,52
Normal 0,94 0,85;1,20
Gordo 1,00
Consumo de álcool
Sim 2,35 2,09;2,64c
Não 1,00
Uso de cigarro
Sim 1,46 1,22;1,70c
Não 1,00
Uso de drogas ilícitas
Sim 1,40 1,15;1,66c
Não 1,00

Legenda: Modelo 1 = Distal; Modelo 2 = Intermediário (ajustado pelas variáveis do modelo 1); Modelo 3 = Proximal (ajustado pelas variáveis do modelo 2). a) RP: Razão de prevalência ajustada; b) IC95%: Intervalo de confiança de 95%; c) Variáveis com p-valor < 0,05; d) HPV: Papilomavírus humano.

Discussão

Os dados mostraram que a prevalência de iniciação sexual foi relatada por quase um quarto dos adolescentes, com mais da metade deles tendo iniciado entre 14 e 17 anos. Ser do sexo masculino, ter 15 anos ou mais, morar com a mãe, trabalhar, estudar em escola pública, praticar bullying, assim como o uso de álcool, cigarro e drogas ilícitas apresentaram associação com o início da prática sexual. Estes achados sugerem que diversos aspectos relacionados às condições de vida e às questões familiares dos adolescentes devem merecer atenção, pois poderão influenciar a vida sexual e fatores de risco à saúde.

A prevalência de iniciação sexual no Piauí foi inferior à verificada na amostra nacional da PeNSE 2012 (28,7%),13 porém superior à encontrada em outros estudos.6,7 Essa discrepância de prevalência pode ser explicada por interações complexas entre contexto social, religião, situação educacional, normas de gênero e, até mesmo, abordagens metodológicas diversas.2,14 A compreensão diferente do que é “relação sexual” pode subestimar ou superestimar as frequências encontradas, influenciando inclusive o entendimento de o adolescente englobar ou não o sexo oral.2 Além disso, padrões culturais frequentes em muitas regiões explicam a diferença entre os sexos, incentivando os meninos a se envolverem em atividades sexuais e punindo as meninas por praticá-las.14,15

Quanto à idade de início da relação sexual no Piauí, dois quintos dos adolescentes relataram ter iniciado abaixo dos 13 anos. Em 2009, mais da metade (56,8%) dos adolescentes escolares do Brasil que relatava ter tido relação sexual tinha 13 anos ou menos.16 Outro estudo nacional, em 2014, encontrou média de idade de 12,4 anos na primeira relação sexual.7 Apesar de controversias, com diferentes pontos de corte, para alguns autores a prática sexual com menos de 15 anos pode ser considerada precoce, e muito precoce quando ocorre antes de 14 anos.2,5 Entre 1996-1998, jovens da Finlândia, Escócia, França, Polônia e Estados Unidos, com definição de início sexual precoce como sendo abaixo de 16 anos, apresentaram relação positiva de sexo precoce com a utilização de substâncias (álcool e tabaco) em todos os países.17

As discussões em torno da idade da iniciação sexual estão relacionadas também aos fatores fisiológicos e psicológicos durante a adolescência e suas repercussões na fase adulta.2 O início antes dos 14 anos pode estar associado à multiplicidade de parceiros, transmissão de IST, violência sexual e física e, no caso das meninas, no que diz respeito à maturidade fisiológica, considera-se que são jovens demais para ter relações sexuais.5 Ainda mais, quase 40% das mulheres que iniciaram a vida sexual aos 10 anos contraíram alguma IST no início da idade adulta.18 Compreender esses aspectos tem por finalidade a busca por estratégias que ofertem subsídios para adequada saúde sexual e reprodutiva. Essa discussão serve não apenas para os adolescentes que já iniciaram a prática sexual, mas também para estimular aqueles que ainda não a iniciaram a ter atitudes responsáveis em relação à saúde sexual.

A iniciação sexual se mostrou associada a morar com a mãe, neste estudo. Conhecida como fator de proteção para o início da relação sexual, a qualidade da relação com os pais, incluindo sua presença e supervisão, pode interferir positivamente no desenvolvimento da educação sexual dos filhos.19 Em 2016, um estudo na Holanda observou que ter relacionamento de qualidade com as mães e/ou os pais - especialmente no caso das relações entre mães e filhas - diminuiria a propensão a ter relações sexuais precoces.20 Além disso, quanto maior a escolaridade da mãe, menor a chance de os adolescentes iniciarem atividades sexuais precocemente.5 O apoio familiar é fundamental para o desenvolvimento dos adolescentes, pois incentiva a autonomia, a cooperação e a organização das regras familiares,7,12 podendo os pais desempenhar papel significativo na promoção de comportamentos sexuais saudáveis.20

No atual estudo, os adolescentes de escolas públicas apresentaram maior prevalência de iniciação sexual, aspecto também observado na edição de 2012 da PeNSE.13 Quando comparadas as atividades de educação sexual de alunos de escolas particulares e públicas, ambos os grupos apresentam situação ainda desfavorável em relação às orientações sobre IST, uso de preservativo e gravidez não planejada, porém alunos de escolas públicas têm vulnerabilidade maior, relacionada à falta de material educativo e ao despreparo dos professores.4,21 Por ser uma porta de acesso às informações sobre saúde sexual e reprodutiva, a escola desempenha importante papel na educação sexual dos jovens. Porém, assim como no ambiente familiar, existem dificuldades dos professores ao se discutir o assunto, sendo esta uma barreira que ainda precisa ser superada.2,5

Apesar de poder existir discrepância entre ter conhecimento e não se proteger, já se mostrou que não receber orientações na escola sobre saúde sexual e reprodutiva se relacionou com maior chance de iniciação sexual e sexo sem proteção.4,13 Adolescentes que relataram frequentar a escola eram menos propensos a ser sexualmente ativos, bem como a fazer maior uso de preservativos e a ter menos parceiros múltiplos e simultâneos.5 No contexto brasileiro, vários fatores se associaram ao não uso de preservativos entre adolescentes, com destaque para não ter recebido aconselhamento sobre prevenção de gravidez ou orientação sobre prevenção de aids/IST na escola, não ter acessado serviço de saúde ou não ter procurado profissional de saúde para atendimento.22 Ainda mais, sabe-se que indivíduos que começam a fumar em idade relativamente precoce tendem a praticar sexo desprotegido sob a influência de álcool ou drogas, mostrando a intersecção dos fatores de risco.5

A atividade sexual também se mostrou associada ao trabalho remunerado fora do lar, tendo a literatura já mostrado associação.2,5,7 Adolescentes que passam longas horas no trabalho, durante o ano escolar, têm maior probabilidade de experimentar comportamentos para formação de família mais cedo que os jovens que trabalham moderadamente ou nunca trabalham.5 A baixa escolaridade materna, trabalhar e chefiar famílias aumentam a chance de início sexual precoce.13 Esse comportamento possui como causa mais relevante a falta de recursos financeiros, que pode levar a comportamentos de alto risco por questão de sobrevivência, com destaque para a exploração sexual de meninas.23

Como observado neste estudo, praticar bullying é um fator associado à iniciação sexual. Adolescentes com vários tipos de transtornos psicossociais podem ser mais propensos a se envolver em atividades sexuais para aliviar o sofrimento emocional.14 É comum que os homens sejam mais propensos a praticá-lo do que as mulheres e que, por trás de jovens perpetradores de bullying, exista um contexto de outros fatores de risco que os levam ao papel de agressor, principalmente abusos físico e sexual na infância, considerados como os indicadores mais consistentes de perpetuação de violência juvenil.24 Dessa forma, os esforços para reduzir o bullying também devem abordar o assédio sexual e as conexões sociais com adultos, sendo os pais e os professores fatores de proteção diretos.25

Neste estudo, o uso de substâncias como álcool, drogas e fumo foi associado à iniciação sexual, fato que já é evidenciado na literatura.7,16 O consumo ou experimentação de álcool alguma vez por adolescentes é cada vez mais frequente, e isso pode gerar consequências adversas, tanto pela maior vulnerabilidade ao consumo excessivo como pela maior predisposição a transtornos de comportamento, incluindo comportamentos sexuais de risco com múltiplos parceiros.26 No entanto, muitos adolescentes podem experimentar bebidas alcoólicas e não desenvolver comportamento abusivo de consumo (binge drinking). Tal padrão não foi avaliado por este estudo, e possui maior associação com iniciação sexual precoce16 e comportamentos compulsivos, como o uso de drogas ilícitas.27

Há consenso de que o álcool pode afetar o julgamento crítico dos adolescentes, reduzir a inibição e interferir na tomada de decisões, favorecendo o maior número de parceiros, sendo essa uma das explicações de sua associação com a iniciação sexual precoce.16 Em escolas com mais alunos pobres e não brancos, há taxas mais altas de uso de álcool por estudantes no ensino médio, com maior absenteísmo em decorrência do uso de álcool, maconha e outras substâncias combinadas.27 Alguns adolescentes acreditam que o álcool tem o potencial de melhorar suas experiências sexuais e, muitas vezes, associam seu consumo ao uso de drogas ilícitas.28 Esse uso concomitante pode estar atrelado à busca de grandes sensações, com maior propensão a usar substâncias e ter múltiplos parceiros sexuais para satisfazer desejos de experiências excitantes.29 Associado ou não a outras substâncias, o consumo de álcool pode predizer a iniciação sexual16 e esta, em contrapartida, pode induzir o consumo de álcool entre adolescentes.30 Neste estudo, porém, por sua natureza transversal, não foi possível a compreensão completa de algumas associações observadas, podendo ocorrer tanto simultaneidade como precedência de um fator sobre o outro.

Cabe ressaltar que esta pesquisa apresenta algumas limitações. Primeiro, o questionário da PeNSE 2015 não continha perguntas sobre o relacionamento dos adolescentes com seus pares e, tendo em vista a importância dessa variável para o comportamento sexual, os resultados apresentados podem sofrer alterações. Outro aspecto a ser considerado é que os dados são referentes aos adolescentes presentes na escola no momento da entrevista e, além dos ausentes, não há dados sobre aqueles que não a frequentam, o que pode ter interferido na prevalência encontrada. Além disso, todas as respostas dizem respeito a eventos passados, podendo apresentar viés de memória, o que possibilita subestimativas ou superestimativas dos indicadores. Por outro lado, sendo o questionário confidencial, provavelmente as respostas ocorreram com menos inibição. Por fim, levando-se em consideração o caráter transversal do estudo, os resultados apresentados devem ser interpretados com cautela, pela impossibilidade de relação de temporalidade e casualidade.

Apesar das limitações, o presente estudo é o primeiro no Piauí a analisar uma amostra representativa sobre iniciação sexual em adolescentes, com grande número de variáveis como fatores que podem se associar à iniciação sexual. Ao contribuir para a compreensão do comportamento sexual dos jovens e explorar a prevalência de parâmetros de saúde sexual, a análise dos dados adiciona conhecimento sobre fatores de risco e proteção associados à iniciação sexual, tanto individuais como sociais. Nesse sentido, é possível adotar uma abordagem multifatorial que, além de fortalecer as políticas públicas existentes, seja voltada para este público, com ênfase na educação sexual e reprodutiva. Ademais, reforçar a importância do envolvimento dos familiares, do ensino em educação sexual e reprodutiva nas escolas, dos profissionais da saúde e da sociedade é ponto central na promoção da saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes.

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Trabalho acadêmico associado Artigo derivado da dissertação de mestrado acadêmico intitulada Iniciação sexual e fatores associados em adolescentes escolares do Piauí, defendida por Lucélia da Cunha Castro no Programa de Pós-Graduação em Saúde e Comunidade da Universidade Federal do Piauí em 3 de fevereiro de 2022.

Recebido: 10 de Janeiro de 2022; Aceito: 26 de Outubro de 2022

* Correspondência Lucélia da Cunha Castro lucelia.castro16@gmail.com

Editora associada

Maryane Oliveira Campos

Conflitos de interesse

Os autores declararam não haver conflitos de interesse.

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