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Revista Pan-Amazônica de Saúde

versão impressa ISSN 2176-6223versão On-line ISSN 2176-6223

Rev Pan-Amaz Saude v.1 n.2 Ananindeua jun. 2010

http://dx.doi.org/10.5123/S2176-62232010000200002 

ARTIGO HISTÓRICO

 

Espécies neotropicais de Leishmania: uma breve revisão histórica sobre sua descoberta, ecologia e taxonomia

 

 

Ralph Lainson

Seção de Parasitologia, Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Belém, Pará, Brasil

Endereço para correspondência
Correspondence
Dirección para correspondencia

 

Título original: The Neotropical Leishmania species: a brief historical review of their discovery, ecology and taxonomy. Traduzido por: André Monteiro Diniz.

 

 


RESUMO

Este artigo apresenta uma revisão dos mais importantes eventos históricos que levaram à atual classificação das espécies neotropicais de Leishmania e indica as doenças básicas causadas em seres humanos por estes diferentes parasitos, sem discutir os aspectos clínicos e epidemiológicos das leishmanioses. Para cada uma das espécies descritas, são fornecidas informações a respeito de sua conhecida distribuição geográfica, dos flebotomíneos hospedeiros registrados e de seus reservatórios mamíferos secundários, selvagens ou domésticos. Os dados apresentados levam à conclusão de que o parasito Leishmania (L.) infantum chagasi, agente causador da leishmaniose visceral americana, é provavelmente autóctone da região neotropical, e não importado durante a colonização ibérica.

Palavras-chave: Leishmania; Neotrópico; Ecologia; Taxonomia.


 

 

INTRODUÇÃO

A leishmaniose cutânea americana (LCA) parece ser uma doença antiga, que afligia humanos em áreas tropicais e subtropicais do Novo Mundo, como sugerido em antigas peças de cerâmica originárias do Peru e Equador (huacos). Essas peças geralmente retratavam rostos humanos com deformações graves bastante similares às causadas pela leishmaniose mucocutânea. Ademais, historiadores da época da colonização ibérica relatavam com frequência a ocorrência de lesões cutâneas nos habitantes nativos. Em 1571, Pedro Pizarro83 descreveu a desfiguração de narizes e lábios de plantadores de coca que trabalhavam na base das encostas orientais das Cordilheiras dos Andes. Como atualmente a leishmaniose mucocutânea é reconhecidamente endêmica nesta área, é bastante provável que aquele historiador se referisse a esta doença.

Aos poucos foi ficando evidente que as lesões cutâneas chamadas de uta pelos índios peruanos e a doença mucocutânea conhecida como espundia eram disseminadas pela maior parte do continente latino­americano, onde receberam diversas denominações. As lesões menos destrutivas eram chamadas de uta seco, úlcera de Velez, ulcer de los chicleros, buba, úlcera de Baurú, ferida brava, botão do oriente, forest yaws, Bay-sore, pian-bois e bosch-yaws; já as mais destrutivas receberam as seguintes denominações: espundia, llaga corrosiva, cancro espúndico, nariz de tapir, tiacarana, gangosa, ferida esponjosa, e cancro fagendênico. No entanto, a etiologia destas lesões permaneceu desconhecida por muito tempo.

A leishmaniose visceral americana (LVA) pode ser tão antiga quanto a LCA na América Latina, porém oferece menor quantidade de evidências visuais externas de sua existência. Entretanto, a enfermidade conhecida no Brasil como barriga d'água (caracterizada por uma dilatação anormal do abdome), associada a episódios de febre e mal estar, era bastante conhecida, e boa parte de suas ocorrências foram provavelmente casos de LVA não diagnosticados.

Eventos importantes do histórico da LCA e da LVA na região neotropical, particularmente no Brasil, são descritos abaixo em ordem cronológica. Eles poderão ajudar a compreender como foi desenvolvida a classificação atual de seus agentes causadores.

 

INÍCIO

Por muitos anos, a uta peruana e outras lesões cutâneas semelhantes ocorridas em outros países da América Latina eram consideradas idênticas à denominada "botão do oriente", observada em países da região do Mediterrâneo e do continente asiático, cuja etiologia ainda suscitava dúvidas à época.

1909-1911

O agente causador do botão do oriente do Velho Mundo foi descoberto em 1903115 e denominado Leishmania tropica em 190662. Lesões cutâneas semelhantes encontradas na região neotropical só foram associadas a um parasita do gênero Leishmania em 1909, quando Lindenberg60 e Carini e Paranhos6, em estudos independentes, demonstraram "corpúsculos de Leishman-Donovan" (formas amastigotas) em lesões cutâneas de indivíduos acometidos de "úlcera de Baurú" no Estado de São Paulo, Brasil. Curiosamente, Lindenberg (Figura 1) publicou sua descoberta em um jornal, O Estado de São Paulo, em 30 de março de 1909, e Carini e Paranhos divulgaram seus achados no dia seguinte - no mesmo jornal! Finalmente, em 1911, Splendore105 demonstrou a presença do parasita em lesões mucocutâneas de espundia.

 

 

Inicialmente, acreditava-se que o parasita causador deveria ser denominado Leishmania tropica (Wright, 1903) Lühe, 1906, porém Gaspar Vianna111(Figura 2), clínico e parasitologista brasileiro, investigou formas amastigotas em lesões cutâneas de um paciente de Além Paraíba, Estado de Minas Gerais, Brasil, e concluiu (equivocadamente, como foi demonstrado posteriormente) que sua morfologia diferia da das formas amastigotas de L. tropica. Ele então denominou o parasita Leishmania brazilienses, posteriormente corrigido para L. braziliensis por Matta69, em 1916.

 

 

1913

Por muitos anos, houve um entendimento geral de que todas as leishmanioses cutâneas e mucocutâneas americanas seriam causadas por um único parasita, o L. braziliensis. No entanto, Velez110, talvez por motivações patrióticas, decidiu que o parasita causador da uta peruana não era nem o L. tropica nem o L. braziliensis e chamou-o de Leishmania peruviana.

O primeiro relato de LVA nas Américas foi provavelmente o de Migone74, em 1913. Ele observou o que considerou serem formas amastigotas no sangue de um paciente no Paraguai. Os sintomas reportados eram altamente indicativos de LVA. O paciente não respondeu satisfatoriamente ao tratamento contra a malária e morreu. Antes de adoecer, ele havia trabalhado na construção da notória ferrovia São Paulo-Corumbá, no Brasil, onde, acredita-se, teria sido infectado.

1934-1937

Mesmo com casos esporádicos de LVA surgindo em diversos países das Américas do Sul e Central, demorou certo tempo até que evidências definitivas da existência da doença fossem obtidas no Brasil. Em 1934, porém, 41 casos foram diagnosticados após análise de tecidos de fígado removidos por viscerotomia80 (Figura 3). Três deles eram originários do Estado do Pará, e representaram o primeiro registro da LVA na Amazônia.

 

 

Sabia-se que tanto a L. donovani quanto a L. infantum, agentes causadores da leishmaniose visceral do Velho Mundo, facilmente infectavam animais de laboratório. Em 1937, após Cunha e Chagas12 não conseguirem infectar hospedeiros semelhantes com o parasita extraído de casos de LVA no Brasil, denominaram o parasita Leishmania chagasi.

1945-1948

No Brasil, merece destaque a descoberta, por Medina71, de um misterioso parasita que causava lesões na pele do porquinho-da-índia doméstico (Cavia porcellus), em 1946; este parasita foi posteriormente denominado Leishmania enriettii Muniz & Medina, 1948. Este achado foi um claro indicativo da presença de outras espécies dermotrópicas de Leishmania, além da L. braziliensis, e que poderiam infectar o ser humano no país. Até a década de 1960, ainda se acreditava que todos os casos de LCA humano no país eram causados por L. braziliensis. Este entendimento geral persistiu apesar de o agente causador da doença na floresta confluente, localizada no país vizinho da Guiana Francesa, ter sido denominado L. guyanensis Floch, 1954.

Em 1946, Convit e Lapenta9 descreveram uma forma estranha de leishmaniose cutânea em pacientes na Venezuela. Esta forma caracterizava-se por um grande número de lesões nodulares espalhadas pelo corpo e que continham uma enorme quantidade de amastigotas grandes. Os pacientes apresentaram resultado negativo para o teste de Montenegro e não apresentaram resposta ao tratamento usual com antimoniais. A enfermidade foi então denominada leishmaniose cutânea difusa (LCD) e seu agente causador na Venezuela foi posteriormente chamado de Leishmania pifanoi73.

1953-1961

No Panamá, em 1957, pesquisadores107,106demonstraram a presença de uma espécie de Leishmania no roedor silvestre Proechimys semispinosus. Outras infecções também foram registradas por Forattini20 em roedores silvestres no Estado de São Paulo, Brasil, em 1960. Em nenhum dos casos, entretanto, foi demonstrado conclusivamente que o organismo era idêntico ao parasita que infectava humanos dentro daquela mesma localidade.

Naquele momento estava ficando claro que diferentes parasitas dermotrópicos do gênero Leishmania eram provavelmente responsáveis pela ocorrência de leishmaniose cutânea em diferentes partes da região neotropical. O parasita causador da úlcera dos chicleros em Yucatán, Guatemala e Belize, foi denominado Leishmania tropica mexicana por Biagi3, em 1953. Na Guiana Francesa, Floch19 adotou a mesma nomenclatura trinomial, referindo-se à causa de "pian-bois" por L. tropica guyanensis em 1954. Do mesmo modo, em outras localidades da América do Sul, o mesmo autor considerou ser a leishmaniose cutânea causada por L. tropica braziliensis. No entanto, em 1959, Medina e Romero73, juntamente com vários outros pesquisadores, corretamente desaprovaram o nome específico "tropica" para os parasitas associados à LCD na Venezuela. Em 1961, o parasitalogista brasileiro Pessôa81, seguindo a mesma corrente, listou as espécies conhecidas de Leishmania nas Américas como L. braziliensis braziliensis, L. b. guyanensis, L. b. peruviana, L. b. pifanoi e L. b. mexicana.

1962-1965

Em 1962, Garnham23 elevou o parasita causador da úlcera dos chicleros em Belize, América Central, a um nível específico, como Leishmania mexicana. Além disso, em 1962 e 1964, durante investigações acerca da epidemiológica desta doença, Lainson e Strangways-Dixon56,57 afirmaram que roedores selvagens eram os reservatórios deste parasita, e que eles frequentemente apresentavam lesões visíveis e ricas em formas amastigotas em suas caudas. Um voluntário foi infectado com sucesso por um parasita proveniente de roedor, e uma análise comparativa biológica e bioquímica do organismo com os de casos de LCA demonstrou que eles eram idênticos. Esta foi a primeira associação conclusiva de um parasita neotropical de Leishmania que reconhecidamente infectava humanos com um reservatório silvestre em animais selvagens.

Naturalmente, foi levantada a suspeita de que um reservatório roedor de L. braziliensis semelhante existisse nas florestas do Brasil. Em uma visita ao Instituto Evandro Chagas (IEC) em 1963, este autor discutiu com o Dr. Orlando Costa, diretor do IEC, e com o Dr. Otis Causey, chefe de seu programa de arbovírus, a possibilidade de se implementar um programa de colaboração a respeito da eco-epidemiologia da LCA na Amazônia.

Causey ficou impressionado com a semelhança das lesões em caudas causadas pela L. mexicana e as observadas em roedores capturados na floresta do Utinga, em Belém, Brasil. Ele havia considerado que elas teriam sido causadas por infecções bacterianas em caudas lesionadas e comprometeu-se em examiná-las em mais detalhes no futuro. Algumas semanas depois, ele presenteou este autor com um esfregaço corado pelo método de Giemsa de uma lesão na cauda de um espécime de Oryzomys capito, um roedor selvagem comum na área em que foi capturado. Essa amostra era rica em formas amastigotas de Leishmania. Esta descoberta, surpreendentemente rápida, deu ensejo a uma negociação com a Fundação Wellcome Trust, de Londres, que concordou em implantar uma Unidade de parasitologia (Wellcome Parasitalogy Unit -WPU) na Seção de Parasitologia do IEC, por um período de três anos, com a promessa de maior apoio caso os resultados das pesquisas realizadas o justificassem. A cooperação IEC/WPU durou até o ano de 1992.

1965-1967

O parasita encontrado em Oryzomys foi primeiramente definido como sendo L. braziliensis por Nery-Guimarães e Costa77 em 1964. No entanto, esta conclusão não foi corroborada pela comparação daquele parasita com os extraídos de casos de leishmanioses cutâneas e mucocutâneas humanas, realizada pela WPU. Inicialmente, as formas amastigotas do parasita do roedor eram claramente maiores que as de L. braziliensis e, quando inoculadas na pele de camundongos e hamsters de laboratório, produziam rapidamente grandes lesões, semelhantes a tumores, com altas concentrações de formas amastigotas. Por outro lado, L. braziliensis produzia um pequeno nódulo que normalmente levava vários meses até se tornar visível e que continha um baixo número de formas amastigotas relativamente pequenas. Além disso, o parasita - que hoje, sabe-se, infecta muitos roedores e marsupiais silvestres (Figura 4) - cresceu de forma exuberante em meio de cultura ágar sangue (NNN) convencional; já L. braziliensis apresentou dificuldade para sobreviver naquele meio, e suas cepas isoladas geralmente morriam após várias subculturas. Em 1969 e 1970, Lainson e Shaw49,45 referiram-se a essas diferenças como um comportamento característico de "cepas rápidas e lentas" de Leishmania.

 

 

A análise contínua de isolados de Leishmania coletados de pacientes direcionados ao IEC logo demonstrou que um pequeno número de parasitas eram iguais aos extraídos de Oryzomys e outros roedores. Foi demonstrado, também, que o parasita era responsável pela enfermidade conhecida como LCD ou, mais especificamente, da leishmaniose cutânea anérgica difusa (LCAD), uma infecção altamente desfigurante, que acomete indivíduos imunologicamente incompetentes e que resiste ao tratamento usual com drogas antileishmania. Devido à grande semelhança entre os aspectos biológicos do parasita e os apresentados pela L. mexicana encontrada na América Central, ele foi denominado L. mexicana amazonensis Lainson e Shaw, 1972.

1968

Neste ano a raposa Cerdocyon thous foi incriminada pela primeira vez como um importante reservatório do parasita responsável pelas leishmanioses viscerais canina e humana na Amazônia, àquela época descritas por alguns como L. chagasi e por outros como L. donovani. Três raposas infectadas52,54 foram encontradas perto da floresta do Utinga, na periferia de Belém. Posteriormente, foram encontrados dez animais infectados entre 25 examinados (40%) na Ilha do Marajó, Pará54, o que constitui um número surpreendentemente alto. Nenhum desses animais demonstrava qualquer sinal externo da doença.

1977

Esfregaços do tecido de fígado e baço extraídos de um porco-espinho da espécie Coendou prehensilis, capturado em uma área de floresta no Estado do Pará, revelaram a presença de formas amastigotas medindo até 6,8 x 4,5 µm43, um tamanho surpreendentemente grande, mesmo quando comparado a amastigotas de L. m. amazonensis. Em 1971, Herrer27 deu o nome Leishmania hertigi a um parasita encontrado em porcos-espinhos no Panamá; consequentemente, para o parasita encontrado no Coendou brasileiro foi dado o nome subespecífico de Leishmania hertigi deanei em homenagem a Leonidas Deane. Deane encontrou o que seria provavelmente o mesmo parasita em porcos-espinhos originários do Estado do Piauí, Brasil, porém, incerto de sua natureza, absteve-se de nomeá-lo. O caráter semelhante à leishmania deste estranho parasita foi indicado pela produção (ainda que temporária) de formas amastigotas na pele de hamsters inoculados experimentalmente, bem como pela formação de estágios típicos de promastigotas em meio de cultura de ágar-sangue. Em 1980, Miles et al76 distinguiram os parasitas de L. (L.) hertigi hertigi e L. mexicana amazonensis por meio da comparação de seus perfis isoenzimáticos.

1979

Uma espécie de Leishmania foi isolada do fígado e baço de um tatu-galinha, Dasypus novemcinctus, da área de Monte Dourado (Jari), no norte do Pará, Brasil51.

Suas características biológicas, bem como o desenvolvimento de técnicas imunológicas e bioquímicas, aos poucos serviram de base para tentativas preliminares de classificar o crescente número de espécies identificadas e aceitas como pertencentes ao gênero Leishmania46,50,42,117,51. As observações acerca do modo de desenvolvimento dessas espécies em seus vetores flebotomíneos foram particularmente importantes, e deram ensejo à divisão dos parasitas em três grupos distintos, denominados Seções (Figura 5).

 

 

 

CLASSIFICAÇÃO INICIAL DAS ESPÉCIES DO GÊNERO LEISHMANIA51

SEÇÃO HYPOPYLARIA (de hypo = sob, e pyl = portão)

Os parasitas pertencentes a este grupo foram considerados as espécies mais primitivas, e seu desenvolvimento é restringido a uma posição posterior no piloro, íleo e reto do intestino do flebotomíneo. Os reservatórios são aparentemente restritos a alguns lagartos do Velho Mundo, em cujas vísceras ou sangue o parasita pode tomar as formas amastigota e/ou promastigota. As espécies listadas incluem Leishmania agamae David, 1929, e L. ceramodactyli Adler & Theodor, 1928. Sua transmissão geralmente segue-se à ingestão, pelo lagarto, do flebotomíneo infectado. Alguns estudiosos35, dentre eles este autor, entendem que estes parasitas deveriam ser classificados sob o gênero Sauroleishmania Ranque, 1973.

SEÇÃO PERIPYLARIA (de peri = por todos os lados, e pyl = portão)

Essas espécies de Leishmania se desenvolvem obrigatoriamente no intestino posterior do flebotomíneo. No entanto, além disso, têm também migrado para o intestino anterior. Neste grupo estão incluídos os seguintes parasitas encontrados em lagartos do Velho Mundo: Leishmania adleri Heisch, 1958, e Leishmania tarentolae Wenyon, 1921. O parasita pode então ser transmitido por meio da picada de um flebotomíneo infectado ou quando este é ingerido. Esta Seção foi dominada pelo que Lainson e Shaw chamaram de complexo L. braziliensis51 do Novo Mundo. Naquele momento, este complexo incluía os seguintes parasitas: L. braziliensis Vianna, 1911; L. peruviana Velez, 1913; L. guyanensis Floch, 1954; e L. panamensis Lainson & Shaw, 1972. Todos eles infectam humanos.

SEÇÃO SUPRAPYLARIA (de supra = sobre, e pyl = portão)

Considerava-se que essas espécies de Leishmania haviam perdido o seu desenvolvimento no intestino posterior do flebotomíneo, e que os parasitas encontravam-se restritos agora aos intestinos médio e anterior. Eles são encontrados na pele, nas vísceras e no sangue de mamíferos do Velho Mundo e da região neotropical; sua transmissão ocorre por meio da picada do flebotomíneo vetor infectado. Esta Seção foi dividida em quarto complexos:

Complexo L. donovani

Leishmania donovani (Laveran & Mesnil, 1902) Ross, 1903 (Velho Mundo); Leishmania infantum Nicolle, 1908 (Velho Mundo); Leishmania chagasi Cunha & Chagas, 1937 (Novo Mundo).

Complexo L. mexicana

L. mexicana mexicana (Biagi, 1953) Lainson & Shaw, 1979; L. mexicana amazonensis Lainson & Shaw, 1972; L. mexicana pifanoi (Medina & Romero 1959) Medina & Romero, 1962; L. mexicana aristidesi Lainson & Shaw, 1979; L. mexicana enriettii Muniz & Medina, 1948 (todos do Novo Mundo).

Complexo L. hertigi

L. hertigi hertigi Herrer, 1971; L. hertigi deanei Lainson & Shaw, 1977 (Novo Mundo).

Complexo L. tropica

Leishmania tropica (Wright, 1903) Lühe, 1906; Leishmania major Yakimov & Schockov, 1914; Leishmania aethiopica Bray, Ashford & Bray, 1973 (todos do Velho Mundo).

Em 1982, a pesquisadora russa Saf'janova91 distinguiu as chamadas leishmanias de lagartos das verdadeiras espécies de Leishmania em mamíferos por meio da utilização dos subgêneros Sauroleishmania Ranque, 1973, e Leishmania Ross, 1903, respectivamente. Dentro do subgênero Leishmania, ela considerou que o complexo L. donovani era constituído por Leishmania (L.) donovani, L. (L.) infantum (Velho Mundo) e L. (L.) chagasi (Novo Mundo). No entanto, ela não levou em consideração o desenvolvimento de L. braziliensis e leishmânias neotropicais   relacionadas   no   intestino   posterior  de flebotomíneos (membros da Seção Peripylaria51) como sendo de importância taxonômica, e agrupou todos os parasitas neotropicais como sendo L. (L.) amazonensis, L. (L.) mexicana, L. (L.) braziliensis e L. (L.) panamensis (leishmanioses tegumentares), e L. (L.) chagasi (leishmaniose visceral). Além disso, Saf'janova considerava não haver critérios taxonômicos suficientes para incluir L. braziliensis peruviana e L. braziliensis guyanensis em sua classificação. A exclusão destes dois últimos parasitas deveu-se provavelmente à falta de acesso à literatura mais recente, cujos estudos já haviam indicado de forma clara uma caracterização específica baseada em evidências biológicas, bioquímicas e sorológicas40,70,75.

 

1987 UMA CLASSFICAÇÃO REVISADA DAS ESPÉCIES NEOTROPICAIS DE LEISHMANIA

Estudos abrangentes sobre a ecologia e epidemiologia da leishmaniose cutânea na Amazônia Brasileira revelaram um aumento constante no número de espécies de Leishmania, caracterizadas de forma mais adequada por meio de seus perfis enzimáticos76. Este fato deu azo à realização de uma revisão taxonômica41.

Em 1977, Lainson et al58 ressaltaram a importância de se levar em consideração a ocorrência ou ausência de desenvolvimento no intestino posterior do flebotomíneo para distinguir os parasitas do complexo L. braziliensis (com desenvolvimento no intestino posterior) dos parasitas do complexo L. mexicana (sem desenvolvimento no intestino posterior)58. Nesse diapasão, a classificação revisada incluiu todas as espécies que apresentaram desenvolvimento no intestino posterior no novo subgênero Viannia, nome este dado em homenagem a Gaspar Vianna, que descrevera L. (V.) braziliensis, agora a espécie-tipo do subgênero em questão. Todas as espécies que não apresentaram desenvolvimento do intestino posterior foram então incluídas no subgênero Leishmania Ross, 1903, utilizado por Saf'janova91 em 1982. Ademais, ao comentarem a "extensa combinação de dados geográficos nas denominações dos parasitas, o que por vezes criava um conflito absurdo entre elas" (por exemplo, L. braziliensis guyanensis e L. mexicana venezuelensis), propuseram a elevação das subespécies a um patamar específico. Com essas modificações, foi dada às espécies de Leishmania na região neotropical a classificação exposta a seguir41.

SUBGÊNERO LEISHMANIA ROSS, 1903

Definição: Apresenta as características do gênero Leishmania. O ciclo de vida no inseto hospedeiro era limitado aos intestinos médio e anterior. Espécie-tipo: Leishmania (Leishmania) donovani (Laveran & Mesnil, 1903) Ross, 1903. Incluía os seguintes parasitas neotropicais: Leishmania (L.) chagasi Cunha & Chagas, 1937; L. (L.) enriettii Muniz & Medina, 1948; L. (L.) mexicana Biagi, 1953 emend. Garnham, 1962; L. (L.) amazonensis Lainson & Shaw, 1972; L. (L.) aristidesi Lainson & Shaw, 1979; L. (L.) venezuelensis Bonfante-Garrido, 1980; L. (L.) garnhami Scorza et al, 1979; L. (L.) pifanoi (Medina & Romero, 1959) Medina & Romero, 1962; L. (L.) hertigi Herrer, 1971; L. (L.) deanei Lainson & Shaw, 1977.

SUBGÊNERO VIANNIA LAINSON & SHAW, 1987

Definição: Apresenta as características do gênero Leishmania. O ciclo de vida no inseto hospedeiro incluía uma fase de desenvolvimento prolífera em que apresentava formas paramastigotas arredondadas e ovoides, bem como algumas formas promastigotas coladas à parede do intestino posterior (piloro e/ou íleo) por meio de hemidesmossomos flagelares. Porém, ocorre uma migração dos parasitas para os intestinos médio e anterior. Espécie-tipo: Leishmania (Viannia) braziliensis.

As espécies deste subgênero são conhecidas apenas no Novo Mundo e são as seguintes: L. (V.) braziliensis Vianna, 1911, emend Matta, 1916; L. (V.) peruviana Velez, 1913; L. (V.) guyanensis Floch, 1954; L. (V.) panamensis Lainson & Shaw, 1972.

 

CONTINUAÇÃO DAS PESQUISAS SOBRE AS ESPÉCIES NEOTROPICAIS DE LEISHMANIA

1987

O uso de anticorpos monoclonais tornou-se um método consolidado para a identificação da Leishmania (Viannia) braziliensis em flebotomíneos infectados97.

1988-1989

Uma nova espécie pertencente ao subgênero Viannia foi isolada de uma preguiça, de um procionídeo e de duas espécies de macacos de uma floresta de planície ao pé da Serra dos Carajás, Estado do Pará, Brasil38. Este parasita foi denominado Leishmania (Viannia) shawi Lainson et al, 1989.

O parasita que havia sido isolado de um tatu-galinha (Dasypus novemcinctus) em 1979 foi caracterizado e finalmente denominado Leishmania (Viannia) naiffi Lainson & Shaw, 1989.

1991

Kreutzer et al36 descreveram uma nova espécie de Leishmania que infectava humanos na Colômbia e no Panamá, e nomeou-a L. (Viannia) colombiensis.

1992

Grimaldi et al26 isolaram outro parasita ainda não descrito da preguiça Choloepus hoffmanni e do esquilo Sciurus granatensis no Equador e deram a ele o nome de L. (V.) equatorensis.

2002

Foi descoberto que um parasita isolado de casos de LCA em soldados envolvidos em missões realizadas em florestas degradadas na Cidade de Belém, Estado do Pará, Brasil, diferia de todas as espécies de Leishmania encontradas na região amazônica99. Foi então denominado Leishmania (Viannia) lindenbergi Silveira et al, 2002.

2003

Em 1977, foi isolada uma espécie de Leishmania, do subgênero Viannia, de um único espécime do flebotomíneo Lutzomyia tuberculata, extraído do tronco de uma grande árvore da floresta do Utinga. Ela permaneceu no criobanco do IEC por um longo tempo, até ser caracterizada e denominada Leishmania (Viannia) utingensis Braga et al, 20034.

1998/2005

A consolidação do subgênero Viannia e a caracterização de outros parasitas de Leishmania isolados de flebotomíneos, mamíferos selvagens e pacientes com LCA deram ensejo a duas outras publicações, que acabaram por modificar e atualizar a classificação vigente48,47.

Uma mudança importante na classificação anterior dos parasitas do subgênero Leishmania foi a proposta pelos autores Lainson e Shaw47, em 2005, de dividir Leishmania (L.) infantum em duas subespécies: L. (L.) infantum infantum (Velho Mundo) e L. (L.) infantum chagasi (Novo Mundo). Além disso, a nova classificação incluía a Leishmania (L.) forattinii Yoshida et al, 1993, um parasita encontrado no Brasil, em um gambá, o Didelphis marsupialis aurita, e em um roedor, o Proechimys iheringi denigratus.

Todas as espécies neotropicais de Leishmania reconhecidas até o presente momento, sua distribuição geográfica, seus hospedeiros flebotomíneos suspeitos e comprovados, seus hospedeiros mamíferos e os dados clínicos relacionados àquelas que infectam humanos estão apresentados a seguir.

 

CLASSIFICAÇÃO ATUAL DAS ESPÉCIES NEOTROPICAIS DE LEISHMANIA

Adaptado de Cox11 e Lainson e Shaw47.

Reino: Protozoa Goldfuss, 1818

Filo: Euglenozoa Cavalier-Smith, 1998

Classe: Kinetoplastea: Honigberg, 1963

Ordem: Trypanosomatida Kent, 1880

Família: Trypanosomatidae Doflein, 1901

Gênero: Leishmania Ross, 1903

Subgênero: Leishmania Ross, 1903

Subgênero: Viannia Lainson & Shaw, 1987

 

SUBGÊNERO LEISHMANIA

LEISHMANIA (LEISHMANIA) INFANTUM CHAGASI (CUNHA & CHAGAS, 1937) SHAW, 2002

Distribuição geográfica conhecida

Maior parte do continente latino-americano, incluindo Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, Guadalupe, Guatemala, Honduras, Martinica, México, Nicarágua, Paraguai, Suriname e Venezuela.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia (Lutzomyia) longipalpis é o seu principal vetor em toda a área de ocorrência da LVA14,37, porém, Lu. evansi também foi incriminada na Colômbia e na Venezuela109,17. Lu. (Lu.) cruzi tornou-se fortemente suspeita de ser um vetor alternativo no Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil, após o isolamento de L. (L.) infantum chagasi de 14 espécimes93. No entanto, as fêmeas de Lu. cruzi e de Lu. longipalpis são indistinguíveis, e mesmo os machos das duas espécies só podem ser diferenciados com base em pequenas diferenças. Os autores concluíram que as fêmeas infectadas eram de Lu. cruzi, haja vista que os machos de Lu. longipalpis estavam aparentemente ausentes no período estudado. Apesar de a presença de Lu. longipalpis na mesma área já ter sido confirmada94, parece haver poucas dúvidas atualmente acerca da possibilidade de Lu. (Lu.) cruzi ser considerado um vetor alternativo da Leishmania (L.) infantum chagasi no Estado do Mato Grosso do Sul.

Hospedeiros mamíferos registrados

Os canídeos selvagens Cerdocyon thous ("raposa caranguejeira")52,54 e Speothos venaticus ("cachorro vinagre")18, os felídeos Panthera onca (onça pintada) e Felis concolor (suçuarana)13, os gambás Didelphis marsupialis10,108 e D. albiventris98, o cachorro doméstico e humanos.

Infecção em humanos

L. (L.) chagasi causa predominantemente a leishmaniose visceral, que é geralmente fatal quando não tratada adequadamente, porém sua infecção pode ser assintomática em alguns indivíduos. Na Costa Rica, a infecção ocorre majoritariamente na forma de lesões cutâneas não ulcerativas116, e em Honduras e Nicarágua, a infecção é tanto visceral como cutânea84,2.

Há opiniões divergentes sobre o fato de o parasita L. (L.) chagasi ser autóctone dos trópicos americanos ou se a ocorrência da doença no Novo Mundo é causada por L. (L.) infantum, a qual foi introduzida por imigrantes ibéricos, ou por seus cachorros, há cerca de 500 anos. Alguns argumentos em defesa da hipótese de o parasita ser indígena estão expostos a seguir37,54,48,47:

1. Em termos geológicos, 500 anos é um período muito curto para que o parasita tenha atingido uma distribuição tão vasta por toda a América Latina, do México à Argentina.

2. A especificidade de hospedeiro das espécies de Leishmania na natureza é mais pronunciada nos flebotomíneos, que são normalmente considerados os hospedeiros primários das espécies de Leishmania. Portanto, parece ser improvável que L. (L.) infantum introduzida pudesse ter dado um salto repentino do gênero Phlebotomus, no Velho Mundo, para o gênero Lutzomyia, nas Américas. Lutzomyia (Lutzomyia) longipalpis é o principal vetor de L. (L.) infantum chagasi por toda a sua distribuição geográfica14,37, e não há informações sobre o vetor transmitir nenhuma outra espécie de Leishmania.

3. Com base em dados moleculares, é frequente a menção de que os parasitas denominados L. (L.) infantum e L. (L.) chagasi são idênticos. Já há, entretanto, algumas publicações (convenientemente ignoradas) que afirmam haver diferenças entre esses dois organismos. Essas distinções têm sido demonstradas por meio da digestão com endonuclease de restrição, por hibridização de DNA de cinetoplasto33,32 e nos perfis de radiorrespirometria dos dois parasitas16,15; por fim, as diferenças antigênicas têm sido defendidas devido a suas respectivas formas promastigotas92. Consequentemente, estes achados, salvo se comprovadamente refutados, deveriam ser levados em consideração em qualquer discussão acerca da taxonomia destes dois organismos.

4. No ciclo de transmissão de L. (L.) infantum chagasi pela população nativa de Lutzomyia longipalpis entre os animais selvagens, verifica-se uma alta taxa de prevalência da infecção na raposa Cerdocyon thous, nativa do Brasil54 e no gambá Didelphis marsupialis na Colômbia10,108. Já foram documentadas também infecções esporádicas em outros animais selvagens, incluindo o gambá Didelphis albiventris98, o "cachorro vinagre" Speothos venaticus18, a onça Panthera onca e a suçuarana Felis concolor13. Todas as infecções registradas nestes animais eram de natureza inaparente e benigna, o que seria mais sugestiva a existência de uma antiga relação hospedeiro-parasita do que a infecção com um parasita estranho e recentemente introduzido.

A grande diversidade de espécies de Leishmania no Novo Mundo fez com que surgisse a hipótese de que seus parasitas teria se originado nos trópicos americanos78,79, e que o gênero Leishmania foi introduzido no Velho Mundo via ponte terrestre de Bering. Outros autores63, mesmo concordando com esta hipótese, têm afirmado que, após a introdução deste parasita ancestral no Velho Mundo e a evolução de Leishmania donovani e Leishmania infantum (há estimados 14-24 milhões de anos), este último foi introduzido no Novo Mundo por meio dos colonizadores ibéricos.

Para este autor, parece igualmente razoável sugerir que, enquanto a evolução deste antigo parasita ocorria no Velho Mundo, levando ao surgimento não só dos parasitas viscerotrópicos L. (L.) donovani e L. (L.) infantum, mas também dos membros dermotrópicos do complexo L. (L.) tropica, outro processo de evolução deste mesmo parasita ocorria no Novo Mundo, produzindo o parasita viscerotrópico L. chagasi e os parasitas dermotrópicos do subgênero Leishmania (por exemplo, os parasitas pertencentes aos complexos L. mexicana e L. hertigi). Ao mesmo tempo, outra vertente em termos evolucionários divergiu, formando o subgênero Viannia, cujos membros mantiveram as características primitivas de desenvolvimento no intestino posterior nos flebotomíneos. Este grupo de parasitas é desconhecido no Velho Mundo, possivelmente devido ao fato de que sua forma ancestral nunca tenha sido introduzida via ponte terrestre de Bering, uma vez que seus hospedeiros mamíferos apresentavam uma limitada capacidade de locomoção.

A denominação L. (L.) infantum Nicolle, 1908 tem claramente prioridade cronológica sobre L. (L.) chagasi Cunha & Chagas, 1937, e sentimo-nos obrigados a aceitar a denominação específica infantum para o parasita em ambos os hemisférios. A separação geográfica prolongada pode explicar as já mencionadas diferenças registradas entre as duas populações, sugerindo que seria melhor considerá-las como sendo as subespécies L. (L.) infantum chagasi e L. (L.) infantum infantum95,39,47,11.

Tem havido uma certa controvérsia acerca da autoria desta proposta. Inicialmente, foi sugerida por Lainson e Shaw47, em capítulo de sua autoria, denominado "New World Leishmaniasis", que fora submetido para publicação da 10a edição da obra "Topley & Wilson's Microbiology and Microbial Infections". No entanto, houve um atraso incomum até que esta edição da obra tenha sido publicada, o que ocorreu somente em 2005. Durante este ínterim, tanto Shaw95, em 2002, como Lainson e Rangel39, em 2003, utilizaram os novos nomes subespecíficos em outras publicações. Portanto, cronologicamente falando, os nomes subespecíficos corretos da L. infantum devem ser grafados L. (L.) infantum infantum (Nicolle, 1908) Shaw, 2002 e L. (L.) infantum chagasi (Cunha & Chagas, 1937) Shaw, 2002.

LEISHMANIA (L.) ENRIETTII MUNIZ & MEDINA, 1948

Distribuição geográfica conhecida

Apenas nos Estados do Paraná71 e São Paulo65, Brasil.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lu. monticola e Lu. correalimai são suspeitos: o primeiro já foi infectado experimentalmente quando alimentado em lesões de porquinhos-da-índia64.

Hospedeiros mamíferos registrados

Há registros de infecções naturais apenas em porquinhos-da-índia domésticos (Cavia porcellus).

Infecção em humanos

Ainda não há registros; todas as tentativas de infectar voluntários falharam.

LEISHMANIA (L.) MEXICANA (BIAGI, 1953) GARNHAM, 1962

Distribuição geográfica conhecida

Belize, Guatemala, Honduras, Costa Rica, sul dos EUA. Registros de ocorrências em países sul-americanos muito distantes geograficamente devem ser analisados com cautela.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia olmeca olmeca é um vetor comprovado. Lu. diabolica é suspeito no norte do México e no sul do Estado do Texas, e Lu. anthophora é suspeita no Estado do Arizona.

Hospedeiros mamíferos registrados

Os roedores silvestres Ototylomys phyllotis, Nyctomys sumichrasti, Heteromys desmarestianus, Sigmodon hispidus; Neotoma albigula, no sul dos EUA (Arizona); humano.

Infecção em humanos

Leishmaniose cutânea, com uma tendência forte a causar lesões no ouvido externo (chiclero's ear). Casos ocasionais de LCAD.

LEISHMANIA (L.) PIFANOI (MEDINA & ROMERO, 1959) MEDINA & ROMERO, 1962

Distribuição geográfica conhecida

Aparentemente limitada à Venezuela, particularmente nos Estados de Yaracuy, Lara e Miranda.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Incertos, mas possivelmente Lutzomyia flaviscutellata.

Hospedeiros mamíferos registrados

Humanos. Apesar de os reservatórios animais selvagens de L. (L.) pifanoi serem ainda desconhecidos, Lima et al59 sugeriram que os roedores Sigmodon hispidus e Rattus rattus poderiam ser hospedeiros de várias Leishmania spp., incluindo, presumivelmente, a L. (L.) pifanoi.

Infecção em humanos

Até o presente momento, todos os casos registrados foram de LCAD.

LEISHMANIA (LEISHMANIA) AMAZONENSIS LAINSON & SHAW, 1972

Distribuição geográfica conhecida

Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana Francesa e Paraguai. Ocorre provavelmente em outros países neotropicais onde exista o vetor flebotomíneo.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia  (Nyssomyia) flaviscutellata é o seu mais44,96,113,112, importante  vetor ,  com   registros  de  infecções ocasionais em flebotomíneos taxonomicamente próximos a ele, Lu. (N.) olmeca olmeca and Lu. (N.) reducta. Um parasita, identificado como L. (L.) amazonensis, foi isolado de 16 dentre 1.715 espécimes de Lu. nuneztovari68 na Bolívia.

Hospedeiros mamíferos registrados

Os roedores selvagens terrestres Proechimys spp., Oryzomys spp., Nectomys, Neacomys, e Dasyprocta; os marsupiais Marmosa, Metachirus, Didelphis e Philander; a raposa Cerdocyon thous; humanos.

Infecção em humanos

Leishmaniose cutânea com lesão única, localizada, e, em pacientes com um sistema imunológico mediado por células deficientes, LCAD. Alguns raros casos de leishmaniose visceral têm sido atribuídos a este parasita exclusivamente no Estado da Bahia, Brasil1. O espectro clínico e imunopatológico da leishmianiose cutânea americana já foram descritos, com particular referência a sua forma disseminada, causada por L. (L.) amazonensis e L. (V.) braziliensis, o que ilustra a sua extrema patogenicidade nos extremos de LCAD e da leishmaniose mucocutânea100.

LEISHMANIA (LEISHMANIA) ARISTIDESI (LAINSON & SHAW, 1979) EMEND LAINSON & SHAW, 1987

Distribuição geográfica conhecida

Floresta de Sasardi, na região de San Blas, leste do Panamá.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia (Nyssomyia) olmeca bicolor é um vetor putativo, baseado em sua predominância em armadilhas modelo Disney com isca de roedor e marsupial em áreas onde animais infectados também foram coletados7.

Hospedeiros mamíferos registrados

O gambá Marmosa robinsoni e os roedores Proechimys semispinosus e Dasyprocta punctata29,30.

Infecção em humanos

Desconhecida, apesar de haver registros ocasionais de que Lu. olmeca bicolor se alimente de humanos.

LEISHMANIA (LEISHMANIA) GARNHAMI SCORZA ET AL, 1979

Distribuição geográfica conhecida

Andes venezuelanos.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lu. youngi é o seu vetor mais suspeito. Um parasita encontrado em um espécime infectado produziu formas amastigotas na pele de um hamster inoculado. Suspeitou-se que essas formas fossem L. (L.) garnhami, mas o parasita não foi identificado definitivamente66.

Hospedeiros mamíferos registrados

O gambá Didelphis marsupialis e humanos.

Infecção em humanos

LCA da forma localizada simples.

LEISHMANIA (LEISHMANIA) VENEZUELENSIS BONFANTE-GARRIDO, 1980

Distribuição geográfica conhecida

Venezuela, nos Estados de Lara e Yaracuy.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Ainda não foi identificado um vetor definitivo, mas há suspeitas de envolvimento de Lu. olmeca bicolor e Lu. rangeliana.

Hospedeiros mamíferos registrados

Seus hospedeiros mamíferos selvagens permanecem incertos, mas o parasita já foi registrado no gato doméstico e em humanos. Foi sugerido que os roedores Sigmodon hispidus e Rattus rattus são potenciais reservatórios de várias Leishmania spp.59, inclusive, presumivelmente, L. (L.) venezuelensis.

Infecção em humanos

Lesões cutâneas únicas ou múltiplas. Em alguns casos, nódulos espalhados podem ser confundidos com LCAD, porém a infecção responde bem ao tratamento antimonial.

LEISHMANIA (LEISHMANIA) FORATTINII YOSHIDA ET AL, 1993

Distribuição geográfica conhecida

Brasil, nos Estados de São Paulo, Bahia e Espírito Santo.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Ainda não identificados, porém Lu. (Psychodopygus) ayrozai e Lu. yuilli já foram infectados experimentalmente.

Hospedeiros mamíferos registrados

O roedor Proechimys iheringi e o marsupial Didelphis marsupialis, no Estado de São Paulo.

Infecção em humanos

Ainda não há registro, mas como os vetores suspeitos alimentam-se de sangue humano, infecções em humanos devem ser reportadas no futuro.

LEISHMANIA (LEISHMANIA) HERTIGI HERRER, 1971

Distribuição geográfica conhecida

Panamá e Costa Rica.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Seu vetor flebotomíneo ainda não foi descoberto. As altas taxas de infecção em seu reservatório mamífero sugerem que ele habite áreas próximas ao[s] vetor[es], possivelmente em árvores ocas.

Hospedeiros mamíferos registrados

O porco-espinho tropical Coendou rothschildi. Foram conduzidos estudos exaustivos em outros animais selvagens, que não revelaram nenhum outro hospedeiro mamífero.

Infecção em humanos

Não há registros, possivelmente devido à incapacidade de este parasita sobreviver em tecidos humanos ou porque seu vetor nunca pica humanos.

LEISHMANIA (LEISHMANIA) DEANEI LAINSON & SHAW, 1977

Distribuição geográfica conhecida

Até o presente momento, registrada apenas na Amazônia Brasileira.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Seu hospedeiro invertebrado permanece desconhecido. Flebotomíneos da espécie Lutzomyia (Viannamyia) furcata, que habitam árvores, foram coletados de uma árvore oca habitada por um porco-espinho infectado na floresta do Utinga, Belém, Pará, Brasil. Foram observadas formas promastigotas em seu repasto sanguíneo ainda não digerido. No entanto, não houve qualquer evidência de que os parasitas tinham migrado para o intestino anterior, e eles desapareceram após a digestão completa do sangue41.

Hospedeiros mamíferos registrados

O porco-espinho arborícola Coendou p. prehensilis. L. (L.) deanei, como L. (L.) hertigi, apresenta uma alta taxa de infecção neste porco-espinho. Extensas análises em outros mamíferos selvagens sugerem que este seja o único reservatório mamífero do parasita.

Infecção em humanos

Não há registros. Como no caso de L. (L.) hertigi, esta falta de registro pode ser explicada pelo fato de seu organismo não sobreviver em tecidos humanos ou simplesmente porque o seu vetor nunca picar humanos.

Na classificação de 200547, esses dois misteriosos parasitas foram agrupados sob o título "Leishmania-like parasitas of uncertain taxonomic position" (parasitas com características semelhantes às de Leishmania, de taxonomia incerta), principalmente porque estudos moleculares79 haviam sugerido que eles seriam mais diretamente relacionados a Endotrypanum (um flagelado endoeritrocítico encontrado em preguiças) do que a Leishmania. Entretanto, seus nomes atuais foram mantidos47 até que mais dados sejam coletados, e, por esta razão, este autor os agrupa juntamente com membros do subgênero Leishmania. Com base na ausência de formas de L. (L.) deanei aderidas ao intestino posterior de Lutzomyia furcata, ainda que em infecções transitórias, este parasita certamente não parece ser um membro do subgênero Viannia. Espera-se que o conhecimento a respeito dos ciclos de vida completos destes dois organismos em seus hospedeiros invertebrados naturais venha a indicar o seu exato status taxonômico.

Apesar de os dois membros do complexo L. hertigi parecerem ser característicos aos porcos-espinhos, eles são facilmente distinguíveis pela análise de seus perfis isoenzimáticos e por uma diferença marcante na morfologia de suas formas amastigotas: as de L. (L.) hertigi são estranhamente alongadas e medem apenas de 3,5 x 1,2 a 4,8 x 2,5 μm, enquanto as de L. (L.) deanei são arredondadas e, com 5,1 x 3,1 a 6,8 x 3,7 μm, são as maiores entre todas as espécies de Leishmania de que se tem registro.

 

O SUBGÊNERO VIANNIA

LEISHMANIA (VIANNIA) BRAZILIENSIS (VIANNA, 1911) EMEND MATTA, 1916

Distribuição geográfica conhecida

Apesar de parasitas denominados alternativamente de L. braziliensis ou L. braziliensis lato sensu terem sido relatados em quase todos os países da América Latina, da Argentina ao México, ainda restam dúvidas acerca da verdadeira natureza de vários registros, devido ao uso de métodos inadequados de identificação no passado. Alguns podem ter sido simples zimodemos de L. (V.) braziliensis e outros podem vir a ser descobertos como espécies diferentes e não identificadas do subgênero Viannia.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

As incertezas referentes à exata distribuição geográfica do L. (V.) braziliensis dificultam a identificação de todos os seus vetores. Porém, pelo menos no Brasil, onde o parasita já foi registrado em todos os estados, resta claro que há várias espécies de flebotomíneos envolvidas em sua transmissão, incluindo Lutzomyia (Nyssomyia) intermedia, Lu. (N.) whitmani strictu sensu, Lu. (Psychodopygus) wellcomei, Lu. migonei85 e Lu. (N.) neivae (Pinto, 1926) (para referência, veja as "Considerações Finais" abaixo).

Em um estudo recente na área do Projeto Salobo, na Serra dos Carajás, Pará, Brasil, formas promastigotas de quatro espécimes de Lu. (Psychodopygus) davisi foram identificadas como sendo L. (V.) braziliensis, enquanto outras extraídas de espécimes de Lu. (Psychodopygus) hirsuta (3 infectadas), Lu. (Nyssomyia) umbratilis (3), Lu. (N.) richardwardi (2), Lu. (Trichophoromyia) brachipyga (2), Lu. (T.) ubiquitalis (2), Lu. trinidadensis (1) e Lu. migonei (1) ainda não foram identificadas104. Lu. (P.) davisi já foi apontado como um importante vetor da leishmaniose cutânea zoonótica no Estado de Rondônia25.

No Estado do Pará, perto da Cidade de Paragominas, um parasita identificado como sendo L. (V.) braziliensis foi isolado de um flebotomíneo com a morfologia dúbia de fêmeas de Lu. (P.) complexa e Lu. (P.) wellcomei103. As fêmeas dessas duas espécies são morfologicamente indistinguíveis. No entanto, concluiu-se que o espécime infectado era Lu. (P.) complexa devido à ausência aparente de machos de Lu. (P.) wellcomei.

Hospedeiros mamíferos registrados

O voo baixo do flebotomíneo Lu. (Psychodopygus) wellcomei, vetor importante de L. (V.) braziliensis na Serra dos Carajás, Pará55, e a forte atração exercida pelas armadilhas com isca de roedor levaram a suspeitas iniciais de que roedores terrestres e alguns marsupiais pudessem ser os reservatórios deste parasita114,55.

Antes do desenvolvimento de técnicas bioquímicas, sorológicas e moleculares para a caracterização e identificação de isolados de Leishmania, só era possível basear-se em características biológicas ("extrínsecas") dos parasitas, tais como o tamanho das formas amastigotas e seu comportamento em meio de cultura convencional e inoculados em animais de laboratório. Tomando por base estas características juntamente com o padrão de desenvolvimento dos parasitas em flebotomíneos infectados experimentalmente (para indicar os membros do subgênero Viannia), os primeiros pesquisadores podiam ao menos dizer que os isolados de animais selvagens em áreas altamente endêmicas de LCA humana causada por L. (V.) braziliensis eram provavelmente este parasita. Esses registros incluem os seguintes animais:

Oryzomys concolor, O. capito, O. nigripes, Akodon arviculoides, Proechimys spp., Rattus rattus, Rhipidomys leucodactylus (Rodentia) e Didelphis marsupialis (Marsupialia)21,22,45,51,53,88, todos no Brasil; na Venezuela, Rattus rattus e Sigmodon hispidus (Rodentia)59. Finalmente, parasitas dos roedores brasileiros Bolomys lasiurus e Rattus rattus foram classificados conclusivamente como L. (V.) braziliensis por meio de eletroforese enzimática multilocus5.

Foram identificadas lesões cutâneas causadas por L. (V.) braziliensis em animais domésticos, incluindo equinos, cachorros e gatos, em áreas que sugerem um ciclo de transmissão peridoméstico. Esses relatos têm origem principalmente da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia e Venezuela. Humanos são comumente infectados.

Infecção em humanos

Leishmaniose cutânea, geralmente com uma ou poucas lesões. A infecção frequentemente leva à leishmaniose mucocutânea. O espectro clínico e imunopatológico da leishmaniose cutânea americana já foi descrita em outros estudos100, com particular referência às espécies disseminada e mucocutânea.

LEISHMANIA (VIANNIA) PERUVIANA VELEZ, 1913

Distribuição geográfica conhecida

Peru, na região a oeste dos Andes, em áreas com vegetação escassa e uma população restrita de animais selvagens. Essa área pode se estender às áreas montanhosas da Argentina e outros países andinos.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia (Helcocyrtomyia) peruensis e Lutzomyia verrucarum são fortemente suspeitos, sendo que um parasita com características biológicas semelhantes às dos coletados de humanos e cachorros já foi isolado do primeiro28.

Hospedeiros mamíferos registrados

Cachorros e humanos. Um estudo recente descreveu o isolamento deste parasita extraído do roedor Phyllotis andinum e do gambá Didelphismarsupialis61.

Infecção em humanos

Leishmaniose cutânea simples, com uma ou poucas lesões. Não há registros de que o parasita cause a leishmaniose mucocutânea.

LEISHMANIA (VIANNIA) GUYANENSIS FLOCH, 1954

Distribuição geográfica conhecida

Esta espécie silvestre frequentemente infecta humanos no Brasil, particularmente na área ao norte do rio Amazonas e nos países vizinhos da Guiana Francesa e Suriname. Também há registros de infecção na Colômbia, Equador, Venezuela e em florestas de planície no Peru.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia (Nyssomyia) umbratilis é o seu vetor principal. Há registros de infecções relativamente esporádicas em Lu. (N.) anduzei (Revisões47,85). Alguns registros iniciais de infecção em Lu. (N.) whitmani s.l. podem ter sido, na verdade, de Leishmania (Viannia) shawi.

Hospedeiros mamíferos registrados

Os hospedeiros selvagens mais importantes são a preguiça real Choloepus didactylus e o tamanduá-mirim Tamandua tetradactyla53,24. Há registros ocasionais da infecção em roedores e gambás. A infecção em animais selvagens é benigna e inaparente.

Infecção em humanos

Leishmaniose cutânea, apresentando uma ou várias lesões, as quais podem ser causadas por múltiplas picadas de flebotomíneos infectados ou por disseminação linfática metastática. Casos raros de envolvimento mucocutâneo já foram reportados.

LEISHMANIA (VIANNIA) PANAMENSIS LAINSON & SHAW, 1972

Distribuição geográfica conhecida

Área do Canal do Panamá, Panamá; também registrado na Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, Nicarágua e Venezuela.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

O Lutzomyia (N.) trapidoi é considerado o seu vetor mais importante. Várias outras espécies são consideradas vetores secundários, incluindo Lu. (N.) ylephiletor, Lu. (Lu.) gomez e Lu. (Psychodopygus) panamensis34,8.

Hospedeiros mamíferos registrados

A preguiça Choloepus hoffmanni é o seu reservatório mais importante, porém há relatos de infecções ocasionais nas preguiças Bradypus infuscatus e B. griseus. Este parasita também já foi relatado em vários outros animais arborícolas, incluindo Bassaricyon gabbi, Nasua nasua e Potos flavus (Procyonidae), os macacos Aotus trivirgatus e Saguinus geoffroyi e o roedor terrestre Heteromys sp.29,30. Cães de caça, assim como os humanos, geralmente tornam-se "hospedeiros vítimas", apresentando lesões cutâneas visíveis.

Infecção em humanos

Leishmaniose cutânea, apresentando de uma a várias lesões; raros casos da doença do tipo mucocutânea foram registrados.

LEISHMANIA (VIANNIA) LAINSONI SILVEIRA ET AL, 1987

Distribuição geográfica conhecida

Áreas de floresta do Brasil, Peru e Bolívia.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Até o presente momento, Lutzomyia (Trichophoromyia) ubiquitalis102 é o seu único vetor conhecido. Este inseto é o primeiro representante do subgênero Trichophoromyia a ser incriminado como vetor de uma espécie de Leishmania. Lu. (T.) velascoi é altamente suspeito de ser vetor na Bolívia67.

Hospedeiros mamíferos registrados

Até o presente momento, apenas o grande roedor Agouti paca101 e humanos foram identificados como hospedeiros.

Infecção em humanos

A infecção por este parasita geralmente apresenta uma única lesão; nenhum caso de leishmaniose mucocutânea foi registrado até o presente momento.

LEISHMANIA (VIANNIA) NAIFFI LAINSON & SHAW, 1989

Distribuição geográfica conhecida

Esta espécie foi isolada nos Estados do Pará e Amazonas, Brasil, e na Guiana Francesa. No entanto, será provavelmente registrada em outras partes da América Latina, onde o reservatório mamífero e os vetores flebotomíneos coexistem.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia (Psychodopygus) ayrozai parece ser o principal vetor de infecções em tatus hospedeiros. Contudo, este flebotomíneo não é altamente antropofílico, fato este que é provavelmente responsável por sua baixa taxa de infecção em humanos. Raras infecções foram registradas em Lu. (P.) paraensis e Lu. (P.) squamiventris, os quais são altamente antropofílicos e, portanto, provavelmente vetores deste parasita.

Hospedeiros mamíferos registrados

O único animal selvagem hospedeiro conhecido até o momento é o tatu-galinha Dasypus novemcinctus Sua infecção geralmente ocorre em sua pele e vísceras aparentemente normais.

Infecção em humanos

Leishmaniose cutânea, geralmente sob a forma de uma lesão única. Diferentemente da maioria das espécies neotropicais de Leishmania, L. (V.) naiffi raramente produz uma lesão visível na pele de hamsters de laboratório. Caso este parasita também produza infecções ocultas na pele de humanos, é possível que a sua transmissão para o homem seja muito mais frequente do que normalmente considerado.

LEISHMANIA (VIANNIA) SHAWI LAINSON ET AL, 1989

Distribuição geográfica conhecida

Diversas áreas da Amazônia Brasileira.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia (N.) whitmani sensu lato. Há registros de diferenças morfométricas entre Lu. (N.) whitmani strictu sensu, encontrado no Estado da Bahia, Nordeste do Brasil, e o vetor de L. (V.) shawi encontrado no Estado do Pará, Amazônia Brasileira86. Essas diferenças, consideradas juntamente com a distinção entre as duas populações por meio de sondas de DNA87, sugerem que o vetor de L. (V.) shawi seria uma "espécie críptica" de um complexo Lu. (N.) whitmani. No entanto, esta teoria tem sido questionada com base na análise filogenética de haplótipos mitocondriais (citocromo b) de Lu. (N.) whitmani, que levou à conclusão de que existem clades de haplótipos e a interprocriação destes flebotomíneos nas florestas do Brasil31. Contudo, os comportamentos das espécies de flebotomíneos, no Estado da Bahia, e do Lu. (N.) whitmani s.l. , no Estado do Pará, são bem diferentes. Na Bahia, o inseto é altamente antropofílico, é normalmente encontrado em casas e é um vetor de L. (V.) braziliensis; em florestas primárias do Pará, no entanto, o flebotomíneo raramente pica humanos, não há registros de que entre em casas mesmo quando elas se encontram nas proximidades das florestas e é um vetor de L. (V.) shawi.

Hospedeiros mamíferos registrados

Os macacos Cebus apella e Chiropotes satanas (Cebidae), as preguiças Choloepus didactylus e Bradypus tridactylus (Xenarthra), o coati Nasua nasua (Procyonidae) e humanos.

Infecção em humanos

O parasita é responsável pela leishmaniose cutânea, normalmente do tipo que apresenta uma lesão única, porém são ocasionalmente observados casos de múltiplas lesões, certamente devido à ocorrência de metástase. Ainda não há relatos da ocorrência de leishmaniose mucocutânea causada pela L. (V.) shawi.

LEISHMANIA (VIANNIA) COLOMBIENSIS KREUTZER ET AL, 1991

Distribuição geográfica conhecida

Este parasita foi primeiramente documentado na Colômbia e no Panamá; posteriormente foi encontrado na Venezuela. Sua distribuição se estende provavelmente pelas florestas do Brasil e das planícies peruanas, bem como por outros países latino-americanos onde mamíferos e flebotomíneos reservatórios coexistem em ambiente selvagem.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia (Helcocyrtomyia) hartmanni na Colômbia; Lu. (Lu.) gomezi e Lu. (Psychodopygus) panamensis no Panamá.

Hospedeiros mamíferos registrados

A preguiça Choloepus hoffmanni e humanos (Panamá).

Infecção em humanos

Lesões cutâneas únicas ou múltiplas. Não há registro de casos de doença mucocutânea causada por este parasita.

LEISHMANIA (VIANNIA) EQUATORENSIS GRIMALDI ET AL, 1992

Distribuição geográfica conhecida

Até o presente momento, este parasita parece estar limitado à costa equatoriana, no Oceano Pacífico.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Lutzomyia (N.) hartmanni.

Hospedeiros mamíferos registrados

A preguiça Choloepus hoffmanni e o esquilo Sciurus granatensis.

Infecção em humanos

Ainda não registrada.

LEISHMANIA (VIANNIA) LINDENBERGI SILVEIRA ET AL, 2002

Distribuição geográfica conhecida

Este parasita foi encontrado apenas em floresta secundária em Belém, Pará, Brasil.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Seu vetor é desconhecido atualmente, mas Lutzomyia (N.) antunesi é fortemente suspeito. Este inseto já demonstrou ser o flebotomíneo antropofílico predominante em uma área em que muitos soldados foram infectados com L. (V.) lindenbergi ao efetuar manobras militares na floresta. Além disso, o voo baixo do Lu. (N.) antunesi poderia explicar o porquê das lesões desses homens terem sido observadas em sua maioria nas faces e braços. Como os homens passavam a maior parte do tempo em trincheiras, aquelas partes do corpo seriam as mais expostas às picadas de um flebotomíneo em voo baixo. Uma espécie não identificada de Leishmania foi encontrada em espécimes de Lu. (N.) antunesi, na Ilha de Marajó, Pará90, porém o seu desenvolvimento no flebotomíneo foi suprapilariano. Em contraste, em flebotomíneos   infectados   experimentalmente,   o desenvolvimento de L. lindenbergi é peripilariano, o que é típico de parasitas do subgênero Viannia.

Hospedeiros mamíferos registrados

Até o presente momento, os humanos são os seus únicos hospedeiros. Suspeita-se que os reservatórios animais selvagens sejam provavelmente terrestres.

Infecção em humanos

Lesões cutâneas localizadas: até o presente momento, nenhum caso de doença mucocutânea foi relatado.

LEISHMANIA (VIANNIA) UTINGENSIS BRAGA ET AL, 2003

Distribuição geográfica conhecida

Belém, Pará, Brasil.

Hospedeiros flebotomíneos conhecidos

Há um único registro de uma espécie do flebotomíneo Lutzomyia (Viannamyia) tuberculata coletado em extraído do tronco de uma grande árvore na floresta do Utinga, Belém, Pará, Brasil.

Hospedeiros mamíferos registrados

Atualmente desconhecidos.

Infecção em humanos

O parasita ainda não foi registrado em humanos.

"HYBRIDS"  OF  LEISHMANIA SPECIES  WITHIN  THE SUBGENUS VIANNIA

Estes "híbridos" incluem L. (V.) braziliensis / L. (V.) panamensis; L. (V.) braziliensis / L. (V.) guyanensis; e L. (V.) braziliensis / L. (V.) peruviana. Todos eles foram isolados apenas de casos de LCA humana. Apenas o último "híbrido" citado foi associado à leishmaniose mucocutânea. Foi sugerido que esses "híbridos" seriam resultantes de uma troca genética. Para maiores detalhes e referência, veja Lainson e Shaw47.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Fui informado pelo revisor deste artigo da descoberta da infecção natural do flebotomíneo Lutzomyia (Nyssomyia) neivae (Pinto, 1926) com Leishmania (V.) braziliensis no sul do Brasil82. Agradeço a ele pela inclusão deste dado no artigo.

A obtenção de provas irrefutáveis da participação de Lutzomyia cruzi na transmissão de Leishmania (L.) infantum chagasi, devido ao fato de as fêmeas deste flebotomíneo não poderem ser distinguidas das fêmeas de Lu. (Lu.) longipalpis, enfrentou tantas dificuldades quanto a busca pelo(s) vetor(es) de Leishmania (V.) braziliensis na Serra dos Carajás, Pará, Brasil. Neste caso, as duas espécies de flebotomíneos antropofílicos predominantes na área eram Lutzomyia (Psychodopygus) wellcomei e Lu. (P.) complexa, cujas fêmeas são também morfologicamente indistinguíveis. Descobriu-se que várias fêmeas foram infectadas por L. (V.) braziliensis, e o problema consistiu em decidir a qual espécie elas pertenciam. Este dilema foi finalmente elucidado pela criação de espécimes adultos a partir de ovos de fêmeas infectadas; esta estratégia forneceu os machos essenciais para a identificação, e demonstrou que os flebotomíneos infectados eram da espécie Lu. (P.) welcomef89. Este método poderia também ser utilizado para identificar espécimes infectados de Lu. cruzi / Lu. longipalpis no Estado do Mato Grosso do Sul.

Se considerarmos o impressionante número de espécies de Leishmania que foram registradas até o presente momento na região neotropical , e, particularmente, na região amazônica, esta área poderia muito bem ser tida como o local de origem deste gênero. Esta hipótese é corroborada pela observação de que muitos destes parasitas (espécies do subgênero Viannia) mantiveram o seu desenvolvimento no intestino posterior no hospedeiro flebotomíneo, o que seria remanescente do ciclo de vida de flagelados monóxenos de insetos dos quais as espécies de Leishmania teriam evoluído.

A existência de espécies de Leishmania conhecidas apenas em seu flebotomíneo hospedeiro (por exemplo, L. (V.) utingensis em Lutzomyia tuberculata) sugere a ocorrência de outras ainda não detectadas entre as várias espécies de flebotomíneos não antropofílicos. A busca continuada por estes parasitas e seus reservatórios mamíferos selvagens será fundamental para a geração de um quadro mais completo da ecologia deste fascinante grupo de parasitas.

 

AGRADECIMENTOS

O autor agradece ao Wellcome Trust, London, por seu apoio contínuo à Wellcome Parasitalogy Unit por cerca de 30 anos, e a todos os respectivos diretores do Instituto Evandro Chagas, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, Brasil, onde este estudo foi executado. Não há espaço aqui para listar todos os participantes destas pesquisas ao longo de todo este período, porém alguns agradecimentos devem ser direcionados aos seguintes colaboradores: Prof. Jeffrey J. Shaw, velho amigo e colega, que trabalhou com o autor do dia da criação da WPU, em 1965, até o seu fechamento, em 1992; àqueles que foram pioneiros em técnicas moleculares, sorológicas e bioquímicas para a identificação de espécies de Leishmania e que deram condições para que o programa de Leishmaniose IEC/WPU fosse implementado, incluindo os Drs. M. L. Chance, P J. Gardener, Prof. M. A. Miles, Prof. D. C. Barker, Dr. Diane McMahon-Pratt e Dr. J. David; e às Dras. Marinete M. Póvoa, Roseli R. Braga e Edna A. Y. Ishikawa, que as utilizaram de forma extremamente competente; a nosso grupo de entomólogos, tão produtivos: Dr. Habib Fraiha, Prof. Richard Ward, Drs. Paul Ready, Adelson A. A. Souza, e Lee Ryan, e ao clínico e parasitologista Fernando T. Silveira, que, como chefe atual do Programa de Leishmaniose do IEC, tem usado sua longa experiência em campo e laboratório com membros anteriores da WPU para fazer com que este continue a dar frutos; finalmente, a todo o corpo técnico atual e passado, em particular a Maria das Graças S. da Silva, Sued Freitas Silva, Manoel C. de Souza, Roberto D. Naiff e Maricleide Naiff, Antonio Julio Monteiro, Deocleciano G. Primo, José Aprígio N. de Lima, João B. P. da Luz, António F. P. Martins, Nonato B. Pires, lorlando da Rocha Barata e João A. Brandão.

 

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Recebido em / Received / Recibido en: 16/4/2010
Aceito em / Accepted / Aceito en: 28/5/2010