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Revista Pan-Amazônica de Saúde

versão impressa ISSN 2176-6215versão On-line ISSN 2176-6223

Rev Pan-Amaz Saude v.4 n.4 Ananindeua dez. 2013

http://dx.doi.org/10.5123/S2176-62232013000400009 

RESUMO DE TESE E DISSERTAÇÃO | SUMMARY OF THESIS AND DISSERTATION | RESUMEN DE TESIS Y DISERTACIÓN

 

Análise preditiva da distribuição geográfica de hantavírus no Brasil*

 

Predictive analysis on geographical distribution of hantavirus in Brazil

 

Análisis predictivo de la distribución geográfica del hantavirus en Brasil

 

 

Stefan Vilges de OliveiraI; Rodrigo Gurgel-GonçalvesII

IPrograma de Pós-graduação em Medicina Tropical, Universidade de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil. Unidade Técnica de Vigilância de Zoonoses, Ministério da Saúde, Brasília, Distrito Federal, Brasil
IILaboratório de Parasitologia Médica e Biologia de Vetores, Universidade de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil

Endereço para correspondência
Correspondence
Dirección para correspondencia

 

 


INTRODUÇÃO: A síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH) é uma antropozoonose emergente que, no Brasil, apresenta elevada taxa de letalidade. Sua transmissão ocorre por meio da exposição a excretas de roedores silvestres infectados. As condições de vida e moradia no meio rural, a suburbanização, as alterações ambientais e a ocorrência dos roedores podem influenciar a transmissão do vírus. A predição da distribuição potencial dos roedores reservatórios e a análise da influência de fatores ambientais, socioeconômicos e demográficos sobre a ocorrência da SCPH podem ser úteis para identificar áreas vulneráveis e subsidiar medidas de prevenção.
OBJETIVO: Para entender a distribuição geográfica da SCPH no Brasil objetivou-se: 1) Estimar nichos ecológicos dos roedores Necromys lasiurus e Oligoryzomys nigripes analisando os fatores ambientais relacionados às suas distribuições; 2) Comparar os nichos ecológicos de roedores sororreagentes com a distribuição de casos da SCPH;
3) Analisar indicadores epidemiológicos, socioeconômicos, demográficos e ambientais associados à distribuição dos casos humanos da SCPH no Brasil; 4) Estimar a vulnerabilidade dos municípios brasileiros para ocorrência da SCPH.
METODOLOGIA: As etapas do estudo foram: 1) Obtenção de registros dos roedores em bases de informações biológicas e os de casos da SCPH no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN) (2000 a 2010); 2) Modelagem de nicho ecológico (MNE) das espécies de roedores a partir de variáveis climáticas e índice de vegetação (NDVI) usando o algoritmo Maxent; 3) Obtenção de indicadores socioeconômicos, demográficos e ambientais no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e dados de incidência da SCPH no SINAN;
4) Análise multicritério de decisão (AMD) para classificação dos municípios quanto à vulnerabilidade para ocorrência da SCPH, usando o software Pradin. As atribuições dos pesos foram ordenadas pelos decisores e levaram em consideração as respostas de uma análise de regressão, que foi realizada para verificar a força de associação com a variável incidência.
RESULTADOS: N. lasiurus apresentou ampla distribuição ecológica e geográfica no Brasil, principalmente em áreas do Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Uma maior adequabilidade climática para ocorrência de O. nigripes foi observada ao longo da costa atlântica. A temperatura máxima nos meses mais quentes e a precipitação anual foram as variáveis que mais influenciaram a distribuição de N. lasiurus e O. nigripes, respectivamente. Os modelos dos roedores sororreagentes estimaram uma maior área de ocorrência de hantavírus nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, coincidindo com os locais prováveis de infecção humana da SCPH. Entretanto, áreas mais ao norte e nordeste do país também foram favoráveis para ocorrência de N. lasiurus e O. nigripes, sugerindo potencial para transmissão de hantavírus em praticamente todo território extra-amazônico no Brasil. Foram estimados como mais vulneráveis para ocorrência da SCPH os municípios das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste. A maioria dos municípios das regiões Norte e Nordeste do País foi classificada como área de menor vulnerabilidade para SCPH, o que pode ter sido influenciado pela ausência de casos notificados da SCPH nessas regiões durante
o período analisado ou pela não inclusão de dados de distribuição de espécies de roedores reservatórios que podem manter os hantavírus na Caatinga e Amazônia.
CONCLUSÃO: Ambos os métodos empregados (MNE e AMD) buscaram, de forma complementar, o entendimento epidemiológico da SCPH e podem ser aplicados para subsidiar a vigilância da SCPH e, consequentemente, para redução da morbimortalidade desta importante zoonose no Brasil.

Palavras-chave: Hantavírus; Distribuição Animal; Monitoramento Ambiental; Técnicas de Estimativa; Predição; Epidemiologia.


 

Apoio financeiro: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

 

 

Correspondência / Correspondence / Correspondencia:
Stefan Vilges de Oliveira
Rua 34, edifício Real Flat, apto. 1010.
Bairro: Norte
CEP: 71918-720
Brasília-Distrito Federal-Brasil
E-mail: stefanbio@yahoo.com.br

Recebido em / Received / Recibido en: 5/7/2013
Aceito em / Accepted / Aceito en: 1/10/2013

 

 

*Resumo de dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical da Universidade de Brasília, sob orientação do Prof. Dr. Rodrigo Gurgel-Gonçalves, para a obtenção do título de mestre em Medicina Tropical, na área de concentração Epidemiologia das Doenças Infecciosas e Parasitárias, em 30 de abril de 2013. Brasília, Distrito Federal.