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Revista Pan-Amazônica de Saúde

versão On-line ISSN 2176-6223

Rev Pan-Amaz Saude v.5 n.2 Ananindeua jun. 2014

 

http://dx.doi.org/10.5123/S2176-62232014000200001

EDITORIAL | EDITORIAL | EDITORIAL

 

Espaço-tempo no processo da saúde na Amazônia brasileira

 

Space-time in the health process in the Brazilian Amazon

 

Espacio-tiempo en el proceso de salud en la Amazonía brasileña

 

 

Gilberta Bensabath

Editora Científica da Rev Pan-Amaz Saude, Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Ananindeua, Pará, Brasil

 

 

Pelos artigos publicados neste número, com exceção de um, destacou-se a complexidade do processo sobre a saúde no espaço amazônico. Apesar da diversidade de tipos de estudos (etiológicos, tendências, clínicos e até terapêuticos), em todos sobressaiu-se a variável espaço, cada qual com suas características físicas e biológicas (as ecológicas e sociais), todas contribuindo em conjunto para o resultado encontrado.

Para a descrição dos eventos no processo da saúde humana, desde os primórdios, a metodologia epidemiológica reconhece a observação e o registro do que se chama tempo, espaço, indivíduo ou populações. Contudo, o conceito de espaço nesse contexto evoluiu quanto às características geográficas que, conectando com a nosologia, veio a constituir o que é denominado Geografia Médica. Os avanços tecnológicos dentro dessa ciência permitiram análises mais complexas das variáveis geográficas, abrangendo tanto espaços amplos, como continentais ou mesmos globais ou, ainda, a evolução tecnológica para estudos de pequenas áreas, importantes para o desenvolvimento de hipóteses etiológicas.

Evoluiu, também, o conceito de Saúde Ambiental com o objetivo de atingir o meio ambiente saudável a ser conseguido pela proteção da saúde humana contra os poluentes ambientais. O espaço deixou de ser apenas as coordenadas geográficas, onde os eventos do processo da saúde ocorrem para abranger os aspectos sociais, inclusive o conhecimento como está explícito na visão de Doren Massey1; "se o tempo é a dimensão da mudança, então o espaço é a dimensão do social". Então, o espaço-tempo, do processo saúde na Amazônia brasileira que faz parte da Pan-Amazônia ou Amazônia Continental, segundo essa visão, sofre contínuas modificações de acordo com as mudanças sociais. Que, o tempo-espaço está estreitamente relacionado aos eventos desde Leibniz no século XVIII, já vinha sendo cogitado2 e confirmado pela Teoria de Relatividade por Einstein no século XX. Assim os eventos no processo da saúde ligados ao espaço amazônico descritos por Oswaldo Cruz, em seu relatório em 19133, é muito diferente do que está relatado no livro que comemora os 50 anos de fundação do Instituto Evandro Chagas4. Será que a leishmaniose visceral ainda não existia no Vale amazônico, em 1910 e 1911, período da expedição de Carlos Chagas?

Ainda relacionados ao espaço-tempo deve ser considerado a Semântica quando se refere a estudos ecológicos dentro da metodologia epidemiológica ou dentro da Ecologia. Na Epidemiologia, os estudos ecológicos também são chamados de agregados porque a unidade de análise é o conjunto de indivíduos que vivem em um espaço bem definido e que podem ser outras variáveis para a agregação5. Na ciência Ecologia são estudadas as relações do meio biótico e abiótico.

O que foi exposto acima, como simples considerações de um assunto complexo que vem merecendo dos autores os mais variados tipos de publicações, é para alertar que a noção de espaço e tempo deve merecer a atenção de todos que trabalham em saúde pública, especialmente dos que constroem o conhecimento nessa área. A informação deve ser sem omissões dessas duas variáveis, que devem ser precisas e exatas ligadas à realidade do meio ambiente, especialmente o social.

 

REFERÊNCIAS

1 Massey D. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil; 2008.

2 Marion L. Biblioteca Scientific American Brasil, 3: enigmas do espaço-tempo. São Paulo: Duetto; 2013. p. 7.

3 Fundação Oswaldo Cruz. Casa de Oswaldo Cruz. A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 e 1913. Rio de Janeiro: Fiocruz; 1991. Os grandes flagelos do Norte: a expedição científica de 1912-1913; p. 116-24.

4 Fundação Serviços de Saúde Pública. Instituto Evandro Chagas: 50 anos de contribuição as ciências biológicas e a medicina tropical. Vol. 2. Belém: Fundação Serviços de Saúde Pública; 1986.

5 Aquino R, Gouveia N, Teixeira MG, Costa MC, Barreto M. Estudos ecológicos (desenhos de dados agregados). In: Almeida Filho NB, Barreto ML. Epidemiologia & saúde: fundamento, métodos, aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011. p. 175-84.