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Revista Pan-Amazônica de Saúde

versão impressa ISSN 2176-6215versão On-line ISSN 2176-6223

Rev Pan-Amaz Saude vol.11  Ananindeua  2020  Epub 29-Jun-2020

http://dx.doi.org/10.5123/s2176-6223202000490 

ARTIGO ORIGINAL

Idosos com câncer no período pré-operatório: dados de qualidade de vida, ansiedade e depressão

Anderson Lineu Siqueira dos Santos (orcid: 0000-0002-1703-9310)1  , Luceme Martins Silva (orcid: 0000-0001-6516-4282)2  , Zélia de Oliveira Saldanha (orcid: 0000-0002-3526-5952)2 

1 Universidade do Estado do Pará, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia Parasitária da Amazônia, Belém, Pará, Brasil

2 Faculdade Cosmopolita, Curso de Enfermagem, Belém, Pará, Brasil

RESUMO

OBJETIVO:

Avaliar dados da qualidade de vida (QV), a ansiedade e a depressão em idosos com câncer no período pré-operatório em um hospital de referência em oncologia de Belém, estado do Pará, Brasil.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Trata-se de um estudo transversal, com 82 idosos com câncer que estavam internados em pré-operatório no Hospital Ophir Loyola, no período de abril a setembro de 2019. Os instrumentos utilizados na coleta de dados foram: questionário de qualidade de vida SF-36, Inventário Beck de Ansiedade e Inventário Beck de Depressão.

RESULTADOS:

Nos resultados para a avaliação da QV, considerando-se os scores correspondentes aos oito domínios do questionário SF-36, os aspectos sociais obtiveram a maior média. A totalidade dos participantes apresentou ansiedade moderada (79,3%) ou severa (20,7%). No entanto, a maioria (82,9%) não apresentou qualquer grau de depressão.

CONCLUSÃO:

Concluiu-se que os scores de QV, ansiedade e depressão mostraram que é imprescindível uma atenção especial às subjetividades de idosos, considerando suas fragilidades de saúde.

Palavras-chave: Idosos; Câncer; Qualidade de Vida; Depressão; Ansiedade

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o câncer não precisa mais ser uma sentença de morte, pois existe a capacidade de reduzir a carga da doença e melhorar a sobrevivência e a qualidade de vida (QV) das pessoas portadoras de câncer1.

O câncer é uma doença crônico-degenerativa, caracterizada por um crescimento anormal e desordenado de células do corpo; de etiologia multifatorial e desencadeada por alterações genéticas, estilo de vida e fatores ambientais1. Para Camarano e Kanso2, a idade acima de 60 anos é considerada um fator de risco para o câncer; idosos possuem 11 vezes mais chances de desenvolver neoplasias que os adultos jovens. Foi estimada a ocorrência de cerca de 600.000 casos novos de câncer no Brasil em 2018 e, também, em 20193.

A QV é definida como um complexo conjunto de relações entre os domínios da vida, que englobam saúde física e psicológica, nível de independência, relações sociais, crenças pessoais e a relação do indivíduo com o meio ambiente4. Nos pacientes oncológicos, são observadas mudanças significativas na sua QV, devido a fatores que incluem desde mudanças físicas até emocionais, interferindo diretamente na conduta do paciente ao se submeter a procedimentos cirúrgicos5.

Lemos et al.6 demonstraram que o paciente no pré-operatório apresenta aumento de catecolaminas na corrente sanguínea, o que resulta em ansiedade, alterações da pressão arterial e na frequência cardíaca. Desse modo, a avaliação da ansiedade, baseada nas queixas do paciente, pode interferir na sua QV. Para Polanski et al.7 os sintomas de ansiedade e depressão estão relacionados à pior QV dos pacientes com câncer. A ansiedade está relacionada às limitações vivenciadas nessa fase do ciclo vital e que são, muitas vezes, interpretadas como ameaçadoras. A depressão apresenta impacto negativo na saúde dos idosos, por ter origens multicausais associadas a diferentes fatores que interagem e induzem de forma conjunta à patologia, diminuindo progressivamente a QV dos mesmos8.

No Brasil, estudos sobre a QV dos idosos em diferentes cenários são escassos8,9,10, portanto há necessidade urgente de atenção dos profissionais de saúde quanto à influência do envelhecimento na QV dos indivíduos.

Diante desse contexto, em pessoa idosa acometida por essa patologia, a atenção e o cuidado estão direcionados as suas necessidades e limitações. Desse modo, torna-se essencial adotar práticas assistenciais que estejam fundamentadas no bem-estar biopsicossocial e espiritual do indivíduo, a fim de proporcionar uma melhor QV1,4.

Assim, este estudo teve como objetivo avaliar os dados de QV, ansiedade e depressão em idosos com câncer no período pré-operatório em um hospital de referência em oncologia da cidade de Belém, estado do Pará, Brasil.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal quantitativo e descritivo, realizado com idosos em pré-operatório cirúrgico internados nas clínicas cirúrgicas do Hospital Ophir Loyola (HOL) em Belém. O HOL possui 53 leitos de clínica oncológica, 48 leitos de cirurgia oncológica e serviços de assistência à oncologia pediátrica, quimioterapia, radioterapia e hematologia.

No presente estudo, foram incluídos indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos, com diagnóstico de câncer, internados em uma das clínicas cirúrgicas do referido hospital e que estivessem no período de pré-operatório. Foram excluídos idosos com diagnóstico não conclusivo para câncer, com déficit cognitivo ou apresentando algum distúrbio mental que dificultasse o fornecimento de informações. O total de participantes do estudo foi de 82 pessoas.

COLETA DE DADOS

A coleta dos dados ocorreu no período de abril a setembro de 2019. Foram avaliados os dados de QV, ansiedade e depressão e aplicado um questionário referente a dados sociodemográficos e clínicos, para traçar o perfil dos participantes. A QV foi avaliada pelo questionário SF-36 (Medical Outcomes Study 36-Item Short Form Health Survey)11, que dispõe de oito domínios: capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. O score para cada domínio é distribuído em um intervalo de 0 a 100. Para avaliar ansiedade e depressão, foram utilizados o Inventário Beck de Ansiedade (IBA)12 e o Inventário Beck de Depressão (IBD)13, respectivamente.

ANÁLISES DE DADOS

Os dados foram analisados no software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) v2.0. As variáveis sociodemográficas e clínicas foram analisadas por estatística descritiva - frequência absoluta e relativa, média, mediana e desvio padrão (DP) - e os instrumentos foram analisados de acordo com a regra estabelecida por Ciconelli et al.11, Quintão et al.12 e Gandini et al.13, para posterior análise estatística descritiva. Foi utilizado o coeficiente alfa de Cronbach, para estimar a confiabilidade dos questionários aplicados pela análise das respostas obtidas dos respondentes, apresentando uma correlação média entre as perguntas.

ASPECTOS ÉTICOS

O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Ophir Loyola, em 4 de abril de 2019, sob parecer nº 3.244.884, seguindo a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Obteve-se o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por todos os participantes do estudo.

RESULTADOS

Dos 82 pacientes incluídos no estudo, 44 (53,7%) pertenciam ao sexo masculino e, de acordo com a distribuição por idade, a maioria (40; 48,8%) estava na faixa etária de 61 a 70 anos. A procedência da capital (município de Belém) foi a maior (42; 51,2%); o ensino fundamental incompleto (72; 87,8%) foi o grau de escolaridade predominante; 49 (59,8%) eram casados; 61 (74,4%) declararam-se católicos; 60 (73,2%) eram pardos; e 49 (59,8%) eram aposentados. A renda familiar de um salário mínimo foi declarada pela maioria dos entrevistados (61; 74,4%). Quanto ao tipo de câncer, o de estômago foi o mais frequente (14; 17,1%), seguido por pele (11; 13,4%) (Tabela 1).

Tabela 1 - Características demográficas e socioeconômicas de idosos no período pré-operatório, atendidos no Hospital Ophir Loyola, de abril a setembro 2019, em Belém, Pará, Brasil 

Variáveis Total
N = 82 %
Sexo
Feminino 38 46,3
Masculino 44 53,7
Faixa etária (anos)
= 60 7 8,5
61-70 40 48,8
71-80 29 35,4
≥ 81 6 7,3
Escolaridade
Ensino Fundamental incompleto 72 87,8
Ensino Fundamental completo 6 7,3
Ensino Superior Completo 4 4,9
Estado civil
Solteiro 11 13,4
Casado 49 59,8
Convive junto 2 2,4
Viúvo 18 22,0
Separado 2 2,4
Religião
Católica 61 74,4
Evangélica 16 19,5
Espírita 2 2,4
Sem religião 3 3,7
Procedência
Capital (município de Belém) 42 51,2
Interior do Estado 40 48,8
Raça
Branca 15 18,3
Parda 60 73,2
Negra 7 8,5
Renda familiar (salário mínimo)
0 2 2,4
< 1 13 15,9
1 61 74,4
2 a 3 6 7,3
Ocupação
Agricultor 6 7,3
Aposentado 49 59,8
Autônomo 4 4,9
Costureira 2 2,4
Desempregado 2 2,4
Do Lar 10 12,2
Funcionário Público 1 1,2
Pensionista 2 2,4
Pescador 4 4,9
Transporte 1 1,2
Vigilante 1 1,2
Tipos de câncer
Bexiga 3 3,7
Cólon 6 7,3
Esôfago 3 3,7
Estômago 14 17,1
Faringe 4 4,9
Fígado 2 2,4
Garganta 1 1,2
Laringe 1 1,2
Mama 5 6,1
Olho 4 4,9
Pele 11 13,4
Pênis 1 1,2
Pregas vocais 1 1,2
Próstata 8 9,8
Pulmão 2 2,4
Reto 4 4,9
Rim 2 2,4
Sigmoide 1 1,2
Tireoide 6 7,3
Vesícula biliar 3 3,7

Os resultados da avaliação de QV constam na tabela 2, na qual os scores dos oito domínios do questionário SF-36 (capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspecto sociais, aspectos emocionais e saúde mental) foram apresentados.

Os escores mais altos foram obtidos nos domínios: aspectos sociais, com a média de 82,62 e DP = 18,92; saúde mental, com média de 75,61 e DP = 17,07); dor, com média de 69,60 e DP = 21,89; aspectos emocionais, com média de 69,51 e DP = 42,30. O alfa de Cronbach (α = 0,88) mostrou a confiabilidade da escala de QV SF-36, e assim o questionário foi preciso e consistente.

Tabela 2 - Dados sobre QV, por domínio, obtidos por meio do questionário SF-36, de idosos com câncer no período pré-operatório, internados no Hospital Ophir Loyola, de abril a setembro 2019, em Belém, Pará, Brasil  

Domínios Mediana Mínimo Máximo Média ± DP
Capacidade funcional 80 0 100 68,96 ± 27,83
Aspectos físicos 25 0 100 41,46 ± 44,31
Dor 64 0 100 69,60 ± 21,89
Estado geral de saúde 47 10 72 44,63 ± 14,70
Vitalidade 70 15 100 65,55 ± 18,64
Aspectos sociais 88 25 100 82,62 ± 18,92
Aspectos emocionais 100 0 100 69,51 ± 42,30
Saúde mental 80 24 100 75,61 ± 17,07

DP: Desvio padrão.

Quando analisados os scores do IBA, foi verificado que somente 20,7% (17/82) apresentava ansiedade severa e a maioria, 79,3% (65/82), ansiedade moderada. Em contraste, o IBD mostrou que a maioria, 82,9% (68/82), não era portadora de depressão (Tabela 3). O alfa de Cronbach mostrou que tanto o IBA (α = 0,91) quanto o IBD (α = 0,91) foram precisos e consistentes.

Tabela 3 - Distribuição dos scores do IBA e do IBD de idosos no período pré-operatório de câncer, internados no Hospital Ophir Loyola, de abril a setembro 2019, em Belém, Pará, Brasil 

Scores N = 82 %
Inventário Beck de Ansiedade
Grau mínimo de ansiedade - -
Ansiedade leve - -
Ansiedade moderada 65 79,3
Ansiedade severa 17 20,7
Inventário Beck de Depressão
Nenhuma depressão 68 82,9
Depressão leve 8 9,8
Depressão moderada 5 6,1
Depressão grave 1 1,2

Sinal convencional utilizado: - Dado numérico igual a zero, não resultante de arredondamento.

Aos participantes que foram diagnosticados com ansiedade e depressão, foi disponibilizado apoio psicossocial pela equipe de profissionais especializados do HOL.

DISCUSSÃO

Este estudo avaliou dados de idosos no período pré-operatório de câncer, internados no HOL; mas, por se tratar de uma amostra não probabilística, os resultados devem ser analisados com cautela.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA)3, em países desenvolvidos, a ocorrência do câncer tende a incidir de forma similar em ambos os sexos. Dos resultados obtidos neste estudo, houve predomínio no sexo masculino. O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer que mais ocorre em homem, seguido por tumores de pele não melanoma, cuja incidência, em 2018, foi de 70,42/100.000 homens no Brasil e de 30,16/100.000 homens na Região Norte brasileira, tendo aproximadamente 70% das suas ocorrências em países desenvolvidos. É considerado um tipo de câncer com maior incidência em idosos, visto que 75% dos casos ocorre a partir dos 65 anos de idade3. O câncer mais prevalente, neste estudo, foi o de estômago (17,1%), seguido do câncer de pele (13,1%) e de próstata (9,8%). Segundo estimativas do INCA, no sexo feminino, os cânceres de pele não melanoma, mama e do colo uterino são os mais prevalentes3.

O fato da procedência dos idosos ser da capital Belém, onde a exposição a agentes de poluição, as alterações ambientais e o estilo de vida (tipo de moradia, acesso à dieta de qualidade, entre outros) podem ter implicações diretas no desenvolvimento das neoplasias apresentadas pelos mesmos14,15, impactando a qualidade de vida e a saúde desses indivíduos.

Outro fator importante que pode ter influenciado significativamente a QV dos idosos estudados foi a baixa escolaridade. Husson et al.16 identificaram que a baixa escolaridade está associada a comportamentos adversos a saúde e piores padrões do cuidado, o que leva o indivíduo a uma pior QV. O grau de conhecimento do indivíduo é um fator importante para a profilaxia e a conscientização na prevenção do câncer17.

Foi identificado que a maior parte dos participantes era casado ou possuía união estável, revelando que o apoio familiar ou a presença de companheiro(a) proporciona suporte emocional, psicológico e social ao portador de câncer; consequentemente, os que vivem sozinhos são mais suscetíveis a isolamento e depressão17,18. Dessa forma, os resultados de ansiedade moderada e de ausência de depressão encontrados neste estudo confirmam a importância da presença e participação dos familiares.

Dos pacientes analisados no presente estudo, a maioria declarou ter algum tipo de religião. Segundo alguns estudos4,19,20, a religiosidade desempenha um papel importante no enfrentamento dos estágios da doença, pois a crença religiosa contribui para a diminuição dos níveis de ansiedade e depressão durante o tratamento do paciente oncológico, melhorando sua QV. Considerando que 96,3% dos pacientes declarou ter religião, a ansiedade moderada e a ausência de depressão encontradas podem ser resultado desse fator.

Os idosos apresentaram baixo poder aquisitivo, posto que a maioria declarou renda menor ou igual a um salário mínimo, fator que influencia diretamente a QV dos mesmos, por estar relacionado ao aspecto biopsicossocial. Mesmo o idoso aposentado que, teoricamente, possui autonomia financeira, não terá condições de cobrir os gastos com o tratamento oncológico4.

Segundo a OMS, ter QV na velhice corresponde ao maior nível de saúde nos aspectos físico, social, psíquico e espiritual1. A aplicação do instrumento SF-36, neste estudo, possibilitou avaliar a QV dos idosos internados no HOL em condições de pré-operatório, e os domínios com maior score de QV foram: aspectos sociais, saúde mental, dor, aspectos emocionais, capacidade funcional e vitalidade, mesmo que alguns desses pacientes tenham apresentado, em relação a esses domínios, sintomas, sentimentos, perfis comportamentais e prática de atividades físicas.

Os domínios que merecem atenção especial, por afetar a QV dos idosos avaliados, são estado geral de saúde e aspecto físico. O primeiro ocasionado, provavelmente, pela incidência de várias patologias e doenças crônico-degenerativas, além do próprio processo natural do envelhecimento; e o segundo, por impedir ou limitar práticas de atividade física e alimentação adequada, o que afeta o aspecto biológico/fisiológico, causando estresse e tensão no idoso21.

As mudanças físicas e psicossociais nesse período da vida do idoso interferem negativamente na sua QV

e podem evoluir para o surgimento de alguns sintomas psíquicos, como irritabilidade, ansiedade, depressão e disfunção sexual8. No presente estudo, quanto a ansiedade e depressão, os resultados predominantes foram ansiedade moderada e ausência de depressão.

Na avaliação dos dados obtidos para os níveis de ansiedade, observou-se que todos os pacientes apresentaram níveis elevados, sendo a maioria, 79,3%, classificada como ansiedade moderada e 20%, como ansiedade severa. Lemos et al.6, ao investigar a associação do período pré-operatório de pacientes com câncer e níveis de ansiedade, descobriu que a ansiedade pré-operatória está relacionada às preocupações do paciente com a doença, a hospitalização e os tipos de cirurgias, uma vez que pessoas diagnosticadas com câncer expressam ansiedade pela luta da sobrevivência e um futuro incerto22.

CONCLUSÃO

Neste estudo, os idosos com câncer internados para intervenção cirúrgica apresentaram uma QV moderada, com destaque para os aspectos sociais. No entanto, nos aspectos físicos gerais de saúde, os pacientes apresentaram níveis baixos no quadro da QV, e, nessa situação, é imprescindível uma atenção especial às subjetividades do idoso, a fim de melhorar esse quadro.

Os níveis de ansiedade foram preocupantes, e a maioria dos idosos não apresentou qualquer grau de depressão, o que pode ser benéfico para o paciente que está com a saúde debilitada.

Assim, este estudo contribuiu com o conhecimento sobre aspectos sociais, físicos, emocionais e de saúde mental de idosos no período pré-operatório de cirurgia oncológica, por apresentar a necessidade de um planejamento em saúde mais especializado para melhoria da QV desses pacientes.

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Como citar este artigo / How to cite this article: Santos ALS, Silva LM, Saldanha ZO. Idosos com câncer no período pré-operatório: dados de qualidade de vida, ansiedade e depressão. Rev Pan Amaz Saude. 2020;11:e202000490. Doi: http://dx.doi.org/10.5123/S2176-6223202000490

Recebido: 17 de Outubro de 2019; Aceito: 10 de Março de 2020

Correspondência / Correspondence: Anderson Lineu Siqueira dos Santos. Instituto Evandro Chagas/SVS/MS, Seção de Bacteriologia e Micologia. Rodovia BR-316 km 7, s/n. Bairro: Levilândia. CEP: 67030-000 - Ananindeua, Pará, Brasil - Tel.: +55 (91) 98869-4878. E-mail: andersonlineu@gmail.com

CONFLITOS DE INTERESSES

Os autores declaram não haver conflitos de interesse em relação à pesquisa a ser publicada.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES

Os autores participaram de todas as etapas de elaboração e revisão do manuscrito, desde a concepção do estudo até sua elaboração.

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