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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro Nacional de Epidemiologia, Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.5123/S0104-16732002000300006</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[<a name="top"></a>Conceito de vida no trabalho na análise das relações entre processo de trabalho e saúde no hospital]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The concept of life at work in the analyses of work process and health at hospitals]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The main issue of this paper is a methodological discussion regarding the need of studying more deeply a fundamental aspect of occupational health: the relation between the work process and health. Reflections about the work at hospitals are discussed considering the complexity of human nature and its peculiar characteristics. Life concepts in the work environment as well as specific situations that help to reconstruct the work process at hospital sites are presented. The theoretical and methodological advances observed were: introduction of the concept of life at work in the work process analysis; inclusion of the concept of descriptive situations and symmetrical anthropology in work process analysis; and the inclusion of some of Foucault&#8217;s conceptual tools to describe the work process (spatial distribution, control of actions, follow-up of people with respect to hierarchy, registration of the process to classify, judge, measure, and reallocate the people; and stratify the work process based on the nature of the activities)]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Saúde do Trabalhador]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Vida no Trabalho]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Working Life]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="top"></a>Conceito    de vida no trabalho na an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es entre processo    de trabalho e sa&uacute;de no hospital</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The concept    of life at work in the analyses of work process and health at hospitals</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jorge Mesquita    Huet Machado<sup>I</sup>; Marilena Villela Correa<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Coordena&ccedil;&atilde;o    de Sa&uacute;de do Trabalhador/FIOCRUZ    <br>   <sup>II</sup>Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica/FIOCRUZ </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente texto    apresenta uma discuss&atilde;o metodol&oacute;gica a partir da necessidade de    aprofundamento das observa&ccedil;&otilde;es da rela&ccedil;&atilde;o do processo    de trabalho com a sa&uacute;de, objeto fundamental do campo disciplinar da sa&uacute;de    do trabalhador. Para tal, desenvolve algumas reflex&otilde;es sobre o trabalho    em hospitais, destacando a sua natureza humana e apresentando conceitos de vida    no trabalho e de situa&ccedil;&otilde;es descritoras para operacionaliza&ccedil;&atilde;o    da reconstru&ccedil;&atilde;o do processo de trabalho em hospitais. Os avan&ccedil;os    te&oacute;ricos metodol&oacute;gicos observados foram: introdu&ccedil;&atilde;o    do conceito de vida no trabalho na an&aacute;lise de processo de trabalho; inclus&atilde;o    do conceito de situa&ccedil;&otilde;es descritoras, e da abordagem da Antropologia    Sim&eacute;trica na an&aacute;lise do processo de trabalho; tomar de Foucault    ferramentas conceituais para a descri&ccedil;&atilde;o do processo de trabalho    (distribui&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o; controle das a&ccedil;&otilde;es;    acompanhamento das pessoas de acordo com a hierarquia; registro do processo    para classificar, julgar, medir e relocar as pessoas; e estratifica&ccedil;&atilde;o    do processo de trabalho segundo a natureza das atividades realizadas).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-Chave:</b>    Sa&uacute;de do Trabalhador; Trabalho Hospitalar; Vida no Trabalho.</font></p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The main issue    of this paper is a methodological discussion regarding the need of studying    more deeply a fundamental aspect of occupational health: the relation between    the work process and health. Reflections about the work at hospitals are discussed    considering the complexity of human nature and its peculiar characteristics.    Life concepts in the work environment as well as specific situations that help    to reconstruct the work process at hospital sites are presented. The theoretical    and methodological advances observed were: introduction of the concept of life    at work in the work process analysis; inclusion of the concept of descriptive    situations and symmetrical anthropology in work process analysis; and the inclusion    of some of Foucault&#8217;s conceptual tools to describe the work process (spatial    distribution, control of actions, follow-up of people with respect to hierarchy,    registration of the process to classify, judge, measure, and reallocate the    people; and stratify the work process based on the nature of the activities).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key Words:</b> Occupational    Health; Hospital Occupation; Working Life.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A vis&atilde;o    hegem&ocirc;nica naturalizante da medicina e da epidemiologia encara o processo    de adoecimento como um fen&ocirc;meno biol&oacute;gico individual, abstraindo    outras dimens&otilde;es fundamentais da vida do homem, com destaque para a quest&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es humanas ou interpessoais, e a pr&oacute;pria atividade    de trabalho (ou a priva&ccedil;&atilde;o do trabalho pelo desemprego), para    a qual todos n&oacute;s somos formados e da qual depende, em grande parte, a    pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o material da vida de cada um.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dentro do campo    da sa&uacute;de do trabalhador, o processo de trabalho tornouse uma categoria    fundamental, possibilitadora de an&aacute;lises sobre o adoecimento e o sofrimento    ligados a ele, que ultrapassam aquela vis&atilde;o naturalizante, e que permitem    propor novos modelos de abordagem do processo sa&uacute;de e doen&ccedil;a.    Disso resultaram an&aacute;lises sobre o problema do desgaste f&iacute;sico    e ps&iacute;quico ligado a tipos espec&iacute;ficos de atividade produtiva ou    laborativa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> De certa maneira,    essas an&aacute;lises n&atilde;o deixam de refluir na dire&ccedil;&atilde;o    do modelo m&eacute;dico naturalizante, na medida em que nos seus resultados,    apontam indicadores de morbidade e ou de mortalidade - ferramentas fundamentais    no combate aos agravos impostos aos trabalhadores e demais pessoas (no caso    de agravos ambientais), mas com relativo preju&iacute;zo, ao deixar &agrave;    sombra a contribui&ccedil;&atilde;o mais original do modelo da sa&uacute;de    do trabalhador, que seriam as considera&ccedil;&otilde;es e o detalhamento dos    outros elementos acima indicados - as rela&ccedil;&otilde;es humanas, a rela&ccedil;&atilde;o    com o trabalho, o sentido e a significa&ccedil;&atilde;o dele.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Colocamo-nos diante    do desafio de produzir uma abordagem do trabalho em sa&uacute;de que guarde    rela&ccedil;&otilde;es aos modelos de estudo do campo da sa&uacute;de do trabalhador,    mas com &ecirc;nfase nos &uacute;ltimos elementos citados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Estudar o trabalho    em sa&uacute;de pode compreender uma ampla gama de atividades de produ&ccedil;&atilde;o    e servi&ccedil;os. Este pode ser entendido desde a presta&ccedil;&atilde;o de    servi&ccedil;os m&eacute;dicos, em n&iacute;vel hospitalar, ambulatorial ou    de uma unidade de sa&uacute;de, at&eacute; &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de    insumos e medicamentos para o campo m&eacute;dico, passando pela produ&ccedil;&atilde;o    do conhecimento e controle da informa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Tal diversidade    presente no trabalho em sa&uacute;de, indica-nos a import&acirc;ncia de uma    reflex&atilde;o sobre o trabalho e o ambiente na pr&oacute;pria Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz, em suas unidades, na medida em que a maior parte daqueles diferentes    processos de trabalho pode ser encontrada nessa institui&ccedil;&atilde;o. A    an&aacute;lise do trabalho em sa&uacute;de apresentada, neste momento, vem sendo    desenvolvida com o estudo do <b>trabalho hospitalar</b>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Processo de trabalho    no hospital</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de    trabalho em sa&uacute;de &eacute; sabidamente pouco estudado, sendo recentes    as pesquisas em nosso meio sobre o tema. Consultando a bibliografia, ao final,    o leitor ver&aacute; que se tratam principalmente de teses de mestrado e doutorado    apresentadas na d&eacute;cada de 90.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Processo de trabalho    m&uacute;ltiplo e complexo, ele pode ser desenvolvido em diversos n&iacute;veis:    ambulatorial, hospitalar, cl&iacute;nica privada. Esse trabalho complexo &eacute;    pouco articulado pela diferencia&ccedil;&atilde;o e hierarquia entre os grupos    profissionais envolvidos no trabalho em sa&uacute;de e em fun&ccedil;&atilde;o    do pr&oacute;prio discurso m&eacute;dico-hospitalar dominante sobre partes dos    corpos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A nosso ver, o    foco do processo de trabalho em sa&uacute;de &eacute; o paciente e a produ&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de. Nesse processo, as profiss&otilde;es de medicina e enfermagem    s&atilde;o predominantes e t&ecirc;m, hoje, no hospital um espa&ccedil;o legitimizador    privilegiado. &Eacute; tamb&eacute;m no hospital que se manifesta de forma mais    clara a hierarquia das profiss&otilde;es de sa&uacute;de. Para alguns, a formula&ccedil;&atilde;o    do objeto do trabalho m&eacute;dico &eacute; a dor e a morte e sua finalidade    a a&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, a cura, a sa&uacute;de, a vida como    em Pitta.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os cuidados prestados    ao doente no trabalho hospitalar s&atilde;o em geral realizados por v&aacute;rios    profissionais, constituindo um trabalho em equipe. Nela, os m&eacute;dicos s&atilde;o    numericamente minorit&aacute;rios, comparativamente a outros profissionais que    participam da assist&ecirc;ncia. Mesmo sendo a qualifica&ccedil;&atilde;o da    for&ccedil;a de trabalho m&eacute;dico bastante heterog&ecirc;nea, ele exerce,    sempre, uma hegemonia e o monop&oacute;lio sobre uma s&eacute;rie de atividades    no campo dos cuidados (com &#8220;nuances&#8221; que variam de um caso para    outro). Esse monop&oacute;lio e essa hegemonia ap&oacute;iam-se em regras para    a forma&ccedil;&atilde;o profissional e pr&aacute;tica, assim como controle    e regulamenta&ccedil;&atilde;o de outros profissionais de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O objeto do trabalho    hospitalar &eacute; complexo, e &eacute; tamb&eacute;m humano. Interage com    o trabalhador. O processo de produ&ccedil;&atilde;o, neste caso, depende da    coopera&ccedil;&atilde;o do objeto de trabalho. A necessidade social geradora    do trabalho e o objeto do trabalho hospitalar formam uma unidade. Neste sentido,    j&aacute; se tem considerado o usu&aacute;rio de servi&ccedil;os de sa&uacute;de    como parte dos recursos humanos a serem considerados. A coopera&ccedil;&atilde;o    se d&aacute; ent&atilde;o, necessariamente, tanto entre trabalhadores em sa&uacute;de    quanto entre estes e seu objeto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Embora falar em    equipe d&ecirc; uma id&eacute;ia de articula&ccedil;&atilde;o &#8211; o que    pode ocorrer em v&aacute;rios n&iacute;veis na rela&ccedil;&atilde;o entre as    pessoas &#8211; do ponto de vista do cuidado de sa&uacute;de, essa rela&ccedil;&atilde;o    mostra-se cada vez mais fragmentada. Ao mesmo tempo, as hierarquias se desdobram    no sentido, por exemplo, de que o assistente social remete-se a algu&eacute;m    de sua categoria profissional, assim como o nutricionista, ainda que, na maior    parte dos casos caiba ao m&eacute;dico, finalmente, definir o tipo de dieta    ou o privil&eacute;gio de identificar um caso para o servi&ccedil;o social,    um caso para o servi&ccedil;o de psicologia, os chamados encaminhamentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Sendo o hospital,    desde sua g&ecirc;nese, espa&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica,    ocorre tamb&eacute;m em seu espa&ccedil;o o processo de acumula&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos pela experi&ecirc;ncia, trocas, solidariedade, o que constitui    uma vertente positiva, no sentido de desfazer, em termos relativos, a fragmenta&ccedil;&atilde;o    dos conhecimentos sobre as pessoas e suas doen&ccedil;as ou sobre as pessoas    e seus relacionamentos em um hospital espec&iacute;fico. Mais do que os espa&ccedil;os    de forma&ccedil;&atilde;o formalmente constitu&iacute;dos, e conhecimento emp&iacute;rico    acumulado na pr&aacute;tica amplia a possibilidade de trocas e diminui a dist&acirc;ncia    entre as pessoas, como pode ser observado no cotidiano do Hospital Evandro Chagas,    da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz. Mas h&aacute; que discutir as contradi&ccedil;&otilde;es    que esta forma de rela&ccedil;&atilde;o comporta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em outro estudo,<sup>2</sup>    no Hospital dos Servidores do Estado, h&aacute; depoimentos de m&eacute;dicos    que sentem saudades do esp&iacute;rito de troca de conhecimentos e solidariedade,    que viveram anos atr&aacute;s em suas resid&ecirc;ncias. Na observa&ccedil;&atilde;o    realizada no Hospital Geral de Jacarepagu&aacute; do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,    no Rio de Janeiro, anteriormente desenvolvida por Silva,<sup>3</sup> o individualismo,    nas suas faces de corporativismo e competi&ccedil;&atilde;o mesmo internas &agrave;s    corpora&ccedil;&otilde;es, foi visto como um modo dominante de subjetiva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Sinteticamente,    podemos representar o trabalho hospitalar em um esquema conc&ecirc;ntrico onde    o centro da atividade hospitalar, ser&aacute; chamado genericamente de cuidado    com o paciente (<a href="#fig">Figura 1</a>). Nestas atividades participam fundamentalmente    os profissionais m&eacute;dicos e de enfermagem, sendo neste foco organizada    uma n&iacute;tida hierarquia desde a tomada de decis&otilde;es do que fazer    com o doente &agrave; execu&ccedil;&atilde;o dos cuidados mais simples, como    a medi&ccedil;&atilde;o da temperatura pelos t&eacute;cnicos de enfermagem.    Embora todos possam ser caracterizados como trabalho com alta intensidade de    trabalho humano, coloca-se a&iacute; uma hierarquia fundamentada no saber e    na decis&atilde;o t&eacute;cnica.</font></p>     <p><a name="fig"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v11n3/3a06f1.gif" width="576" height="262"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O trabalho no    hospital apresenta ainda dois grupos de atividades de apoio, um primeiro, especificamente    relacionado com &agrave; sa&uacute;de do paciente como exames laboratoriais,    de imagens e funcionais, nutri&ccedil;&atilde;o, assist&ecirc;ncia social e    farm&aacute;cia. E outro, de atividades de apoio, como limpeza e manuten&ccedil;&atilde;o    em geral, que tamb&eacute;m se divide em predial e de equipamentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O centro, primeiro    grupo, corresponde, al&eacute;m do contato direto com o paciente, ao foco mais    tradicional, e de certa forma mais est&aacute;vel mesmo diante das mudan&ccedil;as    tecnol&oacute;gicas, onde predominam o contato humano e a rela&ccedil;&atilde;o    entre pessoas. O segundo grupo tem um contato indireto, intermediado pela t&eacute;cnica,    influenciado fortemente pelas mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas do hospital.    O terceiro agrega um trabalho de desqualifica&ccedil;&atilde;o com outro de    alta qualifica&ccedil;&atilde;o e, ambos, representam a &aacute;rea externa    da biosseguran&ccedil;a no hospital, mantendo um contato eventual com os pacientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Retomando &agrave;    <a href="#fig">Figura 1</a>, do processo de trabalho no hospital, no que diz    respeito aos acidentes perfurocortantes, aqueles tr&ecirc;s n&iacute;veis apresentam    tamb&eacute;m caracter&iacute;sticas distintas: o foco central atinge diretamente    o profissional de sa&uacute;de, mas pode tamb&eacute;m atingir o doente, pois    &eacute; um risco dividido entre os profissionais e os pacientes. H&aacute;    uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre profissional com o paciente. A situa&ccedil;&atilde;o    de risco &eacute; decorrente dessa intensa rela&ccedil;&atilde;o humana que    se d&aacute; no foco do cuidado de sa&uacute;de e tem como caracter&iacute;stica    a contamina&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica n&atilde;o intencional de uma    pessoa pela outra. A rela&ccedil;&atilde;o entre profissional e o paciente deve    necessariamente ser de colabora&ccedil;&atilde;o. Entretanto, esta &eacute;    uma das situa&ccedil;&otilde;es em que fica evidente o risco potencial de contamina&ccedil;&atilde;o    que o usu&aacute;rio representa para o profissional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No segundo n&iacute;vel,    a situa&ccedil;&atilde;o de cont&aacute;gio ou est&aacute; potencializada ou    atenuada pela tarefa e posicionamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; t&eacute;cnica    que est&aacute; sendo empregada. &Eacute;, portanto, mediada pela tecnologia,    mas tamb&eacute;m similar ao primeiro n&iacute;vel de natureza humana e de contamina&ccedil;&atilde;o    cruzada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No terceiro n&iacute;vel    das atividades de apoio inespec&iacute;fico e mais distante do paciente, o acidente    ser&aacute; mais amplo, de natureza t&eacute;cnica e de contamina&ccedil;&atilde;o    coletiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Portanto, esses    tr&ecirc;s n&iacute;veis devem ser considerados na organiza&ccedil;&atilde;o    e an&aacute;lise dos registros de acidentes, como categorias distintas, pois    t&ecirc;m um correspondente diferencial na trajet&oacute;ria de sua causalidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Aspectos organizacionais    do hospital</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Retomando a literatura    existente sobre sa&uacute;de e trabalho no hospital, observa-se que a quest&atilde;o    do sofrimento ou desgaste est&aacute; sempre colocada em contraste com a abordagem    dos aspectos organizacionais do hospital. O que, sem d&uacute;vida, corresponde    &agrave; &ecirc;nfase na natureza do trabalho hospitalar, levando em considera&ccedil;&atilde;o    aspectos positivos e analisando a inser&ccedil;&atilde;o afirmativa dos trabalhadores    do campo da sa&uacute;de na modalidade do trabalho hospitalar e sua perman&ecirc;ncia,    a despeito de aspectos penosos ligados a esse tipo de trabalho.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O modelo dominante    de an&aacute;lise do trabalho hospitalar d&aacute; muita &ecirc;nfase aos aspectos    reconhecidamente respons&aacute;veis pelo <b>sofrimento ps&iacute;quico</b>.    Esta categoria &eacute; definida ora como sin&ocirc;nimo de &#8220;mal-estar    e de sentimento de vida contrariada&#8221; em Pal&aacute;cios,<sup>4</sup> ora para Dejours<sup>5-7</sup>    como um espa&ccedil;o que se caracteriza por uma luta contra a doen&ccedil;a    mental. Para este &uacute;ltimo, embora a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho    exer&ccedil;a uma a&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre o aparelho ps&iacute;quico,    n&atilde;o existe doen&ccedil;a mental espec&iacute;fica do trabalho. O que    ocorre muitas vezes, em fun&ccedil;&atilde;o daquela luta, &eacute; o surgimento    de doen&ccedil;as som&aacute;ticas mediadas pelo sofrimento ps&iacute;quico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Estes autores    concordam que o sofrimento ps&iacute;quico estaria relacionado &agrave; impot&ecirc;ncia    diante das formas objetivas em que se organiza o trabalho. Essa organiza&ccedil;&atilde;o    configura um conjunto de normas e regras que estabelecem a forma como o trabalho    deve ser executado em uma unidade de produ&ccedil;&atilde;o. Ou seja, &eacute;    a prescri&ccedil;&atilde;o do trabalho, que compreende: divis&atilde;o de trabalho,    qualifica&ccedil;&atilde;o, condi&ccedil;&otilde;es; aspectos afetivos e relacionais    implicados no posto de trabalho ocupado; o grau de iniciativa e autonomia; o    grau de ambiguidade sobre os resultados da tarefa; <i>status</i> social da atividade;    possibilidade de coopera&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o; entre    muitos outros aspectos. Para Pal&aacute;cios,<sup>4</sup> a pouca participa&ccedil;&atilde;o    e controle sobre o processo de trabalho no hospital resultaria em carga ps&iacute;quica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> N&atilde;o h&aacute;    d&uacute;vida de que o desgaste estaria relacionado aos aspectos acima enumerados.    Entretanto, a nosso ver, h&aacute;, muitas vezes, a transposi&ccedil;&atilde;o    e operacionaliza&ccedil;&atilde;o de categorias anal&iacute;ticas constru&iacute;das    a partir do modelo do trabalho industrial, que devem ser questionadas na an&aacute;lise    do trabalho em sa&uacute;de e do trabalho hospitalar. No trabalho em sa&uacute;de,    algumas atividades se aproximam do trabalho industrial, mas n&atilde;o o seu    foco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Assim, conhecer    um hospital implica, por um lado, descrev&ecirc;-lo por meio de dados secund&aacute;rios,    que constituem os indicadores hospitalares rotineiramente produzidos. Mas, para    al&eacute;m disso, num estudo que se ap&oacute;ie em instrumentos metodol&oacute;gicos    da antropologia, temos buscado inspira&ccedil;&atilde;o na leitura dos textos    de Latour e Woolgar,<sup>8-10</sup> e sua proposta de uma antropologia sim&eacute;trica,    da sociologia e outras disciplinas do campo das ci&ecirc;ncias humanas que nos    possibilitem observ&aacute;-lo, auscult&aacute;-lo, penetrar na densidade das    quest&otilde;es que uma unidade complexa como esta apresenta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O caminho que    o hospital percorre em sua hist&oacute;ria como institui&ccedil;&atilde;o aponta    sua transforma&ccedil;&atilde;o de deposit&aacute;rio de doentes e exclu&iacute;dos    em locus de extrema concentra&ccedil;&atilde;o de tecnologia e saber. Procuramos    nos deter, neste contexto de alta complexidade, em aspectos relevantes direcionadores    das transforma&ccedil;&otilde;es humanas ocorridas e desencadeadas pelo trabalho    no interior do hospital. &Eacute; este que vai ser o delimitador do lugar, como    espa&ccedil;o aberto, onde acontecem as intera&ccedil;&otilde;es entre trabalhadores,    doentes e seus familiares com os objetos, t&eacute;cnicas, tecnologias, ferramentas    e procedimentos terap&ecirc;uticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dizem-se espa&ccedil;o    aberto, pois as rela&ccedil;&otilde;es existentes no interior de um hospital    est&atilde;o permeadas por elementos externos do presente e do passado e que    v&atilde;o se relacionar com a vida, como um todo, de seus personagens, que    podem ser apreendidos pelas viv&ecirc;ncias internas ao hospital. Ao lado de    novos dilemas sobre como estabelecer o bom atendimento ao paciente, mant&ecirc;m-se    antigos problemas: priorizar a ci&ecirc;ncia, a aten&ccedil;&atilde;o, o suporte    &agrave; dor e ao sofrimento?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vida no hospital</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Falamos numa perspectiva    de estudar os modos de vida no hospital, guardando a id&eacute;ia de que as    rela&ccedil;&otilde;es de trabalho est&atilde;o englobadas em rela&ccedil;&otilde;es    sociais e rela&ccedil;&otilde;es humanas amplas por parte daqueles que ali convivem,    tanto os que trabalham em suas diversas modalidades de inser&ccedil;&atilde;o    institucional com seus interesses profissionais e ou de pesquisa, como as pessoas    atendidas, alocadas em projetos de pesquisa espec&iacute;ficos do hospital com    suas expectativas de bem-estar, de tratamento ou de al&iacute;vio de seu sofrimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Isso amplia a    perspectiva dominante de an&aacute;lise do trabalho hospitalar, centrada, ora    nas quest&otilde;es da carga e do sofrimento, e nos riscos do trabalho em sa&uacute;de,    ora em rela&ccedil;&atilde;o aos acidentes, tal como representado paradigmaticamente,    no caso do trabalho hospitalar, pelos acidentes perfurocortantes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Se dizemos que    amplia, &eacute; porque n&atilde;o tem sentido abrir m&atilde;o das perspectivas    te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas, como j&aacute; dito, fundamentais do campo    da sa&uacute;de do trabalhador. Destacam-se algumas quest&otilde;es na discuss&atilde;o    pr&eacute;via do trabalho hospitalar: os riscos espec&iacute;ficos, o trabalho    feminino, o sofrimento ps&iacute;quico. E algumas situa&ccedil;&otilde;es descritoras,    parafraseando Latour e Woolgar,<sup>10</sup> das rela&ccedil;&otilde;es ocorridas no hospital:    os doentes; as especialidades; as formas de atendimento; os departamentos com    suas divis&otilde;es; os programas e projetos existentes; o <i>layout</i>, a circula&ccedil;&atilde;o    e seus tempos; os servi&ccedil;os de apoio; a constru&ccedil;&atilde;o de hierarquias;    a comunica&ccedil;&atilde;o; os indicadores que constituem elementos da rede    do trabalho no hospital.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Sendo este universo    extremamente vasto, ampli&aacute;-lo compreende enormes dificuldades, encontradas    ao longo de nosso trajeto. De todo modo, mant&eacute;m-se esse esfor&ccedil;o    de cada vez mais, aproximarmo-nos do trabalho hospitalar por uma abordagem que    n&atilde;o pensa esse trabalho apenas como sofrimento e com suas cargas f&iacute;sicas    e mentais.<sup>11</sup> Porque o contato com o sofrimento daquele que trabalha    se d&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o entre pessoas, na qual o paciente &eacute;    quem est&aacute; mais diretamente colocado numa situa&ccedil;&atilde;o de exposi&ccedil;&atilde;o,    depend&ecirc;ncia, situa&ccedil;&otilde;es extremas de ruptura e de despojamento    da pr&oacute;pria vida, posi&ccedil;&atilde;o diferente daquelas encontradas    nas rela&ccedil;&otilde;es humanas comuns. Por meio da solidariedade daqueles    que convivem no hospital, pode ser proposta uma nova abordagem da sa&uacute;de    no hospital.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    metodol&oacute;gicas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Propomos, no momento,    que avan&ccedil;os metodol&oacute;gicos possam ser alcan&ccedil;ados trilhando    os seguintes caminhos:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> a) introdu&ccedil;&atilde;o    do conceito de vida no trabalho e na an&aacute;lise de processo deste, o que    se torna ainda mais apropriado no trabalho em servi&ccedil;os de sa&uacute;de    devido &agrave; natureza e &agrave; intensidade das rela&ccedil;&otilde;es humanas    presente no cotidiano desse tipo do trabalho, superando e incluindo modelos    centrados em situa&ccedil;&otilde;es de risco e efeitos para a sa&uacute;de;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> b) inclus&atilde;o    do conceito de situa&ccedil;&otilde;es descritoras, e da abordagem da antropologia    sim&eacute;trica<sup>10</sup> na an&aacute;lise do processo de trabalho, como formas de    observa&ccedil;&atilde;o que possibilitam a reorganiza&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica    no campo da sa&uacute;de do trabalhador;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> c) tomar de Foucault<sup>12</sup>    ferramentas conceituais para a descri&ccedil;&atilde;o do processo de trabalho:    distribui&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o; controle das a&ccedil;&otilde;es;    acompanhamento das pessoas de acordo com a hierarquia; registro do processo    para classificar, julgar, medir e relocar as pessoas. O modelo de an&aacute;lise    que Foucault<sup>13</sup> apresenta em seu livro Microf&iacute;sica do Poder atribui um    sentido de <b>aperfei&ccedil;oamento</b> a estas <b>t&eacute;cnicas de gest&atilde;o dos    homens</b>. A disciplina implicaria, para o autor:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - uma <b>distribui&ccedil;&atilde;o    espacial dos indiv&iacute;duos</b> - o ex&eacute;rcito que deixa de ser um aglomerado    de pessoas, a escola que, ao ministrar um ensino a coletivos, organiza espacialmente    grupos de indiv&iacute;duos,</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - o <b>controle sobre    o desenvolvimento das a&ccedil;&otilde;es</b> - como s&atilde;o feitos os gestos    no trabalho, quais os mais eficazes, r&aacute;pidos e ajustados,</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - a <b>vigil&acirc;ncia    constante dos indiv&iacute;duos</b>, o que implica uma hierarquia de olhares, como    os instalados por figuras como o contramestre na f&aacute;brica, o suboficial    no ex&eacute;rcito, e</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">- um <b>registro cont&iacute;nuo</b>    originado daquela vigil&acirc;ncia que individualiza as pessoas em seu poder    de classificar, julgar, medir, localizar cada um;<sup>13</sup> e</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> d) estudar a influ&ecirc;ncia    da pesquisa na qualidade dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Considerando que    a pesquisa no hospital &eacute; um de seus elementos intr&iacute;nsecos, esse    &eacute; sempre um lugar de forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos para    o setor e de desenvolvimento de tecnologia com maior ou menor &ecirc;nfase,    dependendo do tipo de hospital. A pesquisa no hospital tamb&eacute;m pode ser    vista como diretamente ligada &agrave; atividade cl&iacute;nica ou cir&uacute;rgica    desenvolvida, ou indiretamente relacionada aos dados secund&aacute;rios decorrentes    dos atendimentos. Os diferentes setores do hospital apresentam caracter&iacute;sticas    distintas no desenvolvimento de investiga&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Caracter&iacute;sticas    do trabalho hospitalar</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Desejamos destacar,    ent&atilde;o, algumas caracter&iacute;sticas que temos observado no processo    de trabalho em hospital, que consideramos merecedoras de aten&ccedil;&atilde;o    e discuss&atilde;o e, tamb&eacute;m, algumas particularidades em sua rela&ccedil;&atilde;o    com a sa&uacute;de, deste foco de atividades diretamente relacionadas com o    cuidado:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> a) a concentra&ccedil;&atilde;o    de trabalho humano e a sua aplica&ccedil;&atilde;o em pessoas intensificam as    rela&ccedil;&otilde;es entre elas como um elemento central, e a tecnologia e    o conhecimento se tornam fatores distanciadores ou de intermedia&ccedil;&atilde;o    desta rela&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> b) os trabalhos    prescritos s&atilde;o orienta&ccedil;&otilde;es transmitidas em per&iacute;odos    de forma&ccedil;&atilde;o. Nas a&ccedil;&otilde;es decorrentes do atendimento    a cada paciente, h&aacute; um componente rotineiro e outro particular. Este    &uacute;ltimo faz a diferen&ccedil;a objetiva em rela&ccedil;&atilde;o aos trabalhos    prescritos industriais. A necessidade de improvisa&ccedil;&atilde;o e impasses    decorrentes de falta de algum componente acontecem e, como na ind&uacute;stria,    alternativas operacionais s&atilde;o aplicadas e tendem a n&atilde;o ser seguras,    ou seja, constantemente trazem um maior risco;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> c) exige altos    n&iacute;veis de qualifica&ccedil;&atilde;o para muitas de suas atividades,    al&eacute;m de constante treinamento pr&aacute;tico e o enfrentamento de situa&ccedil;&otilde;es    com alta variabilidade e emergenciais;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> d) grau de imprecis&atilde;o    das tarefas &eacute; alto e a presen&ccedil;a de tomadas de decis&atilde;o em    situa&ccedil;&otilde;es novas faz parte da rotina;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> e) a s&iacute;ndrome    da imunodefici&ecirc;ncia adquirida (AIDS) embora contamine com menos frequ&ecirc;ncia    que a hepatite, por sua letalidade e significado social, dissemina uma revis&atilde;o    dos padr&otilde;es de biosseguran&ccedil;a internos aos hospitais, al&eacute;m    de estruturar servi&ccedil;os e renovar a preocupa&ccedil;&atilde;o com as doen&ccedil;as    infectoparasit&aacute;rias; e</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> f) h&aacute; um    consenso sobre o alto valor social do trabalho hospitalar, sendo esse um dos    motivadores da satisfa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores do setor sa&uacute;de.    Paradoxalmente, ele pode induzir a a&ccedil;&otilde;es onde as medidas de prote&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o relegadas por um impulso fundamentado na prem&ecirc;ncia de resolver    o problema do paciente. Para concluir, essas caracter&iacute;sticas s&atilde;o    pass&iacute;veis de observa&ccedil;&atilde;o a partir de an&aacute;lises qualitativas    e representam em si situa&ccedil;&otilde;es descritoras do trabalho hospitalar,    fazendo parte da rede que o constitui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1. Pita AMF. Trabalho    hospitalar e sofrimento ps&iacute;quico [tese de Doutorado]. S&atilde;o Paulo    (SP): USP; 1989.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 2. Silva CO. Vida    e Trabalho no Hospital [tese de Doutorado]. Rio de Janeiro (RJ): Escola Nacional    de Sa&uacute;de P&uacute;blica-FIOCRUZ; 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Silva C. O    curar adoecendo: um estudo do processo de trabalho hospitalar em busca da sa&uacute;de    [disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado]. Rio de Janeiro (RJ): Escola Nacional    de Sa&uacute;de P&uacute;blica-FIOCRUZ; 1994.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. Pal&aacute;cios    M. Trabalho hospitalar e sa&uacute;de mental: o caso de um hospital geral e    p&uacute;blico do munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, 1993 [disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado]. Rio de Janeiro (RJ): Universidade Estadual do Rio de Janeiro;    1993.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Dejours C.    Travail usure mentale essai de psycopathologie du travail. Paris: Le Centurion;    1980.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. Dejours C.    Le corps entre biologie et psychalyse: essais d&#8217;interpretation compar&eacute;e.    Paris: Payot; 1986.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7. Dejours C.    La souffrance en France la banalisation de l&#8217;injustice sociale. Paris:    Seuil; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Latour B. Nous    n&#8217;avons jamais &eacute;t&eacute; moderne: essai d&#8217;anthropologie    sym&eacute;trique. Paris: La Decouverte; 1994.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Latour B. La    rh&eacute;torique de la science: pouvoir et devoir dans un article de science    exacte. Actes de la Recherche en Sciences Sociales 1977;13:81-95.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 10. Latour B,    Woolgar S. A vida de laborat&oacute;rio: a produ&ccedil;&atilde;o de fatos cient&iacute;ficos.    Rio de Janeiro: Relume-Dumar&aacute;; 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 11. Laurrell AC,    Noriega M. Processo de produ&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de. Trabalho e desgaste    oper&aacute;rio. S&atilde;o Paulo: HUCITEC; 1989.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 12. Foucault M.    O nascimento da cl&iacute;nica. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria;    1977.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 13. Foucault M.    O nascimento do hospital. In: Microf&iacute;sica do poder. Rio de Janeiro: Graal;    1979. p.99-112.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="endereco"></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/iesus/v11n3/seta.gif" border="0"></a><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Av. Brasil, 4.365    <br>   Manguinhos - Rio de Janeiro/RJ.    <br>   CEP: 21.045-900.    <br>   E-mail:<a href="mailto:jorgemhm@malaria.procc.fiocruz.br">jorgemhm@malaria.procc.fiocruz.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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