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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro Nacional de Epidemiologia, Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação de riscos como ferramenta para a vigilância ambiental em Saúde]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Risk assessment as a tool for environmental health surveillance]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,FIOCRUZ ENSP Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Risk assessment is becoming an important tool in environmental health surveillance. Historical aspects and the principles of its application, taking as example situations involving chemical substances, are presented in this article. The basic steps, which comprise this approach, are described: hazard identification; dose-response assessment; exposure assessment;and risk characterization. Situations in which risk assessment can and should be applied in environmental health surveillance are discussed. The use of risk assessment as an effective tool constitutes a challenge that needs to be contextualized and based on integrated and participatory approaches.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Avaliação de Riscos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="topo"></a>Avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos como ferramenta para a vigil&acirc;ncia ambiental em Sa&uacute;de    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Risk assessment    as a tool for environmental health surveillance</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Machado    de Freitas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Centro de Estudos    da Sa&uacute;de do Trabalhador e Ecologia Humana/ENSP/FIOCRUZ </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos vem se constituindo como importante ferramenta para a vigil&acirc;ncia    ambiental em sa&uacute;de. Neste artigo, tomando como exemplo as situa&ccedil;&otilde;es    que envolvem agentes qu&iacute;micos, situamos historicamente seu surgimento    para, em seguida, apresentar os princ&iacute;pios b&aacute;sicos que regem sua    aplica&ccedil;&atilde;o. A partir da&iacute;, s&atilde;o descritas as etapas    b&aacute;sicas que comp&otilde;em essa ferramenta, sendo: identifica&ccedil;&atilde;o    do perigo; estabelecimento do n&iacute;vel de dose-resposta; avalia&ccedil;&atilde;o    da exposi&ccedil;&atilde;o; e caracteriza&ccedil;&atilde;o dos riscos. Ao final,    discute-se quando e em que situa&ccedil;&otilde;es a avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos pode e deve ser utilizada no &acirc;mbito da vigil&acirc;ncia ambiental    em sa&uacute;de. Conclui-se que o maior desafio para essa avalia&ccedil;&atilde;o    tornar-se uma ferramenta efetiva para a vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de    &eacute; que ela seja contextualizada &agrave; nossa realidade e baseada em    abordagens integradas e participativas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-Chave:</b>    Avalia&ccedil;&atilde;o de Riscos; Vigil&acirc;ncia Ambiental; Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de.</font></p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Risk assessment    is becoming an important tool in environmental health surveillance. Historical    aspects and the principles of its application, taking as example situations    involving chemical substances, are presented in this article. The basic steps,    which comprise this approach, are described: hazard identification; dose-response    assessment; exposure assessment;and risk characterization. Situations in which    risk assessment can and should be applied in environmental health surveillance    are discussed. The use of risk assessment as an effective tool constitutes a    challenge that needs to be contextualized and based on integrated and participatory    approaches.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key Words:</b>    Risk Assessment; Environmental Surveillance; Health Surveillance.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o    </b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos tem-se constitu&iacute;do em importante ferramenta, com o objetivo    de subsidiar os processos decis&oacute;rios, de controle e preven&ccedil;&atilde;o    da exposi&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es e indiv&iacute;duos aos    agentes perigosos &agrave; sa&uacute;de que est&atilde;o presentes no meio ambiente    por meio de produtos, processos produtivos ou res&iacute;duos. Trata-se de um    conjunto de procedimentos que possibilitam avaliar e estimar o potencial de    danos a partir da exposi&ccedil;&atilde;o a determinados agentes presentes no    meio ambiente. Sendo assim, embora tenha suas origens relacionadas aos processos    de produ&ccedil;&atilde;o, de produtos e res&iacute;duos radioativos e qu&iacute;micos,    essa avalia&ccedil;&atilde;o pode, enquanto ferramenta, ser estendida a outras    situa&ccedil;&otilde;es, como as que envolvem agentes biol&oacute;gicos, por    exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Quando trata de    processos produtivos, a no&ccedil;&atilde;o de risco est&aacute; relacionada    &agrave; probabilidade de eventos ou falhas de componentes. Nesses casos, a    avalia&ccedil;&atilde;o de riscos serve de ferramenta para a identifica&ccedil;&atilde;o    de perigos, probabilidades de ocorr&ecirc;ncia, desenvolvimento de cen&aacute;rios    e an&aacute;lise de conseq&uuml;&ecirc;ncias dos acidentes industriais, particularmente    em instala&ccedil;&otilde;es em que eventos podem resultar em emiss&otilde;es    de poluentes no meio ambiente. &Eacute; utilizada como ferramenta para o licenciamento    ambiental de instala&ccedil;&otilde;es.<sup>1</sup> Nas situa&ccedil;&otilde;es que envolvem    produtos ou res&iacute;duos perigosos, a no&ccedil;&atilde;o de risco est&aacute;    relacionada ao estabelecimento das rela&ccedil;&otilde;es entre a exposi&ccedil;&atilde;o    a determinados agentes e os potenciais danos causados &agrave; sa&uacute;de    dos seres humanos e outros organismos vivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos constitui uma forma de aprofundamento da compreens&atilde;o dos problemas    ambientais que ocasionam efeitos indesej&aacute;veis sobre a sa&uacute;de. Pode    ter in&iacute;cio quando dados <i>ambientais e dados de sa&uacute;de</i> indicam haver    a presen&ccedil;a de agentes perigosos (qu&iacute;micos, f&iacute;sicos ou biol&oacute;gicos)    no ambiente, cujos efeitos sobre a sa&uacute;de devem ser avaliados quantitativa    e qualitativamente. Seu objetivo &eacute; oferecer ao tomador de decis&atilde;o    (ministro de estado ou secret&aacute;rio de sa&uacute;de ou meio ambiente) elementos    para o estabelecimento de estrat&eacute;gias de gerenciamento de riscos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A possibilidade    de relacionar os dados ambientais e os de sa&uacute;de torna-se fundamental    para a compreens&atilde;o das interrela&ccedil;&otilde;es entre os <i>n&iacute;veis    de exposi&ccedil;&atilde;o</i> aos agentes e os <i>efeitos sobre sa&uacute;de</i>. Por&eacute;m,    conforme observam Corval&aacute;n e Kjellstr&ouml;m,<sup>2</sup> para que avalia&ccedil;&otilde;es    de riscos sejam realizadas, sem a necessidade de novas e substantivas pesquisas,    torna-se vital que existam informa&ccedil;&otilde;es detalhadas acerca da <i>rela&ccedil;&atilde;o    exposi&ccedil;&atilde;o-efeitos</i>. Isso implica o conhecimento acerca das vias    de exposi&ccedil;&otilde;es, estimativas da popula&ccedil;&atilde;o exposta    e dos efeitos &agrave; sa&uacute;de associados com a exposi&ccedil;&atilde;o    na forma da rela&ccedil;&atilde;o dose-resposta. Para os autores, na atualidade,    essa abordagem &eacute; poss&iacute;vel para muitos poluentes, por&eacute;m    a aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es em muitas partes do mundo, especialmente    nos pa&iacute;ses em processo de industrializa&ccedil;&atilde;o limita sua aplica&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No caso dos pa&iacute;ses    em processo de industrializa&ccedil;&atilde;o, a maioria das avalia&ccedil;&otilde;es    quantitativas de riscos s&oacute; pode ser realizada pela extrapola&ccedil;&atilde;o    dos resultados dos estudos dispon&iacute;veis nos pa&iacute;ses industrializados.    O limite da extrapola&ccedil;&atilde;o &eacute; que a extens&atilde;o dos n&iacute;veis    de exposi&ccedil;&atilde;o e a distribui&ccedil;&atilde;o de alguns determinantes    podem diferir substancialmente entre popula&ccedil;&otilde;es, reduzindo inevitavelmente    a validade dessa abordagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Apesar dos limitantes    apontados anteriormente, a avalia&ccedil;&atilde;o de riscos &eacute;, na atualidade,    sem d&uacute;vida, importante ferramenta para tomada de decis&atilde;o em sa&uacute;de    e meio ambiente. Neste texto, primeiro contextualizaremos historicamente o seu    surgimento. Em seguida, tendo como refer&ecirc;ncia as subst&acirc;ncias qu&iacute;micas,    apresentaremos seus princ&iacute;pios e as etapas que a constituem. Ao final,    apontamos como e quando deve ser realizada para servir como ferramenta a ser    utilizada na vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Breve    hist&oacute;rico </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O termo risco    tem sua origem na palavra italiana <i>riscare</i>, cujo significado original era navegar    entre rochedos perigosos. O conceito de risco que se conhece atualmente prov&eacute;m    da teoria das probabilidades, sistema axiom&aacute;tico oriundo da teoria dos    jogos na Fran&ccedil;a do s&eacute;culo XVII. Pressup&otilde;e a possibilidade    de prever determinadas situa&ccedil;&otilde;es ou eventos por meio do conhecimento    - ou, pelo menos, possibilidade de conhecimento - dos par&acirc;metros da distribui&ccedil;&atilde;o    de probabilidades de acontecimentos futuros por meio da computa&ccedil;&atilde;o    das expectativas matem&aacute;ticas. O conceito de risco est&aacute; associado    ao potencial de perdas e danos e de magnitude das conseq&uuml;&ecirc;ncias.<sup>3</sup>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Covello e Mumpower,<sup>4</sup>    em abordagem hist&oacute;rica de an&aacute;lise e gerenciamento de riscos, principalmente    nos Estados Unidos, apontaram nove fatores importantes, que distribu&iacute;mos    em quatro grupos, para a compreens&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es    que levaram ao modo contempor&acirc;neo de pensar e enfrentar os riscos nos    pa&iacute;ses centrais da economia mundial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O primeiro grupo    de fatores envolve os relacionados &agrave; mudan&ccedil;a na pr&oacute;pria    natureza dos riscos. Mudan&ccedil;as no perfil das principais causas de &oacute;bito,    que deixaram progressivamente de ser atribu&iacute;das &agrave;s doen&ccedil;as    infecciosas para privilegiar as cr&ocirc;nico-degenerativas, aumento na m&eacute;dia    de expectativa de vida e o crescimento de novos riscos (radioativos, qu&iacute;micos    e biol&oacute;gicos, todos gerados pelo desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e da    tecnologia) que passaram a fazer parte do quotidiano de milh&otilde;es de pessoas,    na forma de acidentes ou n&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O segundo grupo    est&aacute; relacionado ao pr&oacute;prio desenvolvimento cient&iacute;fico    e tecnol&oacute;gico. Por um lado, o desenvolvimento de testes laboratoriais,    m&eacute;todos epidemiol&oacute;gicos, modelagens ambientais, simula&ccedil;&otilde;es    em computadores e avalia&ccedil;&atilde;o de riscos na engenharia, os quais    possibilitaram avan&ccedil;os na habilidade dos cientistas em identificar e    medir os riscos. Em paralelo, houve o crescimento no n&uacute;mero de cientistas    e analistas que passaram a ter como foco de seu trabalho os riscos &agrave;    sa&uacute;de, seguran&ccedil;a e ao meio ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O terceiro grupo    diz respeito aos processos de regulamenta&ccedil;&atilde;o e decis&atilde;o.    O desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico contribuiu para o crescimento    do n&uacute;mero de an&aacute;lises quantitativas formais produzidas e utilizadas    para os processos decis&oacute;rios sobre gerenciamento de riscos, associado    &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o do papel do governo federal na avalia&ccedil;&atilde;o    e no gerenciamento de riscos. Esse crescimento deu-se mediante: a) o desenvolvimento    da legisla&ccedil;&atilde;o no campo da sa&uacute;de, seguran&ccedil;a e do    meio ambiente; b) o crescimento das ag&ecirc;ncias p&uacute;blicas encarregadas    do gerenciamento desses riscos; e c) o aumento dos casos relacionados ao assunto    que alcan&ccedil;aram a esfera judicial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O quarto grupo    envolve as respostas da sociedade organizada. A amplia&ccedil;&atilde;o do interesse    e da preocupa&ccedil;&atilde;o com os riscos, por parte do p&uacute;blico em    geral, demandando cada vez mais prote&ccedil;&atilde;o, contribuiu, substancialmente,    para o crescimento de movimentos sociais e grupos de interesses que procuravam    participar cada vez mais no gerenciamento social do risco. Esse processo tornou    bastante politizadas as atividades de an&aacute;lise e gerenciamento de riscos    &agrave; sa&uacute;de, &agrave; seguran&ccedil;a e ao meio ambiente, com intensa    participa&ccedil;&atilde;o daqueles segmentos representando a ind&uacute;stria,    os trabalhadores, os ambientalistas, as organiza&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas,    entre outros.<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Particularmente    a partir dos anos 70, alguns fatores, contribu&iacute;ram, de diferentes modos,    para a mudan&ccedil;a no <i>status</i> social dos riscos: a) a publiciza&ccedil;&atilde;o    na imprensa de crian&ccedil;as com deforma&ccedil;&otilde;es cong&ecirc;nitas,    como no caso da talidomida; b) a publica&ccedil;&atilde;o de livros, como &#8220;Primavera    Silenciosa&#8221; (sobre a revolu&ccedil;&atilde;o verde e os altos riscos para    a sa&uacute;de e o meio ambiente gerados pelo uso intensivo de agrot&oacute;xicos),    de Rachel Carson; c) a &#8220;descoberta&#8221; da dioxina como subst&acirc;ncia    qu&iacute;mica altamente perigosa e presente no herbicida &#8220;Agente Laranja&#8221;,    utilizado de modo intensivo em planta&ccedil;&otilde;es e na Guerra do Vietn&atilde;;    d) acidentes qu&iacute;micos e radioativos, como os de Seveso (1976), de Three    Mile Island (1979), de Bhopal (1984) e de Chernobyl (1986); e e) as controv&eacute;rsias    entre os especialistas sobre os riscos &agrave; sa&uacute;de e ao meio ambiente,    tornadas p&uacute;blicas mediante a cobertura da imprensa e massifica&ccedil;&atilde;o    dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Essa mudan&ccedil;a    no status social dos riscos significou o fortalecimento da oposi&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica aos riscos que vinha desde os anos 60, particularmente em rela&ccedil;&atilde;o    aos de origem industrial e tecnol&oacute;gica. Possibilitou, ainda, o fortalecimento    de argumentos favor&aacute;veis ao maior controle social do desenvolvimento    industrial e tecnol&oacute;gico, bem como a interven&ccedil;&atilde;o de novos    atores, como organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas, associa&ccedil;&otilde;es    de moradores, grupos de interesse, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais    e partidos pol&iacute;ticos nos debates e processos decis&oacute;rios acerca    de situa&ccedil;&otilde;es ou eventos de riscos, al&eacute;m dos pr&oacute;prios    sindicatos de trabalhadores que, desde a II Guerra Mundial, vinham se organizando    de maneira mais intensa para manifestar sua insatisfa&ccedil;&atilde;o e seus    questionamentos aos riscos, particularmente &agrave;queles de origem qu&iacute;mica    e radioativa a que se encontravam expostos.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As avalia&ccedil;&otilde;es    de riscos emergem em determinado per&iacute;odo hist&oacute;rico como resposta    t&eacute;cnica a um problema simultaneamente social. Essa resposta d&aacute;-se    por meio da formaliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas qualitativas e quantitativas    com o objetivo de avaliar as causas e conseq&uuml;&ecirc;ncias das exposi&ccedil;&otilde;es    ambientais aos agentes perigosos para, a partir da&iacute;, estabelecer as estrat&eacute;gias    de gerenciamento dos riscos. Essa maior formaliza&ccedil;&atilde;o ocorre em    paralelo com o processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o da avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos, tornando-se, por meio de legisla&ccedil;&otilde;es, instrumento para    as tomadas de decis&otilde;es, principalmente nos EUA e em alguns pa&iacute;ses    da Europa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Exemplo desse    processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o, atingindo n&iacute;veis internacionais,    encontra-se na Agenda 21,<sup>6</sup> que tem, como uma das &aacute;reas program&aacute;ticas,    a &#8220;expans&atilde;o e acelera&ccedil;&atilde;o da avalia&ccedil;&atilde;o    internacional dos riscos qu&iacute;micos&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Princ&iacute;pios    e etapas b&aacute;sicas </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na sua forma cl&aacute;ssica,    a avalia&ccedil;&atilde;o de riscos constitui etapa intermedi&aacute;ria entre    a pesquisa e o gerenciamento de riscos. Suas etapas s&atilde;o (<a href="#fig1">Figura    1</a>): 1) identifica&ccedil;&atilde;o de perigo; 2) avalia&ccedil;&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o dose-resposta; 3) avalia&ccedil;&atilde;o de exposi&ccedil;&atilde;o;    e 4) caracteriza&ccedil;&atilde;o de riscos. &Eacute; somente a partir dessa    &uacute;ltima etapa, a caracteriza&ccedil;&atilde;o de riscos, que s&atilde;o    tomadas as decis&otilde;es para o desenvolvimento de estrat&eacute;gias de gerenciamento    de riscos, havendo a&iacute; mais expl&iacute;cita interfer&ecirc;ncia dos fatores    culturais, sociais, pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos,<sup>5</sup> em que    as decis&otilde;es, objetivando a redu&ccedil;&atilde;o de riscos, se encontram    mediadas por processos que envolvem simult&acirc;neamente as avalia&ccedil;&otilde;es    de riscos e a legitima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<sup>7</sup></font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v11n4/4a05f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; um procedimento    utilizado para sintetizar as informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis e    os julgamentos sobre elas com o objetivo de estimar os riscos associados &agrave;    exposi&ccedil;&atilde;o aos agentes perigosos. Essa estimativa &eacute; expressa    em termos probabil&iacute;sticos, variando entre 0 e 1, sendo o valor igual    a 0 indicador da certeza de que n&atilde;o ocorrer&aacute; dano e o valor igual    a 1 indicador da certeza de que ocorrer&aacute; dano.<sup>8</sup> Tem como objetivo: a)    determinar a possibilidade de efeitos adversos em humanos, outras esp&eacute;cies    e ecossistemas expostos aos agentes qu&iacute;micos; e b) proporcionar a mais    completa informa&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel aos respons&aacute;veis por    controlar os riscos, especificamente &agrave;queles que estabelecem pol&iacute;ticas    e normas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Etapas    b&aacute;sicas </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Embora se possa    considerar que a avalia&ccedil;&atilde;o de riscos, enquanto ferramenta, pode    aplicar-se a diversas situa&ccedil;&otilde;es, vamos nos deter, neste artigo,    &agrave;s circunscritas aos agentes qu&iacute;micos, uma vez que, na atualidade,    a avalia&ccedil;&atilde;o tem sido amplamente difundida e aplicada nos casos    que envolvem esse tipo de agente perigoso. Conforme observamos anteriormente,    a avalia&ccedil;&atilde;o, na sua forma cl&aacute;ssica, divide-se em quatro    etapas b&aacute;sicas. Para melhor compreens&atilde;o delas e de sua rela&ccedil;&atilde;o    com a vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de, detalharemos cada uma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>a) Identifica&ccedil;&atilde;o    de perigo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A etapa de identifica&ccedil;&atilde;o    do perigo tem por objetivo obter e avaliar as informa&ccedil;&otilde;es relacionadas    &agrave;s propriedades t&oacute;xicas inerentes a cada subst&acirc;ncia, ou    o potencial para causar dano biol&oacute;gico, doen&ccedil;a ou &oacute;bito,    sob certas condi&ccedil;&otilde;es de exposi&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m    pode incluir a caracteriza&ccedil;&atilde;o do comportamento de uma subst&acirc;ncia    dentro do corpo e as intera&ccedil;&otilde;es que esta tem com &oacute;rg&atilde;os,    c&eacute;lulas ou componentes celulares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Informa&ccedil;&otilde;es    desse tipo podem ser valiosas para que se possa confirmar se efeitos comprovadamente    t&oacute;xicos de determinada subst&acirc;ncia, em certas condi&ccedil;&otilde;es    experimentais, tamb&eacute;m podem ser produzidos em seres humanos, ou seja,    se &eacute; cientificamente correto inferir que os efeitos t&oacute;xicos observados    em certo meio ocorram em outros. Exemplo desse questionamento refere-se &agrave;    possibilidade de subst&acirc;ncias carcinog&ecirc;nicas ou teratog&ecirc;nicas    em animais produzirem o mesmo efeito em seres humanos.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As informa&ccedil;&otilde;es    sobre as propriedades t&oacute;xicas das subst&acirc;ncias qu&iacute;micas s&atilde;o    obtidas a partir de <i>estudos em animais, investiga&ccedil;&otilde;es epidemiol&oacute;gicas</i>    controladas em popula&ccedil;&otilde;es humanas expostas e <i>estudos cl&iacute;nicos</i>    ou <i>informes de casos</i> sobre seres humanos expostos. Outras informa&ccedil;&otilde;es    toxicol&oacute;gicas s&atilde;o obtidas por meio de estudos experimentais em    sistemas que n&atilde;o s&atilde;o completos (&oacute;rg&atilde;os isolados,    c&eacute;lulas ou componentes celulares) e da an&aacute;lise da estrutura molecular    da subst&acirc;ncia de interesse.<sup>9</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Para algumas subst&acirc;ncias,    a base de dados dispon&iacute;vel pode incluir informa&ccedil;&otilde;es valiosas    sobre os efeitos em seres humanos e em animais experimentais, assim como informa&ccedil;&otilde;es    sobre os mecanismos biol&oacute;gicos b&aacute;sicos para a produ&ccedil;&atilde;o    de uma ou mais forma de toxicidade. Em outros casos, a base de dados pode ser    sumamente limitada e incluir somente alguns estudos de experimenta&ccedil;&atilde;o    animal.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> H&aacute; situa&ccedil;&otilde;es    onde todos os dados dispon&iacute;veis podem apontar claramente em uma s&oacute;    dire&ccedil;&atilde;o, deixando pouca ambig&uuml;idade acerca da natureza da    toxicidade associada a determinada subst&acirc;ncia. Entretanto, em alguns casos,    os dados podem incluir conjuntos de estudos epidemiol&oacute;gicos ou experimentais    aparentemente em conflito. A avalia&ccedil;&atilde;o apropriada do perigo deve    conter uma revis&atilde;o cr&iacute;tica de cada conjunto de dados pertinentes    e da base total de informa&ccedil;&otilde;es sobre toxicidade. Tamb&eacute;m    deve incluir a avalia&ccedil;&atilde;o das infer&ecirc;ncias sobre toxicidade    em popula&ccedil;&otilde;es humanas que podem ter sido expostas.<sup>9</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As <i>informa&ccedil;&otilde;es    sobre toxicidade a partir de estudos em animais</i> baseiam-se na suposi&ccedil;&atilde;o    de que os efeitos em seres humanos podem ser previstos a partir dos efeitos    em animais. Entretanto, apesar do princ&iacute;pio geral de inferir efeitos    para seres humanos a partir de efeitos em animais de experimenta&ccedil;&atilde;o    ser bem fundamentado, existem numerosas exce&ccedil;&otilde;es. Muitas delas    est&atilde;o relacionadas &agrave;s diferen&ccedil;as na maneira como diversas    esp&eacute;cies interagem com a subst&acirc;ncia a que est&atilde;o expostas    e com as diferen&ccedil;as de metabolismo, absor&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o    e elimina&ccedil;&atilde;o (os aspectos toxicocin&eacute;ticos) dessas subst&acirc;ncias    no organismo. Devido a essas diferen&ccedil;as potenciais, &eacute; essencial    avaliar cuidadosamente todas as diferen&ccedil;as entre esp&eacute;cies ao inferir    toxicidade para seres humanos a partir de resultados de estudos toxicol&oacute;gicos    em animais.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As <i>informa&ccedil;&atilde;os    a partir de estudos em seres humanos</i> s&atilde;o obtidas a partir de quatro fontes:    1) estudos epidemiol&oacute;gicos; 2) estudos de correla&ccedil;&atilde;o, nos    quais as diferen&ccedil;as nas taxas de doen&ccedil;a em popula&ccedil;&otilde;es    humanas est&atilde;o associadas a diferen&ccedil;as de condi&ccedil;&otilde;es    ambientais; 3) informes de casos preparados por equipes de sa&uacute;de; e 4)    resumo dos sintomas informados pelas pr&oacute;prias pessoas expostas.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os estudos cl&iacute;nicos    ou informes de casos de uma investiga&ccedil;&atilde;o, apesar de serem muito    importantes, raramente constituem o corpo central de informa&ccedil;&otilde;es    para a avalia&ccedil;&atilde;o de risco. Estas duas &uacute;ltimas fontes de    informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o consideradas indicadores menos seguros e    precisos do potencial t&oacute;xico.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As provas oriundas    de estudos experimentais em animais e os resultados de estudos epidemiol&oacute;gicos    constituem as principais fontes de dados sobre toxicidade, por&eacute;m, ainda    assim, apresentam dificuldades interpretativas que, por vezes, s&atilde;o bastante    sutis e controversas. Nos estudos de laborat&oacute;rio, embora se possa ter    maior controle das vari&aacute;veis, h&aacute; o fato de se tratar de outra    esp&eacute;cie que n&atilde;o a humana. Nos estudos epidemiol&oacute;gicos,    embora sejam baseados em situa&ccedil;&otilde;es reais de exposi&ccedil;&atilde;o    de seres humanos, existem problemas relacionados a variabilidade gen&eacute;tica    e ao n&atilde;o controle de todas as vari&aacute;veis.<sup>9</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>b) Avalia&ccedil;&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o dose-resposta</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O passo seguinte    &eacute; estimar as rela&ccedil;&otilde;es entre dose e resposta para as diversas    formas de toxicidade mostradas pela subst&acirc;ncia em estudo. Ainda que se    disponha de bons estudos epidemiol&oacute;gicos, raramente h&aacute; dados quantitativos    confi&aacute;veis sobre a exposi&ccedil;&atilde;o. Na maioria dos casos, os    estudos dose-resposta s&atilde;o obtidos a partir de estudos em animais. A avalia&ccedil;&atilde;o    dose-resposta implica considerar tr&ecirc;s problemas: 1) geralmente, os animais    em estudos experimentais est&atilde;o expostos a doses altas e os efeitos a    doses baixas em humanos devem ser previstos, utilizando-se teorias relativas    na forma da curva dose-resposta; 2) os animais e os seres humanos freq&uuml;entemente    diferem em suscetibilidade, ao menos em diferen&ccedil;a de tamanho e metabolismo;    e 3) a popula&ccedil;&atilde;o humana &eacute; muito heterog&ecirc;nea, sendo    alguns indiv&iacute;duos mais suscet&iacute;veis do que a m&eacute;dia.<sup>9</sup></font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante    observar que as respostas t&oacute;xicas podem ser de v&aacute;rios tipos, independente    do &oacute;rg&atilde;o ou do sistema afetados. Para algumas, a gravidade do    dano aumenta &agrave; medida que aumenta a dose, ou seja, o efeito &eacute;    proporcional &agrave; dose. Como exemplo dessa situa&ccedil;&atilde;o, podemos    imaginar certa subst&acirc;ncia que afete o f&iacute;gado. As doses mais altas    podem destruir c&eacute;lulas hep&aacute;ticas, talvez tantas o suficiente para    destruir o f&iacute;gado e causar a morte de alguns ou todos os animais de experimenta&ccedil;&atilde;o.    Com a diminui&ccedil;&atilde;o das doses, menos c&eacute;lulas s&atilde;o destru&iacute;das,    mas pode haver outras formas de dano que causam altera&ccedil;&otilde;es em    seu funcionamento, pois ainda que n&atilde;o haja destrui&ccedil;&atilde;o de    nenhuma c&eacute;lula, podem surgir leves altera&ccedil;&otilde;es de fun&ccedil;&atilde;o    ou da estrutura celular. Finalmente, pode-se chegar &agrave; determinado n&iacute;vel    de dose onde n&atilde;o se observe nenhum efeito ou no qual existam somente    altera&ccedil;&otilde;es bioqu&iacute;micas que n&atilde;o produzam efeitos    adversos conhecidos.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em outros casos,    a gravidade do efeito pode n&atilde;o aumentar com a dose, mas a incid&ecirc;ncia    do efeito aumentar&aacute; com a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel da dose.    Assim, o n&uacute;mero de seres vivos (humanos ou animais) que experimentam    um efeito adverso &agrave; determinada dose &eacute; menor que o n&uacute;mero    total e &agrave; medida que a dose aumenta, a fra&ccedil;&atilde;o que experimenta    efeitos adversos, ou seja, a incid&ecirc;ncia da enfermidade ou dano, aumentar&aacute;.    Para doses suficientemente altas, todos os expostos apresentar&atilde;o o efeito.<sup>9</sup>    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nesta etapa, o    pressuposto b&aacute;sico &eacute; que a cada n&iacute;vel de dose corresponder&aacute;    determinada resposta ou efeito do organismo. Assim, estabelecer os n&iacute;veis    cr&iacute;ticos encontrados na literatura para estimar os riscos a partir dos    dados das situa&ccedil;&otilde;es reais de exposi&ccedil;&atilde;o &eacute;    passo fundamental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>c) Avalia&ccedil;&atilde;o    da exposi&ccedil;&atilde;o </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As medi&ccedil;&otilde;es    e estimativas da exposi&ccedil;&atilde;o de seres humanos em contato com subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas, associadas com as apropriadas suposi&ccedil;&otilde;es acerca    dos efeitos &agrave; sa&uacute;de, constituem m&eacute;todo padr&atilde;o utilizado    para determinar os n&iacute;veis de exposi&ccedil;&otilde;es de determinadas    popula&ccedil;&otilde;es sob determinadas condi&ccedil;&otilde;es. A exposi&ccedil;&atilde;o    &eacute; definida como o contato que uma pessoa tem ao(s) agente(s) (qu&iacute;micos,    f&iacute;sicos ou biol&oacute;gicos) ao n&iacute;vel dos limites exteriores    do seu organismo durante determinado per&iacute;odo de tempo. A avalia&ccedil;&atilde;o    da exposi&ccedil;&atilde;o envolve a determina&ccedil;&atilde;o ou estimativa    da magnitude, da freq&uuml;&ecirc;ncia, da dura&ccedil;&atilde;o, da quantidade    de pessoas expostas e a identifica&ccedil;&atilde;o das vias de exposi&ccedil;&atilde;o.    Seu objetivo &eacute; fornecer subs&iacute;dios para a prote&ccedil;&atilde;o    e a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de p&uacute;blica.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> De modo geral,    considera-se mais r&aacute;pido medir diretamente a exposi&ccedil;&atilde;o    em humanos, seja medindo os n&iacute;veis das subst&acirc;ncias perigosas por    meio do monitoramento ambiental ou utilizando monitoramentos biol&oacute;gicos    e pessoais. Entretanto, na maioria dos casos, necessita-se de conhecimento    detalhado dos fatores que contribuem para a exposi&ccedil;&atilde;o humana,    incluindo n&atilde;o s&oacute; aqueles que determinam o comportamento dos seres    humanos, mas tamb&eacute;m os que determinam o comportamento da subst&acirc;ncia    ao atingir o meio ambiente em que as pessoas vivem e trabalham. Dependendo da    subst&acirc;ncia e do problema em quest&atilde;o, a quantidade de informa&ccedil;&atilde;o    dispon&iacute;vel pode variar bastante, limitando o valor do monitoramento ambiental,    pessoal ou biol&oacute;gico empregado de forma isolada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As principais    quest&otilde;es que orientam a avalia&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o    em seres humanos, s&atilde;o: a) onde se encontra a subst&acirc;ncia? b) como    as pessoas se encontram expostas? c) quais s&atilde;o as vias de exposi&ccedil;&atilde;o?    d) qual o grau de absor&ccedil;&atilde;o pelas diversas vias de exposi&ccedil;&atilde;o?    e) quem est&aacute; exposto? f) h&aacute; grupos de alto risco? e g) qual a    magnitude, dura&ccedil;&atilde;o e freq&uuml;&ecirc;ncia da exposi&ccedil;&atilde;o?<sup>8</sup>    </font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante    notar que os diversos aspectos que contribuem para que determinados grupos populacionais    se encontrem expostos aos perigos de certas subst&acirc;ncias devem ser considerados    nesta etapa. Isso envolve, necessariamente, outras &aacute;reas de conhecimento    al&eacute;m da toxicologia e da epidemiologia, como a antropologia e a sociologia,    para a compreens&atilde;o dos processos e das pr&aacute;ticas sociais envolvidas    na exposi&ccedil;&atilde;o dos diferentes grupos poulacionais.<sup>10,11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>d) Caracteriza&ccedil;&atilde;o    de riscos </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O processo de    caracteriza&ccedil;&atilde;o do risco inclui a an&aacute;lise integrada dos    resultados mais importantes da avalia&ccedil;&atilde;o de riscos. Essa an&aacute;lise    integra e re&uacute;ne as informa&ccedil;&otilde;es das etapas de identifica&ccedil;&atilde;o    de perigo, da avalia&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o doseresposta    e da avalia&ccedil;&atilde;o de exposi&ccedil;&atilde;o, para fazer estimativas    do risco para os cen&aacute;rios de exposi&ccedil;&atilde;o de interesse. Seu    prop&oacute;sito &eacute; fornecer o relato dos objetivos, do alcance e n&iacute;vel    de detalhamento dos resultados e da abordagem utilizada na avalia&ccedil;&atilde;o,    identificando o(s) cen&aacute;rio(s) de exposi&ccedil;&atilde;o utilizado(s).    As for&ccedil;as e limita&ccedil;&otilde;es (incertezas) dos dados e m&eacute;todos    de estimativas s&atilde;o expostas de forma clara.<sup>9,12</sup> Ao final, apresenta o    perfil qualitativo e ou quantitativo do excesso de risco em seres humanos provocados    pela exposi&ccedil;&atilde;o a subst&acirc;ncias t&oacute;xicas. Seus objetivos    s&atilde;o: a) integrar e resumir a identifica&ccedil;&atilde;o do perigo, a    avalia&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o dose-resposta e a avalia&ccedil;&atilde;o    de exposi&ccedil;&atilde;o; b) desenvolver estimativas de riscos para a sa&uacute;de    p&uacute;blica; c) desenvolver um marco para definir o significado do risco;    e d) apresentar as suposi&ccedil;&otilde;es, incertezas e ju&iacute;zos cient&iacute;ficos.<sup>9</sup>    </font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante    observar que a caracteriza&ccedil;&atilde;o do risco &eacute; etapa absolutamente    necess&aacute;ria na gera&ccedil;&atilde;o de qualquer relat&oacute;rio sobre    risco, que ser&aacute; usado de forma preliminar para dar suporte &agrave; aloca&ccedil;&atilde;o    de recursos para estudos mais avan&ccedil;ados ou dar suporte &agrave;s decis&otilde;es    reguladoras. No primeiro caso, os detalhes e a sofistica&ccedil;&atilde;o da    caracteriza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o apropriadamente pequenos, enquanto que    no &uacute;ltimo devem ser mais extensos. Mesmo que um documento cubra somente    algumas partes da avalia&ccedil;&atilde;o de risco (por exemplo, identifica&ccedil;&atilde;o    do perigo e da dose-resposta), os seus resultados devem ser caracterizados.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A avalia&ccedil;&atilde;o    de risco &eacute; um processo interativo que cresce em profundidade e alcance    nos diversos est&aacute;gios em que busca estabelecer prioridades, realizar    estimativas preliminares e examinar a situa&ccedil;&atilde;o do modo mais completo    poss&iacute;vel para dar suporte &agrave; tomada de decis&otilde;es regulamentadoras.    Considera&ccedil;&otilde;es padronizadas s&atilde;o utilizadas em todos os est&aacute;gios,    apesar de se ter em conta o fato de que nenhuma base de dados &eacute; completa.    Conhecido o espectro de prioridades e de problemas, bem como o alcance e a profundidade    das avalia&ccedil;&otilde;es, nem todas as caracteriza&ccedil;&otilde;es do    risco podem ou devem ser iguais. O avaliador de risco precisa decidir cuidadosamente    quais quest&otilde;es, em particular, s&atilde;o importantes para serem apresentadas,    selecionando aquelas que s&atilde;o dignas de aten&ccedil;&atilde;o pelo seu    impacto nos resultados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Conclus&atilde;o    </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Conforme observam    Corval&aacute;n e Kjellstr&ouml;m,<sup>2</sup> a exposi&ccedil;&atilde;o humana, cr&ocirc;nica    ou aguda, aos poluentes ambientais presentes no ar, nas &aacute;guas, no solo    e na cadeia alimentar, contribui para diversos modos de morbidade e mortalidade.    Ainda que para muitos casos se conhe&ccedil;am as doen&ccedil;as atribu&iacute;das    aos poluentes ambientais, os n&iacute;veis de polui&ccedil;&atilde;o s&atilde;o    bastante flutuantes e os m&eacute;todos para analisar as rela&ccedil;&otilde;es    entre exposi&ccedil;&atilde;o e efeitos n&atilde;o s&atilde;o suficientemente    desenvolvidos e a qualidade dos dados &eacute; bastante pobre, particularmente    nos pa&iacute;ses em industrializa&ccedil;&atilde;o. O desafio encontra-se na    possibilidade de relacionar os dados ambientais e de sa&uacute;de, fundamental    para a compreens&atilde;o da interrela&ccedil;&atilde;o entre<i> n&iacute;veis    de exposi&ccedil;&atilde;o e efeitos na sa&uacute;de</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No caso da ado&ccedil;&atilde;o    da avalia&ccedil;&atilde;o de riscos como ferramenta para a vigil&acirc;ncia    ambiental em sa&uacute;de, esse desafio &eacute; ainda maior para pa&iacute;ses    em industrializa&ccedil;&atilde;o como o Brasil, considerando-se dois aspectos    importantes. O primeiro &eacute; a afirmativa de Corval&aacute;n e Kjellstr&ouml;m,<sup>2</sup>    que considera fundamental a exist&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es detalhadas    acerca da rela&ccedil;&atilde;o exposi&ccedil;&atilde;o-efeitos para que avalia&ccedil;&otilde;es    de riscos sejam realizadas nos pa&iacute;ses em industrializa&ccedil;&atilde;o    sem que implique novas e custosas pesquisas. O segundo &eacute; a constata&ccedil;&atilde;o,    na Agenda 21,<sup>6</sup> de que, entre os principais problemas para o emprego das avalia&ccedil;&otilde;es    de riscos nos pa&iacute;ses em industrializa&ccedil;&atilde;o se encontram:    a) falta de dados cient&iacute;ficos para avaliar os riscos inerentes &agrave;    utiliza&ccedil;&atilde;o de numerosos produtos qu&iacute;micos; e b) falta de    recursos para avaliar os produtos qu&iacute;micos para os quais se disp&otilde;e    de dados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dentro do Paradigma    da Sa&uacute;de Ambiental,<sup>13</sup> a avalia&ccedil;&atilde;o de riscos    possui um papel absolutamente estrat&eacute;gico de permitir cruzar as informa&ccedil;&otilde;es    referentes &agrave;s exposi&ccedil;&otilde;es - que resultam de determinadas    fontes de emiss&otilde;es de poluentes e resultam em concentra&ccedil;&otilde;es    ambientais - com as referentes aos potenciais efeitos sobre a sa&uacute;de das    popula&ccedil;&otilde;es expostas - morbidade e mortalidade resultantes das    doses absorvidas (<a href="#fig2">Figura 2</a>). Assim, tornam-se fundamentais,    a busca e a combina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es mais gerais    como a identifica&ccedil;&atilde;o das fontes de emiss&otilde;es, passando pela    identifica&ccedil;&atilde;o das rotas ambientais, vias de exposi&ccedil;&atilde;o    e popula&ccedil;&otilde;es, at&eacute; as mais espec&iacute;ficas sobre dose-resposta.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v11n4/4a05f2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Apesar de ser    esta avalia&ccedil;&atilde;o considerada importante ferramenta, deve-se considerar    que algumas cr&iacute;ticas colocam a necessidade de se ampliar esta abordagem.    A primeira se refere ao fato da avalia&ccedil;&atilde;o ser caso a caso, em    que cada situa&ccedil;&atilde;o &eacute; examinada separadamente, tendo como    pressuposi&ccedil;&atilde;o que os efeitos identificados ser&atilde;o adicionados    aos outros, sendo o efeito total o resultado da soma dos diversos efeitos individuais    identificados. Os efeitos interativos s&atilde;o considerados menores e as margens    de seguran&ccedil;a s&atilde;o aplicadas &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o individual.    O surgimento de um novo agente e ou efeito n&atilde;o implica necessidade de    se reavaliar todo o sistema.<sup>14,15</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A segunda &eacute;    o fato de serem considerados apenas os perigos para os quais existem provas.    Somente efeitos adversos para os quais existem rela&ccedil;&atilde;o causal    e que tenham sido cientificamente demonstrados e aceitos pela comunidade de    pares cient&iacute;ficos s&atilde;o considerados. A terceira refere-se a tend&ecirc;ncia    das medidas do riscos serem expressas em termos quantitativos (n&uacute;mero    de &oacute;bitos, perdas financeiras, etc.), restringindo o debate &agrave;    probabilidades de ocorr&ecirc;ncias ou de exposi&ccedil;&otilde;es. A quarta    refere-se ao fato de a avalia&ccedil;&atilde;o de riscos ser separada da fase    de gerenciamento de riscos. A quinta &eacute; o fato de a avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos ser tarefa somente dos especialistas. A sexta e &uacute;ltima &eacute;    a restri&ccedil;&atilde;o de avaliar somente os riscos em termos toxicol&oacute;gicos    e epidemiol&oacute;gicos, deixando aos tomadores de decis&otilde;es a responsabilidade    pelas considera&ccedil;&otilde;es adicionais de ordem pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica,    social, cultural e moral que necessariamente ser&atilde;o levadas em conta.<sup>14,15</sup>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em resposta a    essas cr&iacute;ticas, particularmente as tr&ecirc;s &uacute;ltimas, v&ecirc;m    sendo desenvolvidas abordagens como a proposta, nos Estados Unidos, pela <i>Comiss&atilde;o    Presidencial-Congressional sobre Avalia&ccedil;&atilde;o de Risco e Gerenciamento    de Risco</i>.<sup>16</sup> De acordo com esta comiss&atilde;o, a avalia&ccedil;&atilde;o    de riscos n&atilde;o pode ser separada do gerenciamento de riscos e este processo    envolve seis etapas encadeadas de forma circular (<a href="#fig3">Figura 3</a>),    que s&atilde;o: 1) definir o problema colocado em contexto; 2) analisar os riscos    associados com problema no contexto; 3) examinar as op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis    para gerenciar os riscos; 4) tomar decis&otilde;es acerca de quais op&ccedil;&otilde;es    implementar; 5) realizar a&ccedil;&otilde;es para a implementar as decis&otilde;es;    e 6) conduzir uma avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v11n4/4a05f3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Diferentemente    da estrutura linear das etapas cl&aacute;ssicas da avalia&ccedil;&atilde;o de    riscos (<a href="#fig1">Figura 1</a>), a estrutura circular dessa proposta (<a href="#fig3">Figura    3</a>) permite visualizar a recoloca&ccedil;&atilde;o do problema no contexto    ou introduzir novos problemas. Todas as etapas s&atilde;o realizadas, envolvendo    a colabora&ccedil;&atilde;o dos diferentes atores e interesses que s&atilde;o    ou ser&atilde;o afetados pelo problema, o que vem sendo enfatizada inclusive    em outras propostas alternativas para a avalia&ccedil;&atilde;o de riscos.<sup>15-17</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Jasanoff <sup>9</sup>    observou que, na busca de integrar as diversas disciplinas e perspectivas que    atuam na rela&ccedil;&atilde;o entre avalia&ccedil;&atilde;o e gerenciamento    de riscos (<a href="#fig4">Figura 4</a>), n&atilde;o podemos separar &#8220;o    que se deseja conhecer acerca de determinado problema&#8221; - o que &eacute;    realizado pelas avalia&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de riscos - do que    se deseja fazer acerca desse mesmo problema - o que &eacute; proposto e realizado    no desenvolvimento das estrat&eacute;gias de gerenciamento de riscos. Para Jasanoff,<sup>9</sup>    o modo de se perceber a realidade e organizar os fatos a ela pertinentes, o    que, conforme demonstra a <a href="#fig4">Figura 4</a>, envolve a sele&ccedil;&atilde;o    da unidade b&aacute;sica de an&aacute;lise, as escolhas meto-dol&oacute;gicas,    a complexidade das medidas de risco (quantitativas ou qualitativas, unidi-mensionais    ou multidimensionais), a fun&ccedil;&atilde;o instrumental e social da abordagem    adotada e seus objetivos, tem implica&ccedil;&otilde;es, embora nem sempre vis&iacute;veis,    tanto nas avalia&ccedil;&otilde;es de riscos, como nos aspectos das pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas e da justi&ccedil;a social: quem se deve proteger de determinados    riscos, a que custo e deixando de lado que alternativas.</font></p>     <p><a name="fig4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v11n4/4a05f4.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As quest&otilde;es    apontadas no par&aacute;grafo anterior n&atilde;o podem ser deixadas de lado    quando se considera que as avalia&ccedil;&otilde;es de riscos passar&atilde;o,    cada vez mais, a desempenhar importante papel nos n&iacute;veis e na extens&atilde;o    das regulamenta&ccedil;&otilde;es acerca de agentes perigosos &agrave; sa&uacute;de    presentes no meio ambiente. Por&eacute;m, para que possam ser realizadas, torna-se    imperativa a defini&ccedil;&atilde;o de prioridades para investiga&ccedil;&atilde;o,    o que s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel a partir da exist&ecirc;ncia de    bases de dados e sistemas de informa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de e meio    ambiente de boa qualidade, que permitam estabelecer indicadores, apontando problemas    que devem ser avaliados com maior profundidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O maior desafio    para que a avalia&ccedil;&atilde;o de riscos possa tornar-se uma ferramenta    efetiva para a vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de &eacute; que ela seja    contextualizada &agrave; nossa realidade e baseada em abordagens integradas    e participativas que possam incluir a an&aacute;lise de &#8220;rea&ccedil;&otilde;es&#8221;    qu&iacute;micas, f&iacute;sicas e biol&oacute;gicas combinadas com &#8220;rea&ccedil;&otilde;es&#8221;    sociais, pol&iacute;ticas, culturais, &eacute;ticas e morais, contribuindo para    a busca de solu&ccedil;&otilde;es mais amplas e duradouras.<sup>6,18</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1. 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Agencia de Protecci&oacute;n Ambiental de los    Estados Unidos de Am&eacute;rica. Taller nacional de introducci&oacute;n a la    evaluaci&oacute;n y manejo de riesgos. Bras&iacute;lia: OPAS; 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Environmental    Protection Agency. Principios de evaluaci&oacute;n del riesgo. Mexico DF: Centro    Panamerico de Ecologia Humana y Salud; 1991.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Jasanoff S.    Bridging the two cultures of risk analysis. Risk Analysis 1993; 13:123-129.    </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 10. Renn O. Concepts    of risk: a classification. In: Krimsky S, Golding D, editors. Social theories    of risk. London: Praeger; 1992. p.53-79. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Environmental    Protection Agency. Proposed guidelines for carcinogenic risk assessment. Washington,    D.C.: EPA; 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 12. Confer&ecirc;ncia    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Agenda    21: Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Meio Ambiente e    Desenvolvimento. Bras&iacute;lia: Senado Federal; 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 13. Sexton K,    Selevan SG, Wagener DK, Lybarger JA. Estimating human exposures to environmental    pollutants: availability and utility of existing databases. Archives of Environmental    Health 1992;47(6):398-407.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 14. Chevassus-aus-Louis    B. Prevention, precaution, consumer involvement: which model for food safety,    in the future? In: Conference on the scientific and health aspects of genetically    modified foods; 2000 Feb/Mar 28-1; Edingurg.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 15. O&#8216;Brien    M. Making better environmental decisions: an alternative to risk assessment.    Massachusetts: MIT; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 16. The Presidential/Congressional    Comission on Risk Assessment and Risk Management (P/CCRARM). Framework for environmental    health risk management: final report, volume 1. Washington, D.C.: P/CCRARM;    1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 17. Charnley G.    Democratic science: enhancing the role of science in satakeholder-based risk    management decision-making. Washington, D.C.: Health Risk Strategies; 2000.    </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 18. Freitas CM,    Porto MFS, Moreira JC, Pivetta F, Machado JMH, Freitas NBB et al. Seguran&ccedil;a    qu&iacute;mica, sa&uacute;de e ambiente: perspectivas para a governan&ccedil;a    no contexto brasileiro. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2002; 8:249-256.    </font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/iesus/v11n4/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Av. Leopoldo Bulh&otilde;es, 1.480    <br>   Manguinhos - Rio de Janeiro/RJ.    <br>   CEP: 21.041-210.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   E-mail:<a href="mailto:carlosmf@ensp.fiocruz.br">carlosmf@ensp.fiocruz</a></font></p>      ]]></body><back>
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