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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Busca ativa de óbitos em cemitérios da Região Metropolitana de Fortaleza, 1999 a 2000]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Information about the numbers of deaths, their distribution by sex, age group, place of residence and cause is necessary for the construction of health indicators, evaluation of the underregistration in the distribution of these deaths in the population and planning of interventions. To verify if there were underregistration of deaths in the Municipal Health Secretariat of Fortaleza (SMS), Ceará, lists of persons buried in cemeteries in the Metropolitan Area during 1999 and 2000 were investigated. Deaths notified to SMS were compared with those registered by cemeteries, and names absent from the SMS list were compared with the database of the Health Secretariat of Ceará using Epi Info, version 6.04. In 1999, 1,633 unregistered deaths were found in the cemeteries, and 1,931 in 2000. The addition of those deaths increases the rate of mortality (from 5.7 to 6.5 in 1999; and from 4.9 to 5.8 per thousand inhabitants in 2000) and influences mainly the infant mortality rate (from 26.9 to 33.1 in 1999; and from 18.5 to 26.2 per thousand live births). Although the quality of the information affected this kind of research, there are advantages in doing it, because it can improve the study of mortality in Fortaleza]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><a name="topo"></a><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Busca ativa de &oacute;bitos em cemit&eacute;rios    da Regi&atilde;o Metropolitana de Fortaleza, 1999 a 2000</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Active searches for deaths in cemeteries in    the Metropolitan Area of Fortaleza, 1999 to 2000</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>M&ocirc;nica Cardoso Fa&ccedil;anha<sup>I</sup>;    Alicemaria Ciarlini Pinheiro<sup>II</sup>; Simony Fauth<sup>I</sup>; Antonio    Walnickson D. B. C. Lima<sup>I</sup>; Vitor Lima Pinheiro da Silva<sup>I</sup>;    Max Weber S&aacute;tiro Justino<sup>I</sup>; Elaine Meireles Costa<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Universidade Federal do Cear&aacute;,    Fortaleza-CE    <br><sup>II</sup>Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Fortaleza-CE</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para    correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O conhecimento do n&uacute;mero de &oacute;bitos,    sua distribui&ccedil;&atilde;o por sexo, faixa et&aacute;ria, local de resid&ecirc;ncia    e causa &eacute; necess&aacute;rio para a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores    de sa&uacute;de, avalia&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o dos &oacute;bitos    na popula&ccedil;&atilde;o e planejamento de interven&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de    P&uacute;blica. Para verificar se havia subnotifica&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos    em Fortaleza, Cear&aacute;, foi realizada busca ativa de sepultamentos ocorridos    em 1999 e 2000 em cemit&eacute;rios da Regi&atilde;o Metropolitana. Foram feitas    listagens dos &oacute;bitos notificados &agrave; Secretaria Municipal de Sa&uacute;de    de Fortaleza (SMS), comparadas com os registros de &oacute;bitos pelos cemit&eacute;rios.    Os nomes inexistentes na lista da SMS tamb&eacute;m foram comparados aos da    Secretaria de Estado de Sa&uacute;de do Cear&aacute; (SESA), por meio do Epi    Info, vers&atilde;o 6.04. Foram encontrados, n&atilde;o notificados, 1.633 &oacute;bitos    em 1999 e 1.931 do ano 2000 (de 10.581 &oacute;bitos enumerados em 1999; e 11.854    em 2000). O acr&eacute;scimo desses &oacute;bitos aumenta a taxa de mortalidade    (de 5,7 para 6,5 em 1999; e de 4,9 para 5,8 por mil habitantes); e influencia,    principalmente, o coeficiente de mortalidade infantil (de 26,9 para 33,1 em    1999; e de 18,5 para 26,2 por mil nascidos vivos em 2000). A qualidade das informa&ccedil;&otilde;es    fica comprometida por esse tipo de coleta, mas h&aacute; vantagens em conhecer    a quantidade de &oacute;bitos para que se possa melhorar o estudo da mortalidade    em Fortaleza.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> mortalidade; mortalidade    infantil; indicadores de sa&uacute;de.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Information about the numbers of deaths,    their distribution by sex, age group, place of residence and cause is necessary    for the construction of health indicators, evaluation of the underregistration    in the distribution of these deaths in the population and planning of interventions.    To verify if there were underregistration of deaths in the Municipal Health    Secretariat of Fortaleza (SMS), Cear&aacute;, lists of persons buried in cemeteries    in the Metropolitan Area during 1999 and 2000 were investigated. Deaths notified    to SMS were compared with those registered by cemeteries, and names absent from    the SMS list were compared with the database of the Health Secretariat of Cear&aacute;    using Epi Info, version 6.04. In 1999, 1,633 unregistered deaths were found    in the cemeteries, and 1,931 in 2000. The addition of those deaths increases    the rate of mortality (from 5.7 to 6.5 in 1999; and from 4.9 to 5.8 per thousand    inhabitants in 2000) and influences mainly the infant mortality rate (from 26.9    to 33.1 in 1999; and from 18.5 to 26.2 per thousand live births). Although the    quality of the information affected this kind of research, there are advantages    in doing it, because it can improve the study of mortality in Fortaleza.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words:</b> mortality rate; infant    mortality; health indicators.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Conhecer o n&uacute;mero de &oacute;bitos &eacute;    essencial para o c&aacute;lculo dos principais indicadores de sa&uacute;de de    uma regi&atilde;o. Sua distribui&ccedil;&atilde;o por sexo, faixa et&aacute;ria    e local de resid&ecirc;ncia s&atilde;o importantes para avalia&ccedil;&otilde;es    como as mortalidades infantil e materna,<sup>1-3</sup> que s&atilde;o importantes    indicadores sociais e de sa&uacute;de de uma popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A falta de conhecimento dos &oacute;bitos pelas    autoridades e servi&ccedil;os de Sa&uacute;de P&uacute;blica ocorre, principalmente,    em pa&iacute;ses subdesenvolvidos, mas tamb&eacute;m em pa&iacute;ses desenvolvidos.    Entre 1974 e 1977, 21% dos &oacute;bitos neonatais n&atilde;o haviam sido registrados    no Estado da Ge&oacute;rgia, Estados Unidos da Am&eacute;rica, tendo sido descobertos    por busca ativa nos hospitais.<sup>4</sup> A taxa de mortalidade infantil oficial em Taiwan    aumentou 70,2% depois de busca ativa de &oacute;bitos.<sup>5</sup> No Brasil, tem havido    um investimento crescente na melhoria da qualidade do preenchimento e da capta&ccedil;&atilde;o    das Declara&ccedil;&otilde;es de &Oacute;bito (DO), com treinamento de m&eacute;dicos,    codificadores e digitadores e com a implanta&ccedil;&atilde;o do aplicativo    informatizado do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Mortalidade (SIM)    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As estrat&eacute;gias para recuperar essas informa&ccedil;&otilde;es    e saber se elas correspondem ao total dos &oacute;bitos ocorridos t&ecirc;m    sido uma luta dos servi&ccedil;os de estat&iacute;stica e epidemiologia em sa&uacute;de,    que t&ecirc;m utilizado estimativas, censos,<sup>6</sup> aut&oacute;psias verbais,<sup>6</sup> buscas    ativas em servi&ccedil;os de sa&uacute;de e cart&oacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em Fortaleza, Cear&aacute;, at&eacute; o de ano    de 2001, as principais fontes de declara&ccedil;&otilde;es de &oacute;bito foram    os cart&oacute;rios de registro civil, que eram visitados, no m&iacute;nimo,    uma vez por m&ecirc;s, por um funcion&aacute;rio da Secretaria Municipal de    Sa&uacute;de. Para minorar a subenumera&ccedil;&atilde;o, essa fonte era complementada    pelas terceiras vias das DO entregues pelos hospitais quando do recebimento    das DO n&atilde;o preenchidas. Mesmo utilizando hospitais e cart&oacute;rios    como fonte de informa&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos, as taxas de mortalidade    na cidade de Fortaleza variaram entre 4,9 e 5,9 por mil habitantes entre 1990    e 1999, e a de mortalidade infantil caiu de 40,3 para 18,8 por mil nascidos    vivos entre 1995 e 2000.<sup>7,8</sup> A programa&ccedil;&atilde;o pactuada integrada (PPI)    entre Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Secretaria de Estado de Sa&uacute;de    do Cear&aacute; (SESA) e Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Fortaleza (SMS)    previa uma taxa de mortalidade geral de 6,5 por mil habitantes no ano 2000.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com o objetivo de verificar se ainda havia subnotifica&ccedil;&atilde;o    de &oacute;bitos, decidiu-se comparar a lista de sepultamentos nos cemit&eacute;rios    que atendem &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de Fortaleza com a lista de &oacute;bitos    registrados no Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Mortalidade (SIM) do    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (MS).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ap&oacute;s o encerramento da digita&ccedil;&atilde;o    das declara&ccedil;&otilde;es de &oacute;bito dos anos de 1999 e 2000 pela Secretaria    Municipal de Sa&uacute;de de Fortaleza, foi feita uma listagem, em ordem alfab&eacute;tica,    de todos os &oacute;bitos/m&ecirc;s. Constavam dessa lista o nome do falecido,    data do &oacute;bito, idade, data do nascimento, nome da m&atilde;e e endere&ccedil;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Definiram-se como informa&ccedil;&otilde;es a serem    anotadas na planilha de coleta de dados dos cemit&eacute;rios o nome, sexo,    idade, data do &oacute;bito, data do nascimento, o nome da m&atilde;e, estado    civil, causa do &oacute;bito, endere&ccedil;o, munic&iacute;pio de resid&ecirc;ncia,    funer&aacute;ria, al&eacute;m do cemit&eacute;rio. Foram visitados os oito cemit&eacute;rios    que atendiam a popula&ccedil;&atilde;o de Fortaleza nos anos de 1999 e 2000.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Todas as informa&ccedil;&otilde;es relativas ao    falecido e &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do &oacute;bito de residentes em    Fortaleza, obtidas mediante os registros dos cemit&eacute;rios e n&atilde;o    notificadas anteriormente &agrave; SMS, foram digitadas em banco de dados criado    com essa finalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados da planilha de &oacute;bitos proveniente    dos cemit&eacute;rios foram comparados com os dados contidos nas declara&ccedil;&otilde;es    de &oacute;bito, digitados no aplicativo informatizado do SIM/MS e consolidados    pela SESA, al&eacute;m daqueles consolidados pela SMS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os registros de &oacute;bitos dos cemit&eacute;rios    foram comparados com a listagem existente na SMS. As compara&ccedil;&otilde;es    foram feitas tendo como indicadores iniciais o m&ecirc;s do &oacute;bito e o    nome do falecido. Em caso de coincid&ecirc;ncia, eram vistas a data de &oacute;bito,    data de nascimento ou idade, nome da m&atilde;e e causa do &oacute;bito. Foi    considerado como um &oacute;bito j&aacute; registrado aquele em que pelo menos    mais de uma das vari&aacute;veis era coincidente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os &oacute;bitos sem registro de endere&ccedil;o    nos cemit&eacute;rios que atendem Fortaleza foram analisados como de Fortaleza,    visto ser o crit&eacute;rio utilizado para seu registro na SMS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram considerados como subenumerados os &oacute;bitos    coletados nos cemit&eacute;rios e n&atilde;o informados &agrave; SMS, nem &agrave;    SESA.<sup>10</sup> A an&aacute;lise foi feita utilizando-se o <i>software</i> Epi Info, vers&atilde;o    6.04 (Centers for Disease Control and Prevention-CDC, Atlanta, EUA). As vari&aacute;veis    analisadas foram sexo, faixa et&aacute;ria, estado civil e causa do &oacute;bito.    As causas de &oacute;bito anotadas nos cemit&eacute;rios foram codificadas de    acordo com a CID 10.<sup>11</sup> Foram desconsiderados pela an&aacute;lise os &oacute;bitos    identificados como subenumerados e n&atilde;o residentes no munic&iacute;pio    de Fortaleza; e inclu&iacute;dos os &oacute;bitos de residentes na Regi&atilde;o    Metropolitana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os c&aacute;lculos de mortalidade infantil foram    feitos tendo como denominador o n&uacute;mero de nascidos vivos registrados    no aplicativo informatizado do Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Nascidos    Vivos (Sinasc) do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, consolidado na SMS. Para    a mortalidade geral, o denominador utilizado foi a proje&ccedil;&atilde;o para    1999 e 2000, obtida a partir da contagem da popula&ccedil;&atilde;o realizada    pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) em 1996.<sup>12</sup>    Foram consideradas natimortas as crian&ccedil;as em que havia a refer&ecirc;ncia    &#8220;Natimorto de&#8221; ou &#8220;NM de&#8221;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram encontrados 5.050 &oacute;bitos que n&atilde;o    haviam sido notificados &agrave; SMS, 2.426 ocorridos em 1999 e 2.624 ocorridos    no ano 2000. Desses, 1.255 (648 de 1999 e 607 de 2000) haviam sido registrados    pela Secretaria de Estado de Sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Dessa forma, 3.795 &oacute;bitos (1.778 de 1999    e 2.017 de 2000) deixaram de ser notificados aos &oacute;rg&atilde;os de Sa&uacute;de    P&uacute;blica, seja SMS ou SESA. Foram identificados como residentes em outros    munic&iacute;pios 231 dos falecidos, restando 2.884 residentes em Fortaleza    (1.382 em 1999 e 1.502 em 2000) e 680 em munic&iacute;pio ignorado (251 em 1999    e 429 em 2000). As caracter&iacute;sticas sociais e demogr&aacute;ficas dos    &oacute;bitos n&atilde;o registrados encontram-se relacionadas na <a href="#tab1">Tabela    1</a>. Eram do sexo masculino, 46,3% (1.649); e do sexo feminino, 36,7% (1.308).    Em 17,0% (607), n&atilde;o havia registro de sexo no cemit&eacute;rio.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v12n3/3a03t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A maior propor&ccedil;&atilde;o dos &oacute;bitos    resgatados (44,7%) era de pessoas solteiras, inclu&iacute;das nesse grupo as    crian&ccedil;as. Os casados representaram 17,8%, os vi&uacute;vos 6,8% e os    separados, divorciados e desquitados 0,4%. O estado civil era desconhecido em    30,3%.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A faixa et&aacute;ria mais representada na pesquisa    foi a de 70 anos ou mais (21,6%); entretanto, os menores de 1 ano representaram    17,8%.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Mais da metade das causas b&aacute;sicas de &oacute;bito    (54,1%) foram classificadas no grupo das &#8220;mal definidas ou ignoradas&#8221;,    seja por estarem registradas como parada cardiorrespirat&oacute;ria, seja por    n&atilde;o estarem registradas. Em segundo lugar, ficaram as causas externas    (10,5%), seguidas das perinatais (9,6%) (<a href="#tab2">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v12n3/3a03t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Com a pesquisa de &oacute;bitos em cemit&eacute;rios    que atendem ao Munic&iacute;pio de Fortaleza, a taxa de mortalidade passa de    5,7 para 6,5 em 1999, e de 4,9 para 5,8 por mil habitantes em 2000. O maior    aumento &eacute; observado entre os menores de 1 ano (32,8%) e os natimortos    (43,3%). O coeficiente de mortalidade infantil aumentou de 25,4 para 33,1 em    1999; e o de 2000, de 18,8 para 26,2 por mil nascidos vivos. A taxa de natimortalidade    passou de 7,2 para 10,1 em 1999; e de 8,0 para 10,9 por mil nascidos vivos em    2000.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os cemit&eacute;rios, al&eacute;m do seu valor    sentimental, t&ecirc;m sido utilizados como fonte de informa&ccedil;&otilde;es    hist&oacute;ricas e geneal&oacute;gicas, dado o seu elo de liga&ccedil;&atilde;o    com o passado. Excluindo se os enterramentos ocorridos em cemit&eacute;rios    clandestinos, a grande maioria dos sepultamentos ocorre em cemit&eacute;rio    pr&oacute;ximo ao local de resid&ecirc;ncia do falecido ou de sua fam&iacute;lia,    podendo representar uma fonte de recupera&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es    sobre &oacute;bitos &#8211; e uma forma de controle de qualidade do sistema    oficial de coleta de informa&ccedil;&otilde;es, embora n&atilde;o venham sendo    utilizados pela vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica com este prop&oacute;sito.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em raz&atilde;o das diferen&ccedil;as no registro    de informa&ccedil;&otilde;es em cada cemit&eacute;rio, h&aacute; muitos sepultamentos    em que a idade e o sexo do falecido n&atilde;o s&atilde;o anotados, principalmente    quando se trata de rec&eacute;m-nascidos. Geralmente, o registro &eacute; feito    como &#8220;RN&#8221; ou &#8220;NM&#8221;, seguido do nome da m&atilde;e, para    os nascidos vivos e natimortos, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A informa&ccedil;&atilde;o mais deficit&aacute;ria    &eacute; a de causa do &oacute;bito. Al&eacute;m de n&atilde;o ser anotada em    diversos cemit&eacute;rios, h&aacute; as que s&atilde;o informadas como parada    cardiorrespirat&oacute;ria. Freq&uuml;entemente, as informa&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o colhidas verbalmente pelo funcion&aacute;rio do cemit&eacute;rio    junto ao familiar do falecido, o que acarreta a falta de informa&ccedil;&otilde;es    mais completas sobre a <i>causa mortis</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre as limita&ccedil;&otilde;es do estudo,    podemos citar a falta de dados para definir os motivos da subenumera&ccedil;&atilde;o,    visto que, de acordo com a administra&ccedil;&atilde;o dos cemit&eacute;rios,    todos os sepultados tinham DO. N&atilde;o havia registro do local do &oacute;bito    para que se pudesse atribuir a subenumera&ccedil;&atilde;o &agrave; falta de    informa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, no caso dos &oacute;bitos domiciliares,    ou &agrave; necessidade de reorganiza&ccedil;&atilde;o do fluxo nos hospitais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Chamou aten&ccedil;&atilde;o a grande propor&ccedil;&atilde;o    de causas mal definidas nos &oacute;bitos resgatados nos cemit&eacute;rios.    Observou-se que as informa&ccedil;&otilde;es para o registro do sepultamento,    muitas vezes, s&atilde;o obtidas por declara&ccedil;&otilde;es verbais dos familiares,    o que torna as informa&ccedil;&otilde;es mais t&eacute;cnicas menos confi&aacute;veis,    como as causas do &oacute;bito. Seria esperado que a subenumera&ccedil;&atilde;o    das mortes por causas externas fosse rara, devido &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es    legais e ao fornecimento da DO por um &uacute;nico &oacute;rg&atilde;o; no entanto,    elas representaram 10,5% dos &oacute;bitos resgatados. O aumento na taxa de    mortalidade infantil e a alta propor&ccedil;&atilde;o de causas perinatais (9,6%)    apontam para a necessidade de maior qualidade no acompanhamento pr&eacute;-natal    e do parto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Para melhorar a qualidade da informa&ccedil;&atilde;o    obtida por essa fonte, sugere-se definir, junto com a administra&ccedil;&atilde;o    dos cemit&eacute;rios, um elenco m&iacute;nimo de informa&ccedil;&otilde;es    a serem coletadas, para que possam ser utilizadas como fonte complementar de    informa&ccedil;&atilde;o ao SIM e como controle de qualidade de sua cobertura.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A subenumera&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos    pode ocorrer por problemas em diversos pontos do fluxo de informa&ccedil;&otilde;es:    a) a DO n&atilde;o foi preenchida, como pode acontecer no caso de &oacute;bitos    sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica; b) a DO foi preenchida mas n&atilde;o chegou    ao servi&ccedil;o de estat&iacute;stica do hospital, nem aos familiares do paciente,    devido &agrave; falta de defini&ccedil;&atilde;o do fluxo intra-hospitalar;    c) o servi&ccedil;o de estat&iacute;stica n&atilde;o entregou a DO &agrave;    SMS e os familiares n&atilde;o registraram o &oacute;bito no cart&oacute;rio;    e d) os hospitais e cart&oacute;rios entregaram suas respectivas vias da DO    &agrave; SMS e elas n&atilde;o foram digitadas. O peso de cada uma dessas poss&iacute;veis    causas ainda precisa ser avaliado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para a obten&ccedil;&atilde;o de melhora na coleta    das DO, diversas medidas podem ser implementadas. Por exemplo, a implanta&ccedil;&atilde;o    do servi&ccedil;o de verifica&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos, para evitar    que os familiares das pessoas que evoluam para &oacute;bito no domic&iacute;lio    tenham dificuldades em obter a DO. Outra medida positiva seria informar os familiares    do falecido sobre a import&acirc;ncia, obrigatoriedade e gratuidade do registro    da DO no cart&oacute;rio.<sup>13</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; importante continuar investindo na melhoria    da coleta rotineira das declara&ccedil;&otilde;es de &oacute;bito, definindo    o fluxo intra-hospitalar das DO preenchidas, setor/pessoa de refer&ecirc;ncia    para o contato com os &oacute;rg&atilde;os da Sa&uacute;de P&uacute;blica respons&aacute;veis    pelo controle de entrega de DO em branco e pela sua coleta. Uma outra forma    de controle importante viria com a implanta&ccedil;&atilde;o da entrega das    DO em branco e o recebimento das preenchidas pelo n&uacute;mero impresso na    DO, controle seq&uuml;encial do n&uacute;mero das DO preenchidas de forma adequada    e digitadas no programa. Sugere-se que o programa do SIM permita que as DO nulas    tamb&eacute;m possam ser digitadas &#8211; atualmente, n&atilde;o o s&atilde;o    &#8211;, a fim de que se obtenha o controle de todas as DO impressas e n&atilde;o    reste d&uacute;vida sobre se os n&uacute;meros que faltam na seq&uuml;&ecirc;ncia    do banco de dados correspondem a DO nulas ou DO subenumeradas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em princ&iacute;pio, os sepultamentos s&oacute;    poderiam ocorrer ap&oacute;s o registro da declara&ccedil;&atilde;o do &oacute;bito    no cart&oacute;rio de registro civil e emiss&atilde;o da Certid&atilde;o de    &Oacute;bito, que &eacute; o documento legal de falecimento. A Prefeitura Municipal    de Fortaleza, respons&aacute;vel pelo controle dos cemit&eacute;rios, deve implement&aacute;-lo    com precis&atilde;o, visto que os cart&oacute;rios n&atilde;o funcionam nos    finais de semana e nem sempre entregam o registro do &oacute;bito imediatamente,    o que for&ccedil;a os cemit&eacute;rios a relaxarem na exig&ecirc;ncia do cumprimento    da legisla&ccedil;&atilde;o.<sup>13</sup> A Prefeitura Municipal deve ter um    controle mais efetivo sobre os cemit&eacute;rios e, se poss&iacute;vel, definir    junto com os cart&oacute;rios um sistema de plant&atilde;o nos finais de semana    e uma forma de agilizar o documento comprobat&oacute;rio do registro, para que    os familiares o apresentem no cemit&eacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora, em termos de qualidade, ainda permane&ccedil;am    grandes falhas nesse tipo de coleta de informa&ccedil;&otilde;es, no que diz    respeito &agrave; quantidade, conclui-se que h&aacute; vantagens em fazer a    busca ativa em cemit&eacute;rios, uma forma complementar de reduzir a subenumera&ccedil;&atilde;o    de &oacute;bitos at&eacute; que se aprimore o sistema de coleta de declara&ccedil;&otilde;es    de &oacute;bito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Registramos nossos agradecimentos &agrave;s administra&ccedil;&otilde;es    dos cemit&eacute;rios de Fortaleza e Regi&atilde;o Metropolitana que, gentilmente,    permitiram acesso a seus registros; &agrave; C&eacute;lula de Vigil&acirc;ncia    Epidemiol&oacute;gica, pela colabora&ccedil;&atilde;o na infra-estrutura para    acesso aos registros dos cemit&eacute;rios e digita&ccedil;&atilde;o de dados;    e, especialmente, a Jos&eacute; Rubens C. Lima, Maria Z&eacute;lia Rouquayrol    e George W. Rutherford, pelas sugest&otilde;es e revis&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Jorge MHPM. Registro de eventos vitais: sua    import&acirc;ncia em sa&uacute;de p&uacute;blica. 3<sup>a</sup> ed. S&atilde;o    Paulo: Centro Brasileiro de Classifica&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as; 1990.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Laurenti R, Jorge MHPM. O atestado de &oacute;bito.    3<sup>a</sup> ed. S&atilde;o Paulo: Centro Brasileiro de Classifica&ccedil;&atilde;o    de Doen&ccedil;as; 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Barros MDA, Ximenes R, Lima MLC. Preenchimento    de vari&aacute;veis nas declara&ccedil;&otilde;es de &oacute;bitos por causas    externas de crian&ccedil;as e adolescentes no Recife, de 1979 a 1995. Cadernos    de Sa&uacute;de P&uacute;blica 2001;17(1):265-269.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. McCarthy BJ, Terry J, Rochat RW, Quave S,    Tyler CW Jr. The underregistration of neonatal deaths: Georgia 1974-77. American    Journal of Public Health 1980 Sep;70(9):977-982.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Chen LM, Sun CA, Wu DM, Shen MH, Lee WC. Underregistration    of neonatal deaths: an empirical study of the accuracy of infantile vital statistics    in Taiwan. Journal of Epidemiology Community Health 1998 May;52(5):289-292.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Tom&eacute; P, Reyes H, Pi&ntilde;a C, Rodr&iacute;guez    L, Guti&eacute;rrez G. Caracter&iacute;sticas asociadas al subregistro de muerte    en ni&ntilde;os del Estado de Guerrero, M&eacute;jico. Salud P&uacute;blica    de M&eacute;jico 1997;39:523-529.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Rouquayrol MZ, Pinheiro AC, Lima JRC, Coriolano    LS, Fa&ccedil;anha MC, Lima MC, Boyadjan VE. An&aacute;lise de Mortalidade.    Boletim de Sa&uacute;de de Fortaleza 2000;4:6-50.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Fa&ccedil;anha MC, Rouquayrol MZ, Pinheiro    AC, Lima JRC. Sinasc. Boletim de Sa&uacute;de de Fortaleza 2001;1:5-33.</font><p><font size="2" face="verdana">9. Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de.    Programa&ccedil;&atilde;o Pactuada Integrada &#91;online&#93; Dispon&iacute;vel    em <a href="http://www.funasa.gov.br/epi/ppi/pdfs/ppi_nordeste_I.pdf">http://www.funasa.gov.br/epi/ppi/pdfs/ppi_nordeste_I.pdf</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Epi Info - Vers&atilde;o 6.04: um sistema    de processamento de texto, banco de dados e estat&iacute;stica para epidemiologia    em microcomputadores. 1<sup>a</sup> ed. em l&iacute;ngua portuguesa. Atlanta:    CDC; 1994.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Centro Colaborador da OMS para a Classifica&ccedil;&atilde;o    Estat&iacute;stica Internacional de Doen&ccedil;as em Portugu&ecirc;s. Classifica&ccedil;&atilde;o    Estat&iacute;stica Internacional de Doen&ccedil;as e Problemas Relacionados    &agrave; Sa&uacute;de 10<sup>a</sup> Revis&atilde;o &#8211; CID 10 &#8211; vol.    1. 8<sup>a</sup> ed. S&atilde;o Paulo: Edusp; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">12. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica.    Contagem da Popula&ccedil;&atilde;o, 1996 &#91;online&#93; Dispon&iacute;vel    em <a href="http://www.ibge.gov.br">http://www.ibge.gov.br</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">13. Secretaria de Sa&uacute;de de Santa Catarina.    Rotinas de Gerenciamento do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Mortalidade    &#91;online&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://200.19.222.7/download/utilitarios/Rotinas%20de%20gerenciamento%20do%20SIM-%20Atualizado.pdf">http://200.19.222.7/download/utilitarios/Rotinas%20de%20gerenciamento%20do%20SIM-%20Atualizado.pdf</a></font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v12n3/seta.gif" border="0"></a><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua Prof. Costa Mendes, 1608,    <br>   Rodolfo Te&oacute;filo, Fortaleza-CE.    <br>   CEP: 60430-140    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:mfacanha@ufc.br">mfacanha@ufc.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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