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<article-id pub-id-type="doi">10.5123/S1679-49742004000400004</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tendências da mortalidade entre idosos brasileiros (1980 - 2000)]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Minas Gerais e Fundação Oswaldo Cruz Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The mortality among older adults in Brazil from 1980 to 2000 was examined. During the study period, there was an important decrease in all causes of mortality, mainly among women and among oldest old. A significant decrease of the mortality due to cardiovascular diseases was observed, but the mortality due to cancers and respiratory diseases incresead in this period. There was an excess of mortality without medical assistance among older adults which needs further investigation. From 1996 to 2000, there was a reduction in the mortality rate due to pneumonia, and an increase of the mortality rate due to diabetes. The mortality rate due to cerebral-vascular and coronary heart diseases decreased from 1996 to 2000, but the former remained as the leading cause of death in 2000, possibly due to the precariousness of blood pressure control. This result indicates that a faster decrease of cerebral-vascular diseases among older adults should be priority in Brazil.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><a name="topo"></a><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Tend&ecirc;ncias da mortalidade entre idosos    brasileiros (1980 - 2000)<a href="#endereco"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Trends in mortality among older adults    in Brazil (1980 - 2000)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Maria Fernanda Lima-Costa; S&eacute;rgio Viana    Peixoto; Luana Giatti</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">N&uacute;cleo de Estudos em Sa&uacute;de P&uacute;blica    e Envelhecimento da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz e da Universidade Federal    de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram determinadas as tend&ecirc;ncias da mortalidade    de idosos brasileiros entre 1980 e 2000. Nesse per&iacute;odo, observou-se uma    importante redu&ccedil;&atilde;o das taxas de mortalidade por todas as causas,    sobretudo entre mulheres e entre idosos mais velhos, assim como a redu&ccedil;&atilde;o    da mortalidade por doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio e o aumento    da mortalidade por neoplasias e doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio.    Verificou-se um excesso de mortalidade sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica entre    idosos, que necessita ser melhor investigado. Entre 1996 e 2000, houve redu&ccedil;&atilde;o    na taxa de mortalidade por pneumonia e aumento na taxa de mortalidade por diabetes.    Observou-se uma diminui&ccedil;&atilde;o das taxas de mortalidade por doen&ccedil;as    cerebrovasculares e por doen&ccedil;as isqu&ecirc;micas do cora&ccedil;&atilde;o,    mas as primeiras persistiram como principal causa de morte em 2000, refletindo    a possibilidade de precariedade no controle da hipertens&atilde;o arterial.    Esse resultado indica que a redu&ccedil;&atilde;o, ainda maior, da mortalidade    por doen&ccedil;as cerebrovasculares em idosos deveria ser uma prioridade para    a Sa&uacute;de P&uacute;blica no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> mortalidade;    efeito de coorte; sa&uacute;de do idoso; epidemiologia do envelhecimento.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font> </p>     <p><font size="2" face="verdana">The mortality among older adults in Brazil from    1980 to 2000 was examined. During the study period, there was an important decrease    in all causes of mortality, mainly among women and among oldest old. A significant    decrease of the mortality due to cardiovascular diseases was observed, but the    mortality due to cancers and respiratory diseases incresead in this period.    There was an excess of mortality without medical assistance among older adults    which needs further investigation. From 1996 to 2000, there was a reduction    in the mortality rate due to pneumonia, and an increase of the mortality rate    due to diabetes. The mortality rate due to cerebral-vascular and coronary heart    diseases decreased from 1996 to 2000, but the former remained as the leading    cause of death in 2000, possibly due to the precariousness of blood pressure    control. This result indicates that a faster decrease of cerebral-vascular diseases    among older adults should be priority in Brazil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words:</b> mortality; cohort    effect; elderly health; epidemiology of aging.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A mortalidade concentra-se nos extremos da vida.    Quanto melhor o n&iacute;vel de Sa&uacute;de P&uacute;blica de um pa&iacute;s,    mais a distribui&ccedil;&atilde;o da mortalidade pela idade aproxima-se da forma    de um <b>J</b>. No Brasil, a maior carga da mortalidade &eacute; observada    entre crian&ccedil;as menores de um ano e entre idosos, sendo mais acentuada    nestes &uacute;ltimos.<sup>1</sup> Apesar disso, a mortalidade entre idosos brasileiros    tem recebido pouca aten&ccedil;&atilde;o,<sup>2-4</sup> ao passo que a mortalidade na inf&acirc;ncia    constitui uma das &aacute;reas de excel&ecirc;ncia em pesquisa no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As doen&ccedil;as cardiovasculares (DCV) representam    a principal causa de morte e de incapacidade em pa&iacute;ses desenvolvidos    e em alguns pa&iacute;ses em desenvolvimento. Em muitas dessas na&ccedil;&otilde;es,    as taxas de mortalidade por DCV est&atilde;o diminuindo, mas o ritmo dessa redu&ccedil;&atilde;o    leva a crer que elas ainda continuar&atilde;o sendo, nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas,    a principal causa de morte e de incapacidade. No mundo desenvolvido, 49% dos    &oacute;bitos s&atilde;o devidos &agrave;s DCV. Nos pa&iacute;ses em desenvolvimento,    estima-se que, em 2020, um ter&ccedil;o (34%) de todos os &oacute;bitos ser&atilde;o    devidos &agrave;s DCV.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Brasil vive uma situa&ccedil;&atilde;o de transi&ccedil;&atilde;o.    Do ponto de vista demogr&aacute;fico, existe uma superposi&ccedil;&atilde;o    de uma popula&ccedil;&atilde;o jovem, de dimens&atilde;o relevante, e uma popula&ccedil;&atilde;o    envelhecida igualmente expressiva. O Brasil atual &eacute; um &quot;pa&iacute;s    jovem de cabelos brancos&quot;.<sup>6</sup> Do ponto de vista da morbimortalidade, observa-se    uma carga dupla de doen&ccedil;as. Por um lado, o perfil da mortalidade aproxima-se    do observado em pa&iacute;ses desenvolvidos, com predom&iacute;nio das doen&ccedil;as    cardiovasculares e das neoplasias como primeira e segunda causa de &oacute;bito    (31% e 17% do total, respectivamente). Por outro lado, persistem algumas doen&ccedil;as    infecciosas e parasit&aacute;rias e observa-se o surgimento de novas epidemias,    como a aids, ou o ressurgimento de outras, como a dengue e as leishmanioses    em &aacute;reas urbanas.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um estudo descritivo da mortalidade da popula&ccedil;&atilde;o    idosa brasileira no per&iacute;odo compreendido entre 1980 e 1996 mostrou que:    a) as taxas de mortalidade por todas as causas dessa popula&ccedil;&atilde;o    haviam diminu&iacute;do nesse per&iacute;odo, observando-se redu&ccedil;&atilde;o    mais acentuada entre os idosos mais velhos; b) as DCV predominavam como causa    de morte em todo o per&iacute;odo estudado, seguidas pelas neoplasias e pelas    doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio; c) as taxas de mortalidade por    DCV diminu&iacute;ram entre 1980 e 1996, ao passo que a mortalidade correspondente    por neoplasias e por doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio aumentou;    e d) as causas mal-definidas de &oacute;bitos correspondiam a cerca de 1/5 do    total, com tend&ecirc;ncia a redu&ccedil;&atilde;o. Esses resultados apontam    para um perfil de mortalidade em idosos semelhante ao observado em pa&iacute;ses    desenvolvidos, com duas importantes exce&ccedil;&otilde;es: uma delas &eacute;    a alta taxa de mortalidade por causas mal-definidas; a outra &eacute; o fato    da doen&ccedil;a de Chagas representar a segunda causa mais freq&uuml;ente de    &oacute;bitos por doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias, constituindo    um bom exemplo da transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica mencionada.    Entre 1980 e 1996, houve mudan&ccedil;as na Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional    de Doen&ccedil;as (CID) utilizada no Brasil para codifica&ccedil;&atilde;o da    causa b&aacute;sica do &oacute;bito. Entre 1980 e 1995, foi adotada a CID 9,<sup>8</sup>    enquanto, a partir de 1996, foi adotada a CID 10.<sup>9</sup> Os autores do estudo descritivo    referido anteriormente, chamaram aten&ccedil;&atilde;o para esse fato, sugerindo    que ele pudesse ter influenciado algumas das tend&ecirc;ncias na mortalidade    observadas.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente trabalho tem por objetivos: verificar    se as tend&ecirc;ncias observadas na mortalidade entre idosos brasileiros, no    per&iacute;odo de 1980 a 1996, persistem no ano 2000; e explorar a exist&ecirc;ncia    de efeito de coorte nessas tend&ecirc;ncias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As fontes de informa&ccedil;&otilde;es para o    desenvolvimento deste trabalho foram o Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es    sobre Mortalidade do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SIM-SUS) e os Censos    Demogr&aacute;ficos Brasileiros para os anos de 1980, 1991 e 2000, assim como    a contagem populacional de 1996.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados de mortalidade foram extra&iacute;dos    do CDROM do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es de Mortalidade (SIM-SUS).<sup>11,12</sup>    Foram investigados os &oacute;bitos por local de resid&ecirc;ncia entre pessoas    com 60 ou mais anos de idade e, excepcionalmente (mortes sem assist&ecirc;ncia    m&eacute;dica), entre aqueles com 20-59 anos. A defini&ccedil;&atilde;o de idosos    como aqueles com 60 ou mais anos de idade foi adotada para atender &agrave;s    diretrizes da Pol&iacute;tica Nacional de Sa&uacute;de do Idoso.<sup>13</sup>    Foram consideradas as seguintes informa&ccedil;&otilde;es: ano de ocorr&ecirc;ncia    do &oacute;bito (1980, 1991 e 2000 para todas as an&aacute;lises; e 1996 para    an&aacute;lises selecionadas); sexo; faixa et&aacute;ria (60-69, 70-79 e 80    ou mais anos); causa b&aacute;sica do &oacute;bito, segundo os cap&iacute;tulos    da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as (CID) e as duas    primeiras causas de &oacute;bito em cada cap&iacute;tulo, para os anos de 1996    e 2000, tendo o &uacute;ltimo ano como refer&ecirc;ncia. Para os anos de 1980    e 1991, a CID utilizada obedeceu &agrave; 9<sup>a</sup> revis&atilde;o (CID    9);<sup>8</sup> e para 1996 e 2000, foi considerada a d&eacute;cima revis&atilde;o    (CID 10).<sup>9</sup> Neste trabalho, optou-se por realizar as an&aacute;lises    de mortalidade em anos nos quais ocorreram contagens populacionais, para evitar    erros no denominador devidos a eventuais distor&ccedil;&otilde;es nas estimativas    populacionais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Foram utilizados os seguintes indicadores de    mortalidade: taxa de mortalidade geral por idade e sexo; e taxa de mortalidade    por causa b&aacute;sica. As taxas de mortalidade (uma medida de risco) foram    escolhidas em detrimento da mortalidade proporcional (uma medida da import&acirc;ncia    relativa do &oacute;bito), para todas as an&aacute;lises realizadas. Em trabalho    anterior,<sup>2</sup> optou-se por apresentar as taxas de mortalidade para o pa&iacute;s    como um todo e, tamb&eacute;m, excluindo-se as regi&otilde;es Norte e o Nordeste,    uma vez que a subenumera&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos &eacute; maior nessas    regi&otilde;es, assim como a propor&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos por causas    mal-definidas. No trabalho referido, verificou-se que a exclus&atilde;o das    regi&otilde;es Norte e Nordeste aumentava as taxas de mortalidade por todas    as causas, mas, de uma maneira geral, n&atilde;o alterava a sua ordem de import&acirc;ncia.    Resultado semelhante foi observado no presente trabalho. Sendo assim, decidiu-se    por apresentar somente os resultados correspondentes ao pa&iacute;s como um todo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As taxas de mortalidade foram estratificadas    por ano, sexo e faixa et&aacute;ria. Em algumas situa&ccedil;&otilde;es, esses    resultados foram observados de duas maneiras. Na primeira (observa&ccedil;&atilde;o    seccional), a leitura das taxas da mortalidade foi feita na coluna da tabela.    Na segunda (efeito de coorte), observou-se a evolu&ccedil;&atilde;o da taxa    de mortalidade em cada coorte (indiv&iacute;duos que nasceram no mesmo per&iacute;odo)    e a leitura dos dados foi realizada com movimentos no sentido horizontal e vertical    da tabela,<sup>14</sup> como pode ser observado nas <a href="#tab1">tabelas    1</a>, <a href="#tab4">4</a> e <a href="#tab5">5</a>, acompanhando-se as marcas    negritadas. Para orientar a interpreta&ccedil;&atilde;o de algumas tend&ecirc;ncias,    foram calculados riscos relativos n&atilde;o ajustados e respectivos intervalos    de confian&ccedil;a, utilizando-se o programa Epi Info.<sup>15</sup></font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a04t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a04t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a04t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a04t4.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a04t5.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No presente trabalho, foram considerados 287.755,    398.868 e 521.882 &oacute;bitos entre idosos, ocorridos nos anos 1980, 1991    e 2000, respectivamente; e 477.765 &oacute;bitos ocorridos em 1996.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab1">Tabela 1</a>, est&atilde;o    apresentadas as taxas de mortalidade observadas para os anos de 1980, 1991 e    2000, segundo o sexo, a faixa et&aacute;ria e a coorte de nascimento. As taxas    de mortalidade apresentaram um aumento acentuado com a idade, em ambos os sexos,    nos tr&ecirc;s anos estudados. Essas taxas foram consistentemente menores entre    as mulheres, em todas as faixas et&aacute;rias, e em todos os anos considerados.    Em ambos os sexos, as taxas de mortalidade diminu&iacute;ram gradativamente,    entre 1980, 1991 e 2000, tanto na faixa et&aacute;ria de 60-69 quanto na de    70-79 e na de 80 anos ou mais. As redu&ccedil;&otilde;es nas taxas de mortalidade,    entre 1980 e 2000, foram mais acentuadas nas duas faixas et&aacute;rias superiores    (70-79 e 80 ou mais anos de idade). Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s coortes    de nascimento, observam-se aumentos acentuados da mortalidade com a idade em    todas as coortes investigadas, seja entre os homens ou entre as mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As taxas de mortalidade entre homens e mulheres,    segundo os principais grupos de causas, est&atilde;o apresentadas nas <a href="#tab2">tabelas    2</a> e <a href="#tab3">3</a>. Verifica-se que as taxas de mortalidade por doen&ccedil;as    do aparelho circulat&oacute;rio, por causas externas e sinais e sintomas mal-definidos    diminu&iacute;ram acentuada e gradativamente, durante o per&iacute;odo considerado,    tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Redu&ccedil;&otilde;es menos    expressivas foram observadas para a mortalidade por doen&ccedil;as infecciosas    e parasit&aacute;rias entre os homens. As taxas de mortalidade por neoplasias,    por doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio e por doen&ccedil;as end&oacute;crinas,    nutricionais e metab&oacute;licas aumentaram significativa e progressivamente,    entre 1980 e 2000, para ambos os sexos. Aumentos discretos, entre homens e entre    mulheres, foram observados nas taxas de mortalidade por doen&ccedil;as do aparelho    digestivo, ao passo que a mortalidade por doen&ccedil;as do aparelho geniturin&aacute;rio    n&atilde;o se modificou entre 1980 e 2000.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab4">Tabela 4</a>, est&atilde;o    apresentadas as taxas de mortalidade por doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio,    por neoplasias e por doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio, segundo    o sexo, a faixa et&aacute;ria e a coorte de nascimento. Como era de se esperar,    as taxas de mortalidade aumentaram acentuadamente com a idade, para ambos os    sexos e nos tr&ecirc;s anos considerados. A redu&ccedil;&atilde;o das taxas    de mortalidade por doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio, entre 1980    e 2000, &eacute; observada de forma consistente, em homens e mulheres, assim    como nas faixas et&aacute;rias de 60-69, 70-79 e 80 anos ou mais. Por outro    lado, verifica-se o aumento, no per&iacute;odo, das taxas de mortalidade por    neoplasias e doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio, tanto para homens    como para mulheres, assim como nas faixas et&aacute;rias de 60-69, 70-79 e 80    anos ou mais, com uma exce&ccedil;&atilde;o: em 1991, as taxas de mortalidade    por neoplasias entre as mulheres com 80 anos ou mais diminu&iacute;ram, em rela&ccedil;&atilde;o    a 1980, mas voltaram a subir em 2000. Em todas as coortes investigadas, observa-se,    nos tr&ecirc;s grupos de causas considerados e para ambos os sexos, aumento    da taxa da mortalidade com o avan&ccedil;ar da idade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como se pode verificar na <a href="#tab5">Tabela    5</a>, a redu&ccedil;&atilde;o nas taxas de mortalidade por causas externas,    doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias, e sintomas, sinais e afec&ccedil;&otilde;es    mal-definidas ocorreu gradualmente, entre 1980, 1991 e 2000, para homens e mulheres,    nas tr&ecirc;s faixas et&aacute;rias consideradas. Todas as coortes investigadas    apresentaram aumento progressivo da mortalidade com a idade, seja entre homens    ou entre mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab6">Tabela 6</a>, est&atilde;o    apresentadas as principais causas de mortalidade entre idosos, nos anos de 1996    e 2000, segundo as duas causas mais freq&uuml;entes em cada grupo de causa.    No que se refere &agrave;s doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio, as    causas mais freq&uuml;entes de mortalidade, para ambos os sexos, foram as doen&ccedil;as    cerebrovasculares e as doen&ccedil;as isqu&ecirc;micas do cora&ccedil;&atilde;o.    Entre as neoplasias, as malignas da traqu&eacute;ia, br&ocirc;nquios e pulm&otilde;es    foram as mais freq&uuml;entes entre os homens, seguidas pela da pr&oacute;stata.    Entre as mulheres, a neoplasia maligna da mama foi a mais freq&uuml;ente, seguida    pela da traqu&eacute;ia, br&ocirc;nquios e pulm&otilde;es. As doen&ccedil;as    cr&ocirc;nicas das vias a&eacute;reas inferiores foram a causa mais freq&uuml;ente    de &oacute;bito entre as doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio, em    homens e mulheres, seguidas pela pneumonia. O diabetes <i>mellitus</i> foi a    principal causa de mortalidade entre as doen&ccedil;as end&oacute;crinas, nutricionais    e metab&oacute;licas. A fibrose e a cirrose hep&aacute;tica foram a principal    causa de morte entre as doen&ccedil;as do aparelho digestivo. A insufici&ecirc;ncia    renal representou a principal causa de &oacute;bito por doen&ccedil;as do aparelho    geniturin&aacute;rio. Entre os &oacute;bitos por doen&ccedil;as infecciosas    e parasit&aacute;rias, predominou a septicemia, seguida pela doen&ccedil;a de    Chagas. A morte sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica foi a refer&ecirc;ncia mais    freq&uuml;ente entre os sintomas, sinais e afec&ccedil;&otilde;es mal-definidas.    Entre as causas externas de mortalidade, predominaram: acidentes de tr&acirc;nsito    e atropelamentos, entre os idosos; e quedas e eventos de inten&ccedil;&atilde;o    indeterminada, entre as idosas.</font></p>     <p><a name="tab6"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a04t6.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o    das taxas de mortalidade por causas espec&iacute;ficas entre 1996 e 2000 (<a href="#tab6">Tabela    6</a>), os resultados foram os seguintes: a) redu&ccedil;&atilde;o, para ambos    os sexos, das taxas de mortalidade por doen&ccedil;as cerebrovasculares, doen&ccedil;as    isqu&ecirc;micas do cora&ccedil;&atilde;o, doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas das    vias a&eacute;reas inferiores, pneumonia e mortes sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica;    b) diminui&ccedil;&atilde;o das mortes por atropelamentos, entre os homens;    e c) aumento das taxas de mortalidade por diabetes <i>mellitus</i>, para ambos    os sexos; e de outras causas mal-definidas, entre os homens. Flutua&ccedil;&otilde;es    menos expressivas foram observadas para as demais causas de mortalidade listadas    na <a href="#tab6">Tabela 6</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na <a href="#tab7">Tabela 7</a>, est&atilde;o    apresentadas as taxas de mortalidade e os riscos relativos associados &agrave;s    mortes sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, e &agrave; morte por todas as causas,    entre idosos e adultos com 20-59 anos de idade. As taxas de mortalidade e os    riscos relativos correspondentes aumentaram gradualmente com a idade, tanto    para a mortalidade sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica quanto para a mortalidade    por todas as causas. Entretanto, o risco para a morte sem assist&ecirc;ncia    m&eacute;dica foi muito maior entre os idosos, sobretudo os mais velhos, em    compara&ccedil;&atilde;o ao observado para a mortalidade geral na faixa et&aacute;ria    correspondente: RR=7,14 <i>vs</i>. 4,79, na faixa et&aacute;ria de 60-69; 19,03    <i>vs</i>. 10,01, na de 70-79; e 68,95 <i>vs</i>. 21,99, na faixa et&aacute;ria    de 80 ou mais anos. Tend&ecirc;ncia semelhante foi observada entre as idosas:    RR=8,15 <i>vs</i>. 6,53, na faixa et&aacute;ria de 60-69; 22,09 <i>vs</i>. 15,19,    na de 70-79; e 91,43 <i>vs</i>. 42,82, na de 80 ou mais anos.</font></p>     <p><a name="tab7"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/4a04t7.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados do presente trabalho, que inclui    os &oacute;bitos ocorridos no ano 2000, confirmam a tend&ecirc;ncia, observada    entre 1980 e 1996,<sup>2</sup> de diminui&ccedil;&atilde;o da mortalidade entre idosos    brasileiros de ambos os sexos e de todas as faixas et&aacute;rias. A redu&ccedil;&atilde;o    das taxas de mortalidade foi mais acentuada entre as mulheres, assim como nas    faixas et&aacute;rias superiores. Esses resultados s&atilde;o consistentes com    o marcante predom&iacute;nio de mulheres na popula&ccedil;&atilde;o idosa (fen&ocirc;meno    conhecido como feminiza&ccedil;&atilde;o do envelhecimento) e com o crescimento    dos idosos mais velhos na composi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o    brasileira (entre 1991 e 2000, a popula&ccedil;&atilde;o brasileira cresceu    36%, ao passo que o aumento correspondente para a popula&ccedil;&atilde;o com    70 anos ou mais foi de 47%).<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As taxas de mortalidade apresentaram um aumento    gradual com a idade, observado em ambos os sexos, em cada um dos tr&ecirc;s    anos considerados, assim como em todas as coortes inclu&iacute;das no estudo.    Observa&ccedil;&otilde;es semelhantes foram feitas para a mortalidade por doen&ccedil;as    do aparelho circulat&oacute;rio, neoplasias, doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio,    causas externas, doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias e sintomas,    sinais e afec&ccedil;&otilde;es mal-definidos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A hierarquia das principais causas de mortalidade    entre idosos no pa&iacute;s n&atilde;o se modificou nos &uacute;ltimos 20 anos.    As doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio, as neoplasias e as doen&ccedil;as    do aparelho respirat&oacute;rio representavam, nessa ordem de import&acirc;ncia,    as tr&ecirc;s causas mais freq&uuml;entes de &oacute;bito, tanto em 1980 e 1991    quanto em 2000. Contudo, h&aacute; alguns sinais de mudan&ccedil;a. As taxas    de mortalidade por doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio apresentaram    um acentuado e constante decl&iacute;nio, ao passo que as taxas de mortalidade    por neoplasias e doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio aumentaram gradativamente,    no per&iacute;odo investigado. Essas tend&ecirc;ncias foram consistentemente    observadas em ambos os sexos, assim como nas tr&ecirc;s faixas et&aacute;rias    investigadas. A redu&ccedil;&atilde;o das taxas de mortalidade por doen&ccedil;as    do aparelho circulat&oacute;rio tem sido observada em v&aacute;rios pa&iacute;ses    do mundo desenvolvido,<sup>5</sup> como conseq&uuml;&ecirc;ncia, entre outros fatores,    de mudan&ccedil;as no estilo de vida e melhoria da tecnologia para preven&ccedil;&atilde;o    e tratamento dessas doen&ccedil;as. Por&eacute;m, &eacute; importante ressaltar    que o predom&iacute;nio das doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio entre    as causas de mortalidade de idosos brasileiros &eacute; t&atilde;o acentuado    que, tudo indica, esse grupo continuar&aacute; representando a principal causa    de &oacute;bito nessa popula&ccedil;&atilde;o, por um longo tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As doen&ccedil;as cerebrovasculares, as doen&ccedil;as    isqu&ecirc;micas do cora&ccedil;&atilde;o e as pneumonias foram as que apresentaram    redu&ccedil;&otilde;es mais acentuadas nas taxas de mortalidade, entre 1996    e 2000. As duas primeiras representavam as causas mais freq&uuml;entes de mortalidade    entre as doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio, e as raz&otilde;es    para a sua diminui&ccedil;&atilde;o j&aacute; foram comentadas anteriormente.    A redu&ccedil;&atilde;o das taxas de mortalidade por pneumonia pode ser uma    conseq&uuml;&ecirc;ncia da vacina&ccedil;&atilde;o contra gripe entre idosos,    amplamente adotada neste pa&iacute;s desde 1999. Entretanto, s&atilde;o necess&aacute;rias    investiga&ccedil;&otilde;es mais profundas para estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o    de causa e efeito entre esses eventos. O diabetes <i>mellitus</i> foi a doen&ccedil;a    cuja taxa de mortalidade mais aumentou durante o per&iacute;odo investigado.    Esse aumento n&atilde;o parece ser devido a mudan&ccedil;as na codifica&ccedil;&atilde;o    da causa b&aacute;sica do &oacute;bito, uma vez que, tanto em 1996 quanto em    2000, foi utilizada a CID 10.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre 1996 e 2000, as neoplasias malignas da    traqu&eacute;ia, br&ocirc;nquios e pulm&otilde;es substitu&iacute;ram a neoplasia    de est&ocirc;mago como a segunda causa mais freq&uuml;ente de &oacute;bito por    neoplasias entre as mulheres. Essa foi a principal mudan&ccedil;a observada    no per&iacute;odo considerado, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o    das causas de mortalidade por neoplasias. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s    causas externas de mortalidade, a mudan&ccedil;a mais importante observada foi    a acentuada redu&ccedil;&atilde;o das taxas de mortalidade por atropelamentos    entre os homens.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os &oacute;bitos classificados entre os sintomas,    sinais e afec&ccedil;&otilde;es mal-definidas apresentaram uma acentuada e gradual    redu&ccedil;&atilde;o, no per&iacute;odo de 1980 a 2000. Esse grupo engloba,    entre outras causas menos expressivas, a falta de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica    e/ou dificuldade para se estabelecer uma causa b&aacute;sica da morte. A dificuldade    para determinar a causa b&aacute;sica do &oacute;bito &eacute; maior entre os    idosos,<sup>16</sup> e isso se reflete nas estat&iacute;sticas de mortalidade. Sendo assim,    &eacute; de se esperar que as maiores varia&ccedil;&otilde;es nas taxas de mortalidade,    entre aquelas classificadas como sintomas, sinais e afec&ccedil;&otilde;es mal-definidas,    sejam devidas &agrave; morte sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica. Foi o que    ocorreu no Brasil. Os &oacute;bitos classificados como sem assist&ecirc;ncia    m&eacute;dica foram aqueles cujas taxas apresentaram as maiores varia&ccedil;&otilde;es    negativas, no per&iacute;odo estudado, entre todas as causas de mortalidade    consideradas neste trabalho. Entretanto, embora menor que a observada em 1996,    a taxa de mortalidade sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica era alt&iacute;ssima    em 2000, correspondendo a 435 &oacute;bitos por 100.000, entre os homens; e    a 323 &oacute;bitos por 100.000, entre as mulheres. Esse dado &eacute; ainda    mais preocupante quando estratificado pela idade. Os riscos de morte sem assist&ecirc;ncia    m&eacute;dica entre os idosos foram acentuadamente mais altos do que entre os    mais jovens; e superaram, em muito, aqueles associados &agrave; morte por todas    as causas nas faixas et&aacute;rias de 60-69, 70-79 e 80+ anos, caracterizando    um excesso de mortalidade. Esse excesso aumentou com a idade, atingindo o seu    pico entre os idosos mais velhos de ambos os sexos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Embora apresentem tend&ecirc;ncia declinante,    &eacute; importante salientar que as doen&ccedil;as cerebrovasculares e as doen&ccedil;as    isqu&ecirc;micas do cora&ccedil;&atilde;o representavam as duas causas mais    freq&uuml;entes de mortalidade entre idosos e idosas no ano 2000, com taxas    de mortalidade, pelo menos, duas vezes superiores &agrave;s observadas para    a causa subseq&uuml;ente. Com rela&ccedil;&atilde;o aos &oacute;bitos por neoplasias,    entre os homens, predominavam aqueles por c&acirc;nceres da traqu&eacute;ia,    br&ocirc;nquios e pulm&otilde;es, seguidos pelo da pr&oacute;stata. Entre as    mulheres, a neoplasia maligna de mama e as da traqu&eacute;ia, br&ocirc;nquios    e pulm&otilde;es eram causas mais freq&uuml;entes de mortalidade. Entre as doen&ccedil;as    do aparelho respirat&oacute;rio, as duas causas mais freq&uuml;entes de &oacute;bitos    eram as doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas das vias a&eacute;reas inferiores e a    pneumonia, em ambos os sexos. Entre as doen&ccedil;as end&oacute;crinas, nutricionais    e metab&oacute;licas, predominava o diabetes <i>mellitus</i>, entre idosos    e idosas. Essas doen&ccedil;as, al&eacute;m da insufici&ecirc;ncia card&iacute;aca    e das doen&ccedil;as hipertensivas (dados n&atilde;o apresentados), s&atilde;o    aquelas que apresentam as maiores taxas de mortalidade entre idosos no pa&iacute;s.    Esse quadro aponta para um grande potencial de preven&ccedil;&atilde;o da mortalidade    precoce entre idosos brasileiros, uma vez que parcela importante da mortalidade    dessa popula&ccedil;&atilde;o tem formas de preven&ccedil;&atilde;o conhecidas,    associadas aos cinco fatores de risco mais importantes para doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas    n&atilde;o transmiss&iacute;veis &#8211; hipertens&atilde;o, tabagismo, consumo    de &aacute;lcool, dislipidemia e obesidade ou sobrepeso &#8211;,<sup>17</sup> ao diagn&oacute;stico    precoce para alguns tipos de c&acirc;nceres e &agrave; detec&ccedil;&atilde;o    de casos e tratamento adequado da hipertens&atilde;o e dislipidemia.<sup>18</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s causas externas    de mortalidade, &eacute; importante ressaltar as diferen&ccedil;as existentes    entre os g&ecirc;neros. Nos homens, predominava a mortalidade por acidente de    tr&acirc;nsito e atropelamentos, ao passo que, nas mulheres, as causas mais    freq&uuml;entes de mortalidade eram as quedas e os eventos de inten&ccedil;&atilde;o    indeterminada. Destaque-se, tamb&eacute;m, a persist&ecirc;ncia da doen&ccedil;a    de Chagas como a segunda causa de &oacute;bito por doen&ccedil;as infecciosas    e parasit&aacute;rias, para ambos os sexos. Como j&aacute; ressaltado anteriormente,<sup>2,19</sup>    a mortalidade por doen&ccedil;a de Chagas entre idosos &eacute; devida a um    efeito de coorte, conseq&uuml;&ecirc;ncia da exposi&ccedil;&atilde;o, no passado,    &agrave; infec&ccedil;&atilde;o pelo <i>Trypanosoma cruzi</i>, uma vez que    h&aacute; fortes ind&iacute;cios de que a transmiss&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o    foi interrompida &#8211; ou drasticamente reduzida &#8211; em diversas &aacute;reas    end&ecirc;micas do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em resumo, as tend&ecirc;ncias mais expressivas    da mortalidade entre idosos, no per&iacute;odo entre 1980 e 2000, foram: a)    redu&ccedil;&atilde;o progressiva das taxas de mortalidade em ambos os sexos,    sobretudo entre as mulheres, e entre idosos mais velhos; b) redu&ccedil;&atilde;o    progressiva das taxas de mortalidade por doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio    e aumento das taxas de mortalidade por neoplasias e doen&ccedil;as do aparelho    respirat&oacute;rio; e c) aumento gradual, com a idade, das taxas de mortalidade    por esses grupos de causas em todas as coortes estudadas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Cabe destacar o excesso da mortalidade sem assist&ecirc;ncia    m&eacute;dica entre idosos, quando comparados aos mais jovens, indicando menor    assist&ecirc;ncia m&eacute;dica a essa popula&ccedil;&atilde;o, pelo menos no    momento da ocorr&ecirc;ncia do &oacute;bito. Esse resultado aponta para a necessidade    de investiga&ccedil;&otilde;es mais profundas, que esclare&ccedil;am as raz&otilde;es    do excesso de mortes registradas como sem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica entre    idosos brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Verificou-se uma importante redu&ccedil;&atilde;o    nas taxas de mortalidade por pneumonia, entre 1996 e 2000, e um aumento das    taxas de mortalidade por diabetes. Nesse per&iacute;odo, observou-se, tamb&eacute;m,    uma diminui&ccedil;&atilde;o das taxas de mortalidade por doen&ccedil;as cerebrovasculares    e por doen&ccedil;as isqu&ecirc;micas do cora&ccedil;&atilde;o, mas as primeiras    persistiram como a principal causa de morte, tanto em 1996 quanto em 2000. As    doen&ccedil;as cerebrovasculares refletem, entre outros fatores, o controle    prec&aacute;rio da hipertens&atilde;o arterial, e espera-se a substitui&ccedil;&atilde;o    dessas pelas doen&ccedil;as isqu&ecirc;micas do cora&ccedil;&atilde;o nas sociedades    que alcan&ccedil;am um bom n&iacute;vel de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Esses    resultados indicam que a redu&ccedil;&atilde;o, ainda maior, da mortalidade    por doen&ccedil;as cerebrovasculares deveria ser uma das prioridades da Sa&uacute;de    P&uacute;blica no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Lima-Costa MF. Epidemiologia do envelhecimento    no Brasil. In: Rouquayrol Z, Almeida Filho N. Epidemiologia &amp; Sa&uacute;de.    6<sup>a</sup> ed. Rio de Janeiro: Medsi; 2003. p.499-513.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Lima-Costa MFF, Guerra HL, Barreto SM, Guimar&atilde;es    RM. Diagn&oacute;stico de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o idosa brasileira:    um estudo da mortalidade e das interna&ccedil;&otilde;es hospitalares p&uacute;blicas.    Informe Epidemiol&oacute;gico do SUS 2000;9:23-41.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Ramos LR, Sim&otilde;es EJ, Albert MS. Dependence    in activities of daily living and cognitive impairment strongly predicted mortality    in older urban residents in Brazil: a 2-year follow-up. Journal of the American    Geriatric Society 2001;49:1168-1175.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Marafon LP, Da Cruz IBM, Sdchwanke CHA, Moriguchi    EH. Associa&ccedil;&atilde;o de fatores de risco e de morbidade cardiovascular    com mortalidade em idosos longevos. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica    2003;19:797-806.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. World Health Organization. Ageing and Life    Course. Department of Noncommunicable Diseases Prevention and Health Promotion.    Noncommunicable Diseases and Mental Health Cluster. Life course perspectives    on coronary heart disease, stroke and diabetes. Geneva: WHO; 2001. Summary report    of a meeting of experts, 2-4 May, 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Veras R. A Era dos idosos: os novos desafios.    In: Anais da I Oficina de Trabalho sobre desigualdades sociais e de g&ecirc;nero    em sa&uacute;de do idoso; 2002; Ouro Preto, Brasil, 2002. p.89-96.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Silva Junior JB, Gomes FBC, Cez&aacute;rio    AC, Moura L. Doen&ccedil;as e agravos n&atilde;o transmiss&iacute;veis: bases    epidemiol&oacute;gicas. In: Rouquayrol MZ, Almeida Filho. Epidemiologia &amp;    Sa&uacute;de. 6<sup>a</sup> ed. Rio de Janeiro: Medsi; 2003. p.289-311.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de.    Manual de classifica&ccedil;&atilde;o internacional de doen&ccedil;as, les&otilde;es    e causas de &oacute;bito. 9<sup>a</sup> Revis&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Centro da    OMS para Classifica&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as em Portugu&ecirc;s; 1980. 2v.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de.    Classifica&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica internacional de doen&ccedil;as    e problemas relacionados &agrave; sa&uacute;de. 10<sup>a</sup> Revis&atilde;o. S&atilde;o    Paulo: Centro Colaborador da OMS para a Classifica&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as    em Portugu&ecirc;s; 1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Informa&ccedil;&otilde;es    demogr&aacute;ficas e socioecon&ocirc;micas, 1980, 1985, 1991, 1996, 1997, 1999,    2000, 2001 &#91;Monografia na Internet&#93;. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de &#91;acessado em 2003&#93; Dispon&iacute;vel em: <a href="http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/ibge/popmap.htm">http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/ibge/popmap.htm</a>.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    de Inform&aacute;tica. Departamento de Inform&aacute;tica do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de. Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Mortalidade (SIM),    1979-1998 &#91;CD ROM&#93;. Bras&iacute;lia: MS; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">12. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    de Inform&aacute;tica. Departamento de Inform&aacute;tica do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de. Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Mortalidade (SIM),    1996-2000 &#91;CD ROM&#93;. Bras&iacute;lia, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">13. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Portaria n. 1395, de 9 de dezembro de 1999. Aprova a Pol&iacute;tica Nacional    de Sa&uacute;de do Idoso e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Di&aacute;rio    Oficial da Uni&atilde;o, Bras&iacute;lia, n.237-E, p.20-24, 13 dez. 1999. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">14. Gordis L. Epidemiology. Philadelphia: W.B.    Saunders Company; 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">15. Dean AG, Dean JA, Coulombier D, Brendel KA,    Smith DC, Burton AH, et al. Epi Info, Version 6: A Word Processing, Database,    and Statistics Program for Epidemiology on Micro-Computers. Atlanta: Centers    for Disease Control and Prevention; 1994.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">16. Britton M. Diagnostic errors discovered at    autopsy. Acta Medica Scandinavica 1974;196:203-210.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">17. World Health Organization. The World Report    2003 &#8211; Neglected Global Epidemics: three growing threats. Geneva: WHO;    2003. p.85-102.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">18. U.S. Preventive Services Task Force &#91;monograph    on the Internet&#93; &#91;updated 2003&#93;. Available from: <a href="http://www.ahcpr.org/">http://www.ahcpr.org/</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">19. Lima-Costa MF, Barreto SM, Guerra HL. Chagas&#8217;    disease among older adults: branches or mainstream of the present burden of    <i>Trypanosoma cruzi</i> infection. International Journal of Epidemiology 2001;31:688-689.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v13n4/seta.gif" border="0"></a><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Av. Augusto de Lima, 1715,    <br>   Belo Horizonte-MG.    <br>   CEP: 30190-002    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:lima-costa@cpqrr.fiocruz.br">lima-costa@cpqrr.fiocruz.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#topo"><sup>*</sup></a>Artigo desenvolvido pelo    N&uacute;cleo de Estudos em Sa&uacute;de P&uacute;blica e Envelhecimento (Nespe),    da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz e da Universidade Federal de Minas Gerais,    na qualidade de centro colaborador em sa&uacute;de do idoso junto &agrave; Secretaria    de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. O    estudo contou com o apoio de recursos do Projeto Vigisus.</font></p>      ]]></body><back>
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