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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Integralidade em saúde: avaliando a articulação e a co-responsabilidade entre o Programa Saúde da Família e um serviço de referência em HIV/aids]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The work process on the scope of HIV/AIDS is wide and complex, and it has required different actions and articulation of health services, which must be prepared for this kind of assistance. The aims of this research are to investigate the articulation between the Family Health Program (PSF) and the specialized assistance service in HIV/AIDS (SAE), to identify factors that both facilitate and inhibit this articulation and to propose forms of work that can function together. This research is a descriptive study with qualitative approaches, developed in one SAE and five basic units of the Family Health Program in the city of Fortaleza, Ceará State, Brazil, during the period from August 2003 to October 2003. The subjects of this study were 19 representatives of several professional categories that work both in the PSF and in the SAE. Semi-structured interviews and direct observations of work were performed using a methodology of analysis of the discourse to evaluate the analysis and discussion of collected data. The study results revealed that the PSF team members were unaware of the activities developed in the SAE, the number of HIV-positive individuals in the area of the team and problems resulted from individuals not accepting anti-retroviral medication. The authors consider that this study will help to elicit questions linked to the work process in SAE, that have been troublesome for a more articulated action with PSF in the sense of decreasing the number of persons with infection and improving the quality of life for persons with HIV/AIDS.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="verdana"><a name="topo"></a>ARTIGO ORIGINAL</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Integralidade em sa&uacute;de: avaliando a    articula&ccedil;&atilde;o e a co-responsabilidade entre o Programa Sa&uacute;de    da Fam&iacute;lia e um servi&ccedil;o de refer&ecirc;ncia em HIV/aids</b></font><font size="4" face="verdana"><b><a href="#endereco"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">Integration in health: evaluating articulation    and co-responsibility between the Family Health Program and specialized assistence    service</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="verdana">Lucilane Maria Sales da Silva;    Terezinha de Andrade Guimar&atilde;es; Maria L&uacute;cia Duarte Pereira ; Karla    Corr&ecirc;a Lima Miranda; Eliany Nazar&eacute; Oliveira</font></b></p>     <p><sup></sup><font size="2" face="verdana">Curso de Enfermagem,    Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Universidade Estadual do Cear&aacute;,    Fortaleza-CE</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><hr size="1" noshade>     <p><b><font size="2" face="verdana">RESUMO</font></b></p>     <p><font size="2" face="verdana">O processo de trabalho no &acirc;mbito    da epidemia de HIV/aids &eacute; amplo e complexo, exigindo formas diferenciadas    de atua&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de    sa&uacute;de, que devem estar preparados para esse atendimento. Este estudo    tem por objetivos investigar a articula&ccedil;&atilde;o do Programa Sa&uacute;de    da Fam&iacute;lia (PSF) com o servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia especializada    em HIV/aids (SAE), identificar fatores facilitadores e dificultadores para essa    articula&ccedil;&atilde;o e propor formas de trabalho entre os dois servi&ccedil;os.    Trata-se de um estudo descritivo com olhar qualitativo, tendo por objetos de    an&aacute;lise um SAE e cinco unidades b&aacute;sicas da Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia,    na Cidade de Fortaleza, Estado do Cear&aacute;, Brasil, no per&iacute;odo de    agosto a outubro de 2003. Os sujeitos do estudo foram 19 representantes das    v&aacute;rias categorias profissionais que atuam no PSF e no SAE. Foram realizadas    entrevistas semi-estruturadas e observa&ccedil;&atilde;o direta do trabalho,    utilizando a metodologia de an&aacute;lise do discurso para an&aacute;lise e    discuss&atilde;o dos dados coletados. Os resultados revelaram que a equipe do    PSF desconhece as atividades desenvolvidas no SAE, o n&uacute;mero de pessoas    com HIV/aids na &aacute;rea de abrang&ecirc;ncia da equipe e os problemas advindos    da dificuldade de ades&atilde;o dos usu&aacute;rios &agrave; medica&ccedil;&atilde;o    anti-retroviral. Os autores consideram que o presente estudo contribuir&aacute;    para fazer emergir quest&otilde;es ligadas ao processo de trabalho do SAE e    que se apresentam como pontos dificultadores para uma a&ccedil;&atilde;o mais    articulada com o PSF, no sentido de diminuir os casos de infec&ccedil;&atilde;o    e melhorar a qualidade de vida das pessoas com HIV/aids.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave</b>: aids; Programa    Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia; servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia especializada;    integralidade.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">The work process on the scope of HIV/AIDS is    wide and complex, and it has required different actions and articulation of    health services, which must be prepared for this kind of assistance. The aims    of this research are to investigate the articulation between the Family Health    Program (<i>PSF</i>) and the specialized assistance service in HIV/AIDS (<i>SAE</i>),    to identify factors that both facilitate and inhibit this articulation and to    propose forms of work that can function together. This research is a descriptive    study with qualitative approaches, developed in one SAE and five basic units    of the Family Health Program in the city of Fortaleza, Cear&aacute; State, Brazil,    during the period from August 2003 to October 2003. The subjects of this study    were 19 representatives of several professional categories that work both in    the <i>PSF</i> and in the <i>SAE</i>. Semi-structured interviews and direct    observations of work were performed using a methodology of analysis of the discourse    to evaluate the analysis and discussion of collected data. The study results    revealed that the <i>PSF</i> team members were unaware of the activities developed    in the <i>SAE</i>, the number of HIV-positive individuals in the area of the    team and problems resulted from individuals not accepting anti-retroviral medication.    The authors consider that this study will help to elicit questions linked to    the work process in <i>SAE</i>, that have been troublesome for a more articulated    action with <i>PSF</i> in the sense of decreasing the number of persons with    infection and improving the quality of life for persons with HIV/AIDS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words</b>: AIDS; Family Health    Program; specialized assistance service in HIV/AIDS; integration.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A infec&ccedil;&atilde;o pelo v&iacute;rus da imunodefici&ecirc;ncia    humana (HIV) e a doen&ccedil;a por ele provocada, a s&iacute;ndrome da imunodefici&ecirc;ncia    adquirida (aids) t&ecirc;m sido estudadas, intensa e amplamente, desde o aparecimento    dos primeiros casos no final da d&eacute;cada de 70, ocupando um lugar cada    vez mais destacado entre os principais problemas de Sa&uacute;de P&uacute;blica    do pa&iacute;s.<sup>1,2</sup> Ainda que a ci&ecirc;ncia tenha avan&ccedil;ado    no conhecimento da doen&ccedil;a e nas estrat&eacute;gias para enfrent&aacute;-la,    especialistas alertam que a aids ainda permanece incur&aacute;vel e que a epidemia    se mant&eacute;m em expans&atilde;o, principalmente em regi&otilde;es menos    desenvolvidas economicamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O modelo assistencial de sa&uacute;de do Brasil,    da maneira como vem sendo implementado a partir da chamada Reforma Sanit&aacute;ria,    iniciada nos anos 80, contempla a assist&ecirc;ncia integral &agrave; sa&uacute;de    e a unifica&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es curativas e preventivas,    incluindo as a&ccedil;&otilde;es relativas a assist&ecirc;ncia em HIV/aids.    Tal modelo requer um novo perfil de trabalhadores de sa&uacute;de, bem como    a especifica&ccedil;&atilde;o de que produto oferecer, como produzi-lo e para    que clientela. Apesar das conquistas ocorridas no setor da Sa&uacute;de, como,    por exemplo, o processo de municipaliza&ccedil;&atilde;o e a descentraliza&ccedil;&atilde;o    do poder, ainda est&atilde;o por ocorrer mudan&ccedil;as &#8211; necess&aacute;rias    &#8211; nos locais em que a assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de &eacute;    produzida e dispensada.<sup>3,4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">H&aacute; um amplo debate no Brasil sobre qual    seria o modelo de aten&ccedil;&atilde;o ideal para organizar a denominada Rede    B&aacute;sica (aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria), viabilizando, na pr&aacute;tica,    as diretrizes do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). Entre as diversas    propostas experimentadas, est&aacute; o Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia    (PSF).<sup>5</sup> A unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de onde est&atilde;o inseridas    as equipes do PSF constitui uma base importante da aten&ccedil;&atilde;o organizada    pelo SUS, constituindo a porta de entrada dos indiv&iacute;duos no sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o aos servi&ccedil;os de    assist&ecirc;ncia especializada em HIV/aids (SAE), sua implanta&ccedil;&atilde;o    no Munic&iacute;pio de Fortaleza, Estado do Cear&aacute;, e em v&aacute;rios    outros Estados brasileiros, foi incentivada pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    e sua Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional de DST e Aids, a partir de 1994. Seu    objetivo &eacute; o de oferecer ao paciente e portador do HIV/aids uma assist&ecirc;ncia    diferenciada, realizada por equipe multidisciplinar capacitada para atender    esses casos.<sup>6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O SAE escolhido como objeto de enfoque    deste estudo &eacute; uma unidade de refer&ecirc;ncia, a mais completa no atendimento    em HIV/aids do Estado, que apresenta, entretanto, problemas relativos &agrave;    demanda excessiva, atendendo casos de HIV/aids notificados de todos os bairros    de Fortaleza. No SAE do Munic&iacute;pio, semanalmente, realiza-se uma m&eacute;dia    de 30 consultas de indiv&iacute;duos com risco para a infec&ccedil;&atilde;o,    120 consultas novas por m&ecirc;s e 150 consultas &#8211; entre novas e acompanhamentos    &#8211; por dia. Outro ponto cr&iacute;tico do atendimento refere-se &agrave;    n&atilde;o-ades&atilde;o dos soropositivos &agrave; terapia anti-retroviral,    em raz&atilde;o dos seus efeitos colaterais, como neuropatia perif&eacute;rica,    lipodistrofia, diarr&eacute;ias, entre outros, que interferem no desenvolvimento    do processo assistencial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Existe, ainda, um grande esfor&ccedil;o desse servi&ccedil;o    de refer&ecirc;ncia para que os indiv&iacute;duos infectados pelo HIV possam    aderir ao tratamento, sendo necess&aacute;ria uma aten&ccedil;&atilde;o conjunta    e integrada dos v&aacute;rios servi&ccedil;os do SUS que atendem esse contingente,    principalmente das unidades b&aacute;sicas da Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia.    Segundo Botazzo,<sup>7</sup> o PSF, como porta de entrada do sistema, deveria levar a resolubilidade    80% das intercorr&ecirc;ncias, encaminhar para servi&ccedil;os especializados    os casos de maior complexidade e acompanhar, programaticamente, grupos et&aacute;rios    ou de pacientes cr&ocirc;nicos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; mister, portanto, que o    PSF realize uma a&ccedil;&atilde;o integrada com os servi&ccedil;os de refer&ecirc;ncia    em HIV/aids, de forma a intensificar o acompanhamento dos indiv&iacute;duos    infectados. A colabora&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os de sa&uacute;de    ajudar&aacute; a assegurar uma assist&ecirc;ncia cont&iacute;nua, o que significa    que o indiv&iacute;duo ser&aacute; acompanhado em todos os est&aacute;gios,    da preven&ccedil;&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o ao tratamento. Os profissionais    do PSF devem ser capacitados, permanentemente, quanto ao diagn&oacute;stico    precoce das doen&ccedil;as associadas ao HIV, seu tratamento e compet&ecirc;ncia    para decidir sobre quando encaminhar os pacientes aos servi&ccedil;os especializados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estes autores desconhecem, no &acirc;mbito    do PSF, pesquisas que tratem das quest&otilde;es ligadas &agrave; sua articula&ccedil;&atilde;o    com os servi&ccedil;os de refer&ecirc;ncias em HIV/aids. S&atilde;o objetivos    do presente estudo avaliar a articula&ccedil;&atilde;o da equipe do Programa    Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia com o servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia especializada    em HIV/aids, identificar os fatores facilitadores e dificultadores para essa    articula&ccedil;&atilde;o e propor formas de trabalho integradas entre os dois    servi&ccedil;os, de acordo com as possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o,    acompanhamento e desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter preventivo    para indiv&iacute;duos infectados e pacientes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este trabalho pretende contribuir    para o incremento da qualidade da assist&ecirc;ncia prestada ao indiv&iacute;duo    e sua fam&iacute;lia, tanto nos aspectos preventivos quanto nos aspectos curativos,    na certeza de que o conhecimento gerado possa servir como dispositivo importante    a ser utilizado pelos servi&ccedil;os que prestam assist&ecirc;ncia especializada    em HIV/aids, para uma atua&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e articulada com    outras institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">Metodologia</font></b></p>     <p><font size="2" face="verdana">Trata-se de um estudo explorat&oacute;rio    e descritivo de olhar qualitativo, realizado em um servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia    especializada em HIV/aids e em cinco unidades b&aacute;sicas do Programa Sa&uacute;de    da Fam&iacute;lia, localizados no Munic&iacute;pio de Fortaleza, Estado do Cear&aacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre os sujeitos do estudo, foram    inclu&iacute;dos sete representantes das v&aacute;rias categorias profissionais    que atuam no SAE e 12 profissionais que comp&otilde;em as equipes do Programa    Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, totalizando 19 profissionais de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como crit&eacute;rios para escolha    dos sujeitos, foram contemplados os requisitos para as condi&ccedil;&otilde;es    m&iacute;nimas de proemin&ecirc;ncia no processo de escolha de um bom informante,    no bojo do estudo de um fen&ocirc;meno social vinculado ao desenvolvimento de    uma comunidade, grupo social ou atividade espec&iacute;fica. S&atilde;o eles:    envolvimento com o fen&ocirc;meno que se quer estudar; conhecimento amplo e    detalhado das circunst&acirc;ncias que envolvem o foco de an&aacute;lise; disponibilidade    adequada de tempo para participar das entrevistas; e concord&acirc;ncia em participar    da pesquisa.<sup>8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Como forma de coleta de dados, foram    realizadas entrevistas semi-estruturadas no per&iacute;odo de agosto a outubro    de 2003. O seu conte&uacute;do foi gravado em fitas cassete, com a permiss&atilde;o    dos sujeitos. Procurou-se estabelecer um cronograma para a realiza&ccedil;&atilde;o    das entrevistas, agendadas com uma semana de anteced&ecirc;ncia como tempo m&iacute;nimo,    mediante abordagem direta dos trabalhadores &#8211; que j&aacute; haviam concordado    em colaborar com a pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Todas as entrevistas foram numeradas    de acordo com a seguinte divis&atilde;o: Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia    (PSF &#8211; 1 a 12); e servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia especializada (SAE    &#8211; 1 a 7). As entrevistas encontram-se identificadas no texto, conforme    essa conven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A an&aacute;lise e a discuss&atilde;o    dos dados demandaram a transcri&ccedil;&atilde;o de fitas, redu&ccedil;&atilde;o,    organiza&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o dos relatos a partir    do m&eacute;todo de an&aacute;lise do discurso. Segundo esse m&eacute;todo,    &eacute; importante compreender os relatos a serem analisados do ponto de vista    das condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas que os condicionam e com as quais    se relacionam.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram considerados os crit&eacute;rios &eacute;ticos    para pesquisas envolvendo seres humanos, conforme a Resolu&ccedil;&atilde;o    n&deg; 196, do Conselho Nacional de Sa&uacute;de (CNS/MS), de 10 de outubro    de 1996.<sup>10</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O projeto foi analisado e aprovado    pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa do Hospital S&atilde;o Jos&eacute;    de Doen&ccedil;as Infecciosas (CEP-HSJ). A participa&ccedil;&atilde;o dos profissionais    como sujeitos da pesquisa foi volunt&aacute;ria, tendo-se o cuidado de esclarec&ecirc;-los    quanto aos objetivos do trabalho e sua potencial contribui&ccedil;&atilde;o    para ele.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o    dos sujeitos do estudo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Do total de 19 profissionais entrevistados,    17 s&atilde;o do sexo feminino e dois do sexo masculino. A idade m&iacute;nima    foi de 25 anos e a m&aacute;xima de 57 anos. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    profiss&atilde;o, foram seis m&eacute;dicos, dez enfermeiras, dois assistentes    sociais e uma psic&oacute;loga. Quanto ao tempo de formado, nove referiram possuir    mais de dez anos. Quanto ao tempo de trabalho na unidade, os profissionais do    SAE possuem mais de dois anos; os profissionais do PSF possuem um m&ecirc;s,    como tempo m&iacute;nimo, e nove anos como tempo m&aacute;ximo de trabalho no    programa. A maioria dos profissionais do PSF &eacute; especialista em Sa&uacute;de    da Fam&iacute;lia. No SAE, encontramos quatro com essa especialidade &#8211;    mas n&atilde;o em HIV/aids &#8211;, dos quais dois graduados e um residente    em infectologia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Atividades em HIV/aids desenvolvidas    pelo Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>A gente n&atilde;o trata    HIV na unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de, o que a gente faz &eacute; referenciar    para o hospital que trata de HIV/aids com medica&ccedil;&otilde;es, fazendo    acompanhamento e contagem de CD4.</i>&quot; (PSF3)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>No PSF, s&atilde;o muito t&iacute;midas    as atividades (...) as atividades que a gente v&ecirc; muito &eacute; palestra    com o pessoal do planejamento (familiar), que se abordam um pouco de doen&ccedil;as    sexualmente transmiss&iacute;veis e a&iacute; se fala tamb&eacute;m sobre o    HIV/aids, mas n&atilde;o tem nada espec&iacute;fico (...) eu n&atilde;o vejo    nenhuma atividade espec&iacute;fica voltada s&oacute; pr&aacute; HIV (...) no    pr&eacute;-natal, ele (m&eacute;dico) tem que solicitar o exame do HIV, mais    do que isso n&atilde;o.</i>&quot; (PSF6)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;(...) <i>se, por acaso, chegar    um paciente e quiser um exame espec&iacute;fico para o HIV, a gente faz uma    entrevista no planejamento fam&iacute;lia; e se esse paciente for de um grupo    de risco, a gente sugere realizar. Se n&atilde;o for, a gente sabe que aids    n&atilde;o est&aacute; escrito na testa, se ele insistir, a gente solicita</i>.&quot;    (PSF 1)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A proposta do PSF prev&ecirc; o desenvolvimento    equilibrado de a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de,    preven&ccedil;&atilde;o, de cura das doen&ccedil;as e reabilita&ccedil;&atilde;o,    tanto em n&iacute;vel individual quanto coletivo, por meio do trabalho de uma    equipe multidisciplinar dedicada &agrave; sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos,    da fam&iacute;lia e da comunidade.<sup>11</sup> Entretanto, os discursos relativos ao atendimento    em HIV/aids revelam &ecirc;nfase no encaminhamento para os servi&ccedil;os especializados,    desvinculando-se os casos da unidade b&aacute;sica e transferindo-se a responsabilidade    pelo acompanhamentos dos casos. As a&ccedil;&otilde;es em HIV/aids do PSF se    restringem ao pr&eacute;-natal e ao planejamento familiar, sendo obrigat&oacute;ria    a abordagem e o oferecimento da testagem nessas situa&ccedil;&otilde;es. Os    demais casos s&atilde;o encaminhados para outros servi&ccedil;os especializados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Demanda em HIV/aids no Programa    Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Sobre atendimento em HIV, eu nunca atendi    nenhuma pessoa positiva n&atilde;o, que venha com exame positivo (...) retorno    positivo eu nunca tive e tamb&eacute;m a gente n&atilde;o tem assim um trabalho    espec&iacute;fico pra HIV-positivos, pra pessoa doente com aids. Quando isso    acontece, a gente encaminha pra ele ser atendido num hospital pr&oacute;prio    pra isso</i>.&quot; (PSF 5)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Eu, particularmente, nunca tive</i>    (demanda). <i>Tive uma cliente que ela tava com suspeita porque o marido viajava    muito e queria fazer o teste do HIV. Ent&atilde;o ela n&atilde;o apresentava    sintomatologia nenhuma. Apresentava s&oacute; uma hist&oacute;ria que ela suspeitava    que o marido tivesse outras rela&ccedil;&otilde;es extraconjugais. Ent&atilde;o,    eu encaminhei e solicitei o exame. Eu n&atilde;o digo que fiz um aconselhamento    (...) eu encaminhei pro COAS</i> (Centro de Orienta&ccedil;&atilde;o e Apoio    Sorol&oacute;gico)<i> e de l&aacute; eu n&atilde;o tive mais not&iacute;cias    dela</i>.&quot; (PSF 12)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    demanda em HIV/aids do PSF, verificamos que n&atilde;o existe conhecimento dos    profissionais acerca dos usu&aacute;rios com HIV/aids de sua &aacute;rea de    abrang&ecirc;ncia, uma vez que nunca houve esse tipo de atendimento. Esse desconhecimento    &eacute; um ponto cr&iacute;tico na assist&ecirc;ncia aos indiv&iacute;duos    soropositivos para o HIV, pois interfere na articula&ccedil;&atilde;o entre    os servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Conhecimento dos profissionais    do PSF sobre o funcionamento do servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia especializada    em HIV/aid</b>s</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>N&atilde;o, n&atilde;o    sei, a gente n&atilde;o tem contato com eles. Em seis anos de PSF, eu s&oacute;    recebi uma contra-refer&ecirc;ncia desse servi&ccedil;o</i>.&quot; (PSF 2)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>N&atilde;o, eu n&atilde;o    conhe&ccedil;o, n&atilde;o sei como &eacute; feito l&aacute;. mas acredito que    o paciente receba atendimento se procurar l&aacute;; mas, detalhadamente, eu    n&atilde;o sei, nunca tive nenhum contato com o S&atilde;o Jos&eacute;</i> (hospital).<i>    O nosso sistema de sa&uacute;de &eacute; muito deficiente e a gente, muitas    vezes, nem conhece os outros servi&ccedil;os que poderiam ser bons parceiros</i>.&quot;    (PSF 5)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;(...)<i> eu n&atilde;o sei    como &eacute; feito com o paciente que chega l&aacute;; assim, em termos do    acesso, da rotina, a gente n&atilde;o acompanha n&atilde;o</i>.&quot; (PSF11)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Observamos que os profissionais    do PSF desconhecem as formas de acesso e a rotina do SAE referentes a procedimentos    como aconselhamento e acompanhamento m&eacute;dico. Uma informa&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica a que os profissionais deveriam ter acesso seria quanto aos crit&eacute;rios    de atendimento nesse servi&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tendo em vista o aumento da demanda pelo SAE,    a coordena&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o estabeleceu, em 2001, crit&eacute;rios    para realiza&ccedil;&atilde;o do aconselhamento, que antes acontecia em atendimento    a demanda espont&acirc;nea. Atualmente, a popula&ccedil;&atilde;o atendida &eacute;    constitu&iacute;da de: gestantes com sorologia anti-HIV positiva; clientes encaminhados    pelo setor de emerg&ecirc;ncia do hospital; profissionais que sofrem acidentes    de trabalho com materiais perfurocortantes e secre&ccedil;&otilde;es; pessoas    v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia sexual; casos para coleta de segunda amostra    do exame; parceiros de pacientes atendidos pelo servi&ccedil;o; crian&ccedil;as    com idade at&eacute; 12 anos, filhas de mulheres soropositivas para o HIV; e    pessoas com doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Para os que n&atilde;o se enquadram nesses    crit&eacute;rios, s&atilde;o fornecidas informa&ccedil;&otilde;es sobre outros    servi&ccedil;os que prestam atendimento na especialidade. Esta medida gerou    insatisfa&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios que procuram o SAE.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Conhecimento dos profissionais    do Servi&ccedil;o de Assist&ecirc;ncia Especializada em HIV/aids sobre o funcionamento    do Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Olha, eu n&atilde;o tenho    nenhuma informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o; pra ser realista e falar mesmo    s&eacute;rio, eu n&atilde;o sei bem. Eu sei que alguns pacientes falam que t&ecirc;m    algum contato no servi&ccedil;o de sa&uacute;de, mas n&atilde;o muito claramente</i>.&quot;    (SAE 2)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>N&atilde;o, a gente n&atilde;o    tem nenhuma informa&ccedil;&atilde;o; realmente, eu n&atilde;o sei como funciona    esse atendimento desses pacientes com HIV. As informa&ccedil;&otilde;es que    eu tive a respeito foi em um curso sobre vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica,    onde a gente teve a oportunidade de conhecer as coordenadoras das regionais    (...) o que eu entendi &eacute; que as pessoas ainda est&atilde;o assim, buscando    como fazer com esse paciente</i>.&quot; (SAE 3)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fatores que facilitam e que dificultam    o contato entre os servi&ccedil;os de sa&uacute;de do PSF e do SAE</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto aos fatores que facilitam o contato    entre PSF e SAE, os discursos revelaram:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Eu acho que &eacute; s&oacute;    a comunica&ccedil;&atilde;o (...) as pessoas mudarem seus posicionamentos (...)    atrav&eacute;s de uma conversa, de reuni&otilde;es nos &oacute;rg&atilde;os    da sa&uacute;de, da dire&ccedil;&atilde;o com os postos das unidades, os coordenadores    e cursos de atualiza&ccedil;&atilde;o sobre isso</i>.&quot; (SAE 5)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Eu acho que, pra aids,    as portas est&atilde;o muito abertas, o paciente ser&aacute; sempre aceito quando    a gente encaminhar, porque temos um hospital de refer&ecirc;ncia especializado    nisso. Ele n&atilde;o vai ficar sem atendimento, isso facilita muito</i>.&quot;    (PSF 8)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>De facilidade, eu acho    que &eacute; ter uma equipe aberta pra aprender. Eu vejo nossa equipe de trabalho    assim, formada por pessoas que querem aprender, que querem se capacitar, se    esfor&ccedil;ando pra fazer um bom trabalho, dentro do que pode ser feito. Eu    acho isso muito importante</i>.&quot; (PSF 9)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No que concerne aos fatores que    dificultam o contato entre PSF e SAE, os discursos indicaram:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Eu acho que &eacute; puramente burocr&aacute;tico    (...) eu acredito que a boa vontade do profissional deve existir; agora... &eacute;    mais uma quest&atilde;o do sistema como um todo, da burocracia</i>.&quot; (PSF    10)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Acho que as dificuldades sempre s&atilde;o    maiores. Pela defici&ecirc;ncia do nosso sistema de sa&uacute;de, a refer&ecirc;ncia    e contra-refer&ecirc;ncia n&atilde;o funcionam. Se funcionassem como deveriam,    j&aacute; seria um grande avan&ccedil;o</i>.&quot; (PSF 3)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Eu acho que a grande dificuldade    &eacute; que n&atilde;o h&aacute; nenhuma comunica&ccedil;&atilde;o. Se voc&ecirc;    me perguntar: As gestantes daqui, elas est&atilde;o vindo de onde? Quais s&atilde;o    as unidades que realmente referenciam para o hospital? Eu n&atilde;o vou saber    te responder. Ent&atilde;o, acho que a dificuldade maior &eacute; a quest&atilde;o    da comunica&ccedil;&atilde;o, a quest&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o.    A gente precisaria ser informada para poder dar o </i>feedback.&quot; (SAE 6)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Sugest&otilde;es para a articula&ccedil;&atilde;o    entre PSF e SAE</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando foram solicitadas aos profissionais    sugest&otilde;es para promover a articula&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os,    eles propuseram:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Eu acho que eles poderiam    fazer, tamb&eacute;m, treinamentos com a gente; e apresentar a rotina do servi&ccedil;o    de refer&ecirc;ncia, o que a gente poderia resolver aqui na unidade, j&aacute;    que eles t&ecirc;m uma demanda l&aacute; que poderia ser resolvida aqui. Eles    poderiam identificar pra gente o que a gente pode realizar na unidade b&aacute;sica    de sa&uacute;de</i>.&quot; (PSF 2)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&quot;<i>Eu acho que seria muito    v&aacute;lido se n&oacute;s tiv&eacute;ssemos um contato, por exemplo, todos    os meses, ou de dois em dois meses, se n&oacute;s soub&eacute;ssemos quais os    pacientes que foram encaminhados, para checarmos se esse paciente chegou aqui,    se esse paciente marcou consulta, se ele est&aacute; realmente fazendo o acompanhamento.    No caso da gestante, tamb&eacute;m seria muito bom se n&oacute;s soub&eacute;ssemos    quais s&atilde;o as unidades que est&atilde;o encaminhando, se essa gestante    est&aacute; chegando, quantas gestantes s&atilde;o encaminhadas, quantas n&oacute;s    estamos atendendo, para n&atilde;o ocorrer dessa gestante n&atilde;o vir e acabar    n&atilde;o fazendo a profilaxia</i>.&quot; (SAE 7)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma boa assist&ecirc;ncia pode melhorar,    em muito, a qualidade de vida das pessoas com HIV. A assist&ecirc;ncia de qualidade    tamb&eacute;m envolve o apoio pr&aacute;tico, emocional e espiritual &agrave;s    pessoas HIV-positivas, assim como &agrave;quelas que as cuidam, suas fam&iacute;lias,    comunidade.<sup>12</sup> A complexidade exigida no atendimento aos indiv&iacute;duos soropositivos    para o HIV requer a articula&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios servi&ccedil;os    do SUS no desenvolvimento de um trabalho integrado por um sistema de refer&ecirc;ncia    e contra-refer&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Entretanto, verifica-se que esse    sistema n&atilde;o &eacute; utilizado no atendimento em HIV/aids. Os profissionais    do PSF desconhecem as formas de acesso e a rotina do SAE. Observamos, tamb&eacute;m,    que os profissionais do SAE desconhecem a rotina e a din&acirc;mica de atendimento    em HIV/aids do PSF. Entende-se que, se houvesse conhecimento dos profissionais    do SAE sobre essa din&acirc;mica, alguns procedimentos &#8211; busca ativa de    faltosos, conhecimento do n&uacute;mero de pacientes encaminhados, conhecimento    sobre quais unidades est&atilde;o encaminhando esses pacientes e quais deles,    realmente, chegam ao servi&ccedil;o ap&oacute;s encaminhamento, al&eacute;m    de apoio na ades&atilde;o &agrave; terapia anti-retroviral &#8211;, poderiam    ser compartilhados entre os servi&ccedil;os. Isso permitiria que se alcan&ccedil;asse    o pleno funcionamento do sistema de refer&ecirc;ncia. Um sistema de sa&uacute;de    integrado pressup&otilde;e oferta organizada de assist&ecirc;ncia, garantindo    um processo de refer&ecirc;ncia e contra-refer&ecirc;ncia em uma rede articulada    de distintos n&iacute;veis de complexidade do SUS, com fluxos e percursos definidos,    ordenados e compat&iacute;veis com a demanda.<sup>13</sup> &Eacute; necess&aacute;rio    que os agentes desse sistema conhe&ccedil;am os processos que envolvem a assist&ecirc;ncia    ao indiv&iacute;duo soropositivo, nos diversos n&iacute;veis de aten&ccedil;&atilde;o,    efetivando os mecanismos do processo de refer&ecirc;ncia e contra-refer&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para obter a melhor solu&ccedil;&atilde;o    &agrave;s diferentes quest&otilde;es apontadas nos discursos como fatores dificultadores    da articula&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os no atendimento em HIV/aids,    &eacute; mister o interesse e a atua&ccedil;&atilde;o gerencial dos profissionais    e da institui&ccedil;&atilde;o nos pontos cr&iacute;ticos citados, principalmente    naqueles relacionados &agrave; consecu&ccedil;&atilde;o do processo de refer&ecirc;ncia    e contra-refer&ecirc;ncia, al&eacute;m de uma maior comunica&ccedil;&atilde;o    entre os profissionais dos servi&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tamb&eacute;m constitui um grande    desafio para o PSF melhorar a comunica&ccedil;&atilde;o entre os seus profissionais    e outros especialistas, com experi&ecirc;ncias e forma&ccedil;&otilde;es distintas.    Imp&otilde;e-se a cria&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o    eficazes, que sirvam ao especialista na promo&ccedil;&atilde;o do retorno do    paciente ao servi&ccedil;o de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica.<sup>13</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Estudo realizado pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    <sup>13</sup> em dez Munic&iacute;pios brasileiros revelou que, na maior parte    deles, a realiza&ccedil;&atilde;o insuficiente da contra-refer&ecirc;ncia mostrou    ser uma das principais dificuldades referidas pelos gestores municipais do sistema.    Os resultados dessa pesquisa corroboram os fatores apontados pelos profissionais    abordados neste trabalho, tanto do SAE quanto do PSF. A n&atilde;o-exist&ecirc;ncia    de um sistema de refer&ecirc;ncia e contra-refer&ecirc;ncia efetivo dificulta    o processo de articula&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os e o atendimento    integral aos indiv&iacute;duos HIV-positivos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Acredita-se que a aquiesc&ecirc;ncia    &agrave;s sugest&otilde;es destes autores permitir&aacute; o emergir de a&ccedil;&otilde;es    relacionadas ao atendimento em HIV/aids, tanto do SAE quanto do PSF, bem como    a capacita&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o continuada dos profissionais,    a defini&ccedil;&atilde;o de atividades em HIV/aids que possam ser realizadas    no PSF, a implementa&ccedil;&atilde;o de sistema de refer&ecirc;ncia e contra-refer&ecirc;ncia    e a consecu&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios do SUS, principalmente no    que respeita &agrave; integralidade da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados apresentados permitem    inferir que o atendimento em HIV/aids no PSF est&aacute; restrito ao planejamento    familiar e &agrave; assist&ecirc;ncia pr&eacute;-natal e que os profissionais    dessas unidades desconhecem os usu&aacute;rios com HIV/aids de sua &aacute;rea    de abrang&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foi observado, outrossim, que os    profissionais do PSF n&atilde;o possuem informa&ccedil;&otilde;es sobre as formas    de acesso e as rotinas do SAE em procedimentos como realiza&ccedil;&atilde;o    de aconselhamento e acompanhamento m&eacute;dico. Assim como os profissionais    do PSF, tamb&eacute;m os profissionais do SAE desconhecem a rotina e a din&acirc;mica    de atendimento em HIV/aids do PSF.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os fatores apontados nos discursos    como dificultadores da articula&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os de    atendimento em HIV/aids foram a aus&ecirc;ncia do processo de refer&ecirc;ncia    e contra-refer&ecirc;ncia, al&eacute;m de uma comunica&ccedil;&atilde;o deficiente    entre os profissionais e os servi&ccedil;os.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A realidade apresentada exige uma    atua&ccedil;&atilde;o efetiva da equipe do PSF e dos profissionais do SAE, em    resposta &agrave;s demandas em HIV/aids, que considere um acolhimento humanizado    da clientela, acesso a servi&ccedil;os resolutivos prestados por profissionais    capacitados no atendimento desses casos, al&eacute;m de fortalecimento dos v&iacute;nculos    entre os profissionais e usu&aacute;rios e clara defini&ccedil;&atilde;o de    responsabilidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A consecu&ccedil;&atilde;o de um    v&iacute;nculo mais forte dos usu&aacute;rios e indiv&iacute;duos infectados    pelo HIV/aids com as unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de ser&aacute; vi&aacute;vel,    t&atilde;o-somente, com a responsabiliza&ccedil;&atilde;o das unidades pelo    atendimento das demandas da sua regi&atilde;o, atendendo &agrave; popula&ccedil;&atilde;o    da sua &aacute;rea de abrang&ecirc;ncia. Para satisfazer a integralidade do    indiv&iacute;duo e da sua sa&uacute;de, s&atilde;o recomend&aacute;veis as visitas    domiciliares, quando necess&aacute;rias, para identifica&ccedil;&atilde;o e    acompanhamento dos infectados, vigil&acirc;ncia &agrave; sua sa&uacute;de e    acompanhamento da sua ades&atilde;o &agrave; medica&ccedil;&atilde;o anti-retroviral,    mediante diferentes tecnologias indispens&aacute;veis: acolhimento; consulta    individual; aconselhamento; forma&ccedil;&atilde;o e condu&ccedil;&atilde;o    de grupos educativos; atendimento domiciliar; trabalho comunit&aacute;rio; a&ccedil;&otilde;es    program&aacute;ticas; e medidas preventivas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os autores agradecem aos profissionais    do Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia e do servi&ccedil;o de assist&ecirc;ncia    especializada em HIV/aids estudados, que, prontamente, se dispuseram a colaborar    com o estudo e responder &agrave;s quest&otilde;es das entrevistas; e &agrave;    Funda&ccedil;&atilde;o Cearense de Amparo &agrave; Pesquisa e ao Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, pelo incentivo financeiro &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o    deste estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Ac&uacute;rcio A, Guimar&atilde;es MDC. Utiliza&ccedil;&atilde;o    de medicamentos por indiv&iacute;duos HIV-positivos abordagem qualitativa. Revista    Sa&uacute;de P&uacute;blica 1999 fev.;33(1):73-84.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Coordena&ccedil;&atilde;o    Nacional de DST e Aids. A Aids no Brasil &#8211; um esfor&ccedil;o conjunto.    Bras&iacute;lia: MS; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Junqueira LAP. A Descentraliza&ccedil;&atilde;o e a reforma    do aparato estatal em sa&uacute;de. In: Canesqui AM. Ci&ecirc;ncias Sociais    e Sa&uacute;de. S&atilde;o Paulo: Hucitec; 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Campos GWS. Reforma da Reforma: repensando a sa&uacute;de.    S&atilde;o Paulo: Hucitec; 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Secretaria de Sa&uacute;de do Estado do Cear&aacute;. O Modo    de fazer sa&uacute;de no Estado do Cear&aacute;. Fortaleza: Secretaria de Sa&uacute;de;    2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Coordena&ccedil;&atilde;o    Nacional de DST e Aids. Aspectos da epidemia entre as mulheres. Bras&iacute;lia:    MS; 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">7. Botazzo C. Unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de: a porta    do sistema revisitada. S&atilde;o Paulo: Edusc; 1999.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">8. Spradley J. Participant observation. New York: Winston; 1980.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">9. Breilh J. Nuevos conceptos y t&eacute;cnicas de investigaci&oacute;n:    gu&iacute;a pedag&oacute;gico para un taller de metodolog&iacute;a (epidemiolog&iacute;a    del trabajo). 3&ordf; ed. Quito: Centro de Estudios y Asesor&iacute;a en Salud    &#8211; CEAS; 1997.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">10. Conselho Nacional de Sa&uacute;de. Resolu&ccedil;&atilde;o    n&ordm; 196/96 e Decreto n&ordm; 93.933 de janeiro de 1987: estabelece crit&eacute;rios    sobre pesquisas envolvendo seres humanos. Bio&eacute;tica 1996;4:15-25.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">11. Machado E. Metodologia de implanta&ccedil;&atilde;o de um    programa de sa&uacute;de da fam&iacute;lia: um modelo a ser seguido. Fortaleza:    LC Gr&aacute;fica &amp; Editora; 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">12. A&ccedil;&atilde;o anti-AIDS. Desafiando o estigma e a discrimina&ccedil;&atilde;o.    Boletim Internacional sobre Preven&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia a AIDS    Rio de Janeiro 2001;46.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">13. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Avalia&ccedil;&atilde;o    da implementa&ccedil;&atilde;o do programa sa&uacute;de da fam&iacute;lia em dez grandes centros urbanos s&iacute;ntese dos principais resultados. Bras&iacute;lia:    MS; 2002.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v14n2/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua Gustavo Braga, 257,    <br>   Rodolfo Te&oacute;filo, Fortaleza-CE.    <br>   CEP: 60430-120    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:lucilanefernandes@superig.com.br">lucilanefernandes@superig.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#topo"><sup><font size="3">*</font></sup></a>Projeto    financiado com recursos da Funda&ccedil;&atilde;o Cearense de Amparo a Pesquisa    (Funcap)</font></p>      ]]></body><back>
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