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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Brechas redutíveis de mortalidade em capitais brasileiras (1980 - 1998)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[A descriptive ecological study was carried out on avoidable deaths in Brazilian urban settings from 1980 to 1998. The Mortality Information System (SIM), the Brazilian Institute of Geography and Statistics Foundation (IBGE) and the United Nations Development Programme (UNDP) were utilized as data sources. Standardized mortality rates were estimated for tuberculosis and cerebrovascular disease. Infant mortality rates for diarrhea and acute respiratory infection were also calculated. Stratification by city was done through principal component analysis. For each capital, the following were calculated: reducible mortality gaps (BRM), in relation to stratum (BRE), annual rate of reduction, and ratio of inequality between capitals. Decreases in infant mortality rates for diarrhea (between -77.4% and -5.3%) and acute respiratory infection (between -69.9% and -7.1%) were observed in most of the cities studied. There were also decreases in the attributable risk (BRE) related to both diseases during the study period. Those trends are compatible with the success of the programs directed to control both health problems. With respect to tuberculosis and cerebrovascular mortality, despite a decline in the majority of the cities studied, there was an upward trend in several cities for at least one disease, indicating problems with control measures. The elevated relative risks (BRP) found and the inequality ratios, which varied from 0.4 to 11.0, refiect the persistence of social health inequalities in Brazil.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Brechas redut&iacute;veis de mortalidade    em capitais brasileiras (1980 - 1998)<a href="#nota"><sup>*</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Reducible gaps in mortality in State Capitals,    Brazil (1980 - 1998)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Ligia Maria Vieira da Silva<sup>I</sup>; Maria    da Concei&ccedil;&atilde;o Nascimento Costa<sup>I</sup>; Jairnilson Silva Paim<sup>I</sup>;    Indai&aacute; do Brasil Dias<sup>II</sup>; Alcione Brasileiro Oliveira Cunha<sup>I</sup>;    Zuleica Antunes Guimar&atilde;es<sup>III</sup>; Lorena Fontoura Sousa<sup>III</sup>;    Vanessa Nascimento Pimentel<sup>III</sup>; Renata Dias Bispo<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Instituto de Sa&uacute;de Coletiva, Universidade    Federal da Bahia    <br>   <sup>II</sup>Bolsista de aperfei&ccedil;oamento do Conselho    Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico, Minist&eacute;rio    da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Bolsista de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    do Conselho Nacional de   Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico, Minist&eacute;rio da   Ci&ecirc;ncia e Tecnologia</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>      <p><font size="2" face="verdana"> Foi realizado um estudo descritivo de agregados    espa&ccedil;o-temporais abordando causas selecionadas de mortalidade evit&aacute;vel,   no per&iacute;odo compreendido entre 1980 e 1998. O Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es    sobre Mortalidade (SIM), a Funda&ccedil;&atilde;o Instituto   Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) e o Programa das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) foram as   fontes de dados utilizadas. Para a an&aacute;lise desses dados, foram calculados    os coeficientes de mortalidade padronizados para   tuberculose e doen&ccedil;a cerebrovascular, al&eacute;m dos coeficientes de    mortalidade infantil por diarr&eacute;ia e infec&ccedil;&atilde;o respirat&oacute;ria   aguda. A estratifica&ccedil;&atilde;o das capitais segundo condi&ccedil;&otilde;es    de vida foi feita mediante t&eacute;cnica estat&iacute;stica da an&aacute;lise    de componentes   principais. Para cada uma das capitais, foram calculadas as brechas redut&iacute;veis    de mortalidade (BRM) em rela&ccedil;&atilde;o ao estrato   (BRE) e ao Pa&iacute;s (BRP), o percentual da redu&ccedil;&atilde;o anual e    a raz&atilde;o de desigualdade entre as capitais. Verificou-se tend&ecirc;ncia   majorit&aacute;ria de decr&eacute;scimo dos indicadores na maioria das capitais    brasileiras, tanto da mortalidade infantil por diarr&eacute;ia (entre   -77,4% e -5,3%) como pelas infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias agudas    (entre -69,9% e -7,1%). A redu&ccedil;&atilde;o do valor m&eacute;dio das BRE    para   ambas as causas, em todo o per&iacute;odo estudado, revela poss&iacute;vel efeito    dos programas espec&iacute;ficos voltados para o controle   desses agravos. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mortalidade por    tuberculose e doen&ccedil;a cerebrovascular, embora houvesse ocorrido redu&ccedil;&atilde;o   das m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais dos coeficientes de mortalidade na maioria    das capitais, verificou-se aumento em diversas delas, o   que indica problemas nas estrat&eacute;gias de controle. Por sua vez, o registro    de valores elevados das BRP, ao lado das raz&otilde;es de   desigualdade &#8211; que variaram entre 0,4 e 11,0 &#8211;, revela a persist&ecirc;ncia    de desigualdades regionais e sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Palavras-chave</b>: desigualdades; diferenciais;    mortes evit&aacute;veis; avalia&ccedil;&atilde;o; brechas.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Summary</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A descriptive ecological study was carried out    on avoidable deaths in Brazilian urban settings from 1980 to 1998.   The Mortality Information System (SIM), the Brazilian Institute of Geography    and Statistics Foundation (IBGE) and   the United Nations Development Programme (UNDP) were utilized as data sources.    Standardized mortality rates were   estimated for tuberculosis and cerebrovascular disease. Infant mortality rates    for diarrhea and acute respiratory infection   were also calculated. Stratification by city was done through principal component    analysis. For each capital, the   following were calculated: reducible mortality gaps (BRM), in relation to stratum    (BRE), annual rate of reduction, and   ratio of inequality between capitals. Decreases in infant mortality rates for    diarrhea (between -77.4% and -5.3%) and   acute respiratory infection (between -69.9% and -7.1%) were observed in most    of the cities studied. There were also   decreases in the attributable risk (BRE) related to both diseases during the    study period. Those trends are compatible with   the success of the programs directed to control both health problems. With respect    to tuberculosis and cerebrovascular   mortality, despite a decline in the majority of the cities studied, there was    an upward trend in several cities for at least   one disease, indicating problems with control measures. The elevated relative    risks (BRP) found and the inequality   ratios, which varied from 0.4 to 11.0, refiect the persistence of social health    inequalities in Brazil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Key words</b>: inequality; avoidable deaths;    evaluation; gaps.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A despeito da redu&ccedil;&atilde;o nos coeficientes    globais de mortalidade verificada no s&eacute;culo XX, bem como da melhoria    de diversos indicadores de sa&uacute;de, tais como o decl&iacute;nio na mortalidade    infantil e a eleva&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a de vida ao nascer,<sup>1,2</sup>    disparidades na mortalidade e na morbidade entre regi&otilde;es, estratos e    classes sociais t&ecirc;m sido observadas, praticamente em todos os pa&iacute;ses    do mundo.<sup>3,4</sup> Essas desigualdades t&ecirc;m sido relacionadas com    as condi&ccedil;&otilde;es e estilos de vida, acesso e qualidade dos servi&ccedil;os    de sa&uacute;de.<sup>2,5,6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para monitorar o efeito e a qualidade dos servi&ccedil;os    de sa&uacute;de, medidas de mortalidade por causas evit&aacute;veis t&ecirc;m    sido utilizadas como &quot;eventos sentinela&quot;, principalmente a partir    do trabalho coordenado por Rutstein,<sup>7</sup> que, reunindo opini&otilde;es de especialistas    de diversas &aacute;reas, elaborou uma lista internacional de doen&ccedil;as    consideradas evit&aacute;veis, ou seja, aquelas para as quais existem tecnologias    capazes de impedir sua ocorr&ecirc;ncia.<sup>7</sup> Uma redu&ccedil;&atilde;o nos n&iacute;veis    da mortalidade por essas causas, superior &agrave;quela verificada pelas demais,    foi relacionada com a efetividade dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de em seis    pa&iacute;ses europeus, entre 1950 e 1980,<sup>8</sup> e no Quebec, entre 1982 e 1990.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na medida em que o acompanhamento da situa&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de, segundo condi&ccedil;&otilde;es de vida, pode orientar a ado&ccedil;&atilde;o    de estrat&eacute;gias de controle de riscos e causas de morbimortalidade <sup>10</sup>    e indicar poss&iacute;veis efeitos dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, admite-se    que a an&aacute;lise do impacto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas sobre o    estado de sa&uacute;de de popula&ccedil;&otilde;es pode ser feita mediante a    articula&ccedil;&atilde;o entre o estudo das mortes consideradas evit&aacute;veis    e aquele referente aos diferenciais socioecon&ocirc;micos das popula&ccedil;&otilde;es.    Essa possibilidade foi explorada em investiga&ccedil;&atilde;o realizada na    Su&eacute;cia, sobre a mortalidade por causas evit&aacute;veis segundo estratos    socioecon&ocirc;micos, com a finalidade de avaliar o efeito dos servi&ccedil;os    de sa&uacute;de.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No Brasil, ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o    da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, iniciou-se um processo de municipaliza&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os de sa&uacute;de, acompanhado da implanta&ccedil;&atilde;o    de programas especiais. A avalia&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas descentralizantes,    entretanto, ainda vem sendo feita de forma limitada, predominando os estudos    de caso ou avalia&ccedil;&otilde;es de programas.<sup>12</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A avalia&ccedil;&atilde;o do impacto de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas sobre a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode    ser feita por um &uacute;nico estudo, pois a complexidade do objeto requer a    an&aacute;lise de diversos componentes, s&iacute;ntese de conhecimento, amplia&ccedil;&atilde;o    da base de evid&ecirc;ncias<sup>13,14</sup> e, freq&uuml;entemente, monitora&ccedil;&atilde;o    de s&eacute;ries temporais ao longo de v&aacute;rios anos. Nessa perspectiva,    a presente investiga&ccedil;&atilde;o tem como objetivo analisar a evolu&ccedil;&atilde;o    e os diferenciais da mortalidade por causas evit&aacute;veis selecionadas, nas    capitais do Brasil, segundo condi&ccedil;&otilde;es de vida, visando contribuir    para a produ&ccedil;&atilde;o de evid&ecirc;ncias necess&aacute;rias &agrave;    avalia&ccedil;&atilde;o do efeito de pol&iacute;ticas voltadas ao controle de    problemas de sa&uacute;de prevalentes neste pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Foi realizado um estudo descritivo de agregados    espa&ccedil;o-temporais a partir dos coeficientes de mortalidade por causas    evit&aacute;veis selecionadas, de suas respectivas brechas redut&iacute;veis    de mortalidade e raz&otilde;es de desigualdade em 26 capitais brasileiras, no    per&iacute;odo compreendido entre 1980 e 1998. Foram selecionadas causas de    mortalidade evit&aacute;veis para as quais existiam programas especiais desenvolvidos    nas cidades estudadas, tais como: doen&ccedil;a cerebrovascular; tuberculose;    e mortalidade infantil por diarr&eacute;ia e por infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias    agudas. Palmas, no Estado do Tocantins, foi a &uacute;nica capital n&atilde;o    inclu&iacute;da no projeto em raz&atilde;o da aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o    para diversos anos da s&eacute;rie hist&oacute;rica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados de mortalidade foram obtidos no Departamento    de Inform&aacute;tica do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (Datasus), pelo    Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Mortalidade (SIM).<sup>15</sup> A    sele&ccedil;&atilde;o das causas foi feita por agrupamentos, dispon&iacute;veis    no site <a href="http://www.datasus.gov.br" target="_blank">www.datasus.gov.br</a>,    denominados &quot;Causa-CID-Br-10 e Causa-CID-Br-9&quot;. Para a CID-Br-10,    foram feitas as seguintes sele&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">a) Para a doen&ccedil;a c&eacute;rebrovascular,    foi feita a op&ccedil;&atilde;o &quot;doen&ccedil;a cerebrovascular&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">b) Para infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias    agudas (IRA), foram selecionadas as seguintes causas: influenza (gripe); pneumonia    e bronquiolite.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">c) Para as diarr&eacute;ias, foram selecionadas    as seguintes causas: c&oacute;lera; diarr&eacute;ia e gastroenterite, origem    infecciosa presum&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">d) Para tuberculose, foram selecionadas: tuberculose    pulmonar e outras tuberculoses.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; para a CID-Br-9, foram feitas as seguintes    sele&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">a) Para as infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias    agudas, foram selecionadas as seguintes causas: bronquite e bronquiolite agudas;    pneumonia e gripe.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">b) Para doen&ccedil;a c&eacute;rebrovascular:    doen&ccedil;a c&eacute;rebrovascular</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">c) Para tuberculose: tuberculose pulmonar; outras    tuberculoses respirat&oacute;rias; tuberculose men&iacute;ngea e no sistema    nervoso central; e tuberculose miliar e res&iacute;duos de tuberculose.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">d) Para diarr&eacute;ia: c&oacute;lera e intoxica&ccedil;&otilde;es    alimentares; infec&ccedil;&otilde;es intestinais por outro microrganismo espec&iacute;fico;    e infec&ccedil;&otilde;es intestinais mal-definidas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A inclus&atilde;o da causa &quot;res&iacute;duos    de tuberculose&quot; decorreu da decis&atilde;o de se analisar todos os &oacute;bitos    para os quais a causa b&aacute;sica tivesse sido considerada como tuberculose.    Como, na CID-Br-10, as sele&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis eram &quot;tuberculose    pulmonar&quot; e &quot;outras tuberculoses&quot;, decidiu-se adotar o mesmo    procedimento para a CID-Br-9, j&aacute; que, por se trabalhar com dados secund&aacute;rios,    n&atilde;o foi poss&iacute;vel reclassificar os &oacute;bitos do per&iacute;odo    em uma &uacute;nica CID.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados demogr&aacute;ficos, provenientes da    Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica    (IBGE), foram colocados &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o pelo Departamento    de Inform&aacute;tica do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (Datasus), do    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.<sup>15</sup> Como o n&uacute;mero de nascidos    vivos n&atilde;o estava dispon&iacute;vel para todos os anos da s&eacute;rie    hist&oacute;rica, utilizou-se o n&uacute;mero de menores de um ano como denominador    das taxas de mortalidade infantil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A estratifica&ccedil;&atilde;o das capitais segundo    condi&ccedil;&otilde;es de vida foi realizada, separadamente, para as d&eacute;cadas    de 80 e 90, a partir dos dados dos censos demogr&aacute;ficos de 1980 e 1991,    respectivamente.<sup>16</sup> Com essa finalidade, foi utilizada a an&aacute;lise    de componentes principais, t&eacute;cnica estat&iacute;stica de an&aacute;lise    multivariada que consiste em um processo de combina&ccedil;&atilde;o linear    entre as vari&aacute;veis at&eacute; reduzi-las a um pequeno n&uacute;mero de    componentes, permitindo representar, de modo sumarizado, as caracter&iacute;sticas    de interesse com suas diferen&ccedil;as maximizadas, j&aacute; que cada componente    apresenta correla&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima com as vari&aacute;veis originais    e baixa ou nenhuma correla&ccedil;&atilde;o com os demais componentes. As vari&aacute;veis    utilizadas foram:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">a) porcentagem da popula&ccedil;&atilde;o com    25 anos e mais com renda baixa;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">b) porcentagem da popula&ccedil;&atilde;o com    25 anos e mais com escolaridade entre 8-14 anos de estudo;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">c) porcentagem da popula&ccedil;&atilde;o com    25 anos e mais com escolaridade de 15 anos de estudo e mais; e</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">d) porcentagem da popula&ccedil;&atilde;o com    25 anos e mais com escolaridade inferior a 7 anos de estudo. &quot;Renda baixa&quot;,    aqui, corresponde &agrave; propor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o    que recebe menos de 0,5 sal&aacute;rio m&iacute;nimo por membro da fam&iacute;lia.<sup>16</sup>    Foi usada, como vari&aacute;vel, aquela correspondente a uma propor&ccedil;&atilde;o    e referente &agrave; renda da popula&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios,    dispon&iacute;vel no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, publicado pelo    Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).<sup>16</sup>    As demais vari&aacute;veis referentes &agrave; renda correspondiam a valores    m&eacute;dios. A partir dessas quatro vari&aacute;veis, foi criado um &uacute;nico    fator que explicou a vari&acirc;ncia de 86,8% em 1980 e 81,5% em 1991 (<a href="#fig1">Figura    1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02fig1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A distribui&ccedil;&atilde;o, em ordem crescente,    do &iacute;ndice sint&eacute;tico produzido pela referida t&eacute;cnica estat&iacute;stica,    para cada capital, possibilitou que essas capitais fossem agrupadas em quartis,    correspondentes &agrave;s seguintes categorias ou estratos de condi&ccedil;&otilde;es    de vida: (1) elevada; (2) m&eacute;dia; (3) baixa; e (4) muito baixa. Como eram    26 capitais e a divis&atilde;o abstrata em quartis implicaria colocar 6,5 capitais    em cada estrato, optou-se por alocar seis capitais em dois estratos e sete capitais    nos demais, procurando estabelecer os pontos de corte de acordo com a proximidade    do valor do escore obtido na an&aacute;lise de componentes principais (<a href="#fig1">Figura    1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Inicialmente, foram calculados os coeficientes    de mortalidade para cada capital, para cada ano do per&iacute;odo estudado (1980-1998)    e para cada causa (<a href="#fig2">Figura 2</a>). Aqueles referentes a tuberculose    e doen&ccedil;a cerebrovascular foram padronizados por idade, pelo m&eacute;todo    direto,<sup>17</sup> tomando como padr&atilde;o a popula&ccedil;&atilde;o do    Brasil em 1991. Em seguida, foram calculadas, para cada capital e cada causa,    as m&eacute;dias desses coeficientes para os quatro q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nios    (1980 a 1984; 1985 a 1989; 1990 a 1994; e 1995 a 1998), bem como a varia&ccedil;&atilde;o    percentual entre essas m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02fig2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Posteriormente, para cada uma das capitais, cada    ano e cada um dos agravos estudado, calcularam-se as brechas redut&iacute;veis    de mortalidade (BRM) &#8211; indicador desenvolvido pela Organiza&ccedil;&atilde;o    Pan-Americana da Sa&uacute;de (OPAS) &#8211; que equivalem ao risco atribu&iacute;vel    e que s&atilde;o definidas como diferenciais que podem ser reduzidos em rela&ccedil;&atilde;o    a um valor de refer&ecirc;ncia ou padr&atilde;o de compara&ccedil;&atilde;o.<sup>1</sup>    Essa medida tamb&eacute;m pode revelar, ainda que indiretamente, a efetividade    dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, quando se compara o comportamento da mortalidade    por causas evit&aacute;veis entre regi&otilde;es com caracter&iacute;sticas    sociais semelhantes.<sup>1</sup> A necessidade de ter um valor de refer&ecirc;ncia diferente    para cada d&eacute;cada decorreu do fato de a posi&ccedil;&atilde;o das capitais    nos estratos ter sido modificada entre as duas d&eacute;cadas, em raz&atilde;o    das varia&ccedil;&otilde;es nos indicadores socioecon&ocirc;micos utilizados.    O c&aacute;lculo das brechas redut&iacute;veis de mortalidade para cada capital,    para cada causa e para cada ano, em rela&ccedil;&atilde;o ao estrato (BRE),    foi realizado ap&oacute;s a sele&ccedil;&atilde;o do valor de refer&ecirc;ncia    (menor m&eacute;dia q&uuml;inq&uuml;enal dos coeficientes de mortalidade espec&iacute;ficos    por causa, entre aquelas relativas a cada estrato na d&eacute;cada estudada),    segundo a f&oacute;rmula:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"> <b>BREiyx = (CEMiyz - CRExi)    / CEMiyz</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">onde,</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>BREiyx</b> = brecha redut&iacute;vel para    a causa <b>i</b>, para a capital <b>y</b>, em rela&ccedil;&atilde;o ao estrato    <b>x</b>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>CEMiyz</b> = coeficiente (anual) espec&iacute;fico    de mortalidade para a causa <b>i</b>, para a capital <b>y</b>, para o ano <b>z</b>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>CRExi</b> = coeficiente de mortalidade de    refer&ecirc;ncia para o estrato <b>x</b>, para a causa <b>i</b>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Salienta-se que o coeficiente de mortalidade    usado nesses c&aacute;lculos sempre foi o anual. Por exemplo:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em Porto Alegre, em 1980, o coeficiente de mortalidade    infantil por diarr&eacute;ia foi de 3,4 &oacute;bitos/1000&lt;1 ano. J&aacute;    o valor de refer&ecirc;ncia para o estrato 1 foi 1,9 &oacute;bitos/1000&lt;1    ano, que correspondeu &agrave; menor m&eacute;dia dos coeficientes das capitais    que compunham o estrato 1 na d&eacute;cada de 80 (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).    A brecha redut&iacute;vel de mortalidade para aquele ano foi:</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>(3,4 - 1,9)/3,4 = 0,44</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Da mesma forma, foram calculadas as brechas redut&iacute;veis    de mortalidade para cada capital, para cada causa e para cada ano, em rela&ccedil;&atilde;o    ao Pa&iacute;s (BRP), tendo como valor de refer&ecirc;ncia a menor m&eacute;dia    q&uuml;inq&uuml;enal dos coeficientes de mortalidade espec&iacute;ficos por    causa, entre aquelas referentes &agrave;s 26 capitais na d&eacute;cada estudada:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>BRPiyz = (CEMiyz - CRPi)/CEMiyz</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">onde</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>BRPiyz</b> = brecha redut&iacute;vel para    a causa <b>i</b>, para a capital <b>y</b>, em rela&ccedil;&atilde;o ao Pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>CEMiyz</b> = coeficiente (anual) espec&iacute;fico    de mortalidade para a causa <b>i</b>, para a capital <b>y</b>, para o ano <b>z</b>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>CRPi</b> = coeficiente de mortalidade de refer&ecirc;ncia    para o Pa&iacute;s, para a causa <b>i</b>.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ap&oacute;s o c&aacute;lculo das brechas para    cada ano, foram   calculadas as respectivas m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais,   que correspondem &agrave; m&eacute;dia aritm&eacute;tica simples dos   cinco valores de cada q&uuml;inqu&ecirc;nio para as duas   d&eacute;cadas, que, no caso espec&iacute;fico de Porto Alegre,   para o per&iacute;odo compreendido entre 1980 e 1984,   foi de 0,23. Em seguida, foram calculadas as raz&otilde;es   de desigualdade (RD) entre o valor do coeficiente   espec&iacute;fico de mortalidade para cada capital e o   valor de refer&ecirc;ncia para cada estrato (RDE) e para   o Pa&iacute;s (RDP), al&eacute;m das respectivas m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais.   Como resultado desses procedimentos, foram   geradas 208 tabelas. Entretanto, apenas os valores   referentes &agrave;s m&eacute;dias, tanto para os coeficientes de   mortalidade quanto para os relativos &agrave;s brechas,   foram transportadas para oito tabelas de s&iacute;ntese,   que integram o presente artigo.   Os dados foram processados e analisados pelos   programas Epi Info 6.0,<sup>18</sup> SPSS 8.0<sup>19</sup> e Excel   1998.<sup>20</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Haja vista haverem ocorrido mudan&ccedil;as nos    indicadores socioecon&ocirc;micos de algumas capitais, entre uma d&eacute;cada    e outra, houve, tamb&eacute;m, altera&ccedil;&atilde;o na composi&ccedil;&atilde;o    dos quatro estratos. Passaram para um estrato de melhores condi&ccedil;&otilde;es    de vida, entre as duas d&eacute;cadas, as seguintes capitais: Florian&oacute;polis    e Bras&iacute;lia (do estrato 2 para o estrato 1); Jo&atilde;o Pessoa (do estrato    3 para o estrato 2); e S&atilde;o Lu&iacute;s (do estrato 4 para o estrato 3).    Em contrapartida, passaram para um estrato de condi&ccedil;&otilde;es de vida    inferiores &agrave;quelas da d&eacute;cada de 80: Belo Horizonte e S&atilde;o    Paulo (do estrato 1 para o estrato 2); e Fortaleza (do estrato 3 para o estrato    4) (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Mortalidade infantil por diarr&eacute;ia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Verifica-se, na <a href="#tab1">Tabela 1</a>,    uma redu&ccedil;&atilde;o das m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais dos coeficientes    de mortalidade infantil por diarr&eacute;ia nas capitais brasileiras, em percentuais    que variaram entre -5,3% e -77,4%. Apenas Florian&oacute;polis exibiu um aumento    de 5,3% nesse indicador, na d&eacute;cada de 80 (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).    A tend&ecirc;ncia de decl&iacute;nio da mortalidade infantil por essa causa    persistiu na d&eacute;cada de 90, em todas as capitais, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o    de Natal (+9,7%), tendo variado entre -20% (Cuiab&aacute;) e -80,6% (Curitiba)    (<a href="#tab2">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">No q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio 1980-1984, a magnitude    das brechas redut&iacute;veis de mortalidade por diarr&eacute;ia entre menores    de 1 ano, no interior dos estratos (BRE), variou de - 0,19, em Florian&oacute;polis,    a 0,91, em Aracaju. Apesar de ainda serem encontrados valores de BRE superiores    a 0,50 na segunda metade da d&eacute;cada de 80, na maioria das capitais estudadas,    ocorreu um decr&eacute;scimo no valor dessas medidas. No estrato 4 (condi&ccedil;&otilde;es    de vida muito baixas), a disparidade observada entre o valor das brechas foi    mais acentuada, variando de -0,17 em Macap&aacute; a 0,72 em Macei&oacute; (<a href="#tab1">Tabela    1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As brechas intra-estratos (BRE) tamb&eacute;m    se reduziram entre o primeiro e o segundo q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio dos anos    90. Entre 1995 e 1998, 16 capitais apresentaram BRE com valores inferiores a    0,50, das quais nove apresentaram valores negativos. Tamb&eacute;m verificou-se    redu&ccedil;&atilde;o das brechas em rela&ccedil;&atilde;o ao Pa&iacute;s (BRP),    entre o primeiro e o segundo q&uuml;inqu&ecirc;nios da d&eacute;cada de 90;    valores negativos foram encontrados somente em Florian&oacute;polis (-0,64)    e Curitiba (-0, 007) (<a href="#tab2">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As raz&otilde;es de desigualdade intra-estratos    (RDE) em 1980-1984 variaram de 1,0 em Florian&oacute;polis (estrato 2) a 11,7    em Aracaju (estrato 3). A menor varia&ccedil;&atilde;o ocorreu entre as capitais    do estrato 1. No q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio seguinte, verificou-se redu&ccedil;&atilde;o    em todas as capitais, com exce&ccedil;&atilde;o de Florian&oacute;polis, onde    houve discreto aumento. Os valores da RDP no primeiro per&iacute;odo da d&eacute;cada    de 80 foram id&ecirc;nticos aos da RDE nos estratos 1 e 2, haja vista os valores    de refer&ecirc;ncia para o Pa&iacute;s e os dois estratos terem sido os mesmos    (<a href="#tab1">Tabela 1</a>). Observa-se que os valores das RDP s&atilde;o    mais elevados nos estratos 3 e 4 do que nos estratos 1 e 2. No segundo q&uuml;inqu&ecirc;nio,    mais uma vez, apenas em Florian&oacute;polis, esse indicador n&atilde;o apresentou    decl&iacute;nio. Em 1990-1994, as maiores RDP foram observadas em Macei&oacute;    (25,1), no estrato 4; e em Aracaju (20,8) e Manaus (16,6), ambas no estrato    3. De 1995 a 1998, as maiores RDP foram encontradas em Porto Alegre e Fortaleza    (9,3), e em Macei&oacute; (10,2). Nas duas d&eacute;cadas, o valor das RDP &eacute;    maior que aquele das RDE (<a href="#tab1">tabelas 1</a> e <a href="#tab2">2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Mortalidade infantil por infec&ccedil;&atilde;o    respirat&oacute;ria aguda</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos primeiros cinco anos da d&eacute;cada de    80, os maiores coeficientes q&uuml;inq&uuml;enais de mortalidade infantil por    infec&ccedil;&atilde;o respirat&oacute;ria aguda foram observados em Bras&iacute;lia    (13,3%), S&atilde;o Paulo (12,5%), Salvador (11,2%), Bel&eacute;m (9,4%), Aracaju    (9,4%) e Recife (10.4%). Do primeiro para o segundo q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio,    houve redu&ccedil;&atilde;o das m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais desses indicadores    em 22 capitais, em percentuais que variaram entre -69,9% em Bras&iacute;lia    e -7,1% em Macei&oacute;, tendo ocorrido aumento em Jo&atilde;o Pessoa (+207%)    e Macap&aacute; (+26,7%) (<a href="#tab3">Tabela 3</a>).</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Na d&eacute;cada seguinte, esses coeficientes    continuaram decrescendo na maioria das capitais, com varia&ccedil;&atilde;o    entre -12% (Fortaleza) e -73,7% (Vit&oacute;ria). Somente em Cuiab&aacute; (+50,0%)    e Natal (+22,7%), constatou-se um aumento da mortalidade infantil por essa causa    (<a href="#tab4">Tabela 4</a>).</font></p>     <p><a name="tab4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02t4.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Os valores das BRE variaram bastante no interior    de cada estrato de capitais, durante os anos 80. Essa varia&ccedil;&atilde;o    aconteceu no primeiro q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio, entre -1,43 e 0,49, em dez    capitais; e foi superior a 0,50, nas demais. Na maioria das capitais, houve    uma redu&ccedil;&atilde;o dos valores m&eacute;dios desse indicador entre o    primeiro e o segundo q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nios da d&eacute;cada de 80 (<a href="#tab3">Tabela    3</a>). No primeiro q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio dos anos 90, apenas sete capitais    apresentaram m&eacute;dias das BRE inferiores a 0,50. J&aacute; no segundo per&iacute;odo    (1995-1998), esse n&uacute;mero elevou-se para 17 capitais, observando-se uma    redu&ccedil;&atilde;o das BRE na maioria delas, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o    de Natal (<a href="#tab4">Tabela 4</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os valores das BRP referentes aos coeficientes    de mortalidade infantil por IRA reduziram-se, do primeiro para o segundo q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio    da d&eacute;cada de 80, na maioria das capitais. Quanto &agrave;s RDP, no primeiro    per&iacute;odo dos anos 90, S&atilde;o Paulo (10,8), Recife (10,7) Belo Horizonte    (11,2) e Macei&oacute; (10,6) apresentaram os maiores valores; nos quatro anos    seguintes, as RDP aumentaram apenas em Cuiab&aacute; e em Natal (<a href="#tab4">Tabela    4</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Mortalidade por tuberculose</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os coeficientes q&uuml;inq&uuml;enais padronizados    de mortalidade por tuberculose (CMPT) nas capitais brasileiras, na d&eacute;cada    de 80, reduziram-se em percentuais que variaram de -65,0% em Goi&acirc;nia a    -6,1% em S&atilde;o Paulo. Somente em Florian&oacute;polis, esse indicador manteve-se    est&aacute;vel, relativamente, com varia&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima a 0%,    para o per&iacute;odo (<a href="#tab5">Tabela 5</a>).</font></p>     <p><a name="tab5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02t5.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; em 1990-1998, seis capitais apresentaram    eleva&ccedil;&atilde;o das m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais dos CMPT: Florian&oacute;polis;    Curitiba; S&atilde;o Paulo; Cuiab&aacute;; Macei&oacute;; e Boa Vista. Nas demais,    houve redu&ccedil;&atilde;o desses coeficientes, observando-se uma varia&ccedil;&atilde;o    entre -53,4% em Aracaju e -1,1% em Rio Branco (<a href="#rab6">Tabela 6</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab6"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02t6.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Na primeira metade da d&eacute;cada de 80, oito    capitais apresentaram brechas para o estrato inferiores a 0,50. J&aacute; no    q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio seguinte, esse n&uacute;mero aumentou para 18 (<a href="#tab5">Tabela    5</a>). No que diz respeito &agrave;s BRE para o per&iacute;odo 1980-1984, a    cidade de Florian&oacute;polis apresentou o menor valor (0,16); e Salvador e    Recife, os maiores (0,93). Na segunda metade da d&eacute;cada, observou-se redu&ccedil;&atilde;o    em todas as capitais, com maior decl&iacute;nio em Goi&acirc;nia (de 0,62 para    -0,22) (<a href="#tab5">Tabela 5</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos primeiros cinco anos da d&eacute;cada seguinte,    as BRE apresentaram-se negativas para tr&ecirc;s capitais: Florian&oacute;polis;    Goi&acirc;nia; e Macap&aacute;. Nas demais, a varia&ccedil;&atilde;o foi de    0,06 em Campo Grande a 0,85 em Recife. No segundo q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio,    chama a aten&ccedil;&atilde;o o fato de que tr&ecirc;s capitais do estrato 1    apresentaram um crescimento das BRE por tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As BRP mostraram-se bastante elevadas no primeiro    per&iacute;odo da d&eacute;cada de 80. Houve um decl&iacute;nio em todas as    capitais, no segundo per&iacute;odo dessa d&eacute;cada, apesar de os valores    terem-se mantido acima de 0,70, em 19 capitais. As cidades de Goi&acirc;nia    (-0,22) e Florian&oacute;polis (0,13) foram as que apresentaram os menores valores    de BRP (<a href="#tab5">Tabela 5</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No primeiro q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio da d&eacute;cada    de 90, a mais baixa BRP tamb&eacute;m foi observada em Florian&oacute;polis    (-0,23). No per&iacute;odo 1995-1998, esse indicador reduziu-se na grande maioria    das capitais, tendo apresentado aumento em Florian&oacute;polis, Curitiba, S&atilde;o    Paulo, Cuiab&aacute;, Natal, Macei&oacute; e Boa Vista.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tanto a raz&atilde;o de desigualdade entre coeficientes    de mortalidade por tuberculose para o estrato (RDE) quanto a raz&atilde;o de    desigualdade para o Pa&iacute;s (RDP) apresentaram, no primeiro q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio    da d&eacute;cada de 80, maior variabilidade no estrato 2, entre Florian&oacute;polis    e Salvador. No in&iacute;cio da d&eacute;cada seguinte, a maior varia&ccedil;&atilde;o    de RDE foi verificada entre Goi&acirc;nia (1,0) e Recife (6,8). A maior raz&atilde;o    de desigualdade para o Pa&iacute;s foi verificada em Recife (7,2); e a menor,    em Goi&acirc;nia (1,0).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Mortalidade por doen&ccedil;a cerebrovascular</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os coeficientes q&uuml;inq&uuml;enais padronizados    de mortalidade por doen&ccedil;a cerebrovascular (CMPDCV) apresentaram, na d&eacute;cada    de 80, tend&ecirc;ncia ao decl&iacute;nio na maioria das capitais, em percentuais    que variaram entre -1,3% em Belo Horizonte e -18,4% em Jo&atilde;o Pessoa (<a href="#tab7">Tabela    7</a>). Houve aumento das m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais dos CMPDCV em    oito capitais, nos estratos 2, 3 e 4 (<a href="#tab7">Tabela 7</a>). Na d&eacute;cada    seguinte, os valores dos CMPDCV reduziram-se entre -30,1% em Aracaju e -0,2    em S&atilde;o Paulo (<a href="#tab8">Tabela 8</a>).</font></p>     <p><a name="tab7"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02t7.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab8"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/4a02t8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">As BRE tamb&eacute;m decresceram no per&iacute;odo    estudado, na maioria das capitais. Quanto &agrave;s BRP, na d&eacute;cada de    80, os estratos 1, 2 e 3 mostraram menor variabilidade entre as respectivas    capitais. Nos anos 90, tal como na d&eacute;cada anterior, &eacute;, tamb&eacute;m    no estrato 4, que se verificam valores mais extremos das BRP. A maior varia&ccedil;&atilde;o    na raz&atilde;o de desigualdade para o estrato, no primeiro q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio    da d&eacute;cada de 80, foi verificada no estrato 4 &#8211; entre 1,0 em Boa    Vista e 3,9 em S&atilde;o Lu&iacute;s &#8211; repetindo-se esse comportamento    no q&uuml;inqu&ecirc;nio seguinte (<a href="#tab7">Tabela 7</a>). No per&iacute;odo    1990-1995, os estratos 3 e 4 mantiveram-se apresentando as maiores desigualdades    intra-estratos &#8211; valores que atingem 1,0 em Boa Vista e 3,3 em Macei&oacute;,    no estrato 4 &#8211;, havendo maior equil&iacute;brio no segundo q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio    dessa d&eacute;cada. No q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio seguinte, &eacute; o estrato    4 (de 1,0 em Boa Vista a 3,6 em S&atilde;o Lu&iacute;s) que apresenta as maiores    varia&ccedil;&otilde;es internas (<a href="#tab7">Tabela 7</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><font size="3">Discuss&atilde;o</font></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A an&aacute;lise dos achados do presente estudo    revela uma tend&ecirc;ncia majorit&aacute;ria de decr&eacute;scimo, na maioria    das capitais brasileiras, tanto da mortalidade infantil por diarr&eacute;ia    como por infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias agudas (IRA). Ainda que    estudos anteriores apontem para a tend&ecirc;ncia decrescente da mortalidade    infantil no Pa&iacute;s, quando se destaca o papel atribu&iacute;do &agrave;    queda da fecundidade nessa varia&ccedil;&atilde;o,<sup>21</sup> cabe lembrar    o fato de que as doen&ccedil;as diarr&eacute;icas e as IRA podem ser controladas    por a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas do setor Sa&uacute;de. Assim, a redu&ccedil;&atilde;o    do valor m&eacute;dio das brechas observado nos estratos de capitais com condi&ccedil;&otilde;es    de vida semelhantes, para todo per&iacute;odo estudado, sugere poss&iacute;vel    efeito dos programas espec&iacute;ficos voltados para o controle desses agravos.    Cabe destacar, particularmente, a redu&ccedil;&atilde;o das brechas referentes    &agrave; diarr&eacute;ia para valores inferiores a 30% em 18 capitais &#8211;    mais acentuada na segunda metade da d&eacute;cada de 90 &#8211;, quando a implanta&ccedil;&atilde;o    de programas de sa&uacute;de, como o Programa de Agentes Comunit&aacute;rios    de Sa&uacute;de (PACS) e o Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF), j&aacute;    atingia um contingente maior de Munic&iacute;pios. &Eacute; importante, ainda,    assinalar que, no per&iacute;odo 1995-1998, seis das sete capitais que compunham    o estrato de piores condi&ccedil;&otilde;es de vida apresentavam valores negativos    para esse indicador, o que significa dizer que os respectivos coeficientes de    mortalidade infantil por diarr&eacute;ia atingiram valores inferiores ao padr&atilde;o    de refer&ecirc;ncia para aquele estrato. Ou seja, houve um prov&aacute;vel desempenho    favor&aacute;vel dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de naquelas capitais. Para    ampliar as bases de evid&ecirc;ncias a esse respeito, contudo, &eacute; necess&aacute;ria    a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos adicionais que tamb&eacute;m investiguem    o comportamento de outros fatores relacionados com a mortalidade infantil, como    o saneamento <sup>22,23</sup> e a fecundidade.<sup>21</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A persist&ecirc;ncia de valores elevados das    brechas relativas ao Pa&iacute;s (BRP), bem como as elevadas raz&otilde;es de    desigualdade para os estratos (RDE) e o Pa&iacute;s (RDP), revelam a manuten&ccedil;&atilde;o    de desigualdades regionais e sociais, inclusive no que se refere aos poss&iacute;veis    efeitos da implementa&ccedil;&atilde;o dos programas especiais. Essa const&acirc;ncia    das desigualdades sociais no risco de morrer tamb&eacute;m foi observada em    outros estudos da mortalidade infantil, quer global,<sup>24</sup> quer por diarr&eacute;ia,<sup>25</sup>    apesar da acentuada queda observada nos seus n&iacute;veis. Nesse particular,    a utiliza&ccedil;&atilde;o de formas alternativas de interven&ccedil;&atilde;o,    como a ado&ccedil;&atilde;o do modelo de aten&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia    da sa&uacute;de vinculado &agrave; expans&atilde;o do PSF, poder&aacute; impactar    sobre tal situa&ccedil;&atilde;o ao proceder uma discrimina&ccedil;&atilde;o    positiva na sua implementa&ccedil;&atilde;o <sup>26</sup> para segmentos sociais    com maiores necessidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No que diz respeito &agrave; tuberculose e &agrave;    doen&ccedil;a cerebrovascular, embora houvesse ocorrido redu&ccedil;&atilde;o    das m&eacute;dias q&uuml;inq&uuml;enais da mortalidade na maioria das capitais,    verificou-se aumento em cinco delas, para ambas as causas, o que sugere problemas    nas estrat&eacute;gias de controle. No caso particular da tuberculose, apesar    de o tratamento de curta dura&ccedil;&atilde;o ter sido adotado pelo Brasil    a partir de 1979,<sup>27</sup> apenas em 1998, com o Plano Nacional de Controle da Tuberculose,    a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) incluiu o Pa&iacute;s    entre aqueles com &quot;alta incid&ecirc;ncia&quot; que aderiram &agrave; estrat&eacute;gia    Directly Observed Treatment, Short-course (DOTS).<sup>28</sup> Esse problema levou o Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, em 2001, a deflagrar um processo de avalia&ccedil;&atilde;o    da situa&ccedil;&atilde;o de controle da tuberculose no Pa&iacute;s, com &ecirc;nfase    no aperfei&ccedil;oamento do sistema de informa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m    dessa iniciativa, por se tratar de problemas que envolvem a sa&uacute;de do    adulto e para os quais existem programas especiais, &eacute; mister identificar    novas estrat&eacute;gias que resultem na oferta organizada de servi&ccedil;os    para essa faixa et&aacute;ria, na busca ativa de casos e na redu&ccedil;&atilde;o    do abandono de tratamento.<sup>29</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O presente estudo mostrou que o c&aacute;lculo    das brechas redut&iacute;veis de mortalidade pode-se constituir em t&eacute;cnica    relevante para a monitora&ccedil;&atilde;o de indicadores de mortalidade evit&aacute;vel.    Os diferenciais entre Munic&iacute;pios com condi&ccedil;&otilde;es de vida    semelhantes, medidos pelas brechas, podem indicar, de forma aproximada, o efeito    do sistema de sa&uacute;de ou de programas espec&iacute;ficos sobre os problemas    analisados. Essa medida &eacute; tanto mais precisa quanto mais desenvolvidos    forem os sistemas de informa&ccedil;&atilde;o. Por essa raz&atilde;o, a escolha    do valor de refer&ecirc;ncia para o c&aacute;lculo das brechas reveste-se de    import&acirc;ncia e deve ser, na medida do poss&iacute;vel, validada a partir    de outras fontes de dados. A an&aacute;lise do comportamento das brechas deve,    contudo, ser complementada e refinada por avalia&ccedil;&otilde;es com outras    abordagens metodol&oacute;gicas, para dar conta da complexidade da determina&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de de uma popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As brechas redut&iacute;veis de mortalidade expressam,    na realidade, o risco atribu&iacute;vel, seja em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s    condi&ccedil;&otilde;es de vida, seja em rela&ccedil;&atilde;o aos diferenciais    de acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Essas brechas n&atilde;o resultam    de qualquer fatalidade biol&oacute;gica ou da inexist&ecirc;ncia de tecnologias    m&eacute;dicas e sanit&aacute;rias; elas exprimem desigualdades sociais e de    acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, pass&iacute;veis de modifica&ccedil;&atilde;o    com a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. A ocorr&ecirc;ncia    de mortes evit&aacute;veis, portanto, ao lado do espanto e indigna&ccedil;&atilde;o    que deveriam provocar em toda a sociedade, particularmente entre os respons&aacute;veis    pelos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, refor&ccedil;a o imperativo &eacute;tico    da redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais, com respeito ao direito    &agrave; sa&uacute;de para todos os brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">N&atilde;o se desconhece que uma explora&ccedil;&atilde;o    mais aprofundada das hip&oacute;teses formuladas por este trabalho demanda a    realiza&ccedil;&atilde;o de estudos adicionais; por exemplo, ajustes por sexo,    bem como por outras vari&aacute;veis, poder&atilde;o refinar a an&aacute;lise    em estudos subseq&uuml;entes. Por sua vez, deve-se, tamb&eacute;m, considerar    que o emprego da popula&ccedil;&atilde;o de menores de 1 ano, ao inv&eacute;s    do n&uacute;mero de nascidos vivos, como denominador do coeficiente de mortalidade    infantil, poderia aumentar, artificialmente, os valores desse indicador, particularmente    nas capitais que apresentam mortalidade infantil mais elevada. Sabe-se, entretanto,    que justamente nesses locais, o sub-registro de &oacute;bitos infantis &eacute;    mais acentuado &#8211; o que, de certa forma, relativizaria poss&iacute;veis    distor&ccedil;&otilde;es. A diversidade dos resultados encontrados entre as    capitais poder&aacute; ser melhor explicada por estudos de an&aacute;lise de    implanta&ccedil;&atilde;o dos programas especiais voltados ao controle desses    agravos. Outrossim, a investiga&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de correla&ccedil;&otilde;es    entre indicadores de mortalidade e indicadores de desempenho do sistema de sa&uacute;de    e da sua descentraliza&ccedil;&atilde;o poder&aacute; auxiliar na produ&ccedil;&atilde;o    de evid&ecirc;ncias adicionais, capazes de produzir s&iacute;nteses mais consistentes    acerca da avalia&ccedil;&atilde;o da efetividade de pol&iacute;ticas e programas    de sa&uacute;de no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Organizaci&oacute;n Panamericana de la Salud.    Las condiciones de salud en las Am&eacute;ricas. Washington: OPS; 1994. Publicaci&oacute;n    Cient&iacute;fica n. 549.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. World Health Organization. The World Health    Report 1998. Life in the 21st century &#8211; a vision for all. Geneve: WHO;    1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Black D, Morris JN, Townsend P. Inequalities    in health. The Black Report. New York: Penguin; 1982.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Backlund E, Sorlie PD, Johnson NJ. The Shape    of the relationship between income and mortality in the United States. Evidence    from the National Longitudinal Mortality Study. Annals of Epidemiology 1996;    6(1):12-20.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Evans RG, Baren ML, Marmor TR, editors. Why    are Some People Healthy and Others Not? 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Desenvolvimento e condi&ccedil;&otilde;es de vida: </font><font size="2" face="verdana">indicadores    brasileiros. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Guia de Uso do CD-ROM.    Bras&iacute;lia: PNUD; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">17. Rothman KJ. Modern epidemiology. Boston:    Little Brown and Company; 1986.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">18. Centers for Disease Control and Prevention.    Epi Info. Epidemiologia em microcomputadores: um sistema de processamento de    texto, banco de dados estat&iacute;sticos. Atlanta: OPAS; 1990.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">19. Statistical Package for the Social Sciences    &#91;SPSS 8.0&#93;. 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">20. Microsoft Excel for Windows 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">21. Costa MCN. Determinantes da varia&ccedil;&atilde;o    da mortalidade infantil no Brasil nos anos oitenta: a contribui&ccedil;&atilde;o    da fecundidade e de fatores socioambientais [tese de Doutorado]. Salvador (BA):    Instituto de Sa&uacute;de Coletiva da Universidade Federal da Bahia; 2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">22. Oliveira L, Mendes M. Mortalidade infantil    no Brasil: uma avalia&ccedil;&atilde;o de tend&ecirc;ncias recentes. In: Minayo    MC. Os muitos Brasis. Sa&uacute;de e popula&ccedil;&atilde;o na d&eacute;cada    de 80. Rio de Janeiro: Hucitec; 1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">23. Szwarcwald C, Leal MC, Castilho EA, Andrade    CLT de. Mortalidade infantil no Brasil: Bel&iacute;ndia ou Bulg&aacute;ria?    Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica. 1997; 13(3):503-516.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">24. Costa MCN, Azi PA, Paim JS, Vieira-da-Silva    LM. 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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v14n4/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua Pe. Feij&oacute;, 29, 4<sup>o</sup> andar,    <br>   Canela, Salvador-BA.    <br>   CEP: 40110-170    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:ligiamvs@ufba.br">ligiamvs@ufba.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nota"></a><a href="#topo"><sup>*</sup></a>O estudo    contou com o apoio do Projeto de Estrutura&ccedil;&atilde;o do Sistema Nacional    de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do SUS (Vigisus) e do ent&atilde;o Centro    Nacional de Epidemiologia da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de,    atual Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da    Sa&uacute;de, al&eacute;m do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico    e Tecnol&oacute;gico (CNPq) do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia.</font></p>      ]]></body><back>
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