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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise da política de saúde bucal do Município de Cuiabá, Estado de Mato Grosso, Brasil, a partir do banco de dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA-SUS)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Analysis of the oral health policy of Cuiabá Municipality, Mato Grosso State, Brazil, using the outpatient Information System database of the national Public Health System (SIA-SUS)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The scientific development of dentistry in Brazil has achieved notable success. However, there remains no well-defined oral health policy and a significant proportion of the population has no access to dental care. This study examines the oral policy in the Municipality of Cuiabá, Mato Grosso State, Brazil, analyzing relevant data collected from the Hospital Outpatient Information System (SIA) of the National Unified Health System (SUS). Dental procedures were grouped into nine categories, from collective procedures to odonto-radiology. The number of consultations realized and financial resources applied were analyzed during the period 1995 to 2002. A tendency towards an increase in production and expenses was observed from 1996 and 2000, with a fall in the two subsequent years. The increase was greatest for more specialized procedures, while the largest decrease was for basic procedures. The Municipal Health Secretariat emphasized other areas of care rather than oral health during the last two years, and the Oral Health Coordination may have given more priority to dental clinic consultations, thus explaining the large reduction in basic care compared to specialized care. The SIA-SUS performs an important role in the assessment of oral health policy at the State, municipal, and national levels, especially if linked to other data sources.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>An&aacute;lise da pol&iacute;tica de sa&uacute;de    bucal do Munic&iacute;pio de Cuiab&aacute;, Estado de Mato Grosso, Brasil, a    partir do banco de dados do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es Ambulatoriais    do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SIA-SUS)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Analysis of the oral health policy of Cuiab&aacute;    Municipality, Mato Grosso State, Brazil, using the outpatient Information System    database of the national Public Health System (SIA-SUS)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Luiz Evaristo Ricci Volpato<sup>I</sup>; Jo&atilde;o Henrique    Scatena<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Faculdade de Odontologia de Cuiab&aacute;, Universidade    de Cuiab&aacute;, Cuiab&aacute;-MT. Instituto de Sa&uacute;de Coletiva, Universidade    Federal de Mato Grosso, Cuiab&aacute;-MT    <br>   <sup>II</sup>Instituto de Sa&uacute;de Coletiva, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiab&aacute;-MT</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco"><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</b></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No Brasil, a odontologia de alto &iacute;ndice    de desenvolvimento cient&iacute;fico coexiste com significativas parcelas da    popula&ccedil;&atilde;o sem acesso &agrave; assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica    e com a aus&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica definida de sa&uacute;de bucal.    O presente trabalho faz uma an&aacute;lise da pol&iacute;tica de sa&uacute;de    bucal do Munic&iacute;pio de Cuiab&aacute;, Estado de Mato Grosso, Brasil, a    partir do banco de dados do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es Ambulatoriais    (SIA) do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). Os procedimentos odontol&oacute;gicos    foram agregados em nove categorias, de procedimentos coletivos a odontorradiologia,    acerca dos quais foram analisados, para o per&iacute;odo de 1995 a 2002, o volume    de atendimentos realizados e os recursos financeiros aplicados em sua produ&ccedil;&atilde;o.    Observou-se uma tend&ecirc;ncia de eleva&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    e dos gastos, de 1996 a 2000, e queda nos dois anos seguintes. A eleva&ccedil;&atilde;o    foi maior para os procedimentos mais especializados, em compara&ccedil;&atilde;o    com os mais b&aacute;sicos; a queda, entretanto, foi invertida, mais acentuada    para os procedimentos b&aacute;sicos. Como a Secretaria Municipal de Sa&uacute;de    priorizou outros setores da aten&ccedil;&atilde;o em detrimento da sa&uacute;de    bucal no &uacute;ltimo bi&ecirc;nio e a Coordenadoria de Sa&uacute;de Bucal    pode ter priorizado os atendimentos das cl&iacute;nicas odontol&oacute;gicas,    explica-se, dessa forma, a maior redu&ccedil;&atilde;o na aten&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aten&ccedil;&atilde;o especializada.    O SIA-SUS mostrou-se uma importante ferramenta na avalia&ccedil;&atilde;o da    pol&iacute;tica de sa&uacute;de bucal nos n&iacute;veis municipal, estadual    e nacional, especialmente quando associado a outras fontes documentais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave</b>: sa&uacute;de bucal; Sa&uacute;de    P&uacute;blica; Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es Ambulatoriais.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The scientific development of dentistry in Brazil    has achieved notable success. However, there remains no well-defined oral health    policy and a significant proportion of the population has no access to dental    care. This study examines the oral policy in the Municipality of Cuiab&aacute;,    Mato Grosso State, Brazil, analyzing relevant data collected from the Hospital    Outpatient Information System (<i>SIA</i>) of the National Unified Health System    (<i>SUS</i>). Dental procedures were grouped into nine categories, from collective    procedures to odonto-radiology. The number of consultations realized and financial    resources applied were analyzed during the period 1995 to 2002. A tendency towards    an increase in production and expenses was observed from 1996 and 2000, with    a fall in the two subsequent years. The increase was greatest for more specialized    procedures, while the largest decrease was for basic procedures. The Municipal    Health Secretariat emphasized other areas of care rather than oral health during    the last two years, and the Oral Health Coordination may have given more priority    to dental clinic consultations, thus explaining the large reduction in basic    care compared to specialized care. The <i>SIA-SUS</i> performs an important    role in the assessment of oral health policy at the State, municipal, and national    levels, especially if linked to other data sources.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Key Words</b>: oral health; public health;    Hospital Outpatient Information System.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A odontologia tem como objetivo a promo&ccedil;&atilde;o    de n&iacute;veis adequados de sa&uacute;de bucal para o conjunto da popula&ccedil;&atilde;o    de um pa&iacute;s, regi&atilde;o ou localidade. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas,    essa ci&ecirc;ncia tem atingido alto grau de desenvolvimento cient&iacute;fico    e tecnol&oacute;gico, capaz de solucionar os problemas de sa&uacute;de bucal    nos pa&iacute;ses industrializados. No Brasil, esse mesmo alto &iacute;ndice    de desenvolvimento cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gico, por&eacute;m, coexiste    com a aus&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica definida de sa&uacute;de bucal e    com significativas parcelas da popula&ccedil;&atilde;o sem acesso a cuidados    cl&iacute;nicos e preventivos essenciais de maneira regular.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cuiab&aacute;, capital do Estado de Mato Grosso,    &eacute; um Munic&iacute;pio com cerca de meio milh&atilde;o de habitantes que,    nos &uacute;ltimos dez anos, trabalha na implementa&ccedil;&atilde;o de uma    pol&iacute;tica p&uacute;blica e abrangente de sa&uacute;de bucal. De maneira    geral, o modelo de sa&uacute;de bucal em Cuiab&aacute; h&aacute; dez anos era    o mesmo vigente no Brasil &agrave;quela &eacute;poca, caracterizado por limitada    capacidade de resposta &agrave;s necessidades da popula&ccedil;&atilde;o, inefic&aacute;cia    de interven&ccedil;&atilde;o na preval&ecirc;ncia das doen&ccedil;as bucais,    descoordena&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o, individualismo, mutila&ccedil;&atilde;o,    iatrogenia, alto custo, baixo impacto social e desconex&atilde;o da realidade    epidemiol&oacute;gica e social da na&ccedil;&atilde;o.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para modificar essa situa&ccedil;&atilde;o, a    Coordenadoria Municipal de Sa&uacute;de Bucal da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de    (SMS) de Cuiab&aacute; convocou, em 1993, a I Confer&ecirc;ncia Municipal de    Sa&uacute;de Bucal, quando se promoveu a reflex&atilde;o e debate sobre a promo&ccedil;&atilde;o    da Sa&uacute;de Bucal no Munic&iacute;pio, no &acirc;mbito da Reforma Sanit&aacute;ria    e do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS); e de acordo com a delibera&ccedil;&atilde;o    da IX Confer&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de,<sup>3</sup> que deixou clara    a preocupa&ccedil;&atilde;o em tra&ccedil;ar uma pol&iacute;tica de sa&uacute;de    bucal integrada com a pol&iacute;tica de sa&uacute;de geral, ao estabelecer    um sistema hierarquizado e baseado em uma estrutura de servi&ccedil;os, atividades    e a&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter preventivo complementada com unidade    de refer&ecirc;ncia para aten&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria e terci&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A I Confer&ecirc;ncia Municipal de Sa&uacute;de    Bucal definiu as linhas iniciais e gerais do projeto de um modelo de atendimento    odontol&oacute;gico em Cuiab&aacute;, porque, at&eacute; ent&atilde;o, o Munic&iacute;pio    n&atilde;o dispunha de qualquer proposta de trabalho nesse sentido.<sup>4</sup>    A partir de 1994, com a efetiva implementa&ccedil;&atilde;o da descentraliza&ccedil;&atilde;o    da Sa&uacute;de e a conseq&uuml;ente habilita&ccedil;&atilde;o de Cuiab&aacute;    a formas de gest&atilde;o mais aut&ocirc;nomas, foi poss&iacute;vel a execu&ccedil;&atilde;o    de a&ccedil;&otilde;es visando &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica    de sa&uacute;de bucal para o Munic&iacute;pio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A descentraliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica    nacional de sa&uacute;de, uma das diretrizes b&aacute;sicas do movimento da    Reforma Sanit&aacute;ria, foi incorporada como um dos princ&iacute;pios do Sistema    &Uacute;nico de Sa&uacute;de, tanto pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal    de 1988 como pela Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, que regulamentou o SUS.    A instaura&ccedil;&atilde;o da Norma Operacional B&aacute;sica (NOB SUS 1993)    permitiu a consolida&ccedil;&atilde;o de avan&ccedil;os como a normaliza&ccedil;&atilde;o    do financiamento e o processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o    dos servi&ccedil;os e a&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito do sistema.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As NOB SUS s&atilde;o portarias do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de que definem os objetivos e diretrizes estrat&eacute;gicas para    o processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de sa&uacute;de    e contribuem para a normaliza&ccedil;&atilde;o e operacionaliza&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es entre as esferas do governo, n&atilde;o previstas    nas Leis Org&acirc;nicas da Sa&uacute;de (8.080 e 8.142; esta, de 28/12/90).    Outro ponto a ser ressaltado diz respeito ao car&aacute;ter transit&oacute;rio    desse tipo de instrumento, que pode ser reeditado ou substitu&iacute;do por    outro &agrave; medida que o processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;a,    permitindo a atualiza&ccedil;&atilde;o das regras em diferentes est&aacute;gios    de implementa&ccedil;&atilde;o do SUS.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Levcovittz e colaboradores<sup>6</sup> afirmam    que a NOB SUS 1993 radicalizou a rela&ccedil;&atilde;o direta entre o n&iacute;vel    federal e o municipal com o modelo de gest&atilde;o semiplena; n&atilde;o s&oacute;    rompeu com a exig&ecirc;ncia do instrumento convenial para a transfer&ecirc;ncia    de recursos como tamb&eacute;m honrou com a transfer&ecirc;ncia autom&aacute;tica    dos recursos federais aos fundos municipais. O automatismo foi garantido ap&oacute;s    cumprimento dos requisitos para habilita&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o semiplena,    que se tornaram garantias m&iacute;nimas para o cumprimento das novas responsabilidades    gestoras. O que, para Scatena,<sup>5</sup> possibilitou aos Munic&iacute;pios,    ainda que com limita&ccedil;&otilde;es, a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos    de forma mais adequada &agrave;s suas realidades e necessidades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Foi tamb&eacute;m a partir da implanta&ccedil;&atilde;o    da NOB SUS 1993 que os Estados assumiram fun&ccedil;&otilde;es mais complexas    no gerenciamento dos sistemas de informa&ccedil;&otilde;es, entre eles o Sistema    de Informa&ccedil;&otilde;es Ambulatoriais (SIA-SUS) e o Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es    Hospitalares (SIH-SUS), na elabora&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sico-or&ccedil;ament&aacute;ria dos servi&ccedil;os ambulatoriais e    na consolida&ccedil;&atilde;o e cr&iacute;tica do faturamento ambulatorial e    hospitalar a ser apresentado ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de para pagamento.<sup>6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O SIA-SUS foi implantado, formalmente, em todo    o territ&oacute;rio nacional pela NOB SUS 1991, em substitui&ccedil;&atilde;o    ao sistema de pagamento de servi&ccedil;os ambulatoriais at&eacute; ent&atilde;o    vigente. Serviu-lhe de base o Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es e Controle    Ambulatorial da Previd&ecirc;ncia Social (Sicaps).<sup>7</sup> O processamento dos dados,    a princ&iacute;pio, era feito de forma descentralizada, nos Estados e Munic&iacute;pios.    A partir de 1994, frente &agrave; necessidade de gerar um banco de dados nacional,    o envio de dados ao n&iacute;vel federal passou a ser feito de forma mais uniformizada,    exclusivamente por meio magn&eacute;tico, conforme Portaria do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de e sua Secretaria de Assist&ecirc;ncia &agrave; Sa&uacute;de,    MS/SAS n<sup>o</sup> 228/94. Em 1995, o sistema passou a contar com as caracter&iacute;sticas    que mant&eacute;m atualmente, em que tanto os quantitativos dos procedimentos    quanto seus valores s&atilde;o aprovados e criticados previamente, pelos gestores    locais.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Carvalho<sup>7</sup> afirma que o SIA-SUS aporta    vantagens importantes como a rapidez e agilidade na disponibilidade de dados    para o &oacute;rg&atilde;o gestor e a possibilidade de analisar o perfil da    oferta de servi&ccedil;os ambulatoriais de um determinado grupamento populacional-geogr&aacute;fico,    mediante verifica&ccedil;&atilde;o de indicadores de cobertura e concentra&ccedil;&atilde;o    de atividades. O SIA-SUS propicia valiosas informa&ccedil;&otilde;es sobre o    desempenho dos gestores municipais e estaduais na sele&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o    de prioridades assistenciais. N&atilde;o consegue, apesar disso, qualificar    tais prioridades, via caracteriza&ccedil;&atilde;o de grupos populacionais ou    at&eacute; mesmo de agravos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Carvalho<sup>7</sup> aponta outros problemas,    como: a abrang&ecirc;ncia restrita aos usu&aacute;rios do Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de; a aus&ecirc;ncia de registro de procedimentos realizados, que    n&atilde;o s&atilde;o incorporados &agrave; base de dados por extrapolarem o    teto financeiro; e as distor&ccedil;&otilde;es decorrentes de altera&ccedil;&otilde;es    fraudulentas de c&oacute;digos, na busca daqueles que asseguram melhor remunera&ccedil;&atilde;o.    De acordo com a Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de do    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (SAS/MS), desde o segundo semestre de 1995,<sup>7</sup>    o SIA-SUS vem se tornando mais confi&aacute;vel, progressivamente. O objetivo    do presente trabalho foi analisar a pol&iacute;tica de sa&uacute;de bucal do    Munic&iacute;pio de Cuiab&aacute;, no contexto da descentraliza&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de implementada pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de, a partir    do banco de dados do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es Ambulatoriais do SUS.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foram realizadas a sele&ccedil;&atilde;o, o levantamento,    a organiza&ccedil;&atilde;o e a an&aacute;lise de dados secund&aacute;rios de    produ&ccedil;&atilde;o e os gastos dos atendimentos ambulatoriais de sa&uacute;de    bucal com base na fonte de dados do SIA-SUS. O levantamento cobriu a produ&ccedil;&atilde;o    da totalidade da rede ambulatorial existente e implantada no Munic&iacute;pio    durante o per&iacute;odo de 1995 a 2002. Em 1995, existiam 44 unidades de sa&uacute;de    a prestar assist&ecirc;ncia odontol&oacute;gica (40 centros ou postos de sa&uacute;de,    duas policl&iacute;nicas, um pronto-socorro e uma cl&iacute;nica odontol&oacute;gica;    esta, a &uacute;nica unidade, entre todas, contratada do setor privado). Em    2002, a rede odontol&oacute;gica estava conformada por 40 unidades, todas p&uacute;blicas:    29 centros ou postos de sa&uacute;de; quatro policl&iacute;nicas; um pronto-socorro;    e seis cl&iacute;nicas odontol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A popula&ccedil;&atilde;o residente no Munic&iacute;pio    nos anos de 1995 a 1999 foi re-estimada pelo M&eacute;todo da Progress&atilde;o    Geom&eacute;trica,<sup>8</sup> sobre os levantamentos censit&aacute;rios de    1991 e 2000, com o objetivo de suprimir vi&eacute;s metodol&oacute;gico observado    na estimativa oficial da Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Brasileiro de Geografia    e Estat&iacute;stica (IBGE), fundamentada nos recenseamentos de 1980 e 1991.    A re-estimativa evidenciou diferen&ccedil;as importantes na base populacional    daqueles anos (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n2/2a06t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os procedimentos selecionados para an&aacute;lise    consistem de todos os procedimentos odontol&oacute;gicos, inseridos na &#8220;Tabela    do SUS&#8221; e que j&aacute; foram informados pelo Munic&iacute;pio no SIA-SUS.    &Eacute; importante ressaltar que os procedimentos informados n&atilde;o permaneceram    inalterados durante todo o per&iacute;odo selecionado para estudo. Em outubro    de 1999, houve uma altera&ccedil;&atilde;o na nomenclatura com a inclus&atilde;o    de novos procedimentos, fato que n&atilde;o constitui grande problema metodol&oacute;gico,    pois a diferencia&ccedil;&atilde;o ocorreu apenas na defini&ccedil;&atilde;o    do procedimento (o procedimento, em si, permaneceu inalterado); ademais, existe    uma tabela de convers&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o antiga para a atual.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os procedimentos odontol&oacute;gicos foram agrupados    nas seguintes categorias: 1) Procedimentos coletivos; 2) Procedimentos individuais    preventivos; 3) Dent&iacute;stica b&aacute;sica; 4) Odontologia cir&uacute;rgica    b&aacute;sica; 5) Dent&iacute;stica especializada; 6) Periodontia; 7) Endodontia;    8) Odontologia cir&uacute;rgica especializada; e 9) Odontorradiologia. Dessas    categorias, as de 1 a 4 congregam os procedimentos b&aacute;sicos, entre os    quais se incluem os de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e de preven&ccedil;&atilde;o    prim&aacute;ria (1 e 2). As categorias de 5 a 9 agrupam os procedimentos especializados,    em ordem crescente de complexidade e incorpora&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao se organizar os procedimentos por n&iacute;vel    de aten&ccedil;&atilde;o (preventivo/curativo) e por complexidade (b&aacute;sico/especializado),    pretende-se, com a realiza&ccedil;&atilde;o desta an&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o    ambulatorial e dos gastos envolvidos no decorrer de uma s&eacute;rie hist&oacute;rica    de oito anos, caracterizar o modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de    bucal que vem a se conformar em Cuiab&aacute;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A produ&ccedil;&atilde;o ambulatorial de sa&uacute;de    bucal no Munic&iacute;pio de Cuiab&aacute;, segundo os dados do SIA-SUS agregados    por categoria de atendimento, revela uma grande varia&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo    de 1995 a 2002 (<a href="#tab2">Tabela 2</a>), evidenciando-se queda de 1995    a 1996, tend&ecirc;ncia de eleva&ccedil;&atilde;o at&eacute; 2000 &#8211; momento    de &aacute;pice da produ&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica estudada &#8211;    e, novamente, uma queda a partir da&iacute;, at&eacute; o ano de 2002.</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n2/2a06t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Excluindo-se o ano de 1995, sobre o qual pairam    d&uacute;vidas a respeito da qualidade dos dados registrados, observou-se que    essa tend&ecirc;ncia de eleva&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica    at&eacute; 2000 e posterior queda at&eacute; 2002 deu-se, tamb&eacute;m de forma    relativa (por 100 habitantes), para todos os conjuntos de procedimentos analisados    (<a href="#tab3">Tabela 3</a>). A eleva&ccedil;&atilde;o foi maior, contudo,    para os procedimentos mais especializados do que para os mais b&aacute;sicos;    ao mesmo tempo, inverteu-se a qualidade da queda em seu segundo per&iacute;odo,    neste mais acentuada para os procedimentos b&aacute;sicos que para os especializados.</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n2/2a06t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">At&eacute; 1998, os atendimentos b&aacute;sicos    respondem por 90,0-95,0% da produ&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica do Munic&iacute;pio;    por&eacute;m, esse percentual cai para 80,0-85,0% no per&iacute;odo 1999-2002,    em detrimento, principalmente, da implanta&ccedil;&atilde;o das seis cl&iacute;nicas    odontol&oacute;gicas. Os gastos efetuados com os procedimentos odontol&oacute;gicos    acompanham o comportamento do volume dessa produ&ccedil;&atilde;o (<a href="#tab4">Tabelas    4</a> e <a href="#tab5">5</a>). Observa-se uma eleva&ccedil;&atilde;o dos gastos,    absoluta e relativa, durante o per&iacute;odo 1996-2000, e uma queda dos valores    despendidos no per&iacute;odo 2001-2002. Embora isso ocorra para os nove conjuntos    de procedimentos tabulados, a eleva&ccedil;&atilde;o &eacute;, novamente, um    pouco mais acentuada para os atendimentos especializados; e a queda desses,    por sua vez, de menor magnitude que a observada nos atendimentos b&aacute;sicos.    Em termos proporcionais, 82,0-92,0% dos gastos at&eacute; 1998 eram efetuados    com os atendimentos b&aacute;sicos, percentual que cai para a faixa de 63,0-73,0%    a partir de 1999, chegando a 57,6% em 2001 e revelando a amplia&ccedil;&atilde;o    da oferta de servi&ccedil;os (e de disp&ecirc;ndios) com a aten&ccedil;&atilde;o    odontol&oacute;gica especializada.</font></p>     <p><a name="tab4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n2/2a06t4.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n2/2a06t5.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Acerca da produ&ccedil;&atilde;o ambulatorial    em sa&uacute;de em Cuiab&aacute; nos anos de 1995 a 2002, observa-se uma evolu&ccedil;&atilde;o    irregular da produ&ccedil;&atilde;o total (por 100 habitantes), com uma tend&ecirc;ncia    de eleva&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo 1996-2000 e queda nos dois anos    seguintes. A eleva&ccedil;&atilde;o inicial, n&atilde;o obstante, &eacute; mais    evidente para os procedimentos especializados (classificados de 5 a 9), principalmente    ap&oacute;s 1998, enquanto o decr&eacute;scimo ap&oacute;s 2000 &eacute; mais    suave para esses procedimentos. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos procedimentos    mais b&aacute;sicos (classificados de 1 a 4), al&eacute;m de sua eleva&ccedil;&atilde;o    no per&iacute;odo ser mais discreta, sua queda posterior a 2000 &eacute; mais    acentuada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Comportamento semelhante &eacute; observado em    rela&ccedil;&atilde;o aos gastos efetuados com tais procedimentos, de mudan&ccedil;a    na utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos. No per&iacute;odo estudado, empregava-se    93,7% dos valores em procedimentos b&aacute;sicos; em 2000 e 2002, tais procedimentos    comprometiam uma propor&ccedil;&atilde;o menor, de 73,9% e 63,0% dos recursos    aplicados em cada ano, respectivamente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ressalte-se que, durante os oito anos analisados,    ocorreram importantes mudan&ccedil;as, que propiciaram aumento das transfer&ecirc;ncias    federais e maior autonomia municipal na sua utiliza&ccedil;&atilde;o: eleva&ccedil;&atilde;o    gradativa do teto financeiro do Munic&iacute;pio; e implanta&ccedil;&atilde;o    do Piso da Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (PIB) e habilita&ccedil;&atilde;o    de Cuiab&aacute; &agrave; gest&atilde;o plena do sistema municipal de sa&uacute;de,    ambas em 1998.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dados do SIA-SUS, cotejados n&atilde;o s&oacute;    &agrave; luz de suas conhecidas e referidas limita&ccedil;&otilde;es como, especialmente,    em fun&ccedil;&atilde;o de seu potencial e do aprimoramento de sua qualidade,    permitem supor que:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">1) Embora haja uma diferen&ccedil;a na evolu&ccedil;&atilde;o    dos componentes b&aacute;sico e especializado da produ&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica,    faltam evid&ecirc;ncias de que a eleva&ccedil;&atilde;o do setor especializado    tenha se dado &agrave;s custas da redu&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o    odontol&oacute;gica b&aacute;sica. A eleva&ccedil;&atilde;o mais acentuada da    aten&ccedil;&atilde;o especializada, ocorrida no per&iacute;odo 1996-2000, tem    dois determinantes: a) o volume incipiente de atendimentos especializados, antes    de 1998; e b) a implanta&ccedil;&atilde;o de cl&iacute;nicas odontol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">2) A redu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    e dos gastos ambulatoriais odontol&oacute;gicos no per&iacute;odo 2001-2002    penalizou mais a aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica do que a especializada,    embora ambas tenham sido muito comprometidas nesse bi&ecirc;nio. Isso faz supor    que houve mudan&ccedil;as, por parte da SMS, na condu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica    de sa&uacute;de, como a prioriza&ccedil;&atilde;o de outros setores da aten&ccedil;&atilde;o    em detrimento da sa&uacute;de bucal. A an&aacute;lise dos dados do SIA-SUS referentes    aos gastos odontol&oacute;gicos, em rela&ccedil;&atilde;o aos gastos ambulatoriais    totais, comprova essa suposi&ccedil;&atilde;o. H&aacute; que se ressaltar que    a odontologia nunca representou parcela significativa dos gastos com sa&uacute;de    no Munic&iacute;pio, comprometendo entre 1,2% a 1,8% desses gastos no per&iacute;odo    de 1996 a 2000; no &uacute;ltimo bi&ecirc;nio, por&eacute;m, esse percentual    decresce ainda mais, representando apenas 0,55% em 2002 (1,23% em 1996, 1,77%    em 1997, 1,17% em 1998, 1,13% em 1999, 1,81% em 2000, 0,82% em 2001 e 0,55%    em 2002). O volume de atendimentos ambulatoriais acompanha a mesma tend&ecirc;ncia    de queda. O modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de que se implementa    em Cuiab&aacute;, al&eacute;m de n&atilde;o valorizar a sa&uacute;de bucal,    prioriza, cada vez mais, a aten&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dia e alta complexidade.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">3) Por outro lado, n&atilde;o se pode descartar    que a pr&oacute;pria Coordenadoria de Sa&uacute;de Bucal (CSB), em uma eventual    situa&ccedil;&atilde;o de contingenciamento de recursos, com perda de espa&ccedil;o    pol&iacute;tico de negocia&ccedil;&atilde;o ou mesmo sob press&atilde;o dos    demais setores (e atores) da &aacute;rea da Sa&uacute;de, tenha sido for&ccedil;ada    a redimensionar seu projeto de Modelo de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de    Bucal. Se isso aconteceu, a estrat&eacute;gia adotada pela CSB pode ter sido    a prioriza&ccedil;&atilde;o dada &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o    dos atendimentos das cl&iacute;nicas odontol&oacute;gicas, aparentemente elevadas    &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de &#8220;carro-chefe&#8221; desse movimento    reformador do modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de bucal. Se,    por um lado, as cl&iacute;nicas melhoram a qualidade da aten&ccedil;&atilde;o    e permitem viabilizar o princ&iacute;pio da integralidade, por outro lado, ao    se restringirem a apenas seis unidades em bairros (e regionais) espec&iacute;ficos,    limitam a universalidade do acesso, principalmente para os procedimentos de    baixa complexidade. Isso explicaria a maior redu&ccedil;&atilde;o do volume    (e gastos) da aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    aten&ccedil;&atilde;o especializada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tais suposi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o corroboradas    pelos relat&oacute;rios de gest&atilde;o<sup>12-17</sup> da Coordenadoria de    Odontologia do Munic&iacute;pio que relacionam a implanta&ccedil;&atilde;o de    quatro cl&iacute;nicas odontol&oacute;gicas no per&iacute;odo de 1996-2000,    &eacute;poca de aumento de produ&ccedil;&atilde;o odontol&oacute;gica. O pico    de produ&ccedil;&atilde;o em 2000 &eacute; apresentado nos relat&oacute;rios    de gest&atilde;o de 2001 e 2002, com a informa&ccedil;&atilde;o de que as cl&iacute;nicas    odontol&oacute;gicas funcionaram, naquele ano, em regime de 12 horas seguidas,    organizado em tr&ecirc;s turnos de quatro horas para o odont&oacute;logo e dois    turnos de seis horas para os t&eacute;cnicos em higiene dental (THD), auxiliares    de consult&oacute;rio dent&aacute;rio (ACD) e demais servidores. Essa nova formata&ccedil;&atilde;o    do atendimento em cl&iacute;nicas odontol&oacute;gicas, de tr&ecirc;s turnos    ininterruptos, foi implantada gradualmente: em agosto de 1999, na primeira cl&iacute;nica;    em dezembro do mesmo ano, na segunda; em mar&ccedil;o de 2000, na terceira;    e em maio desse mesmo ano, na quarta cl&iacute;nica odontol&oacute;gica.<sup>15</sup>    O terceiro turno de atendimento deixou de existir em agosto de 2001, quando    as cl&iacute;nicas passaram a funcionar em regime de oito horas di&aacute;rias,    organizado da seguinte forma: dois turnos de quatro horas para o odont&oacute;logo;    e dois turnos de seis horas para THD, ACD e demais servidores.<sup>16</sup>    Outro fator que p&ocirc;de ter colaborado para o aumento na produ&ccedil;&atilde;o    dos anos de 1999 e 2000 foi que, nesses anos, duas cl&iacute;nicas odontol&oacute;gicas    ofereceram atendimento aos s&aacute;bados, pela manh&atilde; e pela tarde, para    crian&ccedil;as da zona rural. O atendimento aos s&aacute;bados funcionou de    mar&ccedil;o a dezembro de 1999 e de mar&ccedil;o a julho de 2000.<sup>15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A queda na produ&ccedil;&atilde;o nos anos de    2001 e 2002 tamb&eacute;m encontra justificativa nos relat&oacute;rios. O Relat&oacute;rio    de Gest&atilde;o 2002<sup>17</sup> destaca, como entraves que repercutiram na    queda da produ&ccedil;&atilde;o, o t&eacute;rmino do servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia    24 horas &#8211; funcionava em uma das cl&iacute;nicas &#8211; e a greve dos    servidores municipais. Em fun&ccedil;&atilde;o dessa greve, algumas cl&iacute;nicas,    praticamente, paralisaram seus servi&ccedil;os odontol&oacute;gicos para atender    somente os casos de urg&ecirc;ncia. A Coordenadoria tamb&eacute;m inclui, como    causas de decl&iacute;nio da produ&ccedil;&atilde;o, dois fatos: das seis cl&iacute;nicas    odontol&oacute;gicas, apenas uma contar com o quadro de odont&oacute;logos completo;    e a falta de material de consumo e equipamentos no segundo semestre de 2002.<sup>17</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Especialmente duas categorias de procedimentos    devem ser analisadas, individualmente: os procedimentos coletivos; e a odontorradiologia.    Os procedimentos odontol&oacute;gicos coletivos, de acordo com a coordenadoria    de odontologia,<sup>16</sup> tiveram sua queda associada &agrave; falta de insumos    (escovas e cremes dentais). Em 2001, foi realizada uma atividade trimestral    (procedimento coletivo), t&atilde;o-somente, e ainda de forma incompleta.<sup>17</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">J&aacute; a queda da produ&ccedil;&atilde;o de    odontorradiologia pode estar relacionada ao descredenciamento, em 2001, de um    importante prestador privado e respons&aacute;vel, segundo o SIA-SUS, por 100%    dos procedimentos dessa categoria nos anos de 1995, 1996 e 1997, 91% e 94% em    1998 e 1999, respectivamente, e 78% em 2000.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; imprescind&iacute;vel salientar que,    para melhorar o n&iacute;vel de sa&uacute;de bucal da popula&ccedil;&atilde;o    de Cuiab&aacute; &#8211; e tamb&eacute;m de Mato Grosso e do Brasil &#8211;,    h&aacute; que se ampliar o investimento de recursos na promo&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de e na preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. As a&ccedil;&otilde;es    educativas de higiene oral e nutri&ccedil;&atilde;o, fluoreta&ccedil;&atilde;o    da &aacute;gua, amplia&ccedil;&atilde;o da qualidade da cobertura do PSF com    incorpora&ccedil;&atilde;o de odont&oacute;logos e consecu&ccedil;&atilde;o    de parcerias dentro e fora do setor Sa&uacute;de sobressaem-se como algumas    das estrat&eacute;gias com capacidade de reduzir os tratamentos odontol&oacute;gicos    mutiladores e, conseq&uuml;entemente, os problemas sociais, econ&ocirc;micos    e psicol&oacute;gicos deles advindos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es Ambulatoriais    constitui uma importante ferramenta na avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas    de sa&uacute;de bucal nos n&iacute;veis municipal, estadual e nacional, sobretudo    se associado a outras fontes documentais. Ao informar quantidades, tipo de procedimentos    e gastos efetuados, assim como as unidades e servi&ccedil;os respons&aacute;veis,    o SIA-SUS tamb&eacute;m fornece aos gestores um material imprescind&iacute;vel,    todavia pouco utilizado, para a tomada de decis&atilde;o, finalidade de qualquer    sistema de informa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O SIA-SUS, que integra o conjunto de grandes    bancos nacionais de informa&ccedil;&otilde;es,<sup>17</sup> apresenta limita&ccedil;&otilde;es,    que j&aacute; foram maiores no passado. N&atilde;o se pode, com base nessas    limita&ccedil;&otilde;es, unicamente, deixar de utilizar essa importante fonte    de dados, que apresenta duas grandes vantagens: (I) rapidez e agilidade na disponibilidade    de informa&ccedil;&otilde;es para o &oacute;rg&atilde;o gestor &#91;at&eacute;    um m&ecirc;s de prazo, para o n&iacute;vel local; e m&aacute;ximo de dois meses    para que o consolidado nacional esteja dispon&iacute;vel na p&aacute;gina do    Departamento de Inform&aacute;tica do SUS (Datasus) na Internet&#93;; e (II)    a possibilidade de analisar o perfil da oferta de servi&ccedil;os ambulatoriais    (no que se refere aos tipos de unidades e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o) de    um determinado grupamento populacional-geogr&aacute;fico, mediante a observ&acirc;ncia    de indicadores de cobertura e concentra&ccedil;&atilde;o de atividades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Pinto VG. Sa&uacute;de bucal coletiva. 4<sup>a</sup>    ed. S&atilde;o Paulo: Ed. Santos; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. II Confer&ecirc;ncia    Nacional de Sa&uacute;de Bucal: relat&oacute;rio final. Rio de Janeiro: MS;    1993.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de    Cuiab&aacute;. Relat&oacute;rio final da 1<sup>a</sup> Confer&ecirc;ncia Municipal de Sa&uacute;de    Bucal de Cuiab&aacute;-MT. Cuiab&aacute;: Fusc; 1993.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de    Cuiab&aacute;. Desafio: &oacute;rg&atilde;o informativo da Funda&ccedil;&atilde;o    de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute; &#8211; n<sup>o</sup> 01. Cuiab&aacute;: Fusc; 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Scatena JHG. Avalia&ccedil;&atilde;o da descentraliza&ccedil;&atilde;o    da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de no Estado de Mato Grosso &#91;tese de    Doutorado&#93;. S&atilde;o Paulo (SP): Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica,    Universidade de S&atilde;o Paulo; 2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Levcovittz E, Lima LD, Machado CV. Pol&iacute;tica    de sa&uacute;de nos anos 90: rela&ccedil;&otilde;es intergovernamentais e o    papel das Normas Operacionais B&aacute;sicas. Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de    Coletiva 2001;6(2):269-291.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">7. Carvalho DM. Grandes sistemas de informa&ccedil;&atilde;o    em sa&uacute;de: revis&atilde;o e discuss&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o    atual. Informe Epidemiol&oacute;gico do SUS 1997;5(4):7-46.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">8. Laurenti R, Lebr&atilde;o ML, Mello Jorge    MH, Gotlieb SL. Estat&iacute;sticas de sa&uacute;de. S&atilde;o Paulo: EPU;    1987.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 9. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Informa&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de &#91;acessado durante o ano de 2003 para informa&ccedil;&otilde;es    de 1991 a 2002&#93; Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.datasus.gov.br" target="_blank">http://www.datasus.gov.br</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">10. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Portaria n<sup>o</sup> 1.230, de 14 de outubro de 1999. Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o    no 199-E, Bras&iacute;lia, p. 12-158, 18 out 1999. Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">11. Scatena JHG, Miranda AJ. O Sistema municipal    de sa&uacute;de de Cuiab&aacute;: que mudan&ccedil;as a descentraliza&ccedil;&atilde;o    tem produzido? Revista Sa&uacute;de e Ambiente 2003;6 (1/2):35-45.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">12. Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de    Cuiab&aacute;. Relat&oacute;rio das Atividades de 1997 da Coordenadoria de Odontologia    da Fusc. Cuiab&aacute;: Fusc; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">13. Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de    Cuiab&aacute;. Relat&oacute;rio das Atividades de 1998 da Coordenadoria de Odontologia    da Fusc. Cuiab&aacute;: Fusc; 1999</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">14. Prefeitura Municipal de Cuiab&aacute;. Funda&ccedil;&atilde;o    de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute;. Coordenadoria de Odontologia. Relat&oacute;rio    de Gest&atilde;o. Relat&oacute;rio das Atividades da Coordenadoria de Odontologia    &#8211; 1999. Cuiab&aacute;: Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute;;    2000.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">15. Prefeitura Municipal de Cuiab&aacute;. Funda&ccedil;&atilde;o    de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute;. Coordenadoria de Odontologia. Relat&oacute;rio    de Gest&atilde;o. Relat&oacute;rio das Atividades da Coordenadoria de Odontologia    &#8211; 2000. Cuiab&aacute;: Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute;;    2001.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">16. Prefeitura Municipal de Cuiab&aacute;. Funda&ccedil;&atilde;o    de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute;. Coordenadoria de Odontologia. Relat&oacute;rio    de Gest&atilde;o. Relat&oacute;rio das Atividades da Coordenadoria de Odontologia    &#8211; 2001. Cuiab&aacute;: Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute;,    2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">17. Prefeitura Municipal de Cuiab&aacute;. Secretaria    de Sa&uacute;de. Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute;. Coordenadoria    de Sa&uacute;de Bucal. Relat&oacute;rio de Gest&atilde;o 2002. Cuiab&aacute;:    Funda&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de de Cuiab&aacute;; 2003.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v15n2/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:    <br>   </b>Universidade de Cuiab&aacute;,    <br>   Faculdade de Odontologia,    <br>   Avenida Beira Rio, 3100,    <br>   Jardim Europa, Cuiab&aacute;-MT.    <br>   CEP: 78060-900    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:facodontologia@unic.br">facodontologia@unic.br</a>;    <a href="mailto:lemcvolpato@uol.com.br">lemcvolpato@uol.com.br</a></font></p>     ]]></body>
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