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<article-id pub-id-type="doi">10.5123/S1679-49742006000300003</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prevalência de diarréia na população do Distrito Docente-Assistencial do Tucumã, Rio Branco, Estado do Acre, Brasil, em 2003]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prevalence of diarrhoea in the population of the Medical Care and Training District of Tucumã, Rio Branco, Acre State, Brazil, in 2003]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this cross-sectional study was to determine the prevalence of diarrhea in a sample of the urban population of the Municipality of Rio Branco, Acre State, Brazil, including strata of all ages. After questionnaire vali-dation by the pilot-study, a random sample of 159 people of 0-77 years of age was selected. The general prevalence of diarrhea on the day of the interview was 5.9%. In the last 15 days before the interview, the prevalence was 14.1%, of which 33.3% were cases occurred in subjects less that five years of age, and 10.5% of which occurred in subjects over four years of age (p<0.05). Gender, socioeconomic level, and household coverage by the Family Health Program were similar among the groups with and without diarrhea. In the group with diarrhea, the following characteristics were prevalent: household with large number of residents, residence made of wood, residence lack of piped water, and toilet outside the house or non-flushing toilet. The general prevalence found was high: in those under 5 years of age it was about three times the one described in the literature, and the prevalence found in adolescents and adults contributed to minimize the need for information in these age groups. The results of this work reinforce the necessity of deeper studies on this subject, specially associated with socio-economic and environmental precarious conditions, as well as public policies towards the prevention of health hazards.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Preval&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia na popula&ccedil;&atilde;o    do Distrito Docente-Assistencial do Tucum&atilde;, Rio Branco, Estado do Acre,    Brasil, em 2003</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Prevalence of diarrhoea in the population    of the Medical Care and Training District of Tucum&atilde;, Rio Branco, Acre    State, Brazil, in 2003</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Raquel Rangel Cesario<sup>I</sup>; Jos&eacute; Tavares-Neto<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Curso de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em Medicina e Sa&uacute;de da Faculdade de Medicina da Bahia, Universidade Federal    da Bahia, Salvador-BA, mediante conv&ecirc;nio com o Governo do Estado do Acre    <br>   <sup>II</sup>Faculdade de Medicina da Bahia, Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#endereco"><font size="2" face="verdana">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O objetivo deste estudo transversal foi determinar    a preval&ecirc;ncia da diarr&eacute;ia em amostra da popula&ccedil;&atilde;o    urbana da cidade de Rio Branco, Estado do Acre, Brasil, abrangendo pessoas de    todas as faixas et&aacute;rias. Ap&oacute;s valida&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio-padr&atilde;o    pelo estudo-piloto, foi selecionada amostra aleat&oacute;ria de 159 pessoas    de 0 a 77 anos de idade. A preval&ecirc;ncia geral da diarr&eacute;ia no dia    da entrevista foi de 5,7%; e nos &uacute;ltimos 15 dias, de 14,1%, dos quais    33,3% em menores de 5 anos e 10,5% em maiores de 4 anos (p&lt;0,05). As vari&aacute;veis    &#8211; sexo; presen&ccedil;a ou n&atilde;o do Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia    adstrito ao domic&iacute;lio; e n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico &#8211; foram    semelhantes entre os grupos com ou sem diarr&eacute;ia. No grupo com diarr&eacute;ia,    predominaram, significativamente, as seguintes caracter&iacute;sticas: maior    n&uacute;mero de residentes por domic&iacute;lio; casa de madeira; resid&ecirc;ncia    sem &aacute;gua encanada; resid&ecirc;ncia com vaso sanit&aacute;rio fora da    casa ou sem descarga. A preval&ecirc;ncia geral de diarr&eacute;ia encontrada    foi alta: nos menores de 5 anos, representou cerca de tr&ecirc;s vezes aquela    encontrada na literatura; e nos adolescentes e adultos, contribuiu para minimizar    a car&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es sobre essas faixas et&aacute;rias.    Os resultados deste trabalho refor&ccedil;am a necessidade de estudos mais aprofundados    sobre o tema, especialmente associados &agrave;s prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es    socioecon&ocirc;micas e ambientais, bem como de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    voltadas &agrave; preven&ccedil;&atilde;o dos agravos &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> diarr&eacute;ia; preval&ecirc;ncia;    sa&uacute;de da fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"></font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The objective of this cross-sectional study was    to determine the prevalence of diarrhea in a sample of the urban population    of the Municipality of Rio Branco, Acre State, Brazil, including strata of all    ages. After questionnaire vali-dation by the pilot-study, a random sample of    159 people of 0-77 years of age was selected. The general prevalence of diarrhea    on the day of the interview was 5.9%. In the last 15 days before the interview,    the prevalence was 14.1%, of which 33.3% were cases occurred in subjects less    that five years of age, and 10.5% of which occurred in subjects over four years    of age (p&lt;0.05). Gender, socioeconomic level, and household coverage by the    Family Health Program were similar among the groups with and without diarrhea.    In the group with diarrhea, the following characteristics were prevalent: household    with large number of residents, residence made of wood, residence lack of piped    water, and toilet outside the house or non-flushing toilet. The general prevalence    found was high: in those under 5 years of age it was about three times the one    described in the literature, and the prevalence found in adolescents and adults    contributed to minimize the need for information in these age groups. The results    of this work reinforce the necessity of deeper studies on this subject, specially    associated with socio-economic and environmental precarious conditions, as well    as public policies towards the prevention of health hazards.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Key-words:</b> diarrhea; prevalence; family    health.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A doen&ccedil;a diarr&eacute;ica &eacute;, em    geral, autolimitada.<sup>1,2</sup> Ocorre, predominantemente, nas popula&ccedil;&otilde;es    de &aacute;reas com prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento    humano.<sup>3-5</sup> Com base em dados dos &uacute;ltimos 30 anos, Parashar    e colaboradores <sup>6</sup> verificaram, em popula&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses    em desenvolvimento, que, entre menores de 5 anos de idade, houve redu&ccedil;&atilde;o    da mortalidade associada &agrave; s&iacute;ndrome diarr&eacute;ica da ordem    de 4,6 para 1,4 milh&otilde;es de &oacute;bitos anuais. Eles atribu&iacute;ram    esse resultado ao crescente uso e divulga&ccedil;&atilde;o da terapia de reidrata&ccedil;&atilde;o    oral (TRO), aumento na pr&aacute;tica de aleitamento materno, melhor suplementa&ccedil;&atilde;o    dos alimentos, educa&ccedil;&atilde;o da mulher, intensifica&ccedil;&atilde;o    de programas de imuniza&ccedil;&atilde;o contra sarampo e melhorias no saneamento.    N&atilde;o obstante, esses mesmos fatores n&atilde;o t&ecirc;m contribu&iacute;do    para o decl&iacute;nio, na mesma propor&ccedil;&atilde;o, da morbidade por diarr&eacute;ia.<sup>6,7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No mundo, v&aacute;rios estudos v&ecirc;m demonstrando    pequena altera&ccedil;&atilde;o nas taxas de incid&ecirc;ncia da s&iacute;ndrome    diarr&eacute;ica entre menores de 5 anos de idade.<sup>6,8</sup> No Brasil,    estudo realizado em Salvador, Estado da Bahia, observou a redu&ccedil;&atilde;o    do coeficiente de mortalidade infantil por doen&ccedil;as intestinais de origem    infecciosa de 25,9 por 1.000 menores de 1 ano em 1977 para 2,1/1.000 menores    de 1 ano em 1998, ou decl&iacute;nio de 98,9%; no mesmo per&iacute;odo, a mortalidade    infantil caiu 78,8%.<sup>9</sup> Em S&atilde;o Paulo, Ben&iacute;cio e Monteiro,<sup>10</sup>    ao estudar a tend&ecirc;ncia secular dos casos de diarr&eacute;ia na capital    paulista, verificaram redu&ccedil;&atilde;o expressiva na preval&ecirc;ncia    no dia da entrevista, de 1,7% em 1984-1985 para 0,9% em 1995-1996.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Pesquisa Nacional de Sa&uacute;de e Nutri&ccedil;&atilde;o    (PNSN) apontou a freq&uuml;&ecirc;ncia global de diarr&eacute;ia nas crian&ccedil;as    brasileiras menores de 5 anos de idade, no per&iacute;odo de 15 dias anteriores    &agrave; entrevista, de 10,5%, variando de 10% no meio urbano a 11,6% no meio    rural.<sup>11</sup> Entre as macrorregi&otilde;es do Pa&iacute;s, aquela preval&ecirc;ncia    foi de 5,9% na Regi&atilde;o Sul, 15,4% na Regi&atilde;o Nordeste e 12,4% na    Regi&atilde;o Norte, onde n&atilde;o foram levantados os dados das &aacute;reas    rurais.<sup>11</sup> Linhares e colaboradores <sup>12</sup> observaram m&eacute;dia de 2,5 epis&oacute;dios    diarr&eacute;icos agudos por crian&ccedil;a/ano, ap&oacute;s acompanharem 80    crian&ccedil;as na cidade de Bel&eacute;m, Estado do Par&aacute;, desde o nascimento    at&eacute; os 3 anos de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na popula&ccedil;&atilde;o adulta (&gt;18 anos),    s&atilde;o escassos os estudos de preval&ecirc;ncia, tanto no Brasil como no    mundo.<sup>13</sup> No Estado do Acre, esses estudos s&atilde;o ainda mais escassos    e nenhum teve como popula&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia pessoas na idade    adulta. A constata&ccedil;&atilde;o motivou o presente estudo, cujo objetivo    &eacute; determinar a preval&ecirc;ncia da diarr&eacute;ia em popula&ccedil;&atilde;o    urbana constitu&iacute;da de diferentes classes socioecon&ocirc;micas, em todas    as faixas et&aacute;rias, bem como identificar fatores sociais e ambientais    associados &agrave; diarr&eacute;ia em &aacute;reas do Distrito Docente-Assistencial    do Tucum&atilde;, na cidade de Rio Branco, capital do Estado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A popula&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia    do estudo (n=11.000) foi composta pelos residentes em cinco bairros do Distrito    Docente-Assistencial do Tucum&atilde;, na cidade de Rio Branco-AC: Tucum&atilde;    I, Tucum&atilde; II, Rui Lino, Jardim Primavera e Mocinha Magalh&atilde;es &#8211;    os tr&ecirc;s &uacute;ltimos, cobertos pelo Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia    (PSF), cada um deles dispondo de uma unidade (ou m&oacute;dulo) de sa&uacute;de    do PSF com a equipe completa.<sup>14</sup> Os cinco bairros t&ecirc;m como unidade    de refer&ecirc;ncia (policl&iacute;nica) o Centro Estadual de Forma&ccedil;&atilde;o    de Pessoal em Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia do Tucum&atilde; (CEFPSF-Tucum&atilde;),    localizado no bairro Tucum&atilde; I, o qual, por sua vez, tem por refer&ecirc;ncia    o hospital da Funda&ccedil;&atilde;o Hospital Estadual do Acre (Fundhacre).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O Distrito Docente-Assistencial do Tucum&atilde;    foi criado em julho de 2000. &Eacute; o campo de pr&aacute;tica dos cursos de    gradua&ccedil;&atilde;o em medicina e enfermagem da Universidade Federal do    Acre; tamb&eacute;m situa os programas de resid&ecirc;ncia m&eacute;dica, especialmente    de Medicina de Fam&iacute;lia e Comunidade, da Fundhacre, al&eacute;m de constituir    &aacute;rea de estudo de linha de pesquisa desenvolvida pela extens&atilde;o    do Curso de Mestrado da Faculdade de Medicina da Bahia, da Universidade Federal    da Bahia, em conv&ecirc;nio com o Governo do Estado do Acre. Esse Distrito foi    selecionado porque representa, de forma razo&aacute;vel e satisfat&oacute;ria,    nos cinco bairros que o comp&otilde;em, a popula&ccedil;&atilde;o da cidade    de Rio Branco em sua atual diversidade de estratos socioecon&ocirc;micos, condi&ccedil;&otilde;es    ambientais e saneamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O tamanho amostral m&iacute;nimo de 137 pessoas    considerou o intervalo de confian&ccedil;a de 95%, a preval&ecirc;ncia estimada    de 10% e o erro toler&aacute;vel de amostragem de &plusmn;5%, mais poss&iacute;veis    perdas (15%). A estimativa da preval&ecirc;ncia (10%) teve por base os valores    descritos em recentes publica&ccedil;&otilde;es,<sup>5,8,10,13,15</sup> apesar de apenas    Herikstad e colaboradores<sup>13</sup> haverem inclu&iacute;do pessoas adultas (&gt;18    anos) em seu estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na &aacute;rea do Distrito Docente-Assistencial,    todas as fam&iacute;lias encontram-se cadastradas, inclusive aquelas residentes    nos bairros n&atilde;o adstritos ao PSF (Tucum&atilde; I e II), distribu&iacute;das    em 2.829 domic&iacute;lios numerados seq&uuml;encialmente (CEFPSF-Tucum&atilde;,    dados n&atilde;o publicados). De cada 19 domic&iacute;lios, um foi sorteado    para participar da pesquisa. Posteriormente, ap&oacute;s o consentimento do    (a) chefe da fam&iacute;lia, sorteou-se um dos moradores para ser o sujeito    da pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ap&oacute;s o sorteio, apresentou-se a essa    pessoa (ou respons&aacute;vel legal) o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido;    mediante sua concord&acirc;ncia, levantaram-se os dados de preenchimento do    question&aacute;rio-padr&atilde;o.<sup>16</sup> Quando a pessoa sorteada n&atilde;o se    encontrava em casa, entrevistava-se o morador presente com data de nascimento    mais pr&oacute;xima. Finalmente, se a pessoa sorteada ou o (a) chefe da fam&iacute;lia    n&atilde;o concordasse em participar do estudo ou, ainda, se n&atilde;o houvesse    morador na casa, passava-se &agrave; casa imediatamente seguinte, de acordo    com a ordem de numera&ccedil;&atilde;o crescente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O crit&eacute;rio de exclus&atilde;o de pessoa    para entrevista, definido antes do levantamento dos dados, foi o de &quot;ter    viajado ou participado de festas comunit&aacute;rias/populares nos 20 dias anteriores    ao dia da pesquisa&quot;. Esse crit&eacute;rio justifica-se porque tanto as    viagens quanto as festas comunit&aacute;rias costumam apresentar associa&ccedil;&atilde;o    com infec&ccedil;&otilde;es veiculadas por alimentos, o que altera a curva end&ecirc;mica    de adoecimento na regi&atilde;o estudada e pode ser um fator de confundimento    na estimativa de preval&ecirc;ncia.<sup>17</sup> Em caso de exclus&atilde;o da primeira    pessoa a ser entrevistada, a reposi&ccedil;&atilde;o da pessoa exclu&iacute;da    observou procedimento id&ecirc;ntico ao descrito anteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No question&aacute;rio-padr&atilde;o adotado,    que considerou o per&iacute;odo dos &uacute;ltimos 15 dias, definiu-se caso    de diarr&eacute;ia em pessoas a partir dos seis meses de idade como &quot;pelo    menos tr&ecirc;s evacua&ccedil;&otilde;es, de consist&ecirc;ncia l&iacute;quida    ou semil&iacute;quida, durante um per&iacute;odo de 24 horas&quot;.<sup>18</sup>    Para as crian&ccedil;as menores de seis meses de idade, aceitou-se a defini&ccedil;&atilde;o    da m&atilde;e sobre diarr&eacute;ia, qual seja, &quot;n&uacute;mero aumentado    de deje&ccedil;&otilde;es, com consist&ecirc;ncia reduzida, que deixasse a m&atilde;e    preocupada&quot;.<sup>10,19</sup> Tamb&eacute;m perguntou-se aos entrevistados    (ou respons&aacute;veis legais) se estavam com diarr&eacute;ia no dia da entrevista.    Nos casos com hist&oacute;ria positiva de diarr&eacute;ia (presente ou recente),    perguntava-se sobre suas caracter&iacute;sticas: freq&uuml;&ecirc;ncia &#8211;    n&uacute;mero m&eacute;dio de deje&ccedil;&otilde;es por dia &#8211;; cor; odor;    e comemorativos cl&iacute;nicos associados (por exemplo: sangue e/ou muco nas    fezes, v&ocirc;mitos, dores abdominais, s&iacute;ndrome febril, etc.).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m dos dados demogr&aacute;ficos de    cada pessoa entrevistada (sexo, idade extra&iacute;da de documento de identidade,    grupo racial e local de resid&ecirc;ncia), levantaram-se as caracter&iacute;sticas    da fam&iacute;lia ou do domic&iacute;lio, em que 17 tiveram seus escores somados    para efeito de c&aacute;lculo de estrato socioecon&ocirc;mico, em ordem crescente,    do pior (escore zero) ao melhor qualificado (escore 1, 2 ou 3, conforme a vari&aacute;vel).    A vari&aacute;vel &quot;destino das fezes na resid&ecirc;ncia&quot;, por exemplo,    teve os seguintes escores: 0, se a c&eacute;u aberto; 1, se em buraco no terreno    da resid&ecirc;ncia ou em local pr&oacute;ximo; 2, se para fossa s&eacute;ptica;    e 3, no caso de domic&iacute;lio servido pela rede p&uacute;blica de esgoto.<sup>15</sup>    Dessa forma, ao utilizar as 17 caracter&iacute;sticas (rela&ccedil;&atilde;o    pessoas/c&ocirc;modo, tipo de moradia, vaso sanit&aacute;rio dentro ou fora    de casa, vaso sanit&aacute;rio com descarga, destino das fezes, tipo e freq&uuml;&ecirc;ncia    de coleta de lixo, disponibilidade da &aacute;gua usada em casa, origem da &aacute;gua,    escolaridade do sujeito da pesquisa ou da m&atilde;e ou respons&aacute;vel e    presen&ccedil;a, no domic&iacute;lio, de geladeira, freezer, fog&atilde;o, televis&atilde;o,    CD-player, telefone e carro ou moto), a pessoa seria avaliada, segundo a vari&aacute;vel    estrato socioecon&ocirc;mico, em at&eacute; 54 pontos.<sup>16</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dados foram analisados aplicando-se o <i>software</i>    SPSS (vers&atilde;o 9.0),<sup>20</sup> conforme o tipo ou a distribui&ccedil;&atilde;o    da vari&aacute;vel, mediante o teste qui-quadrado (com ou sem corre&ccedil;&atilde;o    de Yates), o teste exato de Fisher e/ou o teste de Mann-Whitney. Para a an&aacute;lise    das vari&aacute;veis quantitativas com distribui&ccedil;&atilde;o normal, utilizou-se    o teste t de Student. Nesses testes, o resultado foi considerado de signific&acirc;ncia    estat&iacute;stica quando a probabilidade (p) do erro tipo I foi igual ou inferior    a 5% (p=0,05).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este estudo transversal ou de preval&ecirc;ncia,    de base populacional, realizou-se no per&iacute;odo de 1<sup>o</sup> de setembro    a 30 de outubro de 2003, ap&oacute;s a consecu&ccedil;&atilde;o de projeto-piloto    e parecer favor&aacute;vel concedido pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa    da Funda&ccedil;&atilde;o Hospital Estadual do Acre.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram sorteados 164 domic&iacute;lios e entrevistadas    164 pessoas, das quais cinco foram exclu&iacute;das por n&atilde;o responderem    a todas as perguntas; das 159 pessoas inclu&iacute;das no estudo, a preval&ecirc;ncia    de diarr&eacute;ia no dia da entrevista foi de 5,7% (9/159). Posteriormente,    outras tr&ecirc;s pessoas foram exclu&iacute;das das an&aacute;lises subseq&uuml;entes,    por n&atilde;o se lembrarem de haver &#8211; ou n&atilde;o &#8211; tido diarr&eacute;ia    nos &uacute;ltimos 15 dias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Observou-se uma preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a    da ordem de 14,1% (22/156). Das 22 pessoas com diarr&eacute;ia nos &uacute;ltimos    15 dias, apenas uma descreveu dois epis&oacute;dios diarr&eacute;icos distintos,    enquanto quatro moradores referiram at&eacute; tr&ecirc;s epis&oacute;dios no    per&iacute;odo. Desses quatro moradores, em um, a diarr&eacute;ia teve dura&ccedil;&atilde;o    de sete dias, em outro, de 12 dias, e nos demais casos, foi igual ou inferior    a quatro dias. Do total de casos (n=22) com diarr&eacute;ia nos &uacute;ltimos    15 dias, 50% (n=11) teve dura&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a de at&eacute;    48 horas. Em todos os 22 casos, inclusive naqueles com dura&ccedil;&atilde;o    superior a seis dias, a s&iacute;ndrome diarr&eacute;ica apresentou caracter&iacute;sticas    proped&ecirc;uticas de tipo &quot;alta&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Eventuais casos de diarr&eacute;ia com evolu&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica mais grave e que tenham exigido interna&ccedil;&atilde;o hospitalar    ou evolu&iacute;do para &oacute;bito n&atilde;o foram referidos por qualquer    morador das casas sorteadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos 156 domic&iacute;lios pesquisados, residiam    de uma a dez pessoas &#8211; m&eacute;dia de 4,1 e mediana de 4,0 pessoas/domic&iacute;lio.    Nos domic&iacute;lios (n=134) sem portadores de diarr&eacute;ia, a propor&ccedil;&atilde;o    daqueles com quatro ou menos moradores foi de 67,9% (n=91); e com mais de quatro    moradores, de 32,1% (n=43). No grupo de domic&iacute;lios com casos de diarr&eacute;ia    (n=22), as propor&ccedil;&otilde;es daqueles com quatro ou menos moradores foi    de 40,9% (n=9); e com mais de quatro moradores, de 59,1% (n=13). Nesta compara&ccedil;&atilde;o,    observa-se a diferen&ccedil;a significante (<i>X</i><sup>2</sup>=5,987; p&lt;0,05), estatisticamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos 156 moradores inclu&iacute;dos no estudo,    36,5% eram homens e 63,5% mulheres; e a m&eacute;dia de idade, de 28,2 (&plusmn;18,1)    anos, com limites de 4 meses a 77 anos (mediana de 26,9 anos).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na <a href="#tab1">Tabela 1</a>, os portadores    (n=22) de diarr&eacute;ia nos &uacute;ltimos 15 dias foram comparados &agrave;queles    sem a mesma hist&oacute;ria (n=134). Esses dois grupos foram semelhantes quanto    a sexo (p&gt;0,05), idade (p&gt;0,05), grupo racial (p&gt;0,05) e bairro da    resid&ecirc;ncia (p&gt;0,05) &#8211; este, classificado segundo a exist&ecirc;ncia    na &aacute;rea, ou n&atilde;o, do PSF.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a03t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A freq&uuml;&ecirc;ncia da diarr&eacute;ia tamb&eacute;m    foi estudada segundo cinco faixas et&aacute;rias (<a href="#tab2">Tabela 2</a>);    observou-se varia&ccedil;&atilde;o de 0% a 33,3%, apesar das distor&ccedil;&otilde;es    em raz&atilde;o do pequeno n&uacute;mero de casos em algumas delas. Ainda assim,    as freq&uuml;&ecirc;ncias de diarr&eacute;ia foram comparadas entre si e observou-se    diferen&ccedil;a estat&iacute;stica significativa (p&lt;0,05) entre aqueles    com 4 anos ou menos de idade, cuja freq&uuml;&ecirc;ncia foi de 33,3%, e o conjunto    das faixas et&aacute;rias (5 a 77 anos), com freq&uuml;&ecirc;ncia de 10,5%.    Na faixa et&aacute;ria de 21 a 60 anos, a freq&uuml;&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia    nos &uacute;ltimos 15 dias foi de 11,2% (10/89); e entre os de 61 anos ou mais,    de 20% (2/10).</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a03t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na estimativa do n&iacute;vel (ou estrato) socioecon&ocirc;mico,    o somat&oacute;rio das pontua&ccedil;&otilde;es variou de 10 a 46, com mediana    de 27 pontos, embora apenas nove (5,8%) pessoas alcan&ccedil;assem 40 ou mais    pontos. Aqueles com pontua&ccedil;&atilde;o igual ou abaixo da mediana (<u>&lt;</u>27)    foram classificados como de n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico &quot;baixo&quot;    (n=78) e os demais como &quot;m&eacute;dio&quot; (<u>&gt;</u>28 pontos). As    freq&uuml;&ecirc;ncias de diarr&eacute;ia nos dois estratos foram de 19,2% (15/78)    e 9,0% (7/78), respectivamente, embora a diferen&ccedil;a permanecesse no limite    da signific&acirc;ncia estat&iacute;stica (p&gt;0,05). Tampouco verificou-se    diferen&ccedil;a significativa (p&gt;0,05) quando da aplica&ccedil;&atilde;o    do teste de Mann-Whitney, em que se utilizou o total de pontos de cada pessoa    (<i>mean rank</i>: 67,55 entre o grupo com diarr&eacute;ia versus 80,30 entre    aqueles sem diarr&eacute;ia). Na <a href="#tab3">Tabela 3</a>, encontram-se    descritas as vari&aacute;veis do c&aacute;lculo do n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico    (NSE) que tiveram distribui&ccedil;&atilde;o desigual (p&lt;0,05) entre os dois    grupos estudados: houve, significativamente, mais pessoas com diarr&eacute;ia    entre aqueles sem disponibilidade de &aacute;gua dentro do domic&iacute;lio    (p&lt;0,05), com o vaso sanit&aacute;rio fora da casa (p&lt;0,05) ou sem descarga    (p&lt;0,001). Hist&oacute;rico de diarr&eacute;ia nos &uacute;ltimos 15 dias    tamb&eacute;m esteve associado (p&lt;0,01) &agrave; vari&aacute;vel de material    predominante com que s&atilde;o feitas as resid&ecirc;ncias, madeira (26,5%;    13/49), comparativamente &agrave;s outras duas vari&aacute;veis similares, constru&ccedil;&atilde;o    em madeira e alvenaria (11,8%; 2/17) ou, exclusivamente, em alvenaria (7,8%;    7/90). Outra vari&aacute;vel associada &agrave; hist&oacute;ria de diarr&eacute;ia    (p&lt;0,05) foi o n&uacute;mero maior de residentes no domic&iacute;lio (<i>mean    rank</i> de 97,32 <i>versus</i> 75,41, segundo o teste de Mann-Whitney). As    demais vari&aacute;veis inclu&iacute;das no c&aacute;lculo do NSE apresentaram    distribui&ccedil;&atilde;o semelhante (p&gt;0,05) entre os grupos com ou sem    diarr&eacute;ia &#8211; exce&ccedil;&atilde;o para a diferen&ccedil;a entre    as pessoas cujo domic&iacute;lio apresentava destino inadequado das fezes (22,2%;    10/45) e as que habitavam resid&ecirc;ncias em que esse destino fora considerado    pelos autores como adequado (10,8%; 12/111), observada no limite da signific&acirc;ncia    estat&iacute;stica (p&gt;0,05).</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/3a03t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este estudo tem como principal limita&ccedil;&atilde;o    metodol&oacute;gica o tamanho da amostra, assim mantida por ser uma investiga&ccedil;&atilde;o    explorat&oacute;ria para avaliar a exeq&uuml;ibilidade de futuro projeto de    pesquisa na &aacute;rea do Tucum&atilde; e ter como popula&ccedil;&atilde;o    de refer&ecirc;ncia os maiores de 11 anos de idade e a popula&ccedil;&atilde;o    adulta. No Brasil, h&aacute; car&ecirc;ncia de estudos sobre diarr&eacute;ia    entre essas faixas et&aacute;rias, o que, por sua vez, tamb&eacute;m limita    a compara&ccedil;&atilde;o dos presentes resultados com os de outras publica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A concentra&ccedil;&atilde;o de casos de diarr&eacute;ia    nos domic&iacute;lios com maior n&uacute;mero de pessoas (59,1% versus 32,1%)    pode ter subestimado as preval&ecirc;ncias observadas de residentes com hist&oacute;ria    de diarr&eacute;ia (5,7% no dia da entrevista; e 14,1% para os &uacute;ltimos    15 dias), porque pessoas que viviam em domic&iacute;lios com menor n&uacute;mero    de moradores tiveram maior probabilidade de serem sorteadas, comparativamente    &agrave;s pessoas residentes em domic&iacute;lios com maior ocupa&ccedil;&atilde;o.    N&atilde;o obstante, essa outra limita&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica    n&atilde;o foi poss&iacute;vel de ser sanada previamente, haja vista a falta    de informa&ccedil;&otilde;es sobre o n&uacute;mero de moradores de cada domic&iacute;lio    e sua distribui&ccedil;&atilde;o por sexo e idade, na base de dados da Policl&iacute;nica    do Tucum&atilde;, Rio Branco-AC. Uma futura investiga&ccedil;&atilde;o, em fase    de planejamento, dever&aacute; considerar n&atilde;o s&oacute; a distribui&ccedil;&atilde;o    dos moradores em cada quadra ou quarteir&atilde;o como tamb&eacute;m a propor&ccedil;&atilde;o    de moradores a ser inclu&iacute;da no c&aacute;lculo do tamanho da amostra,    tendo em conta o n&uacute;mero total de residentes em cada domic&iacute;lio    e sua distribui&ccedil;&atilde;o por sexo e faixa et&aacute;ria. Em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; idade, esse futuro estudo dever&aacute; estabelecer o tamanho m&iacute;nimo    adequado a an&aacute;lises posteriores, especialmente nas faixas et&aacute;rias    de menores de 1 ano e de mais de 60 anos, com maiores preval&ecirc;ncias de    problemas de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A preval&ecirc;ncia geral de diarr&eacute;ia    observada nos &uacute;ltimos 15 dias (14,1%) n&atilde;o p&ocirc;de ser comparada    &agrave;s descritas na literatura (10% &plusmn; 5%),<sup>5,8,10,13,15</sup>    pois a maioria dos trabalhos publicados tem como popula&ccedil;&atilde;o de    refer&ecirc;ncia menores de 5 anos de idade. Ao estratificar a amostra por faixa    et&aacute;ria, os menores de 5 e os maiores de 60 anos foram respons&aacute;veis    por preval&ecirc;ncias muito acima do que j&aacute; fora estimado, enquanto    adolescentes e adultos apresentaram preval&ecirc;ncia de 10,3% e 11,2%, respectivamente,    coincidindo com a taxa encontrada em outros estudos com menores de 5 anos no    Brasil<sup>10,11,15</sup> e na Regi&atilde;o Norte.<sup>11</sup> A preval&ecirc;ncia    de diarr&eacute;ia (33,3%) em menores de 5 anos de idade, encontrada no presente    estudo, foi maior do que a descrita por Ben&iacute;cio e colaboradores<sup>11</sup>    para a Regi&atilde;o Norte (12,5%) e para o Brasil (10,5%); V&aacute;squez e    colaboradores<sup>15</sup> encontraram 10,2% de preval&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia    na popula&ccedil;&atilde;o infantil de Pernambuco &#8211; 16,9% na popula&ccedil;&atilde;o    infantil da regi&atilde;o metropolitana de Recife.<sup>21</sup> Na cidade de S&atilde;o    Paulo, a preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a nessa fase da inf&acirc;ncia foi    de 4,7%, quando consideradas todas as crian&ccedil;as dos diversos estratos    socioecon&ocirc;micos; e de 9,3% em crian&ccedil;as de fam&iacute;lias mais    carentes.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m dos efeitos atribu&iacute;dos a outras    vari&aacute;veis ambientais, socioecon&ocirc;micas e culturais, os resultados    observados de preval&ecirc;ncia sofreram, provavelmente, o efeito do per&iacute;odo    do ano em que foi realizado este estudo, setembro-outubro de 2003. Nessa &eacute;poca    do ano, ocorrem as maiores temperaturas ambientes, que chegam a atingir seu    n&iacute;vel m&aacute;ximo por volta dos 34<sup>o</sup>C (outubro), ap&oacute;s    tr&ecirc;s meses consecutivos de baixa pluviosidade (Instituto Nacional de Meteorologia    e Universidade Federal do Acre, 2003, dados n&atilde;o publicados). Em Rio Branco,    nesses meses de elevada temperatura e aumento da precipita&ccedil;&atilde;o    pluviom&eacute;trica, verifica-se maior incid&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia,    segundo uma s&eacute;rie hist&oacute;rica de 1994 a 2003 (Secretaria de Estado    da Sa&uacute;de do Acre, dados n&atilde;o publicados). Achados semelhantes foram    encontrados no Estado do Par&aacute;.<sup>22</sup> Esses resultados s&atilde;o    contradit&oacute;rios &agrave; hip&oacute;tese corrente de que, na popula&ccedil;&atilde;o    de Rio Branco, ocorreria a maior incid&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia no chamado    &quot;inverno acreano&quot; (de dezembro a mar&ccedil;o), quando a precipita&ccedil;&atilde;o    pluviom&eacute;trica, o dobro daquela no per&iacute;odo enfocado por este estudo,    provoca transbordamento dos igarap&eacute;s, de parte da bacia hidrogr&aacute;fica    da cidade de Rio Branco e do j&aacute; prec&aacute;rio sistema de esgotamento    sanit&aacute;rio; e, por extens&atilde;o, a contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua    servida &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Um futuro estudo, outrossim, dever&aacute;    considerar essa varia&ccedil;&atilde;o sazonal e, provavelmente, concluir&aacute;    que a preval&ecirc;ncia geral de 14,1% observada neste trabalho ser&aacute;    superior &agrave; de outras &eacute;pocas do ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Metade dos casos de diarr&eacute;ia verificados    no Distrito Docente-Assistencial do Tucum&atilde; teve dura&ccedil;&atilde;o    de at&eacute; 48 horas, em que a mediana e a m&eacute;dia, respectivamente,    foram de 2 e 2,71 dias; em apenas duas pessoas, a dura&ccedil;&atilde;o foi    de 7 e 12 dias. Outros dados cl&iacute;nico-epidemiol&oacute;gicos caracterizaram    todos os casos como de diarr&eacute;ia aguda, de tipo &quot;alta&quot;. Resultados    semelhantes foram observados por V&aacute;squez e colaboradores<sup>15</sup>    em Pernambuco e por Waldman e colaboradores<sup>23</sup> em S&atilde;o Paulo,    os quais verificaram mediana da dura&ccedil;&atilde;o da diarr&eacute;ia de    tr&ecirc;s dias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em S&atilde;o Paulo, entre crian&ccedil;as menores    de 5 anos de idade, a preval&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia no dia da entrevista    caiu de 1,7% em 1984-1985 para 0,9% em 1995-1996.<sup>10</sup> Apesar das diferen&ccedil;as    demogr&aacute;ficas e ambientais entre as cidades de S&atilde;o Paulo e Rio    Branco, al&eacute;m das distintas metodologias aplicadas a cada um dos estudos,    a preval&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia entre a popula&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia    deste estudo, no dia da entrevista, pode ser considerada como muito elevada.    No Distrito Docente-Assistencial do Tucum&atilde;, no caso de se extrapolar    a preval&ecirc;ncia encontrada de diarr&eacute;ia nas &uacute;ltimas 24 horas    (5,6%) para a popula&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia (11.000 hab.), poder-se-ia,    hipoteticamente, estimar a ocorr&ecirc;ncia de 616 pessoas-doentes em um &uacute;nico    dia. Se a maioria dessas pessoas n&atilde;o buscasse a automedica&ccedil;&atilde;o,    mediante procedimentos alternativos da medicina popular, essa possibilidade    transformaria o sistema local de sa&uacute;de em um caos. A ocorr&ecirc;ncia    dos casos de diarr&eacute;ia na &aacute;rea de estudo n&atilde;o teve associa&ccedil;&atilde;o    com as vari&aacute;veis sexo e grupo racial, o que corrobora os resultados descritos    em outras publica&ccedil;&otilde;es.<sup>10,15,24</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diversos autores relatam a exist&ecirc;ncia de    rela&ccedil;&atilde;o inversa entre n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico e preval&ecirc;ncia    de diarr&eacute;ia.<sup>11,15,23</sup> Neste estudo, especificamente, a diferen&ccedil;a    entre as freq&uuml;&ecirc;ncias de diarr&eacute;ia correspondentes aos grupos    de n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico baixo (19,2%) e m&eacute;dio (9,0%) manteve-se    no limite de signific&acirc;ncia estat&iacute;stica (p&gt;0,05), apesar de a    raz&atilde;o ser 2,1 vezes maior no primeiro estrato. Coerentemente, confirmou-se    associa&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica entre relato de diarr&eacute;ia    nos &uacute;ltimos 15 dias e resid&ecirc;ncia em domic&iacute;lio sem &aacute;gua    encanada, sem vaso sanit&aacute;rio dentro de casa ou sem vaso sanit&aacute;rio    com descarga. S&atilde;o resultados que refor&ccedil;am os coment&aacute;rios    anteriores; ademais, confirmam os achados de V&aacute;zquez e colaboradores,<sup>15</sup>    de maior preval&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia entre pessoas que viviam em casas    com &aacute;gua encanada fora da casa. No Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo,    a freq&uuml;&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia infantil caiu 60% entre 1973 e 1985,    per&iacute;odo durante o qual a cobertura da rede de &aacute;gua expandiu-se    de 52% para 95%.<sup>11</sup> Na Regi&atilde;o Sudeste do Brasil, crian&ccedil;as    residentes em domic&iacute;lios sem instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias    e &aacute;gua encanada apresentavam elevada incid&ecirc;ncia anual de diarr&eacute;ia,    com risco relativo de 4,5.<sup>23</sup> De forma semelhante, no Estado do Maranh&atilde;o,    a preval&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia foi maior entre fam&iacute;lias que se    abasteciam de &aacute;gua de po&ccedil;o descoberto.<sup>25</sup> No continente africano,    associa&ccedil;&otilde;es semelhantes tamb&eacute;m foram descritas.<sup>5</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">J&aacute; na cidade de Manacapuru, Estado do    Amazonas, a preval&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o pelo <i>Vibrio cholerae</i>    (O1) n&atilde;o sofreu interfer&ecirc;ncia do tipo da fonte de &aacute;gua para    consumo dom&eacute;stico ou do destino dado ao lixo,<sup>24</sup> o que, possivelmente,    se deve &agrave; elevada polui&ccedil;&atilde;o ambiental a que se exp&otilde;e    a popula&ccedil;&atilde;o e, conseq&uuml;entemente, a uma elevada chance de    infec&ccedil;&atilde;o, igualmente distribu&iacute;da no espa&ccedil;o geogr&aacute;fico.    A esse prop&oacute;sito, deve-se lembrar que as pr&aacute;ticas de higiene podem    independer da situa&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica das fam&iacute;lias    ou das pessoas estudadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Caracter&iacute;sticas do ambiente dom&eacute;stico,    associa&ccedil;&atilde;o mais freq&uuml;ente de casos de diarr&eacute;ia com    resid&ecirc;ncia em casas de madeira, predominantemente, e com pertencimento    a fam&iacute;lias mais numerosas, indicam serem esses elementos co-fatores da    hist&oacute;ria natural da doen&ccedil;a, predisponentes ou facilitadores da    transmiss&atilde;o de agentes patog&ecirc;nicos vinculados &agrave; &aacute;gua    e/ou aos alimentos &#8211; fortemente associados aos baixos indicadores de desenvolvimento    humano. Waldman e colaboradores<sup>23</sup> verificaram que crian&ccedil;as    residentes em barracos, na cidade de S&atilde;o Paulo, tinham 2,5 vezes mais    chances de ter gastroenterite aguda do que aquelas sob condi&ccedil;&otilde;es    mais adequadas de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o se confirmou a hip&oacute;tese inicial    levantada por estes autores de que a presen&ccedil;a de unidades do Programa    Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF) em alguns dos bairros estudados diminuiria    a preval&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia, embora a qualidade do trabalho das equipes    do PSF n&atilde;o houvesse sido objeto do estudo. A impossibilidade dessa associa&ccedil;&atilde;o,    muito provavelmente, decorre da presen&ccedil;a das unidades do PSF nas &aacute;reas    (bairros) mais vulner&aacute;veis do Distrito Docente-Assistencial do Tucum&atilde;,    de piores condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias. Assim, &eacute; poss&iacute;vel    especular que a preval&ecirc;ncia de diarr&eacute;ia fosse, todavia, mais elevada    antes da implanta&ccedil;&atilde;o do PSF, acontecida no ano 2000.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A alta preval&ecirc;ncia di&aacute;ria de diarr&eacute;ia,    sua hist&oacute;ria nos &uacute;ltimos 15 dias e marcante associa&ccedil;&atilde;o    com os indicadores de pobreza justificam medidas p&uacute;blicas de preven&ccedil;&atilde;o    e de controle na &aacute;rea do Distrito Docente-Assistencial do Tucum&atilde;.    O aprimoramento constante das condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias, o fortalecimento    da aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica (que inclua atividades de vigil&acirc;ncia    epidemiol&oacute;gica, educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de e terapia de reidrata&ccedil;&atilde;o    oral) e o fomento &agrave; pesquisa (que ajude a esclarecer pontos controversos    ou ainda n&atilde;o estudados no Estado do Acre) s&atilde;o algumas das medidas    necess&aacute;rias para diminuir a preval&ecirc;ncia das doen&ccedil;as diarr&eacute;icas.    Como sugest&otilde;es para pesquisas futuras, estes autores prop&otilde;em estudos    prospectivos em &aacute;reas sentinelas, em diferentes per&iacute;odos do ano,    identifica&ccedil;&atilde;o dos agentes etiol&oacute;gicos envolvidos e das    formas de tratamento utilizadas (que incluam manipula&ccedil;&atilde;o e uso    do soro caseiro) e estudos de caso-controle para verificar a validade das associa&ccedil;&otilde;es    sugeridas por esta pesquisa e a influ&ecirc;ncia do comportamento humano sobre    o processo de adoecimento por diarr&eacute;ia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Danilo Cerqueira do Esp&iacute;rito Santo,    aluno do PET-Medicina da Faculdade de Medicina da Bahia (UFBA), e ao Professor    Vicente Cruz Cerqueira, da Universidade Federal do Acre, pela revis&atilde;o    ling&uuml;&iacute;stica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. 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Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica 1995;29:132-139</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v15n3/seta.gif" border="0"></a><font size="2" face="Verdana"><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Blenheim Cottage,    <br>   Orchard Lane, Old Boars Hill,    <br>   Oxford, OX1 5JH, England-UK    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:raquelrangel-ac@uol.com.br">raquelrangel-ac@uol.com.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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