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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação normativa das salas de vacinas na rede pública de saúde do Município de Marília, Estado de São Paulo, Brasil, 2008-2009]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[OBJECTIVE: to evaluate the standardization of vaccination rooms in the Municipality of Marília, State of São Paulo, Brazil. METHODS: descriptive and exploratory study, realized in 2008-2009; the instrument used was the Supervision in Vaccination Rooms, of the Ministry of Health; variables analyzed were general aspects of the vaccination room, technical procedures, cold chain, information system, post-vaccination adverse events, special immunobiologicals, epidemiological surveillance and health education; the score achieved classifies the room (90.0-100.0% = ideal; 76.0-89.0% = good; 50.0-75.0% = fair; <50.0% = insufficient); overall index for each point was calculated as the average score of all rooms. RESULTS: technical procedures, information system, post-vaccination adverse events and special immunobiologicals were scored as ideal; cold chain, epidemiological surveillance and health education were scored as good; and to general aspects of the vaccination room, the evaluation was fair. CONCLUSION: general index for vaccination rooms in the municipality was considered ideal.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="verdana"><a name="topo"></a>Avalia&ccedil;&atilde;o normativa das salas de vacinas na rede p&uacute;blica de sa&uacute;de  do Munic&iacute;pio de Mar&iacute;lia, Estado de S&atilde;o Paulo, Brasil, 2008-2009</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"> <b>Evaluation of vaccination  rooms in the primary health care network of the Municipality  of Mar&iacute;lia, State of S&atilde;o Paulo, Brazil, 2008-2009</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">  <b>Kelly Cristina Encide  de Vasconcelos</b></font><font size="2" face="verdana"><b><sup>I</sup>; Suelen Alves Rocha<sup>II</sup>; </b></font><font size="2" face="verdana"><b>Jairo Aparecido Ayres<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <sup>I</sup>Programa de  Vigil&acirc;ncia Epidemiol&oacute;gica, Secretaria Municipal de Sa&uacute;de, Prefeitura Municipal  de Mar&iacute;lia-SP, Brasil    <br>     <sup>II</sup>Programa de  Resid&ecirc;ncia Multiprofissional em Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, Faculdade de Medicina de  Botucatu, Universidade Estadual Paulista 'J&uacute;lio de Mesquita Filho',  Botucatu-SP, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Departamento de  Enfermagem, Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista  'J&uacute;lio de Mesquita Filho', Botucatu-SP, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o  para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>OBJETIVO: </b>avaliar a padroniza&ccedil;&atilde;o das salas de vacinas do Munic&iacute;pio de Mar&iacute;lia, Estado  de S&atilde;o Paulo, Brasil.    <br>   <b>M&Eacute;TODOS: </b>estudo descritivo explorat&oacute;rio, realizado  em 2008-2009; utilizou-se o instrumento de Supervis&atilde;o em Sala de  Vacina&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; como vari&aacute;veis, foram estudados os aspectos  gerais da sala de vacina&ccedil;&atilde;o, procedimentos t&eacute;cnicos, rede de frio, sistema de  informa&ccedil;&otilde;es, eventos adversos p&oacute;s-vacina&ccedil;&atilde;o, imunobiol&oacute;gicos especiais,  vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica e educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de; a pontua&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ada  classificou a sala (90,0-100,0% = ideal; 76,0-89,0% = bom; 50,0-75,0% = regular; &lt;50,0% = insuficiente); o  &iacute;ndice geral para cada aspecto foi calculado como a m&eacute;dia da pontua&ccedil;&atilde;o de todas  as salas.    <br>   <b>RESULTADOS: </b>procedimentos t&eacute;cnicos, sistema de informa&ccedil;&otilde;es,  eventos adversos p&oacute;s-vacina&ccedil;&atilde;o e imunobiol&oacute;gicos especiais receberam o conceito  ideal; rede de frio, vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica e educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de receberam o  conceito bom; e aos aspectos gerais da sala de vacina&ccedil;&atilde;o, atribuiu-se o  conceito regular.    <br>   <b>CONCLUS&Atilde;O: </b>o &iacute;ndice geral das salas de vacinas do  munic&iacute;pio foi considerado ideal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">  <b>Palavras-chave: </b>imuniza&ccedil;&atilde;o; programas de imuniza&ccedil;&atilde;o; avalia&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>OBJECTIVE: </b>to evaluate the standardization of vaccination rooms in the Municipality of Mar&iacute;lia,  State of S&atilde;o Paulo, Brazil.    <br> <b>METHODS: </b>descriptive  and exploratory study, realized in 2008-2009; the instrument used was the  Supervision in Vaccination Rooms, of the Ministry of Health; variables analyzed  were general aspects of the vaccination room, technical procedures, cold chain,  information system, post-vaccination adverse events, special immunobiologicals,  epidemiological surveillance and health education; the score achieved  classifies the room (90.0-100.0% = ideal; 76.0-89.0% = good; 50.0-75.0% = fair;  &lt;50.0% = insufficient); overall index for each point was calculated as the  average score of all rooms.    <br>   <b>RESULTS: </b>technical procedures, information  system, post-vaccination adverse events and special immunobiologicals were  scored as ideal; cold chain, epidemiological surveillance and health education  were scored as good; and to general aspects of the vaccination room, the evaluation  was fair.    <br>   <b>CONCLUSION: </b>general index for vaccination rooms in the  municipality was considered ideal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key  words: </b>immunization; immunization programs; health care  services evaluation.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a &aacute;rea da Sa&uacute;de vem passando por grandes  avan&ccedil;os. As a&ccedil;&otilde;es de imuniza&ccedil;&atilde;o, especialmente, merecem destaque mundial pelo  grande impacto do uso de vacinas na preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as imunopreven&iacute;veis,  fortalecendo a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e a preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as.<sup>1,2</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> Em decorr&ecirc;ncia do sucesso da campanha mundial de erradica&ccedil;&atilde;o da  var&iacute;ola em 1960, os profissionais envolvidos engajaram-se em outras atividades  relacionadas ao controle de doen&ccedil;as imunopreven&iacute;veis pelo uso da imuniza&ccedil;&atilde;o.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O Programa Nacional de Imuniza&ccedil;&atilde;o (PNI) foi criado no Brasil em  1973, tendo como meta cumprir o prop&oacute;sito da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, de  tornar os imunobiol&oacute;gicos acess&iacute;veis a todas as crian&ccedil;as - meta estabelecida na  Assembl&eacute;ia Mundial da Sa&uacute;de. A coordena&ccedil;&atilde;o do PNI pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,  al&eacute;m de normatizar, implantar, supervisionar e avaliar o programa, tamb&eacute;m  prop&otilde;e pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias que viabilizam altas coberturas vacinais em todo  o territ&oacute;rio nacional.<sup>4,5</sup> Somente em 1975, por&eacute;m, o PNI teve suas  compet&ecirc;ncias regulamentadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O PNI &eacute; prioridade nacional e efetivo como estrat&eacute;gia de sa&uacute;de  coletiva, com envolvimento das inst&acirc;ncias governamentais nos n&iacute;veis federal,  estadual e municipal. A partir do momento em que ocorre repasse de recursos  financeiros, o munic&iacute;pio assume as atividades de aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, incluindo o  planejamento e organiza&ccedil;&atilde;o de todas as a&ccedil;&otilde;es de imuniza&ccedil;&atilde;o, realizando-as  pelos servi&ccedil;os b&aacute;sicos de sa&uacute;de municipais.<sup>2,6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O desenvolvimento do PNI &eacute; orientado por manuais t&eacute;cnicos,  elaborados pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, que devem ser seguidos por todas as  inst&acirc;ncias respons&aacute;veis pela imuniza&ccedil;&atilde;o no Brasil. Fazem parte dessas normas o  armazenamento, a conserva&ccedil;&atilde;o, o transporte e a administra&ccedil;&atilde;o dos  imunobiol&oacute;gicos, bem como sua programa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de preconiza a supervis&atilde;o das salas de vacinas  de forma sistem&aacute;tica, para verificar as condi&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea f&iacute;sica e o  cumprimento de normas que visam garantir a qualidade dos imunobiol&oacute;gicos desde  sua fabrica&ccedil;&atilde;o, conserva&ccedil;&atilde;o adequada e aplica&ccedil;&atilde;o. Na atividade de supervis&atilde;o,  cabe salientar o papel da equipe de enfermagem e a import&acirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o  por ela gerada na sala de vacinas, com a finalidade de planejar e implantar   estrat&eacute;gias capazes de manter o controle das doen&ccedil;as  imunopreven&iacute;veis.<sup>8</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> &Eacute; de fundamental import&acirc;ncia caracterizar a organiza&ccedil;&atilde;o atual dos  servi&ccedil;os b&aacute;sicos de sa&uacute;de, com um olhar direcionado especialmente &agrave;s salas de  vacinas. A literatura nacional apresenta poucos trabalhos enfocando a avalia&ccedil;&atilde;o  normativa da rede de frio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Em que medida a organiza&ccedil;&atilde;o e o funcionamento das salas de vacinas  se aproxima - ou se distancia - do preconizado?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Esta pesquisa prop&otilde;e-se a avaliar a padroniza&ccedil;&atilde;o das salas de  vacina do Munic&iacute;pio de Mar&iacute;lia,  interior paulista.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>M&eacute;todos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> Estudo explorat&oacute;rio, observacional, transversal e descritivo, com  abordagem quantitativa, realizado no per&iacute;odo de novembro de 2008 a julho de 2009, em um  munic&iacute;pio do interior paulista que conta com 41 unidades de sa&uacute;de, sendo 12  unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de e 29 unidades da Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia.  Mar&iacute;lia-SP localiza-se na regi&atilde;o Centro-Oeste do Estado de S&atilde;o Paulo e, segundo  informa&ccedil;&otilde;es da Funda&ccedil;&atilde;o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE),  Censo de 2010, conta com uma popula&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 216.745 habitantes -<sup>9</sup>  207.021 residentes urbanos e 9.724 rurais -, distribu&iacute;da por oito distritos  rurais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Para a coleta de dados, utilizou-se o instrumento de supervis&atilde;o em  sala de vacina&ccedil;&atilde;o proposto pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, desenvolvido pelo  Departamento de Inform&aacute;tica do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (Datasus) e pela  Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral do Programa de Imuniza&ccedil;&atilde;o (CGPNI) da Secretaria de Vigil&acirc;ncia  em Sa&uacute;de/Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.<sup>10</sup> O instrumento segue uma abordagem  que destaca os seguintes aspectos:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> 1. Identifica&ccedil;&atilde;o da unidade - dados relativos &agrave; unidade de sa&uacute;de que  recebe a supervis&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> 2. Aspectos gerais da sala de vacina&ccedil;&atilde;o - estrutura f&iacute;sica,  adequabilidade de equipamentos e mobili&aacute;rio, limpeza e conserva&ccedil;&atilde;o, e  disponibilidade de impressos e materiais de consumo;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> 3. Procedimentos t&eacute;cnicos - fatores que podem intervir na qualidade  da vacina&ccedil;&atilde;o, tais como indica&ccedil;&otilde;es, doses, via de administra&ccedil;&atilde;o e aprazamento,  data de validade ap&oacute;s abertura do frasco, preparo e t&eacute;cnica de aplica&ccedil;&atilde;o, uso  dos cart&otilde;es da crian&ccedil;a e do adulto, observa&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es que indiquem adiamento,  investiga&ccedil;&atilde;o de EAPV (eventos adversos p&oacute;s-vacina&ccedil;&atilde;o), busca ativa de faltosos e acondicionamento de res&iacute;duos e lixo;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> 4. Rede de frio - manuten&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas imunog&ecirc;nicas  dos produtos administrados, observando caracter&iacute;sticas como intervalo de  temperatura adequado para conserva&ccedil;&atilde;o, exist&ecirc;ncia de term&ocirc;metros e monitoramento di&aacute;rio de temperaturas, detec&ccedil;&atilde;o de exposi&ccedil;&atilde;o frequente dos produtos a  extremos de temperatura durante o transporte e o armazenamento,  organiza&ccedil;&atilde;o adequada dos  refrigeradores e exclusividade para estocar vacinas;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> 5. Sistema de informa&ccedil;&atilde;o - preenchimento adequado dos impressos, presen&ccedil;a dos  manuais t&eacute;cnicos e conhecimento das taxas de cobertura e abandono;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> 6. EAPV - conhecimento dos profissionais e procedimentos de investiga&ccedil;&atilde;o dos eventos adversos p&oacute;s-vacina&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> 7. Imunobiol&oacute;gicos especiais - conhecimento dos profissionais e fluxo  relacionados aos imunobiol&oacute;gicos especiais;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> 8. Vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica - conhecimento dos  profissionais sobre a incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as imunopreven&iacute;veis na &aacute;rea de  abrang&ecirc;ncia e cobertura vacinal, bem como a participa&ccedil;&atilde;o em bloqueios e  realiza&ccedil;&atilde;o de notifica&ccedil;&atilde;o de casos suspeitos de doen&ccedil;as sob vigil&acirc;ncia  epidemiol&oacute;gica; e</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> 9. Educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de - participa&ccedil;&atilde;o dos  profissionais em atividades que contribuam para o alcance da meta de cobertura  vacinal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Realizou-se uma entrevista semi-estruturada com o enfermeiro respons&aacute;vel pelo servi&ccedil;o e  posteriormente observa&ccedil;&atilde;o que concentrou-se na estrutura f&iacute;sica das salas de  vacina&ccedil;&atilde;o e no conhecimento e atua&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica do funcion&aacute;rio escalado na sala  de vacina no momento da coleta de dados. O pesquisador permaneceu em cada unidade 20 horas, para acompanhar os procedimentos e  rotinas da sala de vacina em estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> As informa&ccedil;&otilde;es  provenientes das entrevistas e observa&ccedil;&otilde;es foram registradas em formul&aacute;rio padronizado, previamente testado  em duas unidades de sa&uacute;de do munic&iacute;pio. Ap&oacute;s a coleta, os dados foram digitados  no Programa de Avalia&ccedil;&atilde;o do Instrumento de Supervis&atilde;o em Sala de Vacina&ccedil;&atilde;o (PAISSV), disponibilizado pelo PNI. O PAISSV &eacute;  utilizado pelos coordenadores estaduais de imuniza&ccedil;&otilde;es para garantir a  padroniza&ccedil;&atilde;o do perfil de avalia&ccedil;&atilde;o e a agilidade na tabula&ccedil;&atilde;o dos resultados  encontrados. A pontua&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ada classifica   a sala avaliada: de 90,0 a 100,0%, a sala &eacute; considerada  ideal; de 76,0 a 89,0%, boa; de 50,0 a 75,0%, regular; e uma sala  com pontua&ccedil;&atilde;o inferior a 50,0% insuficiente.<sup>11</sup>  As respostas que recebem pontua&ccedil;&atilde;o baixa s&atilde;o consideradas pelo <i>software </i>como  'pontos cr&iacute;ticos'. O &iacute;ndice geral para cada aspecto foi calculado como a m&eacute;dia  da pontua&ccedil;&atilde;o de todas as salas. Utilizou-se  do aplicativo  Microsoft Excel 2007 para sistematiza&ccedil;&atilde;o dos dados, e confec&ccedil;&atilde;o das figuras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A coleta de dados foi  realizada ap&oacute;s a obten&ccedil;&atilde;o de parecer favor&aacute;vel do Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa  da Faculdade de Medicina de Mar&iacute;lia (Of&iacute;cio n<sup>o</sup> 420/08) e a autoriza&ccedil;&atilde;o dos participantes deste estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O estudo constatou  que, das 41 salas de vacinas  avaliadas, apenas 4 est&atilde;o localizadas na  zona rural, as demais 37 se encontram no  per&iacute;metro urbano. Em todas as salas, administravam-se todas as vacinas previstas no calend&aacute;rio b&aacute;sico de  vacina&ccedil;&atilde;o. Um ponto cr&iacute;tico encontrado: uma sala de vacina funcionando menos de  seis horas/dia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Aproximadamente dois  ter&ccedil;os das salas de vacina&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;aram &iacute;ndice  regular no item 'Aspectos gerais da sala de vacina&ccedil;&atilde;o'. A <a href="#t1">Tabela 1</a> mostra v&aacute;rios pontos cr&iacute;ticos, destacando-se: a  maioria das salas (34/41) n&atilde;o era exclusiva para vacina&ccedil;&atilde;o; nenhuma sala  mantinha temperatura ambiente de 18   a 20<sup>o</sup>C;  a maioria (29/41) n&atilde;o dispunha de  prote&ccedil;&atilde;o adequada contra luz solar direta; 23 possu&iacute;am objetos de  decora&ccedil;&atilde;o; e 22 n&atilde;o apresentavam condi&ccedil;&otilde;es ideais de limpeza e conserva&ccedil;&atilde;o.  Embora n&atilde;o sejam considerados pontos cr&iacute;ticos, mostrou-se evidente a  inadequa&ccedil;&atilde;o dos seguintes subitens considerados para a avalia&ccedil;&atilde;o: 'piso  antiderrapante, imperme&aacute;vel e de f&aacute;cil limpeza'; 'pia com torneira e bancada de  f&aacute;cil  higieniza&ccedil;&atilde;o'; e 'mesa cl&iacute;nica ou cadeira para a aplica&ccedil;&atilde;o de vacina'.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n1/1a17t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> O item 'Procedimentos  t&eacute;cnicos' (<a href="#t2">Tabela 2</a>) foi classificado  como ideal (90,2%), embora mere&ccedil;am destaque alguns subitens, que  n&atilde;o atendiam o recomendado pelo PNI: 36 enfermeiros respons&aacute;veis pelas equipes  responderam que a busca ativa de suscet&iacute;veis n&atilde;o era realizada nas unidades; 28  salas de vacinas apresentavam  estoque  excessivo de vacinas; 12 n&atilde;o observam situa&ccedil;&otilde;es que indiquem o adiamento  tempor&aacute;rio da vacina&ccedil;&atilde;o; 11 n&atilde;o faziam investiga&ccedil;&atilde;o das ocorr&ecirc;ncias de eventos  adversos para doses anteriores; e 10 salas n&atilde;o dispunham de  recipientes para descarte de lixo comum e lixo contaminado, distinguidos pela cor.</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n1/1a17t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> Na <a href="#t3">Tabela 3</a> observa-se, detalhadamente, a 'Rede de frio'. O item  recebeu o conceito bom (88,97%). No entanto, v&aacute;rios subitens foram  considerados cr&iacute;ticos, com destaque para: 34 salas de vacinas que n&atilde;o  apresentavam o alerta de N&Atilde;O DESLIGAR o disjuntor na caixa de distribui&ccedil;&atilde;o  el&eacute;trica; 33 n&atilde;o dispunham de refrigeradores com capacidade igual ou maior que 280 litros; e 31  refrigeradores recebiam a incid&ecirc;ncia direta de luz solar, 29 n&atilde;o mantinham uma  dist&acirc;ncia de 15cm da parede e 17 n&atilde;o se apresentavam em estado ideal de  limpeza.</font></p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n1/1a17t3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> O item 'Sistema de informa&ccedil;&atilde;o' foi classificado como ideal, n&atilde;o  obstante fossem elencados alguns pontos cr&iacute;ticos: a totalidade dos  entrevistados respondeu que desconhece a taxa de cobertura e abandono da &aacute;rea  de abrang&ecirc;ncia; em 39 salas, n&atilde;o foi encontrado o manual de capacita&ccedil;&atilde;o de  pessoal em sala de vacina&ccedil;&atilde;o; e em 17, o manual de rede de frio n&atilde;o foi  localizado (<a href="#t4">Tabela 4</a>).</font></p>     <p><a name="t4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n1/1a17t4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> No item &quot;eventos adversos p&oacute;s-vacina&ccedil;&atilde;o&quot; todos os  profissionais entrevistados tinham conhecimento sobre a identifica&ccedil;&atilde;o,  notifica&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o dos EAPV. No   entanto, quatro profissionais n&atilde;o tinham experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica com  EAVP.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Em rela&ccedil;&atilde;o aos imunobiol&oacute;gicos especiais, 40 enfermeiros  entrevistados responderam conhecer a disponibilidade dos imunobiol&oacute;gicos  dispon&iacute;veis no Centro de Refer&ecirc;ncia de Imunobiol&oacute;gicos Especiais (CRIE), suas  indica&ccedil;&otilde;es e o fluxo de solicita&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, cinco disseram desconhecer o CRIE.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No item 'Vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica', classificado como bom, 21  entrevistados negaram o conhecimento da ocorr&ecirc;ncia ou n&atilde;o de casos de doen&ccedil;as  imunopreven&iacute;veis na &aacute;rea de abrang&ecirc;ncia e 32 desconhecerem a incid&ecirc;ncia das  doen&ccedil;as imunopreven&iacute;veis versus cobertura vacinal.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> O item 'Educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de' foi classificado como bom.  Identificou-se, entretanto: em 31 unidades de sa&uacute;de, os profissionais n&atilde;o  participam de eventos promovidos pela comunidade; 8 n&atilde;o interagiam com  segmentos sociais; e 7 n&atilde;o participam dos espa&ccedil;os formais de educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de  existentes nas unidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Agrupou-se os &iacute;ndices alcan&ccedil;ados por cada vari&aacute;vel na <a href="#f1">Figura 1</a>,  apontando o &iacute;ndice geral das salas de vacinas do munic&iacute;pio.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n1/1a17f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No Brasil, o bom  desempenho alcan&ccedil;ado pelo PNI &eacute; resultado de um conjunto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas  sustentadas por tr&ecirc;s pilares: a) equidade no acesso, b) seguran&ccedil;a das vacinas  utilizadas e c) elevadas coberturas.<sup>12</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> As vacinas do  calend&aacute;rio b&aacute;sico preconizado pelo PNI est&atilde;o dispon&iacute;veis em todas as unidades,  garantindo a oferta da vacina&ccedil;&atilde;o para toda a popula&ccedil;&atilde;o. O acesso equitativo  est&aacute; assegurado pela presen&ccedil;a na zona rural de quantidade suficiente de salas  de vacinas. Apenas uma sala funciona por tempo inferior ao recomendado, al&eacute;m de  n&atilde;o ser usada exclusivamente para essa finalidade. S&atilde;o problemas log&iacute;sticos que  acarretam a denominada 'oportunidade perdida de vacina&ccedil;&atilde;o' (OPV).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Uma oportunidade de  vacina&ccedil;&atilde;o &eacute; perdida quando um indiv&iacute;duo candidato &agrave; imuniza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o portador de  contra-indica&ccedil;&otilde;es, visita determinado servi&ccedil;o de sa&uacute;de e n&atilde;o recebe a  totalidade das vacinas de que necessita.<sup>13</sup> Quatro s&atilde;o as categorias  de causa de OPV: falsas contra-indica&ccedil;&otilde;es para imuniza&ccedil;&atilde;o; atitude do   profissional de sa&uacute;de;  problemas log&iacute;sticos dos servi&ccedil;os; e atitudes da popula&ccedil;&atilde;o.<sup>14</sup>  Pesquisa realizada em 2006, na regi&atilde;o norte do  Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo-SP, encontrou que 50,5% das OPV resultavam de falsas contra-indica&ccedil;&otilde;es, e 42,2%, de problemas  log&iacute;sticos.<sup>13</sup> Embora este estudo n&atilde;o tivesse por objetivo quantificar as OVP,  estes autores identificaram sua ocorr&ecirc;ncia. Sua elimina&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria,  potencializando a eleva&ccedil;&atilde;o das coberturas vacinais e a promo&ccedil;&atilde;o da homogeneidade, ou seja, a manuten&ccedil;&atilde;o  dos percentuais de cobertura nas diferentes localidades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> Deve-se considerar,  ainda, a seguran&ccedil;a das vacinas como um importante aspecto da manuten&ccedil;&atilde;o das  coberturas vacinais. Nesta pesquisa, a seguran&ccedil;a vacinal pode ser analisada em  quase todos os itens estudados: procedimentos de controle de qualidade e  cumprimento das especifica&ccedil;&otilde;es; avalia&ccedil;&atilde;o das tecnologias aplicadas em  imuniza&ccedil;&atilde;o (qualidade da vacina, estocagem, manejo, administra&ccedil;&atilde;o e descarte de  vasilhames e agulhas); e identifica&ccedil;&atilde;o e manejo dos riscos relacionados  &agrave; vacina&ccedil;&atilde;o, desenvolvendo mecanismos de monitoramento  e de resposta &agrave; popula&ccedil;&atilde;o quanto a EAPV que provoquem d&uacute;vidas sobre a seguran&ccedil;a  de programas nacionais de imuniza&ccedil;&atilde;o.<sup>15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Dessa forma, os itens 'Aspectos gerais da sala de vacina&ccedil;&atilde;o' e  'Rede de frio', devido &agrave; infra&ccedil;&atilde;o de algumas normas e &agrave; inadequa&ccedil;&atilde;o de alguns  equipamentos, influem na seguran&ccedil;a do programa de imuniza&ccedil;&atilde;o de Mar&iacute;lia-SP As  falhas na conserva&ccedil;&atilde;o de vacinas em inst&acirc;ncia local t&ecirc;m sido mais frequentes do que se  espera, n&atilde;o s&oacute; para pa&iacute;ses em desenvolvimento como tamb&eacute;m para os  desenvolvidos. Pesquisas no Brasil descrevem falhas no cumprimento das recomenda&ccedil;&otilde;es  de conserva&ccedil;&atilde;o, supervis&atilde;o permanente e adequa&ccedil;&atilde;o de recursos humanos e  equipamentos. A literatura apresenta avalia&ccedil;&otilde;es de amostras de vacinas  coletadas nas unidades de sa&uacute;de com a pot&ecirc;ncia comprometida.<sup>16</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Expostas a varia&ccedil;&otilde;es de temperatura, as vacinas, podem perder a  potencia. Algumas, inclusive, alteram seu aspecto devido a mudan&ccedil;a de suas  caracter&iacute;sticas   f&iacute;sico-qu&iacute;micas. Avalia&ccedil;&atilde;o da rede de frio de um distrito de  Recife-PE observou incid&ecirc;ncia solar em 39,1% das salas de vacina&ccedil;&atilde;o e a  indica&ccedil;&atilde;o de N&Atilde;O DESLIGAR em 8,2% dos disjuntores, sendo que na vari&aacute;vel  'Controle de rede de frio', apenas 4,3% das salas visitadas estavam adequadas  aos requisitos da pesquisa.<sup>17</sup> Comparativamente, Mar&iacute;lia-SP  apresentou maior incid&ecirc;ncia solar nas salas de vacinas, por&eacute;m maior indica&ccedil;&atilde;o  de N&Atilde;O DESLIGAR, alcan&ccedil;ando, afinal, o conceito bom para rede de frio: a  infraestrutura inadequada, de f&aacute;cil resolu&ccedil;&atilde;o, sugere, de forma indireta, dificuldades  de gest&atilde;o relacionadas &agrave; n&atilde;o observ&acirc;ncia dos procedimentos operacionais padr&atilde;o,  al&eacute;m de falta de supervis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Outros aspectos da seguran&ccedil;a encontram-se nos itens 'Procedimentos  t&eacute;cnicos' e 'EAVP', os quais tamb&eacute;m apresentaram alguns pontos cr&iacute;ticos, como:  falhas no gerenciamento de res&iacute;duos s&oacute;lidos de servi&ccedil;os de sa&uacute;de (RSSS); n&atilde;o  investiga&ccedil;&atilde;o de EAVP; e estoque excessivo de vacinas. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os RSSS resultantes  de a&ccedil;&otilde;es de vacina&ccedil;&atilde;o com microorganismos  vivos ou atenuados - incluindo frascos de  vacinas vencidos, com conte&uacute;do inutilizado, vazios ou com restos do produto,  agulhas e seringas - devem ser submetidos  a tratamento antes da disposi&ccedil;&atilde;o final.<sup>18</sup> &Eacute; mister lembrar que nos locais com coleta de lixo hospitalar sistem&aacute;tica, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio o tratamento dos frascos  de imunobiol&oacute;gicos inutilizados.<sup>19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Em 2007, pesquisa realizada em  Juazeiro do Norte-CE, nas unidades de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, constatou que os  imunobiol&oacute;gicos compostos por microorganismos vivos e atenuados eram inativados  (por processo de exposi&ccedil;&atilde;o ao calor em autoclave ou estufa) em apenas 38,3% das unidades, antes  de serem descartados. A maioria das unidades descartava os frascos contendo as  referidas vacinas - que perderam a validade &ndash; no recipiente  destinado a perfurocortantes ou em sacos de res&iacute;duos comuns, sem processo de  inativa&ccedil;&atilde;o. Nenhuma unidade acondicionava adequadamente os res&iacute;duos potencialmente  infectantes,  dada a aus&ecirc;ncia de embalagens adequadas para esse fim.<sup>20</sup>  S&atilde;o resultados que divergem dos apresentados por este estudo, em que a maioria  das unidades avaliadas realiza descarte adequado; alguns, por&eacute;m, n&atilde;o dispunham  de recipientes para descarte de lixo comum e contaminado distintos e  identificados pela cor. Cabe ressaltar que, nos locais sem segrega&ccedil;&atilde;o adequada  dos res&iacute;duos, todos passam a ser considerados como potencialmente infectantes,  necessitando de tratamento especial antes da destina&ccedil;&atilde;o final.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Em rela&ccedil;&atilde;o aos EAVP, &eacute; sabido que sua incid&ecirc;ncia varia conforme as  caracter&iacute;sticas do produto, do indiv&iacute;duo a ser vacinado e do modo de  administra&ccedil;&atilde;o. Algumas manifesta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o esperadas ap&oacute;s o emprego de  determinadas vacinas. Normalmente, essas rea&ccedil;&otilde;es s&atilde;o benignas e t&ecirc;m evolu&ccedil;&atilde;o  autolimitada. Entretanto, podem ocorrer formas mais graves, com comprometimento  tempor&aacute;rio ou permanente, de fun&ccedil;&atilde;o local, neurol&oacute;gica ou sist&ecirc;mica, capaz de  motivar sequelas e at&eacute; mesmo levar a &oacute;bito.<sup>21</sup> Justifica-se, assim, a  necessidade de investiga&ccedil;&atilde;o de EAPV e a indica&ccedil;&atilde;o do adiamento tempor&aacute;rio da  vacina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Pesquisa de avalia&ccedil;&atilde;o do Sistema Brasileiro de Notifica&ccedil;&atilde;o de EAPV  (SI-EAPV), realizada em 2011, aponta grau apreci&aacute;vel de oportunidade na  notifica&ccedil;&atilde;o. Contudo identificou-se, para aproximadamente 50,0% das  notifica&ccedil;&otilde;es, demora de 60 dias ou mais para o registro da notifica&ccedil;&atilde;o no  SI-EAPV, forma pela qual a notifica&ccedil;&atilde;o atinge o n&iacute;vel central do sistema.  Percebeu-se, ainda, que o fato de os profissionais de sa&uacute;de mostrarem-se mais  atentos &agrave; ocorr&ecirc;ncia do EAPV n&atilde;o tem implicado negativamente na ades&atilde;o da  popula&ccedil;&atilde;o &agrave; imuniza&ccedil;&atilde;o.<sup>12</sup> S&atilde;o dados que corroboram os deste estudo,  em que a totalidade dos EAPV &eacute; notificada, embora a alimenta&ccedil;&atilde;o do SI-EAPV seja  realizada de forma indireta: os profissionais preenchem a ficha de notifica&ccedil;&atilde;o  nas unidades de sa&uacute;de, que encaminha os dados &agrave; Secretaria Municipal de Sa&uacute;de  para alimentar o sistema, justificando-se, dessa forma, a demora entre a  ocorr&ecirc;ncia e a notifica&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel central.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Concernente ao estoque excessivo, a manuten&ccedil;&atilde;o da temperatura  ideal para o acondicionamento pode ser prejudicada e o sistema de reposi&ccedil;&atilde;o  comprometido, acarretando a perda por vencimento e onerando o sistema p&uacute;blico.  Mensalmente, a unidade de sa&uacute;de envia   impresso confeccionado pela Secretaria Municipal de Sa&uacute;de,  contendo dados relativos ao estoque atual e a necessidade de reposi&ccedil;&atilde;o de  acordo com a estimativa de utiliza&ccedil;&atilde;o. O profissional respons&aacute;vel deveria realizar  o controle de estoque dos imunobiol&oacute;gicos e insumos (seringas, agulhas), bem  como conhecer os princ&iacute;pios das boas pr&aacute;ticas de aquisi&ccedil;&atilde;o, recebimento,  armazenamento, distribui&ccedil;&atilde;o e dispensa&ccedil;&atilde;o dos imunobiol&oacute;gicos.<sup>22</sup> O  estoque de imunobiol&oacute;gicos na unidade de sa&uacute;de local n&atilde;o deve ser superior &agrave;  estimativa de consumo para dois meses, para redu&ccedil;&atilde;o dos riscos de exposi&ccedil;&atilde;o de  vacinas e soros a situa&ccedil;&otilde;es pass&iacute;veis de comprometimento da qualidade dos  produtos.<sup>19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Ainda no quesito seguran&ccedil;a, no item &quot;imunobiol&oacute;gicos  especiais&quot; h&aacute; uma aparente contradi&ccedil;&atilde;o nos dados, alguns profissionais  relatam conhecerem a disponibilidade, indica&ccedil;&otilde;es e fluxo dos imunobiol&oacute;gicos  especiais, por&eacute;m afirmam n&atilde;o conhecer o CRIE. Fato justificado pela  inexist&ecirc;ncia de CRIE no munic&iacute;pio, assim a SMS encaminha o impresso de  solicita&ccedil;&atilde;o de imunobiol&oacute;gico especial ao Grupo de Vigil&acirc;ncia Epidemiol&oacute;gica (GVE)  estadual.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> Uma limita&ccedil;&atilde;o do estudo que merece ser destacada &eacute; o fato de que  as informa&ccedil;&otilde;es sobre conhecimento dos profissionais foram obtidas apenas para o  funcion&aacute;rio escalado na sala de vacina no momento da coleta de dados. Assim,  para salas de vacina nas quais atuam mais profissionais, n&atilde;o foi obtidas as  informa&ccedil;&otilde;es sobre conhecimento dos demais, que n&atilde;o foram entrevistados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Considerando o &uacute;ltimo pilar de sustenta&ccedil;&atilde;o do PNI, a elevada  cobertura vacinal, pode-se agregar os itens 'Sistema de informa&ccedil;&atilde;o',  'Vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica' e 'Educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de' em sua avalia&ccedil;&atilde;o, para a qual foram  apontados os seguintes pontos cr&iacute;ticos: desconhecimento das taxas de cobertura  e abandono; desconhecimento da ocorr&ecirc;ncia de doen&ccedil;as imunopreven&iacute;veis;  aus&ecirc;ncia do manual de rede de frio e de capacita&ccedil;&atilde;o de profissional; n&atilde;o  participa&ccedil;&atilde;o em eventos comunit&aacute;rios; pouca intera&ccedil;&atilde;o com segmentos sociais, e  em espa&ccedil;os formais de educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de no servi&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Imuniza&ccedil;&otilde;es foi implantado  no per&iacute;odo de 1994 a  1997, em todas as coordena&ccedil;&otilde;es estaduais. Em 2003, o SI-PNI foi descentralizado  para as regionais e munic&iacute;pios, objetivando a avalia&ccedil;&atilde;o regional.<sup>23</sup>  O sistema consolida os dados nacionais de imuniza&ccedil;&otilde;es e tem a capacidade de fornecer  relat&oacute;rios para an&aacute;lise e tomada de decis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os instrumentos b&aacute;sicos para alimentar o sistema de informa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o  aqueles dispon&iacute;veis em todas as salas de vacinas: boletins di&aacute;rios e mensais de  doses aplicadas de vacinas; movimenta&ccedil;&atilde;o de imunobiol&oacute;gicos; e fichas de  notifica&ccedil;&atilde;o de eventos adversos. A alimenta&ccedil;&atilde;o indireta do sistema  justificaria, em parte, o distanciamento dos profissionais das informa&ccedil;&otilde;es com  potencial para servir de base &agrave; formula&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica. &Eacute; importante ressaltar que a Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de  Mar&iacute;lia-SP envia relat&oacute;rios peri&oacute;dicos &agrave;s unidades b&aacute;sicas de sa&uacute;de do  munic&iacute;pio, com os dados necess&aacute;rios para um planejamento no setor. Por exemplo,  o c&aacute;lculo da cobertura vacinal de determinados grupos populacionais,  suscept&iacute;veis a certas doen&ccedil;as, permite eleger prioridades, gerenciar recursos e  estruturar programa&ccedil;&otilde;es especiais para a interrup&ccedil;&atilde;o de cadeias  epidemiol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Sabe-se que a seguran&ccedil;a e a efic&aacute;cia dos imunobiol&oacute;gicos n&atilde;o s&atilde;o  suficientes para a garantia de sucesso dos programas de imuniza&ccedil;&atilde;o, se os  profissionais n&atilde;o os operacionalizarem de acordo com as recomenda&ccedil;&otilde;es  espec&iacute;ficas (conserva&ccedil;&atilde;o, manipula&ccedil;&atilde;o, administra&ccedil;&atilde;o, acompanhamento  p&oacute;s-vacinal, entre outras) ou a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aderir &agrave; vacina&ccedil;&atilde;o. Visando &agrave;  minimiza&ccedil;&atilde;o de complica&ccedil;&otilde;es, no sentido de possibilitar a educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de da  popula&ccedil;&atilde;o, o PNI recomenda a disponibilidade para consulta em sala de vacina  dos informes t&eacute;cnicos operacionais, manuais e resolu&ccedil;&otilde;es, buscando assegurar a  realiza&ccedil;&atilde;o adequada de procedimentos e informa&ccedil;&otilde;es.<sup>24</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os espa&ccedil;os informais de educa&ccedil;&atilde;o e o potencial de projetos  intersetoriais foram pouco valorizados pelos profissionais de sa&uacute;de de  Mar&iacute;lia-SP, achado semelhante ao de estudo de 2003, realizado em Olinda-PE,  onde se observou, entre as equipes avaliadas, pouca representatividade na  educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de e no entrosamento com entidades de apoio social.  Considerando-se que uma das barreiras a impedir o incremento dos n&iacute;veis de  vacina&ccedil;&atilde;o encontra-se nos conhecimentos e cren&ccedil;as dos usu&aacute;rios, faz-se necess&aacute;rio  que as equipes de sa&uacute;de elaborem estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o que despertem o interesse  populacional e mantenham as coberturas ideais de vacina&ccedil;&atilde;o.<sup>25</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Diante dessas considera&ccedil;&otilde;es, importa frisar: a avalia&ccedil;&atilde;o em  servi&ccedil;o de sa&uacute;de deve ser utilizada, principalmente, como processo de busca de  elementos que permitam configurar a situa&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica de  determinada comunidade, visando ao direcionamento de a&ccedil;&otilde;es que contribuam para  a melhora da sa&uacute;de individual e coletiva, seu impacto social e econ&ocirc;mico.<sup>26</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os resultados apresentados mostram um cen&aacute;rio satisfat&oacute;rio, metade  das vari&aacute;veis estudadas foi compreendida no conceito ideal. Apenas o item  'Aspectos gerais da sala de vacina&ccedil;&atilde;o' foi classificado como regular. Os pontos cr&iacute;ticos elencados s&atilde;o de f&aacute;cil solu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Depreende-se a import&acirc;ncia do papel do enfermeiro como supervisor  t&eacute;cnico nas salas de vacina e sua contribui&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o,  educa&ccedil;&atilde;o permanente do pessoal de enfermagem, vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica, entre  outros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> &Eacute; preciso implantar, de forma sistem&aacute;tica, a atividade de  supervis&atilde;o, monitoramento e avalia&ccedil;&atilde;o nas salas de vacinas, uma vez que s&atilde;o  poucos os estudos nacionais com essa abordagem. O presente estudo realizou  apenas a avalia&ccedil;&atilde;o normativa, carecendo de avalia&ccedil;&otilde;es de processos e resultados  dos servi&ccedil;os prestados nas salas de vacina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Contribui&ccedil;&atilde;o dos autores</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Todos os autores contribuiram igualmente para a constru&ccedil;&atilde;o do  artigo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 1. Feij&oacute; RB, S&aacute;fadi MAP. Imuniza&ccedil;&otilde;es: tr&ecirc;s s&eacute;culos de uma hist&oacute;ria de sucessos e  constantes desafios. Jornal de Pediatria. 2006;82(3):1-3.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 2. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Programa Nacional  de Imuniza&ccedil;&otilde;es-30 anos. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2003.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 3. Tempor&atilde;o JG. O Programa Nacional de Imuniza&ccedil;&atilde;o: origens e  desenvolvimento. 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Ant&aacute;rtica, 1088,    <br>   Jardim  Vit&oacute;ria, Mar&iacute;lia-SP, Brasil.    <br>   CEP: 17.520130    <br> <i>E-mail </i><a href="mailto:kelly_encide@yahoo.com.br">kelly_encide@yahoo.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido em 17/01/2011    <br>   Aprovado em 13/03/2012</font></p>     ]]></body>
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