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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ESPECIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Brasileiros pioneiros na hist&oacute;ria da    microbiologia m&eacute;dica 2. Gaspar Vianna (1885-1914)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Italo Suassuna(<a href="#nota">*</a>)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mal iniciado o s&eacute;culo XX, um jovem paraense    chegava ao Rio de Janeiro. Em 1903, a cidade era palco de verdadeiras revolu&ccedil;&otilde;es    de ordem urban&iacute;stica e sanit&aacute;ria, sob o comando respectivo do    prefeito Pereira Passos e de Oswaldo Cruz, ambos nomeados pelo presidente Rodrigues    Alves. O m&eacute;dico O. Cruz fora antes o diretor de um Instituto Soroter&aacute;pico    Municipal, posteriormente chamado o Instituto de Manguinhos, e criado para combater    a peste bub&ocirc;nica. Neste ano, O. Cruz foi designado Diretor Geral de Sa&uacute;de    P&uacute;blica, e deflagra campanhas contra a febre amarela e a var&iacute;ola,    alem da peste. Foi a &eacute;poca romanceada sob o nome de &#8220;Sonhos Tropicais&#8221;    pelo m&eacute;dico e escritor Moacyr Scliar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rpm/v20n2/2a16f1.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O jovem rec&eacute;m-chegado de Bel&eacute;m do Par&aacute;    chamava-se Gaspar de Oliveira Vianna, e o seu sonho era mais modesto e urgente:    estudar medicina. Em sua bagagem trazia tenacidade e um bom preparo. Em seq&uuml;&ecirc;ncia    j&aacute; havia completado, aos quinze anos, os cursos prim&aacute;rio e secund&aacute;rio    no Col&eacute;gio S&atilde;o Jos&eacute; e no Lyceu Paraense. Considerado, ent&atilde;o,    ainda tenro para viver longe da fam&iacute;lia, aplacou sua inquieta&ccedil;&atilde;o    com estudos pr&aacute;ticos sobre agronomia e esperou, ata &agrave; beira dos    dezoito anos, para chegar ao Rio de Janeiro. Era &oacute;rf&atilde;o de pai    e contava com o apoio da fam&iacute;lia, a m&atilde;e, um irm&atilde;o mais    velho e duas irm&atilde;s. O seu pai, portugu&ecirc;s, chamava-se Manoel Gomes    Vianna. Quanto &agrave; genitora deparamos um desencontro de informa&ccedil;&otilde;es.    Consta na literatura ter-se chamado Leonor Jesus de Oliveira, mas em publica&ccedil;&atilde;o    da Sociedade M&eacute;dico-Cir&uacute;rgica do Par&aacute; &#091;Par&aacute;-M&eacute;dico,    <u>8</u> (1),2001&#093; consta seu nome como Rita Nobre Vianna &#091;conflito a dirimir-se por    consulta a documentos originais sobre seu nascimento&#093;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Logo ao chegar, G. Vianna matriculou-se na Faculdade    de Medicina do Rio de Janeiro e, no primeiro ano, associou-se ao professor de    histologia, Eduardo Chapot Pr&eacute;vost. Este, cirurgi&atilde;o que veio a    se notabilizar pelas interven&ccedil;&otilde;es praticadas em xif&oacute;pagos,    inovava, ent&atilde;o, por exigir como pr&aacute;tica de ensino, o adestramento    nas t&eacute;cnicas histol&oacute;gicas. E o jovem estudante tornou-se ex&iacute;mio    preparador; a ponto de o mestre haver solicitado sua cole&ccedil;&atilde;o de    l&acirc;minas para o ensino da mat&eacute;ria, tendo-o aprovado com a nota m&aacute;xima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Durante o segundo ano m&eacute;dico, o Rio j&aacute;    proclamava o &ecirc;xito do combate &agrave; peste. No quarto ano veio o restante    da fam&iacute;lia juntar-se a G. Vianna, o qual, com a colabora&ccedil;&atilde;o    de seu irm&atilde;o mais velho, Arthur, abriu um laborat&oacute;rio de an&aacute;lises    no centro do Rio, Largo da Carioca, de onde podia alcan&ccedil;ar, a p&eacute;,    o hospital da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia. A&iacute; freq&uuml;entava    enfermarias, realizava necropsias e completava o estudo de alguns esp&eacute;cimes    em seu pr&oacute;prio laborat&oacute;rio. Pelo conceito granjeado entre colegas    estudantes, come&ccedil;ou a lhes dar aulas, a fim de os ajudar a passar pelo    exigente Prof. Chapot Pr&eacute;vost. Nomes t&atilde;o brilhantes como Magarino    Torres, estudioso da doen&ccedil;a de Chagas, e Lauro Travassos, pin&aacute;culo    da helmintologia e entomologia no Brasil, confessaram ter sido seus alunos nessa    circunst&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em 1907 foi declarada extinta a febre amarela no Rio    de Janeiro, e os brasileiros de Manguinhos foram os vencedores do 1<SUP>o</SUP> pr&ecirc;mio    da Exposi&ccedil;&atilde;o Internacional de Berlim, com destaque maior para    a magn&iacute;fica descoberta da doen&ccedil;a de Chagas. Neste ano, Gaspar    Vianna, como primeiro colocado, ainda estudante, ingressa por concurso no Hospital    Nacional de Alienados, dirigido por Juliano Moreira. Ali, destinado ao Gabinete    Anatomo-patol&oacute;gico, p&ocirc;de beber da experi&ecirc;ncia do seu conterr&acirc;neo,    Bruno &Aacute;lvares da Silva Lobo, conhecido simplesmente como Bruno Lobo.    O preciosismo t&eacute;cnico e a aplica&ccedil;&atilde;o logo destacaram o rec&eacute;m-chegado,    fazendo-o figurar, como co-autor do livro &#8220;Estrutura da c&eacute;lula    nervosa&#8221;, junto a Bruno Lobo, o que correspondeu a seu aparecimento autoral    na ci&ecirc;ncia. Neste ano (1908) o Instituto de Manguinhos passou a denominar-se    Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e, Rocha Lima, chefe de servi&ccedil;o dedicado    &agrave; histopatologia, deixou a institui&ccedil;&atilde;o pela Alemanha. G.    Vianna foi ent&atilde;o convidado ao IOC para remediar essa aus&ecirc;ncia,    apesar de s&oacute; vir a completar o curso m&eacute;dico no ano seguinte. Apresentou    como tese de formatura o trabalho &#8220;Estrutura da c&eacute;lula de Schwann    nos vertebrados&#8221;. Discorrendo sobre &#8220;A biologia no Brasil&#8221;    Thales Martins considera ter sido esta a pioneira na publica&ccedil;&atilde;o    de pesquisas histol&oacute;gicas sobre neurofibrilas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A primeira incumb&ecirc;ncia no IOC foi esclarecer    a patologia da doen&ccedil;a de Chagas no homem e animais (gato, cobaio). Numa    aprecia&ccedil;&atilde;o estritamente cientifica, talvez tenha alcan&ccedil;ado    a&iacute;, o seu maior feito cient&iacute;fico, cuja rememora&ccedil;&atilde;o    &eacute;, contudo, empalidecida pelo ponderoso acontecimento que foi a pr&oacute;pria    descoberta de Carlos Chagas. Coube a G. Vianna caracterizar formas de leishm&acirc;nias,    em divis&otilde;es bin&aacute;rias sucessivas, nos mais variados tecidos (muscular,    card&iacute;aco, nervoso, etc), e sua transforma&ccedil;&atilde;o nos tripanosomas    egressos do interior das c&eacute;lulas parasitadas. Dessa maneira, de forma    definitiva, corrigiu a interpreta&ccedil;&atilde;o equivocada do pr&oacute;prio    Chagas que, a in&iacute;cio, no ciclo vital do tripanosoma, apontava formas    de divis&atilde;o m&uacute;ltipla, de esquizogonia regular &#8220;constitu&iacute;das    de oito unidades&#8221; . Tais formas foram posteriormente estudadas e identificadas    por outros autores como o <i>Pneumocystis carinii</i>, que contaminava cobaios,    e mesmo o homem. O esmero de um pesquisador comprova-se quando G. Vianna descreve    seus achados no m&uacute;sculo card&iacute;aco: &#8220;os fen&ocirc;menos inflamat&oacute;rios    s&atilde;o muitas vezes localizados ao redor das fibras parasitadas, mas, n&atilde;o    s&oacute; h&aacute; zonas infiltradas sem haver parasitos, como h&aacute; muitas    c&eacute;lulas parasitadas sem a&ccedil;&atilde;o peri-celular&#8221;, observa&ccedil;&atilde;o    depois confirmada, inclusive por Rocha Lima, e apontada por Magarino Torres    como abrindo caminho para a suspeita e a investiga&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos    de hipersensibilidade respons&aacute;veis por les&otilde;es chag&aacute;sicas.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana">&Eacute; poss&iacute;vel que as formas de leishm&acirc;nias    descritas para o <i>Tripanosoma cruzi</i> tenham levado G. Vianna a interessar-se    pelas formas similares (amastigota) no pr&oacute;prio g&ecirc;nero <i>Leishmania</i>.    Nas les&otilde;es cut&acirc;neas do &#8220;bot&atilde;o do Oriente&#8221; fora    descrita a <i>Leishmania</i> tropica (1903) como agente causal. No Brasil j&aacute;    houvera a sugest&atilde;o da proximidade daquele quadro com o que Juliano Moreira    chamou &#8220;bot&atilde;o da Bahia&#8221;. Os trabalhos de abertura da ferrovia    , a partir de Bauru, em dire&ccedil;&atilde;o aos sert&otilde;es de Mato Grosso,    revelaram situa&ccedil;&otilde;es epid&ecirc;micas de aparecimento do que se    chamou &#8220;ulcera brava&#8221; ou &#8220;ulcera de Bauru&#8221;. As &uacute;lceras    foram estudadas em S&atilde;o Paulo por Adolpho Lindenberg e, de modo independente,    por Antonio Carini &amp; Ulysses Paranhos, que apontaram a <i>L. tropica</i>    como seu agente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Fundando-se em observa&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias    G. Vianna concluiu pela participa&ccedil;&atilde;o de nova esp&eacute;cie, a    qual chamou <i>Leishmania brasiliensis</i>. Sobre essa proposta vale referir    um coment&aacute;rio de Le&ocirc;nidas Deane: &#8220;Ele assim o fez baseado    em caracter&iacute;sticas morfol&oacute;gicas que erroneamente, ele julgou peculiar    &agrave; nossa leishmaniose tegumentar (...) Contudo a esp&eacute;cie criada    por Vianna &eacute; aceita at&eacute; hoje, talvez pela maior parte dos parasitologistas    , mas por outras raz&otilde;es&#8221;. Em realidade a classifica&ccedil;&atilde;o    de leishm&acirc;nias oferece dificuldades at&eacute; o presente. S&atilde;o    separadas em &#8220;complexos&#8221;, um dos quais conserva a designa&ccedil;&atilde;o    <i>L. brasiliensis</i>, relacionado clinicamente &agrave;s formas cut&acirc;neo-mucosas    da doen&ccedil;a, ou esp&uacute;ndia, na Am&eacute;rica do Sul. Tais complexos,    morfologicamente indistingu&iacute;veis, separam-se apenas por diferen&ccedil;as    imunol&oacute;gicas discretas, que deixam a desejar, ou por zimogramas e an&aacute;lises    moleculares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Mas G. Vianna n&atilde;o se limitou &agrave; proposi&ccedil;&atilde;o    da esp&eacute;cie. Quis domar a &#8220;&uacute;lcera brava&#8221;. Remontava    a Paracelso o uso de sais de antim&ocirc;nio em medicina, e j&aacute; havia    not&iacute;cia do ensaio do t&aacute;rtaro em&eacute;tico (tartarato duplo de    antim&ocirc;nio e pot&aacute;ssio), contra os tripanosomas, sem maior &ecirc;xito.    A intensa irrita&ccedil;&atilde;o g&aacute;strica provocada pela subst&acirc;ncia    impedia seu uso por via oral. G. Vianna recorreu &agrave; via endovenosa. A    come&ccedil;ar de solu&ccedil;&otilde;es milesimais, em ensaios cautelosos chegou    &agrave; solu&ccedil;&atilde;o centesimal para o uso. Os resultados altamente    favor&aacute;veis foram divulgados em 1912, apenas dois anos decorridos da introdu&ccedil;&atilde;o    dos arsenicais (&#8220;606&#8221; e &#8220;914&#8221;) por Paul Ehrlich, considerado    o marco inicial da quimioterapia anti-infecciosa. Posteriormente publicado em    alem&atilde;o o trabalho teve repercuss&atilde;o mundial, com efic&aacute;cia    extraordin&aacute;ria comprovada no tratamento, n&atilde;o s&oacute; do bot&atilde;o    do Oriente, como dos casos mais graves de leishmaniose visceral, ou calazar.    Mostrou-se ativo tamb&eacute;m para a esquistosomose e a bancroftose, embora    progressivamente subsituido por outros antimonais org&acirc;nicos e tido, at&eacute;    &eacute;poca recente, como droga de segunda op&ccedil;&atilde;o na esquistosomose    jap&ocirc;nica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Depois de Ehrlich, o uso do t&aacute;rtaro em&eacute;tico    foi, historicamente, a segunda grande conquista da quimioterapia, d&eacute;cadas    antes das sulfas, e marcou um cap&iacute;tulo da hist&oacute;ria da medicina,    como afirmou Samuel Pessoa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> Associado a Henrique de Beaurepaire Arag&atilde;o,    G. Vianna considerou ent&atilde;o outras doen&ccedil;as ulcerosas cr&ocirc;nicas    , refrat&aacute;rias ao tratamento, como a ozena e o granuloma inguinal. Resultados    favor&aacute;veis foram observados, sobretudo quanto ao &uacute;ltimo. Como    do seu feitio, G. Vianna preliminarmente estudou o agente, at&eacute; ent&atilde;o    n&atilde;o cultivado, confirmando microscopicamente a presen&ccedil;a dos corp&uacute;sculos    encapsulados (&#8220;organisms&#8221;, &#8220;bodies&#8221;) descritos por Charles    Donovan, que n&atilde;o lhes deu nome. Arag&atilde;o e Vianna estabeleceram    ent&atilde;o o g&ecirc;nero <i>Kalymmabacterium</i> , (de <i>kalymma</i>, manto),    pois suas c&aacute;psulas diferiam das correspondentes ao g&ecirc;nero <i>Klebsiella</i>,    embora suas tentativas de cultivo n&atilde;o se confirmassem. A mais autorizada    fonte internacional de taxonomia bacteriana, cognominado o &#8220;Bergey&#8217;s    Manual&#8221;, em suas primeiras edi&ccedil;&otilde;es classificou o germe no    g&ecirc;nero <i>Klebsiella</i> e, em seguida como <i>Donovania</i>. Otto Bier    (1953) em obedi&ecirc;ncia &aacute;s regras de prioridade na nomenclatura microbiol&oacute;gica,    advogou em defesa dos autores brasileiros. A partir da 7<SUP>a</SUP> edi&ccedil;&atilde;o    daquele manual (1957), num cap&iacute;tulo redigido pelo pr&oacute;prio Bier    veio a prevalecer o nome <i>Calymmatobacterium granulomatis</i> para a esp&eacute;cie.    Infelizmente, no Brasil, &eacute; comum infectologistas e dermatologistas persistirem    no emprego da designa&ccedil;&atilde;o taxonomicamente incorreta de Donovania,    em rela&ccedil;&atilde;o aos corp&uacute;sculos de Donovan.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Durante as tardes, no IOC, G. Vianna dedicava-se    ao estudo de outros tripanosomas e ensinava. Nas manh&atilde;s atendia atividades    cl&iacute;nicas e freq&uuml;entava a Santa Casa, onde realizava necropsias.    Muitos desses casos foram fonte de suas publica&ccedil;&otilde;es. Nesse contexto,    ap&oacute;s publicar juntamente com Miguel Pereira &#8220;A prop&oacute;sito    de um caso de blastomicose&#8221;, prosseguiu e elaborou a tese &#8220;Mol&eacute;stia    de Posadas-Wernicke. Les&otilde;es apendiculares&#8221;, para habilitar-se &agrave;    doc&ecirc;ncia livre de anatomia patol&oacute;gica da Faculdade de Medicina.    Olympio da Fonseca, que foi seu aluno exatamente em um curso sobre blastomicose,    nos alerta que, em realidade, a tese descreveu a blastomicose brasileira, ou    paracoccidioidomicose (doen&ccedil;a de Lutz, Splendore &amp; Almeida) e n&atilde;o    a coccidioidomicose (doen&ccedil;a de Posadas &amp; Wernicke), numa &eacute;poca    em que o pr&oacute;prio Adolfo Lutz (1908), incorrera neste engano, ao descrever    a doen&ccedil;a. Ainda, segundo Fonseca, G. Vianna, pela primeira vez, tra&ccedil;ou    em linhas gerais todo o quadro cl&iacute;nico e anatomopatol&oacute;gico da    doen&ccedil;a de Lutz: mostrou a propaga&ccedil;&atilde;o linf&aacute;tica ap&oacute;s    a localiza&ccedil;&atilde;o cut&acirc;nea, antes da fase hematog&ecirc;nica    final, dando, por isso, suporte &agrave;s observa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas    de Alfonso Splendore (1912). Suas observa&ccedil;&otilde;es sobre o parasito    nos tecidos, sua evolu&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o, foi algo    que, no dizer de Fonseca &#8220;praticamente a elas quase nada hoje se podendo    acrescentar de novo&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Colaborando com Arthur Moses, G. Vianna descreveu    uma nova esp&eacute;cie de fungo: <i>Proteomyces infestans</i>. O mesmo Fonseca,    anos depois prop&ocirc;s a reclassifica&ccedil;&atilde;o da estirpe como <i>Trichosporon    infestans</i>, mas a amostra foi, posteriormente, perdida e n&atilde;o &eacute;    relacionada atualmente neste g&ecirc;nero.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Edgar de Cerqueira Falc&atilde;o, organizador da publica&ccedil;&atilde;o    &#8220;Opera Omnia&#8221; de Gaspar Vianna, relata o depoimento de uma irm&atilde;,    Lucila, sobre o que veio a acontecer enquanto o mesmo realizava mais uma necropsia    em algum dia de abril do ano de l914: &#8220;Depois de abrir a caixa tor&aacute;cica    dum cad&aacute;ver tuberculoso, ao incisar a pleura jorrou-lhe inopinada e violentamente    no rosto grande quantidade de l&iacute;quido existente sob press&atilde;o dentro    daquela cavidade, penetrando-lhe pelo nariz e pela boca, e obrigando-o a degluti-lo    em parte. Poucos dias em seguida surgiram os primeiros sintomas de infec&ccedil;&atilde;o    tuberculosa aguda (granulia) que o prostrou em menos de dois meses, terminando    pelo acometimento &agrave;s meninges&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> No breve espa&ccedil;o de tempo entre sua primeira publica&ccedil;&atilde;o    com Bruno Lobo (1908) at&eacute; a sua morte em 14 de junho de 1914, em apenas    seis anos portanto, G. Vianna foi autor de 23 comunica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas    que o preservar&atilde;o para sempre do olvido. No Estado do Par&aacute; foi    eleito o &#8220;Paraense do S&eacute;culo&#8221; e um decreto estadual celebrou    o seu nascimento, a 5 de maio, como o &#8220;Dia de Gaspar Vianna&#8221;. Nacionalmente,    a Revista do Hospital das Cl&iacute;nicas de S&atilde;o Paulo inscreve-o em    uma lista dos dez maiores nomes da medicina brasileira no s&eacute;culo XX,    ap&oacute;s enquete entre entidades m&eacute;dicas, cient&iacute;ficas e educacionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> M&aacute;rtir foi, e adicto da ci&ecirc;ncia da qual,    pode ser dito, veio a morrer de &#8220;overdose&#8221;. Para tudo o que fez,    tendo em conta a vida curta que viveu, precocidade e pressa foram palavras definitivas    que selaram seu destino. Precocidade, em fun&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nio    de investigador, cedo provado, e pressa, como na adivinha&ccedil;&atilde;o do    tempo reduzido de que disporia para sua realiza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica,    afortunada em sua ess&ecirc;ncia, mas, alguma vez, incompleta em seu remate.    Nos fastos da ci&ecirc;ncia m&eacute;dica, ele n&atilde;o morreu.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nota"></a>(<a href="#topo">*</a>) Professor    de Microbiologia e Imunologia, Em&eacute;rito da Faculdade de Ci&ecirc;ncias    M&eacute;dicas, UERJ Docente Livre, Faculdade de Medicina, Universidade Federal    do Rio de Janeiro </font></p>      ]]></body>
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