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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b><a name="topo"></a>ARTIGO ESPECIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>O que os m&eacute;dicos contam? <sup><a href="#nota"><font size="3">1</font></a></sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Daniel Pinheiro Hernandez</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Professor Titular da Funda&ccedil;&atilde;o Educacional    Serra dos &Oacute;rg&atilde;os (FESO). Da Diretoria da Sociedade Brasileira    de Hist&oacute;ria da Medicina (Comiss&atilde;o Cient&iacute;fica-Regi&atilde;o    Sudeste). Presidente da Se&ccedil;&atilde;o Teres&oacute;polis da Sociedade    Brasileira de M&eacute;dicos Escritores- SOBRAMES/RJ. Vice-presidente da SOBRAMES    NACIONAL para a Regi&atilde;o Sudeste. Membro da Academia Brasileira de M&eacute;dicos    Escritores (ABRAMES), cadeira n&uacute;mero oito.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este trabalho baseia-se no <i>conto</i> como    forma de narrativa e, em especial, nos aspectos relacionados ao que <i>contam</i>,    os m&eacute;dicos escritores, em suas produ&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O <i>conto</i>, como ensina Assis Brasil, autor    do livro <i>Vocabul&aacute;rio t&eacute;cnico de literatura, &#8220;&Eacute;    uma narrativa curta, que tem a sua origem na literatura oral de todos os povos.    Uma hist&oacute;ria contada, com come&ccedil;o, meio e fim. Mas a sua forma,    durante s&eacute;culos, sofreu modifica&ccedil;&otilde;es. Do conto tradicional,    com enredo concatenado, linear, passou-se ao conto de flagrante, de situa&ccedil;&atilde;o,    de &#8216;estados&#8217; de esp&iacute;rito</i>...&#8221; (1979, p. 46).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tomo, como exemplo, um conto de <i>Jo&atilde;o    Guimar&atilde;es Rosa</i>, que era m&eacute;dico e clinicou durante alguns anos    no interior do estado de Minas, e &eacute; um dos expoentes da literatura brasileira.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Esse conto - <i>A terceira margem do rio </i>(<i>in</i>:    Para gostar de ler, vol. 10 - contos, 1992, p. 73-79) - narra a hist&oacute;ria    de um homem que manda fazer uma canoa. Um dia ele parte na canoa, rio adentro,    e l&aacute; permanece, indo e vindo, sem nunca voltar. At&eacute; que acaba    sendo considerado morto. O conto sugere que a atitude desse homem, ao se abandonar    no rio, tenha acontecido talvez pela &#8220;doideira&#8221; ou &#8220;...por    escr&uacute;pulo de estar com alguma feia doen&ccedil;a, que seja, a lepra...&#8221;    Tamb&eacute;m conta a angustiosa espera do filho pelo pai e as situa&ccedil;&otilde;es    que v&atilde;o acontecendo enquanto o tempo passa, como o casamento da filha    daquele homem e o nascimento do neto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Percebe-se, nesse conto, a valoriza&ccedil;&atilde;o    de termos regionais, a forma como as palavras s&atilde;o empregadas, a sutileza    ao indicar, num &uacute;nico par&aacute;grafo, as poss&iacute;veis afec&ccedil;&otilde;es    que acometiam o personagem e, tamb&eacute;m importante, a <i>situa&ccedil;&atilde;o</i>    que fez o filho pensar o tempo todo, e que tamb&eacute;m obriga o leitor a pensar,    a imaginar, enquanto l&ecirc;, que final a hist&oacute;ria ter&aacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Isto, &eacute; claro, se constitui em arte, na    utiliza&ccedil;&atilde;o das palavras, na transmiss&atilde;o das id&eacute;ias,    - que fazem o leitor imaginar objetos, roupas, express&otilde;es, aspectos,    situa&ccedil;&otilde;es e o significado de determinadas palavras -, e no fazer    pensar, um item de fundamental relev&acirc;ncia nesta forma de narrativa, uma    vez que, por ser curta, deve contar muito em pouco espa&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E, como nos &eacute; bem sabido, medicina e literatura    s&atilde;o duas formas de arte. A <i>medicina</i>, estruturada no desenvolvimento    e aplica&ccedil;&atilde;o de uma enorme quantidade de conhecimentos t&eacute;cnicos    e cient&iacute;ficos, &eacute; a arte de prevenir, curar ou diminuir o impacto    das doen&ccedil;as. A <i>literatura</i>, baseada no gosto pela linguagem, no    prazer da leitura e nas in&uacute;meras possibilidades que a reda&ccedil;&atilde;o    permite, &eacute; a arte de compor obras para transmitir e perpetuar id&eacute;ias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A maioria dos m&eacute;dicos, por for&ccedil;a    das atividades profissionais que exercem, nos mais variados campos e especialidades,    sente-se impelida a contar suas experi&ecirc;ncias, de prevenir e curar doen&ccedil;as.    Dessa forma, as experi&ecirc;ncias profissionais, aliadas ao desejo de transmiti-las,    impulsionam a constante elabora&ccedil;&atilde;o de artigos e livros cient&iacute;ficos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Mas, sabemos que tais obras - artigos e livros    cient&iacute;ficos -, evidentemente de grande valor e incontest&aacute;vel necessidade,    t&ecirc;m uma esp&eacute;cie de &#8220;prazo de validade&#8221;. Isso acontece    porque, na medida que a tecnologia e o conhecimento m&eacute;dico avan&ccedil;am,    tais produ&ccedil;&otilde;es precisam ser atualizadas, as id&eacute;ias talvez    necessitem reformula&ccedil;&atilde;o, conceitos podem ser mudados ou descartados,    tabelas e gr&aacute;ficos n&atilde;o mostram mais a realidade ou as ilustra&ccedil;&otilde;es    perderam resolu&ccedil;&atilde;o ou qualidade visual.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, indo al&eacute;m da literatura cient&iacute;fica,    muitos m&eacute;dicos, pelas mesmas experi&ecirc;ncias, escrevem sobre os v&aacute;rios    aspectos da vida, sobre os sentimentos que dela brotam e sobre o que transcende    a t&eacute;cnica e o concreto. E o fazem com uma profundidade impar!</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E, como &#8220;... <i>uma obra liter&aacute;ria    desenvolve uma linguagem pr&oacute;pria, com recursos de express&atilde;o diferentes    da linguagem cotidiana</i> ...&#8221; (Assis Brasil, 1979, p. 127), os m&eacute;dicos    escritores contam, nos mais variados estilos, aquilo que a vida lhes mostra    e ensina. Com a vantagem, que qualquer obra liter&aacute;ria deste tipo apresenta,    de n&atilde;o precisar, necessariamente, de atualiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vejamos, por exemplo, o sempre falado e discutido    <i>Grande sert&atilde;o: veredas</i>, de <i>Jo&atilde;o Guimar&atilde;es Rosa</i>,    que cito novamente. Obra monumental, publicada em 1956, continua impactante    e &eacute; motivo de in&uacute;meras pesquisas, teses e trabalhos acad&ecirc;micos.    Obra repleta de <i>palavras novas</i>, constitui uma enorme contribui&ccedil;&atilde;o    &agrave; literatura nacional e ao estudo das variantes regionais da l&iacute;ngua    portuguesa. O tempo n&atilde;o lhe tira o brilho, nem a import&acirc;ncia, nem    as opini&otilde;es que provoca.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Jos&eacute; de Nicola, no livro <i>Literatura    brasileira: da origem aos nossos dias</i>, diz que &#8220;<i>A linguagem particular    de Guimar&atilde;es Rosa n&atilde;o est&aacute; no rebuscamento das palavras    ou no uso de arca&iacute;smos, mas sim nos neologismos, na recria&ccedil;&atilde;o    e na inven&ccedil;&atilde;o das palavras, sempre tendo como ponto de partida    a fala dos sertanejos, suas express&otilde;es, suas particularidades</i>...&#8221;    (1989, p. 305-306).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Na lavra de Guimar&atilde;es Rosa, as palavras    recriadas ganharam tanta for&ccedil;a, tanta import&acirc;ncia, e significados    t&atilde;o novos, que o cr&iacute;tico portugu&ecirc;s &Oacute;scar Lopes, citado    por Jos&eacute; de Nicola, assim se expressou:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&#8220;<i>As met&aacute;foras de Guimar&atilde;es    Rosa s&atilde;o tantas e t&atilde;o originais que produzem um efeito po&eacute;tico    radical: o efeito de ressaca do significado novo sobre o significado corrente.    A gente l&ecirc;, por exemplo, que &#8216;o sabi&aacute; veio molhar o pio no    po&ccedil;o, que &eacute; bom ressoador&#8217;, e n&atilde;o fica apenas com    uma admir&aacute;vel evoca&ccedil;&atilde;o ac&uacute;stica; as palavras &#8216;molhar&#8217;    e &#8216;po&ccedil;o&#8217; descongelam-se, libertam-se da sua hiberna&ccedil;&atilde;o    dicionar&iacute;stica ou corrente, e perturbam como um reachado todavia surpreendente</i>.&#8221;    (Nicola, 1989, p. 306).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Claro que, por si s&oacute;, escrever, - como    me referi anteriormente -, sobre os v&aacute;rios aspectos da vida, sobre os    sentimentos que dela surgem e sobre o que vai al&eacute;m da t&eacute;cnica    e do concreto, n&atilde;o s&atilde;o caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas,    s&oacute; encontradas nos m&eacute;dicos escritores, uma vez que todos os dedicados    &agrave; literatura agem de forma parecida quando elaboram seus trabalhos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Todavia, podemos notar aspectos que transformam    as obras, dos m&eacute;dicos escritores, em produ&ccedil;&otilde;es diferenciadas.    Conseq&uuml;entemente, revestem de import&acirc;ncia peculiar aquilo que os    m&eacute;dicos contam.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um deles est&aacute; relacionado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    profissional do m&eacute;dico. Quando ainda cursava o terceiro ano do curso    de Medicina, ouvi, numa aula de proped&ecirc;utica, um professor afirmar, mais    ou menos com estas palavras: <i>aquele que escolheu a medicina por profiss&atilde;o,    escolheu, intrinsecamente, mesmo sem se dar conta disso, trabalhar com tr&ecirc;s    situa&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas: dor, doen&ccedil;a e morte</i>. Pareceu-me    algo tr&aacute;gico, fatalista, mas, refletindo, logo entendi que era a mais    pura verdade. E dei muito valor &agrave;quilo que ouvi. Compreendi que cada    m&eacute;dico, diariamente, busca diminuir a dor, prevenir e combater as doen&ccedil;as    e, sempre que poss&iacute;vel, driblar a morte.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E, justamente por isso, pelas caracter&iacute;sticas    da profiss&atilde;o, o m&eacute;dico est&aacute; muito pr&oacute;ximo de situa&ccedil;&otilde;es    extremas, como o nascer e o morrer, a doen&ccedil;a e a cura, o conseguir e    o n&atilde;o impedir, a calma e o estresse, a felicidade e a tristeza. Por isso,    &eacute; capaz de ir al&eacute;m, nos trabalhos liter&aacute;rios, e apresentar    abordagens diferentes e in&eacute;ditas daquilo que deseja contar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um segundo aspecto, que julgo diferenciar os    trabalhos liter&aacute;rios dos m&eacute;dicos escritores, &eacute; o exemplo    que transmitem naquilo que contam. Um m&eacute;dico, - e aqui n&atilde;o posso    ficar restrito unicamente aos contos - quando apresenta seus sentimentos numa    poesia, quando faz a cr&ocirc;nica de um fato atual ou conta uma hist&oacute;ria    que surgiu na sua imagina&ccedil;&atilde;o, est&aacute;, mesmo que inconscientemente,    apresentando exemplos para quem l&ecirc; seus trabalhos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Mais que isso, o m&eacute;dico escritor tamb&eacute;m    serve de exemplo, porque, apesar de todas as suas atribui&ccedil;&otilde;es,    ainda encontra tempo para ler e escrever. E ler muito! E escrever bem! O m&eacute;dico    escritor valoriza a l&iacute;ngua e &eacute; reconhecido por isso. Ele, sem    saber, acaba influenciando outras pessoas que tamb&eacute;m desejam escrever.    O m&eacute;dico escritor transmite, sem notar, a import&acirc;ncia de ter e    demonstrar sentimentos, de que escrever &eacute; muito prazeroso, de que ler    &eacute; fundamental. O m&eacute;dico escritor, ao contar suas hist&oacute;rias,    &eacute; capaz de exercer particular influ&ecirc;ncia nas pessoas, especialmente    naqueles detalhes que s&oacute; ele, por ser m&eacute;dico, sabe como contar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, por trabalhar nas artes da medicina e    da literatura, o m&eacute;dico escritor conta, em suas hist&oacute;rias, sobre    sentimentos, experi&ecirc;ncias pessoais e profissionais, fatos hist&oacute;ricos,    lendas, religi&atilde;o, ecologia, costumes, festas e tradi&ccedil;&otilde;es,    humor, mist&eacute;rio, pol&iacute;tica, ju&iacute;zos de valor, her&oacute;is    e anti-her&oacute;is e um sem n&uacute;mero de possibilidades. Mas, tamb&eacute;m,    conta sobre valores pessoais e gerais, sobre educa&ccedil;&atilde;o e comportamento    humano. &Eacute;, portanto, um educador, um m&eacute;dico que escreve com o    cuidado e a profundidade de um exame acurado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Al&eacute;m disso, - terceiro aspecto - o m&eacute;dico    escritor, para bem contar o que pretende, deve ser didata e did&aacute;tico!    Vejam a quantidade de ensinamentos que o grande colega <i>Moacyr Scliar</i>    transmite, quando perguntado se segue algum m&eacute;todo para escrever:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">- &#8220;<i>Trabalho muito. Tenho de conciliar    minha atividade de escritor com a de m&eacute;dico de sa&uacute;de p&uacute;blica,    e, al&eacute;m disto, meu m&eacute;todo de trabalho &eacute; complicado. Parto    de uma id&eacute;ia qualquer - origin&aacute;ria de uma figura real ou imaginada,    de um incidente, de um fato hist&oacute;rico, de uma not&iacute;cia de jornal    - e sobre ela come&ccedil;o a escrever, ao acaso, trechos que podem ser o come&ccedil;o    de uma hist&oacute;ria, ou o meio, ou o fim. Quando estas anota&ccedil;&otilde;es    chegam a um certo volume, redijo a primeira vers&atilde;o da narrativa. Sempre    a m&atilde;o. Acredito ser a m&atilde;o um instrumento mais sens&iacute;vel    para a palavra escrita. Depois &eacute; que datilografo, uma, duas, tr&ecirc;s    ou mais vezes, at&eacute; que o texto me pare&ccedil;a razoavelmente bom. Sou    um perfeccionista que busca a palavra certa e o ritmo exato</i>.&#8221; (<i>in:</i>    Para gostar de ler, vol. 9 - contos, 1991, p. 9).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tais palavras, certamente, contam sobre o valor    de se ter um m&eacute;todo pr&oacute;prio, sobre uma forma de conciliar as id&eacute;ias    e de como ajust&aacute;-las, al&eacute;m de mostrar a import&acirc;ncia da paci&ecirc;ncia    e da escolha das palavras e de se atingir o ritmo imaginado para o trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Agora vejam o que disse <i>Moacyr Scliar</i>,    quando lhe perguntaram o que sente quando escreve:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- &#8220;<i>Na narrativa propriamente dita,    deixo voar minha imagina&ccedil;&atilde;o, mas tenho bem presente que literatura    deve se referir, sempre, ao ser humano em sua dimens&atilde;o social, hist&oacute;rica,    pol&iacute;tica. N&atilde;o recuso o humor, porque nada me parece mais desagrad&aacute;vel    que uma narrativa carrancuda</i>.&#8221; (Op. cit., p. 9).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Observa-se, claramente, a import&acirc;ncia que    o autor d&aacute; &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o, mas tendo a preocupa&ccedil;&atilde;o    constante com as pessoas que v&atilde;o ler seus trabalhos e, conseq&uuml;entemente,    com os efeitos que pode causar nelas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E, a meu ver, h&aacute;, ainda, um quarto aspecto,    que reveste de muita import&acirc;ncia a produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria    dos m&eacute;dicos escritores. Trata-se da maneira como falam em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; maneira como agem. Na realidade, &eacute; mais uma expectativa gerada    pelo autor. Portanto, &eacute; uma responsabilidade a mais! Quando algu&eacute;m    l&ecirc; o que conta um m&eacute;dico escritor, faz um ju&iacute;zo de valores    - por tratar-se de um m&eacute;dico! - e v&ecirc;, no autor, um ser que trata    de doen&ccedil;as, mas que tamb&eacute;m escreve! O leitor tamb&eacute;m v&ecirc;,    no m&eacute;dico escritor, algu&eacute;m que sabe enfrentar seus problemas,    j&aacute; que ajuda tantos a resolver os deles; v&ecirc; uma pessoa que se esfor&ccedil;a    para conviver bem com todos, j&aacute; que sua aten&ccedil;&atilde;o deve se    fazer igualmente, independente de ra&ccedil;a, condi&ccedil;&atilde;o financeira,    etnia, diferen&ccedil;as de opini&atilde;o ou quaisquer outros par&acirc;metros    desta natureza; v&ecirc; algu&eacute;m que valoriza seu tempo, de modo a aplic&aacute;-lo    sempre da melhor maneira; v&ecirc; uma pessoa que estuda muito, e sempre; v&ecirc;    um ser que sabe ouvir e entende que &eacute; na diversidade das opini&otilde;es    contr&aacute;rias que pode nascer o conhecimento e a sabedoria; v&ecirc; algu&eacute;m    que n&atilde;o se presta a atos contr&aacute;rios aos ditames que realmente    acredita.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Desta forma, o m&eacute;dico escritor, nos contos    que escreve, narra a sua vida, e um pouco das vidas que cuidou; conforta-se    e leva conforto a muitos; d&aacute; exemplo e ensina; mostra como pensa e, conseq&uuml;entemente,    como age, e, com o aux&iacute;lio da fic&ccedil;&atilde;o, &eacute; capaz de    levar esperan&ccedil;a a tantos quantos fizer chegar seus trabalhos, porque,    nos <i>contos</i>, pode narrar tudo que sua imagina&ccedil;&atilde;o idealizar,    inclusive hist&oacute;rias de dores que foram tiradas, de doen&ccedil;as que    foram debeladas ou da morte que, vez ou outra, foi vencida na eterna corrida    pela vida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">ASSIS BRASIL. <i>Vocabul&aacute;rio t&eacute;cnico    de literatura</i>. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1979.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">GUIMAR&Atilde;ES ROSA, Jo&atilde;o. <i>A terceira    margem do rio. In:</i> Para gostar de ler - vol. 10 - contos. 7 ed. S&atilde;o    Paulo: &Aacute;tica, 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">NICOLA, Jos&eacute; de. <i>Literatura brasileira:    das origens aos nossos dias</i>. 6 ed. S&atilde;o Paulo: Scipione, 1989.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">SCLIAR, Moacyr. <i>Sou perfeccionista. In</i>:    Para gostar de ler - vol. 9 - contos. 5 ed. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica,    1991.</font><p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nota"></a></font><font size="2" face="Verdana"><a href="#topo"><sup>1</sup></a></font><font size="2" face="verdana">Trabalho    apresentado em mesa-redonda , no XXI Congresso Brasileiro de M&eacute;dicos    Escritores, em Macei&oacute;-AL (20 a 23 de abril de 2006).</font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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