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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro Nacional de Epidemiologia, Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vigilância da saúde: Relatório da Oficina realizada durante o IV Congresso Brasileiro de Epidemiologia - EPIRIO-98]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-16731998000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0104-16731998000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0104-16731998000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Com o objetivo de analisar a situação atual e as perspectivas da Vigilância da Saúde no âmbito do SUS, foi realizada uma Oficina de Trabalho durante o TV Congresso Nacional de Epidemiologia, reunindo especialistas da área, sob o patrocínio do CENEPI. Tendo como referência a proposta de reestruturação do modelo assistencial do SUS, discutiram-se os existentes problemas e elaboraram-se propostas estratégicas de fortalecimento das ações de caráter intersetorial de promoção da saúde, bem como a redefinição das ações de vigilância epidemiológica e sanitária nos estados e municípios, com ênfase nas perspectivas apontadas pelo Projeto de Estruturação do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde - VIGISUS.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[With the objective of evaluating the current situation and perspectives of Health Surveillance within the National Health Service, a workshop took place during the TV Brazilian Epidemiology Congress. Experts in this area were present in the workshop supported by the National Epidemiology Center (CENEPI). Given the restructuring of the assistancial model of the National Health System, potential problems were discussed. Strategic proposals were elaborated in order to strengthen the intersectorial characteristics of health promotion, as well as the redefinition of the epidemiologic surveillance practices at the state and municipal level, emphasizing VIGISUS principles.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Sistema Único de Saúde]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Vigilância da Saúde]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[National Health Service]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Health Surveillance]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="left"><font face="Verdana" size="4"><b><a name="topo"></a>Vigil&acirc;ncia da sa&uacute;de: </b></font><b><font face="Verdana" size="4">Relat&#243;rio da Oficina realizada durante o IV Congresso Brasileiro de Epidemiologia -</font> <font face="Verdana" size="4">EPIRIO-98<sup><a href="#endereco">*</a></sup></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com o objetivo de analisar a situa&#231;&#227;o atual e as perspectivas da Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de no &#226;mbito do SUS, foi realizada uma Oficina de Trabalho durante o TV Congresso Nacional de Epidemiologia, reunindo especialistas da &#225;rea, sob o patroc&iacute;nio do CENEPI. Tendo como refer&#234;ncia a proposta de reestrutura&#231;&#227;o do modelo assistencial do SUS, discutiram-se os existentes problemas e elaboraram-se propostas estrat&#233;gicas de fortalecimento das a&#231;&#245;es de car&#225;ter intersetorial de promo&#231;&#227;o da sa&#250;de, bem como a redefini&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es de vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica e sanit&#225;ria nos estados e munic&iacute;pios, com &#234;nfase nas perspectivas apontadas pelo Projeto de Estrutura&#231;&#227;o do Sistema Nacional de Vigil&#226;ncia em Sa&#250;de - VIGISUS.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-Chave:</b></font><font face="Verdana" size="2"> Sistema &#218;nico de Sa&#250;de; Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">With the objective of evaluating the current situation and perspectives of Health Surveillance within the National Health Service, a workshop took place during the TV Brazilian Epidemiology Congress. Experts in this area were present in the workshop supported by the National Epidemiology Center (CENEPI). Given the restructuring of the assistancial model of the National Health System, potential problems were discussed. Strategic proposals were elaborated in order to strengthen the intersectorial characteristics of health promotion, as well as the redefinition of the epidemiologic surveillance practices at the state and municipal level, emphasizing VIGISUS principles.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key-Words:</b></font><font face="Verdana" size="2"> National Health Service; Health Surveillance.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Oficina de Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de contou com o patroc&#237;nio do Centro Nacional de Epidemiologia - CENEPI e da Associa&#231;&#227;o Brasileira de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Sa&#250;de Coletiva</font> <font face="Verdana" size="2">-&nbsp;ABRASCO, reunindo um conjunto de especialistas com o objetivo de desencadear uma reflex&#227;o acerca das concep&#231;&#245;es e das pr&#225;ticas de Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de no &#226;mbito do SUS. O produto esperado, conforme explicitado por Dr. Jarbas Barbosa - Diretor do CENEPI, durante a oficina, foi a elabora&#231;&#227;o de propostas e recomenda&#231;&#245;es tendo em vista a (re) estrutura&#231;&#227;o/operacionaliza&#231;&#227;o do Sistema de Vigil&#226;ncia em Sa&#250;de nos tr&#234;s n&#237;veis de governo, tendo como ponto de partida a necessidade de atualiza&#231;&#227;o dos objetos, meios de trabalho e finalidades deste conjunto de pr&#225;ticas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A realiza&#231;&#227;o desta oficina, mais do que uma oportunidade de sistematiza&#231;&#227;o te&#243;rico-conceitual e metodol&#243;gica em torno da Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de, levou em conta o contexto pol&#237;tico-institucional do SUS, especificamente o processo de municipaliza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es e servi&#231;os de sa&#250;de e a proposta do Projeto de Estrutura&#231;&#227;o do Sistema Nacional de Vigil&#226;ncia em Sa&#250;de - VIGISUS. Este vem sendo negociado com organismos internacionais e pode vir a garantir o financiamento necess&#225;rio &agrave; redefini&#231;&#227;o dos pap&#233;is e atribui&#231;&#245;es de cada esfera administrativa no que diz respeito &agrave; Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de, bem como &agrave; estrutura&#231;&#227;o das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia ao n&#237;vel operacional, viabilizando a adequa&#231;&#227;o de infra-estrutura, a capacita&#231;&#227;o de recursos humanos e o desenvolvimento das rela&#231;&#245;es interinstitucionais de coopera&#231;&#227;o e apoio t&#233;cnico - cient&#237;fico<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A metodologia de trabalho desenvolvida durante a oficina partiu da exposi&#231;&#227;o preliminar do Termo de Refer&#234;ncia: <b>SUS, Modelos Assistenciais e Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de</b></font> <font face="Verdana" size="2">(publicado neste n&#250;mero do Informe), documento b&#225;sico sobre o qual o grupo debru&#231;ou-se nas seguintes quest&#245;es, previamente encaminhadas aos participantes para reflex&#227;o: 1) vertentes conceituais em Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de</font> <font face="Verdana" size="2">-&nbsp;an&#225;lise de semelhan&#231;as e diferen&#231;as; 2)</font> <font face="Verdana" size="2">estrat&#233;gias de operacioaliza&#231;&#227;o da Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de no contexto atual de municipaliza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es e servi&#231;os de sa&#250;de; e 3) an&#225;lise da proposta atual do Centro Nacional de Epidemiologia no que se refere &agrave; reestrutura&#231;&#227;o do Sistema de Vigil&#226;ncia em Sa&#250;de no &#226;mbito do SUS. A sistematiza&#231;&#227;o dos debates ocorridos ao longo da oficina contempla a identifica&#231;&#227;o de problemas enfrentados no campo da vigil&#226;ncia em sa&#250;de no Brasil hoje e a apresenta&#231;&#227;o de algumas propostas e recomenda&#231;&#245;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>An&#225;lise da situa&#231;&#227;o atual da vigil&#226;ncia em sa&#250;de no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O resgate das discuss&#245;es anteriormente realizadas, quer no &#226;mbito dos Congressos Brasileiros de Epidemiologia, quer em Semin&#225;rios espec&#237;ficos promovidos pelo CENEPI desde a sua cria&#231;&#227;o, permite constatar que j&#225; existe um relativo ac&#250;mulo te&#243;rico-conceitual no que se refere &agrave; concep&#231;&#227;o de uma pr&#225;tica de Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de abrangente, capaz de incorporar os avan&#231;os cient&#237;ficos e tecnol&#243;gicos de diversas disciplinas que comp&#245;em o campo da Sa&#250;de Coletiva<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&#233;m constata-se a exist&#234;ncia de um n&#250;mero expressivo de experi&#234;ncias em processo, em alguns estados e v&#225;rios munic&#237;pios do pa&#237;s, que permitem o desenho de estrat&#233;gias voltadas &agrave; institucionaliza&#231;&#227;o das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia, de forma articulada ao processo de descentraliza&#231;&#227;o da gest&#227;o e transforma&#231;&#227;o do modelo assistencial do SUS<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um processo dessa natureza, entretanto, tem que levar em conta uma s&#233;rie de problemas pol&#237;tico-institucionais, jur&#237;dico-normativos e t&#233;cnico-operacionais que persistem no &#226;mbito do SUS e incidem, especificamente, sobre as propostas relativas &agrave; Vigil&#226;ncia em Sa&#250;de. Os participantes da oficina levantaram alguns dos principais problemas em cada um desses planos<i>.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>a) Pol&#237;tico-institucionais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O processo de constru&#231;&#227;o do SUS ainda contempla grande indefini&#231;&#227;o quanto &agrave;s fun&#231;&#245;es</font> <font face="Verdana" size="2">e compet&#234;ncias das tr&#234;s esferas de governo. O avan&#231;o do processo de municipaliza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es e servi&#231;os de sa&#250;de, atrav&#233;s das Normas Operacionais B&#225;sicas (NOB), especialmente a atualmente em vigor, a NOB 001/96, tem colocado o desafio de se avan&#231;ar na redefini&#231;&#227;o da miss&#227;o institucional em cada n&#237;vel de governo, contemplando a reestrutura&#231;&#227;o do Minist&#233;rio da Sa&#250;de (MS) e Secretarias Estaduais de Sa&#250;de (SES), ao tempo em que se fortalecem as Secretarias Municipais de Sa&#250;de (SMS).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, no contexto atual em que se coloca a proposta de reforma do Estado, o papel do Estado na &#225;rea da Sa&#250;de e sua configura&#231;&#227;o institucional vem sendo postos em discuss&#227;o, especialmente no que se refere ao debate entre os espa&#231;os &quot;estatal&quot;, &quot;privado&quot; e &quot;p&#250;blico&quot;, gerando propostas que incidem sobre as formas de gest&#227;o e organiza&#231;&#227;o do sistema e dos servi&#231;os de sa&#250;de<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse contexto, o debate sobre as fun&#231;&#245;es e compet&#234;ncias de cada esfera de governo no &#226;mbito do SUS ganha novos contornos, dando lugar ao surgimento de propostas relacionadas com a normatiza&#231;&#227;o das atividades sob responsabilidade do n&#237;vel federal, estadual e municipal (est&#225; em curso um processo de negocia&#231;&#227;o entre os gestores no espa&#231;o da CIT, que resultou na aprova&#231;&#227;o de uma proposta de atribui&#231;&#245;es m&#237;nimas obrigat&#243;rias para cada n&#237;vel administrativo), ao tempo em que aparecem propostas de mudan&#231;a das formas de organiza&#231;&#227;o de gest&#227;o de &#243;rg&#227;os espec&#237;ficos na &#225;rea de Vigil&#226;ncia, como &#233; o caso da recente proposta de cria&#231;&#227;o de ag&#234;ncias executivas respons&#225;veis pelas a&#231;&#245;es de vigil&#226;ncia sanit&#225;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os participantes da oficina chamaram a aten&#231;&#227;o para o fato de que apesar da crise das Secretarias Estaduais de Sa&#250;de e da debilidade institucional da maioria das Secretarias Municipais de Sa&#250;de diante da operacionaliza&#231;&#227;o de uma proposta abrangente de vigil&#226;ncia em sa&#250;de, o movimento da descentraliza&#231;&#227;o/ municipaliza&#231;&#227;o deve ser considerado como um dos eixos em torno do qual se podem articular as estrat&#233;gias de reestrutura&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es de</font> <font face="Verdana" size="2">vigil&#226;ncia da sa&#250;de no pa&#237;s. Nesse processo, entretanto, deve-se evitar a normatiza&#231;&#227;o excessiva e generalizadora, em aten&#231;&#227;o &agrave; heterogeneidade das situa&#231;&#245;es existentes nas diversas regi&#245;es, estados e munic&#237;pios do pa&#237;s, tanto do ponto de vista do perfil epidemiol&#243;gico e sanit&#225;rio das popula&#231;&#245;es, quanto do ponto de vista da experi&#234;ncia acumulada (ou n&#227;o) no que se refere &agrave; reorganiza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es e servi&#231;os de sa&#250;de, especialmente as a&#231;&#245;es de vigil&#226;ncia<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Chamou-se a aten&#231;&#227;o para os riscos de se submeter as a&#231;&#245;es de vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica e sanit&#225;ria &agrave; mesma l&#243;gica de mercado que rege hoje a presta&#231;&#227;o de servi&#231;os m&#233;dicos ambulatoriais e hospitalares no &#226;mbito do SUS, &quot;monetarizando-se&quot; o valor de procedimentos para fins de programa&#231;&#227;o (PPI), sem levar em conta a necessidade de que a programa&#231;&#227;o dessas atividades obede&#231;a muito mais &agrave; busca de adequa&#231;&#227;o do perfil de oferta dos servi&#231;os &agrave; situa&#231;&#227;o de sa&#250;de do que &agrave; busca de capta&#231;&#227;o de recursos financeiros. Nesse sentido, estes deveriam ser transferidos aos estados e munic&#237;pios de forma global, atendendo-se a crit&#233;rios demogr&#225;ficos, sociecon&#244;micos e epidemiol&#243;gicos, deixando-se espa&#231;os abertos para a criatividade institucional, no sentido de organizar as a&#231;&#245;es da forma mais adequada &agrave; realidade local.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Considerou-se ainda que o debate a respeito da cria&#231;&#227;o de uma Ag&#234;ncia Nacional de Vigil&#226;ncia Sanit&#225;ria precisa ser aprofundado, na medida em que se identificam distintas vis&#245;es acerca do seu significado. Alguns consideram que a falta de amadurecimento da discuss&#227;o pode gerar uma situa&#231;&#227;o que venha a concretizar uma &quot;des-responsabiliza&#231;&#227;o&quot; (privatiza&#231;&#227;o?) do Estado em fun&#231;&#245;es consideradas indeleg&#225;veis no campo da vigil&#226;ncia sanit&#225;ria. Outros, entretanto, chamam a aten&#231;&#227;o para o fato de que tal proposta pode ser considerada como parte de um processo de redefini&#231;&#227;o das fun&#231;&#245;es do Estado, algumas das quais, a exemplo das a&#231;&#245;es de vigil&#226;ncia sanit&#225;ria, passariam a ser executadas por autarquias funcionais dotadas de flexibilidade gerencial.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>b)</b>&nbsp;<b>Jur&#237;dico-normativos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O debate em torno do arcabou&#231;o jur&#237;dico-normativo da &#225;rea de vigil&#226;ncia em sa&#250;de, notadamente no que se refere &agrave; vigil&#226;ncia sanit&#225;ria de produtos e servi&#231;os, fez emergir duas quest&#245;es centrais, a primeira relativa &agrave; pertin&#234;ncia da legisla&#231;&#227;o existente, e a segunda relacionada com as dificuldades de observ&#225;-las no cotidiano das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Alguns participantes consideraram que a legisla&#231;&#227;o atual est&#225; ultrapassada, chamando a aten&#231;&#227;o para a necessidade de atualiz&#225;-la em v&#225;rios aspectos, tomando-se por refer&#234;ncia a complexidade do perfil demogr&#225;fico, social e epidemiol&#243;gico da popula&#231;&#227;o e a necessidade de desenvolver/utilizar tecnologias que d&#234;em &quot;conta&quot; deste desafio<i>.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para outros, haveria uma hipertrofia da normatiza&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia, em detrimento de outras fun&#231;&#245;es, a exemplo da gera&#231;&#227;o de informa&#231;&#227;o para a tomada de decis&#227;o. Nessa perspectiva, o car&#225;ter burocratizado das a&#231;&#245;es de vigil&#226;ncia, especialmente na &#225;rea de vigil&#226;ncia sanit&#225;ria, constituiria uma esp&#233;cie de &quot;cultura institucional&quot;, a ser transformada pela &#234;nfase no manejo das informa&#231;&#245;es n&#227;o apenas no sentido de &quot;vigiar e punir&quot;, mas no sentido de &quot;educar e prevenir&quot;, ou melhor, n&#227;o s&#243; com um enfoque fiscalizador, retrospectivo, e sim em um enfoque educador, prospectivo, orientado para a promo&#231;&#227;o da sa&#250;de e para a qualidade de vida<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Chamou-se a aten&#231;&#227;o, entretanto, que, em muitos casos, o problema principal n&#227;o se encontra na legisla&#231;&#227;o e normas &quot;em si&quot;, sendo o maior problema a n&#227;o aplica&#231;&#227;o das leis e normas vigentes, devido a dificuldades situadas mais nos planos pol&#237;tico-institucional e t&#233;cnico-operativo, relacionadas com a n&#227;o valoriza&#231;&#227;o das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia e com a falta de capacidade gerencial e operativa dos &#243;rg&#227;os e servi&#231;os respons&#225;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>c)</b>&nbsp;<b>T&#233;cnico-operacionais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O debate em torno das quest&#245;es t&#233;cnico-operacionais colocadas na perspectiva</font> <font face="Verdana" size="2">da institucionaliza&#231;&#227;o das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia da sa&#250;de em todos os n&#237;veis do SUS implicou considera&#231;&#245;es acerca do modelo organizacional e operacional da vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica, bem como das rela&#231;&#245;es entre as pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica e sanit&#225;ria, historicamente executadas sob perspectivas distintas no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, chamou-se a aten&#231;&#227;o para o modelo brasileiro de vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica, o qual emergiu dos programas de controle de doen&#231;as selecionadas, desenvolvidos pelo Estado, que contemplavam as estrat&#233;gias de &quot;ataque&quot;, &quot;consolida&#231;&#227;o&quot; e &quot;vigil&#226;ncia&quot;. Nesse sentido, as a&#231;&#245;es de vigil&#226;ncia faziam parte da etapa de monitoramento dos resultados das interven&#231;&#245;es. Este modelo, vinculado estreitamente &agrave; responsabilidade estatal sobre a gera&#231;&#227;o de informa&#231;&#245;es - tomada de decis&#245;es -a&#231;&#245;es estatais de controle, distingue-se do modelo americano, no qual o &quot;<i>Centers for Disease Control and Prevention</i>'' (CDC) enfatiza a gera&#231;&#227;o de informa&#231;&#227;o e sua difus&#227;o na m&#237;dia, transformando-se num suporte importante para a a&#231;&#227;o dos consumidores e da popula&#231;&#227;o em geral.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Considerando as diferen&#231;as hist&#243;ricas, pol&#237;ticas e culturais existentes entre os dois pa&#237;ses, Brasil e Estados Unidos, questionou-se a pertin&#234;ncia de ado&#231;&#227;o do modelo americano em nossa realidade, embora alguns aspectos desta experi&#234;ncia possam estimular a formula&#231;&#227;o de estrat&#233;gias no Brasil, notadamente no que diz respeito &agrave; amplia&#231;&#227;o do sujeito das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia, extrapolando o pessoal do Estado pela incorpora&#231;&#227;o de organiza&#231;&#245;es civis da cidadania e da popula&#231;&#227;o em geral.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&#233;m discutiu-se a &quot;tens&#227;o&quot; que persiste entre as pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica e a vigil&#226;ncia sanit&#225;ria, na medida em que, apesar das iniciativas de &quot;integra&#231;&#227;o institucional&quot; atrav&#233;s, basicamente, de reformas administrativas, permanecem atuando sob l&#243;gicas distintas. Como explicitou um dos participantes da oficina, &quot;a primeira com o olhar dirigido para as pessoas e a segunda, para as coisas&quot;<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A articula&#231;&#227;o entre estas pr&#225;ticas, de fato, n&#227;o se dar&#225; meramente no n&#237;vel pol&#237;tico-gerencial, sen&#227;o que no n&#237;vel t&#233;cnico-operativo, sendo resultado da ado&#231;&#227;o de um enfoque que privilegie a identifica&#231;&#227;o dos problemas - atuais e potenciais - que atingem as &quot;pessoas&quot; e o controle das &quot;coisas&quot; que se constituem em fatores de risco &agrave; sa&#250;de e determinantes das condi&#231;&#245;es de vida. Nesse sentido, a constru&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia da sa&#250;de deve levar em conta a necessidade de repensar as tecnologias utilizadas e a forma&#231;&#227;o/capacita&#231;&#227;o de recursos humanos em uma perspectiva inovadora diante do desafio de trabalhar com objetos redimensionados e outros sujeitos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desse modo, um aspecto bastante discutido na oficina foi a forma&#231;&#227;o/capacita&#231;&#227;o de recursos humanos para o exerc&#237;cio das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia da sa&#250;de. Constatou-se uma inadequa&#231;&#227;o/insufici&#234;ncia dos cursos de gradua&#231;&#227;o e programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o diante do desafio de estruturar/operacionalizar o Sistema de Vigil&#226;ncia. Tal inadequa&#231;&#227;o revela-se na dissocia&#231;&#227;o entre o ensino, a produ&#231;&#227;o de conhecimento e a pr&#225;tica dos servi&#231;os<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Chamou-se a aten&#231;&#227;o para o fato de que a velocidade das transforma&#231;&#245;es no mundo contempor&#226;neo, com reflexos nos &quot;modos de vida&quot; e nas condi&#231;&#245;es de sa&#250;de, exige a redefini&#231;&#227;o dos processos pedag&#243;gicos nesta &#225;rea, de modo a privilegiar a capacidade de &quot;aprender a aprender&quot;. Ou seja, que se orientem os processos de forma&#231;&#227;o e capacita&#231;&#227;o &agrave; constru&#231;&#227;o de sujeitos comprometidos com a adequa&#231;&#227;o permanente das formas de organiza&#231;&#227;o do trabalho e do conte&#250;do t&#233;cnico-cient&#237;fico de suas pr&#225;ticas profissionais, voltados &agrave; obten&#231;&#227;o de resultados concretos em termos de efetividade e impacto positivo de suas a&#231;&#245;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Propostas e recomenda&#231;&#245;es</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1. Desencadear um movimento voltado &agrave; institucionaliza&#231;&#227;o das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia em sa&#250;de, considerando o VIGISUS uma oportunidade que dar&#225; legitimidade pol&#237;tico-institucional e suporte financeiro ao processo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2.&nbsp;Estimular a articula&#231;&#227;o das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica e sanit&#225;ria, buscando integrar &quot;por dentro&quot; os conhecimentos, t&#233;cnicas e instrumentos, a partir do enfrentamento de problemas espec&#237;ficos, integrando os sistemas de informa&#231;&#227;o e reorganizando os processos de trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3.&nbsp;Buscar uma articula&#231;&#227;o entre o processo de institucionaliza&#231;&#227;o da Vigil&#226;ncia da Sa&#250;de com a implanta&#231;&#227;o e desenvolvimento da estrat&#233;gia de Sa&#250;de da Fam&#237;lia, enfatizando n&#227;o s&#243; a vigil&#226;ncia de agravos e sim a reorienta&#231;&#227;o da cultura sanit&#225;ria da popula&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4.&nbsp;Desenvolver processos inovadores de forma&#231;&#227;o/capacita&#231;&#227;o de recursos humanos, considerando a indissociabilidade entre pr&#225;tica, produ&#231;&#227;o de conhecimento e ensino. Isto implica atuar na difus&#227;o dos conte&#250;dos epidemiol&#243;gicos nos cursos de gradua&#231;&#227;o na &#225;rea de sa&#250;de, bem como na redefini&#231;&#227;o de cursos de especializa&#231;&#227;o na &#225;rea de Sa&#250;de Coletiva, que levem em conta a forma&#231;&#227;o de epidemiologistas voltados para a pr&#225;tica de Vigil&#226;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">5.&nbsp;Desenvolver/apoiar processos de capacita&#231;&#227;o que respeitem as diversidades regionais quanto ao perfil epidemiol&#243;gico da popula&#231;&#227;o e a capacidade t&#233;cnico-cient&#237;fica das institui&#231;&#245;es de ensino e pesquisa, definindo, entretanto, conte&#250;dos m&#237;nimos que contemplem conhecimentos e habilidades b&#225;sicas, bem como aspectos conceituais da proposta de vigil&#226;ncia. Articular conhecimentos e t&#233;cnicas de epidemiologia, planejamento, ci&#234;ncias sociais, enfatizando o aprendizado baseado na reorganiza&#231;&#227;o do processo de trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">6.&nbsp;Criar um &quot;Observat&#243;rio&quot; de experi&#234;ncias bem sucedidas de reorienta&#231;&#227;o das pr&#225;ticas de vigil&#226;ncia, contemplando acervo documental e difus&#227;o de meios tradicionais (boletins, revistas, etc.) e comunica&#231;&#227;o eletr&#244;nica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">7.&nbsp;Organizar processos de discuss&#227;o permanente sobre a vigil&#226;ncia da sa&#250;de, estimulando o desenvolvimento de coopera&#231;&#227;o t&#233;cnica interinstitucional, como por exemplo</font> <font face="Verdana" size="2">consultorias de processos a munic&#237;pios que demandem por este tipo de apoio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>Participantes</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ana Cristina Souto (SMS-RN)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Augusto Lopes (MS-PERU)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Carmem Teixeira (ISC/UFBa)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> C&#225;ssio de Moraes (CVE-SP)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> D&#233;a Mara de Carvalho Arruda (CENEPI/MS)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Edin&#225; Costa (ISC/UFBa)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Eliseu Waldman (USP)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Expedito Luna (CENEPI/MS)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Maria da Gl&#243;ria Teixeira (ISC/UFBa) </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Jairnilson Paim (ISC/UFBa)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Jarbas Barbosa (CENEPI/MS)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Marcelo Felga de Carvalho (CENEPI/MS)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Maria do Carmo Leal (ENSP/FIOCRUZ)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Maria L&#250;cia Penna (IMS/UERJ) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Maria Luiza Vilasb&#244;as (ISC/SESAB)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Maur&#237;cio Barreto (ISC/UFBa) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Naomar de Almeida Filho (ISC/UFBa) </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Silvia Martinez Calvo (FSP/CUBA)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Sueli Rozenfeld (ENSP/FIOCRUZ)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a name="endereco"></a><a href="#topo">*</a></sup>Oficina coordenada por Maria da Gl&#243;ria Teixeira, tendo como relatores Ana Luiza Vilasb&#244;as e Carmem Fontes Teixeira.</font></p>      ]]></body>
</article>
