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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Implicações da introdução da 10ª revisão da Classificação Internacional de Doenças em análise de tendência da mortalidade por causas]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,USP Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública Centro Brasileiro de Classificação de Doenças]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The International Classifcation of Diseases (ICD) is periodically revised (usually every tenyears). A new revision incorporates new diseases or else one particular disease, previously represented by a single code, can now be represented by two or more codes. Also, a disease may be moved from one chapter to another. The International Rules for Codification can also be changed in the new classification. These changes may be responsible for the increase or decrease infrequency of a disease or to a chapter of ICD, changing abruptly the trends of this disease or diseases. The ICD-10 for mortality was introduced in Brazil in 1996; a preliminary evaluation of the impact in the mortality statistics was made using the Data Bank of the Brazilian Information System of Mortality in the State of Rio Grande do Sul. In ICD -10 some selected diseases were moved to the chapter of infectious and parasitic diseases, some from this chapter to others. The death certificates of 1996/1997 were coded according to ICD -9 and ICD -10 and, with the use of ICD -10, the results showed an increase of 67,9%. Since the same cases were coded according to ICD-9 and ICD -10, it may be concluded that the increase was due to a "statistical artifact" and not to a real increase of infectious and parasitic diseases.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Análise de Tendências]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="topo"></a><font size="4" face="Verdana"><b>Implica&ccedil;&otilde;es da introdu&ccedil;&atilde;o da 10<sup>a</sup> revis&atilde;o da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional  de Doen&ccedil;as em an&aacute;lise de tend&ecirc;ncia da mortalidade por causas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Paulo R. Grassi<sup>I</sup>; Ruy Laurenti<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>N&#250;cleo de Informa&#231;&#227;o em Sa&#250;de/SSMA/RS</font>    <br>   <font face="Verdana" size="2"><sup>II</sup>Centro Brasileiro de Classifica&#231;&#227;o de Doen&#231;as/Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Sa&#250;de P&#250;blica/USP</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as (CID) &#233; revista periodicamente, geralmente a cada dez anos; uma nova revis&#227;o incorpora novas doen&#231;as que s&#227;o descritas; uma doen&#231;a representada por um s&#243; c&#243;digo pode ser desdobrada em dois ou mais; uma doen&#231;a pode mudar de capitulo, e outras modifica&#231;&#245;es al&#233;m de, poder haver mudan&#231;as nas Regras de Codifica&#231;&#227;o de Mortalidade. Todos esses fatores, geralmente, podem levar a que uma doen&#231;a ou um cap&iacute;tulo da CID sofra altera&#231;&#245;es para mais ou para menos, fazendo assim que a tend&#234;ncia de mortalidade por uma doen&#231;a seja bruscamente alterada com a introdu&#231;&#227;o de uma nova revis&#227;o da CID. A CID-10 foi implantada em mortalidade, no Brasil, em 1996, e foi feita uma avalia&#231;&#227;o preliminar do impacto nas estat&#237;sticas de mortalidade utilizando-se o Banco de Dados do SIM no Rio Grande do Sul. Foram escolhidas algumas doen&#231;as que, de outros cap&#237;tulos, &quot;migraram&quot; para o capitulo de doen&#231;as infecciosas e parasit&#225;rias, ou outros que sa&#237;ram desse capitulo. Para o bi&#234;nio 1996/1997, os casos (atestados de &#243;bito) foram codificados pela CID-9 e CID-10, verificando-se um aumento de 67,9% com o uso da CID-10. Tratando-se dos mesmos casos, verifica-se que esse aumento &#233; devido ao que se chama &quot;artefato estat&#237;stico&quot; e n&#227;o aumento real das doen&#231;as infecciosas e parasit&#225;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-Chave:</b></font><font size="2" face="Verdana"> Mortalidade; Classifica&#231;&#227;o de Doen&#231;as; An&#225;lise de Tend&#234;ncias.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">The International Classifcation of Diseases (ICD) is periodically revised (usually every tenyears). A new revision incorporates new diseases or else one particular disease, previously represented by a single code, can now be represented by two or more codes. Also, a disease may be moved from one chapter to another. The International Rules for Codification can also be changed in the new classification. These changes may be responsible for the increase or decrease infrequency of a disease or to a chapter of ICD, changing abruptly the trends of this disease or diseases. The ICD-10 for mortality was introduced in Brazil in 1996; a preliminary evaluation of the impact in the mortality statistics was made using the Data Bank of the Brazilian Information System of Mortality in the State of Rio Grande do Sul. In ICD -10 some selected diseases were moved to the chapter of infectious and parasitic diseases, some from this chapter to others. The death certificates of 1996/1997 were coded according to ICD -9 and ICD -10 and, with the use of ICD -10, the results showed an increase of 67,9%. Since the same cases were coded according to ICD-9 and ICD -10, it may be concluded that the increase was due to a &quot;statistical artifact&quot; and not to a real increase of infectious and parasitic diseases.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key-Words:</b></font><font face="Verdana" size="2"> Mortality; International Classification of Diseases; Trend Analyses.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as (CID) &#233; o instrumento estat&#237;stico utilizado na apresenta&#231;&#227;o das tabelas de mortalidade por causas. A primeira classifica&#231;&#227;o de doen&#231;as que passou a ter uso internacional foi aprovada em 1893 e, desde ent&#227;o, em intervalos aproximados de dez anos &#233; apresentada e aprovada uma nova revis&#227;o. Atualmente est&#225; em vig&#234;ncia a 10<sup>a</sup> Revis&#227;o, conhecida como CID-10. A partir da CID-6, inclusive, ela, a responsabilidade passou a ser da Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de.<sup>1</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em uma nova revis&#227;o s&#227;o alocadas, quando existentes, novas doen&#231;as descritas como &#233; o caso, na CID-10, da inclus&#227;o da S&#237;ndrome de Imunodefici&#234;ncia Adquirida (AIDS ou SIDA); uma determinada doen&#231;a ou agrupamento de doen&#231;as afins que estava em um cap&#237;tulo pode ser transferido para outro, como &#233; o caso das &quot;Les&#245;es Vasculares que Afetam o Sistema Nervoso Central&quot; que at&#233; a CID-7 estava no Cap&#237;tulo &quot;Doen&#231;as do Sistema Nervoso e dos &#211;rg&#227;os do Sentido&quot; e a partir da CID-8 passou a fazer parte do Cap&#237;tulo &quot;Doen&#231;as do Aparelho Circulat&#243;rio&quot;. Tamb&#233;m pode ocorrer que uma doen&#231;a tinha apenas uma categoria (c&#243;digo de tr&#234;s algarismos) e passou a ser representada por um agrupamento (v&#225;rias categorias), como &#233; o caso da hipertens&#227;o arterial: at&#233; a CID-5 estava representada por apenas uma categoria sob o t&#237;tulo: &quot;hipertens&#227;o arterial (Idiop&#225;tica)&quot; e, a partir da CID-6, passou a ser um agrupamento denominado &quot;Doen&#231;as Hipertensivas&quot; com v&#225;rias categorias e subcategorias (c&#243;digos de maior especifica&#231;&#227;o e com quatro algarismos, atualmente quatro caracteres). Outras altera&#231;&#245;es podem ocorrer de uma revis&#227;o para a outra.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Um aspecto importante que merece ser mencionado &#233; o que diz respeito as &quot;Regras de Codifica&#231;&#227;o da Causa B&#225;sica de Morte&quot;, as quais podem ser alteradas de uma revis&#227;o para outra, particularmente quanto as Regras de Modifica&#231;&#227;o, dando ou tirando prioridade de algumas doen&#231;as como causa de morte.<sup>2,3</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Todos os fatos citados acima podem fazer com que a tend&#234;ncia de uma doen&#231;a seja, as vezes bruscamente, alterada com a introdu&#231;&#227;o de uma nova revis&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um exemplo de como a introdu&#231;&#227;o de uma nova revis&#227;o pode mudar a tend&#234;ncia de mortalidade &#233; o que ocorreu com a hipertens&#227;o arterial e suas complica&#231;&#245;es/manifesta&#231;&#245;es. At&#233; a CID-5 ela s&#243; aparecia como causa b&#225;sica de morte quando o m&#233;dico declarava &quot;Hipertens&#227;o Arterial&quot;, &quot;Hipertens&#227;o Arterial Idiop&#225;tica&quot; ou &quot;Press&#227;o Alta&quot;. Qualquer outra descri&#231;&#227;o como: Hipertens&#227;o Maligna, Doen&#231;a Vascular Hipertensiva, Doen&#231;a Card&#237;aca Hipertensiva, Cardiopatia Hipertensiva, Doen&#231;a Renal Hipertensiva, Doen&#231;a Cardiorrenal Hipertensiva e outras, que eram declaradas como causa b&#225;sica, n&#227;o eram codificadas como &quot;Hipertens&#227;o Arterial (Idiop&#225;tica)&quot;, mas sim como &quot;Outras Doen&#231;as do Aparelho Circulat&#243;rio&quot;. Com a introdu&#231;&#227;o da CID-6 todos os diagn&#243;sticos acima citados passaram a ser codificados em uma categoria ou subcategoria do agrupamento &quot;Doen&#231;as Hipertensivas&quot; e, dessa maneira apresentada nas tabula&#231;&#245;es de mortalidade por causas. Assim, a partir de 1950, quando foi implantada a CID-6, houve um grande aumento da mortalidade por doen&#231;as hipertensivas, sem significar entretanto um aumento real ou uma &quot;epidemia&quot; de hipertens&#227;o arterial.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">V&#225;rios outros exemplos poderiam ser citados, particularmente a partir das &#250;ltimas revis&#245;es. Assim, pode ocorrer aumento ou decl&#237;nio da mortalidade por determinada causa, constituindo o que se convencionou chamar &quot;artefato estat&#237;stico&quot; e n&#227;o uma real mudan&#231;a na magnitude da mesma.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">V&#225;rios autores t&#234;m abordado essa quest&#227;o, chamando a aten&#231;&#227;o quando se analisa a tend&#234;ncia da mortalidade por determinada doen&#231;a quando no per&#237;odo estudado se inclui a implanta&#231;&#227;o de uma nova revis&#227;o da CID.<sup>2</sup>'<sup>3</sup>'<sup>4</sup>'<sup>5</sup>'<sup>6</sup>'<sup>7</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A Implanta&#231;&#227;o da CID-10 no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A CID-10 foi aprovada pela Confer&#234;ncia Internacional para a D&#233;cima Revis&#227;o, em 1989, e adotada pela Quadrag&#233;sima Terceira Assembl&#233;ia Mundial de Sa&#250;de para entrar em vigor em 1<sup>o</sup> de janeiro de 1993.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por v&#225;rias raz&#245;es, principalmente de ordem operacional, n&#227;o foi poss&#237;vel a sua introdu&#231;&#227;o, como prevista, para 1993. Muitos pa&#237;ses introduziram-na de 1995 a 1997 e outros o far&#227;o at&#233; o ano 2000. No Brasil foi implantada para uso em mortalidade a partir de 1<sup>o</sup> de janeiro de 1996 em cumprimento a Portaria GM/MS n.<sup>o</sup> 1.832/94, publicada no Di&#225;rio Oficial da Uni&#227;o de 3 de novembro de 1994.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A avalia&#231;&#227;o do impacto da implanta&#231;&#227;o da CID-10 nas estat&#237;sticas de mortalidade no Brasil precisa ser avaliada e alguns servi&#231;os j&#225; come&#231;aram a programar estudos nesse sentido.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O objetivo deste estudo &#233; apresentar uma avalia&#231;&#227;o preliminar do impacto da implanta&#231;&#227;o da CID-10 nas estat&#237;sticas de mortalidade, baseando-se em apenas algumas doen&#231;as.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As repercuss&#245;es da introdu&#231;&#227;o da CID-10 na mortalidade foram avaliadas utilizando-se o Banco de Dados de Mortalidade do SIM do Rio Grande do Sul, para os anos de 1996 e 1997, os dois primeiros anos de implanta&#231;&#227;o da nova revis&#227;o. As doen&#231;as ou diagn&#243;sticos escolhidos para essa an&#225;lise foram alguns que na CID-10 est&#227;o inclu&#237;dos nos Cap&#237;tulos: I (Algumas Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias); III (Doen&#231;as do Sangue e dos &#211;rg&#227;os Hematopoi&#233;ticos e Alguns Transtornos Imunit&#225;rios) e X (Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio) e que estavam inclu&#237;dos em outro cap&#237;tulo da CID-9, conforme mostra a <a href="#t1">Tabela 1</a>.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v7n3/3a05t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <a href="#t2">Tabela 2</a> mostra os resultados das &quot;adi&#231;&#245;es&quot; e &quot;subtra&#231;&#245;es&quot; dos valores da CID-9 em rela&#231;&#227;o a CID-10 segundo as doen&#231;as escolhidas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v7n3/3a05t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Verifica-se pela <a href="#t2">Tabela 2</a> que nos anos de 1996/1997 o n&#250;mero de casos pelas doen&#231;as relacionadas passou para 5.430, quando pela CID-9 eram 3.234, portanto um aumento de 2.196 casos ou 67,9%. Esse aumento fez com que o total do Cap&#237;tulo I - Algumas Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias passasse a representar 4,1% do total de &#243;bitos, quando pela CID-9 seria 2,5%.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O aumento foi devido, na grande maioria dos casos, aos &#243;bitos por AIDS, que na CID-9 estava no Cap&#237;tulo III, junto com os transtornos</font> <font face="Verdana" size="2">imunit&#225;rios. Houve, portanto, uma diminui&#231;&#227;o desses casos nos transtornos imunit&#225;rios da CID-9 para a CID-10.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O &quot;choque s&#233;ptico&quot;, a &quot;bacteremia&quot; e a &quot;viremia&quot; na CID-9 estavam no Capitulo XVI - Sintomas, Sinais e Causas Mal Definidas, passando na CID-10 para o Capitulo I. Esses tr&#234;s diagn&#243;sticos levaram a diminuir 195 casos &quot;mal definidos&quot; e, portanto, a igual aumento de &quot;doen&#231;as infecciosas e parasit&#225;rias&quot;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O t&#233;tano neonatal que estava entre as doen&#231;as do per&#237;odo perinatal tamb&#233;m foi transferido para as doen&#231;as infecciosas, contribuindo, desse modo, para redu&#231;&#227;o do n&#250;mero de casos de um cap&#237;tulo e aumento de outro, no caso doen&#231;as infecciosas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dois diagn&#243;sticos contribuiriam para diminuir o n&#250;mero de casos de doen&#231;as infecciosas: a angina estreptoc&#243;cica e a sarcoidose que foram, respectivamente, para os cap&#237;tulos de &quot;Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio&quot; e &quot;Doen&#231;as do Sangue e dos &#211;rg&#227;os Hematopoi&#233;ticos e Alguns Transtornos Imunit&#225;rios&quot;. Como se verifica pela <a href="#t2">Tabela 2</a>, nos &#243;bitos de 1996/1997, n&#227;o houve nenhum caso de angina estreptoc&#243;cica, havendo seis casos de sarcoidose.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Capitulo III da CID-9 &quot;Doen&#231;as das Gl&#226;ndulas End&#243;crinas, da Nutri&#231;&#227;o e do Metabolismo e Transtornos Imunit&#225;rios&quot; perdeu as categorias referentes aos transtornos imunit&#225;rios, passando na CID-10 a ser &quot;Doen&#231;as End&#243;crinas, Nutricionais e Metab&#243;licas&quot;, como Cap&#237;tulo IV Os transtornos imunit&#225;rios foram para o novo Cap&#237;tulo III da CID-10, agora referente a &quot;Doen&#231;as do Sangue e dos &#211;rg&#227;os Hematopoi&#233;ticos e Alguns Transtornos Imunit&#225;rios&quot;. A AIDS, como j&#225; comentado, na CID-9 era codificada nos transtornos imunit&#225;rios e, na CID-10, passou para o Cap&#237;tulo I referente a doen&#231;as infecciosas e parasit&#225;rias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Essas mudan&#231;as fizeram com que no Cap&#237;tulo IV da CID-10 fossem codificados 2.316 casos de morte ocorridos no bi&#234;nio 1996/1997, enquanto que na CID-9 o valor</font> <font face="Verdana" size="2">encontrado foi 3.348. Houve, portanto, uma redu&#231;&#227;o de 44,1%.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Analisaram-se tamb&#233;m as mudan&#231;as referentes ao cap&#237;tulo de doen&#231;as respirat&#243;rias, respectivamente Cap&#237;tulo VII (CID-9) e Cap&#237;tulo X (CID-10). A angina estreptoc&#243;cica, a insufici&#234;ncia respirat&#243;ria e a s&#237;ndrome de Mendelson foram &quot;transferidas&quot; para este cap&#237;tulo, visto que estavam localizadas em outros cap&#237;tulos na CID-9. Somente a insufici&#234;ncia respirat&#243;ria que era &quot;mal definida&quot; na CID-9 foi respons&#225;vel por aumento de 840 casos no cap&#237;tulo de doen&#231;as respirat&#243;rias no bi&#234;nio 1996/1997 no Rio Grande do Sul e, obviamente, diminui&#231;&#227;o do mesmo n&#250;mero de casos de &quot;Mal Definidas&quot;. Devido a isso, os &#243;bitos por doen&#231;as respirat&#243;rias passaram de 16.635 casos (CID-9) para 17.475 casos (CID-10). A angina estreptoc&#243;cica (J96) e a S&#237;ndrome de Mendelson J95.4) n&#227;o apareceram nenhuma vez como causa de morte.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, a tend&#234;ncia da mortalidade verificada com a introdu&#231;&#227;o da CID-10, no Rio Grande do Sul, no bi&#234;nio 1996/1997 foi: aumento das doen&#231;as infecciosas e parasit&#225;rias e das doen&#231;as respirat&#243;rias, bem como diminui&#231;&#227;o das causas mal definidas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Coment&#225;rios</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A introdu&#231;&#227;o de uma nova revis&#227;o da Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as sempre &#233; motivo de preocupa&#231;&#227;o ao se analisarem tend&#234;ncias de mortalidade por causas, visto que sempre ocorrem mudan&#231;as na &quot;localiza&#231;&#227;o&quot; do c&#243;digo de algumas doen&#231;as na nova revis&#227;o. H&#225; tamb&#233;m c&#243;digos que se &quot;desdobram&quot; ou v&#225;rios c&#243;digos que podem tornar-se c&#243;digo &#250;nico. Essas mudan&#231;as alteram a magnitude, para mais ou para menos, da frequ&#234;ncia de doen&#231;as, tratando-se, portanto, de um &quot;artefato estat&#237;stico&quot;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O presente estudo &#233; uma avalia&#231;&#227;o preliminar sobre o impacto da implanta&#231;&#227;o da CID-10, mostrando que algumas mudan&#231;as para mais ou para menos, na magnitude na mortalidade configura um &quot;artefato estat&#237;stico&quot; e n&#227;o mudan&#231;a real no padr&#227;o epidemiol&#243;gico.</font> <font face="Verdana" size="2">An&#225;lise mais completa, avaliando-se todos os cap&#237;tulos da CID-10, est&#225; sendo programada. Julgou-se importante, por&#233;m, chamar a aten&#231;&#227;o para o fato perante aqueles que pretendem realizar an&#225;lise de tend&#234;ncias da mortalidade por causas e que encontram alguma varia&#231;&#227;o coincindindo com o ano de implanta&#231;&#227;o da</font> <font face="Verdana" size="2">CID-10.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&#234;ncias Bibliogr&#225;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Laurenti R. An&#225;lise da informa&#231;&#227;o em sa&#250;de: 1893-1993, Cem anos da Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as. <b>Revista de Sa&#250;de P&#250;blica </b>25(6):407-417, 1991.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. Laurenti R, Costa JR, ML da, Buchalla CM, Santo AH. The application of selection rule 3 and mortality trends by Bronchopneumonia. WHO/HST/ICD/C/96.31. Meeting of Heads of WHO Collaborating Centers for the Classification of Diseases. Tokio, Japan, 1996.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. Laurenti R, Buchalla CM, Santo AH. Collaborative study on the application of selection    rule    3:    mortality   from</font> <font face="Verdana" size="2">Bronchopneumonia, Brazil. WHO/HST/ICD/C/97.21. Meeting of Heads of WHO Collaborating Centers for the Classification of Diseases. Copenhagen, Dinamarca, 1997.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. Beandenkopt WG. e colaboradores. An assessment of certain aspects of death certificate data for epidemiologic study of artherioesclerotic heart diseases. <b>Journal of Chronics Disease </b>16:249-262, 1962.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. Dorn HF. Some considerations in the revision of the International Statistical Classification of Causes of Death. <b>Public Health Representation </b>79:175-179,</font><font face="Verdana" size="2"> 1964.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. Laurenti R. Causas m&#250;ltiplas de morte. Tese de Livre Doc&#234;ncia. Faculdade de Sa&#250;de P&#250;blica, USP, 1973.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. Valois AB. Changes due to the sixth revision of the Internacional Statistical Classification of Diseases, Injuries and Causes of Death. <b>Canadian Journal Public Health </b>43:434-441, 1952.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b><b><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v20n1/seta.gif" border="0"></a></b></b>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia:</b></font>    <br>   <font face="Verdana" size="2">Av. Dr. Arnaldo, 715 -    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Bairro Cerqueira C&#233;sar -     <br>   S&#227;o Paulo/SP -     <br> Cep: 01.246-904.     <br> Fax: (011) 282-2920.</font></p>      ]]></body><back>
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