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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Investigação sobre a transmissão da Esquistossomose no Complexo Turístico da Serra do Cipó, MG]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,MS Fundação Nacional da Saúde ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>Investiga&ccedil;&atilde;o sobre a transmiss&atilde;o da Esquistossomose no Complexo  Tur&iacute;stico da Serra do Cip&oacute;, MG</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Cec&#237;lia Pereira de Souza<sup>I</sup>; Sandra Costa Drummond<sup>II</sup>; Carlos Jos&#233; Estev&#227;o da Silva<sup>II</sup>; Luiz Ant&#244;nio Queiroz<sup>II</sup>; Carlos Tito Guimar&#227;es<sup>I</sup>; Roberto Sena Rocha<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Centro de Pesquisas Ren&#233; Rachou - FIOCRUZ, MS, 30190-002, Belo Horizonte, MG, Brasil</font>    <br> <font face="Verdana" size="2"><sup>II</sup>Funda&#231;&#227;o Nacional da Sa&#250;de, MS, 30140-002, Belo Horizonte, MG, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Procedeu-se a levantamento malacol&#243;gico, inqu&#233;rito parasitol&#243;gico e an&#225;lise de &#225;gua do Complexo Tur&#237;stico da Serra do Cip&#243;, MG, Brasil, objetivando detectar focos de transmiss&#227;o da esquistossomose e avaliar as condi&#231;&#245;es de balneabilidade das cole&#231;&#245;es h&#237;dricas. De fevereiro de 1997a agosto de1998, foram coletados 215 moluscos do g&#234;nero <b><i>Drepanotrema lucidum</i></b> (Pfeifer, 1839), em 15 dentre 391 esta&#231;&#245;es pesquisadas nos munic&#237;pios de Santana do Riacho e Jaboticatubas. As taxas de preval&#234;ncia de esquistossomose nos moradores de Santana do Riacho e Jaboticatubas, foram de 3,9% e 6,5%, respectivamente. Dos 35 indiv&#237;duos infectados, 88,5% relataram contato pr&#233;vio com &#225;gua em outras localidades end&ecirc;micas e foram tratados com oxamniquina. Camundongos sentinelas imersos em dois pontos do rio Cip&#243; n&#227;o apresentaram vermes de <b><i>Schistosoma mansoni</i></b> no f&iacute;gado e intestino ap&#243;s 50 dias. As condi&#231;&#245;es de balneabilidade das &#225;guas dos rios Cip&#243; e Soberbo foram consideradas satisfat&#243;rias assim como as qualidades f&iacute;sico-qu&#237;micas das mesmas. Nesse per&#237;odo, n&#227;o houve transmiss&#227;o de esquistossomose na regi&#227;o gra&#231;as &#224; aus&#234;ncia de moluscos do g&ecirc;nero <i><b>Biomphalaria</b></i>, hospedeiros de <b><i>S. mansoni</i></b>, parasitados nas cole&#231;&#245;es h&#237;dricas. Medidas profil&#225;ticas foram recomendadas &#224;s autoridades em sa&#250;de para a manuten&#231;&#227;o de condi&#231;&#245;es epidemiol&#243;gicas satisfat&#243;rias no complexo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-Chaves</b></font><font face="Verdana" size="2"><b>:</b></font><font face="Verdana" size="2"> Esquistossomose; Transmiss&#227;o; Serra do Cip&#243;; Minas Gerais. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A malacological survey, parasitological investigation and analysis of water of the touristic complex of Serra do Cip&#243;, MG, Brazil were undertaken to detect foci of transmission of schistosomiasis and to evaluate the balneability conditions of the water courses. From February of 1997 to August of 1998, 215 snails of genus <b><i>Drepanotrema lucidum</i></b> (Pfeiffer, 1839) were collected in 15 out of 391 stations studied in the municipalities of Santana do Riacho and Jaboticatubas. The prevalence rates of schistosomiasis in the population resident in Santana do Riacho and Jaboticatubas were 5.9% and 6.5% respectively. Among the 35 parasited patients, 88.5% reported previous contact with water in other endemic localities. The patients were all treated with oxamniquine. Mice immersed at two points of river Cip&#243; presented no <b><i>Schistosoma mansoni</i></b> worms in their livers and intestines after 50 days. The conditions of the water of the rivers Cip&#243; and Soberbo were considered adequate as well as their physicochemical qualities. Neither <b><i>Schistosoma mansoni</i></b> - infected <b><i>Biomphalaria</i></b> nor schistossomiasis transmission were detected during the period of observation. Prophylactic measures were recommended to the health authorities to maintain the satisfactory epidemiological conditions in the complex.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key-Words:</b></font><font face="Verdana" size="2"> Schistosomiasis; Transmission; Serra do Cip&#243;; Minas Gerais.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">Introdu&#231;&#227;o</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 23 de janeiro de 1997, o Jornal Estado de Minas publicou mat&#233;ria intitulada &quot;Xistose no Cip&#243;&quot; na qual foi citado um servidor da Funda&#231;&#227;o Nacional da Sa&#250;de (FUNASA) como autor de um documento sobre a endemia no Complexo Tur&#237;stico da Serra do Cip&#243;, cujos &quot;resultados eram comprometedores para o turismo&quot;. Em consequ&#234;ncia desse epis&#243;dio, houve uma reuni&#227;o com representantes da FUNASA, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA), da Comunidade Tur&#237;stica e das Prefeituras Municipais de Jaboticatubas e Santana do Riacho, na Pousada Monjolos, na Serra do Cip&#243;, para conhecer e discutir a situa&#231;&#227;o sob o ponto de vista da comunidade afetada. Foram definidas a&#231;&#245;es com vistas a caracterizar a presen&#231;a de caramujos transmissores de esquistossomose e o &#237;ndice de infec&#231;&#227;o dos moradores e trabalhadores da localidade e medidas de interven&#231;&#227;o que se fizessem necess&#225;rias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foi proposta uma a&#231;&#227;o imediata preliminar de inqu&#233;rito malacol&#243;gico, em pontos de maior concentra&#231;&#227;o de casas e posterior a&#231;&#227;o integrada com os dois munic&#237;pios vizinhos para acompanhamento permanente do problema.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para efetuar o levantamento malacol&#243;gico da regi&#227;o, t&#233;cnicos da FUNASA solicitaram a colabora&#231;&#227;o do Laborat&#243;rio de Malacologia do Centro de Pesquisas Ren&#233; Rachou (CPqRR), Funda&#231;&#227;o Oswaldo Cruz, MS, para exame e identifica&#231;&#227;o espec&#237;fica dos moluscos das cole&#231;&#245;es h&#237;dricas do complexo tur&#237;stico. Posteriormente, a equipe do CPqRR participou da discuss&#227;o, elabora&#231;&#227;o e acompanhamento do projeto nesta &#225;rea.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A localiza&#231;&#227;o do Complexo Tur&#237;stico da Serra do Cip&#243; &#233; privilegiada quanto ao relevo. A &#225;gua da maioria das cole&#231;&#245;es h&#237;dricas &#233; corrente e a temperatura &#233; normalmente mais baixa do que a de regi&#245;es vizinhas. O leito e as margens de rios e c&#243;rregos, na maioria, s&#227;o cobertos por pedras. Essas caracter&#237;sticas n&#227;o s&#227;o muito favor&#225;veis &#224; implanta&#231;&#227;o de criadouros de moluscos. Entretanto, sua localiza&#231;&#227;o entre dois munic&#237;pios onde a esquistossomose &#233; end&ecirc;mica e as taxas de preval&#234;ncia humana variam de 3,9 a 35,7%o<sup>1,2 </sup>levanta suspeitas sobre a transmiss&#227;o da parasitose tamb&#233;m na regi&#227;o do complexo. A presen&#231;a de moluscos hospedeiros de <i>S. mansoni</i> como a <i>B. glabrata</i> nos munic&#237;pios de Santana do Riacho e Jaboticatubas (FUNASA, 1994-1995, dados n&#227;o publicados) e ainda de <i>B. tenagophila</i> com infec&#231;&#227;o natural em Jaboticatubas,<sup>3</sup> tem levantado d&#250;vidas sobre a ocorr&#234;ncia ou n&#227;o desses moluscos nas numerosas cole&#231;&#245;es h&#237;dricas do complexo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O levantamento bibliogr&#225;fico sobre a fauna malacol&#243;gica de &#225;gua doce da regi&#227;o do Complexo Tur&#237;stico da Serra do Cip&#243;, revelou que a mesma &#233; pouco conhecida, havendo relato apenas do encontro de moluscos do g&ecirc;nero <i>Drepanotrema</i> pelo Dr. Alan Melo, da Universidade Federal de Minas Gerais, (1997, comunica&#231;&#227;o pessoal). Os moluscos do g&ecirc;nero <i>Drepanotrema</i> pertencem &#224; fam&#237;lia Planorbidae (Pulmonata: Basommatophora), como os do g&ecirc;nero <i>Biomphalaria</i>, hospedeiros do <i>S. mansoni</i>, mas n&#227;o s&#227;o vetores desse parasita.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os objetivos deste estudo foram investigar a ocorr&#234;ncia ou n&#227;o de transmiss&#227;o de esquistossomose, avaliar as condi&#231;&#245;es de balneabilidade das cole&#231;&#245;es h&#237;dricas do Complexo Tur&#237;stico da Serra do Cip&#243; e sugerir medidas de controle visando proteger a popula&#231;&#227;o local e os visitantes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>&#193;rea de estudo</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Complexo Tur&#237;stico da Serra do Cip&#243; fica localizado no limite dos Munic&#237;pios de Santana do Riacho e de Jaboticatubas a 70 km de Belo Horizonte, na cadeia do Espinha&#231;o a 1.000/1.800 m de altitude.<sup>4</sup> Cercada por v&#225;rios cursos de &#225;gua e com mais de 60 cachoeiras ao longo do rio Cip&#243; e de seus afluentes, a Serra do Cip&#243; desperta bastante interesse tur&#237;stico. A &#225;rea do Complexo est&#225; localizada no Parque Nacional da Serra do Cip&#243;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A &#225;gua para o consumo dom&#233;stico da localidade &#233; origin&#225;ria de po&#231;o artesiano e o destino dos dejetos, conforme consta de uma rela&#231;&#227;o apresentada pelo representante da comunidade, com 150 casas, &#233; fossa negra em sua maioria, com duas casas sem nenhum tipo de fossa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Levantamento malacol&#243;gico</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As localidades banhadas pelo rio Cip&#243; e seus afluentes, rios Soberbo, Gavi&#245;es e Mascates, que constam do Complexo Tur&#237;stico da Serra do Cip&#243; (<a href="#f1">Figura 1</a>), foram mapeadas e as cole&#231;&#245;es h&#237;dricas demarcadas de 50 em 50 metros, estabelecendo-se, assim, as esta&#231;&#245;es</font> <font face="Verdana" size="2">para pesquisar a presen&#231;a de caramujos. Estas esta&#231;&#245;es foram ent&#227;o estudadas visando-se detectar e coletar quaisquer caramujos porventura presentes para remessa ao Laborat&#243;rio de Malacologia do CPqRR, onde se procederia &agrave; contagem, mensura&#231;&#227;o, identifica&#231;&#227;o espec&#237;fica e exame para verificar poss&#237;vel infec&#231;&#227;o com <i>Schistosoma mansoni</i>. Em 1997foram feitos tr&#234;s levantamentos malacol&#243;gicos em diferentes &#233;pocas do ano. O trabalho teve in&#237;cio na data prevista em 17/02/97 e o primeiro levantamento malacol&#243;gico foi conclu&#237;do em 12/03/97, abrangendo nove localidades dos munic&#237;pios de Santana do Riacho e Jaboticatubas. Nos meses de junho e novembro de 1997, foram efetuados</font> <font face="Verdana" size="2">novos levantamentos malacol&#243;gicos nas mesmas esta&#231;&#245;es anteriormente estudadas, que foram repetidos at&#233; agosto de 1998.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a05f1.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Inqu&#233;rito parasitol&#243;gico e tratamento cl&#237;nico</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Imediatamente ap&#243;s o primeiro levantamento malacol&#243;gico (12/03/97), foi iniciado o inqu&#233;rito coprosc&#243;pico de toda a popula&#231;&#227;o ribeirinha atrav&#233;s da coleta de uma amostra de fezes utilizando o m&#233;todo de Kato-Katz.<sup>5</sup> No total foram examinadas 827 pessoas, sendo 735 residentes no Munic&#237;pio de Santana do Riacho e 92 no Munic&#237;pio de Jaboticatubas. O inqu&#233;rito coprosc&#243;pico terminou em 04/04/97.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O tratamento cl&#237;nico foi realizado com o oxamniquina nas doses de 15mg/kg e 20 mg/kg para adultos e crian&#231;as respectivamente e as outras helmintoses intestinais foram tratadas com albendazole.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Camundongos sentinelas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em novembro de 1997, dois grupos de dez camundongos cada, criados no biot&#233;rio do CPqRR, foram colocados em imers&#227;o de 10 &#224;s 14 horas, durante tr&#234;s dias, na &#225;gua, em dois pontos suspeitos de contamina&#231;&#227;o do rio Cip&#243;, abaixo da Cachoeira Grande e embaixo da ponte, pr&#243;ximo ao hotel Veraneio, para pesquisa de presen&#231;a de cerc&#225;ria de <i>S. mansoni</i> nesses locais. A temperatura da &#225;gua registrada durante o per&#237;odo de imers&#227;o dos animais foi de 27,0 &plusmn; 0,5<sup>o </sup>C. Ap&#243;s o per&#237;odo de exposi&#231;&#227;o, os camundongos foram levados para o biot&#233;rio do CPqRR. Decorridos 50 dias da exposi&#231;&#227;o, os animais foram sacrificados e perfundidos<sup>6</sup> para coleta de vermes de <i>S. mansoni</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>An&#225;lise bacteriol&#243;gica e f&#237;sico-qu&#237;mica da &#225;gua</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para avaliar a qualidade das &#225;guas dos principais rios da regi&#227;o, foram analisadas amostras coletadas em cinco datas diferentes no mesmo local. Ap&#243;s as an&#225;lises, elas seriam classificadas como: excelente, muito boa, satisfat&#243;ria ou impr&#243;pria, seguindo as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente</font> <font face="Verdana" size="2">(CONAM Resolu&#231;&#227;o 20 de 18/06/86), do Minist&#233;rio do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, publicadas no Di&#225;rio Oficial.<sup>7</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entre os dias 7 de abril e 4 de maio de 1998 foram coletadas cinco amostras de &#225;gua do rio Soberbo (na altura da piscina natural do &quot;camping&quot; da Associa&#231;&#227;o Crist&#227; de Mo&#231;os, ACM) e cinco do rio Cip&#243;, (a jusante do hotel Veraneio) para avalia&#231;&#227;o dos n&#237;veis de coliformes totais e fecais e do <i>Streptococcus faecalis</i> e para sua an&#225;lise f&#237;sico-qu&#237;mica, com avalia&#231;&#227;o de 26 par&#226;metros. As an&#225;lises bacteriol&#243;gica e f&iacute;sico-qu&#237;mica da &#225;gua foram realizadas pelo Centro de Pesquisas Especiais (CEPE), Belo Horizonte.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A temperatura da &#225;gua das cole&#231;&#245;es h&#237;dricas foi medida durante todas as coletas de material no campo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>&#211;rg&#227;os envolvidos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Estiveram envolvidos diretamente nos trabalhos de campo servidores ou representantes dos seguintes &#243;rg&#227;os: FUNASA, IBAMA, Associa&#231;&#227;o Comunit&#225;ria Cardeal Mota, Prefeitura de Jaboticatubas, Prefeitura de Santana do Riacho e CPqRR-FIOCRUZ.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O n&#250;mero de esta&#231;&#245;es de captura de molusco demarcadas foi de 554 mas s&#243; foram pesquisadas 391, nas quais era poss&#237;vel o acesso humano, pois essa regi&#227;o apresenta relevo irregular (<a href="#t1">Tabela 1</a>). De fevereiro de 1997 a agosto de 1998, foram coletados 215 moluscos da fam&#237;lia Planorbidae, medindo 1-4 mm de di&#226;metro, pertencentes cio g&#234;nero <i>Drepanotrema lucidum</i> (Pfeiffer, 1839) em 15 esta&#231;&#245;es, sendo 13 no rio Soberbo e duas no rio Cip&#243; (<a href="#t1">Tabela 1</a>). No rio Soberbo, nove esta&#231;&#245;es de captura estavam localizadas em Cardeal Mota, tr&#234;s em Santa Rita e uma no Chap&#233;u de Sol. (<a href="#t2">Tabela 2</a>, <a href="#f1">Figura 1</a>). Em duas esta&#231;&#245;es de coleta no rio Soberbo, em Cardeal Mota e Chap&#233;u de Sol foram capturados dois moluscos eliminando <i>Cercaria macrogranulosa</i><sup>8</sup> (Trematoda: Echinostomatidae) parasita n&#227;o humano. N&#227;o foram encontrados moluscos do g&#234;nero <i>Biomphalaria</i> eliminando cerc&#225;rias de <i>S. mansoni</i></font> <font face="Verdana" size="2">em nenhuma das esta&#231;&#245;es pesquisadas. No munic&#237;pio de Jaboticatubas, no rio Cip&#243;, em 1998, foram coletados nove moluscos <i>D. lucidum</i> em duas esta&#231;&#245;es, uma em Areias e outra em Campinho (<a href="#t2">Tabela 2</a>).</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a05t1.gif" border="0"></font></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="left"><a name="t2"></a></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a05t2.gif" border="0"></font></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">A perfus&#227;o de 19 camundongos sobreviventes usados como sentinela, mostrou a aus&#234;ncia de vermes macho, f&#234;mea ou acasalados de <i>S. mansoni</i> nos f&#237;gados e intestinos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os    exames    coprosc&#243;picos    por</font> <font face="Verdana" size="2">localidade, n&#250;mero de pessoas examinadas e preval&#234;ncia de esquistossomose na popula&#231;&#227;o ribeirinha do Complexo Tur&#237;stico nos dois munic&#237;pios est&#227;o relacionados na <a href="#t3">Tabela 3</a>. Dos 35 indiv&#237;duos infectados, dentre 827 examinados (<a href="#t3">Tabela 3</a>) no Complexo Tur&#237;stico, 27 foram tratados, seis foram contra-indicados para tratamento e dois estavam ausentes na &#233;poca do tratamento. Dentre 34 casos investigados, 31 j&#225; haviam sido tratados anteriormente e relataram contato com &#225;gua em</font> <font face="Verdana" size="2">outras &#225;reas end&#234;micas. Somente tr&#234;s casos n&#227;o ficaram bem esclarecidos.</font></p>     <p><a name="t3"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a05t3.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise bacteriol&#243;gica de amostras de &#225;gua coletadas nos rios Soberbo e Cip&#243; mostrou que elas s&#227;o pr&#243;prias para contatos humanos prim&#225;rios, segundo as normas do CONAM (<a href="#t4">Tabela 4</a>). A &#225;gua do rio Soberbo mostrou contamina&#231;&#227;o menor com coliformes totais (excelente) do que a do rio Cip&#243; (muito boa). A an&#225;lise f&#237;sico-qu&#237;mica de &#225;gua coletada nos rios   Soberbo   e   Cip&#243;  mostrou   que   as</font> <font face="Verdana" size="2">concentra&#231;&#245;es detectadas dos elementos qu&#237;micos estavam abaixo dos valores m&#225;ximos permitidos (VMP), segundo normas do CONAM. O pH da &#225;gua do rio Cip&#243; foi de 6,99 e do rio Soberbo de 6,89 (<a href="#t5">Tabela 5</a>).</font></p>     <p><a name="t4" id="t4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a05t4.gif" border="0"></font></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="left"><a name="t5"></a></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a05t5.gif" border="0"></font></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">A temperatura da &#225;gua medida em v&#225;rias cole&#231;&#245;es h&#237;dricas do complexo tur&#237;stico variou de 21,5 a 27,0<sup>o</sup> C durante o per&#237;odo pesquisado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Discuss&#227;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa mostrou que em 391 esta&#231;&#245;es de coleta (73,3%), em 15 (3,8%) foram encontrados somente moluscos do g&#234;nero <i>Drepanotrema</i>, o que est&#225; de acordo com pesquisas anteriores (Melo, A: comunica&#231;&#227;o pessoal).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dois   grupos    de    camundongos</font> <font face="Verdana" size="2">sentinelas imersos em &#225;gua em dois pontos do rio Cip&#243;, em locais de grande afluxo de banhistas, em novembro de 97, m&#234;s de temperatura elevada (27<sup>o</sup> C) n&#227;o se infectaram com <i>S. mansoni</i>, mostrando a aus&#234;ncia de cerc&#225;rias do parasita nesses pontos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No per&#237;odo pesquisado, janeiro a novembro de 1997 at&#233; agosto de 1998, n&#227;o foi detectada a transmiss&#227;o de esquistossomose em nenhuma cole&#231;&#227;o h&#237;drica do complexo tur&#237;stico, devido &agrave; aus&#234;ncia de moluscos hospedeiros intermedi&#225;rios infectados nas cole&#231;&#245;es h&#237;dricas da regi&#227;o. Portanto, os pacientes com esquistossomose, residentes nessa &#225;rea, provavelmente se infectaram em outros locais. At&#233; agosto de 1998, foram coletados 215 exemplares de <i>D. lucidum</i> em 13 esta&#231;&#245;es de coleta no rio Soberbo, no Munic&#237;pio de Santana</font> <font face="Verdana" size="2">do Riacho e duas esta&#231;&#245;es do rio Cip&#243;, Munic&#237;pio de Jaboticatubas. Em duas esta&#231;&#245;es de coleta em Cardeal Mota e Chap&#233;u de Sol, Munic&#237;pio de Santana do Riacho, foram encontrados dois moluscos albergando a <i>Cercaria macrogranulosa</i>. Em 1998, a pesquisa na regi&#227;o foi facilitada pela seca, que reduziu o volume de &#225;gua das cole&#231;&#245;es h&#237;dricas, possibilitando a coleta de n&#250;mero maior de moluscos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na an&#225;lise bacteriol&#243;gica de &#225;gua coletada nos rios Soberbo e Cip&#243;, as amostras foram classificadas segundo normas do CONAM como pr&#243;prias para contatos humanos prim&#225;rios, como nata&#231;&#227;o, mergulho, esqui aqu&#225;tico, sem restri&#231;&#245;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na an&#225;lise f&#237;sico-qu&#237;mica das &#225;guas dos mesmos pontos, na qual foram avaliados 26 par&#226;metros, as concentra&#231;&#245;es de elementos qu&#237;micos encontrados mostraram que todos estavam dentro dos valores m&#225;ximos permitidos. O pH entre 5,0 e 7,0 &#233; favor&#225;vel &agrave; cria&#231;&#227;o de <i>Biomphalaria</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Como nos Munic&#237;pios de Santana do Riacho e Jaboticatubas s&#227;o encontrados moluscos <i>Biomphalaria</i>, vetores de esquistossomose, e existem pacientes com infec&#231;&#227;o na localidade, h&#225; necessidade de vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica constante nessa &#225;rea, para evitar o aparecimento de criadouros e focos, em virtude da capacidade de adapta&#231;&#227;o desses planorb&#237;deos &agrave;s condi&#231;&#245;es ambientais. O transporte de moluscos atrav&#233;s de animais e p&#225;ssaros<sup>9</sup>, de barcos, e mudan&#231;as ocasionadas no ambiente aqu&#225;tico, pela interven&#231;&#227;o humana, como agricultura, piscicultura,<sup>10</sup> pesque-e-pague, implementa&#231;&#227;o de ran&#225;rios, podem vir a favorecer o aparecimento de criadouros de moluscos vetores. Portanto, para a manuten&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es epidemiol&#243;gicas satisfat&#243;rias assim como da balneabilidade das &#225;guas dos rios Cip&#243; e Soberbo e das demais cole&#231;&#245;es h&#237;dricas do complexo, foram recomendadas &agrave;s autoridades locais em sa&#250;de algumas medidas profil&#225;ticas como:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a) n&#227;o introduzir, peixes e plantas aqu&#225;ticas em cole&#231;&#245;es h&#237;dricas, sem quarentena de no m&#237;nimo 30 dias, visando evitar a introdu&#231;&#227;o</font> <font face="Verdana" size="2">acidental de caramujos hospedeiros intermedi&#225;rios de <i>S. mansoni</i> na &#225;rea.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) n&#227;o fazer descargas de esgotos ou de fossas nas cole&#231;&#245;es h&#237;dricas da regi&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c) repetir o levantamento malacol&#243;gico pelo menos duas vezes por ano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">d) repetir as an&#225;lises bacteriol&#243;gica e f&#237;sico-qu&#237;mica das &#225;guas dos rios, duas vezes ao ano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">e) comunicar aos respons&#225;veis pela vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica do complexo tur&#237;stico quaisquer altera&#231;&#245;es que ocorrerem nas &#225;guas dos rios e de outras cole&#231;&#245;es h&#237;dricas, como odor desagrad&#225;vel, mortalidade de peixes, presen&#231;a de caramujos ou aparecimento de plantas aqu&#225;ticas diferentes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">f) capacitar e manter constantemente t&#233;cnicos para a vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica da esquistossomose no complexo tur&#237;stico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao Dr. Wladimir Lobato Paraense, do Departamento de Malacologia da Funda&#231;&#227;o Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ, pela identifica&#231;&#227;o espec&#237;fica dos moluscos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1.&nbsp;Cury Gc, Salles PGO, Reis MCW, Rego VM, Arndt AW, Souza Filho CBA, Moreira HB, Abreu MS, Leite PMG. Preval&#234;ncia da esquistossomose mansoni e de parasitoses intestinais em escolares da &#225;rea rural do munic&#237;pio de Jaboticatubas, MG, 1992-1993. <b>Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical </b>27: 217-220, 1994.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2.&nbsp;Pellon B, Teixeira I. Distribui&#231;&#227;o da esquistossomose mans&#244;nica no Brasil. 8<sup>o </sup>Congresso Brasileiro de Higiene, Recife. Divis&#227;o de Organiza&#231;&#227;o Sanit&#225;ria, Rio de Janeiro, 117p., 1950.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3.&nbsp;Melo AL, Pereira LH. On the finding of <i>Biomphalaria tenagophila</i> naturally infected with <i>Schistosoma mansoni</i> in the State of Minas Gerais, Brazil. S&#227;o Paulo. <b>Revista</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>do Instituto de Medicina Tropical </b>27:99-101, 1985.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4.&nbsp;Soares D. Serra do Cip&#243;. Funda&#231;&#227;o Biodiversitas, 1989.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5.&nbsp;Katz N, Chaves A, Pellegrino J. A simple device for quantitative stool thick-smear technique in <i>schistosomiasis mansoni</i>. S&#227;o Paulo. <b>Revista   do   Instituto   de</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Medicina Tropical </b>14:397-402, 1972.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6.&nbsp;Pellegrino J, Siqueira AF. T&#233;cnica de perfus&#227;o para colheita de <i>Schistosoma mansoni</i> em cobaias experimentalmente infestadas. <b>Revista Brasileira de Malariologia e Doen&#231;as Tropicais</b></font> <font face="Verdana" size="2">8:589-598, 1956.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7.&nbsp;Di&#225;rio Oficial - Minist&#233;rio do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente</font> <font face="Verdana" size="2">- Resolu&#231;&#227;o n<sup>o</sup> 20, de 18 de junho de 1986.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8.&nbsp;Ruiz JM. Contribui&#231;&#227;o ao estudo de formas larv&#225;rias de tremat&#243;ides brasileiros. Fauna de Belo Horizonte e Jaboticatubas, Estado de Minas Gerais. <b>Mem&#243;rias do Instituto</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Butant&#227; </b>24:45-62, 1952.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9.&nbsp;Madsen H, Frandsen F. The spread of freshwater snails including those of medical and veterinary importance. <b>Acta Tropica </b>46:139-146, 1989.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10.&nbsp;Correa RR, Murgel JMT, Piza JT, Ramos AS, Dias LCS, Morais LLV, Ros&#225;rio FE. Dispers&#227;o de <i>Biomphalaria straminea</i>, hospedeira intermedi&#225;ria do <i>Schistosoma mansoni</i>, atrav&#233;s da distribui&#231;&#227;o de peixes. S&#227;o Paulo. <b>Revista de Sa&#250;de P&#250;blica </b>4:117-127, 1970.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v19n2/seta.gif" border="0"></a></b></font><font face="Verdana" size="2"><b>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia:</b>    <br> Dra. Cec&#237;lia Pereira de Souza,     <br> Centro de Pesquisas Ren&#233; Rachou,   FIOCRUZ,      <br> Av. Augusto de Lima,  1715,     <br> 30190-002    <br>  Belo Horizonte, MG, Brasil     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Fax (031) 295 33115.</font></p>      ]]></body><back>
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