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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro Nacional de Epidemiologia, Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.5123/S0104-16731999000100003</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O indicador anos potenciais de vida perdidos e a ordenação das causas de morte em Santa Catarina, 1995<a href="#nota">*</a>]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Potential Years of Life Lost (PYLL), for persons under the age of 70, is presented as an alternative indicator to the traditionally employed one in listing the main causes of mortality. The article analyzes changes in the listing and in the relative importance of death causes considering the new proposed indicator, using mortality data-base from Santa catarina State in 1995. Throughout that year, 440.939 potential years of life were cut short, representing an average of 28.1 years per death. The use of the indicator in listing the causes increased the relative importance of external causes, and those having greater importance upon children, such as perinatal deaths, congenital abnormalities, and intestinal infections. Using PYLL the order of importance of the main causes of mortality were the transit accidents (15.5%), affections originated during the perinatal phase (14.6%), and the other accidents (9.3%). The rationale of valuing premature mortality, implicit in the indicator, as well as the simplicity of its figuring out and interpretation, seems to point towards its growing incorporation to the health planning process and evaluation.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Anos Potenciais de Vida Perdidos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="2" face="verdana"><b><font size="4"><a name="topo"></a>O indicador    anos potenciais de vida perdidos e a ordena&ccedil;&atilde;o das causas de morte    em Santa Catarina, 1995</font></b><a href="#nota"><sup><font size="4">*</font></sup></a>    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Heloisa C&ocirc;rtes Gallotti Peixoto; Maria    de Lourdes de Souza</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Universidade Federal de Santa Catarina</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O indicador Anos Potenciais de Vida Perdidos    (APVP) em menores de 70 anos &eacute; apresentado como alternativa ao crit&eacute;rio    tradicionalmente utilizado para a ordena&ccedil;&atilde;o das principais causas    de mortalidade. Utilizando a base de dados de mortalidade para Santa Catarina,    em 1995, s&atilde;o analisadas as altera&ccedil;&otilde;es ocorridas na ordena&ccedil;&atilde;o    e na import&acirc;ncia relativa das causas de &oacute;bito, considerando o crit&eacute;rio    proposto. No ano estudado, foram tolhidos, no total, 440.939 anos potenciais    de vida, que representou, em m&eacute;dia, 28,1 anos para cada &oacute;bito.    A utiliza&ccedil;&atilde;o do indicador na ordena&ccedil;&atilde;o das causas    de &oacute;bito aumentou a import&acirc;ncia relativa das causas externas e    das que t&ecirc;m maior incid&ecirc;ncia em crian&ccedil;as, como as perinatais,    anomalias cong&ecirc;nitas e as infec&ccedil;&otilde;es intestinais. Em ordem    de import&acirc;ncia de APVP, as principais causas de mortalidade foram os acidentes    de tr&acirc;nsito (15,5%), as afec&ccedil;&otilde;es originadas no per&iacute;odo    perinatal (14,6%) e os outros acidentes (9,3%). A l&oacute;gica de valoriza&ccedil;&atilde;o    da mortalidade prematura, impl&iacute;cita no indicador, assim como a simplicidade    de c&aacute;lculo e interpreta&ccedil;&atilde;o, parecem apontar para a sua    crescente incorpora&ccedil;&atilde;o no processo de planejamento e avalia&ccedil;&atilde;o    em sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-Chave:</b> Anos Potenciais de Vida    Perdidos; Mortalidade; Indicadores de Sa&uacute;de.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Potential Years of Life Lost (PYLL), for persons    under the age of 70, is presented as an alternative indicator to the traditionally    employed one in listing the main causes of mortality. The article analyzes changes    in the listing and in the relative importance of death causes considering the    new proposed indicator, using mortality data-base from Santa catarina State    in 1995. Throughout that year, 440.939 potential years of life were cut short,    representing an average of 28.1 years per death. The use of the indicator in    listing the causes increased the relative importance of external causes, and    those having greater importance upon children, such as perinatal deaths, congenital    abnormalities, and intestinal infections. Using PYLL the order of importance    of the main causes of mortality were the transit accidents (15.5%), affections    originated during the perinatal phase (14.6%), and the other accidents (9.3%).    The rationale of valuing premature mortality, implicit in the indicator, as    well as the simplicity of its figuring out and interpretation, seems to point    towards its growing incorporation to the health planning process and evaluation.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key Words:</b> Potential Years of Life Lost;    Mortality; Health Indicators.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma das formas mais importantes de avaliar condi&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de de uma popula&ccedil;&atilde;o &eacute; determinar as doen&ccedil;as    ou agravos &agrave; sa&uacute;de que mais contribuem para a mortalidade, isto    &eacute;, a classifica&ccedil;&atilde;o ou o ordenamento das suas principais    causas de morte. A quest&atilde;o central envolvida neste artigo refere-se &agrave;    utilidade da aplica&ccedil;&atilde;o do indicador Anos Potenciais de Vida Perdidos    - APVP, na compara&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia relativa dessas causas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tradicionalmente, na ordena&ccedil;&atilde;o    das causas de &oacute;bito, a posi&ccedil;&atilde;o ocupada por determinada    causa est&aacute; relacionada com a <i>quantidade</i> de &oacute;bitos que ela    provocou, atribuindo-se o mesmo peso a qualquer causa, independente da idade    em que ocorreram as mortes. Quando se ordenam as causas de &oacute;bitos dessa    forma, o crit&eacute;rio utilizado &eacute;, portanto, a <i>magnitude</i> das    causas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No entanto, quando o objetivo selecionar prioridades,    devem-se considerar outros aspectos, como a <i>vulnerabilidade</i> do dano,    isto &eacute;, a capacidade operacional de reduzir o dano e sua <i>transcend&ecirc;ncia</i>,    entendida como o valor social atribu&iacute;do ao problema. O ideal &eacute;    considerar uma combina&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Foi partindo desse pressuposto que se originou    a id&eacute;ia de que o tempo de vida perdido por morte em cada idade deveria    ser um crit&eacute;rio importante para estabelecer o <i>ranking</i> das principais    causas de mortalidade e comparar sua import&acirc;ncia relativa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Segundo Werneck e Reichenheim,<sup>1</sup> o    indicador APVP, explicitando o total de anos potenciais de vida perdidos para    cada &oacute;bito, &quot;<i>qualifica</i>&quot; as mortes e introduz um novo    crit&eacute;rio para a sele&ccedil;&atilde;o de prioridades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A utiliza&ccedil;&atilde;o do APVP prop&otilde;e    um reordenamento das causas de &oacute;bito, considerando o momento em que as    mortes ocorreram. Estabelece pesos diferentes para cada causa, de acordo com    o n&uacute;mero de anos potenciais de vida que elas tolheram de suas v&iacute;timas.    A mortalidade prematura &eacute; entendida aqui como a express&atilde;o do valor    social da morte, pois, quando a morte ocorre numa etapa em que a vida &eacute;    potencialmente produtiva, n&atilde;o afeta somente o indiv&iacute;duo e o grupo    que convive diretamente com ele, mas a coletividade como um todo, que &eacute;    privada do seu potencial econ&ocirc;mico, intelectual e do vir a ser do sujeito    na sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O indicador incorpora ainda o crit&eacute;rio    da vulnerabilidade, visto que os &oacute;bitos ocorridos em idades menos avan&ccedil;adas    s&atilde;o mais f&aacute;ceis de serem evitados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">V&aacute;rias pesquisas<sup>2,3,4,5</sup> t&ecirc;m demonstrado   a import&acirc;ncia do uso desse   indicador que apresenta, ainda, como   ponto positivo, a facilidade de c&aacute;lculo e a   possibilidade de ser, desde que conhecido,   amplamente utilizado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O objetivo deste artigo foi determinar   e analisar os APVP para as principais   causas de &oacute;bito de Santa Catarina, em   1995, ressaltando a import&acirc;ncia da   utiliza&ccedil;&atilde;o do indicador como instrumento   de orienta&ccedil;&atilde;o no estabelecimento de   prioridades. Resgata-se, desse modo, a   fun&ccedil;&atilde;o primordial das estat&iacute;sticas de   mortalidade, que podem e devem nortear   a tomada de decis&otilde;es na &aacute;rea da sa&uacute;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A base de dados utilizada refere-se   aos &oacute;bitos de residentes no Estado de   Santa Catarina, ocorridos durante o ano   de 1995 e processados pelo Sistema de   Informa&ccedil;&otilde;es sobre Mortalidade - SIM.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise    das causas   de morte, foi utilizada a Classifica&ccedil;&atilde;o   Internacional de Doen&ccedil;as, na sua Nona   Revis&atilde;o.<sup>6</sup> As causas de &oacute;bito foram   agrupadas segundo a lista CID-BR2, que   permite uma agrega&ccedil;&atilde;o mais voltada para   a capacidade de atua&ccedil;&atilde;o, fornecendo   melhor compreens&atilde;o do perfil da   mortalidade e das possibilidades de   interven&ccedil;&atilde;o. Em algumas situa&ccedil;&otilde;es, como   no caso da mortalidade por causas   externas, recorreu-se &agrave; an&aacute;lise detalhada   de um grupo de causas, com o objetivo   de verificar os principais diagn&oacute;sticos   inclu&iacute;dos no grupo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Neste artigo, o m&eacute;todo do c&aacute;lculo    de APVP por uma determinada causa foi obtido por uma adapta&ccedil;&atilde;o    da proposta por Romeder e McWhinnie,<sup>7</sup> cuja express&atilde;o matem&aacute;tica    &eacute; dada como:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a03form.gif" border="0"></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">ai = n&uacute;mero de anos que faltam para   completar a idade correspondente ao   limite superior considerado, quando a   morte ocorre entre as idades de i e i + 1   anos;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">di = n&uacute;mero de &oacute;bitos ocorridos    entre as   idades de i e i + 1 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar de a maioria dos autores   utilizarem esse m&eacute;todo, existe muitas   diverg&ecirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolha do   limite potencial de vida.<sup>8</sup> Neste trabalho,   consideraram-se todos os &oacute;bitos,   ocorridos at&eacute; os 69 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com o objetivo de demonstrar, passo a passo,    os procedimentos de c&aacute;lculo do n&uacute;mero de APVP para uma causa espec&iacute;fica,    apresenta-se a <a href="#t1">Tabela 1</a>, constru&iacute;da a partir da distribui&ccedil;&atilde;o    de &oacute;bitos por AIDS, ocorridos em Santa Catarina, em 1995, segundo faixas    et&aacute;rias. Para distorcer o menos poss&iacute;vel a distribui&ccedil;&atilde;o    dos &oacute;bitos por faixas et&aacute;rias, &eacute; aconselh&aacute;vel a    utiliza&ccedil;&atilde;o de intervalos com amplitude menor (cinco anos) do que    a apresentada no exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="t1"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a03t1.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O somat&oacute;rio da coluna 4 (13.415) representa    o total de APVP por AIDS, que pode ser dividido pelo total de &oacute;bitos    pela mesma causa (372), a fim de obter-se o n&uacute;mero m&eacute;dio de APVP    para cada &oacute;bito por AIDS. Este resultado permitiria dizer que cada &oacute;bito    por AIDS &quot;roubou&quot;, em m&eacute;dia, 36,1 anos potenciais de vida,    ocorrendo, em m&eacute;dia, aos 33,9 anos (70- 36,1).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Utilizando a planilha do &quot;Excel&quot;, os    grupos de causas foram ordenados, segundo o n&uacute;mero de APVP. Foram ainda    calculados percentuais de APVP de cada grupo, em rela&ccedil;&atilde;o ao total    de APVP, exclu&iacute;dos desse total os APVP por &quot;causas mal definidas&quot;,    por ser categoria n&atilde;o discriminativa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A mesma ordena&ccedil;&atilde;o e o c&aacute;lculo    das   propor&ccedil;&otilde;es foram feitos sem a utiliza&ccedil;&atilde;o   do crit&eacute;rio do APVP, a fim de demonstrar   as altera&ccedil;&otilde;es ocorridas no ordenamento   e na import&acirc;ncia relativa das causas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A m&eacute;dia de APVP por &oacute;bito, para   cada grupo de causas, foi calculada na   planilha, como resultado da divis&atilde;o do   total de APVP pelo n&uacute;mero de &oacute;bitos   considerados. Esse procedimento permite   conhecer ainda, a idade m&eacute;dia em que   ocorreram os &oacute;bitos, tamb&eacute;m inclu&iacute;da nas   tabelas de apresenta&ccedil;&atilde;o dos dados, pela   diminui&ccedil;&atilde;o desse valor do limite superior   adotado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados e Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#t2">Tabela 2</a> resume os resultados    encontrados neste trabalho. Os grupos de causas, agregados segundo a lista CIDBR2,    est&atilde;o ordenados pelo crit&eacute;rio de Anos Potenciais de Vida Perdidos.    Observam-se altera&ccedil;&otilde;es importantes, tanto na posi&ccedil;&atilde;o    hier&aacute;rquica ocupada pelas causas, como no percentual em rela&ccedil;&atilde;o    ao total.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="t2" id="t2"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a03t2.gif" border="0"></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">As tr&ecirc;s primeiras colunas apresentam, para    cada grupo de causas, para o total das causas definidas, para o grupo das causas    mal definidas e para o total geral, os seguintes valores: <b>coluna 1</b>: n&uacute;mero    de APVP; <b>coluna 2</b>: propor&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao    total de APVP por causas definidas; <b>coluna 3</b>: m&eacute;dia de APVP por    &oacute;bito (obtida pela divis&atilde;o do n&uacute;mero de APVP pelo n&uacute;mero    de &oacute;bitos). As outras colunas foram inclu&iacute;das na tabela com o    objetivo de permitir a compara&ccedil;&atilde;o, do ordenamento e da import&acirc;ncia    relativa dos grupos de causas, obtido a partir do indicador proposto, com o    que resultaria se consider&aacute;ssemos somente a freq&uuml;&ecirc;ncia de    &oacute;bitos em cada grupo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Juntas, as 15 principais causas de   APVP, representam 82,9 % do total de   anos potenciais de vida perdidos, por   causas definidas, em Santa Catarina, no   ano de 1995.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A <a href="#f1">Figura 1</a> agrupa alguns dos    principais grupos de causas, mostrando a participa&ccedil;&atilde;o percentual    de cada grupo, usando o n&uacute;mero bruto de mortes, bem como os anos potenciais    de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="f1"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a03f1.gif" border="0"></font></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">As doen&ccedil;as do aparelho   circulat&oacute;rio, que representavam um   quarto do total de &oacute;bitos, diminuem a sua   import&acirc;ncia relativa (12,8%) quando o   crit&eacute;rio &eacute; o n&uacute;mero de APVP tolhidos. O   mesmo acontece com o grupo das   neoplasias malignas, que tem sua   participa&ccedil;&atilde;o quase que reduzida &agrave; metade,   em fun&ccedil;&atilde;o da maioria dos &oacute;bitos   ocorrerem em idades avan&ccedil;adas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; as causas violentas (acidentes,   homic&iacute;dios e suic&iacute;dios), t&ecirc;m freq&uuml;&ecirc;ncia   que resulta em uma propor&ccedil;&atilde;o maior de   APVP (31,8%) do que do total de &oacute;bitos   (23,5%) porque, freq&uuml;entemente, suas   v&iacute;timas s&atilde;o crian&ccedil;as e jovens.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">As mortes por afec&ccedil;&otilde;es perinatais   e anomalias cong&ecirc;nitas, embora   relativamente pequenas em n&uacute;mero,   respondem por uma consider&aacute;vel   propor&ccedil;&atilde;o do total de APVP, 14,6% e   5,2% respectivamente, passando a ocupar lugar de destaque.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tamb&eacute;m observam-se   altera&ccedil;&otilde;es na import&acirc;ncia relativa   dos grupos que incluem as   infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias agudas e   as infecciosas intestinais, que   assumem maior import&acirc;ncia   quando a ordena&ccedil;&atilde;o usa o crit&eacute;rio   dos APVP.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A explica&ccedil;&atilde;o para essas altera&ccedil;&otilde;es    pode ser encontrada na coluna da <a href="#t2">Tabela 2</a>, que apresenta os    APVP por &oacute;bito, que mostra, por exemplo, porque causas como as peri-natais,    as anomalias cong&ecirc;nitas, meningites e infecciosas intestinais, &quot;roubando&quot;,    em m&eacute;dia, mais de 50 anos potenciais de vida de cada v&iacute;tima, subiram    no ordenamen-to, quando o crit&eacute;rio utilizado foi o APVP.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; as doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas,    com uma m&eacute;dia de APVP por &oacute;bito muito mais baixa, caem na ordena&ccedil;&atilde;o,    perdendo grande parte da sua import&acirc;ncia relativa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os &quot;acidentes de tr&acirc;nsito de ve&iacute;culo    a motor&quot;, que j&aacute; ocupavam o 2<sup>o</sup> lugar quando o crit&eacute;rio    era o n&uacute;mero de &oacute;bitos, tolheram o maior n&uacute;mero de APVP    (61.652), passando a ocupar a 1<sup>a</sup> posi&ccedil;&atilde;o entre as causas    de &oacute;bito. O peso relativo desta causa, que anteriormente era de 11,4%    dos &oacute;bitos, teve seu valor bastante aumentado, correspondendo agora a    15,5% do total de APVP. Essa causa &quot;roubou&quot; 39,2 anos de cada v&iacute;tima,    o que equivale dizer que os &oacute;bitos por acidentes de tr&acirc;nsito ocorreram,    em m&eacute;dia, aos 31,9 anos. Em Santa Catarina, segundo estimativas baseadas    nos dados processados pela Ger&ecirc;ncia de Estat&iacute;stica e Inform&aacute;tica    da Secretaria de Estado da Sa&uacute;de, o risco de morrer por acidentes de    tr&acirc;nsito era de 20,8 para cada 100.000 habitantes, em 1980, passando a    33,9 em 1995, o que representa um aumento acumulado no per&iacute;odo de 63%.    Aproximadamente, um quarto desses &oacute;bitos &eacute; de &quot;acidentes    envolvendo pedestre&quot;, isto &eacute;, atropelamentos, dos quais 22%, atingem    menores de 15 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na verdade, todos os subgrupos inclu&iacute;dos    no cap&iacute;tulo das &quot;Causas Externas&quot; subiram de posi&ccedil;&atilde;o    com a utiliza&ccedil;&atilde;o do crit&eacute;rio APVP. Os &quot;Outros acidentes&quot;,    passaram de 5<sup>o</sup> para o 3<sup>o</sup> lugar, os &quot;homic&iacute;dios&quot;,    do 10<sup>o</sup> para o 9<sup>o</sup>, e os suic&iacute;dios, da 12<sup>a</sup> para a 11<sup>a</sup> posi&ccedil;&atilde;o.    Como resultado da pr&oacute;pria natureza de n&atilde;o escolher a idade entre    suas v&iacute;timas, a import&acirc;ncia relativa das causas externas tendem    a aumentar quando considerado o crit&eacute;rio dos APVP.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Agrave; medida que se faz mais eficaz a   luta contra as enfermidades, as mortes   violentas, principalmente os acidentes,   adquirem uma import&acirc;ncia proporcional   cada vez maior, chegando a ser a principal   causa de morte entre crian&ccedil;as e   adolescentes, mesmo quando n&atilde;o se   utiliza o crit&eacute;rio APVP. Em determinados   grupos de idade, o n&uacute;mero de mortes por   acidentes &eacute; superior ao de todas as demais   causas de morte reunidas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esse aumento dos acidentes   tamb&eacute;m est&aacute; relacionado ao contexto do   progresso t&eacute;cnol&oacute;gico, como o   desenvolvimento da eletrifica&ccedil;&atilde;o e o   emprego de inseticidas e agrot&oacute;xicos e a   an&aacute;lise detalhada dos tipos de acidentes   mais freq&uuml;entes, assim como dos   principais grupos atingidos, &eacute;   fundamental para nortear as medidas   preventivas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O preenchimento incorreto da declara&ccedil;&atilde;o    de &oacute;bito por parte dos legistas, n&atilde;o permite, muitas vezes identificar,    de forma apropriada, a circunst&acirc;ncia do acidente ou da viol&ecirc;ncia    que produziu a les&atilde;o fatal. &Eacute; o caso dos atestados que informam,    por exemplo, &quot;politraumatismo&quot; ou &quot;traumatismo cr&acirc;nio encef&aacute;lico&quot;,    para os quais a Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as    determina que sejam codificados, numa categoria residual, como &quot;acidente    n&atilde;o especificado&quot;. Em Santa Catarina, no ano de 1995, quase um quarto    dos 951 &oacute;bitos ocorridos por acidentes, exclu&iacute;dos os de tr&acirc;nsito,    foi inclu&iacute;do nesta categoria residual, mas &eacute; poss&iacute;vel,    ainda assim, analisar as principais causas de acidentes, com base nos dados    dispon&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quase 30%, ou seja, 285 &oacute;bitos, foram    devido a &quot;afogamentos&quot;, dos quais 23% ocorreram na faixa et&aacute;ria    de menores de 15 anos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Em segundo lugar, aparecem as &quot;quedas acidentais&quot;,    respons&aacute;veis por 132 &oacute;bitos, com concentra&ccedil;&atilde;o significativa    em maiores de 50 anos, que respondem por 52,3% dos &oacute;bitos por essa causa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os &oacute;bitos devido a &quot;obstru&ccedil;&atilde;o    do trato respirat&oacute;rio por alimento ou objeto&quot;, tamb&eacute;m aparecem    em posi&ccedil;&atilde;o de destaque, e muito contribuem para os APVP contabilizados,    visto que, quase totalidade dos 102 &oacute;bitos por esta causa (82%) ocorreram    na faixa et&aacute;ria de menores de cinco anos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; os &quot;acidentes causados por corrente    el&eacute;trica&quot;, concentram-se na faixa de idade mais produtiva, de 15    a 49 anos, respons&aacute;vel por 78% dos &oacute;bitos neste subgrupo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar de aparecerem com uma freq&uuml;&ecirc;ncia    menor, a constata&ccedil;&atilde;o de que um ter&ccedil;o dos &oacute;bitos    por &quot;acidentes envolvendo fogo e chama&quot;, vitimou crian&ccedil;as e    adolescentes de at&eacute; 15 anos, mostra a import&acirc;ncia de medidas preventivas    para esse tipo de acidentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; preciso salientar que esses   acidentes n&atilde;o s&atilde;o unicamente importantes   como causa de morte. Estima-se que o   n&uacute;mero de acidentes n&atilde;o mortais seja 100   a 200 vezes maior que o de mortes, o que   pode dar uma id&eacute;ia sobre os sofrimentos   e a perda que os acidentes deixam atr&aacute;s   de si.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Da mesma forma que para as enfermidades, a freq&uuml;&ecirc;ncia    dos acidentes   ocorridos em uma popula&ccedil;&atilde;o implica   certas rela&ccedil;&otilde;es importantes, mas, mal   compreendidas at&eacute; agora, entre o sujeito   exposto, o agente e o meio. O m&eacute;todo   epidemiol&oacute;gico permite enfocar, de um   modo cient&iacute;fico, o estudo dos acidentes   e das medidas preventivas, tendo as   estat&iacute;sticas de mortalidade a fun&ccedil;&atilde;o de   indicar quais os tipos de acidentes que   exigem uma investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica   detalhada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de   Doen&ccedil;as proporciona informa&ccedil;&otilde;es sobre   o tipo e condi&ccedil;&otilde;es do acidente, mas, n&atilde;o   fornece uma id&eacute;ia detalhada de seus   diversos aspectos, que exigem   investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica. Vimos, por   exemplo, que os afogamentos, s&atilde;o   importante causa de mortalidade, mas, &eacute;   o estudo dos fatores que originam ou que   contribuem para os casos de morte por   afogamento (banhos em lugares   perigosos, incapacidade de nadar,   ignor&acirc;ncia dos m&eacute;todos de salvamento,   falta de assist&ecirc;ncia ou de meios adequados   para reanimar os que est&atilde;o se afogando)   que revelar&aacute; a import&acirc;ncia de   determinadas circunst&acirc;ncias, orientando   as medidas que devem ser aplicadas para   reduzir esses acidentes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O grupo das &quot;meningites&quot; ascendeu cinco    posi&ccedil;&otilde;es na escala hier&aacute;rquica, tirando quase 57 anos potenciais    de vida de cada v&iacute;tima. Quando a ordena&ccedil;&atilde;o &eacute; feita    com base no n&uacute;mero de &oacute;bitos, as meningites aparecem como a 20<sup>a</sup>    causa, passando para 15<sup>a</sup> posi&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero    de APVP.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As &quot;infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias    agudas&quot; e as &quot;doen&ccedil;as infecciosas intestinais&quot; tamb&eacute;m    subiram cinco posi&ccedil;&otilde;es (as primeiras, da 12<sup>a</sup> para a    7<sup>a</sup> e as segundas, da 17<sup>a</sup> para a 12<sup>a</sup>). Estes    grupos, apesar de terem &quot;roubado&quot; menos APVP por &oacute;bito do que    as meningites, t&ecirc;m uma import&acirc;ncia relativa maior, em fun&ccedil;&atilde;o    do n&uacute;mero de &oacute;bitos ocorridos. No total, enquanto as meningites    tolheram 6.199 APVP, as infecciosas intestinais foram respons&aacute;veis por    mais de 8.000 APVP e as infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias agudas,    10.583.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As &quot;septicemias&quot; e as &quot;defici&ecirc;ncias    nutricionais e anemias carenciais&quot;, por incidirem em idades mais jovens,    tamb&eacute;m sobem na ordena&ccedil;&atilde;o, aumentando sua import&acirc;ncia    relativa em rela&ccedil;&atilde;o ao total de APVP.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Aparecendo em lugar de destaque (5<sup>a</sup>    causa de APVP), e tamb&eacute;m sofrendo grande altera&ccedil;&atilde;o com    a utiliza&ccedil;&atilde;o do crit&eacute;rio de APVP (oito posi&ccedil;&otilde;es),    as &quot;anomalias cong&ecirc;nitas&quot;, mais que dobraram a sua import&acirc;ncia    relativa. A explica&ccedil;&atilde;o para essa altera&ccedil;&atilde;o t&atilde;o    expressiva &eacute; encontrada na coluna dos APVP por &oacute;bito. Foram as    &quot;afec&ccedil;&otilde;es originadas no per&iacute;odo perinatal&quot; e    as &quot;anomalias cong&ecirc;nitas&quot; os grupos que mais tiraram anos potenciais    de vida de cada uma das pessoas que morreram (69,5 e 66,3 anos, respectivamente).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em rela&ccedil;&atilde;o a esses dois grupos,    no   entanto, &eacute; preciso lembrar que, se o   procedimento de excluir a mortalidade   neonatal precoce fosse adotado, a sua   import&acirc;ncia relativa diminuiria sensivelmente,   visto que aproximadamente 40%   das anomalias cong&ecirc;nitas e 80% das   afec&ccedil;&otilde;es originadas no per&iacute;odo perinatal   ocorreram antes de completados os sete   dias de vida. Mesmo concordando que   boa parte desses &oacute;bitos s&atilde;o dif&iacute;ceis de   serem evitados, a posi&ccedil;&atilde;o de destaque   ocupada por esses grupos, principalmente   o das perinatais, que se colocam como a   2<sup>a</sup> causa de APVP, aponta a necessidade   de investir mais no pr&eacute;-natal e assist&ecirc;ncia   ao parto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar de aparecer em 21<sup>o</sup> lugar na    ordena&ccedil;&atilde;o dos APVP e n&atilde;o ter alterado sua participa&ccedil;&atilde;o    percentual, &eacute; interessante observar o comportamento do grupo dos &quot;transtornos    mentais&quot;, que subiu quatro posi&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m pelo fato    de incidirem numa faixa de idade jovem (75,6% dos &oacute;bitos ocorreram entre    15 e 19 anos). As duas primeiras causas desse grupo foram a &quot;s&iacute;ndrome    da depend&ecirc;ncia do &aacute;lcool&quot; e a &quot;depend&ecirc;ncia de drogas&quot;,    que inclui as mortes por <i>overdose</i> de coca&iacute;na e outras drogas.    Juntas, essas causas foram respons&aacute;veis por 87,23% do total de &oacute;bitos    inclu&iacute;dos no grupo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por outro lado, alguns grupos perdem grande parte    da sua import&acirc;ncia relativa sob a &oacute;tica dos APVP. As &quot;doen&ccedil;as    cerebro-vasculares&quot;, as &quot;doen&ccedil;as isqu&ecirc;micas do cora&ccedil;&atilde;o&quot;,    e as &quot;doen&ccedil;as da circula&ccedil;&atilde;o pulmonar e outras formas    de doen&ccedil;a do cora&ccedil;&atilde;o&quot;, que ocupavam a 3<sup>a</sup>, 4<sup>a</sup> e 7<sup>a</sup>    coloca&ccedil;&atilde;o entre as causas de &oacute;bito, ca&iacute;ram para    7<sup>a</sup>, 8<sup>a</sup> e 10<sup>a</sup> posi&ccedil;&atilde;o, respectivamente. Isso acontece porque esses    &oacute;bitos ocorrem, em m&eacute;dia, ap&oacute;s os 55 anos, quando o n&uacute;mero    de anos que se esperaria viver, se considerado o limite de idade de 70 anos,    gira em torno de 15.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ainda dentro das doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio,    o grupo das &quot;doen&ccedil;as hipertensivas&quot; mostra a maior altera&ccedil;&atilde;o    em termos de queda na classifica&ccedil;&atilde;o, fazendo com que o grupo passe    a se colocar nove posi&ccedil;&otilde;es abaixo da ocupada antes da aplica&ccedil;&atilde;o    do indicador APVP.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nota-se que o grupo dos &quot;neoplasmas malignos&quot;,    que ocupava o 1<sup>0</sup> lugar, com 16,3% do total de &oacute;bitos, mesmo com o crit&eacute;rio    do APVP se mant&eacute;m em posi&ccedil;&atilde;o de destaque, aparecendo como    4<sup>a</sup> causa. Esse grupo, n&atilde;o sofreu uma queda acentuada na escala hier&aacute;rquica    como a observada entre as doen&ccedil;as do aparelho circulat&oacute;rio, porque    estas &uacute;ltimas ocorrem em idades mais avan&ccedil;adas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para alguns grupos, o mais importante n&atilde;o    &eacute; verificar as altera&ccedil;&otilde;es ocorridas com o uso do crit&eacute;rio    proposto, mas, utilizar o indicador para demonstrar sua import&acirc;ncia, em    termos de prioridade, e at&eacute; para sensibilizar os respons&aacute;veis    pela tomada de decis&otilde;es no setor sa&uacute;de. Esse &eacute; o caso,    por exemplo, das &quot;complica&ccedil;&otilde;es da gravidez, parto e puerp&eacute;rio&quot;.    No ano estudado, foram registrados 27 &oacute;bitos por causas maternas. Se    comparamos esse n&uacute;mero com os 2.245 &oacute;bitos ocorridos por Neoplasias,    ou os 1.574 por acidentes de tr&acirc;nsito, ele acaba parecendo t&atilde;o    pequeno que n&atilde;o justificaria inclu&iacute;-lo entre as prioridades. A    informa&ccedil;&atilde;o de que esse grupo &quot;roubou&quot; 1.112 anos de    vida potencial das suas v&iacute;timas pode ser muito mais convincente quando    aliada aos demais componentes de sua interpreta&ccedil;&atilde;o. Aqui, &eacute;    importante lembrar que as mortes maternas s&atilde;o geralmente subnotificadas,    em fun&ccedil;&atilde;o do preeenchimento incorreto da declara&ccedil;&atilde;o    de &oacute;bito. Pesquisas t&ecirc;m demonstrado ser necess&aacute;rio usar    um fator de corre&ccedil;&atilde;o para obter um n&uacute;mero de &oacute;bitos    por causas maternas mais pr&oacute;ximo do real. Alguns autores<sup>9,10</sup> prop&otilde;em    um fator de corre&ccedil;&atilde;o da ordem de 2,04, para a Regi&atilde;o Sul,    o que mais que dobraria o n&uacute;mero de APVP desse grupo. Al&eacute;m disso,    98% das mortes maternas s&atilde;o reconhecidamente evit&aacute;veis e ocorrem    numa faixa de idade produtiva.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O mesmo racioc&iacute;nio anterior pode ser aplicado    ao grupo das &quot;doen&ccedil;as imunopreven&iacute;veis&quot;. Apesar de terem    ocorrido, em 1995, somente 16 &oacute;bitos por estas causas, estes tolheram    442 anos potenciais de vida perdidos, enfatizando a necessidade de manter altas    coberturas vacinais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Finalmente, &eacute; importante ressaltar que,    se inclu&iacute;do no ordenamento, o grupo das &quot;mal definidas&quot; ocuparia    o 2<sup>o</sup> lugar entre as causas de &oacute;bito e a 3<sup>a</sup> posi&ccedil;&atilde;o entre    os APVP. Se essas causas pudessem ser definidas, o padr&atilde;o de mortalidade    poderia alterar-se consideravelmente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O emprego do indicador APVP na   an&aacute;lise da ordena&ccedil;&atilde;o das causas de &oacute;bito   demonstrou a sua distin&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos   indicadores tradicionalmente utilizados,   lembrando que n&atilde;o s&atilde;o antag&ocirc;nicos, mas,   complementares. As altera&ccedil;&otilde;es   observadas na ordena&ccedil;&atilde;o das causas de   morte, com a utiliza&ccedil;&atilde;o do crit&eacute;rio APVP,   demonstram a validade do indicador, pela   &ecirc;nfase dada &agrave; mortalidade prematura.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As cinco principais causas de &oacute;bito,   ordenadas segundo o indicador aplicado,   representam mais da metade (53,9%) de   todos os APVP por causas definidas. Se   considerarmos as dez principais causas   de APVP, a propor&ccedil;&atilde;o chega a 73,2 %.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A constata&ccedil;&atilde;o de que 61.652 anos   potenciais de vida dos residentes em Santa   Catarina est&atilde;o sendo perdidos em   acidentes de tr&acirc;nsito &eacute; realmente   alarmante. &Eacute; certo que a quest&atilde;o   transcende os limites do setor sa&uacute;de, mas   cabe alertar para a gravidade do   problema, buscando, n&atilde;o s&oacute; para esse,   mas, para muitos outros, a ado&ccedil;&atilde;o de   medidas intersetoriais. As a&ccedil;&otilde;es   preventivas contra os acidentes,   homic&iacute;dios e suic&iacute;dios, como causas de   morte prematura, n&atilde;o guardam rela&ccedil;&atilde;o   com a import&acirc;ncia do fen&ocirc;meno, em compara&ccedil;&atilde;o com outros    programas   preventivos dirigidos contra problemas de   magnitude e transcend&ecirc;ncia   consideravelmente menor.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As doen&ccedil;as cardiovasculares e os   neoplasmas, mesmo com a retirada dos   &oacute;bitos maiores de 70 anos, continuaram   aparecendo entre as principais causas de   &oacute;bito. A incorpora&ccedil;&atilde;o na rotina da aten&ccedil;&atilde;o   prim&aacute;ria de medidas de promo&ccedil;&atilde;o da   sa&uacute;de pode, junto com o diagn&oacute;stico   precoce e pronto tratamento, colaborar   no seu controle.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Aparentemente, os resultados   encontrados colocam a situa&ccedil;&atilde;o de   mortalidade de Santa Catarina em um   padr&atilde;o de transi&ccedil;&atilde;o, onde aparecem como   principais causas de &oacute;bito doen&ccedil;as t&iacute;picas   de popula&ccedil;&otilde;es desenvolvidas, como as   cr&ocirc;nico-degenerativas e as causas   externas, alternando em import&acirc;ncia com   doen&ccedil;as caracter&iacute;sticas de localidades   com baixo n&iacute;vel de sa&uacute;de, como as   infecciosas intestinais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As infec&ccedil;&otilde;es intestinais, por exemplo,    passaram da 17<sup>a</sup> para 12<sup>a</sup> posi&ccedil;&atilde;o, tendo    sido um dos grupos que mais &quot;roubou&quot; anos potenciais de vida de suas    v&iacute;timas (55,2 APVP por &oacute;bito). Assim, o conjunto de a&ccedil;&otilde;es    dirigidas ao controle das doen&ccedil;as diarr&eacute;icas deve ser implementado    e o seu impacto, assim como o de outros programas espec&iacute;ficos, em termos    de redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade, monitorado, atrav&eacute;s de an&aacute;lises    temporais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A lista CID-BR2, utilizada para a   agrega&ccedil;&atilde;o das causas de &oacute;bito, mostrou   ser mais apropriada &agrave; an&aacute;lise dos dados,   na medida em que fornece uma vis&atilde;o mais   voltada para a capacidade de atua&ccedil;&atilde;o do   setor sa&uacute;de, mas, pode ainda ser   melhorada, com destaque, por exemplo,   da AIDS, que vem aumentando sua   participa&ccedil;&atilde;o na mortalidade geral. Se esta   causa fosse inclu&iacute;da na an&aacute;lise, como   categoria discriminada, ocuparia a 10<sup>a</sup>   posi&ccedil;&atilde;o na escala hier&aacute;rquica da   ordena&ccedil;&atilde;o segundo os APVP, sendo   respons&aacute;vel por 13.415 APVPs.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As causas mal definidas ainda   representam 12,1% do total de &oacute;bitos em Santa Catarina e esse n&uacute;mero    precisa ser   reduzido porque a defini&ccedil;&atilde;o desses &oacute;bitos   poderia alterar o padr&atilde;o de mortalidade   encontrado. Al&eacute;m da quest&atilde;o da qualidade   do preenchimento das declara&ccedil;&otilde;es de   &oacute;bito, esse percentual indica que o acesso   aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de n&atilde;o est&aacute; sendo   garantido &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Considerando a simplicidade de   c&aacute;lculo do indicador APVP e a riqueza de   informa&ccedil;&otilde;es por ele geradas, &eacute; poss&iacute;vel   que a metodologia empregada neste   estudo possa ser incorporada ao   planejamento e avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de   sa&uacute;de, estendendo-se a outros grupos de   causas de morte, contribuindo, assim,   para uma melhor defini&ccedil;&atilde;o de prioridades   e auxiliando no desenho das estrat&eacute;gias e   t&aacute;ticas de interven&ccedil;&atilde;o requeridas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O emprego de indicadores para a   avalia&ccedil;&atilde;o de causas de morte prematura   est&aacute; relacionado, de forma impl&iacute;cita, com   o objetivo da sa&uacute;de p&uacute;blica, que &eacute; a   preven&ccedil;&atilde;o de danos &agrave; sa&uacute;de; no caso da   mortalidade, a preven&ccedil;&atilde;o se traduz em   a&ccedil;&otilde;es tendentes a postergar a morte, dado   ser este um evento inevit&aacute;vel. Nesse   sentido, a interpreta&ccedil;&atilde;o do indicador   proposto est&aacute; relacionada com a redu&ccedil;&atilde;o   da quantidade de vida potencial que certas   causas de &oacute;bito ocasionam e com a   possibilidade de evitar a perda, mediante   a preven&ccedil;&atilde;o dessas mortes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana">Bibliografia</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Werneck GL, Reichenheim ME. Anos potenciais    de vida perdidos no Rio de Janeiro,1985. As mortes violentas em quest&atilde;o.    Universidade do Estado do Rio de Janeiro, (s&eacute;rie: Estudos em Sa&uacute;de    Coletiva) 1992; 4: 1-20.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Becker RA, Moreira MG, Costa JL. An&otilde;s    de vida potencial perdidos: Brasil, 1980. <b>Boletin Epidemiol&oacute;gico OPS</b>    1984; 5(5): 3-7.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. E.U.A. Centers for Disease Control. Leads    from the. Years of potencial life lost before age 65 - United States, 1988 and    1989. <b>MMWR</b> 1991; 40(4): 62-63, 69-71.</font><p><font size="2" face="verdana">4. Costa ML. Anos potenciais de vida perdidos:    mun&iacute;cipio de S&atilde;o Paulo - d&eacute;cada de 70 &#91Disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado&#93. S&atilde;o Paulo: Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade    de S&atilde;o Paulo; 1987. 59 p.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Ortega-Cavasos N, Rio-Zolezzi A, Izazola-Licea    JA, Lezana-Fernandez MA, Valdespino-Gomez JL. A&ntilde;os de vida potencial    perdidos: su utilidad en analisis de la mortalidad en M&eacute;xico. <b>Salud    P&uacute;blica de M&eacute;xico</b> 1989; 31(5): 610-624.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. BRASIL. Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional   de Doen&ccedil;as, Les&otilde;es e causas de   &oacute;bitos: 9<sup>a</sup> revis&atilde;o, 1975. S&atilde;o Paulo:   Centro da OMS para Classifica&ccedil;&atilde;o de   Doen&ccedil;as em Portugu&ecirc;s; 1978. 815 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Romeder JM, McWhinnie JR. A&ntilde;os de    vida potencial perdidos entre las edades de 1 y 70 a&ntilde;os: un indicator    de mortalidad prematura para la planificati&oacute;n de la salud. <i>In</i>:    Buck, C.(org) El Desaf&iacute;o de la Epidemiologia. Washington: OPAS; 1988.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Becker RA, Lima DD, Lima JTF,   Costa Jr. ML. Investiga&ccedil;&atilde;o sobre   perfis de sa&uacute;de:Brasil, 1984. Bras&iacute;lia:   Centro de Documenta&ccedil;&atilde;o do   Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, (S&eacute;rie C: estudos   e projetos, 8); 1989. 63 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Souza M L, Laurenti R. Mortalidade   Materna: conceitos e aspectos   estat&iacute;sticos. S&atilde;o Paulo: Centro da   OMS para a Classifica&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as   em Portugu&ecirc;s. N&uacute;cleo de Estudos em   Popula&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de. (S&eacute;rie Divulga&ccedil;&atilde;o,   3); 1987.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10.Laurenti R, Jorge MHPM, Lebr&atilde;o ML,   Gotlieb SLD. Estat&iacute;sticas de Sa&uacute;de.   S&atilde;o Paulo: Editora Pedag&oacute;gica e   Universit&aacute;ria Ltda; 1985.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   </font><font size="2" face="verdana">Rua 23 de Mar&ccedil;o, 312 - Itagua&ccedil;&uacute;    <br>   Florian&oacute;polis - Santa Catarina    <br>   CEP: 88085-440    <br>   E-mail:<a href="mailto:helo@saude.sc.gov.br">helo@saude.sc.gov.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nota"></a><a href="#topo">*</a>Artigo    originado da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado &quot;Mortalidade em Santa    Catarina. Aplica&ccedil;&otilde;es do Indicador Anos Potenciais de Vida Perdidos&quot;.</font></p>      ]]></body><back>
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