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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Considerações sobre a epidemiologia no campo de práticas de saúde ambiental]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Ministério da Saúde Fundação Nacional de Saúde Seção de Meio Ambiente do Instituto Evandro Chagas]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this article is to discuss some subjects related to the specificity of epidemiology when it is applied to the environmental context, which imposes special characteristics to epidemiology. The environment possesses at least two interacting dimensions: one constituted of social practices historically delineated and another including theories from scientific knowledge. The first dimension of that context has the Rio-92 Declaration as background, and the second one, theoretical-conceptual, introduces epidemiology in a model that articulates three areas: production, environment and health. Afterwards, some points of that emerge development of environmental epidemiology are highlighted: the object specificity, the complexity related to the risk situations and interdisciplinarity. A practical example of application of environmental epidemiology through the initiation of an environmental health information system is discussed, in order to support Environmental Health Surveillance.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b><a name="topo"></a>ENSAIO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es sobre a epidemiologia    no campo de pr&aacute;ticas de sa&uacute;de ambiental</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Notes on epidemiology for environmental health    practices</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Marisa Pal&aacute;cios<sup>I</sup>; Volney    de Magalh&atilde;es C&acirc;mara<sup>I</sup>; Iracina Maura de Jesus<sup>II</sup>;</b></font></p>     <p><sup>I</sup><font size="2" face="verdana">N&uacute;cleo de Estudos de Sa&uacute;de    Coletiva/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ    <br>   <sup>II</sup>Se&ccedil;&atilde;o de Meio Ambiente do Instituto Evandro Chagas,    Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de/Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,    Bel&eacute;m-PA</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O objetivo deste artigo &eacute; discutir algumas    quest&otilde;es relacionadas &agrave; especificidade da epidemiologia aplicada    ao contexto ambiental, que lhe imp&otilde;e caracter&iacute;sticas especiais.    O ambiente possui, pelo menos, duas dimens&otilde;es em m&uacute;tua intera&ccedil;&atilde;o:    uma constitu&iacute;da de pr&aacute;ticas sociais delineadas historicamente;    outra, enfocada sob a luz do conhecimento cient&iacute;fico. A primeira tem    a Declara&ccedil;&atilde;o do Rio-92 como pano de fundo; e a segunda, te&oacute;rico-conceitual,    introduz a epidemiologia em um modelo de compreens&atilde;o que articula tr&ecirc;s    &aacute;reas: produ&ccedil;&atilde;o, ambiente e sa&uacute;de. Em seguida, s&atilde;o    destacados alguns pontos emergentes do desenvolvimento da epidemiologia no campo    ambiental: a especificidade do objeto, a complexidade das situa&ccedil;&otilde;es    de risco e a interdisciplinaridade. Como exemplo pr&aacute;tico da aplica&ccedil;&atilde;o    da epidemiologia ambiental, &eacute; discutida a constitui&ccedil;&atilde;o    de um sistema de informa&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de ambiental, esteio    da Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> vigil&acirc;ncia; sa&uacute;de    ambiental; epidemiologia; vigil&acirc;ncia ambiental.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">The objective of this article is to discuss some    subjects related to the specificity of epidemiology when it is applied to the    environmental context, which imposes special characteristics to epidemiology.    The environment possesses at least two interacting dimensions: one constituted    of social practices historically delineated and another including theories from    scientific knowledge. The first dimension of that context has the Rio-92 Declaration    as background, and the second one, theoretical-conceptual, introduces epidemiology    in a model that articulates three areas: production, environment and health.    Afterwards, some points of that emerge development of environmental epidemiology    are highlighted: the object specificity, the complexity related to the risk    situations and interdisciplinarity. A practical example of application of environmental    epidemiology through the initiation of an environmental health information system    is discussed, in order to support Environmental Health Surveillance.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words:</b> surveillance; environmental    health; epidemiology; environmental surveillance.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos &uacute;ltimos anos, tem sido observado um    maior n&uacute;mero de estudos que procuram relacionar sa&uacute;de e ambiente.    A ecologia e o desenvolvimento sustent&aacute;vel s&atilde;o exemplos de quest&otilde;es    que preocupam cidad&atilde;os e estudiosos de todo o planeta e mobilizam organiza&ccedil;&otilde;es    governamentais e n&atilde;o governamentais em defesa do meio ambiente e da sa&uacute;de    humana. Legar &agrave;s futuras gera&ccedil;&otilde;es um ambiente mais saud&aacute;vel    &eacute; um grande desafio. Entre as principais a&ccedil;&otilde;es do governo    brasileiro nessa &aacute;rea, destaca-se a implanta&ccedil;&atilde;o da Vigil&acirc;ncia    Ambiental em Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de &eacute;    &quot;<i>um conjunto de a&ccedil;&otilde;es que proporciona o conhecimento    e a detec&ccedil;&atilde;o de qualquer mudan&ccedil;a nos fatores determinantes    e condicionantes do meio ambiente que interferem na sa&uacute;de humana, com    a finalidade de identificar as medidas de preven&ccedil;&atilde;o e controle    dos fatores de risco ambientais relacionados &agrave;s doen&ccedil;as ou outros    agravos &agrave; sa&uacute;de</i>.&quot;<sup>1</sup> S&atilde;o, portanto,    informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias sobre: as situa&ccedil;&otilde;es    de risco existentes (f&iacute;sicos, qu&iacute;micos, biol&oacute;gicos, mec&acirc;nicos,    ergon&ocirc;micos e psicossociais); as caracter&iacute;sticas especiais do ambiente    que interferem no padr&atilde;o de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o;    as pessoas expostas; e os efeitos adversos &agrave; sa&uacute;de. Para cada    um desses grupos de informa&ccedil;&otilde;es, &eacute; fundamental a implementa&ccedil;&atilde;o    de sistemas de monitoramento que incorporem processos de coleta de informa&ccedil;&otilde;es    j&aacute; existentes &#8211; e criem novos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">S&atilde;o in&uacute;meras as disciplinas envolvidas    nas discuss&otilde;es sobre o monitoramento das situa&ccedil;&otilde;es de risco    e dos efeitos &agrave; sa&uacute;de relacionados com o ambiente. Entre elas,    a epidemiologia, que, pelo m&eacute;todo cient&iacute;fico, estuda a distribui&ccedil;&atilde;o    e os determinantes do estado de sa&uacute;de-doen&ccedil;a &#8211; seja pela    incapacidade, morbidade ou mortalidade das popula&ccedil;&otilde;es &#8211;,    oferecendo os instrumentos metodol&oacute;gicos necess&aacute;rios &agrave;    orienta&ccedil;&atilde;o do processo da vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de.    Embora seja uma disciplina &uacute;nica, sua aplica&ccedil;&atilde;o nos estudos    sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o ambiente e a sa&uacute;de apresenta especificidades    que justificam a denomina&ccedil;&atilde;o de Epidemiologia Ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Neste artigo, s&atilde;o discutidas algumas quest&otilde;es    relacionadas &agrave; especificidade da epidemiologia conferida pelo contexto    ambiental, que lhe imp&otilde;e caracter&iacute;sticas especiais. Esse contexto    possui, pelo menos, duas dimens&otilde;es que interagem mutuamente e se completam.    Por um lado, ele &eacute; pol&iacute;tico, social e econ&ocirc;mico, constitui-se    de pr&aacute;ticas sociais delineadas historicamente e define para que e para    quem a epidemiologia &eacute; &uacute;til, qual o seu impacto social poss&iacute;vel.    E por outro lado, &agrave; luz do conhecimento cient&iacute;fico, abrange teorias    importantes para a compreens&atilde;o de como e em que situa&ccedil;&otilde;es    utilizar, e como analisar os resultados dos estudos epidemiol&oacute;gicos em    sa&uacute;de ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, caracter&iacute;sticas particulares do    uso da epidemiologia na sa&uacute;de ambiental imp&otilde;em desafios aos seus    empreendedores, relacionados &agrave; especificidade de seu objeto, &agrave;    interdisciplinaridade e complexidade na constitui&ccedil;&atilde;o de um sistema    de informa&ccedil;&otilde;es para a Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de.    &Eacute; o que pretendemos analisar neste trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Breve nota sobre a sa&uacute;de ambiental</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A primeira confer&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) sobre o meio ambiente, em 1972, foi um    marco na hist&oacute;ria das pol&iacute;ticas ambientais. V&aacute;rias quest&otilde;es    foram merecedoras de preocupa&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o dos    Estados e de uma certa articula&ccedil;&atilde;o internacional. O processo de    tomada de consci&ecirc;ncia gradual &#8211; e global &#8211; do uso predat&oacute;rio    do planeta e de seus recursos, capaz de inviabilizar a vida em sua superf&iacute;cie,<sup>2</sup>    passa a ser correspondido por preocupa&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es    articuladas nos n&iacute;veis dos Estados nacionais e internacionais. Ganham    visibilidade quest&otilde;es relacionadas &agrave; pobreza, aos custos do uso    racional dos recursos naturais e ao desenvolvimento de novas tecnologias n&atilde;o    poluentes e poupadoras desses recursos, bem como as disparidades entre pa&iacute;ses    centrais e perif&eacute;ricos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro,    em 1992, consolidou, nos princ&iacute;pios da &quot;Declara&ccedil;&atilde;o    do Rio sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento&quot;, alguns pontos relevantes    j&aacute; apontados em 1972, a saber:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">- &Eacute; da sobreviv&ecirc;ncia do planeta    que se trata. Assim sendo, todos os pa&iacute;ses s&atilde;o atingidos indistintamente.    A responsabilidade de proteger o planeta para as gera&ccedil;&otilde;es futuras    &eacute;, portanto, de todos, guardado o respeito &agrave; eq&uuml;idade como    princ&iacute;pio de justi&ccedil;a fundamental na distribui&ccedil;&atilde;o    dos &ocirc;nus da mudan&ccedil;a de rumo do desenvolvimento em dire&ccedil;&atilde;o    &agrave; prote&ccedil;&atilde;o ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> - Os seres humanos ocupam o centro das preocupa&ccedil;&otilde;es    &#8211; o que coloca a sa&uacute;de humana em foco, articulada ao ambiente e    ao desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- O desenvolvimento sustent&aacute;vel almeja    &quot;garantir o direito a uma vida saud&aacute;vel e produtiva em harmonia    com a natureza&quot;, para as gera&ccedil;&otilde;es presentes e futuras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; assegurada a autonomia dos Estados (em    termos de liberdade e responsabilidades) na promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento    econ&ocirc;mico; eles dever&atilde;o responder, eq&uuml;itativamente, &agrave;s    necessidades de desenvolvimento humano e ambientais das gera&ccedil;&otilde;es    presentes e futuras. Introduz-se, de forma inequ&iacute;voca, a associa&ccedil;&atilde;o    entre o desenvolvimento, a prote&ccedil;&atilde;o do ambiente (nosso lar) e    a preserva&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar    humano de maneira sustent&aacute;vel, ao longo de gera&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em termos internacionais, esse &eacute; o contexto    pol&iacute;tico onde se insere a discuss&atilde;o ambiental, para a qual a Rio-92    foi um marco. Nela, foi aprovada a Agenda 21, documento que estabelece uma s&eacute;rie    de orienta&ccedil;&otilde;es para a integra&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es    em n&iacute;vel mundial, no sentido do desenvolvimento sustent&aacute;vel, da    sa&uacute;de humana e da prote&ccedil;&atilde;o do ambiente.<sup>3</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A sustentabilidade do modelo de desenvolvimento    econ&ocirc;mico, em termos de recursos naturais e sociais, imp&otilde;e-se cada    vez mais e com maior for&ccedil;a. Independentemente de como o desenvolvimento,    a sa&uacute;de e o ambiente t&ecirc;m sido abordados e relacionados entre si,    &eacute; a gest&atilde;o democr&aacute;tica e &eacute;tica dos espa&ccedil;os    urbanos, rurais e naturais que poder&aacute; garantir a sustentabilidade de    qualquer modelo de desenvolvimento. A id&eacute;ia de sustentabilidade vincula-se    &agrave; justi&ccedil;a social como eq&uuml;idade no acesso a recursos e bens    e na implementa&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es com o objetivo de dirimir    a pobreza, a fome e a desnutri&ccedil;&atilde;o, promovendo uma vida saud&aacute;vel    para todos &#8211; e, ao longo do tempo &#8211;, em benef&iacute;cio das futuras    gera&ccedil;&otilde;es. Essa id&eacute;ia ap&oacute;ia-se, exclusivamente, na    teoria e na pr&aacute;tica de que os mais diversos e leg&iacute;timos grupos    sociais, muitos deles com interesses contradit&oacute;rios, podem-se reunir    em torno de um objetivo principal e comum: a sa&uacute;de da humanidade. Em    torno dele, &eacute; poss&iacute;vel construir programas e metas para serem    ser negociados nos espa&ccedil;os democr&aacute;ticos, garantida a inclus&atilde;o    de todos os setores sociais interessados (empres&aacute;rios, comunidades, organiza&ccedil;&otilde;es    de trabalhadores, governo, etc.) e de todas as &aacute;reas envolvidas (Sa&uacute;de,    Educa&ccedil;&atilde;o, Fazenda, etc.). A condi&ccedil;&atilde;o de base para    que possa haver inclus&atilde;o de determinados segmentos populacionais, geralmente    exclu&iacute;dos das decis&otilde;es de governo, &eacute; que haja informa&ccedil;&atilde;o    dispon&iacute;vel para todos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">N&atilde;o se pode falar em integra&ccedil;&atilde;o    de setores, participa&ccedil;&atilde;o da comunidade e da sociedade civil, ou    ainda, em programa de vigil&acirc;ncia, sem a sua mat&eacute;ria-prima: a informa&ccedil;&atilde;o    de sa&uacute;de. A disciplina que mais nos oferece dados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    de informa&ccedil;&otilde;es acerca da sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o,    em quantidade e qualidade, &eacute; a epidemiologia. A aplica&ccedil;&atilde;o    da epidemiologia na &aacute;rea ambiental &eacute; de import&acirc;ncia capital,    portanto. Na implanta&ccedil;&atilde;o do Projeto Vigisus pela Secretaria de    Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (SVS/MS),    por exemplo, entre as principais a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas, encontra-se    a estrutura&ccedil;&atilde;o de um sistema de vigil&acirc;ncia ambiental em    sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No contexto pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico    e social constitu&iacute;do de pr&aacute;ticas e instrumentos desenvolvidos    pela epidemiologia ao longo da hist&oacute;ria, &eacute; poss&iacute;vel gerar    informa&ccedil;&otilde;es capazes de auxiliar a tomada de decis&otilde;es, em    todos os n&iacute;veis e setores, pelos grupos de interesses envolvidos nas    quest&otilde;es de sa&uacute;de e ambiente. Do ponto de vista do conhecimento,    o contexto abrange teorias e conceitos que nos auxiliam a entender como e em    que situa&ccedil;&otilde;es utilizar, e como analisar os resultados dos estudos    epidemiol&oacute;gicos em sa&uacute;de ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para o conhecimento da rela&ccedil;&atilde;o    sa&uacute;de e ambiente, nas &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o, ambiente    e sa&uacute;de, a multidisciplinaridade &eacute; essencial. Ela comporta uma    infinidade de abordagens e articula&ccedil;&otilde;es inter e transdisciplinares    que compreendem o ambiente como resultado de processos ecol&oacute;gicos conduzidos    pela sociedade, mediante a aplica&ccedil;&atilde;o das tecnologias e t&eacute;cnicas    com as quais os humanos interagem com a natureza. S&atilde;o esses <b>ambientes</b>    que podem configurar <b>situa&ccedil;&otilde;es de risco</b> para a sa&uacute;de    e a qualidade de vida dos seres humanos.<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O modelo conceitual, aqui adotado, baseia-se    no entendimento de que as quest&otilde;es pertinentes &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es    entre sa&uacute;de e ambiente devem ser pensadas como integrantes de sistemas    complexos. Um problema de sa&uacute;de, uma epidemia de diarr&eacute;ia em uma    determinada popula&ccedil;&atilde;o ou uma situa&ccedil;&atilde;o de risco ambiental    para a sa&uacute;de humana &#8211; um dep&oacute;sito de res&iacute;duos perigosos    em &aacute;rea urbanizada, por exemplo &#8211;, s&oacute; podem ser tratados    adequadamente se forem considerados os sistemas complexos em que est&atilde;o    inseridos. Pensar complexo, segundo Morin, &eacute;, antes de tudo, diferenciar    e juntar. "<i>Complexus</i> significa o que &eacute; tecido junto&quot;.<sup>5</sup>    Pensar complexo op&otilde;e-se &agrave; forma tradicional de conhecimento, que    separa e reduz. Em sa&uacute;de ambiental, seja qual for o problema a ser resolvido,    se a tentativa for de reduzi-lo ao &acirc;mbito de apenas uma disciplina, certamente    n&atilde;o ser&atilde;o encontradas possibilidades de gerar conhecimento que    auxiliem a interven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Pensar na complexidade das situa&ccedil;&otilde;es    ambientais ou problemas de sa&uacute;de a elas relacionados significa pensar    em elementos articulados entre si, conformando situa&ccedil;&otilde;es sempre    mutantes e que v&atilde;o construindo, em um processo din&acirc;mico caracter&iacute;stico,    a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria. A compreens&atilde;o desse movimento e    dessa hist&oacute;ria &eacute; que permite uma interven&ccedil;&atilde;o eficaz    em situa&ccedil;&otilde;es de risco.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ainda sobre o exemplo sugerido de uma epidemia    de diarr&eacute;ia, se, em determinado momento, houver um aumento do n&uacute;mero    de casos em uma dada comunidade, os elementos componentes da situa&ccedil;&atilde;o    podem ser diversos: contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua pelo esgoto, desnutri&ccedil;&atilde;o    cr&ocirc;nica favorecendo o aparecimento e a gravidade da diarr&eacute;ia, n&iacute;vel    socioecon&ocirc;mico da comunidade bastante desfavor&aacute;vel, grau de escolaridade    baixo que favorece a falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre higiene pessoal    e formas de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, aumento recente da    popula&ccedil;&atilde;o local (atra&iacute;da pela ind&uacute;stria que se instalou    nas proximidades), etc. Cada um desses elementos articula-se com os demais e    o conjunto deve ser pensado em permanente movimento. O exemplo da diarr&eacute;ia    serve para se pensar a constru&ccedil;&atilde;o de um sistema com elementos    locais, da comunidade, cuja organiza&ccedil;&atilde;o ascenda do n&iacute;vel    local, municipal, estadual e nacional at&eacute; o n&iacute;vel planet&aacute;rio.    Cada um desses n&iacute;veis encontra-se em profunda articula&ccedil;&atilde;o    com os demais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Suponhamos, ainda, que a nossa comunidade seja    de profunda tradi&ccedil;&atilde;o rural e tenha a oportunidade de receber a    sua primeira ind&uacute;stria. A iniciativa valorizaria, sobremaneira, os poderes    executivo e legislativo locais, pela perspectiva da abertura de novos empregos    e incremento na capta&ccedil;&atilde;o de recursos para a municipalidade. Entretanto,    no &acirc;mbito estadual, persistiria a grande disparidade entre as regi&otilde;es,    dada a distribui&ccedil;&atilde;o de recursos bastante concentrada em alguns    poucos munic&iacute;pios da regi&atilde;o metropolitana. No n&iacute;vel nacional,    as diferen&ccedil;as se ampliariam. E em n&iacute;vel planet&aacute;rio, seria    observada uma peculiar divis&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, que destinaria    as ind&uacute;strias mais poluentes aos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, em    uma demonstra&ccedil;&atilde;o clara da explora&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o    de vulnerabilidade econ&ocirc;mica e de car&ecirc;ncia &#8211; &agrave;s vezes,    de mis&eacute;ria absoluta &#8211; de parcelas significativas de suas popula&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Aqui, encontra-se exposto, de forma sucinta,    o que pode ser pensado como <b>sistema</b>, cujos elementos interatuam &#8211;    entre si e com o problema de sa&uacute;de ou situa&ccedil;&atilde;o de risco    ambiental que se queira enfrentar. Os elementos componentes desse sistema podem    ser hierarquizados conforme a proximidade, viabilidade e grau de influ&ecirc;ncia    sobre o problema focalizado. Na nossa comunidade hipot&eacute;tica, a curto    prazo, se n&atilde;o s&atilde;o vi&aacute;veis altera&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas    significativas, pode ser poss&iacute;vel consertar a rede de esgotos, conseguir    recursos para o ensino e merenda escolar de qualidade, diminuindo o grau de    desnutri&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, etc.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando se pensa na contribui&ccedil;&atilde;o    da epidemiologia, esta deve ser considerada no processo de articula&ccedil;&atilde;o    produ&ccedil;&atilde;o-ambiente-sa&uacute;de, em toda a sua complexidade. Anteriormente,    quando foi citado Morin e a sua cr&iacute;tica &agrave; redu&ccedil;&atilde;o    operada pelas disciplinas, o objetivo foi chamar a aten&ccedil;&atilde;o do    leitor para o fato de que o objeto <i>per si</i> da sa&uacute;de ambiental &#8211;    as rela&ccedil;&otilde;es entre sa&uacute;de e ambiente &#8211; n&atilde;o &eacute;    redut&iacute;vel. Todavia, &eacute; mister lan&ccedil;ar m&atilde;o de todo    o conhecimento de que disp&otilde;e e tem gerado a epidemiologia, sem perder    de vista seus limites, para enriquecer o seu poder de interven&ccedil;&atilde;o    no campo das rela&ccedil;&otilde;es entre sa&uacute;de e ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Breve nota sobre a epidemiologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da epidemiologia    com as quest&otilde;es ambientais tamb&eacute;m &eacute; ilustrada em trabalhos    cl&aacute;ssicos como o de John Snow, na Londres do s&eacute;culo XIX, em seu    estudo sobre a transmiss&atilde;o do c&oacute;lera e o papel das &aacute;guas    de abastecimento como ve&iacute;culo de propaga&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a,    quando afirma, em sua conclus&atilde;o, que &quot;<i>as fezes dos doentes de    c&oacute;lera misturam- se com &aacute;gua usada para beber ou para consumo    dom&eacute;stico, seja atravessando o terreno que rodeia os po&ccedil;os ou    cisternas ou ainda correndo por canais que des&aacute;guam em rios onde, algumas    vezes, popula&ccedil;&otilde;es inteiras se abastecem de &aacute;gua</i>&quot;.    O autor pressup&otilde;e a import&acirc;ncia do agente ambiental facilitador    da exposi&ccedil;&atilde;o (a &aacute;gua) no cen&aacute;rio da manuten&ccedil;&atilde;o    e reprodu&ccedil;&atilde;o da epidemia.<sup>6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Antes mesmo de Snow, a rela&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de com o ambiente estivera presente desde a Antig&uuml;idade, com    destaque para a contribui&ccedil;&atilde;o de Hip&oacute;crates e seus ensaios    sobre a import&acirc;ncia dos ares, &aacute;guas e lugares como determinantes    de diferen&ccedil;as na morbidade dos indiv&iacute;duos.<sup>7,8</sup> Tamb&eacute;m    na Europa do s&eacute;culo XIV, a peste bub&ocirc;nica tornara-se uma pandemia,    exigindo a&ccedil;&otilde;es com o intuito de controlar a dissemina&ccedil;&atilde;o    da doen&ccedil;a. Uma das medidas tomadas foi o estabelecimento de quarentena    para os navios que aportavam em algumas cidades da Europa. Naquele momento,    a observa&ccedil;&atilde;o de que fatores como a migra&ccedil;&atilde;o de contingentes    humanos, caracter&iacute;sticas ou mudan&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es    do ambiente influenciavam na propaga&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as, tornou-se    muito importante para levantar quais medidas deveriam ser tomadas no enfrentamento    do problema.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Posteriormente, a descoberta dos microorganismos    imprimiu impacto ao desenvolvimento da epidemiologia, vinculando-a &agrave;s    ci&ecirc;ncias b&aacute;sicas da &aacute;rea m&eacute;dica e retardando a sua    constitui&ccedil;&atilde;o como disciplina aut&ocirc;noma, afastando-a da perspectiva    ambiental sob a qual ela nascera. No seu in&iacute;cio, o termo Epidemiologia    foi atribu&iacute;do ao estudo descritivo das epidemias. Mais tarde, a partir    da introdu&ccedil;&atilde;o do racioc&iacute;nio estat&iacute;stico nas investiga&ccedil;&otilde;es    epidemiol&oacute;gicas, o objeto da epidemiologia torna-se cada vez mais diversificado,    expandindo os seus limites para al&eacute;m das doen&ccedil;as infecciosas.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os anos 50 do s&eacute;culo XX assistem a uma    consolida&ccedil;&atilde;o da disciplina, com aperfei&ccedil;oamento dos desenhos    de pesquisa, estabelecimento de regras b&aacute;sicas da an&aacute;lise epidemiol&oacute;gica,    fixa&ccedil;&atilde;o de indicadores t&iacute;picos (incid&ecirc;ncia e preval&ecirc;ncia),    conceito de risco, desenvolvimento de t&eacute;cnicas de identifica&ccedil;&atilde;o    de casos e identifica&ccedil;&atilde;o dos principais tipos de vieses.<sup>10</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A seguir, nos anos 60, o advento da computa&ccedil;&atilde;o    eletr&ocirc;nica amplia as perspectivas da epidemiologia, mediante a possibilidade    de m&uacute;ltiplas an&aacute;lises e controle das vari&aacute;veis confundidoras,    al&eacute;m da possibilidade de trabalhar com grandes bancos de dados. Instala-    se uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica nessa &aacute;rea,    e os atuais modelos de an&aacute;lise representam uma aproxima&ccedil;&atilde;o    cada vez mais afinada com a Matem&aacute;tica.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar das transforma&ccedil;&otilde;es ao longo    da hist&oacute;ria, o modelo b&aacute;sico de an&aacute;lise epidemiol&oacute;gica    mant&eacute;m-se fincado no modelo etiol&oacute;gico. O que se busca &eacute;    colocar em evid&ecirc;ncia uma associa&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;vel    independente e fen&ocirc;meno de sa&uacute;de. Inicialmente, buscavam-se causas    e rela&ccedil;&otilde;es causais entre vari&aacute;vel e sa&uacute;de. Em um    processo de adapta&ccedil;&atilde;o e incorpora&ccedil;&atilde;o de novos objetos,    das doen&ccedil;as onde se podia determinar uma causa (para haver doen&ccedil;a,    &eacute; preciso que o microorganismo esteja presente), a epidemiologia passa    a se ocupar, tamb&eacute;m, das doen&ccedil;as n&atilde;o infecciosas determinadas    por uma rede de fatores causais. Os fatores de risco s&atilde;o, ent&atilde;o,    propostos como determinantes de doen&ccedil;a.<sup>11</sup> Com a aplica&ccedil;&atilde;o    desses conceitos ao campo da Sa&uacute;de Ambiental, s&atilde;o desenvolvidos    estudos que procuram associar fatores de risco ambientais e efeitos adversos,    determinando grupos de risco segundo n&iacute;veis de exposi&ccedil;&atilde;o    variados, entre outros caracteres.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>A epidemiologia na sa&uacute;de ambiental</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A epidemiologia aplicada ao estudo de popula&ccedil;&otilde;es    de trabalhadores vem contribuindo para o estabelecimento de nexo causal entre    o aparecimento de problemas de sa&uacute;de e os agentes t&oacute;xicos presentes    em ambientes de trabalho. Como tais agentes poluem o ambiente em geral, as preocupa&ccedil;&otilde;es    acerca dos riscos ambientais e efeitos sobre a sa&uacute;de humana voltam- se,    tamb&eacute;m, e cada vez mais, para a popula&ccedil;&atilde;o geral n&atilde;o    exposta ocupacionalmente.<sup>12</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com a aplica&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo    epidemiol&oacute;gico, &eacute; poss&iacute;vel n&atilde;o apenas demonstrar    a associa&ccedil;&atilde;o causal entre polui&ccedil;&atilde;o ambiental e danos    &agrave; sa&uacute;de humana, mas tamb&eacute;m contribuir, junto com os estudos    experimentais toxicol&oacute;gicos, para o estabelecimento de normas de qualidade    e refer&ecirc;ncia dos fatores ambientais e limites de exposi&ccedil;&atilde;o.    A modifica&ccedil;&atilde;o ou elabora&ccedil;&atilde;o desses referenciais    normativos pode ocorrer como resposta a acontecimentos envolvendo seres humanos,    a exemplo do acidente nuclear de Chernobyl e a elabora&ccedil;&atilde;o de recomenda&ccedil;&otilde;es    referentes &agrave; polui&ccedil;&atilde;o radioativa de alimentos.<sup>13</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; da compet&ecirc;ncia da vigil&acirc;ncia    epidemiol&oacute;gica o desenho do modelo de distribui&ccedil;&atilde;o espacial    da doen&ccedil;a, inicialmente por transmiss&atilde;o de microorganismos patog&ecirc;nicos    &#8211; na &aacute;rea de sa&uacute;de ambiental, por exposi&ccedil;&atilde;o    ambiental e distribui&ccedil;&atilde;o dos poluentes. Um dos mais conhecidos    acidentes ambientais, acontecido na d&eacute;cada de 50, quando a Ba&iacute;a    de Minamata (Jap&atilde;o) foi polu&iacute;da por merc&uacute;rio org&acirc;nico    proveniente de ind&uacute;stria que produzia acetalde&iacute;do, levou ao surgimento    de milhares de casos de intoxica&ccedil;&atilde;o e &agrave; ocorr&ecirc;ncia    da s&iacute;ndrome que ficou conhecida como Doen&ccedil;a de Minamata. Logo,    a investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica mostrou que a distribui&ccedil;&atilde;o    da doen&ccedil;a acompanhava o consumo de peixes da ba&iacute;a. Ainda sobre    a exposi&ccedil;&atilde;o ao merc&uacute;rio como contaminante ambiental, destaca-se,    no Brasil, o caso dos garimpos de ouro na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, onde    trabalhadores est&atilde;o expostos ao merc&uacute;rio met&aacute;lico &#8211;,    bem como as popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas locais, por meio da ingest&atilde;o    de pescado contendo teores elevados de merc&uacute;rio org&acirc;nico.<sup>14</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esses estudos tamb&eacute;m indicam a import&acirc;ncia    da contribui&ccedil;&atilde;o de diversas outras disciplinas que se ocupam dos    fatores ambientais &#8211; como a forma&ccedil;&atilde;o do solo, queimadas,    lixivia&ccedil;&atilde;o, desflorestamento, deslocamento de massas de ar, etc.    &#8211;, fundamentais diante da disponibilidade do merc&uacute;rio, inclusive    natural, no meio ambiente.<sup>15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A preocupa&ccedil;&atilde;o com a finitude dos    recursos naturais e a consolida&ccedil;&atilde;o da compreens&atilde;o do papel    central do processo produtivo como fonte de riscos para o ambiente &#8211; e,    conseq&uuml;entemente, para a sa&uacute;de humana &#8211;, destaca a import&acirc;ncia    da contribui&ccedil;&atilde;o da epidemiologia para tornar evidente a rela&ccedil;&atilde;o    entre ambiente e agravos &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A epidemiologia oferece n&atilde;o s&oacute;    a possibilidade de calcular riscos pela exposi&ccedil;&atilde;o a determinados    poluentes ambientais, como tamb&eacute;m de implantar programas de interven&ccedil;&atilde;o    e redu&ccedil;&atilde;o de riscos &#8211; sistemas de vigil&acirc;ncia e monitoramento    ambiental, por exemplo. Ademais, a aplica&ccedil;&atilde;o dos conceitos e teorias    da epidemiologia &agrave;s quest&otilde;es de sa&uacute;de ambiental levantou    alguns desafios adcionais e espec&iacute;ficos: a especificidade do objeto,    a complexidade das situa&ccedil;&otilde;es de risco e a interdisciplinaridade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>A especificidade do objeto</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os processos produtivos compreendem atividades    que incluem a extra&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias-primas, sua transforma&ccedil;&atilde;o    em produtos, o consumo desses produtos e, finalmente, o seu destino final sob    a forma de res&iacute;duos. Em todas essas atividades, s&atilde;o geradas situa&ccedil;&otilde;es    de risco. O progresso tecnol&oacute;gico aliviou grande parte da sobrecarga    dos trabalhadores e, em certa medida, protegeu-os do desgaste acentuado dos    prim&oacute;rdios da industrializa&ccedil;&atilde;o. Contudo, esse progresso    tem acrescentado novos riscos, n&atilde;o s&oacute; &agrave;queles que trabalham    nas f&aacute;bricas, mas para toda a popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A cada ano, um sem n&uacute;mero de novos produtos    &eacute; lan&ccedil;ado pelos diversos processos de trabalho. A velocidade com    que s&atilde;o elaboradas novas formula&ccedil;&otilde;es e introduzidas novas    subst&acirc;ncias no mercado n&atilde;o &eacute; acompanhada pelo conhecimento    de seus n&iacute;veis de toxicidade, conseq&uuml;&ecirc;ncias para a sa&uacute;de    humana e caracteriza&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o ambiental. Mesmo    em se tratando de subst&acirc;ncias tradicionais, somente uma pequena parcela    delas encontra-se suficientemente estudada. Acrescente-se o fato de que os efeitos    cr&ocirc;nicos de baixa dose s&atilde;o praticamente desconhecidos para a quase    totalidade dessas subst&acirc;ncias. S&atilde;o motivos que fazem com que as    fontes de risco de origem qu&iacute;mica adquiram import&acirc;ncia crucial    para a avalia&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de ambiental,    desafiando a epidemiologia a dar respostas.<sup>14</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os agentes biol&oacute;gicos, a polui&ccedil;&atilde;o    da &aacute;gua de consumo ou ainda as condi&ccedil;&otilde;es do meio ambiente    que favorecem a prolifera&ccedil;&atilde;o de vetores s&atilde;o quest&otilde;es    ambientais respons&aacute;veis por s&eacute;rios impactos &agrave; sa&uacute;de    humana, reivindicando uma abordagem diferenciada e espec&iacute;fica da epidemiologia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>A complexidade das situa&ccedil;&otilde;es    de risco</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A complexidade das situa&ccedil;&otilde;es reflete-se    na especificidade metodol&oacute;gica dos estudos nessa &aacute;rea, particularmente    no que se refere &agrave;s vari&aacute;veis a serem estudadas. De forma mais    sistem&aacute;tica, podem-se reconstruir as situa&ccedil;&otilde;es que envolvem    as rela&ccedil;&otilde;es sa&uacute;de- ambiente a partir dos elementos que    as comp&otilde;em, classificando-os em vari&aacute;veis relacionadas com o poluente,    o ambiente, a popula&ccedil;&atilde;o exposta e a infraestrutura dos setores    da Sa&uacute;de e do Meio Ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto ao <b>poluente</b>, &eacute; elevado o    n&uacute;mero de vari&aacute;veis a serem consideradas no desenho e desenvolvimento    dos estudos:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- tipo;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- fonte;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- concentra&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- poder de volatiliza&ccedil;&atilde;o;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">- odor;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- local;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- dispers&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- padr&atilde;o de ocorr&ecirc;ncia;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- estado f&iacute;sico;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- cin&eacute;tica ambiental;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- tipo de solubilidade;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- transforma&ccedil;&atilde;o (biodegradabilidade,    sedimenta&ccedil;&atilde;o, a&ccedil;&atilde;o de microorganismos, adsor&ccedil;&atilde;o    a part&iacute;culas, intera&ccedil;&atilde;o com outras subst&acirc;ncias);</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- persist&ecirc;ncia ambiental;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- vias de absor&ccedil;&atilde;o;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">- distribui&ccedil;&atilde;o; </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- biotransforma&ccedil;&atilde;o (oxida&ccedil;&atilde;o,    redu&ccedil;&atilde;o, hidr&oacute;lise, acetila&ccedil;&atilde;o, metila&ccedil;&atilde;o,    conjuga&ccedil;&atilde;o)</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- acumula&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- tempo de lat&ecirc;ncia;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- vias de elimina&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- tipos de efeitos adversos;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- outras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ainda sobre os poluentes, qualquer avalia&ccedil;&atilde;o    de risco deve levar em conta o melhor local para a coleta das amostras para    an&aacute;lise. A freq&uuml;&ecirc;ncia da sua ocorr&ecirc;ncia, sua cin&eacute;tica    ambiental, a persist&ecirc;ncia no ambiente, a capacidade de biotransforma&ccedil;&atilde;o,    vias de penetra&ccedil;&atilde;o no organismo, s&atilde;o aspectos importantes    dessa coleta.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No que diz respeito &agrave;s caracter&iacute;sticas    do <b>ambiente</b> onde se encontra o poluente, destacam-se as vari&aacute;veis    referentes &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es hidrogr&aacute;ficas, geol&oacute;gicas,    topogr&aacute;ficas e meteorol&oacute;gicas: aspectos f&iacute;sico- qu&iacute;micos    dos compartimentos ambientais, temperatura, ventos, umidade do ar, permeabilidade    dos solos, drenagens, concentra&ccedil;&atilde;o populacional, vegeta&ccedil;&atilde;o,    &aacute;guas superficiais e profundas, etc.<sup>16</sup> S&atilde;o exemplos    dessas condi&ccedil;&otilde;es: a import&acirc;ncia dos ventos na dispers&atilde;o    dos poluentes, a possibilidade de diminui&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o    por via respirat&oacute;ria de subst&acirc;ncias como a s&iacute;lica livre    em ambientes umidificados, as caracter&iacute;sticas topogr&aacute;ficas e a    polui&ccedil;&atilde;o de len&ccedil;&oacute;is fre&aacute;ticos, o papel do    pH para a ocorr&ecirc;ncia, ou n&atilde;o, de metila&ccedil;&atilde;o de compostos    mercuriais, entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto &agrave;s vari&aacute;veis de interesse    relativas &agrave; <b>popula&ccedil;&atilde;o exposta</b>, deve-se levar em    considera&ccedil;&atilde;o: sexo, idade, susceptibilidade individual, grupos    especiais, estado nutricional, ra&ccedil;a, escolaridade, caracter&iacute;sticas    socioecon&ocirc;micas, ocupa&ccedil;&atilde;o, padr&otilde;es de consumo, h&aacute;bitos    e doen&ccedil;a pr&eacute;via, entre outras. Uma pessoa que apresenta um bom    padr&atilde;o de vida, boa alimenta&ccedil;&atilde;o e acesso a informa&ccedil;&otilde;es    ter&aacute; um risco menor de exposi&ccedil;&atilde;o a muitos fatores ambientais    adversos &agrave; sa&uacute;de, caracter&iacute;sticos de &aacute;reas de baixo    n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Por fim, deve-se conceder a devida import&acirc;ncia    &agrave;s vari&aacute;veis relacionadas com a<b> infra-estrutura</b> dos setores    da Sa&uacute;de e do Meio Ambiente, necess&aacute;rias para o desenvolvimento    de qualquer atividade de vigil&acirc;ncia, e que incluem, entre outros condicionantes:    recursos humanos, equipamentos, apoio laboratorial, programas de preven&ccedil;&atilde;o    e controle, programas de reabilita&ccedil;&atilde;o, seguridade social, etc.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>A interdisciplinaridade</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao se pensar na complexidade dos estudos sobre    a rela&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de-ambiente, conclui-se que a equipe de pesquisa    interessada em desenvolver programas de vigil&acirc;ncia deve contar com a participa&ccedil;&atilde;o    de profissionais de diversas origens. Desde o desenho do programa de vigil&acirc;ncia    at&eacute; as propostas de recomenda&ccedil;&otilde;es visando &agrave; prote&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, o conhecimento gerado nas mais diversas &aacute;reas &eacute;    indispens&aacute;vel, especialmente nos aspectos referentes a algumas vari&aacute;veis    epidemiol&oacute;gicas, na avalia&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es    de risco e seus efeitos &agrave; sa&uacute;de relacionados com agentes qu&iacute;micos    que poluem os diversos compartimentos ambientais. Sendo assim, uma primeira    quest&atilde;o metodol&oacute;gica a ser observada, quando da realiza&ccedil;&atilde;o    de estudos sobre riscos ambientais, &eacute; que essa abordagem seja, necessariamente,    interdisciplinar e conduzida por equipes multiprofissionais, dada a complexidade    dos problemas de sa&uacute;de relacionados ao ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Considerando seus objetivos e a&ccedil;&otilde;es,    a estrutura da vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de &eacute; multissetorial.    Ela compreende institui&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea da Sa&uacute;de e de    outros setores, identificadas de acordo com o objeto de trabalho: a) institui&ccedil;&otilde;es    que geram informa&ccedil;&otilde;es sobre os par&acirc;metros ambientais, ligadas    a diversos setores da atividade socioecon&ocirc;mica que atuam diretamente no    componente ambiental da vigil&acirc;ncia; e b) institui&ccedil;&otilde;es que    geram informa&ccedil;&otilde;es sobre danos &agrave; sa&uacute;de das pessoas,    pertencentes, em sua grande parte, &agrave; &aacute;rea da Sa&uacute;de &#8211;    organismos p&uacute;blicos ou privados, dedicados &agrave; monitora&ccedil;&atilde;o    biol&oacute;gica e ao estudo dos efeitos de condi&ccedil;&atilde;o/exposi&ccedil;&atilde;o    adversa &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>A informa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de:</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>contribui&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica da    epidemiologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; indispens&aacute;vel    para qualquer atividade de vigil&acirc;ncia. A implementa&ccedil;&atilde;o de    um sistema de informa&ccedil;&atilde;o no contexto da sa&uacute;de ambiental    significa a operacionaliza&ccedil;&atilde;o dos desafios apresentados. A utiliza&ccedil;&atilde;o    do m&eacute;todo epidemiol&oacute;gico no desenvolvimento de um sistema de vigil&acirc;ncia    ambiental em sa&uacute;de compreende o diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o,    o estabelecimento do programa de vigil&acirc;ncia &#8211; inclusive com a realiza&ccedil;&atilde;o    de teste-piloto &#8211;, a an&aacute;lise dos resultados, a implementa&ccedil;&atilde;o    de programas de preven&ccedil;&atilde;o e controle e, ainda, a avalia&ccedil;&atilde;o    do pr&oacute;prio sistema em rela&ccedil;&atilde;o ao seu processo e impacto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O sistema de informa&ccedil;&atilde;o para a    vigil&acirc;ncia ambiental organiza-se segundo uma certa hierarquia de informa&ccedil;&atilde;o.    A partir de dados de sa&uacute;de e ambientais, s&atilde;o constru&iacute;dos    indicadores em um processo de consolida&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es    orientado, necessariamente, pelo modelo de compreens&atilde;o que discutimos    anteriormente. Com os elementos que comp&otilde;em as situa&ccedil;&otilde;es    de risco ambiental para a sa&uacute;de humana e a hierarquiza&ccedil;&atilde;o    das suas vari&aacute;veis, estabelecem-se os indicadores. Os indicadores s&atilde;o    par&acirc;metros que permitem, quantitativa ou qualitativamente, definir uma    dada situa&ccedil;&atilde;o ambiental ou de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de    (OMS) prop&otilde;e a classifica&ccedil;&atilde;o desses indicadores segundo    a sua inser&ccedil;&atilde;o na estrutura do sistema, de tal forma que eles    podem ser indicadores de For&ccedil;a Motriz -&gt;Press&atilde;o -&gt;Situa&ccedil;&atilde;o    -&gt; Exposi&ccedil;&atilde;o -&gt;Efeito -&gt;A&ccedil;&otilde;es. A proposta    da OMS<sup>17</sup> sistematiza a id&eacute;ia, que procuramos desenvolver,    de complexidade dos problemas de sa&uacute;de/ ambientais e inter-rela&ccedil;&atilde;o    dos elementos dos sistemas que os cont&ecirc;m. Essa proposta, que j&aacute;    fora incorporada pela Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de (Funasa),    atualmente &eacute; adotada pela SVS/MS, &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel    pela estrutura&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de um Sistema Nacional de    Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de em nosso pa&iacute;s.<sup>18,19</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; preciso entender esse modelo de organiza&ccedil;&atilde;o    dos indicadores como um processo que dever&aacute; ocorrer em todos os n&iacute;veis,    do local ao nacional, de forma articulada, considerando a autonomia de cada    n&iacute;vel e entendendo o processo de estrutura&ccedil;&atilde;o do sistema    de informa&ccedil;&atilde;o como um trabalho cooperativo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A estrutura&ccedil;&atilde;o de um sistema de    informa&ccedil;&atilde;o que atenda &agrave; vigil&acirc;ncia ambiental deve    considerar os objetivos dessa vigil&acirc;ncia para estabelecer, com efici&ecirc;ncia    e efic&aacute;cia, a din&acirc;mica do deslocamento da informa&ccedil;&atilde;o    entre os v&aacute;rios pontos desse sistema. Sistema que deve admitir certa    flexibilidade no seu fluxo, possibilitando uma resposta/a&ccedil;&atilde;o &agrave;    altura da situa&ccedil;&atilde;o-problema, em tempo h&aacute;bil. A constante    atualiza&ccedil;&atilde;o representa outro aspecto relevante do seu funcionamento,    sobre o qual a vigil&acirc;ncia se edifica. Outra caracter&iacute;stica fundamental    dessa estrutura &eacute; a sua transpar&ecirc;ncia e permeabilidade &agrave;    participa&ccedil;&atilde;o popular &#8211; ativa e cr&iacute;tica &#8211;, interpretando    e reinterpretando as informa&ccedil;&otilde;es geradas pelo sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O sistema de informa&ccedil;&atilde;o abrange    um conjunto de componentes interligados em n&iacute;veis, que podem atuar no    plano local, regional ou nacional. Em cada um desses n&iacute;veis de atua&ccedil;&atilde;o,    estabelecem-se os caminhos da informa&ccedil;&atilde;o desde a sua entrada no    sistema, na condi&ccedil;&atilde;o de dados obtidos (coleta), passando pelas    transforma&ccedil;&otilde;es ou consolida&ccedil;&otilde;es ocorridas em determinados    est&aacute;gios (processamento) e pela avalia&ccedil;&atilde;o desses dados    (an&aacute;lise), at&eacute; a instru&ccedil;&atilde;o para a tomada de decis&atilde;o.    Esse processo pode transcorrer em condi&ccedil;&otilde;es que demandem pouqu&iacute;ssimo    tempo entre o conhecimento do problema e a pr&aacute;tica da a&ccedil;&atilde;o    de controle. Entretanto, determinadas situa&ccedil;&otilde;es podem solicitar    um planejamento mais demorado e que considere, por exemplo, uma condi&ccedil;&atilde;o    de exposi&ccedil;&atilde;o obscura ou pouco definida. Na vigil&acirc;ncia ambiental    em sa&uacute;de, o resultado do conhecimento proporcionado pelo sistema de informa&ccedil;&atilde;o    deve possibilitar a identifica&ccedil;&atilde;o, preven&ccedil;&atilde;o, redu&ccedil;&atilde;o    e revers&atilde;o dos efeitos de uma condi&ccedil;&atilde;o ou exposi&ccedil;&atilde;o    adversa &agrave; sa&uacute;de.<sup>20</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O tipo de informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rio    a um sistema de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental compreende dados    sobre: <b>danos</b> <b>&agrave; sa&uacute;de</b> (agravos, les&otilde;es, etc.)    devidos a causas ambientais ou transmitidos no meio ambiente; <b>fontes de polui&ccedil;&atilde;o</b>,    degrada&ccedil;&atilde;o ou polui&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, ar e solo;    <b>fatores de risco</b> que interferem na rela&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de-ambiente,    como perfil da popula&ccedil;&atilde;o exposta, caracter&iacute;sticas dos poluentes,    situa&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica e de ocupa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o,    etc.; e <b>institui&ccedil;&otilde;es ou servi&ccedil;os</b> respons&aacute;veis    pelo abastecimento e qualidade de &aacute;gua, coleta e disposi&ccedil;&atilde;o    final do lixo, esgoto, manejo de res&iacute;duos perigosos, controle de qualidade    de alimentos, entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As fontes de informa&ccedil;&atilde;o a serem    utilizadas pelo Sistema de Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de poder&atilde;o    apresentar origens diversas:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- elabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    gerada/publicada;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> - servi&ccedil;os/institui&ccedil;&otilde;es;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- sistemas de notifica&ccedil;&atilde;o de agravos;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- outros sistemas de vigil&acirc;ncia;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> - dados do setor industrial;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- obras ou processos de impacto ambiental;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">- meios de comunica&ccedil;&atilde;o;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- comunidade;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">- an&aacute;lises ambientais, entre outras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diferentemente de outros sistemas da vigil&acirc;ncia    em sa&uacute;de, o sistema de informa&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia ambiental    em sa&uacute;de deve integrar aspectos de sa&uacute;de e ambiente. Para tanto,    as estat&iacute;sticas geradas a partir de registros dos diversos sistemas da    &aacute;rea da Sa&uacute;de podem ser associadas com os dados ambientais, permitindo    a elabora&ccedil;&atilde;o de indicadores que correlacionem vari&aacute;veis    de ambas as &aacute;reas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma ferramenta interessante na an&aacute;lise    de situa&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de ambiental &#8211; e cada vez mais    utilizada &#8211; &eacute; o geoprocessamento, um conjunto de tecnologias aplicado    &agrave; coleta e tratamento de informa&ccedil;&otilde;es espaciais com um objetivo    espec&iacute;fico. Essa t&eacute;cnica possibilita a an&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o    e distribui&ccedil;&atilde;o espacial dos riscos ambientais &agrave; sa&uacute;de,    um recurso important&iacute;ssimo para a vigil&acirc;ncia ambiental.<sup>17</sup>    Tendo como base o georreferenciamento de dados (processo de refer&ecirc;ncia    geogr&aacute;fica de dados a um lugar da superf&iacute;cie da Terra), &eacute;    poss&iacute;vel a elabora&ccedil;&atilde;o de mapas tem&aacute;ticos por geoprocessamento,    localizando-se um determinado problema ambiental &#8211; &aacute;reas de polui&ccedil;&atilde;o,    por exemplo, em que esses mapas podem destacar os n&iacute;veis de polui&ccedil;&atilde;o    de solos ou de outros compartimentos ambientais da regi&atilde;o estudada. E,    sob uma perspectiva integradora dessas informa&ccedil;&otilde;es, os v&aacute;rios    aspectos de um problema ambiental, abordados em mapas distintos, s&atilde;o    poss&iacute;veis de serem sobrepostos e relacionados, conseguindo- se uma visualiza&ccedil;&atilde;o    mais completa da situa&ccedil;&atilde;o ou mesmo a identifica&ccedil;&atilde;o    de padr&otilde;es de transporte e acumula&ccedil;&atilde;o de poluentes na &aacute;rea    de estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Entretanto, nem s&oacute; de recursos sofisticados    de an&aacute;lise depende o estabelecimento de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o    para a vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de. O trabalho articulado de todos os seus    participantes, nos seus diversos n&iacute;veis e compet&ecirc;ncias, em atua&ccedil;&atilde;o    efetiva e integrada, far&aacute; o sistema funcionar de fato, atendendo ao seu    prop&oacute;sito: orientar a a&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia no n&iacute;vel    governamental, por parte de todos os envolvidos no processo (organismos de representa&ccedil;&atilde;o    da sociedade civil, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais (ONG),    &oacute;rg&atilde;os de governo diversos).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Torna-se evidente, portanto, que a constitui&ccedil;&atilde;o    de um sistema capaz de gerar todas as informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias    n&atilde;o pode prescindir da constitui&ccedil;&atilde;o de uma equipe multiprofissional,    nem da participa&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o entre os diferentes    n&iacute;veis &#8211; local, estadual, ou nacional &#8211; e &aacute;reas de    governo (Sa&uacute;de, Educa&ccedil;&atilde;o, Meio Ambiente, Ind&uacute;stria    e Com&eacute;rcio, etc.), organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e a    tradicional rede de informa&ccedil;&otilde;es da vigil&acirc;ncia (rede de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de via notifica&ccedil;&atilde;o, sistema de informa&ccedil;&atilde;o    sobre mortalidade, busca ativa e investiga&ccedil;&atilde;o de casos pela rede    de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, etc.). Aqui, duas quest&otilde;es    s&atilde;o absolutamente indispens&aacute;veis e indissoci&aacute;veis: participa&ccedil;&atilde;o    e informa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O planejamento e a gest&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es    de prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de ambiental    devem ser democr&aacute;ticos e participativos, desde a escolha e o ordenamento    das prioridades entre os problemas a enfrentar, passando por toda a condu&ccedil;&atilde;o    do processo: escolha dos indicadores e como constru&iacute;-los, a partir de    que dados e fontes, etc. Em cada n&iacute;vel, a participa&ccedil;&atilde;o    da popula&ccedil;&atilde;o e suas organiza&ccedil;&otilde;es &eacute; um fator    que confere ao sistema maior confiabilidade das informa&ccedil;&otilde;es (desde    que todo o processo seja transparente) e maior efic&aacute;cia das a&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quanto aos setores implicados nas quest&otilde;es    que dizem respeito &agrave; sa&uacute;de ambiental, a Sa&uacute;de, nos tr&ecirc;s    n&iacute;veis de governo, vem-se estruturando para a implanta&ccedil;&atilde;o    de a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia e a constru&ccedil;&atilde;o de um    sistema de informa&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de ambiental. Hoje, o setor    possui alguns sistemas de informa&ccedil;&atilde;o em opera&ccedil;&atilde;o:    sistemas de informa&ccedil;&otilde;es hospitalares e ambulatoriais, SIH-SUS    e SIA-SUS, e de Mortalidade, SIM, disponibilizados pelo Datasus; Sistema de    Nacional de Agravos de Notifica&ccedil;&atilde;o, Sinan, disponibilizado pelo    antigo Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), atual Secretaria de Vigil&acirc;ncia    em Sa&uacute;de/MS; entre outros, al&eacute;m dos sistemas locais. O setor do    Meio Ambiente possui estruturas independentes nos tr&ecirc;s n&iacute;veis de    governo, como o Ibama, no n&iacute;vel federal, a Feema, no Rio de Janeiro,    e a Cetesb de S&atilde;o Paulo. S&atilde;o estruturas que controlam as altera&ccedil;&otilde;es    ambientais, por exemplo, concedendo licen&ccedil;a para o funcionamento de uma    f&aacute;brica mediante apresenta&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o    de estudos de impacto ambiental; ou ainda, monitorando os n&iacute;veis de polui&ccedil;&atilde;o    do ar. O setor Trabalho, por meio das suas delegacias regionais, &eacute; respons&aacute;vel    pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos ambientes de trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Com este artigo, procuramos contribuir para as    discuss&otilde;es no campo da Sa&uacute;de Ambiental e da Epidemiologia, apresentando    alguns dos elementos que constituem o contexto dos problemas de sa&uacute;de    relacionados ao ambiente. Tanto do ponto de vista dos conceitos quanto do ponto    de vista pol&iacute;tico e social, especificidades desse contexto moldam a aplica&ccedil;&atilde;o    da epidemiologia na vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O sistema de informa&ccedil;&atilde;o &eacute;    a base da vigil&acirc;ncia e coloca para a epidemiologia o desafio de construir    indicadores que sejam, ao mesmo tempo, sofisticados do ponto de vista t&eacute;cnico    e simples do ponto de vista do entendimento e avalia&ccedil;&atilde;o. Porque,    em sa&uacute;de ambiental, &eacute; fundamental a articula&ccedil;&atilde;o    de saberes de diversas &aacute;reas do conhecimento, al&eacute;m de n&atilde;o    ser poss&iacute;vel agir sem a parceria da popula&ccedil;&atilde;o. Trata-se,    pois, de construir uma linguagem comum, constitu&iacute;da de n&uacute;meros    e conceitos &quot;tecidos juntos&quot; (como nos informa Morin), para que    as a&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia em sa&uacute;de ambiental sejam efetivas    e possam n&atilde;o s&oacute; prevenir os agravos, mas tamb&eacute;m &#8211;    e principalmente &#8211; promover sa&uacute;de, contribuindo para o desenvolvimento    eticamente sustent&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de.    Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de. Bras&iacute;lia: Funasa; 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. World Commission on Environment and Development-    WCED. Our Common Future. Oxford: Oxford University Press; 1987.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Organizaci&oacute;n de las Naciones Unidas.    Declaraci&oacute;n de Rio sobre el Medio Ambiente y el Desarrollo, 2000 &#91;Monograf&iacute;a    en la Internet&#93; &#91;Capturado 2001 nov&#93; Disponible <a href="http://www.un.org/esa/sustdev/agenda21sp/riodeclaration.htm" target="_blank">http://www.un.org/esa/sustdev/agenda21sp/riodeclaration.htm</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Tambellini AT. Notas provis&oacute;rias sobre    uma tentativa de pensar a sa&uacute;de em suas rela&ccedil;&otilde;es com o    ambiente. Fiocruz. Por uma rede Trabalho, Sa&uacute;de e Modos de Vida no Brasil    1996 jun;2(1-2):12-16.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5. Morin E. Por uma reforma do pensamento. In    Pena-Veja A, Nascimento EP, organizadores. O pensar complexo. Rio de Janeiro:    Garamond; 1999.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Snow J. Sobre el modo de transmisi&oacute;n    del c&oacute;lera. In: Buck Carol, et al. El desaf&iacute;o de la epidemiolog&iacute;a:    problemas y lecturas seleccionadas. Washington: OMS/ OPAS; 1998. p.43-46.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">7. Rosen G. Da Pol&iacute;cia M&eacute;dica &agrave;    Medicina Social: ensaios sobre a hist&oacute;ria da assist&ecirc;ncia m&eacute;dica.    Rio de Janeiro: Graal; 1979.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">8. Mendes R. Aspectos hist&oacute;ricos da patologia    do trabalho. In: Mendes R, organizador. Patologia do trabalho. Rio de Janeiro:    Editora Atheneu; 1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Carvalho DM, Werneck GL. Vigil&acirc;ncia    epidemiol&oacute;gica: hist&oacute;ria, conceitos b&aacute;sicos e perspectivas.    In: Escola Polit&eacute;cnica de Sa&uacute;de Joaquim Ven&acirc;ncio, organizador.    Textos de apoio em vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica. Rio de Janeiro: Editora    Fiocruz; 1998. p.17-31. S&eacute;rie Trabalho e Forma&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Almeida Filho N. Epidemiologia sem n&uacute;meros:    uma introdu&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica &agrave; ci&ecirc;ncia epidemiol&oacute;gica.    Rio de Janeiro: Editora Campus; 1989.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">11. Goldberg M. Este obscuro objeto da epidemiologia.    In: Costa DC. Epidemiologia: teoria e objeto. Rio de Janeiro: Hucitec/Abrasco;    1990.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">12. Tambellini AT, C&acirc;mara VM. Vigil&acirc;ncia    ambiental em sa&uacute;de: conceitos, caminhos e interfaces com outros tipos    de vigil&acirc;ncia. Cadernos de Sa&uacute;de Coletiva 2002;10(1):77-93.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">13. Beaglehole R, Bonita R, Kjellstr&ouml;m T.    Epidemiologia b&aacute;sica. Washington: Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana    da Sa&uacute;de; 1994.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">14. C&acirc;mara VM, Corey G. Epidemiologia e    Meio Ambiente: o caso dos garimpos de ouro no Brasil. Metepec: ECO/ OPS; 1992.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">15. Santos ECOS, Jesus IM, Brabo ES, Loureiro    ECB, Mascarenhas AFS, Weirich J, C&acirc;mara VM, Cleary D. Mercury exposure    in riverside Amazon communities in Par&aacute;, Brazil. Environmental Research    2000;84:100- 107.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">16. C&acirc;mara VM, Tavares LMB, Filhote MIF,    Malm O, Perez MA. A Program for the control of indoor pollution by metallic    mercury. Environmental Research 2000;83(2):110-116.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">17. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de.    Indicadores para o estabelecimento de pol&iacute;ticas e a tomada de decis&atilde;o    em sa&uacute;de ambiental. Washington: OMS; 1998. Mimeo.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">18. Maciel Filho A, G&oacute;es Jr C, Cancio    J, Oliveira M, Costa SS. Indicadores de vigil&acirc;ncia ambiental em sa&uacute;de.    Informe Epidemiol&oacute;gico do SUS 1999;8(3):59-66.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">19. Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de.    Curso B&aacute;sico de Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de &#8211; CBVA.    Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; ago/set 2000. Mimeo.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">20. Bernardi RG de. Vigilancia Epidemiol&oacute;gica    Ambiental: bases conceptuales (Primera Parte). Santiago: Ministerio de la Salud;    1998 &#91;Monograf&iacute;a en la Internet&#93; &#91;Capturado 2000 Out. 25&#93;    Disponible <a href="http://www.minsal.cl/situacion/vigilancia/bases.htm" target="_blank">http://www.minsal.cl/situacion/vigilancia/bases.htm</a>.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/ess/v13n2/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   N&uacute;cleo de Estudos de Sa&uacute;de Coletiva /UFRJ,    <br>   Hospital Universit&aacute;rio Clementino Fraga Filho    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </font><font size="2" face="verdana">Av. Brigadeiro Trompowsky, s/n, ala sul    <br>   Rio de Janeiro-RJ.    <br>   CEP: 21941-590    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:palacios@nesc.ufrj.br">palacios@nesc.ufrj.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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