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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Utilização de dados censitários em substituição a informações socioeconômicas obtidas no nível individual: uma avaliação empírica]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Use of census information to proxy individual socioeconomic characteristics: an empirical evaluation]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Gathering socioeconomic information at the individual level is not a simple task. Many researchers use census data as a proxy for individual characteristics. The objective of this report was to evaluate the validity of the use of census information as a proxy for individual socioeconomic characteristics. Using data from a population-based case-control study to investigate the impact of land occupation and environmental degradation on the incidence of visceral leishmaniasis in the Municipality of Teresina, Piauí State, Brazil, this report compares measures of effect for different risk factors, controlling for census variables and individual-level variables. Considering a relative discrepancy of 10% or less as a criterion of similarity between the odds ratios (OR) obtained by using individual level socioeconomic variables (ORi) and census data (ORc), some 47% of the estimates of ORc could be considered as a different estimate, compared to the ORi. Considering the ORi as the gold-standard, the specificity and sensitivity of the ORc were both approximately 60%. The use of census variables does not necessarily provide effective control for socioeconomic confounding. Census data should not be considered by themselves good substitutes for individual-level data as they represent different concepts that operate in another level of determination.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><a name="top"></a>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Utiliza&ccedil;&atilde;o de dados censit&aacute;rios    em substitui&ccedil;&atilde;o a informa&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas    obtidas no n&iacute;vel individual: uma avalia&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Use of census information to proxy individual    socioeconomic characteristics: an empirical evaluation</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Guilherme L. Werneck<sup>I</sup>; Carlos H.    N. Costa<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Instituto de Medicina Social, Universidade    do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ. </font><font size="2" face="Verdana">N&uacute;cleo    de Estudos de Sa&uacute;de Coletiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro,    Rio de Janeiro-RJ    <br>   </font><font size="2" face="Verdana"><sup>II</sup>Instituto de Doen&ccedil;as    Tropicais Nathan Portella , Universidade Federal do Piau&iacute;, Teresina-PI</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><b>    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr align="center" size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o    socioecon&ocirc;mica em n&iacute;vel individual nem sempre &eacute; uma tarefa    de simples execu&ccedil;&atilde;o. Muitos pesquisadores optam por substituir    a informa&ccedil;&atilde;o individual por dados socioecon&ocirc;micos derivados    de recenseamentos censit&aacute;rios. O objetivo deste artigo &eacute; avaliar    a validade do uso de dados censit&aacute;rios em substitui&ccedil;&atilde;o    &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es geradas em n&iacute;vel individual. Com    base em estudo de caso-controle de base populacional para investigar o impacto    da ocupa&ccedil;&atilde;o urbana e degrada&ccedil;&atilde;o ambiental na incid&ecirc;ncia    de leishmaniose visceral no Munic&iacute;pio de Teresina, Estado do Piau&iacute;,    Brasil, s&atilde;o comparadas estimativas de efeito para diferentes fatores    de risco quando controladas, ora para vari&aacute;veis censit&aacute;rias, ora    para vari&aacute;veis obtidas mediante entrevistas individuais. Considerando-se    uma discrep&acirc;ncia relativa de 10% ou menos como crit&eacute;rio de similaridade    entre as raz&otilde;es de chance &#91;odds ratios (OR)&#93; obtidas com dados    individuais (ORi) e dados censit&aacute;rios (ORc), percebe-se que 47% das estimativas    de ORc poderiam ser consideradas medidas diferentes daquelas obtidas pela ORi.    Tomando-se a ORi como &quot;padr&atilde;o-ouro&quot;, a especificidade e a    sensibilidade da ORc foram de apenas 60%. O uso de vari&aacute;veis &quot;censit&aacute;rias&quot;    tende a n&atilde;o prover corre&ccedil;&atilde;o efetiva para fatores de confus&atilde;o    socioecon&ocirc;micos. Dados censit&aacute;rios n&atilde;o devem ser considerados,    por si s&oacute;, bons substitutos de dados individuais, mas express&otilde;es    de conceitos que operam em outro n&iacute;vel hier&aacute;rquico de determina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> fatores socioecon&ocirc;micos;    censos; fatores de confus&atilde;o; vi&eacute;s; fal&aacute;cia ecol&oacute;gica.</font></p> <hr align="center" size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Gathering socioeconomic information at the individual    level is not a simple task. Many researchers use census data as a proxy for    individual characteristics. The objective of this report was to evaluate the    validity of the use of census information as a proxy for individual socioeconomic    characteristics. Using data from a population-based case-control study to investigate    the impact of land occupation and environmental degradation on the incidence    of visceral leishmaniasis in the Municipality of Teresina, Piau&iacute; State,    Brazil, this report compares measures of effect for different risk factors,    controlling for census variables and individual-level variables. Considering    a relative discrepancy of 10% or less as a criterion of similarity between the    odds ratios (OR) obtained by using individual level socioeconomic variables    (ORi) and census data (ORc), some 47% of the estimates of ORc could be considered    as a different estimate, compared to the ORi. Considering the ORi as the gold-standard,    the specificity and sensitivity of the ORc were both approximately 60%. The    use of census variables does not necessarily provide effective control for socioeconomic    confounding. Census data should not be considered by themselves good substitutes    for individual-level data as they represent different concepts that operate    in another level of determination.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Keywords</b>: socioeconomic factors; censuses;    confounding factors; bias; ecological fallacy. </font></p> <hr align="center" size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A utiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es    socioecon&ocirc;micas na pesquisa epidemiol&oacute;gica &eacute; de import&acirc;ncia    capital. Sua necessidade sucede das substanciais evid&ecirc;ncias de conex&otilde;es    entre estrato social, emprego, educa&ccedil;&atilde;o e renda e eventos ligados    &agrave; sa&uacute;de.<sup>1-10</sup> O interesse nesse tipo de informa&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o &eacute; privil&eacute;gio dos estudos que exploram o papel de fatores    socioecon&ocirc;micos na determina&ccedil;&atilde;o do adoecer. Mesmo naqueles    estudos que n&atilde;o focalizam essas rela&ccedil;&otilde;es, &eacute; praticamente    inevit&aacute;vel que algumas dessas vari&aacute;veis cumpram os requisitos    b&aacute;sicos para serem consideradas fatores de confus&atilde;o e devam, portanto,    ser inclu&iacute;das na an&aacute;lise dos dados.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A obten&ccedil;&atilde;o de dados socioecon&ocirc;micos    em n&iacute;vel individual nem sempre &eacute; uma tarefa de simples execu&ccedil;&atilde;o.    Entrevistas individuais associadas &agrave; inspe&ccedil;&atilde;o detalhada    da habita&ccedil;&atilde;o s&atilde;o estrat&eacute;gias comumente utilizadas    na pesquisa epidemiol&oacute;gica, mas esses procedimentos apresentam limita&ccedil;&otilde;es    inerentes &agrave; dificuldade de operacionaliza&ccedil;&atilde;o de conceitos    complexos como os de classe social, poder de compra, mobilidade social, entre    outros.<sup>12-15</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mesmo que se ignorem tais restri&ccedil;&otilde;es    conceituais, alto custo e as dificuldades log&iacute;sticas na coleta de dados,    ainda assim, nem sempre h&aacute; garantia de que sejam obtidas informa&ccedil;&otilde;es    v&aacute;lidas. O problema &eacute; mais evidente na medida em que se amplia,    progressivamente, a disponibilidade de grandes bancos de dados informatizados    sobre morbidade e mortalidade e a sua utiliza&ccedil;&atilde;o como fonte de    dados para estudos epidemiol&oacute;gicos.<sup>16</sup> Essas bases de dados    podem contribuir para ampliar nossa compreens&atilde;o acerca da qualidade da    assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de e do papel desempenhado por diferentes    fatores na produ&ccedil;&atilde;o do adoecimento. Infelizmente, informa&ccedil;&otilde;es    socioecon&ocirc;micas v&aacute;lidas nem sempre est&atilde;o dispon&iacute;veis    nos instrumentos utilizados para a coleta desses dados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para superar esses problemas, muitos pesquisadores    optam pela utiliza&ccedil;&atilde;o de dados socioecon&ocirc;micos derivados    de recenseamentos censit&aacute;rios.<sup>11,17-19</sup> Na abordagem deste    estudo, os indiv&iacute;duos s&atilde;o caracterizados pelo perfil socioecon&ocirc;mico    do setor censit&aacute;rio onde est&aacute; localizada a sua resid&ecirc;ncia.    Se essa solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a ideal, pode-se aventar que,    pelo menos do ponto de vista do controle do confundimento em estudos epidemiol&oacute;gicos,    &eacute; poss&iacute;vel que algumas vari&aacute;veis obtidas no n&iacute;vel    agregado sejam boas aproxima&ccedil;&otilde;es daquelas que seriam obtidas mediante    entrevista individual. </font><font size="2" face="Verdana">Como conseq&uuml;&ecirc;ncia,    sua inclus&atilde;o em modelos de regress&atilde;o permitiria a estima&ccedil;&atilde;o    acurada das medidas de associa&ccedil;&atilde;o de interesse.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Resultados de alguns estudos sobre a validade    do uso de informa&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas derivadas do censo    em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave; informa&ccedil;&atilde;o individual s&atilde;o    conflitantes.<sup>20-23</sup> At&eacute; o momento da conclus&atilde;o deste    relato, n&atilde;o foram detectados estudos desse tipo no contexto brasileiro.    Nesse sentido, torna-se relevante a elabora&ccedil;&atilde;o de trabalhos sobre    o tema, gerando informa&ccedil;&otilde;es que possam ampliar as oportunidades    de desenvolvimento de estudos epidemiol&oacute;gicos em nosso meio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aqui, s&atilde;o relatados os resultados de uma    avalia&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica da validade do uso de dados censit&aacute;rios,    em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es geradas em    n&iacute;vel individual, sobre um estudo de base populacional para investigar    fatores de risco para leishmaniose visceral no Munic&iacute;pio de Teresina,    Estado do Piau&iacute;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Entre 1995 e 1996, um estudo de caso-controle    de base populacional para investigar o impacto da ocupa&ccedil;&atilde;o urbana    e degrada&ccedil;&atilde;o ambiental na incid&ecirc;ncia de leishmaniose visceral    (LV) foi desenvolvido em Teresina, Piau&iacute;. Entre julho de 1995 e fevereiro    de 1996, todos os novos casos de leishmaniose visceral notificados &agrave;    representa&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de    (Funasa) em Teresina foram selecionados. O diagn&oacute;stico baseou-se no quadro    cl&iacute;nico, na identifica&ccedil;&atilde;o de <i>Leishmania chagasi</i>    em aspirado de medula &oacute;ssea ou na presen&ccedil;a de testes sorol&oacute;gicos    positivos para <i>L. chagasi</i>. Foram consideradas eleg&iacute;veis para participar    do estudo apenas as pessoas acima de um ano de idade e residentes em Teresina    &agrave; &eacute;poca do diagn&oacute;stico. Entre os 62 pacientes eleg&iacute;veis,    seis (10%) morreram imediatamente ap&oacute;s o diagn&oacute;stico e 12 (19%)    n&atilde;o puderam ser localizados. Este estudo inclui resultados para 44 casos    de leishmaniose visceral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre junho de 1995 e maio de 1996, 200 resid&ecirc;ncias    foram amostradas aleatoriamente, a partir de uma lista de endere&ccedil;os registrada    na companhia el&eacute;trica do Estado do Piau&iacute; (Cepisa). Naquela &eacute;poca,    essa lista cobria cerca de 93% das habita&ccedil;&otilde;es urbanas de Teresina.    Uma pessoa em cada resid&ecirc;ncia acima de um ano de idade e sem evid&ecirc;ncia    cl&iacute;nica de LV foi selecionada como controle. Um total de 176 (88%) controles    eleg&iacute;veis ou adultos respons&aacute;veis completou as entrevistas. Oito    pessoas (4%) recusaram-se a participar do estudo e 16 (8%) n&atilde;o puderam    ser localizadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um question&aacute;rio, estruturado com perguntas    pr&eacute;-codificadas, foi utilizado para entrevista, incluindo diversos fatores    relacionados, potencialmente, &agrave; ocorr&ecirc;ncia de leishmaniose visceral,    como idade, sexo, presen&ccedil;a de c&atilde;o dom&eacute;stico e outros animais,    tipo de moradia, entre outros. Informa&ccedil;&otilde;es detalhadas sobre condi&ccedil;&otilde;es    sanit&aacute;rias e sociais tamb&eacute;m foram levantadas em inspe&ccedil;&atilde;o    direta do interior da habita&ccedil;&atilde;o e do peridomic&iacute;lio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A localiza&ccedil;&atilde;o dos domic&iacute;lios    foi determinada utilizando-se um sistema de posicionamento global. Dados socioecon&ocirc;micos    em n&iacute;vel de setor censit&aacute;rio, provenientes do Censo de 1991, foram    vinculados &agrave;s resid&ecirc;ncias dos indiv&iacute;duos mediante sistema    de informa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fico.<sup>24</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com o objetivo de avaliar a aplicabilidade de    dados censit&aacute;rios em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es    obtidas em n&iacute;vel individual para fins de controle de confundimento, procedeu-se    da seguinte maneira: (1) sele&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas    dispon&iacute;veis em n&iacute;vel individual e censit&aacute;rio; (2) estimativa    dos riscos relativos associados a cada uma das vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas;    (3) sele&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis de interesse prim&aacute;rio do    estudo &#8211; ou seja, aquelas para as quais se desejam obter estimativas de    risco relativo, controladas para confundimento socioecon&ocirc;mico &#8211;;    (4) estimativa dos riscos relativos associados &agrave;s vari&aacute;veis de    interesse prim&aacute;rio, controlando, ora para vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas    no n&iacute;vel individual, ora para aquelas derivadas do censo; e (5) compara&ccedil;&atilde;o    dos resultados entre os modelos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As seguintes vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas    estavam dispon&iacute;veis nos n&iacute;veis individual e censit&aacute;rio:    escolaridade do chefe da fam&iacute;lia; abastecimento de &aacute;gua com canaliza&ccedil;&atilde;o    interna; esgotamento sanit&aacute;rio ligado &agrave; rede geral ou fossa s&eacute;ptica;    e recolhimento de lixo. As vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas dispon&iacute;veis    em n&iacute;vel individual foram dicotomizadas em sim/n&atilde;o (&aacute;gua    e esgoto), regular/irregular (recolhimento de lixo) e at&eacute; 4<sup>a</sup>    s&eacute;rie/&gt;4<sup>a</sup> s&eacute;rie (escolaridade). As vari&aacute;veis    socioecon&ocirc;micas dispon&iacute;veis em n&iacute;vel censit&aacute;rio,    originalmente expressas como percentuais, foram dicotomizadas segundo crit&eacute;rios    apontados por modelos </font><font size="2" face="Verdana">de &aacute;rvores    de classifica&ccedil;&atilde;o,<sup>25</sup> da seguinte forma: abastecimento    de &aacute;gua (&lt; ou &gt;18% dos domic&iacute;lios); esgotamento sanit&aacute;rio    (&lt; ou &gt;60%); recolhimento de lixo (&lt; ou &gt;2%); e chefes de fam&iacute;lia    sem escolaridade (&lt; ou &gt;35%).<sup>26</sup> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As vari&aacute;veis de interesse prim&aacute;rio    e selecionadas para avalia&ccedil;&atilde;o foram: relato de recolhimento de    c&atilde;o pela Funasa, em raz&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o por <i>L.    chagasi</i> nos 12 meses que antecederam a entrevista (sim/n&atilde;o); relato    de presen&ccedil;a de raposas nas redondezas da habita&ccedil;&atilde;o (sim/n&atilde;o);    e grau de exposi&ccedil;&atilde;o domiciliar ao vetor <i>L. longipalpis</i>    (alto/baixo). Tanto a presen&ccedil;a de c&atilde;es infectados como a de raposas    no peridomic&iacute;lio s&atilde;o consideradas fatores de risco para leishmaniose    visceral, por serem esses animais reservat&oacute;rios dom&eacute;sticos e selvagens    da infec&ccedil;&atilde;o, respectivamente.<sup>27</sup> O grau de exposi&ccedil;&atilde;o    domiciliar tamb&eacute;m pode ser considerado um fator de risco, na medida em    que reflete a probabilidade de o flebotom&iacute;neo invadir a resid&ecirc;ncia    para se alimentar em humanos.<sup>28</sup> Um domic&iacute;lio seria classificado    como de &quot;alto&quot; grau de exposi&ccedil;&atilde;o ao flebotom&iacute;neo    se possu&iacute;sse pelo menos duas das tr&ecirc;s seguintes caracter&iacute;sticas:    habita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o completamente coberta por laje e/ou telha;    aus&ecirc;ncia de forro completo na sala e quartos; e mais de quatro moradores    permanentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Todas as vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas    inclu&iacute;das neste estudo s&atilde;o, teoricamente, potenciais fatores carreadores    de confus&atilde;o. Por um lado, elas t&ecirc;m sido apontadas como fatores    de risco para a ocorr&ecirc;ncia de leishmaniose visceral,<sup>29</sup> por    outro lado, est&atilde;o associadas, na base populacional, &agrave;s tr&ecirc;s    exposi&ccedil;&otilde;es em quest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Utilizou-se regress&atilde;o log&iacute;stica    n&atilde;o condicional para obter raz&otilde;es de chance como estimativas dos    riscos relativos associados a cada vari&aacute;vel de interesse prim&aacute;rio.<sup>30</sup>    Para cada vari&aacute;vel socioecon&ocirc;mica, dois modelos foram ajustados:    um com a vari&aacute;vel &quot;individual&quot; e o outro com a respectiva contraparte    &quot;censit&aacute;ria&quot;. Para cada vari&aacute;vel de interesse prim&aacute;rio,    dois grupos de modelos de regress&atilde;o foram ajustados (um incluindo a vari&aacute;vel    socioecon&ocirc;mica &quot;individual&quot;; e outro, a respectiva contraparte    &quot;censit&aacute;ria&quot;). Todos os modelos consideraram idade como co-vari&aacute;vel.    Comparando-se as raz&otilde;es de chance &#91;<i>odds ratios</i> (OR)&#93; obtidas    mediante a utiliza&ccedil;&atilde;o de modelos ajustados com a vari&aacute;vel    censit&aacute;ria (OR<sub>c</sub>) e com a vari&aacute;vel individual (OR<sub>i</sub></font><font size="2" face="Verdana">),    pode-se obter uma medida-resumo para quantificar o vi&eacute;s induzido pela    substitui&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel &quot;individual&quot; pela &quot;censit&aacute;ria&quot;,    que foi denominada de discrep&acirc;ncia relativa, definida <a href="#eq">como</a>:<sup>31</sup></font></p>     <p><a name="eq"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n3/3a02eq.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A <a href="#tab1">Tabela 1</a> mostra os resultados    das associa&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas e    ocorr&ecirc;ncia de LV. Houve grande varia&ccedil;&atilde;o nas raz&otilde;es    de chance, particularmente para as vari&aacute;veis abastecimento de &aacute;gua    e esgotamento sanit&aacute;rio, devendo-se salientar que apenas a primeira dessas    duas, al&eacute;m do recolhimento de lixo, </font><font size="2" face="Verdana">mostrou-se    associada com a ocorr&ecirc;ncia de LV de maneira significativa. Nota-se, tamb&eacute;m,    que as raz&otilde;es de chance associadas &agrave;s vari&aacute;veis censit&aacute;rias    tenderam, sistematicamente, para o valor nulo (OR=1), quando comparadas com    aquelas estimadas utilizando-se modelos com vari&aacute;veis individuais.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n3/3a02t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os resultados das associa&ccedil;&otilde;es entre    as vari&aacute;veis de interesse prim&aacute;rio e a ocorr&ecirc;ncia de LV    est&atilde;o apresentados na <a href="#tab2">Tabela 2</a>. Adotando-se, como    crit&eacute;rio para exist&ecirc;ncia de confundimento, a modifica&ccedil;&atilde;o    em mais de 10% da raz&atilde;o de chances estimada com ajustamento apenas para    idade, pode-se observar que, em n&iacute;vel individual, a vari&aacute;vel abastecimento    de &aacute;gua confunde as rela&ccedil;&otilde;es entre ocorr&ecirc;ncia de    LV e recolhimento de c&atilde;o e presen&ccedil;a de raposa; escolaridade confunde    a rela&ccedil;&atilde;o entre LV e grau de exposi&ccedil;&atilde;o do domic&iacute;lio;    e a vari&aacute;vel recolhimento de lixo confunde a rela&ccedil;&atilde;o entre    LV e presen&ccedil;a de raposa no peridomic&iacute;lio. Quando s&atilde;o ajustadas    todas as quatro vari&aacute;veis, simultaneamente, h&aacute; evid&ecirc;ncia    de confundimento apenas para a rela&ccedil;&atilde;o entre ocorr&ecirc;ncia    de LV e presen&ccedil;a de raposa.</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/ess/v14n3/3a02t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os resultados fornecidos pelo ajuste via vari&aacute;vel    censit&aacute;ria s&atilde;o, at&eacute; certo ponto, decepcionantes. Se considerarmos    um crit&eacute;rio de similaridade entre as OR<sub>i</sub> e OR<sub>c</sub>    baseado em uma discrep&acirc;ncia relativa de 10% ou menos, pode-se perceber    que, entre as 15 medidas calculadas, 47% delas estariam fora desse crit&eacute;rio,    ou seja, poderiam ser consideradas medidas diferentes daquelas obtidas pela    OR<sub>i</sub>. Tomando-se a OR<sub>i</sub> como &quot;padr&atilde;o-ouro&quot;,    a especificidade e a sensibilidade da OR<sub>c</sub> s&atilde;o de apenas 60%    (6/10 e 3/5, respectivamente).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ademais, nas tr&ecirc;s situa&ccedil;&otilde;es    em que a OR<sub>c</sub> indica a exist&ecirc;ncia de confundimento em concord&acirc;ncia    com o OR<sub>i</sub>, as duas medidas divergem em mais de 10%, levando a conclus&otilde;es    bastante diferentes sobre os efeitos postulados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os resultados deste estudo indicam que os efeitos    de vari&aacute;veis socioecon&ocirc;micas tendem a ser atenuados quando se utilizam    dados obtidos em n&iacute;vel censit&aacute;rio, em substitui&ccedil;&atilde;o    &agrave; informa&ccedil;&atilde;o individual, sugerindo um poss&iacute;vel vi&eacute;s    de m&aacute; classifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o diferencial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Um segundo aspecto evidenciado &eacute; o de    que, tomando-se a vari&aacute;vel definida em n&iacute;vel individual como a    mais adequada para fins de controle de confundimento, observou-se que o uso    de vari&aacute;veis &quot;censit&aacute;rias&quot; tende a n&atilde;o prover    corre&ccedil;&atilde;o efetiva para o efeito de confundimento socioecon&ocirc;mico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os resultados aqui apresentados n&atilde;o podem    ser generalizados facilmente, em fun&ccedil;&atilde;o de, pelo menos, dois aspectos:    (1) derivam de uma &uacute;nica experi&ecirc;ncia emp&iacute;rica, que, como    tal, pode n&atilde;o traduzir as rela&ccedil;&otilde;es de ocorr&ecirc;ncia    estudadas de maneira adequada, em fun&ccedil;&atilde;o </font><font size="2" face="Verdana">de    erros sistem&aacute;ticos e/ou aleat&oacute;rios; (2) mesmo que esses resultados    sejam v&aacute;lidos e confi&aacute;veis, a experi&ecirc;ncia emp&iacute;rica    captada &eacute; bastante particular, tanto no que diz respeito &agrave; popula&ccedil;&atilde;o    observada quanto &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de ocorr&ecirc;ncia estudadas.    Tendo em vista esses limites, os resultados apresentados podem ser &uacute;teis,    como m&iacute;nimo, para subsidiar reflex&otilde;es sobre o tema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Poder-se-ia supor, indutivamente, que a substitui&ccedil;&atilde;o    da informa&ccedil;&atilde;o individual pela censit&aacute;ria seria uma estrat&eacute;gia    inadequada, seja para estimar riscos associados aos pr&oacute;prios fatores    socioecon&ocirc;micos, seja para permitir um conveniente ajuste para confundimento.    Considerando os limites de infer&ecirc;ncia mencionados no par&aacute;grafo    anterior, talvez seja o caso de se utilizarem esses resultados para questionar    at&eacute; que ponto a substitui&ccedil;&atilde;o de um tipo de informa&ccedil;&atilde;o    por outro configura a quest&atilde;o de fundo mais relevante. Pode-se argumentar    que, como princ&iacute;pio b&aacute;sico, dados censit&aacute;rios n&atilde;o    devem ser considerados, por si, apenas bons substitutos de dados individuais.    Eles s&atilde;o, tamb&eacute;m, express&otilde;es de conceitos que operam em    um outro n&iacute;vel de determina&ccedil;&atilde;o e que, em certas situa&ccedil;&otilde;es,    talvez possam ser utilizados para tal fim. A situa&ccedil;&atilde;o inversa    &#8211; dados individuais substituindo dados coletivos &#8211; deve ser considerada    da mesma forma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Conclui-se, dos resultados apresentados, que,    mais do que rejeitar a hip&oacute;tese geral de que os dados censit&aacute;rios    servem como bons substitutos para informa&ccedil;&otilde;es individuais, eles    apontam para a necessidade de uma reabilita&ccedil;&atilde;o de abordagens mais    integradas, onde o foco de investiga&ccedil;&atilde;o inclua n&atilde;o s&oacute;    fatores sociais e econ&ocirc;micos obtidos em n&iacute;vel individual, mas tamb&eacute;m    as influ&ecirc;ncias de caracter&iacute;sticas ambientais, culturais, sociais,    grupais, na sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es. Atualmente, o uso de    modelos de m&uacute;ltiplos n&iacute;veis (multin&iacute;veis), em que vari&aacute;veis    individuais e contextuais s&atilde;o simultaneamente especificadas, parece ser    a op&ccedil;&atilde;o preferencial para a an&aacute;lise de dados socioecon&ocirc;micos    em epidemiologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Bronfman M, Tuir&aacute;n RA. La Desigualdad    social ante la muerte: clases sociales y mortalidad en la ni&ntilde;ez. Cuadernos    Medico Sociales 1984;29/30:53-75.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Marmot MG, Kongevinas M, Elston MA. Social/economic    status and disease. Annual Review of Public Health 1987;8:111-135.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Williams DR. Socioeconomic differentials in    health: a review and redirection. 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Lombardi C, Bronfman M, Facchini LA, Victora    CG, Barros FC, B&eacute;ria JU, Teixeira AMB. Operacionaliza&ccedil;&atilde;o    do conceito de classe social em estudos epidemiol&oacute;gicos. Revista de Sa&uacute;de    P&uacute;blica 1988;22:253-265. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">14. Krieger N, Williams DR, Moss NE. Measuring    social class in US public health research: concepts, methodologies, and guidelines.    Annual Review of Public Health 1997;18:341-378. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">15. Lynch J, Kaplan G. Socioeconomic position.    In: Berkman LF, Kawachi I, editors. Social epidemiology. Oxford: Oxford University    Press; 2000. p. 13-35. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">16. Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em Sa&uacute;de Coletiva. III Plano Diretor para o desenvolvimento da epidemiologia    no Brasil 2000-2004. 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Overcoming the absence of socioeconomic    data in medical records: validation and application of a census-based methodology.    American Journal of Public Health 1992; 92:703-710. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">21. Geronimus AT, Bound J, Neidert LJ. On the    validity of using census geocode characteristics to proxy individual socioeconomic    characteristics. Journal of the American Statistical Association 1996;91:529-537.    </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">22. Woodward M. Small area statistics as markers    for personal social status in the Scottish heart health study. Journal of Epidemiology    and Community Health 1996;50:570-576. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">23. Geronimus AT, Bound J. Use of census-based    aggregate variables to proxy for socioeconomic group: evidence from national    samples. American Journal of Epidemiology 1998;148:475-486. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">24. IDRISI &#91;computer program&#93;. Version    2.007. Worcester, MA: Clark Labs; 1997. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">25. Clark LA, Pregibon D. Tree-based models.    In: Chambers JM, Hastie TJ, editors. Statistical Models in S. New York: Chapman    &amp; Hall; 1993. p. 377-419. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">26. S-PLUS &#91;computer program&#93;. Version    4.5. Seattle, WA: Mathsoft; 1998. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">27. Marzochi MCA, Marzochi KBF. Tegumentary and    visceral leishmaniasis in Brazil - emerging anthropozoonosis and possibilities    for their control. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica 1994;10(Supl.2):359-375.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">28. Quinnell RJ, Dye C. Correlates of the peridomestic    abundance of Lutzomyia longipalpis (Diptera: Psychodidae) in Amazonian Brazil.    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<body><![CDATA[<br>   </b></font><font size="2" face="Verdana">Rua S&atilde;o Francisco Xavier, 524,    7<sup>o</sup> andar, Bloco D,    <br>   Maracan&atilde;, Rio de Janeiro-RJ.    <br>   CEP:20559-900    <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:gwerneck@nesc.ufrj.br">gwerneck@nesc.ufrj.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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