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<journal-title><![CDATA[Epidemiologia e Serviços de Saúde]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Caracterização de um programa de internação domiciliar e cuidados paliativos no Município de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil: uma contribuição à atenção integral aos usuários com câncer no Sistema Único de Saúde, SUS]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Characterizing a home and palliative care program in the Municipality of Pelotas, State of Rio Grande do Sul, Brazil: a contribution to full attention to cancer patients at the National Unified Health System]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Pelotas Faculdade de Medicina Departamento de Medicina Social]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[OBJECTIVE: to describe the characteristics of the Interdisciplinary Homecare Program (IHCP) for cancer patients at the Teaching Hospital of the Federal University of Pelotas, in the Municipality of Pelotas, State of Rio Grande do Sul, Brazil. METHODS: the profile of the 213 patients admitted by IHCP from 2005 to 2008 was established based on informationfrom medical records; information about infrastructure and working processes were obtained through interviewing IHCP professionals. RESULTS: IHCP patients were daily attended at home, receiving supplies needed for interdisciplinary care and support, and for identifying and controlling symptoms; the stage of the disease was advanced, with metastases in 92.0% of the patients, of which 32.0% were not hospitalized during the period; main reasons for hospitalization were anorexia, pain and asthenia; half of the patients evolved to death at home. CONCLUSION: this study not only allows publicizing successful palliative care strategies on terminal cancer patients, it can also subsidize implementing public policies in other areas of the country.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b><b>ARTIGO ORIGINAL</b></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="topo"></a>Caracteriza&ccedil;&atilde;o de um programa de interna&ccedil;&atilde;o domiciliar e cuidados  paliativos no Munic&iacute;pio de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil: uma  contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; aten&ccedil;&atilde;o integral aos usu&aacute;rios com c&acirc;ncer no Sistema &Uacute;nico de  Sa&uacute;de, SUS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="verdana"> Characterizing  a home and palliative care program in the Municipality of Pelotas,   State  of Rio Grande do Sul, Brazil:  a contribution to full attention to cancer patients at the National  Unified Health System</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">  <b>Julieta  Carriconde Fripp; Luiz  Augusto Facchini; Suele  Manjourany Silva</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Programa  de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Epidemiologia, Departamento de Medicina Social, Faculdade  de Medicina, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas-RS, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>OBJETIVO: </b>descrever as caracter&iacute;sticas do Programa de Interna&ccedil;&atilde;o Domiciliar  Interdisciplinar (PIDI) para pacientes oncol&oacute;gicos no Hospital Escola da  Universidade Federal de Pelotas, no Munic&iacute;pio de Pelotas, Estado do Rio Grande  do Sul, Brasil.    <br> <b>M&Eacute;TODOS: </b>o perfil dos 213 pacientes internados no PIDI de 2005 a 2008 foi estabelecido com informa&ccedil;&otilde;es de  prontu&aacute;rio; informa&ccedil;&otilde;es sobre infraestrutura e processo de trabalho foram  obtidas de entrevistas com profissionais do PIDI    <br>    <b>RESULTADOS: </b>os  pacientes do PIDI eram atendidos diariamente no domic&iacute;lio, recebendo insumos  necess&aacute;rios ao cuidado e suporte interdisciplinar para identifica&ccedil;&atilde;o e controle  de sintomas; o estado avan&ccedil;ado da doen&ccedil;a com met&aacute;steses em 92,0% dos  pacientes, dos quais 32,0% n&atilde;o hospitalizaram durante o per&iacute;odo; os  principais motivos de interna&ccedil;&atilde;o no PIDI foram anorexia, dor e astenia; metade  dos pacientes evoluiu para &oacute;bito no domicilio.    <br>   <b>CONCLUS&Atilde;O: </b>este estudo,  al&eacute;m de permitir a divulga&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias bem-sucedidas de cuidado paliativo  domiciliar para pacientes com c&acirc;ncer em situa&ccedil;&atilde;o de terminalidade, tamb&eacute;m pode  subsidiar a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em outros locais do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">    <b>Palavras-chave: </b>c&acirc;ncer; cuidados paliativos; assist&ecirc;ncia domiciliar, servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>OBJECTIVE: </b>to describe the characteristics of the Interdisciplinary Homecare  Program (IHCP) for cancer patients at the Teaching Hospital of the Federal  University of Pelotas, in the Municipality of Pelotas, State of Rio Grande do  Sul, Brazil.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b>METHODS: </b>the profile of the 213 patients admitted by  IHCP from 2005 to 2008 was established based on informationfrom medical records;  information about infrastructure and working processes were obtained through  interviewing IHCP professionals.    <br>   <b>RESULTS: </b>IHCP patients were daily  attended at home, receiving supplies needed for interdisciplinary care and  support, and for identifying and controlling symptoms; the stage of the disease  was advanced, with metastases in 92.0% of the patients, of which 32.0% were not  hospitalized during the period; main reasons for hospitalization were anorexia,  pain and asthenia; half of the patients evolved to death at home.    <br>   <b>CONCLUSION: </b>this study not only allows publicizing successful palliative care  strategies on terminal cancer patients, it can also subsidize implementing  public policies in other areas of the country.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words: </b>cancer;  palliative care; home health care; health services.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No Brasil, a  mortalidade por c&acirc;ncer &eacute; elevada, ultrapassada apenas por doen&ccedil;as  cardiovasculares.<sup>1</sup> Pacientes com diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer apresentam  in&uacute;meras complica&ccedil;&otilde;es inerentes &agrave; doen&ccedil;a e ao tratamento, e muitos recebem o  diagn&oacute;stico quando j&aacute; n&atilde;o existe mais a possibilidade de cura.<sup>2,3</sup>  Para o enfrentamento desses problemas, ganha destaque na literatura a  utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados paliativos.<sup>4-6</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial  da Sa&uacute;de (OMS) define cuidados paliativos como uma  abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e suas fam&iacute;lias quando  na presen&ccedil;a de problemas associados a doen&ccedil;as sem possibilidade de cura e que  amea&ccedil;am a vida, mediante preven&ccedil;&atilde;o e al&iacute;vio de sofrimento pela detec&ccedil;&atilde;o precoce  e tratamento de dor ou outros problemas f&iacute;sicos, psicol&oacute;gicos, sociais e espirituais, alcan&ccedil;ando  inclusive a fase de luto.<sup>7</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Pacientes com c&acirc;ncer  sem possibilidade de cura devem receber cuidados paliativos desde o momento do  diagn&oacute;stico.<sup>8</sup> A organiza&ccedil;&atilde;o dos cuidados paliativos requer  coordena&ccedil;&atilde;o entre as diferentes estrat&eacute;gias de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de,  principalmente na interna&ccedil;&atilde;o hospitalar, situa&ccedil;&atilde;o em que se encontra a maioria  dos pacientes com neoplasias em est&aacute;gio avan&ccedil;ado.<sup>9</sup> Essa coordena&ccedil;&atilde;o  oportuniza a continuidade dos cuidados e o acolhimento dos pacientes e  familiares em ambiente domiciliar.<sup>10</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> A grande maioria dos  pa&iacute;ses n&atilde;o disp&otilde;e de oferta p&uacute;blica de cuidados paliativos ou apresenta  servi&ccedil;os pontuais, com baixa cobertura das necessidades da popula&ccedil;&atilde;o.<sup>3</sup>  A disponibilidade desse servi&ccedil;o &eacute; sistem&aacute;tica apenas em pa&iacute;ses desenvolvidos. No Brasil, o Instituto Nacional do C&acirc;ncer  (Inca) disp&otilde;e de estrutura de excel&ecirc;ncia em cuidados paliativos para pacientes  com c&acirc;ncer e seus familiares, incluindo atendimento ambulatorial,  hospitaliza&ccedil;&atilde;o e interna&ccedil;&atilde;o domiciliar.<sup>1</sup> Contudo, para o conjunto do  pa&iacute;s, a oferta de tratamento paliativo &eacute; pequena e  fragmentada, a grande maioria localizada em hospitais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A escassez de estudos  sobre as experi&ecirc;ncias com cuidados paliativos e interna&ccedil;&atilde;o domiciliar, ademais,  limita o conhecimento sobre as potencialidades dessa modalidade de assist&ecirc;ncia  a pacientes com c&acirc;ncer no   pa&iacute;s.<sup>10,11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O presente estudo tem  por objetivo descrever as caracter&iacute;sticas do Programa de Interna&ccedil;&atilde;o Domiciliar   Interdisciplinar  (PIDI) para pacientes oncol&oacute;gicos implantado em 2005, no Hospital Escola da Universidade Federal de  Pelotas, quanto a sua estrutura, processo de trabalho e perfil da demanda  atendida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>M&eacute;todos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O presente estudo descreve  as caracter&iacute;sticas de estrutura e processo de trabalho do Programa de  Interna&ccedil;&atilde;o Domiciliar Interdisciplinar - PIDI - da Universidade  Federal de Pelotas (UFPel) e o perfil da demanda atendida, composta por todos  os 213 pacientes com c&acirc;ncer  internados no per&iacute;odo de abril de 2005 a abril de 2008.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O trabalho de campo foi dividido em duas coletas de dados: uma mediante  aplica&ccedil;&atilde;o de entrevista semiestruturada com os respons&aacute;veis pelo PIDI, para  obter informa&ccedil;&otilde;es a respeito da infraestrutura e processo de trabalho do  programa; outra, a partir de um formul&aacute;rio padronizado e pr&eacute;-codificado,  preenchido com os dados secund&aacute;rios provenientes dos prontu&aacute;rios dos pacientes  internados no PIDI durante o per&iacute;odo de estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> As vari&aacute;veis  coletadas a partir dos prontu&aacute;rios foram idade, sexo, cor, renda familiar e  escolaridade, para os aspectos sociodemogr&aacute;ficos. As demais, sobre situa&ccedil;&atilde;o de  sa&uacute;de, tiveram rela&ccedil;&atilde;o direta com a interna&ccedil;&atilde;o e cuidados realizados no PIDI,  incluindo: local do c&acirc;ncer; estadiamento (est&aacute;dios I, II, III e IV conforme  Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Tumores);<sup>12</sup> tratamento oncol&oacute;gico  ativo de quimioterapia, radioterapia e cirurgia relacionada ao c&acirc;ncer;  finalidade terap&ecirc;utica no PIDI; tempo entre diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer e interna&ccedil;&atilde;o no PIDI; tempo de  interna&ccedil;&atilde;o no PIDI; motivos de interna&ccedil;&atilde;o; dieta, e por qual via; uso de  oxig&ecirc;nio; necessidade de acesso venoso; registro de dor referida 24 horas ap&oacute;s interna&ccedil;&atilde;o; grau de  intensidade da dor; e uso de opioides fracos e fortes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Instrumentos de  avalia&ccedil;&atilde;o que podem ser utilizados em cuidados  paliativos foram implantados em momentos diferentes, pelo PIDI. A escala de Edmonton, implementada a partir de agosto de 2007, avalia a  presen&ccedil;a e o controle de dez sintomas em cuidados paliativos, como por exemplo,  dor, dispn&eacute;ia e ansiedade, com pontua&ccedil;&atilde;o de zero a dez conforme sua  intensidade; a escala pode ser aplicada por m&eacute;dicos e enfermeiros.<sup>13,14</sup>  O genograma, implantado em novembro de 2007, &eacute; um instrumento gr&aacute;fico que  avalia a din&acirc;mica familiar e as rela&ccedil;&otilde;es entre seus membros. A avalia&ccedil;&atilde;o  subjetiva global percebida pelo paciente, que identifica a necessidade de  interven&ccedil;&atilde;o nutricional quando a pontua&ccedil;&atilde;o for maior que 9, foi coletada a partir de  fevereiro de 2006.<sup>15</sup> Com rela&ccedil;&atilde;o ao desfecho dos pacientes no  programa, foram identificadas: a) alta com melhora clinica, b) transfer&ecirc;ncia  para outro servi&ccedil;o por piora cl&iacute;nica e c) &oacute;bito no domicilio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Ap&oacute;s a coleta dos dados, feita por acad&ecirc;micos do curso de medicina  da UFPel, os formul&aacute;rios foram revisados pela supervisora do trabalho de campo,  com o apoio de auxiliar de pesquisa. As quest&otilde;es abertas foram codificadas de  forma padronizada e foi constru&iacute;do um banco de dados pelo programa Epi Info 6.0; foram  realizadas duas digita&ccedil;&otilde;es, a fim de que os poss&iacute;veis erros fossem prontamente  identificados, com checagem autom&aacute;tica de amplitude e consist&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> A an&aacute;lise dos dados foi realizada pelo programa estat&iacute;stico Stata  9.0. Foram realizadas an&aacute;lises descritivas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O projeto foi submetido e aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica da  Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, sob o parecer de n<sup>o</sup>  037/08.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os resultados apresentados sobre o Programa de Interna&ccedil;&atilde;o  Domiciliar Interdisciplinar  (PIDI) dizem respeito &agrave; estrutura do servi&ccedil;o, processo de  trabalho e perfil dos 213 pacientes inclu&iacute;dos no estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O PIDI foi implementado pela Funda&ccedil;&atilde;o de Apoio Universit&aacute;rio em  abril de 2005, em estrutura cont&iacute;gua &agrave; do Hospital Escola da Universidade  Federal de Pelotas. A sede do programa conta com espa&ccedil;os adequados &agrave;s  atividades profissionais e acad&ecirc;micas, incluindo a discuss&atilde;o dos casos cl&iacute;nicos  e a realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es com os cuidadores de usu&aacute;rios do PIDI. O programa  possui um ve&iacute;culo de m&eacute;dio porte, adequado ao transporte da  equipe e dos insumos envolvidos no cuidado domiciliar ao paciente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O programa conta com uma m&eacute;dica coordenadora e um auxiliar  administrativo na sede. A equipe assistencial direta &eacute; composta por m&eacute;dica,  enfermeira, assistente social, duas t&eacute;cnicas de enfermagem e dois motoristas. A  equipe matricial de suporte &eacute; constitu&iacute;da de uma nutricionista, uma psic&oacute;loga e  um capel&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os pacientes s&atilde;o inclu&iacute;dos no PIDI a partir de  encaminhamentos provenientes dos servi&ccedil;os que prestam atendimento a pacientes  oncol&oacute;gicos nas unidades da Universidade Federal de Pelotas: quimioterapia, radioterapia, hospital,  ambulat&oacute;rio de oncologia e unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de. Ap&oacute;s avalia&ccedil;&atilde;o inicial da equipe do PIDI (m&eacute;dica e  enfermeira), o paciente deve preencher os seguintes crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: ser  morador da zona urbana de Pelotas-RS; ter cuidador e condi&ccedil;&otilde;es  domiciliares para receber os cuidados; apresentar condi&ccedil;&otilde;es clinicas que exijam  menos tecnologia especializada, inerente ao ambiente hospitalar; e estar sob  tratamento regular em unidade de sa&uacute;de da UFPel. A atual estrutura do programa  comporta no m&aacute;ximo 10 pacientes concomitantes, que recebem visitas duas vezes  ao dia, pela equipe assistencial  direta. Os usu&aacute;rios s&atilde;o assistidos no domic&iacute;lio pela  equipe matricial de suporte - nutricionista, psic&oacute;logo e capel&atilde;o - duas a tr&ecirc;s  vezes por semana. Ap&oacute;s a abertura do prontu&aacute;rio, os pacientes recebem,  diariamente, todos os insumos necess&aacute;rios para o cuidado domiciliar, como  medicamentos de uso oral ou injet&aacute;vel, material para curativos e dietas  especiais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Exames complementares  de an&aacute;lises cl&iacute;nicas s&atilde;o realizados a partir da coleta  (sangue, urina, fezes) no pr&oacute;prio domic&iacute;lio. Exames de imagem (radiografia,  ultrassonografia e tomografia  computadorizada) s&atilde;o realizados nos servi&ccedil;os de  radiologia do Hospital Escola e da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia, no munic&iacute;pio.  As transfus&otilde;es de hemoderivados, eletivas, s&atilde;o agendadas previamente pela  equipe do PIDI, no Hemocentro do munic&iacute;pio. Os deslocamentos dos pacientes para  realiza&ccedil;&atilde;o de exames, procedimentos eletivos e tratamento do c&acirc;ncer  (quimioterapia e radioterapia) ocorrem por conta do servi&ccedil;o de transporte da Secretaria Municipal  da Sa&uacute;de ou por recursos pr&oacute;prios dos usu&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os pacientes do PIDI que apresentam intercorr&ecirc;ncias de maior  gravidade s&atilde;o levados ao Pronto-Socorro local pelo Servi&ccedil;o de Atendimento M&oacute;vel  de Urg&ecirc;ncia (SAMU - 192); quando retornam ao domicilio, permanecem sob os cuidados  do PIDI. Muitas vezes, os &oacute;bitos que ocorrem em domic&iacute;lio s&atilde;o acompanhados e  constata dos pela equipe do PIDI e,  quando os  profissionais do  servi&ccedil;o n&atilde;o est&atilde;o presentes,  a constata&ccedil;&atilde;o &eacute;  realizada pelo m&eacute;dico do SAMU. Para os &oacute;bitos em domic&iacute;lio, o atestado  de &oacute;bito &eacute; fornecido  pela m&eacute;dica do PIDI.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> Semanalmente,  todos os membros da equipe se re&uacute;nem  para discutir o projeto  terap&ecirc;utico de cada paciente. Estudantes  de medicina, enfermagem,  nutri&ccedil;&atilde;o, servi&ccedil;o social e psicologia apresentam casos  cl&iacute;nicos periodicamente, utilizando a estrutura e os equipamentos do pr&oacute;prio servi&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A  cada 15 dias, os  usu&aacute;rios cuidadores  e ex-cuidadores enlutados do PIDI participam de reuni&otilde;es de grupo, organizadas pela enfermeira, pela assistente social  e pela psic&oacute;loga do servi&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Al&eacute;m da  educa&ccedil;&atilde;o permanente dos profissionais e estudantes do PIDI na defini&ccedil;&atilde;o e estabelecimento  de  protocolos e rotinas, o servi&ccedil;o realiza, anualmente, semin&aacute;rio  interdisciplinar voltado aos cuidados de pacientes oncol&oacute;gicos, dando &ecirc;nfase aos temas 'Interna&ccedil;&atilde;o domiciliar' e 'Cuidados  paliativos'. Desde a implanta&ccedil;&atilde;o do PIDI, h&aacute; quatro anos, j&aacute; foram realizados cinco  semin&aacute;rios, tendo como p&uacute;blico-alvo profissionais e estudantes das v&aacute;rias &aacute;reas da Sa&uacute;de. A m&eacute;dia de p&uacute;blico por evento foi de  250 pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Dos  213 pacientes  internados no programa no per&iacute;odo de estudo, 56,0% eram do sexo masculino, 50,0% possu&iacute;am menos  de 59 anos  de idade e 41,0% se encontravam entre  60 e 70 anos. Quanto &agrave; cor da  pele, 86,0% eram brancos. A maioria dos  pacientes era alfabetizada: 55,0%  tinham estudo fundamental incompleto, 19,0% eram analfabetos  e somente 1,0% apresentava  ensino superior. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; renda familiar, 44,0% recebiam at&eacute;  1 sal&aacute;rio m&iacute;nimo  e 40,0%, 2  sal&aacute;rios m&iacute;nimos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> O  local que mais encaminhou pacientes  ao PIDI  foi o servi&ccedil;o de  quimioterapia do Hospital Escola/UFPel, correspondendo a 83,0%. Quanto &agrave; necessidade terap&ecirc;utica no PIDI, a  maioria dos pacientes apresentava finalidade paliativa (95,0%).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os  locais de c&acirc;ncer mais encontrados  na popula&ccedil;&atilde;o estudada  foram pulm&atilde;o, com  18,0%, e intestino, mama, cabe&ccedil;a  e pesco&ccedil;o,  com cerca de 10,0% cada. Quanto ao estadiamento, 60,0% dos usu&aacute;rios  estavam em est&aacute;dio IV  e 32,0% em est&aacute;dio III. Mais de  90,0% dos  pacientes apresentavam met&aacute;stases, sendo 26,0% loco-regional, e 67,0% apresentavam uma ou mais met&aacute;stases &agrave; dist&acirc;ncia. A grande maioria dos  pacientes, 98,0%, estava realizando ou realizou quimioterapia,   65,0% realizaram ou estavam em tratamento radioter&aacute;pico e 49,0%  haviam realizado cirurgia pr&eacute;via relacionada ao c&acirc;ncer. Em an&aacute;lise estratificada por sexo  (<a href="#t1">Tabela 1</a>), observou-se em homens internados no PIDI maior preval&ecirc;ncia de  c&acirc;ncer de pulm&atilde;o (24,0%), cabe&ccedil;a e pesco&ccedil;o (13,0%) e intestino (10,0%),  enquanto nas mulheres, os locais mais prevalentes foram mama (22,0%), intestino  (10,0%) e pulm&atilde;o (9,0%). Quanto ao estadiamento, 95,0% dos homens e 86,0% das  mulheres estavam em   est&aacute;dio III e IV, respectivamente. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a de met&aacute;stases &agrave;  dist&acirc;ncia, 91,0% dos homens e 74,0% das mulheres apresentavam at&eacute; tr&ecirc;s s&iacute;tios.  J&aacute; a ocorr&ecirc;ncia de met&aacute;stases em quatro s&iacute;tios ou mais foi de 26,0% em mulheres  e de 9,0% em homens.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n1/1a07t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> Na an&aacute;lise estratificada por local do c&acirc;ncer (<a href="#t2">Tabela 2</a>),  conforme estadiamento, 91,0% dos c&acirc;nceres de pulm&atilde;o, 100,0% dos de es&ocirc;fago, est&ocirc;mago e  cabe&ccedil;a e pesco&ccedil;o estavam nos est&aacute;dios III e IV. Com rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento  ativo, pacientes com c&acirc;ncer de mama (100,0%) e pulm&atilde;o (97,0%) realizaram  quimioterapia em maior propor&ccedil;&atilde;o. Radioterapia foi realizada em todos os pacientes  com c&acirc;ncer de cabe&ccedil;a e pesco&ccedil;o, seguidos pelos pacientes com c&acirc;ncer de mama (81,0%).  A ressec&ccedil;&atilde;o tumoral cir&uacute;rgica foi realizada em menor quantidade de pacientes,  sendo mais frequente em c&acirc;ncer de mama (76,0%) e est&ocirc;mago (50,0%). Somente  15,0% dos pacientes com c&acirc;ncer de pulm&atilde;o foram submetidos a tratamento  cir&uacute;rgico com inten&ccedil;&atilde;o curativa.</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n1/1a07t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> Quanto ao tempo de diagn&oacute;stico no momento da interna&ccedil;&atilde;o no PIDI, a  m&eacute;dia foi de 23,8 meses, com desvio-padr&atilde;o de 34 meses; a mediana foi de 10,5  meses.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os principais motivos e sintomas apresentados pelos pacientes no  momento da interna&ccedil;&atilde;o no PIDI foram   anorexia (62,0%), dor (59,0%), astenia (49,0%),   desidrata&ccedil;&atilde;o (30,0%), n&aacute;useas e v&ocirc;mitos (30,0%), dispneia (13,0%) e  anemia (10,0%). Apenas 15,0% dos pacientes apresentaram um motivo de  interna&ccedil;&atilde;o, enquanto 34,0% apresentaram dois e 42,0%, tr&ecirc;s ou mais motivos. Em  an&aacute;lise estratificada (<a href="#t2">Tabela 2</a>), anorexia foi o motivo mais frequente em c&acirc;ncer de  es&ocirc;fago (80,0%), seguido de cabe&ccedil;a e pesco&ccedil;o (71,0%), pulm&atilde;o (70,0%) e mama  (68,0%). Dor esteve mais presente em c&acirc;ncer de est&ocirc;mago (70,0%), pulm&atilde;o (53,0%)  e mama (50,0%). Astenia foi o terceiro sintoma mais frequente do total de  pacientes, mais prevalente em c&acirc;ncer de est&ocirc;mago (62,0%), pulm&atilde;o (55,0%) e  es&ocirc;fago (53,0%). Desidrata&ccedil;&atilde;o, n&aacute;useas e v&ocirc;mitos obtiveram resultados semelhantes  para o total de pacientes, embora tenham apresentado diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s neoplasias  mais prevalentes. Desidrata&ccedil;&atilde;o foi mais frequente em c&acirc;ncer de cabe&ccedil;a e pesco&ccedil;o  (54,0%), est&ocirc;mago (54,0%) e es&ocirc;fago (53,0%); e n&aacute;useas e v&ocirc;mitos, em est&ocirc;mago  (39,0%) e mama (36,0%).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Quanto aos cuidados e necessidades gerais realizados aos  pacientes no PIDI, 78,0% recebiam dieta por via oral; e o restante, atrav&eacute;s de sondas  &#91;sonda nasoenteral (SNE), gastrostomia e jejunostomia&#93;. Um &uacute;nico paciente  necessitou de oxig&ecirc;nio domiciliar e 99,0% fizeram uso de acesso venoso em algum  momento da interna&ccedil;&atilde;o no PIDI.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Em avalia&ccedil;&atilde;o realizada 24 horas ap&oacute;s a interna&ccedil;&atilde;o, cerca de 65,0%  dos pacientes referiram dor; destes, 90,0% relataram dor moderada a intensa. Do  total de pacientes, cerca de 78,0% necessitaram de analg&eacute;sicos opioides, sendo os mais  utilizados morfina (43,0%) e code&iacute;na (26,0%). Em an&aacute;lise estratificada por  local do c&acirc;ncer (<a href="#t2">Tabela 2</a>), foi referida dor moderada e intensa em 95,0% dos  pacientes com c&acirc;ncer de pulm&atilde;o, 90,0% daqueles com c&acirc;ncer de mama, 87,0% dos  com c&acirc;ncer de cabe&ccedil;a e pesco&ccedil;o e 75,0% dos pacientes com c&acirc;ncer de est&ocirc;mago.  Quanto a analgesia, a maioria dos usu&aacute;rios recebeu opioides: os com c&acirc;ncer de  pulm&atilde;o, em maior propor&ccedil;&atilde;o, correspondendo a 85,0%, seguidos dos pacientes com c&acirc;ncer de mama com 73,0%, cabe&ccedil;a e pesco&ccedil;o com 68,0%, est&ocirc;mago com 54,0%  e es&ocirc;fago com  52,0%.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A escala de Edmonton foi aplicada a 70,0% do total de pacientes,  do total de internados no per&iacute;odo de agosto de 2007 a abril de 2008 (n=52).  O genograma foi aplicado a 28,0% dos pacientes, do total de internados no  per&iacute;odo de novembro de 2007 a  abril de 2008 (n=35). A avalia&ccedil;&atilde;o subjetiva global foi aplicada a 83,4% dos  pacientes, do total de internados no per&iacute;odo de fevereiro de 2006 a abril de 2008  (n=139): 82,0% dos pacientes no per&iacute;odo apresentaram pontua&ccedil;&atilde;o maior do que  nove.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s hospitaliza&ccedil;&otilde;es, 32,0% dos pacientes do PIDI n&atilde;o foram  internados durante o per&iacute;odo de estudo e a m&eacute;dia de interna&ccedil;&otilde;es por paciente  foi de 1,8 (desvio-padr&atilde;o, dp=2). Dos pacientes que foram internados (n= 144),  35,4% foram hospitalizados uma vez, 22,0% duas vezes, 16,0% tr&ecirc;s vezes, 10,0%  quatro vezes, 10,0% cinco vezes e 1,0% seis vezes, enquanto os 5,0% restantes,  sete vezes ou mais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Com rela&ccedil;&atilde;o ao desfecho dos pacientes internados no PIDI (<a href="#f1">Figura 1</a>),  23,0% (n=49) receberam alta com melhora cl&iacute;nica, 49,0% (n=104) evolu&iacute;ram para  &oacute;bito no pr&oacute;prio domic&iacute;lio e 28,0% (n=60) foram transferidos ao Pronto-Socorro local ou a hospitais do munic&iacute;pio, por apresentarem piora do  quadro clinico. Todos os pacientes transferidos para outros servi&ccedil;os evolu&iacute;ram  para &oacute;bito: 55,0% morreram no per&iacute;odo de at&eacute; 7 dias ap&oacute;s a transfer&ecirc;ncia, 35,0%  no per&iacute;odo de 8 a  30 dias, e 10,0% ap&oacute;s 30 dias de transfer&ecirc;ncia.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/ess/v21n1/1a07f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A estrutura, os recursos humanos e o processo de trabalho  observados no PIDI apresentam semelhan&ccedil;as com alguns servi&ccedil;os que realizam  interna&ccedil;&atilde;o domiciliar no Brasil<sup>16</sup> e no exterior,<sup>9,17,18</sup>  apesar de poucos contemplarem apenas pacientes oncol&oacute;gicos. No Inca, o Hospital do C&acirc;ncer IV, que recebe pacientes com c&acirc;ncer sem  possibilidades de cura, a modalidade de interna&ccedil;&atilde;o domiciliar disp&otilde;e de equipes  interdisciplinares com forma&ccedil;&atilde;o em cuidados paliativos, como no PIDI.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Na Espanha, Inglaterra, Canad&aacute; e Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA),  h&aacute; uma grande variedade de servi&ccedil;os de cuidados paliativos, incluindo, al&eacute;m da  assist&ecirc;ncia e interna&ccedil;&atilde;o domiciliar, &quot;hospices&quot; (resid&ecirc;ncias  terap&ecirc;uticas) e hospitais com estrutura,   equipe e processo de trabalho mais diversificados e complexos do  que no Brasil. Esses pa&iacute;ses pertencem ao grupo com melhor n&iacute;vel de  desenvolvimento na &aacute;rea (Grupo 4), por apresentarem provis&atilde;o suficiente de  servi&ccedil;os de cuidados paliativos, segundo o Observat&oacute;rio Internacional de  Cuidados de Final de Vida (IOELC), que estudou os n&iacute;veis de cuidados  paliativos, em todos os continentes. A avalia&ccedil;&atilde;o do IOELC de 2006 sobre o  n&uacute;mero de servi&ccedil;os de cuidados paliativos nos pa&iacute;ses situava o Brasil no Grupo  3, com apenas 14 servi&ccedil;os em localiza&ccedil;&otilde;es pontuais, contra 500 servi&ccedil;os no  Canad&aacute; e 4.000 nos EUA. Argentina e Chile, nossos vizinhos, possu&iacute;am 80 e 21  servi&ccedil;os respectivamente, sendo os &uacute;nicos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina  classificados no Grupo 4.<sup>19</sup> Segundo levantamento realizado pela  Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), a maioria dos servi&ccedil;os do  Brasil est&aacute; localizada na regi&atilde;o Sudeste, com poucas unidades nas demais  macrorregi&otilde;es do pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, grande parte dos servi&ccedil;os brasileiros  realiza cuidados paliativos apenas em ambiente hospitalar.<sup>20</sup> Portanto,  temos poucas evid&ecirc;ncias no Brasil que se comparem com os resultados deste  estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Em rela&ccedil;&atilde;o ao perfil sociodemogr&aacute;fico dos usu&aacute;rios, cerca da  metade apresentava idade menor do que 60 anos, refor&ccedil;ando o achado de outros  estudos sobre a relev&acirc;ncia do c&acirc;ncer em indiv&iacute;duos adultos de todas as idades,  que indica a necessidade de um controle de sintomas que enfatize o local do  c&acirc;ncer e suas peculiaridades, centrando os servi&ccedil;os nas necessidades  individuais dos pacientes e familiares, mais do que na idade propriamente dita.<sup>21,22</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> &Agrave; luz da classifica&ccedil;&atilde;o internacional de tumores malignos,<sup>12</sup>  a maioria dos pacientes, no momento da interna&ccedil;&atilde;o no PIDI, encontrava-se  em est&aacute;dios avan&ccedil;ados da doen&ccedil;a (mais de 90,0% com met&aacute;stases). Esse  achado refor&ccedil;a a import&acirc;ncia da estrat&eacute;gia paliativa do programa e a  necessidade de sua expans&atilde;o para garantir a universalidade e a integralidade dos  cuidados com doen&ccedil;as neopl&aacute;sicas, segunda causa de &oacute;bito no pa&iacute;s.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Os motivos de interna&ccedil;&atilde;o mais frequentes no PIDI foram anorexia,  dor e astenia, acompanhando a literatura em seus resultados semelhantes. Os  pacientes do estudo apresentaram, em sua maioria, mais de um motivo de  interna&ccedil;&atilde;o, com sintomas sobrepostos, tamb&eacute;m &agrave; semelhan&ccedil;a do referido na  literatura.<sup>23,24</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Do total de pacientes, anorexia foi o motivo mais frequente: geralmente  associada &agrave; s&iacute;ndrome  anorexia/caquexia, afeta aproximadamente 80,0% dos casos de c&acirc;ncer  avan&ccedil;ado.<sup>25</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Dor foi o segundo  motivo de interna&ccedil;&atilde;o mais encontrado entre os pacientes do PIDI. Estudo ingl&ecirc;s  que avaliou pacientes com c&acirc;ncer, a maioria em estagio avan&ccedil;ado, internados em  hospitais e &quot;hospices&quot;, encontrou a dor como principal sintoma  (64,0%).<sup>26</sup> A  preval&ecirc;ncia de dor 24 horas ap&oacute;s a  interna&ccedil;&atilde;o no PIDI foi bastante elevada. A literatura reporta que pacientes com assist&ecirc;ncia paliativa  adequada tendem a apresentar melhora desse sintoma durante o per&iacute;odo de  interna&ccedil;&atilde;o.<sup>23,27</sup> O presente estudo n&atilde;o avaliou o comportamento de  tal sintoma durante a interna&ccedil;&atilde;o. Morfina foi o opioide mais utilizado nos  pacientes com dor internados no PIDI. Considerando-se que esse analg&eacute;sico est&aacute; indicado para os casos de dor  forte, correspondente ao terceiro degrau da escada analg&eacute;sica, o estudo aponta  que os pacientes com dor j&aacute; necessitavam de analgesia mais potente quando ingressavam  no PIDI. Um artigo de revis&atilde;o que avaliou o uso de morfina via oral em  pacientes com c&acirc;ncer terminal coloca a dor como o principal sintoma a ser  controlado. Buscando facilitar a abordagem de outros aspectos inerentes &agrave;  doen&ccedil;a, o artigo refor&ccedil;a o uso de morfina por via oral no manejo de dor forte.<sup>28</sup>  A morfina apresenta custo baixo em rela&ccedil;&atilde;o a outros opioides e possui, al&eacute;m da  via oral, outras vias que facilitam seu uso em situa&ccedil;&otilde;es de resgate, associa&ccedil;&atilde;o  de vias e rota&ccedil;&atilde;o de opioides.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Fadiga ou astenia foi  o terceiro motivo de interna&ccedil;&atilde;o mais frequente observado. Na literatura, esse  sintoma em pacientes com c&acirc;ncer apresenta grandes varia&ccedil;&otilde;es de preval&ecirc;ncia,  diretamente relacionadas com o est&aacute;gio em que se encontra a doen&ccedil;a. Em estudo  retrospectivo realizado no M.D. Anderson Cancer (EUA) com 100 pacientes em cuidados paliativos,  95,0% deles apresentaram  sintomas de astenia.<sup>29</sup> Segundo outro estudo retrospectivo realizado  na Inglaterra com 400 pacientes, 95,0% deles com c&acirc;ncer e 71,0% em fase avan&ccedil;ada, a  astenia esteve presente em 32,0%  dos casos.<sup>26</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Mesmo que implantados  em momentos diferentes no PIDI, instrumentos como a escala de Edmonton, o  genograma e a avalia&ccedil;&atilde;o subjetiva global demonstram o crescimento do programa,  principalmente no que diz respeito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o permanente para o acompanhamento dos v&aacute;rios aspectos a  serem mapeados e controlados, quando se trata de cuidados paliativos. O PIDI implantou  algumas escalas e instrumentos, validados para uso em pacientes oncol&oacute;gicos em fase de cuidados paliativos, que  contribuem para a defini&ccedil;&atilde;o objetiva  das  necessidades dos usu&aacute;rios, principalmente no momento de seu ingresso no  programa.<sup>13-15,30</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Quase metade dos  pacientes do PIDI teve, como desfecho, &oacute;bito no pr&oacute;prio domic&iacute;lio, contando com  o suporte da equipe do programa. Mais de um ter&ccedil;o dos pacientes foi transferido  para outros servi&ccedil;os, ao apresentar piora cl&iacute;nica. Embora, muitas vezes, a  transfer&ecirc;ncia para hospital ou pronto-socorro aconte&ccedil;a por falta de insumos no  domicilio, ela se d&aacute;, principalmente, pela inseguran&ccedil;a dos familiares associada  &agrave; angustia do &oacute;bito no domicilio. Estes autores recomendam que o PIDI contemple os usu&aacute;rios com oferta maior de insumos no  domicilio, como por exemplo, oxig&ecirc;nio e hemoderivados para o controle de  sintomas f&iacute;sicos. Assim, pode-se reduzir as transfer&ecirc;ncias para outros servi&ccedil;os por intercorr&ecirc;ncia clinica,  promovendo a aproxima&ccedil;&atilde;o definitiva dos usu&aacute;rios a seu n&uacute;cleo familiar sem  abrir m&atilde;o de um suporte ativo a suas necessidades  f&iacute;sicas, emocionais, sociais e espirituais, incluindo o &oacute;bito humanizado. &Agrave;  semelhan&ccedil;a do relatado em outros servi&ccedil;os, a assist&ecirc;ncia paliativa permite e  facilita a maior ocorr&ecirc;ncia proporcional de &oacute;bitos fora do ambiente hospitalar.<sup>27</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Este estudo, por seu  car&aacute;ter descritivo, n&atilde;o se prop&otilde;e  a  estabelecer rela&ccedil;&otilde;es de causa-efeito, tampouco avaliar a efetividade do PIDI.  Entretanto, ele oportuniza a divulga&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de cuidado paliativo domiciliar com car&aacute;ter  humanizado para pacientes com c&acirc;ncer em situa&ccedil;&atilde;o de terminalidade, podendo,  dessa forma, servir de subs&iacute;dio ao delineamento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, n&atilde;o  apenas no munic&iacute;pio objeto deste estudo mas em outros locais do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Cuidados paliativos  est&atilde;o inclu&iacute;dos nas determina&ccedil;&otilde;es  do  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de para libera&ccedil;&atilde;o dos Centros e das Unidades de Assist&ecirc;ncia de  Alta Complexidade em Oncologia (Cacon e Unacon). Contudo, a maioria dos  servi&ccedil;os habilitados negligencia essa modalidade de cuidado a pacientes  oncol&oacute;gicos, dando mais aten&ccedil;&atilde;o ao tratamento ativo do c&acirc;ncer. Este trabalho e  suas conclus&otilde;es poder&atilde;o auxiliar no fortalecimento da implanta&ccedil;&atilde;o de unidades  de cuidados paliativos vinculadas &agrave;s estruturas que  disp&otilde;em de Cacon e Unacon.<sup>31</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> A interven&ccedil;&atilde;o - conjunta e precoce - no manejo dos pacientes com  c&acirc;ncer, contemplando os tratamentos com inten&ccedil;&atilde;o curativa e de suporte,  associada &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de  servi&ccedil;os de sa&uacute;de baseada em modelos assistenciais coordenados,  conduz a um modelo de aten&ccedil;&atilde;o compartilhada que permite ao usu&aacute;rio receber  tratamento em todos os n&iacute;veis de aten&ccedil;&atilde;o, sem perder a continuidade dos  cuidados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Agrave; equipe do PIDI, ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, aos estudantes da  Liga de Oncologia da UFPel e &agrave;s  estudantes dos cursos de enfermagem, odontologia, nutri&ccedil;&atilde;o e</font> <font size="2" face="verdana">medicina da UFPel,  que contribu&iacute;ram voluntariamente no trabalho de campo da pesquisa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">    <b>Contribui&ccedil;&atilde;o  dos autores</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Fripp JC e Facchini  LA participaram em todas as fases do estudo, incluindo a elabora&ccedil;&atilde;o do projeto,  dos instrumentos, realiza&ccedil;&atilde;o das analises e reda&ccedil;&atilde;o final do artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Silva SM contribuiu  nas an&aacute;lises, interpreta&ccedil;&atilde;o e reda&ccedil;&atilde;o dos resultados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana">  <b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 1. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Instituto Nacional do C&acirc;ncer. Dados  populacionais de c&acirc;ncer no Brasil. Rio de Janeiro: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2007.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 2. Clark D, Wright M. The international observatory on end of  life care: a global view of palliative care development. Journal of Pain and  Symptom Management. 2007;33(5):542-546.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 3. Amadori D, Tassinari D, Maltoni  M. Palliative care in advanced cancer. Minerva  Chirurgica. 2005;60(4):205-216.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 4. Bruera E, Lima L, editores. Cuidados paliativos: gu&iacute;a para el manejo  cl&iacute;nico. 2<sup>a</sup>  ed. Washington: OPAS; 2004.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 5. Brennan F. Palliative care as an international human right.  Journal of Pain and Symptom Management. 2007;33(5):494-499.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 6. 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Se&ccedil;&atilde;o 1.</font><p><font size="2" face="verdana"><i>&nbsp;</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>&nbsp;</i></font></p>     <p><font size="2"><b><font size="2" face="verdana"><b><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v20n1/seta.gif" border="0"></a></b></b></font></b></font><font size="2" face="verdana"><b>Endere&ccedil;o  para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua Marechal Deodoro, 1160,    <br>   Pelotas-RS, Brasil.    <br>   CEP: 96020-220    <br>   <i>E-mail: </i><a href="mailto:julieta@fau.com.br">julieta@fau.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Recebido em 29/03/2010    <br> Aprovado em 19/03/2012</font></p>      ]]></body><back>
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