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<journal-title><![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Naturais]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avifauna da Estação Ecológica do Rio Acre, estado do Acre, na fronteira Brasil/Peru: composição, distribuição ecológica e registros relevantes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[We carried out an ornithological inventory at the Estação Ecológica do Rio Acre (ESEC Rio Acre), a remote conservation unit in southern Acre, on the Brazil/Peru border, to contribute data for the unit's management plan. Surveys took place during two separate expeditions in the dry (August 2005) and the wet season (February 2006), and included qualitative (observations, tape-recording) as well as quantitative (mist-netting) sampling techniques. We accumulated 180 hours of qualitative observations and ca. 2,500 mist-net.hours during 26 days, recording 365 species of birds. Several noteworthy records are discussed in detail here due to their relevance for Amazonian biogeography and conservation. The general results obtained, including the observation of large populations of bird species that are highly valued for hunting, indicate that ESEC Rio Acre is still very well preserved. Unfortunately, this can easily change if logging, which is currently taking place on the Peruvian side of the border adjacent to ESEC Rio Acre, crosses the border illegally into Brazil.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="topo"></a>Avifauna da Esta&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica do Rio  Acre, estado do Acre, na fronteira Brasil/Peru: composi&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o  ecol&oacute;gica e registros relevantes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Avifauna  of the Esta&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica do Rio Acre, state of Acre,  on the Brazil/Peru border: composition, ecological distribution, and noteworthy  records</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Alexandre Aleixo<sup>I</sup>; Edson Guilherme<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi. Coordena&ccedil;&atilde;o de  Zoologia. Bel&eacute;m, Par&aacute;, Brasil (<a href="mailto:aleixo@museu-goeldi.br">aleixo@museu-goeldi.br</a>)    <br> <sup>II</sup>Universidade  Federal do Acre. Centro de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas e da Natureza. Laborat&oacute;rio de  Paleontologia. Rio Branco, Acre, Brasil (<a href="mailto:guilherme@ufac.br">guilherme@ufac.br</a>)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um levantamento da avifauna foi executado na Esta&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica do Rio Acre  (ESEC Rio Acre), uma unidade de conserva&ccedil;&atilde;o remota situada na regi&atilde;o sul do  estado do Acre, na  fronteira com o Peru, com a finalidade de subsidiar o seu plano de manejo. Os trabalhos de campo  foram realizados nas &eacute;pocas seca (agosto de 2005) e chuvosa (fevereiro de 2006),  com a realiza&ccedil;&atilde;o de levantamentos  qualitativos (observa&ccedil;&otilde;es e grava&ccedil;&otilde;es de vocaliza&ccedil;&otilde;es) e quantitativos, por  meio da captura com redes de neblina <i>(mist-nets). </i>Ap&oacute;s o ac&uacute;mulo de 180  horas de observa&ccedil;&otilde;es qualitativas  e cerca de 2.500 horas.rede  de capturas distribu&iacute;dos em 26 dias de amostragem, registrou-se 365 esp&eacute;cies de aves. V&aacute;rios dos registros obtidos na  ESEC Rio Acre s&atilde;o aqui discutidos em detalhes em fun&ccedil;&atilde;o da sua relev&acirc;ncia  biogeogr&aacute;fica e para a conserva&ccedil;&atilde;o. Os resultados gerais obtidos, aliados ao  registro de grandes popula&ccedil;&otilde;es de esp&eacute;cies de aves com alto valor cineg&eacute;tico,  indicam que a ESEC Rio Acre encontra-se ainda em &oacute;timo estado de conserva&ccedil;&atilde;o. Infelizmente, essa situa&ccedil;&atilde;o  pode mudar rapidamente caso a expans&atilde;o madeireira, atualmente  em curso no lado Peruano da  fronteira (em &aacute;rea lim&iacute;trofe &agrave; unidade), seja direcionada ilegalmente para o territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave: </b>Amaz&ocirc;nia. Aves. Biogeografia. Acre. Conserva&ccedil;&atilde;o. Extens&atilde;o de distribui&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="verdana"><b><font size="2">ABSTRACT</font></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">We carried out an ornithological inventory at the Esta&ccedil;&atilde;o  Ecol&oacute;gica do Rio Acre (ESEC Rio Acre), a remote conservation unit in southern Acre, on the Brazil/Peru border, to contribute data for  the unit's management plan. Surveys took place during two separate expeditions  in the dry (August 2005) and the wet season (February 2006), and included  qualitative (observations, tape-recording) as well as quantitative  (mist-netting) sampling techniques. We accumulated 180 hours of qualitative  observations and <i>ca. </i>2,500 mist-net.hours during 26 days, recording 365 species  of birds. Several noteworthy records are discussed in detail here due to their  relevance for Amazonian biogeography and conservation. The general results  obtained, including the observation of large populations of bird species that  are highly valued for hunting, indicate that ESEC Rio Acre is still very well  preserved. Unfortunately, this can easily change if logging, which is currently  taking place on the Peruvian side of the border adjacent to ESEC Rio Acre,  crosses the border illegally into Brazil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Keywords: </b>Amazonia. Birds. Biogeography. Acre.  Conservation. Range extension.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O  estado do Acre &eacute; considerado uma das &aacute;reas de maior diversidade ornitol&oacute;gica no planeta, com a ocorr&ecirc;ncia simp&aacute;trica de mais de 600 esp&eacute;cies de  aves em algumas localidades (Pinto &amp; Camargo, 1954; Novaes, 1957, 1958; Whittaker &amp;  Oren, 1999; Guilherme, 2001; Whittaker <i>et al., </i>2002; Rasmussen <i>et  al., </i>2005). Apesar desta grande diversidade j&aacute; documentada, um n&uacute;mero  relativamente pequeno de localidades do Acre foi amostrado por ornit&oacute;logos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas (Oren &amp; Albuquerque, 1991), sendo que  estas, na sua maioria, est&atilde;o localizadas ao longo do rio Juru&aacute;, na por&ccedil;&atilde;o oeste  do estado (Novaes, 1957, 1958; Whittaker &amp; Oren, 1999; Whittaker <i>et al., </i>2002). Na inten&ccedil;&atilde;o de mudar este cen&aacute;rio, o Acre foi alvo de diversas  expedi&ccedil;&otilde;es ornitol&oacute;gicas nos &uacute;ltimos cinco anos, tanto na sua  por&ccedil;&atilde;o leste quanto na central (Guilherme, 2007; Aleixo  &amp;  Guilherme, 2008; Guilherme &amp; Dantas, 2008; Guilherme &amp; Santos, 2009).  Este incremento de estudos no estado do Acre tem confirmado a alta diversidade avifaun&iacute;stica local e contribu&iacute;do significativamente para a diminui&ccedil;&atilde;o das  lacunas de conhecimento da biodiversidade no sudoeste da Amaz&ocirc;nia brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A  regi&atilde;o do alto rio Acre, situada na por&ccedil;&atilde;o sudeste do estado e adjacente aos  territ&oacute;rios da Bol&iacute;via e do Peru, constitui uma das menos conhecidas no Brasil  do ponto de vista ornitol&oacute;gico, havendo em territ&oacute;rio brasileiro apenas um  levantamento preliminar pr&eacute;vio realizado nas proximidades do munic&iacute;pio de Assis  Brasil (Guilherme, 2004). Localidades da mesma regi&atilde;o amostradas na Bol&iacute;via e  no Peru revelaram a presen&ccedil;a de uma avifauna riqu&iacute;ssima, com v&aacute;rias esp&eacute;cies  end&ecirc;micas da &aacute;rea de endemismo Inamban (Gyldenstolpe, 1945; Haffer, 1978;  Parker, 1982; Terborgh <i>et al., </i>1984, 1990; Cracraft, 1985; Parker &amp; Remsen, 1987;  Parker <i>et al., </i>1994; Servat, 1996; Tobias  &amp; Seddon, 2007),  sendo algumas delas ainda n&atilde;o registradas em territ&oacute;rio brasileiro (CBRO,  2009).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No  contexto do projeto para a elabora&ccedil;&atilde;o do plano de manejo da Esta&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica  do Rio Acre (denominada ESEC Rio Acre daqui em diante), foram  executados os primeiros levantamentos detalhados de avifauna do lado brasileiro  da regi&atilde;o do alto rio Acre. A seguir, os resultados obtidos s&atilde;o apresentados e  as suas implica&ccedil;&otilde;es biogeogr&aacute;ficas e para a conserva&ccedil;&atilde;o s&atilde;o discutidas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>MATERIAL  E M&Eacute;TODOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A  ESEC Rio Acre &eacute; uma unidade de conserva&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o integral, com 77.500 ha, situada no  munic&iacute;pio de Assis Brasil (sudeste do estado do Acre), na fronteira com o  departamento peruano de Madre de Dios (ISA, 2009; <a href="#f1">Figura 1</a>). A ESEC  Rio Acre faz divisa com duas terras ind&iacute;genas brasileiras: Mamoadate, ao norte,  e Cabeceira do rio Acre, ao leste; o limite sul &eacute; delimitado pelo rio Acre na  divisa Brasil/Peru. Entre 13 e 24 de agosto de 2005 e 3 e 16 de fevereiro de  2006, realizamos um invent&aacute;rio de avifauna na ESEC Rio Acre ao longo de  transectos distribu&iacute;dos em 13 localidades distintas, compreendendo as  principais fitofisionomias e ambientes da unidade, onde predominam forma&ccedil;&otilde;es de  floresta aluvial aberta, com manchas de bambus e/ou palmeiras.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v5n3/3a04f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O  levantamento qualitativo de avifauna consistiu em caminhadas diurnas e noturnas  atrav&eacute;s dos tr&ecirc;s ambientes e fitofisionomias distintos na &aacute;rea de estudo, com o  objetivo de registrar as aves presentes a partir de contatos visuais e  auditivos. O esfor&ccedil;o de amostragem total deste levantamento foi de 180 h,  concentradas no per&iacute;odo diurno e assim distribu&iacute;das: 96 h durante a esta&ccedil;&atilde;o  seca (expedi&ccedil;&atilde;o de agosto de 2005) e 84 h durante a esta&ccedil;&atilde;o chuvosa (expedi&ccedil;&atilde;o  de fevereiro de 2006). O esfor&ccedil;o de amostragem noturno foi de apenas tr&ecirc;s horas  em cada esta&ccedil;&atilde;o, totalizando seis horas. Durante este levantamento, diversas  esp&eacute;cies de aves observadas foram documentadas com a grava&ccedil;&atilde;o em fita cassete  de suas vocaliza&ccedil;&otilde;es por um gravador Sony<sup>&#174;</sup> TCM-5000 acoplado a um microfone  direcional Sennheiser<sup>&#174;</sup> ME-88. As grava&ccedil;&otilde;es encontram-se  depositadas no arquivo sonoro da Cole&ccedil;&atilde;o Ornitol&oacute;gica do Museu Paraense Em&iacute;lio  Goeldi (MPEG), em Bel&eacute;m, Par&aacute;. Foram utilizadas redes de neblina de 12 x 2 m para a captura de aves com  o objetivo de complementar o levantamento qualitativo descrito acima. A cada  dia de amostragem, redes instaladas nas proximidades dos mesmos transectos  percorridos durante o levantamento qualitativo permaneceram abertas durante a  manh&atilde; por um per&iacute;odo de pelo menos seis horas (geralmente entre 6 e 12 h). Um  total de 20 redes de neblina foi utilizado ao longo de dez dias em agosto e 11  dias em fevereiro, permitindo o ac&uacute;mulo de um esfor&ccedil;o total de amostragem de  aproximadamente 2.500 h.rede, distribu&iacute;do de maneira relativamente equitativa entre as esta&ccedil;&otilde;es seca e chuvosa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram  coletados esp&eacute;cimes-testemunho de v&aacute;rias esp&eacute;cies de aves registradas na ESEC  Rio Acre, notadamente aquelas de dif&iacute;cil identifica&ccedil;&atilde;o  e de ocorr&ecirc;ncia previamente n&atilde;o documentada no Brasil. Essas coletas foram  realizadas com o aux&iacute;lio das redes de neblina e de uma espingarda, sendo devidamente  autorizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais  Renov&aacute;veis (IBAMA) (Licen&ccedil;a 029/2005-CGFAU). Os esp&eacute;cimes coletados  foram preparados diretamente no campo e posteriormente depositados na Cole&ccedil;&atilde;o  Ornitol&oacute;gica do Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi (MPEG), em Bel&eacute;m, Par&aacute;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>RESULTADOS  E DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RIQUEZA  DE ESP&Eacute;CIES, COMPOSI&Ccedil;&Atilde;O E DISTRIBUI&Ccedil;&Atilde;O ECOL&Oacute;GICA DA AWAUNA</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Durante  os levantamentos de campo na ESEC Rio Acre, foram registradas 365 esp&eacute;cies de  aves, cuja nomenclatura, fitofisionomias predominantes em que foram observadas  e tipo de documenta&ccedil;&atilde;o obtido para  algumas delas (grava&ccedil;&atilde;o de vocaliza&ccedil;&otilde;es e/ou coleta de  esp&eacute;cimes-testemunho) s&atilde;o apresentados em conjunto no <a href="pdf/bmpegcn/v5n3/apenv5n3a04.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>. Das esp&eacute;cies  constantes no <a href="pdf/bmpegcn/v5n3/apenv5n3a04.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>, apenas tr&ecirc;s - <i>Cochlearius cochlearius </i>(Linnaeus, 1766), <i>Conopophaga peruviana </i>(Des Murs, 1856) e <i>Ramphocelus  nigrogularis </i>(Spix, 1825) - n&atilde;o foram registradas dentro dos limites da ESEC Rio  Acre durante os invent&aacute;rios. Estas esp&eacute;cies foram observadas em 2002  por Edson Guilherme (EG) em  floresta aluvial (margem esquerda do rio Acre) dentro da Terra Ind&iacute;gena  'Cabeceira do Rio Acre', poucos quil&ocirc;metros &agrave; jusante do limite com a ESEC Rio Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A curva cumulativa de  esp&eacute;cies de aves registradas pelo esfor&ccedil;o de amostragem qualitativa n&atilde;o se  estabilizou completamente (<a href="#f2">Figura 2</a>). Entretanto, a diminui&ccedil;&atilde;o na taxa de ac&uacute;mulo de  esp&eacute;cies observadas j&aacute; a partir de 125 h acumuladas de observa&ccedil;&atilde;o indica que o  levantamento realizado pode ser considerado representativo da &aacute;rea de estudo.</font></p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v5n3/3a04f2.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Sob uma perspectiva  ecol&oacute;gica, a avifauna florestal da ESEC Rio Acre &eacute; composta principalmente por  duas comunidades distintas: uma associada &agrave; floresta aluvial com bambus e/ou  palmeiras nas adjac&ecirc;ncias dos principais cursos d'&aacute;gua que cortam a unidade  (<a href="#f3">Figura 3</a>), e  outra associada &agrave; floresta aberta com bambus e/ou palmeiras em localidades de  altitudes maiores, solos com melhor drenagem e relevos mais acidentados (<a href="#f4">Figura  4</a>). A principal diferen&ccedil;a  entre esses dois tipos de fitofisionomia &eacute; a densidade das manchas de bambus do  g&ecirc;nero <i>Guadua, </i>que &eacute; muito mais elevada em terrenos aluviais do  que em terrenos com boa drenagem, onde outras esp&eacute;cies arb&oacute;reas, incluindo  v&aacute;rios tipos de palmeiras, passam a competir com o bambu pela domin&acirc;ncia da comunidade. Al&eacute;m  destas duas principais fitofisionomias florestais, um terceiro tipo de ambiente  foi utilizado por um n&uacute;mero menor de esp&eacute;cies da avifauna  da ESEC Rio  Acre: praias e margens dos principais cursos d'&aacute;gua que cortam a ESEC Rio Acre,  denominado daqui em diante como ambiente rip&aacute;rio (<a href="#f5">Figura 5</a>).</font></p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v5n3/3a04f3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v5n3/3a04f4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v5n3/3a04f5.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A  maior parte das esp&eacute;cies registradas na ESEC Rio Acre (71%) ocorre em floresta aluvial com  predomin&acirc;ncia de bambus e/ou palmeiras, enquanto cerca de 52% ocorrem em  floresta aberta com bambus e/ou palmeiras em solos drenados (<a href="#t1">Tabela 1</a>). Um  contingente tamb&eacute;m significativo de 110 esp&eacute;cies (30% do total) ocorre  indistintamente nestes dois tipos de fitofisionomias, n&atilde;o mostrando  prefer&ecirc;ncias claras entre elas. Finalmente, apenas 7% da avifauna da ESEC Rio  Acre pode ser considerada n&atilde;o florestal, estando na sua totalidade associada ao  ambiente rip&aacute;rio (<a href="#t1">Tabela 1</a>).</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bmpegcn/v5n3/3a04t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2"><b><font face="verdana">REGISTROS  DE RELEV&Acirc;NCIA BIOGEOGR&Aacute;FICA E PARA A CONSERVA&Ccedil;&Atilde;O</font></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Do  total de 365 esp&eacute;cies registradas na ESEC Rio Acre e vizinhan&ccedil;as imediatas, 71  podem ser consideradas de especial interesse para a conserva&ccedil;&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o de  sua presen&ccedil;a em listas de esp&eacute;cies amea&ccedil;adas, distribui&ccedil;&otilde;es restritas,  endemismo, h&aacute;bitos migrat&oacute;rios, raridade e presen&ccedil;a anteriormente n&atilde;o  documentada em territ&oacute;rio brasileiro  (Aleixo &amp; Guilherme, 2008; <a href="pdf/bmpegcn/v5n3/apenv5n3a04.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>). Abaixo, os registros mais relevantes  do ponto de vista biogeogr&aacute;fico para 41 destas esp&eacute;cies s&atilde;o discutidos em detalhes.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Tinamidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Crypturellus obsoletus </i>(Temminck, 1815) -</b> Esp&eacute;cie de distribui&ccedil;&atilde;o disjunta  na Am&eacute;rica do Sul (Hoyo <i>et al., </i>1992), &eacute; representada por popula&ccedil;&otilde;es  isoladas na calha sul da Amaz&ocirc;nia brasileira, principalmente a leste do rio  Madeira (Sick, 1997). Ocorre tamb&eacute;m no sudeste do Peru (Schulenberg <i>et  al., </i>2007) e nas regi&otilde;es central e norte da Bol&iacute;via (Remsen &amp; Traylor, 1989). No Acre, havia sido  registrada previamente somente no alto Juru&aacute; (Whittaker <i>et al. </i>,  2002). O registro da vocaliza&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica de <i>C. obsoletus </i>na ESEC  representa o primeiro para o leste do Acre e o segundo para a Amaz&ocirc;nia  sul-ocidental brasileira. Embora  esp&eacute;cimes n&atilde;o tenham sido coletados, &eacute; muito prov&aacute;vel que os registros obtidos  no Acre, devido &agrave; sua distribui&ccedil;&atilde;o altamente disjunta, refiram-se a uma  subesp&eacute;cie ou subesp&eacute;cies distintas daquela encontrada no restante da Amaz&ocirc;nia  brasileira, <i>C. o.  griseiventris </i>(Salvadori, 1895) (Hoyo <i>et al., </i>1992).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Crypturellus atrocapillus </i>(Tschudi, 1844) </b><i>- </i>Conhecida  originalmente apenas no sudeste do Peru (Terborgh <i>et al., </i>1984; Schulenberg <i>et  al., </i>2007) e regi&atilde;o centro-norte  da Bol&iacute;via (Remsen &amp; Traylor, 1989). No Brasil, esta esp&eacute;cie foi registrada pela  primeira vez no munic&iacute;pio de Marechal Taumaturgo, no alto rio Juru&aacute; (Sick,  1997; Whittaker &amp; Oren, 1999). A observa&ccedil;&atilde;o de <i>C. atrocapillus </i>na ESEC Rio Acre representou o segundo registro confirmado desta  esp&eacute;cie para o territ&oacute;rio brasileiro. Ap&oacute;s este registro, diversos outros foram  realizados pelo segundo autor (EG) em v&aacute;rias localidades do estado do Acre,  incluindo o Parque Zoobot&acirc;nico da Universidade Federal do Acre, as florestas  com bambus no leste do estado e a foz do rio Chandless,  no alto Purus (Guilherme &amp; Dantas, 2008; Guilherme &amp; Santos, 2009).  Estes registros em conjunto indicam que <i>C. atrocapillus </i>&eacute; bastante comum na  regi&atilde;o e ocorre em todo o estado do Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Accipitridae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Percnohierax leucorrhous </i>(Quoy &amp;  Gaimard, 1824) </b>&ndash; No dia 15 de agosto de 2005,  um indiv&iacute;duo adulto exibindo as caracter&iacute;sticas t&iacute;picas desta esp&eacute;cie  (Schulenberg <i>et al. </i>, 2007) foi avistado pelo primeiro autor (AA) ao  longo de v&aacute;rios minutos pairando sobre a floresta aluvial nas proximidades do  rio Acre. Este registro &eacute; o primeiro desta esp&eacute;cie, associada a regi&otilde;es  montanhosas nos Andes e na Mata Atl&acirc;ntica, para o Acre e a Amaz&ocirc;nia brasileira,  embora ela j&aacute; tenha sido registrada nas terras baixas vizinhas ao sop&eacute; dos  Andes no Peru (Schulenberg <i>et al.</i>, 2007). Possivelmente, o  indiv&iacute;duo observado tratava-se de um vagante que chegou &agrave; ESEC Rio Acre  aproveitando a entrada de uma forte frente fria, que havia chegado &agrave; &aacute;rea h&aacute;  apenas dois dias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Psittacidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Primolius couloni </i>(Sclater, 1876) </b>-  Esta esp&eacute;cie foi registrada pela primeira vez no estado do Acre por Parker  &amp; Remsen (1987), atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o de alguns indiv&iacute;duos &agrave;s proximidades  da cidade de Capixaba, no leste do Acre. Posteriormente, foi vista na regi&atilde;o de  Pl&aacute;cido de Castro (Forrester, 1993), e no munic&iacute;pio de Rio Branco (Tobias &amp;  Brightsmith, 2007; Guilherme &amp; Santos, 2009), tamb&eacute;m no leste do estado. Na  regi&atilde;o do alto Juru&aacute;, esta esp&eacute;cie parece ser relativamente comum em floresta aluvial (Whittaker  &amp; Oren, 1999). Em 2004, EG coletou na regi&atilde;o central do estado (Seringal Sardinha)  a segunda pele de <i>PP couloni </i>para  o estado do Acre (Tobias  &amp; Brightsmith, 2007; Guilherme &amp;  Santos, 2009). O esp&eacute;cime coletado estava associado a um grupo de seis  indiv&iacute;duos que se alimentavam de frutos de mandioca <i>(Manihot esculenta) </i>em  um pequeno ro&ccedil;ado localizado &agrave; beira da BR-364, entre as cidades de Manuel  Urbano e Feij&oacute;. Na ESEC Rio Acre, <i>P. couloni </i>&eacute; uma esp&eacute;cie frequente  tanto em floresta aluvial quanto aberta em terrenos mais altos, tendo sido observada em  cinco dos 13 s&iacute;tios amostrados na unidade (<a href="pdf/bmpegcn/v5n3/apenv5n3a04.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>). A forma mais frequente de  contato com a esp&eacute;cie foi o avistamento de bandos de quatro a oito indiv&iacute;duos  se deslocando em voo principalmente durante o amanhecer e o  crep&uacute;sculo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Pyrrhura rupicola </i>(Tschudi, 1844) </b><i>- </i>Esp&eacute;cie restrita &agrave; &aacute;rea de endemismo Inambari  (Cracraft, 1985) e cuja distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica conhecida se restringia quase  que exclusivamente ao sudeste do Peru (Parker, 1982; Schulenberg <i>et  al., </i>2007) e norte da Bol&iacute;via (Remsen &amp; Traylor,  1989; Hoyo <i>et al., </i>1997). Em territ&oacute;rio  brasileiro, esta esp&eacute;cie s&oacute; foi registrada no estado do Acre. Os registros  incluem uma pele coletada por J. Hidasi nos arredores da cidade de Capixaba  (Sick, 1997) e observa&ccedil;&otilde;es realizadas por Forrester (1993) nos arredores de  Pl&aacute;cido de Castro. <i>P. rupicola </i>foi observada tamb&eacute;m na Reserva  Extrativista do Alto Juru&aacute; (RESEX Alto Juru&aacute;), extremo oeste do estado  (Whittaker &amp; Oren, 1999; Whittaker <i>et al., </i>2002). Na ESEC Rio Acre, <i>P.  rupicola </i>&eacute; abundante, principalmente em florestas ao longo dos principais  cursos d'&aacute;gua. No dia 15 de agosto de 2005, um macho adulto foi coletado por AA  em floresta aluvial  localizada na margem esquerda do rio Acre (MPEG  58825). Este  esp&eacute;cime &eacute; o segundo deste t&aacute;xon coletado em territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Nannopsittaca  dachilleae </i>O'Neill, Munn &amp; Franke, 1991 </b><i>- </i>Esp&eacute;cie conhecida apenas das terras baixas do sudeste do Peru, noroeste da  Bol&iacute;via (Clements &amp; Shany, 2001; Schulenberg <i>et al., </i>2007), e extremo sudoeste da Amaz&ocirc;nia brasileira  (estado do Acre) (Whitney &amp; Oren, 2001a). Os seus primeiros registros no  Brasil foram feitos no Parque Nacional da Serra do Divisor, no alto Juru&aacute; (Whitney  &amp; Oren, 2001a). O registro de <i>N. dachilleae </i>na ESEC Rio Acre &eacute; o  segundo para o territ&oacute;rio brasileiro e representa uma significativa amplia&ccedil;&atilde;o  de sua distribui&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o ao sudeste das terras baixas da Amaz&ocirc;nia Legal.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Caprimulgidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Caprimulgussericocaudatus </i>(Cassin, 1849) </b><i>- </i>Esp&eacute;cie rara, pouco conhecida e de ocorr&ecirc;ncia pontual na Amaz&ocirc;nia (Davis <i>et  al., </i>1991; Aleixo <i>et al., </i>2000; Schulenberg <i>et al., </i>2007) e no sudeste do Brasil (Sick,  1997). A grava&ccedil;&atilde;o da vocaliza&ccedil;&atilde;o desta esp&eacute;cie na ESEC Rio Acre representa o  primeiro registro para o estado do Acre e estende a sua distribui&ccedil;&atilde;o para a  Amaz&ocirc;nia ocidental brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Apodidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Chaetura spinicaudus </i>(Temminck, 1839) </b><i>- </i>O registro mais pr&oacute;ximo desta esp&eacute;cie ao sul do rio  Amazonas havia sido feito por Gyldenstolpe (1951), no baixo rio Purus, no  estado do Amazonas. Recentemente, Rasmussen <i>et al. </i>(2005) registraram  este t&aacute;xon em um fragmento florestal a 30 km de Rio Branco, estado do Acre. A presen&ccedil;a  de <i>C. spinicaudus </i>na ESEC representa o registro mais ao sul conhecido,  na Amaz&ocirc;nia ocidental brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Chaetura meridionalis </i>Hellmayr, 1907 </b><i>- </i>Esp&eacute;cie migrante e de popula&ccedil;&atilde;o disjunta na  Am&eacute;rica do Sul (Sick, 1997; Hoyo <i>et al., </i>1999). A observa&ccedil;&atilde;o desta esp&eacute;cie na ESEC Rio Acre representa o  primeiro registro para o estado do Acre. Muito provavelmente, os indiv&iacute;duos  observados na ESEC eram migrantes austrais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Trochilidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Amazilia lactea bartletti </i>(Sclater &amp; Salvin, 1866) </b>- Esta subesp&eacute;cie &eacute; de  ocorr&ecirc;ncia restrita &agrave;s terras baixas da Amaz&ocirc;nia sul-ocidental, incluindo o  sudeste do Peru, o norte da Bol&iacute;via e o sudoeste da Amaz&ocirc;nia Legal (Hoyo <i>et  al.</i>, 1999). At&eacute; o momento, todos os registros deste t&aacute;xon em territ&oacute;rio  brasileiro foram feitos no estado do Acre (Pinto &amp; Camargo, 1954;  Guilherme, 2001; Whittaker <i>et al., </i>2002;  Guilherme, 2004; Rasmussen <i>et al.</i>, 2005). Na ESEC Rio Acre, este t&aacute;xon  foi comumente visto em florestas aluviais, visitando flores de marant&aacute;ceas  localizadas na margem esquerda do rio Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Galbulidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Galbalcyrhynchus purusianus </i>Goeldi, 1904 </b><i>- </i>Esp&eacute;cie restrita &agrave; &aacute;rea de endemismo Inambari  (Cracraft, 1985). No estado do Acre, <i>Galbalcyrhynchus purusianus </i>j&aacute; foi  registrado no alto Juru&aacute; e no alto Purus (Whittaker <i>et al.</i>,   2002; Guilherme &amp;  Dantas, 2008). Na ESEC Rio Acre, esta esp&eacute;cie &eacute; comum em floresta aluvial ao  longo do rio Acre. O registro de <i>G. purusianus </i>na ESEC &eacute; o primeiro para  o extremo leste do estado do Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Bucconidae</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b><i>Malacoptila semicincta </i>Todd, 1925 </b><i>- </i>Restrita &agrave; &aacute;rea de endemismo Inambari (Haffer, 1978,  1987; Cracraft, 1985). Ocorre no sudeste do Peru (Servat, 1996; Schulenberg <i>et  al., </i>2007) e norte da Bol&iacute;via (Gyldenstolpe, 1945; Remsen &amp;  Traylor, 1989). No Acre, era conhecida apenas do alto Juru&aacute; (Novaes, 1957;  Whittaker <i>et al., </i>2002). Na ESEC Rio Acre, foram coletados dois  esp&eacute;cimes (MPEG 58846 e 59792) em sub-bosque de floresta ombr&oacute;fila com  palmeiras. Os registros de <i>M. semicincta </i>na ESEC foram os primeiros para  o leste do Acre. Posteriormente, esta esp&eacute;cie foi registrada em diversas  localidades do estado, incluindo a regi&atilde;o do alto Purus e do rio Liberdade, no  oeste do Acre (Guilherme, 2007; Guilherme &amp; Dantas, 2008). Estes novos  registros, em conjunto, indicam que esta esp&eacute;cie &eacute; comum em todo o estado do  Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Nonnula sclateri </i>Hellmayr, 1907 </b><i>- </i>Esp&eacute;cie pouco  conhecida, ocorre no sudeste do Peru (Davis <i>et al., </i>1991; Schulenberg <i>et al., </i>2007) e  no Departamento de Pando, na Bol&iacute;via (Parker &amp; Remsen, 1987). No Acre, esta  esp&eacute;cie era previamente conhecida apenas da bacia do rio Juru&aacute; (Novaes, 1957;  Whittaker &amp; Oren, 1999; Whittaker <i>et al.</i>, 2002). Na  ESEC Rio Acre, <i>N. sclateri </i>foi documentada atrav&eacute;s do registro da  vocaliza&ccedil;&atilde;o de um indiv&iacute;duo pousado num bambuzal bastante denso. Este registro  foi o primeiro desta esp&eacute;cie para o leste do Acre. Posteriormente, EG coletou  v&aacute;rios indiv&iacute;duos de <i>N.  sclateri </i>em diversas localidades do estado do Acre (Guilherme, 2007;  Guilherme &amp;  Dantas, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Monasa  flavirostris </i>Strickland, 1850 </b><i>- </i>Esp&eacute;cie pouco conhecida,  associada &agrave;s florestas dominadas por bambus (Stotz <i>et al.</i>, 1996). No Acre, s&oacute; havia  sido registrada no alto Juru&aacute; (Whittaker <i>et al.</i>, 2002) e na Fazenda  Experimental Catuaba, pr&oacute;xima de Rio Branco (Rasmussen <i>et al.</i>, 2005). Recentemente,  Guilherme &amp; Santos (2009) registraram esta esp&eacute;cie em uma floresta dominada  por bambus no munic&iacute;pio de Rio Branco, no leste do estado. O registro de <i>M.  flavirostris </i>na ESEC Rio Acre indica que a esp&eacute;cie, apesar de rara, ocorre  em todo o estado do Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Capitonidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Eubucco  tucinkae </i>(Seilern, 1913) </b><i>- </i>Esp&eacute;cie de ocorr&ecirc;ncia restrita &agrave;  &aacute;rea de endemismo Inambari (Cracraft, 1985), foi considerada, por algum tempo,  como sendo end&ecirc;mica do territ&oacute;rio peruano  at&eacute; ser registrada em territ&oacute;rio boliviano (Parker <i>et al., </i>1991). No Brasil, esta  esp&eacute;cie s&oacute; &eacute; conhecida a partir dos registros feitos no estado do Acre  (Whittaker &amp; Oren, 1999; Whitney &amp; Oren, 2001b;  Guilherme, 2007). Na ESEC Rio Acre, <i>E.  tucinkae </i>foi registrada uma &uacute;nica vez em floresta aluvial de est&aacute;gio  sucessional inicial, na margem esquerda do rio Acre. Esse registro &eacute; o primeiro  desta esp&eacute;cie para a regi&atilde;o leste do Acre e amplia a sua ocorr&ecirc;ncia em  territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Ramphastidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Aulacorhynchus  atrogularis </i>(Sturm &amp; Sturm, 1841) </b><i>- </i>Esp&eacute;cie de  distribui&ccedil;&atilde;o centrada nas florestas andinas e pr&eacute;-andinas da Bol&iacute;via, Peru e Equador (Sick, 1997;  Schulenberg <i>et al., </i>2007),  foi registrada pela primeira vez  no Brasil apenas em 1989, nas proximidades de Pl&aacute;cido de Castro, estado do Acre  (Forrester, 1993). Outras observa&ccedil;&otilde;es desta esp&eacute;cie foram feitas no alto rio  Juru&aacute; (Whittaker &amp; Oren, 1999), no oeste do Acre, e no alto Purus  (Guilherme &amp; Dantas, 2008), na regi&atilde;o central do estado. Nosso registro  para a ESEC Rio Acre representa a quarta localidade de ocorr&ecirc;ncia desta esp&eacute;cie  em territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Picidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Celeus  spectabilis </i>Sclater &amp; Salvin, 1880 </b><i>- </i>Restrita &agrave;s florestas  dominadas por bambus na Amaz&ocirc;nia ocidental (Stotz <i>et al., </i>1996). No  Brasil, s&oacute; havia sido registrada no alto Juru&aacute; (Whittaker &amp; Oren, 1999). Em 2004, AA coletou, no baixo rio Paratari (Parque  Nacional da Serra do Divisor), o primeiro esp&eacute;cime para o Brasil (MPEG 58371).  O registro  de <i>C. spectabilis </i>na ESEC Rio Acre foi o primeiro desta esp&eacute;cie para o  leste do Acre (bacia do rio Purus). Posteriormente, outros esp&eacute;cimes de <i>C.  spectabilis </i>foram coletados em uma floresta dominada por bambus pr&oacute;xima a Rio  Branco (Guilherme &amp; Santos, 2009). O conjunto destas observa&ccedil;&otilde;es demonstra  que esta esp&eacute;cie &eacute; comum nas florestas com bambus em todo o estado do Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Thamnophilidae</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b><i>Cymbilaimus  sanctaemariae </i>Gyldenstolpe, 1941 </b><i>- </i>Esp&eacute;cie associada &agrave;s  florestas dominadas por bambus e de ocorr&ecirc;ncia restrita &agrave; calha sul do Amazonas  (Stotz <i>et al., </i>1996; Parker <i>et al.</i>, 1997; Hoyo <i>et al.</i>, 2003). O primeiro registro  deste t&aacute;xon para o Acre foi feito a partir de alguns exemplares coletados por J. Hidasi no Seringal Nova Empresa, pr&oacute;ximo  de Rio Branco (Pierpont &amp; Fitzpatrick, 1983; LSUMZ 68109; Parker <i>et al.</i>, 1997; MZUSP 66060 e 66061). Somente na d&eacute;cada de 1990 este t&aacute;xon foi  novamente registrado no estado, atrav&eacute;s de grava&ccedil;&otilde;es feitas em manchas de  bambus no alto Juru&aacute; (Whittaker &amp; Oren, 1999; Whittaker <i>et al., </i>2002). Na ESEC Rio Acre,  dois esp&eacute;cimes foram coletados em floresta aluvial com a presen&ccedil;a de bambus (MPEG 58888 e 58889). Os registros de <i>C. sanctaemariae </i>na ESEC Rio Acre, associados a outros realizados posteriormente em  diversas regi&otilde;es do estado (Guilherme &amp; Dantas, 2008; Guilherme &amp;  Santos, 2009), indicam que esta esp&eacute;cie &eacute; bastante comum nas florestas  ombr&oacute;filas dominadas por bambus em todo o Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Herpsilochmus rufimarginatus </i>(Temminck, 1822) </b>-Os registros desta esp&eacute;cie mais  pr&oacute;ximos do Acre foram feitos no sudeste do Peru e nas regi&otilde;es central e norte da Bol&iacute;via (Remsen &amp; Traylor, 1989; Bates <i>et al., </i>1989; Clements &amp; Shany, 2001; Schulenberg <i>et al., </i>2007). Um  esp&eacute;cime foi gravado e coletado no dossel de floresta ombr&oacute;fila aberta na ESEC Rio Acre (MPEG 59862). Este registro  representa o primeiro para o Acre e o mais ocidental dentro da Amaz&ocirc;nia  brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Cercomacra manu </i>Fitzpatrick &amp; Willard, 1990 </b>- Esp&eacute;cie associada a florestas com  bambus (Stotz <i>et al., </i>1996) e de distribui&ccedil;&atilde;o local na Amaz&ocirc;nia brasileira (Ridgely &amp; Tudor, 1994). No Acre, s&oacute; havia sido  registrada no alto Juru&aacute; (Whittaker &amp; Oren, 1999; Whittaker <i>et al., </i>2002).  Em 2004, AA coletou um esp&eacute;cime (MPEG 58384) no  Parque Nacional da Serra do Divisor, margem oeste do rio Juru&aacute; (munic&iacute;pio de  Marechal Taumaturgo). A grava&ccedil;&atilde;o da vocaliza&ccedil;&atilde;o de <i>C. manu </i>na ESEC Rio  Acre representou o primeiro desta esp&eacute;cie para o leste do Acre. Ap&oacute;s este  registro, dois esp&eacute;cimes foram coletados (MPEG 61336-37) em uma floresta com  bambus no ramal Jarinal, no munic&iacute;pio de Rio Branco (Guilherme &amp; Santos,  2009).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Hypocnemis subflava collinsi </i>Cherrie, 1916 </b>-  Nova combina&ccedil;&atilde;o taxon&ocirc;mica proposta recentemente por Isler <i>et al. </i>(2007).  Anteriormente os ep&iacute;tetos <i>subflava </i>e <i>collinsi </i>designavam  subesp&eacute;cies de <i>H. cantator </i>(Ridgely &amp; Tudor, 1994). Entretanto,  baseados em diferen&ccedil;as morfol&oacute;gicas e vocais, Isler <i>et al. </i>(2007)  elevaram <i>subflava </i>&agrave; categoria de esp&eacute;cie plena, incluindo neste grupo as  subesp&eacute;cies <i>H. s. subflava </i>Cabanis, 1873 e <i>H. s. collinsi. </i>Esta  &uacute;ltima, de ocorr&ecirc;ncia restrita ao sudeste do Peru e noroeste da Bol&iacute;via (Ridgely  &amp; Tudor, 1994; Schulenberg <i>et al., </i>2007), foi registrada em 1997 na  Fazenda Experimental Catuaba (leste do Acre) por B. M. Whitney (Isler <i>et  al., </i>2007), tendo sido esta a primeira observa&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie <i>H. subflava </i>no  Brasil. Na ESEC Rio Acre, dois esp&eacute;cimes de <i>Hypocnemis subflava collinsi </i>foram coletados e v&aacute;rios gravados no sub-bosque de floresta  ombr&oacute;fila aberta com palmeiras (MPEG 59855 e 58903). Os esp&eacute;cimes oriundos da  ESEC s&atilde;o os primeiros coletados em territ&oacute;rio brasileiro. Recentemente, novos  registros de <i>H. s. collinsi </i>foram feitos em uma floresta com bambus a  sudoeste da cidade de Rio Branco (Guilherme &amp; Santos, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Percnostola lophotes </i>Hellmayr &amp; Seilern, 1914 </b>- Esta ave &eacute; associada &agrave;s florestas com bambus  no sudeste do Peru (Parker, 1982; Terborgh <i>et  al.</i>, 1984; Davis <i>et al., </i>1991; Servat, 1996; Kratter, 1997) e norte da  Bol&iacute;via (Parker &amp; Remsen, 1987; Parker <i>et al., </i>1991). O primeiro  registro desta esp&eacute;cie em territ&oacute;rio brasileiro foi feito no alto Juru&aacute;, estado  do Acre (Whittaker &amp; Oren, 1999; Whittaker <i>et al.</i>, 2002). Na ESEC  Rio Acre, <i>Percnostola lophotes </i>foi comumente observada, sempre associada  a manchas extensas de bambu, principalmente em floresta aluvial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Myrmeciza goeldii </i>(Snethlage, 1908) </b>-  Esp&eacute;cie restrita &agrave; &aacute;rea de endemismo Inambari  (Cracraft, 1985) e associada &agrave;s florestas ombr&oacute;filas com bambus (Stotz <i>et  al., </i>1996; Kratter, 1997) e florestas ombr&oacute;filas aluviais (v&aacute;rzeas). Ocorre  no sudeste do Peru (Parker, 1982; Terborgh <i>et al.</i>, 1984; Schulenberg <i>et  al., </i>2007) e no norte da Bol&iacute;via (Parker &amp; Remsen, 1987; Parker <i>et  al., </i>1991). Conhecida no Brasil at&eacute; bem pouco tempo apenas a partir do  hol&oacute;tipo descrito por E. Snethlage, proveniente da localidade 'Bom Lugar', no  m&eacute;dio Purus (Gyldenstolpe, 1951). No Acre, esta esp&eacute;cie foi registrada pela  primeira vez no alto Juru&aacute; (Whittaker &amp; Oren, 1999). Em 9 de junho de 2000,  EG capturou e anilhou (anilha H41511) uma f&ecirc;mea no Parque Zoobot&acirc;nico da  Universidade Federal do Acre (Guilherme, 2001). Na ESEC Rio Acre, foram  coletados quatro esp&eacute;cimes (MPEG 58906, 58907, 59844 e 59845) em floresta  aluvial. Trata-se de uma esp&eacute;cie de vocaliza&ccedil;&atilde;o facilmente reconhec&iacute;vel e de  ocorr&ecirc;ncia em todo o estado do Acre (Whittaker &amp; Oren, 1999; Guilherme,  2001; Guilherme &amp; Dantas, 2008; Guilherme &amp; Santos, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia formicariidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Formicarius rufifrons </i>Blake, 1957 </b><i>- </i>Esta esp&eacute;cie era conhecida, at&eacute; bem pouco tempo, apenas do sudeste  do Peru, Departamento de Madre de Dios (Ridgely &amp; Tudor, 1994; Schulenberg <i>et  al., </i>2007). S&oacute; foi registrada no Brasil em 1995 na  regi&atilde;o do alto Juru&aacute; (Whittaker &amp; Oren, 1999; Whittaker <i>et al., </i>2002).  No dia 17 de agosto de 2005, um indiv&iacute;duo foi ouvido vocalizando o canto  territorial t&iacute;pico da esp&eacute;cie pr&oacute;ximo &agrave; base de apoio do IBAMA na ESEC. O  registro deste t&aacute;xon para a ESEC Rio Acre &eacute; o segundo para o territ&oacute;rio  brasileiro e o primeiro para a bacia do rio Purus (leste do estado do Acre).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Scleruridae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Sclerurus albigularis </i>Sclater &amp; Salvin, 1869 </b><i>&ndash; </i>Foi registrada no Brasil pela  primeira vez no estado de Rond&ocirc;nia, em Cachoeira de Nazar&eacute; (Stotz <i>et al., </i>1997).  Posteriormente, foi observada no alto Juru&aacute;, oeste do Acre (Whittaker &amp;  Oren, 1999; Whittaker <i>et al., </i>2002). Coletamos os primeiros dois  indiv&iacute;duos desta esp&eacute;cie para o estado do Acre (MPEG 58881 e 58882), al&eacute;m de  gravar v&aacute;rios indiv&iacute;duos. Os esp&eacute;cimes oriundos da ESEC Rio Acre representam o  primeiro registro deste t&aacute;xon para a bacia do rio Purus.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia  Dendrocolaptidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Glyphorynchus spirurus albigularis </i>Chapman,  1923 </b>- Esta subesp&eacute;cie &eacute; claramente distinta das demais  agrupadas dentro de <i>G. spirurus </i>e distinguida principalmente pelo mento  e garganta brancos (Gyldenstolpe, 1945). Ocorre no Peru (Clements &amp;  Shany, 2001 [Prancha -67]; Schulenberg <i>et al., </i>2007) e Bol&iacute;via  (Gyldenstolpe, 1945). Coletamos dois exemplares deste t&aacute;xon (MPEG 58874 e  59810) em sub-bosque de floresta ombr&oacute;fila com palmeiras dentro dos limites da  ESEC Rio Acre. Os esp&eacute;cimes oriundos da ESEC constituem os primeiros registros  deste t&aacute;xon em territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Xiphorhynchus chunchotambo </i>(Tschudi, 1844) </b>-Esp&eacute;cie conhecida do sop&eacute; dos  Andes do sul da Col&ocirc;mbia, sudeste do Peru ao centro/norte da Bol&iacute;via (Hoyo <i>et al., </i>2003). Em agosto de 2005,  AA gravou a vocaliza&ccedil;&atilde;o e coletou dois esp&eacute;cimes (MPEG 58864 e 58865) em  sub-bosque de floresta aluvial com bambus na ESEC Rio Acre. Em fevereiro  de 2006, foi coletado mais um esp&eacute;cime em um novo ponto de amostragem dentro da  unidade (MPEG 59806). Os registros de <i>Xiphorhynchus chunchotambo </i>na ESEC  Rio Acre, em conjunto com outros feitos por EG em diversas localidades do  estado do Acre, representaram os primeiros deste t&aacute;xon para o territ&oacute;rio  brasileiro (Guilherme &amp; Aleixo, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Furnariidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Synallaxis cherriei </i>Gyldenstolpe, 1930 </b>-  Esp&eacute;cie de ocorr&ecirc;ncia comum na Amaz&ocirc;nia sul-oriental do Brasil, no norte de  Mato Grosso, regi&atilde;o de Alta Floresta (Zimmer <i>et  al.</i>, 1997) e no interfl&uacute;vio Xingu/Araguaia, no  Par&aacute; (Oren &amp; Silva, 1987; Aleixo <i>et al., </i>2000). Na Amaz&ocirc;nia ocidental, <i>Synallaxis cherriei </i>s&oacute; foi  registrada pontualmente no sudeste do Peru (Schulenberg <i>et al., </i>2007) e  norte da Bol&iacute;via (Tobias  &amp; Seddon, 2007). No Acre,  esta esp&eacute;cie s&oacute; havia sido registrada na Reserva Extrativista do Alto Juru&aacute;  (Whittaker <i>et al.</i>, 2002). O registro de <i>Synallaxis cherriei </i>na ESEC Rio Acre foi o  primeiro para o leste do Acre e o segundo para Amaz&ocirc;nia sul-ocidental  brasileira. Posteriormente, esta esp&eacute;cie foi registrada em uma floresta com  bambus, no munic&iacute;pio de Rio Branco, leste do Acre (Guilherme &amp; Santos,  2009).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Simoxenops  ucayalae </i>(Chapman, 1928) </b><i>- </i>Esp&eacute;cie associada &agrave;s  florestas ombr&oacute;filas dominadas por bambus no sudeste do Peru (Parker, 1982; Terborgh <i>et al.</i>, 1984; Servat, 1996; Kratter, 1997) e norte da Bol&iacute;via (Parker &amp;  Remsen, 1987). Na Amaz&ocirc;nia brasileira, <i>S. ucayalae </i>tem sido registrada  pontualmente no Acre, Par&aacute; e norte do Mato Grosso (Aleixo <i>et al.</i>, 2000; Zimmer <i>et al.</i>, 1997). Apesar de Novaes (1978) ter associado um  esp&eacute;cime, sem proced&ecirc;ncia comprovada, &agrave;s florestas do Acre, a comprova&ccedil;&atilde;o da  presen&ccedil;a de <i>S. ucayalae </i>no estado s&oacute; foi confirmada a partir de cinco  exemplares coletados pela equipe do MPEG no rio Tejo, alto Juru&aacute; (Whittaker &amp; Oren, 1999;  Whittaker <i>et al., </i>2002), no oeste do Acre. O esp&eacute;cime coletado em  floresta ombr&oacute;fila com bambus na ESEC Rio Acre (MPEG 58862) foi o primeiro  deste t&aacute;xon para a regi&atilde;o leste do estado do Acre. Ap&oacute;s este registro,  Guilherme &amp; Santos (2009) coletaram mais um esp&eacute;cime deste t&aacute;xon no  munic&iacute;pio de Rio Branco, tamb&eacute;m no leste do Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Philydor  rufum bolivianum </i>Berlepsch, 1907 </b>- Este t&aacute;xon ocorre desde o sop&eacute; dos Andes, no Equador  at&eacute; a regi&atilde;o central da Bol&iacute;via (Hoyo <i>et al.</i>, 2003). Em 14 de agosto de 2005, um indiv&iacute;duo foi  capturado numa rede de neblina, em floresta aluvial, e coletado (MPEG 58861). Este esp&eacute;cime  representa o primeiro registro deste t&aacute;xon bastante diferenciado em territ&oacute;rio  brasileiro (Hoyo <i>et al.</i>, 2003).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Tyrannidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Lophotriccus  eulophotes </i>Todd, 1925 </b>- Esp&eacute;cie restrita &agrave; &aacute;rea de endemismo Inambari (Cracraft, 1985) e associada &agrave;s  florestas dominadas por bambus (Stotz <i>et al., </i>1996). No Acre, foi registrada pela primeira vez no  alto Juru&aacute; (Whittaker &amp; Oren, 1999). Em 2004, AA coletou dois esp&eacute;cimes no  Parque Nacional da Serra do Divisor (MPEG 58021 e 58387). Este t&aacute;xon foi  registrado tamb&eacute;m na Fazenda Experimental Catuaba, no leste do estado  (Rasmussen <i>et al., </i>2005). Na ESEC Rio Acre, foram gravados e coletados  dois esp&eacute;cimes (MPEG 59876 e 59877) em sub-bosque de floresta ombr&oacute;fila aberta  com bambus. Posteriormente, EG coletou outros esp&eacute;cimes de <i>Lophotriccus  eulophotes </i>nos munic&iacute;pios de Porto Acre, Reserva Humait&aacute; (MPEG 60030 e 60031) e  Bujari, na Floresta Estadual do Antimary (MPEG 60758). Estes registros  demonstram que <i>L. eulophotes </i>&eacute; comum nas florestas com bambus em todo o  estado do Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Hemitriccus  flammulatus </i>Berlepsch, 1901 </b>- Esta esp&eacute;cie &eacute; associada &agrave;s florestas dominadas por bambus na Amaz&ocirc;nia  ocidental (Stotz <i>et al., </i>1996). Ocorre a partir do sop&eacute; dos Andes, no  Peru e na Bol&iacute;via, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s terras baixas da Amaz&ocirc;nia (Remsen &amp;  Traylor, 1989; Ridgely &amp; Tudor, 1994; Schulenberg <i>et al., </i>2007). No Acre, j&aacute; tinha sido registrada nos arredores de  Rio Branco (Guilherme, 2001; Rasmussen <i>et al.</i>, 2005) e tamb&eacute;m no alto  Juru&aacute; (Whittaker <i>et al.</i>, 2002). Na ESEC  Rio Acre,  foram coletados tr&ecirc;s indiv&iacute;duos deste t&aacute;xon (MPEG 58919, 59874 e 59875) em  sub-bosque de floresta com bambus. Trata-se de uma esp&eacute;cie bastante comum nas  florestas associadas com bambus em todo o estado do Acre (Guilherme, 2001,  2007; Guilherme &amp; Dantas, 2008; Guilherme &amp; Santos, 2009).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b><i>Cnipodectes superrufus </i>Lane, Servat, Valqui &amp; Lambert, 2007 </b>- Esta esp&eacute;cie foi  recentemente descrita com base em registros feitos em florestas ombr&oacute;filas  dominadas por bambus, localizadas no sudeste do Peru (Lane <i>et al.</i>,  2007). Mesmo antes de sua descri&ccedil;&atilde;o formal, v&aacute;rios indiv&iacute;duos de <i>Cnipodectes  superrufus </i>j&aacute; haviam sido coletados e anilhados por EG no Parque  Zoobot&acirc;nico da Universidade Federal do Acre desde 1998, tendo sido  identificado, &agrave; &eacute;poca, como <i>Cnipodectes subbrunneus </i>(Guilherme, 2001; Tobias <i>et  al., </i>2008). Em 15 de agosto de 2005, AA observou e  gravou esta esp&eacute;cie em manchas de bambus pr&oacute;ximas &agrave; base do IBAMA, na  ESEC Rio Acre. Este registro foi o segundo para esta esp&eacute;cie em territ&oacute;rio  brasileiro (Tobias <i>et al., </i>2008). Posteriormente, a esp&eacute;cie foi  registrada em uma floresta com bambus a aproximadamente 70 km a oeste da cidade de  Rio Branco (ramal Jarinal), no leste do Acre (Tobias <i>et  al., </i>2008; Guilherme &amp; Santos, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Ramphotrigon  megacephalum </i>(Swainson, 1835) </b>-Esp&eacute;cie de ocorr&ecirc;ncia aparentemente disjunta na Am&eacute;rica do Sul (Ridgely &amp; Tudor,  1994), mas comum na Amaz&ocirc;nia sul ocidental (Remsen &amp; Traylor, 1989;  Schulenberg <i>et al., </i>2007). Apesar disso, <i>Ramphotrigon megacephalum </i>foi  registrada poucas vezes na Amaz&ocirc;nia brasileira (Parker <i>et </i>al., 1997;  Pacheco, 1995). No Acre, s&oacute; havia sido observada na Reserva Extrativista do  Alto Juru&aacute; (Whittaker <i>et al., </i>2002). AA coletou em 2004 um esp&eacute;cime no  Parque Nacional da Serra do Divisor (MPEG 58023), pr&oacute;ximo de Cruzeiro do Sul. O  registro de <i>R. megacephalum </i>na ESEC Rio Acre foi o primeiro para o leste  do Acre.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Cotingidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Conioptilon mcilhennyi </i>Lowery &amp; O'Neill, 1966 </b>-  Embora este t&aacute;xon tenha  sido descrito em uma localidade peruana pr&oacute;xima &agrave; fronteira com o Brasil  (Lowery &amp; O'Neill, 1966), ele s&oacute; foi registrado em territ&oacute;rio  brasileiro em 1994 no alto Juru&aacute; (Whittaker &amp;  Oren, 1999; Whittaker <i>et al., </i>2002). Na ESEC Rio Acre, esta esp&eacute;cie &eacute; bastante  comum em floresta aluvial, de onde prov&eacute;m o primeiro esp&eacute;cime coletado no leste  do estado (MPEG 58938). Posteriormente, EG obteve outros registros de <i>Conioptilon mcilhennyi </i>nos munic&iacute;pios de Bujari e Porto Acre. Os registros aqui relatados ampliam  significativamente a distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica deste t&aacute;xon em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s terras  baixas da Amaz&ocirc;nia brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Pipridae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Neopelma  sulphureiventer </i>(Hellmayr, 1903) </b>- Esp&eacute;cie com distribui&ccedil;&atilde;o  geogr&aacute;fica restrita &agrave; &aacute;rea de endemismo Inambari (Haffer, 1978; Cracraft, 1985) e associada &agrave;s  florestas dominadas por bambus na calha sul do Solim&otilde;es (Stotz <i>et al., </i>1996). Ocorre no sudeste do  Peru (Terborgh <i>et al., </i>1984; Servat, 1996; Schulenberg <i>et al., </i>2007) e nas regi&otilde;es central  e norte da Bol&iacute;via (Remsen &amp; Traylor, 1989). No Acre, j&aacute; foi registrada em  praticamente todo o estado (Whittaker &amp; Oren, 1999; Whittaker <i>et al., </i>2002; Guilherme, 2007;  Guilherme &amp; Dantas, 2008; Guilherme &amp; Santos, 2009). Na ESEC Rio Acre,  foram coletados tr&ecirc;s esp&eacute;cimes (MPEG 58927, 58928 e 58929) no sub-bosque de floresta  ombr&oacute;fila com bambus.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Tityridae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Pachyramphus  xanthogenys </i>Salvadori &amp; Festa, 1898 </b>- Esp&eacute;cie de distribui&ccedil;&atilde;o local no extremo oeste da  Amaz&ocirc;nia, a partir do sop&eacute; dos Andes no Peru, Equador e extremo-sul da Col&ocirc;mbia  (Ridgely &amp; Tudor, 1994; Hoyo <i>et al., </i>2004). Tem sido considerada por  alguns autores como subesp&eacute;cie de <i>Pachyramphus viridis </i>(Vieillot, 1816),  cuja distribui&ccedil;&atilde;o abrange quase  todo o Brasil (Peters, 1979; Sick, 1997). Entretanto, tendo como base a sua  distribui&ccedil;&atilde;o disjunta, bem como as diferen&ccedil;as de plumagem e de vocaliza&ccedil;&atilde;o em  rela&ccedil;&atilde;o a <i>P. viridis, </i>adotamos, assim como o CBRO (2009), a classifica&ccedil;&atilde;o de Hoyo <i>et al. </i>(2004), que  consideram <i>Pachyramphus xanthogenys </i>como esp&eacute;cie v&aacute;lida. Em 25  de agosto de 2005, AA coletou na  ESEC um indiv&iacute;duo macho adulto (MPEG 58925) em sub-bosque de floresta ombr&oacute;fila aberta com  bambus. No ano seguinte, em 8 de setembro de 2006, EG coletou um esp&eacute;cime jovem  (n&atilde;o sexado) em uma &aacute;rea de vegeta&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, a aproximadamente 60 km a oeste de Rio Branco.  Esses registros de <i>P. xanthogenys </i>em duas localidades do estado do Acre  foram os primeiros para esta esp&eacute;cie em territ&oacute;rio brasileiro (Aleixo <i>et al.</i>,  2008).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Vireonidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Vireo  flavoviridis </i>(Cassin, 1851) </b>- No estado do Acre, a presen&ccedil;a de <i>V.  flavoviridis </i>foi registrada pela primeira vez em 1995, no alto Juru&aacute; (foz  do igarap&eacute; S&atilde;o Jo&atilde;o e no rio Am&ocirc;nia, localidade Quieto) (Whittaker &amp; Oren, 1999). Em mar&ccedil;o de 1997, B. M. Whitney  registrou a presen&ccedil;a de nove indiv&iacute;duos desta esp&eacute;cie dentro dos limites do  Parque Nacional da Serra do Divisor (Whitney &amp; Pacheco, 2001). O registro da  vocaliza&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico indiv&iacute;duo de <i>V. flavoviridis </i>na ESEC Rio Acre,  em fevereiro de 2006, em floresta aluvial, representa o primeiro registro  desta esp&eacute;cie para o leste do estado do Acre. Adicionalmente a estes registros,  EG coletou em 2007 os dois primeiros indiv&iacute;duos desta esp&eacute;cie (MPEG 62172 e 63820) dentro dos limites  territoriais do Acre, ambos no oeste do estado (Guilherme &amp; Borges, 2008). Os s&iacute;tios de  nidifica&ccedil;&atilde;o de <i>V. flavoviridis </i>est&atilde;o concentrados na regi&atilde;o compreendida  entre o norte do M&eacute;xico (incluindo as ilhas adjacentes) e o centro do Panam&aacute;  (Restall <i>et al., </i>2006). Segundo Whitney &amp; Pacheco (2001), a compila&ccedil;&atilde;o dos  registros de <i>V. flavoviridis </i>na Am&eacute;rica do Sul indica a regi&atilde;o sudoeste  da Amaz&ocirc;nia brasileira e as por&ccedil;&otilde;es adjacentes do Peru e da Bol&iacute;via como &aacute;rea  de invernada desta esp&eacute;cie no continente sul-americano.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Polioptilidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Polioptila plumbea </i>(Gmelin, 1788) </b>-  Esta esp&eacute;cie &eacute; de ampla distribui&ccedil;&atilde;o no norte da Am&eacute;rica do Sul, desde a  Amaz&ocirc;nia at&eacute; o Panam&aacute; e o M&eacute;xico (Ridgely &amp; Tudor, 1994). No Acre, este  t&aacute;xon s&oacute; havia sido registrado no alto Juru&aacute; (Whittaker <i>et al., </i>2002). O  registro desta esp&eacute;cie na ESEC &eacute; o segundo para o estado e representa uma  consider&aacute;vel extens&atilde;o da sua distribui&ccedil;&atilde;o conhecida para o sudeste da Amaz&ocirc;nia  ocidental brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Emberizidae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Tiaris </i>sp. - </b>No  dia 7 de fevereiro de 2006, um indiv&iacute;duo vocalizando o canto caracter&iacute;stico das  esp&eacute;cies deste g&ecirc;nero foi gravado por AA em floresta aluvial com  bambu, no in&iacute;cio da manh&atilde;. Infelizmente, n&atilde;o foram obtidos outros registros,  avistamentos ou esp&eacute;cimes deste t&aacute;xon na ESEC Rio Acre para confirmar sua  identifica&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. <i>Tiaris obscurus </i>(d'Orbigny &amp; Lafresnaye,  1837) &eacute; registrado com regularidade no Departamento de Madre de Dios, no Peru,  vizinho &agrave; ESEC Rio Acre, principalmente durante o inverso austral (Bates, 1997).  Portanto, o registro aqui reportado &eacute; intrigante na medida em que ocorreu no  ver&atilde;o austral e em floresta com a presen&ccedil;a de bambu, ambiente este selecionado  por outra esp&eacute;cie do mesmo g&ecirc;nero j&aacute; registrada na periferia setentrional e  meridional da Amaz&ocirc;nia: <i>T. fuliginosus </i>(Wied, 1830).  Como discutido por Bates (1997), juntos, <i>T. obscurus </i>e <i>T.  fuliginosus, </i>formam um par parap&aacute;trico de esp&eacute;cies de distribui&ccedil;&atilde;o  circum-amaz&ocirc;nica e tem uma diagnose rec&iacute;proca dif&iacute;cil, ocorrendo juntos em  algumas localidades da Am&eacute;rica do Sul. Futuros levantamentos e, principalmente,  a obten&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cimes de <i>Tiaris </i>na regi&atilde;o leste do Acre podem  esclarecer melhor a distribui&ccedil;&atilde;o destas duas formas na Amaz&ocirc;nia ocidental.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Fam&iacute;lia Icteridae</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><i>Psarocolius angustifrons alfredi </i>(Des Murs, 1856) </b>-  Este t&aacute;xon &eacute; restrito ao leste dos Andes, do sul do Equador &agrave;s terras-baixas do  sudeste do Peru (Ridgely &amp; Tudor, 1994; Schulenberg <i>et al., </i>2007).  Em mar&ccedil;o de 2004, EG coletou um esp&eacute;cime (AC-0065, depositado na Universidade  Federal do Acre - UFAC) nos arredores da cidade de Assis Brasil (Guilherme,  2004). Na ESEC Rio Acre, foram coletados mais dois esp&eacute;cimes (MPEG 59899 e 59900) em  floresta aluvial ao longo do rio Acre. Trata-se de um t&aacute;xon bastante comum na  regi&atilde;o do alto rio Acre, onde foi visto diariamente em bandos de mais de 20  indiv&iacute;duos, ou sobrevoando ou alimentando-se de frutos na transi&ccedil;&atilde;o entre o  ambiente rip&aacute;rio e a floresta aluvial, com a presen&ccedil;a abundante  de emba&uacute;bas <i>(Cecropia </i>sp.) &agrave;s margens do rio Acre. Os esp&eacute;cimes  coletados na regi&atilde;o do alto rio Acre representam os primeiros registros de <i>Psarocolius  angustifrons alfredi </i>em territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>A RELEV&Acirc;NCIA DA ESEC  RIO ACRE PARA A CONSERVA&Ccedil;&Atilde;O DA AVIFAUNA</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados obtidos  demonstram que a ESEC Rio Acre sustenta uma avifauna  altamente  diversificada e associada a um tipo de vegeta&ccedil;&atilde;o relativamente pouco  representado em territ&oacute;rio brasileiro: a floresta dominada por bambus e tipos  vegetacionais associados (Silveira, 2005). Do total de 365 esp&eacute;cies de aves  registradas na ESEC Rio Acre, 71 (cerca de 19,4%) foram consideradas de  especial interesse (<a href="pdf/bmpegcn/v5n3/apenv5n3a04.pdf" target="_blank">Ap&ecirc;ndice</a>). A ESEC Rio Acre tem um papel chave na  preserva&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es destas esp&eacute;cies, na sua maior parte com distribui&ccedil;&atilde;o  centrada fora do territ&oacute;rio brasileiro e associadas a ecossistemas de  ocorr&ecirc;ncia marginal no Brasil, como florestas de bambus e florestas abertas  pr&eacute;-montanas Andinas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram identificadas na  ESEC Rio Acre apenas tr&ecirc;s comunidades de aves distintas: 1) uma associada &agrave;  floresta aluvial de bambus e/ou palmeiras; 2) outra associada &agrave; floresta aberta  com bambus e/ou palmeiras, em solos com melhor drenagem e relevos mais  acidentados e 3) uma menos representativa, em ambiente n&atilde;o florestal rip&aacute;rio  (Tabela 1). A floresta aluvial &eacute; aquela mais rica em esp&eacute;cies e que tamb&eacute;m  abriga a maior propor&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies de especial interesse para conserva&ccedil;&atilde;o,  seguida pela floresta aberta com bambus e/ou palmeiras e pelo ambiente rip&aacute;rio.  Portanto, o tipo fitofision&ocirc;mico mais rico em esp&eacute;cies  de aves de especial interesse para conserva&ccedil;&atilde;o na ESEC Rio Acre &eacute; justamente  aquele ao lado dos principais cursos d'&aacute;gua, que constituem praticamente a  &uacute;nica via de acesso &agrave; unidade e em cujas margens, no lado peruano, j&aacute; existem  acampamentos madeireiros estabelecidos e ativos. &Eacute;, portanto, imperativo  que seja garantida a integridade deste ambiente na ESEC Rio Acre, teoricamente  o primeiro a sofrer impactos antr&oacute;picos numa eventual investida contra os  recursos florestais da unidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A avifauna registrada na ESEC Rio Acre revelou que a  unidade se encontra ainda em perfeito estado de conserva&ccedil;&atilde;o. Com poucas exce&ccedil;&otilde;es,  praticamente todas as esp&eacute;cies de  aves esperadas ou previamente documentadas para localidades pr&oacute;ximas em pa&iacute;ses  vizinhos foram registradas na ESEC Rio Acre, atestando que todos os s&iacute;tios  amostrados encontram-se em excelente estado de conserva&ccedil;&atilde;o. Igualmente  importante foi o registro de grandes popula&ccedil;&otilde;es de esp&eacute;cies de alto valor  cineg&eacute;tico, como <i>Tinamus tao </i>Temminck, 1815 (azulona) e <i>Pauxi tuberosa </i>(Spix, 1825) (mutum),  intensamente perseguidas por ca&ccedil;adores e com estoques populacionais bastante  reduzidos em outros pontos do Acre e Amaz&ocirc;nia em geral (Silva &amp;  Strahl, 1991;  Sedaghatkish &amp;  Brooks, 1999;  Gonz&aacute;lez, 1999).  Certamente, a a&ccedil;&atilde;o  de ca&ccedil;adores na ESEC Rio Acre tem  sido t&atilde;o espor&aacute;dica que ainda n&atilde;o resultou em altera&ccedil;&otilde;es populacionais  significativas das principais esp&eacute;cies de aves ca&ccedil;adas na regi&atilde;o, mas essa  situa&ccedil;&atilde;o pode mudar rapidamente caso a unidade seja submetida a uma press&atilde;o  antr&oacute;pica maior.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A din&acirc;mica da floresta com bambus e o seu papel na  distribui&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias esp&eacute;cies de aves e outros grupos de animais associados a  esse tipo de vegeta&ccedil;&atilde;o (Conover, 1994; <i>sensu </i>Tobias <i>et al.</i>, 2008) &eacute; uma quest&atilde;o ainda sem respostas claras, mas de  extrema relev&acirc;ncia para a preserva&ccedil;&atilde;o e eventual manejo destas esp&eacute;cies  (Kratter, 1997; Silveira,  2005; Tobias <i>et al., </i>2008). Em territ&oacute;rio brasileiro, a ESEC Rio  Acre &eacute; a unidade de conserva&ccedil;&atilde;o com a mais rica avifauna associada a florestas  com bambus (20 esp&eacute;cies no total), consistindo em um local ideal para estudos  ecol&oacute;gicos de m&eacute;dio e longo prazos sobre essa associa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>AGRADECIMENTOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Agradecemos ao Instituto Chico Mendes de  Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade (ICMBio), IBAMA, SOS Amaz&ocirc;nia  e World Wildlife  Fund (WWF) -  Brasil pela autoriza&ccedil;&atilde;o (Licen&ccedil;a 029/2005  - CG FAN) e apoio log&iacute;stico e financeiro durante as  expedi&ccedil;&otilde;es &agrave; ESEC Rio Acre. AA agradece ao Conselho Nacional de Desenvolvimento  Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) por uma bolsa de produtividade em pesquisa  (aux&iacute;lio n<sup>o</sup>. 310593/2009-3).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">ALEIXO, A. &amp; E. GUILHERME, 2008. Avifauna da Esta&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica do Rio Acre,  fronteira Brasil/Peru. <b>Livro de Resumos do Congresso Brasileiro de  Ornitologia </b>16: 305.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">ALEIXO, A., E. GUILHERME &amp;  K. J. ZIMMER, 2008. First records ofYellow-cheeked Becard <i>Pachyramphus  xanthogenys </i>for Brazil,  with comments on the validity of <i>P x. peruanus. </i><b>Bulletin of the  British Ornithological Club </b>128(4): 263-267.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">ALEIXO, A., B. M. WHITNEY &amp; D. C. OREN, 2000.  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<body><![CDATA[<br>   Fax:  55-91-3249-6373    <br>   E-mail: <a href="mailto:boletim.naturais@museu-goeldi.br">boletim.naturais@museu-goeldi.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Recebido: 11/09/2009    <br>   Aprovado: 06/12/2010    <br>   Responsabilidade editorial: Marinus Hoogmoed</font></p>      ]]></body><back>
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