<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0101-5907</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Paraense de Medicina]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Para. Med.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0101-5907</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0101-59072006000100013</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Brasileiros pioneiros na história da microbiologia médica. 1. Rocha Lima (1879 - 1956)]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Suassuna]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ítalo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro Universidade do Rio de Janeiro Emérito da Faculdade de Ciências Médicas]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>20</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>61</fpage>
<lpage>63</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0101-59072006000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0101-59072006000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0101-59072006000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO ESPECIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Brasileiros pioneiros na hist&oacute;ria da    microbiologia m&eacute;dica. 1. Rocha Lima (1879 &#8211; 1956).</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>&Iacute;talo Suassuna</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Professor de Microbiologia e Imunologia, Em&eacute;rito    da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, Universidade do Rio de Janeiro.    Docente Livre, Professor Adjunto, Universidade Federal do Rio de Janeiro</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O carioca Henrique da Rocha Lima foi quem primeiro    descreveu, de forma precisa, o agente causal do tifo epid&ecirc;mico, ou exantem&aacute;tico,    e, em 1916, o batizou como <i>Rickettsia prowazekii</i>. Homenageava, assim,    a dois investigadores que o precederam e morreram por contamina&ccedil;&atilde;o    acidental. O nome de Rocha Lima, entretanto, &eacute; geralmente omitido por    autores anglo-sax&ocirc;nicos, que preferem atribuir a descoberta a Howard Taylor    Ricketts, um dos malogrados investigadores homenageados por Rocha Lima.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Este, foi sens&iacute;vel a essa discrimina&ccedil;&atilde;o.    Em l950, durante o V Congresso Internacional de Microbiologia, no Rio de Janeiro,    declarou Rocha Lima: &#8220;mesmo na literatura cient&iacute;fica (...) nem    sempre a verdade hist&oacute;rica &eacute; encontrada pura e livre da mascara    convencional falseadora (...). Neste caso est&aacute; sem d&uacute;vida a hist&oacute;ria    da descoberta do agente causal do tifo exantem&aacute;tico...&#8221; S&atilde;o    palavras que haviam sido destinadas a um congresso norte-americano, de 1939,    e ao qual, como presidente da se&ccedil;&atilde;o de riquetsioses , Rocha Lima    n&atilde;o pudera comparecer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A palavra &#8220;typhus&#8221; derivada do grego    (fuma&ccedil;a,   estupor) historicamente j&aacute; fora empregada por   Hip&oacute;crates, e aplicava-se aos estados de febre aguda,   elevada e cont&iacute;nua, acompanhados de manifesta&ccedil;&otilde;es   cut&acirc;neas m&aacute;culo-papulosas. J&aacute; no final do s&eacute;culo    XIX,   distinguiu-se, nesses quadros, aqueles associados a uma   patologia intestinal, designados pelo alem&atilde;o Schoenlein   (1839) como &#8220;typhus abdominalis&#8221;, em constraste com   o tifo epid&ecirc;mico que aparecia em aglomera&ccedil;&otilde;es de   mis&eacute;ria humana, como nas pris&otilde;es e nas guerras, e que   foi chamado &#8220;typhus exanthematicus&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No tifo abdominal caracterizou-se uma bact&eacute;ria,    o bacilo de Eberth (<i>Ebrthella typhosa</i>, hoje, a <i>Salmonella typhi</i>),    e na literatura anglo-sax&ocirc;nica, o quadro cl&iacute;nico correspondente    passou a designar-se febre tif&oacute;ide. Foi no tifo exantem&aacute;tico,    a &#8220;Fleckfieber&#8221; dos alem&atilde;es, que o agente etiol&oacute;gico    foi revelado por Rocha Lima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O termo tifo &eacute; ainda mal definido. No    Brasil,   quase sempre, &eacute; referido &agrave; febre tif&oacute;ide, o que tem   levado autores de livros m&eacute;dicos nacionais a grafarem   &#8220;typhus&#8221; quando se referem &agrave;s riquetsioses. Seria bem   colocada, entretanto, a tend&ecirc;ncia a chamar-se tifo, as   riquetsioses, como a febre maculosa em nosso   ambiente, reservando-se febre tif&oacute;ide, como j&aacute; definido,   para a salmonelose.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Antes de Rocha Lima, a causa do tifo cl&aacute;ssico    epid&ecirc;mico, ou exantem&aacute;tico foi objeto de muitas pesquisas, apontando-se    agentes bacterianos que n&atilde;o se confirmaram. Howard T. Ricketts em 1909-1910,    abordou duas manifesta&ccedil;&otilde;es de tifo no hemisf&eacute;rio norte.    O primeiro era conhecido como &#8220;spotted fever&#8221;, a febre maculosa    das Montanhas Rochosas, e, o outro, chamado &#8220;tabardillo&#8221; coincidia    com uma forma end&ecirc;mica, e de menor gravidade, tamb&eacute;m chamada &#8220;pinta&#8221;,    no M&eacute;xico. Ricketts transmitiu a febre maculosa ao cobaio e apontou o    papel do carrapato na sua transmiss&atilde;o. Referiu a observa&ccedil;&atilde;o    de corp&uacute;sculos que &#8220;aparentemente tem rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica&#8221;    com a &#8220;spotted fever&#8221;. Corp&uacute;sculos esses de colora&ccedil;&atilde;o    bipolar no sangue do homem, macacos e cobaios, e, nos carrapatos, em gl&acirc;ndulas    salivares, tubo digestivo, ovidutos e ovos. Limitou-se a estes dados morfol&oacute;gicos.    Dez anos decorreram para que essa descri&ccedil;&atilde;o fosse confirmada como    riqu&eacute;tsias. Em 1920, os tamb&eacute;m norte-americanos S. B. Wolbach    &amp; J.L. Todd, ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o de Rocha Lima, em 1916,    descreveram o agente da febre maculosa das Montanhas Rochosas, como <i>Dermacentroxenus    rickettsii</i>, nome que n&atilde;o prevaleceu, e &eacute;, hoje, referido como    <i>Rickettsia rickettsii</i>. Ricketts veio a se contaminar e morrer ao estudar    a transmiss&atilde;o do &#8220;tabardillo&#8221; pelo piolho, no M&eacute;xico,    em l910. Vale acrescentar que o papel de carrapatos na transmiss&atilde;o transovariana    de doen&ccedil;as j&aacute; fora demonstrada, em 1893, de forma insuper&aacute;vel,    por Theobald Smith, ao estudar a febre do Texas, que acometia o gado vacum,    descobrindo seu agente, a <i>Babesia bigemina</i>, e sua epidemiologia. Para    Paul de Kruif este, raramente lembrado, foi o maior ca&ccedil;ador americano    de micr&oacute;bios. Um passo extraordin&aacute;rio no estudo do tifo cl&aacute;ssico    foi dado por Charles Nicolle, cientista franc&ecirc;s que, por isso foi galardoado    com o pr&ecirc;mio Nobel de 1928. Trabalhando no Instituto Pasteur de Tunis,    Nicolle (1909) observou que a transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a s&oacute;    se fazia extramuros. Uma vez os pacientes, sujos, despojados das vestes e lavados    n&atilde;o mais transmitiam a doen&ccedil;a. Suspeitando dos piolhos, abundantes    at&eacute; a interna&ccedil;&atilde;o, com eles obteve a transmiss&atilde;o    da doen&ccedil;a a macacos, e observou que os piolhos, e suas fezes, mostravam-se    infectantes sete dias ap&oacute;s um repasto nos doentes e que ocorria a infec&ccedil;&atilde;o    com o ato de co&ccedil;ar, ap&oacute;s a picada. Descobriu tamb&eacute;m a sensibilidade    do cobaio &agrave; infec&ccedil;&atilde;o, nesse caso traduzida apenas pela    curva febril. Nicolle n&atilde;o logrou observar o agente, pelo que concluiu    ser um v&iacute;rus filtr&aacute;vel, mesmo ap&oacute;s a descoberta de Rocha    Lima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Filho de m&eacute;dico, Rocha Lima nasceu a 24    de novembro de 1879, no Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade de Medicina.    Ainda estudava quando a peste bub&ocirc;nica entrou no Brasil, pelo porto de    Santos (1899). No ano seguinte chega ao Rio de Janeiro. O alarme congregou nomes    que fizeram hist&oacute;ria no desenvolvimento da medicina experimental no pa&iacute;s,    como Adolfo Lutz, Oswaldo Cruz e Vital Brasil. Mais do que isso, os governos    investiram em infra-estrutura com a cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es    para a produ&ccedil;&atilde;o de soros e vacina em duas fazendas: Butant&atilde;    em S&atilde;o Paulo e Manguinhos no Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No Instituto Soroter&aacute;pico de Manguinhos,    criado em 1900, Oswaldo Cruz, respons&aacute;vel pela dire&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica, assumiu a dire&ccedil;&atilde;o geral, dois anos ap&oacute;s,    substituindo o Bar&atilde;o de Pedro Afonso, de quem divergia quanto ao destino    do instituto. Oswaldo Cruz j&aacute; acreditava num futuro de investiga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica, superando a limita&ccedil;&atilde;o da rotina. Objeto de    confessada admira&ccedil;&atilde;o de Rocha Lima, causou enorme como&ccedil;&atilde;o,    referida por Rui Barbosa, a morte do Prof. Francisco de Castro, de pneumonia    pestosa, mas, j&aacute; ent&atilde;o, o disc&iacute;pulo alinhara-se entre os    que procuravam Manguinhos. De Oswaldo Cruz, comenta Rui Barbosa: &#8220;Os colaboradores    de que necessitava, do seio lhe v&atilde;o saindo (...) Respiram a sua ci&ecirc;ncia,    a sua devo&ccedil;&atilde;o, o seu entusiasmo. Abrasavam-se no cont&aacute;gio    de sua energia, do seu desinteresse, de sua tenacidade&#8221;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tendo provado dessa receita, ap&oacute;s formado,    Rocha Lima foi estudar na Alemanha para aperfei&ccedil;oarse em microbiologia    e patologia. Em 1903 voltou a Manguinhos, onde foi um dos dois seus primeiros    chefes de servi&ccedil;o e, mais tarde, substituto eventual de Oswaldo cruz    na dire&ccedil;&atilde;o. Esteve em Manguinhos at&eacute; 1909, &eacute;poca    de grande crescimento da institui&ccedil;&atilde;o, a qual, j&aacute; em 1908,    passou a chamar-se Instituto Oswaldo Cruz. Nesse tempo, muitos cientistas estrangeiros    ali estiveram a convite, merecendo destacar, entre esses, Gustav Giemsa e Stanislas    von Prowazek.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1906 Rocha Lima tinha voltado &agrave; Alemanha    comissionado por Oswaldo Cruz para observar melhorias no Instituto de Higiene    de Berlim. Sua presen&ccedil;a e seus contactos foram decisivos para o &ecirc;xito    da mostra do Instituto Oswaldo Cruz no XIV Congresso Internacional de Higiene    e Demografia. Assim o declarou O. Cruz em sua correspond&ecirc;ncia. Naquele    congresso, a medalha de ouro concedida &agrave; mostra brasileira, consagrou    nacional e internacionalmente a sua ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A descri&ccedil;&atilde;o da necrose m&eacute;dio-lobular    hep&aacute;tica, espec&iacute;fica para o diagnostico post mortem na febre amarela    (Sinal de Rocha Lima), que teve repercuss&atilde;o mundial e outros estudos,    como os do isolamento do <i>Clostridium chauvoei</i>, na peste da manqueira,    junto &agrave;s liga&ccedil;&otilde;es de Rocha Lima com a Alemanha, levaram-no    a ser assediado por convites para trabalhar naquele pa&iacute;s,</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Convidado por Herman Duerk (que   curiosamente, mais tarde o substituiu em Manguinhos)   foi, como assistente para o Instituto de Anatomia   Patol&oacute;gica, em Iena (1909). Oito meses depois, por   influ&ecirc;ncia de von Prowasek, e ao tempo em que se   exonerava de Manguinhos, ingressou no   &#8220;Tropeninstitut&#8221; de Hamburgo, onde permaneceu at&eacute;   o seu retorno definitivo ao Brasil, em 1920.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O tifo exantem&aacute;tico grassou nos B&aacute;lk&atilde;s    durante as guerras de 1912-1913, ali desencadeadas. Temendo a difus&atilde;o,    os investigadores do instituto de Hamburgo foram enviados para seu estudo na    Turquia. Em 1903 Prowazek chega a observar corp&uacute;sculos semelhantes aos    de Ricketts em leuc&oacute;citos de doentes, mas n&atilde;o se sentiu autorizados    a apont&aacute;-los como o agente da infec&ccedil;&atilde;o, pela dif&iacute;cil    distin&ccedil;&atilde;o de detritos nas prepara&ccedil;&otilde;es. Uma vez iniciada    a I Guerra Mundial, os dois investigadores foram, agora, requisitados a estudar    a doen&ccedil;a num campo de prisioneiros russos em Kottbus, em territ&oacute;rio    alem&atilde;o, onde houve 7.000 casos entre 10.000 prisioneiros. Rocha Lima    ali chegou primeiro e registrou que, ao examinar piolhos, fora dos corpos submetidos    &agrave; necropsia, a abundancia de corp&uacute;sculos ,diminutos, achados nesses    insetos, chamou-lhe a aten&ccedil;&atilde;o. Com a chegada de Prowazeki, enquanto    este fazia prepara&ccedil;&otilde;es a fresco dos corp&uacute;sculos dos piolhos,    infectou-se, adoeceu tr&ecirc;s semanas depois, vindo a morrer em fevereiro    de 1915.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Rocha Lima adoeceu tamb&eacute;m, mas conseguiu   recuperar-se. Prosseguiu ent&atilde;o os estudos entre Hamburgo (onde cultivava    piolhos isentos de infec&ccedil;&atilde;o)   e o territ&oacute;rio polon&ecirc;s, onde a infec&ccedil;&atilde;o era comum    em   Wlodawek, &agrave;s margens do V&iacute;stula. Orientou-se o   investigador no sentido de n&atilde;o confiar em esfrega&ccedil;os   com mistura e ac&uacute;mulo de &#8220;d&eacute;bris&#8221; celulares, mas   recorrer a cortes de natureza histol&oacute;gica, tanto nos   piolhos infectados, como nos normais, como controle.   Assim pode mapear diferen&ccedil;as na morfologia e na   situa&ccedil;&atilde;o dos corp&uacute;sculos nos insetos. Comprovou ainda   a sua dif&iacute;cil colora&ccedil;&atilde;o com os m&eacute;todos ent&atilde;o    usados   (Giemsa e azul de Loeffler).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Resumindo seus achados (1916) Rocha Lima mostrou:    a) que o agente do tifo n&atilde;o era filtr&aacute;vel ou de natureza viral;    b) que era de colora&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil e facilmente assemelhado    a detritos dos tecidos; c) que o microrganismo que denominou <i>Rickettsia prowazekii</i>    tinha situa&ccedil;&atilde;o exclusivamente intracelular no epit&eacute;lio    gastrointestinal do inseto; d) que formas semelhantes de riqu&eacute;tsias apareciam    em piolhos normais em posi&ccedil;&atilde;o extracelular e com tamanho e disposi&ccedil;&atilde;o    diversos &#8211; a forma extracelular que chamou <i>R. pediculi</i> foi relacionada    &agrave; <i>R. quintana</i>, descrita no mesmo ano por H. T&ouml;pfer na &#8220;febre    das trincheiras&#8221;, e atualmente, reclassifcada como <i>Rochalimaea quintana</i>;    e) a transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a aos cobaios por dejectos e prepara&ccedil;&otilde;es    de piolhos infectados, e dos cobaios a macacos, com o sangue daqueles, vez que    piolhos sadios n&atilde;o se infectavam com o sangue dos cobaios; f) nos doentes,    &#8220;focos inflamat&oacute;rios microsc&oacute;picos nos vasos capilares e    pr&eacute;-capilares, cujas paredes apresentam les&otilde;es degenerativas e    inflamat&oacute;rias&#8221; &#8211; a revela&ccedil;&atilde;o dos microrganismos    em les&otilde;es de endoteliose foi descoberta complementar de S. B. Wolbach    et al. em 1922; g) a possibilidade de preparo de soro (em cavalo), e vacina    fenolada a partir de piolhos infectados, cujo ensaio coube a outros pesquisadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A contesta&ccedil;&atilde;o da prioridade de    Rocha Lima &eacute; de curso habitual entre autores norte-americanos. &Eacute;    f&aacute;cil observar e seria tedioso alinhar as senten&ccedil;as d&uacute;bias    ou omissas em livros did&aacute;ticos dessa origem. Um depoimento devido a Otto    Bier documenta que em uma reuni&atilde;o em Harvard, em 1939, S. B. Wolbach    assim se expressou: &#8220;Delineamos (...) o trabalho pioneiro realizado sobre    as rickettsioses por um franc&ecirc;s e um americano. As honras m&aacute;ximas    s&atilde;o devidas ao americano porque com brilhantismo e precis&atilde;o, evidenciou    fatos e indicou, pelos m&eacute;todos que utilizou, a maioria das linhas principais    de desenvolvimento adotadas posteriormente no estudo das rickettsioses (...)    O tributo prestado por Rocha Lima (1916) ao criar o g&ecirc;nero <i>Rickettsia</i>    foi uma feliz iniciativa&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aparece em seguida o depoimento de Henry   Pinkerton, disc&iacute;pulo de Wolbach, que atribui ao &uacute;ltimo   demonstrar um agente n&atilde;o viral de natureza intracelular   &#8220; nos tecidos do homem ou da cobaia, bem como nas   c&eacute;lulas do revestimento gastrointestinal do piolho&#8221;.   Triste e ris&iacute;vel ante os fatos j&aacute; expostos, em honra a   Ricketts acrescente-se que este referiu-se aos seus   pr&oacute;prios dados dizendo ter como objetivo &#8220;apresentar   observa&ccedil;&otilde;es e estudos te&oacute;ricos que foram mencionados   unicamente por causa do seu valor sugestivo&#8221;.   Acrescente-se a isso, uma senten&ccedil;a de Rui Barbosa (em   outro contexto): &#8220;Por menos que valha um homem (...)   ainda menos ficar&aacute; valendo, quando tente ou lhe   queiram engrandecer o tamanho com o empr&eacute;stimo de   qualidades estranhas&#8221;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Rocha Lima &eacute; citado em livro recente,    de autor   brasileiro, apenas como &#8220;um pesquisador que fez v&aacute;rias   contribui&ccedil;&otilde;es para o melhor conhecimento das   riqu&eacute;tsias &#8220;. &Eacute; pouco! Isso aplicar-se-ia a muitos e, entre   os nacionais, particularmente a Joaquim Travassos da   Rosa (1898-1967), investigador paraense que, nesse   tema espec&iacute;fico, comprovou a identidade entre os   agentes da febre maculosa brasileira (S&atilde;o Paulo e Minas   Gerais) e a das Montanhas Rochosas, bem como a   ocorr&ecirc;ncia do tifo end&ecirc;mico (murino) no Rio de Janeiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
</article>
