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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>QUEST&Otilde;ES DE LINGUAGEM    M&Eacute;DICA</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Bal&atilde;o de oxig&ecirc;nio e eutan&aacute;sia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Sim&ocirc;nides Bacelar</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">M&eacute;dico, Hospital Universit&aacute;rio    de Bras&iacute;lia, Universidade de Bras&iacute;lia, DF</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A linguagem m&eacute;dica &eacute; um campo da    Medicina em que h&aacute; muito para considerar e conhecer melhor, tendo em    vista, haver grande n&uacute;mero de express&otilde;es question&aacute;veis,    d&uacute;vidas sobre forma&ccedil;&atilde;o vocabular adequada e outros problemas    desse teor. Ressalta-se que essas quest&otilde;es s&atilde;o pertinentes aos    profissionais de todas as &aacute;reas que assistem o doente, e as solu&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o tarefas dessa comunidade que, contudo, deve se valer do aux&iacute;lio    dos profissionais de letras para que se obtenham proposi&ccedil;&otilde;es de    valor. Sem outras pretens&otilde;es que n&atilde;o a de contribuir e de ajudar,    o autor apresenta alguns casos de uso question&aacute;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Bala de oxig&ecirc;nio &#8211; torpedo de    oxig&ecirc;nio &#8211; bal&atilde;o de oxig&ecirc;nio.</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Denomina&ccedil;&otilde;es coloquiais inadequadas    para relatos cient&iacute;ficos formais. O dicion&aacute;rio <i>Aur&eacute;lio</i>    registra <i>bal&atilde;o de oxig&ecirc;nio</i> como express&atilde;o de uso    popular. A express&atilde;o recomend&aacute;vel como termo t&eacute;cnico &eacute;    <i>cilindro de oxig&ecirc;nio</i>, como consta da literatura m&eacute;dica.    Tamb&eacute;m se diz fonte m&oacute;vel de oxig&ecirc;nio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O tamanho &eacute; expresso pela capacidade em    metros c&uacute;bicos e varia entre os fabricantes e distribuidores. Por exemplo:    os maiores s&atilde;o de 10 m<sup>3</sup>, 7 m<sup>3</sup> , 6,20 m<sup>3</sup>    e os menores, de 3,5 m<sup>3</sup>, 1 m<sup>3</sup> , 0,6 m<sup>3</sup> (padr&otilde;es    White Martins). Bala e torpedo s&atilde;o designa&ccedil;&otilde;es de pe&ccedil;as    militares de efeito mort&iacute;fero, sentido contr&aacute;rio dos cilindros    de oxig&ecirc;nio. Pelo mesmo motivo, conv&eacute;m evitar as express&otilde;es    &quot;bala de CO2&quot; e &quot;bala de gasog&ecirc;nio&quot;. Em refer&ecirc;ncia    a recipientes pequenos com cerca de 2 litros de capacidade, pode-se dizer garrafa    de oxig&ecirc;nio, como aparece na literatura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Eutan&aacute;sia &#8211; sacrif&iacute;cio    (animais de pesquisas).</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ambos s&atilde;o termos usados para exprimir    morte programada ou proposital infligida a animais de experimentos. H&aacute;    quem hesite sobre qual seja a denomina&ccedil;&atilde;o certa para exprimir    elimina&ccedil;&atilde;o referente aos animais: eutan&aacute;sia, sacrif&iacute;cio,    execu&ccedil;&atilde;o, exterm&iacute;nio, abate, destrui&ccedil;&atilde;o ou    mesmo matan&ccedil;a. Em muitos textos m&eacute;dicos, nota-se hesita&ccedil;&atilde;o    sobre o termo correto a utilizar e escreve-se eutan&aacute;sia (sacrif&iacute;cio),    eutan&aacute;sia/sacrif&iacute;cio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No Termo de Compromisso do Pesquisador com o    Laborat&oacute;rio de T&eacute;cnica Cir&uacute;rgica da disciplina de T&eacute;cnica    Cir&uacute;rgica e Cirurgia Experimental da FMUSP, consta <i>eutan&aacute;sia    / sacrif&iacute;cio</i>. O Centro de Desenvolvimento de Modelos Experimentais    para Medicina e Biologia da Escola Paulista de Medicina, em suas Normas para    a Utiliza&ccedil;&atilde;o de Animais de Laborat&oacute;rio na Pesquisa e Ensino,    usa apenas o termo <i>eutan&aacute;sia</i> no item 6 dos procedimentos e cuidados    com os animais, instru&ccedil;&atilde;o J: &quot;<i>Eutan&aacute;sia: todo animal    que em qualquer fase do experimento demonstrar sofrimento intenso e perseverante    dever&aacute; ser imediatamente sacrificado. No caso de sofrimento moderado,    dever&aacute; receber os lenitivos necess&aacute;rios. A eutan&aacute;sia dever&aacute;    ser efetuada por meio de subst&acirc;ncia anest&eacute;sica (depressor do sistema    nervoso central) que n&atilde;o provoque dor ou outro sofrimento. N&atilde;o    &eacute; permitido ar ou &eacute;ter na veia ou no cora&ccedil;&atilde;o, choque    el&eacute;trico, veneno ou traumatismo violento.</i>&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No entanto, h&aacute; controv&eacute;rsias. De    acordo com Maria L&uacute;cia Costa Metello, m&eacute;dica-veterin&aacute;ria    e advogada, Presidente da Sociedade de Prote&ccedil;&atilde;o e Bem-Estar Animal    &quot;Abrigo dos Bichos&quot; e do Conselho Fiscal Efetivo da Sociedade Brasileira    de Medicina Veterin&aacute;ria, &quot;<i>a senten&ccedil;a de morte decretada    para este animal n&atilde;o deve ser interpretada como eutan&aacute;sia e, sim,    como sacrif&iacute;cio por uma causa, porque, para obter os resultados desejados    para um processo de ensino ou pesquisa, a sa&uacute;de f&iacute;sica do animal    &eacute; altamente danificada, alterando sua qualidade de vida, tornandose,    pois, um quesito necess&aacute;rio. &#91;...&#93; Devemos salientar que as associa&ccedil;&otilde;es    de prote&ccedil;&atilde;o aos animais n&atilde;o s&atilde;o contra a eutan&aacute;sia,    pois este termo significa, segundo o &quot;Dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio&quot;,    morte serena, sem sofrimento; pr&aacute;tica, sem amparo legal, pela qual se    busca abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente    incur&aacute;vel.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><i>As associa&ccedil;&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o    aos animais s&atilde;o totalmente contr&aacute;rias &agrave; matan&ccedil;a.    &#91;...&#93;.Isso quer dizer, portanto, que a terminologia &quot;eutan&aacute;sia&quot;    s&oacute; &eacute; admiss&iacute;vel quando comprovada sua necessidade e o animal    em quest&atilde;o n&atilde;o mais apresentar condi&ccedil;&otilde;es de continuar    vivo por ser um doente reconhecidamente incur&aacute;vel e n&atilde;o simplesmente    porque &eacute; uma morte indolor e, como agravante, praticada substituindo    a&ccedil;&otilde;es efetivas para a preserva&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de    p&uacute;blica.</i></font><font size="2" face="Verdana">&quot;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Atualmente, entende-se como sacrif&iacute;cio    de animais o processo de morte causado por m&eacute;todos como c&acirc;mara    de g&aacute;s, eletrochoque, disparo de armas e outros que inflijam dor ou agonia    ao morrer, e eutan&aacute;sia &#8211; a morte em que o animal &eacute; submetido    &agrave; seda&ccedil;&atilde;o ou anestesia e posterior indu&ccedil;&atilde;o    &agrave; morte pela inje&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncia, como o cloreto    de pot&aacute;ssio, em dose letal. Pela etimologia, eutan&aacute;sia significa    boa morte; do grego e&uacute;s, bom, nobre, th&aacute;natos, morte, e -ia, processo,    conforme est&aacute; no dicion&aacute;rio Houaiss (2001).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por esse ponto de vista, eutan&aacute;sia se    aplica &agrave; morte sofrida pelos animais nas condi&ccedil;&otilde;es em quest&atilde;o.    Mas, em Medicina e no uso geral, tradicionalmente, eutan&aacute;sia indica ato    (processo) de provocar a morte sem sofrimento de um doente com afec&ccedil;&atilde;o    incur&aacute;vel que lhe causa dores e outros padecimentos. Por essa &oacute;ptica,    eutan&aacute;sia n&atilde;o se aplicaria ao caso de causar a morte propositalmente    de animais sadios. Nesse caso, sacrif&iacute;cio seria nome mais apropriado.    Contudo, essa nomina&ccedil;&atilde;o lembra processo agressivo, ao passo que    eutan&aacute;sia nos acorre como atitude humanista, condi&ccedil;&atilde;o que    poderia contribuir para suavizar os sentimentos contr&aacute;rios a esse processo    de pesquisa. Esse neologismo de acep&ccedil;&atilde;o encontra apoio hist&oacute;rico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Muitas vezes, ao arrepio da gram&aacute;tica,    os sentidos das palavras passam por transforma&ccedil;&otilde;es ao decorrer    do tempo, como em um processo natural, de acordo com a necessidade do povo.    Caso esse novo sentido de eutan&aacute;sia seja amplamente usado na literatura    e no uso geral, passar&aacute; a ser fato da l&iacute;ngua e, desse modo, n&atilde;o    haver&aacute; de ser erro. Alguns n&uacute;cleos oficiais de &eacute;tica em    pesquisa, como na UnB (DF), por exemplo, t&ecirc;m rejeitado o nome sacrif&iacute;cio    e indicam eutan&aacute;sia em suas avalia&ccedil;&otilde;es de projeto de investiga&ccedil;&atilde;o.    Pelo que se l&ecirc;, v&ecirc; e ouve, ainda n&atilde;o h&aacute; uma lei que    estabele&ccedil;a eutan&aacute;sia como nome indicado para expressar a morte    programada de animais sadios em nome da pesquisa. Mas, como dizem, assim como    se criam animais para o abate e a alimenta&ccedil;&atilde;o humana, a cria&ccedil;&atilde;o    de animais para uso em pesquisa cient&iacute;fica parece apresentar aspectos    semelhantes. Particularmente para esse &uacute;ltimo caso, eutan&aacute;sia    parece melhor nome que sacrif&iacute;cio, execu&ccedil;&atilde;o, exterm&iacute;nio,    abate, destrui&ccedil;&atilde;o ou matan&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tendo em vista as dissens&otilde;es sobre uso    de eutan&aacute;sia (n&atilde;o existe morte boa, suave, feliz) ou sacrif&iacute;cio    (procedimento pr&oacute;prio para sacerdotes e destina&ccedil;&otilde;es a divindades)    o termo, cientificamente exato, &eacute; morte. O animal de experimenta&ccedil;&atilde;o    &eacute; morto pelos pesquisadores ou por ordem destes. Em ci&ecirc;ncia, os    termos devem expressar a verdade sem eufemismos, mesmo que suas express&otilde;es    retratem a crueza das a&ccedil;&otilde;es feitas em seu benef&iacute;cio e da    humanidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Ferreira ABH, Ferreira MD, Anjos M. <i>Novo    dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio da l&iacute;ngua portuguesa</i>, 3 ed. Atualizada,    1<sup>a</sup> impress&atilde;o, Curitiba: Ed. Positivo, 2004</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Metello MLC. Eutan&aacute;sia x matan&ccedil;a,    <a href="http://www.apascs.org.br/materia1.php" target="_blank">http://www.apascs.org.br/materia    1.php</a>, acessado em 12.12.2006</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Houaiss, A. <i>Dicion&aacute;rio Houaiss da    Lingua Portuguesa</i>, 1<sup>a</sup> ed., Rio de Janeiro: Objetiva, 2001</font><p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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