<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0101-5907</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Paraense de Medicina]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Para. Med.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0101-5907</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0101-59072007000300015</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Roncos]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kahwage Neto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dr. Salomão]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Professor de Clínica médica do CCBS da Universidade do Estado Pará UEPA  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2007</year>
</pub-date>
<volume>21</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>79</fpage>
<lpage>80</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0101-59072007000300015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0101-59072007000300015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0101-59072007000300015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>OPINI&Atilde;O M&Eacute;DICA</b></font></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Roncos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Dr. Salom&atilde;o Kahwage Neto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Professor de Cl&iacute;nica m&eacute;dica do    CCBS da Universidade do Estado Par&aacute; UEPA</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na &uacute;ltima d&eacute;cada, com os avan&ccedil;os    no estudo do sono, o ronco deixou de ser encarado apenas como um barulho que    incomodava, para se tornar um sinal de alerta que eventualmente pode indicar    uma doen&ccedil;a grave - a apn&eacute;ia do sono. Trata-se de um mal capaz    de acarretar v&aacute;rias desordens cl&iacute;nicas e at&eacute; mesmo se consumar    com a morte. O ronco &eacute; um ru&iacute;do predominantemente inspirat&oacute;rio    causado pela vibra&ccedil;&atilde;o dos tecidos moles da faringe (garganta),    e traduz a exist&ecirc;ncia de obstru&ccedil;&atilde;o da via a&eacute;rea superior,    o que dificulta a passagem do ar durante o sono.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O ronco atinge mais o homem do que a mulher (8:1).    O motivo &eacute; que a conforma&ccedil;&atilde;o da faringe masculina &eacute;    diferente da feminina e predisp&otilde;e a mais obstru&ccedil;&atilde;o no homem.    O ronco pode aparecer em qualquer idade, entretanto &eacute; mais comum depois    dos 25-30 anos. O &aacute;lcool e os sedativos que provocam flacidez na musculatura    da garganta, facilitando o seu fechamento, s&atilde;o outros fatores que contribuem    para o aumento da intensidade do ronco. As pessoas que padecem com roncos devem    evitar, tanto quanto poss&iacute;vel, a ingest&atilde;o de &aacute;lcool e de    sedativos &agrave; noite, bem como evitar dormir de barriga para cima e procurar    adormecer de lado. A obesidade, aumento das am&iacute;gdalas, desvio do septo    nasal e pesco&ccedil;o curto, tamb&eacute;m s&atilde;o fatores que podem produzir    obstru&ccedil;&atilde;o da faringe e aumento da intensidade do ronco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m do barulho que essa obstru&ccedil;&atilde;o    da faringe provoca, &eacute; importante diferenciar o ronco suave e cont&iacute;nuo    do ronco pesado e c&iacute;clico. O primeiro corresponde a um ru&iacute;do de    igual amplitude para cada ciclo e, em geral n&atilde;o representa risco. Por    outro lado, uma s&eacute;rie c&iacute;clica de roncos intensos, seguidos por    um sil&ecirc;ncio respirat&oacute;rio (apn&eacute;ia, ou seja, cessa&ccedil;&atilde;o    da respira&ccedil;&atilde;o por mais de 10 segundos at&eacute; um minuto), terminando    com uma expira&ccedil;&atilde;o explosiva, por vezes com despertar breve face    ao movimento do corpo, &eacute; sugestiva da s&iacute;ndrome da apn&eacute;ia    obstrutiva do sono.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Isso compromete o cora&ccedil;&atilde;o e a oxigena&ccedil;&atilde;o    do sangue com surgimento de arritmias card&iacute;acas e hipertens&atilde;o    arterial (press&atilde;o alta). O c&ocirc;njuge ou algum familiar observa a    apn&eacute;ia com facilidade, e relatos dessa ordem obt&ecirc;m-se em 80% dos    casos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A pessoa que ronca est&aacute; sujeita, tamb&eacute;m,    a outras manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas. Por causa da dificuldade    respirat&oacute;ria, ela tem o sono interrompido (fragmentado) durante a noite    e, obviamente, as conseq&uuml;&ecirc;ncias aparecem no dia seguinte. Ela experimenta    mais sonol&ecirc;ncia e &eacute; capaz de adormecer em qualquer lugar. Pode    adormecer no &ocirc;nibus em que viaja, ou at&eacute; mesmo quando estiver dirigindo    um ve&iacute;culo. Por &uacute;ltimo, se a pessoa quiser ler, n&atilde;o consegue,    porque o sono logo aparece. At&eacute; mesmo o seu desempenho profissional fica    comprometido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os roncadores que apresentam despertares noturnos,    sensa&ccedil;&atilde;o de afogamento, sonol&ecirc;ncia diurna ou um sono inquieto,    necessitam de uma avalia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica especializada e exame    polissonogr&aacute;fico, que compreende um registro cont&iacute;nuo e simult&acirc;neo    de vari&aacute;veis fisiol&oacute;gicas durante o sono.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">In&uacute;meras f&oacute;rmulas populares contra    o ronco t&ecirc;m surgido ao longo dos s&eacute;culos. Na atualidade, devido    ao melhor entendimento do mecanismo do ronco, o tratamento baseia-se na corre&ccedil;&atilde;o    dos fatores que estreitam a via a&eacute;rea ou que causam relaxamento muscular    excessivo. A redu&ccedil;&atilde;o de uns poucos quilos de peso corporal pode    ser suficiente para abolir o ronco. Medidas mec&acirc;nicas simples podem ser    efetivas. Elevar a cabeceira do leito ou for&ccedil;ar o dec&uacute;bito lateral,    costurando uma bola de t&ecirc;nis nas costas do pijama, s&atilde;o as t&eacute;cnicas    mais mencionadas e eficazes, apesar de n&atilde;o existirem estudos sobre sua    efici&ecirc;ncia. Abstin&ecirc;ncia de bebida alco&oacute;lica, por seis horas    antes de dormir, pode resolver o problema do ronco se o paciente estiver disposto    a mudar seu estilo de vida. Se o paciente fizer uso de tranq&uuml;ilizantes,    podem-se substitu&iacute;-los por antidepressivos sedativos que n&atilde;o deprimem    a musculatura respirat&oacute;ria. Para portadores da s&iacute;ndrome da apn&eacute;ia    obstrutiva do sono utilizam-se aparelhos denominados CPAP (do ingl&ecirc;s,    Continuous Positive Airway Pressure), mant&ecirc;m aberta a musculatura da faringe,    evitando o colapso durante o sono e com isso restabelecendo a normalidade da    respira&ccedil;&atilde;o. Entretanto, a cirurgia se torna necess&aacute;ria    para alguns pacientes com sintomas persistentes. A interven&ccedil;&atilde;o    &eacute; feita por otorrinolaringologistas e se denomina uvulopalatofaringoplastia,    que consiste na retirada do excesso de &uacute;vula ou de palato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O dormir &eacute; h&aacute; muito reconhecido    como uma por&ccedil;&atilde;o importante da vida humana, tomando em m&eacute;dia    um ter&ccedil;o dela. Os roncos representam uma causa de sono n&atilde;o reparador,    determinando uma s&eacute;rie de dist&uacute;rbios que podem ocasionar uma redu&ccedil;&atilde;o    no desempenho das atividades di&aacute;rias de um indiv&iacute;duo. Al&eacute;m    disso, podem predispor a um maior risco de hipertens&atilde;o e problemas cardiorrespirat&oacute;rios    em portadores da s&iacute;ndrome da apn&eacute;ia obstrutiva do sono.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Afortunadamente, com os tratamentos atualmente    dispon&iacute;veis, j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel reduzir ou reverter a    maioria dos sintomas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">(Revis&atilde;o de texto - Ricardo Siqueira)</font></p>      ]]></body>
</article>
