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<institution><![CDATA[,Universidade de Brasília (UnB) Hospital Universitário de Brasília Médico-assistente, professor voluntário]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>QUEST&Otilde;ES DE LINGUAGEM    M&Eacute;DICA</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana">Atribui&ccedil;&otilde;es de caracter&iacute;sticas    humanas a coisas e a&ccedil;&otilde;es</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Sim&ocirc;nides Bacelar</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">M&eacute;dico-assistente, professor volunt&aacute;rio,    Hospital Universit&aacute;rio de Bras&iacute;lia, Universidade de Bras&iacute;lia    (UnB)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o se pode considerar desaconselh&aacute;vel      a   atitude de usar nomes question&aacute;veis, contanto que   tenham comunicabilidade, que &eacute; o prop&oacute;sito   fundamental da linguagem. As doen&ccedil;as t&ecirc;m seus   nomes que, mesmo desconformes com a gram&aacute;tica,   s&atilde;o os conhecidos entre os m&eacute;dicos. Na pr&aacute;tica   cl&iacute;nica, deparam-se nomes de batismo como U&oacute;xito   por Washington, Maicon por Michael; s&atilde;o corretos   como denominadores de pessoas, por que s&atilde;o esses   os seus nomes e por eles &eacute; que respondem. Do   mesmo modo, na pr&aacute;tica m&eacute;dica, h&aacute; nomes   err&ocirc;neos consagrados e seria inconveniente exprimi-los   de outras maneiras; ginecologia n&atilde;o mais poderia   ser ginepatologia, nem ortopedia,   osteomioartrologia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Contudo, se um termo m&eacute;dico apresenta   outros equivalentes de bom uso e forma&ccedil;&atilde;o, vale   verificar qual deles &eacute; o mais adequado,   gramaticalmente, para escolh&ecirc;-lo e us&aacute;-lo em lugar   dos imperfeitos. Assim como n&atilde;o se usa uma t&eacute;cnica   cir&uacute;rgica por ser mais bonita, &eacute; de bom senso, em   informes cient&iacute;ficos, escolher uma palavra, n&atilde;o por   meio de subjetividade, mas por sua expressividade   e precis&atilde;o. Em seq&uuml;&ecirc;ncia, est&atilde;o alguns usos   question&aacute;veis e sugest&otilde;es de substitui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Atribui&ccedil;&otilde;es de caracter&iacute;sticas    humanas a coisas e a&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Constitui <i>coloquialismo</i> repreens&iacute;vel usar    express&otilde;es e termos pr&oacute;prios de a&ccedil;&otilde;es humanas em    rela&ccedil;&atilde;o a coisas, como escreveu o Prof. Nelson Spector em seu    livro Manual para Reda&ccedil;&atilde;o de Teses, Disserta&ccedil;&otilde;es    e Projetos de Pesquisa (Rio de Janeiro, 1997, p. 63). Em relatos cient&iacute;ficos    formais, podem ser evitados exemplos como:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O artigo <i>fala</i> sobre o assunto"    <br> </font><font size="2" face="Verdana">(No artigo, refere-se sobre o assunto);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O trabalho <i>dizia</i> que",    <br> </font><font size="2" face="Verdana">(Os autores relataram que);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O col&eacute;doco <i>mediu</i> 2 mm de calibre."    <br> </font><font size="2" face="Verdana">(O coledoco tinha 2 mm de calibre);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O estudo <i>conclui</i> que o progn&oacute;stico    &eacute; favor&aacute;vel."    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> </font><font size="2" face="Verdana">(Conclui-se no estudo que);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"Este trabalho <i>analisou</i> 1.200 pacientes"    <br> </font><font size="2" face="Verdana">(Foram analisados 1.200 pacientes no trabalho);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> "A les&atilde;o tem <i>predile&ccedil;&atilde;o</i>  por tal &oacute;rg&atilde;o ou tecido."    <br> </font><font size="2" face="Verdana">(A les&atilde;o &eacute; mais comum em...);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"A pesquisa <i>n&atilde;o</i> <i>conseguiu</i> demonstrar    esse aspecto."    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">(N&atilde;o se conseguiu demonstrar esse  aspecto na pesquisa);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"Esse diagn&oacute;stico <i>prop&otilde;e</i>  tratamento urgente."    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">(Esse diagn&oacute;stico &eacute; indica&ccedil;&atilde;o  de tratamento urgente);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O tratamento <i>pede</i> antibi&oacute;ticos."    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> </font><font size="2" face="Verdana">(O tratamento inclui antibi&oacute;ticos);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O ultra-som supeitou de..."    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">(A ultra-sonografia nos levou a suspeitar    de...);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> "O microsc&oacute;pio diz",    <br>   (A microscopia revelou);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O artigo <i>descreve</i> v&aacute;rios casos    raros."    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">(Foram descritos v&aacute;rios casos raros  no artigo);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"O simp&oacute;sio discutir&aacute;..."    <br>   </font><font size="2" face="Verdana">(No simp&oacute;sio se discutir&aacute;).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em uma publica&ccedil;&atilde;o formal, escreveu-se    em forma coloquial: "A tampa da caneta n&atilde;o conseguia ser removida,    pois a mesma trancava e n&atilde;o passava na regi&atilde;o subgl&oacute;tica".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A express&atilde;o "a tampa n&atilde;o    conseguia" confere anima&ccedil;&atilde;o ao corpo estranho. Seria mais    feliz: A tampa da caneta n&atilde;o foi removida por que n&atilde;o passava    pela regi&atilde;o subgl&oacute;tica. Na frase "O ba&ccedil;o mediu 8,2    cm em seu maior eixo", embora medir tamb&eacute;m signifique <i>ter a extens&atilde;o</i>,    essencialmente indica determinar por meio de instrumento de medida, avaliar,    calcular. Melhor: O ba&ccedil;o tinha 8,2 cm em seu maior eixo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em interpreta&ccedil;&atilde;o rigorosa no estilo    cient&iacute;fico, que se caracteriza por sua seriedade e rigorosidade, fatores    que lhe conferem credibilidade, s&atilde;o as pessoas, geralmente, m&eacute;dicos(as),    autores, doentes que respondem, falam, dizem, oferecem, concluem, querem, n&atilde;o    seres inanimados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Figuras de linguagem como met&aacute;foras, hip&eacute;rboles,    meton&iacute;mias e outras est&atilde;o bem como recursos did&aacute;ticos mesmo    em relatos cient&iacute;ficos formais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contudo, seu uso generalizado em lugar dos termos    adequados pode indicar uso desprimoroso em reda&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Exames normais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dizer "os exames foram normais" significa,    a rigor, que foram bem feitos, sem falhas, sem atrasos, dentro da normalidade    de realiza&ccedil;&atilde;o deles. Torna-se question&aacute;vel a propriedade    da express&atilde;o se, pelo contr&aacute;rio, dissermos que o <i>exame foi   anormal</i>.    O que se indica &eacute; que o resultado dos exames revela normalidade do material    examinado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pelo mesmo motivo, em lugar de "o exame    de sangue foi normal", diz-se "sangue (urina, fezes, l&iacute;quor)    normal ao exame". Em lugar de "o exame cl&iacute;nico do paciente    foi normal", pode-se dizer "paciente normal ao exame cl&iacute;nico".    Entende-se bem no meio m&eacute;dico o que seja "exame normal",    mas, tem valor a linguagem mais cuidada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O mesmo crit&eacute;rio &eacute; aplic&aacute;vel    aos exames instrumentais: em vez de endoscopia normal (laringoscopia, anuscopia,    colonoscopia, rinoscopia), &eacute; mais adequado referir-se &agrave; normalidade    do/s &oacute;rg&atilde;o/s examinados. Exs.: laringoscopia: laringe normal (em    lugar de laringoscopia normal). Em vez de "exame ecogr&aacute;fico normal"    ou "exame cintilogr&aacute;fico normal", mais indicativo dizer aspecto    ecogr&aacute;fico ou cintilogr&aacute;fico normal. Exame anormal pode produzir    resultados anormais. Enquadram-se neste particular express&otilde;es do tipo    "ausculta normal", "palpa&ccedil;&atilde;o normal",    "percuss&atilde;o normal".</font> </p>      ]]></body>
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