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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="topo"></a>Impacto    das a&ccedil;&otilde;es implantadas no Programa de Controle da Tuberculose do    Hospital Universit&aacute;rio - UFAL sobre as taxas de abandono de tratamento<a href="#nota">*</a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Arthur Maia    Paiva<sup>I<a href="#nota">**</a></sup>; Dimas Carna&uacute;ba Jr.<sup>II<a href="#nota">***</a></sup>;    Josefa Jatob&aacute; de Santana<sup>III</sup>; M&aacute;rcia Guimar&atilde;es<sup>IV</sup>;    Maria Helena de Ara&uacute;jo<sup>V</sup>; Tereza Paula dos Santos<sup>VI</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Especialista    em Medicina Tropical do Hospital Dia - Infectologia    <br>   <sup>II</sup>Infectologista e Cooordenador do Hospital Dia - Infectologia    <br>   <sup>III</sup>Visitadora da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de    - Al    <br>   <sup>IV</sup>Psic&oacute;loga do Hospital Dia - Infectologia    <br>   <sup>V</sup>Assistente Social do Hospital Dia - Infectologia    ]]></body>
<body><![CDATA[<br><sup>VI</sup>Enfermeira do Hospital Dia - Infectologia </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size ="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tuberculose &eacute;    hoje um dos grandes problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica; por mais avan&ccedil;os    ocorridos no controle desta endemia, ela continua desafiando os sistemas de    sa&uacute;de, atrav&eacute;s dos grandes &iacute;ndices de morbidade e mortalidade    devido &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de,    bem como por causa da mis&eacute;ria e pobreza crescentes que atingem &agrave;    popula&ccedil;&atilde;o brasileira, al&eacute;m da associa&ccedil;&atilde;o    cada vez mais freq&uuml;ente com a S&iacute;ndrome de Imunodefici&ecirc;ncia    Adquirida (AIDS). Neste contexto, o aparecimento de cepas multiresistentes &agrave;s    drogas tem um efeito dram&aacute;tico. O abandono de tratamento tem rela&ccedil;&atilde;o    direta com a dissemina&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e o aparecimento de    cepas multiresistentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Hospital Universit&aacute;rio    &eacute; refer&ecirc;ncia para os casos de tuberculose no estado de Alagoas.    Cerca de 700 casos ali atendidos at&eacute; 1995 apresentaram tuberculose em    sua forma pulmonar. Destes, cerca de 3/4 casos (73,77%) s&atilde;o constitu&iacute;dos    de bacil&iacute;feros (<a href="#tab1">ver tabela I</a>), os principais respons&aacute;veis    pela dissemina&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a na comunidade.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/bps/v7n1/1a05t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, &eacute;    justamente o grupo de pacientes bacil&iacute;feros o respons&aacute;vel por    cerca de metade (47,83%) do total de abandonos de tratamento observados neste    servi&ccedil;o, no ano de 1995 (<a href="#tab1">ver tabela I</a>). Segundo levantamento    realizado no per&iacute;odo de 1990 a 1995 (Cama&uacute;ba Jr., D. e col. Dados    n&atilde;o publicados), a taxa de abandono de tratamento de tuberculose no Hospital    Universit&aacute;rio foi neste per&iacute;odo de 30,6%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso, v&aacute;rios    destes pacientes dever&atilde;o se tornar cr&ocirc;nicos, aumentando o n&uacute;mero    de novos casos de tuberculose na comunidade, al&eacute;m inclusive do que seria    esperado se tais pacientes n&atilde;o tivessem recebido qualquer forma de tratamento,    o que, do ponto de vista epidemiol&oacute;gico, anula parte do &ecirc;xito obtido    com a cura dos demais pacientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, 27,3% dos bacil&iacute;feros    deste hospital que abandonaram o tratamento em 1995 eram tamb&eacute;m portadores    do v&iacute;rus da imunodefici&ecirc;ncia adquirida humana (HIV).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <a href="#tab2">tabela    II</a> analisa os dados referentes ao ano de 1996 e mostra que os pacientes    bacil&iacute;feros passaram a responder por 83,75% dos casos de tuberculose    pulmonar diagnosticados no Hospital Universit&aacute;rio (<a href="#tab2">ver    tabela II</a>). Al&eacute;m disso, enquanto em 1995 o grupo de pacientes bacil&iacute;feros    respondia por cerca de metade (47,83%) do total de abandonos de tratamento observados    neste servi&ccedil;o (<a href="#tab1">ver tabela I</a>), em 1996 este grupo    respondeu por cerca de 70% do total de abandonos (<a href="#tab2">ver tabela    II</a>). A taxa de abandono de tratamento por tuberculose em 1996 foi de 33%.</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bps/v7n1/1a05t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir destes dados, foi    elaborado um Plano de A&ccedil;&atilde;o para controle do abandono de tratamento    de tuberculose no Hospital Universit&aacute;rio, que consistia em:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Organiza&ccedil;&atilde;o    da Unidade de Sa&uacute;de para corre&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis fatores    de abandono relacionados ao Servi&ccedil;o;    <br>   2. Implanta&ccedil;&atilde;o de visita domiciliar aos pacientes faltosos ap&oacute;s    o 10<sup>o</sup> dia da data aprazada para comparecimento ao hospital;    <br>   3. Implanta&ccedil;&atilde;o de atendimento diferenciado, por equipe multidisciplinar,    aos pacientes com maior risco de abandono de tratamento;    <br>   4. A an&aacute;lise dos resultados iniciais obtidos com a implanta&ccedil;&atilde;o    deste Plano de A&ccedil;&atilde;o ser&aacute; apresentada em seguida ao coment&aacute;rio    sobre o perfil do paciente de tuberculose atendido em nosso hospital.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Material    e m&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para avaliar o impacto    das a&ccedil;&otilde;es implantadas no Programa de Controle da Tuberculose do    Hospital Universit&aacute;rio - UFAL, foram utilizados os dados do livro de    &quot;Registro e Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose&quot; de pacientes    inscritos no programa no per&iacute;odo de janeiro de 1995 a mar&ccedil;o de    1999.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para an&aacute;lise    estat&iacute;stica, utilizou-se o m&eacute;todo de Fisher, avaliando-se a percentagem    de abandono em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero de pacientes inscritos    por ano, considerando-se estatisticamente significativos os resultados com F    &lt; 0,05 (intervalo de confian&ccedil;a de 95%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Perfil    do nosso paciente de tuberculose</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foram avaliados os dados    de entrevista para triagem quanto ao risco de abandono de tratamento de 44 pacientes    acompanhados no per&iacute;odo de novembro de 1998 a mar&ccedil;o de 1999.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <a href="#fig1">figura    1</a> apresenta os resultados desta avalia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bps/v7n1/1a05f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como podemos observar, a    maioria dos pacientes se inclui nas faixas et&aacute;rias de maior atividade    produtiva. No entanto, os desempregados constituem o grupo mais numeroso (12/44)    quando os pacientes s&atilde;o classificados de acordo com a renda pessoal (28%    do total); destes, 66% (8/12), al&eacute;m de estarem desempregados, eram tamb&eacute;m    os mantenedores da fam&iacute;lia. Tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o    o fato de cerca de 20% dos pacientes serem analfabetos, n&atilde;o se incluindo    entre estes os que conseguiam assinar o pr&oacute;prio nome, considerados como    alfabetizados (11% dos casos). Do total de pacientes, 73% eram previamente desinformados    sobre a doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forma cl&iacute;nica    mais comum de apresenta&ccedil;&atilde;o foi a pulmonar bacil&iacute;fera (56%    dos casos). A coinfec&ccedil;&atilde;o tuberculose - AIDS esteve presente em    18% de todos os pacientes com tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em resumo, nosso paciente    tem o perfil geral de um adulto proveniente do ambulat&oacute;rio do Hospital    Universit&aacute;rio, com tuberculose pulmonar bacil&iacute;fero, apresentando    fator(es) de risco aumentado para abandono do tratamento, sem o 1<sup>o</sup> grau completo    ou analfabeto, sem conhecimento pr&eacute;vio sobre a doen&ccedil;a, casado,    mantenedor da fam&iacute;lia, desempregado ou recebendo at&eacute; um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo    mensal, que bebe ou fuma, morando na capital em uma casa com tr&ecirc;s c&ocirc;modos    ou menos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Revisando trabalhos    na literatura sobre a ader&ecirc;ncia ao tratamento de tuberculose (desenhos    de estudo longitudinal<sup>3</sup>, Coorte retrospectivo<sup>7</sup>, Coorte    prospectivo<sup>4,10</sup>, transversal<sup>5,6</sup> e caso controle<sup>8,9</sup>),    podemos destacar, entre os fatores associados &agrave; n&atilde;o ader&ecirc;ncia    ao tratamento: 1) baciloscopia positiva no diagn&oacute;stico; 2) analfabetismo;    3) desemprego; 4) desinforma&ccedil;&atilde;o sobre a doen&ccedil;a; 5) alcoolismo;    6) abandono no passado ou retratamento; 7) paciente HIV positivo, este &uacute;ltimo,    chegando a apresentar em nosso meio, em hospital universit&aacute;rio, taxa    de n&atilde;o ader&ecirc;ncia ao tratamento ao final de 3 meses de 83%<sup>8</sup>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na <a href="#fig1">figura    1</a> (centro), constatamos que 95% dos nossos pacientes apresentam pelo menos    um dos fatores associados &agrave; n&atilde;o ader&ecirc;ncia acima mencionados,    a maioria destes (57%) apresentando 2 ou 3 fatores de risco, com 14% do total    apresentando 4 a 6 fatores de risco ao mesmo tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atrav&eacute;s    da triagem para maior risco de abandono de tratamento realizada pelo Servi&ccedil;o    Social do Hospital Dia, analisando as informa&ccedil;&otilde;es obtidas na entrevista    inicial com o pacientes em associa&ccedil;&atilde;o &agrave; abordagem &agrave;    hist&oacute;ria de vida do mesmo, 75% deles (33/44) foram classificados no grupo    de maior risco de n&atilde;o ader&ecirc;ncia ao tratamento (<a href="#fig1">figura    1</a>), passando a serem acompanhados pela equipe multiprofissional (M&eacute;dico,    Assistente Social, Enfermeira e Psic&oacute;loga) do Hospital Dia, seguindo    o modelo de assist&ecirc;ncia interdisciplinar j&aacute; adotado no acompanhamento    de pacientes HIV positivos daquele Servi&ccedil;o (ver coment&aacute;rios adiante).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cerca de 1/4 (24,2%) dos    pacientes de alto risco para abandono apresentaram co-infec&ccedil;&atilde;o    por AIDS.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maioria de nossos    pacientes, portanto, apresenta um perfil de maior risco de n&atilde;o ades&atilde;o    ao tratamento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados    e coment&aacute;rios</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No &uacute;ltimo trimestre    de 98, duas novas a&ccedil;&otilde;es foram implantadas em nosso Programa de    Controle da Tuberculose (PCT). Em novembro, foi implantado o atendimento diferenciado    aos pacientes com maior risco para abandono de tratamento. Ap&oacute;s ensaio    pr&eacute;vio durante a &uacute;ltima semana de outubro de 98, em dezembro de    98 a Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de de Alagoas implantou, em    nosso hospital, a visita domiciliar aos pacientes de tuberculose faltosos ap&oacute;s    o 10<sup>o</sup> dia da data aprazada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Procuramos, ent&atilde;o,    avaliar os efeitos destas medidas no controle das taxas de abandono de tratamento    entre nossos pacientes (<a href="#gra1">Gr&aacute;ficos 1</a> e <a href="#gra2">2</a>).</font></p>     <p><a name="gra1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/bps/v7n1/1a05g1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="gra2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/bps/v7n1/1a05g2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao compararmos os dados    de 1995, 1996 e 1997 entre si, utilizando a percentagem de abandono em rela&ccedil;&atilde;o    ao n&uacute;mero de pacientes inscritos por ano, n&atilde;o encontramos diferen&ccedil;as    estatisticamente significativas, o que mostra que n&atilde;o houve grandes mudan&ccedil;as    no controle das taxas de abandono durante aquele per&iacute;odo (taxas de 27%,    33% e 25%, respectivamente).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A an&aacute;lise    dos dados de 1998, apesar de ainda n&atilde;o apresentar diferen&ccedil;as estatisticamente    significativas, sugere uma tend&ecirc;ncia (F = 0,056) a um melhor controle    sobre o abandono de tratamento (<a href="#gra1">Gr&aacute;ficos 1</a> e <a href="#gra2">2</a>).    Ao analisarmos os dados daquele ano por trimestre, por outro lado, observamos    que a taxa de abandono de tratamento dos pacientes inscritos nos tr&ecirc;s    primeiros trimestres (janeiro a setembro) foi de 20%. No entanto, nenhum dos    pacientes do &uacute;ltimo trimestre de 98 abandonou o tratamento, o que fez    com que a taxa global de abandono durante o ano de 1998 ficasse em torno dos    16%. Acresce tamb&eacute;m que pacientes de meses anteriores a outubro que ainda    estavam em tratamento ao final de novembro de 98, tamb&eacute;m chegaram a ser    acompanhados pela equipe multidisciplinar e nenhum destes veio a abandonar o    tratamento posteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, &eacute;    a partir da an&aacute;lise dos dados de 1999 (<a href="#gra1">Gr&aacute;ficos    1</a> e <a href="#gra2">2</a>) que se constata de forma inequ&iacute;voca o    impacto das a&ccedil;&otilde;es implantadas na redu&ccedil;&atilde;o das taxas    de abandono de tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observa-se, neste ano,    a aus&ecirc;ncia de abandono de tratamento, quer entre os pacientes novos inscritos    durante este ano, quer entre os pacientes do ano anterior que ainda se encontravam    em registro ativo no in&iacute;cio de 1999. Durante este per&iacute;odo, tamb&eacute;m    n&atilde;o ocorreu nenhuma alta por transfer&ecirc;ncia ou por &oacute;bito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A an&aacute;lise    estat&iacute;stica comparando os dados deste ano de 1999 com os anos anteriores    (incluindo o ano de 1998 , que apresentou uma taxa de abandono mais baixa) mostra    resultados que s&atilde;o estatisticamente significados, quando empregamos o    teste de Fisher (F = 0,003) (<a href="#gra1">ver Gr&aacute;ficos 1</a> e <a href="#gra2">2</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de observarmos    que j&aacute; havia alguma tend&ecirc;ncia anterior para redu&ccedil;&atilde;o    das taxas de abandono, o que sugere que j&aacute; havia uma preocupa&ccedil;&atilde;o    da equipe no controle do abandono de tratamento, a diminui&ccedil;&atilde;o    concomitante observada no n&uacute;mero de inscritos poderia sugerir estar havendo    algum tipo de sele&ccedil;&atilde;o da clientela. No entanto, isto n&atilde;o    mais acontece ap&oacute;s o &uacute;ltimo trimestre de 98, observando-se em    1999 uma tend&ecirc;ncia a um retorno a um n&uacute;mero de inscritos semelhante    ao de 1995 (<a href="#gra1">Gr&aacute;fico 1</a>) com recupera&ccedil;&atilde;o    daqueles pacientes que porventura haviam sido perdidos do registro ativo anteriormente.    Isto acontece ao mesmo tempo em que se mant&eacute;m a tend&ecirc;ncia &agrave;    aus&ecirc;ncia de abandono durante o ano de 1999 (<a href="#gra1">Gr&aacute;ficos    1</a> e <a href="#gra2">2</a>) - em 1996, o Plano de Demiss&atilde;o Volunt&aacute;ria    (PDV) em Alagoas elevou o n&uacute;mero de inscritos, pelo encaminhamento de    pacientes de outras Unidades de Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos, pois, afirmar    que as a&ccedil;&otilde;es implantadas foram efetivas e que o abandono de tratamento    por tuberculose no Hospital Universit&aacute;rio &#8211; UFAL desapareceu no    per&iacute;odo em estudo, estando esta situa&ccedil;&atilde;o, at&eacute; o    momento, sob controle.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O momento da tuberculose    no Brasil, por si s&oacute;, constitui s&oacute;lida justificativa para que    se busque alternativas na nova luta contra a tuberculose como doen&ccedil;a    reemergente<sup>11</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este trabalho traz de original:    1) o fato de termos um exemplo concreto de um hospital de refer&ecirc;ncia para    tuberculose que apresenta aus&ecirc;ncia de abandono de tratamento, apesar do    perfil para maior risco de abandono de tratamento apresentado por seus pacientes,    incluindo a co-infec&ccedil;&atilde;o tuberculose &#8211; AIDS; 2) a implanta&ccedil;&atilde;o    de visita domiciliar a seus pacientes, atrav&eacute;s de uma parceria com a    Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de, Institui&ccedil;&atilde;o reconhecida    pela qualidade com que executa esta A&ccedil;&atilde;o do PCT; 3) o atendimento    dentro do modelo de assist&ecirc;ncia interdisciplinar a todos os pacientes    considerados em maior risco de abandonar o tratamento, com resultados significativamente    satisfat&oacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O modelo assistencial e    interdisciplinar adotado no Hospital Dia/ HU/UFAL utiliza-se de uma abordagem    &agrave; hist&oacute;ria de vida do paciente, que se constitui em procedimento    metodol&oacute;gico imprescind&iacute;vel, subsidiando os v&aacute;rios profissionais    na a&ccedil;&atilde;o, buscando elementos sociais necess&aacute;rios &agrave;    sua interven&ccedil;&atilde;o, no sentido de desenvolver reflex&otilde;es a    respeito das condi&ccedil;&otilde;es e modo de vida dos pacientes, buscando    alternativas de percep&ccedil;&atilde;o de suas dificuldades, sempre valorizando    a vida e possibilitando &agrave;queles uma nova vis&atilde;o desta, para que    o paciente, ent&atilde;o, deseje dar prosseguimento ao tratamento, melhorando    assim sua percep&ccedil;&atilde;o do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, trabalhando    sua auto-estima e fortalecendo sua vontade de continuar a viver de forma qualitativa,    apesar das adversidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como produto da rela&ccedil;&atilde;o    das pessoas com o trabalho e a vida, os doentes lidam com a enfermidade estabelecendo    projetos de vida, nos quais a supera&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a &eacute;    um objetivo a ser alcan&ccedil;ado e a raz&atilde;o pela qual se concretiza    a ades&atilde;o ao tratamento<sup>2</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, o contato com outros    servi&ccedil;os j&aacute; existentes na rede p&uacute;blica &#8211; apenas um    dos aspectos da nossa assist&ecirc;ncia ao paciente &#8211; para garantir cestas    b&aacute;sicas aos pacientes que desenvolvem rea&ccedil;&otilde;es ao tratamento    por n&atilde;o terem uma alimenta&ccedil;&atilde;o regular, bem como a garantia    do meio de transporte &agrave;queles que encontram dificuldades financeiras    para deslocamento na data aprazada para comparecimento ao hospital (contatos    com Secretarias Municipais de Sa&uacute;de para o transporte do paciente, concess&atilde;o    de carteiras provis&oacute;rias para acesso gratuito aos &ocirc;nibus da rede    municipal, fornecimento de vales-transporte) &eacute; apenas uma maneira de    assegurar , ao paciente, as condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas para que    o mesmo mantenha o tratamento, e n&atilde;o a garantia, por si s&oacute;, de    que o paciente v&aacute; aderir ao tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A visita domiciliar, por    sua vez, al&eacute;m de permitir um maior v&iacute;nculo entre o paciente e    a equipe de sa&uacute;de, oferece oportunidade para observar a regularidade    com que o paciente diz usar a medica&ccedil;&atilde;o (contagem dos comprimidos),    observar de forma direta as condi&ccedil;&otilde;es de vida em que o paciente    est&aacute; inserido, orientar e aprazar os contactantes para exame m&eacute;dico,    bem como refor&ccedil;ar a orienta&ccedil;&atilde;o ao paciente sobre a import&acirc;ncia    da ades&atilde;o e regularidade do tratamento, assegurando o seu aprazamento    &agrave; Unidade de Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, a triagem dos    pacientes, quanto ao risco para n&atilde;o ader&ecirc;ncia, atrav&eacute;s de    entrevista que utilizou a pesquisa de fatores sabidamente implicados na n&atilde;o    ader&ecirc;ncia em associa&ccedil;&atilde;o &agrave; abordagem &agrave; hist&oacute;ria    de vida do paciente, permitiu com maior seguran&ccedil;a realizar esta sele&ccedil;&atilde;o,    pois nenhum dos pacientes n&atilde;o selecionados para maior risco de n&atilde;o    ader&ecirc;ncia veio a abandonar o tratamento e todos aqueles encaminhados para    acompanhamento interdisciplinar mantiveram o tratamento com regularidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da auto-administra&ccedil;&atilde;o    do tratamento ser citada como redutor da ader&ecirc;ncia, havendo at&eacute;    quem afirme que a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel da n&atilde;o    ader&ecirc;ncia ao tratamento seria a supervis&atilde;o direta da quimioterapia<sup>1</sup>,    com exce&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico paciente para o qual foi indicado    tratamento supervisionado todos os nossos pacientes recebem tratamento auto-administrado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">At&eacute; a data    do envio deste texto para impress&atilde;o gr&aacute;fica (14/06/99), n&atilde;o    foi observado no Hospital Universit&aacute;rio &#8211; UFAL, durante este ano,    nenhum caso de abandono de tratamento, alta por transfer&ecirc;ncia ou &oacute;bito    entre os pacientes de tuberculose.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conclu&iacute;mos    que em um hospital de refer&ecirc;ncia para pacientes de tuberculose organizado    para evitar o abandono de tratamento decorrente de fatores ligados ao Servi&ccedil;o    e que utiliza auto-administra&ccedil;&atilde;o da quimioterapia, a implanta&ccedil;&atilde;o    de um modelo de assist&ecirc;ncia inerdisciplinar a estes pacientes, com triagem    e acompanhamento dos pacientes sob maior risco de abandonar o tratamento por    equipe interdisciplinar, juntamente com a implanta&ccedil;&atilde;o de visita    domiciliar aos faltosos, foi capaz de controlar o abandono de tratamento, reduzindo-se    as taxas iniciais de abandono (33%) aos n&iacute;veis considerados ideais (aus&ecirc;ncia    de abandono), no per&iacute;odo estudado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. ADDINGTON,    W. W. Patient compliance: the most serious problem in the control of tuberculosis    in the United States. Chest. 76: 741- 743, 1979.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. BERTOLLOZE,    M. R. A Ades&atilde;o ao Programa de Controle da Tuberculose no Distrito Sanit&aacute;rio    do Butant&atilde;, S&atilde;o Paulo. Tese Doutorado. Fac. Sa&uacute;de P&uacute;blica    Universidade de S&atilde;o Paulo, 213 pg.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. ANDERSEN, S. e col. A    Sociological Inquiry into are urgan tuberculosis control programm in India.    Bull Wld Hlth Org. 29: 685-700, 1963.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. BECKER, R.    S. Estudo da investiga&ccedil;&atilde;o da enfermeira nas investiga&ccedil;&otilde;es    de quimioterapia da tuberculose. Tese, concurso Docente Livre, Escola de Enfermagem    Ana Nery, Rio de Janeiro, 1976.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. BELTRAN, O.    R. P. e cols. El abandono del tratamiento en tuberculosis. Realizade actual    e perspectivas futuras. Rev. Argentina de Tuberculosis, Enfermidade des Pulmonares    y Salud Publica &#8211; XLIV(1): 11-19, 1983.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. CHUAH, S.Y. Factors    associated with poor patient compliance with anti-tuberculosis therapy in North    West Prak, Malaysia. Tubercle, 72: 261-264, 1991.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. DAMASCENO,    R. P. Abandono e tuberculose &#8211; Fatores causais. XX Congresso Brasileiro    de Pneumologia e Tisiologia, Cear&aacute;, 1980.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. DEHEINZELIN, D. e cols.    Fatores preditivos de abandono de tratamento por pacientes com tuberculose.    Rev. Hosp. Cl&iacute;n. Fac. Med. S. Paulo, 51(4): 131-135, 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. NATAL, S. Abandono do    tratamento da tuberculose. Aspectos do tratamento mal conduzido. Disserta&ccedil;&atilde;o    Mestrado Sa&uacute;de Coletiva Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto    de Medicina Social, 1993, 140 pg.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. SERRANO e cols. Causas    de reingresso de pacientes hospitalizados em el Instituto Tisiologico de Punilla.    Rev. Argentina de Tuberculosis XXXIV(1-2): 15-20, 1970.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. TEIXEIRA,    G.M. Pontos pol&ecirc;micos em tuberculose : elogio de uma parceria. Bol. Pneum.    Sanit. 5(1): 3-5, 1997. </font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="nota"></a><a href="#topo">*</a></sup>    Nota do editor: artigo reproduzido com autoriza&ccedil;&atilde;o da Revista    Caderno Hospital Dia/HV/UFAL</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a href="#topo">**</a></sup>    Equipe t&eacute;cnica, por ordem alfab&eacute;tica    <br>   <sup><a href="#topo">***</a></sup> Respons&aacute;vel pelo Programa de Controle    da Tuberculose do Hospital Universit&aacute;rio - UFAL</font> </p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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