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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O controle da tuberculose e a saúde da família. Perspectivas de uma parceria]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O controle    da tuberculose e a sa&uacute;de da fam&iacute;lia. Perspectivas de uma parceria    </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Gilm&aacute;rio    M. Teixeira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Editor</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os m&eacute;todos    e as estrat&eacute;gias que, atrav&eacute;s do tempo, foram aplicados para combater    a tuberculose, sempre estiveram em correspond&ecirc;ncia com os recursos que    a ci&ecirc;ncia e a tecnologia tornavam dispon&iacute;veis em cada momento cr&iacute;tico    dessa luta. Infelizmente, nem sempre a proje&ccedil;&atilde;o da potencialidade    das novas t&eacute;cnicas levou a predi&ccedil;&otilde;es que se confirmassem    no tempo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nesta linha de    racioc&iacute;nio e para citar apenas o fato de maior transcend&ecirc;ncia -    a consolida&ccedil;&atilde;o da quimioterapia na d&eacute;cada de cinq&uuml;enta    - a que se seguiu uma contundente simplifica&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos    de a&ccedil;&atilde;o, produziu esta fal&aacute;cia: o controle da tuberculose    est&aacute; agora ao alcance de todos os pa&iacute;ses independentemente de    sua situa&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica e s&oacute;cio-econ&ocirc;mica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> N&atilde;o tardou    muito para que desse otimismo com que se vislumbrou, por distor&ccedil;&atilde;o,    a pronta erradica&ccedil;&atilde;o da tuberculose, se passasse, em grada&ccedil;&atilde;o    descendente, a plantear sua elimina&ccedil;&atilde;o como problema de sa&uacute;de    p&uacute;blica, a formular sua manuten&ccedil;&atilde;o sob estado de controle    e, por &uacute;ltimo, a declar&aacute;-la, com certo exagero, doen&ccedil;a    reemergente. Que descaminhos, al&eacute;m daqueles em que somos vezeiros, de    n&atilde;o praticar em plenitude o que sabemos e o que planejamos, nos fizeram    chegar a estes patamares?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Estas reflex&otilde;es    se nos ocorrem no momento em que o Programa de Controle da Tuberculose (PCT)    do Brasil se prepara para um passo gigantesco - integrar suas a&ccedil;&otilde;es    &agrave;s do Programa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na busca de uma    linha de identidade entre os dois programas, ambos de aten&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica, &eacute; prov&aacute;vel que a integra&ccedil;&atilde;o - vista    aqui n&atilde;o s&oacute; como processo administrativo, mas tamb&eacute;m como    intera&ccedil;&atilde;o de recursos, de t&eacute;cnicas e de aptid&otilde;es    - ao lado do uso de tecnologia simplificada, sejam pontos confort&aacute;veis    de encontro entre as duas &aacute;reas. Nesta ordem de id&eacute;ias, n&atilde;o    ser&aacute; demasiado repassar alguns fatos marcantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em 1960, O Comit&ecirc;    de Peritos em Tuberculose da OMS, em seu s&eacute;timo informe, ao tratar da    organiza&ccedil;&atilde;o de um programa de tuberculose, considerou esta doen&ccedil;a    uma quest&atilde;o da comunidade que deve fazer parte do programa geral de sa&uacute;de    e recomendou aos governos o uso de medidas en&eacute;rgicas para elimin&aacute;-la    como problema de sa&uacute;de p&uacute;blica. J&aacute; aparecia, neste documento,    apesar de sua pouca &ecirc;nfase, a estrat&eacute;gia contr&aacute;ria &agrave;    da a&ccedil;&atilde;o isolada. Estavam propostos os primeiros passos da integra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Mais tarde, em    1964, aquele Comit&ecirc;, ao produzir seu oitavo informe - por certo o mais    l&uacute;cido, destacado e abrangente dos que foram publicados - introduzindo    um conceito sociol&oacute;gico, definiu como objetivo geral de um programa de    controle da tuberculose, a redu&ccedil;&atilde;o dos sofrimentos humanos determinados    por esta doen&ccedil;a e prop&ocirc;s tr&ecirc;s postulados b&aacute;sicos para    as a&ccedil;&otilde;es de controle: deveriam ser permanentes e com cobertura    nacional, estar adaptadas &agrave;s necessidades da popula&ccedil;&atilde;o    e integradas &agrave;s demais a&ccedil;&otilde;es dos servi&ccedil;os gerais    de sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A Confer&ecirc;ncia    de Alma-Ata de 1978, com base nas prerrogativas dos direitos humanos,    na injusti&ccedil;a que envolve a distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos sanit&aacute;rios    e na abismal dist&acirc;ncia que separa ricos e pobres na consecu&ccedil;&atilde;o    dos bens que garantem a sa&uacute;de, p&ocirc;s em relevo a aten&ccedil;&atilde;o    prim&aacute;ria de sa&uacute;de, definindo-a como um conjunto de medidas sanit&aacute;rias    essenciais, baseadas em tecnologia simples, comprovada e socialmente aceit&aacute;vel,    dirigidas a toda a comunidade e com sua plena participa&ccedil;&atilde;o. Este    conceito veio ao encontro da pr&aacute;tica do controle da tuberculose que tem    na simplifica&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas e na integra&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es sua estrat&eacute;gia fundamental e fez com que a OMS,    em 1986, reunisse t&eacute;cnicos das &aacute;reas de tuberculose e de aten&ccedil;&atilde;o    prim&aacute;ria que apontaram, no documento <i>A luta contra a tuberculose -    parte integrante da aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria de sa&uacute;de</i>, os    caminhos para uma a&ccedil;&atilde;o integrada a esse sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No Brasil, o processo    de integra&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de controle da tuberculose    come&ccedil;ou cedo, mas evoluiu lentamente. Em 1998, apenas 27,6% dos estabelecimentos    do sistema p&uacute;blico integravam o Programa, sendo, em sua maioria, centros    de sa&uacute;de. Contudo, a cobertura geogr&aacute;fica &eacute; abrangente,    apesar de os recursos nem sempre estarem dispon&iacute;veis na ponta do sistema,    a uma dist&acirc;ncia adequada da resid&ecirc;ncia dos doentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O Programa de    Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, criado pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    em 1994, que se prop&otilde;e a levar a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o,    de promo&ccedil;&atilde;o e de recupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de para    perto da fam&iacute;lia, utilizando uma equipe formada por m&eacute;dico, por    enfermeiro, por auxiliar de enfermagem e por agente comunit&aacute;rio de sa&uacute;de    e buscando o envolvimento respons&aacute;vel da comunidade, &eacute;, sem d&uacute;vida,    uma pujante modalidade de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Incorporar, em    todo o pa&iacute;s, as a&ccedil;&otilde;es de controle da tuberculose &agrave;quelas    da sa&uacute;de da fam&iacute;lia, &eacute; um feito portentoso, considerando    nossa extens&atilde;o territorial e a complexidade do sistema de sa&uacute;de.    Para o desempenho desta responsabilidade, seria aconselh&aacute;vel a organiza&ccedil;&atilde;o    de uma for&ccedil;a-tarefa que assumisse o planejamento e a gest&atilde;o das    m&uacute;ltiplas atividades envolvidas, com destaque para a capacita&ccedil;&atilde;o    do pessoal, para a defini&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias, para o estabelecimento    da malha de liga&ccedil;&otilde;es entre os dois programas e para a estrutura&ccedil;&atilde;o    dos sistemas de refer&ecirc;ncia e contra refer&ecirc;ncia do PCT a fim de atender    ao crescimento da demanda gerado pelo PSF.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Seria importante    sinalizar que ambos os programas que estabelecer&atilde;o as bases de uma parceria    e estar&atilde;o integrados na infra-estrutura de sa&uacute;de ter&atilde;o    de manter suas linhas de identidade, por raz&otilde;es de fidelidade a seu corpo    de doutrina, pela especificidade das t&eacute;cnicas e pela observ&acirc;ncia    das estrat&eacute;gias selecionadas para alcan&ccedil;ar os objetivos definidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> De todos esses    encargos, o de maior proje&ccedil;&atilde;o &eacute; o da capacita&ccedil;&atilde;o    do pessoal, com destaque para o agente comunit&aacute;rio de sa&uacute;de, seja    pela grandeza de sua express&atilde;o num&eacute;rica - 150.000 agentes ao final    do ano 2001 - ou pela import&acirc;ncia de seu papel na extens&atilde;o de cobertura    das a&ccedil;&otilde;es. Na verdade, &eacute; de transcendental import&acirc;ncia    admitir o que significa para o controle da tuberculose no Brasil colocar em    campo, para realizar atividades de busca de casos e controle do tratamento,    este ex&eacute;rcito de trabalhadores de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em conseq&uuml;&ecirc;ncia,    n&atilde;o se pode resistir ao exerc&iacute;cio desta proje&ccedil;&atilde;o:    se um de cada dois agentes descobrir um caso de tuberculose por ano, ter-se-&aacute;    a oportunidade de tratar adequadamente mais da metade da incid&ecirc;ncia esperada    para o pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Este desafio est&aacute;    agora nas m&atilde;os dos respons&aacute;veis pelo controle da tuberculose e    pela sa&uacute;de da fam&iacute;lia, autoridades que, por certo, n&atilde;o    deixar&atilde;o de enfrent&aacute;-lo. E ser&atilde;o aplaudidas pelos doentes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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