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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EDITORIAL</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tuberculose    - mobiliza&ccedil;&atilde;o social, pol&iacute;tica e t&eacute;cnica e os programas    de controle </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Gilm&aacute;rio    M. Teixeira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Editor</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A frustra&ccedil;&atilde;o    de alguns anos atr&aacute;s, determinada pelo fracasso - &agrave; luz de expectativas    at&eacute; certo ponto ing&ecirc;nuas - das a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas    para derrotar a tuberculose, est&aacute;, certamente, entre os agentes motivadores    da mobiliza&ccedil;&atilde;o social, pol&iacute;tica e t&eacute;cnica que presenciamos    no alvorecer deste mil&ecirc;nio, para retomar, sob novas estrat&eacute;gias,    a luta para conter esta ins&oacute;lita pandemia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Neste caminho,    os anos noventa testemunharam o fortalecimento da ent&atilde;o Unidade de Tuberculose    da OMS e o estabelecimento de pol&iacute;ticas de parcerias com governos, organiza&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o-governamentais e financeiras, o que deu lugar a importantes a&ccedil;&otilde;es    como: a estrutura&ccedil;&atilde;o do Programa Mundial de Tuberculose, a declara&ccedil;&atilde;o    da tuberculose como emerg&ecirc;ncia mundial, o novo enfoque do tratamento supervisionado    como estrat&eacute;gia fundamental de controle - DOTS, a implanta&ccedil;&atilde;o    da &quot;Stop TB&quot;, a Confer&ecirc;ncia Mundial sobre a Tuberculose e    o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, a Alian&ccedil;a Mundial para o Desenvolvimento    de Drogas anti-Tuberculose, a participa&ccedil;&atilde;o do Grupo de Pa&iacute;ses    Desenvolvidos no plano mundial de controle, a inclus&atilde;o da tuberculose    entre as metas da Confer&ecirc;ncia de C&uacute;pula do Mil&ecirc;nio das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas e tantas outras. Todas estas iniciativas est&atilde;o empenhadas em dar    mais racionalidade, intelig&ecirc;ncia e dinamismo &agrave;s a&ccedil;&otilde;es    mundiais voltadas para a elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose, uma doen&ccedil;a    devastadora que atravessando mil&ecirc;nios, chega ao nosso tempo ainda com    for&ccedil;a de representar uma pesada carga de sofrimento e morte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Destaques destes    empreendimentos foram o desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o    &quot;Stop TB&quot; e a Confer&ecirc;ncia Ministerial sobre a Tuberculose    e o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A iniciativa &quot;Stop    TB&quot; da OMS, se define como um movimento global destinado a acelerar a    a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social para deter a expans&atilde;o da    tuberculose no mundo. Trata-se de uma coaliz&atilde;o de parceiros - Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial de Sa&uacute;de, Banco Mundial, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais,    entidades filantr&oacute;picas - cuja miss&atilde;o anunciada &eacute; a de    assegurar os meios para que todo portador de tuberculose tenha acesso ao diagn&oacute;stico,    ao tratamento e &agrave; cura e, desta forma, reduza o tributo social e econ&ocirc;mico    que esta doen&ccedil;a exerce sobre as fam&iacute;lias, as comunidades e as    na&ccedil;&otilde;es. Um de seus lemas - uma vis&atilde;o de otimismo e confian&ccedil;a    - proclama um mundo livre da tuberculose, no qual a primeira crian&ccedil;a    nascida neste mil&ecirc;nio ver&aacute; a tuberculose eliminada durante sua    vida</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A Confer&ecirc;ncia,    realizada em Amsterd&atilde; em mar&ccedil;o de 2000, reuniu os 20 pa&iacute;ses    que abrigam 80% da carga mundial de tuberculose. Ap&oacute;s an&aacute;lise    situacional do problema em suas &aacute;reas mais cr&iacute;ticas, foi produzida    a &quot;Declara&ccedil;&atilde;o de Amsterd&atilde; para deter a Tuberculose&quot;,    documento que se tornou um marco sinalizador do in&iacute;cio de uma nova idade    na hist&oacute;ria dessa luta. Nele, os participantes: a) <b>observaram</b> que a tuberculose    continua sendo uma alarmante causa de sofrimento e morte, de agress&atilde;o    a homens e mulheres em seus anos mais produtivos, de envolvimento dos mais pobres    e marginalizados e, em sua associa&ccedil;&atilde;o com a aids, de bloqueio    do desenvolvimento das comunidades; b) <b>reconheceram</b> que a tuberculose constitui    um problema s&oacute;cio econ&ocirc;mico que n&atilde;o se resolve s&oacute;    com a a&ccedil;&atilde;o do setor sa&uacute;de; c) <b>afirmaram</b> que o tratamento    da tuberculose &eacute; parte integrante da aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria    de sa&uacute;de e a estrat&eacute;gia DOTS da OMS &eacute; o instrumento necess&aacute;rio    para enfrentar a doen&ccedil;a e prevenir o aparecimento da resist&ecirc;ncia    aos medicamentos; d) <b>comprometeram-se</b> a acelerar o combate &agrave; tuberculose    mediante a amplia&ccedil;&atilde;o da cobertura, a disponibilidade de recursos    humanos e financeiros, a garantia da oferta dos medicamentos, o envolvimento    de todos os segmentos da sociedade e a elabora&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o    de um acordo mundial para deter a doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A estas iniciativas    &eacute; oportuno acrescentar os recentes movimentos que, a exemplo do que se    conhece sobre outras doen&ccedil;as, encaram o problema da tuberculose sob a    &oacute;tica dos Direitos Humanos. Trata-se de uma abordagem integralizadora    que procura reunir os condicionantes da doen&ccedil;a, com &ecirc;nfase naqueles    de ordem social, para analis&aacute;-los um a um e, ao mesmo tempo, expressar    a carga de sua influ&ecirc;ncia e o papel que a supress&atilde;o ou atenua&ccedil;&atilde;o    desses fatores teria na din&acirc;mica do processo que leva &agrave; conquista    do objetivo maior - deter a tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Estes pactos e    compromissos que agora envolvem recursos expressados em bilh&otilde;es de d&oacute;lares    e mobilizam for&ccedil;as poderosas da sociedade e dos governos, prop&otilde;em-se    a desenvolver uma a&ccedil;&atilde;o planet&aacute;ria que exige dos pa&iacute;ses,    sobretudo daqueles que enfrentam a maior carga de tuberculose, uma pronta revitaliza&ccedil;&atilde;o    de seus programas de controle com o objetivo de capacit&aacute;-los para incorporar-se    a esta nova cruzada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Sabemos, por experi&ecirc;ncia    e conhecimento da hist&oacute;ria, que todos esses prop&oacute;sitos, por mais    pertinentes e s&oacute;lidos que sejam, esvanecem-se quando n&atilde;o s&atilde;o    amparados por a&ccedil;&otilde;es organizadas, envolvendo governos e comunidades,    para executar as estrat&eacute;gias e t&eacute;cnicas capazes de romper a cadeia    de fatores que sustentam a situa&ccedil;&atilde;o atual da tuberculose nas comunidades.    Em outras palavras, mais que nunca, &eacute; imprescind&iacute;vel a exist&ecirc;ncia    de um Programa de Controle da Tuberculose, com estruturas de coordena&ccedil;&atilde;o    nos diferentes n&iacute;veis de governo e ancorado nos modernos princ&iacute;pios    de administra&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;ticas de sa&uacute;de, ou seja,    descentralizado, integrado &agrave;s demais a&ccedil;&otilde;es dos sistemas    p&uacute;blico e privado, acess&iacute;vel a toda a popula&ccedil;&atilde;o    e presente na extens&atilde;o do territ&oacute;rio nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No Brasil, apesar    de algumas fraquezas identificadas, em tempos recentes, na estrutura e desempenho    do Programa de Controle da Tuberculose e da sensa&ccedil;&atilde;o experimentada    pelos que est&atilde;o no trabalho de campo de que o Programa como que se lhes    vai das m&atilde;os, est&atilde;o dadas as condi&ccedil;&otilde;es para que    o pa&iacute;s se engaje, plenamente, na a&ccedil;&atilde;o global cuja meta    mais pr&oacute;xima - n&atilde;o estamos longe dela - &eacute;, at&eacute; o    ano 2005, diagnosticar 70% dos casos infecciosos e curar 85% dos casos diagnosticados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Sem d&uacute;vidas,    em termos de controle de tuberculose, dispomos de significativa massa cr&iacute;tica,    representada por uma ampla rede de servi&ccedil;os, suprimento gratuito da quimioterapia    para casos novos e multirresistentes, um n&uacute;mero importante de agentes    multiplicadores do conhecimento t&eacute;cnico distribu&iacute;dos no pa&iacute;s,    centros de apoio t&eacute;cnico-cient&iacute;fico e de forma&ccedil;&atilde;o    de recursos humanos e, o que &eacute; mais importante, abertura para atuar como    a&ccedil;&atilde;o integrada, parceirizada, ou associada a outros programas    como os de A&ccedil;&otilde;es B&aacute;sicas, Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia,    Hansen&iacute;ase, Aids e outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A mobiliza&ccedil;&atilde;o    de todos estes recursos em uma estrutura de sa&uacute;de municipalizada de um    pa&iacute;s-continente, &eacute; fa&ccedil;anha que s&oacute; pode ser enfrentada    por uma for&ccedil;a-tarefa, com poderes de mobiliza&ccedil;&atilde;o social,    pol&iacute;tica e t&eacute;cnica, para formar uma consci&ecirc;ncia do problema,    redirecionar as estruturas de suporte das a&ccedil;&otilde;es para o alcance    das novas estrat&eacute;gias, capacitar o ex&eacute;rcito de agentes de sa&uacute;de    respons&aacute;vel pela extens&atilde;o da cobertura, em resumo, implementar    o plano, estabelecer os mecanismos de monitora&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o    e, o que &eacute; mais dif&iacute;cil, deix&aacute;-lo consolidado para atuar,    independente do momento pol&iacute;tico, at&eacute; que os indicadores epidemiol&oacute;gicos    sinalizem que o pa&iacute;s saiu da &aacute;rea de risco.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Vivemos um momento    impar dessa luta, caracterizado pela mobiliza&ccedil;&atilde;o global da sociedade,    dos governos e dos organismos internacionais de apoio t&eacute;cnico e financeiro,    condi&ccedil;&atilde;o que nos obriga a movimentar, com responsabilidade e altru&iacute;smo,    tudo o que sabemos e dispomos para controlar a tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> S&atilde;o in&uacute;meras    e variadas as causas que justificam o engajamento do Brasil nesta nova etapa    da luta - pesada carga de doentes, &quot;know-how&quot; para manejar o    problema, infra-estrutura ampla e mobiliz&aacute;vel - e se n&atilde;o fossem    bastantes restariam a da solidariedade com o sofrimento humano causado pela    doen&ccedil;a e a da constru&ccedil;&atilde;o de uma via para que todo portador    de tuberculose tenha acesso a um dos benef&iacute;cios consagrados na Declara&ccedil;&atilde;o    Universal dos Direitos Humanos - o Direito &agrave; Sa&uacute;de.</font></p>       <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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