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<journal-title><![CDATA[Boletim de Pneumologia Sanitária]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mecanismo imunitário da tuberculose síntese e atualização]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Mecanismo imunit&aacute;rio    da tuberculose s&iacute;ntese e atualiza&ccedil;&atilde;o </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jos&eacute; Rosemberg</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor Titular    de Tuberculose e Pneumologia da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas de    Sorocaba da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo.    Membro do Comit&ecirc; T&eacute;cnico- Cient&iacute;fico de Assessoramento em    Tuberculose do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com a descoberta    do bacilo da tuberculose por Koch em 1882, ascenderam-se as esperan&ccedil;as    de se imunizar organismos passivamente com a administra&ccedil;&atilde;o de    anticorpos extra&iacute;dos do sangue de animais tuberculizados. A esperan&ccedil;a    maior foi a de poder curar os pacientes tuberculosos com a soroterapia. &Eacute;    enorme a bibliografia acumulada at&eacute; aos anos 30 do s&eacute;culo passado.    Para obten&ccedil;&atilde;o de anticorpos usaram-se bacilos tuberculosos atenuados    experimentalmente, mortos pelo calor, extratos antig&ecirc;nicos prote&iacute;nicos,    lip&iacute;dicos, lipoprote&iacute;nicos e gluc&iacute;dicos, somando cerca    de sete dezenas. Diversas micobact&eacute;rias n&atilde;o tuberculosas (na &eacute;poca    chamadas paratuberculosas) foram usadas para ativar a imunidade antituberculosa.    Entre elas, a mais difundida foi a vacina de Friedman, que &eacute; uma micobact&eacute;ria    isolada da tartaruga. Os anticorpos produzidos pelos organismos receptores desses    ant&iacute;genos s&atilde;o opsoninas, precipitinas, aglutininas e anticorpos    fixadores do complemento. Nunca se conseguiu produzir uma bacteriolisina capaz    de lisar o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>. Esperan&ccedil;as surgiram com    a abelha Galleria Melonella, cuja larva alimenta-se com a cera de abelha, produzindo    subst&acirc;ncia destruidora do bacilo de Koch. Em animais inoculados com o    <i>Mycobacterium tuberculosis</i>, mesmo saturados desses anticorpos, jamais    se conseguiu impedir a evolu&ccedil;&atilde;o generalizada da doen&ccedil;a    para a morte em poucos dias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Como se v&ecirc;,    demorou para se perceber que a imunidade da tuberculose n&atilde;o tem base    humoral,<sup><i>(1,2,3,4,5)</i></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ironicamente foi    um novato em pesquisas, Madelaine 1914<sup><i>(6)</i></sup> que com tese de doutoramento e procedimento    denominado &quot;deriva&ccedil;&atilde;o dos leuc&oacute;citos&quot;, foi    um dos primeiros a demonstrar de maneira engenhosa o papel protetor das c&eacute;lulas    mononucleadas contra o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>. A inocula&ccedil;&atilde;o    deste no perit&ocirc;nio de animais provocou a chegada de leuc&oacute;citos    e ulteriormente de c&eacute;lulas mononucleares (mon&oacute;citos e macr&oacute;fagos).    Os germes foram primeiramente fagocitados pelos leuc&oacute;citos. Estes n&atilde;o    conseguiram destruir os bacilos, que foram levados pela circula&ccedil;&atilde;o    para v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os, produzindo les&otilde;es generalizadas.    Outros animais receberam, por via endovena esporos de aspergilos mortos pelo    calor. Meia hora depois, bacilos foram introduzidos no perit&ocirc;nio. Os germes    foram fagocitados, destru&iacute;dos e/ou detidos no local pelas c&eacute;lulas    monocit&aacute;rias, enquanto os leuc&oacute;citos encontravam-se no sistema    venoso, entretidos em fagocitar os aspergilos. Nos anos subseq&uuml;entes, acumularam-se    as comprova&ccedil;&otilde;es do papel dos macr&oacute;fagos e mon&oacute;citos    em geral, na imunidade contra a tuberculose. Os estudos de Lurie e colaboradores    s&atilde;o os mais abrangentes e cl&aacute;ssicos. Demonstraram que os macr&oacute;fagos    de organismos imunizados contra a tuberculose exercem a defesa contra os bacilos    de Koch, sem a participa&ccedil;&atilde;o de qualquer esp&eacute;cie de anticorpo.    Na c&acirc;mara anterior de um dos olhos de coelho normal, introduziram-se macr&oacute;fagos    oriundos de animal tamb&eacute;m normal, e no outro olho, macr&oacute;fagos    de animal intensamente imunizado contra a tuberculose. Em ambas as c&acirc;maras    introduziram-se bacilos virulentos. Na primeira c&acirc;mara, os germes multiplicaram-se    normalmente, ao passo que na segunda houve n&iacute;tida inibi&ccedil;&atilde;o,    sendo os bacilos destru&iacute;dos em sua quase totalidade. Esse mesmo procedimento    efetuou-se com soro de animal normal e soro rico de anticorpos de animal fortemente    imunizado. N&atilde;o se verificou qualquer efeito sobre os germes. Quando os    anticorpos foram associados aos macr&oacute;fagos normais ou imunizados, a a&ccedil;&atilde;o    destes em nada alterou-se. No correr do tempo, m&uacute;ltiplos estudos confirmaram    plenamente que a imunidade na tuberculose &eacute; essencialmente mediada por    c&eacute;lulas, n&atilde;o tendo base humoral e que os anticorpos constituem    apenas epifenomeno do processo imunit&aacute;rio <sup><i>(7,8,9,10,11)</i></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O fato de a imunidade    antituberculose ser mediada por c&eacute;lulas atrasou por quase um s&eacute;culo    o seu melhor conhecimento, pela demora de t&eacute;cnicas adequadas para a cultura    de c&eacute;lulas e para sua manipula&ccedil;&atilde;o. S&oacute; com o surgimento    da biologia molecular tornou-se poss&iacute;vel o alargamento das pesquisas    e o aprofundamento dos conhecimentos sobre a complexidade do processo imunit&aacute;rio    na tuberculose.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mecanismo imunit&aacute;rio    da tuberculose</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/bps/v9n1/1a05f1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A imunidade antituberculose    n&atilde;o resulta de a&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica direta e precisa    contra o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>. O ataque a este constitui processo de grande    complexidade, variando sob a&ccedil;&atilde;o de circunst&acirc;ncias diferentes,    nem todas bem definidas e com interven&ccedil;&atilde;o de elementos m&uacute;ltiplos,    raz&atilde;o por que &eacute; mais adequado denomin&aacute;-lo &quot;mecanismo    imunit&aacute;rio&quot;. Na literatura de l&iacute;ngua inglesa emprega-se    correntemente a express&atilde;o resist&ecirc;ncia adquirida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O mecanismo imunit&aacute;rio    na tuberculose encerra grande complexidade de intera&ccedil;&otilde;es celulares,    notadamente das c&eacute;lulas especializadas, englobando o sistema macr&oacute;fago-c&eacute;lula    T. O macr&oacute;fago alveolar talvez seja a principal c&eacute;lula de defesa.    Os linf&oacute;citos T mant&eacute;m a mem&oacute;ria da imunidade reagindo    rapidamente ante novo ataque da micobact&eacute;ria. A mem&oacute;ria imunit&aacute;ria    da c&eacute;lula T se esvai com o tempo, sendo geralmente mantida com novas    infec&ccedil;&otilde;es micobacterianas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As c&eacute;lulas    do citado sistema n&atilde;o atuam propriamente de forma direta, mas atrav&eacute;s    de mol&eacute;culas, algumas de natureza hormonal, geralmente com 8 a 14 kDa,    denominadas linfocinas, interleucinas ou citocinas; algumas podem se estender    a outros processos n&atilde;o imunit&aacute;rios, constituindo as quimiocinas.    As linfocinas n&atilde;o t&ecirc;m fun&ccedil;&atilde;o imunol&oacute;gica direta,    pois atuam atrav&eacute;s o macr&oacute;fago. Elas atraem os macr&oacute;fagos    ao local da implanta&ccedil;&atilde;o da micobact&eacute;ria e os ativam para    matar o <i>M. tuberculosis</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os leuc&oacute;citos    polimorfonucleares t&ecirc;m grande capacidade de fagocitar o <i>Mycobacterium    tuberculosis</i>, por&eacute;m sem nenhum poder de destru&iacute;-lo. Se n&atilde;o    s&atilde;o englobados pelos macr&oacute;fagos, exercem papel prejudicial, pois    as micobact&eacute;rias s&atilde;o transportadas para diversos s&iacute;tios    do organismo, lembrando a figura do cavalo de Tr&oacute;ia da mitologia grega.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em s&iacute;ntese,    as principais premissas do mecanismo imunit&aacute;rio contra a tuberculose    s&atilde;o as seguintes: <sup><i>(12,13,14,15,16,17 )</i></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - A imunidade    contra a tuberculose &eacute; mediada por c&eacute;lulas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - Os macr&oacute;fagos    previamente ativados matam os bacilos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - Ant&iacute;genos    do <i>Mycobacterium tuberculosis</i> ativam linf&aacute;ticos T para elaborar linfocinas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - As linfocinas    atraem os macr&oacute;fagos ao s&iacute;tio da infec&ccedil;&atilde;o e os ativam    para matarem as micobact&eacute;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - A imunidade    contra a tuberculose pode ser suprimida pela deple&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas    T e restaurada por agentes que recomp&otilde;em essas c&eacute;lulas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - A imunidade    contra a tuberculose pode ser transferida experimentalmente de organismo para    organismo, transplantando c&eacute;lulas T .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - A mem&oacute;ria    imunit&aacute;ria das c&eacute;lulas T se esvanece com o tempo e, nos casos    de sua transfer&ecirc;ncia passiva, ela perdura durante o tempo em que permanecem    vivas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos &uacute;ltimos    25 anos, com o aux&iacute;lio de t&eacute;cnicas moleculares, operaram-se significativos    avan&ccedil;os no conhecimento do complexo mecanismo imunit&aacute;rio da tuberculose.    Todavia h&aacute; fundadas raz&otilde;es para crer que ainda n&atilde;o est&atilde;o    esclarecidos todos os meandros desse processo. As fun&ccedil;&otilde;es imunit&aacute;rias    das c&eacute;lulas monocit&aacute;rias e c&eacute;lulas T s&atilde;o mais conhecidas,    por&eacute;m n&atilde;o est&atilde;o completamente estabelecidas suas interela&ccedil;&otilde;es    atrav&eacute;s das citocinas, ainda nem todas conhecidas. Na atualidade passam    de 40, tendo sido reclassificadas recentemente<sup><i>( 18 )</i></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As c&eacute;lulas    T s&atilde;o elaboradas no timo, sendo as CD4 e CD8 as mais potentes na ativa&ccedil;&atilde;o    dos macr&oacute;fagos para matar o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>. Elas t&ecirc;m    a destacada propriedade de reconhecer os ant&iacute;genos e outros constituintes    do bacilo, para elaborarem as citocinas que ativam os macr&oacute;fagos<sup><i>(178,179)</i></sup>.    Essas condi&ccedil;&otilde;es desaparecem totalmente na s&iacute;ndrome de Di    George, que &eacute; a aus&ecirc;ncia cong&ecirc;nita do timo e tire&oacute;ides<sup><i>(19)</i></sup>.    Importantes sub-grupos das c&eacute;lulas T s&atilde;o as c&eacute;lulas Th1    (helper) e Th2 (citol&oacute;xico), ambas com importantes fun&ccedil;&otilde;es    imunol&oacute;gicas<sup><i>(19,24)</i></sup>. As primeiras t&ecirc;m significativo papel no complexo    imunit&aacute;rio por contribuir na elabora&ccedil;&atilde;o da interleucina    IL2 e de interferon gama (FNIy), os mais atuantes ativadores dos macr&oacute;fagos    <sup><i>(83, 122)</i></sup>. As segundas, al&eacute;m de elaborarem interleucinas, participam    da lise de c&eacute;lulas monocit&aacute;rias que fagocitaram micobact&eacute;rias:    elas tamb&eacute;m participam da elabora&ccedil;&atilde;o de anticorpos, receptores    pelas c&eacute;lulas B, que entretanto n&atilde;o possuem fun&ccedil;&atilde;o    na prote&ccedil;&atilde;o contra a tuberculose<sup><i>(7, 83, 124)</i></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos infectados    com o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>, &eacute; grande o recrutamento das c&eacute;lulas    CD4, sendo identificadas em n&uacute;mero elevado no l&iacute;quido de lavagem    broncoalveolar, de pacientes tuberculosos<sup><i>(23)</i></sup>. Estas c&eacute;lulas assim como    CD8 s&atilde;o capazes, em certas condi&ccedil;&otilde;es, junto com as Th2    de lisar macr&oacute;fagos com micobact&eacute;rias fagocitadas<sup><i>(25,92)</i></sup>. As c&eacute;lulas    CD8 tamb&eacute;m s&atilde;o detectadas no l&iacute;quido de lavagem broncoalveolar    e surgem no sangue perif&eacute;rico de pacientes tuberculosos, sendo seu n&uacute;mero    associado &agrave; extens&atilde;o das les&otilde;es <sup><i>(51,52,53,125)</i></sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Identificam-se    tamb&eacute;m c&eacute;lulas CD14 e CD30, com alto poder defensivo contra o    bacilo tuberculoso, pela sua capacidade de tamb&eacute;m ativar macr&oacute;fagos<sup><i>(19)</i></sup>    .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As principais    interleucinas elaboradas pelas c&eacute;lulas CD4, Th1 e Th2 s&atilde;o <sup><i>(19,21,25,83,122)</i></sup>:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - IL2 -    a mais potente citocina ativadora de macr&oacute;fagos e por sua vez tamb&eacute;m    recrutadora das pr&oacute;prias c&eacute;lulas T. Age em associa&ccedil;&atilde;o    com FNIy;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - IL4 e IL5 -    ativam macr&oacute;fagos e participam da a&ccedil;&atilde;o contra micobact&eacute;rias    em geral;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - IL6 -    participa na supera&ccedil;&atilde;o da fase aguda da infec&ccedil;&atilde;o    tuberculosa, geralmente em associa&ccedil;&atilde;o com o fator de necrose tumoral    alfa (TNFa);</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - IL8 -    atrai c&eacute;lulas T para o local da infec&ccedil;&atilde;o e mobiliza leuc&oacute;citos;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - IL10 -    aumenta a produ&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas T;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - IL12 -    regula recrutamento de c&eacute;lulas T, que por sua vez, &eacute; regulada    por IL4<sup><i>(20)</i></sup> ;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - NFTa -    Fator de necrose tumoral alfa. Participa da forma&ccedil;&atilde;o do granuloma.    Regula processo inflamat&oacute;rio e estimula macr&oacute;fagos a impedir a    multiplica&ccedil;&atilde;o do <i>M. tuberculosis <sup>(26,27)</sup></i>. Ratos geneticamente    deficientes de produzir FNT alfa, IL6 e IL12 s&atilde;o altamente suscept&iacute;veis    a infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - FNIy -    Interferon gama. Participa intensamente na prote&ccedil;&atilde;o contra o <i>M    . tuberculosis</i>, importante elemento na defesa contra micobact&eacute;rias em    geral<i><sup>(28,29)</sup></i>. Interferon gama &eacute; encontrado no sangue circulante de pacientes    tuberculosos em associa&ccedil;&atilde;o inversa com o grau de severidade das    les&otilde;es na tuberculose experimental em animais e em humanos<i><sup>(29,30,83)</sup></i>.    Essa mol&eacute;cula tem relevante coopera&ccedil;&atilde;o no tratamento da    tuberculose, acelerando em certos casos as respostas cl&iacute;nicas favor&aacute;veis    e &eacute; bom adjuvante no tratamento da tuberculose multirresistente <i><sup>(31,32,33)</sup></i>.    Ela tamb&eacute;m impede a dispers&atilde;o dos bacilos fagocitados pelos leuc&oacute;citos    polimorfonucleares e participa na forma&ccedil;&atilde;o do granuloma; &eacute;    potente ativador das c&eacute;lulas Th1 e Th2,<i><sup>(19,21)</sup></i>. Animais com falta de    interferon gama por muta&ccedil;&atilde;o do gene codificador sofrem facilmente    processos disseminados pelo M. tuberculosis, BCG e outras micobact&eacute;rias<i><sup>(21,34,35)</sup></i>.    Registram-se casos de crian&ccedil;as com defeito gen&eacute;tico na produ&ccedil;&atilde;o    de interferon gama que vacinadas com BCG sofreram generaliza&ccedil;&atilde;o    grave da vacina, sendo uma com &ecirc;xito fatal,<i><sup>(36)</sup></i>. H&aacute; registro de    4 crian&ccedil;as irm&atilde;s com defeito familiar cong&ecirc;nito com aus&ecirc;ncia    de produ&ccedil;&atilde;o de interferon gama que tiveram dissemina&ccedil;&otilde;es    graves com micobact&eacute;rias n&atilde;o tuberculosas, tomando praticamente    todos os &oacute;rg&atilde;os. Apesar da quimioterapia 3 faleceram<i><sup>(37)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Entre os linf&oacute;citos    participantes do processo imunit&aacute;rio antituberculose, incluem-se as c&eacute;lulas    gama - delta, cujo citoplasma &eacute; rico em granula&ccedil;&otilde;es e t&ecirc;m    a peculiaridade de desenvolver dendritos<i><sup>(19)</sup></i>. No sangue circulante,    constituem menos de 10% do total das c&eacute;lulas T<i><sup>(38)</sup></i>.    Em animais inoculados com o bacilo de Koch, as c&eacute;lulas gama - delta aumentam    rapidamente no sistema linf&aacute;tico e no in&iacute;cio da tuberculose em    humanos atinge logo, a 25% a 30% do total das c&eacute;lulas T <i><sup>(39,83)</sup></i>.    Essas c&eacute;lulas parecem exercer papel relevante na defesa inicial contra    a tuberculose. Tamb&eacute;m em indiv&iacute;duos tuberculino - positivos, contatos    de tuberculosos, seu n&uacute;mero eleva-se significantemente como se fossem    guardi&atilde;s do processo de infec&ccedil;&atilde;o pelo <i>M. tuberculosis<sup>(40)</sup></i>.    H&aacute; evid&ecirc;ncia de que essas c&eacute;lulas colaboram para os estados    de tuberculose latente, contribuindo para as defesas garantidoras da simbiose    bacilo - organismo<i><sup>(41)</sup></i>. Um dos &acirc;ngulos interessantes    do processo imunit&aacute;rio na tuberculose prende-se ao fato de que elementos    do corpo bacilar ou do genoma do <i>M. tuberculosis</i> t&ecirc;m a capacidade    de mobilizar, recrutar as c&eacute;lulas T e de intensificar suas a&ccedil;&otilde;es    de defesa quer diretamente e/ou atrav&eacute;s as citocinas. Dois exemplos devem    ser destacados. A glicoprote&iacute;na lipoarabinomanan da membrana cero-lip&iacute;dica,    envolvente do <i>M. tuberculosis</i>, mobiliza o sistema de c&eacute;lulas T    e ativa a produ&ccedil;&atilde;o do fator de necrose tumoral e interferon gama,    que por sua vez ativam o macrof&aacute;go para destruir a micobact&eacute;ria<i><sup>(20,21,22,42,83,123)</sup></i>.    No DNA do bacilo h&aacute; uma prote&iacute;na de kDa6, denominada ESAT-6, que    &eacute; um dos mais potentes mobilizadores das c&eacute;lulas imunit&aacute;rias,    agindo em associa&ccedil;&atilde;o com interferon gama<i><sup>(43)</sup></i> (Ver adiante).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro &acirc;ngulo    a aumentar a complexidade do processo imunit&aacute;rio da tuberculose decorre    do fato de que as c&eacute;lulas T s&atilde;o ambivalentes, no sentido de que    reagem a v&aacute;rios componentes do <i>M. tuberculosis</i>, estabelecendo    estados de defesa favor&aacute;veis ao hospedeiro, como tamb&eacute;m reagindo    a certas prote&iacute;nas do germe, estabelecendo estados de hipersensibilidade    (medidos pelas respostas &agrave; tuberculina) que s&atilde;o prejudiciais,    porque condicionam o agravamento da infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa. Esse    aspecto da tisiog&ecirc;nese foi sintetizado por Rich<i><sup>(3)</sup></i> h&aacute;    tempos com sua ent&atilde;o famosa equa&ccedil;&atilde;o, na qual a les&atilde;o    &eacute; igual a fatores desfavor&aacute;veis colocados no numerador, que s&atilde;o:    n&uacute;mero de bacilos, mais sua virul&ecirc;ncia, mais hipersensibilidade;    no denominador, est&atilde;o os fatores favor&aacute;veis: imunidade adquirida    e resist&ecirc;ncia natural. O risco de surgir tuberculose-doen&ccedil;a depende    do predom&iacute;nio do numerador sobre o denominador, havendo evolu&ccedil;&atilde;o    favor&aacute;vel quando este predomina. Esse bin&ocirc;mio imunidade-hipersensibilidade    governa a evolu&ccedil;&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa. H&aacute;    farta evid&ecirc;ncia acumulada de que, nos infectados com o <i>M. tuberculosis</i>,    o risco de desenvolver doen&ccedil;a &eacute; maior nos reatores fortes &agrave;    tuberculina, e tanto maior quanto mais intensa &eacute; a rea&ccedil;&atilde;o.    Inclusive as chamadas rea&ccedil;&otilde;es paradoxais de agravamento da les&otilde;es    tuberculosas nos co-infectados com HIV, que se vem registrando na quimioterapia,    &eacute; debitada &agrave; exacerba&ccedil;&atilde;o da hipersensibilidade <i><sup>(44,45)</sup></i>.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; intrigante    que a mesma c&eacute;lula T seja respons&aacute;vel por dois processos antag&ocirc;nicos,    como imunidade e hipersensibilidade. Mais intrigante &eacute; que essas duas    condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o independentes e dissoci&aacute;veis. Os componentes    do <i>M. tuberculosis</i> que provocam os dois estados s&atilde;o diferentes. Experimentalmente    pode-se criar hipersensibilidade sem imunidade e vice-versa. Uma delas pode-se    esvair espontaneamente, ou ser suprimida experimentalmente, mantendo-se a outra    <i><sup>(3,46,47,178)</sup></i> .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Essa dissocia&ccedil;&atilde;o    da resist&ecirc;ncia imunit&aacute;ria da hipersensibilidade ficou bem confirmada    no estudo prospectivo controlado de vacina&ccedil;&atilde;o BCG efetuado na    Inglaterra, pela constata&ccedil;&atilde;o de que, com qualquer n&iacute;vel    de intensidade da rea&ccedil;&atilde;o tubercul&iacute;nica e mesmo com aus&ecirc;ncia    de resposta &agrave; PPD, os vacinados tiveram o mesmo alto grau de prote&ccedil;&atilde;o    contra a tuberculose<i><sup>(44,201)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ambos os estados,    imunidade e sensibilidade, s&atilde;o mediados pela c&eacute;lula T. Os dois    estados podem ser criados passivamente transferindo c&eacute;lulas de organismo    infectado com o <i>M. tuberculosis</i> para animais normais. Estes podem responder    com sinais de prote&ccedil;&atilde;o contra o bacilo de Koch e com respostas    positivas &agrave; tuberculina. Essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; tempor&aacute;ria,    s&oacute; perdura enquanto as c&eacute;lulas transferidas n&atilde;o morrerem,    ou n&atilde;o forem eliminadas<i><sup>(3,48,49,50)</sup></i>. Ainda n&atilde;o est&aacute; claro    porque as c&eacute;lulas T, conforme os organismos infectados com o <i>M. tuberculosis</i>,    desenvolvem maiores ou menores graus de prote&ccedil;&atilde;o, maior ou menor    sensibilidade tubercul&iacute;nica. H&aacute; evid&ecirc;ncias de implica&ccedil;&otilde;es    gen&eacute;ticas org&acirc;nicas, de um lado e de outro, possivelmente de biodiversidade    das micobact&eacute;rias. Esses aspectos ser&atilde;o abordados adiante.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Do exposto, fica    patente o significativo papel das c&eacute;lulas T no processo imunit&aacute;rio    da tuberculose. Fica tamb&eacute;m muito claro como o v&iacute;rus HIV/AIDS    &eacute; o maior agravante da historia da tuberculose. Ele destr&oacute;i o    sistema celular T e a imunidade contra o <i>Mycobacterium tuberculosis</i> assenta-se    basicamente nesse sistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Cabe ao macr&oacute;fago,    com as armas que lhe fornecem as c&eacute;lulas T, a tarefa de destruir o <i>Mycobacterium    tuberculosis</i>, sendo considerado, por isso, como a c&eacute;lula principal do    processo imunit&aacute;rio. O macr&oacute;fago ativado pelas citocinas, aumenta    o di&acirc;metro e o n&uacute;mero de vac&uacute;olos fundidos com os fagolisosomas    distribu&iacute;dos no citoplasma. No interior, o ambiente &eacute; hostil para    micobact&eacute;ria, a come&ccedil;ar pelo pH muito baixo (em torno de 4.0 a    5.0 <i><sup>(54)</sup></i> ). Com a interveni&ecirc;ncia do interferon gama e fator de necrose    tumoral, o macr&oacute;fago ativado adquire a capacidade de produzir per&oacute;xido    de hidrog&ecirc;nio (H2O2) e &oacute;xido n&iacute;trico (NO), com os quais    consegue matar o <i>Mycobacterium tuberculosis<sup>(127)</sup></i>. A jun&ccedil;&atilde;o de    super&oacute;xido desmutase ou de catalase decomp&otilde;e H2O2 em &aacute;gua,    anulando a capacidade de destruir o bacilo<i><sup>(19,55,56)</sup></i>. Micobact&eacute;rias n&atilde;o    tuberculosas (at&iacute;picas), por produzirem grande quantidade de catalase,    dificultam a a&ccedil;&atilde;o bactericida do macr&oacute;fago. Ali&aacute;s,    h&aacute; cepas do <i>Mycobacterium tuberculosis</i>, que se defendem contra o per&oacute;xido    de hidrog&ecirc;nio e o pH baixo do fagolisosoma, aumentando a elabora&ccedil;&atilde;o    de catalase e produzindo am&ocirc;nia para alcalinizar o ambiente<i><sup>(57)</sup></i>. Outro    mecanismo pelo qual o macr&oacute;fago mata o bacilo da tuberculose &eacute;    o aumento da capacidade de sintetizar oxido n&iacute;trico (NO). Este tem maior    poder bactericida que H2O2<i><sup>(21,58,59)</sup></i>. Macr&oacute;fagos de doentes com tuberculose    pulmonar, t&ecirc;m muito maior capacidade de elaborar NO que os recolhidos    de pulm&otilde;es de pessoas sadias: 65% contra menos de 10%<i><sup>(63)</sup></i>. Tanto NO,    quanto H2O2, atuam da mesma forma, que &eacute; a libera&ccedil;&atilde;o de    oxidantes lesivos a micobact&eacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Constatou-se que,    sob certas condi&ccedil;&otilde;es, o macr&oacute;fago pode elaborar citocinas,    entre elas, o interferon gama<i><sup>(62)</sup></i>. Nem sempre essa c&eacute;lula age sozinha.    Pode ter o auxilio de c&eacute;lulas como CD8 e CD14, fagocitando macr&oacute;fagos    contendo bacilos no seu bojo<i><sup>(25,60)</sup></i>. Algumas mol&eacute;culas, como interferon    gama, podem inibir ou anular de todo o fator de crescimento da micobact&eacute;ria    (GEF) e o fator transformador do crescimento (TGF beta)<i><sup>(61)</sup></i>. Ao mesmo tempo,    identificou-se um fator inibidor do crescimento (GIF), cuja a&ccedil;&atilde;o    pode ser refor&ccedil;ada pelo interferon gama<i><sup>(13)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> S&atilde;o, portanto    complexas as a&ccedil;&otilde;es imunit&aacute;rias na tuberculose e os dados    mencionados certamente n&atilde;o esgotam o assunto. Por&eacute;m precisam ser    bem aprofundados, porque governam a tisiog&ecirc;nese. Os principais aspectos    s&atilde;o a seguir abordados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tub&eacute;rculo    - granuloma tuberculoso</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O modelo experimental    do tub&eacute;rculo &eacute; conhecido de longa data. No local da entrada do    bacilo no pulm&atilde;o (alv&eacute;olo), ocorre um aporte r&aacute;pido de    leuc&oacute;citos que fagocitam os germes, n&atilde;o conseguem mat&aacute;-los    e podem lev&aacute;-los a diversos recantos do organismo. Quanto melhor as defesas,    chegam mais depressa &agrave;s c&eacute;lulas monocit&aacute;rias para o local    do inicio da infec&ccedil;&atilde;o. Estas podem fagocitar e deter os germes,    fagocitados ou n&atilde;o pelos leuc&oacute;citos. Acorrem c&eacute;lulas epiteli&oacute;ides    por comando de c&eacute;lulas T. Elas se fundem com c&eacute;lulas monocit&aacute;rias,    formando os gigantocitos multinucleados - s&atilde;o as c&eacute;lulas de Langhans.    Assim, o fator de necrose tumoral interv&eacute;m na inflama&ccedil;&atilde;o    aguda, influenciando c&eacute;lulas monocit&aacute;rias, transformando-as nos    gigantocitos e nas c&eacute;lulas epiteliais. Formando-se o granuloma, o fator    de necrose tumoral participa da evolu&ccedil;&atilde;o para a necrose de caseose    no centro. Ao contr&aacute;rio do que pode parecer, esta serve para a conten&ccedil;&atilde;o    dos bacilos, devido ao ambiente anaer&oacute;bico que se instala no granuloma    como um todo, al&eacute;m do ambiente in&oacute;spito nos fagolisosomas. Quando    a imunidade se sobrep&otilde;e, h&aacute; evolu&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel    do processo. O fator hipersensibilidade torna as c&eacute;lulas mais sens&iacute;veis    aos efeitos t&oacute;xicos de elementos do corpo bacilar, a maioria de natureza    lipoprote&iacute;nica, entre eles o &aacute;cido tuberculoeste&aacute;rico.    A necrose de caseifica&ccedil;&atilde;o amplia-se, aumentando o n&uacute;mero    de germe livres, extracelulares. A sorte da evolu&ccedil;&atilde;o do granuloma    depende do polo que vai predominar. Nas situa&ccedil;&otilde;es de alta imunidade    e pouca hipersensibilidade, a necrose n&atilde;o progride, &eacute; invadida    por fibroblastos, e forma-se um n&oacute;dulo residual que pode, em certas condi&ccedil;&otilde;es,    evoluir para calcifica&ccedil;&atilde;o. Isso por&eacute;m n&atilde;o impede    que dentro do aglomerado cicatricial permane&ccedil;am bacilos vivos quiescentes    que, por sua vez, manter&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o com algum grau de    hipersensibilidade, fato esse comprovado pela rea&ccedil;&atilde;o &agrave;    tuberculina que permanece positiva. Nos casos em que a hipersensibilidade se    sobrep&otilde;e amplamente, a necrose de caseifica&ccedil;&atilde;o extenue-se,    o caseo pode liqueficar-se, a prolifera&ccedil;&atilde;o bacilar progride e    atingese o estado de tuberculose ativa. Tudo isso sob o comando da hipersensibilidade<i><sup>(64)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Apoptose</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outro caminho    da infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa &eacute; pela apoptose, em cujo processo    os germes morrem juntamente com os macr&oacute;fagos, esses vitimados pelas    suas pr&oacute;prias armas. Apoptose diferencia-se da necrose pelas diferen&ccedil;as    morfol&oacute;gicas e bioqu&iacute;micas na evolu&ccedil;&atilde;o da tisiog&ecirc;nese;    os dois processos podem coexistir<i><sup>(65)</sup></i>. A apoptose &eacute; a morte celular programada.    &Eacute; regulada pelo gene Bcl - 2 que define a sobrevida da c&eacute;lula<i><sup>(66,67)</sup></i>    . No fen&ocirc;meno da apoptose o ato da fagocitose das micobact&eacute;rias    pelo macr&oacute;fago realiza-se com a participa&ccedil;&atilde;o de interferon    gama e de adenosinatrifosfato (ATP). No citoplasma da c&eacute;lula forma-se    uma multiplicidade de vac&uacute;olos dilatados que englobam os fagolisosomas.    O pH baixa rapidamente e h&aacute; intensa produ&ccedil;&atilde;o de radicais    livres, &iacute;on super&oacute;xido de oxig&ecirc;nio, per&oacute;xido de hidrog&ecirc;nio    e hidroxila, criando condi&ccedil;&otilde;es in&oacute;spitas impedindo a prolifera&ccedil;&atilde;o    dos bacilos que morrem rapidamente. O macr&oacute;fago tem seu metabolismo interrompido,    seu DNA fragmenta-se pelas condi&ccedil;&otilde;es desfavor&aacute;veis do seu    citoplasma e tamb&eacute;m morre<i><sup>(68,69)</sup></i>. C&eacute;lulas CD4 e CD8 tamb&eacute;m    participam do processo de apoptose. Os macr&oacute;fagos recrutados para a apoptose    s&atilde;o suicidas, escolhidos para tal fim e j&aacute; se falou que cumprem    miss&atilde;o teleol&oacute;gica<i><sup>(70)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em s&iacute;ntese,    do exposto ressalta-se a alta diversidade das a&ccedil;&otilde;es intervenientes    no processo imunit&aacute;rio contra o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>. Do equil&iacute;brio    dessas a&ccedil;&otilde;es com as agress&otilde;es e defesas do bacilo, pode-se    estabelecer um estado de simbiose entre ele e o hospedeiro, caracterizando o    estado da infec&ccedil;&atilde;o latente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tuberculose latente</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com o avan&ccedil;o    dos conhecimentos dos complicados meandros do mecanismo imunit&aacute;rio da    tuberculose, melhor se poder&aacute; compreender as condi&ccedil;&otilde;es    que facultam ao <i>Mycobacterium tuberculosis</i> conviver com o hospedeiro por dec&ecirc;nios,    sem morrer, mas sem conseguir multiplicar-se, sem provocar les&otilde;es, estabelecendo-se    um estado de simbiose.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A tuberculose    latente permanece em grande parte como um enigma<i><sup>(128)</sup></i>. Cerca de 2 bilh&otilde;es    de pessoas (um ter&ccedil;o da humanidade) alberga em seu organismo o bacilo    de Koch e desses, apenas 10 % desenvolvem tuberculose ativa. Esse risco &eacute;    em m&eacute;dia 0,2% ao ano, ocorrendo reativa&ccedil;&atilde;o end&oacute;gena<i><sup>(71,72,73,129)</sup></i>.    Portanto, imensa parcela da humanidade convive com a micobact&eacute;ria, sem    repercuss&otilde;es sintom&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma das dificuldades    para explicar esse estado de simbiose, entre o <i>M. tuberculosis</i> e o organismo    humano &eacute; que n&atilde;o se consegue estabelecer tuberculose latente em    animais para servir de modelo e melhor entender o processo. Estudos experimentais    com germes atenuados ou com virulentos inoculados em doses m&iacute;nimas, ou    associados com quimioterapia, ou com a administra&ccedil;&atilde;o de cortic&oacute;ides    ou outras subst&acirc;ncias, ou ainda analisando a infec&ccedil;&atilde;o experimental    com bacilos em animais com resist&ecirc;ncia natural (<i>M.tuberculosis</i> em coelhos    e outros procedimentos), n&atilde;o trouxeram maiores luzes para entender plenamente    a infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa latente<i><sup>(128, 130,131)</sup></i>. Experi&ecirc;ncias    com neutraliza&ccedil;&otilde;es do interferon gama e ou do fator de necrose    tumoral, ou com imunossupress&atilde;o por inibi&ccedil;&atilde;o de NOS<sup>2</sup>, tamb&eacute;m    nada adiantaram<i><sup>(131)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O fato intrigante    &eacute; que na referida simbiose o bacilo mant&eacute;m-se vivo sem se multiplicar    e a prova de que ele mant&eacute;m um interc&acirc;mbio com o organismo &eacute;    a permanente resposta positiva &agrave; tuberculina. O estado de infec&ccedil;&atilde;o    latente, universalmente chamado <i>tuberculose latente</i>, caracteriza-se por aus&ecirc;ncia    de sinais cl&iacute;nicos. Pesquisas experimentais e histobacteriol&oacute;gicas    em humanos demonstram que bacilos de Koch podem manter-se vivos dentro de calcifica&ccedil;&otilde;es    e mais freq&uuml;entemente em focos granulomatosos com pouco e mesmo sem nenhum    oxig&ecirc;nio, impedindo sua multiplica&ccedil;&atilde;o. Entretanto, o germe    &eacute; aer&oacute;bio. N&atilde;o havendo novas infec&ccedil;&otilde;es, a    mem&oacute;ria imunit&aacute;ria das c&eacute;lulas T se esvai com o tempo.    Devem, portanto, intervir outros fatores que concorrem para manter essa simbiose<i><sup>(73)</sup></i>.    Para viver em ambiente t&atilde;o pobre de oxig&ecirc;nio, pode-se pensar que    o bacilo esporula. Contudo, nunca se demonstrou de forma convincente que o <i>M.    tuberculosis</i> possa desenvolver esporos. Uma explica&ccedil;&atilde;o sugerida    a pouco tempo<i><sup>(74)</sup></i> &eacute; de que o germe adapta-se a essas condi&ccedil;&otilde;es    desfavor&aacute;veis por produzir grandes quantidades de uma prote&iacute;na    alfa cristalina de 16 kDa, quando ele est&aacute; nessas condi&ccedil;&otilde;es    estacion&aacute;rias. Possivelmente essa prote&iacute;na forma como que uma    camada em torno de seu corpo que lhe garante prote&ccedil;&atilde;o para reduzir    ao m&aacute;ximo seu metabolismo. Al&eacute;m disso, demonstrou-se que o bacilo,    em estado de lat&ecirc;ncia, adapta-se a grandes redu&ccedil;&otilde;es da tens&atilde;o    de oxig&ecirc;nio (pO<sub>2</sub>), conseguindo permanecer vivo a despeito de viver praticamente    enclausurado por muito tempo<i><sup>(75)</sup></i>. Por outro lado, o germe em estado de lat&ecirc;ncia    pode suprir-se de oxig&ecirc;nio, embora em pequena propor&ccedil;&atilde;o    atrav&eacute;s o glioxilato<i><sup>(76)</sup></i>. O estado de hip&oacute;xia pode ativar a enzima    glicina-dihidrogenase que libera o glioxilato. Al&eacute;m disso, o bacilo de    Koch elabora nitrato-redutase, sendo o maior redutor de nitratos, persistindo    nitritos no ambiente da les&atilde;o residual. Estes lhe fornecem algum oxig&ecirc;nio    que lhe permite sobreviver, embora sem multiplicar-se, em condi&ccedil;&otilde;es    de hipoxia dentro da necrose da les&atilde;o quiescente<i><sup>(77,78)</sup></i>. As c&eacute;lulas    gama-delta parecem contribuir para o estado de lat&ecirc;ncia dos germes<i><sup>(41)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em suma, para o    estabelecimento da tuberculose latente, h&aacute; pouca probabilidade da interven&ccedil;&atilde;o    do processo imunit&aacute;rio, parecendo resultar de uma peculiar combina&ccedil;&atilde;o    de eventos, que facultam ao <i>M. tuberculosis</i> a sobreviv&ecirc;ncia com a n&iacute;veis    metab&oacute;licos m&iacute;nimos. O desequil&iacute;brio desses eventos, quase    sempre somados &agrave; exalta&ccedil;&atilde;o da hipersensibilidade, cria    condi&ccedil;&otilde;es para o despertar dessa lat&ecirc;ncia do germe, operando-se    a chamada exacerba&ccedil;&atilde;o end&oacute;gena.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Autores argumentam    que a express&atilde;o tuberculose latente deveria ser abolida por ser incorreta,    porque nos dicion&aacute;rios m&eacute;dicos defini-se infec&ccedil;&atilde;o    latente quando n&atilde;o h&aacute; sinais nem sintomas, o que se refere ao    hospedeiro. A &ecirc;nfase deve ser sobre o estado fisiol&oacute;gico do germe.    Para este tamb&eacute;m n&atilde;o parece certa a express&atilde;o, bacilos    dormentes. Segundo esses autores, a denomina&ccedil;&atilde;o &quot;persist&ecirc;ncia    n&atilde;o replicadora&quot; do <i>Mycobacterium tuberculosis</i>, seria mais correta<i><sup>(73,77,78)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outro significativo    aspecto da lat&ecirc;ncia dos bacilos tuberculosos &eacute; o estado de persist&ecirc;ncia    com baix&iacute;ssimo metabolismo que lhes faculta subsistir, n&atilde;o obstante    a a&ccedil;&atilde;o das drogas antituberculosa; estes, quando se reativam,    s&atilde;o os maiores respons&aacute;veis pelas reca&iacute;das p&oacute;s-quimioterapia.    A quimioterapia n&atilde;o consegue extinguir todos os bacilos persistentes    dos pacientes tuberculosos, assim como a quimioprofilaxia n&atilde;o mata todos    os germes da tuberculose latente. Para os bacilos persistentes da quimioterapia,    h&aacute; os que invocam antigas hip&oacute;teses, como a exist&ecirc;ncia de    fases de ultrav&iacute;rus, de fun&ccedil;&otilde;es protetoras das granula&ccedil;&otilde;es    de Much, de fases sem a carapa&ccedil;a cerolip&iacute;dicas eventualmente demonstr&aacute;vel    pela microscopia eletr&ocirc;nica. Isso tudo exige confirma&ccedil;&atilde;o.    N&atilde;o se sabe, inclusive, se as duas situa&ccedil;&otilde;es mencionadas    de &quot;persist&ecirc;ncia n&atilde;o replicadora&quot; s&atilde;o devidas    ou n&atilde;o a um mesmo mecanismo<sup>(77A)</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Se ainda n&atilde;o    se conseguiu estabelecer uma liga&ccedil;&atilde;o da imunidade com a persist&ecirc;ncia    n&atilde;o replicadora da micobact&eacute;ria, por outro lado sabe-se que a    infec&ccedil;&atilde;o latente &eacute; evitada por defici&ecirc;ncias imunit&aacute;rias    de origem gen&eacute;tica, diminuindo a atividade do sistema c&eacute;lulas    T e macr&oacute;fagos, com falhas na elabora&ccedil;&atilde;o de citocinas.    Ainda condi&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas intervenientes no sistema HLA,    influem sobre as fun&ccedil;&otilde;es das c&eacute;lulas T, originando estado    de susceptibilidade org&acirc;nica para o desenvolvimento de tuberculose ativa<i><sup>(19,83,25,126)</sup></i>.    Nesses casos, n&atilde;o h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es propiciadoras para    estabelecer-se a tuberculose latente. As bases gen&eacute;ticas da prote&ccedil;&atilde;o    contra o <i>M. tuberculosis</i> s&atilde;o expostas adiante. Os diversos elementos    e as respostas do complexo imunit&aacute;rio da tuberculose, est&atilde;o sintetizados    no quadro geral.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Import&acirc;ncia    de teste pr&aacute;tico de imunidade na tuberculose</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ainda n&atilde;o    se conseguiu um teste demonstrativo da imunidade antituberculosa de f&aacute;cil    aplica&ccedil;&atilde;o na rotina dos estudos epidemiol&oacute;gicos, como &eacute;    a prova tubercul&iacute;nica para detectar os infectados com o <i>Mycobacterium    tuberculosis</i>. A raz&atilde;o dessa dificuldade &eacute; explic&aacute;vel pelos    m&uacute;ltiplos &acirc;ngulos existentes no mecanismo da imunidade antituberculosa    e pela inseguran&ccedil;a da sua validade usando-se apenas um deles. N&atilde;o    obstante os percal&ccedil;os, est&aacute; havendo progresso nesta linha de pesquisa.    Foi proposta uma prova de imunidade &quot; in vitro&quot;, calcada nos dados    fornecidos com a tuberculose experimental em animais<i><sup>(47)</sup></i>. A prova proposta e    j&aacute; testada utiliza os passos fundamentais do mecanismo imunit&aacute;rio    da tuberculose<i><sup>(13)</sup></i>. Macr&oacute;fagos humanos cultivados s&atilde;o postos em    contato com n&uacute;mero determinado de bacilos de Koch, juntando-se citocinas    elaboradas por c&eacute;lulas T de organismo infectado com o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>.    Tudo &eacute; colocado em recipiente de cultura, observando-se se os bacilos    permanecem vivos, por meio de v&aacute;rios m&eacute;todos, sendo prefer&iacute;vel    o radiom&eacute;trico, e qual o &iacute;ndice do seu crescimento. Pode-se assim    apurar se o organismo do qual provieram as citocinas tem ou n&atilde;o imunidade    antituberculosa. Evidentemente, este teste de imunidade, j&aacute; demonstrado    como fact&iacute;vel, &eacute; t&eacute;cnica sofisticada ao alcance de poucos    laborat&oacute;rios, n&atilde;o oferecendo condi&ccedil;&otilde;es operacionais    de rotina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A obten&ccedil;&atilde;o    de teste simples de imunidade na tuberculose constituir&aacute; grande avan&ccedil;o    na epidemiologia, na clinica e na vacina&ccedil;&atilde;o. Est&atilde;o em curso    investiga&ccedil;&otilde;es sobre novas vacinas. Um teste pr&aacute;tico de    imunidade avaliaria de imediato o poder protetor de uma nova vacina, n&atilde;o    havendo necessidade de custosos e longos estudos, como os prospectivos controlados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> H&aacute; boas    perspectivas para teste de imunidade de aplica&ccedil;&atilde;o rotineira com    os conhecimentos que v&ecirc;em sendo capitalizados com a decifra&ccedil;&atilde;o    do genoma do <i>Mycobacterium tuberculosis</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Rela&ccedil;&atilde;o    da biodiversidade do <i>mycobacterium tuberculosis</i> com imunidade e tisiogenease</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A imunidade antituberculose    tem sido mais investigada em rela&ccedil;&atilde;o ao hospedeiro que ao agente    patog&ecirc;nico. H&aacute; tempos demonstrou-se que o corpo do bacilo de Koch,    independente do fator vida, provoca les&otilde;es especificas, pela a&ccedil;&atilde;o    de prote&iacute;nas, lipoprote&iacute;nas e lip&oacute;ides. A introdu&ccedil;&atilde;o    de bacilos mortos pelo calor, emulsionados em &oacute;leo de vaselina ou parafina,    facilita sua dispers&atilde;o no organismo animal e produz les&otilde;es histopatol&oacute;gicas    especificas disseminadas, inclusive focos de caseose<i><sup>(78A,78B,78C)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Por outro lado,    constatou-se que bacilos de Koch isolados de culturas, inoculados em animais    tuberculizados, t&ecirc;m dificuldade de se multiplicar no local da inocula&ccedil;&atilde;o    e nos g&acirc;nglios sat&eacute;lites devido a imunidade desenvolvida no hospedeiro.    Todavia bacilos retirados das les&otilde;es do animal e nesse reinoculados multiplicaram-se    facilmente. Tudo se passou como se esses germes tivessem adquirido imunidade    contra as defesas do animal<i><sup>(79)</sup></i>. Essas e poucas outras pesquisas na mesma linha,    n&atilde;o tiveram maiores repercuss&otilde;es. Desde logo, por&eacute;m, as    mudan&ccedil;as do biocomportamento do <i>Mycobacterium tuberculosis</i> foram corretamente    atribu&iacute;das &agrave; muta&ccedil;&otilde;es e a outras altera&ccedil;&otilde;es    gen&eacute;ticas. Algumas cepas foram estudadas por dezenas de anos. Em 1891,    no laborat&oacute;rio Saranac, isolou-se um bacilo de crian&ccedil;a com curso    fatal de miliar tuberculosa. Essa cepa foi denominada R1. Ap&oacute;s dois anos    de cultura, R1 perdeu a virul&ecirc;ncia para cobaias, sendo que em altas doses    repetidas pode causar focos de caseose. Essa cepa, cuja hist&oacute;ria foi    relatada com quarenta anos de manuten&ccedil;&atilde;o em cultura<i><sup>(80)</sup></i> , assim    permanece at&eacute; a atualidade. Nesse mesmo laborat&oacute;rio, em 1905,    isolou-se um bacilo de paciente com tuberculose pulmonar, batizado de H37. Durante    a d&eacute;cada dos anos 1920 uma cultura sofreu altera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas,    perdendo a virul&ecirc;ncia para animais de laborat&oacute;rio. Sua hist&oacute;ria    foi contada tamb&eacute;m com quarenta anos de seguimento<i><sup>(81)</sup></i>. As demais culturas    continuam virulentas. Destes germes sa&iacute;ram dois ramos que na atualidade    s&atilde;o estudados com m&eacute;todos moleculares: H37Rv (virulento) e H37Ra    (avirulento). Diferen&ccedil;as gen&eacute;ticas est&atilde;o sendo registradas    entre as duas cepas. Estas mostram, em animais, dissemelhan&ccedil;a na mobiliza&ccedil;&atilde;o    de c&eacute;lulas T e produ&ccedil;&atilde;o de citocinas, alem de diferen&ccedil;as    na produ&ccedil;&atilde;o de manose que, junto com arabinomanam, induzem algumas    respostas diferentes celulares. Portanto, a resposta do sistema imunit&aacute;rio    dos hospedeiros &eacute; diversa para H37Rv e H37Ra.<i><sup>(82)</sup></i>. A cepa do <i>M. tuberculosis</i>    isolada no sul da &Iacute;ndia, denominada variedade Sul - &Iacute;ndia, tem    discreta virul&ecirc;ncia para a cobaia. Nas pessoas infectadas com essa cepa,    decorre um tempo longo, inusitado, entre a viragem tubercul&iacute;nica e as    manifesta&ccedil;&otilde;es clinicas da primo-infec&ccedil;&atilde;o. H&aacute;    evid&ecirc;ncia que essa cepa, nos casos que n&atilde;o desenvolvem tuberculose,    ao contrario, cria certo grau de resist&ecirc;ncia contra a doen&ccedil;a<i><sup>(82A)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos &uacute;ltimos    tempos, avolumam-se pesquisas sobre os genotipos das cepas do bacilo da tuberculose.    No momento, trabalha-se com tr&ecirc;s indicadores caracter&iacute;sticos. Analisa-se    o &quot;fingerprinting&quot; da cepa, que &eacute; a inser&ccedil;&atilde;o    seq&uuml;encial <b>IS 6110</b> no DNA espec&iacute;fica do complexo <i>Mycobacterium tuberculosis</i>.    Esta &eacute; uma inser&ccedil;&atilde;o seq&uuml;encial com polimorfismo no    fragmento de restri&ccedil;&atilde;o (RFLP - Restriction Fragment Length Polymorphims)    que existe no DNA em at&eacute; 22 c&oacute;pias dispostas na mesma disposi&ccedil;&atilde;o    nas cepas que s&atilde;o do mesmo genotipo. Assim, <b>IS 6110</b> &eacute; como a impress&atilde;o    digital do genotipo do bacilo<i><sup>(82B,82C)</sup></i>. Outra forma de an&aacute;lise do genotipo    da cepa do bacilo &eacute; identificar seq&uuml;&ecirc;ncias de repeti&ccedil;&atilde;o    de pares de bases chamadas DR (Direct repeat). Esta t&eacute;cnica denomina-se    &quot;spoligotyping&quot;<i><sup>(82C,82D)</sup></i>. Outro indicador que est&aacute; sendo    usado &eacute; o PGRS, identificando segmentos do DNA da micobact&eacute;ria    ricos em base CG (citosina e guanina)<i><sup>(160 )</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Vem-se observando    que cepas com seu determinado genotipo induzem, de alguma forma diferente, o    mecanismo imunit&aacute;rio, podendo em graus vari&aacute;veis dificultar ou    alterar a prote&ccedil;&atilde;o do hospedeiro. Algumas dessas cepas s&atilde;o    melhor conhecidas. Nos Estados Unidos, numa pequena &aacute;rea rural, eclodiu    um surto agudo de tuberculose, provocando nos infectados intensas rea&ccedil;&otilde;es    tubercul&iacute;nicas e nos doentes les&otilde;es com granulomas volumosos e    extensa caseifica&ccedil;&atilde;o. A cepa desse <i>M. tuberculosis</i> recebeu a sigla    <b>CDC1551</b>. Enquanto a cepa padr&atilde;o Erdman produz no pulm&atilde;o do rato    1.000 bacilos em 10 dias e 10.000 em 20 dias, a cepa <b>CDC1551</b> produz respectivamente    10.000 e 10 milh&otilde;es de bacilos. Esta revela-se capaz de impedir a prolifera&ccedil;&atilde;o    das c&eacute;lulas Th1<i><sup>(93,94)</sup></i>. Outro <i>M. tuberculosis</i>, muito disseminado nos    Estados Unidos, cuja sigla &eacute; 210, causador de intenso surto muito virulento,    tem crescimento r&aacute;pido dentro do macr&oacute;fago e influe desfavoravelmente    na produ&ccedil;&atilde;o de interleucinas IL6,IL10,Il12 e fator de necrose    tumoral alfa<i><sup>(95,96,97)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Desde os prim&oacute;rdios    da quimioterapia, constatou-se que cepas do <i>M. tuberculosis</i> resistentes    &agrave; isoniazida perdem a virul&ecirc;ncia para a cobaias e camundongos e    que cobaias inoculadas com bacilos resistentes &agrave; estreptomicina, sobrevivem    mais tempo que animais inoculados com germes sens&iacute;veis<i><sup>(97A,97B)</sup></i>.    Entretanto, em ambos os casos, os bacilos permanecem patog&ecirc;nicos para    humanos. Registram-se muitos surtos epid&ecirc;micos de alta patogenicidade    ocasionados por <i>M.tuberculosis</i> multidrogarresistentes e pacientes com    esses infectados, sofrem mortalidade elevada, n&atilde;o obstante tratamento    com drogas alternativas. Entre essas cepas, inclui-se a cepa W resistente a    sete drogas. O estudo do fen&oacute;tipo dessas cepas, revela que algumas dificultam    a mobiliza&ccedil;&atilde;o pelo hospedeiro das c&eacute;lulas do sistema imunit&aacute;rio    antituberculoso <i><sup>(90,98,98A,98B,98C,98D,98E,106)</sup></i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O fen&oacute;tipo    do <i>M.tuberculosis</i> influi nas respostas de defesa do hospedeiro, porque h&aacute;    evid&ecirc;ncia de gene ou grupo de genes, que contribuem para a mobiliza&ccedil;&atilde;o    celular e qualidade da imunidade do organismo infectado. As informa&ccedil;&otilde;es    sobre esse complexo processo ainda necessitam ser ampliadas e aprofundadas.    J&aacute; se conhece uma cepa do <i>Mycobacterium tuberculosis</i>, que atenuou sua    virul&ecirc;ncia pela muta&ccedil;&atilde;o do gene rpoV<i><sup>(97)</sup></i>. Sabe-se que no    <i>Mycobacterium bovis</i> existe o gene mpb 64 e a prote&iacute;na ESAT - 6 que n&atilde;o    se encontram no DNA do BCG. A perda desses caracteres gen&eacute;ticos e talvez    outras muta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o esclarecidas ainda transformavam um    bacilo tuberculoso bovino virulento num germe avirulento protetor contra a tuberculose<i><sup>(121)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em suma, h&aacute;    grandes varia&ccedil;&otilde;es na virul&ecirc;ncia do <i>Mycobacterium tuberculosis</i>,    j&aacute; conhecidas h&aacute; muito tempo que &eacute; quantitativamente diferente    conforme as cepas<i><sup>(90)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O mecanismo imunit&aacute;rio    nos infectados com <i>Mycobacterium tuberculosis</i> configura-se de acordo    com fatores intervenientes do corpo micobacteriano e do organismo do hospedeiro,    que por sua vez &eacute; condicionado &agrave; fatores gen&eacute;ticos que    s&atilde;o abordados a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resist&ecirc;ncia    natural e sele&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; tuberculose</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bases gen&eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> H&aacute; evid&ecirc;ncias    sugestivas de diferen&ccedil;as entre os sexos na susceptibilidade de contrair    tuberculose ativa, que seria maior nas mulheres, na adolesc&ecirc;ncia, idades    jovens, passando a predominar nos homens a partir dos 30 anos, mais ou menos.    Fatores econ&ocirc;mico-sociais parecem participar dessa diferen&ccedil;a, porem    com peso muito inferior aos gen&eacute;ticos<i><sup>(98)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Uma das maiores    revis&otilde;es da influ&ecirc;ncia de bases gen&eacute;ticas sobre a evolu&ccedil;&atilde;o    da infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa foi levantada com os dados do Royal College    of Physicians da Inglaterra, efetuando an&aacute;lise de regress&atilde;o m&uacute;ltipla    para a avalia&ccedil;&atilde;o das diversas vari&aacute;veis, al&eacute;m do    fator zig&oacute;tico. Concluiu-se que a concord&acirc;ncia para a tuberculose-doen&ccedil;a    foi significantemente maior entre os g&ecirc;meos homozig&oacute;ticos que nos    dizig&oacute;ticos, evidenciando a import&acirc;ncia gen&eacute;tica para a    tisiog&ecirc;nese<i><sup>(99)</sup></i>. Essa conclus&atilde;o foi confirmada em investiga&ccedil;&otilde;es    ulteriores<i><sup>(98)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A rela&ccedil;&atilde;o    de fatores raciais com a tuberculose, tem sido mais extensamente investigada    na ra&ccedil;a negra, sendo as mais relevantes sobre os pretos norte-americanos,    abarcando mais de 25.000 indiv&iacute;duos. A conclus&atilde;o geral &eacute;    a que de, mesmo valorizando as piores condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;mico-sociais    da ra&ccedil;a negra em geral, h&aacute; evid&ecirc;ncia segura de sua maior    susceptibilidade &agrave; tuberculose, em compara&ccedil;&atilde;o com a ra&ccedil;a    branca<i><sup>(100,101,102,103)</sup></i>. Essa maior susceptibilidade da ra&ccedil;a    negra para a tuberculose pode ser constatada no mecanismo imunit&aacute;rio,    pois o <i>M. tuberculosis</i> prolifera muito mais dentro dos seus macr&oacute;fagos    que nos macr&oacute;fagos provenientes de brancos. Demonstra-se portanto, que    essas c&eacute;lulas dos pretos t&ecirc;m maior dificuldade de matar os bacilos    que as dos brancos<i><sup>(104)</sup></i>. Ainda mais, os pretos t&ecirc;m outro    fator constitucional agravante para a tuberculose. A vitamina D &eacute; um    dos estimulantes do processo imunit&aacute;rio contra o <i>M. tuberculosis</i>. Os    pretos t&ecirc;m defici&ecirc;ncia da vitamina D devido &agrave; pigmenta&ccedil;&atilde;o    escura da pele que impede sua fotoss&iacute;ntese<i><sup>(105)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Entre os elementos    gen&eacute;ticos identificados como fatores de susceptibilidade para a tuberculose,    mais extensamente investigados, s&atilde;o os tipos constitucionais HLA (ant&iacute;geno    leucoc&iacute;tico humano). Demonstrou-se incid&ecirc;ncia de 1,5 a 3,5 vezes    maior de tuberculose ativa nos tipos constitucionais HLA - 8B no Canad&aacute;<i><sup>(110)</sup></i>,    no norte da &Iacute;ndia<i><sup>(111)</sup></i>, e na R&uacute;ssia<i><sup>(112)</sup></i>. Est&aacute; demonstrada    maior freq&uuml;&ecirc;ncia de tuberculose ativa nos tipos HLA - A11,B8,B15    e DR2<i><sup>(107,108,110)</sup></i>. O tipo B15 &eacute; encontrado em maior propor&ccedil;&atilde;o    nos negros norte-americanos que, como j&aacute; mencionado, s&atilde;o mais    suscept&iacute;veis a desenvolver tuberculosedoen&ccedil;a<i><sup>( 109)</sup></i>. Entretanto,    deve haver situa&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas que contrabalan&ccedil;am    ou anulam o efeito negativo desses tipos HLA para tuberculose porque, por exemplo,    entre os chineses de Hong Kong n&atilde;o se encontrou rela&ccedil;&atilde;o    estatisticamente significante de tuberculose com tipo HLA suscept&iacute;vel<i><sup>(113)</sup></i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Partindo dos estudos    da resist&ecirc;ncia natural do rato &agrave;s infec&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios    agentes parasit&aacute;rios intracelulares e ao <i>Mycobacterium tuberculosis</i>,    identificou-se em humanos o gene NRAMP1<i><sup>(114)</sup></i>. A resist&ecirc;ncia    natural do rato &eacute; regulada pelo gene denominado Bcg ou Lsh ou ainda Ity    que possui dois alelos: um dominante Bcg-r que confere resist&ecirc;ncia &agrave;    infec&ccedil;&atilde;o e outro recessivo Bcg-s determinador de susceptibilidade.    O Bcg-r intensifica a capacidade dos macr&oacute;fagos dos &oacute;rg&atilde;os    do ret&iacute;culo-endotelial (ba&ccedil;o e f&iacute;gado) de destruir os agentes    parasit&aacute;rios fagocitados <i><sup>(115,116)</sup></i>. A prote&iacute;na    Nramp1 contida no gene Bcg &eacute; considerada como participante da resist&ecirc;ncia    natural do rato <i><sup>(116A,117)</sup></i>. A prote&iacute;na hom&oacute;loga,    identificada no homem foi clonada e grafada MRAMP1. Encontram-se duas muta&ccedil;&otilde;es    dessa MRAMP1 e h&aacute; evid&ecirc;ncia de que &eacute; muito importante na    infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa<i><sup>(118)</sup></i>. Embora n&atilde;o    se possa garantir a exist&ecirc;ncia em humanos de gene espec&iacute;fico governando    a susceptibilidade, a prote&iacute;na MRAMP1 foi encontrada em estudo sobre    tuberculose na G&acirc;mbia, oeste da &Aacute;frica<i><sup>(119)</sup></i>.    O polimorfismo desse gene revelou-se significantemente associado &agrave; tuberculose.    Os indiv&iacute;duos heterozig&oacute;ticos para dois MRAMP1, estiveram presentes,    em maior propor&ccedil;&atilde;o, nos casos com tuberculose doen&ccedil;a, comparados    com o genotipo mais comum; a odd rateio foi 4.07. Concluiu-se que varia&ccedil;&otilde;es    gen&eacute;ticas do MRAMP1, est&atilde;o mais associadas &agrave; tuberculose    ativa<i><sup>(119)</sup></i>. Em Malta, registrou-se que 4 crian&ccedil;as de    uma mesma fam&iacute;lia, sofreram dissemina&ccedil;&atilde;o de micobact&eacute;ria    at&iacute;pica. Verificou-se que tiveram muta&ccedil;&atilde;o de MRAMP1 e que    a mesma doen&ccedil;a havia ocorrido em ancestrais. Pelos dados colhidos, conclui-se    que se trata de desordem heredit&aacute;ria autossomica recessiva<i><sup>(120)</sup></i>.    Vai-se juntando evid&ecirc;ncia de que a presen&ccedil;a de MRAMP1 heterozig&oacute;ticos,    aumenta a susceptibilidade n&atilde;o s&oacute; para o <i>M. tuberculosis</i>, mas    para outras micobact&eacute;rias<i><sup>(117)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Progressivamente    v&atilde;o-se descortinando os complexos meandros do sistema imunit&aacute;rio    na tuberculose inclusive dos fatores gen&eacute;ticos que o governam. Com a    decodifica&ccedil;&atilde;o dos genomas humano e do <i>Mycobacterium tuberculosis</i>,    espera-se r&aacute;pido e mais profundo avan&ccedil;o na tisiog&ecirc;nese.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sele&ccedil;&atilde;o    natural</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Estudos moleculares    trouxeram &agrave; tona informa&ccedil;&otilde;es de que bases gen&eacute;ticas    nos humanos s&atilde;o respons&aacute;veis pela resist&ecirc;ncia natural contra    o <i>Mycobacterium tuberculosis</i> e de que outras, ao contr&aacute;rio, aumentam    a susceptibilidade para contrair a tuberculose. H&aacute; consenso de que seres    humanos, expostos milenarmente &agrave; agress&atilde;o do bacilo de Koch, foram    sendo selecionados, proporcionando coortes relativamente mais resistentes. Desse    modo, a maior resist&ecirc;ncia org&acirc;nica humana contra a tuberculose resulta    de uma sele&ccedil;&atilde;o natural que se veio destacando no decorrer dos    s&eacute;culos <i><sup>(132,133,134)</sup></i>. Na hist&oacute;ria recente, h&aacute; exemplo    desse processo, ocorrido na Inglaterra e Su&eacute;cia. Nas primeiras dezenas    dos anos do s&eacute;culo 20, quando era alta a preval&ecirc;ncia de tuberculose    no gado, tamb&eacute;m era alta a infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa na popula&ccedil;&atilde;o,    inclusive nas &aacute;reas rurais. Anos depois, nessas &aacute;reas referidas,    observou-se em largas coortes da popula&ccedil;&atilde;o adulta associa&ccedil;&atilde;o    inversa da mortalidade tuberculosa com a infec&ccedil;&atilde;o anterior e vice-versa.<i><sup>(135)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A a&ccedil;&atilde;o    secular do agente infeccioso devastando gera&ccedil;&otilde;es vai selecionando    coortes mais resistentes, capazes de se protegerem melhor contra o <i>M.tuberculosis</i>.    Essa sele&ccedil;&atilde;o natural ocorreu na Europa com a expans&atilde;o da    revolu&ccedil;&atilde;o industrial, quando grandes contingentes populacionais    foram dizimados pela tuberculose. Em Londres, por exemplo, em meados do s&eacute;culo    19, os coeficientes de mortalidade tuberculosa atingiram a 1.100 por 100.000    habitantes. A partir dessa &eacute;poca a epidemia tuberculosa foi decrescendo    lentamente, por&eacute;m acentuadamente. Esse descenso se deveu mais &agrave;    sele&ccedil;&atilde;o natural das popula&ccedil;&otilde;es, do que a medidas    de sa&uacute;de p&uacute;blica e conquistas sociais<i><sup>(133, 136 )</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A hist&oacute;ria    mostra que todas as vezes que os colonizadores aportaram nas regi&otilde;es    geogr&aacute;ficas dos povos virgens da infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa levaram    o bacilo de Koch, vitimando vultosos contingentes dos aut&oacute;ctones, com    quadros graves da primo-infec&ccedil;&atilde;o. Com o correr dos tempos, os    abor&iacute;genes mais resistentes passaram a influir na epidemia tuberculosa,    ocorrendo domin&acirc;ncia das formas cl&iacute;nicas cr&ocirc;nicas. Isso sucedeu    na &Aacute;frica, &Aacute;sia, Polin&eacute;sia, Austr&aacute;lia e no continente    americano. A dizima&ccedil;&atilde;o pela tuberculose nos povos conquistados,    nos &uacute;ltimos s&eacute;culos, foi pelo o que hoje est&aacute; na ordem    do dia, o bioterrorismo que os colonizadores empregaram. E n&atilde;o foi t&atilde;o    inconscientemente, pois soci&oacute;logos consideraram que &quot;ante a terr&iacute;vel    mortandade provocada pela tuberculose nessas popula&ccedil;&otilde;es expostas,    o <i>Mycobacterium tuberculosis</i> foi um dos pontos cardeais como maior aliado dos    civilizados nas conquistas dos povos abor&iacute;genes&quot;<i><sup>(137)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> At&eacute; a d&eacute;cada    de 1860 n&atilde;o existia tuberculose na &Aacute;frica<i><sup>(138,139)</sup></i>. Com as v&aacute;rias    coloniza&ccedil;&otilde;es, a doen&ccedil;a se disseminou rapidamente nas aglomera&ccedil;&otilde;es    urbanas, com formas cl&iacute;nicas graves, de curso agudo, vitimando grandes    contingentes nativos<i><sup>(140,141,142)</sup></i>. Em seguida, a onda epid&ecirc;mica se interiorizou,    provocando elevada mortalidade<i><sup>(142, 143,144)</sup></i>. No in&iacute;cio do s&eacute;culo    20, a tuberculose havia atingido quase todo o continente africano, especialmente    ao Sul do Sahara e na &Aacute;frica do Sul. Mineiros e soldados morriam aos    magotes<i><sup>(141,142)</sup></i>. Esse quadro tamb&eacute;m se desenrolou na &Aacute;sia, na    Indon&eacute;sia e demais ilhas do Pac&iacute;fico<i><sup>(143,144)</sup></i>. Nos Estados Unidos    e Canad&aacute;, no final do s&eacute;culo 19, os nativos, &iacute;ndios Apaches,    entrando em contato com os civilizados, tanto crian&ccedil;as quanto adultos,    sofreram a maior dizima&ccedil;&atilde;o pela tuberculose que se tem not&iacute;cia,    atingindo a mortalidade o incr&iacute;vel coeficiente de 9.000 por 100.000 <i><sup>(145)</sup></i>.    Aqui no Brasil, na coloniza&ccedil;&atilde;o, vieram jesu&iacute;tas e colonos,    muitos deles tuberculosos. Estes contaminaram os &iacute;ndios em massa. Em    cartas de In&aacute;cio de Loyola e de Anchieta, dirigidas ao Reino, informavam:    &quot;os &iacute;ndios ao serem catequizados, adoecem com tosse e febre, muitos    cuspindo sangue, a maioria morrendo com deser&ccedil;&atilde;o das aldeias&quot;<i><sup>(146)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os pretos, escravos,    ao chegarem nos Estados Unidos, contra&iacute;am rapidamente a tuberculose,    com forma aguda e mortal<i><sup>(147)</sup></i>. No Rio de Janeiro, os registros de &oacute;bitos    da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia, no per&iacute;odo de 1833 a 1849, por    21 causas ocorridas em escravos, a tuberculose figura com 53,6% do total<i><sup>(148)</sup></i>.    Durante a primeira guerra mundial (1914-1918), pretos senegaleses foram recrutados    pela Fran&ccedil;a para lutarem contra os alem&atilde;es. Estes contaminaram-se    em massa nas trincheiras e foram dizimados com quadros graves de primo-infec&ccedil;&atilde;o    tuberculosa, com m&uacute;ltiplas adenomegalias caseosas, tor&aacute;cicas e    abdominais<i><sup>(149)</sup></i>. N&atilde;o h&aacute; elementos para fixar as caracter&iacute;sticas    imunobiol&oacute;gicas das gera&ccedil;&otilde;es que se selecionaram, pela    sua resist&ecirc;ncia natural, contra a tuberculose. Hoje sabe-se que os macr&oacute;fagos    dos negros t&ecirc;m menor capacidade de impedir a multiplica&ccedil;&atilde;o    do <i>M. tuberculosis</i>, que os dos brancos<i><sup>(102,104)</sup></i>. N&atilde;o obstante essa relativa    susceptibilidade para com a tuberculose, as formas cl&iacute;nicas que nos tempos    iniciais do contato dos pretos norte-americanos, com o bacilo de Koch, eram    agudas e disseminadas, s&atilde;o hoje de predomin&acirc;ncia cr&ocirc;nica,    mais estabilizadas, como ocorre nos brancos. Isso reflete a sele&ccedil;&atilde;o    natural nos negros, passando a dominar os menos suscept&iacute;veis<i><sup>(150)</sup></i>. O    mesmo ocorreu no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A sele&ccedil;&atilde;o    natural preservando as gera&ccedil;&otilde;es mais resistentes &agrave; tuberculose    est&aacute; bem evidenciada na hist&oacute;ria do povo judaico. Inicialmente,    predominava a id&eacute;ia de que os judeus tinham resist&ecirc;ncia natural    contra a tuberculose mais elevada que as demais etnias. Desde o in&iacute;cio    do s&eacute;culo 20, verificou-se nos Estados Unidos que os judeus imigrados    do leste europeu acusavam menor preval&ecirc;ncia &agrave; tuberculose que a    popula&ccedil;&atilde;o geral, sendo as formas cl&iacute;nicas mais benignas    e cr&ocirc;nicas<i><sup>(151)</sup></i>. Estudos posteriores, mostraram que    essa maior resist&ecirc;ncia era s&oacute; dos israelitas da Europa Central    que, confinados por s&eacute;culos nos guetos, casavam entre si. Vitimados em    grande propor&ccedil;&atilde;o pela tuberculose, os mais resistentes deixaram    descendentes menos suscept&iacute;veis. A cren&ccedil;a da resist&ecirc;ncia    natural superior dos judeus foi calcada apenas na observa&ccedil;&atilde;o dos    judeus askenases que desenvolveram sele&ccedil;&atilde;o natural. A contrapartida    disso est&aacute; no fato de que com a funda&ccedil;&atilde;o do Estado de Israel,    os judeus tuberculosos oriundos dos campos de concentra&ccedil;&atilde;o foram    para l&aacute; levados, ao mesmo tempo que os judeus iemenitas, os quais viveram    isolados nos desertos, por mil&ecirc;nios, sem tuberculose. Estes, ao entrarem    em contato com aqueles, rapidamente contaminaram-se, e muitos desenvolveram    primo-infec&ccedil;&atilde;o grave invasiva do mesmo modo que os negros senegaleses    nas trincheiras na Fran&ccedil;a.<i><sup>(132,134,152)</sup></i>. Comprovou-se    que a superior resist&ecirc;ncia &agrave; tuberculose dos judeus askenases n&atilde;o    decorre de caracter&iacute;stica gen&eacute;tica espec&iacute;fica e, sim, de    uma circunst&acirc;ncia hist&oacute;rico-social. Os judeus iemenitas n&atilde;o    t&ecirc;m nenhuma resist&ecirc;ncia natural antituberculosa. Humanos e animais    que t&ecirc;m resist&ecirc;ncia natural &agrave; tuberculose possuem macr&oacute;fagos    com maior capacidade de deter e destruir o <i>M.tuberculosis</i>. N&atilde;o se demonstrou    que os macr&oacute;fagos dos judeus tenham comportamento diferente que as outras    etnias na capacidade de matar o <i>M. tuberculosis</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Hip&oacute;tese    aventada recentemente merece ser discutida pela suspeita da possibilidade de    uma sele&ccedil;&atilde;o &agrave;s avessas, com o advento da era da quimioterapia    da tuberculose. Argumenta-se que muitos suscept&iacute;veis geneticamente &agrave;    infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa n&atilde;o est&atilde;o sendo eliminados;    ao contr&aacute;rio, s&atilde;o preservados gra&ccedil;as &agrave;s drogas antituberculosas<i><sup>(136)</sup></i>.    Se essa hip&oacute;tese for confirmada, as medidas de controle da tuberculose    dever&atilde;o ser redobradas para eliminar a doen&ccedil;a, antes que se avolumem    contigentes cada vez mais vulner&aacute;veis ao <i>M . tuberculosis</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> De qualquer forma,    ante os conhecimentos da relativa precariedade do mecanismo imunit&aacute;rio    da tuberculose, que n&atilde;o consegue impedir as reativa&ccedil;&otilde;es    end&oacute;genas, as reinfec&ccedil;&otilde;es ex&oacute;genas, e permitindo    at&eacute; que o bacilo conviva em simbiose com o organismo, urge, com os recursos    das t&eacute;cnicas moleculares, e a decifra&ccedil;&atilde;o do genoma do <i>M.    tuberculosis</i>, criar com aux&iacute;lio da engenharia gen&eacute;tica vacinas    mais poderosas capazes de proteger o ser humano contra as defici&ecirc;ncias    imunit&aacute;rias apontadas, erigindo-se uma eficiente arma profil&aacute;tica    contra a tuberculose.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vacinas antituberculose    - novas vacinas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O &uacute;nico    procedimento para criar imunidade antituberculosa nos organismos n&atilde;o    infectados e elev&aacute;-la nos j&aacute; infectados &eacute; a vacina&ccedil;&atilde;o.    Por enquanto, conta-se apenas com a BCG. Com a engenharia gen&eacute;tica, h&aacute;    grandes perspectivas de construir vacinas mais poderosas, como BCG recombinante    e vacinas DNA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vacina BCG</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O BCG deriva de    uma cepa do <i>Mycobacterium bovis</i>, que no laborat&oacute;rio do Instituto Pasteur,    sofreu mutacionismo, reduzindo sua virul&ecirc;ncia e mantendo propriedades    imunizantes. Entre as altera&ccedil;&otilde;es do DNA, indentificaram-se a dele&ccedil;&atilde;o    do gene mpb 64 e da prote&iacute;na ESAT 6, que n&atilde;o existem no genoma    do BCG<i><sup>(121)</sup></i>. Por sua vez, as cepas de BCG, mantidas em cultura por dezenas de    anos em laborat&oacute;rios dos diversos pa&iacute;ses, sofreram muta&ccedil;&otilde;es,    variando o poder imunizante e sensibilizante &agrave; tuberculina<i><sup>(153,154)</sup></i>.    S&oacute; em 1960<i><sup>(83)</sup></i>, esses inconvenientes foram reduzidos em parte, adotando-se    o sistema de sementes (seed lot) conservando o BCG, liofilizado, fazendo-se    a reconstitui&ccedil;&atilde;o de acordo com as necessidades de consumo<i><sup>(155)</sup></i>.    Mesmo assim, praticamente n&atilde;o h&aacute; duas cepas de BCG que sejam inteiramente    id&ecirc;nticas geneticamente. As seq&uuml;&ecirc;ncias repetidas no DNA, (DR-    direct repeat) que s&atilde;o em torno de 16, sofreram v&aacute;rias dele&ccedil;&otilde;es,    como por exemplo, a cepa trazida para o Brasil que perdeu a DR16<i><sup>(161)</sup></i>. Todas    perderam a DR1, que se encontra sempre no mesmo locus do DNA do <i>M. tuberculosis</i>,    fazendo supor a exist&ecirc;ncia nesse local de gene ou genes ligados &aacute;    virul&ecirc;ncia<i><sup>(162)</sup></i>. Muitas outras muta&ccedil;&otilde;es registram-se conforme    as diversas cepas<i><sup>(84,85,86)</sup></i>. As varia&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas das    cepas espalhadas nos pa&iacute;ses, explicam as diferen&ccedil;as de mobiliza&ccedil;&atilde;o    do sistema celular imunit&aacute;rio, portanto do poder de prote&ccedil;&atilde;o    e da hipersensibilidade que cada qual desencadeia <i><sup>(83,87,88,89,90,91,192)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As diferen&ccedil;as    dos epitopos do <i>M.tuberculosis</i> s&atilde;o v&aacute;rias. Por exemplo, a inser&ccedil;&atilde;o    seq&uuml;encial <b>IS 6110</b>, caracter&iacute;stica do bacilo, est&aacute; substitu&iacute;da    no DNA do BCG pela <b>IS 987</b> que difere daquela por dois amino&aacute;cidos<i><sup>(156,170)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> De qualquer forma,    est&aacute; comprovado que o BCG &eacute; o maior indutor de imunidade mediada    por c&eacute;lulas<i><sup>(157)</sup></i>. &Eacute; muito potente a mobiliza&ccedil;&atilde;o    no hospedeiro das c&eacute;lulas CD4, CD8, Th1, Th2, macr&oacute;fagos e c&eacute;lulas    monocit&aacute;rias em geral do ret&iacute;culo endotelial e a indu&ccedil;&atilde;o    de elabora&ccedil;&atilde;o de citocinas como IL1,IL2,IL4,IL12, interferon gama    e fator de necrose tumoral alfa<i><sup>(83,157,159,160)</sup></i>. Tamb&eacute;m s&atilde;o ativadas    as c&eacute;lulas B na produ&ccedil;&atilde;o de anticorpos e receptores, embora    n&atilde;o tenham fun&ccedil;&atilde;o no mecanismo imunit&aacute;rio da tuberculose<i><sup>(83,157,159,160,161,162)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O BCG produz estado    imunit&aacute;rio protetor contra a tuberculose por 10 a 15 anos, porque se    mant&eacute;m vivo dentro dos fagolisosomas dos macr&oacute;fagos, onde n&atilde;o    &eacute; destru&iacute;do como sucede com o <i>Mycobacterium tuberculosis<sup>(180)</sup></i>    .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O BCG revela o    mesmo poder de prote&ccedil;&atilde;o contra a tuberculose, em indiv&iacute;duos    geneticamente suscept&iacute;veis ao M.tuberculosis, por serem fenotipos HLA    DR ou por possu&iacute;rem genes Bcg-s. Isso se verificou em crian&ccedil;as    de comunidade asi&aacute;tica suscept&iacute;vel geneticamente, residente na    Inglaterra<i><sup>(181)</sup></i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Entretanto quando    o BCG foi submetido a 11 cl&aacute;ssicos estudos prospectivos controlados,    os &iacute;ndices de prote&ccedil;&atilde;o antituberculose foram contrastantes.    Cinco estudos constataram altos &iacute;ndices de prote&ccedil;&atilde;o, de    80% para cima: adolescentes de Londres, &iacute;ndios canadenses, &iacute;ndios    norte-americanos, jovens de Haiti e crian&ccedil;as de Chicago. Tr&ecirc;s tiveram    resultados med&iacute;ocres, entre 31% e 34%: jovens de Porto Rico, popula&ccedil;&atilde;o    de Mandanapalle &Iacute;ndia, e mineiros da &Aacute;frica do Sul. Outros tr&ecirc;s    com resultados nulos: adolescentes e crian&ccedil;as da Georgia e de Alabama    USA e popula&ccedil;&atilde;o de Chingleput, &Iacute;ndia<i><sup>(157)</sup></i>. Publicaram-se    analises exaustivas desses estudos. Constatou-se que, onde os &iacute;ndices    de infec&ccedil;&atilde;o por micobact&eacute;rias at&iacute;picas n&atilde;o    tuberculosas s&atilde;o baixos, insignificantes, a prote&ccedil;&atilde;o antituberculosa    do BCG &eacute; alta, ao passo que, onde a preval&ecirc;ncia por essas infec&ccedil;&otilde;es    &eacute; elevada, os resultados s&atilde;o med&iacute;ocres ou nulos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Pesquisas<i><sup>(157,163)</sup></i>    em animais infectados com <i>M. avium</i>, ou <i>M. kansasii</i> ou ainda <i>M. fortuitum</i> mostraram    que estas desenvolvem certo grau de resist&ecirc;ncia ao <i>M. tuberculosis</i>. Quando    esses animais s&atilde;o ent&atilde;o infectados com M. tuberculosis, o BCG    tem sua margem de prote&ccedil;&atilde;o diminu&iacute;da, porque o n&iacute;vel    de prote&ccedil;&atilde;o que ele confere continua o mesmo que nos animais n&atilde;o    infectados por aquelas micobact&eacute;rias<i><sup>(163)</sup></i>. Por isso, os fracos resultados    da vacina&ccedil;&atilde;o BCG nas regi&otilde;es geogr&aacute;ficas com alta    preval&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o por micobact&eacute;rias at&iacute;picas,    n&atilde;o devem ser debitados &agrave; vacina, mas a fatores imuno-epidemiol&oacute;gicos    que diminuem o n&iacute;vel de sua a&ccedil;&atilde;o<i><sup>(163,164,165,166)</sup></i>. H&aacute;    v&aacute;rios fatos intrigantes na interla&ccedil;&atilde;o imunit&aacute;ria    nas diversas esp&eacute;cies de micobact&eacute;rias, determinando a&ccedil;&otilde;es    aparentemente paradoxais do BCG. Assim, por exemplo, este tem o mesmo poder    mobilizador do sistema celular imunit&aacute;rio tanto nos indiv&iacute;duos    das &aacute;reas com baixa ou nenhuma infec&ccedil;&atilde;o de micobact&eacute;rias    at&iacute;picas, como nos que vivem em &aacute;reas geogr&aacute;ficas com alta    preval&ecirc;ncia dessas micobact&eacute;rias. Isso foi comprovado em estudo    comparativo de mobiliza&ccedil;&atilde;o dessas c&eacute;lulas nos vacinados    com BCG, em indiv&iacute;duos de Chingleput, &Iacute;ndia com alta preval&ecirc;ncia    de micobact&eacute;rias at&iacute;picas e do bacilo Sul-&Iacute;ndia, e de Londres,    onde &eacute; negligenci&aacute;vel a freq&uuml;&ecirc;ncia dessas micobact&eacute;rias<i><sup>(177)</sup></i>.    Outro fato &eacute; que em &aacute;reas de alta preval&ecirc;ncia de micobact&eacute;rias    at&iacute;picas, o BCG n&atilde;o obstante produzir resultados nulos quanto    a prote&ccedil;&atilde;o antituberculosa, exerce prote&ccedil;&atilde;o significante    contra a lepra, como sucede em Malawi<i><sup>(167,168)</sup></i>. Por outro lado, o BCG exerce    prote&ccedil;&atilde;o significante contra micobact&eacute;rias at&iacute;picas.    Isso foi bem comprovado na Su&eacute;cia onde um programa de vacina&ccedil;&atilde;o    BCG diminuiu significantemente a incid&ecirc;ncia de manifesta&ccedil;&otilde;es    clinicas em crian&ccedil;as infectadas com o <i>Mycobacterium malmoe <sup>(169)</sup></i> .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A maior distribui&ccedil;&atilde;o    das micobact&eacute;rias at&iacute;picas &eacute; nas &aacute;reas geogr&aacute;ficas    de baixa latitude, sendo bem menor nas altas latitudes. Naquelas &eacute; mais    s&eacute;ria a carga da tuberculose. &Eacute; pois, paradoxal que a vacina&ccedil;&atilde;o    BCG produza menos prote&ccedil;&atilde;o onde h&aacute; mais tuberculose e atinja    as maiores taxas de prote&ccedil;&atilde;o nas altas latitudes, onde &eacute;    baixa a infec&ccedil;&atilde;o pelo <i>Mycobacterium tuberculosis</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O maior impacto    do BCG sobre a epidemiologia da tuberculose, &eacute; por diminuir significantemente    o risco das manifesta&ccedil;&otilde;es graves hematog&ecirc;nicas da primo-infec&ccedil;&atilde;o,    como a meningoencefalite e a granulia<i><sup>(17)</sup></i>. Todas as investiga&ccedil;&otilde;es    nesse campo, nos mais diversos pa&iacute;ses, concordam com esses fatos <i><sup>(171,172,173)</sup></i>.    Para o c&ocirc;mputo geral da prote&ccedil;&atilde;o antituberculosa, do BCG,    a Escola de Sa&uacute;de Publica de Harvard, procedeu meta-an&aacute;lise de    1264 estudos cuja metodologia foi considerada correta. A m&eacute;dia da prote&ccedil;&atilde;o    antituberculosa em rala&ccedil;&atilde;o ao risco relativo foi 0.49. (efeito    protetor 51%). A m&eacute;dia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; raz&atilde;o    de risco (odd ratio) foi 0.50. (efeito protetor - 50%). Nos estudos que t&ecirc;m    registros de &oacute;bitos por tuberculose, a prote&ccedil;&atilde;o em m&eacute;dia    foi de 71%. Conclui-se, no geral, que o BCG reduz o risco de tuberculose ativa    em 50%, nas popula&ccedil;&otilde;es onde &eacute; empregado<i><sup>(174)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> H&aacute; evid&ecirc;ncia    de que existem cepas do <i>M. tuberculosis</i> mais resistentes &agrave; imunidade    conferida pelo BCG. Com t&eacute;cnicas moleculares constatou-se que em popula&ccedil;&otilde;es    onde n&atilde;o se aplicou o BCG sistematicamente, como a Holanda, s&atilde;o    muitas as cepas do bacilo de Koch com fenotipos diferentes; ao contr&aacute;rio,    nos pa&iacute;ses com grande cobertura de vacina, s&atilde;o poucas as diversidades    de fenotipos da micobact&eacute;ria. Na regi&atilde;o de Beiging, China e na    Tun&iacute;sia, com grande cobertura de BCG, h&aacute; pouqu&iacute;ssimas cepas    de fen&oacute;tipos diferentes. Isso sugere que se processou sele&ccedil;&atilde;o    natural de cepas mais resistentes que, apesar da vacina&ccedil;&atilde;o, se    impuseram epidemiologicamente<i><sup>(175,176)</sup></i>. Conviria averiguar se fato semelhante    vem ocorrendo no Brasil, com cobertura vac&iacute;nica de 70% da inf&acirc;ncia    em 1980 e depois praticamente 100% em muitos Estados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A prote&ccedil;&atilde;o    do BCG &eacute; limitada pelas diferen&ccedil;as no mecanismo imunol&oacute;gico    da tuberculose. &Eacute; por isso que sua prote&ccedil;&atilde;o contra as manifesta&ccedil;&otilde;es    graves da primo-infec&ccedil;&atilde;o &eacute; mais de 80% superior que nas    formas pulmonares. Conclus&otilde;es nessa linha foram extra&iacute;das da literatura    existente manipuladas pela Escola de Epidemiologia e Medicina Tropical de Londres<i><sup>(173)</sup></i>.    A forma pulmonar, geralmente mais tardia na historia da evolu&ccedil;&atilde;o    da infec&ccedil;&atilde;o tuberculosa, surge mais freq&uuml;entemente pelo esvaimento    da imunidade ou, o que parece mais prov&aacute;vel, pela interven&ccedil;&atilde;o    de peculiaridades desfavor&aacute;veis dos mecanismo tisiog&ecirc;nicos, como    s&atilde;o a exacerba&ccedil;&atilde;o end&oacute;gena e reinfec&ccedil;&atilde;o    ex&oacute;gena em organismos j&aacute; infectados, com estados imunol&oacute;gicos    diferentes<i><sup>(173)</sup></i>. Deve-se incluir nesse complexo jogo, o papel desfavor&aacute;vel    da exacerba&ccedil;&atilde;o da hipersensibilidade no correr da infec&ccedil;&atilde;o    tuberculosa<i><sup>(157,173)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> H&aacute; consenso    de que o maior poder protetor do BCG &eacute; exercido quando introduzido em    organismos ainda n&atilde;o infectados por micobact&eacute;rias. Ele n&atilde;o    possui condi&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas de elevar qualitativa e quantitativamente    o mecanismo imunit&aacute;rio nos j&aacute; infectados com <i>M.tuberculosis</i>, para    extinguir a infec&ccedil;&atilde;o latente (tuberculose latente), prevenir as    reativa&ccedil;&otilde;es end&oacute;genas e de proteger contra as reinfec&ccedil;&otilde;es    ex&oacute;genas<i><sup>(157)</sup></i> .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> S&oacute; vacinas    com poder imunol&oacute;gico ampliado para agir positivamente sobre esse complexo    quadro poder&atilde;o exercer impacto significante na epidemiologia da tuberculose.    Duas linhas de engenharia gen&eacute;tica, com as investiga&ccedil;&otilde;es    mais avan&ccedil;adas, s&atilde;o o BCG recombinante e vacinas DNA<i><sup>(188)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BCG recombinante</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A imunidade antituberculosa    para manter-se necessita que o agente infeccioso ou o BCG permane&ccedil;am    presentes estimulando o complexo celular imunit&aacute;rio. No caso da infec&ccedil;&atilde;o    pelo <i>M. tuberculosis</i>, havendo esteriliza&ccedil;&atilde;o das les&otilde;es,    a imunidade se esvai completamente. Na vacina&ccedil;&atilde;o BCG, a imunidade    s&oacute; permanece enquanto o germe-vacina, continua vivo no hospedeiro. E    isso ocorre porque ele continua vivo dentro dos fagolisosomas dos macr&oacute;fagos.    &Eacute; por isso, que o BCG morto tem fraqu&iacute;ssimo poder imunizante.    O BCG para manter-se vivo no hospedeiro necessita de um adjuvante que &eacute;    por ele pr&oacute;prio elaborado<i><sup>(182,183,184,185,186)</sup></i>. H&aacute; evid&ecirc;ncia    de que uma prote&iacute;na dim&eacute;rica de 46 kDa seja elaborada em quantidades    diversas, conforme as cepas, variando assim a pot&ecirc;ncia protetora. Portanto    &eacute; imprescind&iacute;vel contar com BCG vivo e aumentar seu poder protetor.    O caminho &eacute; inserir no seu DNA epitopos do <i>Mycobacterium tuberculosis</i>    e/ou de outras micobact&eacute;rias. V&aacute;rios t&ecirc;m sido usados e,    com a decifra&ccedil;&atilde;o de genoma do bacilo de Koch, o leque de op&ccedil;&otilde;es    crescer&aacute;. Citando apenas os mais estudados, esclare&ccedil;a-se que a    t&eacute;cnica de inserir um desses elementos, &eacute; complexa, porque nem    todas as unidades de BCG os aceitam facilmente atrav&eacute;s a carapa&ccedil;a    cerolip&iacute;dica e sua inser&ccedil;&atilde;o do DNA. A opera&ccedil;&atilde;o    se faz usando como vetor um plasm&iacute;dio e micobacteriofago<i><sup>(186,189)</sup></i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O ant&iacute;geno    Ag 85, extra&iacute;do do <i>M. tuberculosis</i>, e seus componentes 85A e 85B s&atilde;o    bons mobilizadores das c&eacute;lulas T <i><sup>(190,191,196)</sup></i>. ESAT-6 &eacute; uma prote&iacute;na    kDa 6, extra&iacute;do do DNA do <i>M. tuberculosis</i> e ausente no genoma do BCG.    Essa prote&iacute;na &eacute; um dos maiores mobilizadores das c&eacute;lulas    especializadas do sistema imunit&aacute;rio da tuberculose. Pela sua alta capacita&ccedil;&atilde;o    de recrutar as c&eacute;lulas Th1 e Th2, est&aacute; sendo aproveitada para    prova de infec&ccedil;&atilde;o pelo <i>M. tuberculosis</i> com a vantagem de que as    respostas s&atilde;o negativas nos vacinados com BCG. Considerando que a tuberculina    - PPD n&atilde;o distingue vacinados e infectados, h&aacute; boas perspectivas    de que ESAT6 se constitua em boa prova para identifica&ccedil;&atilde;o dos    infectados com o <i>M. tuberculosis</i>. Essa prote&iacute;na, pelo seu alto poder    recrutador de c&eacute;lulas imunit&aacute;rias, &eacute; elemento imprescind&iacute;vel    para o BCG recombinante <i><sup>(31,187,192,193,194,195)</sup></i>. S&atilde;o tamb&eacute;m investigados,    para elevar o poder protetor do BCG recombinante, filtrados de prote&iacute;nas    de choque t&eacute;rmico, como a prote&iacute;na de 65kDa a lipoprote&iacute;na    A (OspA), todas extra&iacute;das do <i>M. tuberculosis <sup>(153,197,198,199,200)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Outro &acirc;ngulo    para a fabrica&ccedil;&atilde;o do BCG recombinante &eacute; a inser&ccedil;&atilde;o    de epitopos, ant&iacute;genos dos <i>M. microti</i> e <i>M. vaccae</i>. O <i>Mycobacterium microti</i>    foi aplicado tamb&eacute;m no cl&aacute;ssico estudo prospectivo controlado    da Inglaterra, produzindo alto grau de prote&ccedil;&atilde;o antituberculose    igual ao conferido pelo BCG<i><sup>(201,202)</sup></i>. Entretanto, essa micobact&eacute;ria n&atilde;o    &eacute; usada como vacina por provocar extensas les&otilde;es necr&oacute;ticas    no local de administra&ccedil;&atilde;o. O <i>Mycobacterium vaccae</i> elabora epitopos,    prote&iacute;nas antig&ecirc;nicas, como 19kDa, 45kDa e Ag85, bons mobilizadores    das c&eacute;lulas imunit&aacute;rias. H&aacute; registros de que n&atilde;o    desenvolve les&otilde;es necr&oacute;ticas e produz baixa hipersensibilidade,    reduz a gravidade das les&otilde;es tuberculosas, inclusive as cavit&aacute;rias,    quando aplicado associado a quimioterapia ou isoladamente. Genes dessa micobact&eacute;ria    s&atilde;o de interesse para a constru&ccedil;&atilde;o do BCG recombinante<i><sup>(83,203,204,205)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paralelamente com    a eleva&ccedil;&atilde;o do poder protetor antituberculose do BCG recombinante,    estuda-se a inser&ccedil;&atilde;o no seu genoma de prote&iacute;nas antig&ecirc;nicas    e genes de diversos agentes infecciosos, construindo-se uma vacina polivalente.    A t&eacute;cnica j&aacute; est&aacute; bem definida<i><sup>(186)</sup></i>.    Genes do <i>Mycobacterium leprae</i>, cujo DNA est&aacute; quase todo decodificado,    est&atilde;o sendo inseridos no BCG. Do mesmo modo estudam-se genes do <i>Mycobacterium    W</i> (n&atilde;o se trata da cepa W do <i>M. tuberculosis</i> multidrogarresistente    mencionado no item 4), que se revela com faculdade protetora contra a hansen&iacute;ase.    Assim, pretende-se aumentar o j&aacute; conhecido poder protetor do BCG contra    a lepra,<i><sup>(83,167,186,206,207,208,209,210)</sup></i>. &Eacute; importante    o fato de a prote&iacute;na Nef do v&iacute;rus HIV, ter sido inserida no DNA    do BCG. Ratos imunizados com BCG - Nef tiveram intensa prolifera&ccedil;&atilde;o    de c&eacute;lulas T a qual posteriormente repetiu-se com a introdu&ccedil;&atilde;o    da prote&iacute;na Nef isolada, constituindo a primeira demonstra&ccedil;&atilde;o    de resposta especifica contra um ant&iacute;geno conduzido por BCG recombinante<i><sup>(211)</sup></i>.    Outros agentes infecciosos est&atilde;o na pauta das investiga&ccedil;&otilde;es    para a constru&ccedil;&atilde;o de um BCG recombinante de a&ccedil;&atilde;o    polivalente.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Acirc;ngulo inteiramente    diverso da linha das pesquisas citadas &eacute; o de capacitar o BCG, mesmo    que se extinga sua faculdade de multiplica&ccedil;&atilde;o dentro dos macr&oacute;fagos,    de continuar como fonte de ant&iacute;genos indutores, mantendo a continuidade    da mobiliza&ccedil;&atilde;o do sistema celular de imunidade tuberculose. Isso    &eacute; conseguido por t&eacute;cnica molecular gen&eacute;tica, produzindo    o chamado &quot;BCG auxotrofico&quot;, criado por mutacionismo com a elimina&ccedil;&atilde;o    do amino&aacute;cido leucina, de certo segmento do DNA, que assim impossibilita    a produ&ccedil;&atilde;o de enzimas necess&aacute;rias &agrave; sua reprodu&ccedil;&atilde;o.    Desse modo o BCG auxotr&oacute;fico tem sua vida prolongada sem a necessidade    da multiplica&ccedil;&atilde;o nos fagolisosomas dos macr&oacute;fagos e mant&eacute;m    a continuidade da prote&ccedil;&atilde;o antituberculosa<i><sup>(157,158,199,212)</sup></i>. Outra    vantagem do BCG auxotr&oacute;fico &eacute; de n&atilde;o sofrer dissemina&ccedil;&atilde;o    generalizada nos vacinados infectados com o HIV e em outros casos de comprometimento    da imunocompet&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> H&aacute; fundadas    raz&otilde;es de manter a expectativa de pr&oacute;xima constru&ccedil;&atilde;o    pela engenharia gen&eacute;tica, de um BCG de poder ampliado qualitativa e quantitativamente    imunizante contra o <i>M. tuberculosis</i>, exercendo significante impacto na epidemiologia    da tuberculose; as pesquisas est&atilde;o na fase 2.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vacinas DNA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> H&aacute; mais    de 100 vacinas DNA em estudos, diversas na fase 2. Com as vacinas DNA, consignaram-se    intensas respostas imunol&oacute;gicas contra a tuberculose, superiores &agrave;s    conferidas com BCG recombinante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ao contr&aacute;rio    do que se pensava, sua constru&ccedil;&atilde;o &eacute; relativamente simples.    Genes respons&aacute;veis por ant&iacute;genos bacterianos s&atilde;o inseridos    em segmentos de bases nucleotideas do DNA, por meio de plasm&iacute;dio como    vetor<i><sup>(213,214)</sup></i>. Entretanto, h&aacute; uma limita&ccedil;&atilde;o,    que &eacute; o desconhecimento de muitos epitopos e ant&iacute;genos do <i>M.    tuberculosis</i> e quais s&atilde;o os mais potentes para imunorespostas<i><sup>(199,215)</sup></i>.    Todavia, algumas prote&iacute;nas e ant&iacute;genos bons indutores das c&eacute;lulas    do sistema imunit&aacute;rio da tuberculose, inclusive j&aacute; citados na    constru&ccedil;&atilde;o do BCG recombinante, surgem como candidatos para a    vacina DNA. Entre eles, destacam-se o ant&iacute;geno Ag85 - 85A, 85B e 85C    - ant&iacute;geno PstS-1, prote&iacute;nas de choque t&eacute;rmico hsp65 e    70 e ESAT-6<i><sup>(213,216,217,218,219)</sup></i>. J&aacute; est&aacute; demonstrado que os ant&iacute;genos    estudados, candidatos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de vacina DNA contra    a tuberculose, tem elevada capacidade de induzir altos n&iacute;veis de imunorespostas,    mobilizando todo o sistema celular, CD4 - CD8 TH1, TH2, macr&oacute;fagos, c&eacute;lulas    monocit&aacute;rias em geral, com elabora&ccedil;&atilde;o de citocinas mais    atuantes, entre estas, o interferon gama e fator de necrose humoral alfa. Ratos    que receberam vacina DNA preparada com ant&iacute;genos do <i>M. tuberculosis</i>,    demonstraram essa mobiliza&ccedil;&atilde;o celular e adquiriram significante    prote&ccedil;&atilde;o antituberculosa<i><sup>(199,213,216)</sup></i>. Com os epitopos acima citados    e outros mais, h&aacute; not&iacute;cias de experi&ecirc;ncias em animais com    vacinas DNA que sugerem a sua capacidade de impedir exarceba&ccedil;&otilde;es    de focos residuais de tuberculose latente<i><sup>(220)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No estado atual,    as vacinas DNA t&ecirc;m o inconveniente do pouco tempo de dura&ccedil;&atilde;o    da imunidade. A vacina DNA n&atilde;o &eacute; uma c&eacute;lula viva, como    o BCG que permanece como fonte constante de indu&ccedil;&atilde;o do mecanismo    imunit&aacute;rio celular. Espera-se conseguir o prolongamento de sua a&ccedil;&atilde;o    por meio de adjuvantes, dos quais os mais investigados s&atilde;o os elementos    DNT, KLK, cpgs, polyA. Outro procedimento &eacute; de incluir a vacina em microesferas<i><sup>(221)</sup></i>.    Muitas pesquisas est&atilde;o em curso para a obten&ccedil;&atilde;o de vacinas    terap&ecirc;uticas DNA, cuja atua&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser isolada    ou associada &agrave; quimioterapia. Nessas vacinas, inseriram-se certos carbohidratos,    glioxilatos, lip&iacute;dios, interleucinas IL4, IL12 ou prote&iacute;nas de    choque t&eacute;rmico de 65kDa associados ou n&atilde;o a drogas quimioter&aacute;picas<i><sup>(222)</sup></i>.    Animais tuberculizados que receberam a vacina DNA desenvolveram les&otilde;es    menos graves. As principais vantagens das vacinas DNA s&atilde;o de impedir    reativa&ccedil;&otilde;es end&oacute;genas nos organismo com infec&ccedil;&atilde;o    tuberculosa latente e de melhor proteger contra as reinfec&ccedil;&otilde;es    ex&oacute;genas. Outras vantagens s&atilde;o que n&atilde;o desencadeiam sensibilidade    &agrave; tuberculina, n&atilde;o necessitam de rede de frio para conserva&ccedil;&atilde;o,    sendo pr&aacute;tica sua estocagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> No total, passam    de 110 as vacinas antituberculosas em estudos e muitas est&atilde;o na fase    2.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Novas perspectivas    para o controle da tuberculose</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> S&atilde;o grandes    as expectativas de obten&ccedil;&atilde;o de vacinas antituberculosas com poder    de prote&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; contra a primo-infec&ccedil;&atilde;o    como tamb&eacute;m contra todas as fases tisiogen&eacute;ticas dos infectados.    For&ccedil;a &eacute; reconhecer que no estado atual o armamento profil&aacute;tico    antituberculose &eacute; relativamente pobre. Grande esperan&ccedil;a est&aacute;    sendo depositada na estrat&eacute;gia DOTS recomendada com &ecirc;nfase pela    Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de e nas declara&ccedil;&otilde;es    da STOP-TB-INICIATIVE. Isso porque a estrat&eacute;gia DOTS exerce fun&ccedil;&atilde;o    profil&aacute;tica, dado que o tratamento diretamente supervisionado, negativa    rapidamente os pacientes bacil&iacute;feros, cortando o elo da transmiss&atilde;o    da doen&ccedil;a, impede o aparecimento da resist&ecirc;ncia, atinge altos &iacute;ndices    de cura, baixas taxas de abandono e poucas s&atilde;o as reca&iacute;das. Todavia,    a estrat&eacute;gia DOTS est&aacute; sendo difundida com muita dificuldade.    Segundo a OMS, no ano de 2000, dos 211 pa&iacute;ses membros, apenas 127 (56,4%)    aplicavam plenamente a estrat&eacute;gia DOTS, e somente 25% dos pacientes &agrave;    recebiam. Nesse padr&atilde;o, calcula-se que o DOTS s&oacute; ser&aacute; totalmente    adotado em 2003<i><sup>(223)</sup></i>. Para a aplica&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia DOTS,    h&aacute; necessidade da efici&ecirc;ncia t&eacute;cnico-administrativa dos    programas nacionais de controle da tuberculose, dentro da rede de sa&uacute;de    p&uacute;blica, o que est&aacute; sendo denominado DOTS-PLUS<i><sup>( 224)</sup></i>. Aqui entre    n&oacute;s, essa problem&aacute;tica foi analisada e avaliada nessa linha<i><sup>(225)</sup></i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Contudo, a estrat&eacute;gia    DOTS n&atilde;o soluciona os s&eacute;rios problemas da tisiog&ecirc;nese com    maior peso na epidemiologia da tuberculose, os quais decorrem da natureza do    mecanismo imunit&aacute;rio: reinfec&ccedil;&atilde;o ex&oacute;gena, reativa&ccedil;&atilde;o    end&oacute;gena, esta dependente da infec&ccedil;&atilde;o latente. Dois bilh&otilde;es    de pessoas, um ter&ccedil;o da humanidade, est&atilde;o infectados com o <i>Mycobacterium    tuberculosis</i> e com este convivem em simbiose. Urge uma vacina com poder de exaltar    o processo imunit&aacute;rio e/ou de alterar sua qualidade, para tornar o organismo    hospedeiro capaz de destruir o germe, estancando o estado de lat&ecirc;ncia    e com prote&ccedil;&atilde;o suficiente para se defender contra as novas agress&otilde;es    externas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na atualidade,    j&aacute; s&atilde;o boas as perspectivas de que, com a engenharia gen&eacute;tica,    se construam vacinas sint&eacute;ticas com efic&aacute;cia para proteger positivamente    contra os citados complexos problemas tisiog&ecirc;nicos. As expectativas na    atualidade s&atilde;o ainda melhores gra&ccedil;a a decifra&ccedil;&atilde;o    do genoma do <i>M. tuberculosis</i>.</font></p>      <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Decifra&ccedil;&atilde;o do genoma do <i>mycobacterium    tuberculosis</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A hist&oacute;ria    da tuberculose t&ecirc;m tr&ecirc;s &aacute;pices. A descoberta do agente causal    em 1822, o advento da quimioterapia nos anos 40 do s&eacute;culo 20 e o t&eacute;rmino    da decifra&ccedil;&atilde;o do genoma do <i>Mycobacterium tuberculosis</i> em 1998.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com a decifra&ccedil;&atilde;o    do genoma do <i>Mycobacterium tuberculosis</i> abrem-se, afinal, novas perspectivas    jamais imaginadas sobre o conhecimento dos intricados meandros da tisiog&ecirc;nese    e de sua base imunit&aacute;ria. Do exposto nesta revis&atilde;o, extrai-se    a ila&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o est&atilde;o dominados com a necess&aacute;ria    seguran&ccedil;a, os mecanismos pelos quais c&eacute;lulas especializadas s&atilde;o    mediadoras da imunidade da tuberculose. Nem se sabe com exatid&atilde;o como    os macr&oacute;fagos destr&oacute;em a micobact&eacute;ria. As pesquisas (in    vitro) e em &quot;anima vili&quot; empregando todos os elementos em jogo,    foram de resultados prec&aacute;rios permanecendo a inc&oacute;gnita do processo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Com a decifra&ccedil;&atilde;o    de genoma do <i>M. tuberculosis</i>, ingressamos na terceira mais importante fase da    evolu&ccedil;&atilde;o da tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os respons&aacute;veis    por essa hist&oacute;rica proeza da decifra&ccedil;&atilde;o do genoma do bacilo    de Koch s&atilde;o, Cole ST e 41 associados, trabalho conjunto do Sanger Center,    Instituto Pasteur, 6 outros centros e 100 laborat&oacute;rios especializados<i><sup>(226)</sup></i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A an&aacute;lise    preliminar pode ser sintetizada como segue:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - O genoma do    <i>Mycobacterium tuberculosis</i> cont&eacute;m 4000 genes, dos quais 3924 decodificados;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - S&atilde;o 4.411.529    pares de bases;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">- O DNA cont&eacute;m    67% de guanina e citosina e 34% de adenina e timina;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - Prote&iacute;nas    conhecidas com precis&atilde;o (40%), com algum conhecimento 44% e desconhecidos    (16%);</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - 140 reguladores    da transcrip&ccedil;&atilde;o e mais 52 reguladores complementares explicam    a elevada capacidade dos genes se adaptarem &agrave;s interfer&ecirc;ncias exteriores;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - Seq&uuml;&ecirc;ncias    ricas em genes de bioss&iacute;ntese e de degrada&ccedil;&atilde;o de lip&iacute;dios,    revelam a complexidade da carapa&ccedil;a envolvente do germe, com &aacute;cido    mic&oacute;lico, glicol&iacute;pices, lipocarbohidratos. Mais de 250 genes fazem    a biosss&iacute;ntese das v&aacute;rias classes de lip&iacute;dios;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> - A inser&ccedil;&atilde;o    seq&uuml;encial <b>IS 6110</b>, as grandes seq&uuml;&ecirc;ncias de bases repetidas,    os elementos ricos em guanina e citosina da fam&iacute;lia PGRS s&atilde;o util&iacute;ssimos    para a fenotipagem das cepas pelas t&eacute;cnicas moleculares;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A perspectiva    &eacute; de que se gastar&atilde;o ainda alguns anos para o completo conhecimento    dos elementos citados e para o seu aproveitamento pr&aacute;tico para no controle    da tuberculose de forma efetiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A decifra&ccedil;&atilde;o    do genoma do <i>Mycobacterium tuberculosis</i> &eacute; a maior culmin&acirc;ncia de    toda a hist&oacute;ria da pesquisa da tuberculose, depois de 116 anos de sua    descoberta, e abre as portas de sua estrutura biof&iacute;sica e sua significa&ccedil;&atilde;o.    &Eacute; a revolu&ccedil;&atilde;o que modificar&aacute; a abordagem da tuberculose.    Novos horizontes terap&ecirc;uticos, com a identifica&ccedil;&atilde;o de enzimas    e suas fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas; novas combina&ccedil;&otilde;es    t&eacute;cnicas biof&iacute;sicas, novos modelos de atua&ccedil;&atilde;o de    drogas, inibidores de prote&iacute;nas, abrindo novos &acirc;ngulos de ataque    &agrave; c&eacute;lula micobacteriana; conhecimento exato das bases moleculares    da resist&ecirc;ncia do germe &agrave;s drogas, os m&eacute;todos para sua r&aacute;pida    detec&ccedil;&atilde;o e para evit&aacute;-la; as drogas imunobiol&oacute;gicas    no campo da imunoterapia com longa meia vida, possibilitando uma &uacute;nica    administra&ccedil;&atilde;o ou com alguns intervalos longos. Outrossim, abrem-se    novos e inesperados campos para a imunoprofilaxia, com vacinas poderosas desencadeando    prote&ccedil;&atilde;o absoluta contra o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>. A decifra&ccedil;&atilde;o    do genoma do <i>M. tuberculosis</i>, abre enorme leque de oportunidades inesperadas.    Em s&iacute;ntese, enorme gama de oportunidades inesperadas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Afinal, ap&oacute;s    mais de um s&eacute;culo da descoberta do agente causal da tuberculose<i><sup>(227)</sup></i>    e da obten&ccedil;&atilde;o da tuberculina com a qual Koch imaginou ter descoberto    um rem&eacute;dio para a cura da tuberculose<i><sup>(228)</sup></i>, que foi de resultados desastrosos,    surgem esperan&ccedil;osas perspectivas para o seu efetivo combate, abrindo-se    o caminho para a primavera de sua erradica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 1. Calmette. L'infection    bacillaire et la tuberculose chez I' homme et les animau. 4nd ed. Masson et    Cie; 1936.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 2. Canetti G,    Diehl K, Good, et al. Advences in tuberculosis research. Vol. 8. New York: S    Karger, Basel; 1945.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Rich AR. The    pathogenesis of tuberculosis. 2nd ed. USA: Charles Thomas Ilinois; 1951.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4. Lopes JS, Rosember    J. Estado atual, rumos e perspectivas da terap&ecirc;utica biol&oacute;gica    da tuberculose. Rev Paulista Tisiol 1937; 3-5.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. Rosemberg J.    Contribui&ccedil;&atilde;o ao estudo da tisiogenese. Rio de Janeiro: Ass. Paulista    de Medicina, Ed J do Brasil; 1941. &#91;Premio Clemente Ferreira&#93;</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6. Madelaine C.    Etudes sur la tuberculose. Paris; 1914. &#91;Tese&#93;</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7. Lurie MB. Resistence    to tuberculosis, experimental studies in native and acquired defensive mechanisms.    USA: Harward Univ Press; 1964.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 8. Yomans GP.    Acquired immunity in tuberculosis J Chronic Dis 1957; 6: 606.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 9. Seibert FB.    A theory of immunity in tuberculosis. Perspect Biol Med 1960; 3:262.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 10. Suter E. Multiplication    of tubercle bacilli within mononuclear phagocytes in tissue cultures derived    from normal animals and animals vaccinated with BCG. J Exp Med 1953; 97:235.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 11. Mans GPY.    Tuberculosis. Phliladelphia: W B Saunders; 1979.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 12. Crowlw AJ,    May MH. Preliminary demonstration of human tuberculoim munity in vitro. Infect    Immun 1981; 31: 453.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 13. Crowle AJ,    Douvas GS, May MH. Naturaleza celular y molecular de la imunidad contra la tuberculosis    en el hombre. Bol Union Int Tuber 1982; 58:75.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 14. Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial de Sa&uacute;de. Imunidad celular y resistencia a las infecciones. Informe    T&eacute;cnico 519: 1973.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 15. Mackanes GB.    Delayed hypersensitivity and the mecanism of cellular resistance to infection.    Prog Immun 1971; 413.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 16. 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