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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Estar&iacute;amos    no limiar de uma nova contagem regressiva?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Gilm&aacute;rio M. Teixeira</b></font></p>        <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Editor</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em conjunto com    as entidades que integram a parceria &quot;Stop T-B&quot;, a Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial de Sa&uacute;de, em tr&ecirc;s recentes publica&ccedil;&otilde;es -&quot;The    Global Plan to Stop TB&quot;, &quot;TB Towards a TB-Free Future&quot; e &quot;TB/HIV    Strategic Framework to Decrease the Burden of TB/HIV&quot; -d&aacute;-nos a    medida precisa da import&acirc;ncia que a tuberculose assume no contexto dos    grandes problemas de sa&uacute;de que afligem a sociedade humana contempor&acirc;nea.    Estes documentos encerram a vontade de governos e de organiza&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o-governamentais para reunir, em un&iacute;ssono, e sob uma mesma linha    program&aacute;tica, recursos, conhecimentos, experi&ecirc;ncias que, nos quatro    cantos do mundo, est&atilde;o voltados para o controle da tuberculose.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em realidade, a trag&eacute;dia    mundial da tuberculose, dimensionada por estes valores que h&aacute; anos repetimos,    qual uma litania -um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; infectada    e, a cada ano, surgem mais de oito milh&otilde;es de casos e morrem mais de    dois milh&otilde;es de pessoas -projeta-se assustadora com a consabida inefici&ecirc;ncia    das a&ccedil;&otilde;es de controle praticadas que, em termos globais, diagnosticam    menos da metade dos casos existentes e curam menos de sessenta por cento dos    casos diagnosticados. Estes dados e mais o agravamento da tuberculose pela pobreza,    a exclus&atilde;o social, o baixo n&iacute;vel de desenvolvimento econ&ocirc;mico,    a associa&ccedil;&atilde;o com a aids, fazem desta entidade um cr&iacute;tico    agente de ruptura do tecido social.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Afortunadamente,    a partir de 1993, quando a OMS declara a tuberculose uma emerg&ecirc;ncia mundial,    tem lugar uma sucess&atilde;o de iniciativas de repercuss&atilde;o global que    buscam direcionar a pletora de recursos que, mundo afora, muitas vezes, s&atilde;o    aplicados com inobjetividade e dispers&atilde;o, para uma caudal comum que re&uacute;ne    em uma das maiores parcerias de sa&uacute;de da atualidade -&quot;Global Partnership    to Stop TB&quot; - esfor&ccedil;os, t&eacute;cnica, intelig&ecirc;ncia, com    o objetivo de racionalizar, no ambiente de cada pa&iacute;s, o emprego dos meios    que est&atilde;o dispon&iacute;veis para derrotar a tuberculose.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Plano Global    para Deter a Tuberculose, apresentado pela &quot;Parceria Stop TB&quot;, surge    como natural consequ&ecirc;ncia da Confer&ecirc;ncia de Amsterd&atilde; e do    Foro Mundial para Deter a Tuberculose e tem o prop&oacute;sito de eliminar esta    doen&ccedil;a como problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, definindo, para    tanto, quatro objetivos e suas respectivas estimativas de gastos para o primeiro    per&iacute;odo de cinco anos: 1- expandir a estrat&eacute;gia DOTS (US&#36;6.2    bilh&otilde;es); 2- adaptar a DOTS ao desafio do H IV e da TBMR (US&#36;1.7    bilh&atilde;o); 3- melhorar os atuais e desenvolver novos instrumentos de controle    (US&#36;1.1 bilh&atilde;o); 4- fortalecer a Parceria Global para Deter a Tuberculose    (US&#36;75 milh&otilde;es). A estrutura do or&ccedil;amento, segundo as fontes,    mostra que 49,6&#37; s&atilde;o de origem nacional, 8,9&#37; recursos externos    e 41,4&#37; representam um &quot;gap&quot; financeiro.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As metas perseguidas    pelo Plano s&atilde;o aquelas da OMS e est&atilde;o fixadas para dois horizontes    temporais: 2005 - detectar 70&#37; dos novos casos de TB ativa, trat&aacute;-los    com DOTS e curar pelo menos 85&#37; dos casos tratados; 2010 - reduzir em 50&#37;, comparativamente    ao ano 2000, as taxas de morte e de preval&ecirc;ncia da tuberculose.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Daqueles objetivos, o que    abarca a expans&atilde;o da estrat&eacute;gia DOTS e o que contempla o impacto    determinado pelo H IV e a TBMR, representam um cr&iacute;tico desafio a ser    superado pelos pa&iacute;ses, destacadamente os vinte e dois que formam o grupo    com maior carga de tuberculose, dos quais o Brasil &eacute; um deles.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com este prop&oacute;sito,    poder&iacute;amos destacar que o Brasil conta com um Programa de Controle da    Tuberculose que, enraizado na hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica    nacional, descentralizado, hierarquizado, integrado nos diferentes n&iacute;veis    do sistema de sa&uacute;de e fortalecido por equipes t&eacute;cnicas qualificadas    e atualizadas, pode lastrear, com propriedade, as a&ccedil;&otilde;es a serem    implementadas para que o pa&iacute;s cumpra os compromissos assumidos com o    Plano Global para Deter a Tuberculose.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste sentido,    o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, atrav&eacute;s da &Aacute;rea T&eacute;cnica    de Pneumologia Sanit&aacute;ria e em parceria com as secretarias estaduais e    municipais de sa&uacute;de, p&ocirc;s em marcha, em Novembro de 2001, um Plano    Nacional de Mobiliza&ccedil;&atilde;o e Intensifica&ccedil;&atilde;o das A&ccedil;&otilde;es    para Elimina&ccedil;&atilde;o da Hansen&iacute;ase e Controle da Tuberculose.    Este Plano busca intensificar: a mobiliza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, pol&iacute;tica    e social para o alcance das metas de controle, a descentraliza&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es, a mudan&ccedil;a do modelo de aten&ccedil;&atilde;o,    a melhoria da vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica, a amplia&ccedil;&atilde;o    e qualifica&ccedil;&atilde;o da rede de laborat&oacute;rios, a garantia da assist&ecirc;ncia    farmac&ecirc;utica e a capacita&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de recursos    humanos.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De tudo que est&aacute;    impl&iacute;cito nestas grandes linhas de a&ccedil;&atilde;o merece destacado    o papel que se reserva aos Programas de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia e de    Agentes Comunit&aacute;rios de Sa&uacute;de que, ao incorporarem ao conjunto    de suas atividades aquelas espec&iacute;ficas do controle da tuberculose, p&otilde;em    em marcha um ex&eacute;rcito de dezenas de milhares de agentes, uma verdadeira    for&ccedil;a-tarefa, que comporta a possibilidade de cobertura, em n&iacute;vel    &uacute;til, da estrat&eacute;gia DOTS em nosso pa&iacute;s.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A id&eacute;ia de contagem    regressiva para elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose que d&aacute; t&iacute;tulo    a este editorial, em realidade, &eacute; mais uma provoca&ccedil;&atilde;o do    que uma real expectativa a ser alcan&ccedil;ada em um determinado espa&ccedil;o    do tempo. Neste particular, n&atilde;o seria demasiado considerar que a tuberculose,    em sua hist&oacute;ria natural, viveu sens&iacute;veis momentos que poderiam    ter sinalizado o in&iacute;cio dessa contagem regressiva. Tr&ecirc;s, pelo menos,    foram marcantes: a descoberta do bacilo em 1882, o in&iacute;cio da vacina&ccedil;&atilde;o    BCG na d&eacute;cada de vinte e o emprego da quimioterapia, sobretudo depois    da isoniazida, no come&ccedil;o dos anos cinq&#252;enta.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fiel a esta l&oacute;gica,    poder-se-ia admitir, sem incidir em exagero, que a atual reuni&atilde;o das    for&ccedil;as anti-tuberculose de todos os pa&iacute;ses, sob a &eacute;gide    de um Plano Mundial que, encerrando recursos, intelig&ecirc;ncia e tecnologia    multinacionais, desencadeia uma guerra sem fronteiras para vencer a tuberculose,    marcasse mais um momento de in&iacute;cio de uma nova contagem regressiva.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O &quot;Stop TB&quot;,    em &quot;TB Towards a TB-Free Future&quot;, depois de repassar o progresso das    m&uacute;ltiplas iniciativas dos &uacute;ltimos anos -&quot;Global Plan to Stop    TB&quot;, &quot;Global DOTS Expansion Plan&quot;, &quot;Global Drug Facility&quot;,    &quot;Global Fund to Fight AIDS, Tuberculosis and Malaria&quot; e outras -formula    esta pergunta: &quot;H&aacute; esperan&ccedil;a de um magn&iacute;fico novo    mundo livre de TB depois de 2005?&quot; E responde: &quot;Quanto ao controle,    sim; quanto &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o, ainda n&atilde;o.&quot; E acrescenta:&quot;    Apesar de estarmos ainda em um mundo longe da elimina&ccedil;&atilde;o, h&aacute;    o compromisso de eliminar a tuberculose como um problema global de sa&uacute;de    p&uacute;blica, dentro dos pr&oacute;ximos 50 anos -um objetivo audacioso e    alcan&ccedil;&aacute;vel. Podemos mandar a tuberculose para a lata de lixo da    hist&oacute;ria&quot;.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Que esta provoca&ccedil;&atilde;o    em torno do momento de in&iacute;cio de uma nova contagem regressiva para elimina&ccedil;&atilde;o    da tuberculose, sirva, para quantos estamos envolvidos nesta luta, como est&iacute;mulo    mobilizador da consci&ecirc;ncia e potencialidade dos grupos t&eacute;cnicos    e das for&ccedil;as da comunidade, para buscar, com ousadia, o encurtamento    dos horizontes de programa&ccedil;&atilde;o e, assim, travar hoje, batalhas    que se vislumbram em um futuro long&iacute;nquo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>         ]]></body>
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