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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>IN    MEM&Oacute;RIAM</b></font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Aldo Villas B&ocirc;as </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Gilm&aacute;rio    M. Teixeira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Editor</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia 30 de maio    de 2002, faleceu no Rio de Janeiro, o m&eacute;dico sanitarista <b>Aldo Villas    B&ocirc;as.</b> Foi-se-nos Aldo, um amigo fraterno, um companheiro de lutas sem    n&uacute;mero, um vencedor de grandes batalhas que, sem d&uacute;vida, fez-se    uma das mais expressivas figuras da sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira da    segunda metade do s&eacute;culo passado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nascido em Fortaleza,    em 1920, ali viveu pouco, menos de dois anos, quando sua fam&iacute;lia transfere-se    para Macei&oacute;. Aqui passa sua inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia. Aos    16 anos chega ao Recife onde completa sua educa&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria    no tradicional Gin&aacute;sio Pernambucano e, em 1938, ingressa na Faculdade    de Medicina da ent&atilde;o Universidade do Recife.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na d&eacute;cada    de quarenta forma-se em Medicina, serve ao Ex&eacute;rcito como Oficial de Infantaria    por for&ccedil;a de convoca&ccedil;&atilde;o para a Segunda Guerra Mundial,    especializa-se em Tisiologia ap&oacute;s o Curso de Tuberculose do Departamento    Nacional de Sa&uacute;de, assume a dire&ccedil;&atilde;o do Hospital Oswaldo    Cruz do Recife, mobiliza a comunidade para engajar-se na luta contra a tuberculose,    participa da cria&ccedil;&atilde;o da Divis&atilde;o de Tuberculose do Estado    da qual exerce a dire&ccedil;&atilde;o, pratica a doc&ecirc;ncia como assistente    da C&aacute;tedra de Doen&ccedil;as Tropicais e Infecciosas, faz uma incurs&atilde;o    na cl&iacute;nica privada para logo deix&aacute;-la e abra&ccedil;ar definitivamente    a medicina de massa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nos anos cinq&uuml;ienta    dirige o Departamento de Sa&uacute;de P&uacute;blica de Pernambuco onde executa    uma administra&ccedil;&atilde;o proficiente e corajosa, transfere-se para o    Rio de Janeiro para chefiar o Dispens&aacute;rio-Escola da Campanha Nacional    contra a Tuberculose, faz o Curso de Sa&uacute;de P&uacute;blica do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de e recebe o certificado de m&eacute;dico sanitarista, cursa Administra&ccedil;&atilde;o    Sanit&aacute;ria e Doen&ccedil;as do T&oacute;rax nos Estados Unidos, faz viagens    de observa&ccedil;&atilde;o a servi&ccedil;os de sa&uacute;de da Fran&ccedil;a    e da Inglaterra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Na d&eacute;cada    seguinte, a de sessenta, com orienta&ccedil;&atilde;o reformista e inovadora    dirige o Servi&ccedil;o Nacional de Tuberculose e a Campanha Nacional contra    a Tuberculose, ingressa no Servi&ccedil;o Especial de Sa&uacute;de P&uacute;blica    como consultor em Tuberculose para logo passar ao Setor de Planejamento e &agrave;    Divis&atilde;o de Sa&uacute;de da Comunidade, realiza consultorias internacionais    em pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Central, entra para o quadro de funcion&aacute;rio    da Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-americana de Sa&uacute;de/Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial de Sa&uacute;de, como Assessor em Tuberculose para a Regi&atilde;o das    Am&eacute;ricas com sede em Washington, D.C., U.S.A.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Regressa dos Estados    Unidos em 1970 para presidir a Funda&ccedil;&atilde;o Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de    P&uacute;blica o que s&oacute; vem a ocorrer tr&ecirc;s anos mais tarde. Neste    entremente chefia o Gabinete do Ministro da Sa&uacute;de, integra o Conselho    Nacional de Sa&uacute;de, assume a Supervis&atilde;o Geral de Sa&uacute;de Coletiva,    chega a Ministro Interino da Sa&uacute;de, cursa a Escola Superior de Guerra.    Finalmente, em 1973, ocupa a posi&ccedil;&atilde;o que, por certo, mais almejou,    a de Presidente da Funda&ccedil;&atilde;o SESP, cargo em que permanece at&eacute;    1985, depois de realizar uma administra&ccedil;&atilde;o marcada pela afirma&ccedil;&atilde;o    dos direitos do homem no contexto de uma sociedade desfocada do valor que a    sa&uacute;de representa para o bem estar f&iacute;sico e o progresso social    da humanidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Era detentor de    muitos t&iacute;tulos, medalhas, condecora&ccedil;&otilde;es conferidos por    organismos nacionais e internacionais; membro de sociedades internacionais de    tuberculose e de sa&uacute;de p&uacute;blica; autor de numerosos trabalhos publicados    no Brasil e no exterior, nos campos de pol&iacute;ticas de sa&uacute;de, organiza&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os, recursos humanos, saneamento, doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis,    sa&uacute;de p&uacute;blica em geral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Vamos, de passagem,    tentar dizer alguma coisa sobre Aldo, n&oacute;s que nos enriquecemos com seus    ensinamentos, lutamos suas lutas e privamos de sua amizade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A primeira vez    que nos foi referido seu nome era como o Tenente Villas B&ocirc;as, um oficial    &quot;caxias&quot; de cujo mando n&oacute;s, estudantes convocados durante a    guerra, quer&iacute;amos fugir. Em verdade, Aldo fazia muito um modelo militar    - disciplina, autoridade, defesa da ordem estabelecida - que, de certa forma,    pautou sua conduta como diretor de servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Fomos conhec&ecirc;-lo    pessoalmente no Hospital Oswaldo Cruz, em Recife, ele como Diretor ou Chefe    de Cl&iacute;nica e n&oacute;s como Acad&ecirc;mico-Interno. A exig&ecirc;ncia    no trabalho e na aprendizagem trazia muito do instrutor militar, mas a capacidade    de dar-se em amizade e em coopera&ccedil;&atilde;o suplantava qualquer restri&ccedil;&atilde;o    que adviesse da autoridade de um m&eacute;dico jovem e j&aacute; investido de    t&atilde;o destacadas posi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O Hospital Oswaldo    Cruz, na &eacute;poca, um consagrado centro de atendimento de tuberculose e    de doen&ccedil;as infecciosas, onde, durante os anos de 1942 e 1943, como Acad&ecirc;mico-Interno,    Aldo construiu as bases de sua futura especialidade, foi a cuna de sua forma&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dica. O quadro dantesco de tuberculosos que se amontoavam nas enfermarias    para morrer, o drama dos portadores de doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis    confinados nas unidades de isolamento, a in&eacute;pcia do poder p&uacute;blico    para enfrentar os graves problemas de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o,    foram determinantes de sua op&ccedil;&atilde;o para dedicar-se &agrave; sa&uacute;de    coletiva, que se fez o objeto de toda sua prof&iacute;cua e brilhante carreira    m&eacute;dica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Partilhamos de    seu trabalho como Assessor da Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-americana de Sa&uacute;de/Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial de Sa&uacute;de, onde se firmou por suas habilidades diplom&aacute;ticas,    por sua obsessiva dedica&ccedil;&atilde;o &agrave;s atividades de campo e pela    valoriza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos como    agente de c&acirc;mbio das estrat&eacute;gias e pol&iacute;ticas de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A origem nordestina    de Aldo Villas B&ocirc;as deu embasamento a sua voca&ccedil;&atilde;o regionalista    - numa tirada de humor costumava dizer que era, a uma s&oacute; vez, cearense,    alagoano e pemambucano - n&atilde;o um regionalismo exclusivista mas, ao contr&aacute;rio,    uma corrente de pensamento que identificava e destacava os valores regionais    para integr&aacute;-los no universo nacional. Sua identidade com o movimento    regionalista ficou clara em seu discurso de agradecimento ao receber o t&iacute;tulo    de Cidad&atilde;o de Pemambuco concedido pela Assembl&eacute;ia Legislativa    daquele Estado, quando destacou o papel da chamada &quot;Escola do Recife&quot;,    reuni&atilde;o de intelectuais do final do s&eacute;culo XIX e come&ccedil;os    do XX, oriundos de diferentes estados da regi&atilde;o, que edificou a cultura    do Nordeste para da&iacute; lan&ccedil;&aacute;-la como parte influente da cultura    nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Um momento alto    de sua carreira foi a passagem pela Escola Superior de Guerra. Neste ambiente    de estudos dos grandes problemas brasileiros e de busca de estrat&eacute;gias    para enfrent&aacute;-los, o Dr. Villas B&ocirc;as p&ocirc;de dar vaz&atilde;o    a seu arraigado sentimento nacionalista sempre que tratava de inserir a problem&aacute;tica    da sa&uacute;de no contexto das discuss&otilde;es e proposi&ccedil;&otilde;es    formadoras da doutrina de desenvolvimento do Pa&iacute;s. Aldo era um aut&ecirc;ntico    patriota - sem ufanismo nem patriotice - que pensava em termos de Brasil grande,    poderoso, acreditado, mobilizador de seus potenciais naturais e do pensamento    de suas elites.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Politicamente    poder-se-ia dizer que ocupava uma posi&ccedil;&atilde;o de centro com n&iacute;tida    voca&ccedil;&atilde;o para cr&iacute;tico, em sua vis&atilde;o, da esquerda    mais a esquerda. Essa atitude fazia com que seus opositores, n&atilde;o raramente,    o classificassem como de centro-direita. Sua cr&iacute;tica, por exemplo, &agrave;s    recomenda&ccedil;&otilde;es da VIII Confer&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de,    de 1985, que, no seu entender, &quot;propunham a democratiza&ccedil;&atilde;o    do Setor Sa&uacute;de a partir de inst&acirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o t&eacute;cnica mas popular:&quot;, marca bem sua posi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Foi-se-nos Aldo.    Ficamos aqui, N&oacute;s da Tuberculose, com a ventura de poder record&aacute;-lo    e t&ecirc;-lo como exemplo, ele, um homem probo, bravo, vision&aacute;rio &agrave;s    vezes, vibrante defensor de seus ideais de sanitarista que, em nossas lutas,    era soldado e general e s&oacute; desejava vit&oacute;rias atrav&eacute;s de    batalhas</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Deixa de seu casamento    com Veleyda, falecida em 1984, em conseq&uuml;&ecirc;ncia de tr&aacute;gico    acidente, quatro filhos: Gl&aacute;ucia, soci&oacute;loga; Fernanda, psic&oacute;loga;    Glauco, farmac&ecirc;utico e Fl&aacute;vio, arquiteto. Sobrevive-lhe sua esposa    do segundo casamento, a m&eacute;dica Leda Villas B&ocirc;as.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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