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<journal-title><![CDATA[Boletim de Pneumologia Sanitária]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro de Referência Prof. Hélio Fraga , Secretaria de Vigilância emSaúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tuberculose, Vila Rosário e a cadeia da miséria angústias e reflexões de um cidadão]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro Sociedade QTROP de Química Fina para o Combate a Doenças Tropicais ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article discusses tuberculosis as a link of a chain-of-poverty. Other links of the chain are famine, lack of work (employment) and the corresponding lack of income, lack of education together with lack of the culture of education. It describes the results of a study conducted by the QTROP Society in Vila Ros·rio, a region in the Duque de Caxias municipality of the state of Rio de Janeiro, looking toward eliminating tuberculosis from this region (103 cases/100,000 inhabitants). It analyses the results obtained with the work and discusses ways to control tuberculosis. Among the main suggestions made to eliminate tuberculosis are the necessary presence of communitarian agents and of social assistants working together with the medical staff; use of the ëgardens of curesí; implementation of psychological assistance to patients and pos-patients; development of new drugs more efficient (less treating time and less toxic); establishment of an efficient nutrition program to garantee reinforcement of natural body defenses; implementation of new job places (employment) through production of plant medicines and phytonutraceuticals, all that sustained by an intense and broad education process. It concludes saying that it will be only through a holistic action over all links of this poverty chain that will enable success to eliminating tuberculosis.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Tuberculose, Vila Ros&aacute;rio e a cadeia    da mis&eacute;ria ang&uacute;stias e reflex&otilde;es de um cidad&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Claudio Costa Neto</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Professor Em&eacute;rito, Universidade Federal do Rio de Janeiro    (UFRJ) e Sociedade QTROP de Qu&iacute;mica Fina para o Combate a Doen&ccedil;as    Tropicais</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Este artigo mostra a tuberculose como um dos    elos de uma cadeia da mis&eacute;ria. Os outros elos que a ela se ligam indissoluvelmente    s&atilde;o a fome e a falta de renda, aos quais se juntam a falta da educa&ccedil;&atilde;o    para o trabalho e da cultura do saber. Relata a experi&ecirc;ncia da Sociedade    QTROP em Vila Ros&aacute;rio, uma regi&atilde;o do munic&iacute;pio de Duque    de Caxias (RJ), com vistas &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose    dessa localidade (103 casos/100.000 pessoas). Analisa os resultados obtidos    com o trabalho realizado e mostra caminhos que podem levar ao controle da doen&ccedil;a.    Entre as principais sugest&otilde;es feitas para se chegar &agrave; efetiva    elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose est&atilde;o: a presen&ccedil;a necess&aacute;ria    das agentes comunit&aacute;rias e da assistente social junto aos m&eacute;dicos;    o uso dos jardins das curas; o acompanhamento psicol&oacute;gico dos doentes    e p&oacute;s-doentes; novos medicamentos mais eficazes e menos t&ocirc;xicos;    nutri&ccedil;&atilde;o eficiente para o refor&ccedil;o das defesas do organismo;    trabalho para auferir renda. Tudo isso sustentado por intenso e amplo processo    de educa&ccedil;&atilde;o. Conclui dizendo que ser&aacute; s&oacute; com a a&ccedil;&atilde;o    hol&iacute;stica sobre todos os elos da cadeia da mis&eacute;ria que se poder&aacute;    lograr &ecirc;xito na elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> elimina&ccedil;&atilde;o    da tuberculose, pobreza-mis&eacute;rria, medicamentos.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">This article discusses tuberculosis as a link    of a chain-of-poverty. Other links of the chain are famine, lack of work (employment)    and the corresponding lack of income, lack of education together with lack of    the culture of education. It describes the results of a study conducted by the    QTROP Society in Vila Ros&middot;rio, a region in the Duque de Caxias municipality    of the state of Rio de Janeiro, looking toward eliminating tuberculosis from    this region (103 cases/100,000 inhabitants). It analyses the results obtained    with the work and discusses ways to control tuberculosis. Among the main suggestions    made to eliminate tuberculosis are the necessary presence of communitarian agents    and of social assistants working together with the medical staff; use of the    &euml;gardens of cures&iacute;; implementation of psychological assistance to    patients and pos-patients; development of new drugs more efficient (less treating    time and less toxic); establishment of an efficient nutrition program to garantee    reinforcement of natural body defenses; implementation of new job places (employment)    through production of plant medicines and phytonutraceuticals, all that sustained    by an intense and broad education process. It concludes saying that it will    be only through a holistic action over all links of this poverty chain that    will enable success to eliminating tuberculosis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key words:</b> elimination of tuberculosis,    poverty, drugs and medicines.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Sou um cidad&atilde;o - n&atilde;o-m&eacute;dico    - que vem para falar da tuberculose, ap&oacute;s pouco mais de seis anos de    uma experi&ecirc;ncia vivida junto ao programa da Sociedade QTROP<a name="nota1"></a><sup><a href="#nota">I</a></sup>    na regi&atilde;o de Vila Ros&aacute;rio, munic&iacute;pio de Duque de Caxias,    Rio de Janeiro. Em fins de 1997, a Sociedade estabeleceu nesta localidade uma    &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o, com o objetivo de desenvolver um modelo    de interven&ccedil;&atilde;o para o controle da tuberculose. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Doen&ccedil;a infecciosa, que se transmite diretamente    de pessoa para pessoa, a tuberculose afeta um n&uacute;mero elevado de indiv&iacute;duos    no Brasil e no mundo. &Eacute; considerada, atualmente, pela Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial da Sa&uacute;de - OMS, a maior endemia mundial. Os dados mais recentes    d&atilde;o conta que no Brasil, anualmente, h&aacute; uma expectativa de adoecimento    de 110 mil pessoas,<a name="nota2"></a><sup><a href="#nota">II</a></sup> das    quais morrem cerca de seis mil. Em termos mundiais os n&uacute;meros s&atilde;o    ainda mais dram&aacute;ticos: a cada ano, 6 a 7 milh&otilde;es adoecem e 2 a    3 milh&otilde;es morrem por essa causa. Estima-se que um ter&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o    mundial (cerca de dois bilhies) esteja infectada com o <i>Mycobacterium tuberculosis</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A tuberculose &eacute; uma doen&ccedil;a, e como    tal espera-se que a solu&ccedil;&atilde;o venha atrav&eacute;s do tratamento    m&eacute;dico: hospitais e outros servi&ccedil;os m&eacute;dicos adequados,    m&eacute;dicos e equipes treinadas, medicamentos pr&ocirc;prios distribu&iacute;dos    gratuitamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Fosse s&oacute; isso, a tuberculose    estaria sob controle no Brasil: o governo conduz, j&aacute; h&aacute; muitos    anos, um Programa de Controle da Tuberculose vinculado ao Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, de abrang&ecirc;ncia nacional, que inclui centros de treinamento    para os profissionais de sa&uacute;de, centros de atendimento m&eacute;dico    que operam permanentemente - em alguns casos acompanhados de programas de cestas    b&aacute;sicas, &agrave;s vezes de ajuda financeira aos doentes e aos programas    por doentes curados, al&egrave;m de um sem n&iacute;mero de atividades pontuais    'de-cima-para-baixo', isto &eacute;, atividades advindas de iniciativas de governo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E o que se v&ecirc;? Os jornais noticiam constantemente    e, atingem - duas vezes por ano - o auge do paroxismo nos dias nacional (12    de novembro) e internacional (24 de mar&ccedil;o) de combate &agrave; tuberculose,    sempre dizendo que a 'doen&ccedil;a avan&ccedil;a', tanto em n&iacute;veis nacionais    quanto mundiais, que &eacute; a maior pandemia com a qual o mundo atualmente    convive, etc. E isto &eacute; verdade, a 'doen&ccedil;a avan&ccedil;a', mesmo    descontados os exageros que cometem os jornais para que as suas not&iacute;cias    chamem a aten&ccedil;&atilde;o dos leitores. Resultados obtidos nesse ano de    2004 (referentes ao ano de 2003), colocam o Rio de Janeiro como o estado da    federa&ccedil;&atilde;o onde a doen&ccedil;a est&aacute; mais presente: cerca    de 17.000 casos foram registrados oficialmente em 2003, e os munic&iacute;pios    da Baixada Fluminense s&atilde;o aqueles em que a doen&ccedil;a se mostrou mais    presente. Esta foi a situa&ccedil;&atilde;o em 2003 e a previs&atilde;o para    os anos futuros &eacute; que o n&uacute;mero de casos aumente. Desde que as    estat&iacute;sticas come&ccedil;aram a ser feitas, tem sido constatado que a    presen&ccedil;a da tuberculose na popula&ccedil;&atilde;o &eacute; alta.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E por ser assim h&aacute; tanto tempo, &eacute;    de se perguntar: as coisas s&atilde;o assim, porque t&ecirc;m que ser assim,    ou seria uma quest&atilde;o de 'ser' ou de 'estar' assim?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A n&atilde;o se aceitar um fatalismo - as coisas    s&atilde;o assim porque t&ecirc;m que ser assim - por que ent&atilde;o as coisas    'est&atilde;o' assim, j&aacute; faz muito, tanto tempo?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A constata&ccedil;&atilde;o a que esses dados    levam &eacute; que, apesar de a tuberculose ser hoje uma doen&ccedil;a que tem    cura na base do indiv&iacute;duo, os paradigmas atualmente vigentes n&atilde;o    atendem ao que &eacute; necess&aacute;rio para o controle na base social. O    problema do controle/elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose deixa de ser um    problema de tratamento do doente visto apenas como um indiv&iacute;duo, para    ser um problema de tratamento do doente inserido em um contexto social. Como    ser&aacute; mostrado ao longo deste artigo, a experi&ecirc;ncia em Vila Ros&aacute;rio    deixa bem claro que a elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose no Brasil &eacute;    um problema que s&oacute; ter&aacute; solu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do    'tratamento' que se d&ecirc; &agrave; sociedade - que inclui, certamente, o    tratamento m&eacute;dico <i>strictu sensu</i> dado ao doente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os argumentos usados no presente trabalho se    valem da experi&ecirc;ncia realizada na regi&atilde;o de Vila Ros&aacute;rio,    como foi mencionado. Cabe, portanto, que nesta apresenta&ccedil;&atilde;o se    fa&ccedil;a uma pequena descri&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Vila Ros&aacute;rio<sup><a name="nota3"></a><a href="#nota">III</a></sup>    &eacute; uma &aacute;rea de aproximadamente 30 km<sup>2</sup> situada a noroeste    na conflu&ecirc;ncia do rio Sarapu&iacute; com a avenida Presidente Kennedy    - antiga estrada Rio-Petr&oacute;polis -, segundo distrito do munic&iacute;pio    de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro; situada, portanto, no centro de    onde as estat&iacute;sticas governamentais recentes extra&iacute;ram os n&uacute;meros    alarmantes de casos de tuberculose detectados, correspondendo a uma taxa real    de 103 por 100 mil habitantes.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por esta mesma raz&atilde;o - a de ter um n&uacute;mero    elevado de casos de tuberculose - Vila Ros&aacute;rio foi escolhida para ser    uma '&aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o' da Sociedade QTROP e, como tal, foi    alvo de interven&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de um programa de combate &agrave;    tuberculose liderado pela Sociedade, que coordenou a atua&ccedil;&atilde;o em    conjunto com a Funda&ccedil;&atilde;o Ataulpho de Paiva-FAP, o Centro de Refer&ecirc;ncia    Professor H&eacute;lio Fraga e o Ambulat&oacute;rio de Vila Ros&aacute;rio (uma    unidade de sa&uacute;de institu&iacute;da e mantida pela Igreja Cat&oacute;lica).    As a&ccedil;&otilde;es do programa se fizeram de acordo com protocolo firmado    com a Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Duque de Caxias e tiveram aux&iacute;lio    financeiro da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de - Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de. A reflex&atilde;o sobre os resultados obtidos nessa interven&ccedil;&atilde;o,    realizada nos anos 2001 e 2002, &eacute; que deu luz ao presente artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o da Sociedade    QTROP &eacute; povoada por grupos sociais que abrangem um gradiente de pobreza    que se estende do mais pobre - a Vila da Fraternidade, uma favela localizada    &agrave; margem esquerda do rio Sarapu&iacute;, que tem sua estrutura de funcionamento    t&iacute;pica de qualquer favela do Rio de Janeiro - a bairros habitados por    uma popula&ccedil;&atilde;o de renda baixa a m&eacute;dia. O n&iacute;vel de    desemprego &eacute; alto. A maioria dos que a&iacute; moram e t&ecirc;m emprego,    trabalham fora da regi&atilde;o. Poucos s&atilde;o os que conseguem trabalho    no local. Restam os que n&atilde;o se sentem em condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas    e ps&iacute;quicas - ou que nem t&ecirc;m mesmo essas condi&ccedil;&otilde;es    - para enfrentar a dura luta pelo emprego. S&atilde;o muitos. H&aacute; fome    e doen&ccedil;a na regi&atilde;o. O n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o &eacute;,    quando muito, o elementar, e mesmo assim n&atilde;o &eacute; o de toda a popula&ccedil;&atilde;o,    embora conte com a presen&ccedil;a de uma unidade de ensino superior nas proximidades    (Parque-Fluminense) - a Federa&ccedil;&atilde;o Educacional e Universidade Duque    de Caxias - FEODUC.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As manifesta&ccedil;&otilde;es culturais s&atilde;o    inexpressivas. O resultado &eacute; que nessa regi&atilde;o o n&iacute;vel de    pobreza &eacute; alto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A mis&eacute;ria n&atilde;o est&aacute; em Vila    Ros&aacute;rio por op&ccedil;&atilde;o das pessoas. Sua popula&ccedil;&atilde;o,    em grande parte migrat&oacute;ria de outros estados, certamente veio para a    cidade do Rio de Janeiro em busca do <i>el dorado</i>, do fasc&iacute;nio que    a capital federal de &eacute;poca passada exercia sobre as pessoas de outras    partes do Pa&iacute;s. Muitas delas, atra&iacute;das pela possibilidade de uma    vida melhor, mas sem condi&ccedil;&otilde;es de competir por cargos e empregos,    se situavam &agrave; margem da sociedade central. Como eram muitos, uma discrimina&ccedil;&atilde;o    'natural' ganhava corpo: um centro rico e uma periferia pobre. A pobreza dava    lugar &agrave; fome. &Agrave; fome seguia-se a desnutri&ccedil;&atilde;o, e    &agrave; desnutri&ccedil;&atilde;o a doen&ccedil;a. Em meio &agrave; doen&ccedil;a,    &agrave; desnutri&ccedil;&atilde;o e &agrave; pobreza, princ&iacute;pios m&iacute;nimos    de educa&ccedil;&atilde;o - &eacute;tica? - se dilu&iacute;am ao extremo. Cultura?    Que cultura? A da sobreviv&ecirc;ncia &eacute; a &uacute;nica que resta. A maior    parte dessa popula&ccedil;&atilde;o tem dificuldade em conseguir emprego, e    por causa disso vive uma vida dif&iacute;cil. Mas n&atilde;o tem meios para    romper com essa situa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; for&ccedil;as internas    para romper o bloqueio. Na maioria das vezes busca a salva&ccedil;&atilde;o    atrav&eacute;s de for&ccedil;as externas, entre as quais a principal &eacute;    o governo. Essas popula&ccedil;&otilde;es ficam, portanto, a merc&ecirc; de    programas governamentais. E s&oacute; deles. E 'aprendem' a viver s&oacute;    deles. Por um processo 'natural', desaprendem a andar de p&eacute;. Curvados,    deixam de ser cidad&atilde;os. Transformam-se, quando muito, em 'votos'.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; interessante constatar que, contrastando    com essa situa&ccedil;&atilde;o, encontra-se a alguns poucos quil&ocirc;metros    e ainda no mesmo distrito do munic&iacute;pio (Campos El&iacute;seos), um p&oacute;lo    petroqu&iacute;mico de grande porte, com a refinaria da Petrobras (REDUC), que    processa cerca de 120 mil barris de petr&oacute;leo por dia, f&aacute;bricas    diversas do complexo petroqu&iacute;mico e, em vias de ser montado, um grande    conjunto de ind&uacute;strias do setor g&aacute;s-qu&iacute;mico. Milh&otilde;es    de reais (ou d&oacute;lares) em mercadorias, servi&ccedil;os etc. circulam diariamente    por essa regi&atilde;o. Por que esse 'disparate', um 'bols&atilde;o de riqueza'    separado de um 'bols&atilde;o de mis&eacute;ria' por apenas alguns quil&ocirc;metros,    ambos os bols&otilde;es de um mesmo povo, em um mesmo pa&iacute;s, sob um mesmo    governo?<a name="nota4"></a> <sup><a href="#nota">IV</a></sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O trabalho realizado pela Sociedade QTROP em    Vila Ros&aacute;rio ao longo desses anos levou a um n&uacute;mero expressivo    de conclus&otilde;es, algumas das quais ser&atilde;o a seguir resumidas na forma    de teses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise das    teses</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Eliminar a tuberculose da comunidade de Vila    Ros&aacute;rio deve ser o objetivo primeiro do modelo de atua&ccedil;&atilde;o    da Sociedade QTROP</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A tese central desse trabalho diz que se dever&aacute;    trabalhar com estrat&eacute;gias que visem eliminar a doen&ccedil;a. Onde difere,    esta tese, do que preconizam os programas oficiais?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No jarg&atilde;o oficial, eliminar uma doen&ccedil;a    &eacute; t&ecirc;-la controlada no patamar de 1-2 casos para cada 100 mil habitantes    (h&aacute; defini&ccedil;&otilde;es mais rigorosas que elevam esse n&iacute;vel    para 1 a 2 casos para 1 milh&atilde;o de habitantes). Para muitos, &eacute;    ut&oacute;pico lan&ccedil;ar-se a um objetivo como este quando se trata da tuberculose    no Brasil. Seria mais sensato trabalhar com metas menos exigentes, que levassem,    paulatinamente, &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de    definiu como metas para 2005, descobrir 70% dos casos de tuberculose existentes    e tratar, com &ecirc;xito, 85% deles, ou seja, curar 59,5% dos doentes. Espera    a OMS que, alcan&ccedil;ando-se essas metas de forma sustentada, ano a ano,    a incid&ecirc;ncia da tuberculose sofra uma redu&ccedil;&atilde;o gradativa    e consistente, at&eacute; chegar a uma situa&ccedil;&atilde;o que permita considerar    a doen&ccedil;a 'sob controle' (como &eacute; o que acontece, hoje, por exemplo,    em alguns pa&iacute;ses - do chamado 'primeiro mundo' - que apresentam menos    do que 10 doentes por 100.000 habitantes, a caminho, portanto, da elimina&ccedil;&atilde;o).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto - na vis&atilde;o de um cidad&atilde;o    - &eacute; inaceit&aacute;vel que, num planejamento social de envergadura, se    proponha o controle da doen&ccedil;a em qualquer n&iacute;vel diferente da elimina&ccedil;&atilde;o.    Consideradas as metas da OMS, que fala em curar 59,5% dos doentes de tuberculose    em 2005, pergunta-se: como ficam os 40,5% restantes? A experi&ecirc;ncia de    Vila Ros&aacute;rio mostra claramente que ser&aacute; imposs&iacute;vel eliminar    a tuberculose se aproximadamente 40% dos doentes forem mantidos 'fora do controle'    (no Brasil esses 40% correspondem a cerca de 30 mil doentes!). 60% de curas    &eacute; uma meta baixa, mesmo a ser alcan&ccedil;ada em curto prazo em regi&otilde;es    onde a doen&ccedil;a esteja 'completamente fora de qualquer controle'. A longo    prazo, e mesmo a m&eacute;dio prazo, a &uacute;nica condi&ccedil;&atilde;o socialmente    aceit&aacute;vel &eacute; a de definir estrat&eacute;gias que levem &agrave;    elimina&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, mesmo porque as estrat&eacute;gias    de elimina&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o diferentes daquelas que procuram atingir    o 'controle' gradual da doen&ccedil;a (em 60% - ou em qualquer outro n&uacute;mero    - de curas por ano). S&oacute; com o objetivo maior - a elimina&ccedil;&atilde;o    - &eacute; que se poder&aacute; aprofundar no conhecimento das causas que levam    &agrave; pandemia. Por conta desse objetivo, certamente novos paradigmas ter&atilde;o    que ser estabelecidos para o confronto com a doen&ccedil;a (alguns deles ser&atilde;o    apresentados nas pr&oacute;ximas teses).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A elimina&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a deve,    portanto, ser a grande meta do modelo, isto &eacute;, fazer com que o n&uacute;mero    de casos se limite ao insignificante em um horizonte vis&iacute;vel de tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>A elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose    s&oacute; se dar&aacute; pela atua&ccedil;&atilde;o hol&iacute;stica sobre a    cadeia da mis&eacute;ria,<sup><a name="nota5"></a><a href="#nota">V</a></sup>    particularmente na parte pobre / miser&aacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">J&aacute; foi dito que a tuberculose disp&otilde;e    hoje de tratamento m&eacute;dico que leva &agrave; cura os doentes, que o governo    fornece os medicamentos de gra&ccedil;a, que h&aacute; nos postos de sa&uacute;de/hospitais    p&uacute;blicos, setores - gratuitos - de tratamento da doen&ccedil;a, e que    h&aacute; programas nacionais, estaduais, municipais etc. que visam o controle    da doen&ccedil;a. Entretanto, as estat&iacute;sticas mostram que a doen&ccedil;a    se alastra desordenadamente, no mundo, e mesmo no Brasil.<sup><a name="nota6"></a><a href="#nota">VI</a></sup>    Essa situa&ccedil;&atilde;o, aparentemente paradoxal no Pa&iacute;s (a preocupa&ccedil;&atilde;o    do governo de estabelecer e prover um sistema de controle da doen&ccedil;a,    e o que se observa em muitas regi&otilde;es &eacute; um aumento do n&uacute;mero    de casos - &eacute; o que mostram os dados oficiais para o estado do Rio de    Janeiro, por exemplo) pode ter resposta expressa pela tese acima.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No segmento pobre/miser&aacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o    fica bem claro que a solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passa mais s&oacute; pelos    cuidados m&eacute;dicos: a elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose s&oacute;    poder&aacute; acontecer como fruto de uma interven&ccedil;&atilde;o hol&iacute;stica    no problema da mis&eacute;ria, isto &eacute;, atrav&eacute;s de solu&ccedil;&otilde;es    que d&ecirc;em conta, orquestradamente, das necessidades das v&aacute;rias partes    do sistema social. De nada valer&atilde;o interven&ccedil;&otilde;es pontuais    se estas n&atilde;o forem feitas como parte de um sistema que atenda a uma vis&atilde;o    ampla do problema. Interven&ccedil;&otilde;es pontuais isoladas nunca passar&atilde;o    de paliativos: dinheiro - &agrave;s vezes muito dinheiro - foi e ser&aacute;    gasto, esfor&ccedil;o ser&aacute; despendido. Alguns resultados imediatos, fugazes,    at&eacute; poder&atilde;o aparecer. Mas n&atilde;o ser&atilde;o mais do que    fugazes: logo ser&atilde;o tragados pelo tempo e desaparecer&atilde;o at&eacute;    mesmo da hist&oacute;ria daquela sociedade. Sem a vis&atilde;o hol&iacute;stica,    repito - a de conhecer as partes do sistema, o papel que cada parte exerce na    cadeia social de eventos e a intera&ccedil;&atilde;o que existe entre as partes    - e sem uma interven&ccedil;&atilde;o orquestrada sobre essas v&aacute;rias    partes, nunca se resolver&atilde;o problemas de uma sociedade. E este &eacute;    o caso da tuberculose em Vila Ros&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Sociedade QTROP, embora sempre tivesse se mantida    fiel aos seus objetivos primeiros - a qu&iacute;mica fina dos f&aacute;rmacos    - passou a reconhecer, ap&oacute;s dirigir suas a&ccedil;&otilde;es para a '&aacute;rea    de atua&ccedil;&atilde;o' em Vila Ros&aacute;rio, que o problema de controle    e elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose no Pa&iacute;s n&atilde;o passava    apenas pelos medicamentos, e nem mesmo s&oacute; pelas a&ccedil;&otilde;es na    &aacute;rea m&eacute;dica, mas que a pobreza - essa sim - &eacute; que seria    a principal respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Surgiu da&iacute; o conceito da 'cadeia da mis&eacute;ria'    que, em Vila Ros&aacute;rio, foi caracterizada por cinco elos: doen&ccedil;a    (tuberculose), fome, trabalho, educa&ccedil;&atilde;o e cultura. A doen&ccedil;a    existe porque h&aacute; fome - e com a fome vem a desnutri&ccedil;&atilde;o    que reduz as defesas naturais do organismo. H&aacute; fome porque n&atilde;o    h&aacute; trabalho, emprego que d&ecirc; ao cidad&atilde;o a renda necess&aacute;ria    para viver. N&atilde;o encontra emprego porque n&atilde;o tem a educa&ccedil;&atilde;o    necess&aacute;ria para buscar em outros ambientes um que lhe propicie auferir    a renda necess&aacute;ria. N&atilde;o tem educa&ccedil;&atilde;o porque n&atilde;o    tem a cultura da educa&ccedil;&atilde;o; a cultura &eacute; mais a do n&atilde;o-trabalho,    um n&atilde;o-est&iacute;mulo para uma educa&ccedil;&atilde;o consciente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A mesma cadeia pode ser vista no sentido inverso:    sem a cultura do fazer e do aprender n&atilde;o se estabelece na sociedade a    educa&ccedil;&atilde;o como necessidade. Pode at&eacute; haver alguma educa&ccedil;&atilde;o    como acess&oacute;rio, mas n&atilde;o como necessidade, como ferramenta de resolver    problemas, de gerar trabalho, alimento, enfim, como ferramenta de sobreviv&ecirc;ncia.    Sem educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; como atingir um n&iacute;vel    competitivo de trabalho. Sem esse n&iacute;vel para exercer trabalho n&atilde;o    se galgar&aacute; emprego; sem fonte de renda vem a fome, e com a fome vem a    desnutri&ccedil;&atilde;o e a doen&ccedil;a. S&atilde;o estes os elos da cadeia    que levam uma sociedade &agrave; mis&eacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao mesmo tempo, ser&aacute; com base nessa cadeia    da mis&eacute;ria que se poder&aacute; definir estrat&eacute;gias que levar&atilde;o    &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de curto, m&eacute;dio e longo prazos, mencionadas    anteriormente: o atendimento m&eacute;dico &eacute; a a&ccedil;&atilde;o imediata,    de curto prazo. J&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o dos empregos que conduzir&atilde;o    &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de renda e &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o    da fome, s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es de m&eacute;dio prazo (3-10 anos). A    educa&ccedil;&atilde;o, que forme o cidad&atilde;o e o conduza a exercer um    comportamento &eacute;tico - a mais fundamental dentre todas as a&ccedil;&otilde;es,    - &eacute; a&ccedil;&atilde;o a ter frutos a longo prazo (10-20 anos). De mais    longo prazo, ainda (20-100 anos) &eacute; a instala&ccedil;&atilde;o na sociedade    da cultura do saber e do trabalho. &Eacute; importante enfatizar que a implementa&ccedil;&atilde;o    de todas as a&ccedil;&otilde;es que envolvem a cadeia da mis&eacute;ria - sejam    as de curto, m&eacute;dio ou longo prazos - devem ter in&iacute;cio simult&acirc;nea    e imediatamente, embora os resultados esperados s&oacute; venham a ser alcan&ccedil;ados    nos prazos que v&atilde;o variar do curto ao longo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Sociedade QTROP v&iacute; hoje o programa de    atua&ccedil;&atilde;o em Vila Ros&aacute;rio como uma sonda enviada &agrave;quela    comunidade que, na sua volta, traz o conjunto de informa&ccedil;&otilde;es sobre    como s&atilde;o as pessoas que l&aacute; vivem, e como vivem, muito mais do    que apenas rastrear e tratar as pessoas doentes de tuberculose. Uma sonda que    faz da tuberculose uma medida do grau de mis&eacute;ria em que vive uma comunidade.    Ser&aacute; baseado nessas informa&ccedil;&otilde;es que se poder&aacute; estabelecer    programas que venham eliminar os gargalos que dificultam - ou praticamente impedem    - que a doen&ccedil;a seja eliminada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Cabe aqui lembrar que outras sociedades conseguiram    controlar a tuberculose. Por exemplo, os &iacute;ndices de tuberculose na Su&iacute;&ccedil;a    e na Holanda s&atilde;o de 1-2 casos (com confirma&ccedil;&atilde;o bacteriol&oacute;gica)    por 100 mil habitantes. Este &eacute; um n&iacute;vel de ocorr&ecirc;ncia no    qual se considera que a doen&ccedil;a est&aacute; 'controladamente eliminada'.    Se o que se quer &eacute; atingir esses n&iacute;veis em Vila Ros&aacute;rio,    a solu&ccedil;&atilde;o imediatista do problema, diriam alguns, &eacute; fazer    de Vila Ros&aacute;rio uma Su&iacute;&ccedil;a ou uma Holanda. Isso seria poss&iacute;vel?    Isso seria desej&aacute;vel? Acho que a resposta &eacute; n&atilde;o para ambas    as perguntas: n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel nem &eacute; desej&aacute;vel.    Que caminhos, ent&atilde;o, seguir, para tornar a sociedade de Vila Ros&aacute;rio    livre da tuberculose?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>A elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose    requer uma descentraliza&ccedil;&atilde;o radical do atendimento aos doentes</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O Pa&iacute;s tem condi&ccedil;&otilde;es e mostrou    efici&ecirc;ncia para curar a tuberculose na base do indiv&iacute;duo (aquele    que procura o servi&ccedil;o m&eacute;dico), mas n&atilde;o estabeleceu a estrutura    necess&aacute;ria para elimin&aacute;-la (a cura na base social).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os programas nacionais de combate &agrave; tuberculose    s&atilde;o programas centralizados nos &oacute;rg&atilde;os de governo onde    'vultosas' somas de dinheiro s&atilde;o alocadas. Vultosas quantias s&atilde;o    realmente importantes para se levar a bom termo qualquer programa de grande    porte, como &eacute; o da elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose no Pa&iacute;s.    Entretanto, o que se observa &eacute; que expressivas somas de dinheiro acumuladas    em um ponto, tornam o programa ineficiente para a consecu&ccedil;&atilde;o dos    seus objetivos. Por que essa situa&ccedil;&atilde;o paradoxal (vultosas somas    s&atilde;o necess&aacute;rias ao mesmo tempo que vultosas somas tornam o programa    ineficiente)? E se for assim, como 'desfazer' o paradoxo, isto &eacute;, como    fazer com que grandes somas de dinheiro sejam usadas eficientemente? A resposta    &oacute;bvia imediata &eacute;: eliminar as causas da inefici&ecirc;ncia. Que    causas s&atilde;o essas?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um fator que leva &agrave; inefici&ecirc;ncia    dos 'grandes programas' &eacute; que a pr&oacute;pria m&aacute;quina administrativa    consome grande parte dos recursos para administr&aacute;-lo. As quantias podem    ser vultosas mas n&atilde;o s&atilde;o infinitas, e rapidamente n&atilde;o h&aacute;    mais dinheiro para cumprir a atividade fim: s&oacute; uma pequena parte - quando    muito! - dos recursos chega ao seu objetivo final. E, devido &agrave; 'falta    de recursos' a que logo se chega, rapidamente as pessoas se desinteressam pelo    programa, que, geralmente, termina em fracasso.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outro fator importante respons&aacute;vel pela    inefici&ecirc;ncia dos 'grandes programas'- f&aacute;cil de constatar na nossa    sociedade - &eacute; o fato que as vultosas quantias ati&ccedil;am a gan&acirc;ncia    daqueles que v&ecirc;em no dinheiro a sua &uacute;nica motiva&ccedil;&atilde;o    para o trabalho. T&atilde;o logo um programa &eacute; anunciado, imediatamente    tem in&iacute;cio uma 'corrida' para a ocupa&ccedil;&atilde;o de 'postos' no    programa. A escolha das pessoas que v&atilde;o ocupar os altos postos na alta    esfera governamental &eacute; geralmente feita com base em fatores pol&iacute;ticos    - que em grande parte das vezes nada t&ecirc;m a ver com a compet&ecirc;ncia    para exercer a fun&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">H&aacute; que se reconhecer, ainda, um terceiro    fator: vultosas somas estimulam e facilitam a m&aacute; aplica&ccedil;&atilde;o    do dinheiro como, tamb&eacute;m, estimulam e facilitam a corrup&ccedil;&atilde;o    - a mais triste constata&ccedil;&atilde;o de nossa realidade.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outras raz&otilde;es podem ser dadas para explicar    as causas que levam os 'grandes programas' ao fracasso. Sempre come&ccedil;am    com grandes pompas, t&ecirc;m uma vida ef&ecirc;mera e um final melanc&oacute;lico,    longe de cumprir suas metas e des&iacute;gnios. T&ecirc;m mais o efeito de <i>marketing</i>    para os governos, do que se constitu&iacute;rem em uma a&ccedil;&atilde;o efetiva    para resolver o problema.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As causas apresentadas acima, aliadas &agrave;    experi&ecirc;ncia de Vila Ros&aacute;rio, seriam para n&oacute;s suficientes    para optar que um plano maior de combate &agrave; tuberculose fosse ' pulverizado'    em pequenas unidades bem estruturadas - como s&atilde;o as c&eacute;lulas dos    organismos vivos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A analogia com a c&eacute;lula dos organismos    vivos mostra mais claramente o que se quer dizer com esta tese: um programa    que tivesse uma estrutura fundamentada em um trabalho cooperativo entre (pequenas)    unidades aut&ocirc;nomas e independentes, cujas a&ccedil;&otilde;es convergissem,    harmoniosamente, para um mesmo e bem definido objetivo (no caso dos seres vivos    o objetivo &eacute; preservar o indiv&iacute;duo e a sua esp&eacute;cie). Assim    tamb&eacute;m deveria acontecer com as 'c&eacute;lulas' do programa de combate    &agrave; tuberculose: unidades aut&ocirc;nomas e independentes, que trabalhassem    harmoniosamente e obedientes a uma doutrina maior - que tenha por base uma estrutura    hol&iacute;stica, &eacute;tica, racional e objetiva -, com a finalidade de eliminar    a tuberculose das comunidades a que pertencem.<sup><a name="nota7"></a><a href="#nota">VII</a></sup>    &Eacute;essencial para o &ecirc;xito do programa que se alcance a compreens&atilde;o    e a aceita&ccedil;&atilde;o da 'doutrina' por todos os que dele participam,    compreens&atilde;o e aceita&ccedil;&atilde;o estas que se fazem demonstrar pelos    atos e a&ccedil;&otilde;es praticadas pelos seus participantes, a todo o momento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse ponto &eacute; preciso entender que a mencionada    'pulveriza&ccedil;&atilde;o' do programa em 'c&eacute;lulas' corresponderia    a uma grande 'horizontaliza&ccedil;&atilde;o' do mesmo. Entretanto - reconhecemos    - &eacute; precisamente essa horizontaliza&ccedil;&atilde;o o 'calcanhar de    Aquiles' do modelo: parece ser (quase?) imposs&iacute;vel alcan&ccedil;ar com    pessoas - particularmente com as pessoas de nossa sociedade - um funcionamento    como os das c&eacute;lulas em um organismo. A experi&ecirc;ncia em Vila Ros&aacute;rio<a name="nota8"></a><sup><a href="#nota">VIII</a></sup>    tem mostrado que a nossa sociedade n&atilde;o sabe - <i>ainda</i> n&atilde;o    sabe, esperamos... - conviver harmoniosamente em parcerias. Vaidades, incompreens&otilde;es,    falta de um esp&iacute;rito de coopera&ccedil;&atilde;o - prevalece o esp&iacute;rito    da vantagem - entre os 'poderes' inviabilizam, em alguma hora, as a&ccedil;&otilde;es    'horizontais'. O 'maior' - isto &eacute;, o objetivo maior - &eacute; sempre    prejudicado pelo 'menor' - causas imediatas, de menor import&acirc;ncia. E por    isso, s&oacute; os programas verticalizados t&ecirc;m tido possibilidade de    sobreviver: um poder central, superior, comandando todo o processo. Desse poder    central deriva uma cadeia hier&aacute;rquica de (pseudo) poderes, que nada resolvem    sem o aval do poder superior (o que leva a que quaisquer decis&otilde;es sejam    sempre emanadas do poder central).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A proposta de 'pulverizar' as a&ccedil;&otilde;es    de combate &agrave; tuberculose encontra, portanto, s&eacute;rios &oacute;bices    na atual estrutura funcional social brasileira. Uma grande mudan&ccedil;a na    maneira das pessoas se comportarem em sociedade ser&aacute; necess&aacute;ria,    com base na educa&ccedil;&atilde;o, na compreens&atilde;o filos&oacute;fica    do mundo, na &eacute;tica do conv&iacute;vio social e em conhecimentos afins    para que se alcance o est&aacute;gio de um 'organismo' social que funcione como    funcionam os organismos dos seres vivos. O modelo de ' c&eacute;lulas' pode    ser &oacute;timo para os organismos 'naturais', deterministas, mas n&atilde;o    funciona para os organismos sociais. O 'livre arb&iacute;trio' das pessoas permite-lhes    que se desviem do que &eacute; certo e justo para o estado - o interesse coletivo    - para fazer prevalecer a vis&atilde;o individualista, ego&iacute;sta, de olhar    para si e seus problemas, seu mundo particular. De um modo geral, falta-lhes    a vis&atilde;o de estadistas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora permane&ccedil;a a convic&ccedil;&atilde;o    de que a tese que defende que a elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose passe    por uma descentraliza&ccedil;&atilde;o radical do atendimento aos doentes, h&aacute;,    tamb&eacute;m, a convic&ccedil;&atilde;o que esse modelo est&aacute; 'verde'    para a nossa sociedade. H&aacute; que se esperar por uma ' evolu&ccedil;&atilde;o'    da maneira de ser e de pensar das nossas pessoas para que esse modelo possa    dar frutos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Qualquer programa que se destine a eliminar    a tuberculose ter&aacute; que se basear na 'busca ativa' e constante de casos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nos anos de 2000 e 2001, anos de atua&ccedil;&atilde;o    do programa QTROP-TB com o aux&iacute;lio financeiro do Minist&eacute;rio da    Sa&uacute;de, um n&uacute;mero expressivo de doentes foi descoberto e conduzido    ao tratamento pelas agentes comunit&aacute;rias/assistente social do programa.    Este n&uacute;mero &eacute; estimado em cerca do dobro dos que procuraram espontaneamente    o servi&ccedil;o de tuberculose do Hospital de Caxias, centro de atendimento    dos doentes de tuberculose no munic&iacute;pio. Este fato &eacute; da maior    relev&acirc;ncia para estabelecer qualquer programa que se destine a eliminar/controlar    a tuberculose em comunidades com baixo n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o:    o n&uacute;mero de pessoas portadoras da doen&ccedil;a que n&atilde;o procurou    espontaneamente o tratamento, foi maior do que o que procurou - espontaneamente    - o servi&ccedil;o m&eacute;dico oficial. As raz&otilde;es para que isso tivesse    acontecido s&atilde;o v&aacute;rias: ignor&acirc;ncia - a mais fundamental dentre    todas -, estigma da doen&ccedil;a, falta de recursos para o transporte at&eacute;    a unidade central (que, no caso do munic&iacute;pio de Caxias, fica no centro    da cidade de Duque de Caxias, do qual Vila Ros&aacute;rio dista cerca de 6 km).    H&aacute; que se esperar que em outras localidades onde prevale&ccedil;a igual    n&iacute;vel de pobreza, que seja tamb&eacute;m alto o n&uacute;mero de pessoas    que n&atilde;o procuram espontaneamente o servi&ccedil;o m&eacute;dico oficial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; bem conhecido que o 'fen&ocirc;meno'    do abandono do tratamento contribui de forma marcante para a persist&ecirc;ncia    'social' da tuberculose (a pessoa que n&atilde;o se curou da doen&ccedil;a continua    sendo um transmissor da mesma e a levar a bact&eacute;ria infectante a adotar    formas resistentes aos medicamentos tomados). Isto acontece com um n&uacute;mero    consider&aacute;vel de doentes (pode chegar a 25%), desde o primeiro m&ecirc;s    de tratamento. As mesmas raz&otilde;es indicadas acima prevalecem para o abandono,    acrescidas do fato que o doente ap&oacute;s 2-3 semanas de tratamento sente    uma melhoria sens&iacute;vel nas condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas (deixa    de ter a 'fraqueza' que tanto caracteriza a doen&ccedil;a). Ao mesmo tempo,    sintomas adversos (n&aacute;useas etc.), provocados pela toxicidade dos medicamentos,    afastam-no do tratamento. Ignor&acirc;ncia certamente &eacute; o cerne da quest&atilde;o,    a palavra-chave que explica e justifica todas as causas de porqu&ecirc; a doen&ccedil;a    se alastra e foge do controle social.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">H&aacute;, entretanto, uma constata&ccedil;&atilde;o    adicional 'num&eacute;rica' que Vila Ros&aacute;rio nos traz sobre a import&acirc;ncia    relativa entre o <i>abandono</i> e a <i>n&atilde;o-procura</i> do tratamento.    A literatura fala sempre do abandono ao tratamento como uma das principais causas    que mant&eacute;m a doen&ccedil;a nos n&iacute;veis presentes. Esta assertiva    &eacute; baseada nos doentes que procuram os ambulat&oacute;rios em busca de    tratamento. Entretanto, veja-se o que os resultados obtidos em Vila Ros&aacute;rio    mostram: os doentes que v&atilde;o ao ambulat&oacute;rio espontaneamente formam    a parte menor do n&uacute;mero de doentes da regi&atilde;o. 20% de abandono    (nesta regi&atilde;o, por exemplo) refere-se a 20% daqueles que procuram tratamento,    enquanto a maioria dos doentes nem procura tratamento - por qualquer das causas    mencionadas. Fica bem claro que esta &uacute;ltima &eacute;, na verdade, a grande    categoria de doentes que necessita ser encontrada e tratada, por constituir    o verdadeiro 'reservat&oacute;rio' da doen&ccedil;a e que, se n&atilde;o for    tratada, manter&aacute; a tuberculose em constante expans&atilde;o. Ao se pensar    em eliminar a doen&ccedil;a, portanto, deve-se ter sempre em mente que o n&uacute;mero    de doentes que ignoram a doen&ccedil;a pode ser at&eacute; uma ordem de grandeza    maior do que o n&uacute;mero dos que abandonam o tratamento nos ambulat&oacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tanto os que abandonam o tratamento quanto os    que ignoram a doen&ccedil;a e n&atilde;o procuram tratamento, s&oacute; poder&atilde;o    ser 'resgatados' com a atua&ccedil;&atilde;o das agentes comunit&aacute;rias.<sup><a name="nota9"></a><a href="#nota">IX</a></sup>    Uma conclus&atilde;o importante para a condu&ccedil;&atilde;o do programa de    elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose a que esse fato nos leva &eacute;, portanto,    a da necessidade imperativa do trabalho dedicado e atencioso das agentes comunit&aacute;rias    aliado ao de uma assistente social - o grupo pode ser 'comandado' pela assistente    social -, para se levar o empreendimento ao sucesso.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; importante que se diga nesse ponto da    discuss&atilde;o que, por for&ccedil;a do t&eacute;rmino do contrato com o Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, a a&ccedil;&atilde;o do programa QTROP-TB em Vila Ros&aacute;rio    reduziu-se sensivelmente, e isso se deu tanto pela falta de recursos quanto    pelo afastamento da irm&atilde;- assistente social que gerenciava o programa    QTROPTB. Um outro fato, ainda, contribuiu para que se pensasse em uma reformula&ccedil;&atilde;o    do programa: muitas vezes, doentes de tuberculose do programa QTROP-TB eram    atendidos no ambulat&oacute;rio de Vila Ros&aacute;rio, onde, em dias diferentes,    eram atendidas crian&ccedil;as (servi&ccedil;o de pediatria) e mulheres (servi&ccedil;o    de ginecologia e obstetr&iacute;cia). Embora o atendimento aos tuberculosos    fosse feito em dias diferentes - como frisado anteriormente -, causava um certo    constrangimento a todos, a presen&ccedil;a deles no ambulat&oacute;rio (estigma    da doen&ccedil;a?). Era importante que se buscasse uma forma alternativa de    atuar.<sup><a name="nota10"></a><a href="#nota">X</a></sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Terminado o aux&iacute;lio financeiro do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de, o programa s&oacute; persistiu existindo - embora em escala    muito menor - por conta de um aux&iacute;lio da Funda&ccedil;&atilde;o Ataulpho    de Paiva - FAP, que garantiu a continuidade do pagamento de cinco agentes comunit&aacute;rias,    e do acoplamento do programa QTROP-TB com o de tratamento da tuberculose do    Posto M&eacute;dico municipal do Parque Fluminense, inaugurado faz pouco tempo.    A conseq&uuml;&ecirc;ncia dessa diminui&ccedil;&atilde;o na busca ativa de casos    foi - no 'sentimento' das atuais agentes - o aumento do n&uacute;mero de casos    (na retomada do programa &eacute; necess&aacute;rio que seja feito um novo censo    dos doentes para avaliar a justeza desse 'sentimento').</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>As pessoas envolvidas com a elimina&ccedil;&atilde;o    da tuberculose devem ser escolhidas com base em uma qualifica&ccedil;&atilde;o    rigorosa, que se assente no esp&iacute;rito da cidadania e da &eacute;tica</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Vivemos uma &eacute;poca em que o que importa    &eacute; o dinheiro (talvez tenha sido sempre assim...). Este &eacute; o maior    - e parece que o &uacute;nico - objetivo das pessoas. Trabalhar com esse objetivo    nas partes ricas da sociedade pode at&eacute; dar certo. Contudo, quando se    trata de trabalhar com a pobreza, com a mis&eacute;ria, ganhar dinheiro n&atilde;o    pode ser o objetivo maior na mente das pessoas (ganhar dinheiro com a mis&eacute;ria?).    &Eacute; claro que o dinheiro &eacute; necess&aacute;rio. &Eacute; claro que    as pessoas engajadas em programas que visam atuar na pobreza t&ecirc;m que se    alimentar, vestir-se, morar etc., e para isso precisam de dinheiro. Mas o dinheiro    deve ser para cobrir essas necessidades - um pouco mais... - mas n&atilde;o    deve ser a &uacute;nica raz&atilde;o de ocuparem a posi&ccedil;&atilde;o que    est&atilde;o ocupando no programa. H&aacute; de haver uma raz&atilde;o maior    que as prenda ao objetivo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; fundamental que as equipes envolvidas    na elimina&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a sejam capazes de ag&uuml;entar    os 'sobe-e- desce' dos financiamentos, as mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas,    os modismos, a 'press&atilde;o psicol&oacute;gica' permanente com a doen&ccedil;a    e a mis&eacute;ria, as intrigas e desentendimentos internos e externos pr&oacute;prios    das pessoas e que se mantenham obstinadamente perseguindo o objetivo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse sentido, h&aacute; um outro ingrediente    importante de se acrescentar &agrave; escolha das agentes: h&aacute; que se    reconhecer que existem agentes comunit&aacute;rias e agentes comunit&aacute;rias,    assistentes sociais e assistentes sociais, ou seja, h&aacute; aquelas pessoas    que assumem a miss&atilde;o por op&ccedil;&atilde;o e voca&ccedil;&atilde;o,    e o fazem com amor, dedica&ccedil;&atilde;o, desprendimento, devo&ccedil;&atilde;o    mesmo, visando 'de cora&ccedil;&atilde;o' o objetivo de levar o doente &agrave;    cura. E h&aacute; as que aceitam a miss&atilde;o como um emprego, uma forma    de ganhar a vida, sobreviver. Dist&acirc;ncia destas &uacute;ltimas... Ser&atilde;o    apenas fontes de aborrecimento permanente (muitos direitos e poucos deveres...    - poucos? pra qu&ecirc; tantos?). S&oacute; as do primeiro tipo conduzir&atilde;o    o programa ao sucesso. &Eacute; dif&iacute;cil trabalhar com a pobreza, repito.    A experi&ecirc;ncia de Vila Ros&aacute;rio bem mostra isso. O fato de que a    assistente social que assumiu o programa era uma irm&atilde; da Igreja Cat&oacute;lica,    e de que todas as agentes eram tamb&eacute;m ligadas &agrave; Igreja Cat&oacute;lica,    parece indicar que uma forma&ccedil;&atilde;o espiritual, de amor e de doa&ccedil;&atilde;o    ao pr&oacute;ximo - ao contr&aacute;rio da gan&acirc;ncia pelo dinheiro - seja    uma qualidade fundamental para a escolha da agente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por tudo isso &eacute; que essa tese enfatiza    a necessidade de que as pessoas envolvidas no programa - todas elas - devem    estar imbu&iacute;das de um grau de cidadania/espiritualidade em que a causa    pela qual est&atilde;o trabalhando - a elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose    na regi&atilde;o - seja mais importante do que o dinheiro que est&atilde;o recebendo    para execut&aacute;-la. Ser&aacute; s&oacute; com pessoas especiais, aquelas    que na sua forma&ccedil;&atilde;o cultural/espiritual esteja presente o sentimento    de 'doa&ccedil;&atilde;o' do seu trabalho a uma causa social maior e sem que    a preocupa&ccedil;&atilde;o primeira seja com o dinheiro, que o programa poder&aacute;    ter sucesso. Com isso estamos pedindo 'super-pessoas', &eacute; verdade. Mas    s&oacute; com super-pessoas &eacute; que haver&aacute; chance de sucesso. Essas    pessoas existem. N&atilde;o s&atilde;o muitas, tamb&eacute;m &eacute; verdade,    mas as temos em Vila Ros&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>&Eacute; importante e necess&aacute;ria a    parceria entre o governo legal local e as organiza&ccedil;&otilde;es civis que    promovem programas sociais abrangentes</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A atua&ccedil;&atilde;o do programa QTROP-TB    em Vila Ros&aacute;rio contava - &agrave; &eacute;poca do aux&iacute;lio financeiro    concedido pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de - com um m&eacute;dico e uma    enfermeira contratados (al&eacute;m da supervis&atilde;o feita pelos m&eacute;dicos    ligados &agrave; Sociedade). Isso foi necess&aacute;rio porque na regi&atilde;o    de Vila Ros&aacute;rio n&atilde;o havia - na &eacute;poca - nenhuma unidade    de sa&uacute;de oficial local que estivesse atuando no controle da tuberculose.    Esse pequeno 'corpo m&eacute;dico', n&atilde;o s&oacute; tratava dos doentes    mas, tamb&eacute;m, fazia a ponte com o servi&ccedil;o m&eacute;dico do munic&iacute;pio,    necess&aacute;ria para resolver dificuldades burocr&aacute;ticas que surgiam    (por exemplo, se o m&eacute;dico do QTROP-TB poderia ou n&atilde;o receitar    os medicamentos e quest&otilde;es correlatas). Entretanto, a proposta da Sociedade    QTROP sempre foi a de acoplar suas atividades com as do governo: acha a Sociedade    que cabe a ela provocar as inova&ccedil;&otilde;es - principalmente as mais    radicais -, prov&aacute;-las, e deixar para o governo p&ocirc;-las em pr&aacute;tica    em a&ccedil;&otilde;es cont&iacute;guas e cont&iacute;nuas, e t&atilde;o imediatas    quanto poss&iacute;vel. &Eacute; o desejo da Sociedade ter suas atividades atreladas    aos programas do governo tendo em vista, principalmente, que o programa QTROP-TB    se v&ecirc; como um grande laborat&oacute;rio no qual se desenvolve um modelo    de interven&ccedil;&atilde;o (para o controle da tuberculose, no caso) e que    esse modelo s&oacute; se validar&aacute; quando a experi&ecirc;ncia puder ser    multiplicada e expandida para outras &aacute;reas. E essa multiplica&ccedil;&atilde;o    e expans&atilde;o s&oacute; se concretizar&atilde;o em a&ccedil;&atilde;o conjunta    com o governo. Contudo, foram poucas as vezes no passado em que essa t&atilde;o    desejada colabora&ccedil;&atilde;o se estabeleceu. Atualmente, o quadro parece    mudar, uma vez que a regi&atilde;o passou a contar com um posto de sa&uacute;de    (Parque Fluminense), e a parceria com a unidade de tratamento da tuberculose    se aproxima de uma a&ccedil;&atilde;o concreta e harmoniosa, o que faz a Sociedade    QTROP galgar mais um degrau em seus objetivos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Continuidade e mem&oacute;ria s&atilde;o dois    requisitos b&aacute;sicos para um programa voltado para a elimina&ccedil;&atilde;o    da tuberculose</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esta tese complementa uma anterior. Os mencionados    ' sobe-e-desce' dos financiamentos, as mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas etc.,    costumam afetar sobremaneira os programas de longo prazo. Com isso, a mem&oacute;ria    do que foi feito se esvai e a cada novo ciclo 'financeiro' ou 'pol&iacute;tico'    tudo come&ccedil;a 'de novo'. N&atilde;o h&aacute; evolu&ccedil;&atilde;o porque    n&atilde;o fica a mem&oacute;ria do conhecimento e da experi&ecirc;ncia adquiridos    na experi&ecirc;ncia anterior. &Eacute; preciso mem&oacute;ria. &Eacute; preciso    const&acirc;ncia. &Eacute; preciso perman&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios centrais    da doutrina. &Eacute;preciso obstina&ccedil;&atilde;o no cumprimento da miss&atilde;o    para que, a longo prazo, as a&ccedil;&otilde;es tomadas a cada passo do programa    possam se somar em resultados concretos. E para que essa mem&oacute;ria permane&ccedil;a    'acesa' no programa, &eacute; importante que as equipes com ele envolvidas possam    permanecer por longos per&iacute;odos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto - outro 'gargalo' do sistema... -,    &eacute; preciso, tamb&eacute;m, n&atilde;o esquecer que as pessoas se cansam.<sup><a name="nota11"></a><a href="#nota">XI</a></sup>    Cansam-se de repetir, cansam-se de fazer uma mesma coisa, cansam-se at&eacute;    de manter um mesmo objetivo por um tempo muito longo. A id&eacute;ia da mudan&ccedil;a    &eacute; uma constante no comportamento humano. &Eacute; preciso, portanto,    que a gest&atilde;o de um programa de longo prazo conte com essa vari&aacute;vel    importante, e que estabele&ccedil;a estrat&eacute;gias para n&atilde;o ser apanhado    de surpresa com o afastamento de pessoas-chave. Por isso, &eacute; necess&aacute;ria    a doutrina e regras - escritas!... - que definam como manter a mem&oacute;ria    do que &eacute; feito e que essa mem&oacute;ria seja inclu&iacute;da, permanentemente,    nos 'comandos' que definem a trajet&oacute;ria do programa, de forma que os    'novos' que venham a ele se associar possam manter uma linha coerente com o    que vem sendo feito.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>&Eacute; preciso que sejam desenvolvidos medicamentos    mais eficazes - capazes de reduzir o tempo de tratamento e serem menos t&oacute;xicos    - para auxiliar na elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O direcionamento que a Sociedade QTROP tomou    em Vila Ros&aacute;rio, 'abrindo' suas atividades para o campo social al&eacute;m    do que seu nome indicava que seriam seus objetivos - desenvolvimento de novos    f&aacute;rmacos e 'rejuvenescimento' dos f&aacute;rmacos existentes com vistas    a obter medicamentos mais eficazes -, foi resultado da pr&oacute;pria miss&atilde;o    do programa QTROP-TB, que se propunha promover a&ccedil;&otilde;es que levassem    ao controle e at&eacute; a elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; importante lembrar que no per&iacute;odo    de exist&ecirc;ncia da Sociedade, muitas reuni&otilde;es tiveram lugar com as    empresas fabricantes de farmoqu&iacute;micos - sempre ao lado da Associa&ccedil;&atilde;o    Brasileira da Ind&uacute;stria de Farmoqu&iacute;micos - ABIQUIF - com o objetivo    de produzir, no Brasil, os insumos (farmoqu&iacute;micos e complementares) necess&aacute;rios    aos medicamentos usados para o tratamento da tuberculose. Foram em v&atilde;o    todas essas tentativas, frustradas pela pol&iacute;tica governamental de compra    de insumos sempre e apenas pelo menor pre&ccedil;o: China e &Iacute;ndia sempre    apresentam condi&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;o menor (embora cerca de 20%    dos produtos sejam rejeitados por n&atilde;o atenderem &agrave; qualidade exigida).    Essa atitude do governo central, talvez levado por um desejo de fornecer mais    medicamentos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o (menor custo significa mais produto    para um mesmo or&ccedil;amento) &eacute;, no entanto, lesiva &agrave; ind&uacute;stria    brasileira de farmoqu&iacute;micos e reduz a zero a possibilidade de desenvolvimento    do setor, uma vez que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel desenvolver o que existe    (se n&atilde;o h&aacute; mercado no Brasil para os produtores nacionais de farmoqu&iacute;micos    para a tuberculose, que empresa investiria no desenvolvimento destes produtos?).    Os farmoqu&iacute;micos para a tuberculose s&atilde;o mol&eacute;culas de f&aacute;cil    prepara&ccedil;&atilde;o, a partir de mat&eacute;rias primas dispon&iacute;veis,    que n&atilde;o est&atilde;o mais protegidas por patente. Por que a produ&ccedil;&atilde;o    nacional custa mais caro do que a que &eacute; feita do outro lado do mundo?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Contribui, tamb&eacute;m, para essa 'aus&ecirc;ncia'    da ind&uacute;stria nacional no mercado de insumos para a tuberculose, al&eacute;m    da pol&iacute;tica governamental de compra pelo menor pre&ccedil;o, o fato dos    farmoqu&iacute;micos para a tuberculose terem <i>um</i> s&oacute; comprador    - o governo -, uma vez que estes medicamentos s&atilde;o fornecidos gratuitamente    a todos os que dele necessitam, pelo e s&oacute; pelo governo (medida acertada    para conter o aparecimento de formas resistentes).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entretanto, embora o tema f&aacute;rmaco esteja    sempre presente e em primeiro plano nos objetivos da Sociedade, lan&ccedil;ar-se    no desenvolvimento de novos f&aacute;rmacos pelos mesmos caminhos como fazem    os pa&iacute;ses desenvolvidos, &eacute; tarefa in&oacute;cua presentemente    no Pa&iacute;s, dado o n&iacute;vel de recursos disponibilizados pelos &oacute;rg&atilde;os    de financiamento no Brasil, se comparados com os que disp&otilde;em os outros    pa&iacute;ses. Veja-se, por exemplo, a <i>Global Alliance for TB Drug Development</i>,    uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental internacional, que disp&otilde;e    de um or&ccedil;amento anual de cerca de US$22 milh&otilde;es (valor de 2002    anunciado no seu 2002-2003 <i>Annual Report</i>) para o desenvolvimento de novas    drogas para o combate &agrave; tuberculose. Esta organiza&ccedil;&atilde;o -    diz o relat&oacute;rio - trabalha em coopera&ccedil;&atilde;o internacional    no desenvolvimento de mol&eacute;culas pioneiras de piridonas, quinolizinas,    ascidideminas e macrol&iacute;deos de terceira gera&ccedil;&atilde;o, na otimiza&ccedil;&atilde;o    de quinolonas, an&aacute;logos da isoniazida, nitroimidazopiranas e an&aacute;logos    do rifalazil. Em estado pr&eacute;-cl&iacute;nico encontra-se uma nitroimidazopirana    (PA-824) e um derivado pirr&oacute;lico (LL-3858). Diz ainda o relat&oacute;rio    que a moxifloxacina, uma quinolona desenvolvido pela empresa Bayer AG, j&aacute;    se encontra na fase de ensaios cl&iacute;nicos. Pode-se notar, portanto que    h&aacute; um grande esfor&ccedil;o no desenvolvimento de novas drogas para a    tuberculose, em n&iacute;vel internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tendo em vista todas estas limita&ccedil;&otilde;es,    optamos, em um primeiro momento, por uma via que nos desse uma perspectiva de    &ecirc;xito, embora de cr&eacute;dito menor como m&eacute;todo 'moderno' de    desenvolvimento de f&aacute;rmacos: &eacute; a proposta de uso da biodiversidade    das plantas brasileiras atrav&eacute;s de um m&eacute;todo que se vale de farmac&oacute;foros    para chegar a plantas que possam ser efetivas como medicamento para o combate    &agrave; tuberculose (note-se que o m&eacute;todo usado, em desenvolvimento    no Instituto de Qu&iacute;mica- UFRJ, &eacute; de concep&ccedil;&atilde;o completamente    diferente do que postula o m&eacute;todo do <i>large scale screening</i>). E    nesse caso ser&atilde;o inclu&iacute;das n&atilde;o apenas plantas que possam    ser bactericidas ou bacteriost&aacute;ticas para o <i>M.tb</i>. mas, tamb&eacute;m,    as que possam ser utilizadas sinergisticamente com os medicamentos em uso, aumentando-lhes    a 'pot&ecirc;ncia' com a conseq&uuml;ente diminui&ccedil;&atilde;o de toxicidade    (efeitos colaterais) muito comuns nesses medicamentos. Coadjuvantes para o tratamento    - como plantas que atuem melhorando o sistema de defesa do organismo - fazem    parte do 'coquetel' a ser usado como rem&eacute;dio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esta linha de trabalho rompe radicalmente com    a linha de pensamento em voga para o desenvolvimento de f&aacute;rmacos:<a name="nota12"></a><sup><a href="#nota">XII</a></sup>    cria uma linha de produtos para uso popular, que possam ser difundidos em larga    escala (as pessoas podem ter as plantas no seu pr&oacute;prio quintal, jardim    ou mesmo vasos). O conhecimento de um conjunto de plantas que leve o doente    de tuberculose &agrave; cura, no menor tempo poss&iacute;vel, sem - ou talvez    com um m&iacute;nimo - de efeitos colaterais, valendo-se da cultura milenar    dos ch&aacute;s, infus&otilde;es e garrafadas<a name="nota13"></a><sup><a href="#nota">XIII</a></sup>    &eacute; o objetivo desse programa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Lembrar que essa linha de desenvolvimento de    novos medicamentos para o combate &agrave; tuberculose segue fielmente o que    foi estabelecido no Semin&aacute;rio QTROP de Qu&iacute;mica, que teve lugar    no Rio de Janeiro nos dias 12 a 14 de junho de 1995, que estabelecia como objetivos    obter novos f&aacute;rmacos que:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&middot; Reduzissem o tempo de tratamento (para    um m&ecirc;s, por exemplo).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&middot; Reduzissem o n&uacute;mero de doses    (uma por m&ecirc;s, ou at&eacute;, talvez, na sua forma limite, a uma dose).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&middot; Apresentassem menor toxicidade. Os f&aacute;rmacos    em uso atualmente apresentam razo&aacute;vel n&iacute;vel de toxicidade, que    podem levar a efeitos colaterais indesej&aacute;veis durante o tratamento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Esses objetivos visavam interferir diretamente    na alta taxa de abandono dos doentes ao tratamento, uma das principais causas    da falta de controle para a elimina&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. Ao mesmo    tempo, o abandono ao tratamento ap&oacute;s t&ecirc;-lo iniciado, poderia contribuir    para o aparecimento de formas resistentes aos farmoqu&iacute;micos usados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Se houver &ecirc;xito na iniciativa, as plantas    poder&atilde;o ser disponibilizadas <i>in natura</i> ou na forma de extratos    ou garrafadas, e, ainda como <i>bonus</i>, n&atilde;o se ter&atilde;o <i>royalties</i>    envolvidos com patentes, condi&ccedil;&atilde;o bastante desej&aacute;vel para    conter uma doen&ccedil;a largamente espalhada por uma popula&ccedil;&atilde;o    intimamente ligada &agrave; pobreza.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>&Eacute; estrat&eacute;gico para a sociedade    brasileira que o Pa&iacute;s disponha de uma produ&ccedil;&atilde;o interna    e garantida de f&aacute;rmacos essenciais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Esta tese &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia    do que foi dito na anterior. O Brasil tem hoje condi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas,    t&eacute;cnicas, financeiras e comerciais de produzir no Pa&iacute;s os f&aacute;rmacos    essenciais &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Entretanto, veja-se o que acontece,    por exemplo, com os f&aacute;rmacos utilizados para o tratamento da tuberculose    (isoniazida, rifampicina, etambutol e pirazinamida): s&atilde;o todos totalmente    importados! O que aconteceria se os pa&iacute;ses produtores desses farmoqu&iacute;micos,    por uma causa qualquer, deixassem de exportar esses produtos para o Brasil?    Como ficariam os 80 mil novos doentes, diagnosticados a cada ano no Pa&iacute;s?    Come&ccedil;ar a produ&ccedil;&atilde;o no Pa&iacute;s? Seria muito dif&iacute;cil    iniciar a produ&ccedil;&atilde;o desses - e dos outros f&aacute;rmacos essenciais    &agrave;s outras doen&ccedil;as - a partir 'do nada', em curt&iacute;ssimo prazo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O argumento do governo para a compra externa    desses produtos &eacute; que 's&atilde;o mais baratos'. Oferecem menor pre&ccedil;o    mas oferecem, tamb&eacute;m, m&aacute; qualidade (conforme j&aacute; foi mencionado    acima, at&eacute; 20% dos produtos costumam ser rejeitados). E s&atilde;o mais    baratos porque contam com subs&iacute;dios que recebem nos pa&iacute;ses de    origem. Reconhecemos que o governo brasileiro n&atilde;o deve subsidiar a ind&uacute;stria    nacional para produzir esses farmoqu&iacute;micos - o que poderia ser at&eacute;    uma atitude (de retalia&ccedil;&atilde;o) esperada. Contudo, n&atilde;o pode,    tamb&eacute;m, abrir m&atilde;o de uma garantia de 'saber' produz&iacute;-los,    no Pa&iacute;s, em curto prazo, em caso de necessidade. O que fazer, ent&atilde;o?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A solu&ccedil;&atilde;o que prop&otilde;e esta    tese &eacute; o governo comprar da ind&uacute;stria nacional uma parcela dos    insumos consumidos anualmente nos seus programas. O restante seria comprado    seguindo-se os tr&acirc;mites legais hoje adotados. Com isto, ter-se-ia estabelecida    uma 'Garantia Estrat&eacute;gica de Tecnologia' necess&aacute;ria para a produ&ccedil;&atilde;o    dos farmoqu&iacute;micos essenciais no Brasil. Essa quota - que pode ser de    10%, 20% ou outra qualquer - seria comprada pelo governo atrav&eacute;s de concorr&ecirc;ncia    p&uacute;blica entre produtores nacionais, que venderiam a produ&ccedil;&atilde;o    ao governo a um pre&ccedil;o compat&iacute;vel com o custo nacional da produ&ccedil;&atilde;o    (que, no in&iacute;cio do programa, seria certamente maior do que o valor do    produto importado).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os insumos de fabrica&ccedil;&atilde;o nacional    teriam que necessariamente ser produzidos conforme apregoam as ' Boas Pr&aacute;ticas    de Fabrica&ccedil;&atilde;o&iacute; (no ingl&ecirc;s <i>Good Manufacturing Practice,    </i>GMP)<sup><a name="nota14"></a><a href="#nota">XIV</a></sup> e serem submetidos    aos mais exigentes crit&eacute;rios de qualidade. Talvez at&eacute;, com esse    est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o nacional, e com o conhecimento    cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico que o Pa&iacute;s j&aacute; possui, a    ind&uacute;stria nacional possa assumir - em prazo m&eacute;dio - a venda integral    dos referidos insumos ao governo, obedecido o crit&eacute;rio de menor pre&ccedil;o,    acrescido, agora, do fato desses insumos estarem atendendo 'aos mais exigentes    crit&eacute;rios de qualidade'.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de estimular    a produ&ccedil;&atilde;o desses insumos no Pa&iacute;s atrav&eacute;s do mecanismo    de compra de quotas, seria da maior relev&acirc;ncia para restaurar esse parque    industrial estrat&eacute;gico. Certamente estimularia o desenvolvimento do setor,    que se iniciaria com objetivos mais simples de serem alcan&ccedil;ados a curto    prazo como, por exemplo, a otimiza&ccedil;&atilde;o das rotas de s&iacute;ntese    presentemente usadas na prepara&ccedil;&atilde;o dos f&aacute;rmacos. Seguir-    se-ia o desenvolvimento de novas rotas, em particular daquelas que dessem &ecirc;nfase    ao uso de mat&eacute;rias primas brasileiras. Mantido o sistema de compra de    quotas pelo governo seria poss&iacute;vel pensar em modifica&ccedil;&otilde;es    das mol&eacute;culas conhecidas e at&eacute; - em mais longo prazo - na obten&ccedil;&atilde;o    de mol&eacute;culas novas. Enfim, abriria o caminho para o desenvolvimento de    f&aacute;rmacos no Pa&iacute;s, mat&eacute;ria das mais sens&iacute;veis no    plano estrat&eacute;gico de qualquer na&ccedil;&atilde;o.<a name="nota15"></a><sup><a href="#nota">XV</a></sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Todavia, a euforia que essas id&eacute;ias podem    trazer deve ser devidamente 'cruzada' com o que foi dito em teses anteriores;    por exemplo, que 'lan&ccedil;ar-se no desenvolvimento de novos f&aacute;rmacos    pelos mesmos caminhos como fazem os pa&iacute;ses desenvolvidos, &eacute; tarefa    in&oacute;cua presentemente no Pa&iacute;s, dado o n&iacute;vel de recursos    disponibilizados pelos &oacute;rg&atilde;os de financiamento no Brasil, se comparados    com os que disp&otilde;em os outros pa&iacute;ses'. Outra tese diz que 'um fator    que leva &agrave; inefici&ecirc;ncia dos 'grandes programas' &eacute; a pr&oacute;pria    m&aacute;quina administrativa que consome a maior parte dos recursos para administr&aacute;-lo,    mas aponta o que talvez seja a maior causa de fracasso desses programas: 'H&aacute;    que se reconhecer que vultosas somas estimulam e facilitam a m&aacute; aplica&ccedil;&atilde;o    do dinheiro' e, pior, 'estimulam e facilitam a corrup&ccedil;&atilde;o - a mais    triste constata&ccedil;&atilde;o de nossa realidade'. Sem probidade e sem escr&uacute;pulo    no trato da coisa p&uacute;blica, e sem uma consci&ecirc;ncia &eacute;tica que    deve estar presente em todas as pessoas envolvidas em um 'grande programa' que    vise a sociedade e particularmente os grupos menos favorecidos dessa sociedade,    dificilmente ter&atilde;o solu&ccedil;&atilde;o os problemas que envolvem a    pobreza e a mis&eacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>A elimina&ccedil;&atilde;o da tuberculose    requer que os doentes tenham, permanentemente, uma nutri&ccedil;&atilde;o correta    e adequada, estendida, igualmente, a toda comunidade</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Essa &eacute; uma tese &oacute;bvia, j&aacute;    cantada em prosa e verso por todos que se preocupam com o problema das doen&ccedil;aas    em geral. Entretanto, a realidade de Vila Ros&aacute;rio nos faz ser mais enf&aacute;ticos    com rela&ccedil;&atilde;o ao problema da nutri&ccedil;&atilde;o, porque, muito    mais do que desnutridos, muitos da comunidade de Vila Ros&aacute;rio t&ecirc;m    fome. A fome, um dos elos da cadeia da mis&eacute;ria, &eacute; uma das causas    mais diretamente vinculadas &agrave; tuberculose prevalente em Vila Ros&aacute;rio.    Com a fome vem a desnutri&ccedil;&atilde;o, que leva &agrave; baixa nas defesas    naturais do organismo e ao conseq&uuml;ente favorecimento ao aparecimento das    doen&ccedil;as infecciosas. E a tuberculose est&aacute; entre elas. A elimina&ccedil;&atilde;o    da tuberculose passa, necessariamente - ao lado dos medicamentos - por um cuidado    especial com a alimenta&ccedil;&atilde;o nutritiva, de modo a manter ativas,    e no seu melhor, as defesas naturais do organismo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Dois princ&iacute;pios ser&atilde;o mostrados    na forma da Sociedade QTROP atuar nesse elo:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&middot; alimento s&oacute; ser&aacute; dado    (doado) &agrave;queles que n&atilde;o t&ecirc;m como consegui-lo com trabalho.    A Sociedade n&atilde;o se coloca como uma entidade assistencialista, fornecedora    de alimento. Seu objetivo &eacute; o de formar o cidad&atilde;o, e cidad&atilde;o    se forma com trabalho, n&atilde;o com esmolas. Entretanto, h&aacute; que se    reconhecer que muitas vezes a fome causa um estado de 'inconsci&ecirc;ncia'    nas pessoas que nem mais sabem o que est&atilde;o fazendo - casos temos em Vila    Ros&aacute;rio de fam&iacute;lias que passam at&eacute; tr&ecirc;s dias sem    comer e quando comem s&atilde;o alimentos doados, muitas vezes de baixo valor    nutritivo. A esses, &eacute; necess&aacute;rio alimentar (o trabalho das agentes    comunit&aacute;rias e da assistente social em Vila Ros&aacute;rio tem sido,    muitas vezes, o de suprir o alimento para os tuberculosos absolutamente necessitados,    at&eacute; mesmo para que tivessem condi&ccedil;&otilde;es de ir ao centro de    sa&iacute;de para tomar o rem&eacute;dio. O livro Vila Ros&aacute;rio<sup><i>3</i></sup><i>    </i>relata v&aacute;rios casos desse tipo de atendimento).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foi dito que a alimenta&ccedil;&atilde;o das    pessoas deveria estar relacionada a um trabalho que pudesse lhes valer um emprego.    Mas que trabalho seria esse, se trabalho como fonte de renda &eacute; praticamente    inexistente em Vila Ros&aacute;rio? Surge da&iacute;, espontaneamente, um terceiro    elo da cadeia da mis&eacute;ria: a inexist&ecirc;ncia de emprego, de trabalho    como fonte de renda. Diz a FAO (Organiza&ccedil;&atilde;o para a Alimenta&ccedil;&atilde;o    e Agricultura - &oacute;rg&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas - ONU) que n&atilde;o falta alimento no mundo; o que falta &eacute; dinheiro    para comprar alimento. E o dinheiro vem com o trabalho, atrav&eacute;s do emprego.    Em Vila Ros&aacute;rio, a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; diferente.    Tivessem seus habitantes dinheiro para comprar alimento e poderiam compr&aacute;-los    facilmente em qualquer supermercado, onde os alimentos de toda a sorte abundam.    &Eacute; necess&aacute;rio, portanto, acoplar &agrave; atividade de alimenta&ccedil;&atilde;o    (combate &agrave; fome) a de criar renda atrav&eacute;s de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&middot; a comunidade deve se alimentar corretamente    (isto &eacute;, a alimenta&ccedil;&atilde;o deve ser nutritivamente correta).    Resolveu a Sociedade QTROP come&ccedil;ar sua interven&ccedil;&atilde;o na 'fome'    por um levantamento do estado nutricional dos tuberculosos. Por que essa estrat&eacute;gia?    Porque sabendo das defici&ecirc;ncias e exig&ecirc;ncias nutricionais dos tuberculosos,    seria poss&iacute;vel estabelecer um ciclo local de produ&ccedil;&atilde;o de    alimentos que, ao mesmo tempo, fossem de import&acirc;ncia para equilibrar as    defesas org&acirc;nicas dos doentes (alimentos nutrac&ecirc;uticos) e a sua    produ&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica local poderia lhes dar trabalho (e    a outros membros da comunidade). Um estudo amplo do estado nutricional da popula&ccedil;&atilde;o    de Vila Ros&aacute;rio neste sentido est&aacute; sendo conduzido com a participa&ccedil;&atilde;o    do Instituto de Nutri&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>&Eacute; necess&aacute;rio criar no local    de atua&ccedil;&atilde;o do programa, atividades de produ&ccedil;&atilde;o capazes    de proporcionar renda aos rec&eacute;m-curados da tuberculose</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; bem claro para a Sociedade QTROP que    de nada adiantar&aacute;, para se construir uma sociedade de cidad&atilde;os    que 'andem de p&eacute;, de coluna vertebral erguida', lhes dar alimento se    n&atilde;o lhes for dado trabalho - ser&aacute; s&oacute; do trabalho que dever&aacute;    provir a renda para adquirir o alimento. Pouco tamb&eacute;m adiantar&aacute;    dar trabalho (emprego) se, junto com o trabalho n&atilde;o vierem a educa&ccedil;&atilde;o    para o trabalho e a cultura da educa&ccedil;&atilde;o &eacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para tanto, um grupo de a&ccedil;&otilde;es para    a cidadania foi iniciado pela Sociedade QTROP. Encontrar formas de trabalho    (imediato) para uma sociedade pouco instru&iacute;da &eacute; uma tarefa dif&iacute;cil    de ser cumprida. Como primeira op&ccedil;&atilde;o, procurou-se pensar em cooperativas    e, para in&iacute;cio, uma cooperativa de produtores de fitoter&aacute;picos    e nutrac&ecirc;uticos. S&atilde;o produtos agr&iacute;colas, de grande tradi&ccedil;&atilde;o    em qualquer sociedade - por mais simples que seja -, e que poderiam 'acender'    o interesse das pessoas, tanto pelo conhecimento que t&ecirc;m ou que ouviram    falar 'em casa' das 'plantas de rem&eacute;dio', quanto pelo uso da terra, que    sempre se associou &agrave; cultura das pessoas. A produ&ccedil;&atilde;o de    fitoter&aacute;picos (ch&aacute;s, pomadas, xaropes, garrafadas etc.) e de nutrac&ecirc;uticos    (hortas caseiras, coletivas etc.), seria uma forma de acoplar a necessidade    desses produtos &agrave; sua produ&ccedil;&atilde;o. Desse trabalho deveria    provir a renda - pela compra dos produtos pelo governo, ONGs etc. - para a popula&ccedil;&atilde;o.    Dietas bem estabelecidas com base em plantas produzidas localmente, na abund&acirc;ncia    necess&aacute;ria, poderiam trazer, em um primeiro momento, o conhecimento de    como a sociedade se comportaria neste tipo de empreendimento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma cooperativa - a Cooperativa QTROP de Produtos    Agr&iacute;colas - foi formada: teve seu estatuto registrado, uma diretoria    foi eleita e implantada, mudas de plantas e implementos essenciais - ferramentas,    regadores etc. - foram comprados pela Sociedade QTROP para um conjunto de 20    titulares - n&uacute;mero m&iacute;nimo imposto pela lei que regula as cooperativas.    Foram ainda contratados um agr&ocirc;nomo e um t&eacute;cnico em agronomia,    recomendados pelo representante local da EMATER, para dar o suporte t&eacute;cnico    necess&aacute;rio aos 'novos agricultores'. Uma estrutura inicial simples por&eacute;m    l&oacute;gica, dava por certo que o instituto da cooperativa caminharia por    trilha correta. O que aconteceu? Nada. Interesses e dissid&ecirc;ncias internas    entre os membros, falta do atendimento proposto aos 'novos' agricultores pelos    t&eacute;cnicos contratados, associada &agrave; falta de conhecimento no trato    da terra pelos cooperados, levaram a que o funcionamento da cooperativa se estagnasse.    Pouco aconteceu no in&iacute;cio (planta&ccedil;&atilde;o das mudas). Contudo,    sem o devido cuidado no seu trato, no interesse em conhecer sobre sua colheita    e m&eacute;todos de industrializa&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o    etc., enfim, um sem n&uacute;mero de fatores que envolviam conhecimento - educa&ccedil;&atilde;o    - e comportamento social - cultura do trabalho - levaram a que o empreendimento    interrompesse suas atividades. Presentemente, continua em compasso de espera,    aguardando novas lideran&ccedil;as de parte da Sociedade para retomar as atividades.    Pensa-se que poder&aacute; ser legal e administrativamente mais &aacute;gil    substituir a estrutura de uma cooperativa pela de uma associa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O ensinamento que a tentativa de implanta&ccedil;&atilde;o    da cooperativa de fitoter&aacute;picos e nutrac&ecirc;uticos trouxe &agrave;    Sociedade QTROP, &eacute; que atividades desse porte requerem um acompanhamento    direto por parte daqueles que det&ecirc;m o conhecimento; que esse conhecimento    seja parte de um programa de forma&ccedil;&atilde;o de l&iacute;deres locais    a quem esse conhecimento ser&aacute; passado; que esses l&iacute;deres tenham    um pagamento de subsist&ecirc;ncia que lhes permita uma dedica&ccedil;&atilde;o    em tempo integral, at&eacute; que a produ&ccedil;&atilde;o local possa suportar    seus gastos e necessidades; que toda uma estrutura de educa&ccedil;&atilde;o    nas &aacute;reas t&eacute;cnica, de produ&ccedil;&atilde;o e de comercializa&ccedil;&atilde;o    das plantas e mesmo de cultura geral lhes seja ministrada, de forma ampla para    toda a comunidade (cursos, palestras, filmes/v&iacute;deos etc.). Sem uma prepara&ccedil;&atilde;o    que atue fortemente na educa&ccedil;&atilde;o e na cultura n&atilde;o haver&aacute;    como a sociedade saltar do patamar em que se encontra.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Pensa-se tamb&eacute;m associar ao trabalho com    as plantas uma atividade artesanal que propicie o seu uso (das plantas) e possa,    dessa forma, ampliar as possibilidades de trabalho e renda para a comunidade.    Uma atividade que se tem em vista &eacute; a de instituir um artesanato &agrave;    base de vidro, que se estenderia desde uma cooperativa (ou associa&ccedil;&atilde;o)    de catadores de vidro - um n&iacute;vel mais simples de ocupa&ccedil;&atilde;o    -, a uma fabrica&ccedil;&atilde;o artesanal de pe&ccedil;as de vidro art&iacute;sticas    (que poderia se tornar uma 'especialidade' da regi&atilde;o), tudo isso estabelecido    dentro de uma estrutura moderna de comercializa&ccedil;&atilde;o e suportado    por uma forte rede de educa&ccedil;&atilde;o. Plantas medicinais e nutrac&ecirc;uticas,    juntamente com os objetos para o seu uso - como x&iacute;caras, potes, bandejas,    mesas de mosaicos com motivos pr&oacute;prios etc. etc. etc. - poderiam levar    a regi&atilde;o a criar um 'p&oacute;lo' de desenvolvimento social, o que daria    o necess&aacute;rio emprego &agrave; popula&ccedil;&atilde;o (parte), que a    partir da renda auferida teria como comprar o seu alimento e, devidamente alimentado    poderia se educar, e, alimentado e educado, levaria a regi&atilde;o a se livrar    da tuberculose (e das outras doen&ccedil;as que, como a tuberculose, s&atilde;o    retratos da mis&eacute;ria).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; bom que se pense assim, com esperan&ccedil;a.    Mas &eacute; importante n&atilde;o perder de vista que num pa&iacute;s onde    o direito de ir e vir &eacute; dado - corretamente - igualmente a todos os seus    habitantes, nunca se ter&atilde;o 'ilhas' de prosperidade por muito tempo, pois    o crescimento n&atilde;o ser&aacute; mais do que um pren&uacute;ncio da decad&ecirc;ncia:    se um lugar &eacute; pr&oacute;spero e produz riqueza &eacute; porque sua popula&ccedil;&atilde;o    trabalha e produz mais do que s&atilde;o as suas necessidades. Se a regi&atilde;o    enriquece, come&ccedil;a a atrair a aten&ccedil;&atilde;o e a migra&ccedil;&atilde;o    de popula&ccedil;&otilde;es de regi&otilde;es menos favorecidas. Essa atra&ccedil;&atilde;o    se d&aacute; tanto para aqueles que v&atilde;o lhe agregar mais riqueza, como    para aqueles que, sem a educa&ccedil;&atilde;o &agrave; altura do que nela se    faz, se limita ao trabalho perif&eacute;rico. A tend&ecirc;ncia &eacute; que    essa popula&ccedil;&atilde;o 'agregada' cres&ccedil;a, e cres&ccedil;a, e cres&ccedil;a...    ao ponto da riqueza que a regi&atilde;o produz j&aacute; n&atilde;o ser mais    suficiente para dar conforto a todos que nela vivem. Segue-se, ent&atilde;o,    uma segrega&ccedil;&atilde;o da riqueza e dos grupos sociais, desenvolve-se    um centro 'rico' e uma periferia 'pobre', que cresce, cresce... Com o passar    dos anos, e por conta do 'desequil&iacute;brio' social que se implanta, toda    a estrutura de riqueza e de prosperidade da regi&atilde;o come&ccedil;a a ruir,    e vem a decad&ecirc;ncia. &Eacute; assim a hist&oacute;ria das cidades. Sempre    foi assim e por que deixaria de ser agora? Nascer, crescer e morrer &eacute;    bem uma lei para as coisas que ocorrem na natureza. E como parte da natureza,    as cidades tamb&eacute;m nascem, crescem e, enquanto n&atilde;o morrem, agonizam...</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; preciso manter um n&iacute;vel de prosperidade    - mais precisamente, de qualidade de vida - que se sustente e que possa se expandir    para as regi&otilde;es vizinhas, como uma grande onda capaz de varrer todo o    pa&iacute;s. Em caso contr&aacute;rio, em alguma hora a decad&ecirc;ncia vir&aacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>O programa QTROP-TB para a elimina&ccedil;&atilde;o    da tuberculose dever&aacute; acrescentar &agrave;s suas atividades em andamento,    duas novas: O Jardim das Curas e o atendimento psicol&oacute;gico aos rec&eacute;m-curados</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O modelo Vila Ros&aacute;rio para a elimina&ccedil;&atilde;o    da tuberculose tem algumas novas propostas objetivas para serem implementadas.    Duas delas, baseadas na experi&ecirc;ncia vivida naquela localidade, constituem    esta tese:</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>&middot; O Jardim das Curas</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O <i>Jardim das Curas</i> &eacute; uma concep&ccedil;&atilde;o    do Programa QTROP-TB que procura eliminar alguns dos pontos cr&iacute;ticos    observados em Vila Ros&aacute;rio com o tratamento da tuberculose. Uma visita    que se fa&ccedil;a aos postos de sa&uacute;de ou hospitais de Duque de Caxias    que tratam tuberculosos, mostra fatos de dif&iacute;cil aceita&ccedil;&atilde;o    para um cidad&atilde;o: doentes de tuberculose, em qualquer fase da doen&ccedil;aa,    convivem, promiscuamente, em corredores estreitos, com pessoas que v&atilde;o    ali se consultar sobre quaisquer outras doen&ccedil;as. Esse contato inclui    crian&ccedil;as, mesmo as de colo, que ali v&atilde;o para tomar vacinas etc.    O m&eacute;dico atende o paciente de tuberculose em salas quase fechadas, muito    pequenas, sem m&aacute;scaras apropriadas, portanto sem m&iacute;nimas condi&ccedil;&otilde;es    de (bio)seguran&ccedil;a. Tivemos uma situa&ccedil;&atilde;o semelhante - embora    n&atilde;o t&atilde;o severa - no ambulat&oacute;rio de Vila Ros&aacute;rio,    como foi mencionado anteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um dos melhores 'anti-s&eacute;pticos' para o    <i>M. tb</i>. &eacute; a radia&ccedil;&atilde;o ultravioleta do sol. Portanto,    a consulta ao ar livre, em um ambiente ensolarado (o sol varrendo toda a &aacute;rea)    e ventilado, j&aacute; ser&aacute;, por si s&oacute;, um ambiente favor&aacute;vel    ao atendimento do tuberculoso, como tamb&eacute;m o ser&aacute; para os profissionais    de sa&uacute;de (m&eacute;dico, enfermeira ou qualquer outro atendente) ou mesmo    para conversas entre doentes, ex-doentes, doentes-ex-doentes, como forma auxiliar    do tratamento. Para os dias de chuva h&aacute; que haver algum tipo de prote&ccedil;&atilde;o    - toldos retr&aacute;teis, por exemplo -, mas sempre ao ar livre. Jamais os    atendimentos ou encontros dever&atilde;o se realizar em ambientes confinados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">E por que esse ambiente aberto, ao ar livre,    n&atilde;o ser um belo jardim? Pequenas mesas e cadeiras bonitas - podem ser    de pedra para facilitar uma lavagem e desinfec&ccedil;&atilde;o - colocar&atilde;o    paciente e m&eacute;dico frente a frente em condi&ccedil;&otilde;es mais seguras    - ambiente altamente arejado e banhado pelo sol - criando no doente um est&iacute;mulo    para o tratamento, e dando-lhe, enfim, vontade de viver.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A concep&ccedil;&atilde;o dos Jardins das Curas,    portanto, nada mais &eacute; do que promover o tratamento dos doentes de tuberculose    em um jardim, altamente ensolarado, de modo a criar um ambiente agrad&aacute;vel    e bonito, com plantas de v&aacute;rias esp&eacute;cies, principalmente aquelas    de reconhecido poder anti-s&eacute;ptico (para ajudar a 'purificar' o ambiente    e, para os que acreditam em 'aromaterapia', 'cromoterapia' etc., acrescentar    'ingredientes' que possam criar no doente - e por que n&atilde;o dizer, nos    m&eacute;dicos e atendentes - uma sensa&ccedil;&atilde;o de bem estar, um est&iacute;mulo    ao trabalho para atingir a cura, uma expectativa de que a vit&oacute;ria sobre    a doen&ccedil;a &eacute; poss&iacute;vel, etc.).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O jardim deve ser constru&iacute;do e tratado    por ex-doentes de tuberculose, que representar&atilde;o a prova 'viva' e o exemplo    do efeito do tratamento. Esse jardim dever&aacute; ter, ainda, uma pequena concha    ac&uacute;stica, tamb&eacute;m ao ar livre, para atividades com os ex-doentes,    visando a sua recupera&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica p&oacute;s-doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&middot; O acompanhamento psicol&oacute;gico    dos doentes e dos rec&eacute;m-curados de tuberculose.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este &eacute; um assunto de m&aacute;xima import&acirc;ncia    para Vila Ros&aacute;rio. A falta de perspectiva do ex-doente de tuberculose,    sem trabalho e conseq&uuml;entemente sem condi&ccedil;&otilde;es de se alimentar,    faz com que retorne a h&aacute;bitos antigos - mais comumente o alcoolismo -    e logo vem a reca&iacute;da. O n&uacute;mero de retratamentos &eacute; grande    em Vila Ros&aacute;rio: h&aacute; casos de pessoas que se submeteram ao tratamento    por cinco vezes. Na verdade, a pessoa se sente 'melhor' doente - porque recebe    tratamento e as agentes ainda se lhe acrescenta aten&ccedil;&atilde;o e afeto    - do que s&atilde; - porque &eacute; abandonada &agrave;s suas pr&oacute;prias    e inexistentes for&ccedil;as. Um programa de acompanhamento p&oacute;s-doen&ccedil;a    &eacute;, portanto, fundamental se o objetivo for o de eliminar a doen&ccedil;a.    Esse programa passa por palestras, discuss&otilde;es, encontros - muitos deles    poder&atilde;o ser feitos nas conchas ac&uacute;sticas dos Jardins das Curas    - e trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; absolutamente fundamental - conforme    j&aacute; foi discutido anteriormente - criar empregos, dar condi&ccedil;&otilde;es    de trabalho a essas pessoas, resgatar-lhes a condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os.    O que muito se observa em Vila Ros&aacute;rio &eacute; que os doentes, principalmente    os mais velhos, nem mais se consideram cidad&atilde;os. S&atilde;o meros p&aacute;rias    da sociedade. E restituir-lhes este sentimento de cidadania deve ser parte importante    do programa. E isso poder&aacute; acontecer se lhes for dado trabalho; os rec&eacute;m-ex-doentes    t&ecirc;m grande dificuldade de se empregar pelo estigma da doen&ccedil;a. &Eacute;    preciso, pois, que se lhes seja dada a oportunidade de um 'primeiro trabalho'    - p&oacute;s-doen&ccedil;a - para que possam, passada a fase inicial p&oacute;s-cura,    se lan&ccedil;ar em empreendimentos junto &agrave; sociedade maior, que ent&atilde;o    n&atilde;o mais os discriminar&aacute;</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Tudo o que foi at&eacute; aqui dito, tem o objetivo    de registrar o que ficou bem claro para a Sociedade QTROP com a experi&ecirc;ncia    de Vila Ros&aacute;rio: que nada adiantar&aacute; para se eliminar ou mesmo    controlar a tuberculose em uma sociedade se n&atilde;o houver uma atua&ccedil;&atilde;o    hol&iacute;stica na busca ativa para a descoberta de casos, no tratamento em    toda a sua amplitude - aten&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, medicamentos mais    eficazes e menos t&oacute;xicos, acompanhamento psicol&oacute;gico dos doentes    e dos rec&eacute;m-p&oacute;s-doentes - na alimenta&ccedil;&atilde;o correta    da comunidade, na gera&ccedil;&atilde;o de trabalho para auferir renda, na educa&ccedil;&atilde;o    para o trabalho, e na cultura, aquela que define o trabalho como um direito    e um dever social e que tenha nos seus cidad&atilde;os os arautos da &eacute;tica    como diretriz para a conviv&ecirc;ncia social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. World Health Organization. Global Tuberculosis    Control. WHO Report 2003. Geneva: World Health Organization; 2003. WHO/ CDS/TB/2003.151-152.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Gerhardt G, Teixeira GM, Diniz LS. O Controle    da tuberculose em &Aacute;rea do Distrito de Campos El&iacute;seos de Duque    de Caxias/ RJ. Bol Pneumol Sanit 2002; 10 (2):13-20.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">3. Costa Neto C. Vila Ros&aacute;rio. Rio de    Janeiro: C&aacute;lamo; 2002.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Costa Neto C. Pensamentos Variados. Rio de    Janeiro: Em publica&ccedil;&atilde;o; 2003.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Artigo recebido em 08/12/2003     <br>   e aprovado em 19/12/2003</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="nota"></a><a href="#nota1">I</a>.    Sociedade QTROP de Qu&iacute;mica Fina para o Combate a Doen&ccedil;as Tropicais    - uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental, sem fins lucrativos,    sediada no Rio de Janeiro    <br>   <a href="#nota2">II</a>. No Brasil, o n&uacute;mero de casos notificados e as    respectivas taxas por 100.000 hab. para os anos de 1998 a 2001, foram, respectivamente:    95.009 (57), 78.870 (47), 77.899 (46) e 74.466 (43) <sup>1</sup>    <br>   <a href="#nota3">III</a>. VILA ROS&Aacute;RIO &eacute; o nome de um bairro situado    pr&oacute;ximo &agrave; conflu&ecirc;ncia descrita. Este nome foi usado pela    Sociedade QTROP para designar uma &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o maior    do que o bairro de Vila Ros&aacute;rio (uma 'grande' VILA ROS&Aacute;RIO, poder-se-ia    dizer), de aproximadamente 30 km<sup>2</sup> e 55 mil habitantes. Uma descri&ccedil;&atilde;o    completa dessa regi&atilde;o pode ser encontrada no Cap&iacute;tulo 7 do livro    Vila Ros&aacute;rio<sup>2</sup>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#nota4">IV</a>. E n&atilde;o &eacute; assim toda a cidade do Rio de    Janeiro?    <br>   <a href="#nota5">V</a>. Uma descri&ccedil;&atilde;o da tuberculose como um elo    da cadeia da mis&eacute;ria pode ser encontrada no cap&iacute;tulo 8 do livro    Vila Ros&aacute;rio.<sup>2</sup>    <br>   <a href="#nota6">VI</a>. As estat&iacute;sticas mostram que no chamado 'primeiro    mundo', altamente industrializado, a tuberculose diminui progressivamente, enquanto    que, em termos mundiais, a incid&ecirc;ncia de tuberculose aumentou de 0,4%    ao ano. Os grandes aumentos ocorrem em pa&iacute;ses da &Aacute;frica com alta    preval&ecirc;ncia de HIV e nos da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. As estat&iacute;sticas    oficiais do Brasil mostram que a taxa de incid&ecirc;ncia entre 1998 e 2001    sofreu uma redu&ccedil;&atilde;o de 24,5%    <br>   <a href="#nota7">VII</a>. Este modelo pode ser compreendido, tamb&eacute;m,    como uma 'federa&ccedil;&atilde;o' de unidades aut&ocirc;nomas e independentes    mas subordinadas a uma 'constitui&ccedil;&atilde;o', uma lei maior que abranja,    igualmente, todas elas    <br>   <a href="#nota8">VIII</a>. A experi&ecirc;ncia a que se refere essa nota &eacute;    o que se passou com o programa de diagn&oacute;stico da tuberculose que contava    com um aparelho de Raios-X de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o, adquirido    pela Sociedade QTROP atrav&eacute;s de um aux&iacute;lio concedido pela FINEP-MCT.    Uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada do caso pode ser encontrada no livro Vila    Ros&aacute;rio,<sup>2</sup> p.289    <br>   <a href="#nota9">IX</a>. &Eacute; interessante citar aqui que todos os agentes    comunit&aacute;rios, bem como o assistente social do programa QTROP-TB de Vila    Ros&aacute;rio, eram mulheres. Fazendo justi&ccedil;a aos fatos, caberia falar,    daqui para a diante, apenas de 'agentes comunit&aacute;rias' e 'da assistente    social'    <br>   <a href="#nota10">X</a>. O 'Jardim das Curas' &eacute; uma proposta do Programa    QTROP-TB para a solu&ccedil;&atilde;o deste problema, a ser discutida mais adiante    <br>   <a href="#nota11">XI</a>. Coment&aacute;rios sobre esse assunto podem ser encontrados    em Pensamentos Variados <sup>4</sup>    <br>   <a href="#nota12">XII</a>. &Eacute; claro que muitas das etapas usadas hoje    em dia para a utiliza&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos - por exemplo, os    ensaios in vitro, biol&oacute;gicos e cl&iacute;nicos - ser&atilde;o tamb&eacute;m    necessariamente utilizadas para validar o uso das 'prepara&ccedil;&otilde;es'    <br>   <a href="#nota13">XIII</a>. H&aacute; que se acrescentar - n&atilde;o mais que    em uma nota de rodap&eacute; porque essa id&eacute;ia pode ser tomada como 'politicamente    incorreta' - que os extratos e garrafadas s&atilde;o obtidos por macera&ccedil;&atilde;o    das plantas com &aacute;lcool et&iacute;lico. Por serem os doentes de tuberculose    muitas vezes alco&oacute;latras - essa &eacute;, ali&aacute;s, uma das causas    para o 'enfraquecimento&iacute; das pessoas que leva &agrave; tuberculose -    , esses extratos alco&oacute;licos - de muito baixo teor alco&oacute;lico, diga-se    de passagem - podem se tornar um atrativo adicional para os doentes tomarem    a medica&ccedil;&atilde;o    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#nota14">XIV</a>. Vale mencionar aqui o absurdo a que se chegou presentemente    - ano de 2004 - no Brasil por falta de uma pol&iacute;tica adequada e estrat&eacute;gica    na &aacute;rea de farmoqu&iacute;micos, voltada para as necessidades sociais:    h&aacute; empresas brasileiras exportando farmoqu&iacute;micos (para a Europa,    principalmente), produzidos sob as regras das Boas Pr&aacute;ticas de Fabrica&ccedil;&atilde;o    (GMP), que n&atilde;o conseguem vender o mesmo produto para o mercado interno    porque ao usarem altos padr&otilde;es de qualidade n&atilde;o conseguem ser    competitivos em pre&ccedil;o com os produtos importados (que n&atilde;o atendem,    obviamente, a esses padr&otilde;es)    <br>   <a href="#nota15">XV</a>. O Pa&iacute;s j&aacute; teve uma experi&ecirc;ncia    de est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o interna de f&aacute;rmacos    que lembra um pouco a proposta desta tese. Foi com a Central de Medicamentos    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de - CEME, que foi extinta por se constituir    em um dos grandes antros de corrup&ccedil;&atilde;o do governo central</font></p>      ]]></body><back>
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