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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Onde estamos e aonde vamos no que toca ao    controle da tuberculose</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Gilm&aacute;rio M Teixeira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Editor Chefe</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na oportunidade deste    primeiro n&uacute;mero do Boletim de Pneumologia Sanit&aacute;ria em 2004, a    hora pode ser boa para lan&ccedil;ar um olhar sobre o panorama da tuberculose    que, flagelo da humanidade com cerca de cinco mil anos de hist&oacute;ria, ainda    ocupa, em nossos dias, a lideran&ccedil;a mundial como causa infecciosa de morte    entre adultos, apesar dos meios - estrat&eacute;gias e tecnologias - que est&atilde;o    dispon&iacute;veis para control&aacute;-la e mesmo erradic&aacute;-la.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os avan&ccedil;os nos dom&iacute;nios da ci&ecirc;ncia,    da tecnologia e da gest&atilde;o em sa&uacute;de p&uacute;blica, ocorridos,    destacadamente, a partir dos &uacute;ltimos anos cinq&uuml;enta quando a quimioterapia    consolidou-se como instrumento insuper&aacute;vel de cura e preven&ccedil;&atilde;o    o e o sistema de oferta dos bens de sa&uacute;de transmudou-se com a incorpora&ccedil;&atilde;o    dos princ&iacute;pios da simplifica&ccedil;&atilde;o da apropria&ccedil;&atilde;o    e da extens&atilde;o, percebeu-se que estavam dadas as condi&ccedil;&otilde;es    para derrotar a tuberculose em um espa&ccedil;o de tempo medido em d&eacute;cadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o foram poucos os percal&ccedil;os interpostos    nesse caminho, com destaque para as posi&ccedil;&otilde;es de otimistas aligeirados    que viram na a&ccedil;&atilde;o espetacular das drogas o fim quase imediato    da tuberculose, subestimando, do bacilo as propriedades biol&oacute;gicas e    da doen&ccedil;a as agravantes sociais, a patogenia e a epidemiologia. Afortunadamente,    frente a esses quadros arrebatados imp&otilde;e-se sempre o ju&iacute;zo dos    que perscrutam, comparam e excluem para ent&atilde;o concluir e recomendar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No Brasil, a exemplo do que passou em pa&iacute;ses    de perfil social assemelhado, a tuberculose experimentou uma redu&ccedil;&atilde;o    que, acelerada nos primeiros anos p&oacute;s-quimioterapia, fez-se gradualmente    lenta, embora sustentada. Foi assim que desta condi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica    das capitais brasileiras no ano de 1954 - mortalidade de 84/100.000 e notifica&ccedil;&atilde;o    de casos de 172/100.000 - chegamos em 1980 a uma taxa de mortalidade de 5,79/100.000    e de notifica&ccedil;&atilde;o de casos de 69/100.000, uma redu&ccedil;&atilde;o    de 93% (3,57% ao ano) e de 65% (2,5% ao ano), respectivamente. No per&iacute;odo    seguinte, entre 1981 e 2000, a taxa de mortalidade baixa de 5,1 para 3,19 -    redu&ccedil;&atilde;o de 37,45% equivalente a 1,97% ao ano - e a de notifica&ccedil;&atilde;o,    entre 1981 e 2002, de 69 para 46 - diminui&ccedil;&atilde;o de 33,33%, ou 1,58%    anual. Esses dados, aparentemente alentadores, logo desbotam-se quando percebemos    que correspondem a um per&iacute;odo de quase cinq&uuml;enta anos e mais se    apagam ao compararmo-los com os de outros pa&iacute;ses latino-americanos, cujas    taxas de notifica&ccedil;&atilde;o de casos por 100.000 habitantes, no mesmo    ano de 2002, foram bem mais inferiores como Cuba 8, Chile 16, Uruguai 16, M&eacute;xico    17, Venezuela 25, Argentina 30.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No cen&aacute;rio internacional, em 2002, o Brasil    continua figurando entre os 22 pa&iacute;ses com alta carga de tuberculose que,    juntos, abrigam 80% do total de casos estimados para o mundo. Neste grupo, liderado    pela &Iacute;ndia com 1.761.000 casos, ocupamos a 15<sup>a</sup> posi&ccedil;&atilde;o    com 110.000; j&aacute; no que concerne &aacute; taxa, em que Zimbabwe ocupa    o primeiro lugar - 683/100.000 - detemos a mais baixa - 62/100.000.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto ao tratamento - componente prec&iacute;puo    das a&ccedil;&otilde;es de controle - apesar de que desde o come&ccedil;o tenhamos    adotado estrat&eacute;gias e t&eacute;cnicas adequadas tais como: a padroniza&ccedil;&atilde;o    nacional dos esquemas terap&eacute;uticos, a aplica&ccedil;&atilde;o, no universo    de casos, da quimioterapia de curta dura&ccedil;&atilde;o t&atilde;o logo sua    efic&aacute;cia foi comprovada, a entrega gratuita dos quimioter&aacute;picos    &agrave; totalidade de casos de tuberculose diagnosticados no pa&iacute;s, mesmo    assim, n&atilde;o foi poss&iacute;vel, at&eacute; aqui, evitar falhas que incidiram    em dois aspectos cruciais - na ades&atilde;o do paciente ao tratamento e no    sistema de informa&ccedil;&atilde;o para o acompanhamento e an&aacute;lise dos    resultados. Assim, no Brasil, em uma coorte de casos de 2001, obteve-se resultado    favor&aacute;vel (alta por cura e por tratamento completado) em 72,2%; abandono    em 11,7%; &oacute;bito em 7% e transfer&ecirc;ncia em 9,1%. Esses dados confrontados,    por exemplo, com os de El Salvador, para uma coorte do mesmo ano, n&atilde;o    s&atilde;o confortadores: resultado favor&aacute;vel (cura 86% + tratamento    completado 2%) 88%; abandono 5%; &oacute;bito 5%; transfer&ecirc;ncia 1%; fracasso    1%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tais evid&ecirc;ncias nos convidam a repassar    a sucess&atilde;o de interven&ccedil;&otilde;es que ao longo de d&eacute;cadas,    direta ou indiretamente, estiveram voltadas para a redu&ccedil;&atilde;o do    problema da tuberculose no Brasil, a saber: a a&ccedil;&atilde;o sustentada    de um Programa Nacional de Controle da Tuberculose, normatizado para todo o    pa&iacute;s, descentralizado, integrado no sistema geral de sa&uacute;de que,    pronto, se fez um modelo em sa&uacute;de p&uacute;blica; o desenvolvimento,    por mais de cinq&uuml;enta anos, de um programa de forma&ccedil;&atilde;o de    recursos humanos em tuberculose, respons&aacute;vel pela massa cr&iacute;tica    que tem assegurado a perman&ecirc;ncia e a qualidade das atividades; a edi&ccedil;&atilde;o    continuada e atualizada de normas t&eacute;cnicas que regem as a&ccedil;&otilde;es    de controle em n&iacute;vel nacional; a coopera&ccedil;&atilde;o com a Universidade    visando a integra&ccedil;&atilde;o ensino-servi&ccedil;o; o reconhecimento da    quimioterapia antituberculosa como uma das a&ccedil;&otilde;es de alta efetividade    em sa&uacute;de p&uacute;blica; a integra&ccedil;&atilde;o da vacina&ccedil;&atilde;o    BCG ao Programa Nacional de Imuniza&ccedil;&otilde;es possibilitando coberturas    de alto n&iacute;vel; a implanta&ccedil;&atilde;o de um sistema &uacute;nico    de sa&uacute;de sustentado pelo acesso universal e igualit&aacute;rio &agrave;s    a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os, tendo o descentralismo e a unicidade    como filosofia de sua organiza&ccedil;&atilde;o; o estabelecimento de a&ccedil;&otilde;es    coordenadas entre as entidades de tuberculose e as de doen&ccedil;as sexualmente    transmiss&iacute;veis, ao emergir a aids como um cr&iacute;tico agravante da    nosologia humana e sua nefasta intera&ccedil;&atilde;o com a tuberculose; a    uni&atilde;o de esfor&ccedil;os no momento do alarme de recrudesc&ecirc;ncia    da tuberculose; a municipaliza&ccedil;&atilde;o do sistema de sa&uacute;de sem    lesar as conquistas do programa de tuberculose; o estabelecimento de uma a&ccedil;&atilde;o    global atrav&eacute;s de parcerias - governo, comunidade, organiza&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o-governamentais, universidades, sociedades cient&iacute;ficas - frente    a amea&ccedil;a de agravantes como o abandono do tratamento, a epidemia de aids    e a resist&ecirc;ncia bacteriana; a resposta aos apelos mundiais para resgatar    a luta contra a tuberculose com a implanta&ccedil;&atilde;o do Plano Emergencial,    a realiza&ccedil;&atilde;o do Consenso Brasileiro de Tuberculose, a consolida&ccedil;&atilde;o    do Centro de Refer&ecirc;ncia Prof. H&eacute;lio Fraga como entidade de apoio    t&eacute;cnico ao desenvolvimento, ao ensino e &agrave; pesquisa, a cria&ccedil;&atilde;o    do Comit&ecirc; T&eacute;cnico- Cient&iacute;fico de Assessoramento &agrave;    Tuberculose e o reconhecimento da tuberculose como problema priorit&aacute;rio    pelo Conselho Nacional de Sa&uacute;de; a ado&ccedil;&atilde;o, ainda incipiente,    da estrat&eacute;gia DOTS cujos componentes - detec&ccedil;&atilde;o de casos,    tratamento supervisionado, provis&atilde;o regular de drogas, sistema de registro    e compromisso governamental - s&oacute; o de administra&ccedil;&atilde;o supervisionada    dos medicamentos, n&atilde;o tem, em nossa pr&aacute;tica, uso pleno, apesar    de recomendado; a inclus&atilde;o do Brasil no Plano Global para deter a tuberculose    formulado pela parceria Stop-TB; a integra&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es    de controle da tuberculose &agrave;s dos programas de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia    e de Agentes Comunit&aacute;rios de Sa&uacute;de; por &uacute;ltimo, o estabelecimento    de um Plano Nacional de Controle da Tuberculose cujas metas buscam diagnosticar    92% dos casos esperados e tratar, com sucesso, 85% dos casos diagnosticados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De uma perspectiva cr&iacute;tica, face a tantas    e variadas medidas estabelecidas ao longo do tempo, no sistema de controle da    tuberculose, somos levados a admitir que os resultados s&atilde;o modestos e    traduzem, certamente, uma baixa utiliza&ccedil;&atilde;o do potencial que elas    encerram. A quest&atilde;o pode ser atenuada trazendo-se &aacute; cena o universo    de fatores que constr&oacute;em o cen&aacute;rio da tuberculose em uma regi&atilde;o    ou um pa&iacute;s, quando, em muitos casos, a a&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es    sociais, econ&ocirc;micas e culturais desfavor&aacute;veis - que n&atilde;o    nos s&atilde;o estranhas - podem reduzir, com signific&acirc;ncia, a for&ccedil;a    das interven&ccedil;&otilde;es voltadas para o agente causal e as les&otilde;es    por ele determinadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste caso, ao tempo em que expectamos a redu&ccedil;&atilde;o    sustentada desses agentes agravantes pr&oacute;prios do subdesenvolvimento,    cabe-nos empreender um esfor&ccedil;o de mobiliza&ccedil;&atilde;o consciente    para que as medidas de controle j&aacute; implantadas alcancem um n&iacute;vel    &uacute;til de operacionaliza&ccedil;&atilde;o e produzam a plenitude de seu    potencial de resultados. Em outras palavras, cumpre-nos expandir com determina&ccedil;&atilde;o    a estrat&eacute;gia DOTS, com &ecirc;nfase em tr&ecirc;s de seus componentes    - a busca de casos assumida como atitude incorporada &agrave; rotina dos servi&ccedil;os    gerais de sa&uacute;de, a administra&ccedil;&atilde;o supervisionada dos medicamentos    a todos os casos positivos, um sistema de informa&ccedil;&atilde;o aprimorado    que espelhe a real situa&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica e assegure,    sem falhas, a avalia&ccedil;&atilde;o do tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Onde estamos, ent&atilde;o, no que toca ao controle    da tuberculose? Isolados em uma ilha? Seguramente n&atilde;o. Em verdade, ocupamos    uma plataforma, onde est&atilde;o dispon&iacute;veis intelig&ecirc;ncia, experi&ecirc;ncia,    cultura, tecnologia, recursos financeiros suficientes, vontade pol&iacute;tica    que, mobilizados de forma apropriada e otimizada, poder&atilde;o alcan&ccedil;ar    as metas propostas para obter a redu&ccedil;&atilde;o progressiva e sustentada    do problema da tuberculose em nosso pa&iacute;s. A utiliza&ccedil;&atilde;o    adequada desses meios, agrupados no corpo do Programa Nacional de Controle,    sinaliza o destino a ser perseguido - uma quest&atilde;o de vontade, coordena&ccedil;&atilde;o    e ger&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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