<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0103-460X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Boletim de Pneumologia Sanitária]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Bol. Pneumol. Sanit.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0103-460X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Referência Prof. Hélio Fraga , Secretaria de Vigilância emSaúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0103-460X2006000300001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tuberculose na América do Sul: a posição do Brasil]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teixeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gilmário M.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Editor-Chefe  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>14</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>133</fpage>
<lpage>134</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-460X2006000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0103-460X2006000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0103-460X2006000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Tuberculose na Am&eacute;rica do Sul &#8211;    a posi&ccedil;&atilde;o do Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Gilm&aacute;rio M. Teixeira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Editor-Chefe</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O documento mais completo para an&aacute;lise    da situa&ccedil;&atilde;o   atual da tuberculose no mundo &eacute;, sem d&uacute;vida, o   relat&oacute;rio editado, anualmente, pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial   da Sa&uacute;de. Valemo-nos do &uacute;ltimo - Global tuberculosis   control: surveillance, planning, fi nancing. WHO report   2006. Geneva, World Health Organization (WHO/HTM/   TB2006.362) &#8211; para colher a informa&ccedil;&atilde;o comentada   neste editorial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O panorama mundial, visto &agrave; luz dos dados    de 200   pa&iacute;ses que abrigam 99,9% da popula&ccedil;&atilde;o global, relativos   a 2004, mostra um problema de grande relev&acirc;ncia, traduzido   nestas &uacute;ltimas estimativas da OMS: 8,9 milh&otilde;es   de casos novos (140/100.000), dos quais 3,9 milh&otilde;es   (62/100.000) eram bacil&iacute;feros e 741.000 correspondiam a   adultos portadores da associa&ccedil;&atilde;o TB/HIV; a preval&ecirc;ncia   chegava a 14,6 milh&otilde;es de casos (229/100.000) e a mortalidade   alcan&ccedil;ava a 1,7 milh&atilde;o de pessoas (27/100.000),   entre as quais estavam 248.000 acometidas da co-infec&ccedil;&atilde;o   TB/HIV. A incid&ecirc;ncia, em termos globais, cresce de 0,6%   ao ano, &agrave; custa, sobretudo, da situa&ccedil;&atilde;o encontrada na &Aacute;frica   onde &eacute; grave a epidemia de HIV, j&aacute; que nas outras regi&otilde;es   da OMS o quadro se mant&eacute;m est&aacute;vel ou diminui.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As Am&eacute;ricas det&ecirc;m, em 2004, os dados    mais favor&aacute;veis,   relativamente &agrave;s demais regi&otilde;es da OMS, com as   taxas, por 100.000, de incid&ecirc;ncia (41), preval&ecirc;ncia (53) e   mortalidade (6), as quais, comparadas com as do ano de   1990, apresentam uma redu&ccedil;&atilde;o de 38, 45 e 40%, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante dessa conjuntura, parece-nos oportuno    trazer   para uma r&aacute;pida aprecia&ccedil;&atilde;o, os dados que confi guram   a situa&ccedil;&atilde;o da TB no Brasil, em 2004, tomados aqui no   contexto dos seguintes pa&iacute;ses sul-americanos: Argentina,   Bol&iacute;via, Brasil, Chile, Col&ocirc;mbia, Equador, Paraguai, Uruguai   e Venezuela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A determina&ccedil;&atilde;o, pela OMS, das estimativas    das taxas   de incid&ecirc;ncia, preval&ecirc;ncia e mortalidade que est&atilde;o abaixo,   obedece a um complexo processo anal&iacute;tico que envolve dados   de consultas, da vigil&acirc;ncia e de estudos especiais. A informa&ccedil;&atilde;o   para os outros indicadores procede do formul&aacute;rio   padronizado que a OMS envia, anualmente, aos respons&aacute;veis   pelo Programa Nacional de Tuberculose ou autoridade   de sa&uacute;de correspondente de 211 pa&iacute;ses ou territ&oacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Incid&ecirc;ncia estimada, por 100.000, de todas    as formas de   TB. Bol&iacute;via apresenta a taxa mais elevada (217), seguida de   Peru (178) e Equador (131); as mais baixas fi cam com o Chile (16) e Uruguai    (28). O Brasil (60) ocupa a 5&ordf; posi&ccedil;&atilde;o.   Confrontadas com as taxas de 1990, a maior redu&ccedil;&atilde;o encontra-   se no Chile (69,81%), a que se seguem as taxas de   Peru (54,82%), Argentina ( 40,27%), Equador (36,71%),   Brasil (36,17%), at&eacute; alcan&ccedil;ar Venezuela com a mais baixa   (2,32%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Preval&ecirc;ncia estimada, por 100.000, de    todas as formas de   TB. A taxa mais alta (290) corresponde &agrave; Bol&iacute;via e a mais   baixa (16) ao Chile. O Brasil com 77 ocupa o 5&ordm; lugar em   ordem decrescente. Comparadas &agrave;s taxas de 1990, a maior   redu&ccedil;&atilde;o verifi ca-se no Chile (74,19%) e a menor no Paraguai   (8,54%). A taxa brasileira foi reduzida em 47,97%   - 4&ordm; lugar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Mortalidade estimada, por 100.000, de todas    as formas   de TB. A maior taxa cabe &agrave; Bol&iacute;via (32) a que se seguem   Equador (26) e Peru (21); a mais baixa corresponde ao   Chile (1), seguido de Uruguai (3), e Argentina e Venezuela   (6). Brasil e Col&ocirc;mbia (8) t&ecirc;m uma coloca&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria.   Frente &agrave;s taxas de 1990, a maior diminui&ccedil;&atilde;o pertence   ao Chile (83,33%) e logo Peru (44,73%), Equador   (43,47%), Argentina (40,00%), Brasil (38,46%), Bol&iacute;via   (37,25%), Uruguai (25,00%) e Col&ocirc;mbia (20,00%). Venezuela   e Paraguai mant&ecirc;m as mesmas taxas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Notifi ca&ccedil;&atilde;o, por 100.000, de casos    novos + recidiva. Peru   tem a taxa de maior express&atilde;o (120), vindo depois Bol&iacute;via   (109), Brasil e Equador (47), Paraguai (38), at&eacute; chegar ao   Chile que exibe a mais baixa (17). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s taxas   registradas em 1990, a diminui&ccedil;&atilde;o mais signifi cativa ocorre   no Chile (63,82%), continuado por Equador (41,25%),   Bol&iacute;via (34,73%), Peru (31,03%) at&eacute; encontrar o Brasil   que exibiu a menor redu&ccedil;&atilde;o (6,00%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Grupos et&aacute;rios com maior concentra&ccedil;&atilde;o    de casos novos positivos.   Com base na distribui&ccedil;&atilde;o dos casos segundo os   grupos et&aacute;rios, Bol&iacute;via, Chile, Col&ocirc;mbia e Paraguai apresentam   a maior concentra&ccedil;&atilde;o de casos no grupo de 65   e mais anos, enquanto que na Argentina e no Peru a TB   predomina no grupo de 25-34 anos e, no Brasil, no de   45-54.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Cobertura da estrat&eacute;gia DOTS. Defi nida    como a porcentagem   da popula&ccedil;&atilde;o nacional vivendo em &aacute;reas onde   os servi&ccedil;os de sa&uacute;de adotam a DOTS, esse indicador apresenta   valores de 100% na Argentina, Peru e Uruguai, seguidos   de Venezuela (98%), Chile (95%), Equador (64%),   Bol&iacute;via (60%), Brasil (52%), Paraguai (27%) e Col&ocirc;mbia   (25%).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Detec&ccedil;&atilde;o de casos. A porcentagem    de casos novos de   TB pulmonar positiva, com rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero estimado   de casos de igual categoria para o mesmo ano - taxa de   detec&ccedil;&atilde;o de casos - mostra que o Chile detecta mais que   o estimado (114%), continuado por Brasil (89%), Uruguai   (86%, Peru (83%), Venezuela (77%), Colombia (76%),   Bol&iacute;via (71%), Argentina (65%), Paraguai (63%) e Equador   (57%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Resultado do tratamento, sob a estrat&eacute;gia    DOTS, dos   casos positivos. Coorte de 2003. Foram tomadas as tr&ecirc;s vari&aacute;veis   consideradas principais na an&aacute;lise de resultado:   &oacute;bito &#8211; a taxa mais alta (11%) verifi ca-se no Uruguai   e a mais baixa (2%) no Peru, ocupando o Brasil a 3&ordf;   posi&ccedil;&atilde;o com 7%; abandono &#8211; Venezuela, Equador,   Brasil e Argentina t&ecirc;m a situa&ccedil;&atilde;o mais desfavor&aacute;vel   (9%), enquanto que Uruguai (2%) e Chile e Peru com   4% a mais favor&aacute;vel; sucesso &#8211; compreende os casos   com alta por cura e por tratamento completado &#8211; o   melhor resultado corresponde ao Peru (89%), seguido   por Uruguai (86%), Paraguai e Chile (85%), Equador   (84%), Col&ocirc;mbia e Brasil (83%), Venezuela (82%), Bol&iacute;via   (81%) e Argentina (66%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Hoje, qualquer an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o    da TB em um   pa&iacute;s ou regi&atilde;o, para ser pertinente, leva a confrontar os   dados de avalia&ccedil;&atilde;o com as metas da Assembl&eacute;ia Mundial   de Sa&uacute;de e da Parceria Stop TB, agora defi nidas dentro do   quadro dos Objetivos para o Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio,   das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a saber: at&eacute; 2005, detectar, pelo   menos, 70% dos casos bacil&iacute;feros e curar, no m&iacute;nimo,   85% deles; at&eacute; 2015, deter e come&ccedil;ar a diminuir a incid&ecirc;ncia   e reduzir em 50% as taxas de preval&ecirc;ncia e morte,   em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s de 1990; at&eacute; 2050, eliminar a TB como    problema   de sa&uacute;de p&uacute;blica, ou seja, = 1 caso por milh&atilde;o de   habitantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto, os pa&iacute;ses sul-americanos,    com algumas   exce&ccedil;&otilde;es, exibem valores indicativos da possibilidade   de, no tempo determinado, chegarem aos alvos, excluindo-   se a meta de elimina&ccedil;&atilde;o que, s&oacute; por determina&ccedil;&atilde;o    de   tend&ecirc;ncias, pode-se obter valor de predi&ccedil;&atilde;o confi &aacute;vel.   Vejamos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A meta de detec&ccedil;&atilde;o de casos (70%)    n&atilde;o s&oacute; foi alcan&ccedil;ada,   mas, superada por Chile, Brasil, Uruguai, Peru, Venezuela, Col&ocirc;mbia e    Bol&iacute;via, com varia&ccedil;&atilde;o de 114% a   71%; os outros tr&ecirc;s pa&iacute;ses se situam entre 65% (Argentina)   e 57% (Equador).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A cura (sucesso) de 85% dos casos bacil&iacute;feros,    registrou-   se em Peru, Uruguai, Paraguai e Chile; os seis restantes,   onde est&aacute; o Brasil com 83%, se distribuem entre 84%   (Equador) e 66% (Argentina).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A redu&ccedil;&atilde;o da preval&ecirc;ncia    &#8211; 50% at&eacute; 2015 &#8211; j&aacute; est&aacute;   conseguida por Chile, Peru e Argentina; Brasil com 47,97%   e Equador com 44,47% est&atilde;o pr&oacute;ximos e os demais se   distribuem entre 35,98% (Bol&iacute;via) e 8,54% (Paraguai).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A mortalidade &#8211; redu&ccedil;&atilde;o de    50% at&eacute; 2015 &#8211; j&aacute; foi   ultrapassada por Chile e est&aacute; perto de ser conquistada   por Equador com 43,47%; os outros, entre os quais est&aacute;   o Brasil com 38,46%, colocam-se entre 40% (Argentina)   e 00,00% (Paraguai).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No conjunto dos dez pa&iacute;ses aqui apresentados,    a   melhor situa&ccedil;&atilde;o corresponde ao Chile, quer seja pelos   &iacute;ndices epidemiol&oacute;gicos quer pelos operacionais, o que   aponta para um quadro de consist&ecirc;ncia dos indicadores;   pela mesma raz&atilde;o, toca &agrave; Bol&iacute;via, a condi&ccedil;&atilde;o    mais desfavor&aacute;vel.   O Brasil ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o que poder&iacute;amos   classifi car como intermedi&aacute;ria alta, j&aacute; que a meta de detec&ccedil;&atilde;o   de casos foi superada e as de sucesso do tratamento   e redu&ccedil;&atilde;o da preval&ecirc;ncia est&atilde;o pr&oacute;ximas de    serem alcan&ccedil;adas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por &uacute;ltimo, n&atilde;o seria extempor&acirc;neo    comentar que, nestes &uacute;ltimos anos, sempre que se aborda a situa&ccedil;&atilde;o    da TB em nosso meio, traz-se &agrave; luz o lugar &#8211; atualmente 16&ordm;    - que o Brasil ocupa entre os 22 pa&iacute;ses identifi cados pela OMS como    detentores da maior carga de TB. Ocorre que essa classifica&ccedil;&atilde;o    baseia-se no n&uacute;mero absoluto de casos da incid&ecirc;ncia estimada &#8211;    em 2006 aparece a &Iacute;ndia em 1&ordm; lugar com 1.824.000 casos e Camboja    em 22&ordm; com 70.000 &#8211; e n&atilde;o em sua taxa, pois, em termos relativos    &agrave; popula&ccedil;&atilde;o &#8211; taxa de incid&ecirc;ncia &#8211; temos    a mais baixa no grupo, numa escala que varia de 718/100.000 na &Aacute;frica    do Sul a 60/100.000 no Brasil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
