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</front><body><![CDATA[ <p align="left"><span style="line-height:115%; font-family:'Arial','sans-serif'; font-size:9.0pt; "><font color="#990033">http://dx.doi.org/10.5123/S0104-16731997000300003</font></span></p>     <p align="left"><font face="Verdana" size="4"><b><a name="topo"></a>Estat&#237;sticas de mortalidade e nascidos vivos: considera&#231;&#245;es sobre principais problemas<sup><a href="#endereco">*</a></sup></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>H&#233;lio de Oliveira<sup>I</sup>; Ivana Poncioni de Almeida Pereira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Coordenador da Coordena&#231;&#227;o de Informa&#231;&#245;es e An&#225;lises da Situa&#231;&#227;o de Sa&#250;de - CIASS/CENEPI/FNS/MS    <br> </font><font face="Verdana" size="2"><sup>II</sup>Gerente T&#233;cnico do Sistema de Informa&#231;&#245;es sobre Nascidos Vivos - GT-SINASC/CIASS/CENEPI</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>O artigo procura mostrar os principais problemas que ocorrem com os dados de mortalidade e nascidos vivos, descrevendo-os e procurando uma explica&#231;&#227;o para os mesmos, sendo, ent&#227;o, aventadas solu&#231;&#245;es que, concorreriam para a minimiza&#231;&#227;o dos fatores que reduzem a qualidade e quantidade dos dados.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os dados sobre mortalidade e sobre nascidos vivos s&#227;o de grande import&#226;ncia tanto estat&#237;stica como epidemiol&#243;gica, pois atrav&#233;s deles s&#227;o constru&#237;dos os indicadores de sa&#250;de, respons&#225;veis pelo conhecimento da sa&#250;de de um povo e, conseq&#252;entemente, pela elabora&#231;&#227;o de programas e campanhas para tratamento, preven&#231;&#227;o e erradica&#231;&#227;o de doen&#231;as.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esses dados, representados pelo bin&#244;mio <b>qualidade x quantidade</b>, sofrem altera&#231;&#245;es profundas em sua ess&#234;ncia desde a fase inicial (preenchimento dos documentos-padr&#227;o), obrigando a uma reavalia&#231;&#227;o dos m&#233;todos usados para o preenchimento e coleta dos dados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Abordaremos, de forma sucinta, cada um dos principais fatores que interferem naquele bin&#244;mio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1) <b>Qualidade</b> - &#233; conceituada como o correto, completo e exato preenchimento dos dados, tanto da Declara&#231;&#227;o de &#211;bito - DO, como da Declara&#231;&#227;o de Nascido Vivo - DN. Estudos cr&#237;ticos mostram certas vari&#225;veis incompletamente preenchidas, comprometendo a fidedignidade dos dados e a elabora&#231;&#227;o de estat&#237;sticas confi&#225;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso da DO, as vari&#225;veis que com maior freq&#252;&#234;ncia apresentam erros de preenchimento correspondem &#224;s do Bloco <b>Atestado M&#233;dico</b>, cujo preenchimento &#233; da responsabilidade do m&#233;dico. Observa-se que os erros s&#227;o principalmente referentes &#224; Assist&#234;ncia M&#233;dica durante a doen&#231;a que ocasionou o &#243;bito, como a caracteriza&#231;&#227;o do m&#233;dico que assina o Atestado, Confirma&#231;&#245;es do diagn&#243;stico etc. No caso de mortes violentas, quando o preenchimento daquele bloco cabe ao m&#233;dico do Instituto M&#233;dico Legal (IML), s&#227;o por demais freq&#252;entes a n&#227;o-conceitua&#231;&#227;o do tipo da viol&#234;ncia (acidentes, homic&#237;dios, suic&#237;dios, etc) e a defini&#231;&#227;o inexata da causa b&#225;sica da morte (enforcamento, afogamento, agress&#227;o, acidente de tr&#226;nsito, etc), sendo referido apenas o tipo de les&#227;o (politraumatismo, traumatismo cr&#226;nio-encef&#225;lico, perfura&#231;&#227;o de al&#231;as intestinais, para citar algumas). E conhecido o temor dos legistas em afirmarem o tipo de viol&#234;ncia que causou o &#243;bito, temendo complica&#231;&#245;es com familiares, que poder&#227;o n&#227;o aceitar o laudo, principalmente quando estiver em jogo algum tipo de seguro de vida.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os dados ditos <b>s&#243;cio-demogr&#225;ficos</b>, tais como o sexo, a idade, local de resid&#234;ncia, ocupa&#231;&#227;o, grau de instru&#231;&#227;o, entre outros, n&#227;o apresentam grandes problemas quanto ao preenchimento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro   ponto   de   reparo   no preenchimento do Atestado M&#233;dico refere-se &#224; falta de exatid&#227;o nos diagn&#243;sticos da causa b&#225;sica e das causas concomitantes, representado pelo acentuado n&#250;mero de &#243;bitos por <b>Sintomas e Sinais Mal-Definidos (Cap XVI da CID-9)</b>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este grupo, no que se refere ao Brasil, vem, nos &#250;ltimos anos, ocupando quase sempre o segundo ou terceiro lugar entre as causas de &#243;bito. Como em realidade n&#227;o constitui um grupo definido de causas, esse Cap&#237;tulo n&#227;o deve ser considerado em estat&#237;sticas, sendo mencionado &#224; parte. Corresponde, efetivamente, a diagn&#243;sticos imprecisos ou mesmo &#224; falha do atestante que, sem ter realizado um exame das causas ou condi&#231;&#245;es m&#243;rbidas que teriam levado ao &#243;bito, lan&#231;a um diagn&#243;stico d&#250;bio, impreciso ou mesmo errado.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Admite-se que o indicador mais simples da qualidade dos dados de mortalidade certificados por m&#233;dico &#233; a propor&#231;&#227;o de &#243;bitos classificados no cap&#237;tulo acima referido.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em termos num&#233;ricos, a mortalidade proporcional por Causas Mal-definidas para as regi&#245;es brasileiras, no per&#237;odo 1992-1994, est&#225; demonstrada na <a href="#t1">Tabela 1</a>.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v6n3/3a03t1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Considerando-se que as regi&#245;es Sudeste e Sul, que apresentam os &#237;ndices mais baixos, det&#234;m 66,96% dos &#243;bitos processados em 1994, verificamos que h&#225; um maior cuidado na defini&#231;&#227;o dos diagn&#243;sticos por parte dos atestantes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dentro ainda do Cap&#237;tulo Causas Mal-definidas, destaca-se um c&#243;digo, representado pelos &#243;bitos <b>Sem Assist&#234;ncia M&#233;dica</b>, que significa uma defici&#234;ncia no atendimento &#224; popula&#231;&#227;o, devido ao reduzido n&#250;mero de profissionais. Estes casos t&#234;m a Declara&#231;&#227;o de &#211;bito preenchida por um declarante e suas testemunhas, em Cart&#243;rio, atendendo ao que disp&#245;e o Art. 77 da Lei 6.216, de 30 Junho de 1975, que alterou a de n&#250;mero 6.015, de 31 Dezembro de 1973.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A mortalidade proporcional de &#243;bitos Sem Assist&#234;ncia M&#233;dica em rela&#231;&#227;o aos &#243;bitos por causas mal-definidas para as mesmas &#225;reas geogr&#225;ficas e per&#237;odo est&#225; demonstrada na <a href="#t2">Tabela 2</a>.</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v6n3/3a03t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Observamos que a regi&#227;o Sudeste, que corresponde a 51,1% dos &#243;bitos totais em 1994, apresenta os &#237;ndices menores, levando a crer que existe uma boa rede de assist&#234;ncia m&#233;dica. A regi&#227;o Nordeste apresenta os &#237;ndices mais altos, o que reflete a situa&#231;&#227;o deficiente de assist&#234;ncia m&#233;dica, entendida aqui como o n&#250;mero insuficiente de profissionais e n&#227;o em termos da qualidade do atendimento profissional &#224; sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma disposi&#231;&#227;o da Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de especifica que se os &#243;bitos sem assist&#234;ncia m&#233;dica representarem menos de 2% sobre os &#243;bitos totais, devem ser inclu&#237;dos dentro do cap&#237;tulo Sinais e Sintomas Mal-definidos e, quando excederem aquela porcentagem, devem ser tabulados separadamente. Em &#226;mbito nacional, no ano de 1994, os &#243;bitos sem assist&#234;ncia m&#233;dica corresponderam a 11,7% sobre o total, mas n&#227;o existe nenhuma delibera&#231;&#227;o para o cumprimento daquela disposi&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso da Declara&#231;&#227;o de Nascido Vivo, que &#233; o documento-padr&#227;o do <b>Sistema de Informa&#231;&#245;es sobre Nascidos Vivos - SINASC</b>, as vari&#225;veis com maior n&#250;mero de erros ou n&#227;o - preenchimento s&#227;o: &#237;ndice de Apgar, N&#250;mero de Consultas Pr&#233;-natal e Quantidade de filhos Tidos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Equacionados os problemas, cremos que uma tentativa de solu&#231;&#227;o poder&#225; ser aventada a partir de duas linhas de a&#231;&#227;o:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a) Conscientiza&#231;&#227;o dos profissionais respons&#225;veis  pelo  preenchimento dos documentos-padr&#227;o, enfatizando a necessidade de este ato ser completo e correto, principalmente quanto aos diagn&#243;sticos no caso da DO, devendo-se evitar express&#245;es vagas como <b>parada card&#237;aca, parada c&#225;rdio-respirat&#243;ria</b> e outras que n&#227;o representam as verdadeiras causas b&#225;sicas da morte que, obviamente, foram devidas a outros tipos de agravos. Nessa conscientiza&#231;&#227;o, os legistas dever&#227;o, ao preencherem o Atestado M&#233;dico, mencionar n&#227;o o tipo de les&#227;o encontrada, que dever&#225; fazer parte do seu relat&#243;rio, mas o tipo de viol&#234;ncia que a provocou, que tamb&#233;m deve ser codificado no bloco <b>Causas Externas</b>. &#201; de bom alvitre lembrar que este bloco menciona <b>Morte n&#227;o natural - Prov&#225;veis circunst&#226;ncias da morte - Obs: Informa&#231;&#245;es de car&#225;ter epidemiol&#243;gico</b>, n&#227;o sendo, pois, uma afirma&#231;&#227;o irrefut&#225;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) A segunda linha de a&#231;&#227;o dever&#225; ficar a cargo dos setores respons&#225;veis pelo processamento dos dados: uma revis&#227;o cuidadosa dos documentos antes do processamento, separando os que apresentam lacunas ou imprecis&#227;o no preenchimento para um contato com o respons&#225;vel pelo preenchimento (de prefer&#234;ncia por escrito, para que a resposta tamb&#233;m esteja documentada). A continuidade dessa a&#231;&#227;o vai se revestir de uma auto-conscientiza&#231;&#227;o, minimizando o constrangimento inicial e dando lugar a um maior interesse e cuidado com o documento. Essa linha de a&#231;&#227;o tamb&#233;m dever&#225; ser aplicada &#224; DN.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2) <b>Quantidade</b> - conceituada como o n&#250;mero de documentos recebidos pelo setor respons&#225;vel pelo processamento, cujas informa&#231;&#245;es v&#227;o servir como elementos para a cria&#231;&#227;o de um Banco de Dados. Esse problema apresenta duas faces bem diferenciadas: o <b>sub-registro</b> e a <b>sub-notifica&#231;&#227;o</b>, melhor chamada de <b>sub-coleta</b>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com os documentos legais que regem os Registros P&#250;blicos (Lei n<sup>o</sup> 6216, de 30 de Junho de 1975, que alterou a de n&#250;mero 6015, de 31 de Dezembro de 1975), todos os nascimentos e &#243;bitos devem ser registrados nos Cart&#243;rios do Registro Civil. O n&#227;o-cumprimento desta determina&#231;&#227;o corresponde ao sub-registro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">V&#225;rios s&#227;o os fatores que concorrem para o sub-registro: em primeiro lugar, a lavratura das certid&#245;es de nascimento e de &#243;bito &#233; indenizada pelo respons&#225;vel e, embora a Constitui&#231;&#227;o prescreva que essa lavratura deva ser gratuita para as pessoas pobres, na realidade essa gratuidade n&#227;o aparece; deste modo, os realmente pobres n&#227;o disp&#245;em de meios suficientes para o pagamento das certid&#245;es, e pura e simplesmente fogem ao cumprimento da lei, fato mais observado nos nascimentos. Neste caso n&#227;o h&#225; o interesse imediato na certid&#227;o, documento que confere a cidadania, j&#225; que sua necessidade real s&#243; se apresentar&#225; por ocasi&#227;o de matr&#237;cula escolar ou ao procurar o primeiro emprego.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os assentamentos tardios, efetuados em anos posteriores ao nascimento, s&#227;o vistos mais claramente ao manusearmos as Estat&#237;sticas do Registro Civil publicadas pelo IBGE.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso dos falecimentos, a burla da lei &#233; feita usando-se os chamados cemit&#233;rios clandestinos. Este nome &#233; um tanto impr&#243;prio, pois eles existem e s&#227;o conhecidos, apenas n&#227;o cumprem &#224; risca a determina&#231;&#227;o de s&#243; realizar o sepultamento mediante a apresenta&#231;&#227;o da Certid&#227;o de &#211;bito. Nas regi&#245;es Norte e Nordeste, os menores de 1 ano de idade s&#227;o enterrados com freq&#252;&#234;ncia no fundo do quintal, j&#225; que por quest&#245;es culturais s&#227;o considerados <b>anjinhos</b>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com a lei, ao se fazer o registro de um &#243;bito, &#233; perguntado se existe certid&#227;o de nascimento; no caso de resposta negativa, a certid&#227;o &#233; feita como assentamento tardio e as duas s&#227;o cobradas, o que agrava ainda mais o problema financeiro do respons&#225;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora seja um fator dificilmente mensur&#225;vel, por n&#227;o haver no momento termo de compara&#231;&#227;o, estima-se que o sub-registro nas regi&#245;es Norte e Nordeste atinja um patamar de 50 a 60%, enquanto que nas regi&#245;es Sudeste e Sul estejam perto dos 5%; a regi&#227;o Centro-Oeste acompanha de perto a Norte.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As fontes de obten&#231;&#227;o dos dados sobre eventos vitais s&#227;o os Cart&#243;rios do Registro Civil e os Estabelecimentos de Sa&#250;de onde ocorrem nascimentos e/ou &#243;bitos, havendo uma disparidade entre os dados coletados, facilmente explicadas: os Cart&#243;rios encaminham trimestralmente ao IBGE uma rela&#231;&#227;o dos eventos <b>registrados</b>, enquanto que os Estabelecimentos de Sa&#250;de (a&#237; inclu&#237;dos os IML e Servi&#231;os de Verifica&#231;&#227;o de &#211;bitos - SVO) encaminham para as Secretarias de Sa&#250;de os eventos <b>ocorridos</b>, que poder&#227;o ou n&#227;o estar registrados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A solu&#231;&#227;o para esse problema poder&#225; advir com a recente decis&#227;o dos poderes centrais de tomar obrigat&#243;ria a gratuidade das certid&#245;es. Essa medida, a par com uma vigorosa campanha junto &#224; popula&#231;&#227;o, dever&#225; reverter a situa&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A recente introdu&#231;&#227;o de terceira via na DO (a DN j&#225; a possu&#237;a desde o in&#237;cio) vai fazer com que, finalmente, haja uma compara&#231;&#227;o entre os dados <b>ocorridos/comunicados</b>, e os <b>ocorridos/registrados</b>, possibilitando o c&#225;lculo efetivo do &#237;ndice de sub-registro, que &#233; a rela&#231;&#227;o entre os eventos registrados e os encaminhados diretamente pelo &#243;rg&#227;o de origem.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O fluxo recomendado pelo Minist&#233;rio da Sa&#250;de (MS) para os documentos-padr&#227;o, e seguido pela maioria dos Estados, preconiza que as primeiras vias da DO e DN dever&#227;o ser recolhidas nos estabelecimentos de sa&#250;de pelos &#243;rg&#227;os de processamento, configurando-se o evento <b>ocorrido</b>; das outras duas vias, a segunda fica retida pelo Cart&#243;rio e a terceira &#233; encaminhada tamb&#233;m para os &#243;rg&#227;os de processamento; essa terceira via, ao ser processada, permitir&#225; um cruzamento de dados, informando ent&#227;o se h&#225; correspond&#234;ncia entre os documentos processados e os registrados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Gra&#231;as a esse fluxo, a quantidade de Declara&#231;&#245;es de Nascidos Vivos recebida dos Estabelecimentos de Sa&#250;de ficou maior que as registradas pelos Cart&#243;rios em quatorze dos Estados, no ano de 1994.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Fator importante na obten&#231;&#227;o dos dados &#233; a coleta, que significa uma busca ativa nos &#243;rg&#227;os de origem por parte dos &#243;rg&#227;os processadores. A maior ou menor organiza&#231;&#227;o dessa busca vai representar o maior ou menor &#237;ndice de sub-notifica&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o &#224; mortalidade, os dados informados pelo IBGE ainda continuam mais altos que os informados pelo Sistema de Informa&#231;&#245;es sobre Mortalidade (SIM) na maioria das UFs. Se considerarmos a premissa de que todos os eventos ocorridos deveriam ser registrados, deveria, pela l&#243;gica, haver um empate dos dados. A n&#227;o- ocorr&#234;ncia disto leva &#224; segunda parte do problema <b>quantidade</b>, representada pela <b>sub-notifica&#231;&#227;o</b>, que na realidade &#233; uma <b>sub-coleta</b>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Poderemos ent&#227;o ter tr&#234;s hip&#243;teses:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a) os dados do IBGE e do SIM apresentam-se com quantidade igual: h&#225; uma coleta organizada por parte dos &#243;rg&#227;os processadores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) os dados do IBGE s&#227;o mais altos: h&#225; um defeito na estrutura de coleta pelos &#243;rg&#227;os processadores, nos Estabelecimentos de Sa&#250;de, IML, SVO e Cart&#243;rios.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c) os dados do SIM s&#227;o mais altos: h&#225; uma eficiente sistem&#225;tica de coleta, contemplando n&#227;o s&#243; os &#243;rg&#227;os acima referidos, mas tamb&#233;m os cemit&#233;rios conhecidos como &quot;clandestinos&quot;. Poder&#225;, neste caso, haver um sub-registro dos eventos nos cart&#243;rios, fazendo com que os &#243;rg&#227;os processadores recebam os ocorridos realmente em maior n&#250;mero que os registrados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Alguns Estados recebem os documentos diretamente dos Cart&#243;rios, n&#227;o seguindo o fluxo recomendado pelo MS, e asseguram haver sub-registro igual a zero. Essa informa&#231;&#227;o permite d&#250;vidas, pois os cemit&#233;rios com sepultamento irregular existem em todo o territ&#243;rio nacional, n&#227;o sendo apenas apan&#225;gio das regi&#245;es Norte e Nordeste.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O equacionamento desse problema permite aventar sugest&#245;es pr&#225;ticas e, cremos, eficientes, de modo a aumentar o volume de dados sobre mortalidade e nascidos vivos:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a) promover campanhas no sentido de que todos os eventos vitais, principalmente os nascimentos e &#243;bitos, sejam registrados em cart&#243;rio, cumprindo o diploma legal a respeito.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) dar seguimento ao fluxo recomendado pelo Minist&#233;rio da Sa&#250;de, uma vez que o mesmo tem se mostrado eficiente na obten&#231;&#227;o dos eventos <b>ocorridos</b>, registrados ou n&#227;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">c) estabelecer estrat&#233;gias visando um sistema eficiente de busca ativa nos &#243;rg&#227;os de origem dos documentos. Este tipo de a&#231;&#227;o dever&#225; ser desenvolvido pelo n&#237;vel estadual, ou mesmo pelo n&#237;vel representado pela Diretoria Regional de Sa&#250;de (ou similar). Dever&#225; ainda ser feita uma campanha junto aos cemit&#233;rios para apura&#231;&#227;o dos sepultamentos que n&#227;o foram realizados segundo as disposi&#231;&#245;es legais. Deve-se ainda buscar a participa&#231;&#227;o e apoio do Programa de Agentes Comunit&#225;rios de Sa&#250;de (PACS), cujos integrantes t&#234;m mostrado uma eficiente colabora&#231;&#227;o, quando solicitados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a href="#topo">*</a></sup>Trabalho apresentado no Semin&#225;rio sobre Mortalidade Infantil no Nordeste do Brasil. Recife - PE, 24 a 26 Setembro 1996<a name="endereco"></a></font></p>      ]]></body>
</article>
