<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0104-1673</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Inf. Epidemiol. Sus]]></abbrev-journal-title>
<issn>0104-1673</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro Nacional de Epidemiologia, Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0104-16731998000300002</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.5123/S0104-16731998000300002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Usos da vigilância e da monitorização em saúde pública]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Waldman]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eliseu Alves]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Faculdade de Saúde Pública Departamento de Epidemiologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>1998</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>1998</year>
</pub-date>
<volume>7</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>7</fpage>
<lpage>26</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-16731998000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0104-16731998000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0104-16731998000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O objetivo deste texto é apresentar a vigilância e a monitorização como distintos instrumentos de saúde pública. A vigilância apresenta, pelo seu elevado grau de desenvolvimento, uma perfeita delimitação de objetivos, métodos, fontes de dados e procedimentos de avaliação. Tais particularidades lhe conferem, segundo alguns autores, a autonomia de uma disciplina em saúde pública. A vigilância, porém, é um instrumento de menor abrangência do que a epidemiologia, pois, enquanto a primeira volta-se exclusivamente para o acompanhamento de específicos eventos adversos à saúde, a epidemiologia entendida como método ou como uma prática de saúde pública preocupa-se com o processo saúde-doença em populações e seus determinantes. Entre as diferenças mais relevantes entre vigilância e monitorização, temos que a vigilância analisa exclusivamente o comportamento de eventos adversos a saúde na comunidade, constituindo uma das aplicações da epidemiologia em saúde pública, enquanto a monitorização acompanha indicadores e pode ser utilizada em diferentes áreas de atividade como, por exemplo, o acompanhamento de indicadores económicos, demográficos, de qualidade ambiental, etc. Entre as semelhanças apresentadas por esses dois instrumentos há a existência obrigatória de três componentes: a informação, a análise e a ampla disseminação da informação analisada a todos que dela necessitam.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of the present text is to present surveillance and monitoring as two different public health tools. Surveillance is characterised by a high degree of development, leading to a precise delimitation of objectives, methods, sources of data, and evaluation procedures. According to some authors, these specific features give surveillance the autonomy of a Public Health Discipline. Surveillance is one of the applications of epidemiology in public health, and is concerned exclusively with the follow-up of specific health adverse events in a community, while epidemiology, either as a method or as a public health practice, is concerned with the health-disease process in populations and its determining factors. The most relevant differences between surveillance and monitoring are that surveillance is one of the applications of epidemiology in public health and analyses exclusively the behaviour of health adverse events in a community, while monitoring follows only indicators, it isn't an exclusive application of epidemiology, and may be used in different activities such as monitoring economic, demographic, environmental quality indicators, among others. Both, surveillance and monitoring have three obligatory components: information, analysis, and the widespread dissemination of the information analysed to all that need it.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Vigilância em Saúde Pública]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Monitorização]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Epidemiologia em Serviços de Saúde]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Public Health Surveillance]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Monitoring]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Epidemiology in Health Care Services]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="2"><b><font size="4"><a name="topo"></a></font></b></font><b><font size="4" face="Verdana">Usos da vigil&acirc;ncia e da monitoriza&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de p&uacute;blica</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Eliseu Alves Waldman</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Sa&#250;de P&#250;blica da Universidade de S&#227;o Paulo</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O objetivo deste texto &#233; apresentar a vigil&#226;ncia e a monitoriza&#231;&#227;o como distintos instrumentos de sa&#250;de p&#250;blica. A vigil&#226;ncia apresenta, pelo seu elevado grau de desenvolvimento, uma perfeita delimita&#231;&#227;o de objetivos, m&#233;todos, fontes de dados e procedimentos de avalia&#231;&#227;o. Tais particularidades lhe conferem, segundo alguns autores, a autonomia de uma disciplina em sa&#250;de p&#250;blica. A vigil&#226;ncia, por&#233;m, &#233; um instrumento de menor abrang&#234;ncia do que a epidemiologia, pois, enquanto a primeira volta-se exclusivamente para o acompanhamento de espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de, a epidemiologia entendida como m&#233;todo ou como uma pr&#225;tica de sa&#250;de p&#250;blica preocupa-se com o processo sa&#250;de-doen&#231;a em popula&#231;&#245;es e seus determinantes. Entre as diferen&#231;as mais relevantes entre vigil&#226;ncia e monitoriza&#231;&#227;o, temos que a vigil&#226;ncia analisa exclusivamente o comportamento de eventos adversos a sa&#250;de na comunidade, constituindo uma das aplica&#231;&#245;es da epidemiologia em sa&#250;de p&#250;blica, enquanto a monitoriza&#231;&#227;o acompanha indicadores e pode ser utilizada em diferentes &#225;reas de atividade como, por exemplo, o acompanhamento de indicadores econ&#243;micos, demogr&#225;ficos, de qualidade ambiental, etc. Entre as semelhan&#231;as apresentadas por esses dois instrumentos h&#225; a exist&#234;ncia obrigat&#243;ria de tr&#234;s componentes: a informa&#231;&#227;o, a an&#225;lise e a ampla dissemina&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o analisada a todos que dela necessitam.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-Chave:</b></font><font face="Verdana" size="2"> Vigil&#226;ncia em Sa&#250;de P&#250;blica; Monitoriza&#231;&#227;o; Epidemiologia em Servi&#231;os de Sa&#250;de. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">The objective of the present text is to present surveillance and monitoring as two different public health tools. Surveillance is characterised by a high degree of development, leading to a precise delimitation of objectives, methods, sources of data, and evaluation procedures. According to some authors, these specific features give surveillance the autonomy of a Public Health Discipline. Surveillance is one of the applications of epidemiology in public health, and is concerned exclusively with the follow-up of specific health adverse events in a community, while epidemiology, either as a method or as a public health practice, is concerned with the health-disease process in populations and its determining factors. The most relevant differences between surveillance and monitoring are that surveillance is one of the applications of epidemiology in public health and analyses exclusively the behaviour of health adverse events in a community, while monitoring follows only indicators, it isn't an exclusive application of epidemiology, and may be used in different activities such as monitoring economic, demographic, environmental quality indicators, among others. Both, surveillance and monitoring have three obligatory components: information, analysis, and the widespread dissemination of the information analysed to all that need it.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key-Words:</b></font><font face="Verdana" size="2"> Public Health Surveillance; Monitoring; Epidemiology in Health Care Services.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O uso da vigil&#226;ncia, especialmente nas &#250;ltimas quatro d&#233;cadas, foi significativamente ampliado, especialmente a partir do in&#237;cio da Campanha de Erradica&#231;&#227;o da Var&#237;ola nos anos 60, quando sua utiliza&#231;&#227;o disseminou-se por todos os continentes, propiciando sua consolida&#231;&#227;o como um importante instrumento da epidemiologia nos servi&#231;os de sa&#250;de.<sup>1</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em virtude de essa experi&#234;ncia ter se desenvolvido em numerosos pa&#237;ses com distintos graus de desenvolvimento econ&#243;mico e dotados de diferentes tipos de estrutura e organiza&#231;&#227;o dos sistemas de sa&#250;de, assistimos &#224; incorpora&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia, nas diversas regi&#245;es do mundo, com caracter&#237;sticas particulares, ora restrita ao papel de um sistema de informa&#231;&#227;o para a agiliza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es de controle, confundindo-se com alguma frequ&#234;ncia com os pr&#243;prios programas de controle de doen&#231;as transmiss&#237;veis, ora abrangendo a pesquisa e confundindo-se com a pr&#243;pria epidemiologia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de essa diversidade de experi&#234;ncias, a vigil&#226;ncia no ocorrer desse per&#237;odo, atingiu apreci&#225;vel grau de delimita&#231;&#227;o em seus objetivos, fontes de dados, metodologia e procedimentos de avalia&#231;&#227;o. O n&#237;vel de especificidade atingido permitiu-lhe caracterizar-se como um instrumento de sa&#250;de p&#250;blica de importante aplica&#231;&#227;o, seja na agiliza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es de controle de eventos adversos &#224; sa&#250;de, seja no apoio ao esfor&#231;o de permanente aperfei&#231;oamento t&#233;cnico dos servi&#231;os de sa&#250;de para o estabelecimento de estrat&#233;gias eficientes de controle de doen&#231;as.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Sua metodologia pode ser resumida pela atividade de acompanhamento cont&#237;nuo e an&#225;lise regular do comportamento de espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de em popula&#231;&#245;es e pela elabora&#231;&#227;o, com fundamento no conhecimento cient&#237;fico, das bases t&#233;cnicas que oferecem sustenta&#231;&#227;o &#224;s estrat&#233;gias adotadas pelos programas de controle desses eventos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de perfeitamente delimitada como instrumento de sa&#250;de p&#250;blica, tem sido frequente</font> <font face="Verdana" size="2">a utiliza&#231;&#227;o do termo monitoriza&#231;&#227;o como sin&#243;nimo de vigil&#226;ncia, o que nos parece equivocado, uma vez que ambos apresentam aplica&#231;&#245;es distintas em sa&#250;de p&#250;blica. A monitoriza&#231;&#227;o, diferentemente da vigil&#226;ncia, n&#227;o disp&#245;e ainda de uma perfeita delimita&#231;&#227;o de seus objetivos, metodologia e crit&#233;rios de avalia&#231;&#227;o de seu desempenho.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Se por um lado, a monitoriza&#231;&#227;o ainda n&#227;o alcan&#231;ou seu pleno desenvolvimento, verificamos, por outro, que sua aplica&#231;&#227;o &#233; bem mais ampla do que a vigil&#226;ncia, uma vez que n&#227;o se restringe &#224; &#225;rea da sa&#250;de, podendo ser utilizada em diferentes campos de atividade, entre eles o acompanhamento sistem&#225;tico de indicadores econ&#243;micos, sociais, demogr&#225;ficos, de condi&#231;&#245;es clim&#225;ticas, de polui&#231;&#227;o ambiental, para citarmos alguns exemplos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A incorpora&#231;&#227;o da monitoriza&#231;&#227;o no campo da sa&#250;de &#233; recente. Provavelmente, os profissionais de unidades de terapia intensiva tenham sido os primeiros a utilizar esse instrumento ao coletarem, de forma sistem&#225;tica, indicadores das condi&#231;&#245;es vitais, de pacientes graves, com a finalidade de identificar sinais de alerta para a necessidade de interven&#231;&#227;o.<sup>2</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1976, o &quot;International Journal of Epidemiology&quot;<sup>3</sup> dedica um n&#250;mero especial sobre a vigil&#226;ncia, fato que reflete o reconhecimento da import&#226;ncia e abrang&#234;ncia de sua aplica&#231;&#227;o em sa&#250;de p&#250;blica. Em seu editorial s&#227;o feitas v&#225;rias considera&#231;&#245;es, entre elas a de que a vigil&#226;ncia requer a combina&#231;&#227;o e coordena&#231;&#227;o de uma boa coleta de dados por um pessoal motivado, um eficiente sistema de sa&#250;de, an&#225;lise bem feita das informa&#231;&#245;es com retorno r&#225;pido com objetivo de orientar as a&#231;&#245;es de controle. Comenta tamb&#233;m a grande variedade de aplica&#231;&#245;es da vigil&#226;ncia, salientando, por outro lado, que a <i>monitoriza&#231;&#227;o</i> &#233; um instrumento relativamente novo e que deve ser melhor estabelecida sua delimita&#231;&#227;o com a <i>vigil&#226;ncia</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A melhor delimita&#231;&#227;o da aplica&#231;&#227;o desses dois instrumentos no campo da sa&#250;de, longe de constituir um tema de interesse eminentemente acad&#234;mico,   tem ineg&#225;vel valor pr&#225;tico, especialmente neste momento, quando vivemos uma profunda reestrutura&#231;&#227;o de nosso sistema de sa&#250;de, sendo indispens&#225;vel a identifica&#231;&#227;o dos instrumentos de sa&#250;de p&#250;blica que utilizaremos nesse processo e das caracter&#237;sticas e perfis dos recursos humanos a eles adequados, assim como a infra-estrutura e equipamentos indispens&#225;veis, tendo em vista a necessidade de oferecermos um m&#237;nimo de auto-sustenta&#231;&#227;o ao Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (SUS).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para tornar mais clara a terminologia utilizada neste texto, estamos entendendo como <i>instrumento de sa&#250;de p&#250;blica</i> os recursos utilizados para atingir o objetivo de oferecer assist&#234;ncia integral &#224; sa&#250;de &#224; popula&#231;&#227;o. Citar&#237;amos, entre os instrumento de sa&#250;de p&#250;blica: a a&#231;&#227;o program&#225;tica, o planejamento, a educa&#231;&#227;o sanit&#225;ria, a fiscaliza&#231;&#227;o sanit&#225;ria, a vigil&#226;ncia, a monitoriza&#231;&#227;o, a pesquisa em sa&#250;de p&#250;blica e a capacita&#231;&#227;o de recursos humanos.<sup>4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste momento em que visualizamos condi&#231;&#245;es objetivas para um avan&#231;o qualitativo da aplica&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia e, de forma mais ampla, da epidemiologia no &#226;mbito do SUS, parece oportuna a discuss&#227;o a respeito da melhor delimita&#231;&#227;o do uso da <i>vigil&#226;ncia</i> e da <i>monitoriza&#231;&#227;o</i> como instrumentos de sa&#250;de p&#250;blica. Este &#233; o objetivo da apresenta&#231;&#227;o deste texto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Vigil&#226;ncia</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A vigil&#226;ncia tem dois significados internacionalmente consagrados em sa&#250;de p&#250;blica: um que poder&#237;amos denominar de cl&#225;ssico, aplicado inicialmente nos fins do s&#233;culo passado, tem sua utiliza&#231;&#227;o vinculada aos conceitos de isolamento e quarentena. Conceitos que surgem no final da Idade M&#233;dia e consolidam-se nos s&#233;culos XVII e XVIII com o fortalecimento do com&#233;rcio e a prolifera&#231;&#227;o de centros urbanos.<sup>5</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O isolamento e a quarentena determinavam a separa&#231;&#227;o de indiv&#237;duos de seus contatos habituais, assumindo car&#225;ter compuls&#243;rio, t&#237;pico da pol&#237;cia m&#233;dica, visando defender as pessoas sadias, separando-as dos doentes ou daquelas que potencialmente</font> <font face="Verdana" size="2">poderiam vir a apresentar essa condi&#231;&#227;o. Este conjunto de medidas de tipo restritivo, policial e com car&#225;ter punitivo, criava s&#233;rias dificuldades para o interc&#226;mbio comercial entre pa&#237;ses.<sup>5</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O grande desenvolvimento do com&#233;rcio internacional na segunda metade do s&#233;culo passado e, por outro lado, o desenvolvimento da microbiologia e o melhor conhecimento dos mecanismo de transmiss&#227;o das doen&#231;as infecciosas levou &#224; elabora&#231;&#227;o de um novo instrumento para o controle dessas doen&#231;as. Surge, ent&#227;o, em sa&#250;de p&#250;blica o conceito de <i>vigil&#226;ncia</i>, definido pela espec&#237;fica mas limitada fun&#231;&#227;o de observar contatos de pacientes atingidos por mol&#233;stias graves como a c&#243;lera, a var&#237;ola e a peste. Seu prop&#243;sito era detectar os primeiros sintomas para a r&#225;pida institui&#231;&#227;o do isolamento.<sup>6</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste contexto <i>vigil&#226;ncia</i> deve ser entendida como a &quot;observa&#231;&#227;o dos comunicantes durante o per&#237;odo m&#225;ximo de incuba&#231;&#227;o da doen&#231;a, a partir da data do &#250;ltimo contato com um caso cl&#237;nico ou portador, ou da data em que o comunicante abandonou o local em que se encontrava a fonte prim&#225;ria da infe&#231;&#227;o&quot;.<sup>7</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em s&#237;ntese, este conceito envolvia a manuten&#231;&#227;o do alerta respons&#225;vel e a observa&#231;&#227;o para que fossem tomadas as medidas indicadas no momento oportuno. Portanto, constitu&#237;a uma conduta mais sofisticada e &quot;democr&#225;tica&quot; do que a pr&#225;tica restritiva de quarentena.<sup>6</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir da d&#233;cada de 1950 observamos a introdu&#231;&#227;o de um novo conceito de <i>vigil&#226;ncia</i> aplicado &#224; sa&#250;de p&#250;blica, desta vez no sentido de <i>acompanhamento sistem&#225;tico de eventos adversos &#224; sa&#250;de na comunidade, com o prop&#243;sito de aprimorar as medidas de controle</i>. A metodologia aplicada pela vigil&#226;ncia, nesse novo conceito, inclui a <i>coleta sistem&#225;tica de dados relevantes relativos a espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de e sua cont&#237;nua avalia&#231;&#227;o e dissemina&#231;&#227;o a todos que necessitam conhec&#234;-los</i>.<sup>8</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Alexander Langmuir, em 1963, definiu vigil&#226;ncia como a &quot;<i>observa&#231;&#227;o cont&#237;nua da distribui&#231;&#227;o e tend&#234;ncias da incid&#234;ncia de doen&#231;as</i></font> <i><font face="Verdana" size="2">mediante a coleta sistem&#225;tica, consolida&#231;&#227;o e avalia&#231;&#227;o de informes de morbidade e mortalidade, assim como de outros dados relevantes e a regular dissemina&#231;&#227;o dessas informa&#231;&#245;es a todos que necessitam conhec&#234;-la</font></i><font face="Verdana" size="2">&quot;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Afirmava tamb&#233;m o autor que esse novo conceito de vigil&#226;ncia, assim como a sua forma de operacionaliza&#231;&#227;o, fundamenta-se na pr&#225;tica desenvolvida na Inglaterra, no s&#233;culo XIX, por William Farr.<sup>9</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A designa&#231;&#227;o inicialmente adotada para esse instrumento foi a de <i>intelig&#234;ncia epidemiol&#243;gica</i>. O termo intelig&#234;ncia pode aqui ser compreendido em seu significado mais amplo como &quot;faculdade ou habilidade de aprender, apreender ou compreender&quot; ou em seu sentido mais restrito, predominantemente militar, &quot;obter e dispor de informa&#231;&#245;es, particularmente das informa&#231;&#245;es secretas&quot;.<sup>10</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Talvez para evitar o estigma do car&#225;ter militar do termo intelig&#234;ncia, temos a sua substitui&#231;&#227;o por <i>vigil&#226;ncia</i> que &#233; aplicado pela primeira vez em sa&#250;de p&#250;blica, nessa nova concep&#231;&#227;o, em 1955, quando algumas regi&#245;es dos Estados Unidos da Am&#233;rica (EUA) foram atingidas por uma epidemia de poliomielite, evento que ficou conhecido como o &quot;Acidente de Cutter&quot;. Essa epidemia apresentou a particularidade de atingir crian&#231;as, assim como seus contatos, logo ap&#243;s as primeiras terem recebido a administra&#231;&#227;o de vacina de v&#237;rus inativado (tipo salk) contra a poliomielite.<sup>11 </sup>Entre os resultados mais relevantes da vigil&#226;ncia da poliomielite, nesta oportunidade, tivemos a produ&#231;&#227;o de novos conhecimentos a respeito de diferentes aspectos desta doen&#231;a considerados at&#233; nossos dias, como b&#225;sicos para seu controle. A <i>vigil&#226;ncia</i> adquirir&#225; o qualificativo <i>epidemiol&#243;gica</i> em 1964, num artigo sobre o tema publicado por Karel Raska, designa&#231;&#227;o que ser&#225; internacionalmente consagrada com a cria&#231;&#227;o, no ano seguinte, da Unidade de Vigil&#226;ncia Epidemiol&#243;gica da Divis&#227;o de Doen&#231;as Transmiss&#237;veis da Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de.<sup>12</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Foege e colaboradores<sup>13</sup> salientaram que a vigil&#226;ncia   tornou-se   um   instrumento universalmente utilizado, por&#233;m existe a necessidade cont&#237;nua de seu aprimoramento &#224; medida que a demanda por respostas torna-se cada vez mais complexa. Afirmam ainda que os sistemas de vigil&#226;ncia caracterizam-se por ter, obrigatoriamente, tr&#234;s componentes: a <i>coleta da informa&#231;&#227;o, a an&#225;lise de dados e a dissemina&#231;&#227;o das informa&#231;&#245;es adequadamente analisadas</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Abordando aspectos conceituais, Langmuir<sup>8</sup> assinalou alguns pontos ao definir vigil&#226;ncia. Num deles, alertava para que n&#227;o se confundisse <i>vigil&#226;ncia</i> com as <i>a&#231;&#245;es de controle</i> de doen&#231;as pois ambas constituem instrumentos distintos de sa&#250;de p&#250;blica, salientando, ainda, que as a&#231;&#245;es de controle s&#227;o de responsabilidade das autoridades locais de sa&#250;de. Afirmava tamb&#233;m que a <i>vigil&#226;ncia</i> n&#227;o devia ser entendida como sin&#243;nimo de <i>epidemiologia</i>, pois esta, seja como ci&#234;ncia ou como uma pr&#225;tica de sa&#250;de p&#250;blica, &#233; muito mais ampla do que a vigil&#226;ncia. Por fim, assinalava a import&#226;ncia da interface entre <i>vigil&#226;ncia, pesquisa epidemiol&#243;gica e a&#231;&#245;es de controle</i> de doen&#231;as.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Langmuir<sup>8</sup> era favor&#225;vel ao conceito de vigil&#226;ncia entendida como uma das aplica&#231;&#245;es da epidemiologia em sa&#250;de p&#250;blica a que denominava de <i>intelig&#234;ncia epidemiol&#243;gica</i>. Dizia ele que o profissional que trabalha na vigil&#226;ncia deve assumir o papel dos &quot;olhos e ouvidos da autoridade sanit&#225;ria&quot;, assessorando-a quanto &#224; necessidade de medidas de controle, por&#233;m a decis&#227;o e a operacionaliza&#231;&#227;o dessas medidas devem ficar sob a responsabilidade dessa autoridade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essas opini&#245;es devem ser entendidas no contexto de um pa&#237;s onde &#233; forte o respeito &#224; autonomia das Unidades da Federa&#231;&#227;o e onde, por decorr&#234;ncia, o poder de interven&#231;&#227;o do governo federal sempre foi restrito. Logo, o fato da vigil&#226;ncia ter sido desenvolvida por um &#243;rg&#227;o federal, o Centro de Controle e Preven&#231;&#227;o de Doen&#231;as (CDC), a sua atua&#231;&#227;o deveria caracterizar-se como a de uma ag&#234;ncia t&#233;cnica de refer&#234;ncia. Nesta posi&#231;&#227;o, o CDC n&#227;o <i>determina</i>, mas, <i>recomenda</i> aos &#243;rg&#227;os estaduais de sa&#250;de as estrat&#233;gias mais adequadas para o controle de doen&#231;as, fundamentadas em</font> <font face="Verdana" size="2">conhecimentos cient&#237;ficos rigorosamente atualizados. Os Estados, por sua vez, acatando ou n&#227;o tais recomenda&#231;&#245;es, assumem perante a comunidade a responsabilidade pelos resultados obtidos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda a respeito de aspectos conceituais da vigil&#226;ncia, merece destaque o extenso trabalho publicado em 1988 por Thacker e Berkelman.<sup>14</sup> Nele os autores discutem, entre outros pontos, quais seriam os limites da pr&#225;tica da vigil&#226;ncia e analisam se o termo <i>epidemiol&#243;gica</i> era apropriado para qualificar vigil&#226;ncia na forma em que ela &#233; aplicada em sa&#250;de p&#250;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Afirmam esses autores que as informa&#231;&#245;es obtidas como resultado da vigil&#226;ncia podem ser usadas para identificar quest&#245;es a serem <i>pesquisadas, como &#233; o caso de testar uma hip&#243;tese</i> elaborada a partir de dados obtidos numa investiga&#231;&#227;o de um surto, relativa a uma poss&#237;vel associa&#231;&#227;o entre uma exposi&#231;&#227;o fator de risco) e um efeito (doen&#231;a); ou avaliar a necessidade de definir determinada estrat&#233;gia de controle de uma doen&#231;a. Por&#233;m, enfatizam, concordando com Langmuir, que a vigil&#226;ncia n&#227;o abrange a pesquisa epidemiol&#243;gica nem as a&#231;&#245;es de controle; estas tr&#234;s pr&#225;ticas de sa&#250;de p&#250;blica s&#227;o relacionadas mas independentes. As atividades desenvolvidas pela <u><i>vigil&#226;ncia situam-se num momento anterior &#224; implementa&#231;&#227;o de pesquisas e &#224; elabora&#231;&#227;o de programas voltados ao controle de eventos adversos &#224; sa&#250;de</i></u>.<sup>14</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse contexto, afirmam Thacker e Berkelman,<sup>14</sup> o uso do termo <i>epidemiol&#243;gica</i> para qualificar vigil&#226;ncia &#233; equivocado, uma vez que epidemiologia &#233; uma disciplina abrangente, que incorpora a pesquisa e cuja aplica&#231;&#227;o nos servi&#231;os de sa&#250;de vai al&#233;m do <i>instrumento de sa&#250;de p&#250;blica que denominamos vigil&#226;ncia</i>. A <u>utiliza&#231;&#227;o desse qualificativo tem induzido frequentemente a confus&#245;es que restringem a aplica&#231;&#227;o da epidemiologia nos servi&#231;os ao acompanhamento de eventos adversos &#224; sa&#250;de, atividade que constitui somente parte das aplica&#231;&#245;es da epidemiologia em sa&#250;de p&#250;blica</u>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em fun&#231;&#227;o dessa discuss&#227;o, Thacker e Berkelman<sup>14</sup> propuseram   a   ado&#231;&#227;o   da</font> <font face="Verdana" size="2">denomina&#231;&#227;o de <u><b><i>vigil&#226;ncia em sa&#250;de p&#250;blica</i></b></u></font> <font face="Verdana" size="2">como forma de evitar confus&#245;es a respeito da precisa delimita&#231;&#227;o dessa pr&#225;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desde 1989, o termo <b>vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica </b>foi substitu&#237;do pela denomina&#231;&#227;o <b>vigil&#226;ncia em sa&#250;de p&#250;blica,</b></font> <font face="Verdana" size="2">que consagrou-se internacionalmente, sendo utilizada em todas as publica&#231;&#245;es sobre o assunto, desde o in&#237;cio dos anos 90, inclusive em documento recente da Organiza&#231;&#227;o Pan-Americana de Sa&#250;de.<sup>15</sup> <u>Cumpre salientar que essa altera&#231;&#227;o da denomina&#231;&#227;o n&#227;o implicou a ado&#231;&#227;o de uma nova abordagem ou modifica&#231;&#245;es de seus aspectos conceituais ou operacionais da vigil&#226;ncia</u>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>Aspectos operacionais da vigil&#226;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para n&#227;o nos limitarmos a aspectos conceituais na caracteriza&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia como instrumento de sa&#250;de p&#250;blica, passaremos a apresentar de forma sucinta alguns aspectos operacionais que caracterizam a vigil&#226;ncia como uma das aplica&#231;&#245;es da epidemiologia nos servi&#231;os de sa&#250;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Objetivos da vigil&#226;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entre os principais objetivos da vigil&#226;ncia, podemos citar:<sup>16</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Identificar tend&#234;ncias, grupos e fatores de risco com vistas a elaborar estrat&#233;gias de controle de espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Descrever o padr&#227;o de ocorr&#234;ncia de doen&#231;as de relev&#226;ncia em sa&#250;de p&#250;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Detectar epidemias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Documentar a dissemina&#231;&#227;o de doen&#231;as.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Estimar a magnitude da morbidade e mortalidade causadas por determinados agravos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Recomendar, com bases objetivas e cient&#237;ficas, as medidas necess&#225;rias para prevenir ou controlar a ocorr&#234;ncia de espec&#237;ficos agravos &#224; sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Avaliar o impacto de medidas de interven&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Avaliar a adequa&#231;&#227;o de t&#225;ticas e estrat&#233;gias de aplica&#231;&#227;o de medidas de interven&#231;&#227;o, n&#227;o</font> <font face="Verdana" size="2">s&#243; nos seus fundamentos t&#233;cnicos mas tamb&#233;m naqueles referentes &#224; pr&#243;pria operacionaliza&#231;&#227;o dessas interven&#231;&#245;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o podemos entender, como objetivo da vigil&#226;ncia, meramente a coleta e an&#225;lise das informa&#231;&#245;es mas tamb&#233;m a responsabilidade de elaborar, <i>com fundamento em conhecimentos cient&#237;ficos rigorosamente atualizados, as bases t&#233;cnicas</i> que oferecer&#227;o subs&#237;dios aos servi&#231;os de sa&#250;de na elabora&#231;&#227;o e implementa&#231;&#227;o dos programas de sa&#250;de com a preocupa&#231;&#227;o de cont&#237;nuo aprimoramento, assim como a agiliza&#231;&#227;o da identifica&#231;&#227;o de problemas de maneira a propiciar a oportuna interven&#231;&#227;o para seu controle.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Fontes de dados utilizados pela vigil&#226;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mesmo sem entrar em pormenores a respeito das vantagens e desvantagens de cada uma das fontes mais utilizadas por sistemas de vigil&#226;ncia, consideramos oportuno apresentar as mais frequentemente utilizadas. Entre elas temos:<sup>16</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">I-</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Sistemas compuls&#243;rios de notifica&#231;&#245;es de doen&#231;as.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">II-</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Sistemas articulados de laborat&#243;rio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">III-</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Dados hospitalares.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">IV-</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Eventos sentinelas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">V-</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">M&#233;dicos sentinelas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">VI-</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Unidades de assist&#234;ncia prim&#225;ria &#224; sa&#250;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Tipos de sistemas de vigil&#226;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dependendo das caracter&#237;sticas do agravo, dos objetivos do sistema, dos recursos dispon&#237;veis, da fonte ou das fontes de informa&#231;&#227;o a serem utilizadas, podemos optar por sistemas <i>ativos</i> ou <i>passivos</i> de vigil&#226;ncia. Para tomarmos a decis&#227;o devemos analisar as vantagens, desvantagens e limita&#231;&#245;es de cada uma dessas duas op&#231;&#245;es.<sup>16</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. <i>Sistemas passivos</i></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os sistemas de <i>vigil&#226;ncia passivos</i> caracterizam-se por ter como fonte de informa&#231;&#227;o a notifica&#231;&#227;o espont&#226;nea, constituindo a forma mais antiga e frequentemente utilizada na an&#225;lise sistem&#225;tica de eventos adversos &#224; sa&#250;de e, al&#233;m disso,</font> <font face="Verdana" size="2">apresentam menor custo e maior simplicidade. Por&#233;m, este tipo de vigil&#226;ncia tem a desvantagem de ser menos sens&#237;vel, ou seja, &#233; mais vulner&#225;vel &#224; subnotifica&#231;&#227;o, portanto, menos representativo, apresentando maior dificuldade na padroniza&#231;&#227;o da <i>defini&#231;&#227;o de caso</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. <i>Sistemas ativos</i></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os <i>sistemas ativos</i> de vigil&#226;ncia caracterizam-se pelo estabelecimento de um contato direto, a intervalos regulares, entre a equipe da vigil&#226;ncia e as fontes de informa&#231;&#227;o, geralmente constitu&#237;das por cl&#237;nicas p&#250;blicas e privadas, laborat&#243;rios e hospitais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Essa forma de obten&#231;&#227;o de dados &#233;, geralmente, aplicada a doen&#231;as que ocorrem raramente ou em sistemas de vigil&#226;ncia voltados aos programas de erradica&#231;&#227;o de doen&#231;as. Os <i>sistemas ativos</i> de coleta de informa&#231;&#227;o permitem um melhor conhecimento do comportamento dos agravos &#224; sa&#250;de na comunidade, tanto em seus aspectos quantitativos quanto qualitativos. No entanto, s&#227;o geralmente mais dispendiosos, necessitando tamb&#233;m uma melhor infra-estrutura dos servi&#231;os de sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na pr&#225;tica &#233; frequente a utiliza&#231;&#227;o de sistemas mistos, ou seja, <i>sistemas passivos</i> &quot;<i>parcialmente ativados</i>&quot;. Poder&#237;amos exemplific&#225;-los como <i>sistemas passivos</i>, por&#233;m &quot;parcialmente ativados&quot; pelo contato direto e regular com uma fonte ou um n&#250;mero reduzido de fontes de informa&#231;&#227;o que centralizam o atendimento de grande n&#250;mero de casos do agravo objeto do sistema.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Caracter&#237;sticas gerais dos sistemas de vigil&#226;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em fun&#231;&#227;o das peculiaridades de cada Sistema Nacional de Sa&#250;de (SNS), temos a aplica&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia com diferentes graus de abrang&#234;ncia, mas existem algumas caracter&#237;sticas desse instrumento que s&#227;o internacionalmente aceitas, entre elas:<sup>4 </sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1. Cada sistema de vigil&#226;ncia ser&#225; respons&#225;vel pelo acompanhamento cont&#237;nuo de espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de, com o objetivo de estabelecer as <i>bases t&#233;cnicas</i> para a elabora&#231;&#227;o e</font> <font face="Verdana" size="2">implementa&#231;&#227;o dos respectivos programas de controle. Cada sistema de vigil&#226;ncia, em fun&#231;&#227;o de seus objetivos e peculiaridades, apresentar&#225; caracter&#237;sticas particulares.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2. Os sistemas de vigil&#226;ncia devem ser <i>simples e cont&#237;nuos</i>, apresentando, <i>obrigatoriamente, tr&#234;s componentes</i>: a) coleta de dados; b) an&#225;lise; c) a ampla distribui&#231;&#227;o das informa&#231;&#245;es analisadas a todos que as geraram e que delas necessitam tomar conhecimento. O instrumento de divulga&#231;&#227;o das informa&#231;&#245;es analisadas ser&#225; o Boletim Epidemiol&#243;gico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3. A vigil&#226;ncia deve ser entendida como um pr&#233;-requisito para elabora&#231;&#227;o de programas de sa&#250;de e um instrumento para avalia&#231;&#227;o do impacto de sua implementa&#231;&#227;o. Deve ser &#250;til tamb&#233;m para identifica&#231;&#227;o dos <i>fatores de risco</i> e das popula&#231;&#245;es vulner&#225;veis &#224; <i>exposi&#231;&#227;o</i> ao <i>risco</i>, de forma a tornar mais efetivas as medidas de controle.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4.Deve ser avaliado frequentemente e, se necess&#225;rio, alterado de maneira a garantir seu bom desempenho, adequando-o periodicamente &#224;s modifica&#231;&#245;es da estrutura, grau de desenvolvimento e complexidade tecnol&#243;gica do Sistema Nacional de Sa&#250;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>Indicadores de avalia&#231;&#227;o de desempenho da vigil&#226;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apresentaremos a seguir, de forma sint&#233;tica, os indicadores de avalia&#231;&#227;o de desempenho de sistemas de vigil&#226;ncia mais frequentemente utilizados.<sup>14</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226; <i>Utilidade</i>: Esse atributo expressa, em resumo, se o sistema est&#225; alcan&#231;ando seus objetivos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font> <font face="Verdana" size="2"><i>Oportunidade</i>: E avaliada pela an&#225;lise da agilidade do sistema em cumprir todas as suas etapas, desde a notifica&#231;&#227;o do caso at&#233; a indica&#231;&#227;o de medidas de controle e, por fim, a distribui&#231;&#227;o das informa&#231;&#245;es devidamente analisadas por meio dos Boletins Epidemiol&#243;gicos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2"><i>Aceitabilidade</i>: E avaliada pela disposi&#231;&#227;o favor&#225;vel dos profissionais e das institui&#231;&#245;es que conduzem o sistema, permitindo que as informa&#231;&#245;es geradas sejam exatas, consistentes e regulares.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2"><i>Simplicidade</i>: Os sistemas de vigil&#226;ncia, quando simples, s&#227;o f&#225;ceis de compreender e de implementar e pouco dispendiosos. Uma representa&#231;&#227;o gr&#225;fica do sistema, apresentando o fluxo de informa&#231;&#245;es e de respostas, poder&#225; facilitar a avalia&#231;&#227;o desse atributo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2"><i>Flexibilidade</i>: Pode ser analisada pela habilidade de um sistema de vigil&#226;ncia adaptar-se facilmente a novas necessidades, em resposta &#224;s mudan&#231;as na natureza ou na import&#226;ncia de um evento adverso &#224; sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2"><i>Representatividade</i>: A notifica&#231;&#227;o dos casos obtidos por um sistema de vigil&#226;ncia &#233; raramente completo. Os casos notificados podem diferir dos n&#227;o notificados em suas caracter&#237;sticas demogr&#225;ficas, local ou uso de servi&#231;os de sa&#250;de ou exposi&#231;&#227;o a riscos. Um sistema de vigil&#226;ncia representativo descreve, com exatid&#227;o, a ocorr&#234;ncia de um evento adverso &#224; sa&#250;de, ao longo do tempo, segundo os atributos da popula&#231;&#227;o e a distribui&#231;&#227;o espacial dos casos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2"><i>Sensibilidade</i>: Esse atributo pode ser avaliado pela capacidade de um sistema de vigil&#226;ncia identificar os verdadeiros casos do evento adverso &#224; sa&#250;de que tem por objetivo acompanhar e analisar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#8226;</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><i><font face="Verdana" size="2">Valor preditivo positivo (VPP)</font></i><font face="Verdana" size="2">: Esse atributo pode ser entendido como a propor&#231;&#227;o de indiv&#237;duos identificados como casos pelo sistema de vigil&#226;ncia, e que de fato o s&#227;o. Um sistema de vigil&#226;ncia de baixo VPP, ou seja, que apresente frequentes confirma&#231;&#245;es de casos falsamente positivos, al&#233;m de elevar seus custos, pode induzir &#224; investiga&#231;&#227;o de epidemias que de fato n&#227;o ocorreram.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Resumindo, cabe salientar que os diversos atributos apresentados s&#227;o interdependentes e o aprimoramento de um pode comprometer outro. Quando aumentamos a sensibilidade de um sistema para detectar uma grande propor&#231;&#227;o de casos de um determinado evento adverso &#224; sa&#250;de, estaremos, geralmente, tamb&#233;m aprimorando a representatividade e a utilidade do sistema. Por&#233;m, nesse caso, teremos um aumento do custo, e aumento dos casos falso-positivos e, geralmente, uma diminui&#231;&#227;o da especificidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Portanto, antes de recomendar modifica&#231;&#245;es em um sistema de vigil&#226;ncia, deveremos observar as intera&#231;&#245;es dos seus diversos atributos e custos, de forma a garantir que o aprimoramento de uma caracter&#237;stica n&#227;o afete negativamente a outra, a ponto de comprometer o desempenho global do sistema. Por fim, &#233; importante enfatizar que o objetivo primordial do aprimoramento de sistema de vigil&#226;ncia &#233; tornar mais efetivas e &#225;geis as medidas de controle de eventos adversos &#224; sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Vale assinalar que o desenvolvimento de indicadores de avalia&#231;&#227;o de desempenho de sistemas de vigil&#226;ncia constitu&#237;ram o principal passo para a consolida&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia na qualidade de uma das principais aplica&#231;&#245;es da epidemiologia nos servi&#231;os de sa&#250;de; alguns autores chegam a classificar a vigil&#226;ncia como uma disciplina completa no campo da sa&#250;de p&#250;blica.<sup>17</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A vigil&#226;ncia em um sistema descentralizado de sa&#250;de.</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Utilizando o enfoque sist&#234;mico e sintetizando as diversas experi&#234;ncias e concep&#231;&#245;es de <i>vigil&#226;ncia</i> desenvolvidas nos &#250;ltimos 40 anos em diferentes partes do mundo, sem discutir o m&#233;rito de cada uma delas em particular, mas com a preocupa&#231;&#227;o de estabelecer uma proposta adequada, em suas linhas gerais, a um sistema de sa&#250;de descentralizado e com um desempenho que lhe confira um m&#237;nimo de auto-sustenta&#231;&#227;o t&#233;cnica, podemos dizer que a vigil&#226;ncia de um espec&#237;fico evento adverso &#224; sa&#250;de &#233; composta ao menos por dois subsistemas:<sup>4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1. <b>Subsistema de informa&#231;&#245;es para a agiliza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es de controle: </b>situa-se nos n&#237;veis locais dos servi&#231;os de sa&#250;de e tem por objetivo agilizar o processo de identifica&#231;&#227;o e controle de eventos adversos &#224; sa&#250;de. A equipe que faz parte desse subsistema deve estar perfeitamente articulada com a de planejamento e avalia&#231;&#227;o dos programas, respons&#225;vel, portanto, pela elabora&#231;&#227;o das <b>normas </b>utilizadas no n&#237;vel local dos servi&#231;os de sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O termo <i><b>norma</b></i> deve ser entendido no</font> <font face="Verdana" size="2">sentido de <i>um instrumento para planejamento e avalia&#231;&#227;o de programas de sa&#250;de</i> e, portanto, adequado &#224; realidade local, seja no que tange &#224;s caracter&#237;sticas particulares do comportamento de espec&#237;ficos agravos em fun&#231;&#227;o da estrutura epidemiol&#243;gica local, seja pelo perfil profissional e dimens&#245;es da equipe envolvida ou ainda, pelas instala&#231;&#245;es, equipamentos, tecnologias e recursos or&#231;ament&#225;rios dispon&#237;veis para o desenvolvimento de a&#231;&#245;es de controle.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por localizar-se no n&#237;vel local dos servi&#231;os de sa&#250;de, as atribui&#231;&#245;es desse subsistema, com grande frequ&#234;ncia ser&#225; exercida pelo mesmo profissional ou grupo de profissionais respons&#225;veis pela implementa&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es de controle. Tal fato n&#227;o interfere na perfeita delimita&#231;&#227;o de ambos os instrumentos: a vigil&#226;ncia e as a&#231;&#245;es de controle. Podemos exemplificar com a atua&#231;&#227;o do cl&#237;nico que ao atender um paciente estabelece o diagn&#243;stico com fundamento na cl&#237;<i>nica</i> e o tratamento com fundamento da <i>terap&#234;utica</i> ambas constituindo instrumentos distintos utilizados pela medicina.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2. <b>Subsistema de intelig&#234;ncia epidemiol&#243;gica: </b>&#233; especializado e tem por objetivo elaborar as <b>bases t&#233;cnicas </b>dos programas de controle de espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de a partir da an&#225;lise sistem&#225;tica do comportamento desses eventos com fundamento no conhecimento cient&#237;fico e tecn&#243;logico dispon&#237;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ao falarmos em <i>bases t&#233;cnicas</i> de um programa, estamos nos referindo &#224; fundamenta&#231;&#227;o de um programa que, diferente da <i>norma</i>, apresenta um car&#225;ter mais universal. Por exemplo, as <i>bases t&#233;cnicas</i> para um programa de controle de difteria em Santa Catarina, na Bahia, ou, talvez, num pa&#237;s long&#237;nquo da &Aacute;sia, s&#227;o muito semelhantes; o que ir&#225; diferir &#233; a <i>norma</i>, que dever&#225; estar vinculada &#224;s caracter&#237;sticas locais j&#225; citadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro objetivo do <i>subsistema de intelig&#234;ncia epidemiol&#243;gica</i> &#233; identificar <i>lacunas</i> no conhecimento cient&#237;fico e tecnol&#243;gico, uma vez que, &#224; medida que for acompanhando o comportamento de espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de na comunidade, poder&#225;, eventualmente,</font> <font face="Verdana" size="2">detectar mudan&#231;as desse comportamento n&#227;o explicadas pelo conhecimento cient&#237;fico dispon&#237;vel. Identificada essa <i>lacuna</i> no conhecimento dispon&#237;vel, &#233; papel da intelig&#234;ncia epidemiol&#243;gica induzir a pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse subsistema exerce tamb&#233;m a fun&#231;&#227;o de incorporar aos servi&#231;os de sa&#250;de o <i>novo conhecimento</i> produzido pela pesquisa, com o objetivo de aprimorar continuamente as medidas de controle. Isso pode ser feito, incluindo esse <i>novo conhecimento</i> nas <i>bases t&#233;cnicas</i> que s&#227;o encaminhadas aos servi&#231;os de sa&#250;de na forma de <i>recomenda&#231;&#245;es</i> disseminadas por <i>Boletins Epidemiol&#243;gicos</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><u>Esse subsistema constitui a ponte entre o subsistema de servi&#231;os de sa&#250;de e o subsistema de pesquisa do SNS &#224; medida que pode assumir o papel de indutor de linhas de pesquisa que respondam a quest&#245;es priorit&#225;rias ou de import&#226;ncia emergente em sa&#250;de p&#250;blica e, por outro lado, incorpora o conhecimento produzido ao atualizar continuamente as bases t&#233;cnicas dos programas de controle de doen&#231;as</u>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na <a href="#f1">figura 1</a> apresentamos um esquema das intera&#231;&#245;es entre os subsistemas de vigil&#226;ncia, servi&#231;os de sa&#250;de e de pesquisa no SNS.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v7n3/3a02f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Abrang&#234;ncia da vigil&#226;ncia no Sistema Nacional de Sa&#250;de - SNS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os sistemas de vigil&#226;ncia para espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de pode assumir diferentes pap&#233;is e caracter&#237;sticas num sistema de sa&#250;de. Entre eles, os mais relevantes s&#227;o:<sup>4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Os sistemas de vigil&#226;ncia para espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de constituem o elo de liga&#231;&#227;o entre o subsistema de servi&#231;os de sa&#250;de e o de pesquisa do SNS.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Os sistemas de vigil&#226;ncia abranger&#227;o quaisquer eventos adversos &#224; sa&#250;de, poder&#227;o ser desenvolvidos nas formas ativa ou passiva e utilizar&#227;o todas as fontes de informa&#231;&#245;es necess&#225;rias e dispon&#237;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Podem ser entendidos tamb&#233;m como a intelig&#234;ncia do SNS voltada ao estabelecimento das bases t&#233;cnicas para as a&#231;&#245;es de controle de espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4. O SNS dever&#225; desenvolver tantos sistemas de vigil&#226;ncia para espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de, quantos sejam os problemas priorit&#225;rios de sa&#250;de para os quais haja possibilidade de desenvolver programas nacionais, estaduais, regionais ou locais de controle. Por sua vez, os sistemas locais de sa&#250;de poder&#227;o ou n&#227;o aderir a cada um desses sistemas, conforme suas prioridades e recursos dispon&#237;veis para desenvolver os programas de controle dos agravos correspondentes. <u><i>Constituem exce&#231;&#245;es as doen&#231;as de notifica&#231;&#227;o compuls&#243;ria</i>.</u></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Limita&#231;&#245;es de sistemas de vigil&#226;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora os sistemas de vigil&#226;ncia n&#227;o precisem ser perfeitos para serem &#250;teis, muitas vezes certas limita&#231;&#245;es impedem que esse instrumento tenha a utilidade necess&#225;ria que justifique sua implementa&#231;&#227;o. Os fatores que mais frequentemente levam a limita&#231;&#245;es do desempenho de sistemas de vigil&#226;ncia s&#227;o:<sup>18 </sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A- Subnotifica&#231;&#227;o. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">B- Baixa representatividade. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">C- Baixo grau de oportunidade. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">D- Inconsist&#234;ncia da defini&#231;&#227;o de caso.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <i>subnotifica&#231;&#227;o</i> geralmente decorre de que, na maioria, os sistemas de vigil&#226;ncia s&#227;o passivos, situa&#231;&#227;o encontrada mesmo em pa&#237;ses desenvolvidos. O elevado custo dos sistemas <i>ativos</i> torna sua aplica&#231;&#227;o indicada para situa&#231;&#245;es especiais j&#225; citadas. E frequente em sistemas <i>passivos</i> a subnotifica&#231;&#227;o atingir n&#237;veis superiores a 50% impedindo muitas vezes a identifica&#231;&#227;o de tend&#234;ncias, grupos ou fatores de risco e levando ao retardo ou mesmo a aus&#234;ncia de a&#231;&#245;es de controle. A subnotifica&#231;&#227;o est&#225; frequentemente relacionada a:<sup>18</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">a falta de conhecimento, por parte dos profissionais de sa&#250;de, a respeito da import&#226;ncia e dos procedimentos necess&#225;rios para a notifica&#231;&#227;o.</font> </p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">o desconhecimento da lista de doen&#231;as contempladas por sistemas de vigil&#226;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">a aus&#234;ncia de ades&#227;o &#224; notifica&#231;&#227;o, pelo tempo consumido no preenchimento da ficha e pela aus&#234;ncia do retorno da informa&#231;&#227;o analisada com as recomenda&#231;&#245;es t&#233;cnicas pertinentes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">d)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">a preocupa&#231;&#227;o dos profissionais de sa&#250;de com refer&#234;ncia &#224; quebra da confidencialidade das informa&#231;&#245;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">e)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">a falta de percep&#231;&#227;o, pelos profissionais, a respeito da relev&#226;ncia em sa&#250;de p&#250;blica das doen&#231;as submetidas &#224; vigil&#226;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <i>baixa representatividade</i> pode resultar da falta de homogeneidade da subnotifica&#231;&#227;o na popula&#231;&#227;o alvo do sistema de vigil&#226;ncia, dificultando a identifica&#231;&#227;o de tend&#234;ncias, grupos e fatores de risco. Os dois erros sistem&#225;ticos mais observados s&#227;o:<sup>18</sup></font> </p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">tend&#234;ncia a notificar mais os casos de maior gravidade e os hospitalizados do que os de caracter&#237;sticas benignas, ainda que estes &#250;ltimos possam constituir as principais fontes de infec&#231;&#227;o;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">b)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">notifica&#231;&#227;o com maior intensidade de doen&#231;as que est&#227;o sendo focalizadas pelos meios de comunica&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O baixo grau de <i>oportunidade</i> de um sistema de vigil&#226;ncia pode ocorrer em diferentes momentos por diversos motivos, entre eles:<sup>18</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">dificuldade, em alguns casos, de se obter o diagn&#243;stico antes da confirma&#231;&#227;o laboratorial.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">inefici&#234;ncia dos servi&#231;os no procedimento de notifica&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">demora na an&#225;lise, problema frequente quando o sistema de vigil&#226;ncia &#233; mais uma rotina burocr&#225;tica do que uma atividade t&#233;cnica voltada ao apoio dos servi&#231;os de sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">d)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">retardo que, em qualquer fase do sistema leva a uma demora na dissemina&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o analisada, impedindo que a popula&#231;&#227;o e os profissionais de sa&#250;de tenham as informa&#231;&#245;es indispens&#225;veis para uma a&#231;&#227;o oportuna e eficiente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <i>inconsist&#234;ncia da defini&#231;&#227;o de caso</i> leva a vigil&#226;ncia a confirmar os casos aceitando o diagn&#243;stico dos cl&#237;nicos, independentemente da forma como eles foram efetuados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Medidas visando ao aprimoramento de sistemas de vigil&#226;ncia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A participa&#231;&#227;o dos m&#233;dicos e demais profissionais de sa&#250;de &#233; um ponto cr&#237;tico na qualidade da coleta de dados; portanto, o</font> <font face="Verdana" size="2">esclarecimento dessas equipes, salientando a import&#226;ncia da notifica&#231;&#227;o de doen&#231;as para o aprimoramento dos servi&#231;os deve ser priorit&#225;rio na forma&#231;&#227;o e treinamento de recursos humanos. Por&#233;m, a ades&#227;o dos m&#233;dicos e dos profissionais de sa&#250;de a notifica&#231;&#227;o sistem&#225;tica est&#225;, em boa parte, condicionada a resposta da vigil&#226;ncia, ou seja, a frequ&#234;ncia e agilidade com que ela devolve a esses profissionais as informa&#231;&#245;es devidamente analisadas, acrescidas de recomenda&#231;&#245;es t&#233;cnicas &#250;teis ao aprimoramento dos servi&#231;os de assist&#234;ncia a sa&#250;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A ampla utiliza&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia pelo SNS pressup&#245;e a exist&#234;ncia de programas continuados de forma&#231;&#227;o de epidemiologistas com treinamento espec&#237;fico em vigil&#226;ncia. O treinamento intensivo em investiga&#231;&#227;o de surtos &#233; obrigat&#243;rio para a plena habilita&#231;&#227;o desse profissional. <u>Talvez seja poss&#237;vel afirmar que o principal v&#237;nculo da vigil&#226;ncia ao m&#233;todo epidemiol&#243;gico se estabele&#231;a, justamente, nos procedimentos desenvolvidos numa investiga&#231;&#227;o de surto</u>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O aprimoramento das t&#233;cnicas de investiga&#231;&#227;o de surtos, nestes &#250;ltimos 40 anos, se fez pela sua aplica&#231;&#227;o nas atividades da vigil&#226;ncia. A &#234;nfase conferida as t&#233;cnicas de investiga&#231;&#227;o de surtos, incluindo o indispens&#225;vel apoio laboratorial, j&#225; constitu&#237;a a principal caracter&#237;stica dos programas pioneiros de adestramento de epidemiologistas para atuarem na vigil&#226;ncia, desenvolvidos na d&#233;cada de 50.<sup>19</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma s&#243;lida infra-estrutura de laborat&#243;rio &#233; obrigat&#243;ria para a efici&#234;ncia da vigil&#226;ncia. Laborat&#243;rios capacitados pela incorpora&#231;&#227;o cont&#237;nua de novas tecnologias de diagn&#243;sticos e para a pesquisa rotineira de marcadores biol&#243;gicos de microrganismos e parasitas associados a formas particulares de comportamento de doen&#231;as na comunidade, constituem instrumento indispens&#225;veis ao bom desempenho da vigil&#226;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>O uso da monitoriza&#231;&#227;o em sa&#250;de p&#250;blica</b></font> </p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conceitos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O termo monitoriza&#231;&#227;o, introduzido</font> <font face="Verdana" size="2">recentemente no idioma portugu&#234;s, significando &quot;acompanhar e avaliar&quot; ou &quot;controlar mediante acompanhamento&quot;, &#233; usado em textos t&#233;cnicos na &#225;rea de sa&#250;de com o mesmo significado da palavra em idioma ingl&#234;s &quot;monitoring&quot;, ou seja, &quot;controlar e as vezes ajustar programas&quot; ou &quot;olhar atentamente, observar ou controlar com prop&#243;sito especial&quot; (Webster's Dictionary).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com Last,<sup>20</sup> o termo monitoriza&#231;&#227;o pode ser entendido no campo da sa&#250;de p&#250;blica como:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">&quot;Elabora&#231;&#227;o e an&#225;lise de mensura&#231;&#245;es rotineiras visando detectar mudan&#231;as no ambiente ou no estado de sa&#250;de da comunidade. <i>N&#227;o devendo ser confundida com vigil&#226;ncia. Para alguns monitoriza&#231;&#227;o implica interven&#231;&#227;o a luz das mensura&#231;&#245;es observadas</i>&quot;;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">&quot;Cont&#237;nua mensura&#231;&#227;o do desempenho do servi&#231;o de sa&#250;de ou de profissionais de sa&#250;de, ou do grau com que os pacientes concordam com ou aderem as suas recomenda&#231;&#245;es&quot;;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">c)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">&quot;Em administra&#231;&#227;o, a cont&#237;nua supervis&#227;o da implementa&#231;&#227;o de uma atividade com o objetivo de assegurar que a libera&#231;&#227;o dos recursos, os esquemas de trabalho, os objetivos a serem atingidos e as outras a&#231;&#245;es necess&#225;rias estejam sendo processadas de acordo com o planejado&quot;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Lucas,<sup>21</sup> de certa forma, apresenta uma conceitua&#231;&#227;o de monitoriza&#231;&#227;o quando refere que a <i>vigil&#226;ncia</i> &#233; tamb&#233;m usada no planejamento da estrat&#233;gia para o controle de doen&#231;as, enquanto a <i>monitoriza&#231;&#227;o</i> &#233; aplicada no desenvolvimento de programas. Neste ponto, esse autor de certa forma concorda com o conceito de Last<sup>20</sup> ao conferir um v&#237;nculo maior entre a monitoriza&#231;&#227;o e as a&#231;&#245;es de controle.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de, em publica&#231;&#227;o relativa a Programas Nacionais de Preven&#231;&#227;o e Controle da AIDS, conceitua <i>monitoriza&#231;&#227;o</i> como o &quot;cont&#237;nuo acompanhamento das atividades de forma a garantir que as mesmas sejam desenvolvidas de acordo com o planejado&quot;.<sup>22</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao analisar os diferentes conceitos de <i>monitoriza&#231;&#227;o</i> apresentados, verificamos que como instrumento aplicado &#224; sa&#250;de p&#250;blica ele ainda est&#225; em fase de desenvolvimento, mas a import&#226;ncia de sua aplica&#231;&#227;o nesta &#225;rea &#233; facilmente percept&#237;vel. Ficam delineadas tamb&#233;m algumas diferen&#231;as entre <i>vigil&#226;ncia</i> e <i>monitoriza&#231;&#227;o</i> &#224; medida em que esta &#250;ltima n&#227;o apresenta um v&#237;nculo <i>exclusivo</i> com a epidemiologia e com a pr&#243;pria sa&#250;de p&#250;blica, ainda que seja vis&#237;vel sua aplica&#231;&#227;o nessas duas &#225;reas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Semelhan&#231;as e diferen&#231;as entre vigil&#226;ncia e monitoriza&#231;&#227;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Talvez possamos identificar as principais diferen&#231;as entre vigil&#226;ncia e monitoriza&#231;&#227;o nos seguintes pontos:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">A vigil&#226;ncia, por defini&#231;&#227;o, acompanha o comportamento de espec&#237;ficos eventos adversos &#224; sa&#250;de na comunidade, enquanto a monitoriza&#231;&#227;o trabalha especificamente com indicadores, sejam eles de sa&#250;de, demogr&#225;ficos, econ&#243;micos, sociais, de qualidade ambiental ou de servi&#231;os, etc.;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">A vigil&#226;ncia &#233; um instrumento exclusivo da sa&#250;de p&#250;blica, enquanto a monitoriza&#231;&#227;o pode ser aplicada em diferentes campos de atividade;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">A vigil&#226;ncia se caracteriza como uma aplica&#231;&#227;o do m&#233;todo epidemiol&#243;gico enquanto, na monitoriza&#231;&#227;o, esse v&#237;nculo n&#227;o &#233; obrigat&#243;rio;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">d)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">A vigil&#226;ncia, por preocupar-se exclusivamente com o controle de doen&#231;as, &#233; um instrumento de aplica&#231;&#227;o mais restrita em sa&#250;de p&#250;blica do que a monitoriza&#231;&#227;o, que pode ser aplicada, por exemplo, na <i>an&#225;lise de situa&#231;&#227;o de sa&#250;de</i>, constituindo esta &#250;ltima, talvez, o principal instrumento para a identifica&#231;&#227;o de prioridades para pol&#237;ticas no setor sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">e)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">O perfil dos recursos humanos para o uso de ambos os instrumento &#233; tamb&#233;m distinto. A vigil&#226;ncia, por focalizar especificamente o controle de eventos adversos &#224; sa&#250;de necessita de profissionais da &#225;rea biom&#233;dica. Nas atividades de campo, especialmente em investiga&#231;&#245;es de surtos o profissional m&#233;dico e</font> <font face="Verdana" size="2">de enfermagem constituem elementos indispens&#225;veis da equipe. Conhecimentos da cl&#237;nica, da epidemiologia e de aspectos relativos a fisiopatogenia, imunologia e dos fundamentos t&#233;cnicos dos procedimentos diagn&#243;sticos da doen&#231;a objeto da vigil&#226;ncia s&#227;o pr&#233;-requisitos para a investiga&#231;&#227;o de surtos e adequada interpreta&#231;&#227;o das informa&#231;&#245;es obtidas pela vigil&#226;ncia. Na monitoriza&#231;&#227;o o perfil profissional da equipe vai depender dos indicadores que est&#227;o sendo acompanhados. Se, por exemplo, estivermos monitorizando contamina&#231;&#227;o ambiental por subst&#226;ncias ionizantes talvez o perfil mais adequado seja o de um f&#237;sico; se estivermos monitorizando contamina&#231;&#227;o de estu&#225;rios por metais pesados, a equipe ideal dever&#225; contar com qu&#237;micos e bi&#243;logos, ou seja, a monitoriza&#231;&#227;o acompanha o espectro multiprofissional da pr&#243;pria sa&#250;de p&#250;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">f) As caracter&#237;sticas das instala&#231;&#245;es e equipamentos necess&#225;rios tamb&#233;m diferem grandemente. Se, por exemplo estivermos monitorizando indicadores sociais, demogr&#225;ficos e de sa&#250;de, possivelmente um bom suporte de inform&#225;tica que permita acessar e processar grandes bancos de dados seja suficiente. No entanto, se o objetivo for monitorizar indicadores de qualidade de tecnologias m&#233;dicas como, por exemplo, vacinas e medicamentos, ser&#225; indispens&#225;vel um forte e sofisticado apoio laboratorial.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">g) A vigil&#226;ncia possui crit&#233;rios expl&#237;citos e j&#225; suficientemente validados de avalia&#231;&#227;o de desempenho, o mesmo n&#227;o acontecendo com a monitoriza&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><u>Possivelmente a principal semelhan&#231;a entre vigil&#226;ncia e monitoriza&#231;&#227;o seja o fato de constituir atividade cont&#237;nua, composta <i>obrigatoriamente</i> por tr&#234;s componentes: a) coleta de dados; b) an&#225;lise regular dos dados; c) ampla e peri&#243;dica dissemina&#231;&#227;o dos dados a todos que deles necessitam</u>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Aplica&#231;&#245;es da monitoriza&#231;&#227;o em sa&#250;de p&#250;blica</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Se quisermos tornar mais abrangente o conceito de monitoriza&#231;&#227;o apresentado por</font> <font face="Verdana" size="2">Last,<sup>20</sup> poder&#237;amos propor as seguintes aplica&#231;&#245;es num SNS:<sup>4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Analisar, continuamente, indicadores relativos a efici&#234;ncia e efetividade dos servi&#231;os de sa&#250;de e ao desempenho dos profissionais que neles trabalham, assim como indicadores epidemiol&#243;gicos que reflitam o impacto desses servi&#231;os na sa&#250;de da popula&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados obtidos devem ser amplamente divulgados pois servir&#227;o tanto para o controle interno dos servi&#231;os de sa&#250;de como de instrumento de controle social do mesmo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">b)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Analisar, continuamente, indicadores de qualidade de produtos de consumo humano, de tecnologias m&#233;dicas, do exerc&#237;cio profissional na &#225;rea biom&#233;dica e, ainda, de riscos ambientais, para oferecer subs&#237;dios as medidas pertinentes relativas a fiscaliza&#231;&#227;o e educa&#231;&#227;o sanit&#225;ria e, tamb&#233;m, identificar necessidades de pesquisas cient&#237;ficas ou de desenvolvimento tecnol&#243;gico para a solu&#231;&#227;o de determinados problemas identificados, assim como recomendar altera&#231;&#245;es na legisla&#231;&#227;o espec&#237;fica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste caso a monitoriza&#231;&#227;o deve ser aplicada com vistas a avalia&#231;&#227;o cont&#237;nua de exposi&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o a riscos determinados por consumo dos mais diferentes produtos, pelo uso de tecnologias m&#233;dicas e por condi&#231;&#245;es ambientais, no sentido amplo do termo. <u>E de todo aconselh&#225;vel que a(s) ag&#234;ncia(s) respons&#225;vel(eis) por esta atividade n&#227;o tenha(m) atribui&#231;&#245;es no campo da fiscaliza&#231;&#227;o sanit&#225;ria, para garantir sua independ&#234;ncia</u>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Analisar, continuamente, indicadores de morbidade e mortalidade que permitam detectar altera&#231;&#245;es que expressem modifica&#231;&#245;es nas condi&#231;&#245;es de sa&#250;de da comunidade, buscando identificar suas causas e caracterizar perfeitamente seus efeitos. Identificadas as causas e caracterizados os efeitos pode, se indicado, sugerir o desenvolvimento de sistemas de vigil&#226;ncia para esse(s) espec&#237;fico(s) evento(s) adverso(s) a sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse caso, a monitoriza&#231;&#227;o tem tamb&#233;m por objetivo estabelecer a magnitude e o grau de prioridade de eventos adversos a sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">d)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Analisar continuamente indicadores demogr&#225;ficos, econ&#243;micos sociais e de sa&#250;de com vistas a subsidiar o estabelecimento de pol&#237;ticas no setor social e, em especial no da sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">e)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Coletar e analisar, sistematicamente, informa&#231;&#245;es pertinentes a programas de controle de espec&#237;ficos eventos adversos a sa&#250;de e de seu impacto na incid&#234;ncia e preval&#234;ncia do agravo objeto do programa, visando indicar, com base nas <i>recomenda&#231;&#245;es t&#233;cnicas</i> dispon&#237;veis ou <i>normas</i> j&#225; elaboradas, as medidas imediatas de controle. Nesse caso, a monitoriza&#231;&#227;o &#233; um instrumento da vigil&#226;ncia quando aplicada no <i>subsistema de informa&#231;&#227;o para agiliza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es de controle</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">f)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Manter o cont&#237;nuo acompanhamento das atividades meio previstas no &#226;mbito dos servi&#231;os de sa&#250;de, para assegurar os recursos humanos, materiais e financeiros necess&#225;rios, a fim de que as atividades, programas ou projetos previstos sejam desenvolvidos conforme o planejado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Caracter&#237;sticas gerais da aplica&#231;&#227;o da monitoriza&#231;&#227;o em sa&#250;de p&#250;blica</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As atividades de monitoriza&#231;&#227;o desenvolvidas no &#226;mbito dos servi&#231;os de sa&#250;de dever&#227;o ter as seguintes caracter&#237;sticas:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">1.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">A monitoriza&#231;&#227;o &#233; um instrumento de aplica&#231;&#227;o obrigat&#243;ria do subsistema de servi&#231;os de sa&#250;de em todos os seus n&#237;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">As atividades de monitoriza&#231;&#227;o n&#227;o apresentam, obrigatoriamente, complexidade t&#233;cnica crescente do n&#237;vel local ao central dos servi&#231;os de sa&#250;de. Elas diferem pela abrang&#234;ncia com que se efetua a agrega&#231;&#227;o dos dados e, muitas vezes, pelos indicadores utilizados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Os profissionais ou equipes respons&#225;veis por essa atividade em sistemas locais de sa&#250;de ser&#227;o os mesmos, ou trabalhar&#227;o de forma integrada com aqueles que tem por atribui&#231;&#227;o a vigil&#226;ncia, o planejamento e avalia&#231;&#227;o dos servi&#231;os de sa&#250;de. J&#225; para as equipes que aplicam este instrumento nas Secretarias Estaduais e no Minist&#233;rio da Sa&#250;de seria recomend&#225;vel sua integra&#231;&#227;o a ag&#234;ncias que centralizem a</font> <font face="Verdana" size="2">aplica&#231;&#227;o da epidemiologia (Centros de Epidemiologia).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4. As atividades de monitoriza&#231;&#227;o podem ser caracterizadas como a intelig&#234;ncia do SNS, oferecendo n&#227;o s&#243; as bases para a sua avalia&#231;&#227;o t&#233;cnica e operacional, mas tamb&#233;m servindo de instrumento para a identifica&#231;&#227;o precoce de altera&#231;&#245;es das condi&#231;&#245;es de sa&#250;de da popula&#231;&#227;o e de altera&#231;&#245;es ambientais que constituam riscos &#224; comunidade e, ainda, para o cont&#237;nuo controle sanit&#225;rio da qualidade de produtos de consumo humano, de tecnologias m&#233;dicas e de servi&#231;os prestados &#224; comunidade, na &#225;rea da sa&#250;de.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A aplica&#231;&#227;o da monitoriza&#231;&#227;o na pr&#225;tica epidemiol&#243;gica dos servi&#231;os de sa&#250;de</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desde meados da d&#233;cada de 80, tem sido amplamente aceita a exist&#234;ncia de ao menos quatro grandes &#225;reas de aplica&#231;&#227;o da epidemiologia nos servi&#231;os de sa&#250;de:<sup>23</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Vigil&#226;ncia em sa&#250;de p&#250;blica (ou epidemiol&#243;gica, qualificativo ainda utilizado em nosso pa&#237;s);</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">An&#225;lise da situa&#231;&#227;o de sa&#250;de;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Identifica&#231;&#227;o de perfis e fatores de risco;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">4.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Avalia&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica de servi&#231;os.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A vigil&#226;ncia como aplica&#231;&#227;o da epidemiologia em servi&#231;os de sa&#250;de j&#225; foi apresentada neste texto, motivo pelo qual passaremos diretamente a aplica&#231;&#227;o da monitoriza&#231;&#227;o na an&#225;lise da situa&#231;&#227;o de sa&#250;de, na avalia&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica de servi&#231;os e, por fim, na identifica&#231;&#227;o de perfis e fatores de risco.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A monitoriza&#231;&#227;o e a an&#225;lise da situa&#231;&#227;o de sa&#250;de</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise epidemiol&#243;gica de indicadores demogr&#225;ficos e de morbi-mortalidade com o objetivo da elabora&#231;&#227;o dos chamados &quot;diagn&#243;sticos de sa&#250;de&quot;, &#233; uma pr&#225;tica antiga em nosso meio. Por v&#225;rios motivos, nas &#250;ltimas d&#233;cadas, essa atividade foi sendo expressivamente reduzida no pa&#237;s, com evidentes preju&#237;zos ao adequado desempenho dos servi&#231;os de sa&#250;de. Felizmente, por&#233;m, nos &#250;ltimos anos temos assistido a v&#225;rias iniciativas</font> <font face="Verdana" size="2">preocupadas em retom&#225;-la. Um exemplo recente &#233; a iniciativa da Organiza&#231;&#227;o Pan-Americana de Sa&#250;de (OPAS) e do Minist&#233;rio da Sa&#250;de por meio da proposta de cria&#231;&#227;o da &quot;Rede de Informa&#231;&#245;es para a Sa&#250;de&quot; (RIPSA), incentivando a utiliza&#231;&#227;o mais ampla da epidemiologia por meio do acompanhamento e an&#225;lise sistem&#225;tica da evolu&#231;&#227;o de indicadores demogr&#225;ficos, sociais, econ&#243;micos e de sa&#250;de, com vistas a melhor compreens&#227;o dos determinantes das condi&#231;&#245;es de sa&#250;de da popula&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As perspectivas de sucesso dessas iniciativas t&#234;m sido consideravelmente ampliadas pelo esfor&#231;o dos organismos governamentais respons&#225;veis por levantamentos e ger&#234;ncia de grandes bases de dados, para aprimor&#225;-los, assim como facilitar o acesso aos potenciais usu&#225;rios.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O fortalecimento desta pr&#225;tica epidemiol&#243;gica no SNS &#233; indispens&#225;vel para a melhor fundamenta&#231;&#227;o das pol&#237;ticas no setor sa&#250;de. A simples inspe&#231;&#227;o da evolu&#231;&#227;o de alguns indicadores apresentados na <a href="#t1">Tabela 1</a> nos oferece uma id&#233;ia das profundas modifica&#231;&#245;es verificadas em nosso pa&#237;s, nos &#250;ltimos 15 anos, e das repercuss&#245;es que essas mudan&#231;as deveriam determinar nas prioridades a serem seguidas.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/iesus/v7n3/3a02t1.gif" border="0"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse quadro de cont&#237;nuas e significativas modifica&#231;&#245;es desses indicadores salienta a relev&#226;ncia de capacitarmos os recursos humanos que atuam ou que vir&#227;o a atuar nos servi&#231;os de sa&#250;de, na an&#225;lise e interpreta&#231;&#227;o de sua evolu&#231;&#227;o &#224; luz, por exemplo, de conceitos como o de &quot;transi&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica&quot;, que busca compreender as profundas mudan&#231;as nos padr&#245;es de morbi-mortalidade ocorridos nas &#250;ltimas d&#233;cadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A evolu&#231;&#227;o desse cen&#225;rio deve ser acompanhada com aten&#231;&#227;o por todos os profissionais que assessoram ou decidem a respeito de pol&#237;ticas de sa&#250;de. Citar&#237;amos, como exemplo, o processo de envelhecimento da popula&#231;&#227;o e suas implica&#231;&#245;es nas caracter&#237;sticas da demanda dos servi&#231;os de sa&#250;de, que geram necessidades de desenvolvimento de novas especialidades e de modifica&#231;&#245;es na infra-estrutura e equipamentos dos servi&#231;os de sa&#250;de. Recentemente, Monteiro e colaboradores<sup>24 </sup>elaboraram interessante an&#225;lise a respeito da melhoria dos indicadores de sa&#250;de associados a pobreza no Brasil nos anos 90. Nesse trabalho, os autores mostram que indicadores intimamente relacionados a pobreza - como a mortalidade infantil e a desnutri&#231;&#227;o nos primeiros anos de vida - evolu&#237;ram de forma continuamente favor&#225;vel, nesse per&#237;odo, em todo o pa&#237;s. No entanto, salientam que os indicadores de sa&#250;de observados no Nordeste urbano est&#227;o ainda distantes daqueles observados nas cidades do Centro-Sul. Al&#233;m disso observam que os progressos registrados no Nordeste Rural nas duas &#250;ltimas d&#233;cadas s&#227;o menores do que os registrados no Centro-Sul Rural acarretando uma amplia&#231;&#227;o das desigualdades destas regi&#245;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A introdu&#231;&#227;o nas rotinas dos servi&#231;os de sa&#250;de da <u><i>monitoriza&#231;&#227;o de indicadores demogr&#225;ficos, sociais, econ&#243;micos e de sa&#250;de</i>, </u>acrescidos da an&#225;lise e dissemina&#231;&#227;o peri&#243;dica desses dados analisados a luz do m&#233;todo epidemiol&#243;gico, permitir&#225; o aprimoramento da aplica&#231;&#227;o dos recursos dispon&#237;veis e um maior impacto dos programas desenvolvidos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A monitoriza&#231;&#227;o e a identifica&#231;&#227;o de perfis e fatores de risco</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A urbaniza&#231;&#227;o e a industrializa&#231;&#227;o</font> <font face="Verdana" size="2">determinaram um aumento da import&#226;ncia de uma s&#233;rie de riscos ambientais (contamina&#231;&#227;o da &#225;gua e do ambiente por pesticidas e metais pesados, polui&#231;&#227;o do ar, riscos ocupacionais, etc.) e de condicionantes sociais e culturais que podem contribuir positiva ou negativamente nas condi&#231;&#245;es de sa&#250;de das popula&#231;&#245;es. Por outro lado, o desenvolvimento de novas e sofisticadas tecnologias m&#233;dicas tem elevado sobremaneira o custo dos servi&#231;os, tornando indispens&#225;vel a utiliza&#231;&#227;o racional dos recursos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A epidemiologia pode ajudar a responder a esses novos desafios por meio da avalia&#231;&#227;o dos fatores condicionantes do processo sa&#250;de/doen&#231;a, por meio da identifica&#231;&#227;o de <i>fatores de risco</i> e de grupos da popula&#231;&#227;o mais vulner&#225;veis (<i>grupos de risco</i>) a determinados agravos a sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa contribui&#231;&#227;o da epidemiologia torna poss&#237;vel o desenvolvimento de programas de sa&#250;de mais eficientes, permitindo maior impacto das a&#231;&#245;es voltadas a assist&#234;ncia integral a sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <u><i>monitoriza&#231;&#227;o de indicadores de qualidade de produtos de consumo humano, de tecnologias m&#233;dicas, do exerc&#237;cio profissional na &#225;rea biom&#233;dica e, ainda, de riscos ambientais incluindo os profissionais</i></u> constitui instrumento que pode contribuir para a identifica&#231;&#227;o de perfis e fatores de risco.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A monitoriza&#231;&#227;o e a avalia&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica de servi&#231;os</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A avalia&#231;&#227;o de servi&#231;os de sa&#250;de pode ser feita de diversas formas, mas, de maneira geral, leva em conta o <i>acesso</i> da popula&#231;&#227;o aos servi&#231;os e a <i>cobertura</i> oferecida (exemplo: propor&#231;&#227;o de crian&#231;as vacinadas; propor&#231;&#227;o de indiv&#237;duos atingidos por determinada doen&#231;a que s&#227;o tratados e acompanhados, propor&#231;&#227;o de gestantes inscritas e acompanhadas pelo programa, etc.), ou seja a propor&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o coberta por diferentes programas. E evidente que a cobertura somente ser&#225; elevada se o acesso for amplo.<sup>25</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A avalia&#231;&#227;o de um programa desenvolvido por um sistema local de sa&#250;de pode ser efetuada verificando quais das atividades previstas foram implementadas com &#234;xito. Outra maneira de efetu&#225;-la &#233; verificando o impacto do plano na evolu&#231;&#227;o de indicadores de sa&#250;de ou na frequ&#234;ncia dos agravos &#224; sa&#250;de contemplados pelo plano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apresentando-se de forma simplificada o processo de avalia&#231;&#227;o de servi&#231;os, podemos apontar os seguintes passos:<sup>25</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Selecionar indicadores mais apropriados, de acordo com os objetivos do programa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Quantificar metas a serem atingidas com refer&#234;ncia aos indicadores selecionados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Coletar as informa&#231;&#245;es epidemiol&#243;gicas necess&#225;rias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Comparar os resultados alcan&#231;ados em rela&#231;&#227;o &#224;s metas estabelecidas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">5.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Revisar as estrat&#233;gias reformulando o plano, quando necess&#225;rio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A contribui&#231;&#227;o da epidemiologia nesse processo se d&#225;, principalmente, na sele&#231;&#227;o, constru&#231;&#227;o e an&#225;lise dos indicadores e na an&#225;lise do impacto, em termos de morbi-mortalidade das doen&#231;as contempladas pelo plano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em s&#237;ntese, pode-se dizer que esse processo visa estabelecer a <b><i>efetividade</i></b> e a <b><i>efici&#234;ncia</i></b> dos servi&#231;os de sa&#250;de, entendendo-se por <b><i>efici&#234;ncia</i></b> a capacidade de um programa alcan&#231;ar os resultados pretendidos despendendo um m&#237;nimo de recursos e <b><i>efetividade</i></b> como a habilidade de um programa produzir os</font> <font face="Verdana" size="2">resultados esperados nas condi&#231;&#245;es de campo. Devemos lembrar que a <b><i>efetividade</i></b> &#233; um atributo distinto de <b><i>efic&#225;cia</i></b> que &#233; medida pela capacidade de um programa produzir resultados em condi&#231;&#245;es ideais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na avalia&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica de servi&#231;os aplica-se a <u><i>monitoriza&#231;&#227;o de indicadores relativos &#224; efici&#234;ncia e efetividade dos servi&#231;os de sa&#250;de e ao desempenho dos profissionais que neles trabalham, assim como indicadores epidemiol&#243;gicos que reflitam o impacto desses servi&#231;os na sa&#250;de da popula&#231;&#227;o</i></u>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Considera&#231;&#245;es   finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O uso da epidemiologia nas pr&#225;ticas sanit&#225;rias n&#227;o &#233; novo em nosso pa&#237;s. O Estado de S&#227;o Paulo, por exemplo, em 1894, iniciava o acompanhamento de estat&#237;sticas vitais e, a partir dos anos 20, j&#225; contava com um sistema de informa&#231;&#227;o referente a doen&#231;as de notifica&#231;&#227;o compuls&#243;ria razoavelmente bem estruturado.<sup>26</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, foi com a incorpora&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia &#224;s atividades regulares dos servi&#231;os de sa&#250;de p&#250;blica, na segunda metade da d&#233;cada de 70, que obtivemos avan&#231;os mais significativos na cria&#231;&#227;o e fortalecimento no pa&#237;s, dos instrumentos indispens&#225;veis para uma utiliza&#231;&#227;o mais ampla da epidemiologia. Apesar das dificuldades no processo de implanta&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia, s&#227;o ineg&#225;veis os avan&#231;os alcan&#231;ados, merecendo destaque a(o):<sup>4</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">defini&#231;&#227;o de crit&#233;rios nacionais para identifica&#231;&#227;o de prioridades no estabelecimento das doen&#231;as de notifica&#231;&#227;o compuls&#243;ria e na padroniza&#231;&#227;o de fichas de notifica&#231;&#227;o;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">aprimoramento da qualidade da informa&#231;&#227;o de morbidade relativa &#224;s doen&#231;as transmiss&#237;veis de notifica&#231;&#227;o compuls&#243;ria;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">implanta&#231;&#227;o do Sistema Nacional de Informa&#231;&#227;o de Mortalidade com a padroniza&#231;&#227;o do formul&#225;rio de declara&#231;&#227;o de &#243;bito para todo o pa&#237;s;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">d)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">elabora&#231;&#227;o de indicadores de mortalidade e morbidade para o cont&#237;nuo acompanhamento, com o objetivo de identificar mudan&#231;as no comportamento das doen&#231;as, inclusive o aparecimento de agravos inusitados; e tamb&#233;m</font> <font face="Verdana" size="2">de indicadores operacionais visando avaliar o desempenho desse sistema de informa&#231;&#227;o; e</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">e) implanta&#231;&#227;o do Sistema Nacional de Laborat&#243;rios de Sa&#250;de P&#250;blica com a cria&#231;&#227;o da figura do Laborat&#243;rio Nacional de Refer&#234;ncia para doen&#231;as espec&#237;ficas ou para grupo delas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, a despeito dos reflexos positivos da incorpora&#231;&#227;o e consolida&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia como uma das principais pr&#225;ticas sanit&#225;rias em nosso pa&#237;s, ela enfrenta, at&#233; hoje, dificuldades para manter a sua regularidade e qualidade, em virtude, principalmente, dos seguintes fatores:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">falta de uma rede b&#225;sica de servi&#231;os de sa&#250;de bem estruturada;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">pol&#237;ticas institucionais de longo prazo, mal definidas, criando obst&#225;culos ao estabelecimento de diretrizes s&#243;lidas para &#224; forma&#231;&#227;o e reciclagem de recursos humanos e cria&#231;&#227;o de carreiras est&#225;veis; e</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c)</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">aus&#234;ncia de um programa regular, de conte&#250;do mais denso tanto na parte te&#243;rica como na de campo, voltado &#224; forma&#231;&#227;o de epidemiologistas capacitados a atuar nas principais &#225;reas de aplica&#231;&#227;o da epidemiologia em servi&#231;os de sa&#250;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um aspecto que surpreende ao analisarmos o processo de incorpora&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia em nosso sistema de sa&#250;de diz respeito ao fato de que associado, direta ou indiretamente, &#224; sua implanta&#231;&#227;o, tivemos a significativa fragiliza&#231;&#227;o das demais aplica&#231;&#245;es da epidemiologia nos servi&#231;os de sa&#250;de, mesmo em Estados aonde a utiliza&#231;&#227;o da epidemiologia datava do inicio do s&#233;culo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A busca da explica&#231;&#227;o desse efeito, a primeira vista paradoxal, constitui tarefa &#225;rdua pois lidar&#225; com quest&#245;es complexas. Por&#233;m, se analisarmos as considera&#231;&#245;es feitas por Langmuir<sup>8</sup> nas suas primeiras tentativas de conceituar a vigil&#226;ncia, citadas no in&#237;cio deste texto, talvez possamos obter algumas pistas interessantes na busca de respostas a essa quest&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Analisando a forma pela qual a vigil&#226;ncia foi incorporada em nosso pa&#237;s e possivelmente nos demais pa&#237;ses da Am&#233;rica Latina, verificaremos que n&#227;o nos preocupamos em identificar as fronteiras entre vigil&#226;ncia e a&#231;&#245;es de controle. Possivelmente isso se deva, ao menos em parte, &#224; grande influ&#234;ncia de nossa experi&#234;ncia na utiliza&#231;&#227;o desse instrumento durante a Campanha de Erradica&#231;&#227;o da Var&#237;ola.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para a organiza&#231;&#227;o da Campanha, cada pa&#237;s correspondia ao que seria hoje o n&#237;vel local de um SNS e o conceito de vigil&#226;ncia aplicado nas Unidades Nacionais era de um <i>sistema de informa&#231;&#227;o para a agiliza&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es de controle</i>. Isto justificava-se, uma vez que a vigil&#226;ncia entendida como <i>intelig&#234;ncia epidemiol&#243;gica</i> -segundo o conceito de Langmuir - era desenvolvida em Genebra, junto ao comando da Campanha.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A falta de uma n&#237;tida delimita&#231;&#227;o entre vigil&#226;ncia e a&#231;&#245;es de controle e a organiza&#231;&#227;o centralizadora dos servi&#231;os de sa&#250;de, levaram as equipes respons&#225;veis pela vigil&#226;ncia em nosso pa&#237;s a assumirem a atribui&#231;&#227;o de coordena&#231;&#227;o dos programas de controle das doen&#231;as transmiss&#237;veis. Tal responsabilidade, por suas caracter&#237;sticas, absorveram totalmente sua capacidade de trabalho, uma vez que deveriam responder &#224;s necessidades sentidas pela popula&#231;&#227;o de controlar doen&#231;as que frequentemente se apresentam na comunidade na forma de epidemias; necessidades que sempre excedem os recursos dispon&#237;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Absorvidas pelas responsabilidades de coordena&#231;&#227;o de programas, as equipes que atuavam na vigil&#226;ncia raramente conseguiram estrutur&#225;-la abrangendo os tr&#234;s componentes obrigat&#243;rios desse instrumento: <i><u>a informa&#231;&#227;o; a an&#225;lise</u></i> e a <u><i>ampla dissemina&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o analisada</i></u> a todos que dela necessitam. Com isso, a vigil&#226;ncia caracterizou-se mais como um sistema de informa&#231;&#227;o para apoiar a coordena&#231;&#227;o de programas de controle de doen&#231;as infecciosas do que um instrumento de apoio t&#233;cnico dos servi&#231;os de sa&#250;de, fundamentado em conhecimento cient&#237;fico e tecnol&#243;gico rigorosamente atualizado ou, em</font> <font face="Verdana" size="2">outras palavras, n&#227;o assumiu o papel de ponte entre a produ&#231;&#227;o do conhecimento cient&#237;fico e tecnol&#243;gico e os servi&#231;os de sa&#250;de p&#250;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, n&#227;o conseguimos tamb&#233;m estabelecer os limites n&#237;tidos entre a vigil&#226;ncia e as demais aplica&#231;&#245;es da epidemiologia nos servi&#231;os de sa&#250;de. Essa falta de clareza levou com alguma frequ&#234;ncia ao esvaziamento dos servi&#231;os de epidemiologia, pela progressiva transfer&#234;ncia dos epidemiologistas para as equipes de vigil&#226;ncia. Como resultado, observamos a fragiliza&#231;&#227;o de antigos servi&#231;os de epidemiologia que, com maior ou menor efici&#234;ncia, funcionavam desde o final do s&#233;culo passado em algumas Unidades da Federa&#231;&#227;o, al&#233;m de n&#227;o criarmos, at&#233; recentemente, condi&#231;&#245;es para seu desenvolvimento aonde eles n&#227;o existissem.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tais fatos refor&#231;am as justificativas da ado&#231;&#227;o da denomina&#231;&#227;o, j&#225; consagrada internacionalmente, de <b>vigil&#226;ncia em sa&#250;de p&#250;blica ou simplesmente vigil&#226;ncia, </b>em substitui&#231;&#227;o a <b>vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica. </b>Nos parece claro o fato do qualificativo <b>epidemiol&#243;gica </b>ter induzido a equ&#237;vocos que, de certa forma, contribu&#237;ram para o enfraquecimento da aplica&#231;&#227;o mais ampla da epidemiologia em servi&#231;os no Brasil. Refor&#231;a o argumento favor&#225;vel a ado&#231;&#227;o de terminologia internacionalmente aceita o fato dessa padroniza&#231;&#227;o em &#225;reas t&#233;cnicas facilitar tanto a incorpora&#231;&#227;o como a dissemina&#231;&#227;o de novos conhecimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">H&#225;, por&#233;m, uma outra quest&#227;o envolvida na fragiliza&#231;&#227;o da epidemiologia nos servi&#231;os de sa&#250;de; ela est&#225; ligada a excessiva &#234;nfase conferida a assist&#234;ncia m&#233;dica na fase inicial da implanta&#231;&#227;o do SUS, em detrimento dos programas de sa&#250;de que t&#234;m por caracter&#237;stica fundamentar-se em crit&#233;rios epidemiol&#243;gicos para o estabelecimento de prioridades.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De certa forma, a necessidade do uso mais amplo da epidemiologia em nossos servi&#231;os de sa&#250;de foi percebida pelos sanitaristas j&#225; em meados dos anos 80, quando a atua&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia era criticada por preocupar-se exclusivamente com doen&#231;as e n&#227;o com as</font> <font face="Verdana" size="2">condi&#231;&#245;es de sa&#250;de e bem estar da popula&#231;&#227;o. Tais cr&#237;ticas, de alguma forma, constitu&#237;ram as origens de algumas propostas que, frequentemente, receberam a denomina&#231;&#227;o de <i>vigil&#226;ncia a sa&#250;de</i>, implementadas em algumas administra&#231;&#245;es municipais progressistas a partir da redemocratiza&#231;&#227;o do pa&#237;s.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na realidade, o que est&#225;vamos verbalizando, n&#227;o explicitamente, era justamente a necessidade da ampla utiliza&#231;&#227;o da epidemiologia em nossos servi&#231;os de sa&#250;de, para que, nela fundamentada, pud&#233;ssemos implementar programas integrais e polivalentes de sa&#250;de, aceitando, portanto, com adapta&#231;&#245;es, as propostas da Confer&#234;ncia de Alma Ata.<sup>27</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro aspecto importante a ser assinalado &#233; o de que a vigil&#226;ncia em nosso pa&#237;s, n&#227;o acompanhou o desenvolvimento t&#233;cnico deste instrumento, mantendo at&#233; hoje, em suas linhas gerais, a proposta implementada pelo Minist&#233;rio da Sa&#250;de a partir de 1975. Isso dificultou, durante as discuss&#245;es voltadas a implanta&#231;&#227;o do SUS, o desenvolvimento de propostas inovadoras e mais abrangentes para sua aplica&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste momento em que assistimos o fortalecimento do processo de municipaliza&#231;&#227;o dos servi&#231;os e a rediscuss&#227;o dos pap&#233;is dos n&#237;veis estaduais e federal no &#226;mbito do SUS e, por outro, ao aparecimento de condi&#231;&#245;es objetivas para a amplia&#231;&#227;o e moderniza&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia e das demais pr&#225;ticas da epidemiologia em nosso pa&#237;s, &#233; importante a delimita&#231;&#227;o das &#225;reas de aplica&#231;&#227;o da epidemiologia em todos os n&#237;veis do sistema de sa&#250;de e a perfeita identifica&#231;&#227;o dos diferentes perfis de profissionais que dever&#227;o atuar em cada uma delas, assim como da infra-estrutura, instala&#231;&#245;es e equipamentos necess&#225;rios.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa preocupa&#231;&#227;o &#233; fundamental para a defini&#231;&#227;o de pol&#237;ticas institucionais de longo prazo que, por sua vez, constituem pressuposto para o desenvolvimento e a implementa&#231;&#227;o de programas de forma&#231;&#227;o e capacita&#231;&#227;o de epidemiologistas que deve privilegiar n&#227;o s&#243; o treinamento de profissionais que j&#225; ingressaram no servi&#231;os de sa&#250;de mas, tamb&#233;m, estabelecer uma estrat&#233;gia de forma&#231;&#227;o de uma nova gera&#231;&#227;o de epidemiologistas de campo que constitua massa cr&#237;tica de dimens&#227;o suficiente para alcan&#231;armos, a m&#233;dio prazo, um salto de qualidade neste campo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Concluindo, cumpre assinalar que a estrat&#233;gia para atingir um grau apreci&#225;vel de auto-sustenta&#231;&#227;o do SUS est&#225; em boa parte condicionada a nossa capacidade de fortalecer a pesquisa em sa&#250;de p&#250;blica, a semelhan&#231;a do que fizeram pa&#237;ses cujos sistemas de sa&#250;de alcan&#231;aram bom desempenho. Analisando o desempenho da sa&#250;de p&#250;blica brasileira dos prim&#243;rdios deste s&#233;culo verificaremos que a pesquisa foi um dos tr&#234;s pilares que deram sustenta&#231;&#227;o<sup>26</sup> a nossa bem sucedida experi&#234;ncia e esse resultado foi atingido gra&#231;as a nossa capacidade de criar um processo bem articulado de indu&#231;&#227;o, produ&#231;&#227;o e consumo do conhecimento produzido.<sup>28</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Hoje, tanto a sociedade brasileira como nosso sistema de sa&#250;de, s&#227;o muito mais complexos do que na era de Oswaldo Cruz e Em&#237;lio Ribas, mas guardadas as devidas propor&#231;&#245;es, a an&#225;lise desse per&#237;odo pode nos oferecer subs&#237;dios para atingirmos um desempenho semelhante. Com esse objetivo, o uso da vigil&#226;ncia e da monitoriza&#231;&#227;o, com a abrang&#234;ncia apresentada neste texto, constitui pe&#231;a fundamental, pois s&#227;o instrumentos eficientes tanto na identifica&#231;&#227;o de lacunas no conhecimento a respeito do comportamento de espec&#237;ficos agravos como de prioridades em sa&#250;de p&#250;blica, al&#233;m de cumprirem o papel de indutores da pesquisa e incorporadores do conhecimento produzido. Portanto, sua ampla utiliza&#231;&#227;o permitiria pol&#237;ticas sociais no setor sa&#250;de mais adequadas a nossa realidade e necessidades, fortaleceria a capacidade do SUS de responder a situa&#231;&#245;es inusitadas e de relev&#226;ncia emergente, assim como de aprimorar continuamente os servi&#231;os de sa&#250;de incorporando novos conhecimentos cient&#237;ficos e tecnol&#243;gicos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Fossaert DH, Llopis A, Tigre CH. Sistemas de vigilancia epidemiol&#243;gica. <b>Boletin  de</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>la Oficina Sanitaria Panamericana</b></font> <font face="Verdana" size="2">76:512-525, 1974.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Doll R. Monitoring the national health service. <b>Proceeding of The Royal Society of Medicine </b>66:729-740, 1973.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Editorial. Vigil&#226;ncia epidemiol&#243;gica. <b>International Journal of Epidemology,</b></font> <font face="Verdana" size="2">5:4-6, 1976.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Waldman EA. Vigil&#226;ncia como pr&#225;tica de sa&#250;de p&#250;blica. Tese de Doutorado. Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo,</font> <font face="Verdana" size="2">1991.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Romero A, Troncoso M. La vigilancia epidemiol&#243;gica: significado e implicaciones en la pr&#225;ctica y en la docencia. <b>Cuadernos</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>de Medicina Social </b>17:17-28, 1981.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Langmuir AD. Willian Farr: founder of modern    concepts    of   surveillance. <b>International</b></font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2"><b>Journal</b></font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2"><b>of</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Epidemiology </b>5:13-18, 1976.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Schmid AW. Gloss&#225;rio de epidemiologia. <b>Arquivo da Faculdade de Higiene de S&#227;o Paulo 1<sup>o</sup>. </b>(supl.):1-20, 1956.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Langmuir AD. Evolution of the concept of surveillance   in   the   United   States. <b>Proceeding of The Royal Society of</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Medicine </b>64:681-684, 1971.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Langmuir AD. The surveillance of communicable diseases of national importance. <b>New England Journal of</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Medicine </b>268:182-192, 1963.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. Langmuir AD, Andrews JM. Biological warfare defence. 2 - The Epidemic Intelligence Service of the Communicable Disease  Center.  <b>American  Journal</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Public Health </b>42:235-238, 1952.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. Nathanson N, Langmuir AD. The Cutter incident. Poliomyelitis following formaldehyde-inactivated poliovirus vaccination in the United States during the spring of 1955. I. Background. <b>American</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Journal of Hygiene </b>78:16-28, 1963.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. Raska K. The epidemiological surveillance programme. <b>Journal of Hygiene and</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Epidemiology </b>8:137-168, 1964.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. Foege WH, Hogan RC, Newton LH. Surveillance projects for selected diseases. <b>International Journal of Epidemiology </b>5:29-37, 1976.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Thacker SB, Berkelman RL. Public health surveillance in the United States. <b>Epidemiology Review </b>10:164-190,</font> <font face="Verdana" size="2">1988.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Teutsch S, Thacker SB. Planificaci&#243;n de un sistema de vigilancia en salud p&#250;blica. <b>Bolet&#237;n Epidemiol&#243;gico. Organizaci&#243;n Panamericana de la Salud </b>16:17, 1995.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Waldman EA, Rosa TEC. Vigil&#226;ncia em sa&#250;de p&#250;blica. Ed. F Peiropolis, S&#227;o Paulo, 1998 (no prelo).</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17.</font><font face="Times New Roman" size="2">&nbsp;</font><font face="Verdana" size="2">Declich S, Carter AO. Surveillance health: historical origins, methods and evaluation. <b>Bulletin of the World Health Organization </b>72:285-304, 1994.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18.Centers for Disease Control and Prevention. Principles of epidemiology. An introduction to applied epidemiology and biostatistics. 2<sup>nd</sup> edition, 1992.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">19. Langmuir AD. &quot;The Epidemic Inteligence Service&quot; of the Center for Diseases Control.</font> <font face="Verdana" size="2"><b>Public Health Report </b>95:470-477, 1980.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">20.Last JM. A dictionary of epidemiology. Oxford University Press, New York, 1988.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">21.Lucas AD. Surveillance of communicable diseases in tropical Africa. <b>International Journal of Epidemiology </b>5:39-43, 1976.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">22. World Health Organization. Monitoring of</font> <font face="Verdana" size="2">national AIDS prevention and control programmes: guiding principles. WHO AIDS Series, n 4. Geneva, p. 1-26., 1989.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">23.Castellanos PL. Epidemiologia y organizaci&#243;n de los servicios. In: Organizaci&#243;n Panamericana de la Salud. La formaci&#243;n en epidemiologia para el desarrollo de los servicios de salud. Washington, Publicaci&#243;n serie: Desarrollo de Recursos Humanos N 88, p. 30-40,</font> <font face="Verdana" size="2">1987.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">24. Monteiro CA, Ben&#237;cio MHD, Freitas ICM. Melhoria em indicadores de sa&#250;de associados &#224; pobreza no Brasil dos anos 90: descri&#231;&#227;o, causas e impacto sobre desigualdades regionais. N&#250;cleo de Pesquisas Epidemiol&#243;gicas em Nutri&#231;&#227;o e Sa&#250;de da USP, S&#227;o Paulo, 1997.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">25. Vaughan JP, Morrow RH. Epidemiologia para os munic&#237;pios. Manual para gerenciamento dos distritos sanit&#225;rios. Editora HUCITEC, S&#227;o Paulo,1992.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">26.Mascarenhas RS. Contribui&#231;&#227;o para o estudo da administra&#231;&#227;o sanit&#225;ria estadual em S&#227;o Paulo. Tese de Doc&#234;ncia-livre. Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo,</font> <font face="Verdana" size="2">1949.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">27. Glasunov IS, Grabauskas V, Holland WWW, Epstein FH. An integrated programme for the prevention and control of noncommunicable diseases. <b>Journal of Chronic Disease </b>36:419-426, 1983.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">28.Stepan N. G&#234;nese e evolu&#231;&#227;o da ci&#234;ncia brasileira: Oswaldo Cruz e a pol&#237;tica de investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica e m&#233;dica. Ed. Artenova, Rio de Janeiro, 1976.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v19n2/seta.gif" border="0"></a></b></font><font face="Verdana" size="2"><b>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia:</b></font>    <br>   <font face="Verdana" size="2">Av. Dr. Arnaldo, 715;    <br>    S&#227;o Paulo - SP  /    <br>    CEP: 01246-904 -     <br> Fax: (011) 881-2108    <br>  E-mail: <a href="mailto:eawaldman@usp.br">eawaldman@usp.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fossaert]]></surname>
<given-names><![CDATA[DH]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Llopis]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tigre]]></surname>
<given-names><![CDATA[CH]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sistemas de vigilancia epidemiológica]]></article-title>
<source><![CDATA[Boletin de la Oficina Sanitaria Panamericana]]></source>
<year>1974</year>
<volume>76</volume>
<page-range>512-525</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Doll]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Monitoring the national health service]]></article-title>
<source><![CDATA[Proceeding of The Royal Society of Medicine]]></source>
<year>1973</year>
<volume>66</volume>
<page-range>729-740</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Editorial. Vigilância epidemiológica]]></article-title>
<source><![CDATA[International Journal of Epidemology]]></source>
<year>1976</year>
<volume>5</volume>
<page-range>4-6</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Waldman]]></surname>
<given-names><![CDATA[EA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vigilância como prática de saúde pública]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Romero]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Troncoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La vigilancia epidemiológica: significado e implicaciones en la práctica y en la docencia]]></article-title>
<source><![CDATA[Cuadernos de Medicina Social]]></source>
<year>1981</year>
<volume>17</volume>
<page-range>17-28</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Langmuir]]></surname>
<given-names><![CDATA[AD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Willian Farr: founder of modern concepts of surveillance]]></article-title>
<source><![CDATA[International Journal of Epidemiology]]></source>
<year>1976</year>
<volume>5</volume>
<page-range>13-18</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schmid]]></surname>
<given-names><![CDATA[AW]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Glossário de epidemiologia]]></article-title>
<source><![CDATA[Arquivo da Faculdade de Higiene de São Paulo 1º]]></source>
<year>1956</year>
<page-range>1-20</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Langmuir]]></surname>
<given-names><![CDATA[AD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Evolution of the concept of surveillance in the United States]]></article-title>
<source><![CDATA[Proceeding of The Royal Society of Medicine]]></source>
<year>1971</year>
<volume>64</volume>
<page-range>681-684</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Langmuir]]></surname>
<given-names><![CDATA[AD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The surveillance of communicable diseases of national importance]]></article-title>
<source><![CDATA[New England Journal of Medicine]]></source>
<year>1963</year>
<volume>268</volume>
<page-range>182-192</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Langmuir]]></surname>
<given-names><![CDATA[AD]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Andrews]]></surname>
<given-names><![CDATA[JM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Biological warfare defence. 2 - The Epidemic Intelligence Service of the Communicable Disease Center]]></article-title>
<source><![CDATA[American Journal Public Health]]></source>
<year>1952</year>
<volume>42</volume>
<page-range>235-238</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nathanson]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Langmuir]]></surname>
<given-names><![CDATA[AD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Cutter incident. Poliomyelitis following formaldehyde-inactivated poliovirus vaccination in the United States during the spring of 1955. I. Background]]></article-title>
<source><![CDATA[American Journal of Hygiene]]></source>
<year>1963</year>
<volume>78</volume>
<page-range>16-28</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Raska]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The epidemiological surveillance programme]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Hygiene and Epidemiology]]></source>
<year>1964</year>
<volume>8</volume>
<page-range>137-168</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Foege]]></surname>
<given-names><![CDATA[WH]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hogan]]></surname>
<given-names><![CDATA[RC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Newton]]></surname>
<given-names><![CDATA[LH]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Surveillance projects for selected diseases]]></article-title>
<source><![CDATA[International Journal of Epidemiology]]></source>
<year>1976</year>
<volume>5</volume>
<page-range>29-37</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Thacker]]></surname>
<given-names><![CDATA[SB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Berkelman]]></surname>
<given-names><![CDATA[RL]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Public health surveillance in the United States]]></article-title>
<source><![CDATA[Epidemiology Review]]></source>
<year>1988</year>
<volume>10</volume>
<page-range>164-190</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teutsch]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Thacker]]></surname>
<given-names><![CDATA[SB]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Planificación de un sistema de vigilancia en salud pública]]></article-title>
<source><![CDATA[Boletín Epidemiológico. Organización Panamericana de la Salud]]></source>
<year>1995</year>
<volume>16</volume>
<numero>17</numero>
<issue>17</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Waldman]]></surname>
<given-names><![CDATA[EA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[TEC]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vigilância em saúde pública]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. F Peiropolis]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Declich]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carter]]></surname>
<given-names><![CDATA[AO]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Surveillance health: historical origins, methods and evaluation]]></article-title>
<source><![CDATA[Bulletin of the World Health Organization]]></source>
<year>1994</year>
<volume>72</volume>
<page-range>285-304</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>Centers for Disease Control and Prevention</collab>
<source><![CDATA[Principles of epidemiology: An introduction to applied epidemiology and biostatistics]]></source>
<year>1992</year>
<edition>2</edition>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<label>19</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Langmuir]]></surname>
<given-names><![CDATA[AD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["The Epidemic Inteligence Service" of the Center for Diseases Control]]></article-title>
<source><![CDATA[Public Health Report]]></source>
<year>1980</year>
<volume>95</volume>
<page-range>470-477</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Last]]></surname>
<given-names><![CDATA[JM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A dictionary of epidemiology]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<label>21</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lucas]]></surname>
<given-names><![CDATA[AD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Surveillance of communicable diseases in tropical Africa]]></article-title>
<source><![CDATA[International Journal of Epidemiology]]></source>
<year>1976</year>
<volume>5</volume>
<page-range>39-43</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<label>22</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Monitoring of national AIDS prevention and control programmes: guiding principles]]></source>
<year>1989</year>
<page-range>1-26</page-range><publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<label>23</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castellanos]]></surname>
<given-names><![CDATA[PL]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Epidemiologia y organización de los servicios]]></article-title>
<collab>Organización Panamericana de la Salud</collab>
<source><![CDATA[La formación en epidemiologia para el desarrollo de los servicios de salud]]></source>
<year>1987</year>
<page-range>30-40</page-range><publisher-loc><![CDATA[Washington ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Publicación serie: Desarrollo de Recursos Humanos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<label>24</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[CA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Benício]]></surname>
<given-names><![CDATA[MHD]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Freitas]]></surname>
<given-names><![CDATA[ICM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Melhoria em indicadores de saúde associados à pobreza no Brasil dos anos 90: descrição, causas e impacto sobre desigualdades regionais. Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-name><![CDATA[São Paulo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<label>25</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vaughan]]></surname>
<given-names><![CDATA[JP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morrow]]></surname>
<given-names><![CDATA[RH]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Epidemiologia para os municípios: Manual para gerenciamento dos distritos sanitários]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora HUCITEC]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<label>26</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mascarenhas]]></surname>
<given-names><![CDATA[RS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Contribuição para o estudo da administração sanitária estadual em São Paulo]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<label>27</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Glasunov]]></surname>
<given-names><![CDATA[IS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Grabauskas]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Holland]]></surname>
<given-names><![CDATA[WWW]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Epstein]]></surname>
<given-names><![CDATA[FH]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An integrated programme for the prevention and control of noncommunicable diseases]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Chronic Disease]]></source>
<year>1983</year>
<volume>36</volume>
<page-range>419-426</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<label>28</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Stepan]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gênese e evolução da ciência brasileira: Oswaldo Cruz e a política de investigação científica e médica]]></source>
<year>1976</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. Artenova]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
