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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mortalidade infantil e seus componentes em Salvador-BA, 1980-1991]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="topo"></a><font size="4">Mortalidade infantil e seus componentes em Salvador-BA,  1980-1991<sup><a href="#endereco">*</a></sup></font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Bruno Gil de Carvalho<sup>I</sup>; Maria da Concei&#231;&#227;o Nascimento Costa<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Estudante da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia</font>    <br> <font face="Verdana" size="2"><sup>II</sup>Mestre em Sa&#250;de Comunit&#225;ria, Professor Adjunto do Instituto de Sa&#250;de Coletiva da Universidade Federal da Bahia</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Este estudo descreve a evolu&#231;&#227;o da mortalidade infantil e seus componentes neonatal e p&#243;s-neonatal em Salvador-BA de 1980 a 1991, bem como os seus principais grupos de causas nos anos de 1980 e 1991. O coeficiente de mortalidade infantil decresceu 63,6% no per&#237;odo estudado, passando de 79,2%o menores de um ano em 1980 para 28,8%o em 1991, mas alterou pouco a participa&#231;&#227;o percentual dos seus componentes. Apesar da acentuada redu&#231;&#227;o da mortalidade, as Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias, Afec&#231;&#245;es Originadas no Per&#237;odo Perinatal e Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio permaneceram como os tr&#234;s mais importantes grupos de causas de &#243;bito em 1991, com predom&#237;nio das Afec&#231;&#245;es Perinatais. No per&#237;odo neonatal, as Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias e as Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio reduziram a sua import&#226;ncia como causas de &#243;bitos, sendo em 1991 superadas pelas Anomalias Cong&ecirc;nitas. Quanto aos &#243;bitos p&#243;s-neonatais, continuam destacando-se as Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias e as Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio, especialmente as diarr&eacute;ias, septicemias e broncopneumonias. O perfil dessa mortalidade fornece ind&#237;cios da persist&#234;ncia de condi&#231;&#245;es de vida adversas de segmentos da popula&#231;&#227;o do munic&#237;pio, que necessitam ser identificados e terem atendidas suas necessidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-Chave</b></font><font face="Verdana" size="2"><b>:</b></font><font face="Verdana" size="2"> Mortalidade Infantil; Evolu&#231;&#227;o; Indicadores de Sa&#250;de.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">This study describes the evolution of infant mortality and its neonatal and post-neonatal components in Salvador-BA from 1980 to 1991, along with its principal groups of causes in 1980 and 1991. The infant mortality coefficient decreased 63.6% during the period studied, droping from 79.2%o in children under one year of age in 1980 to 28.8%o in 1991, but little did the percentages of its components change. Even though mortality rates decreased significantly, Infectious and Parasitic, Perinatal and Respiratory Diseases remained the three most important groups of causes of death in 1991, with predominance of Perinatal Diseases. During the neonatal period, Infectious and Parasitic Diseases and Respiratory Diseases had their importance narrowed, being surpassed by Congenital Diseases in 1991. However Infectious and Parasitic and Respiratory Diseases, particularly diahrroea, septicaemia and bronchopneumonia, kept predominating among causes of post-neonatal deaths. The mortality trend suggests that bad living conditions persist in some segments of the population of the municipaliy which need to be identified and have their needs satisfed.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key-Words:</b></font><font face="Verdana" size="2"> Infant Mortality; Evolution; Health Indicators.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="3">Introdu&#231;&#227;o</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O coeficiente de mortalidade infantil (CMI), que corresponde aos &#243;bitos de menores de um ano em rela&#231;&#227;o ao total de nascidos vivos (NV), ainda &#233; reconhecido como um dos indicadores de sa&#250;de, e mesmo de desenvolvimento socioecon&ocirc;mico, das sociedades. Observa-se que, em pa&#237;ses com elevada mortalidade infantil, a participa&#231;&#227;o do componente p&#243;s-neonatal &#233; maior, e &#233; precisamente essa fra&#231;&#227;o que costuma reduzir-se mais francamente quando ocorre queda do CMI, uma vez que as causas de mortalidade neonatal s&#227;o mais dif&#237;ceis de controlar, mesmo com o emprego de tecnologia m&#233;dica avan&#231;ada.<sup>1</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As taxas de mortalidade infantil t&#234;m decrescido em quase todo o mundo, mas, em diversos pa&#237;ses, seus valores ainda s&#227;o altos, indicativos das condi&#231;&#245;es de vida desfavor&#225;veis de suas popula&#231;&#245;es. Diarr&eacute;ia, pneumonia, sarampo, t&#233;tano e coqueluche, malgrado a simplicidade das medidas de preven&#231;&#227;o dessas doen&#231;as, ainda representam as causas principais das mortes de menores de um ano nos pa&#237;ses em desenvolvimento.<sup>2</sup> Na Am&#233;rica Latina, os coeficientes apresentados pela maioria dos pa&#237;ses permanecem altos, embora apresentando tend&#234;ncia ao decr&#233;scimo, como no M&#233;xico, Costa Rica e Equador.<sup>3,4,5</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tal tend&#234;ncia de decl&#237;nio tamb&#233;m tem-se verificado no Brasil. N&#227;o obstante os per&#237;odos de aumento nos anos 70, as taxas de mortalidade infantil t&#234;m deca&#237;do nas &#250;ltimas d&#233;cadas nas diferentes regi&#245;es do pa&#237;s.<sup>6</sup>'<sup>7</sup> Apesar de muitos dos estudos nacionais se ressentirem da indisponibilidade de dados mais confi&#225;veis e precisos, impondo limita&#231;&#245;es e ressalvas &#224;s suas conclus&#245;es, foram evidenciadas importantes associa&#231;&#245;es entre o comportamento do CMI e vari&#225;veis socioecon&ocirc;micas, a correla&#231;&#227;o do baixo peso ao nascer com mortalidade perinatal, al&#233;m de varia&#231;&#245;es sazonais quantitativas (taxas) e qualitativas (causas mais prevalentes) a depender da &#233;poca do ano e condi&#231;&#245;es clim&#225;ticas.<sup>8</sup>'<sup>9</sup>'<sup>10</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A cidade de Salvador, na Bahia, tamb&#233;m vem apresentando uma queda dos n&#237;veis de seus CMI, por&#233;m de forma n&#227;o muito uniforme. Entre 1940 e 1966, a referida taxa apresentou um decr&#233;scimo importante, de 53,9%. Ap&#243;s este ano, observou-se uma redu&#231;&#227;o no ritmo de sua queda at&#233; 1968, ocasi&#227;o em que este indicador apresentava o valor de 66,7%o para os nascidos vivos. A partir de ent&#227;o, houve revers&#227;o da tend&#234;ncia decrescente e, em 1971, esta mortalidade era de 98,3%o. Os anos 70 foram marcados por intensa varia&#231;&#227;o desse coeficiente, com per&#237;odos curtos de queda e crescimento alternando-se at&#233; 74,4%o em 1979<sup>6</sup>'<sup>11</sup>, seguindo-se um per&#237;odo de taxas descendentes nos anos 80.<sup>12</sup> Essa variabilidade tamb&#233;m se verificou na distribui&#231;&#227;o dos seus componentes. De 1962 a 1968, o percentual de &#243;bitos neonatais aumentou de 32,4% para 54,1%, seguindo-se per&#237;odo de grandes oscila&#231;&#245;es ano a ano. Em 1975, come&#231;ou uma nova fase de tend&#234;ncia ao crescimento dos &#243;bitos neonatais em rela&#231;&#227;o ao total das mortes de menores de um ano.<sup>6,11,13</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A import&#226;ncia da taxa de mortalidade infantil como indicador da situa&#231;&#227;o de sa&#250;de aponta a necessidade de seu acompanhamento, de modo a contribuir para o planejamento de a&#231;&#245;es de sa&#250;de. Assim, o presente estudo tem como objetivo descrever a evolu&#231;&#227;o da mortalidade infantil e seus componentes em Salvador-BA, de 1980 a 1991, e os seus principais grupos de causas de &#243;bito no primeiro e &#250;ltimo anos desse per&#237;odo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O censo de 1991 registrou para Salvador 2.056.013 habitantes, o que a coloca como terceira cidade do pa&#237;s. Com &#225;rea territorial de 299 km<sup>2</sup> e densidade demogr&#225;fica de 6.876,2 hab/km<sup>2</sup>, o munic&#237;pio est&#225; localizado &#224; entrada da ba&#237;a de Todos os Santos, ocupando a ponta da pen&#237;nsula que se estende a norte e leste desta.<sup>14</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os dados sobre os &#243;bitos ocorridos de 1980 a 1990 foram obtidos atrav&#233;s do Minist&#233;rio da Sa&#250;de/ Funda&#231;&#227;o Nacional de Sa&#250;de/ DATASUS, enquanto aqueles referentes ao ano de 1991 foram oriundos do banco de dados do projeto &quot;An&#225;lise da Situa&#231;&#227;o de Sa&#250;de do</font> <font face="Verdana" size="2">Munic&#237;pio de Salvador Segundo Condi&#231;&#245;es de Vida&quot;.<sup>15</sup> Esse banco foi criado a partir das declara&#231;&#245;es de &#243;bito (DOs) fornecidas pelo CIS/ SESAB, de onde foram coletadas as datas de nascimento e &#243;bito, idade ao falecer, endere&#231;o e causa b&#225;sica da morte (j&#225; selecionada e classificada de acordo com a CID-9<sup>a</sup> revis&#227;o), al&#233;m de outras informa&#231;&#245;es n&#227;o utilizadas neste estudo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&#233;m da mortalidade infantil proporcional (MIP), foram utilizados como indicadores para a an&#225;lise dos dados, os coeficientes de mortalidade infantil (CMI) e seus principais componentes, a mortalidade neonatal ou infantil precoce (CMNN) e a p&#243;s-neonatal ou infantil tardia (CMMPNN), que abrangem os &#243;bitos ocorridos antes de 28 dias de vida e aqueles de 28 dias a menos de um ano de idade, respectivamente. Como denominadores desses coeficientes, ao inv&#233;s do n&#250;mero de nascidos vivos, foi utilizada a popula&#231;&#227;o de menores de um ano estimada por interpola&#231;&#227;o (m&#233;todo geom&#233;trico) a partir dos dados dos Censos Demogr&#225;ficos de 1980 e 1991. Tal op&#231;&#227;o se deveu ao fato de que, at&#233; 1990, o Sistema de Informa&#231;&#245;es de Nascidos Vivos/ SINASC ainda n&#227;o tinha sido implantado no Estado da Bahia, e tamb&#233;m em raz&#227;o da pouca confiabilidade das estimativas dispon&#237;veis de nascidos vivos. Para os anos censit&#225;rios, a popula&#231;&#227;o de menores de um ano empregada foi a divulgada pelo IBGE.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O processamento dos dados foi feito por meio do programa EPI-INFO, nos computadores do Laborat&#243;rio de Inform&#225;tica em Sa&#250;de do Instituto de Sa&#250;de Coletiva da Universidade Federal da Bahia (LIS-ISC-UFBA). As frequ&#234;ncias de &#243;bitos de menores de um ano, dos seus componentes e por grupo de causa foram estudadas atrav&#233;s dos seus percentuais e coeficientes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A <a href="#t1">Tabela 1</a> traz dados que apontam para o decr&#233;scimo do CMI de 79,2%o, em 1980, para 28,8%o, em 1991, correspondendo a uma queda de 63,6% no per&#237;odo. A taxa de mortalidade neonatal apresentou igualmente decl&#237;nio continuado, de 53,7%, enquanto que o componente p&#243;s-neonatal, apesar das pequenas eleva&#231;&#245;es apresentadas em 1983/1984, alcan&#231;ou 1990 com queda de 69,6% (<a href="#f1">Figura 1</a>). Os &#243;bitos neonatais, que em 1980 representavam 37,2% das mortes de menores de um ano, passaram a responder por 47,3% destas em 1991.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a04t1.gif" border="0"></font></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="left"><a name="f1"></a></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v7n4/4a04f1.gif" border="0"></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Chama aten&#231;&#227;o a distribui&#231;&#227;o dessa queda da mortalidade infantil entre os seus dois componentes ao longo da d&#233;cada de 80. Os 24,9% de redu&#231;&#227;o do coeficiente de mortalidade infantil no per&#237;odo de 80-84 para 85-88 foram devidos aos decr&#233;scimos de 27,9% da parcela neonatal e 23% da infantil tardia. J&#225; de 85-88 para 89-91, foi a queda de 41,9% do</font> <font face="Verdana" size="2">componente p&#243;s-neonatal que mais contribuiu para a redu&#231;&#227;o da mortalidade infantil. A <a href="#f1">Figura 1</a>, mostra que, de 1980 at&#233; 1988 (&#224; exce&#231;&#227;o dos anos de 80 e 84), a rela&#231;&#227;o entre os dois componentes manteve-se mais ou menos uniforme, ambos com a mesma tend&#234;ncia decrescente, e s&#243; a partir de 1989 o componente neonatal deu algum sinal de aumento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mais de 80% dos &#243;bitos de menores de um ano em 1980 foram devidos, conjuntamente, &#224;s Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias (35,0%), &#224;s Afec&#231;&#245;es Originadas no Per&#237;odo Perinatal (32,7%) e &#224;s Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio (16,8%), correspondendo aos coeficientes de 27,7, 25,9 e 13,3 por mil menores de um ano, respectivamente. No ano de 1991, esses grupos de causas responderam por aproximadamente 76% dessas mortes, por&#233;m as Afec&#231;&#245;es Originadas no Per&#237;odo Perinatal (39,1%) ultrapassaram as Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias (22,3%), que passaram a ocupar a segunda posi&#231;&#227;o. As Anomalias Cong&#234;nitas tiveram sua participa&#231;&#227;o relativa aumentada de</font> <font face="Verdana" size="2">1980 para 1991.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No ano de 1980, dentre os &#243;bitos neonatais, foram as Afec&#231;&#245;es Originadas no Per&#237;odo Perinatal que apresentaram a maior taxa (20,7%o) e percentual (70,3%), seguidas pelas Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias e pelas do</font> <font face="Verdana" size="2">Aparelho Respirat&#243;rio. J&#225; em 1991, as Afec&#231;&#245;es Perinatais (80,2%) e Anomalias Cong&ecirc;nitas (9,6%) representaram 89,8% do total de mortes neonatais, correspondendo a taxas de mortalidade de 10,9%o e 1,3%o, respectivamente (<a href="#t2">Tabela 2</a>). No grupo das Afec&#231;&#245;es Perinatais (<a href="#t3">Tabela 3</a>), chama aten&#231;&#227;o nos dois anos estudados o predom&#237;nio das afec&#231;&#245;es respirat&#243;rias, da prematuridade e das doen&#231;as infecciosas.</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a04t2.gif" border="0"></font></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="left"><a name="t3"></a></p>     <p align="left">&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana"><img src="img/revistas/iesus/v7n4/4a04t3.gif" border="0"></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com rela&#231;&#227;o aos &#243;bitos p&#243;s-neonatais, as Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias e as Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio ocuparam as duas primeiras posi&#231;&#245;es, apesar da expressiva redu&#231;&#227;o de ambas em 1991. Entre as Doen&#231;as Infecciosas e Parasit&#225;rias, as Enterites e outras doen&#231;as diarr&#233;icas foram respons&#225;veis pela parcela mais significativa dos &#243;bitos de 28 dias e mais, tanto em 1980 (87,0%) como em 1991 (76,8%), seguidas pela Septicemia (8,7% e 20,6%, para cada ano). Do total dos &#243;bitos pelas Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio, as Pneumonias e Broncopneumonias contribu&#237;ram com respectivamente 84,7% e 71,5% (<a href="#t3">Tabela 3</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Discuss&#227;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um ponto a ser observado &#233; que, malgrado o grande progresso representado pela diminui&#231;&#227;o das taxas de mortalidade infantil, a situa&#231;&#227;o em Salvador mantinha-se, em 1991,aqu&#233;m do que se poderia esperar ap&#243;s a observa&#231;&#227;o das tend&#234;ncias apresentadas na d&#233;cada anterior, quando parecia que a mortalidade neonatal passaria a abranger a maior parte dos &#243;bitos abaixo de um ano de idade. A pouca altera&#231;&#227;o na participa&#231;&#227;o percentual dos dois componentes dessa mortalidade sugere que a sua redu&#231;&#227;o no per&#237;odo 1980-1991 ocorreu gra&#231;as &agrave; diminui&#231;&#227;o de ambos, o que contraria as expectativas baseadas na tend&#234;ncia epidemiol&#243;gica observada em &#225;reas de elevada mortalidade infantil, que &#233; de redu&#231;&#227;o da mortalidade p&#243;s-neonatal e aumento relativo da parcela neonatal.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com rela&#231;&#227;o aos grupos de causas das mortes dessas crian&#231;as, a magnitude das Afec&#231;&#245;es Perinatais pode estar refletindo tanto as defici&#234;ncias nas condi&#231;&#245;es de vida e de sa&#250;de (estado nutricional, assist&#234;ncia pr&#233;-natal, etc.) da gestante como a maior dificuldade na abordagem m&#233;dica em face da complexidade e elevada letalidade das doen&#231;as desse grupo, que exigem, em grande parte, tecnologia mais avan&#231;ada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar da acentuada redu&#231;&#227;o observada, o aparelho respirat&#243;rio continuou sendo s&#237;tio importante de doen&#231;as que resultaram em &#243;bitos neonatais. Tamb&#233;m as</font> <font face="Verdana" size="2">doen&#231;as infecciosas e parasit&#225;rias (DIP) foram respons&#225;veis por um grande n&#250;mero dos &#243;bitos infantis precoces, o que pode ser indicativo de m&#225;s condi&#231;&#245;es de assist&#234;ncia perinatal, permitindo a exposi&#231;&#227;o a agentes etiol&#243;gicos de infec&#231;&#245;es durante a vida intra-uterina ou logo ap&#243;s o nascimento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&#233;m entre as poss&#237;veis vari&#225;veis implicadas na ocorr&#234;ncia da prematuridade, devem ser destacadas as condi&#231;&#245;es de nutri&#231;&#227;o materna e as defici&#234;ncias na assist&#234;ncia pr&#233;-natal que ainda persistem em Salvador.<sup>16</sup> Embora ela tenha sido, entre as causas de mortes perinatais, aquela que apresentou a maior redu&#231;&#227;o da taxa de mortalidade (75%), deve ser lembrado que, pelas regras da Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as/CID, ela s&#243; &#233; causa b&#225;sica de morte quando ausentes quaisquer outras<sup>1</sup> e, portanto, pode ter ocorrido com frequ&#234;ncia maior em associa&#231;&#227;o com outras causas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No grupo dos &#243;bitos de crian&#231;as com 28 dias de vida ou mais, a import&#226;ncia das doen&#231;as diarr&#233;icas aponta a persist&#234;ncia de um problema amplamente combatido atrav&#233;s de campanhas veiculadas pelos meios de comunica&#231;&#227;o a n&#237;vel nacional: o bin&ocirc;mio diarr&#233;ia-desidrata&#231;&#227;o. O avan&#231;o representado pela terapia de reidrata&#231;&#227;o oral e medidas educacionais e preventivas pode ter sido um importante elemento para a redu&#231;&#227;o observada, por&#233;m a sua manuten&#231;&#227;o como principal causa de morte nesta idade retrata muito provavelmente a perman&#234;ncia de condi&#231;&#245;es de vida adversas e estrutura insuficiente de saneamento b&#225;sico para certos segmentos da popula&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Deve-se ainda ressaltar o papel das mortes por DIP provocadas pelas septicemias, o que real&#231;a as defici&#234;ncias da cidade no setor de cuidado &#224; crian&#231;a, j&#225; que tal enfermidade est&#225; associada a iatrogenias, e tamb&#233;m aponta outros problemas inerentes &#224;s pr&#243;prias crian&#231;as e comumente implicadas no desenvolvimento de s&#233;psis, como prematuridade, baixo peso e imunodepress&#227;o.<sup>17</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, como a maioria dos &#243;bitos p&#243;s-neonatais por Doen&#231;as do Aparelho Respirat&#243;rio    (as    broncopneumonias   e</font> <font face="Verdana" size="2">pneumonias, majoritariamente) foram tamb&#233;m de etiologia viral/bacteriana, embora n&#227;o classificadas pela CID no grupo das DIP, acabaram por aumentar a import&#226;ncia das doen&#231;as infecciosas, com um peso de mais da metade daquele das doen&#231;as diarr&#233;icas nas mortes desse grupo et&#225;rio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Constata-se assim que, apesar da redu&#231;&#227;o apresentada no per&#237;odo estudado, a mortalidade infantil em Salvador ainda permanece associada, em grande parte, a causas de f&#225;cil controle mediante cuidados b&#225;sicos que n&#227;o demandam investimentos de grande monta.<sup>18,19,20</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar da tend&#234;ncia decrescente dessa mortalidade e redu&#231;&#227;o da participa&#231;&#227;o da contribui&#231;&#227;o das DIP, refletida no decr&#233;scimo dos &#243;bitos p&#243;s-neonatais, mais relacionados aos fatores ambientais associados &#224;quelas doen&#231;as, continuaram coexistindo tanto os agravos normalmente mais prevalentes ap&#243;s 28 dias de vida (consequentes ao ambiente - nutri&#231;&#227;o, saneamento) quanto as doen&#231;as perinatais e cong&#234;nitas, que encontram paralelo nas doen&#231;as cr&ocirc;nico-degenerativas da popula&#231;&#227;o adulta. Da&#237; observar-se para os menores de um ano do munic&#237;pio situa&#231;&#227;o semelhante &#224; descrita por Barreto e Carmo (1994), que configura a transi&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica incompleta em curso no Brasil como um todo.<sup>21</sup></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As caracter&#237;sticas apresentadas pela evolu&#231;&#227;o da mortalidade infantil e pelo perfil de suas causas no per&#237;odo s&#227;o sugestivas de que, apesar da melhora exibida nos seus valores, existem grupos populacionais que ainda apresentam prec&#225;rias condi&#231;&#245;es de vida e sa&#250;de no munic&#237;pio, demandando a realiza&#231;&#227;o de estudos que propiciem a sua identifica&#231;&#227;o no espa&#231;o urbano e o atendimento de suas necessidades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Laurenti R, Siqueira AAF. O problema da mortalidade neonatal em S&#227;o Paulo, Brasil. <b>Revista de Sa&#250;de P&#250;blica de S&#227;o Paulo</b></font> <font face="Verdana" size="2">6:45-55, 1972.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. UNICEF. Situa&#231;&#227;o Mundial da Inf&#226;ncia.</font> <font face="Verdana" size="2">ICEF, Bras&#237;lia, 1994.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. OMS. World Health Statistics Annual 1988.OMS, Genebra, 1988.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. OMS. World Health Statistics Annual 1989. OMS, Genebra, 1989.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. OMS. World Health Statistics Annual 1992.</font> <font face="Verdana" size="2">OMS, Genebra, 1993.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. Paim JS, Costa MCN. Varia&#231;&#227;o da mortalidade infantil em diferentes capitais brasileiras (1960-1979). <b>Revista Baiana de Sa&#250;de P&#250;blica </b>9(3/4): 125-135, 1982.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. Monteiro CA. Contribui&#231;&#227;o para o estudo do significado da evolu&#231;&#227;o do coeficiente de mortalidade infantil no munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, SP (Brasil) nas tr&#234;s &#250;ltimas d&#233;cadas (1950-1979). <b>Revista de Sa&#250;de P&#250;blica de S&#227;o Paulo </b>16(1): 7-18, 1982.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8. Strozzi GM, Strozzi JB, Souza ML, Schutel MD. Estudo de causa b&#225;sica de &#243;bitos de menores de 15 anos, ocorridos em hospital de Florian&#243;polis, SC (Brasil) em 1982. <b>Revista de Sa&#250;de P&#250;blica de S&#227;o Paulo</b></font> <font face="Verdana" size="2">19:123-132, 1985.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9. Victora CG, Barros FC, Martines JC, Beria JU, Vaughan JP. Estudo longitudinal das crian&#231;as nascidas em 1982 em Pelotas, RS, Brasil. Metodologia e Resultados Preliminares. <b>Revista de Sa&#250;de P&#250;blica</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>de S&#227;o Paulo </b>19:58-68, 1985.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. Laurenti R, Buchalla CM. Estudo da Morbidade e da Mortalidade Perinatal em Maternidades. II - Mortalidade perinatal segundo peso ao nascer, idade materna, assist&#234;ncia pr&#233;-natal e h&#225;bito de fumar da m&#227;e. <b>Revista de Sa&#250;de P&#250;blica de S&#227;o</b></font> <font face="Verdana" size="2"><b>Paulo </b>19:225-232, 1985.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. Paim JS. Indicadores s&#243;cio-econ&#244;micos e evolu&#231;&#227;o da mortalidade infantil no munic&#237;pio de Salvador 1968-1977. <b>Revista Baiana de Sa&#250;de P&#250;blica </b>7/8 (1/4 e 1):26-40, 1980/81.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. Paim JS, Costa MCN. Decline and Uneveness of Infant Mortality in Salvador, Brazil 1980-1988. <b>PAHO Bulletin </b>27(1):1-14, 1993.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. James AS. Morbimortalidade infantil e sobrevida de crian&#231;as na Bahia, Brasil: uma revis&#227;o da literatura s&#243;cio-epidemiol&#243;gica. <b>Revista Baiana de Sa&#250;de P&#250;blica </b>16 (1/4):15-29, 1989.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14. DELTA. Enciclop&#233;dia Delta Universal vol.13. Editora Delta S.A., Rio de Janeiro, 1987: p.7109-7111.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15. Paim JS. Abordagens te&#243;rico-conceituais em estudos de condi&#231;&#245;es de vida e sa&#250;de: Notas</font> <font face="Verdana" size="2">para reflex&#227;o em a&#231;&#227;o. In: Barata RB (org). Condi&#231;&#245;es de Vida e Sa&#250;de. Sa&#250;de Movimento, ABRASCO, Rio de Janeiro,</font> <font face="Verdana" size="2">p.7-30, 1997.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16. Santos SMC, Silva RCR, Costa SFS, Silveira TMO. Peso ao nascer nas seis maternidades da Rede P&#250;blica Estadual de Salvador. <b>Revista Baiana de Sa&#250;de P&#250;blica </b>19(1/4):29-35, 1992.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17. Horita SM, Sakane PT, Marques HHS. Septicemia. In: Marcondes E, Pediatria B&#225;sica v.2, 8: ed Sarvier. S&#227;o Paulo, p.942-944, 1991.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18. Victora CG, Vaughan JP, Barros FC. The seasonality of infant deaths due to diarrheal and respiratory diseases in Southern Brazil, 1974-1978. <b>PAHO Bulletin </b>19(1):29-39,1985.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">19. Williams CD, Jelliffe DB. Mother and child health- delivering services. Oxford University Press, Oxford, 1978.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">20. Myerberg DZ, Carpenter RG, Myerberg CF, Britton CM, Bailey CW, Fink BE. Reducing postneonatal mortality in West Virginia: a statewide intervention program targeting risk identified at and after birth. <b>American Journal of Public Health </b>85(5):631-637,1995.</font><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">21. Barreto ML, Carmo EH. Situa&#231;&#227;o de Sa&#250;de da Popula&#231;&#227;o Brasileira: Tend&#234;ncias Hist&#243;ricas, Determinantes e Implica&#231;&#245;es para as Pol&#237;ticas de Sa&#250;de. <b>Informe Epidemiol&#243;gico do SUS </b>III(3/4):7-34,</font> <font face="Verdana" size="2">1994.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/ess/v19n2/seta.gif" border="0"></a></b></font><font face="Verdana" size="2"><b>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia:</b></font><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  Rua Padre Manoel Barbosa,     <br> 27C, Ed. Casa Verde    <br>  Apt 502 Itaigara.    <br> </font><font face="Verdana" size="2">  CEP 41.815-050     <br> Salvador-BA. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup><a href="#topo">*</a></sup>Trabalho desenvolvido no &#226;mbito do projeto &quot;An&#225;lise da Situa&#231;&#227;o de Sa&#250;de do Munic&#237;pio de Salvador segundo Condi&#231;&#245;es de Vida&quot;, do Instituto de Sa&#250;de Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Acordo OPS/CNPq-DCR/ RPR/63/5/12 Processo n<sup>o</sup> 52.182.09316 (CNPq). Endere&#231;o: Rua Padre Feij&#243;, n<sup>o</sup> 29, 4<sup>o</sup> andar. Canela, Salvador-BA-Brasil CEP 40.110-570.</font></p>      ]]></body><back>
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