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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro Nacional de Epidemiologia, Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.5123/S0104-16731999000100002</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O desafio das doenças emergentes e a revalorização da epidemiologia descritiva<a href="#nota">*</a>]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper focuses on emergent and re-emergent diseases, presenting their definition, patterns of ocurrence during the last 25 years, and the determinants of this ocurrence. It also emphasizes the importance of descriptive epidemiology and its use in the investigation of these health problems, especially in view of epidemiologists' tendency to give less attention to it. Finally, it mentions the challenges that emergent diseases bring to the practice of Public Health and also for the methodological development of descriptive epidemiology. These challenges are considered in three fields: biosecurity, surveillance systems and descriptive epidemiology techniques.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Epidemiologia Descritiva]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Emergent and Re-emergent Diseases]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>O desafio das doen&ccedil;as    emergentes e a revaloriza&ccedil;&atilde;o da epidemiologia descritiva</b><a href="#nota"><sup>*</sup></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Rita de C&aacute;ssia Barata Barradas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas da    Santa Casa de S&atilde;o Paulo </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia    </a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Este artigo trata das doen&ccedil;as emergentes    e re-emergentes apresentando seu conceito, as principais ocorr&ecirc;ncias nos    &uacute;ltimos 25 anos, e os determinantes dessas ocorr&ecirc;ncias. Trata tamb&eacute;m    da epidemiologia descritiva e sua utiliza&ccedil;&atilde;o na investiga&ccedil;&atilde;o    desses problemas de sa&uacute;de apontando a import&acirc;ncia de sua recupera&ccedil;&atilde;o    pelos epidemiologistas. Finalmente, s&atilde;o mencionados os desafios que as    doen&ccedil;as emergentes colocam para a pr&aacute;tica em Sa&uacute;de Coletiva    e tamb&eacute;m para o desenvolvimento metodol&oacute;gico da epidemiologia    descritiva.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-Chave:</b> Epidemiologia Descritiva;    Doen&ccedil;as Transmiss&iacute;veis; Doen&ccedil;as Emergentes.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> This paper focuses on emergent and re-emergent    diseases, presenting their definition, patterns of ocurrence during the last    25 years, and the determinants of this ocurrence. It also emphasizes the importance    of descriptive epidemiology and its use in the investigation of these health    problems, especially in view of epidemiologists' tendency to give less    attention to it. Finally, it mentions the challenges that emergent diseases    bring to the practice of Public Health and also for the methodological development    of descriptive epidemiology. These challenges are considered in three fields:    biosecurity, surveillance systems and descriptive epidemiology techniques.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Key Words:</b> Descriptive Epidemiology; Transmissible    Diseases; Emergent and Re-emergent Diseases.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> As d&eacute;cadas de 40 e 50 assinalam, na Am&eacute;rica,    o momento da transi&ccedil;&atilde;o do perfil de morbidade das doen&ccedil;as    infecciosas e parasit&aacute;rias para problemas cr&ocirc;nicos e degenerativos.    Na Epidemiologia, essa transi&ccedil;&atilde;o se fez acompanhar de uma intensifica&ccedil;&atilde;o    no desenvolvimento dos aspectos metodol&oacute;gicos, consolidando os chamados    estudos anal&iacute;ticos, principalmente os estudos de coorte e caso-controle,    como os mais apropriados para a investiga&ccedil;&atilde;o dos fatores de risco    presentes na causalidade dessas doen&ccedil;as.<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os sucessos obtidos, nas primeiras   d&eacute;cadas deste s&eacute;culo, no controle das   doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias atrav&eacute;s   dos programas de imuniza&ccedil;&atilde;o em massa,   do controle de vetores e do saneamento   ambiental pareciam indicar que o   conhecimento dispon&iacute;vel era suficiente   para o manejo das doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis.   A metodologia de inqu&eacute;rito epidemiol&oacute;gico   e as t&eacute;cnicas da epidemiologia descritiva   utilizadas na caracteriza&ccedil;&atilde;o desses   problemas, no &acirc;mbito populacional,   pareciam n&atilde;o necessitar de maiores   refinamentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A campanha de erradica&ccedil;&atilde;o da   var&iacute;ola, desenhada com base na   experi&ecirc;ncia adquirida durante a d&eacute;cada de   50 no programa de erradica&ccedil;&atilde;o da   mal&aacute;ria, auxiliou a incorpora&ccedil;&atilde;o das   t&eacute;cnicas de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica aos   programas de controle de doen&ccedil;as   transmiss&iacute;veis em todo o mundo. A   Ag&ecirc;ncia norte-americana criada durante   a campanha de erradica&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria no   sul dos Estados Unidos foi transformada   em Centro de Controle de Doen&ccedil;as e se   encarregou de implantar o sistema de   vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica no pa&iacute;s.<sup>2</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&Agrave; medida que as doen&ccedil;as   transmiss&iacute;veis, sujeitas &agrave; vigil&acirc;ncia v&atilde;o   se tornando mais raras, a import&acirc;ncia   pol&iacute;tica desses &oacute;rg&atilde;os destinados ao   controle tamb&eacute;m vai diminuindo. Assim,   na d&eacute;cada de 80, sob o impacto de   administra&ccedil;&otilde;es republicanas nos Estados   Unidos e no contexto da crise fiscal dos   governos ocidentais, o corte das verbas   destinadas &agrave; Sa&uacute;de P&uacute;blica promove um   progressivo desmantelamento dessas   estruturas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao mesmo tempo, na Epidemiologia, o interesse    dos investigadores desloca-se, cada vez mais, para as doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas,    desaparecendo progressivamente, dos livros textos e publica&ccedil;&otilde;es    da &aacute;rea, a refer&ecirc;ncia &agrave; epidemiologia descritiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante o per&iacute;odo que vai do in&iacute;cio   dos anos 70 ao in&iacute;cio dos 90 o mundo   passa por uma s&eacute;rie de transforma&ccedil;&otilde;es,   extremamente r&aacute;pidas, principalmente nas   regi&otilde;es n&atilde;o desenvolvidas da Am&eacute;rica,   &Aacute;sia e &Aacute;frica, caracterizadas por intenso   processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o que resulta no   aparecimento de grandes centros urbanos   com mais de um milh&atilde;o de habitantes em   &aacute;reas onde anteriormente n&atilde;o haviam tais   adensamentos populacionais; fluxos   migrat&oacute;rios decorrentes desse mesmo   processo ou associados a guerras civis e   persegui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas; incorpora&ccedil;&atilde;o   desordenada de tecnologias, que muitas   vezes desestruturam formas tradicionais   de enfrentamento dos problemas, sem que   haja o correspondente desenvolvimento   social para sustent&aacute;-las; in&uacute;meras   oportunidades de comunica&ccedil;&atilde;o, com&eacute;rcio   e intera&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses de &aacute;reas   anteriormente relativamente isoladas.<sup>3,4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Krause inicia seu artigo sobre as novas e velhas    epidemias afirmando que &quot;<i>Uma nova epidemia pode estar sendo incubada    agora mesmo em uma mega cidade, sem saneamento e superpovoada, do mundo n&atilde;o    desenvolvido ou nas florestas remotas da &Aacute;frica, Am&eacute;rica do Sul    ou &Aacute;sia - regi&otilde;es esparsamente povoadas que recentemente t&ecirc;m    sido alteradas pela civiliza&ccedil;&atilde;o moderna</i>&quot;.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Todas essas condi&ccedil;&otilde;es de   transforma&ccedil;&atilde;o resultam em modifica&ccedil;&otilde;es   no perfil de morbidade acarretando o   aparecimento de novas doen&ccedil;as e agravos   &agrave; sa&uacute;de e a altera&ccedil;&atilde;o no comportamento   epidemiol&oacute;gico de antigas doen&ccedil;as   tornando mais complexo o quadro   sanit&aacute;rio e, at&eacute; certo ponto, derrubando a   id&eacute;ia de uma transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica   pensada como simples sucess&atilde;o de fases   decorrentes fundamentalmente do   processo de envelhecimento populacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este ensaio tem por objetivo recolocar a import&acirc;ncia    da epidemiologia descritiva como ferramenta de conhecimento epidemiol&oacute;gico,    face &agrave; crescente desvaloriza&ccedil;&atilde;o que a mesma vem sofrendo    quando cotejada com as t&eacute;cnicas da chamada epidemiologia anal&iacute;tica.    As investiga&ccedil;&otilde;es, nas quais a caracteriza&ccedil;&atilde;o da    distribui&ccedil;&atilde;o dos casos segundo as categorias de tempo, espa&ccedil;o    e pessoas foram determinantes para o esclarecimento de doen&ccedil;as emergentes    e re-emergentes, exemplificam a import&acirc;ncia que a abordagem da distribui&ccedil;&atilde;o    das doen&ccedil;as deve ter no pensamento epidemiol&oacute;gico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Epidemiologia descritiva</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Segundo Juan Samaja<sup>6</sup> o principal    pressuposto de toda investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; que    o objeto de estudo seja intelig&iacute;vel. Este <i>a priori</i> de inteligibilidade    cont&eacute;m, pelo menos, dois momentos b&aacute;sicos: a descri&ccedil;&atilde;o    do objeto que visa identificar os componentes e caracteriz&aacute;-los, e a    possibilidade de reelabora&ccedil;&atilde;o conforme um padr&atilde;o de assimila&ccedil;&atilde;o    compat&iacute;vel com a raz&atilde;o humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para poder descrever de maneira   cient&iacute;fica a realidade &eacute; preciso explicitar   de que modo &eacute; feita a sua fragmenta&ccedil;&atilde;o,   segundo que categorias. Um enunciado   descritivo tem duas finalidades: serve para   individualizar um elemento ou   componente do objeto e para atribuir-lhe   certa propriedade. As proposi&ccedil;&otilde;es   descritivas tem como valores conceitos   classificat&oacute;rios, conceitos comparativos,   conceitos m&eacute;tricos, etc...<sup>6</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Na epidemiologia um passo essencial no estudo    de uma doen&ccedil;a &eacute; &quot;descrever precisamente sua ocorr&ecirc;ncia    na popula&ccedil;&atilde;o&quot;.<sup>7</sup> Essa descri&ccedil;&atilde;o tem    como categorias b&aacute;sicas a distribui&ccedil;&atilde;o temporal, a distribui&ccedil;&atilde;o    espacial e a distribui&ccedil;&atilde;o segundo atributos pessoais visando identificar    o padr&atilde;o geral de ocorr&ecirc;ncia e os grupos sob risco. A descri&ccedil;&atilde;o    met&oacute;dica do comportamento da doen&ccedil;a permite a elabora&ccedil;&atilde;o    de hip&oacute;teses &quot;causais&quot; com base na ocorr&ecirc;ncia usual de    doen&ccedil;as conhecidas e possibilita o uso da analogia tanto no estudo das    doen&ccedil;as novas quanto na explica&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as anteriormente    conhecidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Lilienfeld<sup>8</sup> &quot;<i>o epidemiologista    est&aacute; primariamente interessado na ocorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a por    tempo, lugar e pessoas. Ele tenta determinar se houve aumento ou decr&eacute;scimo    da doen&ccedil;a ao longo dos anos; se uma &aacute;rea geogr&aacute;fica tem    freq&uuml;&ecirc;ncia da doen&ccedil;a mais alta do que outras e se as caracter&iacute;sticas    das pessoas com a doen&ccedil;a ou condi&ccedil;&atilde;o sob estudo distinguem-se    daquelas sem ela</i>&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com o aprimoramento da metodologia   dos estudos observacionais,   progressivamente, a epidemiologia   descritiva foi perdendo lugar nos   principais ve&iacute;culos de divulga&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica da &aacute;rea, embora permanecesse   dominante em revistas de doen&ccedil;as   infecciosas. Os manuais de epidemiologia   apresentam um conjunto de t&eacute;cnicas de   an&aacute;lises destinadas &agrave; mensura&ccedil;&atilde;o de   riscos, estudos de associa&ccedil;&atilde;o entre   fatores de risco e risco de doen&ccedil;as e   formas de controlar confundimento e   intera&ccedil;&atilde;o. A mesma aten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; dada   &agrave;s t&eacute;cnicas de an&aacute;lise de tend&ecirc;ncias   temporais e nem &agrave;s t&eacute;cnicas de an&aacute;lise   espaciais, &uacute;teis para os estudos   descritivos e de agregados ecol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As abordagens descritivas, muitas vezes s&atilde;o    tratadas como &quot;menos cient&iacute;ficas&quot; e com menor grau de sofistica&ccedil;&atilde;o    anal&iacute;tica. Entretanto, as quest&otilde;es te&oacute;ricas, conceituais    e metodol&oacute;gicas implicadas nesses estudos s&atilde;o t&atilde;o ou mais    desafiadoras do que aquelas relativas aos demais tipos de desenhos de investiga&ccedil;&atilde;o    utilizados em estudos epidemiol&oacute;gicos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Doen&ccedil;as emergentes e reemergentes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O <i>Centers for Disease Control</i> (CDC) define    doen&ccedil;as emergentes como aquelas doen&ccedil;as infecciosas cuja incid&ecirc;ncia    aumentou nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas ou tendem a aumentar no futuro.    No sentido de especificar melhor essa defini&ccedil;&atilde;o, um tanto vaga,    s&atilde;o mencionadas diferentes circunst&acirc;ncias que podem caracterizar    a emerg&ecirc;ncia de novos problemas de sa&uacute;de.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A primeira dessas circunst&acirc;ncias   corresponde ao surgimento ou identifica&ccedil;&atilde;o   de novos agentes etiol&oacute;gicos,   anteriormente desconhecidos, como por   exemplo, o v&iacute;rus da s&iacute;ndrome de   imunodefici&ecirc;ncia adquirida (HIV). Outra   situa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m enquadrada nessa   defini&ccedil;&atilde;o &eacute; a relativa ao aumento da incid&ecirc;ncia e    dissemina&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as que   anteriormente estavam controladas como   a c&oacute;lera. Outras doen&ccedil;as t&ecirc;m sua   incid&ecirc;ncia aumentada em decorr&ecirc;ncia do   crescimento dos grupos expostos, tais   como, imunossuprimidos, idosos,   pacientes institucionalizados, moradores   de rua, migrantes, crian&ccedil;as em ber&ccedil;&aacute;rios   e escolas maternais, pobres em geral.   Agentes microbianos resistentes aos   desinfetantes como cloro e aos   medicamentos representam outro   conjunto de doen&ccedil;as que podem ser   definidas como problemas emergentes.   Completam a rela&ccedil;&atilde;o as doen&ccedil;as   produzidas pela exposi&ccedil;&atilde;o a animais tais   como, a infe&ccedil;&atilde;o por hantanvirus e a   doen&ccedil;a de Lyme; a dissemina&ccedil;&atilde;o das   doen&ccedil;as tropicais como a mal&aacute;ria, o   dengue, a tripanosom&iacute;ase americana; e,   aquelas doen&ccedil;as cujo aumento de   incid&ecirc;ncia decorre diretamente de uma   vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica ineficiente ou   insuficiente.<sup>4,9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os novos agentes etiol&oacute;gicos t&ecirc;m,   provavelmente sua origem nas amplas   transforma&ccedil;&otilde;es sociais observadas nos   &uacute;ltimos 25 anos, acompanhadas de   altera&ccedil;&otilde;es importantes em v&aacute;rios   ecosistemas. As transforma&ccedil;&otilde;es na   din&acirc;mica populacional decorrentes do   processo de envelhecimento, do   crescimento populacional em determinadas   condi&ccedil;&otilde;es, da mobilidade e da   diferencia&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o de determinados   grupos contribuem para o surgimento de   novos agentes etiol&oacute;gicos com caracter&iacute;sticas   insuspeitas de infectividade,   patogenicidade e virul&ecirc;ncia.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os novos comportamentos epidemiol&oacute;gicos    observados para doen&ccedil;as antigas, por sua vez, indicam altera&ccedil;&otilde;es    importantes na resist&ecirc;ncia, infectividade e patogenicidade de v&aacute;rios    agentes etiol&oacute;gicos, relacionadas a habilidade e versatilidade gen&eacute;tica    de gens carregados por elementos extracromoss&ocirc;micos tais como plasm&iacute;deos    e fagos, transferidos de organismo para organismo por conjuga&ccedil;&atilde;o,    transdu&ccedil;&atilde;o ou transforma&ccedil;&atilde;o, acelerando assim as    muta&ccedil;&otilde;es.<sup>5</sup> Outro aspecto as ser considerado na mudan&ccedil;a    das caracter&iacute;sticas epidemiol&oacute;gicas de v&aacute;rias doen&ccedil;as    diz respeito a novas situa&ccedil;&otilde;es de vida de segmentos populacionais    submetidos a in&uacute;meros risco, tais como os moradores de rua, os migrantes    e refugiados das guerras civis, os usu&aacute;rios de drogas e grupos marginalizados    dos grandes centros urbanos, etc...</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Alguns exemplos de doen&ccedil;as emergentes    e o papel da epidemiologia descritiva em sua elucida&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 60,    a   ocorr&ecirc;ncia de um surto de febre   hemorr&aacute;gica no interior da Bol&iacute;via   chamou a aten&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores do   CDC levando &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de um novo   agente etiol&oacute;gico: o v&iacute;rus Machupo. As   investiga&ccedil;&otilde;es conduzidas naquela &eacute;poca   permitiram a identifica&ccedil;&atilde;o do agente mas   n&atilde;o foram capazes de esclarecer   totalmente o mecanismo de transmiss&atilde;o.   Aparentemente haviam ind&iacute;cios de   transmiss&atilde;o direta de pessoa a pessoa.<sup>2,11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1967, um novo surto provocado   por outro v&iacute;rus causador de doen&ccedil;a   hemorr&aacute;gica &eacute; descrito em Marburg, na   Alemanha. A investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica   demonstrou que as fontes de infec&ccedil;&atilde;o   desse novo agente eram macacos   importados de Uganda para prop&oacute;sitos   cient&iacute;ficos. A transmiss&atilde;o ocorreu por   contato dos casos prim&aacute;rios com sangue,   tecidos e secre&ccedil;&otilde;es de animais   infectados, e os casos secund&aacute;rios foram   observados em profissionais de sa&uacute;de que   trataram dos casos prim&aacute;rios. Em 1975,   novo surto da doen&ccedil;a &eacute; identificado em   Johanesburg.<sup>2,12</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No segundo semestre de 1975 nova   epidemia de doen&ccedil;a hemorr&aacute;gica aparece   no Zaire e em seguida no Sud&atilde;o. A   investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica conduzida   por pesquisadores da Organiza&ccedil;&atilde;o   Mundial de Sa&uacute;de (OMS) e do CDC   concluiu tratar-se de uma nova doen&ccedil;a   produzida por um v&iacute;rus que recebeu a   denomina&ccedil;&atilde;o de Ebola, nome do rio   existente na regi&atilde;o onde a doen&ccedil;a   apareceu. Duas outras epidemias   ocorreram em 1986 e 1995 no continente   africano. A investiga&ccedil;&atilde;o realizada permitiu   a caracteriza&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, do agente   etiol&oacute;gico, do mecanismo de transmiss&atilde;o,   a identifica&ccedil;&atilde;o dos grupos de risco, mas,   at&eacute; o momento, n&atilde;o foi poss&iacute;vel   esclarecer qual &eacute; o reservat&oacute;rio do v&iacute;rus   na natureza.<sup>2,13</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre julho de 1979 e abril de 1981 foram registrados    11 casos graves de pneumonia por <i>Pneumocystis carinii</i> em jovens residentes    em New York, sem refer&ecirc;ncia a quadros anteriores de imunodefici&ecirc;ncia.    Esses indiv&iacute;duos eram usu&aacute;rios de drogas injet&aacute;veis e/ou    homossexuais.<sup>14</sup> Entre novembro de 1980 e novembro de 1981 foram comunicados    cinco casos de pneumonia por <i>P. carinii</i> em indiv&iacute;duos homossexuais    n&atilde;o relacionados entre si, residentes em S&atilde;o Francisco.<sup>15</sup> A publica&ccedil;&atilde;o    desses casos no MMWR do CDC em dezembro de 1981 chama a aten&ccedil;&atilde;o    para a possibilidade de que uma nova doen&ccedil;a estivesse atingindo a comunidade    de homossexuais masculinos, e d&aacute; in&iacute;cio a investiga&ccedil;&atilde;o    que levar&aacute; &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da s&iacute;ndrome da    imunodefici&ecirc;ncia adquirida (AIDS).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Muito embora o v&iacute;rus s&oacute; tenha sido    identificado em 1984, as investiga&ccedil;&otilde;es realizadas a partir do    in&iacute;cio dos anos 80 levam ao esclarecimento dos mecanismos de transmiss&atilde;o    mais importantes. Em abril de 1983 &eacute; publicado um estudo sobre o ac&uacute;mulo    de casos nos bairros com maior popula&ccedil;&atilde;o &quot;gay&quot; em S&atilde;o    Francisco, refor&ccedil;ando a caracteriza&ccedil;&atilde;o inicial de transmiss&atilde;o    entre homossexuais masculinos.<sup>16</sup> No ano seguinte &eacute; publicado    um estudo de &quot;<i>clusters</i>&quot; refor&ccedil;ando a id&eacute;ia de    uma doen&ccedil;a transmiss&iacute;vel;<sup>17</sup> e, outro contendo as primeiras evid&ecirc;ncias    de transmiss&atilde;o por transfus&atilde;o sang&uuml;&iacute;nea.<sup>18</sup> Ap&oacute;s    a identifica&ccedil;&atilde;o do HIV e o desenvolvimento dos primeiros testes    sorol&oacute;gicos, s&atilde;o publicados estudos sobre a dissemina&ccedil;&atilde;o    da infe&ccedil;&atilde;o em popula&ccedil;&otilde;es africanas, para as quais    o perfil epidemiol&oacute;gico mostra-se diferente, evidenciando a import&acirc;ncia    da transmiss&atilde;o heterossexual e por uso de agulhas contaminadas.<sup>19,20</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m das doen&ccedil;as cujos agentes   etiol&oacute;gicos s&atilde;o desconhecidos, as doen&ccedil;as   emergentes incluem velhas doen&ccedil;as que   apresentam novos comportamentos   epidemiol&oacute;gicos. Dentre elas algumas   adquirem especial relev&acirc;ncia nos &uacute;ltimos   30 anos, como as epidemias de dengue   hemorr&aacute;gico em pa&iacute;ses asi&aacute;ticos e na   Am&eacute;rica Central, motivando in&uacute;meras   investiga&ccedil;&otilde;es visando o esclarecimento   dos mecanismos fisiopatol&oacute;gicos do quadro hemorr&aacute;gico e tamb&eacute;m   investiga&ccedil;&otilde;es epidemiol&oacute;gicas que possam   esclarecer as circunst&acirc;ncias nas quais tais   epidemias surgem.<sup>21</sup> Outra doen&ccedil;a   relativamente conhecida que vem   merecendo aten&ccedil;&atilde;o &eacute; a infe&ccedil;&atilde;o pelo v&iacute;rus   da hepatite B, principalmente sua   ocorr&ecirc;ncia entre homossexuais masculinos,   usu&aacute;rios de drogas endovenosas e   profissionais de sa&uacute;de, com especial   refer&ecirc;ncia aos cirurgi&otilde;es dentistas.<sup>22,23,24,25</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A quest&atilde;o da resist&ecirc;ncia a drogas    antimicrobianas constitui-se em um dos motivos mais importantes de altera&ccedil;&atilde;o    do comportamento epidemiol&oacute;gico de doen&ccedil;as, acarretando aumento    de preval&ecirc;ncia e letalidade para uma s&eacute;rie de problemas que anteriormente    eram considerados sob controle. Desde a constata&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia    de <i>Staphilococcus aureus</i> resistentes, na d&eacute;cada de 50, v&aacute;rios    surtos de infe&ccedil;&otilde;es hospitalares e em comunidade, tem sido associados    a bact&eacute;rias, v&iacute;rus e parasitas resistentes.<sup>26</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A resist&ecirc;ncia aos antimicrobianos est&aacute;    associada &agrave; propens&atilde;o &agrave; troca de material gen&eacute;tico    entre cepas, resist&ecirc;ncia intr&iacute;nseca de parte das cepas, capacidade    de sobreviv&ecirc;ncia em ambientes diversos, ocupa&ccedil;&atilde;o de novos    nichos ecol&oacute;gicos, aumento da infectividade e maior capacidade de coloniza&ccedil;&atilde;o    por parte de certos agentes. Ao lado dessas quest&otilde;es relacionadas com    os pr&oacute;prios agentes h&aacute; aquelas relativas ao &quot;ambiente&quot;    e que incluem a presen&ccedil;a de fontes de infe&ccedil;&atilde;o de cepas    resistentes, uso prolongado de antimicrobianos, uso de subdosagens de antimicrobianos,    introdu&ccedil;&atilde;o constante de novas drogas. Finalmente, cabe destacar    o comportamento dos hospedeiros e suas caracter&iacute;sticas de vida que favorecem    infe&ccedil;&otilde;es e dificultam o tratamento adequado tais como as aglomera&ccedil;&otilde;es    intradomiciliares, os moradores de rua, o envelhecimento populacional, uso de    drogas injet&aacute;veis, desnutri&ccedil;&atilde;o, destrui&ccedil;&atilde;o    da infraestrutura de sa&uacute;de p&uacute;blica.<sup>26</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Um dos problemas emergentes que mais tem preocupado    as autoridades sanit&aacute;rias &eacute; o aumento da incid&ecirc;ncia da tuberculose,    em diferentes grupos populacionais socialmente exclu&iacute;dos como os usu&aacute;rios    de drogas injet&aacute;veis e os moradores de rua, mas tamb&eacute;m nos profissionais    de sa&uacute;de expostos aos cont&aacute;gio.<sup>27</sup> A cada ano h&aacute;    cerca de 8 milh&otilde;es de casos novos e 2,9 milh&otilde;es de &oacute;bitos    no mundo. Estima-se que 1/3 da popula&ccedil;&atilde;o mundial esteja infectada.<sup>28</sup>    O problema de multiresist&ecirc;ncia &agrave;s drogas veio agravar ainda mais    o aumento de incid&ecirc;ncia que j&aacute; vinha ocorrendo, acometendo principalmente    pacientes com AIDS.<sup>29</sup> Cerca de 1/3 dos casos de tuberculose em New    York s&atilde;o produzidos por cepas multiresistentes e a letalidade entre eles    varia de 40 a 60% igualando-se &agrave;quela observada entre casos n&atilde;o    tratados. Estudos realizados pelo CDC, entre 1982 e 1986, identificaram 9% de    cepas resistentes em pacientes virgens de tratamento e 23% em pacientes previamente    tratados.<sup>28</sup> As novas t&eacute;cnicas de biologia molecular aplicadas    em investiga&ccedil;&otilde;es de casos e comunicantes de tuberculose, permitem    a identifica&ccedil;&atilde;o de muitos <i>clusters</i> que as t&eacute;cnicas    anteriores n&atilde;o eram capazes de identificar. Em um estudo de 688 casos    notificados em S&atilde;o Francisco foram encontrados 326 padr&otilde;es distintos    (<i>finger print</i>) dos quais 44 foram identificados em mais de um caso. A    investiga&ccedil;&atilde;o desses <i>clusters</i> permitiu definir como fatores    de risco ser homem, jovem, negro, residente em um bairro com altas taxas de    pobreza, em tratamento para AIDS. Os casos &iacute;ndices geralmente s&atilde;o    pacientes que abandonaram o tratamento e a exposi&ccedil;&atilde;o ocorreu em    enfermarias ou cl&iacute;nicas de tratamento para aid&eacute;ticos.<sup>30</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em todos esses exemplos a abordagem da epidemiologia    descritiva foi fundamental para identificar as tend&ecirc;ncias ascendentes    nas taxas de incid&ecirc;ncia, a forma&ccedil;&atilde;o de <i>clusters</i> espaciais    ou relacionais, os grupos mais afetados, os mecanismos de transmiss&atilde;o    envolvidos, etc... A epidemiologia descritiva cumpre mais do que a etapa explorat&oacute;ria    da pesquisa. As distribui&ccedil;&otilde;es temporais, espaciais e segundo atributos    pessoais permitem caracterizar o comportamento da doen&ccedil;a evidenciando    suas altera&ccedil;&otilde;es ao longo do tempo e indicando novas estrat&eacute;gias    de controle.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Desafios faces &agrave;s doen&ccedil;as emergentes    e reemergentes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A presen&ccedil;a das doen&ccedil;as emergentes    e reemergentes coloca uma s&eacute;rie de desafios para a Sa&uacute;de P&uacute;blica    em geral, e para a Epidemiologia, em particular. O primeiro deles diz respeito    &agrave;s normas de <b>biosseguran&ccedil;a</b>. H&aacute; um risco de que agentes    etiol&oacute;gicos novos e com alta letalidade possam vir a ser utilizados como    armas biol&oacute;gicas em ataques terroristas, o que vem mobilizando as for&ccedil;as    de seguran&ccedil;a dos pa&iacute;ses desenvolvidos. Mas, mais importante do    que esse perigo &eacute; a possibilidade bastante real do tr&aacute;fico global    de viroses em poucas horas, de um continente a outro atrav&eacute;s das viagens    a&eacute;reas.<sup>31</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m das quest&otilde;es j&aacute; mencionadas,   a bioseguran&ccedil;a tem a ver tamb&eacute;m com   controle da importa&ccedil;&atilde;o de animais para   experimenta&ccedil;&atilde;o, principalmente primatas,   que podem ser reservat&oacute;rios ou fontes de   infe&ccedil;&atilde;o de agentes novos. As condi&ccedil;&otilde;es   de transporte, acomoda&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o   desses animais devem ser objeto de   vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria. Do mesmo modo, o   manejo de suspeitos cl&iacute;nicos em hospitais   necessita de regras que protejam os   profissionais de sa&uacute;de e o restante da   clientela. Restam ainda as condi&ccedil;&otilde;es e   regras de seguran&ccedil;a em laborat&oacute;rios   respons&aacute;veis pela identifica&ccedil;&atilde;o dos   agentes etiol&oacute;gicos, visando n&atilde;o apenas a   seguran&ccedil;a dos profissionais e t&eacute;cnicos,   mas tamb&eacute;m a prote&ccedil;&atilde;o da comunidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro desafio importante &eacute; o aprimoramento    dos <b>sistemas de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica</b> tornando-os aptos    a detectar precocemente o aparecimento de algo inusitado ou as modifica&ccedil;&otilde;es    no comportamento habitual de determinadas doen&ccedil;as. Na avalia&ccedil;&atilde;o    da Federa&ccedil;&atilde;o de Cientistas Americanos<sup>3</sup> a capacidade existente    para vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica nos EUA &eacute; fragmentada, descoordenada    e organizada apenas com vista &agrave;s doen&ccedil;as conhecidas. Entretanto,    o CDC esteve envolvido na maioria, sen&atilde;o em todas, as investiga&ccedil;&otilde;es    de novas doen&ccedil;as nos &uacute;ltimos 30 anos, em todo o mundo.<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fortalecimento dos programas de   vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica implica investimentos em infra-estrutura    criando   as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a atua&ccedil;&atilde;o   oportuna, adequada e na amplitude   necess&aacute;ria; o estabelecimento de um   sistema de informa&ccedil;&otilde;es e principalmente,   a capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica. A capacita&ccedil;&atilde;o   t&eacute;cnica abrange pelo menos tr&ecirc;s   componentes: capacita&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica para   identifica&ccedil;&atilde;o sindr&ocirc;mica que possibilite   desencadear as investiga&ccedil;&otilde;es laboratoriais   e epidemiol&oacute;gicas; capacita&ccedil;&atilde;o laboratorial   para diagn&oacute;stico de novos agentes   etiol&oacute;gicos na vig&ecirc;ncia de surtos e   incorpora&ccedil;&atilde;o de novas t&eacute;cnicas da   biologia molecular que permitam a   identifica&ccedil;&atilde;o mais refinada dos agentes   etiol&oacute;gicos; e, capacita&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica   para realiza&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&otilde;es de campo   e monitoramento adequado do comportamento   epidemiol&oacute;gico das doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O terceiro desafio que se apresenta &eacute;    a revaloriza&ccedil;&atilde;o da abordagem da <b>epidemiologia descritiva</b>    com o desenvolvimento de m&eacute;todos e t&eacute;cnicas de an&aacute;lise    mais apropriados. H&aacute; um conjunto de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise    de tend&ecirc;ncias temporais que podem ser &uacute;teis em estudos epidemiol&oacute;gicos    e sua utiliza&ccedil;&atilde;o mais freq&uuml;ente, certamente levar&aacute;    a novos desenvolvimentos.<sup>32,33,34,35</sup> Do mesmo modo, as t&eacute;cnicas de geoprocessamento    e os modelos de an&aacute;lise para distribui&ccedil;&otilde;es espaciais podem    fornecer novas ferramentas para a descri&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as    em popula&ccedil;&atilde;o. <sup>36,37,38,39</sup> O refinamento conceitual das categorias    utilizadas para a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos grupos mais afetados tamb&eacute;m    poder&atilde;o aumentar o poder explicativo dos estudos descritivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O interesse despertado pelas doen&ccedil;as   emergentes pode ser o est&iacute;mulo para que   a falsa dicotomia entre estudos descritivos   e anal&iacute;ticos se desfa&ccedil;a. Muitos autores j&aacute;   demonstraram a inadequa&ccedil;&atilde;o desses   termos e, principalmente, o empobrecimento   que uma postura restritiva face aos   estudos descritivos, traz para o campo da   pesquisa epidemiol&oacute;gica.<sup>6,40,41</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os cientistas americanos e os   t&eacute;cnicos do CDC prop&otilde;em a cria&ccedil;&atilde;o de   um sistema mundial de vigil&acirc;ncia   epidemiol&oacute;gica de doen&ccedil;as infecciosas   que articule diferentes centros de excel&ecirc;ncia capazes de: detectar, investigar   e monitorar pat&oacute;genos emergentes, as   doen&ccedil;as causadas por eles e os fatores   ou circunst&acirc;ncias relacionados &agrave;   emerg&ecirc;ncia; integrar os conhecimentos   cl&iacute;nicos, laboratoriais e epidemiol&oacute;gicos;   tornar dispon&iacute;vel a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria   e desenhar estrat&eacute;gias de controle e   preven&ccedil;&atilde;o; capacitar os recursos   humanos necess&aacute;rios para a execu&ccedil;&atilde;o dos   programas de vigil&acirc;ncia e para as   investiga&ccedil;&otilde;es de campo.<sup>3,4,9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m dessas atividades mais diretamente    voltadas para a execu&ccedil;&atilde;o de um programa de controle vale tamb&eacute;m    destacar a necessidade de aprimoramento das t&eacute;cnicas e m&eacute;todos    da epidemiologia descritiva que &eacute; a ferramenta intelectual principal    na investiga&ccedil;&atilde;o desses problemas de sa&uacute;de. Por epidemiologia    descritiva pretende-se designar a abordagem das caracter&iacute;sticas epidemiol&oacute;gicas    da doen&ccedil;a na coletividade, sem com essa denomina&ccedil;&atilde;o estar    conotando a descri&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos destitu&iacute;da da    devida interpreta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 1. Macmahon B, Pugh TF. Epidemiology.   Principles and methods. Boston:   Boston Little Brown and Co; 1970.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 2. Garrett L. A pr&oacute;xima peste: as doen&ccedil;as   de um mundo em desequil&iacute;brio. Rio   de Janeiro: Editora Nova Fronteira;   1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 3. FEDERATION OF AMERICAN   SCIENTISTS. Global programm to   monitor emerging diseases. 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<body><![CDATA[<br>   Av. Tancredo Neves sn.    <br>   Bairro Jabotiana. Aracaju-SE    <br>   CEP: 49000-000    <br>   E-mail:<a href="mailto:sayde@netdados.com.br">sayde@netdados.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nota"></a><a href="#topo">*</a>Publicado    originalmente na Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica: Barata Barradas, R.    de C. O desafio das doen&ccedil;as emergentes e a revaloriza&ccedil;&atilde;o    da epidemiologia descritiva. Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica: 31(5):    531-7, out. 1997. Reprodu&ccedil;&atilde;o autorizada pela Faculdade de Sa&uacute;de    P&uacute;blica da Universidade de S&atilde;o Paulo, editora da Revista de Sa&uacute;de    P&uacute;blica.</font></p>      ]]></body><back>
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