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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro Nacional de Epidemiologia, Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Indicador anos potenciais de vida perdidos e as transformações na estrutura de causas de morte em Santa Catarina no período de 1980 a 1995]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[ln this study, the application of the indicator Potential Years of Life Lost (PYLL) is demonstrated in the analysis of transformations in the death causes framework in Santa Catarina, from 1980 and 1995. Method of direct standardization was employed to allow estimating, for the groups of studied causes, the number of deaths and PYLL expected for the year 1995 in case this population would be exposed to death probabilities verified in 1980. Thus, the Standardized Reasons for Death (SRD) and for PYLL (RPYLL) would be obtained. Marked drop was observed in the mortality and PYLL rates caused by Non-communicable diseases and Communicable diseases, Maternal and Perinatal, exception made for the 20 - to - 49 - year age strata which exhibited relative increase in this group, probably due to the appearance of AIDS. External deaths causes had an inversion of its drop trend. Another indicator used was the ratio between deaths due Noncommunicable and Communicable, Maternal and Perinatal, as a synthetizing measure of transformations in the causes structure, proposed as an approximate indicator of the epidemiological transition. Results found were compared to those of other regions around the world.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Anos Potenciais de Vida Perdidos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Mortalidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Tendência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>O Indicador anos potenciais    de vida perdidos e as transforma&ccedil;&otilde;es na estrutura de causas de    morte em Santa Catarina no per&iacute;odo de 1980 a 1995</b><sup><a href="#nota">*</a></sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Heloisa C&ocirc;rtes Gallotti Peixoto; Maria    de Lourdes de Souza</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Universidade Federal de Santa Catarina </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><b><font size="2" face="Verdana">RESUMO</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Neste trabalho demonstra-se a aplica&ccedil;&atilde;o    do indicador Anos Potenciais de Vida Perdidos   (APVP) na an&aacute;lise das transforma&ccedil;&otilde;es da estrutura de causas    de morte em Santa Catarina,   tomando como base 1980 e 1995. Utilizou-se m&eacute;todo de padroniza&ccedil;&atilde;o    direto que permitiu   estimar, para os grupos de causas estudados, o n&uacute;mero de &oacute;bitos    e de APVP que se   esperaria em 1995, caso esta popula&ccedil;&atilde;o estivesse exposta &agrave;s    probabilidades de morte   verificadas em 1980, obtendo-se ent&atilde;o as chamadas Raz&otilde;es Estandardizadas    de   Mortalidade (REM) e de APVP (RAPVP). Observou-se queda acentuada das taxas de   mortalidade e de APVP por Doen&ccedil;as N&atilde;o Transmiss&iacute;veis e    por Doen&ccedil;as Transmiss&iacute;veis,   Maternas e Perinatais, com exce&ccedil;&atilde;o da faixa et&aacute;ria de 20    a 49 anos, que neste &uacute;ltimo   grupo apresentou um aumento relativo, provavelmente em fun&ccedil;&atilde;o    do aparecimento da   AIDS. No grupo das Causas Externas, ocorre invers&atilde;o da tend&ecirc;ncia    de queda. Foi   utilizado, ainda, o indicador Raz&atilde;o entre Mortes por Enfermidades N&atilde;o    Transmiss&iacute;veis e   das Transmiss&iacute;veis, Maternas e Perinatais, como medida resumo das transforma&ccedil;&otilde;es    na   estrutura de causas, que tem sido proposta como um indicador aproximado da transi&ccedil;&atilde;o   epidemiol&oacute;gica. Os resultados encontrados foram comparados com os de    outras regi&otilde;es   do mundo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras-Chave:</b> Anos Potenciais de Vida    Perdidos; Mortalidade; Tend&ecirc;ncia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> ln this study, the application of the indicator    Potential Years of Life Lost (PYLL) is demonstrated in the analysis of transformations    in the death causes framework in Santa Catarina, from 1980 and 1995. Method    of direct standardization was employed to allow estimating, for the groups of    studied causes, the number of deaths and PYLL expected for the year 1995 in    case this population would be exposed to death probabilities verified in 1980.    Thus, the Standardized Reasons for Death (SRD) and for PYLL (RPYLL) would be    obtained. Marked drop was observed in the mortality and PYLL rates caused by    Non-communicable diseases and Communicable diseases, Maternal and Perinatal,    exception made for the 20 - to - 49 - year age strata which exhibited relative    increase in this group, probably due to the appearance of AIDS. External deaths    causes had an inversion of its drop trend. Another indicator used was the ratio    between deaths due Noncommunicable and Communicable, Maternal and Perinatal,    as a synthetizing measure of transformations in the causes structure, proposed    as an approximate indicator of the epidemiological transition. Results found    were compared to those of other regions around the world.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Key Words:</b> Potential Years of Lost Life;    Mortallity; Trends.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A proposta do trabalho &eacute; demonstrar como    a an&aacute;lise da evolu&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de mortalidade por    causas pode enriquecer-se com o uso complementar de diferentes indicadores e    o emprego de t&eacute;cnicas de &quot;ajuste&quot; dos dados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Utilizando como &quot;pontos de corte&quot;    os anos de 1980 e 1995, o trabalho descreve as transforma&ccedil;&otilde;es    ocorridas na estrutura de causas de morte de Santa Catarina, sugerindo uma metodologia    que inclui, al&eacute;m de t&eacute;cnicas de ajuste para o tratamento do grupo    das "causas mal definidas" e do c&aacute;lculo de coeficientes padronizados,    a introdu&ccedil;&atilde;o do indicador Anos Potenciais de Vida Perdidos, para    avaliar a evolu&ccedil;&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">V&aacute;rios estudos t&ecirc;m mostrado a utilidade    do indicador para a an&aacute;lise da tend&ecirc;ncia da mortalidade<sup>1,2,3,4</sup>    e a Organiza&ccedil;&atilde;o Panamericana da Sa&uacute;de, assim como o Centro    de Controle de Doen&ccedil;as dos Estados Unidos tamb&eacute;m adotam esta t&eacute;cnica    nas suas an&aacute;lises.<sup>5,6,7</sup></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Os dados de mortalidade utilizados referem-se    aos &oacute;bitos de residentes em Santa Catarina, ocorridos e registrados nos    anos de 1980 e 1995.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise das mudan&ccedil;as ocorridas    baseou-se na agrega&ccedil;&atilde;o das causas de &oacute;bito em tr&ecirc;s    grandes grupos, que obedece &agrave; divis&atilde;o proposta por Murray e Lopez.<sup>8</sup>    Os c&oacute;digos da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as,<sup>9</sup>    correspondentes a cada grupamento, s&atilde;o apresentados na <a href="#tab1">Tabela    1</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="tab1"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a04t1.gif" border="0" ></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um primeiro problema a ser   contornado, era o n&uacute;mero de &oacute;bitos por   causas mal definidas ocorrido nos dois   anos estudados, que impedia a comparabilidade   dos dados e o c&aacute;lculo dos   coeficientes por grupos de causas espec&iacute;ficas.   Isto porque as causas mal definidas   podem ser consideradas como um   "sub-registro de causas" e quando se   pretende medir riscos espec&iacute;ficos de   morte por grupos de causas, ou seja,   calcular coeficientes espec&iacute;ficos, &eacute; necess&aacute;rio   que se distribuam proporcionalmente   as causas ignoradas entre as causas   conhecidas, sem o que chegar&iacute;amos, certamente, a um   risco subestimado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Becker<sup>10</sup> alerta no sentido de que    esse tipo de ajuste - redistribui&ccedil;&atilde;o de causas mal definidas -    n&atilde;o deve, em princ&iacute;pio, ser adotado para as causas externas de    morte, visto que, por raz&otilde;es m&eacute;dico-legais e policiais, dificilmente    as causas externas deixar&atilde;o de referir o fato de tratar-se de acidente    ou viol&ecirc;ncia. Assim, assumindo que a propor&ccedil;&atilde;o de causas    externas contidas nas mal definidas &eacute; muito baixa, optamos por redistribuir    os &oacute;bitos com causa ignorada somente entre os outros dois grupos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A distribui&ccedil;&atilde;o foi feita de forma   parcelada por idade, segundo a propor&ccedil;&atilde;o   das causas conhecidas pr&oacute;prias de cada   grupo em rela&ccedil;&atilde;o ao total de &oacute;bitos, exclu&iacute;das   as mal definidas e as causas externas.   Isso foi necess&aacute;rio, pois, quando se   calcula a propor&ccedil;&atilde;o de causas mal   definidas por idade, verifica-se que ela n&atilde;o   &eacute; homog&ecirc;nea. Geralmente essa propor&ccedil;&atilde;o   &eacute; maior nas idades extremas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Solucionado este primeiro problema,   deparamo-nos com outro fator   interveniente na compara&ccedil;&atilde;o da   mortalidade de uma mesma popula&ccedil;&atilde;o em   momentos diferentes: a influ&ecirc;ncia da   composi&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o no   c&aacute;lculo dos indicadores. Esta influ&ecirc;ncia   decorre do fato de que os coeficientes   gerais, referentes ao conjunto da   popula&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o m&eacute;dias ponderadas dos   riscos inerentes a cada parcela da   popula&ccedil;&atilde;o. Isto pode ser aplicado a   qualquer atributo da popula&ccedil;&atilde;o, mas a   vari&aacute;vel idade tem influ&ecirc;ncia determinante,   havendo a necessidade de buscar uma   f&oacute;rmula que permita o "ajuste" dessas   diferen&ccedil;as, antes de se proceder &agrave; an&aacute;lise.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste trabalho utilizou-se um   m&eacute;todo de padroniza&ccedil;&atilde;o direto que   consistiu em (depois de calcular os riscos   espec&iacute;ficos de morte em cada grupo   et&aacute;rio, para os dois anos estudados)   aplicar as probabilidades de morte de   cada grupo, observadas no ano inicial   (1980), &agrave; popula&ccedil;&atilde;o por faixas et&aacute;rias   estimada para o ano de 1995. Esse   procedimento permite estimar o n&uacute;mero   de &oacute;bitos e de APVP que se esperaria no   ano de 1995, caso esta popula&ccedil;&atilde;o   estivesse exposta &agrave;s probabilidades de   morte verificadas no ano de 1980.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para facilitar a compara&ccedil;&atilde;o entre    os coeficientes esperado e observado, foram calculadas as <i>Raz&otilde;es Estandardizadas    de Mortalidade e APVP (REM e RAPVP)</i>. Essas taxas s&atilde;o tamb&eacute;m    conhecidas como Mortalidade Proporcional Padronizada - MPP, ou <i>Standardized    Mortality Ratio</i> - SMR, na l&iacute;ngua inglesa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O c&aacute;lculo dessas raz&otilde;es &eacute;   obtido como resultado de uma   divis&atilde;o do n&uacute;mero de &oacute;bitos (ou   de APVP) observado pelo   esperado, mas, considerando que   os riscos eram quase sempre   menores na popula&ccedil;&atilde;o de 1995 do   que na de 1980, optamos por   apresentar o resultado em forma   de percentual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&eacute;m das Raz&otilde;es Estandardizadas   de Mortalidade e APVP, foram calculados as mortes e APVP   evitados, por faixas et&aacute;rias e para cada   um dos grupos de causas, assim como   para o total. Esses valores foram obtidos,   simplesmente diminuindo-se os &oacute;bitos (ou   APVP) esperados dos efetivamente   observados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Finalmente, para entender melhor a transforma&ccedil;&atilde;o    na estrutura das causas de morte, no per&iacute;odo considerado, foi utilizado    o indicador <i>raz&atilde;o entre mortes por enfermidades do Grupo II - Doen&ccedil;as    n&atilde;o transmiss&iacute;veis e as causas do Grupo I - Doen&ccedil;as Transmiss&iacute;veis,    Maternas e Perinatais</i>, que tem sido proposto como um indicador aproximado    da transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Resultados e Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A <a href="#tab2">Tabela 2</a>, apresenta, para    1980 e 1995, o n&uacute;mero de &oacute;bitos, APVP e coeficientes por 100.000    habitantes, segundo grupos de causas e faixa et&aacute;ria, mostrando ainda    a varia&ccedil;&atilde;o percentual dos coeficientes espec&iacute;ficos, observados    no per&iacute;odo. Pode-se observar uma queda das taxas de mortalidade dos primeiros    grupos et&aacute;rios e que, entre os menores de cinco anos, a redu&ccedil;&atilde;o    foi de mais de 50% (56% entre os menores de um ano e 53,5% na faixa et&aacute;ria    de um a quatro anos). Algumas das tend&ecirc;ncias observadas podem ser visualizadas    na <a href="#fig1">Figura1</a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="tab2"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a04t2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/iesus/v8n1/1a04f1.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise dos coeficientes   espec&iacute;ficos por   grupos de causas mostra   que a queda se deu pela   redu&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos no Grupo   II (n&atilde;o transmiss&iacute;veis) e no   Grupo I - Doen&ccedil;as   Transmiss&iacute;veis, Maternas e   Perinatais. Esse &uacute;ltimo,   cujas medidas de preven&ccedil;&atilde;o   atuam a curto e m&eacute;dio   prazos,<sup>1</sup> apresenta, em   quase todas as faixas   et&aacute;rias, redu&ccedil;&atilde;o expressiva,   com exce&ccedil;&atilde;o da faixa de 20   a 49 anos, onde se observa   um relativo um relativo aumento dos coeficientes.   Esses resultados sugerem que isso pode   estar relacionado ao aparecimento da   AIDS, cuja taxa de mortalidade se   concentra nessas idades. Isso se reflete   no aumento de APVP de 1995 por esse   grupo de causas e da mesma faixa et&aacute;ria   que, diferentemente das outras idades,   mais que dobraram no per&iacute;odo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A tend&ecirc;ncia de queda, observada   nos dois primeiros grupos, inverte-se no   Grupo III, cujas taxas de mortalidade   ascendem, de maneira geral.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Para entender melhor a mudan&ccedil;a ocorrida    na estrutura da mortalidade prematura por causas, no per&iacute;odo estudado,    calculamos a raz&atilde;o entre mortes por causas do Grupo II (N&atilde;o Transmiss&iacute;veis)    e Grupo I (Transmiss&iacute;veis, Perinatais e Maternas). A <a href="#tab3">Tabela    3</a> e a <a href="#fig2">Figura 2</a> mostram o indicador calculado para Santa    Catarina e os valores estimados para 1990 para outras regi&otilde;es do mundo,    encontrados por Murray e Lopez,<sup>8</sup> que sugerem o uso desta raz&atilde;o como um    indicador aproximado da transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="tab3"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a04t3.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a04f2.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Pode-se observar grande varia&ccedil;&atilde;o    entre as regi&otilde;es analisadas. </font><font size="2" face="Verdana">Enquanto    as regi&otilde;es desenvolvidas apresentam em conjunto uma raz&atilde;o de quase    17 mortes por doen&ccedil;as n&atilde;o transmiss&iacute;veis para cada &oacute;bito    do Grupo I - Doen&ccedil;as Transmiss&iacute;veis, maternas e perinatais, na    &Aacute;frica subariana a rela&ccedil;&atilde;o se inverte, fazendo com que    as mortes por causas do Grupo I sejam tr&ecirc;s vezes mais freq&uuml;entes    do que as devidas &agrave;s causas do Grupo II.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Quando comparamos esse indicador, estimado "<i>pa&iacute;ses    europeus antes socialistas</i>" e "<i>pa&iacute;ses com economia de mercado    consolidada</i>", chama a aten&ccedil;&atilde;o o fato de, nos primeiros, a    raz&atilde;o ser de 24 mortes por doen&ccedil;as n&atilde;o transmiss&iacute;veis    para cada &oacute;bito do Grupo I, enquanto para os segundos o resultado foi    de somente 14,2. Fica a pergunta: que fatores estariam determinando um diferencial    dessa ordem?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na Am&eacute;rica Latina e Caribe, a raz&atilde;o   foi estimada para 1990, em 1,8, valor que   se aproxima do indicador calculado para   o estado de Santa Catarina, em 1980.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise do indicador para Santa   Catarina em 1995 evidencia um   deslocamento das causas de morte do   Grupo I para os outros grupos,   caracterizado pela raz&atilde;o de 4,0 e que pode   ser entendido como um indicativo da   transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica que o indicador   tenta medir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante das mudan&ccedil;as na estrutura et&aacute;ria    da popula&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo analisado e com o objetivo de verificar    o que poderia ter ocorrido com a mortalidade e os APVP de 1995 caso a popula&ccedil;&atilde;o    tivesse ficado exposta aos riscos de morte observados 15 anos antes, calculamos,    para cada grupo de causa selecionado, os &oacute;bitos, APVP e coeficientes    de mortalidade por 100.000 habitantes, que se esperaria para o ano de 1995,    nessa situa&ccedil;&atilde;o hipot&eacute;tica. Foram ainda calculadas as <i>Raz&otilde;es    Estandardizadas de Mortalidade</i> <i>e APVP </i>(<i>REM e RAPVP</i>), expressas    em percentual e as mortes e APVP evitados. Os resultados est&atilde;o apresentados,    de forma resumida, nas <a href="#tab4">Tabelas 4</a> e <a href="#tab5">5</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="tab4"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a04t4.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="tab5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a04t5.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Enquanto a Raz&atilde;o   Estandardizada de Mortalidade   (&oacute;bitos observados/   esperados) foi da ordem de   83%, a Raz&atilde;o de APVP   mostra que os APVP por   1.000 habitantes, observados   em 1995, representaram   menos da metade   dos esperados se as   probabilidades de morte   fossem mantidas. &Eacute;   poss&iacute;vel que isso ocorra   porque a redu&ccedil;&atilde;o do   n&uacute;mero de mortes tenha se   dado de forma mais   acentuada nos grupos   et&aacute;rios mais jovens. Se,   entre os menores de um   ano, foram evitadas 2.311   mortes, as quais "pouparam"   2.291 APVP para   cada 1.000 habitantes, nos   outros grupos et&aacute;rios o   ganho foi significativamente   menor, e que, em   alguns deles, como o de   20 a 29, e principalmente   o de 15 a 19, observa-se   um "excesso" da   mortalidade e APVP   observados, em rela&ccedil;&atilde;o ao   esperado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#tab6">Tabela 6</a> tem dados para    analisar o comportamento de cada grupo de causa separadamente e novamente verificamos    que o maior ganho, em termos de redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade e dos APVP,    ocorreu no grupo das doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis, maternas e perinatais,    cuja REM foi de 54%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="tab6"></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v8n1/1a04t6.gif" border="0"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Grupo II, das n&atilde;o   transmiss&iacute;veis, tamb&eacute;m   apresentou redu&ccedil;&atilde;o, apesar   de n&atilde;o t&atilde;o acentuada como   a verificada no Grupo I,   mas o grupo das causas externas, que inclui os &oacute;bitos por   acidentes, homic&iacute;dios e suicidios, mostra   uma clara tend&ecirc;ncia de aumento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Considerando as taxas de mortalidade observadas    em 1980, o Grupo III foi respons&aacute;vel por 434 &oacute;bitos a mais do    que se esperaria e &quot;roubou&quot;, de cada 1.000 habitantes, 4,3 anos potenciais    de vida do que &quot;roubaria&quot; se a probabilidade de morte por acidentes,    homic&iacute;dios e suic&iacute;dios se mantivesse constante.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Coment&aacute;rios Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> A maioria dos trabalhos que utilizam   dados de mortalidade faz refer&ecirc;ncia &agrave;   influ&ecirc;ncia de poss&iacute;veis fatores que   estariam distorcendo os resultados.   Dentre eles, &eacute; bastante salientada a influ&ecirc;ncia   da qualidade das informa&ccedil;&otilde;es   relativas a causa b&aacute;sica do &oacute;bito e de   diferentes estruturas et&aacute;rias. No entanto,   as t&eacute;cnicas utilizadas para corrigir esses   problemas s&atilde;o pouco divulgadas. Neste   trabalho, procurou-se demonstrar o uso   de algumas dessas t&eacute;cnicas na an&aacute;lise   temporal da mortalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A alternativa de trabalhar com &quot;grandes    grupos de causas&quot; que forne&ccedil;am uma vis&atilde;o ampliada das transforma&ccedil;&otilde;es    ocorridas, quando o que se pretende &eacute; analisar tend&ecirc;ncias temporais,    tamb&eacute;m nos pareceu de grande utilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aparentemente, os resultados   encontrados colocam a situa&ccedil;&atilde;o de mortalidade de Santa Catarina    em um   padr&atilde;o de transi&ccedil;&atilde;o, com a redu&ccedil;&atilde;o de   mortes por doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis e um   aumento relativo das n&atilde;o transmiss&iacute;veis   e das causas externas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No entanto, v&aacute;rios autores, como   Ara&uacute;jo,<sup>11</sup> t&ecirc;m demonstrado que esse   modelo linear de transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica,   observado nas na&ccedil;&otilde;es centrais, e que   sup&otilde;e a passagem de um n&iacute;vel a outro,   n&atilde;o pode ser aplicado aos pa&iacute;ses   perif&eacute;ricos, onde o que se observa s&atilde;o   processos interrompidos e at&eacute; de   retrocessos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A an&aacute;lise mais atenta dos padr&otilde;es    de mortalidade desses pa&iacute;ses aponta para a chamada &quot;polariza&ccedil;&atilde;o    epidemiol&oacute;gica&quot;, em que se observa, ao lado da perman&ecirc;ncia    e mesmo do agravamento das doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias,    o aumento das doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas e das causas externas.    A diferen&ccedil;a &eacute; que, nos pa&iacute;ses industrializados, quando    essas &uacute;ltimas assumiram destaque na mortalidade, as primeiras j&aacute;    estavam sob controle.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em Santa Catarina, o &quot;excesso&quot; de mortalidade    por doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis observado no grupo et&aacute;rio de    20 a 49 anos parece estar relacionado com o aparecimento da AIDS, de certa forma    ratificando essas coloca&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A utilidade do indicador APVP nos estudos de    tend&ecirc;ncia fica explicitada, bem como da distin&ccedil;&atilde;o deste    em rela&ccedil;&atilde;o aos indicadores tradicionalmente utilizados, lembrando    que n&atilde;o s&atilde;o antag&ocirc;nicos, mas complementares.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 1. Mah oney MC, Michalek AM, Cummimngs KM, Hanley    J, Snyder RL. Years of potencial life lost among a Native American population.    <b>Public Health Reports</b> 1989; 104(3): 279- 285.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 2. Marlow AK. Potencial Years of life lost:    what is the denominator? <b>Journal of Epidemiology and Community Health</b>    1995; 49(3): 320-322.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 3. Romeder JM, McWhinnie JR. A&ntilde;os de    vida potencial perdidos entre las edades de 1 y 70 a&ntilde;os: un indicator    de mortalidad prematura para la planificati&oacute;n de la salud. <i>In</i>:    Buck, C.(org). El Desaf&iacute;o de la Epidemiolog&iacute;a. Washington:OPAS;    1988.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 4. Rodriguez LAC, Motta LC. Years of potencial    life lost: Application of an indicator for assessing premature mortality in    Spain and Portugal. <b>World Health Statistics Quarterly</b> 1989; 42: 50-56.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 5. Organizaci&oacute;n Panamericana de la Salud.    Mortalidad seg&uacute;n criterios de evitabilidad. Cuba. Adaptado de R&iacute;os    Massabot, NE. e Tejeiro Fernandez: Perfis de salud; investigaci&oacute;n de    mortalidad. <b>Bolet&iacute;n Epidemiol&oacute;gico</b> 1990; 11(1):9-14.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Organizaci&oacute;n Panamericana de la Salud.    Mortalidade Evitable: indicador o meta? Aplicaci&oacute;n en los pa&iacute;ses    en desarrollo. <b>Bolet&iacute;n Epidemiol&oacute;gico</b> 1990; 11(1): 1-9.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 7. EUA. Center for Diseases Control. Leads from    the Mortality patterns-United States. <b>MMWR</b> 1990; 35(12): 193-201.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 8. Murray CJL, Lopes AD. Patrones de distribuici&oacute;n    mundial y regional de las causas de defunci&oacute;n en 1990. <b>Boletin de    la Oficina Sanitaria Panamericana</b> 1995; 118(4): 307-345.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 9. BRASIL. Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional    de   Doen&ccedil;as, Les&otilde;es e Causas de &Oacute;bitos:   9<sup>a</sup> revis&atilde;o, 1975. S&atilde;o Paulo: Centro da   OMS para classifica&ccedil;&atilde;o de Doen&ccedil;as em   Portugu&ecirc;s; 1978. 815 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 10.Becker RA. An&aacute;lise de mortalidade:   delineamentos b&aacute;sicos. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio   da Sa&uacute;de, Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de   Sa&uacute;de, Coordena&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&otilde;es   Epidemiol&oacute;gicas; 1991. 85 p.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 11.Ara&uacute;jo JD. Polariza&ccedil;&atilde;o    epidemiol&oacute;gica no Brasil. <b>Informe Epidemiol&oacute;gico do SUS</b>    1992; 1(2): 6-15.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="img/revistas/iesus/v8n1/seta.gif" border="0"></a>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Rua 23 de Mar&ccedil;o, 312    <br>   Itagua&ccedil;&uacute;    <br>   Florian&oacute;polis - Santa Catarina    <br>   CEP: 88085-440    <br>   E-mail:<a href="mailto:helo@saude.sc.gov.br">helo@saude.sc.gov.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nota"></a><a href="#topo">*</a>Artigo    originado da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado &quot;Mortalidade em Santa    Catarina. Aplica&ccedil;&otilde;es do Indicador Anos Potenciais de Vida Perdidos&quot;.</font></p>      ]]></body><back>
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