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<journal-title><![CDATA[Informe Epidemiológico do Sus]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro Nacional de Epidemiologia, Fundação Nacional de Saúde, Ministério da Saúde]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.5123/S0104-16731999000200003</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cenários Epidemiológicos, Demográficos e Institucionais para os modelos de atenção à Saúde]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Brasília  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The failure of the old health assistance models has risen a broad range of debates, yielding concepts that are not representatives of "right" or "wrong","general" or "universal" models. The assistance model adopted by the new health system in Brazil is related to the proposal of Health Promotion disseminated by PAHO/WHO and take into account several factors responsible for people and populations health, such as: (a) human biology; (b) environment; (c) life style and (d) health care organization, as foreseen in the Letter of Ottawa. The countless changes highlighted by the transition phenomenas (epidemiologic, demographic or in the fields of politics and institutions), have clear implications in people&#8217;s health needs for the new millennium. Some predictable transformations are: a shift from caring primarily for acute diseases in young people to chronical diseases in elderly people; a change on health practices targets: from individuals to families, from healing to prevention and health promotion; the development of new approaches oriented towards habits and life styles and new concepts of educational practices, with special emphasis on women's role in self-care and support to the family cell and, finally, the search for new scenarios in health care practices, in addition to the traditional ones.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Políticas de Saúde]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="topo"></a>Cen&aacute;rios Epidemiol&oacute;gicos,    Demogr&aacute;ficos e Institucionais para os modelos de aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; Sa&uacute;de</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Fl&aacute;vio A. de Andrade Goulart</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Universidade de Bras&iacute;lia</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A fal&ecirc;ncia dos antigos modelos de aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de vem fomentando um amplo processo de discuss&otilde;es,    com o desenvolvimento de aut&ecirc;nticas constru&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas    e sociais que se caracterizam por n&atilde;o se constitu&iacute;rem, simplesmente,    como modelos &quot;corretos&quot; ou &quot;errados&quot;, &quot;gerais&quot;    ou &quot;universais&quot;. O modelo de aten&ccedil;&atilde;o incorporado pelo    SUS, est&aacute; referido em sua origem, entre outras, &agrave; proposta de    Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de, divulgada pela OPAS/OMS cuja base &eacute;    a a Carta de Ottawa, tomando como fatores respons&aacute;veis pela sa&uacute;de    das pessoas e das popula&ccedil;&otilde;es (a) a biologia humana; (b) o meio    externo; (c) o estilo de vida e, (d) a organiza&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de. As in&uacute;meras mudan&ccedil;as postas em destaque    pelos fen&ocirc;menos de transi&ccedil;&atilde;o (epidemiol&oacute;gica, demogr&aacute;fica    e pol&iacute;tico-institucional) neste final de d&eacute;cada, podem ser traduzidas    pela profunda mudan&ccedil;a de enfoque dos cuidados, basicamente, de doen&ccedil;as    agudas em jovens para doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas em idosos; pelo deslocamento    do objeto das pr&aacute;ticas, de indiv&iacute;duos para fam&iacute;lias, da    cura para a preven&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de;    pelo desenvolvimento de novas abordagens voltadas para h&aacute;bitos e estilos    de vida e de novas concep&ccedil;&otilde;es de pr&aacute;ticas educativas; pela    necessidade de capacita&ccedil;&atilde;o de provedores de cuidados na pr&oacute;pria    fam&iacute;lia, e a busca de novos cen&aacute;rios de pr&aacute;ticas de sa&uacute;de,    al&eacute;m dos tradicionais cen&aacute;rios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-Chave:</b> Pol&iacute;ticas de Sa&uacute;de;    Modelos de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de, Transi&ccedil;&atilde;o    Demogr&aacute;fica; Transi&ccedil;&atilde;o Epidemiol&oacute;gica.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The failure of the old health assistance models    has risen a broad range of debates, yielding concepts that are not representatives    of &quot;right&quot; or &quot;wrong&quot;,&quot;general&quot; or &quot;universal&quot;    models. The assistance model adopted by the new health system in Brazil is related    to the proposal of Health Promotion disseminated by PAHO/WHO and take into account    several factors responsible for people and populations health, such as: (a)    human biology; (b) environment; (c) life style and (d) health care organization,    as foreseen in the Letter of Ottawa. The countless changes highlighted by the    transition phenomenas (epidemiologic, demographic or in the fields of politics    and institutions), have clear implications in people&#8217;s health needs for    the new millennium. Some predictable transformations are: a shift from caring    primarily for acute diseases in young people to chronical diseases in elderly    people; a change on health practices targets: from individuals to families,    from healing to prevention and health promotion; the development of new approaches    oriented towards habits and life styles and new concepts of educational practices,    with special emphasis on women's role in self-care and support to the family    cell and, finally, the search for new scenarios in health care practices, in    addition to the traditional ones.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Key Words:</b> Health Policies; Health Care    Patterns; Demographic Changes; Demographic Profile Changes.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Aspectos conceituais e hist&oacute;ricos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">S&atilde;o amplamente reconhecidas as atribula&ccedil;&otilde;es    da forma&ccedil;&atilde;o do modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de    no Brasil, a partir das vertentes de <i>Previd&ecirc;ncia Social </i>e do<i>    Sanitarismo Campanhista</i>, que deixaram uma marca hist&oacute;rica profunda,    ainda hoje refletida nas pr&aacute;ticas dos &oacute;rg&atilde;os de sa&uacute;de,    seja do ponto de vista pol&iacute;tico, administrativo e, principalmente, assistencial.    A fal&ecirc;ncia de tais modelos, decorrente das antinomias existentes entre    eles, bem como de suas disfuncionalidades internas, vem fomentando um processo    de discuss&otilde;es, no seio das academias e dos servi&ccedil;os, visando &agrave;    constru&ccedil;&atilde;o de novos modelos de assist&ecirc;ncia, capazes de superar    as incongru&ecirc;ncias resultantes das polaridades apontadas acima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Tem car&aacute;ter primordial para o entendimento    da quest&atilde;o dos modelos de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de    no Brasil a chamada <i>Medicina Comunit&aacute;ria</i>, movimento de inova&ccedil;&atilde;o    da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de, com ra&iacute;zes derivadas de v&aacute;rias    experi&ecirc;ncias internacionais, que teve sua introdu&ccedil;&atilde;o em    nosso pa&iacute;s como processo articulado a experi&ecirc;ncias e programas    desenvolvidos e mantidos por universidades. Suas origens, entretanto, s&atilde;o    mais antigas e remontam &agrave;s d&eacute;cadas anteriores, decorrendo, entre    outros fatores, da crise do capitalismo que resultou na implementa&ccedil;&atilde;o    dos estados de bem-estar social na Europa e nos EUA; da forma&ccedil;&atilde;o    do <i>National Health System</i> no Reino Unido; da pol&iacute;tica inglesa    de descoloniza&ccedil;&atilde;o, entre outras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <i>Medicina Comunit&aacute;ria</i> teve seu    substrato te&oacute;rico, pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico consagrado na    Confer&ecirc;ncia Internacional de Alma Ata, em 1978, a partir da qual praticamente    se confunde com as palavras de ordem geradas no evento, particularmente <i>Cuidados    Prim&aacute;rios de Sa&uacute;de</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As propostas de <i>Medicina Comunit&aacute;ria/Cuidados    Prim&aacute;rios de Sa&uacute;de</i> se constituem em torno dos seguintes <i>elementos    estruturais:</i><sup>1</sup> (a) coletivismo (embora criticado como &quot;restrito&quot;);    (b) integra&ccedil;&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o, preven&ccedil;&atilde;o    e cura; (c) desconcentra&ccedil;&atilde;o de recursos; (d) adequa&ccedil;&atilde;o    das tecnologias; (e) aceita&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o de pr&aacute;ticas    n&atilde;o oficiais; (f) novas pr&aacute;ticas interdisciplinares e multiprofissionais    e, finalmente, (g) participa&ccedil;&atilde;o da comunidade. Tais propostas    sempre estiveram no foco de intensas pol&ecirc;micas, particularmente nos anos    70, mobilizando intensas energias intelectuais para sua cr&iacute;tica, n&atilde;o    s&oacute; no Brasil como em toda a Am&eacute;rica Latina. Tal cr&iacute;tica    se dirigia contra as possibilidades de controle sobre a sociedade, a imposi&ccedil;&atilde;o    de mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o social, o favorecimento da acumula&ccedil;&atilde;o    de capital aos produtores, a manuten&ccedil;&atilde;o e aprofundamento das desigualdades    de acesso, entre outros aspectos. Curioso constatar que, a partir dos anos 80,    esta cr&iacute;tica se atenua bastante, ou por outra, as citadas energias intelectuais    v&atilde;o se concentrar em encontrar solu&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o mais    apenas em demolir as propostas colocadas em campo, vistas como eram sob uma    &oacute;tica fortemente ideologizada e mesmo &quot;conspirat&oacute;ria&quot;    .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De qualquer forma, a hist&oacute;ria das discuss&otilde;es    e da forma&ccedil;&atilde;o de um modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de    no Brasil sempre foi tensa e contradit&oacute;ria. &Eacute; o que se verifica,    por exemplo, a partir das vertentes originais e conflitivas de <i>sanitarismo</i>    e <i>previd&ecirc;ncia</i>. A <i>medicina comunit&aacute;ria</i> foi intensamente    criticada, como se viu, com a den&uacute;ncia voltada contra a reprodu&ccedil;&atilde;o    ideol&oacute;gica proposta originalmente. Ocorreram disputas intensas tamb&eacute;m,    de cunho pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico, entre as propostas de forma&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dica intituladas <i>medicina geral comunit&aacute;ria</i> e a <i>medicina    preventiva</i>. Os SILOS, <i>Sistemas Locais de Sa&uacute;de</i>, de extra&ccedil;&atilde;o    localizada nos organismos dos sistemas OPAS/OMS, foram vistos como proposta    conservadora e componente de um pacote de ajuste estrutural. A pr&oacute;pria    proposta de <i>Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia</i>, atualmente em vigor, j&aacute;    foi taxada de manipuladora, eleitoreira e contr&aacute;ria aos princ&iacute;pios    do SUS e, em outro momento, redimida como um novo paradigma, de car&aacute;ter    antag&ocirc;nico ao da &quot;antiga medicina de fam&iacute;lia&quot;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A d&eacute;cada de 70 revela o aparecimento    de um novo fator de perturba&ccedil;&atilde;o do horizonte conceitual, traduzido    por um &quot;renascimento da Medicina Social inspirada nos princ&iacute;pios    que fundamentaram a sua emerg&ecirc;ncia na Europa em meados do s&eacute;culo    XIX&quot;, configurando, assim, um &quot;novo paradigma&quot; que vai marcar    sua influ&ecirc;ncia nas d&eacute;cadas de 70 e 80.<sup>2</sup> Tal paradigma    alternativo, centrado nas concep&ccedil;&otilde;es fundamentais relativas &agrave;    d<i>etermina&ccedil;&atilde;o social do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a</i>,    bem como na din&acirc;mica do <i>processo de trabalho em sa&uacute;de</i>, passa    a orientar as propostas democratizadoras e de reforma do sistema, vigente na    d&eacute;cada de 80, resultando da&iacute; o conceito ampliado de sa&uacute;de    e de seus determinantes incorporado na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, no    Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Passemos agora a considerar alguns conceitos    referentes ao nosso tema central. Carvalho &amp; Ribeiro<sup>3</sup> definem    modelo assistencial como &quot;a maneira como s&atilde;o organizadas e combinadas,    em uma sociedade concreta, as diversas a&ccedil;&otilde;es de interven&ccedil;&atilde;o    no processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a&quot;. Destaca-se, assim, a import&acirc;ncia    das formas de articula&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o de recursos    de diversas naturezas (f&iacute;sicos, tecnol&oacute;gicos, humanos, etc.) necess&aacute;rios    ao enfrentamento dos problemas de sa&uacute;de. Segundo os mesmos autores, modelos    assistenciais s&atilde;o <i>constru&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e sociais</i>,    ou seja, condicionados pelo modo de desenvolvimento das sociedades e do per&iacute;odo    hist&oacute;rico a que se referem, resultando, al&eacute;m do mais, de um processo    de disputas e acordos entre atores sociais. Decorrem destas defini&ccedil;&otilde;es    alguns aspectos essenciais, a saber: (a) n&atilde;o existem modelos em estado    puro nas sociedades; (b) n&atilde;o est&atilde;o isentos dos interesses e das    vontades dos diversos grupos sociais; c) n&atilde;o h&aacute; modelos &quot;corretos&quot;    ou &quot;errados&quot;, assim como (d) n&atilde;o h&aacute; modelos gerais ou    universais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; preciso n&atilde;o perder de vista o    fato de que houve uma verdadeira &quot;evolu&ccedil;&atilde;o conceitual&quot;    dos modos de pensar e fazer em sa&uacute;de, resultando da&iacute; modelos assistenciais    diferenciados, desde os modos monocausais de pensamento em sa&uacute;de, passando    pela <i>hist&oacute;ria natural das doen&ccedil;as</i>, de Leavell &amp; Clark,    at&eacute; chegar ao <i>campo da sa&uacute;de</i>, de Lalonde. A incorpora&ccedil;&atilde;o    do conceito de <i>acumula&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o social</i>    em sa&uacute;de, derivada do paradigma alternativo referido acima, torna-se,    mais contemporaneamente, capaz de dar conta da permanente transforma&ccedil;&atilde;o    do estado de sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos e do pr&oacute;prio modo da    sociedade pensar e fazer neste campo, permitindo tamb&eacute;m uma ruptura com    a id&eacute;ia de um universo isolado para a sa&uacute;de. A sa&uacute;de, destarte,    adquire o estatuto de <i>produto social</i> resultante de fatores pol&iacute;ticos,    econ&ocirc;micos, ideol&oacute;gicos e culturais e, assim, &quot;como campo    de conhecimento exigindo a<i> interdisciplinaridade</i> e como campo de pr&aacute;ticas    exigindo a <i>intersetorialidade</i>&quot;, conforme expressado pelos autores    citados acima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Campos<sup>4</sup>, em um instigante artigo,    cujo subt&iacute;tulo &eacute; muito apropriadamente &quot;um modo mutante de    fazer sa&uacute;de&quot;, defende a id&eacute;ia de que modelos assistenciais    representam um conceito capaz de intermediar o <i>t&eacute;cnico</i> e o <i>pol&iacute;tico</i>,    incorporando contribui&ccedil;&otilde;es de diversas naturezas, tais como &eacute;ticas,    jur&iacute;dicas, administrativas, cl&iacute;nicas, sociais, culturais, etc.,    resultando, assim, em &quot;uma tradu&ccedil;&atilde;o para uma terceira l&iacute;ngua    dos idiomas profissionais e pol&iacute;tico-administrativos&quot;. Este autor    admite como problemas fundamentais da constru&ccedil;&atilde;o de modelos assistenciais:    (a) o enfoque excessivamente normatizador das disciplinas constituintes do campo    da sa&uacute;de, como a cl&iacute;nica, a epidemiologia e o pr&oacute;prio planejamento;    e (b) a tend&ecirc;ncia de ado&ccedil;&atilde;o passiva das diretrizes ordenadoras    dos sistemas p&uacute;blicos de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Algumas diretrizes legitimadoras dos modelos    de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os podem ser citadas, a saber: (a)    <i>acolhida</i>, que se refere &agrave; abertura dos servi&ccedil;os para a    demanda, bem como &agrave; responsabiliza&ccedil;&atilde;o pelo conjunto dos    problemas de sa&uacute;de em bases regionalizadas; e (b) <i>v&iacute;nculo</i>,    que embora derivado da pr&aacute;tica privada tradicional, deve ser incorporado    no sistema p&uacute;blico como um <i>contrato</i> de deveres e direitos, do    paciente, de sua fam&iacute;lia e da equipe de sa&uacute;de.<sup>4</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A constru&ccedil;&atilde;o de um novo modelo    possui, al&eacute;m do mais, um verdadeiro car&aacute;ter de &quot;luta contra-hegem&ocirc;nica&quot;,    em que se destacam e se diferenciam componentes de <i>saber, ideologia e a&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica</i>, com o deslocamento da &quot;&ecirc;nfase na quest&atilde;o    dos servi&ccedil;os para as condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e seus determinantes&quot;,    conforme o trabalho de Paim<sup>2</sup>. Tal abordagem resulta em que as pr&aacute;ticas    de sa&uacute;de s&atilde;o fortemente imbu&iacute;das de um car&aacute;ter social    e que sempre apresentam dimens&otilde;es simultaneamente t&eacute;cnicas, pol&iacute;ticas,    ideol&oacute;gicas, etc. Desta forma, um modelo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave;    sa&uacute;de coerente com os princ&iacute;pios e diretrizes da Reforma Sanit&aacute;ria    e do SUS somente poder&aacute; se concretizar &quot;no plano t&eacute;cnico-institucional,    no encontro de indiv&iacute;duos ou cidad&atilde;os com a burocracia e com os    agentes das pr&aacute;ticas de sa&uacute;de&quot;, englobando a <i>vida concreta    dos homens</i> e a <i>pr&aacute;tica emp&iacute;rica</i>, na express&atilde;o    do mesmo autor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o deve ser negligenciado na discuss&atilde;o    dos modelos de aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de o papel da influ&ecirc;ncia    externa, dos modelos gerados em outros pa&iacute;ses e difundidos, particularmente    ao terceiro mundo, pelos organismos internacionais de sa&uacute;de (OPAS/OMS)    ou mesmo outros, como &eacute; o caso do Banco Mundial. Ocorre, entretanto,    que tais modelos acabam por ser reatualizados localmente, com possibilidades,    at&eacute; mesmo, de ampliar e reciclar as quest&otilde;es formuladas pelo movimento    sanit&aacute;rio brasileiro h&aacute; pelo menos duas d&eacute;cadas. Resulta,    assim, a transforma&ccedil;&atilde;o do que era, basicamente um <i>movimento    ideol&oacute;gico</i> nos anos setenta, em um movimento de <i>a&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica</i>, articulador de atores diversos, nos servi&ccedil;os, na    sociedade e na academia. &Eacute; este o entendimento que tenho do momento atual    no Brasil, marcado pela emerg&ecirc;ncia das propostas locais de Sa&uacute;de    da Fam&iacute;lia e outras cong&ecirc;neres, voltadas para o arejamento e a    renova&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas assistenciais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste texto, trabalharei com a express&atilde;o    <i>modelos tecnoassistenciais em sa&uacute;de</i>, conforme explicitado por    Silva Jr. <i>apud</i> Campos<sup>4</sup> aceitando que a mesma amplia a abrang&ecirc;ncia    do conceito, ao incorporar dimens&otilde;es de an&aacute;lise tais como (a)    intera&ccedil;&atilde;o de saberes sobre o objeto da sa&uacute;de-doen&ccedil;a;    (b) integralidade das a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de; (c) regionaliza&ccedil;&atilde;o    e hierarquiza&ccedil;&atilde;o da oferta de servi&ccedil;os; e (d) condi&ccedil;&otilde;es    da articula&ccedil;&atilde;o intersetorial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de como    elemento ideol&oacute;gico na organiza&ccedil;&atilde;o de modelos de aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><i>Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de</i>,    no sentido que lhe &eacute; emprestado nas propostas da OPAS/OMS, deriva das    formula&ccedil;&otilde;es de Lalonde a respeito do campo da sa&uacute;de.<sup>5</sup>    Segundo este autor, os fatores respons&aacute;veis pela sa&uacute;de das pessoas    e das popula&ccedil;&otilde;es obedecem a um campo conceitual que inclui: (a)    a biologia humana; (b) o meio externo; (c) o estilo de vida e (d) a organiza&ccedil;&atilde;o    da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de. (Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de    j&aacute; era, na verdade, uma express&atilde;o bem conhecida no campo da sa&uacute;de,    a partir da teoria da Hist&oacute;ria Natural das Doen&ccedil;as, formulada    por Leavell e Clark na d&eacute;cada de 50. Contudo, o sentido da express&atilde;o,    neste caso, &eacute; mais espec&iacute;fico, referindo-se basicamente aos cuidados    &agrave; sa&uacute;de cab&iacute;veis no momento inicial da &quot;hist&oacute;ria    natural&quot;, quando o processo de doen&ccedil;a se restringe &agrave;s intera&ccedil;&otilde;es    entre hospedeiro, agente e ambiente, sem altera&ccedil;&otilde;es patog&ecirc;nicas).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A origem dos conceitos norteadores da Promo&ccedil;&atilde;o    da Sa&uacute;de ocorre, segundo   Terris<sup>6</sup> (Ministro da Sa&uacute;de do Canad&aacute; no   in&iacute;cio dos anos 70 e condutor pol&iacute;tico da   reforma do sistema de sa&uacute;de daquele   pa&iacute;s), ainda na d&eacute;cada de 40, nos   trabalhos do not&aacute;vel historiador da   medicina, Henry Sigerist, nos quais se   definiam as grandes tarefas da medicina   como promover a sa&uacute;de, prevenir as   enfermidades, restabelecer e reabilitar os   enfermos. Em s&iacute;ntese e nas palavras   deste autor, &laquo;a sa&uacute;de se promove   proporcionando condi&ccedil;&otilde;es de vida   decentes, boas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho,   educa&ccedil;&atilde;o, cultura f&iacute;sica e formas de lazer   e descanso&raquo;, postulados que foram   reiterados quatro d&eacute;cadas ap&oacute;s, na Carta   de Ottawa.<sup>7</sup> O autor ainda destaca os   &laquo;componentes estrat&eacute;gicos&raquo; da a&ccedil;&atilde;o   sanit&aacute;ria, quais sejam: (a) a a&ccedil;&atilde;o   intersetorial; (b) o desempenho de pap&eacute;is   ativos por parte da popula&ccedil;&atilde;o; e (c) a a&ccedil;&atilde;o   no n&iacute;vel local.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Lalonde,<sup>5</sup> revendo ap&oacute;s uma    d&eacute;cada, o seu modelo, defendia sua atualidade e coer&ecirc;ncia, situando-o    como um verdadeiro &quot;mapa do territ&oacute;rio da sa&uacute;de&quot;, um    potente instrumento de an&aacute;lise da sa&uacute;de e das condi&ccedil;&otilde;es    de vida, capaz de abarcar a totalidade dos fatores determinantes, em uma vis&atilde;o    unificadora do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, atrav&eacute;s da facilita&ccedil;&atilde;o    da mediatiza&ccedil;&atilde;o entre os problemas e suas causas, al&eacute;m    do esmiu&ccedil;amento de cada componente do que chamou de <i>campo da sa&uacute;de</i>.    Em tal an&aacute;lise <i>a posteriori</i>, o autor insistia, ainda, no papel    menos relevante exercido pelo fator <i>organiza&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o</i>    em rela&ccedil;&atilde;o aos demais componentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O documento b&aacute;sico para a compreens&atilde;o    da proposta da Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de vem a ser a Carta de Ottawa,<sup>7</sup>    resultado de uma reuni&atilde;o internacional sobre o tema, realizada naquela    cidade, no ano de 1986 (I Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Promo&ccedil;&atilde;o    da Sa&uacute;de, realizada sob os ausp&iacute;cios da OMS, Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de e Bem-Estar do Canad&aacute; e Associa&ccedil;&atilde;o Canadense    de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Em 1992, ocorreu um segundo evento do g&ecirc;nero,    em Santa F&eacute; de Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia, e, em 1993, um outro, em    Trinidad-Tobago, que geraram documentos semelhantes). O referido documento,    redigido no estilo de &quot;carta de princ&iacute;pios&quot;, tem como enfoques    centrais os aspectos conceituais e operacionais da promo&ccedil;&atilde;o da    sa&uacute;de (pr&eacute;-requisitos, promo&ccedil;&atilde;o do conceito e dos    meios, atua&ccedil;&atilde;o mediadora das institui&ccedil;&otilde;es) bem como    a &ecirc;nfase na participa&ccedil;&atilde;o ativa no processo de promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, propondo as estrat&eacute;gias das &quot;<i>pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas saud&aacute;veis</i>&quot; e dos &quot;<i>ambientes favor&aacute;veis    &agrave; sa&uacute;de</i>&quot;. Suas diretrizes operacionais principais, <i>Campos    de A&ccedil;&atilde;o na Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de</i>, podem ser    vislumbradas a seguir:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>1. Desenvolver pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    saud&aacute;veis</b> - colocando-se a sa&uacute;de na agenda dos formuladores    de pol&iacute;ticas em todos os setores e em todos os n&iacute;veis, procurando    conscientiz&aacute;-los sobre as conseq&uuml;&ecirc;ncias de suas decis&otilde;es    sobre a sa&uacute;de, para que aceitem suas responsabilidades perante ela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>2. Criar ambientes saud&aacute;veis </b>-    avaliando-se sistematicamente o impacto sobre a sa&uacute;de de um ambiente    em r&aacute;pida mudan&ccedil;a. A prote&ccedil;&atilde;o do ambiente natural    e constru&iacute;do e a conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais devem    ser contemplados em qualquer estrat&eacute;gia de promo&ccedil;&atilde;o da    sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>3. Fortalecer a a&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria</b>    - trabalhando-se atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias concretas    e efetivas quanto &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de prioridades, tomada de    decis&otilde;es, estrat&eacute;gias de planejamento e na sua implementa&ccedil;&atilde;o,    visando &agrave; melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>4. Desenvolver habilidades pessoais</b> -    apoiando-se o desenvolvimento pessoal e social atrav&eacute;s da divulga&ccedil;&atilde;o    de informa&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de e intensifica&ccedil;&atilde;o    das habilidades vitais das pessoas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>5. Reorientar os servi&ccedil;os de sa&uacute;de</b>    - movendo-se gradativamente o papel do setor sa&uacute;de no sentido da promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, al&eacute;m da manuten&ccedil;&atilde;o de suas responsabilidades    na provis&atilde;o de servi&ccedil;os cl&iacute;nicos e de emerg&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; inquestion&aacute;vel a influ&ecirc;ncia    de tal conjunto de postulados na formula&ccedil;&atilde;o doutrin&aacute;ria    e operacional referente aos modelos de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de    na Am&eacute;rica Latina, em anos mais recentes, mesmo porque os organismos    internacionais que promoveram a confer&ecirc;ncia de Ottawa naturalmente endossaram    e passaram a fazer proselitismo em torno das recomenda&ccedil;&otilde;es deles    emanadas, transformando a <i>Promo&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de</i> em mais    uma das palavras de ordem difundidas aos pa&iacute;ses membros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Buck,<sup>8</sup> avaliando o impacto da contribui&ccedil;&atilde;o    de Lalonde ap&oacute;s uma d&eacute;cada, concentra sua an&aacute;lise nos fatores    ambientais (&laquo;entornos&raquo;) que influenciam a sa&uacute;de, nominalmente    os &laquo;entornos perigosos&raquo;, a &laquo;falta de amenidades&raquo;, o    &laquo;trabalho estressante, n&atilde;o gratificante e despersonalizado&raquo;,    o &laquo;isolamento e a aliena&ccedil;&atilde;o&raquo; e a pobreza. Analisa,    ainda, as rela&ccedil;&otilde;es existentes entre os fatores ambientais e os    demais componentes do <i>campo da sa&uacute;de</i>, ressaltando os efeitos cumulativos    e multiplicadores que entre eles se estabelecem. A autora destaca, tamb&eacute;m,    alguns fatores que t&ecirc;m dificultado as mudan&ccedil;as nos sistemas de    sa&uacute;de em dire&ccedil;&atilde;o aos postulados da promo&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, enfatizando, entre outros, barreiras &laquo;filos&oacute;ficas&raquo;    (a cren&ccedil;a de que o sofrimento &eacute; inerente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    humana); barreiras ligadas &agrave; in&eacute;rcia e &agrave; desconfian&ccedil;a    com que os indiv&iacute;duos e os grupos encaram as mudan&ccedil;as; a estrutura    fragmentada e de baixa comunica&ccedil;&atilde;o existente no aparelho social    p&uacute;blico e, finalmente, o que considera &laquo;a barreira mais poderosa&raquo;:    a predomin&acirc;ncia dos interesses individuais sobre os coletivos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Um modelo de aten&ccedil;&atilde;o para o    SUS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Silva Jr.<sup>1</sup> prop&otilde;e um quadro    de an&aacute;lise da conforma&ccedil;&atilde;o dos <i>modelos tecnoassistenciais    de sa&uacute;de</i> existentes no Brasil, envolvendo dimens&otilde;es que correspondem    a uma diversificada gama discursiva, em termos t&eacute;cnicos e ideol&oacute;gicos,    configurando, desta forma, a <i>matriz discursiva</i> demonstrada na <a href="#tab1">Tabela    1</a>.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="/Img/revistas/iesus/v8n2/2a03t1.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A matriz permite ainda, ao analisar cada linha    da gama discursiva, definir, dos termos iniciais aos &uacute;ltimos de cada    s&eacute;rie, uma gama correspondente de <i>modelos tecnoassistenciais</i> em    sa&uacute;de, a saber: (a)<i> liberal-privativista</i> (flexneriano, inampsiano);    (b) <i>sa&uacute;de p&uacute;blica</i> (campanhista); (c) <i>vertical</i> (permanente    e com reformas internacionais); e (d) <i>sa&uacute;de coletiva</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Evidentemente, o panorama atual no pa&iacute;s    mostra a conviv&ecirc;ncia, nem sempre harmoniosa, de todos estes modelos, encontrados,    de forma simult&acirc;nea mesmo em micro-realidades. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas,    por&eacute;m, que mesmo enfrentando a diversidade pol&iacute;tica e institucional,    a modalidade mais coerente com os princ&iacute;pios e diretrizes constitucionais    do SUS &eacute; o <i>modelo tecnoassistencial da sa&uacute;de coletiva</i>,    que resulta da evolu&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e pol&iacute;tica dos modelos    verticais reformados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Os desafios para os modelos de aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de no s&eacute;culo XXI</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma boa quest&atilde;o para introduzir o assunto    seria: de que adoeceremos e morreremos no pr&oacute;ximo s&eacute;culo? A OMS,    juntamente com o Banco Mundial, obviamente preocupados com o tema, patrocinaram    um amplo estudo mundial, baseado na metodologia da <i>carga global de doen&ccedil;a</i>    (<i>global burden of disease</i>), coordenado por Murray &amp; Lopez, pesquisadores    da Universidade de Harvard e da pr&oacute;pria OMS, respectivamente.<sup>9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tal estudo foi realizado mediante uma metodologia    inovadora, que procurou quantificar n&atilde;o somente o n&uacute;mero de mortes    ocorridas nas v&aacute;rias regi&otilde;es do mundo, mas, tamb&eacute;m, o impacto    das mortes prematuras e da incapacidade sobre a popula&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s    da utiliza&ccedil;&atilde;o do indicador <i>DALY</i> - <i>anos de vida ajustados    por incapacidade (disability-adjusted life year)</i>. Um <i>DALY</i> corresponde    a um ano perdido de vida saud&aacute;vel. Assim, torna-se poss&iacute;vel trabalhar    com o novo conceito de <i>carga de doen&ccedil;a</i>, assumido como a diferen&ccedil;a    entre o estado &quot;real&quot; de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o e    um estado &quot;ideal&quot; ou &quot;de refer&ecirc;ncia&quot; estimado mediante    ampla participa&ccedil;&atilde;o de especialistas de v&aacute;rias &aacute;reas,    al&eacute;m da consulta a fontes de informa&ccedil;&atilde;o variadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma estimativa de cen&aacute;rio para os pr&oacute;ximos    25 anos mostra que, para um primeiro grupo de enfermidades, englobando as transmiss&iacute;veis,    maternas, perinatais e nutricionais, ou seja, aquelas control&aacute;veis por    medidas de prote&ccedil;&atilde;o espec&iacute;ficas ou promo&ccedil;&atilde;o    de h&aacute;bitos saud&aacute;veis, as perspectivas s&atilde;o de sua redu&ccedil;&atilde;o,    embora com grandes diferen&ccedil;as entre as diversas regi&otilde;es do globo.    Ao contr&aacute;rio, para as doen&ccedil;as n&atilde;o transmiss&iacute;veis    de natureza cr&ocirc;nica e degenerativa, bem como para as doen&ccedil;as decorrentes    de les&otilde;es por acidentes, traumatismos e outras formas de viol&ecirc;ncia    individual e social, a tend&ecirc;ncia &eacute; nitidamente de incremento. A    <a href="#tab2">Tabela 2</a> sintetiza os dez maiores impactos para <i>DALY</i>    (anos de vida perdidos de vida saud&aacute;vel) em 1990 e a proje&ccedil;&atilde;o    para 2020.</font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="/Img/revistas/iesus/v8n2/2a03t2.gif" border="0"></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O estudo de Murray &amp; Lopez<sup>9</sup> ainda    oferece algumas outras conclus&otilde;es impactantes, a saber: (a) as doen&ccedil;as    psiqui&aacute;tricas t&ecirc;m sido subestimadas nas estat&iacute;sticas de    sa&uacute;de; (b) as desigualdades entre as regi&otilde;es pobres e ricas do    mundo s&atilde;o imensas e n&atilde;o se reduzir&atilde;o substancialmente,    mesmo no caso das doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas, consideradas,    indevidamente, como decorr&ecirc;ncia do &quot;desenvolvimento&quot; das sociedades;    (c) o uso do tabaco continuar&aacute; contribuindo para a morte de mais gente    do que qualquer outra doen&ccedil;a, inclusive Aids; (d) embora as doen&ccedil;as    transmiss&iacute;veis em geral apresentem tend&ecirc;ncia &agrave; redu&ccedil;&atilde;o,    tal n&atilde;o acontece com a tuberculose; (e) sexo n&atilde;o seguro continuar&aacute;    sendo um grande fator de risco para o futuro, principalmente nas regi&otilde;es    mais pobres; (f) a expectativa de vida crescer&aacute;, mas os homens continuar&atilde;o    com n&iacute;veis mais baixos que as mulheres, sem que isso signifique que <i>viver    mais</i> seja viver com <i>mais sa&uacute;de</i>; (g) os grandes fatores de    riscos com que a humanidade se defronta e continuar&aacute; se defrontando no    futuro ser&atilde;o a desnutri&ccedil;&atilde;o, a falta de saneamento b&aacute;sico,    o sexo inseguro, o uso do tabaco, o estresse, a viol&ecirc;ncia urbana, al&eacute;m    de fatores ligados ao processo de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">S&atilde;o, naturalmente, evidentes as   implica&ccedil;&otilde;es de tais conclus&otilde;es na   formula&ccedil;&atilde;o de modelos tecnoassistenciais   que enfrentem os atuais problemas de   sa&uacute;de das sociedades e, ao mesmo tempo,   d&ecirc;em conta dos desafios do futuro. Alguns   aspectos de tais modelos podem ser   destacados preliminarmente e s&atilde;o: (a) a   garantia da universalidade, da integralidade   e da equidade, em um panorama de   transi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tica, institucional,   demogr&aacute;fica e epidemiol&oacute;gica; (b) a   aten&ccedil;&atilde;o especial a grupos populacionais   (idosos, adolescentes, pessoas em idade   ativa em geral); (c) a aten&ccedil;&atilde;o a doen&ccedil;as   de longo curso em face do desafio dos   custos crescentes da assist&ecirc;ncia e da   escalada tecnol&oacute;gica; e (d) a necessidade   do desenvolvimento de mais e melhores   metodologias e tecnologias de educa&ccedil;&atilde;o   e promo&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos e comportamentos   adequados para uma vida saud&aacute;vel, entre   outras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O desenvolvimento de modelos   tecnoassistenciais com tais caracter&iacute;sticas   exige o conhecimento de alguns   cen&aacute;rios que j&aacute; se delineiam para o futuro,   em termos demogr&aacute;ficos, epidemiol&oacute;gicos   e institucionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Do ponto de vista demogr&aacute;fico, s&atilde;o   incont&aacute;veis as evid&ecirc;ncias que apontam   para uma sociedade com mais pessoas   idosas e menos jovens, em termos   proporcionais e absolutos. A rela&ccedil;&atilde;o entre   pessoas que trabalham e aposentados ser&aacute;   cada vez mais pr&oacute;xima da unidade, com evidentes reflexos, sen&atilde;o    no financiamento   da sa&uacute;de, pelo menos na   organiza&ccedil;&atilde;o dos cuidados com base   domiciliar. A estrutura das fam&iacute;lias ser&aacute;,   tamb&eacute;m, completamente alterada, com   sa&iacute;da crescente das mulheres para a   disputa de postos no mercado de trabalho,   aumento das mulheres chefes de fam&iacute;lia,   amplia&ccedil;&atilde;o do conceito de fam&iacute;lia nuclear   e dos n&uacute;cleos familiares unipessoais, entre   outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em termos epidemiol&oacute;gicos, o estudo de    Murray &amp; Lopez<sup>9</sup> mostra tend&ecirc;ncias claras, destacando-se,    ainda, o impacto das condi&ccedil;&otilde;es provenientes de estilos de vida    e comportamentos e dos problemas ligados &agrave; intera&ccedil;&atilde;o homem-ambiente,    tanto no plano da natureza como social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Do ponto de vista do financiamento,   parecem estar bem claras em todas as   sociedades as dificuldades crescentes em   adequar os recursos dispon&iacute;veis &agrave;s   necessidades e demandas sociais, com   acirramento da disputa pelo or&ccedil;amento   p&uacute;blico em arenas pol&iacute;ticas nas quais os   grupos sociais dotados de maior   capacidade de vocaliza&ccedil;&atilde;o tendem a se   sair melhor. As disparidades sociais,   conseq&uuml;entemente, tender&atilde;o ao   agravamento - e este &eacute; um quadro   detectado at&eacute; mesmo nos pa&iacute;ses mais   ricos, como os Estados Unidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda na plano institucional,   emergem quest&otilde;es bastante s&eacute;rias a   respeito das modalidades de organiza&ccedil;&atilde;o   de cuidados, nos sistemas de sa&uacute;de,   capazes de dar conta das v&aacute;rias transi&ccedil;&otilde;es   em curso. Assim &eacute; que a escalada   tecnol&oacute;gica, a pujante cultura hospitalista   vigente n&atilde;o s&oacute; entre os profissionais de   sa&uacute;de como na sociedade como um todo,   a pouca valoriza&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica   e de outros profissionaias dos aspectos   relacionados &agrave; preven&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o, a   necessidade de novas inst&acirc;ncias de   cuidados al&eacute;m do hospitalar e do   ambulatorial cl&aacute;ssicos, al&eacute;m das   marcantes defici&ecirc;ncias qualitativas e   quantitativas da for&ccedil;a de trabalho em   sa&uacute;de, por si s&oacute;, colocam marcantes   desafios ao desenvolvimento dos futuros   modelos tecnoassistenciais em sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#tab3">tabela 3</a>, elaborada segundo    Cox<sup>10</sup> procura sintetizar, a partir de cada componente dos cen&aacute;rios futuros    (demogr&aacute;fico, epidemiol&oacute;gico, institucional), as implica&ccedil;&otilde;es    para as pr&aacute;ticas dos profissionais de sa&uacute;de e para a estrututura    do sistema de sa&uacute;de como um todo. Embora o artigo de Cox<sup>10</sup> aborde explicitamente    as pr&aacute;ticas de enfermagem, a abrang&ecirc;ncia da an&aacute;lise realizada    permite conclus&otilde;es para as pr&aacute;ticas das demais profiss&otilde;es    de sa&uacute;de, particularmente da medicina.</font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><img src="/Img/revistas/iesus/v8n2/2a03t3.gif" border="0"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como se v&ecirc;, n&atilde;o s&atilde;o de pequena    monta os desafios que se colocam para a constru&ccedil;&atilde;o de novos modelos    de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, capazes de dar conta das mudan&ccedil;as    epidemiol&oacute;gicas, culturais e institucionais trazidas pelo momento presente.    <i>Chegar ao s&eacute;culo</i> XXI pressup&otilde;e superar os escolhos colocados    pela cultura e pelas pr&aacute;ticas tradicionais de sa&uacute;de ainda vigentes.    Ou, parafraseando Edgard Morin, a quest&atilde;o poderia ser: <i>como sair do    s&eacute;culo XX</i>? Ou at&eacute; mesmo: <i>como deixar o s&eacute;culo XIX    para tr&aacute;s</i>? Particularmente na sa&uacute;de, as rupturas conceituais    e emp&iacute;ricas que se fazem necess&aacute;rias, por certo absorver&atilde;o    grandes energias e somente poder&atilde;o ser obtidas a partir de um verdadeiro    processo de produ&ccedil;&atilde;o social de hegemonia dotado de componentes    &eacute;ticos, pol&iacute;ticos e t&eacute;cnicos. O panorama &eacute; extremamente    mutante e conflitivo, por&eacute;m capaz de alcan&ccedil;ar legitimidade mediante    negocia&ccedil;&atilde;o e busca de consenso entre os atores sociais envolvidos    com a sa&uacute;de, pois, apesar das dificuldades, este &eacute; um campo aberto    para mudan&ccedil;as, pela sua transcend&ecirc;ncia na exist&ecirc;ncia de cada    indiv&iacute;duo e pelas implica&ccedil;&otilde;es que possui na vida social,    como um todo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">1. Silva JR A. Modelos tecnoassistenciais   em sa&uacute;de - O debate no   campo da Sa&uacute;de Coletiva. S&atilde;o Paulo:   HUCITEC; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Paim JS. Bases conceituais da Reforma Sanit&aacute;ria    brasileira. <i>In</i>: Fleury S. (Org.) Sa&uacute;de e Democracia: a luta do    CEBES. S&atilde;o Paulo: Lemos Ed; 1997. p.13-26.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. Carvalho AI, Ribeiro JM. Modelos de aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; Sa&uacute;de. <i>In</i>: Carvalho AI, Goulart FA. Gest&atilde;o em    Sa&uacute;de (Unidade II: Planejamento da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de).    Rio de Janeiro/Bras&iacute;lia: Ed. Fiocruz/UnB; 1998.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Campos GWS. Sobre la reforma de los Modelos    de Atenci&oacute;n: un modo mutante de hacer salud. <i>In</i>: Eibenschutz C.    Pol&iacute;tica de Sa&uacute;de: o P&uacute;blico e o Privado. Rio de Janeiro:    Ed. Fiocruz; 1995. p.95-98.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">5. Lalonde M. El concepto de &laquo;campo de    salud&raquo; en una perspectiva canadiense. <i>In</i>: OPS Promoci&oacute;n    de la Salud: una antolog&iacute;a. Washington- DC (USA): OPS (Publicaci&oacute;n    Cient&iacute;fica n<sup>o</sup>. 557); 1996. </font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">6. Terris M. Conceptos de la promoci&oacute;n    de la salud: dualidades de la teor&iacute;a de la salud p&uacute;blica. <i>In</i>:    OPS Promoci&oacute;n de la Salud: una antolog&iacute;a. Washington-DC (USA):    OPS (Publicaci&oacute;n Cient&iacute;fica n<sup>o</sup>. 557); 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">7. BRASIL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Carta   de Ottawa; Declara&ccedil;&otilde;es de Adelaide,   Sundsvall e Santa F&eacute; de Bogot&aacute;, s/   data.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">8. Buck C. Despu&eacute;s de Lalonde: la creaci&oacute;n    de la salud. <i>In</i>: OPS Promoci&oacute;n de la Salud: una antolog&iacute;a.    Washington-DC (USA): OPS (Publicaci&oacute;n Cient&iacute;fica 557); 1996.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">9. Murray CJL, Lopez AD. Mortality by cause    for eight regions of the world: Global Burden of Disease Study. <b>The Lancet</b>    1997; 349:1347-1436.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">10. Cox RP. Family Health care delivery for the    21<sup>st</sup> Century. <b>Journal of Obstetric, Gynecologic and Neonatal Nursing</b>    (JOGNN) 1997; 26: 109-118.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/iesus/v8n2/seta.gif" border="0"></a><b>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Departamento de Sa&uacute;de Coletiva/FS/UNB    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Campus Darcy Ribeiro    <br>   Bras&iacute;lia - DF    <br>   CEP: 70.910-900    <br>   E-mail:<a href="mailto:fgoulart@tba.com.br">fgoulart@tba.com.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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