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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Investigação do retardo mental e doenças genéticas a partir de um estudo transversal em escolas do Estado do Rio de Janeiro]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A cross sectional study to investigate mental retardation and genetic disorders in schools of Rio de Janeiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[From 1994 to 1997, an itinerant medical research group initiated a genetic screening program in governmental funded schools for lhe mentally handicapped individuals in the state of Rio de Janeiro, Brazil. ln arder to identify clinical-epidemiological factors among The mentally retarded students, 673 pupils with mental retardation (MR) were examined and their families interviewed (compliance rate of 80%). A predominance of affected males (1,5M:1F - p<0,001) was observed. Familial history of MR was present in 25% of the interviewed families and 5,5% of lhe parents were consanguineous (p<0, 01). Advanced parental age at birth, including Down syndrome pupils, was observed. A significantly higher frequency of domicile labours (p<0,0001), especially for those over 20 years of age, was reported, and a low prevalence for caesarean sections (27,8%) compared to lhe general population in lhe state of Rio de Janeiro (46,84%; p<0,0001) was registered. Furthermore, 20,3% of pupils were hospitalised immediately after birth and 19,8% had a history of non-febrile convulsions. An etiological classification was attempted for each examined individual with lhe following results: 36,9% genetic, 21,1 % acquired and 41,9% idiopathic. Our results point out for lhe necessity of a review of medical practice essentially towards family planning and especially related to advalced maternal age pregnancies, where genetic counselling and prenatal diagnostic tests could be extended. Perinatal medical supervision should be intensified in arder to reduce complications related to labour and effective efforts should be put in practice to implement tertiary prevention for lhe handicapped individual as recommended by official governmental departments of lhe Brazilian Ministry of Health (1993).]]></p></abstract>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Retardo Mental]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="topo"></a>Investiga&ccedil;&atilde;o    do retardo mental e doen&ccedil;as gen&eacute;ticas a partir de um estudo transversal    em escolas do Estado do Rio de Janeiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>A cross sectional study to investigate mental    retardation and genetic disorders in schools of Rio de Janeiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Juan Clinton Llerena Jr<sup>I</sup>; Ant&ocirc;nio    Ab&iacute;lio Santa-Rosa<sup>II</sup>; Patr&iacute;cia Correia<sup>II</sup>;    Dafne Horovitz<sup>III</sup>; Eduardo Jorge Cust&oacute;dio da Silva<sup>IV</sup>;    Edicl&eacute;ia Fernandes Mascarenhas<sup>V</sup>; Raquel da Silva<sup>VI</sup>;    Luis Camacho<sup>VII</sup>; Ronir Raggio<sup>VIII</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Departamento de Gen&eacute;tica M&eacute;dica/IFFIFIOCRUZ    <br>   <sup>II</sup>Instituto de Biologia -Departamento de Gen&eacute;tica, CCS/UFRJ    <br>   <sup>III</sup>Instituto de Medicina Social/UERJ    <br>   <sup>IV</sup>Sa&uacute;de da Mulher e da Crian&ccedil;a/IFF/FIOCRUZ    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>V</sup>Sa&uacute;de da Mulher e da Crian&ccedil;a/IFF/FIOCRUZ e CERAPD/SUS    <br>   <sup>VI</sup>Departamento de Biologia Celular e Gen&eacute;tica/Instituto de    Biologia/UERJ    <br>   <sup>VII</sup>Departamento de Epidemiologia/ENSP/FIOCRUZ    <br>   <sup>VIII</sup>N&uacute;cleo de Estudos de Sa&uacute;de Coletiva/UFRJ </font>     <p><font size="2" face="verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font>     <p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De 1994 a 1997, uma equipe m&eacute;dica itinerante    em visita a escolas de educa&ccedil;&atilde;o especial no Estado do Rio de Janeiro    iniciou uma investiga&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica em alunos com retardo    mental (RM) com o objetivo de identificar fatores cl&iacute;nicos e epidemiol&oacute;gicos    associados a defici&ecirc;ncia mental em uma popula&ccedil;&atilde;o escolar:    673 alunos foram examinados e suas fam&iacute;lias entrevistadas nas pr&oacute;prias    escolas com uma ades&atilde;o superior a 80%. Foram constatados: maior freq&uuml;&ecirc;ncia    de indiv&iacute;duos do sexo masculino (1,5M:1F; p&lt;0,001), hist&oacute;ria    familiar de RM em 25% das fam&iacute;lias entrevistadas, uni&otilde;es consang&uuml;&iacute;neas    em 5,5% (p&lt;0,01) dos pais e aumento da idade parental ao nascimento, incluindo    os alunos com s&iacute;ndrome de Down. Uma freq&uuml;&ecirc;ncia maior de partos    domiciliares (p&lt;0,00001), especialmente entre os alunos com mais de 20 anos,    foi identificada juntamente a uma menor freq&uuml;&ecirc;ncia de partos cesarianos    no total de alunos (27,6%; p&lt;0,0001) comparado &agrave; popula&ccedil;&atilde;o    geral do Estado do Rio de Janeiro(46,84%). Em cerca de 20,3% dos alunos havia    hist&oacute;ria de interna&ccedil;&atilde;o no ber&ccedil;&aacute;rio logo ap&oacute;s    o nascimento e convuls&atilde;o n&atilde;o febril em 19,8% dos examinados. Os    alunos com RM foram clinicamente classificados de acordo com uma hip&oacute;tese    etiol&oacute;gica, compreendendo 36,9% como poss&iacute;vel causa gen&eacute;tica,    21,1% de causa ambiental e 41,9% de causa idiop&aacute;tica. Tais resultados    indicam a necessidade de uma revis&atilde;o das estrat&eacute;gias de planejamento    familiar atual, especialmente com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s gestantes    idosas onde o aconselhamento gen&eacute;tico e m&eacute;todos de diagn&oacute;stico    pr&eacute;-natal poderiam ser estendidos. Uma revis&atilde;o das pr&aacute;ticas    obst&eacute;tricas ao per&iacute;odo pr&eacute;, peri e p&oacute;s-parto com    o intuito de reduzir as complica&ccedil;&otilde;es ao rec&eacute;m-nascido e    uma real efetiva&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de preven&ccedil;&atilde;o    terci&aacute;ria voltados para o atendimento do deficiente tornam-se necess&aacute;rios    atrav&eacute;s das recomenda&ccedil;&otilde;es da Coordena&ccedil;&atilde;o    de Aten&ccedil;&atilde;o a Grupos Especiais pelo Programa de Aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; Sa&uacute;de da Pessoa Portadora de Defici&ecirc;ncia do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de (1993).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-Chave</b>: Retardo Mental; Desordem    Gen&eacute;tica.</font></p> <hr size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">From 1994 to 1997, an itinerant medical research    group initiated a genetic screening program in governmental funded schools for    lhe mentally handicapped individuals in the state of Rio de Janeiro, Brazil.    ln arder to identify clinical-epidemiological factors among The mentally retarded    students, 673 pupils with mental retardation (MR) were examined and their families    interviewed (compliance rate of 80%). A predominance of affected males (1,5M:1F    - p&lt;0,001) was observed. Familial history of MR was present in 25% of the    interviewed families and 5,5% of lhe parents were consanguineous (p&lt;0, 01).    Advanced parental age at birth, including Down syndrome pupils, was observed.    A significantly higher frequency of domicile labours (p&lt;0,0001), especially    for those over 20 years of age, was reported, and a low prevalence for caesarean    sections (27,8%) compared to lhe general population in lhe state of Rio de Janeiro    (46,84%; p&lt;0,0001) was registered. Furthermore, 20,3% of pupils were hospitalised    immediately after birth and 19,8% had a history of non-febrile convulsions.    An etiological classification was attempted for each examined individual with    lhe following results: 36,9% genetic, 21,1 % acquired and 41,9% idiopathic.    Our results point out for lhe necessity of a review of medical practice essentially    towards family planning and especially related to advalced maternal age pregnancies,    where genetic counselling and prenatal diagnostic tests could be extended. Perinatal    medical supervision should be intensified in arder to reduce complications related    to labour and effective efforts should be put in practice to implement tertiary    prevention for lhe handicapped individual as recommended by official governmental    departments of lhe Brazilian Ministry of Health (1993).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Key Words</b>: Mental Retardation; Genetic    Disorders.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O retardo mental (RM) &eacute; considerado uma    quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica pela Organiza&ccedil;&atilde;o    Pan-Americana da Sa&uacute;de<sup>1</sup>, desde 1974, solicitando uma a&ccedil;&atilde;o    mais direta por parte dos diversos setores da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.    Em uma ampla revis&atilde;o sobre o assunto, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial    da Sa&uacute;de (OMS) e a Comiss&atilde;o Conjunta Internacional sobre os Aspectos    do Retardo Mental<sup>2</sup> reconhecem que pessoas portadoras de RM possuem necessidades    especiais que podem ser atendidas atrav&eacute;s de uma combina&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os gerais e especializados. O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    no Brasil, por meio da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aten&ccedil;&atilde;o a    Grupos Especiais da Secretaria de Assist&ecirc;ncia &agrave; Sa&uacute;de,<sup>3</sup>    reconhecendo as diretrizes propostas pela OMS, recomendam que o planejamento    e organiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os no Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de    seja um determinante social para a integra&ccedil;&atilde;o na sociedade, al&eacute;m    de a&ccedil;&otilde;es de detec&ccedil;&atilde;o precoce, reabilita&ccedil;&atilde;o    e preven&ccedil;&atilde;o terci&aacute;ria promovendo a sa&uacute;de do deficiente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A preval&ecirc;ncia do RM no Brasil &eacute;    apenas uma estimativa. De acordo com um censo realizado pela Organiza&ccedil;&atilde;o    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &amp; Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos    Bispos do Brasil,<sup>4</sup> cerca de 5% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira    (130.000.000 habitantes em 1987) apresentavam algum tipo de RM. Estima-se que    10% da popula&ccedil;&atilde;o mundial tenha algum tipo de defici&ecirc;ncia,    sendo 2-3% de deficientes mentais. Por outro lado, a grande heterogeneidade    etiol&oacute;gica do RM, muitas vezes, dificulta o planejamento familiar e aconselhamento    gen&eacute;tico.<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Este trabalho teve como objetivo o estudo das    caracter&iacute;sticas cl&iacute;nico-epidemiol&oacute;gicas de 673 alunos com    RM inseridos em programas governamentais de educa&ccedil;&atilde;o especial    sob coordena&ccedil;&atilde;o das Secretarias de Educa&ccedil;&atilde;o do Estado    do Rio de Janeiro e Munic&iacute;pio de Duque de Caxias (RJ). A partir deste    referencial de estudo foram abordadas as principais diretrizes para a formula&ccedil;&atilde;o    de programas de sa&uacute;de voltados ao indiv&iacute;duo com RM utilizando    os documentos oficiais da OMS e do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de do Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em 1994, iniciou-se uma parceria entre o Departamento    de Gen&eacute;tica M&eacute;dica do Instituto Fernandes Figueira (FIOCRUZ-RJ)    e a antiga Coordena&ccedil;&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o Especial da Secretaria    de Educa&ccedil;&atilde;o do Estado do Rio de Janeiro com o objetivo de conhecer    o perfil cl&iacute;nico-epidemiol&oacute;gico de alunos portadores de RM e seus    familiares inseridos no programa governamental de ensino especial sob coordena&ccedil;&atilde;o    dessa Secretaria (CGP/COEE).<sup>6</sup> Em 1996, o Munic&iacute;pio de Duque de Caxias    (RJ) ingressou no projeto. O objetivo inicial da pesquisa foi identificar doen&ccedil;as    gen&eacute;ticas entre os alunos com RM inseridos em escolas p&uacute;blicas.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Neste sentido, uma equipe itinerante do Departamento    de Gen&eacute;tica M&eacute;dica do Instituto Fernandes Figueira (FIOCRUZ-RJ)    realizou visitas semanais a diferentes escolas de educa&ccedil;&atilde;o especial    sob coordena&ccedil;&atilde;o da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o do Estado    do Rio de Janeiro &#91;Niter&oacute;i (EEEE Alvaro Caetano de Oliveira), Nova    Igua&ccedil;u (CIEsp), Rio de Janeiro (EEEE Ant&ocirc;nio F Lisboa, EEEE Marly    Fr&oacute;es), Duque de Caxias (EE Irineu Marinho), Cabo Frio (CE Miguel Couto,    CE 31 de Mar&ccedil;o&#93; e da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o do Munic&iacute;pio    de Duque de Caxias/RJ (Distritos de Duque de Caxias, Campos El&iacute;seos,    Imbari&ecirc; e Xer&eacute;m). Foram examinados 673 alunos portadores de RM    e seus respons&aacute;veis foram entrevistados. Dois protocolos cl&iacute;nicos    de investiga&ccedil;&atilde;o foram seguidos em cada fam&iacute;lia: gen&eacute;tico    e neurol&oacute;gico.<sup>7.8</sup> O grupo de alunos com diagn&oacute;stico    de RM inseridos nas escolas especiais foi delimitado pelas Coordenadorias de    Educa&ccedil;&atilde;o Especial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> As avalia&ccedil;&otilde;es foram realizadas    nas pr&oacute;prias escolas por uma equipe composta por geneticista, neurologista    e assistente social. Representantes das secretarias de educa&ccedil;&atilde;o    e os professores participaram da avalia&ccedil;&atilde;o. A avalia&ccedil;&atilde;o    neurol&oacute;gica foi realizada pelo mesmo investigador em todos os casos,    consistindo em exame neurol&oacute;gico cl&aacute;ssico e do exame neurol&oacute;gico    evolutivo (ENE).<sup>9</sup> O question&aacute;rio gen&eacute;tico e o exame    morfol&oacute;gico dos pacientes foram realizados por mais de um pesquisador.    No entanto, todos tiveram o mesmo treinamento em servi&ccedil;o, supervisionados    por um dos pesquisadores e baseados em conceitos e orienta&ccedil;&otilde;es    preconizadas por Jones,<sup>10</sup> facilitando, desta forma, a homogeneidade da coleta    de informa&ccedil;&otilde;es. A presen&ccedil;a de um respons&aacute;vel do    aluno foi sempre exigida para autoriza&ccedil;&atilde;o do exame e assinatura    do termo de consentimento para a pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diante da complexidade de estabelecer diagn&oacute;sticos    etiol&oacute;gicos numa popula&ccedil;&atilde;o t&atilde;o heterog&ecirc;nea    quanto a dos deficientes e cientes das limita&ccedil;&otilde;es existentes nesse    tipo de investiga&ccedil;&atilde;o explorat&oacute;ria, descritiva e retrospectiva,    a amostra foi classificada em tr&ecirc;s grandes grupos: gen&eacute;tico, ambiental    e idiop&aacute;tico. Categorizaram-se como integrante do grupo gen&eacute;tico    os alunos que apresentavam um conjunto de dismorfias faciais peculiares associadas    ou n&atilde;o a outras malforma&ccedil;&otilde;es cong&ecirc;nitas, doen&ccedil;as    gen&eacute;ticas com diagn&oacute;stico baseado em crit&eacute;rios cl&iacute;nicos    (s&iacute;ndromes de Down, Williams, Esclerose Tuberosa, entre outras), consang&uuml;inidade    parental na aus&ecirc;ncia de associa&ccedil;&atilde;o com fatores ambientais    adversos, dois indiv&iacute;duos do sexo masculino afetados na mesma fam&iacute;lia,    ou dois indiv&iacute;duos com dismorfias faciais peculiares na mesma fam&iacute;lia,    ou, ainda, apresentando a defici&ecirc;ncia em quest&atilde;o em mais de duas    gera&ccedil;&otilde;es. Tamb&eacute;m foi utilizado, em poucas ocasi&otilde;es,    o relat&oacute;rio m&eacute;dico do aluno com o diagn&oacute;stico etiol&oacute;gico    definitivo (eg: S&iacute;ndrome do &quot;miado do gato&quot; - perda segmentar    do bra&ccedil;o curto do cromossomo 5). No grupo ambiental foi classificado    o indiv&iacute;duo com hist&oacute;ria patol&oacute;gica pregressa de eventos    externos ao concepto, n&atilde;o constitucionais, identificados pelos question&aacute;rios    como, por exemplo, infec&ccedil;&atilde;o cong&ecirc;nita, exposi&ccedil;&atilde;o    a drogas ou agentes abortivos, descolamento prematuro de placenta, prematuridade,    asfixia perinatal, tocotraumatismo, meningoencefalites, traumatismo craniano,    baixa motiva&ccedil;&atilde;o social, entre outros. No grupo idiop&aacute;tico    foram inclu&iacute;dos alunos cujos question&aacute;rios, anamnese e exame f&iacute;sico    n&atilde;o identificaram nenhuma altera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As informa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas    coletadas em campo constitu&iacute;ram um banco de dados e foram analisadas    atrav&eacute;s dos testes estat&iacute;sticos do Programa <i>Epitab</i>/e e    do Programa <i>Statcalc</i> inseridos no pacote de programas EPI-INFO 6.0 compreendendo    as freq&uuml;&ecirc;ncia simples, intervalos de confian&ccedil;a com os testes    t de <i>Student</i> e Qui-quadrado. As freq&uuml;&ecirc;ncias foram apresentadas    com intervalo de 95% de confian&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os dados da popula&ccedil;&atilde;o geral brasileira    referentes ao sexo, tipo de parto, taxa de gemelaridade, idade materna ao nascimento    do aluno e consang&uuml;inidade parental foram obtidos a partir de duas fontes:    Declara&ccedil;&atilde;o de Nascido Vivo do Munic&iacute;pio do Rio de Janeiro    fornecida pela Secretaria Municipal de Sa&uacute;de (96.147 registros de 1994)<sup>11</sup>    e duas maternidades do grupo ECLAMC (<i>Estudio Colaborativo Latino-Americano    de Malformaciones Congenitas</i>)<sup>1213</sup> em dois per&iacute;odos distintos    (1982 a 1990 e 1988 a 1994) (18.337 registros ).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Resultados e Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa cl&iacute;nica    nas pr&oacute;prias escolas permitiu alta ades&atilde;o por parte das fam&iacute;lias,    alcan&ccedil;ando participa&ccedil;&atilde;o superior a 80% das fam&iacute;lias    atrav&eacute;s da assinatura do termo de consentimento informado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"> A idade dos alunos de nossa amostra variou de    seis a 71 anos, com um predom&iacute;nio para a faixa et&aacute;ria dos 11 a    20 anos (56,7%), m&eacute;dia 15&plusmn;7,3 anos e mediana de 14 anos (<a href="#tab1">Tabela    1</a>).</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/iesus/v9n4/4a04t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> Houve uma maior preval&ecirc;ncia do sexo masculino    sobre o sexo feminino (1,5M:1F)(p&lt;0,001), replicando dados j&aacute; conhecidos    da literatura para o RM<sup>14</sup> e, possivelmente, indicando a contribui&ccedil;&atilde;o    de genes ligados ao cromossomo X na etiologia do RM. Em nossa pesquisa, esta    contribui&ccedil;&atilde;o pode ser avaliada nos casos familiares de RM (25%    das fam&iacute;lias), onde o irm&atilde;o (24,4%) freq&uuml;entemente era o    afetado comparado &agrave; irm&atilde; (5,1%) (<a href="#tab1">Tabela 1</a>).    Outro fator relevante no aumento da preval&ecirc;ncia do sexo masculino &eacute;    a maior ocorr&ecirc;ncia da s&iacute;ndrome de Down no sexo masculino. Em nossa    pesquisa, a s&iacute;ndrome de Down foi a causa mais importante de RM no grupo    gen&eacute;tico (28,1% -<a href="#tab2">Tabela 2</a>). Esta maior preval&ecirc;ncja    da s&iacute;ndrome de Down no sexo masculino tamb&eacute;m &eacute; corroborada    por uma maior mortalidade perinatal no sexo feminino.<sup>15</sup></font></p>     <p><a name="tab2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/iesus/v9n4/4a04t2.gif">      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O Brasil &eacute; caracterizado por popula&ccedil;&otilde;es    com diferentes taxas de casamentos consang&uuml;&iacute;neos, variando de 9%    nas Regi&otilde;es Norte e Nordeste a 0,62% nas Regi&otilde;es Sul e Sudeste.<sup>14</sup>    Se tomarmos por base as estimativas da freq&uuml;&ecirc;ncia de consang&uuml;inidade    parental obtidas para todo o pa&iacute;s como sendo 1,28% (calculada a partir    de 2.328 registros de nascimentos hospitalares de rec&eacute;m-nascidos n&atilde;o    malformados em sete maternidades brasileiras),<sup>16</sup> o observado no nosso    grupo de alunos torna-se estatisticamente significativo (Yates X<sup>2</sup>=    20,14; p&lt;0,01) (<a href="#tab1">Tabela 1</a>). Tais dados poder&atilde;o    indicar um efeito das uni&otilde;es consang&uuml;&iacute;neas associado &agrave;    ocorr&ecirc;ncia de RM, possivelmente decorrente de genes autoss&ocirc;micos    recessivos.</font></p>         <p><font size="2" face="verdana">A m&eacute;dia das idades materna e paterna ao    nascimento na amostra foi de 28,2 &plusmn; 7,4 e 31,0 &plusmn; 8,6 anos, respectivamente.    A compara&ccedil;&atilde;o com os dados da declara&ccedil;&atilde;o de nascidos    vivos (25,24 &plusmn; 0,04 e 30,6 &plusmn; 7,7 anos, respectivamente)<sup>11</sup>    indicou um aumento na idade tanto paterna como materna na popula&ccedil;&atilde;o    de alunos com RM (p&lt;0,001) (<a href="#tab3">Tabela 3</a>). Ao analisarmos    separadamente a idade parental para o grupo de alunos constitu&iacute;dos pela    s&iacute;ndrome de Down (n=70), observa-se um aumento maior da idade parental    ao nascimento, especialmente para o grupo das m&atilde;es dos alunos mais jovens    (<a href="nn">Tabela 3</a>). Tais resultados refor&ccedil;am para o efeito da    idade parental, especialmente a materna, como fator de risco para a s&iacute;ndrome    de Down.<sup>17.18</sup></font></p>     <p><a name="tab3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/iesus/v9n4/4a04t3.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Observou-se uma freq&uuml;&ecirc;ncia aumentada    de partos domiciliares (p&lt;0,0001)<sup>11</sup> na amostra, principalmente    no grupo de alunos com mais de 20 anos. Esta pr&aacute;tica reduziu-se consideravelmente    em tempos mais recentes (<a href="#tab4">Tabela 4</a>). Observou-se, tamb&eacute;m,    uma maior tend&ecirc;ncia a indica&ccedil;&atilde;o de partos ces&aacute;reos    no grupo et&aacute;rio mais jovem de alunos, semelhante &agrave; encontrada    na popula&ccedil;&atilde;o geral no Estado do Rio de Janeiro<sup>11</sup> (<a href="#tab4">Tabela    4</a>).</font></p>     <p><a name="tab4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v9n4/4a04t4.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">&agrave; signific&acirc;ncia estat&iacute;stica encontrada    no estudo para consang&uuml;inidade, baixo peso ao nascimento (resultados n&atilde;o    mostrados), d&eacute;ficit motor, aquisi&ccedil;&atilde;o tardia da fala, convuls&otilde;es,    altera&ccedil;&otilde;es comportamentais e presen&ccedil;a de uma doen&ccedil;a    gen&eacute;tica que apontavam para a possibilidade de RM moderado a grave nestes    alunos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na grande maioria das entrevistas, a informante    principal foi a m&atilde;e e a confiabilidade no relato dos eventos pr&eacute;,    peri e p&oacute;s-natais, muitas vezes ocorridos h&aacute; muitos anos, teve    que ser considerada pelos pesquisadores diante da falta de documenta&ccedil;&atilde;o    ou relat&oacute;rios m&eacute;dicos. Entre as diversas intercorr&ecirc;ncias    descritas pelas fam&iacute;lias, consideramos apenas eventos que n&atilde;o    deixavam margens de d&uacute;vida quanto a sua veracidade. Nestas circunst&acirc;ncias,    identificou-se em cerca de 20,3% dos alunos examinados uma hist&oacute;ria pregressa    de interna&ccedil;&atilde;o no ber&ccedil;&aacute;rio logo ap&oacute;s o nascimento,    independentemente da faixa et&aacute;ria dos alunos (<a href="#tab4">Tabela    4</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> Uma importante quest&atilde;o a ser abordada    neste estudo foi a falta de categoriza&ccedil;&atilde;o do grau de RM. N&atilde;o    havia nenhum registro de avalia&ccedil;&otilde;es psicom&eacute;tricas por parte    da equipe escolar como normalmente relatadas em qualquer investiga&ccedil;&atilde;o    desta natureza. Portanto, tivemos a impress&atilde;o de que o grupo de alunos    examinados era bastante heterog&ecirc;neo quanto &agrave; gravidade do RM e    o desenho metodol&oacute;gico de estudos cl&iacute;nico-epidemiol&oacute;gicos    de car&aacute;ter descritivo, seccional e retrospectivo n&atilde;o permite,    em regras gerais, inferir causas etiol&oacute;gicas. Contudo, como um mero exerc&iacute;cio    de diagn&oacute;stico cl&iacute;nico, realizamos uma classifica&ccedil;&atilde;o    do RM em tr&ecirc;s grupos nosol&oacute;gicos de acordo com um poss&iacute;vel    agente causal: Gen&eacute;tico, Ambiental e Idiop&aacute;tico. Este &uacute;ltimo    grupo foi considerado como n&atilde;o associado a nenhuma doen&ccedil;a gen&eacute;tica    cl&aacute;ssica (ou aus&ecirc;ncia de dismorfias ou recorr&ecirc;ncia familiar),    ou a algum evento e/ou agente detectado nas entrevistas com os respons&aacute;veis.    Cerca de 37,0% dos alunos foram enquadrados no grupo gen&eacute;tico, 21,1%    no grupo ambiental e 41,9% dos alunos no grupo idiop&aacute;tico (<a href="#tab2">Tabela    2</a>). Tais resultados s&atilde;o compat&iacute;veis com dados da literatura    para trabalhos n&atilde;o hospitalares semelhantes ao deste estudo. <sup>19,20</sup>    &Eacute; de se ressaltar que o grupo considerado ambiental apresentou uma maior    associa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica com altera&ccedil;&otilde;es no exame    neurol&oacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma an&aacute;lise comparativa entre os resultados    obtidos nas escolas sob coordena&ccedil;&atilde;o da Secretaria Estadual do    Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Duque de Caxias foi realizada e n&atilde;o    apontou para diferen&ccedil;as estat&iacute;sticas para as vari&aacute;veis    analisadas. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A maior disponibilidade de refinadas t&eacute;cnicas    laboratoriais na investiga&ccedil;&atilde;o das causas gen&eacute;ticas do RM,<sup>5</sup>    vem garantindo a possibilidade de se estabelecerem novos diagn&oacute;sticos    etiol&oacute;gicos.</font><font size="2" face="verdana"> Com a crescente implementa&ccedil;&atilde;o    dessas investiga&ccedil;&otilde;es no cotidiano da investiga&ccedil;&atilde;o    gen&eacute;tica e a delinea&ccedil;&atilde;o de in&uacute;meras condi&ccedil;&otilde;es    gen&eacute;ticas<sup>21</sup>, muitas vezes em descri&ccedil;&otilde;es isoladas,    tem-se ampliado o conhecimento e identifica&ccedil;&atilde;o de novos processos    biol&oacute;gicos envolvidos na g&ecirc;nese do RM<sup>22,23,24,25</sup> (<a href="#tab5">Tabela    5</a>). Este avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico vem permitindo, inclusive, a cria&ccedil;&atilde;o    de modelos animais como referencial de estudo no RM.<sup>26,27</sup></font></p>     <p><a name="tab5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/iesus/v9n4/4a04t5.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Um total de 827 doen&ccedil;as associadas ao    RM est&aacute; cadastrado no Cat&aacute;logo McKusick de Doen&ccedil;as Mendelianas,<sup>21</sup>    incluindo as microaberra&ccedil;&otilde;es cromoss&ocirc;micas e doen&ccedil;as    mitocondriais, constituindo um grande acervo de doen&ccedil;as gen&eacute;ticas    classificadas em autoss&ocirc;mica dominante (#201), autoss&ocirc;mica recessiva    (#425), ligadas ao cromossomo X (#135), heran&ccedil;a mitocondrial (#6) e entradas    mistas (#50). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Duas importantes observa&ccedil;&otilde;es a    respeito do RM devem ser consideradas:<sup>2</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">1. Embora um n&uacute;mero maior de crian&ccedil;as com    RM leve e grave tenha sido encontrado nas classes sociais mais baixas, estas    tendem a ser as mais desfavorecidas pela falta dos progressos nos cuidados com    a sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e oportunidades de treinamento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">2. A adapta&ccedil;&atilde;o social de pessoas    com retardo mental est&aacute; fortemente influenciada por fatores hist&oacute;ricos,    sociais e econ&ocirc;micos, tais como tradi&ccedil;&atilde;o, estrutura familiar,    atitudes em rela&ccedil;&atilde;o aos menos capazes, equil&iacute;brio de m&atilde;o-de-obra    e exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de escolariza&ccedil;&atilde;o universal, bem    como pelo grau de matura&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo e a presen&ccedil;a    de dificuldades cr&ocirc;nicas adicionais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"> No estudo colaborativo realizado entre OMS e a Comiss&atilde;o    Conjunta Internacional sobre Aspectos do Retardo Mental,<sup>2</sup> foram formuladas perguntas    b&aacute;sicas a serem respondidas como uma etapa preliminar no planejamento    de servi&ccedil;os e formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    concernentes ao indiv&iacute;duo com RM. As quest&otilde;es mais pertinentes    se seguem: pode ser feita alguma estimativa do n&uacute;mero de pessoas com    RM no pa&iacute;s? Quantas pessoas com RM est&atilde;o sendo atendidas pelos    servi&ccedil;os existentes (escolas, hospitais e oficinas de trabalho)? Existe    alguma informa&ccedil;&atilde;o sobre a demanda de servi&ccedil;os para pessoas    que n&atilde;o est&atilde;o sendo presentemente atendidas? Quantas pessoas com    RM est&atilde;o atualmente sendo atendidas por servi&ccedil;os comuns, dispon&iacute;veis    para outros na comunidade? Quantas pessoas com RM est&atilde;o sendo cuidadas    pelas fam&iacute;lias em casa? Qual &eacute; a ajuda dispon&iacute;vel para    essas fam&iacute;lias? At&eacute; que ponto profissionais de sa&uacute;de locais    e outros agentes comunit&aacute;rios est&atilde;o conscientes das necessidades    dos indiv&iacute;duos com RM e suas fam&iacute;lias, e est&atilde;o familiarizados    com os m&eacute;todos b&aacute;sicos de assist&ecirc;ncia? At&eacute; que ponto    &eacute; poss&iacute;vel ajudar os indiv&iacute;duos com RM a obter e manter    empregos em n&iacute;vel adequado, atrav&eacute;s de treinamento e assist&ecirc;ncia    apropriados? O que se sabe das atitudes comunit&aacute;rias em rela&ccedil;&atilde;o    a pessoas com RM? Qual o contato estabelecido com organiza&ccedil;&otilde;es    volunt&aacute;rias e particulares que prestam, ou desejam prestar, servi&ccedil;os    a pessoas com RM, com a finalidade de determinar maneiras pelas quais seu trabalho    possa ser ajudado e sua experi&ecirc;ncia, motiva&ccedil;&atilde;o e m&atilde;o-de-obra    aproveitadas?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No documento da Secretaria de Assist&ecirc;ncia    &agrave; Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de do Brasil denominado    <i>Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Pessoa Portadora de Defici&ecirc;ncia no SUS:    planejamento e organiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os</i><sup>3</sup>    e sua resolu&ccedil;&atilde;o publicada numa portaria pela Secretaria de Estado    de Sa&uacute;de do Estado do Rio de Janeiro no Di&aacute;rio Oficial em maio/1996    (Resolu&ccedil;&atilde;o n&deg; 1.094/SES/RJ)<sup>28</sup> foram introduzidas    as diretrizes para o planejamento e organiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os    ao portador de defici&ecirc;ncia no SUS e nota-se a escassez de informa&ccedil;&otilde;es    referentes &agrave; maioria das quest&otilde;es acima. Em qualquer n&iacute;vel    de organiza&ccedil;&atilde;o social e, mais precisamente, para um ajuste or&ccedil;ament&aacute;rio    visando a implanta&ccedil;&atilde;o destes servi&ccedil;os, torna-se inquestion&aacute;vel    e essencial a necessidade de se saber qual a demanda existente (incluindo o    n&uacute;mero de indiv&iacute;duos institucionalizados ou em domic&iacute;lios)    para se considerar um avan&ccedil;o na Sa&uacute;de e Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Existem hoje no Brasil cerca de 33 servi&ccedil;os    de Gen&eacute;tica M&eacute;dica distribu&iacute;dos nas principais cidades    urbanas do pa&iacute;s &#91;Rio Grande do Sul (4), Santa Catarina (1), Paran&aacute;(2),    S&atilde;o Paulo (16), Rio de Janeiro (3), Minas Gerais (2), Distrito Federal    (1), Alagoas(1), Pernambuco (2), Cear&aacute; (1)&#93; e cerca de 35.000 fam&iacute;lias    foram atendidas no ano de 1995 visando a orienta&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica<sup>29</sup>.    A grande maioria dos servi&ccedil;os de Gen&eacute;tica M&eacute;dica est&aacute;    localizada em hospitais universit&aacute;rios e funda&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas,    estando ao alcance da popula&ccedil;&atilde;o normalmente por demanda passiva.    Seria de fundamental relev&acirc;ncia a integra&ccedil;&atilde;o destes centros    de assist&ecirc;ncia e pesquisa em Gen&eacute;tica M&eacute;dica aos Programas    Municipais de Sa&uacute;de e Educa&ccedil;&atilde;o como interlocutores para    as estrat&eacute;gias de sa&uacute;de voltadas para a preven&ccedil;&atilde;o    das doen&ccedil;as gen&eacute;ticas e patologias cl&iacute;nicas correlatas,    especialmente as associadas ao RM, de acordo com as recomenda&ccedil;&otilde;es    vigentes.<sup>30</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em decorr&ecirc;ncia da maior sobrevida dos indiv&iacute;duos    portadores de defici&ecirc;ncia, de uma maneira geral, haver&aacute;, conseq&uuml;entemente,    um maior contingente de indiv&iacute;duos alcan&ccedil;ando a idade escolar    e, por sua vez, a vida adulta, tomando-se um desafio reverter a situa&ccedil;&atilde;o    atual com novas pr&aacute;ticas de pol&iacute;ticas de sa&uacute;de e de educa&ccedil;&atilde;o,    especialmente voltadas para o RM. Da mesma forma, com o aumento da demanda hospitalar    associada ao inevit&aacute;vel avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico na caracteriza&ccedil;&atilde;o    das raras patologias cong&ecirc;nitas, muitas vezes de car&aacute;ter cr&ocirc;nico,    familiar e sem tratamento, justifica-se o empenho na forma&ccedil;&atilde;o    de agentes de sa&uacute;de, pesquisa b&aacute;sica e recursos humanos na &aacute;rea    de Gen&eacute;tica M&eacute;dica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este trabalho investigou fatores epidemiol&oacute;gicos    associados ao RM em uma popula&ccedil;&atilde;o de alunos inseridos em programas    governamentais de educa&ccedil;&atilde;o especial no Estado do Rio de Janeiro.    Os resultados obtidos ressaltam a necessidade de uma revis&atilde;o dos programas    de planejamento familiar, especialmente para as gestantes acima dos 35 anos,    onde o aconselhamento gen&eacute;tico e esclarecimento dos m&eacute;todos de    diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal, sejam estes os indiretos (translusc&ecirc;ncia    nucal, teste triplo s&eacute;rico) ou os invasivos (bi&oacute;psia do vilocorial,    amniocentese, cordocentese), devam ser considerados; evidenciou, tamb&eacute;m,    uma alta freq&uuml;&ecirc;ncia de intercorr&ecirc;ncias perinatais associadas    possivelmente ao parto alertando para a necessidade e disponibilidade de um    acompanhamento obst&eacute;trico mais proped&ecirc;utico no curso do trabalho    do parto; identificou-se tamb&eacute;m uma freq&uuml;&ecirc;ncia relevante de    alunos considerados de causa idiop&aacute;tica, justificando a necessidade de    um apoio t&eacute;cnico-cient&iacute;fico especializado na investiga&ccedil;&atilde;o    etiol&oacute;gica do RM; e, finalmente, apontou para a necessidade de uma real    efetiva&ccedil;&atilde;o dos programas de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de,    seja ela prim&aacute;ria (<i>Prevencion Primaria de los Defectos Cong&eacute;nitos</i>)<sup>18</sup>    ou terci&aacute;ria <i>(Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Pessoa Portadora de Defici&ecirc;ncia    no SUS: planejamento e organiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os)</i><sup>3</sup>    como forma de garantir uma medicina preventiva e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia,    redu&ccedil;&atilde;o do &ocirc;nus ao indiv&iacute;duo, fam&iacute;lia e a    sociedade em geral atribu&iacute;do &agrave;s doen&ccedil;as gen&eacute;ticas    e patologias cl&iacute;nicas correlatas, entre elas o RM.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">1. Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de    -OPAS. Publicacion Cientifica n&deg; 293,1974.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">2. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de.    Retardamento mental: enfrentando o desafio. Washington DC; 1986. Publicacion    NPNSP/86/58.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana"> 3. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria    de Assist&ecirc;ncia a Sa&uacute;de. Coordena&ccedil;&atilde;o de Aten&ccedil;&atilde;o    a Grupos Especiais. Programa de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de    da Pessoa Portadora de Defici&ecirc;ncia. Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Pessoa    Portadora de Defici&ecirc;ncia no Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de: planejamento    e organiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. Bras&iacute;lia; 1993.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">4. Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas e Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Bispos no Brasil - ONU e CNBB.    Coordenadoria de Educa&ccedil;&atilde;o Especial do Estado do Rio de Janeiro,    1994.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">5 . Llerena Jr JC, Cabral de Almeida JC. Cytogenetic    and molecular contributions to the study of mental retardation. Genetics and    Molecular Biology 1998; 21(2): 273-279.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">6. Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o do Estado do Rio    de Janeiro. Coordenadoria Geral Pedag&oacute;gica. Coordenadoria de Educa&ccedil;&atilde;o    Especial. Educa&ccedil;&atilde;o Especial, S&iacute;ndromes Gen&eacute;ticas    e Defici&ecirc;ncia Mental. Rio de Janeiro, 1994. </font><p><font size="2" face="verdana">7. Silva RB. Estudo cl&iacute;nico e epidemiol&oacute;gico    de alunos inseridos em um programa governamental de educa&ccedil;&atilde;o especial    portadores de retardo mental &#91tese de Mestrado&#93. Rio de Janeiro (RJ): Instituto    Fernandes Figueira/FIOCRUZ;1996. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">8. Silva EJC. A Educa&ccedil;&atilde;o Especial    como Referencial de Estudo das M&uacute;ltiplas Defici&ecirc;ncias: Considera&ccedil;&otilde;es    Epidemiol&oacute;gicas e Neurol&oacute;gicas &#91;Tese de Mestrado&#93. Rio de Janeiro    (RJ): Departamento de Cl&iacute;nica M&eacute;dica / Neurologia, Hospital Universit&aacute;rio    Clementino Fraga, UFRJ; 1997.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">9. Victor M, Adams RD. Principles of Neurology.    4 ed. S&atilde;o Paulo: McGraw-Hill; 1989. p. 3-10.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">10. Jones KL. Smith's recognizable patterns of human malformation.    4th ed. 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