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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Terminologia das medidas e indicadores em epidemiologia: subsídios para uma possível padronização da nomenclatura]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Misuse of terms is due to the mixture of matters and professional fields within the epidemiologic research realm. This article aims to stimulate reflection on the meaning of terms for a better and more rational use in epidemiology. Indicator: this is the widest term and includes any measurement or classifiable observation used for "revealing" a situation that is not evident by itself. Index: a measurement that integrates multiple dimensions. Proportion Measurements: elements in the numerator are included within the denominator: "Coeficientes": this word (in spanish and portuguese) is related to specific types of proportions intended to measure: (1) prevalence (proportion that in any given moment of time, includes the event ofinterest with respect to the total investigated) and (2) cumulative incidence (proportion of individuais that eventually develop the event of interest during a period of time, changing their status). Denominator represents people at risk. Rate Measurements: use is being restricted for occurrence of incident events in relation to persontime. Ratio Measurements: relation between two magnitudes of the same dimension or nature (and measurement unit) in which the numerator and denominator belong to mutually exclusive categories. Odds: this type of ratio is a relationship between two complementary and opposed probabilities. Examples are provided and other considerations are made on special indicators as maternal and infant mortality.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Epidemiologia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b><font size="4" face="Verdana"><a name="topo"></a>Terminologia das medidas    e indicadores em epidemiologia: subs&iacute;dios para uma poss&iacute;vel padroniza&ccedil;&atilde;o    da nomenclatura</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana"> Terminology of measurement and indicators    in epidemiology: an aid for a future standardization of nomenclature</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Edgar Merch&aacute;n-Hamann<sup>I</sup>; Pedro Luiz Tauil<sup>I</sup>;    Marisa Pacini Costa<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Departamento de Sa&uacute;de Coletiva -Faculdade    de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de -Universidade de Bras&iacute;lia    <br>   <sup>II</sup>Funda&ccedil;&atilde;o Hospitalar do Distrito Federal</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#endereco">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em epidemiologia, o uso indiscriminado de diferentes    termos tem origem na conflu&ecirc;ncia de m&eacute;todos, pr&aacute;ticas e    tradi&ccedil;&otilde;es de m&uacute;ltiplas profiss&otilde;es e disciplinas.    Esta proposta convida &agrave; reflex&atilde;o sobre o significado dos termos    visando a seu uso mais racional. Indicador: conceito de maior abrang&ecirc;ncia    que inclui qualquer medida ou observa&ccedil;&atilde;o classific&aacute;vel    -qualitativa e quantitativa- capaz de &quot;revelar&quot; uma situa&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o aparente. &Iacute;ndices: constitu&iacute;dos por medidas que integram    m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es. Medidas do tipo Propor&ccedil;&atilde;o:    elementos do numerador contidos no denominador. Coeficientes: tipos espec&iacute;ficos    de propor&ccedil;&otilde;es; o coeficiente de preval&ecirc;ncia (propor&ccedil;&atilde;o    que, em dado momento, &eacute; portadora do evento de interesse em rela&ccedil;&atilde;o    ao total) e de incid&ecirc;ncia (propor&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos    que desenvolvem um evento de interesse ao longo de um per&iacute;odo, mudando    de status ao desenvolv&ecirc;-lo). O denominador representa o coletivo em risco.    Medidas do tipo Taxa: restringe-se o uso &agrave; ocorr&ecirc;ncia de eventos    incidentes por pessoa-tempo. Medidas do tipo Raz&atilde;o: rela&ccedil;&atilde;o    entre duas magnitudes da mesma dimens&atilde;o em que numerador e denominador    pertencem a categorias mutuamente excludentes. Chances (Odds): tipo de raz&atilde;o    que expressa a rela&ccedil;&atilde;o entre probabilidades complementares e contr&aacute;rias    utilizada na an&aacute;lise de estudos de Caso-Controle, Citam-se exemplos e    fazem-se considera&ccedil;&otilde;es sobre casos especiais como os indicadores    de mortalidade materna e infantil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras-Chave: </b></font><font size="2" face="Verdana">Epidemiologia;    Indicadores; Medidas; Terminologia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>SUMMARY</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Misuse of terms is due to the mixture of matters    and professional fields within the epidemiologic research realm. This article    aims to stimulate reflection on the meaning of terms for a better and more rational    use in epidemiology. Indicator: this is the widest term and includes any measurement    or classifiable observation used for &quot;revealing&quot; a situation that    is not evident by itself. Index: a measurement that integrates multiple dimensions.    Proportion Measurements: elements in the numerator are included within the denominator:    &quot;Coeficientes&quot;: this word (in spanish and portuguese) is related to    specific types of proportions intended to measure: (1) prevalence (proportion    that in any given moment of time, includes the event ofinterest with respect    to the total investigated) and (2) cumulative incidence (proportion of individuais    that eventually develop the event of interest during a period of time, changing    their status). Denominator represents people at risk. Rate Measurements: use    is being restricted for occurrence of incident events in relation to persontime.    Ratio Measurements: relation between two magnitudes of the same dimension or    nature (and measurement unit) in which the numerator and denominator belong    to mutually exclusive categories. Odds: this type of ratio is a relationship    between two complementary and opposed probabilities. Examples are provided and    other considerations are made on special indicators as maternal and infant mortality.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Key Words:</b> Epidemiology; Indicators;    Measurements; Terminology.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b><font size="3">Introdu&ccedil;&atilde;o</font></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Na literatura epidemiol&oacute;gica brasileira,    observa-se ainda o uso indiscriminado e acr&iacute;tico de termos para denominar    indicadores, tanto nos trabalhos com dados prim&aacute;rios, coletados em pesquisas    de campo, quanto no uso de dados secund&aacute;rios, oriundos de sistemas de    informa&ccedil;&atilde;o processados eletronicamente. Um dos empecilhos para    atingir a uniformidade no campo da epidemiologia est&aacute; relacionado &agrave;    sua natureza interdisciplinar e multiprofissional. Como conjunto de saberes    em que interv&ecirc;m v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es e matrizes te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas,    o uso de indicadores &eacute; influenciado por jarg&otilde;es mais ou menos    consolidados em campos disciplinares, tais como demografia, estat&iacute;stica    aplicada &agrave; sa&uacute;de, ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica aplicada &agrave;    sa&uacute;de p&uacute;blica e a pr&aacute;tica cl&iacute;nica. O objetivo deste    artigo &eacute; descrever e analisar as medidas em que se baseiam os indicadores    epidemiol&oacute;gicos quantitativos utilizados em Sa&uacute;de P&uacute;blica    e na avalia&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica da pr&aacute;tica cl&iacute;nica.    Busca se promover o debate em torno do uso racional e mais adequado de termos    epidemiol&oacute;gicos criando as condi&ccedil;&otilde;es de uma futura padroniza&ccedil;&atilde;o    da nomenclatura epidemiol&oacute;gica na l&iacute;ngua portuguesa, em conson&acirc;ncia    com a literatura inglesa e espanhola. Este esfor&ccedil;o deve ser encarado    como o in&iacute;cio de um debate que, no campo das ci&ecirc;ncias da sa&uacute;de,    pretende pelo menos induzir &agrave; reflex&atilde;o sobre componentes l&oacute;gicos    da mensura&ccedil;&atilde;o de eventos ligados ao processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a.    Tal esfor&ccedil;o pode colaborar para que, no futuro, dados da literatura epidemiol&oacute;gica    brasileira e latino-americana sejam compar&aacute;veis e estejam em conson&acirc;ncia    com a literatura internacional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Foram revistos os conceitos e defini&ccedil;&otilde;es    de indicadores epidemiol&oacute;gicos bem como a base matem&aacute;tica das    medidas utilizadas na sua constru&ccedil;&atilde;o encontradas na literatura    epidemiol&oacute;gica nacional e estrangeira. Posteriormente, foram consolidadas    as informa&ccedil;&otilde;es e realizadas discuss&otilde;es sobre os aspectos    te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos, no Departamento de Sa&uacute;de Coletiva    da UnB. Os termos revistos foram: indicador, &iacute;ndice, propor&ccedil;&atilde;o,    coeficientes, preval&ecirc;ncia, incid&ecirc;ncia, taxas, raz&otilde;es e chances    (<i>odds</i>). Tamb&eacute;m foi realizada a recupera&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica    do uso das medidas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Indicadores</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Ao dar in&iacute;cio ao trabalho de   descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise da terminologia   epidemiol&oacute;gica, concordamos em que o   termo &quot;indicador&quot; constitui a categoria   mais ampla. Na defini&ccedil;&atilde;o dada por   Pereira,<sup>1</sup> o indicador aparece como a   categoria mais abrangente, enfatizando   este autor sua capacidade de revelar um   determinado aspecto da situa&ccedil;&atilde;o de   sa&uacute;de-doen&ccedil;a. Os indicadores designam   qualquer medida contada ou calculada e   mesmo qualquer observa&ccedil;&atilde;o classific&aacute;vel   capaz de &quot;revelar&quot; uma situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o   &eacute; aparente por si s&oacute;. Outros autores, tais   como Laurenti et al.,<sup>2</sup> em conson&acirc;ncia   com documento pr&eacute;vio da Organiza&ccedil;&atilde;o   Mundial da Sa&uacute;de,<sup>3</sup> utilizam tamb&eacute;m o   termo &quot;indicadores&quot; na sua acep&ccedil;&atilde;o mais   geral. &Eacute; conveniente frisar que os   indicadores podem surgir de observa&ccedil;&otilde;es   nas dimens&otilde;es qualitativa e quantitativa,   embora, tradicionalmente, tenha-se   privilegiado a &uacute;ltima.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na dimens&atilde;o quantitativa, n&uacute;meros    absolutos podem ser utilizados como indicadores, tais como a contagem - incid&ecirc;ncia-    de casos de um evento de sa&uacute;de-doen&ccedil;a em um per&iacute;odo. Por    exemplo, a incid&ecirc;ncia absoluta de febre amarela no Brasil em 1999; o n&uacute;mero    de casos de tuberculose detectados, diagnosticados e ainda presentes no registro    ativo do programa, aproxima-se da preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a. N&uacute;meros    absolutos podem expressar quantitativamente tamb&eacute;m o coletivo de pessoas    que, em virtude de um h&aacute;bito, se encontram expostas a um risco, como    pode ser a estimativa de n&uacute;mero de fumantes em uma comunidade. &Eacute;    claro que os indicadores expressos em n&uacute;meros absolutos devem ser utilizados    com cautela quando se fazem compara&ccedil;&otilde;es em virtude de suas limita&ccedil;&otilde;es    intr&iacute;nsecas. No n&iacute;vel program&aacute;tico por&eacute;m, eles podem    orientar o dimensionamento de demandas de insumos de laborat&oacute;rio, de    recursos terap&ecirc;uticos ou profil&aacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&uacute;meros absolutos tamb&eacute;m podem   ser o resultado de c&aacute;lculos. Um exemplo   constitui a utiliza&ccedil;&atilde;o do c&aacute;lculo de anos   potenciais de vida perdidos. A esperan&ccedil;a   de vida ao nascer &eacute; o melhor indicador   de expectativa de vida e corresponde   tamb&eacute;m a este tipo de medida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mais freq&uuml;entemente, por&eacute;m, s&atilde;o    realizados c&aacute;lculos que resultam em n&uacute;meros &quot;relativizados&quot;,    que constituem medidas dos tipos propor&ccedil;&atilde;o, raz&atilde;o e taxa.    Podem ser tamb&eacute;m calculadas medidas de tend&ecirc;ncia central (m&eacute;dias    aritm&eacute;ticas e medianas, m&eacute;dias geom&eacute;tricas) ou de dispers&atilde;o    (desvio padr&atilde;o). Exemplos: m&eacute;dia do n&uacute;mero de dentes perdidos    e/ou cariados e/ou obturados em crian&ccedil;as de 6 a 12 anos de idade; m&eacute;dia    das contagens do n&uacute;mero de parasitas no sangue de pacientes com mal&aacute;ria;    m&eacute;dia geom&eacute;trica dos t&iacute;tulos de anticorpos anti-<i>Trypanosoma    cruzi</i> em portadores de infec&ccedil;&atilde;o chag&aacute;sica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>&Iacute;ndices</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Este termo &eacute; utilizado amplamente no    jornalismo e ainda na literatura t&eacute;cnica especializada no campo da sa&uacute;de.    Apesar do uso popular do termo, os &iacute;ndices correspondem a categorias    de uso mais restrito, estando constitu&iacute;dos por medidas que integram m&uacute;ltiplas    dimens&otilde;es ou elementos de diversa natureza. Devido ao seu car&aacute;ter    multidimensional, o &iacute;ndice integra, numa medida, v&aacute;rios aspectos    de uma determinada situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de-doen&ccedil;a.<sup>1</sup>    Acreditamos que se podem construir &iacute;ndices de duas maneiras:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; A primeira &eacute; atrav&eacute;s de    uma divis&atilde;o que representa a rela&ccedil;&atilde;o entre entidades de    distinta natureza, isto &eacute;, numerador e denominador expressam distintas    dimens&otilde;es. Ressaltamos dois aspectos: o primeiro, que a magnitude resultante    n&atilde;o expressa mudan&ccedil;a instant&acirc;nea no tempo, n&atilde;o sendo,    portanto, uma fun&ccedil;&atilde;o; o segundo, que o resultado n&atilde;o constitui    uma propor&ccedil;&atilde;o em que o denominador &eacute; constitu&iacute;do    por indiv&iacute;duos em risco. Exemplos: &Iacute;ndice de Quetelet (massa corporal):    peso / altura elevada ao quadrado; &oacute;bitos em acidente de tr&acirc;nsito    por n&uacute;mero de carros na frota; n&uacute;mero de leitos hospitalares por    popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A segunda forma de elabora&ccedil;&atilde;o de    &iacute;ndices &eacute; por meio de uma escala de pontos (<i>score</i>) que    representa a soma de unidades de diversa magnitude em diversas dimens&otilde;es,    algumas das quais podem ser qualitativas. Exemplos: escala de avalia&ccedil;&atilde;o    de independ&ecirc;ncia funcional - FIM (<i>Functional Independence Measure</i>)    para pacientes portadores de seq&uuml;elas neurol&oacute;gicas, em que seis    grupos de crit&eacute;rios qualitativos s&atilde;o pontuados; de maneira semelhante,    a escala de Glasgow para avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e progn&oacute;stica    do coma neurol&oacute;gico e o &iacute;ndice APGAR para avalia&ccedil;&atilde;o    da vitalidade de neonatos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Medidas do Tipo Propor&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Constituem um tipo de medida   matem&aacute;tica em que todas as unidades do   numerador est&atilde;o contidas em um   denominador mais amplo, isto &eacute;, o   numerador &eacute; um subconjunto do   denominador.<sup>4</sup> As propor&ccedil;&otilde;es re&uacute;nem   as seguintes caracter&iacute;sticas: s&atilde;o   adimensionais, isto &eacute;, o resultado n&atilde;o tem   medida de mensura&ccedil;&atilde;o, e variam desde   zero (a aus&ecirc;ncia de probabilidade do   evento) a um (a sua ocorr&ecirc;ncia).<sup>5</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No campo da epidemiologia, al&eacute;m dos coeficientes    (a seguir), a aplica&ccedil;&atilde;o mais importante na elabora&ccedil;&atilde;o    de indicadores com base em propor&ccedil;&otilde;es, corresponde &agrave; mortalidade    proporcional. Neste caso, o n&uacute;mero de &oacute;bitos por uma causa determinada    ( ou por um grupo de causas) &eacute; dividido pelo total de &oacute;bitos ocorridos    no mesmo per&iacute;odo. O mesmo c&aacute;lculo pode ser realizado para a propor&ccedil;&atilde;o    de &oacute;bitos em determinada faixa et&aacute;ria constituindo um excelente    indicador para avaliar qual faixa et&aacute;ria na popula&ccedil;&atilde;o est&aacute;    contribuindo em maior ou menor medida para a mortalidade. O mesmo pode ser feito    para an&aacute;lise de mortalidade por sexo. Note-se que, diferentemente dos    coeficientes de mortalidade (vide abaixo), tanto numeradores como denominadores    da mortalidade proporcional correspondem a &oacute;bitos e n&atilde;o representam    risco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Exemplos: mortalidade proporcional por causas    externas: n&uacute;mero de &oacute;bitos por causas externas em um per&iacute;odo    determinado dividido pelo n&uacute;mero total de &oacute;bitos no per&iacute;odo;    mortalidade proporcional em maiores de 50 anos (Indicador de Swaroop-Uemura)    corresponde ao n&uacute;mero de &oacute;bitos nessa faixa et&aacute;ria dividido    pelo n&uacute;mero total de &oacute;bitos; mortalidade proporcional no sexo    masculino que corresponde ao n&uacute;mero de &oacute;bitos em indiv&iacute;duos    do sexo masculino dividido entre o total de &oacute;bitos; propor&ccedil;&atilde;o    de partos cir&uacute;rgicos: numero de partos por cesariana dividido entre o    total de partos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os resultados de todas as propor&ccedil;&otilde;es    - e aqui inclu&iacute;mos os coeficientes que ser&atilde;o descritos a seguir    - podem ser expressos em fra&ccedil;&atilde;o ou, mais freq&uuml;entemente,    em suas representa&ccedil;&otilde;es decimais multiplicadas por 100, 1.000 ou    por outros m&uacute;ltiplos de 10, dependendo da freq&uuml;u&ecirc;ncia do evento    e da necessidade de inteligibilidade do indicador.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em estudos de valida&ccedil;&atilde;o de testes    diagn&oacute;sticos, a maioria dos indicadores constituem propor&ccedil;&otilde;es.    Elas podem significar a probabilidade de ser corretamente diagnosticado como    positivo, quando se tem a doen&ccedil;a (sensibilidade) ou a probabilidade de    ser corretamente diagnosticado como negativo, quando n&atilde;o se tem a doen&ccedil;a    (especificidade). De modo an&aacute;logo, uma vez positivo um teste, a probabilidade    de ele constituir um caso da doen&ccedil;a constitui o valor preditivo positivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>C&aacute;lculo de Coeficientes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Para efeitos de mensura&ccedil;&atilde;o de    eventos ligados ao processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, chamamos coeficiente    (nas l&iacute;nguas portuguesa e espanhola), a medidas do tipo propor&ccedil;&atilde;o    em que, em geral, os eventos do numerador representam um risco de ocorr&ecirc;ncia    em rela&ccedil;&atilde;o ao denominador. Tais eventos podem ser detectados em    duas perspectivas diferentes: a primeira, em um momento e com base numa &uacute;nica    aferi&ccedil;&atilde;o: a preval&ecirc;ncia. A segunda corresponde &agrave;    detec&ccedil;&atilde;o da ocorr&ecirc;ncia de eventos ou mudan&ccedil;as de    <i>status</i> ao longo de per&iacute;odos vari&aacute;veis de tempo de observa&ccedil;&atilde;o    ou acompanhamento, implicando, &agrave;s vezes, mais de duas mensura&ccedil;&otilde;es:    a incid&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em ambos os casos, sendo propor&ccedil;&otilde;es,    o resultado da divis&atilde;o representa uma quantia adimensional que corresponde    &agrave; fra&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos com o atributo do numerador,    que pode ser expressa de v&aacute;rias maneiras - em percentual, por mil, por    cem mil, etc. - dependendo da freq&uuml;&ecirc;ncia do evento. Em epidemiologia,    podemos elaborar dois tipos de indicadores, utilizando coeficientes para mensura&ccedil;&atilde;o    de eventos de preval&ecirc;ncia e de incid&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Coeficientes de Preval&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O coeficiente de preval&ecirc;ncia   expressa a propor&ccedil;&atilde;o que, em   determinado momento, &eacute; portadora do   evento de interesse em rela&ccedil;&atilde;o ao total.   O numerador corresponde &agrave; contagem de   portadores do evento de interesse e o   denominador &eacute; compreendido como o   n&uacute;mero que, nesse mesmo momento, foi   investigado mediante uma &uacute;nica avalia&ccedil;&atilde;o   e sem haver acompanhamento para   detec&ccedil;&atilde;o de novos eventos. Utiliza-se a   medida para a mensura&ccedil;&atilde;o da   probabilidade de eventos m&oacute;rbidos e tamb&eacute;m para avalia&ccedil;&atilde;o    da freq&uuml;&ecirc;ncia de   fatores de risco e prote&ccedil;&atilde;o os quais   podem constituir h&aacute;bitos ou pr&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O coeficiente de preval&ecirc;ncia tem sido chamado    na literatura internacional epidemiol&oacute;gica anglo-sax&atilde; de &quot;preval&ecirc;ncia    de ponto&quot; (<i>point prevalence</i>) ou simplesmente de &quot;preval&ecirc;ncia&quot;.<sup>5,6,7,8,9,10</sup>    N&atilde;o discutiremos aqui a diferen&ccedil;a entre preval&ecirc;ncia pontual    e de per&iacute;odo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Exemplos: o coeficiente de preval&ecirc;ncia    de desnutri&ccedil;&atilde;o prot&eacute;ico-cal&oacute;rica: corresponde &agrave;    divis&atilde;o do n&uacute;mero de crian&ccedil;as portadoras dessa condi&ccedil;&atilde;o    ou classificadas como tal, sobre o total de crian&ccedil;as examinadas. Da mesma    maneira podem ser calculados coeficientes de preval&ecirc;ncia de hipertens&atilde;o    arterial e diabetes <i>mellitus</i>. Ainda podem ser aferidos outros eventos:    a soropreval&ecirc;ncia de HIV ou de outros agentes biol&oacute;gicos, a preval&ecirc;ncia    de uso de subst&acirc;ncias em um determinado coletivo ou de uso consistente    de preservativo. Nos servi&ccedil;os, a preval&ecirc;ncia de cobertura vacinal    corresponde &agrave; propor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o-alvo    que est&aacute; imunizada em um dado momento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Coeficientes de Incid&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O coeficiente de incid&ecirc;ncia dimensiona    a ocorr&ecirc;ncia de eventos incidentes de interesse num per&iacute;odo de    tempo. Neste caso, o coeficiente calculado representa a propor&ccedil;&atilde;o    de indiv&iacute;duos que, no come&ccedil;o do acompanhamento, n&atilde;o tinham    desenvolvido o evento de interesse e que, ao longo dele, mudaram de <i>status</i>    ao desenvolv&ecirc;-lo. Tradicionalmente, entende-se o numerador como o n&uacute;mero    de &quot;casos novos&quot; diagnosticados ou detectados que ser&atilde;o divididos    pelo total exposto ou suscet&iacute;vel. Por&eacute;m, outros eventos incidentes    podem ser tratados na perspectiva da incid&ecirc;ncia, por exemplo, a inicia&ccedil;&atilde;o    sexual, gravidez, mortalidade e a natalidade. O denominador do coeficiente de    incid&ecirc;ncia, no caso, &eacute; compreendido como a &quot;popula&ccedil;&atilde;o    em risco&quot; de desenvolver o evento incidente no come&ccedil;o ou ao longo    do acompanhamento. Neste sentido, concordamos com o uso e a defini&ccedil;&atilde;o    da palavra coeficiente na tradu&ccedil;&atilde;o brasileira de Jekel e cols.<sup>11</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando utilizamos a palavra   &quot;risco&quot;, estamos nos referindo &agrave; defini&ccedil;&atilde;o   dada por Kleinbaum e cols. em 1982,<sup>5</sup> que   entendem esta no&ccedil;&atilde;o como uma   probabilidade condicional, isto &eacute;, a   probabilidade de que indiv&iacute;duos sem o   evento de interesse (por exemplo, pessoas   sadias), desenvolvam tal evento, em um   per&iacute;odo de tempo, com a condi&ccedil;&atilde;o de que   n&atilde;o venham a morrer devido a uma outra   causa durante o mesmo per&iacute;odo. A   interpreta&ccedil;&atilde;o do risco aferido mediante   coeficientes pode ser realizada no n&iacute;vel   individual sem maiores problemas. Apesar   da generaliza&ccedil;&atilde;o e dos poss&iacute;veis vi&eacute;ses   em que se incorre, pode-se assumir que,   se em um determinado ambiente   delimitado, a freq&uuml;&ecirc;ncia anual (ou   coeficiente de incid&ecirc;ncia acumulada) de   resfriado comum &eacute; de 0,95, a   interpreta&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel individual ser&aacute; a   seguinte: uma pessoa morando nesse   ambiente tem um risco te&oacute;rico de 95%   de desenvolver pelo menos um epis&oacute;dio   de resfriado comum no pr&oacute;ximo ano, se   as condi&ccedil;&otilde;es se mantiverem est&aacute;veis,   com alguma margem de erro de precis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Estando profundamente ligada a um per&iacute;odo    de seguimento fixado arbitrariamente como refer&ecirc;ncia, a incid&ecirc;ncia    deve ter sempre este per&iacute;odo especificado (semanal, mensal, trimestral,    anual, q&uuml;inq&uuml;enal etc...). Esta medida &eacute; chamada por n&oacute;s    de &quot;coeficiente de incid&ecirc;ncia&quot;, embora tenham sido utilizados    no passado outros termos para denomin&aacute;-la, tais como os cl&aacute;ssicos    &quot;taxa de incid&ecirc;ncia&quot; ou &quot;taxa de ataque&quot; -<i>attack    rate</i> de McMahon &amp; Pugh.<sup>12</sup> Mais recentemente, por&eacute;m,    na literatura epidemiol&oacute;gica anglo-sax&atilde;, o termo mais aceito &eacute;    o de &quot;incid&ecirc;ncia acumulada&quot;, &quot;incid&ecirc;ncia cumulativa&quot;    ou &quot;incid&ecirc;ncia acumulativa&quot; (<i>cummulative incidence</i>),    que v&aacute;rios textos consolidaram, diferenciando-o da taxa de incid&ecirc;ncia,    cujo uso mais restrito explicaremos abaixo.<sup>5,6,7,8,9,13</sup> Mais recentemente,    em 1998, Rothman &amp; Greenland a chamaram tanto de &quot;incid&ecirc;ncia    acumulada&quot; como tamb&eacute;m de &quot;propor&ccedil;&atilde;o de incid&ecirc;ncia&quot;    (<i>incidence proportion</i>).<sup>10</sup> Apesar de varia&ccedil;&otilde;es    na nomenclatura, os autores nacionais nas &uacute;ltimas edi&ccedil;&otilde;es    tendem a expressar este tipo de medida como coeficiente de incid&ecirc;ncia.<sup>1,14</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi mencionado que a aferi&ccedil;&atilde;o de    incid&ecirc;ncia inclu&iacute;a outros eventos al&eacute;m dos relacionados    &agrave; morbidade. De fato, os indicadores de mortalidade mais utilizados s&atilde;o    os coeficientes de mortalidade que pertencem a este tipo de medida.<sup>1,11,14</sup>    Na diferen&ccedil;a da mortalidade proporcional (<i>vide acima</i>), nos coeficientes    de mortalidade, o denominador corresponde ao coletivo em risco do evento fatal,    o qual deve ent&atilde;o incluir a popula&ccedil;&atilde;o viva no per&iacute;odo    em que s&atilde;o contabilizados os &oacute;bitos que s&atilde;o computados    no numerador. Dessa maneira s&atilde;o constru&iacute;dos os principais indicadores    de mortalidade por causa espec&iacute;fica, faixa et&aacute;ria, sexo, etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na rotina dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de,    ou em estudos epidemiol&oacute;gicos realizados com dados secund&aacute;rios,    este tipo de mensura&ccedil;&atilde;o de incid&ecirc;ncia corresponde mais freq&uuml;entemente    &agrave; notifica&ccedil;&atilde;o anual de casos dividida pela popula&ccedil;&atilde;o    estimada para o mesmo ano. Quando se trata de per&iacute;odos maiores, &eacute;    tomada como refer&ecirc;ncia a popula&ccedil;&atilde;o na metade do per&iacute;odo.    Os coeficientes de incid&ecirc;ncia e de mortalidade constituem, no &acirc;mbito    dos servi&ccedil;os, as ferramentas mais importantes para a avalia&ccedil;&atilde;o    do estado de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o com prop&oacute;sitos de    monitoramento e vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica.<sup>15</sup> Para alguns    desses indicadores, encontra-se consolidado o c&aacute;lculo da ocorr&ecirc;ncia    para cada 1.000 habitantes (como no coeficiente de mortalidade geral), 100.000    (como no coeficiente de mortalidade por causa espec&iacute;fica ou para determinadas    faixas et&aacute;rias).<sup>1</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em estudos epidemiol&oacute;gicos   utilizando dados prim&aacute;rios, este tipo de aferi&ccedil;&atilde;o de eventos    incidentes corresponde   &agrave; observa&ccedil;&atilde;o ou acompanhamento de uma   popula&ccedil;&atilde;o em que os indiv&iacute;duos s&atilde;o   observados at&eacute; a ocorr&ecirc;ncia do evento de   interesse. Indiv&iacute;duos perdidos ou falecidos   por outras causas seriam exclu&iacute;dos das   mensura&ccedil;&otilde;es no denominador que passaria   a representar o total de indiv&iacute;duos   efetivamente acompanhados. Esta   estrat&eacute;gia de coleta de dados e observa&ccedil;&atilde;o   &eacute; a mais tradicional e corresponde &agrave;s   &quot;coortes fixas&quot;<sup>5</sup> ou &quot;popula&ccedil;&otilde;es   fechadas&quot;.<sup>10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar de ser calculada com maior freq&uuml;&ecirc;ncia    como preval&ecirc;ncia, a letalidade (<i>case fatality</i>) pode ser considerada    um tipo especial de coeficiente de incid&ecirc;ncia por tr&ecirc;s motivos.    O primeiro &eacute; que, no numerador, aparecem eventos tipicamente incidentes    (n&uacute;mero de &oacute;bitos por uma determinada causa). O segundo &eacute;    que, no denominador, se encontram as pessoas que sofrem da doen&ccedil;a e que,    portanto, representam o coletivo em risco de morrer por essa causa. O terceiro    motivo &eacute; que todos os elementos do numerador est&atilde;o contidos no    denominador. Desse modo, o coeficiente de letalidade expressa a probabilidade    de um indiv&iacute;duo ir a &oacute;bito por uma determinada causa, dado que    essa pessoa tem a doen&ccedil;a. Os termos &quot;taxa de letalidade&quot; e    &quot;raz&atilde;o de letalidade&quot; (<i>case-fatality rate e case-fatality    ratio</i>), utilizados freq&uuml;entemente na literatura epidemiol&oacute;gica    e cl&iacute;nica, representam, na realidade, propor&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das    com dados de incid&ecirc;ncia, como apontam recentemente Rothman e Greenland.<sup>10</sup>    Embora n&atilde;o seja especificado o tempo de acompanhamento ou observa&ccedil;&atilde;o    (como no c&aacute;lculo de preval&ecirc;ncias), tal per&iacute;odo deveria ser    especificado. Propomos, portanto, o termo &quot;coeficiente de letalidade&quot;    como mais apropriado e espec&iacute;fico para essa situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Medidas do Tipo Taxa</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Apesar da utiliza&ccedil;&atilde;o extremamente    comum do termo &quot;taxa&quot; (em ingl&ecirc;s, <i>rate</i>; em espanhol,    <i>tasa</i>), no campo da epidemiologia tenta-se cada vez mais limitar ou restringir    seu uso com um sentido mais espec&iacute;fico. Falando genericamente, pode-se    referir a uma taxa de ocorr&ecirc;ncia de um dado evento incidente em termos    da sua tend&ecirc;ncia em um per&iacute;odo de tempo (por exemplo, nos &uacute;ltimos    anos, &quot;as taxas de mortalidade por acidentes de tr&acirc;nsito est&atilde;o    aumentando&quot;; na &uacute;ltima d&eacute;cada &quot;h&aacute; um decr&eacute;scimo    na taxa de incid&ecirc;ncia de sarampo&quot;). No entanto, quando se trata da    medida calculada pelo(a) pesquisador(a), o sentido espec&iacute;fico se refere    a um evento que re&uacute;ne certas caracter&iacute;sticas:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; o numerador expressa um n&uacute;mero    simples de eventos em uma dimens&atilde;o; em epidemiologia, geralmente corresponde    ao n&uacute;mero de pessoas que desenvolveram um evento incidente;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; o denominador inclui, de alguma maneira,    a dimens&atilde;o de tempo; note-se que no coeficiente de incid&ecirc;ncia o    tempo constitui uma refer&ecirc;ncia b&aacute;sica mas ele n&atilde;o est&aacute;    inclu&iacute;do no c&aacute;lculo da medida resultante;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#8226; a medida resultante da divis&atilde;o   expressa a magnitude de mudan&ccedil;a   em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo, sendo   matematicamente uma medida de   fun&ccedil;&atilde;o que segue o modelo da teoria   do limite e que expressa mudan&ccedil;a   instant&acirc;nea no tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A medida obtida &eacute; mais afim a   outras assimil&aacute;veis ou an&aacute;logas &agrave;s taxas,   tais como, a velocidade e fluxo (km/hora;   n&uacute;mero de ve&iacute;culos passando por um   ponto / minuto ).<sup>4</sup> A chamada taxa de   c&acirc;mbio expressa a varia&ccedil;&atilde;o da cota&ccedil;&atilde;o   em duas dimens&otilde;es diferentes (duas   moedas, no caso), que t&ecirc;m varia&ccedil;&otilde;es   temporais e tend&ecirc;ncias diferentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em epidemiologia, a forma mais   comum de utiliza&ccedil;&atilde;o deste tipo de medida   instant&acirc;nea diz respeito &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o de   incid&ecirc;ncia, em que o numerador &eacute;   constitu&iacute;do pelo total de casos incidentes   em um dado per&iacute;odo de tempo e o   denominador apresenta-se como   uma medida composta que inclui a dimens&atilde;o do tempo (&quot;pessoas-tempo&quot;),   correspondente &agrave; soma da colabora&ccedil;&atilde;o   individual no acompanhamento. Isto   corresponde &agrave; multiplica&ccedil;&atilde;o de cada   pessoa pelo tempo que esteve sob   observa&ccedil;&atilde;o at&eacute; o evento resultante, at&eacute; a   sa&iacute;da da coorte (por abandono, migra&ccedil;&atilde;o   ou morte), ou at&eacute; o t&eacute;rmino do estudo.   Esta medida que, na verdade, constitui   um constructo artificial, pode ser   adequada &agrave; conveni&ecirc;ncia e relev&acirc;ncia do   evento em rela&ccedil;&atilde;o ao objeto de estudo   ou &agrave;s necessidades de avalia&ccedil;&atilde;o para   prop&oacute;sitos de controle. Assim, pode-se   calcular pessoas-semana; pessoas-m&ecirc;s,   pessos-ano, pessoas-d&eacute;cada, etc. O   valor obtido representa o n&uacute;mero de   eventos incidentes detectados para cada   pessoa-tempo de observa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em contraste com a aferi&ccedil;&atilde;o do    risco, a taxa n&atilde;o admite uma interpreta&ccedil;&atilde;o direta e f&aacute;cil    no n&iacute;vel individual. Ela &eacute; pontual j&aacute; que o tamanho da    popula&ccedil;&atilde;o &eacute; fun&ccedil;&atilde;o do tempo. Ela representa    o potencial de mudan&ccedil;a instant&acirc;nea na freq&uuml;&ecirc;ncia do    evento de interesse. Uma outra diferen&ccedil;a com respeito ao risco &eacute;    que a taxa tem dimens&atilde;o expressa em casos ou eventos por unidade de pessoa-tempo    (1 / tempo &#91;anos <sup>-1</sup>&#93;). A taxa n&atilde;o tem um limite superior (o do risco    &eacute; 1); ela pode ir al&eacute;m de 1 simplesmente pela mudan&ccedil;a de    unidade, por exemplo, de pessoas-ano para pessoas-dia (1 / tempo &#91;anos <sup>-1</sup>&#93;).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A estrat&eacute;gia do c&aacute;lculo de pessoas-tempo    foi introduzida na d&eacute;cada de 1950. Ulteriormente, este tipo de medida    foi chamado na literatura epidemiol&oacute;gica internacional de &quot;risco    instant&acirc;neo&quot; e &quot;for&ccedil;a de morbidade&quot;, por Miettinen    e Haberman, no final da d&eacute;cada de 1970 (citados por Kleinbaum et al.)<sup>5</sup>    e de &quot;taxa de incid&ecirc;ncia pessoa-tempo&quot;.<sup>16</sup> Os termos    mais freq&uuml;entemente utilizados e aceitos atualmente s&atilde;o &quot;densidade    de incid&ecirc;ncia&quot; </font><font size="2" face="Verdana">ou &quot;taxa    de incid&ecirc;ncia&quot; (<i>incidence density </i>ou<i> incidence rate</i>).<sup>6,7,8,10</sup>    Vale a pena citar que todos os textos mencionados diferenciam as no&ccedil;&otilde;es    de &quot;risco&quot; e &quot;taxa&quot;, reconhecendo suas especificidades e    rela&ccedil;&otilde;es; por exemplo, para eventos pouco freq&uuml;entes e per&iacute;odos    de observa&ccedil;&atilde;o muito curtos, as medidas de taxa e risco se aproximam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em estudos epidemiol&oacute;gicos que incluem    a utiliza&ccedil;&atilde;o de dados secund&aacute;rios, &eacute; muito rara    a utiliza&ccedil;&atilde;o de pessoas-tempo, j&aacute; que os sistemas de informa&ccedil;&atilde;o    raramente permitem observar a colabora&ccedil;&atilde;o individualizada de tempos    de acompanhamento. J&aacute; na execu&ccedil;&atilde;o de estudos epidemiol&oacute;gicos    com dados prim&aacute;rios, a densidade de incid&ecirc;ncia &eacute; utilizada    em &iacute;ntima conex&atilde;o com uma estrat&eacute;gia de coleta de dados    em que toda a experi&ecirc;ncia de acompanhamento dos sujeitos &eacute; utilizada,    correspondendo ao c&ocirc;mputo de pessoas-tempo. Trata-se do seguimento de    popula&ccedil;&otilde;es em que a entrada e sa&iacute;da de indiv&iacute;duos    &eacute; permanente; as mesmas s&atilde;o chamadas de &quot;coortes din&acirc;micas&quot;<sup>5</sup>    ou &quot;popula&ccedil;&otilde;es abertas&quot;.<sup>10</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Medidas do Tipo Raz&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este tipo de medida expressa a rela&ccedil;&atilde;o    entre duas magnitudes da mesma dimens&atilde;o e natureza, em que o numerador    corresponde a uma categoria que exclui o denominador. Para alguns autores, pelo    menos alguns dos indiv&iacute;duos inclu&iacute;dos no numerador n&atilde;o    devem estar inclu&iacute;dos no denominador e as unidades de mensura&ccedil;&atilde;o    poderiam diferir entre numerador e denominador.<sup>4</sup> Por&eacute;m, insistimos    em que as medidas da raz&atilde;o sejam da mesma natureza e unidade de mensura&ccedil;&atilde;o    para diferenci&aacute;-las dos &iacute;ndices. Por isso, aderimos &agrave; primeira    defini&ccedil;&atilde;o, podendo construir raz&otilde;es entre qualquer tipo    de medida, sempre que numerador e denominador correspondam a categorias mutuamente    excludentes do mesmo tipo de medida. Por exemplo, utilizando n&uacute;meros    absolutos, a mais utilizada &eacute; a raz&atilde;o de sexos: as ocorr&ecirc;ncias    em indiv&iacute;duos de um sexo divididas pelas ocorr&ecirc;ncias no sexo oposto.    Colocando a maior quantia no numerador, o resultado expressa quantas vezes a    mais ocorre o evento nos indiv&iacute;duos do numerador com respeito aos indiv&iacute;duos    do denominador. Assim, uma raz&atilde;o de homens para mulheres de 2 para 1    (2:1) na notifica&ccedil;&atilde;o de casos de Aids em determinado ano e local,    expressa que a notifica&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos do sexo masculino    &eacute; o dobro com respeito ao sexo feminino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Medidas do tipo raz&atilde;o podem ser elaboradas    para a compara&ccedil;&atilde;o entre dois n&uacute;meros j&aacute; relativizados,    por exemplo dois coeficientes, duas taxas ou duas raz&otilde;es. Assim, o coeficiente    de incid&ecirc;ncia entre expostos em rela&ccedil;&atilde;o ao coeficiente entre    os n&atilde;o expostos &eacute; a chamada &quot;raz&atilde;o de riscos&quot;    &quot;risco relativo&quot;<sup>1,11</sup> ou de, maneira mais adequada e espec&iacute;fica,    &quot;raz&atilde;o de incid&ecirc;ncias acumuladas&quot; (<i>incidence ratio,    risk ratio</i>).<sup>5,6,7,8,9,17</sup> Uma medida semelhante pode ser constru&iacute;da    entre coeficientes de preval&ecirc;ncia em expostos e n&atilde;o expostos, e    chamada apropriadamente &quot;raz&atilde;o de preval&ecirc;ncias&quot; (<i>prevalence    ratio</i>).<sup>5,6,7,9</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m pode ser calculada uma raz&atilde;o    entre duas taxas, isto &eacute;, entre a densidade de incid&ecirc;ncia nos expostos    com respeito aos n&atilde;o expostos: &quot;raz&atilde;o de densidades de incid&ecirc;ncia&quot;,    &quot;raz&atilde;o de taxas&quot; ou &quot;taxa relativa&quot; (<i>incidence    density ratio, rate ratio, relative rate</i>.<sup>5,6,7,8,10</sup> Finalmente,    pode ser realizada a mesma opera&ccedil;&atilde;o entre duas raz&otilde;es como    veremos abaixo (<i>vide</i>, chances e raz&atilde;o de chances). Todas as medidas    descritas neste par&aacute;grafo correspondem a medidas de efeito que mostram    a associa&ccedil;&atilde;o e poss&iacute;vel depend&ecirc;ncia entre duas vari&aacute;veis,    que constituem a base para an&aacute;lise de causalidade nos estudos observacionais    (coorte, transversal e caso-controle) e nos de interven&ccedil;&atilde;o (experimentais    e <i>quasi</i>-experimentais). Deste modo, um risco relativo ou raz&atilde;o    de incid&ecirc;ncia de 5 calculado para um estudo de coortes, significa que    os expostos t&ecirc;m incid&ecirc;ncia 5 vezes maior (ou 5 vezes mais probabilidades    de virarem &quot;casos&quot;) do que os n&atilde;o expostos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em estudos anal&iacute;ticos ou etiol&oacute;gicos    de mortalidade, pode ser calculada a de coeficientes de mortalidade entre expostos    e n&atilde;o expostos a um determinado fator. Por&eacute;m, mais freq&uuml;entemente    s&atilde;o utilizados dados de mortalidade proporcional, podendo ser constru&iacute;da    uma medida de associa&ccedil;&atilde;o: a &quot;raz&atilde;o de mortalidades    proporcionais&quot; (<i>proportional mortality ratio</i>).<sup>6,7,10</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em estudos de valida&ccedil;&atilde;o de testes    diagn&oacute;sticos, medidas de raz&atilde;o podem ser constru&iacute;das para    avaliar a qualidade do teste. Desta maneira, a raz&atilde;o de probabilidades    positivas (ou raz&atilde;o de verosimilhan&ccedil;a positiva; <i>likelihood    ratio</i>) expressa quanto maior &eacute; a probabilidade de ser diagnosticado    como positivo quando se tem a doen&ccedil;a (sensibilidade) em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; probabilidade de ser classificado como positivo quando n&atilde;o se    tem a doen&ccedil;a (probabilidade de falso positivo).<sup>11,18</sup> H&aacute; tamb&eacute;m    uma medida an&aacute;loga de raz&atilde;o de probabilidades negativas sendo    estas medidas pouco utilizadas na pr&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outros exemplos de raz&otilde;es podem ser &uacute;teis    nos servi&ccedil;os: raz&atilde;o de casos suspeitos a casos confirmados; raz&atilde;o    de casos leves e moderados <i>versus</i> casos graves.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Medidas do Tipo Chance (<i>Odds</i>)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Trata-se de uma medida n&atilde;o proporcional    que expressa a rela&ccedil;&atilde;o de duas probabilidades: a probabilidade    de ocorr&ecirc;ncia de um evento dividida pela probabilidade de n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia    do mesmo evento. Na verdade, trata-se de uma raz&atilde;o de duas probabilidades    mutuamente excludentes. Esta medida era utilizada para os c&aacute;lculos de    chances adversas nas apostas de corridas de cavalos. N&atilde;o h&aacute; uma    tradu&ccedil;&atilde;o exata para o termo &quot;<i>odds</i>&quot; na l&iacute;ngua    portuguesa. Mesmo a utiliza&ccedil;&atilde;o da palavra &quot;chance&quot;,    a conota&ccedil;&atilde;o da mesma em franc&ecirc;s, ingl&ecirc;s, espanhol    e portugu&ecirc;s &eacute; positiva, enquanto &quot;<i>odds</i>&quot; implica    desvantagem ou adversidade a ser vencida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Em epidemiologia, o uso de <i>Odds</i>, aqui    traduzido como &quot;chances&quot;, data da d&eacute;cada de 1950. Usamos esta    medida quando n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ter um denominador preciso    e, portanto, quando &eacute; imposs&iacute;vel calcular a propor&ccedil;&atilde;o    de eventos em rela&ccedil;&atilde;o a um total sob risco. O exemplo de uso mais    amplo diz respeito aos estudos de Caso-Controle em que as &quot;chances&quot;    (<i>Odds</i>) como medida de freq&uuml;&ecirc;ncia expressa, entre os casos,    as &quot;chances&quot; de terem sido expostos (probabilidade de exposi&ccedil;&atilde;o    dividida pela probabilidade de n&atilde;o exposi&ccedil;&atilde;o), sendo realizado    o mesmo c&aacute;lculo para a situa&ccedil;&atilde;o dos controles. A medida    de efeito ou de associa&ccedil;&atilde;o neste tipo de estudo constitui a &quot;raz&atilde;o    de chances&quot;, mencionada inicialmente por alguns autores (<i>Odds Ratio</i>)    <sup>19,20</sup> e ulteriormente popularizada por outros.<sup>1,5,6,7,8,9,10,11,16</sup>    Consiste em dividir o resultado das chances dos casos de terem sido expostos,    sobre as chances de exposi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para os controles.    Como medida de efeito, uma raz&atilde;o de chances de 5 em um estudo de caso-controle    pode ser interpretada da seguinte maneira: entre os casos, h&aacute; 5 vezes    mais chances de exposi&ccedil;&atilde;o do que entre os controles. Note-se que    isto n&atilde;o equivale a dizer que h&aacute; 5 vezes mais risco entre os expostos.    Apesar de ser uma estimativa do Risco Relativo, a raz&atilde;o de chances pode    gerar distor&ccedil;&otilde;es grosseiras devido ao desenho amostral incompleto,    impl&iacute;cito nos estudos de caso-controle. O uso do termo &quot;raz&atilde;o    de produtos cruzados&quot;,<sup>1,11</sup> corresponde &agrave; constata&ccedil;&atilde;o    da equival&ecirc;ncia matem&aacute;tica no c&aacute;lculo da &quot;raz&atilde;o    de chances&quot;, sendo este &uacute;ltimo o termo mais adequado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Espera-se com este artigo estimular o debate    a respeito da propriedade do uso de determinados termos no processo de constru&ccedil;&atilde;o    de indicadores. Os exemplos antes mencionados representam algumas das situa&ccedil;&otilde;es    mais freq&uuml;entes em epidemiologia aplicada aos servi&ccedil;os. Alguns casos    devem ser observados com aten&ccedil;&atilde;o. Trata-se daqueles eventos para    os quais n&atilde;o se conta com bons dados de denominador e em que foi escolhido    um substituto operacionalmente mais dispon&iacute;vel e correlato da situa&ccedil;&atilde;o,    por&eacute;m n&atilde;o exatamente &quot;correto&quot;. Um primeiro exemplo    &eacute; a mortalidade infantil. Neste caso, o n&uacute;mero de &oacute;bitos    em menores de um ano ocorridos em um dado ano &eacute; dividido n&atilde;o pela    popula&ccedil;&atilde;o de menores de um ano, mas pelo n&uacute;mero de nascidos    vivos nesse ano. O denominador n&atilde;o corresponde exatamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o    de risco (h&aacute; possibilidades de erros); ele representa os &oacute;bitos    para cada mil nascidos vivos. J&aacute; que alguns dos elementos do numerador    podem n&atilde;o estar inclu&iacute;dos no denominador, por exemplo crian&ccedil;as    nascidas no ano anterior e falecidas no ano atual, este indicador seria mais    pr&oacute;ximo de uma raz&atilde;o. Por&eacute;m, o indicador &eacute; sens&iacute;vel    e v&aacute;lido para o evento em quest&atilde;o, constitui uma ferramenta excelente    para avaliar o estado de sa&uacute;de de comunidades e tem sido compar&aacute;vel    de modo consistente entre diversos locais, regi&otilde;es e pa&iacute;ses. Em    termos matem&aacute;ticos, este indicador &eacute; bastante pr&oacute;ximo de    um verdadeiro &quot;coeficiente de mortalidade infantil&quot; para cada grupo    de mil habitantes do grupo et&aacute;rio de menores de um ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um segundo caso excepcional &eacute; o indicador    de mortalidade materna. O numerador corresponde aos &oacute;bitos devidos &agrave;    gravidez, ao parto e ao puerp&eacute;rio ocorridos em um ano. O denominador    deveria corresponder ao total de mulheres gr&aacute;vidas, parturientes e pu&eacute;rperas    no mesmo per&iacute;odo. Por diversos motivos que n&atilde;o se vai analisar    neste espa&ccedil;o, este n&uacute;mero &eacute; extremamente dif&iacute;cil    de ser obtido ou estimado. Por isso, utiliza-se como substituto os rec&eacute;m-natos    desse per&iacute;odo. De modo semelhante &agrave; mortalidade infantil, este    indicador &eacute; um excelente auxiliar na avalia&ccedil;&atilde;o do estado    de sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es em geral, das mulheres em particular    e da qualidade de assist&ecirc;ncia pr&eacute;-natal. Ele &eacute; sens&iacute;vel    ao evento e tamb&eacute;m confere comparabilidade. J&aacute; que se trata de    uma situa&ccedil;&atilde;o em que os elementos do numerador e do denominador    s&atilde;o da mesma natureza, isto &eacute;, ambos s&atilde;o n&uacute;meros    absolutos, mas de categorias diferentes (&oacute;bitos associados &agrave; maternidade    e rec&eacute;m-nascidos), aproxima-se de uma medida de raz&atilde;o. Por&eacute;m,    se os nascidos vivos fossem uma estimativa pouco tendenciosa das mulheres em    situa&ccedil;&atilde;o de maternidade, o indicador assim calculado se aproximaria    do coeficiente de mortalidade materna para cada 1.000 mulheres em tal situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um outro indicador de incid&ecirc;ncia utilizado    no &acirc;mbito mais restrito da avalia&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica    descritiva de surtos epid&ecirc;micos &eacute; constitu&iacute;do pela chamada    &quot;taxa de ataque secund&aacute;rio&quot; (<i>secondary attack rate</i>).    Este indicador pretende medir a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a    entre indiv&iacute;duos suscet&iacute;veis conhecidos ou suspeitos, uma vez    em contato com um caso prim&aacute;rio.<sup>21</sup> O indicador &eacute; constru&iacute;    do dividindo o n&uacute;mero de pessoas expostas que desenvolvem a doen&ccedil;a    (casos novos em contato com o caso prim&aacute;rio) dividido pelo n&uacute;mero    total de suscet&iacute;veis expostos (total de suscet&iacute;veis com tal antecedente    de contato). Torna-se aparente que o numerador &eacute; um subconjunto do denominador,    que est&aacute; composto pelas pessoas em risco, constituindo o indicador, portanto,    um coeficiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; conveniente lembrar que   a elabora&ccedil;&atilde;o de indicadores epidemiol&oacute;gicos deve responder a   necessidades e situa&ccedil;&otilde;es concretas em que os servi&ccedil;os obtenham um benef&iacute;cio,   devendo ser simples e sens&iacute;veis. Ao se olhar retrospectivamente a aplica&ccedil;&atilde;o de   indicadores quantitativos baseados nas medidas anteriormente explicadas,   constatar-se-&aacute; que posteriormente aos prim&oacute;rdios da estat&iacute;stica em sa&uacute;de e ao   trabalho de seus pioneiros, John Graunt e William Petty, no s&eacute;culo XVII, as   no&ccedil;&otilde;es das medidas de raz&atilde;o e propor&ccedil;&atilde;o   foram propostas, implementadas e utilizadas em diversos &acirc;mbitos a partir   de meados do s&eacute;culo XIX. Por exemplo, foram usadas no &acirc;mbito hospitalar por   Ignaz Semmelweiss e, posteriormente por Joseph Lister.<sup>22,23</sup> No &acirc;mbito de   coletivos espec&iacute;ficos como o ex&eacute;rcito foram utilizadas por   Florence Nightingale.<sup>24</sup> De particular relev&acirc;ncia para a sa&uacute;de p&uacute;blica, foi sua   utiliza&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito populacional por   John Snow, William Farr e Peter Ludwig Panum.<sup>22,23,25,26</sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outros tipos de medidas descritos acima, tais    como as de chances (<i>Odds</i>) e as de pessoas-tempo, s&atilde;o de aparecimento    mais tardio e mais limitadas na potencialidade de uso como indicadores. Quanto    &agrave;s medidas que usam chances, elas foram posteriores aos prim&oacute;rdios    dos estudos de caso-controle que podem remontar ao s&eacute;culo XIX, ou, mais    provavelmente, &agrave;s primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX.<sup>16,27</sup>    O come&ccedil;o da utiliza&ccedil;&atilde;o das &quot;chances&quot; em epidemiologia    deve-se a Jerome Cornfield, na d&eacute;cada de 1950,<sup>28</sup> correspondendo    &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o neste campo da no&ccedil;&atilde;o de <i>Odds</i>,    j&aacute; conhecida e amplamente usada nas apostas de corridas de cavalos. Com    a prolifera&ccedil;&atilde;o dos estudos de caso-controle, o uso de <i>Odds</i>    e <i>Odds Ratio</i> tornou-se cada vez mais popular no decorrer da segunda metade    do s&eacute;culo XX, mas sua aplica&ccedil;&atilde;o permanece ainda bastante    restrita a estudos com dados prim&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto ao uso de pessoas-tempo,   ele foi precedido em alguns anos pelos   primeiros estudos de coorte,<sup>23,24</sup> ainda   no s&eacute;culo XX. As medidas do tipo taxa   foram propostas por Doll, na Inglaterra,   durante a d&eacute;cada de 1950, e, embora   tenha havido um incremento tremendo no   n&uacute;mero de trabalhos que utilizaram   pessoas-tempo ao longo da segunda   metade do s&eacute;culo XX, a efetiva utiliza&ccedil;&atilde;o   permanece no dom&iacute;nio dos estudos   epidemiol&oacute;gicos com dados prim&aacute;rios.   Por&eacute;m, a partir de alguns dados de   notifica&ccedil;&atilde;o em que s&atilde;o registrados   sistematicamente as datas de entrada e   sa&iacute;da de &quot;casos&quot; nos registros, como na   notifica&ccedil;&atilde;o de tuberculose e hansen&iacute;ase,   o c&aacute;lculo de pessoas-tempo pode ser   poss&iacute;vel com dados secund&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Conclui-se, assim, que poucos avan&ccedil;os    deste s&eacute;culo t&ecirc;m sido registrados na populariza&ccedil;&atilde;o    de indicadores consolidados e na proposta de novos indicadores simples e sens&iacute;veis    estruturados com criatividade. Outras propostas de trabalho com modelos matem&aacute;ticos    permanecem ainda mais circunscritas ao campo da pesquisa acad&ecirc;mica, ainda    que tenham sido utilizados dados da vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica ou    que seu uso tenha relev&acirc;ncia para os servi&ccedil;os. Constata-se ent&atilde;o    que, mesmo com o uso das medidas mais simples e tradicionais, o uso &eacute;    ainda limitado e a nomenclatura confusa. Na transi&ccedil;&atilde;o para o s&eacute;culo    XXI, este trabalho buscou ajudar ao entendimento do uso de medidas na constru&ccedil;&atilde;o    de indicadores, tendo em vista que da correta interpreta&ccedil;&atilde;o das    medidas depende a implementa&ccedil;&atilde;o racional de m&eacute;todos de    an&aacute;lise adequados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"> 1. Pereira MG. Epidemiologia: teoria e   pr&aacute;tica. Rio de Janeiro: Guanabara   Koogan; 1995.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">2. Laurenti R, Mello Jorge MHP, Lebr&atilde;o    ML, Gotlieb SLD. Estat&iacute;sticas de Sa&uacute;de. S&atilde;o Paulo: EPU-EDUSP;    1985.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">3. World Health Organization. Study Group of    Measurement of Levels of Health. Geneva; 1957. Technical Report Series n<sup>o</sup>    137.</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">4. Elandt-Johnson RC. Definition ofrates: some    remarks on their use and misuse. American Journal of Epidemiology 1975; 102:    267-271.</font><p><font size="2" face="Verdana">5. KIeinbaum DG, Kupper LL,   Morgenstern H. Epidemiologic   Research: PrincipIes and Quantitative   Methods. 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Journal of Chronic Diseases 1979; 32: 15-27.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="endereco"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/iesus/v9n4/seta.gif" border="0"></a><strong>Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia:</strong>    <br>   Departamento de Sa&uacute;de Coletiva da    <br>   Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de.    <br>   Campus da Universidade de Bras&iacute;lia.    <br>   Bras&iacute;lia-DF    <br>   CEP: 70.000-000 -     <br>   Fax (061) 274- 7022.    <br>   E-mail:<a href="mailto:hamann@unb.br">hamann@unb.br</a></font></p>     ]]></body>
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