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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O diálogo necessário entre a epidemiologia e as ciências sociais e humanas na promoção da saúde]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O di&aacute;logo    necess&aacute;rio entre a epidemiologia e as ci&ecirc;ncias sociais e humanas    na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mois&eacute;s Goldbaum</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Membro do Comit&ecirc; Editorial - IESUS</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Apresentar o presente    n&uacute;mero do IESUS imp&otilde;e uma visita aos dois editoriais imediatamente    anteriores da revista, nos quais se estabelece um debate envolvendo a produ&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos em Sa&uacute;de Coletiva (2000, 9(3):167-68 e 2000, 9(4):227-28).    Essa quest&atilde;o vem mobilizando a comunidade cient&iacute;fica, sob m&uacute;ltiplas    formas e em diferentes inst&acirc;ncias e n&iacute;veis, e n&atilde;o &eacute;    de surpreender que ela venha a ganhar espa&ccedil;o neste peri&oacute;dico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Cec&iacute;lia    Minayo, cujas inquestion&aacute;veis credenciais t&eacute;cnicas e cient&iacute;ficas    s&atilde;o altamente reconhecidas, utilizando de seu habitual zelo com a produ&ccedil;&atilde;o    da &aacute;rea de Sa&uacute;de Coletiva, exp&otilde;e suas preocupa&ccedil;&otilde;es    com as an&aacute;lises oferecidas por Maur&iacute;cio Lima Barreto, cujas qualidades    acad&ecirc;micas s&atilde;o enaltecidas por ela e dispensam outros coment&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ao analisar a    Epidemiologia no contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o, Barreto afirma ser    ela <i><b>uma das disciplinas</b> mais bem preparadas para compreender o ser humano em    suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es</i> (grifo nosso), o que gera as citadas    preocupa&ccedil;&otilde;es de Minayo. Afirma ela que tal assertiva leva &agrave;    posi&ccedil;&atilde;o de que teorias ligadas ao social ou ao terreno da subjetividade    ficariam subsumidas &agrave;s an&aacute;lises epidemiol&oacute;gicas e, por    conseq&uuml;&ecirc;ncia sup&otilde;e-se a desconsidera&ccedil;&atilde;o de que    cabe &agrave;s ci&ecirc;ncias sociais a tarefa de <i>problematizar os conceitos    tidos como verdades inquestion&aacute;veis, desnaturalizar os indicadores, evidenciar    os reducionismos</i> e, especialmente trazer para o debate a l&oacute;gica ocultada    pelos n&uacute;meros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> N&atilde;o tenho    nenhum mandato de Barreto para defender suas posi&ccedil;&otilde;es, com as    quais me identifico, bem como as entendo altamente comprometidas com o desenvolvimento    conseq&uuml;ente e respons&aacute;vel do campo da Sa&uacute;de Coletiva. Pretendo,    isto sim, entender qual a quest&atilde;o posta neste debate e qual seu sentido    para o desenvolvimento do campo. Nada a opor ao que se espera dos conhecimentos    produzidos pelas Ci&ecirc;ncias Sociais, lembrando entretanto que, como qualquer    campo cient&iacute;fico, elas s&atilde;o tamb&eacute;m compostas por diferentes    escolas de pensamento e buscam as verdades segundo suas l&oacute;gicas respectivas.    No caso da afirma&ccedil;&atilde;o feita sobre a abrang&ecirc;ncia da epidemiologia,    entendo que se quis reafirmar suas caracter&iacute;sticas de universalidade;    ao se dispor, como tem sido feito no &acirc;mbito da Sa&uacute;de Coletiva Brasileira,    a dialogar com diferentes campos, dos quais se destaca as Ci&ecirc;ncias Sociais    e Humanas (e nenhum de n&oacute;s pode desconhecer os esfor&ccedil;os empreendidos    para tanto), os epidemiologistas t&ecirc;m respeitado e incorporado os conceitos    gerados pelos campos cient&iacute;ficos que lhes s&atilde;o interfaces. Depreende-se    da&iacute; que a epidemiologia brasileira tem procurado (insisto, em especial,    no &acirc;mbito da Sa&uacute;de Coletiva) estabelecer as bases interdisciplinares    (t&atilde;o reclamadas pelos nossos pesquisadores) para a produ&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos comprometidos com as reais necessidades da popula&ccedil;&atilde;o    brasileira. Longe de abrigar freq&uuml;entemente, na sua produ&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica, <i>o tratamento da quest&atilde;o social e humana atrav&eacute;s    do senso comum ou de forma &quot;meramente ideol&oacute;gica&quot;</i>, a Sa&uacute;de    Coletiva, e aqui no caso espec&iacute;fico, a investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica    t&ecirc;m contri-bu&iacute;do para a <i>realiza&ccedil;&atilde;o, em toda sua plenitude,    da sa&uacute;de humana</i>, quando trabalhada com <i>compet&ecirc;ncia, sensibilidade    e &eacute;tica</i> (os exemplos s&atilde;o muitos, desde a implanta&ccedil;&atilde;o,    enquanto &aacute;rea cient&iacute;fica reconhecida, da Sa&uacute;de P&uacute;blica    brasileira no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Trazer esta quest&atilde;o    para o debate, sugerindo uma disjuntiva ou uma &quot;competi&ccedil;&atilde;o&quot;    entre epidemiologia e ci&ecirc;ncias sociais e humanas em sa&uacute;de, vai    de encontro &agrave;s necessidades postas a partir das demonstra&ccedil;&otilde;es    feitas pela sociologia das ci&ecirc;ncias para a articula&ccedil;&atilde;o das    disciplinas, <i>criando novas propostas cient&iacute;ficas, seja colocando-se    em aberta colabora&ccedil;&atilde;o para uma explica&ccedil;&atilde;o mais abrangente    e para uma compreens&atilde;o mais profunda dos fen&ocirc;menos e das realidades    em jogo</i>. De outro lado, a forma exposta deixa de considerar as conquistas    alcan&ccedil;adas pela comunidade cient&iacute;fica da &aacute;rea, nesses mais    de 30 anos de atua&ccedil;&atilde;o, e que se consolidam sob a &eacute;gide    da sua repre-senta&ccedil;&atilde;o institucional, a ABRASCO, com repercuss&otilde;es    em todo o seu conjunto de campos disciplinares. Desnecess&aacute;rio enumerar    estas repercuss&otilde;es, basta verificar a sua presen&ccedil;a nas defini&ccedil;&otilde;es    de pol&iacute;ticas e legisla&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de ou na condu&ccedil;&atilde;o    dos programas de vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica, para ficar em dois    dos exemplos. Isto n&atilde;o significa que n&atilde;o h&aacute; desafios pela    frente e nem que n&atilde;o existam novos e velhos problemas sem o devido encaminhamento    de suas solu&ccedil;&otilde;es. Estes mostram que o caminho a ser trilhado implica    acompanhar atentamente a redefini&ccedil;&atilde;o das &aacute;rvores de conhecimento    cient&iacute;fico, em andamento no CNPq, o reconhecimento das especificidades    disciplinares e a efetiva constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento multidisciplinar    que, praticamente, todas as nossas escolas, a seu modo e voca&ccedil;&atilde;o,    t&ecirc;m buscado alcan&ccedil;ar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Este n&uacute;mero    do IESUS, coerentemente com sua linha editorial de divulga&ccedil;&atilde;o    da produ&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica junto aos profissionais    de sa&uacute;de e de difus&atilde;o do conhecimento epidemiol&oacute;gico para    o aprimoramento do SUS, reafirma, atrav&eacute;s das publica&ccedil;&otilde;es    nele inseridas, as m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es da Epidemiologia e refor&ccedil;a    o seu car&aacute;ter multidisciplinar e abrangente. O artigo de Jorge e Gotlieb    incorpora novos elementos para o aprimoramento dos Sistemas de Informa&ccedil;&atilde;o    em Sa&uacute;de (SIS); ao sinalizar e discutir a import&acirc;ncia do Sistema    de Informa&ccedil;&atilde;o de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (SIAB) gerado    junto ao Programa de Agentes Comunit&aacute;rios de Sa&uacute;de e aos Programas    de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, as autoras prop&otilde;em instrumentos para    suplementar e enriquecer os dados provindos de outras bases. O tema SIS, sempre    presente nas edi&ccedil;&otilde;es do IESUS, evidenciando sua relev&acirc;ncia    para compreender a distribui&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos vitais, se    v&ecirc; ampliado na sua abordagem com a publica&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio    final da Oficina de Trabalho &quot;Informa&ccedil;&atilde;o para a Gest&atilde;o    do SUS&quot;, realizada por ocasi&atilde;o do VI Congresso Brasileiro de Sa&uacute;de    Coletiva; trata-se de documento que traz subs&iacute;dios para pensar pol&iacute;ticas    de informa&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de, com repercuss&otilde;es evidentes    sobre a gest&atilde;o do SUS. O artigo de Scatena e Tanaka se comp&otilde;e    na abordagem desse tema &agrave; luz da descentraliza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de,    trazendo uma dupla perspectiva: aponta para a articula&ccedil;&atilde;o entre    os campos disciplinares da Epidemiologia e da Gest&atilde;o e Planejamento em    Sa&uacute;de, ao mesmo tempo que indicam para as amplas possibilidades abertas    ao trabalhar-se com os dados existentes para analisar e estudar os modelos de    sa&uacute;de propostos no Brasil. O artigo de autoria de Freitas e Amorim aborda    a &quot;Vigil&acirc;ncia Ambiental em Sa&uacute;de de Acidentes Qu&iacute;micos    Ampliados no Transporte Rodovi&aacute;rio de Cargas Perigosas&quot;, e valoriza    a quest&atilde;o ambiental como tema de interesse do campo da Sa&uacute;de Coletiva;    ao denunciar a aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es mostram as dificuldades    que se apresentam para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas para o    campo da sa&uacute;de e ambiente. A nota t&eacute;cnica que completa este n&uacute;mero    do IESUS, da autoria de Tuboi, Tavares, Ashford e colaboradores, ao lado do    conhecimento produzido e das implica&ccedil;&otilde;es detect&aacute;veis sobre    o controle doen&ccedil;as febris hemorr&aacute;gicas, traz &agrave; tona a capacidade    e potencialidade existente para o desenvolvimento de trabalhos cooperativos,    nacional e internacionalmente, bem como mostra um exemplo bem sucedido de articula&ccedil;&atilde;o    entre as diferentes inst&acirc;ncias t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas, como    as institui&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias, os institutos de pesquisa    e os servi&ccedil;os de sa&uacute;de, na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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